quarta-feira, 10 de junho de 2026

Akira Aqui (Parte 1 de 7)

 

 

Falo pela primeira vez sobre o pintor japonês Akira Ikezoe, nascido em 1979. Fez oito mostras solos, muitas em Nova York, ou seja, reconhecimento internacional. Fez dezoito mostras coletivas e ganhou nove prêmios. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, sem título (1). Aqui são como microorganismos convivendo num ambiente, numa convivência, como no seriado Chaves, com pessoas convivendo numa humilde vila, com constantes atritos e tensões, na sabedoria popular de que vizinho não se escolhe; vizinho se tem! Aqui os suportes são delgados, finos, frágeis, no discernimento taoista de que grosso é fraco e de que fino é forte, no homem de Tao, um homem muito polido, excessivamente polido, sabendo que tudo é frágil e que precisamos ter delicado tato diplomático, como fiquei sabendo do rei da Tailândia, um homem cordato, que dialoga com as pessoas, numa família popular em seu país, com os livros de diários de viagens de uma certa princesa, fenômeno de vendas na Tailândia, no dom que é o carisma, como dizem que foi morninho o show de Lenny Kravitz no Brasil, um artista o qual, apesar de ser uma grande voz e ter um grande repertório, não soube “atear fogo” na plateia, ao contrário de outros artistas, excitando a plateia, no poder da união e da celebração, no contraste entre as Coreias: No sul, um país em festa, com arte, cor, liberdade, beleza; no norte, um déspota que investe tudo em armamento, num país miserável, num ponto agonizante de ditadura no Mundo, na coragem de chamar de “democracia” tal país. Uma forma aqui é uma serpente, num bicho que, no Cristianismo, simboliza o mal e a malícia; já, em outras culturas, é símbolo de fertilidade e sensualidade, como água escorrendo, na água lutando para sobreviver, na luta de árvores competindo pelo Sol, na luta pela vida, num Deus que quer nos ver lutando pela Vida, ao contrário do morador de Rua, uma pessoa que quer, com toda as suas forças, fugir de tal luta, nas palavras de uma certa canção: “A Vida cobra sério e, realmente, não dá para fugir”, ou nos versos de nosso hino nacional: “Verás que filho teu não foge à luta!”, como meu falecido tio, construindo meio século de atuação no mercado de produtos químicos, um homem guerreiro, digno, deixando tal legado para a família. Outra forma aqui é como um peixe, na esperteza do peixe na água, fugindo furtivamente de predadores, no instinto de sobrevivência, na seleção natural, na qual só os mais espertos passam seus genes para outras gerações, como na cor cinzenta de pombos urbanos, em harmonia com as cores cinzentas da urbe, na sabedoria do camaleão, que é se esconder de presas e predadores, no poder da discrição, em homens tão discretos como Luis Fernando Veríssimo, meu ídolo, o qual vi certa vez num shopping em Porto Alegre, num senhor sendo desrespeitosamente assediado com pessoas querendo fazer selfies com o escritor, um senhor alheio a celebrizações midiáticas, ao contrário do robert, do exibidinho, o qual, no fundo, as pessoas não respeitam muito, como uma certa socialite, a qual quer aparecer por aparecer, simplesmente, uma pessoa para a qual não dá para se tirar o chapéu – sinto muito. Outra forma aqui é como um pote, uma casa de joão de barro, numa casa da felicidade, como uma certa amiga minha, feliz em seu casamento, vivendo uma vida de produtividade e discrição, na capacidade de uma pessoa em fazer escolhas visando tal felicidade, ao contrário de casamentos que naufragam, como hoje em dia, em casais que se separam em meio a um mero desentendimento, ou seja, faltando com a persistência, na sabedoria popular de que ninguém é perfeito, como um não fumante aturando um cônjuge fumante, na questão do fumante passivo. Outra forma aqui é como um gongo, num barulho marcante, como pessoas marcando épocas, em passagens tão poderosas como a de Jesus, atravessando séculos em um legado indelével, propagando conceitos e ideias, pensamentos, no poder do pensamento, que é ir além da matéria, fazendo da matéria uma ilusão, como somos prisioneiro do Capitalismo, de Matrix: Tenho que trabalhar feito um “burro de carga” para produzir capital e, assim, adquirir bens cobiçados de consumo, na questão do endividamento, que é uma pessoa que quer viver acima do que pode, em suaves prestações que se revelam um pesadelo. Aqui, cada um tem seu estilo, numa diversidade que tem que ser respeitada.

 


Acima, sem título (2). Aqui temos uma flexão, uma curvatura, no polido ato japonês de curvatura, como oponentes no judô, num trato entre cavalheiros, numa necessidade de se ter um enorme controle emocional para não levar as porradas para o lado pessoal, no modo como polidez é um valor universal, no tato diplomático, sempre pelo diálogo, no cavalheirismo no fio do bigode, no modo como um homem de Tao jamais recomendará violência, ao contrário de um certo senhor, o qual trilha o caminho de imposição à força, muito diferente da hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, num ponto em que faço questão de obedecer a meu irmão mais depurado. Vemos uma nuvem, uma fumaça, como em chaminés de fábricas, no cheiro de óleo diesel de cidades como Nova York, ou como em Pequim, no curioso paradoxo chinês: De jure, uma ditadura comunista na qual o cidadão não tem poder de mando ou voto, de facto, um país no qual o oprimido cidadão é absolutamente livre para empreender e abrir seu negócio, em pontos agonizantes de comunismo no Mundo, remetendo à época da ditadura militar brasileira, numa época em que a Comunismo era temido, no temor do Brasil ser anexado à URSS, fazendo, assim, tal bloco comunista ser muito poderoso. Vemos uma pequena piscina, na alegria de brincadeiras de verão na água, em doces lembranças com amigos, os quais são o ouro da Vida, no poder do compartilhamento, pois só é válido eu ter as coisas se eu puder compartilhar, no equívoco do personagem Quico, o qual queria passar sozinho seu próprio aniversário e comer tudo sozinho, repreendido pela mãe Florinda, a qual disse que temos que aquecer nossos corações e compartilhar as coisas. Vemos aqui uma forma como luminária, ou castiçal com velas, na iluminação na mente de um artista, buscando tal inspiração, como um popstar elucubrando um videoclipe, em artistas tão profissionais como Jennifer Lopez, esforçando-se para fazer clipes criativos e interessantes, como num genial clipe em que a diva interpreta vários papéis num enredo que se passa dentro de uma boate, num clipe marcante e bem conduzido, na diva dizendo certa vez ao conceber uma fragrância: “Se é para fazer algo ruim, é melhor nada fazer, pois não quero me constranger!”, em pessoas com agressividade, sabendo que o Mundo é um lugar competitivo. O suporte aqui é tal respaldo, num artista se estabelecendo, numa luta, como um certo professor que tive em minha faculdade, o qual enveredou para as Artes Plásticas, tecendo um trabalho tão interessantes, naqueles quadros que nos dão vontade de roubar e levar para casa, fazendo da Arte tal poder civilizatório, no modo como os macacos não pintam, nem dança, nem cantam etc. Arte é uma questão de saúde mental; Arte é visceralmente importante, como no Reino Unido, no monarca condecorando artistas com os títulos nobres de tal reino, como no título de Dama de Liz Taylor. O fundo rubro é tal calor, num tempero latino, num restaurante mexicano que em certa época funcionou em Porto Alegre, com molhos picantes, como tambores vibrantes, no poder das especiarias, as quais seduziram a Europa na Era das Navegações, na delícia de se colocar canela em comidas, como em tortas, pastéis etc., na universalidade da barriga humana, no modo como o sushi ganhou o Mundo, ou no modo como a pizza ganhou o Mundo, no poder da culinária italiana. Vemos um tripé sustentando, como num chefe de família sustentando uma família, remetendo a homens que levam vida dupla, com duas família, sustentando ambas, numa Vida que exige que sejamos unos e íntegros, com uma só Vida, na situação grave que é saber que se têm meios irmãos no Mundo os quais sequer conhecemos, podendo nos topar com eles na Rua sem saber quem são! A nuvem é o sonho, como no personagem Anjinho, do mestre cartunista Mauricio de Souza, sonhando em sua nuvenzinha, no termo da firma hollywoodiana Dream Works, ou seja, Sonhos e Trabalhos, sendo necessário sonhar e trabalhar para concretizar tal sonho.

 


Acima, sem título (3). Assim são como itens de decoração para uma casa, como na casa de uma certa senhora, uma casa decorada com extremo bom gosto, parecendo ter saído das páginas de uma revista internacional de decoração, uma senhora que não teve que contratar qualquer decorador, na dádiva que é a pessoa ter bom gosto, num instinto, como ouvi certa na conversa de duas senhoras: “Sabes como é gosto – não se discute; só se lamenta!”, ou seja, caminho diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, o imaterial, o sacrossanto pensamento, no poder do pensamento de Jesus, trazendo tal conceito inédito espírita do Reino dos Céus, nas cidades espirituais, feitas de pensamento, no modo do grego antigo em projetar tais cidades no metafísico Monte Olimpo, a morada dos deuses, lugares sem as vicissitudes da matéria, do corpo físico, na glória que é o desencarne, num momento em que nos desligamos de todos os problemas relacionados ao corpo físico, como doenças – é a glória, meu irmão! Numa das formas aqui vemos um emaranhado, como numa complexa rede de vias urbanas, numa espécie de labirinto, com placas nos guiando, no incômodo que é transitar por vias desconhecidas e estranhas a nossos olhos, como no supermercado no qual estamos acostumados a fazer compras, pois já sabemos direitinho onde encontrar casa mercadoria, numa familiaridade, como uma pessoa que se muda de cidade, tendo que se orientar e fazer novos amigos, na ilusão de que nossa vida mudará radicalmente só porque nos mudamos de cidade, nas palavras de um certo senhor inteligente: “A Vida é dura e difícil em qualquer lugar!”. Vemos aqui formas fálicas, como no falo patriarcal do Código de Hamurabi, numa séria e expressa advertência: Comporte-se e respeite a lei se você não quiser tomar no cu, com o perdão do termo chulo, com tudo se resumindo a comportamento: Se você se comportar mal, vai de castigo, como pessoas internadas em duras clínicas psiquiátricas, no valor do simples senso comum, o qual é visceral, com línguas em constante processo de transformação, com tudo se rendendo ao senso comum, em línguas mortas como o latim e o egípcio antigo – tudo é processo vivo. Vemos uma forma que parece ser uma folha de árvore, no modo como os campos e florestas vestem roupas maravilhosas, no modo como a beleza de um reino não está nos palácios, mas nas paisagens naturais, na saúde ao ar livre, como cavalgar, como os tropeiros no passado do Rio Grande do Sul, admirados pelos colonos italianos, com estes achando os tropeiros com aspecto de príncipes com seu garbosos cavalos, num bicho tão majestoso, como no altivo cavalo Scadufax, de Tolkien, nobre, cheio de porte e elegância. Aqui vemos uma garrafa, como de vinho, na universalidade do álcool, no saquê japonês, na vodca russa etc., no glorioso momento do happy hour, no qual deixamos de lado as disciplinas sisudas do trabalho, afrouxando gravatas e injetando álcool na corrente sanguínea, como já ouvi dizer numa sitcom americana: As pessoas não gostam do gosto de álcool; as pessoas gostam dos efeitos do álcool. Aqui é como se Akira estivesse pintando uma exposição de esculturas, numa ironia de metalinguagem, que é x falando de x, ou seja, a arte da pintura falando da arte da escultura, como uma atriz interpretando outra atriz, no modo como brilhou a deusa Goldie Hawn na supercomédia O Clube das Desquitadas, sentindo-se muito à vontade em tal papel, em momentos felizes numa carreira, fazendo do sucesso tal amante infiel – hoje, comigo; amanhã, não sei. Uma das formas fálicas é em formato de bala de arma de fogo, no modo como um homem de Tao nada terá a ver com armas, as quais são coisas terríveis, na agressividade do homem ocidental, aproveitando a pólvora para fabricar armas, em países fazendo armas nucleares, punidos pelo “xerifões” de certos países, na competição fálica para ver quem tem o pau maior, com o perdão do termo chulo, em pessoas inocentes envolvidas em guerras que deixam rastros de fome e destruição, na tradicional crueldade do Ser Humano. Aqui as formas diferem umas das outras, como irmãos, com cada um sendo de um jeito, apesar de terem vindo da mesma barriga e terem sido criados debaixo do mesmo teto.

 


Acima, sem título (4). Vemos árvores, vegetação, num bioma rico, numa Terra tão rica em Vida, causando “inveja” ao restante dos planetas do nosso sistema solar, na incessante busca humana por Vida fora da Terra, num Ser Humano que crê que a Vida só pode existir com água e oxigênio, o que pode ser um equívoco, pois se pergunto a um peixe se existe Vida fora da água, o peixe vai dizer: “Não, pois fora da água não se pode respirar!”. Uma árvore aqui tem um caule bem delgado, mínimo, como no desenho animado dos Jetsons, com prédios elevados, sustentados por caules finos, numa relação mínima com a matéria, como na filosofia de Keynnes, que é um estado mínimo, que interfere de forma sutil na economia, num sábio meio termo entre o estado total de Marx e o estado nulo de Smith, no modo como nenhuma forma de radicalismo é saudável, fazendo-nos entender a aversão marxista em relação às religiões, num Comunismo que resultou no endeusamento do estado, vibrando no século XX, mas caindo de podre depois, como diziam de Lula nas eleições de 1989, dizendo que o petista confiscaria comunisticamente nossos bens, na amarga ironia de que foi seu oponente, o Collor, quem acabou confiscando as poupanças dos brasileiros, numa história que acabou mal, com um impeachment, como um certo senhor ex prefeito, arrogante, sendo impeachado, proibido de exercer cargos públicos por anos, numa espécie de prisão, no modo como só damos valor à liberdade quando a perdemos, como na prisão de Bolsonaro – claro que é um inferno. Na base vemos uma formação rochosa, numa base sólida, como a catedral de Caxias do Sul erguida sobre uma altiva rocha, deixando bem claro o poder do Vaticano, o qual, é claro, sofre com a perda de fiéis para outras igrejas, remetendo a homens excepcionais como Francisco, um homem simples, na capacidade do rei de Tao, que é estar perto do povo, com tantos líderes sendo rechaçados pelo povo, como Romanov, engolido pelo Comunismo, um rei que passou a obter tanto poder, oprimindo o cidadão comum, como na Revolução Francesa, acontecendo por causa do preço do pão, num Palácio de Versalhes que era uma bolha alienada de privilégios, na superficialidade do Ser Humano, pois o rei que se afasta do povo é deposto por este, na noção taoista: Se não me oponho ao povo, ele não vai me depor, na capacidade de um homem em se manter simples, como uma certa senhora rica, uma mulher simples – ela tem o ouro, mas o ouro não a tem. Na base vemos uma espécie de piscina, em brincadeiras doces de verão, na simplicidade da criança, deliciada com a beiramar, numa época em que a Vida é mais simples, no residual metafísico que a criança traz ao reencarnar, em épocas de vida em que as amizades são puras, sem interesses. Vemos um arco, que é a humildade e a polidez de se curvar, em civilizações tão polidas e educadas como a japonesa, no poder de um país de primeiro mundo, num japonês o qual, se quiser ir para Nova York, não precisa de visto, ao contrário do brasileiro, precisando de tal documento de permissão, nas palavras certa vez de Marta Suplicy: “Como o Brasil é pobre!”, em consonância com os pensamentos de FHC, o presidente intelectual, sem eu aqui querer aborrecer os petistas! Vemos uma espécie de torre, como uma Torre de Babel, na ambição humana de tocar o céu, em torres altivas como em Balneário Camboriú, numa cidade que tanto se elitizou, no mesmo processo dos preços de uma certa cidade, em preços pouco módicos, como eu certa vez num café da cidade, o qual me cobrou, por um expresso e um refrigerante, três ou quatro vezes mais do que em uma cafeteria normal – é um horror. Aqui as coisas se erguem, na luta pela Vida, ao contrário do morador de Rua, querendo fugir da luta, nos abismos sociais brasileiros, em heranças do Brasil Colônia, no preto pobre escravo, como mostra a telenovela Sinhá Moça, com seres humanos jogados numa senzala como cães num canil, tudo em nome das ambições dos barões do café.

 


Acima, sem título (5). Uma das formas é a forma altiva de coroas de faraós, unificando o Alto e Baixo Egito, na dádiva do Nilo, no modo como os impérios humanos sobem e descem, num Egito que já foi uma potência militar temida pelos reinos vizinhos, e hoje é um país reduzido a sítio arqueológico, no formato abrasivo e agressivo das pirâmides, pontiagudas, afiadas, num recado claro de poder: Não se meta com os egípcios! Uma forma aqui parece um pente, no ritual diário de arrumação em frente a um espelho, preparando-se para o momento de interação social, na pessoa com autoestima, que se arruma, no exemplo da figura do psicoterapeuta, sempre arrumado, dando ao paciente um exemplo de tal autoestima, numa pessoa que se esforça para ser exemplar, nas palavras de uma certa senhora: “Nós somos representantes de algo!”. Numa das formas vemos um corpo, como um inseto, na beleza do corpo humano, há milênios inspirando a Arte, na naturalidade inofensiva do nu, como numa praia de nudismo, sem malícia, na deliciosa sensação de liberdade de se caminhar nu por tal orla, na inocência da nudez de menininhos com pênis minúsculos, como numa certa fonte de Porto Alegre, nos menininhos “urinando” água no chafariz, em algo tão natural que é a micção, abrangendo todos os seres humanos e diversos seres vivos. Vemos uma forma de dois ramos que se geram de um só ramo, como gêmeos siameses, como num vínculo de amor e amizade, numa união entre povos, num Deus que quer que sejamos amigos uns dos outros, e não no caminho da guerra e da raiva, as quais são menores do que a paz, na paz do Plano Superior, onde estamos entre amigos, nos versos da canção do cantor gaúcho Duca Leindecker: “Sonhei que as pessoas eram boas em um mundo de amor, e acordei neste mundo marginal!”, fazendo menção à Terra, o plano em que o amor e amizade são tão, mas tão subestimados, remetendo aos sociopatas, pessoas que mentem incessantemente, acabando sepultadas “como um cachorro”, sem a capacidade de amar ou ser amado, ensinando à criança tal discernimento entre bem e mal: Quando um herói precisa de ajuda, os outros amigos heróis o ajudam; quando um vilão precisa de ajuda, os outros vilões não o ajudam! Então, o sociopata, desde pequeninho, vê que a Sociedade deplora o comportamento malévolo, e o sociopata, assim, veste uma “máscara” e leva vida dupla, como no filmão Fargo, num pai de família que vive vida dupla ao forjar o sequestro da própria esposa, assim como pessoas com duas vidas, duas casas, duas proles etc., num mundo que exige que sejamos unos e íntegros, merecedores de respeito, no modo como o Mundo só considera quem é digno de tal respeito, em oposição a sinais auspiciosos bobinhos, como alas vip de boates. Vemos uma forma que serpenteia sensualmente, numa modelo numa passarela, caminhando como uma deusa, no modo como já ouvi dizer que o mundo da Moda é de um brilho superficial – eles fingem que são deuses e nós fingimos que acreditamos, pessoas que parecem ser deuses, mas só parecem. Vemos uma torre pontiaguda, como em países ricos do Oriente Médio, com as vicissitudes materiais das tempestades de areia, como já ouvi dizer de tais tempestades: Entra areia nos olhos, nos ouvidos, na boca e no nariz, e tais percalços materiais são a prova de que é a imperfeita Terra quem tenta imitar o perfeito Céu, este um lugar sem extremos climáticos, com dias agradáveis e noites amenas, pois, em tal plano, estamos livres da sensibilidade climática de nossos corpos carnais. Aqui é como uma diversidade colorida num panteão, no paganismo que por milênios reinou na Humanidade, na revolução monoteísta, com um só de Deus Pai, sem deuses, mas espíritos depurados que gozam da suprema felicidade, no caminho do aprimoramento moral, o qual é capital para que a Terra seja um mundo de paz e harmonia – se minto para você, é porque não amo você! Aqui tudo parece brotar, com raízes ocultas, numa árvore forte, com raízes profundas, numa vida centrada em labor e produtividade, ao contrário da pessoa que não faz merda alguma, com o perdão do termo chulo.

 


Acima, sem título (6). Um vaso é tal proveniência, como na denominação Vale dos Vinhedos, para os vinhos de Bento Gonçalves, RS, num passeio tão belo, parecendo que estamos nas lindas vinícolas do Vale do Napa, Califórnia, EUA, com ônibus de turistas fazendo compras, em gigantes produtoras como Valduga, Miolo e Salton, com vinhedos até onde a vista alcança. O vaso é o cuidado, como criar um filho, cercado de cuidados, no desafio de se colocar valores nobres na cabeça da criança, evitando falar palavrões na frente da criança, nessa responsabilidade de sustentar um lar, como um certo senhor, “sambando” em meio a tal encargo, trabalhando de Sol a Sol para dirigir um belo carro e morar num belo apartamento, com tudo construído com trabalho, como na coleção de joias de Hebe Camargo, uma mulher sábia que disse em entrevista: “Em amizade não pode haver cobrança”, no caminho espírita do amor incondicional, sem cobranças, no amar sem querer algo em troca, como amar um sociopata, um irmão, o qual devo amar, um irmão que passará por muitas vidas e tornar-se-á um grande espírito de luz, num futuro brilhante pela frente – ninguém é sociopata para sempre, no caminho de esperança do Espírito Santo, lembrando-nos da passagem de Jesus pela Terra, na maior cabeça de todos os tempos, no poder do pensamento, o qual é tudo; matéria é nada. Aqui é como uma loja de enfeites, com coisas expostas, ou como um museu, em lugares poderosos como o novaiorquino Met, com milênios de Arte, num país rico, que pode bancar tal vida cultural pulsante, remetendo ao supremo Louvre, no qual precisamos, pelo menos, de sete dias dentro do estabelecimento para darmos conta de tudo que lá existe, tal a riqueza, fazendo de Paris, de certa forma, o centro do mundo civilizado, nos versos de uma certa canção: “Paris, centro do Mundo!”. Uma das formas tem como um penacho no topo, como uma glamorosa vedete, no poder de sedução em artistas que tão bem sabem se vender, como numa formidável Lady Gaga, talentosa, boa cantora, ousada, estranha, extravagante, marcante, exuberante, em mulheres exuberantes como Gabi Amarantos, a qual é a prova de que a pessoa bela o é estando acima ou abaixo do peso, como essas grandes atrizes, deusas em qualquer idade, como Maggie Smith, reinando até os últimos trabalhos da carreira, no instinto de uma pessoa saber se vender. Vemos uma mesinha, como um suporte, como um padrinho, madrinha ou aliado poderoso, o qual nos ajuda a obter o respeito das pessoas, com pessoas para nos abrir portas na indústria, como uma certa mamãe poderosa, abrindo portas para o filho, remetendo àqueles que vieram do nada e conquistaram seu espaço, como Marisa Monte, deslumbrando-nos desde o início de tal brilhante carreira, tornando-se uma lenda viva da MPB. Uma das formas parece uma corneta, como uma vuvuzela, num barulho, na metáfora de como anunciar é importante para um produto ou serviço: ambas galinha e pata colocam seu ovo, mas a galinha vende mais porque faz mais barulho ao colocar tal ovo, em artistas que sabem que o marketing é importante. Vemos uma forma um tanto espinhosa, como espinhos na roseira, espinhos que a evolução entalhou, pois tais espinhos protegem a flor de ser consumida por predadores, no trabalho de se tirar tais espinhos de buquês de rosas, fazendo menção ao Plano Superior, no qual não há espinhos, numa vida nobre de produtividade, no exemplo de Tao, o qual está sempre criando, e se Ele é ocupado, o que me faz pensar que posso ser desocupado? Aqui é como cada pessoa tem suas características, em diferenças respeitadas, como na distinção da rica galeria de personagens de Chico Anysio, no privilégio do Brasil ter tido aqui tal gênio cômico, no poder do palhaço, que nos fazer rir de nós mesmos! Aqui é como uma exposição nos pavilhões da Festa da Uva, com as empresas exibindo orgulhosamente seus produtos, numa diversidade de mercado, nas palavras de Barbra ao fim de um espetáculo: Somos equivalentes e, definitivamente, não somos iguais!

 

Referências bibliográficas:

 

CV. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

Paintings. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

AC: Assim Contemporâneo (Parte 4 de 4)

 

 

Falo pela quarta vez sobre o pintor canadense Alex Colville. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Lua e vaca. A Lua é tal magia, como um prato de prata, como no prato prateado de luar no icônico quadro A Noite, do fabuloso Pedro Américo, quadro o qual certa vez pude ver de perto no Margs, no poder do feminino, numa sedução da luz do luar, a qual tanto exibe quanto oculta, num limiar sexy e fascinante, na luz do luar dos amantes, dos enamorados. A vaca aqui é tal solidão, nos momentos de solidão saudável que devemos ter, como Deus descrito no filme Dogma: “Solitário, mas engraçado!”. A vaca é tal provedora de leite e de carnes, no brutal matadouro, como eu vi certa vez, ainda muito criança, uma ovelha sendo carneada, num pobre bichinho dando os últimos suspiros, como um Jesus na cruz: “Pai, por que em abandonaste?”, em momentos de desafio de fé, como eu disse recentemente a um ente querido: Os vínculos de família não se desfazem com o desencarne, em famílias que permanecem unidas, como na família de meu falecido cunhado, uma família unida, que se reúne e faz brincadeiras, lembrando-me muito de meus natais com meus avós maternos, na ironia de que, quando meu avô faleceu, a família se desuniu um tanto, pois foi-se o poder agregador de patriarca, como um senhor vizinho de minha família em Jurerê, SC, um homem agregador, que gostava de receber as pessoas, trocar uma prosa e servir um café, nesses talentos de anfitrião, como socialites de bom coração, amando receber as pessoas, como um certo rapaz carioca, um anfitrião que dá pomposas festas, no fato de que, infelizmente, festas não marcam época; trabalhos marcam época, pois, após o momento de euforia festiva, a Vida, no dia seguinte, segue se desdobrando em toda a sua seriedade, na imagem da pista de dança sendo varrida após os resíduos de festa, como na casa portoalegrense Ocidente: Boate de noite, restaurante de dia, na figura do lendário empresário Fiapo, regendo a casa por décadas na vida da urbe dos gaúchos, cidade pela qual tanto carinho tenho, mesmo sabendo eu, no fundo, de que tudo continua a mesma merda, com o perdão do termo chulo. Esta cena é um tanto onírica, como nos cenários oníricos do filme A Cela, nos esforços de psicólogo para decodificar tais aspectos, analisando sonhos em consultório, na intenção de guiar existencialmente, na sabedoria popular de que um psicólogo é uma comadre bem paga, no ato saudável de se sentar e conversar, numa relação de confiança, jogando-se nos braços do terapeuta, como receber alguém dentro de nossas casas, trazendo-os para o hálito de nosso lar, como me lembro do cheiro de lar de minha querida avó paterna, uma mulher tão cheia de amor, iluminando-me lá de cima, na imortalidade dos vínculos de família, amor e amizade, num túnel de luz que nos leva a tal lugar maravilhoso, em figuras tão amorosas como Chico Xavier, maravilhoso, inacreditável, sempre me iluminando quando falo dele em meu blog, um homem o qual, de tão humilde, dizia-se um mero “carteiro”, distribuindo mensagens de esperança e conforto principalmente a mães que perderam os filhos – obrigado, Chico! Aqui é como nas noites dos Campos de Cima da Serra, RS, com o canto prateado do queroquero, uma ave tão típica gaúcha, no poder dos instintos e da seleção natural, como certa vez uma mãe queroquero quase arrancou meu olho por eu passar perto do ninho com filhotes, nessas pessoas cheias de instinto, sobrevivendo, pois instinto é um caminho autodidata, e nenhum livro ou faculdade pode nos dizer direitinho o que fazer em cada situação, na noção taoista de que as pessoas precisam aprender por si mesmas o que é simplicidade, o mais elevado grau de sofisticação, como na impecável bandeira nacional japonesa, limpa, mínima, simples, arrebatadora. A vaca aqui deitada é tal repouso necessário, remetendo às pessoas workaholics, que não param de trabalhar, numa vida degradante, numa pessoa que simplesmente não se permite viver, no conceito bíblico de que até Deus descansou no sétimo dia, nos versos de uma canção de Barbra: “Não me diga para não viver e só sentar e produzir!”. Aqui remete à arrebatadora canção O Amor e o Poder: “Um animal que ronda no véu do luar”, no bicho querendo comida e sexo. A cerquinha é o limite, o siso, a responsabilidade, numa pessoa que sabe até onde pode ir. Aqui, os domínios de um reino até onde a vista alcança, como nos vastos vinhedos do Vale dos Vinhedos na Serra Gaúcha.

 


Acima, Mulher com revólver. Aqui temos uma cosmogonia entre princípios masculino e feminino, no céu “fazendo amor” com a terra, numa doce chuva que cai. Aqui é como num certo filme com Gisele, com esta segurando uma pistola, misturando beleza feminina com agressividade masculina, em arquétipos universais da bela e da fera, num jogo de sedução, como no flerte do filme O amor custa caro, num jogo universal, como nos tradicionais casais japoneses: Ele, fechado, antipático e carrancudo, sem dar um sorriso ou curvatura de polidez, caminhando grosseiramente na frente da esposa; ela, doce, simpática e receptiva, curvando-se polidamente. É como um casal de lésbicas que vi recentemente: Uma delas, doce e simpática, mal dando para ver que era gay; a companheira, extremamente masculina, antipática, sem cumprimentar as pessoas, praticante de artes marciais, como no nome de uma certa jogadora de Futebol, bem masculina, no caminho da identidade de gênero, a qual tem que ser respeitada, afinal, não se trata de minha vida. A cabeça aqui está decapitada, como alguém que não quer se identificar, como num certo clipe de décadas atrás, numa drag queen obscura, sem querer se identificar, talvez numa vergonha, num Mundo que exige que sejamos claros e transparentes, no caminho do apuro moral. A escada é a gradação, como em cadeiras numa faculdade, num processo de crescimento, na sabedoria dialética de que tudo é processo, em crescimentos intermitentes, remetendo aos espíritos de pura luz, gozando da suprema felicidade, num Céu que exige que nos mantenhamos produtivos, na ironia de que o Céu é tal siso, longe da vaga imagem de anjinhos tocando harpas doces, na perguntinha inevitável que fazemos a nossos entes queridos lá em cima: “Onde estás trabalhando?”. E Tao é este artesão incansável, deixando-nos perplexos com tal perfeição, como nos plátanos: Quentinhos no inverno, fresquinhos no verão, numa ideia tão simples e maravilhosa, num senso de humor imortal, na figura do palhaço, o qual faz palhaçadas estando ou não remunerado por tal, em palhaços maravilhosos como Jim Carey e Rowan Atkinson, na particularidade humana de rir de si mesmo. Aqui o nu não é agressivo ou “ginecológico”, mas num sexy sem ser vulgar, como na revista Playboy brasileira, em edições tão memoráveis como a de Vera Fischer em Paris, ou na bombástica edição do debut de Adriane Galisteu, nesta tornando-se estrela após tal edição, enfrentando um fracasso com a Playboy para a qual posou muitos anos depois de tal debut – o sucesso é um amante infiel, pois, hoje, está comigo; amanhã, não sei. Aqui é numa intenção de matar, num sociopata armando tudo secretamente, visando se safar, num espírito que vai ao Umbral depois de desencarnar, na dimensão da loucura, num prisioneiro que não quer sair da prisão, num espírito que quer voltar ao corpo carnal, algo impossível, na sabedoria popular de que do Mundo nada se leva. A arma é tal terrível invenção, na agressividade europeia, pegando a pólvora dos belos fogos de artifício chineses para transformar em armas, no homem europeu reivindicando as Américas, dizimando os indígenas, resultando depois em tantas ruas e lugares brasileiros como nomes indígenas, numa espécie de pedidos de desculpas, como na praia gaúcha de Capão da Canoa, com diversas vias com nomes indígenas, como Sepé, Paraguassu, Marabá e Ararigboia. A nudez é tal franqueza, como num momento de um certo show de Gal Costa, com a diva com seios expostos numa verdade nua e crua, cantando os versos de deus Cazuza: “Brasil, mostra a tua cara!” – nada de errado com nudez. Aqui, a mulher é jovem e formosa, talvez numa sociopata que seduz homens, no divertido videoclipe em que o espião Austin Powers, vivido pelo deus Mike Myers, é seduzindo por Madonna, a deusa sacrossanta do pop, nessas pessoas que trilharam instintivamente seus caminhos.

 


Acima, Mulher na rampa. Aqui é certa idade, na chamada “turma da bengala”, numa época da Vida em que caminhar se torna complicado. A senhora aqui tem os corrimões como amparo e ajuda, na época das “três pernas”, sendo uma destas a bengala. O mar é doce e o Sol brilha, ao contrário de urbes cinzentas como Londres, em contraste com as rubras cabines telefônicas, as quais foram “aposentadas” pelos dispositivos móveis, nesse galgar frenético de tecnologias, fazendo de minha geração uma geração que testemunhou a transição do analógico para o digital, aposentando, por exemplo, os televisores de tubo sem controle remoto e só com canais de TV aberta, mas numa época em que éramos felizes, mesmo sem então muita tecnologia, na nostalgia do CD e das fitas VHS, com as locadoras. Neste aclive há um crescimento, como em fases de um curso universitário, no catatau de coisas que precisamos fazer para nos formarmos, em anos de esforços, isso sem falar no trabalho de locomoção para ir e voltar do campus, gastando não só dinheiro em mensalidade, no caso de instituições particulares, mas também em locomoção, no sentimento de realização, de completar algo, remetendo aos que cometem um erro de largar a faculdade, subestimando a importância de um diploma, como um certo senhor, o qual largou a faculdade para nada fazer e no lugar, numa pessoa que se perdeu num submundo desinteressante, frequentando lugares viciosos. Aqui é o inverno da Vida, na terceira idade, numa época em que temos sabedoria, na figura respeitada do ancião, nesta imagem que temos de Deus, a de um patriarca de barbas brancas, na sociedade patriarcal que impõe a burca, nessa castração à sexualidade feminina, no mito da Virgem Maria, a mulher à qual foi negado ter vida sexual, como no pai ao ver a própria filhinha nascendo: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na Igreja!”, ao contrário da sexualidade masculina, a qual é encorajada – é um horror essa disparidade de preconceitos. Os pés descalços são a simplicidade da praia, num lugar de liberdade e ar puro, remetendo a meu sobrinho ainda pequenino na orla, felicíssimo com a água, na capacidade da criança em se sustentar com pouco, ao contrário das exigências adultas. Aqui temos um quadro solitário, com esta senhora sem que a ajude, como uma pessoa que resulta em mendigo, rechaçando a Vida em Sociedade, num estilo de vida degradante, no qual a pessoa quer fugir da luta pela Vida, num Mundo que exige que tenhamos tal espírito guerreiro, nessas pessoas que levam uma vida de labor dignificante, num caminho de construção, como numa laboriosa Hebe Camargo, colecionando joias, mas tudo fruto de trabalho, em pessoas trabalhando e constituindo patrimônio. O corpo aqui é tal envelhecimento inevitável, como pessoas famosas que envelhecem publicamente, remetendo a Vera Fischer, estando muito bem para uma mulher de sua idade, naquelas mulheres que sabem que idade não é pretexto para parar de se arrumar, como uma professora que tive, a qual de manhã bem cedinho estava impecavelmente arrumada – maquiagem, cabelo, unhas, roupa, perfume, acessórios etc., no caminho do amor próprio, remetendo a uma certa senhora cozinheira de shows televisivos, a qual perdeu totalmente a autoestima, simplesmente sem se arrumar na hora de gravar seus programas. Aqui é uma certa libertação, numa mulher que parou de menstruar, na noção de que há aspectos que melhoram com a idade, numa idade em que não pensamos nas bobagens em que pensávamos, fazendo da juventude feliz e perfeita uma invenção de velhos, crendo que a juventude é sinônimo de felicidade, quando a juventude é pautada de vicissitudes, como a irresponsabilidade. A mulher com cautela olha para o chão, como se soubesse que há perigo, como tropeçar na Rua e ferir-se de algum modo, na inevitabilidade dos acidentes. As listras do maiô são aristocráticas e finas, em marcas tão aristocráticas como Ralph Lauren, seduzindo consumidores frente a tanta sofisticação e bom gosto, na sedução de fragrâncias, fazendo do perfume um luxo, e não uma primeira necessidade.

 


Acima, Pacífico. A perigosa arma está em repouso, colocada de lado, no modo como um homem de Tao jamais recomendará violência, remetendo às guerras insanas do Ser Humano, com Caim eternamente matando Abel; com irmão derramando sangue de irmão, como um certo ditador mandando matar o próprio irmão – é um horror. O homem aqui contempla um pouco a Vida, e deixa a raiva e a arma de lado, no modo como a paz é maior do que a raiva, fazendo com que os desentendimentos não sejam perenes, pois a Eternidade é tempo para tudo se revolver, resultando nos espíritos superiores, de impecável apuro moral, na deliciosa hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, ao contrário da hierarquia militar, com tudo imposto à força, numa cópia tosquíssima de Tao, o Rei do qual somos todos príncipes filhos, num Pai que quer o melhor para nós. A arma remete ao lobby das armas nos EUA, num divertido filme em que o intelectual e genial Woody Allen critica os republicanos, num enredo em que um rapaz estava simpatizando com as ideias republicanas, num rapaz que foi fazer exames e o diagnóstico é que estava indo pouco oxigênio para o cérebro do rapaz, nas guerras de Trump, sendo um xerifão que se mete em todos os assuntos do Mundo, no modo como os americanos têm que arcar com as consequências de terem recolocado tal senhor na Casa Branca. Aqui, a violência é deixada de lado e a contemplação do mar é relaxante, como um som que nos embala num sono, numa canção de ninar, nas demandas de se ter um bebê dentro de casa, com pais mal podendo dormir em meios aos choros, nas palavras de uma certa mãe, com o filho bebê: “Meu dia começa às cinco da manhã!”. O mar aqui é a beleza do surfe, num esporte tão belo e tão conectado à natureza, como uma amiga minha carioca, a qual virou surfista, no sabor agridoce do Rio de Janeiro: Por um lado, um paraíso belo, cheio de natureza e praia, de Sol, de Vida; por outro lado, uma cidade na qual há pobreza e violência, pois, do topo do Cristo Redentor, o Rio parece ser imaculado, limpo, pacífico e perfeito; visto de perto, tem problemas como sujeira, como certa vez uma certa atriz, catando do chão das areias cariocas o lixo que o povo jogava na areia, como vi recentemente lixo reciclável jogado em lata de lixo orgânico, na revolução que foi a reciclagem de resíduos, como latinhas de alumínio, com tudo começando com o humilde trabalho de catador de lixo seco, num elemento químico que pode ser reciclado inúmeras vezes, ao contrário do plástico, do qual a Humanidade ainda é muito dependente. O homem aqui está aprendendo que a paz fala mais alto, fazendo de Jesus tal Príncipe da Paz, no modo como nem Ele, em sua suprema majestade, foi capaz de solucionar os problemas do Mundo, como as guerras, mas num Jesus que segue sendo uma figura na qual podemos depositar esperanças de que um mundo melhor nos espera lá em cima, na imortalidade dos vínculos de família. Podemos ouvir aqui tal som relaxante, na delícia de se nadar nu no mar, na inocente nudez uterina, no trauma que é vir ao Mundo, num choque térmico entre o quentinho da mãe com a sala fria de parto. A arma é a inclinação humana para a desarmonia, no discernimento taoista: Numa queda de braço, perca, pois, quando você perde, você se torna o homem grande; quem vence, entra em inferno astral, o qual pode durar diversos dias, num inferno que nos prejudica num momento em que deveríamos estar felizes. A janela aberta é tal arejamento de ideias, na arma deixada de lado, numa pessoa em processo de crescimento, o qual é o sentido da Vida – tornar-se uma pessoa melhor, como num processo de crescimento numa faculdade, numa Vida que nos dá constantes oportunidades de fazermos amigos, os quais são o ouro da Vida, pois, fora da amizade, não há salvação, no caminho espírita do amor incondicional, sem cobranças ou condições, no amar sem a expectativa de retorno de outrem. A arma aqui está esquecida, como no arrebatador final do filme A Ilha do Medo, numa ilusão sendo desfeita, no caminho da loucura do personagem de Leo DiCaprio, um grande ator.

 


Acima, Para a Ilha de Príncipe Eduardo. As lentes são um vislumbre existencial, como num empresário que vê oportunidades de mercado, como no volúvel mercado gramadense, com tantos e tantos empreendimentos fechando e fracassando durante o ano, em investimentos que não deram o retorno desejado, como num certo restaurante de comida portuguesa, impecavelmente decorado, chique, tendo que fechar as portas, como um certo senhor publicitário, o qual fracassou e teve que fechar as portas de sua agência, perdendo o ser patrão de si mesmo e tendo que voltar a ficar submetido a um patrão, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? O homem atrás está bem relaxado, curtindo a navegação. A mulher está tensa e atenta, observando movimentos de mercado, como num cineasta sonhando em fazer um filme, frequentemente querendo transformar um romance em filme, nesse trabalho difícil que é fazer Cinema no Brasil, ou como na Argentina, país no qual o Cinema, hoje, está estagnado, na política de contenção de gastos de Milei, em cofres públicos exauridos, num presidente que teve que cortar totalmente os incentivos aos cineastas argentinos, os quais, neste momento, é claro, estão odiando Milei, em medidas antipáticas como as de Thatcher, ignorando protestos, no termo que a política inglesa mereceu: A Dama de Ferro, em episódios como o da Guerra das Malvinas, ceifando as vidas de jovens rapazes de ambos os lados do tabuleiro mundial. O barco aqui é de luxo e confortável, em privilégios da riqueza mundana, na metáfora do Anel do Poder, corrompendo homens basicamente bons, no pesadelo que é a vida de uma pessoa que ganhou na loteria, na noção espírita, sobre o Plano Superior: Você não faz ideia a que estado ficam reduzidos aqui aqueles que são considerados felizes na Terra! É no modo como uma pessoa rica só pode ser sã se trabalhar de alguma forma, na necessidade de nos mantermos nobremente ocupados no Plano Superior, o lugar onde o ócio é impossível. O mar aqui é bem calmo e plácido, o pavor dos surfistas, que querem ondas grandes, com um tesão para praticar o esporte, remetendo a uma certa pessoa, a qual outrora tinha um grande tesão pela Vida, mas uma pessoa hoje desestimulada, como um surfista que não quer pegar onda. A mulher nos olha como nós olhamos para ela, como a Monalisa nos olhando, na grande estrela do Louvre, na decepção do espectador ao se deparar com um quadro pequeno, na sabedoria popular de que tamanho não é documento, como Tom Cruise, um homem baixinho que é um gigante de Hollywood, ou como Madonna, uma naniquinha que é um monstro pop. As roupas brancas são tal paz no mar, na cor dos hospitais, ou de centros espíritas, como na farsa revelada de um senhor que se fazia passar por grande curandeiro espírita, sendo desmascarado e rejeitado, pois os que mentem acabam assim, rechaçados, como um certo sociopata, o qual mente, mente e mente, uma pessoa que terminará a vida “enterrado como um cachorro”, sem deixar saudades, como na vilã Raposa de Jade em O Tigre e o Dragão, enterrada como um cachorro de rua, um espírito equivocado, para o qual só resta o Umbral, a dimensão dos que não respeitam a Vida, como um certo sociopata, o qual matou um rapaz absolutamente inocente, um sociopata que tem que ver a tragédia que trouxe para a família de tal rapaz. Aqui é como as lentes que revolucionaram as navegações europeias em solo americano, explorando terras devolutas e selvagens, com tribos de canibais, na missão europeia de trazer apuro moral, rejeitando o canibalismo, no trabalho de padres em doutrinar os ditos selvagens, impondo os valores do Vaticano, como na Cruz de Malta, símbolo dos guerreiros cristãos, no peito do super herói He-Man, na imposição do patriarcado; do macho alfa. Aqui é como um voyeur, ou um paparazzo, seguindo pessoas, como certos comediantes brasileiros obcecados por uma certa atriz carioca, no caminho do amor doente e fixado.

 


Acima, Patinador. Aqui é o treino, a disciplina e a dedicação, numa seriedade muito grande e competitiva, sabendo que vai concorrer com atletas excelentes, em carreiras brilhantes como a de Guga Kuerten, exigindo o má-xi-mo do corpo, em sonhos de carreiras estelares, como é no mundo dos esportes: Alegria de um, tristeza de outro. O chão riscado é como cicatrizes existenciais, como numa mala com várias etiquetas de viagens, ou carimbos num passaporte, num espírito que vai passando por várias vidas e vai crescendo, no modo como nenhuma vida é em vão, e ninguém está no Mundo “a passeio”, mas encarando oportunidades de crescimento, nas vicissitudes que acabam por nos guiar e nos ajudar, como me disse uma terapeuta que as crises são positivas, pois estas assinalam um momento de renovação na vida da pessoa, em remédios amargos que surtem doces efeitos, como uma água gélida que limpa. O patinador aqui brilha numa prova, num momento de enorme concentração, como o tenista na quadra, ou um jogador de futebol, mal ouvindo os gritos na plateia, como vi certa vez uma cena de extrema deselegância num campo de futebol, com rapazes cuspindo em jogadores do time oponente, num ambiente de grosseria, ao qual é perigoso levar mulheres ou crianças, em grosserias que definitivamente esquecem o cavalheirismo no fio do bigode. Aqui, é claro, tem que ter uma canção embalando a prova, como a ginasta Daiane dos Santos ao som de clássicos da Música Brasileira, num caminho de identidade nacional, na riqueza da MPB, em deuses sacrossantos imortais como Elis, fazendo parte de meu “DNA”, com eu ouvindo Elis desde pequeninho no carro dos meus pais ou em nossa casa, na sutileza do manifesto por trás de Águas de Março, como disse uma certa professora, doutora graduada: “Os militares eram tão burros!”. O patinador aqui está alheio a nós, pois está muito ocupado, e aqui é um momento frágil, pois qualquer errinho pode comprometer, como jogadores de Futebol errando pênaltis, como o Brasil sendo eliminado pela França nos pênaltis na Copa do Mundo de 1986: Temos que levar na esportiva! A lâmina dos patins é a precisão, o foco, como num bisturi, pois, quando me sinto como uma tesoura cega, é porque estou humilde e com os pés no chão; quando me sinto afiado como um bisturi, é que porque estou arrogante, e a arrogância precede a queda, ou seja, estou prestes a tomar no cu, com o perdão do termo chulo. Aqui é um esporte arte, belo, como no futebol arte do Brasil, em reis como Pelé, um homem que se manteve humilde, na qualidade do grande rei, que é nunca se afastar do próprio povo, num rei que toma o mesmo tipo de café de seus súditos, num caminho de simplicidade, como numa cena do clássico Titanic, com um homem primando pela simplicidade, rechaçando frescuras e afetações pernósticas arrogantes, como o topo poderoso Boni, da Globo, numa entrevista, dizendo, em sua simplicidade, mesmo sendo um homem rico e bem sucedido: “Comida boa é comida simples, bem feita.”, ou seja, um xisburguer bem feito – e como é bom! Aqui, essas cicatrizes no chão são como no divertido termo “puta velha”, com o perdão do termo chulo, referindo-se àquelas pessoas que estão há um tempão atuando no mercado, conhecendo todos e por todos sendo conhecida! Aqui, no quadro, temos velocidade, precisão, num atleta que tanto se preparou, dando dó de ver um deles caindo na pista de gelo, em sonhos desmoronando num piscar de olhos, no modo como não existe atleta perfeito, e mesmo um grande tenista comete vários erros numa partida, remetendo a um certo senhor, o qual, ao errar no tênis, jogava violentamente a raquete no chão da quadra, num descontrole emocional, remetendo ao enorme controle emocional de lutadores, os quais não levam a porrada para o lado pessoal, abraçando o oponente no final do embate. Aqui são esportes de inverno, impossíveis em países como o Brasil, no modo como cada estação tem seus encantos, na beleza dos ciclos da natureza, em cidades como Nova York, com estações bem definidas, na beleza do outono, num Central Park totalmente dourado.

 

Referências bibliográficas:

 

Alex Colville. Disponível em: <www.artgalleryofhamilton.com>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.beaux-arts.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

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Biography. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

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Home. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Selected Publications. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.