Falo pela vigésima sexta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, A sociedade de bobo. A coroa é uma consagração, numa miss, num símbolo de poder, num poder representativo, como uma rainha da Festa da Uva, no poder de representar uma sociedade e uma história, numa moça que precisa ter alma de artista, de diva, para, assim, marcar seu reinado, no poder das tradições, que é nos dar a sensação de que o tempo não passa, remetendo-nos ao Plano Superior, no qual o tempo é nada, numa dimensão tão fina e onírica, onde percebemos a noção taoista de que grosso é fraco e de que fino é forte, remetendo às raivas de poder de Trump, um senhor o qual, definitivamente, não é um homem de Tao, pois o homem de Tao jamais recomendará violência, num Trump fazendo uso de poderio intimidador, com milhões e milhões de americanos indo às ruas para protestar contra tal complexo de Napoleão, no Anel do Poder, o qual corrompe homens. A moça dormindo é a pessoa que ainda não tomou atitudes em sua própria vida, sonhando e sonhando, no modo como a Vida exige que tomemos tais decisões, num posicionamento, remetendo aos que estão numa retranca de décadas, perdidos num labirinto, como no submundo, o qual é tal labirinto, numa pessoa sem norte, sem noção, num estilo de vida solitário, vagando solitário pelas ruas da Vida, desenvolvendo uma carência afetiva, sem amigos, sem um ombro amigo, na necessidade de psicoterapia, na sabedoria popular de que o psicoterapeuta é uma comadre bem paga, uma pessoa que nos acompanha e que sabe pelo que passamos. Aqui temos uma neo Pietà, na Virgem triste com o cadáver do filho, numa imagem tão poderosa, num Jesus tão fraco e vulnerável, numa imagem forte, a qual, em ironia, é forte, na noção taoista de que fraco é forte, num Jesus para lá de humilhado e agredido, numa posição tão frágil e vulnerável, atravessando milênios, tornando-se o centro sobrenatural da História, numa mente tão poderosa, forte, depurada, no poder do pensamento, na noção espírita de que pensamento é tudo e de que matéria é nada, pois o Plano Superior é feito puramente de pensamento, na glória dos desencarnados, que é estar livre de todo e qualquer problema relativo ao corpo carnal, num rejuvenescimento, num lugar onde temos a aparência que desejamos, num lugar de autoestima, no qual estamos tão bem em relação a nós mesmos. A camisa listrada é como na tiara dos faraós, no intercalamento entre dia e noite, numa vida organizada, com norte, na pessoa que vive uma vida ordeira, com disciplina e trabalho, na ironia de que o Céu não é feito de anjinhos tocando harpas, mas um plano em que observamos a necessidade de nos mantermos ocupados com algo nobre e produtivo, na necessidade de se trabalhar ou estudar, não havendo sentido numa vida ociosa, remetendo a uma certa senhora encarnada, uma mulher rica que nada faz de seus dias na Terra, e como posso tirar o chapéu para uma pessoa que não faz merda nenhuma, com o perdão do termo chulo? A luz entra branda no quadro, na luz de praias, num cenário tão amado por Bartlett, no barulho sussurrante de ondas indo e vindo, respirando, na sensualidade da Vida pulsando, no modo como a Vida é o nervo da Arte, como em shows pomposos de artistas, numa celebração da Vida, fazendo dos tambores o ritmo do coração, numa vida que pulsa, na fluidez de um bom cantor, de uma boa diva, num dom que é o canto, um dom que nem todos têm, e quando não temos tal dom, não há Cristo que possa interceder, numa pessoa que não reconhece suas próprias virtudes e limitações, no caminho da autoimagem, do saber sobre si mesmo. Os chinelos são a simplicidade, remetendo a pessoas pobres, que não têm muitas condições de adquirir pares de tênis, andando de humildes chinelos, talvez penando em dias frios de inverno, como nas inclementes frentes frias polares que flagelam a Serra Gaúcha, em espíritos que topam reencarnar em um contexto social tão pobre e sofrido, crescendo, assim, como espíritos, no modo como o crescimento e a depuração moral são o sentido da Vida, num caminho de aprendizado e melhoramento, pois a Vida vai fazendo de nós pessoas melhores. A discreta sacola ao lado é o invólucro do lar, da casa, do porto seguro, numa casa com regras rígidas, como o senhor meu pai chamando minha irmã e eu às dez horas da noite para dormirmos, no caminho da disciplina, a qual não pode faltar.
Acima, A terra prometida. O homem forte é tal força motriz, na imagem de Atlas, carregando o Mundo nas costas, na força do labor que sustenta uma nação, na crença marxista de guerra entre classes, resultando no Comunismo o qual décadas depois “caiu de podre”, sendo, hoje, uma piada, no paradoxo chinês: De jure, uma ditadura comunista; de facto, um cidadão chinês que é absolutamente livre para empreender, numa China tão capitalista e economicamente forte e competitiva, no contraditório termo “socialismo de mercado”. O homem aqui é o sonho de “ratões de academia”, homens que malham feito “loucos”, sonhando em ter um corpo com zero por cento de gordura, com puro músculo, pessoas para as quais o condicionamento físico é extremamente capital e importante, numa espartana vida de dieta rigorosa e de exercícios árduos, como disse um fisiculturista sendo entrevistado por Fernando Gabeira no canal Globonews: “Vida de fisiculturista é sofrimento!”. O mar revolto é tal percalço, na onda que tanto excita o surfista, num surfista prostrado frente a um mar sem ondas, numa decepção, como eu já sofri uma grande decepção com uma certa pessoa, uma pessoa que eu achei que fosse meu amigão brother, mas uma pessoa que se revelou falsa, um sociopata interessado em minha ruína, querendo me destruir, odiando-me intensamente, pois, num coração podre de sociopata, não há espaço para amor ou amizade, um espírito infeliz que vaga sozinho pelo Umbral, a dimensão dos sem amigos, quando que os amigos são o ouro da Vida, como num certo espírito desencarnado, perguntando onde ele próprio estava, ouvindo a resposta: “Entre amigos!”. As moças aqui estão alheias e ociosas, observando a paisagem, fazendo do homem tal dignificação pelo labor, nessas pessoas que levam vidas tão árduas, como um gari varrendo chão de cidades, uma pessoa cuja vida é uma vassoura, tudo para ganhar um ralo salário no fim do mês, em trabalhos que sobram para os que não têm muita escolaridade, remetendo ao erro que eu mesmo cometi, o grande erro de largar a faculdade, um erro que reconheci, reentrando eu na faculdade para partir em busca do tempo perdido, formando-se no Ensino Superior, remetendo a uma certa pessoa, a qual cometeu o mesmo erro que cometi, nessa pessoa postando no Facebook: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”, nesses erros que vamos cometendo, fazendo da Terra tal palco de erros, no sentido de que ninguém reencarna sabendo tudo, pois não há sentido numa vida sem crescimento. Aqui remete a um certo filme, num homem, ao final, sozinho, em alto mar, prestes a morrer afogado, dizendo: “Tudo o que existe é amor”, pois, fora da amizade, não há esperança, remetendo a um certo sociopata, amigo de ninguém, numa vida podre, girando em torno de sexo, como as pessoas que fazem do sexo um leilão, como eu gostaria de dizer para esses rapazes que se prostituem: “Vá arranjar um emprego decente! Pare de desperdiçar sua juventude nessa vidinha de michê!”. O mar aqui é bem revolto e instável, e há um risco de morrer, e o homem olha preocupado para tal cenário de risco, como um pai preocupado se poderá prover um lar, como o pai herói que foi meu avô, provendo uma casa com esposa e seis filhos, num pai que nunca deixou algo faltar dentro de casa, num esforço de dedicação, de responsabilidade, como uma certa senhora, a qual teve que amadurecer “na marra”, sustentando duas filhas de pais diferentes, dois homens que são uns merdas, com o perdão do termo chulo; dois homens que nada contribuem para sustentar tais meninas, fugindo da responsabilidade. Aqui é no imortal romance Moby Dick, num ponto em que temos a sensação de estarmos ondulando dentro do barco, no talento de escritor em envolver nossas mentes, no poder da Arte, que é construir pontes mentais entre pessoas, como num bom filme, absorvendo-nos, com filmes bons, que têm algo de pertinente a nos dizer. Aqui é um percalço sendo observado, no modo como as crises são positivas; no modo como as dificuldades acabam por nos ajudar.
Acima, Adormecida acordando. Aqui é como as máscaras mortuárias egípcias, com os olhos abertos, despertos, na pessoa totalmente consciente de seu próprio desencarne, como no velório da senhora minha avó Nelly, em 1992, num ambiente em que podíamos sentir que minha avó estava totalmente consciente de seu próprio desencarne, no fato de que ninguém está no Mundo para sempre, e que o dia glorioso de soltura vai chegar, em uma prisão que se abre, num Jesus desencarnando, voltando ao glorioso Lar Primordial, o Grande Reino da Luz ao qual todos pertencemos, no Útero Sacrossanto que nos tem, fazendo do mito de Nossa Senhora a metáfora para entendermos que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, fazendo dos reinos mundanos cópias do reino em tal dimensão superior. O branco é a cor da paz, da medicina, da limpeza, como minha mãe lavando os jalecos do senhor meu pai, médico cardiologista, numa vida devota de esposa de médico, no modo como ser apenas mãe, esposa e dona de casa não diz à mulher quem ela mesma é, no processo de identidade da pessoa, como no filme Mulan, de Disney, na menina se disfarçando de menino e indo para a guerra, acabando reconhecida e respeitada, com o Mundo se curvando perante ela, no caminho da dignidade e de servir ao Mundo. A escada atrás é tal acesso ao divino, à dimensão atemporal, como no nome da grife de luxo Escada, como uma ascensão social, com novos ricos interessados em se elevar socialmente, como uma certa senhora, a qual quis dar uma guinada na Vida ao fazer uma plástica, reformar sua casa e construir uma pomposa piscina, uma senhora que mergulhou numa grande depressão, numa grande decepção com a Vida, percebendo que, mesmo em tantos esforços, sua vida continuou tudo a mesma merda, com o perdão do termo chulo, como aquelas pessoas que acreditam que sua vida vai mudar radicalmente se apenas se mudar de cidade, nas sábias palavras de um certo senhor intelectual: “A Vida é difícil em qualquer lugar!”. Aqui é a revelação solar, da luz que nos faz irmãos, revelando que somos da mesma família, como na sensação de pertencermos à família de um amigo, frequentando a casa de tal amigo, na imortalidade dos laços de amizade, no caminho áureo do amor incondicional, que é amar sem fazer exigências, nas sábias palavras de Hebe Camargo: “Em amizade não pode haver cobrança!”. É como um ente querido meu desencarnado, o qual carrego como grande amigo, mesmo não tendo eu frequentado a casa de tal amigo na Terra – é o valor do desapego, do “arejamento”, por assim dizer, na contramão do amor obsessivo, possessivo e doente, no qual definitivamente não temos a noção de que se trata de um irmão. O despertar aqui é como a pessoa se dando conta de algo, numa revelação, numa conclusão de processo mental, num caminho autodidata, como ter estilo, o qual vem dos critérios da cabeça da pessoa, a qual aprendeu por si, no modo como, se tenho estilo, posso me vestir num brechó beneficente e, ainda assim, parecer que recém saí de uma loja carésima do Barra Shopping em Porto Alegre; quando não tenho estilo, tenho que ser “refém” de grifes pretensiosas e “prisioneiro” dos apelos da sociedade de consumo, no Mito da Caverna, que é ver o Mundo da forma mais clara e realista possível, racionalmente, no papel de Neo em Matrix, libertando-nos. Aqui é um ponto final de um momento de descanso, quando não mais temos vontade de permanecer na cama, ou no sisudo momento em que o despertador toca, chamando-nos para a luta, para o labor, na imagem do deus Marte, o deus dos batalhadores, no lado macho da Vida, que é conquistar o respeito das pessoas, no desafio de se tornar uma pessoa levada a sério, nas palavras de uma certa sábia senhora: “O Mundo pertence aos dignos! O resto são sinais auspiciosos!”. A menina aqui está jogada como uma conchinha à beiramar, na divindade “Menina da Praia”, da Umbanda, no mito de uma Britney Spears no boom inicial da carreira, virgem, na revelação de uma manhã de domingo, na Terra da Estrela da Manhã, na beleza inabalável e plena.
Acima, Ajuste. Aqui me remete a uma lembrança, num baile de debutantes num clube chic e tradicional de Caxias do Sul, com as lindas debutantes de branco no saguão do luxuoso clube, e, do lado de fora, meninos de rua admirados com tal beleza, num profundo abismo social, algo tão brasileiro, em ecos do Brasil escravocrata, como nos antigos moldes sociais da Bahia, com os pobres pretos trabalhando para os ricos brancos, nos horrores da escravidão, algo tão duro e cruel, na capacidade do Ser Humano em explorar Ser Humano, algo tão longe do conceito cristão de irmandade, em seres humanos que dizem agir em nome de Jesus, mas totalmente esquecendo as palavras deste, na hipocrisia de ricos que pregam a caridade, mas mal se importam de fato com os pobres. Aqui é a divertida superstição de que o noivo não pode ver a noiva antes do casamento em si, e aqui o homem está indo ver a noiva, num mau agouro, nesse grande dia da mulher, sendo a estrela do dia, num dia em que ela se sente tratada como uma rainha, numa mulher que quer um homem que a faça se sentir uma rainha, como um certo casal, já divorciado, com ela subindo ao púlpito e pensando: “Olha o príncipe que peguei para mim! Este vai fazer de mim uma rainha!”, mas uma moça que acabou se decepcionando, dando-se conta de que o rapaz era, de fato, um grossão, como no divertido anti herói Radicci, do genial cartunista Iotti, um homem repleto de imperfeições. Aqui é um sonho de menina, nela ganhando uma boneca linda, uma Barbie, na magia de um aniversário, Natal ou Dia da Criança, nos preconceitos do Mundo, relegando à mulher o papel de rainha do lar, com menininhas que brincam com bonecos de bebê, ensaiando para a árdua e anônima vida de dona de casa, uma mulher sem identidade, sem saber qual é o seu lugar no Mundo, no modo como cada pessoa precisa desenvolver seu caminho de identidade, rechaçando os preconceitos do Mundo, mandando este à merda, com o perdão do termo chulo, no preconceito quando nasce a menininha, com o pai dizendo: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na Igreja!”, como num certo machismo de Tolkien, na donzela Arwen sendo entregue pura e casta, pura como branco leite, na cor da noiva, no mito de Nossa Senhora, impedida de ter vida sexual, na moça que nunca transou. A costureira é o zelo e a dedicação profissional, como disse uma certa costureira respeitada: “Cada vestido que faço é como um filho para mim! Dói um pouco em mim em ver o vestido indo embora, tirado de minhas mãos!”, no fato de que criamos um filho para o Mundo e não para nós mesmos. O cabelo branco é a sabedoria, no modo como a juventude tem percalços e imperfeições, numa época da Vida em que fazemos muitas merdas, com o perdão do termo chulo, num certa popstar dizendo sobre sua própria juventude: “Eu era tão burra!”. A luz entra linda no quadro, num cenário onírico, no fascínio de uma noiva suntuosa, como uma jovem Diana sendo desposada por um príncipe, nos encargos de rituais sociais, em ritos de passagem, como em tribos amazônicas, com o casal transando na frente da tribo toda, nessas contrastantes diferenças culturais, mas no fato da universalidade do Ser Humano, com a universalidade da espiritualidade, no modo como não existe religião suprema, pois são caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, como dedos de uma mesma mão – se tal religião visa o Bem, está ok. O espelhinho ao fundo é a reflexão, o olhar para si no mito de Narciso, afogando-se na própria vaidade, como no narcisismo do sociopata, o qual, pura e simplesmente, acha-se Deus, ou seja, pode tudo, como certa vez eu fazendo uma pura e absoluta gentileza de segurar a porta de elevador para uma senhora, e ela não me agradeceu, agindo como se eu estivesse fazendo minha pura obrigação – é um horror. Aqui é a magia dos casamentos, em pomposos eventos sociais, numa noite de cópula socialmente aprovada, com famílias se reunindo para o ritual universal de enlace.
Acima, Albatroz. Aqui é mais uma cena de Bartlett em um barco. O homem está ocupado demais para nos olhar, ocupado com as responsabilidades do dia, no siso da gravata apertada, chegando o glorioso momento do happy hour, num gole de trago para relaxar as tensões do dia, como nos tradicionais pubs ingleses e irlandeses, na memória que tenho de um pub na zona da Cidade Baixa, de Porto Alegre, com um videoquê para os frequentadores, numa lembrança de um senhor que entrou no pub de noite, com sua bolsa de livros do curso de História da UFRGS, no conforto da vizinhança, na recomendação taoista a um líder: “Nunca interfira no dia a dia pacato do cidadão!”. Neste mar, um sério perigo vem, pois vemos um predador se insinuando acima da água, rondando o homem, querendo fazer deste um belo banquete, em casos de surfistas sendo atacados por feras marinhas, nas vicissitudes da natureza selvagem, como ser atacado por mosquitos ou sofrer uma insolação, nas imperfeições naturais, havendo no Plano Superior uma natureza muito mais perfeita, como pastagens macias como carpete, num lugar doce, um lar perfeito, no sentimento de não desejarmos estar em qualquer outro lugar, numa sensação de pertencimento, no título do célebre livro do querido Chico: Nosso Lar, num Chico tão divino, que nos ilumina lá de cima, e me ilumina sempre que falo dele em meu blog – como a espiritualidade é maravilhosa! O mar aqui é escuro, cinzento, incerto, misterioso, no eterno mistério de Tao, da Vida Eterna, sobre a qual não se pode falar, no imensurável poder de que jamais findaremos, no caminho eterno, e é muito poder, não? O homem aqui até tem a intuição do perigo, mas não tem plena consciência de onde exatamente está o perigo. É como um sociopata nos rondando, estudando nossa rotina, como um sequestrador, estudando a rotina do dia a dia da pessoa, como Patrícia Abravanel sendo sequestrada em São Paulo, num crime tão hediondo, numa pessoa arrancada e sua vida, jogada num cativeiro como um cão num canil, fazendo do criminoso tal pessoa de raso apuro moral, um espírito infeliz fadado ao Umbral, a dimensão dos que zombam da amizade, do respeito e da Vida em Sociedade, no modo social de punir os impuros, como no precário e deprimente Presídio Central de Porto Alegre, o qual dizem ser uma sucursal do Inferno, com cem por cento dos detentos com verminose, no modo humano de punir os que não sabem viver em Sociedade. Podemos ouvir aqui o som do remo na água, no relaxante som de água, como numa certa loja chinesa em Nova York, num pequeno córrego fluindo, numa sensação de relaxamento e fluidez, conforto, liberdade, delícia. Aqui é o empenho da virilidade, remando com força, num bom exercício físico, na importância de nos exercitarmos de alguma forma, nem se for por uma simples caminhada, remetendo a senhores que nada mais fazem do que puxar ferro em academias, na sabedoria de que tudo o que é demais, enjoa, como tomar muito álcool e chegar ao deprimente ponto de embriaguez, como uma certa atriz brasileira, entrevistada num baile de Carnaval no Rio, com a língua enrolada, visivelmente bêbada, típico dos pinguços, no aviso em comerciais de cerveja: “Aprecie com moderação”. A camisa cinza entra em continuum com a água e o predador, na cor da incerteza encarnatória, como no Castelo de Grayskull, do universo de He-Man, ou seja, o Castelo da Caveira Cinza. E por que cinza? Porque é a junção do mal escuro com o bem da clareza, na mescla que resulta no cinza, num local de disputa entre as forças do bem e as forças do mal, num universo dos anos 1980 que tão profundamente penetrou em minha mente e nas mentes de muitas outras crianças na época, na magia da infância, uma época simples. Aqui é como uma pessoa que mal sabe onde está se metendo, como um noivo que não faz ideia da vida de casado que levará, no modo como é preciso ter paciência e persistência para manter um casamento por décadas, faltando a muitos casais tal paciência, separando-se já no primeiro desentendimento. Neste quadro, há um expresso aviso: Nunca baixe a guarda completamente!
Acima, Alcatrão. Aqui é o labor que move o Mundo, nesses homens corpulentos como os homens do pintor Aldo Locatelli, na busca humana por beleza, em homens que têm tal corpo sem precisar colocar o pé dentro de uma academia, dando inveja aos que gastam grandes somas de dinheiro para bancar uma academia e um personal trainer, como uma certa academia de luxo de minha cidade, cuja mensalidade deve chegar a mil reais! Aqui, raça pouco quer dizer, pois há homens brancos e um negro, no ato de fraternidade no fim de um jogo de Futebol, com os jogadores trocando as camisas com os oponentes, num ato de cavalheirismo, remetendo ao infeliz racista, no mesmo absurdo de se dizer que siamês não é gato – é gato, sim. Aqui são os corriqueiros barulhos do labor, como marteladas e serras funcionando, nos barulhos do dia, como aspiradores de pó. Ao fundo, fumaça industrial, em cidades industriais pujantes, como no polo metalmecânico de Caxias do Sul, num forte turismo executivo, mas uma Caxias que é uma anã turística, inequiparável à turisticamente gigante Gramado, com esta atraindo milhões de pessoas por ano, um destino o qual, já ouvi dizer, está chegando perto da demanda turística da cidade do Rio, numa Gramado tão onírica, onde somos crianças novamente, como a onírica Ciudad de los Niños, na Argentina, ou como nos parques da cidade americana de Orlando, pois a infância é feliz porque esta é simples, sem os sisos e as exigências do mundo dos adultos. Aqui é como cidades como Detroit, de pesada indústria, em percalços como a poluição ambiental por combustíveis fósseis, no conceito dos carros elétricos, como num ativista Leonardo DiCaprio, no modo como temos que ouvir os ecologistas, pois a Terra é nosso único lar, pois, fora de Terra, o Cosmos é hostil ao Ser Humano, odiando este, numa Humanidade que realmente não tem para onde ir. A torre de energia elétrica é tal estrutura gigantesca, em demandas de grandes urbes como São Paulo, ou como na demanda de água na cidade de Salvador, na qual o padrão cultural não é um, mas dois banhos diários, ao contrário do Sul do Brasil, com apenas um banho diário, talvez por questão climática de temperaturas. Os homens estão à vontade, sem camisa, numa libertação, como chegar na beira da praia e tirar a camisa, num ar de libertação, na liberdade deliciosa das democracias, no cidadão livre, ao contrário do Brasil, com o voto obrigatório, numa contradição: Você é obrigado a ser livre! Ao contrário dos EUA – você vota se quiser. Aqui é o suor do labor, num glorioso banho no fim do dia, num básico ritual social de purificação, como sair do lamacento Umbral e tomar banho num banheiro ensolarado, na limpeza da simplicidade, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, na noção taoista de que a pessoa tem que ser autodidata, aprendendo por si mesma o que é simplicidade – não há livro ou faculdade que ensine. Um dos homens repousa um pouco, como um senhor jardineiro que meus pais tiveram quando moravam numa casa, numa vida tão árdua, tirando ervas daninhas de um gramado, purificando este, nos trabalhos duros que sobram aos que têm baixa escolaridade, nas palavras de um certo senhor, que no passado cometeu o grande erro de largar a faculdade: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”. O céu é cinza, num dia ordinário de labor, no termo “tocar o barco” e “ir à luta”, remetendo a um certo senhor, o qual cometeu o grave erro de largar uma faculdade para nada fazer no lugar, mergulhando numa vidinha insossa, frequentando puteiros, com o perdão do termo chulo, um senhor que se perdeu em tal vida, no modo como a Vida é algo sério, muito sério. Aqui é uma hierarquia, pois os homens simples, do povo, estão seguindo ordens do mestre de obras, o qual tem que ser respeitado. Um homem está protegido, com capacete; já, os outros nem tanto. Há pessoas sábias, que se protegem, como usar preservativo na hora do sexo, nos esforços do psicoterapeuta no sentido da autoestima: Você tem que gostar de si mesmo! E não é infernal não gostar de si mesmo e não gostar de sua própria vida?
Referências bibliográficas:
Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.
Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.











