quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Bom Bo (Parte 19 de 28)

 

 

Falo pela décima nona vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Deus. O negro remete ao feriado nacional brasileiro de Consciência Negra, num país em que racismo é crime, remetendo a xingamentos de negros em campos de Futebol, chamados de “macacos”, como num certo país, um país racista, sinto em dizer, um país no qual pessoas negras são malvistas e consideradas semi humanos – é um horror, no mesmo absurdo de se dizer que siamês não é gato. O rapaz aqui é todo um orgulho afro, como na seção africana do museu novaiorquino Met, com artigos de magia tribal, em obras instigantes, como vi em tal lugar um rapaz negro, orgulhoso de suas próprias raízes, remetendo a uma certa agência de Propaganda, cujo nome é África, inclusive com uma moça negra atendendo na recepção, como dizia minha falecida avó a sua empregada negra muito bonita: “Tu és descendente de príncipes africanos!”, com a moça com seus cabelos rastafári, remetendo ao estilo capilar blackpower dos anos 1970, com a cabeleiras assumidas, volumosas e exuberantes, nos versos de uma certa canção, dizendo a uma moça de cabelo afro: “Não deixe estes rapazes enganarem você! Adoro seu cabelo afro!”, no caminho da autoestima, em gostar de si mesmo, em lugares como salões de beleza e clínicas de estética, em mulheres elegantes, que se arrumam, como uma professora que tive, a qual, de manhã bem cedinho, estava impecavelmente arrumada, vestida e maquiada, fazendo-me imaginar no horário em que ela acordava de manhã cedo para se arrumar de tal forma, ao contrário de outra ex-professora minha, a qual definitivamente perdeu a autoestima, saindo de casa com qualquer roupa, com o cabelo de qualquer jeito, ao contrário das senhoras que sabem que idade não é pretexto para parar de se arrumar, como numa personagem chic da deusa Maggie Smith, elegantíssima no topo de seus cabelos brancos, em atos de autoestima como se perfumar. Ao fundo podemos ver uma paisagem africana, como na capa de um CD da cantora negra Des’ree, com uma paisagem afro ao fundo, remetendo a heróis como Mandela e Luther King, ao ponto de se eleger Obama, este, sim, um grande homem, ponderado, sábio e carismático, na evolução de se ter uma família negra na Casa Branca, desgostando um certo país racista, no retrocesso racista, remetendo à infame imagem de Obama e a esposa como macacos, em ares residuais de nazismo, no ponto em que pode chegar um homem sem um pingo de apuro moral, com os planos de, simplesmente, acabar com o Mundo, colocando uma metade contra a outra, no modo como o sentido da Vida é adquirir tal apuro moral, na vitória da verdade e da nobreza, do garbo e da elegância diplomática, num tato delicado, na noção taoista de que delicado é forte e de que grosseiro é fraco. O rapaz é jovem, belo, remetendo a uma certa popstar a qual adora belos homens negros, nuns EUA em que, via de regra, branco tem filho com branca e negro tem filho com negra, ao contrário da intensa miscigenação brasileira. É como uma pessoa racista, sinto em dizer, a qual, ao ver uma negra beber numa caneca, nunca mais bebe em tal caneca, num racismo tão arraigado na vida em sociedade, num Hitler que simplesmente não aplaudia atletas negros. Riquezas minerais da África foram extraídas por potências mundiais, assim como Portugal sugou a riquezas minerais brasileiras, na noção taoista: Como são ricos! E roubaram tudo dos pobres! É num Brasil com contrastes sociais tão fortes, como na cidade de São Paulo, reunindo o Primeiro e o Quarto Mundo, como nas imediações do Mercado Público da pulsante urbe, totalmente degradantes. O rapaz altivo usa uma tiara, talvez num líder africano, em culturas tribais neolíticas, sem ainda o uso da Escrita, mas com organizações, como arte, rituais e organização social, na figura patriarcal do cacique, na universalidade do machismo, fazendo de tal patriarca uma compensação ao sumo poder que a mulher tem em trazer Vida ao Mundo, como no Islamismo, na figura de Deus como um patriarca, num mundo de homens, como um certo político chamando outra certa política de “vagabunda”, remetendo ao final do filmão Thelma & Louise, fugindo de tal patriarcado, como no final do filmão Barbie, numa mulher que pode ser o que ela quiser.

 


Acima, Deus Ex Machina. Aqui é uma elevação, como uma pessoa sendo promovida dentro de uma empresa, uma pessoa humilde, que começou por baixo, colhendo os frutos de sua persistência, como uma pessoa alçada ao poderoso cargo de secretário de estado dos EUA, como numa feminista Hillary Clinton, algo raro em tal mundo de homens, com freiras tendo que acatar um homem, que é o Papa, remetendo a grandes homens como Francisco, sendo simples, humilde e clemente, agregador, positivo, civilizado, progressista, jovem de alma, cheio de senso de humor, remetendo a outro certo senhor, o qual era de uma cabeça cheia de “teias de aranha”, no modo como as crianças, ainda jovens, podem desenvolver malícia em relação a sexo, num absurdo, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo inventou? Aqui são como containeres em portos de trânsito internacional, como na poderosa China, num divertido paradoxo: De jure, uma ditadura comunista na qual o cidadão não tem liberdades como votar ou fazer manifestações públicas; de facto, um país perfeitamente capitalista, num cidadão totalmente livre para empreender. Aqui é a questão ancestral de troca de mercadorias, quando as especiarias indianas com a seda chinesa seduziram a Europa de séculos atrás, numa situação tão universal e atemporal, como no início de Guerra nas Estrelas volume 4, falando sobre rotas de comércio entre sistemas os solares de uma  mesma galáxia, nesse absurdo de grande que é o Cosmos, grande demais para a pequenina compreensão humana, na máxima islâmica de que Alá é grande, numa Humanidade ainda tão aquém de explorar tal vastidão, nutrindo o fascínio de ufólogos, como em Arquivo X, num Mulder fascinado por descobrir tais formas de Vida, frente à cética e racional Scully, no casamento entre razão e loucura, na ironia de que um homem interpreta a loucura feminina e uma mulher interpreta a razão masculina, angariando fãs ao redor do Mundo, na universalidade do drama humano, com artistas com fãs ao redor do Mundo, e fã clubes tão grandes, como no de Whitney Houston, com vídeos com bilhões de acesso no Youtube, numa linda negra que conheceu o céu do sucesso com o inferno das drogas, na noção taoista de que o sucesso é um cu, com o perdão do termo chulo, pois quando o sucesso vem, temos que saber sobreviver a ele e continuar tocando a vida para a frente com humildade e pés no chão, em cobiçados prêmios que podem ser um problema, com tantos artistas oscarizados que têm dificuldade em continuar conduzindo a Vida com humildade, como Michael Jackson, o qual passou o resto da vida tentando, isso mesmo, neste termo, tentando superar o sucesso esmagador do álbum Thriller, e é como numa queda de braço: Quem perde se torna o homem grande; quem ganha, entra em inferno astral – preço alto para a vitória, não? O céu ao fundo são os sonhos de um artista ainda desconhecido, querendo atingir fama e renome, em artistas privilegiados como Andy Warhol, valorizado ainda em vida, num estilo inconfundível, como Romero Britto, descaradamente imitado por um outro certo artista, cujo nome não mencionarei, no modo como os pequenos têm que boquetear os grandes, com o perdão do termo chulo. Aqui é como num ferro velho, com um acumulador compulsivo com sua coleção de coisas inúteis e sem valor, no apego ao material, como uma certa compulsiva, a qual era incapaz de se sentar numa privada e fazer as necessidades fisiológicas, fazendo xixi e cocô em galões de cinco litros e estocando, colecionando os galões cheios de porcaria – é um horror. Aqui é uma ascensão, como Jesus ressuscitando, ou seja, desencarnando, no glorioso dia de soltura, o qual vai chegar, meu irmão, sendo só questão de tempo, num momento em que nos libertamos de TODOS os problemas relacionados ao nosso corpo físico – é a glória! Fora do trabalho ou do estudo, não há salvação, na ironia de que a Vida continua, e que, lá em cima, temos que nos manter produtivos – como posso tirar o chapéu para uma pessoa improdutiva, que vive à toa? Aqui é o sonho do desenho Os Jetsons, num mundo de futuro, de aprimoramento científico, com carros voadores.

 


Acima, Deusa. Aqui parece Lady Gaga, uma megaestrela que sabe que, para se destacar em nível mundial, é necessário que se tenha muita, muita atitude, num caminho sofisticado de simplicidade, pois estilo não tem a ver com o preço financeiro do traje, mas com a atitude jovial de transgressão, como no famoso vestido de pedaços de carne de Gaga, um traje que atraiu tanta atenção, com um preço de custo baixíssimo, na revolução de Chanel, trazendo o conceito da bijuteria, pois o que importa é o efeito, e não o preço, como na beleza de uma mulher arrumada com flores no cabelo – custo baixo, atitude alta, e não há livro ou faculdade que nos ensine a ter atitude, num caminho autodidata, na noção taoista: As pessoas precisam aprender simplicidade por si mesmas, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como nas imagens simples e claras de Botticelli, na capacidade em se expressar de forma clara, simples e fácil, no continuum entre luz, luxo e leveza, no termo latino lux. A moça nos olha com altivez, como na altivez de um DiCaprio recebendo seu Oscar, premiado por um trabalho no qual  astro se esforçou ao máximo, indo a terrenos gélidos para filmar sua participação, no modo como a Academia de Hollywood adora atores que abrem mão da vaidade para se desfigurar para um papel, no termo popular de que beleza não põe à mesa, pois há muitos rostinhos lindos e muitos corpões por aí que jamais serão astros, como um certo senhor, o qual tem o corpanzil do milênio, e jamais será astro, pois Brad Pitt, além de bonitão, tem algo a mais, e o que é este algo a mais? Não se sabe. É uma questão de instinto, num pessoa que simplesmente nasce assim, numa questão de dom, de dádiva, como saber cantar, em talentos como uma Bethânia, na questão de que o que devo mostrar não são meus músculos, mas meu talento, como um certo senhor com corpo de deus, num senhor para lá de medíocre e inexpressivo, uma pessoa desinteressante, que nada de válido tem a dizer – eu sei que parece que é um deus, mas, infelizmente, só parece. A moça está envolta numa colcha de retalhos, no poder criativo do artesanato, das mãos de artesão, no poder do artista plástico em pegar elementos dissociados e associá-los, fabricando, assim, algo novo, como pegar retalhos e fazer tal colcha, como uma certa obra de Arte que vi certa vez, com uma faca com um furo na lâmina, e, agregado a este furo, um cadeado fechado, ou seja, fabricando algo novo, no poder da mente criativa, no papel da Arte em nos deslumbrar e nos deixar perplexos, pois a Arte tem que mexer conosco, se não, não é Arte, como em películas que se tornam comoções mundiais, fazendo filas histéricas nas salas de Cinema, no poder da Sétima Arte, no modo como, já ouvi dizer, as Artes estão umas dentro das outras, como em salas interconectadas, pois o que seria da Dança ou do Cinema sem a Música? O que seria do Cinema sem as Letras para se fazer um roteiro? O estrelato pode ser complicado, principalmente por causa das pressões, como Whitney, a qual disse que, depois do sucesso esmagador do álbum O Guardacostas, passou a sofrer pressões pesadas, como esses técnicos e jogadores de Futebol: Como você acha que é um país inteiro pressionando você para trazer o Hexa para casa? Não é necessária uma estrutura psíquica forte, muito forte? Não é um grande desafio se manter humilde, com os pés no chão? A moça aqui está séria, sem um mínimo traço de sorriso, como no famoso rapper Eminem, sempre sério, sem sorrir, desenvolvendo uma hiperagressividade, num estilo musical que pode ser tão machista e homofóbico, numa pessoa que constrói tais “muralhas” dentro de si como uma defesa, buscando sobreviver num mundo duro, competitivo e agressivo. Os cabelos da moça ondulam no vento, num frescor, num sopro de renovação, na capacidade de se trazer tal frescor ao cenário mundial, no modo como já ouvi dizer: Temos que ver mais jovialidade e mais transgressão no tapete vermelho. A Gaga aqui sente o peso da responsabilidade, de conduzir sua própria vida e carreira, num protagonismo.

 


Acima, Diáspora. O fogo é um desejo ardente, numa fome de artista por fama e renome, numa luta incessante, renhida, numa luta que tem que ser encarada, ao contrário da pessoa em situação de rua, colocando-se em tal situação, querendo, com todas as suas forças, fugir da vida, fugir da luta, nos versos do hino nacional brasileiro: “Verás que filho teu não foge à luta!”, nas palavras altivas de uma certa senhora: “Dos fracos, a história nada conta!”, nas palavras de uma amiga médium espírita minha: “Deus quer nos ver lutando; Deus não quer nos ver atirados nas cordas do ringue da vida”. É o lado macho da vida, de Marte, deus da luta, num mundo competitivo, desde cedo na escola, quando competimos para ver qual é o aluno mais aplicado, num mundo que exige agressividade de nós, na figura feminista da Mulher Maravilha: Bela e formosa como uma boneca, mas superforte, blindada, dando uma surra em qualquer marmanjo mal intencionado. As moças se unem em solidariedade, amor, união, na imortalidade dos laços de amor e amizade, na perspectiva de que teremos a Eternidade inteira para nos relacionarmos com tais entes, no poder imenso do infinito, que é Deus, no inconcebível poder de que jamais findaremos, neste vazio do infinito no qual escrevemos nossas vidas, no vazio de Tao, num vazio tão magnético, numa folha em branco na qual podemos escrever. Ao fundo temos uma anti Pietà, pois é um homem que segura uma mulher, e não o oposto da Pietà tradicional, de Maria triste com Jesus morto. É num divertido episódio do superseriado Chaves, com Dona Florinda segurando o filho Quico, achando que este fora picado por um letal escorpião, na divina imortalidade dos laços de família, com nossos queridos avós nos esperando lá em cima, no modo como toda e qualquer desavença em família tem prazo de validade, e tudo acaba se resolvendo, pois o perdão é o caminho natural do infinito, no modo como eu mesmo resolvi perdoar uma certa pessoa, pois quem odeia, sofre, pois o ódio é uma perda de tempo, no modo como o Ser Humano foi fadado para o erro, e os erros são inevitáveis, na imperfeição natural das pessoas, no sentido da Vida que é o crescimento e a depuração moral, pois as durezas da Vida vão nos fazendo pessoas melhores e mais depuradas, mais sábias, com mais classe e virtude. Aqui é este gosto de Bartlett por paisagens praianas, na liberdade do ar fresco da beiramar, numa sensação de liberdade, com tantas e tantas pessoas que tiram férias no litoral, num momento de nos desplugarmos do dia a dia, abraçando um pouco de ócio e vadiagem, num merecido descanso após um ano inteiro de trabalho e estudo, ao contrário do wokaholic, o qual simplesmente não se permite descansar, como uma certa publicitária, cujo nome é claro que não mencionarei, uma infeliz que se submetia a varar madrugada adentro de sua própria agência, num vício em trabalho, e o Mundo não vai nos abonar por sermos workaholics; o Mundo está cagando e andando, com o perdão do termo chulo. A pedra é o fundamento, a firmeza de uma pessoa centrada no trabalho, no labor, num homem sério, com sua firma, uma rocha firme na qual a esposa pode se segurar com confiança, num homem que dá a sensação de segurança e firmeza, ao contrário das pessoas que vivem ao sabor do vento, sem se centrar, e a Vida exige que sejamos sérios e responsáveis, remetendo a um certo senhor, um alcoólatra e um drogadito de marca maior, abraçando uma vida em torno de suas dependências químicas, uma pessoa que deveria ir a um a hospital psiquiátrico para saber, uma vez na Vida, o que é estar limpo. O fogo aqui é o consolo de uma lareira num dia frio e úmido, naquele frio que penetra nos ossos, em cidades de clima como Londres, com os londrinos de faces pálidas, numa Londres com raros dias de Sol, sonhando com cidades ensolaradas como o Rio de Janeiro, atraindo turistas numa cidade que pulsa natureza e orla. O mar sereno ao fundo é tal estabilidade e tranquilidade, num mar doce, manso, gostoso, numa gloriosa sensação de liberdade e prazer, sem culpa.

 


Acima, Domínio. Aqui é um refúgio, uma zona de conforto, numa base de projeção, uma fuga num mar gelado e traiçoeiro, traiçoeiro como é o coração, o qual só podemos deixar em paz se dermos ouvidos à cabeça, à fria razão, ao psíquico, à mente, pois é exatamente quando ouvimos o coração que nos fodemos, com o perdão do termo chulo, como na infame facada de Bolsonaro, o qual, naquele momento, deixou-se guiar pelo coração, pagando um preço bem, mas bem alto, numa agressão que não desejo a pessoa alguma. É a questão espírita da mortificação, do bloquear o coração de bobagens, bloqueando, assim, espíritos que querem nosso mal, como eu mesmo tive que cortar laços com um sociopata, numa inimizade a qual tive que comprar, e não desejo fazer o mesmo com outras pessoas, pois um só desafeto já o suficiente em minha vida. O urso aqui é corajoso, na figura do leão rei da selva, na figura corajosa de um rei, numa feminista Elizabeth I, com a coragem de desafiar a assim chamada Invencível Armada da Espanha, poderosa então, uma armada que a famosa estadista inglesa venceu, nesses poderes de liderança, como uma certa pessoa, a qual, no colégio, liderou a própria turma na gincana da instituição, vencendo tal gincana, em talento de liderança em grandes homens como Obama e Francisco, humildes, primando pela paz e pela concórdia, longe dos insanos tarifaços de Trump, um homem que causa mais mal do que imagina, no que o Taoismo chama de “guia instável”, como guiar um carro cuja direção não esteja funcionando perfeitamente. A cor do urso é fruto da infalível seleção natural, adquirindo a cor do gelo, escondendo-se, assim, de presas, na sabedoria do camaleão, protegendo-se de predadores e atacando presas, na capacidade do homem de Tao em ser tal nada, tal invisível, no valor da discrição, ao contrário do robert, o showman, o exibidinho, uma pessoa que quer pura e simplesmente aparecer, sem trazer algo de válido ou interessante, e ninguém, ninguém no fundo respeita o robert, como uma certa senhora, inclusive sequeladinha das drogas, uma mulher rica que ninguém leva muito a sério, no modo como dinheiro traz tudo, menos o que interessa, remetendo à socialite Paris Hilton, uma atriz, uma cantora e uma modelo que ninguém leva com seriedade – bem pelo contrário. O urso aqui é tal agressividade na luta pela Vida, tendo que lutar para ganhar o pão de cada dia, nas responsabilidades de um pai de família, como um certo senhor, com uma quádrupla responsabilidade: Sustentar a si, a esposa e as duas filhas, tendo que trabalhar de Sol a Sol para prover tal nível de vida, dirigindo belos carros e morando num belo apartamento, nas lembranças de infância que tenho de meu pai, um homem que deixava bem claro quem mandava ali dentro daquela casa, fazendo a criança entender a hierarquia numa família. A cromaticidade da seleção natural aqui remete a pombos de urbes, cinzentos, acolhidos pelas cores cinzentas das urbes, ficando, assim, “invisíveis”, discretos, nas inevitáveis mutações que geram evoluções e depurações, no modo como a mutação é o ingresso para a evolução, na evolução da Terra, partindo de seres microscópicos até animais e vegetais, gerando o Ser Humano, na crença de ufologistas de que a Humanidade, num remoto passado, recebeu um auxílio de raças alienígenas civilizadas, numa espécie de “empurrãozinho”, numa crença que fere um tanto o orgulho humano, combatendo a ideia altiva de que o Ser Humano evoluiu por si só – será que um Cosmos tão vasto não tem vida além da Terra? Aqui é um cenário de seriedade e solidez, como na catedral de Caxias do Sul, erguida sobre uma pedra gigante, o ponto mais alto da cidade então, deixando bem claro quem mandava ali, no choque entre católicos e protestantes, na transgressão de Lutero, um homem corajoso, desafiando um poderoso Vaticano de então, um Vaticano que não era desafiado nem pela então poderosíssima Espanha, no valor da transgressão, a qual causa a evolução das sociedades.

 


Acima, Donzela viajante. A viagem dá dois prazeres: ir e voltar. É sempre bom sair de casa e ver lugares novos; é sempre bom voltar ao velho e bom lar. Ao fundo vemos um majestoso transatlântico, um navio de cruzeiro, na memória que tenho de Salvador, BA, no museu de arte sacra da cidade, antes um monastério, com uma bela vista para a Bahia de Todos os Santos, com um portentoso navio, na sedução de tais urbes tropicais, nos pés de mangueira na cidade, seduzindo pessoas como eu, de uma cidade de invernos inclementes, com suas poderosas frentes frias, na eterna insatisfação humana: Se estou no frio, quero ir par ao calor; se estou no calor, quero ir para o frio. É como turistas “enlouquecidos” em Gramado, RS, em noites de rara neve, nesse fenômeno tão raro, longe da branca Bariloche argentina, em zonas de clima temperado como Nova York – verões tórridos e invernos rigorosos, na capacidade do homem de Tao em observar as estações indo e vindo, num ritmo, num eterno ciclo que volta ao princípio, saboreando as frutas da estação, como figos no verão e bergamotas no inverno, no hábito gaúcho de se comer bergamota debaixo de um acalentador sol de inverno, em cidades serranas as quais, em dias de verão, podem ter frio digno de inverno, como nas recentes nevascas inclementes surrando os EUA, na capacidade do Ser Humano ancestral em ver divindades nas forças da Natureza, num paganismo derrubado pelas três grandes religiões monoteístas. A moça aqui relaxa no trem, na paciência do viajante em chegar ao destino, como encarar horas e horas num avião, remetendo a um divertido videoclipe da banda Foofighters, num enredo cômico que se passa dentro de um avião, no poder dos videoclipes, ferramenta indispensável para a Indústria Fonográfica Mundial, na revolução da MTV, traduzindo os anseios da juventude, na importância da imagem junto à Música, em astros de tamanha ousadia e transgressão, no poder transformador da Arte, a qual existe para nos deixar mentalmente sãos – Arte é indispensável, no contraste entre as Coreias – na do sul, grupos pop coloridos, no poder da celebração e da paz; na do norte, tudo investido em armistício, o que é um horror insano. É a desintoxicação pela qual refugiados nortecoreanos têm que encarar quando vão à do sul, vindos de um estado opressor e absoluto, no sonho marxista de estados máximos, escravizando e aprisionando os próprios cidadãos, no modo como os ditadores têm muito, muito medo da liberdade de expressão, em países que proíbem ou controlam a Internet – é um horror, pois quanto mais Tao tenho, quanto mais classe tenho, menos controle viso obter, na deliciosa sensação de liberdade que as democracias têm, como na Experiência Extracorporal espírita, quando nos desplugamos temporariamente de nossos corpos carnais, como mergulhar numa piscina quentinha e deliciosa, no conforto uterino de lar e acolhimento, nas cidades metafísicas, perfeitas, limpas, belas, cheias de pessoas que vivem de forma produtiva, laborando no poder do trabalho, o qual não pode faltar. A moça aqui segura um cartão vermelho, no poder dos árbitros de Futebol, na sabedoria popular de que Deus não joga, mas fiscaliza, no rigor do juiz, na chamada Sala de Justiça de super-heróis como Super-Homem e Mulher Maravilha, numa urbe ensolarada, linda, um lugar no qual dá gosto de se viver, na infalibilidade da Justiça Divina, num ser que coloca a si mesmo no Umbral, como espíritos revoltados, que zombam da limpeza do Plano Superior, como pessoas revoltadas, que não conseguem ver o amor de um espírito amigo, que quer nos tirar das terras sujas do Umbral, como tomar banho num banheiro ensolarado, num perfume de limpeza, da gloriosa sensação revigorante de se tomar um bom banho depois de um dia inteiro de transpiração, como no traço cultural salvadorenho, que é tomar não um, mas dois banhos diários, numa cidade cujo clima encoraja tal hábito, longe das terras mais frias meridionais brasileiras. Viajar é um prazer, quando nos deparamos com o mesmo Ser Humano nos quatro cantos do Mundo.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Bom Bo (Parte 18 de 28)

 

 

De volta das férias. Falo pela décima oitava vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Eliot em Chaddsford. Aqui é um abandono e uma solidão, desolação, como um tio meu, o qual foi à praia no inverno, e disse que era deprimente, com uma praia erma e cinzenta, fria, no modo como são deprimentes longos invernos escandinavos, numa certa canção pop famosa, dizendo sonhar com o dourado sol californiano em meio a um dia desolador de inverno, como um professor que tive, o qual, ainda gurizote, quis ser ratão de praia em Florianópolis, mas se desiludiu quando o verão passou e todas as pessoas voltaram para suas vidas – a Vida não é só verão! Aqui é o medo de abandono que a pessoa borderline tem, como uma pessoa border que conheci, aquela pessoa que vivia no limiar, sempre com os nervos à flor da pele, sempre preocupada com a família, querendo diariamente saber como estavam, se estavam a salvo em casa. A solidão é como numa canção do deus David Bowie, numa pessoa num labirinto, perdida e solitária, num submundo, cheio de tolos sinais auspiciosos e ilusões, numa pessoa pouco centrada, como uma certa pessoa, numa desolação que já dura décadas, ou algo perto disso, uma pessoa já na casa dos cinquenta anos de idade, perdendo tempo com autocomiseração, e cinquenta é uma idade para já estarmos bem resolvidos na Vida, longe de conflitos de adolescente; longe de revoltas. A jaqueta vermelha é o ardor da Vida, numa pessoa que quer viver. É como a capa rubra dos excelentes e devidamente oscarizados figurinos da grande produção Drácula de Bram Stoker, num homem que se revolta contra a Igreja, refugiando-se nas trevas, na metáfora do sociopata, sugando as almas de pessoas masoquistas, como um sociopata certa vez em assediou, querendo, simplesmente, mandar em mim, e eu o mandei à merda, com o perdão do termo chulo, como na recomendação em O Silêncio dos Inocentes – nunca dê informações pessoais a um sociopata, nessa capacidade que o sociopata tem em manipular ardilosamente as pessoas, brincando com as vidas destas, pessoas malévolas as quais temos que mandar para longe de nossas vidas, como me disse uma grande amiga psicóloga: Sociopatas são algo que encontramos em qualquer lugar, até mesmo no prédio em que moramos, e até mesmo em nossas próprias famílias ou círculos sociais. O gorro é a proteção e o resguardo, num dia frio de inverno, como nas inclementes frentes frias chegam ao Sul do Brasil, atraindo visitantes para Gramado, pessoas que querem, exatamente, passar frio, quiçá vendo uma bela e rara neve. A lata ao fundo fumegando é uma consolação, como numa casa seca, com lareira, nos fortes invernos úmidos ingleses, naquele frio úmido que “penetra nos ossos”, com os ingleses pálidos, com poucos dias de Sol, num fog que pode ser tão deprimente, num sentimento de solidão. O menino nos encara, como no menininho ao início do clássico Cidadão Kaine, no menino que é inclementemente arrancado de seu paraíso de infância, alienado de seu querido trenó Rosebud, numa época em que a Vida era mais simples, num Kaine que, no leito de morte, evoca o amado brinquedo, na simplicidade das crianças, contentando-se com pouco, sem as exigências e critérios os adultos, no conceito cristão de que o Reino dos Céus é das criancinhas, pois a criança traz um residual do Plano Superior, o glorioso lugar em que estamos cercados de amigos, nos versos de uma certa canção: “Sonhei que as pessoas eram boas num mundo de amor, e acordei neste mundo marginal!”. É a questão de pessoas que não querem nos enganar ou explorar, no caminho capital do apuro moral, no modo como há tantas pessoas de má fé, sempre querendo adquirir vantagens, como um certo sociopata, o qual foi ao aniversário da neta não por amar esta, mas por se tratar de uma festa num clube exclusivo e diferenciado – é um horror, numa enorme insensibilidade destrutiva. A jaqueta vermelha é um sinal de esperança e volta por cima, como na menininha de vermelho no clássico A Lista de Schindler, no impacto da cena de cadáveres queimados, tudo por causa da diabólica inteligência de um sociopata, uma pessoa realmente sem apuro moral – viste como apuro moral é importante?

 


Acima, Enseada de sereia. O reflexo é a queda de Narciso, numa pessoa a qual simplesmente se acha Deus, numa perfeição, no Narciso se afogando na água traiçoeira. A areia molhada é a gloriosa sensação de se caminhar na beiramar, com os pés banhados pela água, no modo como o litoral no verão atrai tantas pessoas, numa deliciosa sensação de liberdade, de simplicidade, de chinelos Havaianas, como no traço cultural do salvadorenho, passeando de chinelos nos melhores shoppings da cidade, algo talvez impensável na região Sul do Brasil, com um segurança barrando a entrada no shopping de pessoas como chinelos, no termo “sandálias da humildade”, e não é insuportável uma pessoa arrogante? Bartlett gosta de modelos que encaram o espectador, talvez provocando e atiçando este, no papel da Arte em nos interpelar como seres pensantes, com inteligência emocional, no modo como Tao é uma filosofia que só pode ser entendida instintivamente, bloqueada para sociopatas, os quais definitivamente carecem de tal inteligência emocional, apenas com inteligência fria e esquemática. O barco branco é a paz, numa orla pacífica e deliciosa, como no fim do filmão Contato, numa orla tão doce e prazerosa, num lugar em que, com todas as nossas forças, queremos ficar, como eu certa vez, ainda criança, acordei querendo, com todo meu coração, ficar em tal lugar prazeroso, mas não pude, pois o dia raiou e a obrigação escolar chamava, no siso de se acordar em manhãs geladas de inverno, deixando de ouvir o coração para ouvir a fria cabeça, no caminho espírita da mortificação, deixando de ouvir os traiçoeiros conselhos do coração, ouvindo, então, a cabeça, como numa médium espírita, minha amiga, a qual disse bloquear dentro de si tais sinais traiçoeiros do coração, no modo como, quando nos guiamos puramente pelo coração, tomamos no cu, com o perdão do termo chulo, pois o coração nos faz sofrer, como nas canções sertanejas de sofrência, como uma certa pessoa que conheci, a qual se deixava levar pelo coração, sofrendo, assim, o Diabo a quatro. Uma das moças está alheia a nós, olhando para trás, negando o espectador. Seu vestido vermelho é a Vida, a força da Vida, na seiva que corre nas plantas, em vias de uma urbe vibrante, com vias movimentadas, em urbes tão infernais como São Paulo, uma cidade a qual, em dias úteis, é uma sucursal do inferno, ao contrário de sábados, domingos e feriado, quando Sampa é um retrato do Éden, numa cidade de abismos sociais tão brasileiros, reunindo o Primeiro e o Quarto Mundo. Aqui é um cenário de quietude e placidez, como no título de um dos álbuns da deusa jazzista Diana Krall, o Turn up the quiet, ou seja, algo como Ative a quietude, na sabedoria da pessoa em viver em paz e quietude, numa artista tão discreta e reservada, longe dos auspícios tolinhos do frívolo mundo das celebridades, mundo desprezado pelo diretor intelectual Woody Allen, num filme que mostra o lado nojento das celebridades, como no personagem de Leonardo DiCaprio, destruindo uma suíte de hotel e sendo amplamente perdoado pelo gerente, numa asquerosa massagem de ego, em pessoas narcisistas, que só sabem falar de si mesmas, eternamente dando uma entrevista, como tive a oportunidade de certa vez jantar com uma certa estrela atriz, e era impressionante – a mulher só sabia falar de si mesma, ou seja, uma pessoa de papo desinteressante e vazio, no oposto caminho das pessoas humildes e interessantes. Podemos sentir aqui a doce brisa, em algo brando, como na branda fada Glenda, do superclássico O Mágico de Oz, gentil e doce, num doce chuvisco que rega a terra, como nas temperaturas do Plano Superior: Dias agradáveis e noites amenas, numa eterna Festa da Uva, numa rainha regendo a cidade espiritual, como rosas sem espinhos, no lugar que é o Éden para os que trabalham ou estudam, pois fora da produtividade não há salvação, pois como posso tirar o chapéu para uma pessoa improdutiva? A Vida não cobra sério? A canoa é a simplicidade de uma tigela, atraindo com seu magnetismo vazio, numa sensação de organização, no prazer de se estar numa casa recém limpa, na limpeza impecável das cidades metafísicas.

 


Acima, Escola das Américas. Aqui pode ser a consequência de uma bomba, numa destruição tão cruel, como no infeliz indivíduo que jogou a bomba atômica sobre Hiroshima, ficando psiquicamente sequelado, como no rapaz que presta serviço militar, arrancado de seu lar, no modo como quartel é qualquer coisa, menos um lar, num rapaz o qual, ao voltar do serviço militar e reinserir-se na sociedade, não consegue se ressocializar totalmente, ficando sequelado – é um horror, nessa crueldade natural do Ser Humano, como queimar pessoa vivas em fogueiras, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo coisas que Ele JAMAIS faria. Aqui é como numa intimidade de num lar, como numa cena de um filme da poderosa franquia Alien, na personagem se jogando no meio de monstros alienígenas, sentindo-se tão à vontade e em casa, num nível de intimidade, como numa certa cruel mulher, arrancando de um homem a vida em família que este tinha, deixando-o “nu”, tal como arrancar uma cenoura da horta, talvez uma mulher com a cabeça poluída pela comadre sociopata que tinha, fazendo exatamente o que não se pode fazer, que é se abrir para um sociopata. Aqui é um torpor, como na obraprima de Botticelli, com Marte entorpecido perante Vênus, na recomendação taoista: Entenda a força e o impulso do Yang, do masculino, mas seja mais Yin dentro de si mesmo, mais feminino, na sensação gostosa de se estar em casa, nas falas de uma certa peça teatral com o deus comediante Ney Latorraca: “Casa é uma delícia! Que delícia que é casa!”. Aqui é como num clube reunindo sócios em torno da piscina, numa comunhão, numa irmandade, num sharing, num compartilhamento, como numa agência de Propaganda, com todos dividindo o mérito, com várias cabeças sobre uma só questão, nas chamadas branstorms, “surubas” mentais nas quais as ideias podem se formar, com cada um falando o que pensa, num trabalho tribal, coletivo em torno de um conceito. Aqui é como num videoclipe da estrela pop Kylie Minogue, com pessoas deitadas na beira da piscina, num doce dia de verão, na doçura de verão com brincadeiras com os amigos, em momentos em que a vida é simples, nas palavras de uma querida amiga minha de adolescência: “Éramos felizes e sabíamos!”, no modo como os amigos são o ouro da Vida, remetendo a um rapaz que conheci no Ensino Fundamental, uma pessoa que tinha grande dificuldade de fazer amigos e socializar-se, vagando solitário pelo pátio do colégio no momento do intervalo, sendo uma pessoa mal vista e mal quista. Aqui é como no momento de repouso das donzelas em ...E o vento levou, com a moças com a obrigação de sestear, enquanto s homens se reuniam para falar de assuntos importantes, num machismo incrível, tolhendo a sexualidade feminina, como na donzela Arwen, de Tolkien, entregue pura e casta ao marido, no pai ao pensar no nascimento da própria filha: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves!”, como nos filmes pornôs, nos quais apenas ao homem é permitido ter orgasmo. É como no fim do filmão Thelma e Louise, no final feminista das mulheres escapando de tal patriarcado, com a tela branca encerrando a película, numa mensagem de esperança e libertação, em ícones redentores como Chanel, libertando a mulher, numa revolução estilística, no conceito de que o acessório não vale pelo valor financeiro, mas pelo efeito que produz, na simplicidade de uma mulher com flores no cabelo, com pouco e nenhum custo financeiro. Aqui é o glorioso momento em que a criança pequeninha engata no sono e deixa os pais em paz, numa paz tão frágil, no encargo enorme de se criar um bebê, na responsabilidade de se ter prole no Mundo, nas sábias palavras de um certo senhor a mim: “Se quiseres permanecer com a tua vida do jeito que ela é, não tenha filhos!”. Aqui é como no filme gaúcho Anahy de Las Missiones, com uma família encontrando despojos entre os mortos no conflito da Guerra dos Farrapos, um filme que nos traz a mensagem de que nada no Mundo é para sempre, numa atriz protagonista, Aracy Esteves, a qual tive a dourada oportunidade de elogiar pessoalmente certa vez em Porto Alegre.

 


Acima, Escola de etiqueta. Aqui é a disciplina, o lado áspero do trabalho, na noção de que não há trabalho que seja 100% prazer, pois fácil e difícil são faces do mesmo labor, como disse o escritor Moacyr Scliar em entrevista: “Tenho que ter a disciplina para sentar e produzir!”. Aqui são as boas maneiras sociais, numa cobrança por bom comportamento, como em cadernos de caligrafia, exigindo do aluno uma letra perfeita, algo que, ao menos comigo, nunca funcionou, pois, mesmo escrevendo em tais cadernos, minha caligrafia segue tosca e feia, muito longe daquela caligrafia perfeita de professora. O livro na cabeça é o equilíbrio, como numa fria equação, no modo como a Matemática é bela e divertida, fria, na fria razão que serve para deixar o coração tranquilo, como num consultório de psicoterapeuta, colocando-nos as coisas da forma mais fria possível, no caminho espírita da mortificação, quando bloqueio meu coração contra coisas que podem me fazer sofrer, e, quem se deixa guiar somente pelo coração, sofre e toma no cu, como o perdão do termo chulo, pois, se Deus nos deu uma caixa cerebral, é porque devemos usá-la. A menininha ao centro parece feliz, contente, pouco aborrecida com tal cobrança de disciplina, naqueles alunos aplicados, que enchem o professor de orgulho, dando razão à vida docente, como uma colega que tive no colégio, uma menina cujo sonho era gabaritar todas as disciplinas, uma menina com o semblante seríssimo quando recebia a prova corrigida e não tirava nota dez, talvez vindo de uma encarnação anterior na qual vivera ao sabor do vento, sem se centrar, uma moça que hoje é médica, numa vida disciplinada, no modo como não se pode viver ao sabor do vento, e cada pessoa tem que se centrar de alguma forma, com seriedade, na sedução do sociopata, os quais nos seduzem para uma vida de aventuras, como num episódio de Friends, quando Mônica entra no canto sedutor de uma sociopata, numa questão muito simples: Quando a aranha tece sua teia, tudo o que eu, mosca, tenho que fazer é manter distância, ou seja, não se relacionar. O chão em xadrez é a ludicidade, em jogos em tardes em casa com amigos, como salões de jogos em hotéis, seduzindo a meninada, no modo como o videogame ganhou o Mundo, desde o primário Atari nos anos 1980 até formas extremamente sofisticadas, num infindável caminho de aprimoramento, com jogos novos lançados anualmente, num hábito que pode virar um certo vício, como um certo rapazinho, o qual, em pleno dia de verão ensolarado com amigos na Rua, preferia passar o dia inteiro num quarto escuro jogando os games eletrônicos, exigindo dos pais e responsáveis medidas duras em nome da qualidade de vida da criança, no modo como a criança, no fundo, gosta de receber limites, pois estes dão a sensação de lar, proteção e invólucro, como na casa de uma certa psicóloga, com regras rígidas dentro do lar. O menininho ensaia uma dança com uma mulher mais velha, no momento de interação social, como na menina debutante, desinteressando-se pelas bonecas e abraçando a vida social, na infância ficando para trás, com os sexos se atraindo, a salvo em casos de homossexualidade, é claro, em toda a dureza da sociedade heterocentrada, na qual homossexualidade é sinônimo de doença. Aqui são como as menininhas de Renoir no MASP, no advento transgressor do Impressionismo, no modo como a Arte, com suas vogues, suas ondas de renovação, no advento modernista sobre a arte clássica de nomes clássicos acadêmicos como Pedro Américo, nos versos imortais de Elis: “É você que é mal passado e que não vê que o novo sempre vem!”, como no cenário pop, em novos nomes como Gaga, com cada geração com seus ídolos, como a geração de meus pais; a geração Elis Regina. A etiqueta é a cobrança, num bom professor, que cobra sério, como uma professora de Filosofia que tive, dura, mas maravilhosa, na única cadeira de minha faculdade em que quase rodei, e o que me salvou foi o Taoismo, quando mostrei à professora que há todo um ramo oriental de Filosofia, na universalidade do Ser Humano, em caminho diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao.

 


Acima, Estivadores. As estruturas ao fundo são o desenvolvimento, na riqueza de certas nações. É como no parque eólico gaúcho na estrada Freeway, que liga a capital gaúcha ao litoral norte do estado, nessas energias limpas, como a elétrica, em ativistas ambientais como Leonardo DiCaprio, na noção de que a Terra é nossa única morada, e que o Ser Humano não tem para onde ir, ou seja, temos que cuidar de nossa casa, em eventos mundiais sobre a crise climática, pois, fora da Terra, o Cosmos é absolutamente hostil ao Ser Humano, como no início do filme tecnicamente impecável Gravidade: “A Vida é impossível no espaço”. O homem velho e o rapaz são a passagem do tempo, no inevitável envelhecimento, no modo como a passagem do tempo nos afeta, e todos envelhecemos, até os grandes astros de Hollywood, como disse certa vez Barbra Streisand: “No Showbusiness, nós envelhecemos publicamente!”. Os módulos coloridos são a organização da Vida em Sociedade, numa cidade organizada e planejada, no modo humano social de impor ordem ao caos, com ruas com regras de trânsito, exigindo respeito ao cidadão, como no clássico Pássaros, na ordem apolínea sendo destroçada pelo caos dos animais, no ponto decisivo de desenvolvimento humano, impondo a ordem ao caos, com regras de convivência social, em medidas básicas como respeitar o pedestre na faixa de pedestres, em nações tão limpas e ricas como o Japão, com cidadãos polidos e limpos, num país apolíneo, com uma elegante e impecável bandeira nacional, clean, simples, majestosa, no caminho da simplicidade, na noção taoista de que as pessoas têm que aprender a simplicidade por si mesmas, num caminho autodidata, no modo como não há livro ou faculdade que nos ensine a brilhar, num caminho instintivo, como uma certa popstar, a qual veio do nada e conquistou o Mundo, num caminho instintivo, como Gisele, nascendo numa cidadezinha anônima, conquistando o Mundo, com seus célebres cabelos ondulados sendo imitados, há muitos anos, pelas mulheres no Mundo inteirinho, numa Gisele de tal brilho colossal e monstruoso, na noção taoista de que a pessoa de Tao conquista o Mundo, e ninguém se dá conta, em brilhos que, de tão raros, são tratados como fenômeno, e como uma pessoa de Tao se sente? Como uma tesoura cega, no caminho da humildade, pois a arrogância precede a queda, e quem é metido e arrogante toma no cu, com o perdão do termo chulo, como um certo senhor ex-prefeito, arrogante, um autocrata que simplesmente não conversava com assessores ou pessoas próximas, um senhor que acabou impichado, com direitos caçados por anos, e só damos valor à liberdade quando a perdemos, e não é um horror estar preso? Creio que sim. Aqui são como extrações petrolíferas, no sangue negro da terra, no império dos petroleiros asiáticos, no Oriente Médio, exportando para o Mundo todo, em barões petrolíferos que temem o advento das energias limpas, pois isso ameaçaria o império do petróleo em tal parte do Mundo, no modo como a Humanidade está ainda muito dependente de combustíveis fósseis, como no petróleo brasileiro em altomar, em problemas como o descarte do lixo plástico, num Mundo ainda muito dependente do plástico. O senhor de branco é a paz consigo mesmo, num caminho de serenidade, numa pessoa madura e bem resolvida, deixando para trás conflitos de juventude, pois a idade é para nos trazer estabilidade. O rapaz de preto é o luto, o siso, a seriedade de um funeral, um evento social o qual, apesar de sério e pesaroso, é uma boa oportunidade de se reverem amigos e família, no modo espírita de lidar de forma arejada com o desencarne de uma pessoa, aceitando a finitude do corpo carnal, na orientação taoista: Se teu corpo morrer, não tem problema! Então, vamos ao glorioso Plano Superior, no qual não há desemprego, com trabalhos bons, que exigem de nossa cabeça, num lugar que é um paraíso aos que gostam de trabalhar ou estudar, numa agenda social cheia de eventos lindos.

 


Acima, Fidelidade. Aqui é o sonho da criança de ter superpoderes e voar como um super-herói, na doce época em que trazemos todo um residual do Plano Superior, na doce inocência infantil, na simplicidade, como disse certa vez um senhor, o qual presenteou o filho com um pomposo brinquedo, e o filho se divertiu mais com a fita que embrulhava o presente, no caminho de se contentar com pouco, como uma pessoa feliz com seu cônjuge, apesar dos defeitos deste, como uma certa senhora já viúva, a qual aturou com mais de meio século um marido fumante – não é perfeito, mas é meu marido e eu o amo! É como estar contente com seu lugar de moradia, pois não há morada perfeita, no sentido da pessoa estar contente com o que tem. Os olhos fechados são o sonho, num doce episódio do seriado Chaves, com o menino pobre sonhando com uma grande brinquedoteca, cheia de carrinhos, bolas e bonecos, um menino que acordou de tal sonho e teve que se contentar com seu simples brinquedo improvisado, pobre, chegando o glorioso dia de desencarne, como no funeral da senhora minha avó paterna, no qual respirava-se o clima de missão cumprida, numa senhora absolutamente consciente de seu próprio desencarne, na energia da pessoa, nas saudades que temos de tais entes queridos, entes que nos esperam lá em cima, no plano maravilhoso no qual há saúde completa, no caminho do amor incondicional, leve, desapegado, fresquinho, na perspectiva de que teremos a Eternidade inteira para nos relacionarmos com tais entes, como uma pessoa sociopata que conheci, a qual passará por muitas encarnações, depurar-se-á e tornar-se-á um grande espírito de luz, no caminho do crescimento inevitável, no glorioso modo como ninguém está no Umbral para sempre, pois só o Céu é eterno, neste poder imensurável da Vida Eterna, no modo como jamais findaremos, e Deus é isso, é o infinito, um poder grande demais para a pobre compreensão humana. O menino listrado é como um farol guiando navegadores, no papel de líder em guiar o povo, num líder de Tao, no qual o povo confia, o qual o povo ama, num homem o qual, apesar de poderoso, mantém-se simples, tomando o mesmo tipo de café de seus súditos, e assistindo ao mesmo canais de TV os quais os súditos assistem, na noção de não só contemplarmos os palácios, mas contemplarmos a Natureza, com campos e florestas que vestem roupas maravilhosas, como nas terras virgens americanas defloradas pelo descobridor europeu, fascinando a Europa com relatos exóticos e inusitados, como em tribos amazônicas canibais, num estágio primitivo de evolução humana, pois o apuro moral é o sentido de tudo, pois se quero enganar você, não sou seu amigo, e a amizade é o ouro da Vida, como na doce sensação de tempos de pré-escola, quando estamos cercados de tais amigos – como a infância e seus brinquedos são doces! O menininho aqui ergue a mão como num sinal para atender à chamada na aula do professor, como eu na minha faculdade, ávido por estudar e dar sentido à minha própria vida, partindo em busca do tempo perdido, num tempo remoto em que abandonei os estudos, cometendo, assim, um erro enorme, nas palavras de um certo senhor, o qual também subestimou a importância de fechar o ciclo e formar-se na faculdade: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”. E é uma delícia esforçar-se para se fazerem muito bem feitos os trabalhos que o professor exige, em quatro anos muito gratos de minha vida, numa sensação de encerrar um ciclo e concretizar algo, como disse Hebe Camargo em entrevista: “Como eu gostaria de ter tido a oportunidade de estudar!”. Os olhos fechados são a concentração em algo, num empenho, numa pessoa envolvida no trabalho, como um certo senhor, o qual trabalhava, mas são era workaholic, ou seja, respeitava a si mesmo, tendo, assim, deslanchado profissionalmente, ao contrário de outro certo senhor, um workaholic que não se dava ao respeito, fracassando profissionalmente, no caminho da pessoa ter autoestima e não se submeter a degradantes estilos de vida. Aqui o menininho encara uma responsabilidade, crescendo desde muito cedo, como o Kevin de Esqueceram de Mim, sendo o homem da casa.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.