quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Bom Bo (Parte 18 de 28)

 

 

De volta das férias. Falo pela décima oitava vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Eliot em Chaddsford. Aqui é um abandono e uma solidão, desolação, como um tio meu, o qual foi à praia no inverno, e disse que era deprimente, com uma praia erma e cinzenta, fria, no modo como são deprimentes longos invernos escandinavos, numa certa canção pop famosa, dizendo sonhar com o dourado sol californiano em meio a um dia desolador de inverno, como um professor que tive, o qual, ainda gurizote, quis ser ratão de praia em Florianópolis, mas se desiludiu quando o verão passou e todas as pessoas voltaram para suas vidas – a Vida não é só verão! Aqui é o medo de abandono que a pessoa borderline tem, como uma pessoa border que conheci, aquela pessoa que vivia no limiar, sempre com os nervos à flor da pele, sempre preocupada com a família, querendo diariamente saber como estavam, se estavam a salvo em casa. A solidão é como numa canção do deus David Bowie, numa pessoa num labirinto, perdida e solitária, num submundo, cheio de tolos sinais auspiciosos e ilusões, numa pessoa pouco centrada, como uma certa pessoa, numa desolação que já dura décadas, ou algo perto disso, uma pessoa já na casa dos cinquenta anos de idade, perdendo tempo com autocomiseração, e cinquenta é uma idade para já estarmos bem resolvidos na Vida, longe de conflitos de adolescente; longe de revoltas. A jaqueta vermelha é o ardor da Vida, numa pessoa que quer viver. É como a capa rubra dos excelentes e devidamente oscarizados figurinos da grande produção Drácula de Bram Stoker, num homem que se revolta contra a Igreja, refugiando-se nas trevas, na metáfora do sociopata, sugando as almas de pessoas masoquistas, como um sociopata certa vez em assediou, querendo, simplesmente, mandar em mim, e eu o mandei à merda, com o perdão do termo chulo, como na recomendação em O Silêncio dos Inocentes – nunca dê informações pessoais a um sociopata, nessa capacidade que o sociopata tem em manipular ardilosamente as pessoas, brincando com as vidas destas, pessoas malévolas as quais temos que mandar para longe de nossas vidas, como me disse uma grande amiga psicóloga: Sociopatas são algo que encontramos em qualquer lugar, até mesmo no prédio em que moramos, e até mesmo em nossas próprias famílias ou círculos sociais. O gorro é a proteção e o resguardo, num dia frio de inverno, como nas inclementes frentes frias chegam ao Sul do Brasil, atraindo visitantes para Gramado, pessoas que querem, exatamente, passar frio, quiçá vendo uma bela e rara neve. A lata ao fundo fumegando é uma consolação, como numa casa seca, com lareira, nos fortes invernos úmidos ingleses, naquele frio úmido que “penetra nos ossos”, com os ingleses pálidos, com poucos dias de Sol, num fog que pode ser tão deprimente, num sentimento de solidão. O menino nos encara, como no menininho ao início do clássico Cidadão Kaine, no menino que é inclementemente arrancado de seu paraíso de infância, alienado de seu querido trenó Rosebud, numa época em que a Vida era mais simples, num Kaine que, no leito de morte, evoca o amado brinquedo, na simplicidade das crianças, contentando-se com pouco, sem as exigências e critérios os adultos, no conceito cristão de que o Reino dos Céus é das criancinhas, pois a criança traz um residual do Plano Superior, o glorioso lugar em que estamos cercados de amigos, nos versos de uma certa canção: “Sonhei que as pessoas eram boas num mundo de amor, e acordei neste mundo marginal!”. É a questão de pessoas que não querem nos enganar ou explorar, no caminho capital do apuro moral, no modo como há tantas pessoas de má fé, sempre querendo adquirir vantagens, como um certo sociopata, o qual foi ao aniversário da neta não por amar esta, mas por se tratar de uma festa num clube exclusivo e diferenciado – é um horror, numa enorme insensibilidade destrutiva. A jaqueta vermelha é um sinal de esperança e volta por cima, como na menininha de vermelho no clássico A Lista de Schindler, no impacto da cena de cadáveres queimados, tudo por causa da diabólica inteligência de um sociopata, uma pessoa realmente sem apuro moral – viste como apuro moral é importante?

 


Acima, Enseada de sereia. O reflexo é a queda de Narciso, numa pessoa a qual simplesmente se acha Deus, numa perfeição, no Narciso se afogando na água traiçoeira. A areia molhada é a gloriosa sensação de se caminhar na beiramar, com os pés banhados pela água, no modo como o litoral no verão atrai tantas pessoas, numa deliciosa sensação de liberdade, de simplicidade, de chinelos Havaianas, como no traço cultural do salvadorenho, passeando de chinelos nos melhores shoppings da cidade, algo talvez impensável na região Sul do Brasil, com um segurança barrando a entrada no shopping de pessoas como chinelos, no termo “sandálias da humildade”, e não é insuportável uma pessoa arrogante? Bartlett gosta de modelos que encaram o espectador, talvez provocando e atiçando este, no papel da Arte em nos interpelar como seres pensantes, com inteligência emocional, no modo como Tao é uma filosofia que só pode ser entendida instintivamente, bloqueada para sociopatas, os quais definitivamente carecem de tal inteligência emocional, apenas com inteligência fria e esquemática. O barco branco é a paz, numa orla pacífica e deliciosa, como no fim do filmão Contato, numa orla tão doce e prazerosa, num lugar em que, com todas as nossas forças, queremos ficar, como eu certa vez, ainda criança, acordei querendo, com todo meu coração, ficar em tal lugar prazeroso, mas não pude, pois o dia raiou e a obrigação escolar chamava, no siso de se acordar em manhãs geladas de inverno, deixando de ouvir o coração para ouvir a fria cabeça, no caminho espírita da mortificação, deixando de ouvir os traiçoeiros conselhos do coração, ouvindo, então, a cabeça, como numa médium espírita, minha amiga, a qual disse bloquear dentro de si tais sinais traiçoeiros do coração, no modo como, quando nos guiamos puramente pelo coração, tomamos no cu, com o perdão do termo chulo, pois o coração nos faz sofrer, como nas canções sertanejas de sofrência, como uma certa pessoa que conheci, a qual se deixava levar pelo coração, sofrendo, assim, o Diabo a quatro. Uma das moças está alheia a nós, olhando para trás, negando o espectador. Seu vestido vermelho é a Vida, a força da Vida, na seiva que corre nas plantas, em vias de uma urbe vibrante, com vias movimentadas, em urbes tão infernais como São Paulo, uma cidade a qual, em dias úteis, é uma sucursal do inferno, ao contrário de sábados, domingos e feriado, quando Sampa é um retrato do Éden, numa cidade de abismos sociais tão brasileiros, reunindo o Primeiro e o Quarto Mundo. Aqui é um cenário de quietude e placidez, como no título de um dos álbuns da deusa jazzista Diana Krall, o Turn up the quiet, ou seja, algo como Ative a quietude, na sabedoria da pessoa em viver em paz e quietude, numa artista tão discreta e reservada, longe dos auspícios tolinhos do frívolo mundo das celebridades, mundo desprezado pelo diretor intelectual Woody Allen, num filme que mostra o lado nojento das celebridades, como no personagem de Leonardo DiCaprio, destruindo uma suíte de hotel e sendo amplamente perdoado pelo gerente, numa asquerosa massagem de ego, em pessoas narcisistas, que só sabem falar de si mesmas, eternamente dando uma entrevista, como tive a oportunidade de certa vez jantar com uma certa estrela atriz, e era impressionante – a mulher só sabia falar de si mesma, ou seja, uma pessoa de papo desinteressante e vazio, no oposto caminho das pessoas humildes e interessantes. Podemos sentir aqui a doce brisa, em algo brando, como na branda fada Glenda, do superclássico O Mágico de Oz, gentil e doce, num doce chuvisco que rega a terra, como nas temperaturas do Plano Superior: Dias agradáveis e noites amenas, numa eterna Festa da Uva, numa rainha regendo a cidade espiritual, como rosas sem espinhos, no lugar que é o Éden para os que trabalham ou estudam, pois fora da produtividade não há salvação, pois como posso tirar o chapéu para uma pessoa improdutiva? A Vida não cobra sério? A canoa é a simplicidade de uma tigela, atraindo com seu magnetismo vazio, numa sensação de organização, no prazer de se estar numa casa recém limpa, na limpeza impecável das cidades metafísicas.

 


Acima, Escola das Américas. Aqui pode ser a consequência de uma bomba, numa destruição tão cruel, como no infeliz indivíduo que jogou a bomba atômica sobre Hiroshima, ficando psiquicamente sequelado, como no rapaz que presta serviço militar, arrancado de seu lar, no modo como quartel é qualquer coisa, menos um lar, num rapaz o qual, ao voltar do serviço militar e reinserir-se na sociedade, não consegue se ressocializar totalmente, ficando sequelado – é um horror, nessa crueldade natural do Ser Humano, como queimar pessoa vivas em fogueiras, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo coisas que Ele JAMAIS faria. Aqui é como numa intimidade de num lar, como numa cena de um filme da poderosa franquia Alien, na personagem se jogando no meio de monstros alienígenas, sentindo-se tão à vontade e em casa, num nível de intimidade, como numa certa cruel mulher, arrancando de um homem a vida em família que este tinha, deixando-o “nu”, tal como arrancar uma cenoura da horta, talvez uma mulher com a cabeça poluída pela comadre sociopata que tinha, fazendo exatamente o que não se pode fazer, que é se abrir para um sociopata. Aqui é um torpor, como na obraprima de Botticelli, com Marte entorpecido perante Vênus, na recomendação taoista: Entenda a força e o impulso do Yang, do masculino, mas seja mais Yin dentro de si mesmo, mais feminino, na sensação gostosa de se estar em casa, nas falas de uma certa peça teatral com o deus comediante Ney Latorraca: “Casa é uma delícia! Que delícia que é casa!”. Aqui é como num clube reunindo sócios em torno da piscina, numa comunhão, numa irmandade, num sharing, num compartilhamento, como numa agência de Propaganda, com todos dividindo o mérito, com várias cabeças sobre uma só questão, nas chamadas branstorms, “surubas” mentais nas quais as ideias podem se formar, com cada um falando o que pensa, num trabalho tribal, coletivo em torno de um conceito. Aqui é como num videoclipe da estrela pop Kylie Minogue, com pessoas deitadas na beira da piscina, num doce dia de verão, na doçura de verão com brincadeiras com os amigos, em momentos em que a vida é simples, nas palavras de uma querida amiga minha de adolescência: “Éramos felizes e sabíamos!”, no modo como os amigos são o ouro da Vida, remetendo a um rapaz que conheci no Ensino Fundamental, uma pessoa que tinha grande dificuldade de fazer amigos e socializar-se, vagando solitário pelo pátio do colégio no momento do intervalo, sendo uma pessoa mal vista e mal quista. Aqui é como no momento de repouso das donzelas em ...E o vento levou, com a moças com a obrigação de sestear, enquanto s homens se reuniam para falar de assuntos importantes, num machismo incrível, tolhendo a sexualidade feminina, como na donzela Arwen, de Tolkien, entregue pura e casta ao marido, no pai ao pensar no nascimento da própria filha: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves!”, como nos filmes pornôs, nos quais apenas ao homem é permitido ter orgasmo. É como no fim do filmão Thelma e Louise, no final feminista das mulheres escapando de tal patriarcado, com a tela branca encerrando a película, numa mensagem de esperança e libertação, em ícones redentores como Chanel, libertando a mulher, numa revolução estilística, no conceito de que o acessório não vale pelo valor financeiro, mas pelo efeito que produz, na simplicidade de uma mulher com flores no cabelo, com pouco e nenhum custo financeiro. Aqui é o glorioso momento em que a criança pequeninha engata no sono e deixa os pais em paz, numa paz tão frágil, no encargo enorme de se criar um bebê, na responsabilidade de se ter prole no Mundo, nas sábias palavras de um certo senhor a mim: “Se quiseres permanecer com a tua vida do jeito que ela é, não tenha filhos!”. Aqui é como no filme gaúcho Anahy de Las Missiones, com uma família encontrando despojos entre os mortos no conflito da Guerra dos Farrapos, um filme que nos traz a mensagem de que nada no Mundo é para sempre, numa atriz protagonista, Aracy Esteves, a qual tive a dourada oportunidade de elogiar pessoalmente certa vez em Porto Alegre.

 


Acima, Escola de etiqueta. Aqui é a disciplina, o lado áspero do trabalho, na noção de que não há trabalho que seja 100% prazer, pois fácil e difícil são faces do mesmo labor, como disse o escritor Moacyr Scliar em entrevista: “Tenho que ter a disciplina para sentar e produzir!”. Aqui são as boas maneiras sociais, numa cobrança por bom comportamento, como em cadernos de caligrafia, exigindo do aluno uma letra perfeita, algo que, ao menos comigo, nunca funcionou, pois, mesmo escrevendo em tais cadernos, minha caligrafia segue tosca e feia, muito longe daquela caligrafia perfeita de professora. O livro na cabeça é o equilíbrio, como numa fria equação, no modo como a Matemática é bela e divertida, fria, na fria razão que serve para deixar o coração tranquilo, como num consultório de psicoterapeuta, colocando-nos as coisas da forma mais fria possível, no caminho espírita da mortificação, quando bloqueio meu coração contra coisas que podem me fazer sofrer, e, quem se deixa guiar somente pelo coração, sofre e toma no cu, como o perdão do termo chulo, pois, se Deus nos deu uma caixa cerebral, é porque devemos usá-la. A menininha ao centro parece feliz, contente, pouco aborrecida com tal cobrança de disciplina, naqueles alunos aplicados, que enchem o professor de orgulho, dando razão à vida docente, como uma colega que tive no colégio, uma menina cujo sonho era gabaritar todas as disciplinas, uma menina com o semblante seríssimo quando recebia a prova corrigida e não tirava nota dez, talvez vindo de uma encarnação anterior na qual vivera ao sabor do vento, sem se centrar, uma moça que hoje é médica, numa vida disciplinada, no modo como não se pode viver ao sabor do vento, e cada pessoa tem que se centrar de alguma forma, com seriedade, na sedução do sociopata, os quais nos seduzem para uma vida de aventuras, como num episódio de Friends, quando Mônica entra no canto sedutor de uma sociopata, numa questão muito simples: Quando a aranha tece sua teia, tudo o que eu, mosca, tenho que fazer é manter distância, ou seja, não se relacionar. O chão em xadrez é a ludicidade, em jogos em tardes em casa com amigos, como salões de jogos em hotéis, seduzindo a meninada, no modo como o videogame ganhou o Mundo, desde o primário Atari nos anos 1980 até formas extremamente sofisticadas, num infindável caminho de aprimoramento, com jogos novos lançados anualmente, num hábito que pode virar um certo vício, como um certo rapazinho, o qual, em pleno dia de verão ensolarado com amigos na Rua, preferia passar o dia inteiro num quarto escuro jogando os games eletrônicos, exigindo dos pais e responsáveis medidas duras em nome da qualidade de vida da criança, no modo como a criança, no fundo, gosta de receber limites, pois estes dão a sensação de lar, proteção e invólucro, como na casa de uma certa psicóloga, com regras rígidas dentro do lar. O menininho ensaia uma dança com uma mulher mais velha, no momento de interação social, como na menina debutante, desinteressando-se pelas bonecas e abraçando a vida social, na infância ficando para trás, com os sexos se atraindo, a salvo em casos de homossexualidade, é claro, em toda a dureza da sociedade heterocentrada, na qual homossexualidade é sinônimo de doença. Aqui são como as menininhas de Renoir no MASP, no advento transgressor do Impressionismo, no modo como a Arte, com suas vogues, suas ondas de renovação, no advento modernista sobre a arte clássica de nomes clássicos acadêmicos como Pedro Américo, nos versos imortais de Elis: “É você que é mal passado e que não vê que o novo sempre vem!”, como no cenário pop, em novos nomes como Gaga, com cada geração com seus ídolos, como a geração de meus pais; a geração Elis Regina. A etiqueta é a cobrança, num bom professor, que cobra sério, como uma professora de Filosofia que tive, dura, mas maravilhosa, na única cadeira de minha faculdade em que quase rodei, e o que me salvou foi o Taoismo, quando mostrei à professora que há todo um ramo oriental de Filosofia, na universalidade do Ser Humano, em caminho diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao.

 


Acima, Estivadores. As estruturas ao fundo são o desenvolvimento, na riqueza de certas nações. É como no parque eólico gaúcho na estrada Freeway, que liga a capital gaúcha ao litoral norte do estado, nessas energias limpas, como a elétrica, em ativistas ambientais como Leonardo DiCaprio, na noção de que a Terra é nossa única morada, e que o Ser Humano não tem para onde ir, ou seja, temos que cuidar de nossa casa, em eventos mundiais sobre a crise climática, pois, fora da Terra, o Cosmos é absolutamente hostil ao Ser Humano, como no início do filme tecnicamente impecável Gravidade: “A Vida é impossível no espaço”. O homem velho e o rapaz são a passagem do tempo, no inevitável envelhecimento, no modo como a passagem do tempo nos afeta, e todos envelhecemos, até os grandes astros de Hollywood, como disse certa vez Barbra Streisand: “No Showbusiness, nós envelhecemos publicamente!”. Os módulos coloridos são a organização da Vida em Sociedade, numa cidade organizada e planejada, no modo humano social de impor ordem ao caos, com ruas com regras de trânsito, exigindo respeito ao cidadão, como no clássico Pássaros, na ordem apolínea sendo destroçada pelo caos dos animais, no ponto decisivo de desenvolvimento humano, impondo a ordem ao caos, com regras de convivência social, em medidas básicas como respeitar o pedestre na faixa de pedestres, em nações tão limpas e ricas como o Japão, com cidadãos polidos e limpos, num país apolíneo, com uma elegante e impecável bandeira nacional, clean, simples, majestosa, no caminho da simplicidade, na noção taoista de que as pessoas têm que aprender a simplicidade por si mesmas, num caminho autodidata, no modo como não há livro ou faculdade que nos ensine a brilhar, num caminho instintivo, como uma certa popstar, a qual veio do nada e conquistou o Mundo, num caminho instintivo, como Gisele, nascendo numa cidadezinha anônima, conquistando o Mundo, com seus célebres cabelos ondulados sendo imitados, há muitos anos, pelas mulheres no Mundo inteirinho, numa Gisele de tal brilho colossal e monstruoso, na noção taoista de que a pessoa de Tao conquista o Mundo, e ninguém se dá conta, em brilhos que, de tão raros, são tratados como fenômeno, e como uma pessoa de Tao se sente? Como uma tesoura cega, no caminho da humildade, pois a arrogância precede a queda, e quem é metido e arrogante toma no cu, com o perdão do termo chulo, como um certo senhor ex-prefeito, arrogante, um autocrata que simplesmente não conversava com assessores ou pessoas próximas, um senhor que acabou impichado, com direitos caçados por anos, e só damos valor à liberdade quando a perdemos, e não é um horror estar preso? Creio que sim. Aqui são como extrações petrolíferas, no sangue negro da terra, no império dos petroleiros asiáticos, no Oriente Médio, exportando para o Mundo todo, em barões petrolíferos que temem o advento das energias limpas, pois isso ameaçaria o império do petróleo em tal parte do Mundo, no modo como a Humanidade está ainda muito dependente de combustíveis fósseis, como no petróleo brasileiro em altomar, em problemas como o descarte do lixo plástico, num Mundo ainda muito dependente do plástico. O senhor de branco é a paz consigo mesmo, num caminho de serenidade, numa pessoa madura e bem resolvida, deixando para trás conflitos de juventude, pois a idade é para nos trazer estabilidade. O rapaz de preto é o luto, o siso, a seriedade de um funeral, um evento social o qual, apesar de sério e pesaroso, é uma boa oportunidade de se reverem amigos e família, no modo espírita de lidar de forma arejada com o desencarne de uma pessoa, aceitando a finitude do corpo carnal, na orientação taoista: Se teu corpo morrer, não tem problema! Então, vamos ao glorioso Plano Superior, no qual não há desemprego, com trabalhos bons, que exigem de nossa cabeça, num lugar que é um paraíso aos que gostam de trabalhar ou estudar, numa agenda social cheia de eventos lindos.

 


Acima, Fidelidade. Aqui é o sonho da criança de ter superpoderes e voar como um super-herói, na doce época em que trazemos todo um residual do Plano Superior, na doce inocência infantil, na simplicidade, como disse certa vez um senhor, o qual presenteou o filho com um pomposo brinquedo, e o filho se divertiu mais com a fita que embrulhava o presente, no caminho de se contentar com pouco, como uma pessoa feliz com seu cônjuge, apesar dos defeitos deste, como uma certa senhora já viúva, a qual aturou com mais de meio século um marido fumante – não é perfeito, mas é meu marido e eu o amo! É como estar contente com seu lugar de moradia, pois não há morada perfeita, no sentido da pessoa estar contente com o que tem. Os olhos fechados são o sonho, num doce episódio do seriado Chaves, com o menino pobre sonhando com uma grande brinquedoteca, cheia de carrinhos, bolas e bonecos, um menino que acordou de tal sonho e teve que se contentar com seu simples brinquedo improvisado, pobre, chegando o glorioso dia de desencarne, como no funeral da senhora minha avó paterna, no qual respirava-se o clima de missão cumprida, numa senhora absolutamente consciente de seu próprio desencarne, na energia da pessoa, nas saudades que temos de tais entes queridos, entes que nos esperam lá em cima, no plano maravilhoso no qual há saúde completa, no caminho do amor incondicional, leve, desapegado, fresquinho, na perspectiva de que teremos a Eternidade inteira para nos relacionarmos com tais entes, como uma pessoa sociopata que conheci, a qual passará por muitas encarnações, depurar-se-á e tornar-se-á um grande espírito de luz, no caminho do crescimento inevitável, no glorioso modo como ninguém está no Umbral para sempre, pois só o Céu é eterno, neste poder imensurável da Vida Eterna, no modo como jamais findaremos, e Deus é isso, é o infinito, um poder grande demais para a pobre compreensão humana. O menino listrado é como um farol guiando navegadores, no papel de líder em guiar o povo, num líder de Tao, no qual o povo confia, o qual o povo ama, num homem o qual, apesar de poderoso, mantém-se simples, tomando o mesmo tipo de café de seus súditos, e assistindo ao mesmo canais de TV os quais os súditos assistem, na noção de não só contemplarmos os palácios, mas contemplarmos a Natureza, com campos e florestas que vestem roupas maravilhosas, como nas terras virgens americanas defloradas pelo descobridor europeu, fascinando a Europa com relatos exóticos e inusitados, como em tribos amazônicas canibais, num estágio primitivo de evolução humana, pois o apuro moral é o sentido de tudo, pois se quero enganar você, não sou seu amigo, e a amizade é o ouro da Vida, como na doce sensação de tempos de pré-escola, quando estamos cercados de tais amigos – como a infância e seus brinquedos são doces! O menininho aqui ergue a mão como num sinal para atender à chamada na aula do professor, como eu na minha faculdade, ávido por estudar e dar sentido à minha própria vida, partindo em busca do tempo perdido, num tempo remoto em que abandonei os estudos, cometendo, assim, um erro enorme, nas palavras de um certo senhor, o qual também subestimou a importância de fechar o ciclo e formar-se na faculdade: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”. E é uma delícia esforçar-se para se fazerem muito bem feitos os trabalhos que o professor exige, em quatro anos muito gratos de minha vida, numa sensação de encerrar um ciclo e concretizar algo, como disse Hebe Camargo em entrevista: “Como eu gostaria de ter tido a oportunidade de estudar!”. Os olhos fechados são a concentração em algo, num empenho, numa pessoa envolvida no trabalho, como um certo senhor, o qual trabalhava, mas são era workaholic, ou seja, respeitava a si mesmo, tendo, assim, deslanchado profissionalmente, ao contrário de outro certo senhor, um workaholic que não se dava ao respeito, fracassando profissionalmente, no caminho da pessoa ter autoestima e não se submeter a degradantes estilos de vida. Aqui o menininho encara uma responsabilidade, crescendo desde muito cedo, como o Kevin de Esqueceram de Mim, sendo o homem da casa.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Bom Bo (Parte 17 de 28)

 

 

            Antes de ler esta postagem, saiba que, depois desta, o blog entra em férias e volta entre fevereiro e março de 2026. Bom Natal! Bom Réveillon! Bom verão!

 

Falo pela décima sétima vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Fora deste quarto é a guerra e o terror. Um envolvimento e uma cumplicidade, como um certo casal, experimentando juntos maconha, como num certo filme, com o casal comendo, de pé, da mesma panela, numa intimidade profunda, ao contrário de um fino e pomposo jantar para amigos, numa mesa impecavelmente posta, tratando os amigos da melhor forma possível, num talento de anfitrião, como num filme com Leo DiCaprio, um multimilionário dando pomposas festas, recebendo em sua mansão um catatau de pessoas, proporcionando a estas música, glamour, bebida e diversão, mas um senhor o qual, ao morrer, só teve um amigo de verdade, havendo apenas este do funeral do homem rico, no discernimento entre amigo e conhecido: O amigão sabe pelo que passo existencialmente, dando um ombro e um consolo, uma companhia; já, o conhecido é uma amizade “vaca de presépio”, pois é só para a hora da festa de do oba-oba, um conhecido o qual não nos dá sensação de acompanhamento – não é amizade tóxica, mas também não é brother. Aqui é como num sexy comercial de lingerie, na moça numa cama etérea, no hábito de rapazes se masturbarem com catálogos de lingerie, naquela época da vida em que somos escravos de nossos próprios hormônios, nas palavras de uma imponente Marta Suplicy: “Adolescência é uma época da vida em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal!”, deixando perplexa uma plateia de adolescentes, naquelas pessoas que, definitivamente, não são simplórias, numa Marta caindo no gosto dos homens gays, frente a uma mulher tão elegante e glamorosa. O branco aqui é a paz, na paz que desejamos numa virada de ano, na paz inabalável do Plano Superior, em ruas silenciosas, num acalentador canto de pássaros, num plano em que não temos prazos ou pressa, num lugar em que todos se respeitam, sem querer passar os outros para trás, num plano de apuro moral, onde temos a sensação de estarmos entre amigos, como entre nossos coleguinhas de escola, numa sensação de acolhimento e pertencimento, nas palavras de um espírito no Plano Superior, no filme Nosso Lar: “Não desejo estar em qualquer outro lugar!”. Os olhos azuis são a transparência, num amigo transparente, amigo, aliado, irmão, numa pessoa na qual podemos indubitavelmente confiar, como um certo senhor, uma pessoa boa e honesta, na qual posso confiar cegamente, no caminho capital da aquisição de apuro moral, ao contrário do sociopata, um mau caráter que quer sempre mentir e enganar, havendo só um lugar para tal espírito – o Umbral, o plano no qual, definitivamente, não temos amigos, numa desolação, como vagar por uma cidade deserta, inóspita, num eterno domingo deprimente, como um morador de rua jogado numa calçada, uma pessoa que, com todas as suas forças, quer fugir da vida e evitar a luta, nos perenes versos do Hino Nacional do Brasil: “Verás que filho teu não foge à luta!”. A luz entra aqui branda, suave, num cômodo claro, plácido, no poder da luz, da Terra da Estrela da Manhã, à qual todos pertencemos, sem esquecer de que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei Supremo, e todos fomos impecavelmente concebidos por tal Pai amoroso, no Útero Sacrossanto, do qual todos viemos, havendo no mito de Maria a metáfora para entendermos nossas origens divinas. Aqui há sensualidade, mas não sexualidade, pois não se trata de uma foto pornô, remetendo ao nu de bom gosto da revista Playboy brasileira, um nu de tão bom gosto que conquistava até os homens gays, em edições memoráveis, como o debut explosivo de Adriane Galisteu, numa edição que vendeu como água, alçando AG ao status estelar então. É a tênue linha entre erótico e vulgar, uma linha nem sempre sendo bem visualizada. Aqui pode ser um casal homoafetivo, no modo como temos que respeitar outrem, pois a vida é de outrem, e não nossa. As mãos dadas são o amor e a compreensão, num nível de intimidade no qual compreendemos completamente tal pessoa, ao ponto de podermos conversar por telepatia, sem proferir uma única palavra.

 


Acima, Forasteiro. O vento é a liberdade, no desejo gaúcho de liberdade em se desvincular do Império Brasileiro e fazer do RS uma nação independente e soberana, nos farrapos sendo esmagados pelo poderio militar imperial, fazendo da Revolução Farroupilha a tragédia fundadora do povo gaúcho, na altivez de se tocar o hino gaúcho em partidas estaduais de Futebol, como no título de um lugar em Brasília: “A embaixada do Rio Grande em Brasília”. O homem aqui já não é um rapaz, mas também não é velhinho, como no Aragorn de Tolkien, um homem grisalho o qual, apesar de ter 47 anos de idade, está na flor da idade e no auge da virilidade, como no James Bond, um homem de meia idade no auge da vida, num Bond que tem que ser a combinação entre charme e agressividade, em Bonds charmosos como os de Pierce Brosnan e Sean Connery, num charme londrino, cosmopolita, resultando depois nos metrossexuais, em homens como Beckham, empenhados em ter a melhor aparência possível, num Beckham tão midiático, adorando aparecer pela mídia global, como numa Diana, um monstro midiático que transcendeu numa Inglaterra na qual ninguém pode ser mais do que realeza. O homem aqui nos fita, talvez num desafio, numa altivez de rei, nesses homens simples que conquistam o respeito do povo, num homem que bebe o mesmo tipo de café dos súditos, no caminho da simplicidade, na noção taoista de que o homem de Tao mora em pomposos palácios, mas não se importa com estes, sabendo que os campos e florestas vestem roupas maravilhosas, em terras vastas, que vão até onde alcança a visão, na saúde do ar livre, no cheiro de bosta do campo, num lugar simples, sem pretensões ou frescuras, no caminho da virilidade, numa viril Elizabeth I, conquistando a confiança do povo, transformando uma nação pobre e fraca no país mais rico e poderoso da Europa, fundando os tradicionalíssimos colleges, numa época misógina em que a mulheres não podiam estudar, mesmo havendo uma mulher como chefe de estado! O vento é a deliciosa sensação de liberdade da orla, do delicioso hálito de mar, da Mãe Mar que gerou a Vida na Terra, na imagem popular de Iemanjá, a Rainha do Mar, trazendo fartura às redes de pescadores, no milagre cristão da multiplicação de peixes, em países fartos e ricos como o Canadá, apolíneo, totalmente bem administrado, fazendo com que, em comparação, Nova York pareça Terceiro Mundo! O cachecol é a preservação contra o frio, em dias de inverno na Serra Gaúcha, seduzindo turistas que vão ao RS exatamente para passar frio, e, na contramão, os gaúchos adoram o calorzinho gostoso de cidades como Salvador! O agasalho aqui é a preservação, na campanha anual do agasalho no RS, combatendo tal inclemente inverno gaúcho, remetendo a cidades como Porto Alegre, tão quente no verão ao ponto de receber o apelido “Forno Alegre”, havendo no Plano Superior nem o frio congelante, nem o calor escaldante, em dias agradáveis e noites amenas, sem a bipolaridade de extremos, na magia das vindimas, celebrando a beleza da vida. A barba grisalha é a sabedoria que a idade traz, fazendo de nós pessoas responsáveis, com juízo, como na sisuda responsa de se terem filhos no Mundo, em um pai que trabalha de Sol a Sol para ser tal provedor de um lar, deixando muito claro que é tal pai quem manda dentro de casa, nos inevitáveis xixis dados nos filhos, participando da educação destes, remetendo a uma certa mulher um tanto cruel, a qual, ao se separar do marido, arrancou deste o lar que tal homem tinha, numa mulher que se decepcionou, a qual, na Igreja, pensou ter desposado um príncipe, mas um homem o qual, no siso do dia a dia, revelou-se um “sapo”, um homem insensível e pouco romântico, no modo como, num relacionamento amoroso, todo santo dia tem que haver uma pequena reconquistada naquela pessoa, pois, do contrário, cairá na mesmice. As terras vastas ao fundo são os domínios do rei, nesses altivos reis de Tolkien, em homens tão altivos como Papa Francisco, num legado aos papas posteriores.

 


Acima, Forja. Aqui é a virilidade do labor, nesses esforços braçais, exigindo condicionamento físico para tal, como nos navegadores europeus desbravando as Américas, seduzindo donzelas com suas histórias de aventuras, no mito de Rapunzel, libertada de seu castelo, na sedução entre masculino e feminino, como no mito de São Jorge matando com sua fálica lança o dragão, libertando a donzela, como na Arwen de Tolkien, entregue pura e casta ao rei, na divisão machista de haver só dois tipos de mulher – a santinha e a putinha, com perdão do termo chulo, enfurecendo as feministas, as quais trabalham em prol de ta liberdade, criticando o mito de Eva, o segundo sexo, o arremedo de Adão, com a função machista de reprodução da espécie, fazendo da mulher uma escrava dos labores do lar, nas furiosas palavras de uma certa senhora em briga com o próprio marido: “Eu me matando para manter esta casa limpa e organizada! Eu vou-me embora desta casa!”, entristecendo os filhos, os quais não gostam de ver os pais brigando. Aqui é o erguimento de algo, no modo como a Imigração Italiana na Serra Gaúcha foi uma reforma agrária que deu certo, na força do colono em carpir lotes virgens, sonhando com uma farta mesa de galeteria, mesa de rei, com muita comida e vinho, impressionando uma senhora italiana em tal restaurante: “Mas Dio, quanta comida! Como vocês comem!”. Podemos ouvir o barulho possante do martelo na bigorna, num esforço que exercita o corpo, num homem que sequer precisa colocar o pé dentro de uma academia de musculação, nessa atividade enfadonha de puxar ferro, pouco exigindo de nossa inteligência, em homens que decidem ter tal condicionamento físico, halterofilístico, tornando-se escravos de uma academia, nas palavras de um homem ao jornalista Fernando Gabeira: “Vida de fisiculturista é sofrimento!”. Os homens sem camisa são a liberdade do ar livre, num cheiro de campo, de liberdade, na gloriosa sensação de se tirar a camisa na praia, no sedutor mar que desafia o surfista, excitado com as ondas volumosas, prostrando o surfista frente a um mar sem ondas, remetendo a uma certa pessoa, a qual perdeu totalmente a vontade de lutar e viver, mergulhando, há cerca de duas décadas, num marasmo sem fim, num prejuízo sério, pois enquanto está no mimimi, sua vida está passando, ou seja, está perdendo tempo em ter pena de si mesma. Aqui é um esforço hercúleo, como na produção de O Quatrilho, num Fabio Barreto que foi o epicentro de todo um labor, excitando uma comunidade inteira, em hotéis da cidade hospedando os membros da equipe e elenco, num momento em que todos se uniram em torno de Fabio, comprando o sonho deste em transformar tal livro em filme, num trabalho artesanal, que exigiu tudo de todos, num filme que foi o auge da carreira de tal grande brasileiro como Barreto, um homem que amava tanto o Brasil, querendo difundir globalmente a imagem de tal país amado, ou seja, um grande homem, sem dúvida. A pedra elevada é o capital labor, qual não pode faltar, como no Plano Superior, no qual não falta trabalho, em trabalhos nobres, que exigem de nossas cabeças, como um publicitário sonhando em trabalhar em pomposas agências de Propaganda, como na agência DCS, de Porto Alegre, num tesão de firma. O fogo ardendo é o labor árduo, mas que vale a pena, nas inevitáveis dores encarnatórias – a diferença reside se me permito ou não sofrer por tal dor, na capacidade humana em rir das dores, como uma grande amiga minha, a qual encarou com bom humor o fato de ter tido sua própria casa assaltada, num bandido que, definitivamente, não tem como estar ok, havendo no Umbral tal dimensão de sofrimento. Aqui é uma cidade sendo erguida com esforço e virilidade, em sonhos de desenvolvimento, com altivos prédios altos, na competição fálica para ver qual país do Mundo tem a torre mais alta, no mito de Babel, a torre que queria desafiar Deus, ruindo e fracassando. Os homens sem camisa remetem a uma antiga campanha publicitária de cigarro, com fisiculturistas fumando ao ar livre, linkando o cigarro à ideia de saúde, algo que hoje é contra a lei.

 


Acima, Galileia. Momento de festa e beleza, num momento em que nos desligamos temporariamente dos sisos do dia a dia. O barco é a sociedade, em meio às intempéries naturais, como em Os Pássaros, do imortal Hitchcock, num choque entre ordem em caos, fazendo das tragédias naturais a prova de que é a imperfeita Terra quem tenta imitar o perfeito Céu, fazendo do Plano Superior o plano glorioso e doce, no qual estamos livres de todo e qualquer problema relativo a nossos corpos carnais, como na metáfora do filme Elysium, com uma máquina que curava qualquer problema de saúde, em ricos desalmados que viviam numa estação espacial, fora da Terra, em abismos sociais, como no Brasil, respirando ainda ecos do Brasil escravocrata, como na telenovela Sinhá Moça, mostrando tais horrores, com negros jogados como cães num canil de senzala, condenados a uma vida árdua, sofrida, levando ao ponto do Brasil comemorar o Dia de Consciência Negra, contrastando com um certo país, o qual é racista, no absurdo de se dizer que beagle não é cachorro – é cachorro, sim! Neste majestoso quadro deste mestre inegável que é Bo Bartlett, há uma ironia de metalinguagem, pois é tal falando de tal, ou seja, a arte do pincel de Bartlett falando da arte dos instrumentos musicais, como uma atriz interpretando outra atriz, como na deusa Goldie Hawn, reinando em O Clube das Desquitadas, em ironias, fazendo de Tao tal piadista, com tudo de Yang trazendo uma pitada de Yin, e viceversa, na questão da comparação, pois quando digo que algo é baixo, é porque comparo com algo mais alto, e liso e áspero, ou seja, fácil feminino e difícil masculino são faces do mesmo trabalho, nas palavras de uma monstruosamente brilhante Gisele para fãs num set de filmagem: “Desculpem, gente, mas tenho que trabalhar!”, nas palavras de Moacyr Scliar, tendo que ter a disciplina para sentar e produzir, numa dedicação ao labor, um labor que se revela prazeroso, doce, no modo como discordo de uma certa artista, a qual disse em entrevista que vê exclusivamente prazer no trabalho, como em esforços de artistas em turnês mundiais, viajando pelo Mundo todo, em horas e horas em aviões, longe de casa, em hotéis, no discernimento em O Mágico de Oz, no qual não existe lugar como nosso lar, como estar num hospital, longe de casa, num menino em Cidadão Kane, arrancado de seu paraíso de infância, como no menino em O Império do Sol,  arrancando de sua família pelos horrores das guerras, começando a guerra guri e acabando homem, numa pessoa que teve que amadurecer muito cedo na vida, num filme bem conduzido por Christian Bale, o qual, diga-se de passagem, rendeu um bom Batman, ao contrário de outro certo senhor, para o qual eu não tiro o chapéu, sinto em dizer, um ator que não me cativa – gosto é pessoal! Aqui, os trajes de gala são a elegância, como em moças com seus suntuosos vestidos, como certa vez num baile de debutantes em Caxias do Sul, com as moças lindas de branco, jovens, e, do lado de fora da sede social de tal clube, meninos de rua admirados com tal beleza, num abismo social, em espíritos corajosos, que topam reencarnar em meio a tanta vicissitude, num árduo trabalho, o qual acaba por causar no espírito uma mortificação enorme, e a mortificação é necessária, pois devemos parar de ouvir o traiçoeiro coração e passar a ouvir a fria razão, nos trabalhos de Psicoterapia, num terapeuta nos mostrando o Mundo da forma mais fria possível, racional, na questão da fálica verdade, como numa recente campanha publicitária de uma fragrância masculina de Versace, com o ator musculosão Channing Tatum jogando uma flecha fálica racional que estilhaça o frasco, destroçando as tolas ideias mundanas de auspícios enganosos, nas palavras de uma sábia senhora: “O Mundo só pertence aos dignos, pois o resto são sinais auspiciosos”, como uma certa socialite, a qual, o que tem de rica, tem de desrespeitada, pois muito dinheiro traz tudo, menos o que importa! A mulher ociosa observa tudo, sem tocar um instrumento musical, numa pessoa que aprendeu a surfar nas ondas, num instinto nato.

 


Acima, Geórgia. A roda é uma das maiores invenções da Humanidade, universal, como não me canso de dizer que foram da preguiça que nasceram as grandes invenções – por que me “matar” subindo e descendo escadas se posso fazê-lo comodamente dentro de um elevador? Aqui remete a doces tempos de verão e férias, como em veraneios com minha família em Jurerê, SC, nos anos 1980, com a galera da vizinhança de noite, depois do jantar, passando em frente às casas dos amigos para uma pedalada, no modo como os amigos são o ouro da Vida, havendo tal sensação no Plano Superior, num mundo de Amor no qual ninguém quer enganar ou ludibriar, no caminho do apuro moral, o qual é o sentido da Vida, a qual só tem sentido se nos tornamos pessoas melhores, remetendo às pessoas improdutivas, desperdiçando uma vida com malícia e auspícios tolos, no modo como é miserável a vida de uma pessoa rica improdutiva, pois não há esperança fora do dignificante labor, na perguntinha inevitável quando vemos nossos entes queridos lá em cima: “Onde estás trabalhando?”. O rapaz negro remete a um rapaz negro que vi na ala africana do famoso museu novaiorquino Met, um rapaz altivo, orgulhoso de suas origens afro, em artefatos de magia tribal, no ponto decisivo em que o Homo sapiens passou a se diferenciar da animalidade, num Ser Humano ritualístico, em rituais de magia, no modo como a Arte pode ser mágica, conquistando fã clubes ao redor do Mundo, em artistas tão amados e reverenciados, na função da Arte em nos encantar, como na suntuosidade do casal Christo e Jeanne-Claude, em instalações que nos deixam embasbacados, perplexos, em bons artistas que nos encantam, fazendo da Arte algo tão civilizatório, como na construção de Cultura Erudita, num Brasil que tanto carece de tal cultura civilizatória, em problemas como a evasão escolar, como abandonar um curso universitário, cometendo o erro de não levar a sério se fechar um ciclo e acabar-se o que se começou, neste erro de descaminho, como certa vez um rapaz numa cafeteria, ex-aluno da senhora minha mãe, e o rapaz disse que abandonara o colégio, havendo trabalhos não muito bons aos que não têm escolaridade elevada, no modo como dá gosto, ao se preencher um cadastro, assinalar “superior completo” no item escolaridade, nas palavras de um certo senhor: “Se não estudares, tua vida será uma merda!”, com o perdão do pertinente termo chulo. Aqui remete a uma certa família, na qual dois meninos ganharam de Natal bicicletas, e partiram pela cidade pedalando, felizes e contentes, sendo assaltados ao transitarem por um lugar perigoso, com suas bicicletas roubadas, num presente que durou tão pouco, em lugares complicados como a Praça da Sé, em São Paulo, numa cidade que reúne o Primeiro e o Quarto Mundo, numa Patrícia Abravanel a qual não pode sair na Rua, em tal urbe, sem a companhia de um guardacostas, uma moça que já foi sequestrada, nesse crime hediondo, que é arrancar uma pessoa de sua vida e jogá-la num cativeiro como um cachorro – é um horror. Aqui são esses doces momentos de Verão tão frequentes na obra de Bo Bartlett, na magia das férias, esses merecidos descansos, chegando num momento final de veraneio em que a pessoas observam a importância de retomar a vida, os estudos e os trabalhos, pois tudo que é demais, enjoa, e isso inclui descanso. Aqui é uma boa atividade física, em pessoas para as quais o condicionamento físico é muito importante, remetendo a homens que são “escravos” de uma academia, levando uma vida tão árdua, no discernimento taoista de que matéria é nada e pensamento é tudo, como uma amiga minha, a qual, na Terra, é obesa, uma pessoa a qual, no Plano Superior, no mundo real, é magra, bela, com uma bunda que é bem gostosinha, no caminho da autoestima, como uma pessoa que se perfuma ao sair de casa, no caminho do gostar de si mesmo, como pregam os psicoterapeutas. É o Mito da Caverna, fazendo da Terra tal lugar de ilusões, num Ser Humano tão escravo da matéria, das pedras preciosas, as quais ficam no Mundo, nas palavras do imortal Silvio Santos: “Do Mundo não se leva nada!”.

 


Acima, Guerra civil. Aqui é uma neo Pietà, nos majestosos trajes de uma Maria a qual, em vida, foi pobre, esposa de um humilde carpinteiro, num vestido tão imponente e suntuoso, pomposo, como nas pomposas coroações de monarcas britânicos, encantando o Mundo com tais rituais milenares, no papel da tradição em nos dar a impressão de que o tempo não passa, remetendo-nos a um plano atemporal, fino, belo e onírico, longe das imperfeições terrenas, num plano superior com espíritos depurados que regem tais lugares, no termo espírita “veneranda”, espíritos de alto apuro moral que regem os que têm menos apuro moral, no caminho da verdade e da honestidade, ao contrário de um certo senhor, que me ludibriou, e não há esperanças para os que mentem, pois estes acabam rejeitados e desprezados, como na mentira de Bill Clinton, o qual negou em público o infame caso extraconjugal, num homem que está até hoje pagando pela mentira, na sabedoria popular de que a mentira tem pernas curtas. Aqui é um cenário de devastação de guerras, com poças de sangue, nesse ódio intrínseco ao Ser Humano, em irmão odiando irmão, como num certo caso em que dois irmãos simplesmente não se relacionam, sequer fazendo ligações telefônicas no aniversário de tal irmão, algo que, é claro, deixa descontente a mãe desencarnada de tais irmãos, observando lá de cima tal ódio e discórdia, pois do que adianta aparecer lindo e elegante numa coluna social se, de perto, é uma família complicada? Aqui é como as pragas de Moisés no Antigo Egito, num Nilo se transformando em sangue, num ponto decisivo em que o monoteísmo passou a se impor, despaganizando o Mundo Ocidental, trazendo o conceito simples de que há um só Rei, e que não há deuses, mas nossos irmãos depurados que nos regem em perfeição moral de arcanjos, estes gozando da felicidade suprema, recebendo diretamente as ordens de Deus, que é o infinito, e o eterno sobre o qual podemos falar não é o verdadeiro eterno, neste imensurável poder que é a Vida Eterna, no poderoso fato de que jamais findaremos! A mulher piedosa aqui ora e olha para cima, querendo elevação, em momentos de desespero nos quais tudo o que nos resta é rezar, como num espírito desencarnado no Umbral, farto de tanto sofrimento, pedindo, com humildade, a ajuda para sair de lá, como sair de um lugar imundo e tomar um revigorante banho num banheiro ensolarado, no poder da luz, a qual vence a escuridão, sendo fácil se detectar o sociopata, uma pessoa que, de fato, acha o Mal mais interessante, como um certo senhor, o qual tentou aliciar pessoas ao Nazismo – é um horror. Vemos um homem morto e tombado, morto em ação bélica, na obrigação do cidadão brasileiro homem em que se apresentar para o Exército, ao contrário dos EUA, onde tal serviço é opcional, ou seja, o brasileiro não nasce livre, mas prisioneiro e escravo de um sistema, como no sistema de Matrix, transformando um cidadão numa bateria alcalina, no modo ditatorial de se controlar tal cidadão, num Brasil que ainda respira ecos ditatoriais. O céu aqui é negro, atroz, fechado, em luto, como no céu negro sobre um Jesus crucificado, num momento em que até Ele se sentiu abandonado: “Senhor, por que me abandonaste?”, num Jesus o qual, hoje, sequer se lembra de tal execução cruel, remetendo a um certo senhor, o qual jura que é a reencarnação de Jesus, enganando quem quiser ser enganado. Ao fundo no quadro, outra Pietà, como corpos sendo retirados de campos de guerra, em homens que sequer foram sepultados em sua terra mãe, enterrados como cachorros em valas, no eterno lema humano: Quanto mais cruel, melhor. Muito ao fundo, de forma bem discreta, vemos homens assistindo a tudo à distância, testemunhas oculares de tais horrores, como correspondentes de guerras ao redor do Mundo, numa coragem para chegar tão perto de tais eventos destrutivos. A mulher de branco clama por tal paz, numa metáfora cromática: Num aguerrido mundo de amarelos em eterno pé de guerra contra azuis, seja verde!

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.