quarta-feira, 22 de abril de 2026

Bom Bo (Parte 26 de 28)

 

 

Falo pela vigésima sexta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A sociedade de bobo. A coroa é uma consagração, numa miss, num símbolo de poder, num poder representativo, como uma rainha da Festa da Uva, no poder de representar uma sociedade e uma história, numa moça que precisa ter alma de artista, de diva, para, assim, marcar seu reinado, no poder das tradições, que é nos dar a sensação de que o tempo não passa, remetendo-nos ao Plano Superior, no qual o tempo é nada, numa dimensão tão fina e onírica, onde percebemos a noção taoista de que grosso é fraco e de que fino é forte, remetendo às raivas de poder de Trump, um senhor o qual, definitivamente, não é um homem de Tao, pois o homem de Tao jamais recomendará violência, num Trump fazendo uso de poderio intimidador, com milhões e milhões de americanos indo às ruas para protestar contra tal complexo de Napoleão, no Anel do Poder, o qual corrompe homens. A moça dormindo é a pessoa que ainda não tomou atitudes em sua própria vida, sonhando e sonhando, no modo como a Vida exige que tomemos tais decisões, num posicionamento, remetendo aos que estão numa retranca de décadas, perdidos num labirinto, como no submundo, o qual é tal labirinto, numa pessoa sem norte, sem noção, num estilo de vida solitário, vagando solitário pelas ruas da Vida, desenvolvendo uma carência afetiva, sem amigos, sem um ombro amigo, na necessidade de psicoterapia, na sabedoria popular de que o psicoterapeuta é uma comadre bem paga, uma pessoa que nos acompanha e que sabe pelo que passamos. Aqui temos uma neo Pietà, na Virgem triste com o cadáver do filho, numa imagem tão poderosa, num Jesus tão fraco e vulnerável, numa imagem forte, a qual, em ironia, é forte, na noção taoista de que fraco é forte, num Jesus para lá de humilhado e agredido, numa posição tão frágil e vulnerável, atravessando milênios, tornando-se o centro sobrenatural da História, numa mente tão poderosa, forte, depurada, no poder do pensamento, na noção espírita de que pensamento é tudo e de que matéria é nada, pois o Plano Superior é feito puramente de pensamento, na glória dos desencarnados, que é estar livre de todo e qualquer problema relativo ao corpo carnal, num rejuvenescimento, num lugar onde temos a aparência que desejamos, num lugar de autoestima, no qual estamos tão bem em relação a nós mesmos. A camisa listrada é como na tiara dos faraós, no intercalamento entre dia e noite, numa vida organizada, com norte, na pessoa que vive uma vida ordeira, com disciplina e trabalho, na ironia de que o Céu não é feito de anjinhos tocando harpas, mas um plano em que observamos a necessidade de nos mantermos ocupados com algo nobre e produtivo, na necessidade de se trabalhar ou estudar, não havendo sentido numa vida ociosa, remetendo a uma certa senhora encarnada, uma mulher rica que nada faz de seus dias na Terra, e como posso tirar o chapéu para uma pessoa que não faz merda nenhuma, com o perdão do termo chulo? A luz entra branda no quadro, na luz de praias, num cenário tão amado por Bartlett, no barulho sussurrante de ondas indo e vindo, respirando, na sensualidade da Vida pulsando, no modo como a Vida é o nervo da Arte, como em shows pomposos de artistas, numa celebração da Vida, fazendo dos tambores o ritmo do coração, numa vida que pulsa, na fluidez de um bom cantor, de uma boa diva, num dom que é o canto, um dom que nem todos têm, e quando não temos tal dom, não há Cristo que possa interceder, numa pessoa que não reconhece suas próprias virtudes e limitações, no caminho da autoimagem, do saber sobre si mesmo. Os chinelos são a simplicidade, remetendo a pessoas pobres, que não têm muitas condições de adquirir pares de tênis, andando de humildes chinelos, talvez penando em dias frios de inverno, como nas inclementes frentes frias polares que flagelam a Serra Gaúcha, em espíritos que topam reencarnar em um contexto social tão pobre e sofrido, crescendo, assim, como espíritos, no modo como o crescimento e a depuração moral são o sentido da Vida, num caminho de aprendizado e melhoramento, pois a Vida vai fazendo de nós pessoas melhores. A discreta sacola ao lado é o invólucro do lar, da casa, do porto seguro, numa casa com regras rígidas, como o senhor meu pai chamando minha irmã e eu às dez horas da noite para dormirmos, no caminho da disciplina, a qual não pode faltar.

 


Acima, A terra prometida. O homem forte é tal força motriz, na imagem de Atlas, carregando o Mundo nas costas, na força do labor que sustenta uma nação, na crença marxista de guerra entre classes, resultando no Comunismo o qual décadas depois “caiu de podre”, sendo, hoje, uma piada, no paradoxo chinês: De jure, uma ditadura comunista; de facto, um cidadão chinês que é absolutamente livre para empreender, numa China tão capitalista e economicamente forte e competitiva, no contraditório termo “socialismo de mercado”. O homem aqui é o sonho de “ratões de academia”, homens que malham feito “loucos”, sonhando em ter um corpo com zero por cento de gordura, com puro músculo, pessoas para as quais o condicionamento físico é extremamente capital e importante, numa espartana vida de dieta rigorosa e de exercícios árduos, como disse um fisiculturista sendo entrevistado por Fernando Gabeira no canal Globonews: “Vida de fisiculturista é sofrimento!”. O mar revolto é tal percalço, na onda que tanto excita o surfista, num surfista prostrado frente a um mar sem ondas, numa decepção, como eu já sofri uma grande decepção com uma certa pessoa, uma pessoa que eu achei que fosse meu amigão brother, mas uma pessoa que se revelou falsa, um sociopata interessado em minha ruína, querendo me destruir, odiando-me intensamente, pois, num coração podre de sociopata, não há espaço para amor ou amizade, um espírito infeliz que vaga sozinho pelo Umbral, a dimensão dos sem amigos, quando que os amigos são o ouro da Vida, como num certo espírito desencarnado, perguntando onde ele próprio estava, ouvindo a resposta: “Entre amigos!”. As moças aqui estão alheias e ociosas, observando a paisagem, fazendo do homem tal dignificação pelo labor, nessas pessoas que levam vidas tão árduas, como um gari varrendo chão de cidades, uma pessoa cuja vida é uma vassoura, tudo para ganhar um ralo salário no fim do mês, em trabalhos que sobram para os que não têm muita escolaridade, remetendo ao erro que eu mesmo cometi, o grande erro de largar a faculdade, um erro que reconheci, reentrando eu na faculdade para partir em busca do tempo perdido, formando-se no Ensino Superior, remetendo a uma certa pessoa, a qual cometeu o mesmo erro que cometi, nessa pessoa postando no Facebook: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”, nesses erros que vamos cometendo, fazendo da Terra tal palco de erros, no sentido de que ninguém reencarna sabendo tudo, pois não há sentido numa vida sem crescimento. Aqui remete a um certo filme, num homem, ao final, sozinho, em alto mar, prestes a morrer afogado, dizendo: “Tudo o que existe é amor”, pois, fora da amizade, não há esperança, remetendo a um certo sociopata, amigo de ninguém, numa vida podre, girando em torno de sexo, como as pessoas que fazem do sexo um leilão, como eu gostaria de dizer para esses rapazes que se prostituem: “Vá arranjar um emprego decente! Pare de desperdiçar sua juventude nessa vidinha de michê!”. O mar aqui é bem revolto e instável, e há um risco de morrer, e o homem olha preocupado para tal cenário de risco, como um pai preocupado se poderá prover um lar, como o pai herói que foi meu avô, provendo uma casa com esposa e seis filhos, num pai que nunca deixou algo faltar dentro de casa, num esforço de dedicação, de responsabilidade, como uma certa senhora, a qual teve que amadurecer “na marra”, sustentando duas filhas de pais diferentes, dois homens que são uns merdas, com o perdão do termo chulo; dois homens que nada contribuem para sustentar tais meninas, fugindo da responsabilidade. Aqui é no imortal romance Moby Dick, num ponto em que temos a sensação de estarmos ondulando dentro do barco, no talento de escritor em envolver nossas mentes, no poder da Arte, que é construir pontes mentais entre pessoas, como num bom filme, absorvendo-nos, com filmes bons, que têm algo de pertinente a nos dizer. Aqui é um percalço sendo observado, no modo como as crises são positivas; no modo como as dificuldades acabam por nos ajudar.

 


Acima, Adormecida acordando. Aqui é como as máscaras mortuárias egípcias, com os olhos abertos, despertos, na pessoa totalmente consciente de seu próprio desencarne, como no velório da senhora minha avó Nelly, em 1992, num ambiente em que podíamos sentir que minha avó estava totalmente consciente de seu próprio desencarne, no fato de que ninguém está no Mundo para sempre, e que o dia glorioso de soltura vai chegar, em uma prisão que se abre, num Jesus desencarnando, voltando ao glorioso Lar Primordial, o Grande Reino da Luz ao qual todos pertencemos, no Útero Sacrossanto que nos tem, fazendo do mito de Nossa Senhora a metáfora para entendermos que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, fazendo dos reinos mundanos cópias do reino em tal dimensão superior. O branco é a cor da paz, da medicina, da limpeza, como minha mãe lavando os jalecos do senhor meu pai, médico cardiologista, numa vida devota de esposa de médico, no modo como ser apenas mãe, esposa e dona de casa não diz à mulher quem ela mesma é, no processo de identidade da pessoa, como no filme Mulan, de Disney, na menina se disfarçando de menino e indo para a guerra, acabando reconhecida e respeitada, com o Mundo se curvando perante ela, no caminho da dignidade e de servir ao Mundo. A escada atrás é tal acesso ao divino, à dimensão atemporal, como no nome da grife de luxo Escada, como uma ascensão social, com novos ricos interessados em se elevar socialmente, como uma certa senhora, a qual quis dar uma  guinada na Vida ao fazer uma plástica, reformar sua casa e construir uma pomposa piscina, uma senhora que mergulhou numa grande depressão, numa grande decepção com a Vida, percebendo que, mesmo em tantos esforços, sua vida continuou tudo a mesma merda, com o perdão do termo chulo, como aquelas pessoas que acreditam que sua vida vai mudar radicalmente se apenas se mudar de cidade, nas sábias palavras de um certo senhor intelectual: “A Vida é difícil em qualquer lugar!”. Aqui é a revelação solar, da luz que nos faz irmãos, revelando que somos da mesma família, como na sensação de pertencermos à família de um amigo, frequentando a casa de tal amigo, na imortalidade dos laços de amizade, no caminho áureo do amor incondicional, que é amar sem fazer exigências, nas sábias palavras de Hebe Camargo: “Em amizade não pode haver cobrança!”. É como um ente querido meu desencarnado, o qual carrego como grande amigo, mesmo não tendo eu frequentado a casa de tal amigo na Terra – é o valor do desapego, do “arejamento”, por assim dizer, na contramão do amor obsessivo, possessivo e doente, no qual definitivamente não temos a noção de que se trata de um irmão. O despertar aqui é como a pessoa se dando conta de algo, numa revelação, numa conclusão de processo mental, num caminho autodidata, como ter estilo, o qual vem dos critérios da cabeça da pessoa, a qual aprendeu por si, no modo como, se tenho estilo, posso me vestir num brechó beneficente e, ainda assim, parecer que recém saí de uma loja carésima do Barra Shopping em Porto Alegre; quando não tenho estilo, tenho que ser “refém” de grifes pretensiosas e “prisioneiro” dos apelos da sociedade de consumo, no Mito da Caverna, que é ver o Mundo da forma mais clara e realista possível, racionalmente, no papel de Neo em Matrix, libertando-nos. Aqui é um ponto final de um momento de descanso, quando não mais temos vontade de permanecer na cama, ou no sisudo momento em que o despertador toca, chamando-nos para a luta, para o labor, na imagem do deus Marte, o deus dos batalhadores, no lado macho da Vida, que é conquistar o respeito das pessoas, no desafio de se tornar uma pessoa levada a sério, nas palavras de uma certa sábia senhora: “O Mundo pertence aos dignos! O resto são sinais auspiciosos!”. A menina aqui está jogada como uma conchinha à beiramar, na divindade “Menina da Praia”, da Umbanda, no mito de uma Britney Spears no boom inicial da carreira, virgem, na revelação de uma manhã de domingo, na Terra da Estrela da Manhã, na beleza inabalável e plena.

 


Acima, Ajuste. Aqui me remete a uma lembrança, num baile de debutantes num clube chic e tradicional de Caxias do Sul, com as lindas debutantes de branco no saguão do luxuoso clube, e, do lado de fora, meninos de rua admirados com tal beleza, num profundo abismo social, algo tão brasileiro, em ecos do Brasil escravocrata, como nos antigos moldes sociais da Bahia, com os pobres pretos trabalhando para os ricos brancos, nos horrores da escravidão, algo tão duro e cruel, na capacidade do Ser Humano em explorar Ser Humano, algo tão longe do conceito cristão de irmandade, em seres humanos que dizem agir em nome de Jesus, mas totalmente esquecendo as palavras deste, na hipocrisia de ricos que pregam a caridade, mas mal se importam de fato com os pobres. Aqui é a divertida superstição de que o noivo não pode ver a noiva antes do casamento em si, e aqui o homem está indo ver a noiva, num mau agouro, nesse grande dia da mulher, sendo a estrela do dia, num dia em que ela se sente tratada como uma rainha, numa mulher que quer um homem que a faça se sentir uma rainha, como um certo casal, já divorciado, com ela subindo ao púlpito e pensando: “Olha o príncipe que peguei para mim! Este vai fazer de mim uma rainha!”, mas uma moça que acabou se decepcionando, dando-se conta de que o rapaz era, de fato, um grossão, como no divertido anti herói Radicci, do genial cartunista Iotti, um homem repleto de imperfeições. Aqui é um sonho de menina, nela ganhando uma boneca linda, uma Barbie, na magia de um aniversário, Natal ou Dia da Criança, nos preconceitos do Mundo, relegando à mulher o papel de rainha do lar, com menininhas que brincam com bonecos de bebê, ensaiando para a árdua e anônima vida de dona de casa, uma mulher sem identidade, sem saber qual é o seu lugar no Mundo, no modo como cada pessoa precisa desenvolver seu caminho de identidade, rechaçando os preconceitos do Mundo, mandando este à merda, com o perdão do termo chulo, no preconceito quando nasce a menininha, com o pai dizendo: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na Igreja!”, como num certo machismo de Tolkien, na donzela Arwen sendo entregue pura e casta, pura como branco leite, na cor da noiva, no mito de Nossa Senhora, impedida de ter vida sexual, na moça que nunca transou. A costureira é o zelo e a dedicação profissional, como disse uma certa costureira respeitada: “Cada vestido que faço é como um filho para mim! Dói um pouco em mim em ver o vestido indo embora, tirado de minhas mãos!”, no fato de que criamos um filho para o Mundo e não para nós mesmos. O cabelo branco é a sabedoria, no modo como a juventude tem percalços e imperfeições, numa época da Vida em que fazemos muitas merdas, com o perdão do termo chulo, num certa popstar dizendo sobre sua própria juventude: “Eu era tão burra!”. A luz entra linda no quadro, num cenário onírico, no fascínio de uma noiva suntuosa, como uma jovem Diana sendo desposada por um príncipe, nos encargos de rituais sociais, em ritos de passagem, como em tribos amazônicas, com o casal transando na frente da tribo toda, nessas contrastantes diferenças culturais, mas no fato da universalidade do Ser Humano, com a universalidade da espiritualidade, no modo como não existe religião suprema, pois são caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, como dedos de uma mesma mão – se tal religião visa o Bem, está ok. O espelhinho ao fundo é a reflexão, o olhar para si no mito de Narciso, afogando-se na própria vaidade, como no narcisismo do sociopata, o qual, pura e simplesmente, acha-se Deus, ou seja, pode tudo, como certa vez eu fazendo uma pura e absoluta gentileza de segurar a porta de elevador para uma senhora, e ela não me agradeceu, agindo como se eu estivesse fazendo minha pura obrigação – é um horror. Aqui é a magia dos casamentos, em pomposos eventos sociais, numa noite de cópula socialmente aprovada, com famílias se reunindo para o ritual universal de enlace.

 


Acima, Albatroz. Aqui é mais uma cena de Bartlett em um barco. O homem está ocupado demais para nos olhar, ocupado com as responsabilidades do dia, no siso da gravata apertada, chegando o glorioso momento do happy hour, num gole de trago para relaxar as tensões do dia, como nos tradicionais pubs ingleses e irlandeses, na memória que tenho de um pub na zona da Cidade Baixa, de Porto Alegre, com um videoquê para os frequentadores, numa lembrança de um senhor que entrou no pub de noite, com sua bolsa de livros do curso de História da UFRGS, no conforto da vizinhança, na recomendação taoista a um líder: “Nunca interfira no dia a dia pacato do cidadão!”. Neste mar, um sério perigo vem, pois vemos um predador se insinuando acima da água, rondando o homem, querendo fazer deste um belo banquete, em casos de surfistas sendo atacados por feras marinhas, nas vicissitudes da natureza selvagem, como ser atacado por mosquitos ou sofrer uma insolação, nas imperfeições naturais, havendo no Plano Superior uma natureza muito mais perfeita, como pastagens macias como carpete, num lugar doce, um lar perfeito, no sentimento de não desejarmos estar em qualquer outro lugar, numa sensação de pertencimento, no título do célebre livro do querido Chico: Nosso Lar, num Chico tão divino, que nos ilumina lá de cima, e me ilumina sempre que falo dele em meu blog – como a espiritualidade é maravilhosa! O mar aqui é escuro, cinzento, incerto, misterioso, no eterno mistério de Tao, da Vida Eterna, sobre a qual não se pode falar, no imensurável poder de que jamais findaremos, no caminho eterno, e é muito poder, não? O homem aqui até tem a intuição do perigo, mas não tem plena consciência de onde exatamente está o perigo. É como um sociopata nos rondando, estudando nossa rotina, como um sequestrador, estudando a rotina do dia a dia da pessoa, como Patrícia Abravanel sendo sequestrada em São Paulo, num crime tão hediondo, numa pessoa arrancada e sua vida, jogada num cativeiro como um cão num canil, fazendo do criminoso tal pessoa de raso apuro moral, um espírito infeliz fadado ao Umbral, a dimensão dos que zombam da amizade, do respeito e da Vida em Sociedade, no modo social de punir os impuros, como no precário e deprimente Presídio Central de Porto Alegre, o qual dizem ser uma sucursal do Inferno, com cem por cento dos detentos com verminose, no modo humano de punir os que não sabem viver em Sociedade. Podemos ouvir aqui o som do remo na água, no relaxante som de água, como numa certa loja chinesa em Nova York, num pequeno córrego fluindo, numa sensação de relaxamento e fluidez, conforto, liberdade, delícia. Aqui é o empenho da virilidade, remando com força, num bom exercício físico, na importância de nos exercitarmos de alguma forma, nem se for por uma simples caminhada, remetendo a senhores que nada mais fazem do que puxar ferro em academias, na sabedoria de que tudo o que é demais, enjoa, como tomar muito álcool e chegar ao deprimente ponto de embriaguez, como uma certa atriz brasileira, entrevistada num baile de Carnaval no Rio, com a língua enrolada, visivelmente bêbada, típico dos pinguços, no aviso em comerciais de cerveja: “Aprecie com moderação”. A camisa cinza entra em continuum com a água e o predador, na cor da incerteza encarnatória, como no Castelo de Grayskull, do universo de He-Man, ou seja, o Castelo da Caveira Cinza. E por que cinza? Porque é a junção do mal escuro com o bem da clareza, na mescla que resulta no cinza, num local de disputa entre as forças do bem e as forças do mal, num universo dos anos 1980 que tão profundamente penetrou em minha mente e nas mentes de muitas outras crianças na época, na magia da infância, uma época simples. Aqui é como uma pessoa que mal sabe onde está se metendo, como um noivo que não faz ideia da vida de casado que levará, no modo como é preciso ter paciência e persistência para manter um casamento por décadas, faltando a muitos casais tal paciência, separando-se já no primeiro desentendimento. Neste quadro, há um expresso aviso: Nunca baixe a guarda completamente!

 


Acima, Alcatrão. Aqui é o labor que move o Mundo, nesses homens corpulentos como os homens do pintor Aldo Locatelli, na busca humana por beleza, em homens que têm tal corpo sem precisar colocar o pé dentro de uma academia, dando inveja aos que gastam grandes somas de dinheiro para bancar uma academia e um personal trainer, como uma certa academia de luxo de minha cidade, cuja mensalidade deve chegar a mil reais! Aqui, raça pouco quer dizer, pois há homens brancos e um negro, no ato de fraternidade no fim de um jogo de Futebol, com os jogadores trocando as camisas com os oponentes, num ato de cavalheirismo, remetendo ao infeliz racista, no mesmo absurdo de se dizer que siamês não é gato – é gato, sim. Aqui são os corriqueiros barulhos do labor, como marteladas e serras funcionando, nos barulhos do dia, como aspiradores de pó. Ao fundo, fumaça industrial, em cidades industriais pujantes, como no polo metalmecânico de Caxias do Sul, num forte turismo executivo, mas uma Caxias que é uma anã turística, inequiparável à turisticamente gigante Gramado, com esta atraindo milhões de pessoas por ano, um destino o qual, já ouvi dizer, está chegando perto da demanda turística da cidade do Rio, numa Gramado tão onírica, onde somos crianças novamente, como a onírica Ciudad de los Niños, na Argentina, ou como nos parques da cidade americana de Orlando, pois a infância é feliz porque esta é simples, sem os sisos e as exigências do mundo dos adultos. Aqui é como cidades como Detroit, de pesada indústria, em percalços como a poluição ambiental por combustíveis fósseis, no conceito dos carros elétricos, como num ativista Leonardo DiCaprio, no modo como temos que ouvir os ecologistas, pois a Terra é nosso único lar, pois, fora de Terra, o Cosmos é hostil ao Ser Humano, odiando este, numa Humanidade que realmente não tem para onde ir. A torre de energia elétrica é tal estrutura gigantesca, em demandas de grandes urbes como São Paulo, ou como na demanda de água na cidade de Salvador, na qual o padrão cultural não é um, mas dois banhos diários, ao contrário do Sul do Brasil, com apenas um banho diário, talvez por questão climática de temperaturas. Os homens estão à vontade, sem camisa, numa libertação, como chegar na beira da praia e tirar a camisa, num ar de libertação, na liberdade deliciosa das democracias, no cidadão livre, ao contrário do Brasil, com o voto obrigatório, numa contradição: Você é obrigado a ser livre! Ao contrário dos EUA – você vota se quiser. Aqui é o suor do labor, num glorioso banho no fim do dia, num básico ritual social de purificação, como sair do lamacento Umbral e tomar banho num banheiro ensolarado, na limpeza da simplicidade, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, na noção taoista de que a pessoa tem que ser autodidata, aprendendo por si mesma o que é simplicidade – não há livro ou faculdade que ensine. Um dos homens repousa um pouco, como um senhor jardineiro que meus pais tiveram quando moravam numa casa, numa vida tão árdua, tirando ervas daninhas de um gramado, purificando este, nos trabalhos duros que sobram aos que têm baixa escolaridade, nas palavras de um certo senhor, que no passado cometeu o grande erro de largar a faculdade: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”. O céu é cinza, num dia ordinário de labor, no termo “tocar o barco” e “ir à luta”, remetendo a um certo senhor, o qual cometeu o grave erro de largar uma faculdade para nada fazer no lugar, mergulhando numa vidinha insossa, frequentando puteiros, com o perdão do termo chulo, um senhor que se perdeu em tal vida, no modo como a Vida é algo sério, muito sério. Aqui é uma hierarquia, pois os homens simples, do povo, estão seguindo ordens do mestre de obras, o qual tem que ser respeitado. Um homem está protegido, com capacete; já, os outros nem tanto. Há pessoas sábias, que se protegem, como usar preservativo na hora do sexo, nos esforços do psicoterapeuta no sentido da autoestima: Você tem que gostar de si mesmo! E não é infernal não gostar de si mesmo e não gostar de sua própria vida?

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Bom Bo (Parte 25 de 28)

 

 

Falo pela vigésima quinta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, América. Os balanços são o vaivém da vida, com as coisas passando, como um espírito amigo me disse certa vez, quando encarei um momento muito duro: “Vai passar!”, na sabedoria popular: “Tirando motorista e cobrador, é tudo passageiro!”. O balanço é a diversão de vaivém, numa fluidez, num bom baile de carnaval, nas batidas dos tambores fluindo como o sangue no rio da vida, no sangue que tanto seduz o sociopata vampiro, o qual quer sugar nossa criatividade e nossa inteligência emocional, no modo como devemos tirar de nossas vidas tais vampiros, por medida de segurança, nesse nó fenomenal que os vampiros querem dar em nossas cabeças, como se nós, os benévolos, fôssemos os malas pedantes e sugadores. Aqui é a estrutura de família, numa organização, num lar estável e protetor, numa imposição de regras e disciplina, dando à criança a sensação de lar e de invólucro, como no senhor meu pai, sempre chamando minha irmã e eu às dez da noite, no momento em que o dia acabou e em que temos que descansar para encarar um novo dia de estudos e afazeres, como acordar em gélidas manhãs de inverno, com meu pai dizendo: “É fogo!”. O parque de diversões é o momento glorioso de intervalo, num momento breve de distração e brincadeira, com os professores fumando na sala dos professores, num intervalo no meio da manhã, como eu aqui no blog, espaçando em intervalos minha redação, nos versos de uma sábia canção: “Calma! A Vida precisa de pausa!”, na sabedoria das pessoas que já não são jovenzinhas, pois a juventude perfeita e plena é uma invenção de velhos, pois a juventude é uma merda, com o perdão do termo chulo, pois quando se é jovem demais fazem-se muitas besteiras, numa época da Vida em que somos arrogantes, acreditando que percalços e dificuldades são só para os outros, numa época da Vida em que ainda não tomamos muitos tombos, na lição dura de que a arrogância precede a queda, pois que é humilde não toma no cu, com o perdão do termo chulo. A mãe está alheia a nós, ocupada demais em cuidar da prole, nas palavras de uma certa matriarca: “Não sei do que sou capaz para proteger um filho meu!”, nesse talento unificador, como o senhor meu avô materno, um patriarca que mantinha a família unida, em doces lembranças de noites da Natal, com os adultos fazendo amigo secreto e as crianças rasgando ansiosamente o papel dos presentes, numa época em que a Vida é mais simples, como em Cidadão Kane, no menininho arrancado de seu paraíso de infância, um homem que balbucia no leito de morte o nome de seu querido trenó de neve Rosebud, como no rapaz que encara o serviço militar, uma experiência sequelante, pois o quartel é qualquer coisa, menos um lar, nos versos de uma certa canção: “Os homens ficam frios e as mulheres envelhecem, e todos, no final, perdemos nosso charme!”. O pai empurra a menina no balanço, no papel de pai provedor, provendo um lar, em encargos enormes de responsabilidade, como um amigo meu, com quádrupla responsabilidade – prover a si, a mulher e as duas filhas, nas palavras sábias de um certo senhor: “Pense antes de ter filhos, pois, se tiveres filhos, tua vida nunca mais será e mesma!”. A menininha mais velha já não brinca, alheia a coisas de crianças mais jovens, no processo de identidade do adolescente, rebelde, rejeitando o mundo das crianças e o mundo dos adultos, sendo, assim, um “galeto”, ou seja, nem pinto, nem frango. Ao fundo vemos casas pontiagudas, como na agressividade piramidal egípcia, sendo uma potência na áurea época faraônica, dando um recado muito claro e expresso: Não se meta com o Egito! E a Humanidade é assim, com impérios ascendendo e descendendo, com vaidades que vêm e vão, permanecendo a mensagem de humildade e simplicidade de Jesus, uma figura na qual podemos depositar nossa esperanças, mas um Jesus o qual, em toda Sua majestade, não soube solucionar os problemas do Mundo, na ironia de que a Filosofia não muda o Mundo, no papel do filósofo de nos libertar da “caverna” de auspícios e nos mostrar o Mundo de forma clara e verdadeira, como um certo cidadão caxiense, filósofo, daquelas pessoas que sempre têm algo de interessante para dizer, ao contrário da pessoa vazia e obtusa, a qual acaba nos decepcionando, como em corpões de academia – parecem deuses, mas, infelizmente, não o são. Aqui é uma cena de família, remetendo a um certo senhor, o qual tem duas família, e isso é grave, numa Vida que exige que sejamos unos  e íntegros.

 


Acima, Amor em tempos de pandemia. Aqui é algo raro na obra de Bartlett, que é uma cena erma, sem modelos, como me disse meu tio, o qual foi à praia num fim de semana de inverno, e disse que era deprimente, com aquela orla erma, cinzenta, fria, sem um pingo de vida humana, como na pessoa que quer ser ratona de praia, encarando o inverno, numa orla cinzenta e erma, deprimente, no fato de que a Vida não é só verão, e o trabalho e o estudo nos chamam ao final do descanso, no siso do despertador nos chamando de manhã cedo, numa hora de sacrifício, rejeitando a deliciosa cama e mandando o sedutor Morfeu à merda, com o perdão do termo chulo. Aqui é cenário de “guerra” da pandemia, a qual afetou o Mundo todo, em ruas ermas, como num toque bélico de recolher, em ruas sem gente, deprimentes, numa sensação de desolação e solidão, como caminhar por uma urbe deserta, e assim é o desolador Umbral, sem uma única alma amiga, num lugar onde estamos sem amigos ou consolação, num ponto da pessoa orar e suplicar pela ajuda de uma mão amiga, no caminho da humildade – o primeiro passo para sair do Umbral é reconhecer que se está no Umbral, remetendo a espíritos rebeldes, que desdenham dos espíritos limpos e benévolos, caçoando destes, como um prisioneiro que quer voltar para a prisão, no caminho da loucura. Aqui não vemos qualquer sinal de vida, e temos um silêncio, só quebrado por pássaros alheios a tal pandemia, pois foi rara exceção quem não saiu afetado pela pandemia, pois esta e outras vicissitudes terrenas são a prova de que é a imperfeita Terra o que tenta imitar o perfeito Céu, pois neste há saúde plena, no caminho do amor incondicional, leve, sem cobranças, em amizades leves, fáceis de se levar, na perspectiva de que teremos a Eternidade toda para nos relacionarmos com tais entes, ao contrário do amor possessivo, obcecado e fixado, doente, como um certo senhor, alimentando um amor para lá de obsessivo, no caminho da loucura, que é não ver que somos filhos do mesmo Rei, no modo como somos iguais nesse sentido, e de que não há “poderes mágicos” ou outros auspícios traiçoeiros. O céu é azul e majestoso, num lindo dia verão californiano, a terra do Sol, como no deus Rá, supremo no Sol que nos banha, como no majestoso Sol africano no início do musical O Rei Leão, no Sol carioca que deixa curtida a pele do cidadão, como uma certa amiga carioca, bronzeadíssima, surfando pelas praias sedutoras da antiga capital federal, nessa deslumbrante mescla entre natureza e cidade, como já ouvi dizer que os cariocas não gostam de dias nublados! Aqui pode não parecer, mas os lugares estão recheados de pessoas, e um silêncio impera, num contexto que pode nos afetar psicologicamente, como um vizinho meu, colocando uma caixa de som na janela para encher a vizinhança de música, buscando, assim, sanidade mental, remetendo aos desoladores cenários de guerra, matando inocentes, arrancando pessoas de seus lares e deixando rastros de destruição e fome, na “beleza” das guerras, em homens insanos com Complexo de Napoleão, querendo subjugar tudo e todos, no caminho da raiva, a qual é menor que a paz, pois a raiva é passageira; já, a paz é perene, reinando inabalável no Plano Superior, num lugar onde somos todos amigos, na doce lembrança que tenho de meus coleguinhas no início do Ensino Fundamental, um círculo no qual todos me respeitavam, no modo como a Vida vai separando as pessoas, e cada um vai para um lado, vivendo sua vida. Aqui o Sol parece ser majestoso, mas é um cenário triste de desolação, como num labirinto de submundo, um lugar no qual vagamos solitários e perdidos, sem noção de norte, na necessidade da pessoa se centrar em algo nobre e produtivo, pois, fora do norte nobre, não há salvação, remetendo às pessoas que vivem ao sabor do vento, sem se centrar, numa sisuda Vida que exige que sejamos centrados e sérios.

 


Acima, Amorista. Aqui remete ao contundente início de um filme em que a deusa sacrossanta Meryl Streep aparece em nu frontal, num filme que fala sobre o trabalhador, enfurecendo os marxistas, os quais creem numa pirâmide social em que o proletário é a força motriz. Aqui é como em belas mulheres que posam nuas, como nos áureos tempos da Playboy brasileira, num nu de tão bom gosto que conquistava até os homens gays, remetendo a um ensaio nu com Sabrina Sato, com uma das fotos na qual a diva midiática não se saiu muito bem, no fato irônico de que o sucesso é um amante infiel – hoje está com você; amanhã, você não sabe. O nu é natural na Arte, lidando de forma natural com o modo como Deus nos fez, na inocência de uma praia de nudismo, na deliciosa sensação de se nadar nu no mar, numa liberdade tão prazerosa, no modo do grego antigo de lidar naturalmente com o nu, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo desenhou? É como nas aulas de nu artístico em faculdade de Artes Plásticas, remetendo ao divertido episódio de Mr. Bean no qual este tapa com argila os seios de uma moça que posava nua, no modo ocidental de renegar o hábito do nu indígena, impondo valores europeus, como sexos sendo tapados em obras de Arte no Vaticano. Aqui a modelo confia no pintor, entregando-se a este, remetendo a uma certa atriz, a qual atua em Cinema e TV, mas nunca em Teatro, uma atriz que precisa um bom diretor, que a deixe à vontade no palco, sendo tão simplório um ator que não explora todos os meios de expressão cênica, como aquele ator que só faz TV, ao contrário de uma suprema Fernandona, explorando todos os meios. O lustre ao fundo é a iluminação de uma ideia, de um conceito, como numa agência de Propaganda, em conceitos que visam vender produtos de serviços, num trabalho de Mercado, num meio de Marketing que abraça todas as etapas, desde a concepção de um produto ou serviço até a formulação de uma campanha publicitária para vendê-los, nas duras palavras ao aluno no início da faculdade de Propaganda: “Não é Arte; é técnica de venda!”. A moça aqui é jovem, bem jovem, com seios firmes, no auge da forma física, pronta para posar, como no clássico Titanic, numa Rose posando nua, confiando em Jack, numa moça que queria se desvencilhar da vidinha fútil de socialite e ser atriz, artista, como uma certa socialite carioca, a qual ninguém, no fundo, respeita muito, uma mulher rica e, ao mesmo tempo, miserável, como uma certa rica socialite americana, a qual ninguém a leva a sério como modelo, atriz ou cantora, pois dinheiro traz tudo, menos o que importa. A calcinha está jogada no chão, como numa stripper, como num filme que a linda Salma Hayek faz uma stripper, numa figura idolatrada pelo espectador, o qual se sente um lixo perante tal beleza, no modo como já conheci uma moça que levava vida dupla, sendo estudante de Comunicação e, ao mesmo tempo, uma stripper numa casa de shows em Porto Alegre, nessas pessoas que levam vida dupla, como um certo homem, o qual era um homem que se relacionava com uma pessoa do sexo oposto, e, em outra vida, era um atendente de telessexo, tendo conversas eróticas com quem ligasse, inclusive homens! A moça aqui não ousa soltar os cabelos, num resquício de pudor, num pequeno recato em relação ao posar nua. Aqui remete à bela mulher nua em O Iluminado, num personagem em vai pirando em meio uma situação de isolamento social, vendo e ouvindo coisas irreais, numa miséria existencial, resultando num brutal assassinato, em talentos como Kubrick, baseando-se em letras do mestre Stephen King e contratando um deus como Jack Nicholson – não tem como dar errado, como no álbum clássico Elis & Tom, tendo dois deuses sacrossantos da MPB, num Brasil tão, mas tão único! As roupas jogadas são uma pitada de bagunça e repouso, numa casa que só posteriormente será colocada em ordem, nas palavras furiosas de uma mulher ao marido em casa: “Eu me matando pra manter esta casa limpa e organizada!”. A moça remete aos tradicionais calendários da Pirelli, num nu de absoluto bom gosto, no ambiente machões das mecânicas e borracharias.

 


Acima, Analisando a noiva. Aqui é o grande dia da mulher, a estrela do dia, sentindo-se a maior mulher do Mundo, como já ouvi dizer: “Mulher quer é casar. Se tiver filhos e carreira, melhor. Do contrário, está casada!”. O branco é a virgindade, como muitas mulheres casam castas e puras, virgens, intocadas, tendo, por toda a sua vida, um único parceiro sexual, que é o marido, ao contrário do homem, cuja sexualidade é estimulada desde jovem, talvez perdendo a virgindade num prostíbulo, vendo a mulher de apenas duas formas – ou santa, ou diaba. E isso enfurece as feministas, as quais não querem ser nem uma, nem outra, mas um ser humano totalmente apto a fazer tudo o que um homem pode fazer, no caminho da igualdade civil, no modo como é duro ser mulher, tendo que sentir cólicas e usar absorventes, numa memória minha de adolescência, com uma colega chorando pelas dores de cólicas, tendo que tomar Atroveran para minimizar os efeitos da dor. O vestido é tal glamour, como nos vestidos de Lucélia Santos na telenovela Sinhá Moça, com figurinos suntuosos, glamorosos, contrastando com a duríssima vida de escravo, condenado a trabalhos forçados e jogado numa desconfortável senzala como cães num canil, tudo em nome das ambições dos barões do café, na vergonha de nosso passado escravocrata, como nos EUA, um país de certas tensões raciais. A mãe olha com cuidado para a filha, querendo o melhor para esta, planejando este dia desde o dia de nascimento da filha, no modo como a sociedade nunca cobra da mulher o desenvolvimento de agressividade – se queres ser uma anônima mãe, esposa e dona de casa, vivendo na sombra de um homem, pode, não tem problema. Já, do homem, a agressividade e o sucesso são cobrados, sendo tão malvisto o homem feminino, sem muita agressividade, sendo necessário ter agressividade para sobreviver num mundo tão duro, tão cheio de males e guerras, como no rapaz que presta serviço militar, ficando sequelado, brutalizado, pois o quartel é qualquer coisa, menos um lar, no rapaz arrancado de seu lar, de sua vida, como no brutal momento de rompimento na vida do protagonista de Cidadão Kane, arrancado de seu paraíso de infância, numa época em que a vida é mais simples. A mãe aqui é dura e exigente, no termo “olho de sogra”, num olhar frio e exigente, exigindo o máximo do genro, como no Elrond de Tolkien, dizendo ao genro Aragorn que este teria que se esforçar ao máximo para merecer a mão da apolínea e doce donzela Arwen, filha de Elrond, como num merecido troféu no fim de um árduo campeonato, como no fim do filme Winbledon, no rapaz campeão indo à platéia e beijando intensamente a namorada, no mundo heterocentrado, no qual heterossexual é sinônimo de saúde e beleza e homossexualidade é sinônimo de feiura e doença. A moça fecha os olhos, num sonho, sonhando com tal dia grande, no prazer de se ver uma pomposa noiva, como na Carrie de Sex and the City, num suntuoso vestido de Vivienne Westwood, maravilhoso, digno de rainha, no glamour do bolo de casamento, em eventos sociais que são oportunidades tão boas de vermos nossos parentes, como num velório – não é festa, mas não deixa de ser um evento social. Algo jogado no chão é algo desprezado, como desprezando um certo defeito do marido, na sabedoria popular de que ninguém é perfeito, como uma certa senhora não fumante, aturando por mais de meio século um marido fumante, uma paciência a qual admiro profundamente, pois, por mais que ele escovasse os dentes antes de namorar, não era a mesma coisa do que um não fumante. A mãe aqui toma nota de coisas importantes para o grande dia, como a senhora minha mãe, organizando o casamento de minha irmã com o então noivo desta, nessas dedicações de mãe, no modo como, quando vamos morar sozinhos, sentimos, de início, uma enorme falta dos zelos maternos dentro de uma casa. A pose da mãe aqui é como um psicoterapeuta, analisando nossos pensamentos, mostrando-nos o Mundo da forma mais fria e realista possível. O vestido é o encanto de uma Cinderela, no pensamento binário infantil – ou algo é do bem, ou algo é do mal.

 


Acima, Apanhador de sonhos. Aqui é um momento de retiro e solidão, em retiros necessários de vez em quando, mas não num estilo de vida solitário, carente, sem amigos, e estes são o ouro da vida, desconstruindo o termo “caridade”, que é amor e amizade, e fora da amizade não há salvação, pois tudo o que carregamos são nossos amigos, os entes queridos que nos fazem falta quando estes morrem, como uma queridíssima prima minha já falecida, no amor incondicional, o qual é eterno, entes desencarnados que podemos facilmente evocar aqui na Terra – feche os olhos, mentalize a pessoa, e, assim, esta estará ali com você, na imortalidade dos laços de amizade, como Tao, a paciência eterna, sempre nos fazendo crescer e evoluir, fazendo da depuração moral o sentido da Vida, pois quando minto a alguém, é porque não amo tal alguém, e a Vida sem Amor é excruciantemente complicada, dura e difícil, na infelicidade dos espíritos que vagam pelo desconsolador Umbral, sem uma única alma amiga ali dentro, como vagar por uma deprimente cidade fantasma, como uma certa pessoa, a qual foi estudar numa faculdade em outra cidade, longe de casa, uma pessoa que se viu tão desolada num domingo, sentindo-se tão solitária em tal cidade fantasma, sentindo a dureza de sair de casa e encarar a Vida. A luz aqui entra discreta, quase na penumbra, no prazer de se dormir num quarto na penumbra, numa cama tão gostosa, na qual podemos ficar o quanto queremos, como no desencarne, pois o Plano Superior nos dá todo o tempo do Mundo, em um plano em que as coisas são feitas sem pressa, como nossa querida estrela Patricia Pillar, a qual teve a iniciativa de fazer um documentário sobre Waldick Soriano, com a deusa dizendo numa entrevista, ao ser interrogada sobre o processo de confecção da obra documental: “Estou fazendo sem pressa!”, e a Vida não é um inferno angustiante quando temos pressa? É como em agências de Propaganda, com os cruéis prazos, estressando todos na agência, com pessoas num estilo de vida degradante, como virar noites e madrugadas trabalhando na firma, como uma certa publicitária, a qual, sem respeito por si mesma, simplesmente se negou a descansar entre duas jornadas de trabalho, e isso não é dolorosamente degradante? A Vida não exige que gostemos de nós mesmos? A nudez é a franqueza, a verdade, na beleza do corpo humano, num Tao que assim nos fez, como em escolas de Arte, com aulas de nu artístico, na inocência da nudez, ao contrário da malícia no Éden, com as folhas tapando os sexos, ao contrário da Antiguidade Clássica, no nu grego sem malícia, apenas contemplando a beleza do corpo humano. A cama aqui está vaga, numa pessoa sozinha, solteira, talvez rejeitando alguém ou sendo rejeitada por alguém, como já ouvi dizer: Quando nós nos apaixonamos, tomamos no cu, com o perdão do termo chulo, pois num namoro precisa haver uma base fria, racional, como no rapaz pedindo ao futuro sogro a permissão para namorar a filha desta, nos versos de uma grande canção pop: “Lençóis de cetim são muito românticos, mas o que acontece quando você não está na cama?”. É a questão de ouvir o cérebro antes de ouvir o coração, mortificando este, no caminho espírita da mortificação, bloqueando-se em relação a bobagens auspiciosas. Ao fundo, o gosto de Bartlett pelas paisagens praianas, na canção de ninar das ondas indo e vindo, respirando, num acalento, embalando nosso sono, no ar puro da orla, numa deliciosa sensação de liberdade, como nadar nu no mar. O cabelo arrumando é a disciplina, como as moças jogadoras de vôlei, domando seus cabelos, num ambiente desportivo sem lá muito glamour, mas na agressividade necessária para se competir, num mundo tão competitivo. A moça aqui espera algo, talvez um rapaz, numa construção de expectativa, a qual acaba nos frustrando, como encarar um insucesso, como uma certa senhora, a qual encarou uma derrota em sua carreira profissional, em duras lições de humildade.

 


Acima, As coisas não ficam fixas. Um frescor de primavera, no frescor da Vênus de Botticelli, revelada numa concha, no olor de mar, numa nova página sendo encarada por um ator, numa vida que exige que tenhamos a força para virar as páginas e encarar um novo desafio, no modo como vemos tantas estrelas aparecendo e desaparecendo, em pessoas sem a força para virar a página com humildade e recomeçar do zero, como certos artistas talentosos os quais simplesmente não sobreviveram aos anos 1980, numa Vida que exige tanto de nossa humildade, pois carreiras longevas são para os fortes, como na banda U2, sobrevivendo desde os anos 1980, injetando, de tempos em tempos, material novo na praça, sabendo que, num show, deve haver uma mescla de clássicos com novidades, na questão da pessoa não parar no tempo, nunca permitindo que o sucesso suba à cabeça, como um certo rapaz comediante, o qual tinha um talento e um potencial ESMAGADORES, um diamante bruto pronto para ser lapidado, mas um rapaz que acabou sumindo, provavelmente porque entrou numas de egotrip, do tipo: “I’m the best, fuck the rest!”, ou seja, “Sou o melhor, o texto que se foda!”, com o perdão do termo chulo. Aqui é uma pessoa nas nuvens, como uma apaixonada, como no filme Maria Antonieta, com a célebre rainha francesa apaixonado-se por um rapaz de belos olhos, uma rainha ainda tão jovem, na idade de uma criança no Ensino Médio, numa época da Vida em que é difícil ter integral juízo, pois juventude feliz é uma invenção de velhos, visto que a juventude é pautada de merdas, com o perdão do termo chulo, numa época da vida em que não temos responsabilidade ou sabedoria. Aqui é como um comercial de perfume, no fascínio das fragrâncias, seduzindo com notas tão envolventes, numa Jennifer Lopez num documentário, a qual, ao planejar o lançamento de uma fragrância com seu nome, disse: “Ou lanço algo maravilhoso, ou nada lançarei! Não quero ficar constrangida!”, sabendo que para se obter sucesso é necessária muita, muita competência, nas duras, porém verdadeiras palavras de um certo senhor para mim: “Se não obtiveste sucesso é porque não tiveste competência!”, um homem que para umas coisas é tão duro e para outras é tão doce! Aqui é um sonho muito bonito, num inebriante perfume no ar, na magia das flores, dos apaixonados, em flores que conquistam o coração, como no Dia das Mães, no qual a genitora tem que ser presenteada com flores, numa homenagem àquela pessoa sem a qual não estaríamos aqui, como um homem respeitando a própria esposa, sabendo ser esta a mãe de seus filhos. Aqui a mulher paira sobre algo, prestes a tomar alguma ação, mas se permitindo ter um momento de pausa num mundo tão atribulado e estressante, fazendo algo com calma, sem angustiantes prazos, no modo como cada pessoa tem deu dia a dia e seus afazeres, pois tenho grandes amigos no Mundo, mão não sou “gêmeo siamês” destes, pois cada um tem sua vida, e em amizade não pode haver cobrança ou assoberbamento, na imortalidade dos laços de amizade, pois um amigão é alguém que não vemos há anos, quiçá décadas, e quando revemos tal ente, parece que foi ontem a última vez em que vimos tal amigo, ao contrário do conhecido, do semiamigo, uma pessoa a qual olhamos nos olhos e não sabemos quem está ali! O amarelo é a cor do Sol e do ouro, da juba do rei da selva, na majestade agressiva do rei, como no célebre leão da MGM, numa grande coragem, como no Gato Guerreiro, o parceiro do super herói He-Man, um GG que era um bichinho o qual, num piscar de olhos, ia de pacato medroso a valente, destemido, como uma paladina Elizabeth I desafiando a então toda poderosa Espanha. Seja pacato e pacífico e, assim, serás um super herói, como no pacato Clark Kent, tornando-se o Super Homem. Entenda a força do masculino Yang, mas dentro de você mesmo seja mais Yin, o princípio feminino, na recomendação taoista a um líder: Nunca interfira no dia a dia pacato do cidadão. Aqui é um quadro de leveza e feminilidade, de perfume, numa Vênus domando Marte, num rei que prima pela paz, ao contrário de um certo senhor insano, afetando tudo e todos numa sede napoleônica por poder, sempre poder.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.