quarta-feira, 29 de abril de 2026

Bom Bo (Parte 27 de 28)

 

 

Falo pela vigésima sétima vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A enchente. O pai é tal força motriz, na responsa de sustentar um lar, certificando-se de que nada faltará dentro de casa, como achocolatado com leite para os filhos. Aqui remete à brutal enchente recente em território gaúcho, uma tragédia que é uma das várias provas de que é a imperfeita Terra que tenta imitar o perfeito Céu, pois, neste, é tudo pensamento, sem as vicissitudes da matéria, um lugar onde não podemos ficar improdutivos, na eternidade do labor, como Tao, sempre criando, na sabedoria de que Deus descansou no sétimo dia, num indivíduo proibido de trabalhar no domingo, como no laborioso colono italiano na Serra Gaúcha, só não trabalhando no domingo porque o padre e a religião não permitiam. A torre da igreja está para fora, com todo o resto inundado, como no museu portoalegrense do Margs, com os escritórios no subsolo totalmente destruídos, incluindo arquivos e papeladas em geral, no eterno recomeço da Vida, sempre partindo do zero, como um artista com longa carreira, sempre virando a página para encarar um novo momento de trabalho, com tantos e tantos artistas que pereceram pelo caminho, desaparecendo, como uma talentosa Cindy Lauper, uma vogue pop emblemática dos anos 1980, mas uma CL que não soube virar a página, vivendo até hoje em tal década, nada significando para quem não viveu nos anos 1980, como uma certa rádio, uma verdadeira “velharia FM”, nada significando para a meninada que nasceu a partir dos anos 2000, e é necessário que se esteja conectado com o que acontece neste momento no Mundo, como em posptars e rockstars em seu concertos, mesclando clássicos com material novo, na sabedoria de que acordamos no dia seguinte e a vida continua em toda a sua seriedade. O barco é o alento do lar, da casa, da família, com irmãos convivendo, frequentemente brigando, o que é natural, com pessoas tão íntimas nossas, no abrigo do lar, pessoas as quais conhecemos profundamente, como me disse uma cara amiga psicóloga, dizendo que a família é o ambiente para brigarmos e depois pedirmos desculpas, num eterno recomeço, como uma certa posptar, a qual sofreu uma profunda mágoa quando seu próprio irmão publicou um livro falando mal dela, e não deve doer fundo na alma ser atacado publicamente pela pessoa que cresceu com você, vindo da mesma barriga? É a crueldade natural do ser humano, como uma certa mulher movendo uma ação judicial contra a própria senhora sua mãe, impedindo esta de ver o neto desta, num juiz cruel e insensível, que deu causa a tal mulher ingrata: Você não tem remorso de atacar esta mãe que sempre fez tudo por você, como trocar fraldas, amamentar com o leite materno, comprar seus vestidinhos e suas bonequinhas e abrir portas profissionais para você? A família aqui está tranquila, seguras com o pai zeloso, sabendo que tudo vai ficar bem, como em um espinhoso e complicado momento de minha vida, com uma voz dizendo dentro de mim: “Vai passar!”, e as coisas não vão passando, deixando rastros de aprendizado e depuração moral? Não é o sentido da Vida a aquisição de apuro moral? A Vida não vai fazendo de nós pessoas melhores? Existe sentido numa vida estagnada, sem crescimento? Aqui remete a parentes meus, os quais adotaram carinhosamente um cãozinho que se perdeu da família nas enchentes infames, batizando o bichinho de “Sucesso”, num caminho de superação de vicissitudes, no garbo olímpico de vencer obstáculos, no caminho de coragem para viver com verdade, numa pessoa que passa a odiar mentir, na imagem do laço mágico da Mulher Maravilha, o qual, ao enlaçar a pessoa, faz com que esta diga a verdade, no título da super heroína: “O Espírito da Verdade”, uma das entidades que guiaram Kardec na confecção do livro que codificou a doutrina espírita, em espíritos tão excepcionais como Chico Xavier, o qual sempre me ilumina quando falo dele aqui no blog, um espírito tão amigo, tão cheio de amor, na gloriosa sensação de estarmos cercados de amigos, como nos coleguinhas no colégio, deixando saudades de tempos áureos nos quais vivemos num mundo de paz e amizade, ao contrário de homens belicosos, recomendando violência, ao contrário do homem de Tao, o qual nunca recomendará violência, mas diálogo e paz, concórdia, polidez, civilidade – cavalheirismo no fio do bigode. A enchente é um momento de crises, as quais, disse-me uma excelente psicoterapeuta, são positivas.

 


Acima, A era da descoberta. A elevação faz metáfora com o Plano Superior, num mundo de amor no qual ninguém quer nos enganar. Remete aos áureos tempos da aviação civil brasileira, nos quais as pessoas se arrumavam muito para voar, num programa glamoroso, como no auge da companhia aérea Varig, com aquela aeromoça linda, entregando-nos uma bandeja com o almoço, ao contrário de hoje em dia, tempos em que tal glamour cessou, em companhias aéreas que nos dão, no máximo, um suco e um saquinho mínimo de biscoitos ou amendoins. O zepelim é tal programa de glamour, numa elevação espiritual, negando as ilusões da matéria e abraçando o metafísico, o pensamento, no glorioso dia de soltura, no qual nos desligamos de todos os problemas atrelados ao corpo físico, como o envelhecimento, em espíritos que rejuvenescem e vivem jovens para sempre, como uma certa senhora caxiense, já desencarnada, a qual foi rainha de uma edição da Festa da Uva, um espírito que vive hoje lá em cima lindo como no dia de sua coroação, na vitória da beleza sobre a sujeira, a inimizade e a escuridão do Umbral, a dimensão dos que não sabem e nem querem saber amar, pois os amigos são o ouro da Vida, e, fora da amizade, não há salvação, nos esforços constantes dos padres nas missas, sempre nos dizendo que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, na imagem de Nossa Senhora, a qual serve para nos fazer entender que corre em nossas veias o divino sangue estelar sacrossanto, havendo no sociopata a pessoa que, realmente, não tem noção de suas próprias origens divinas, no divino fato de que ninguém está no Umbral para sempre, e o crescimento é natural e inevitável, em espíritos toscos que se depuram e tornam-se espíritos de luz, no futuro brilhante que nos aguarda, que é a Suprema Felicidade, nos espíritos depuradíssimos, na hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, ao contrário da rígida hierarquia militar, sempre por meio da violência e da incivilidade, no caminho do desrespeito, e isso não é Tao! O céu é majestoso e belo, num dia saudável de luz e labor, em cidades com tal energia de labor, de produtividade, ao contrário do workaholic, obcecado em trabalhar, doente, sofredor, como um certo senhor, o qual, pura e simplesmente, não descansou entre duas jornadas de trabalho, e isso não é respeitar a si mesmo! O zepelim é a eterna tentativa humana de vencer a matéria e desafiar os limites da matéria, como no avião, desafiando as leis da Física, um veículo que pode voar mesmo sendo mais pesado do que o ar. O zepelim aqui, apesar de ter sido projetado para proporcionar toda a segurança e comodidade, pode sofrer danos e apresentar imperfeições, como no brutal acidente da nave americana Challenger, explodindo violentamente no ar e matando instantaneamente toda a tripulação a bordo, em tragédias que marcam época, no esforço humano em busca da perfeição, um ser humano que não é perfeito, e a Ciência, obra deste ser, pode ser imperfeita. O zepelim é a força da mão humana, construindo gigantescos navios de cruzeiros, que são, na prática, cidades flutuantes, desafiando as profundezas do mar, como numa imagem que vi da janela do Museu de Arte Sacra de Salvador, BA, com o mar recebendo tais navios de cruzeiros, numa cidade riquíssima para quem estuda História do Brasil, com seus prédios e templos multicentenários, numa cidade que exala tanta vida e cor, nos sabores das comidas e frutas baianas, como num exótico suco de cajá, inexistente no Sul do Brasil. O zepelim é um breve momento, pois o combustível acabará e a nave precisará se reabastecer, nas vicissitudes das invenções humanas. O zepelim é a vitória da civilização, no modo humano de organizar estados, como no Antigo Egito, então uma potência, sendo, hoje, apenas um sítio arqueológico, sem muito poder de mando global, nos impérios humanos que ascendem e descendem, permanecendo a imagem de humildade e simplicidade de Jesus, o fraco que é forte, na volta por cima que é a ressurreição, o desencarne, a vitória da luz.

 


Acima, A estrada de Damasco. A guerra é a inclinação humana em nome da brutalidade, a qual não é o caminho diplomático de Tao. A arma é a necessidade num mundo de crime e violência urbana, como amedrontadores homens armados com vistosas espingardas, protegendo carros forte em frente a agências lotéricas, homens com cara de poucos amigos, numa eterna tensão, com bandidos dispostos a tudo pelo Anel do Poder, que é o dinheiro, o poder mundano que tantas almas seduz, pois quando penso no que eu faria para obter o Anel, é porque este já está se apoderando de minha mente, num poder que corrompe até as mais nobres almas, em homens de poder como Saddam, acostumados a mandar em tudo e todos, num Saddam dizendo expressamente aos subalternos: “Não estou pedindo que você faça isso; estou mandando!”, um déspota que acabou oficialmente enforcado, indo para as terras inóspitas do Umbral, o lugar onde estamos sós, sem um único amigo, como se sente um rapaz homossexual na hora da aula de Educação Física, quando meninos e meninas são separados, como vi certa vez um rapaz fazendo Educação Física com as meninas, simplesmente se recusando a circular por entre o macharedo, no caminho da identidade sexual, num Mundo no qual, ainda hoje, a conotação de homossexualidade continua péssima, apesar de tal orientação não ser mais oficialmente doença. O poste caindo é o declínio da vida em sociedade, tudo perdido por causa da violência, das bombas, da destruição e da fome, com pessoas arrancadas de seus lares, com crianças passando fome, sem leite, na eterna crueldade humana, como no Holocausto, tratando pessoas de um modo que nem animais merecem ser tratados, tudo por causa da mente do maior sociopata de todos os tempos, um homem que é ídolo de neonazistas, como um certo senhor, intencionando doutrinar os próprios alunos para o Nazismo – é um horror. Aqui as crianças são acudidas e abrigadas, consoladas, crianças que não entendem a amargura do mundo dos adultos, no conceito cristão de que o Céu é das criancinhas, pois a criança, cedo ainda na pré escola ou nos primeiros anos do Ensino Fundamental, traz todo um residual do Plano Superior, numa época doce em que nos sentimos entre amigos, na incapacidade infantil de entender porque o Mundo é tão cruel e feio, sem almas amigas. A estrada é a travessia existencial, com artistas que se tornam tais guias espirituais de gerações, como minha irmã e eu crescemos ouvindo Elis Regina no carro de nossos pais, num brilho que guia as pessoas, numa voz tão arrebatadora, única na MPB, uma vida tragicamente ceifada pelas drogas, malditas sejam estas, ceifando vidas precocemente, havendo na Inteligência Artificial uma forma de “ressuscitar” tais ícones, como num recente comercial de TV com Elis contracenando com a filha Maria Rita, numa perfeição técnica de tal inteligência, numa Hollywood que passa a abraçar tal tecnologia, na era dos computadores na Sétima Arte. O terreno aqui é árido e inóspito, arrasado pela guerra, como num árido sertão nordestino, com pessoas sofrendo pela seca, em regiões tão brutalmente inóspitas como o deserto do Saara, conspirando contra a Vida, inclusive a Vida Humana, num lugar tão inclemente, como Mordor, a Terra da Sombra de Tolkien, numa noite eterna, com tudo escuro e tóxico, podre, hostil, um lugar onde não se vive, mas se sobrevive, como num doloroso momento de crise, no meio de um traiçoeiro labirinto, cheio de pistas falsas e confusões, sem um centro gravitacional, numa Vida que exige que tenhamos os pés no chão, numa base, um centro, organizando tal Vida, como eu gostaria de dizer para quem está perdido: Centre-se em algo nobre e produtivo! O soldado aqui é inclemente, cruel, hostil, no caminho humano do ódio, como torcidas se odiando, ou como jogadores de Futebol com time cumprimentando time antes da partida, mas uma civilidade que pode se perder no decorrer da partida, com confusões no campo, muitas vezes com agressões, perdendo, assim, qualquer cavalheirismo. Um homem seminu está ferido e atordoado, vitimado, na covardia que é agredir alguém mais fraco.

 


Acima, A glória da pintura. A igrejinha é o acolhimento comunitário, num acompanhamento psicológico, espiritual, em missões cristãs nos países americanos recém descobertos, na catequização dos indígenas, impondo valores europeus e cristãos ao paganismo indígena, no modo como chegou a um ponto em que o cezar romano se converteu ao Cristianismo, no impacto do monoteísmo frente ao passado pagão da Humanidade, no conceito de que não existem deuses, mas nossos irmãos mais depurados, de alto apuro moral, como numa família, na qual os filhos mais velhos ajudam a criar os mais novos, na sina dos primogênitos, que é adquirir desde cedo o peso da responsabilidade, como minha irmã mais velha, ajudando a me criar. O homem negro é a raiz afro nos EUA, assim como no Brasil, no ramo musical africano, com os tambores africanos, como na seção africana do museu novaiorquino Met, com artigos de magia, suntuosos, estranhos, fascinantes, quando vi em tal seção um rapaz afroamericano, altivo, orgulhoso de suas raízes tribais africanas, numa questão racial complicada nos EUA, como no filme Crash, nos esforços democráticos para nos dizer que somos iguais perante a lei, na urna eleitoral, num âmbito em que não existem raça, sexo, classe social, credo etc., no poderoso paradigma democrático, sem reis de poder divino, mas sendo o presidente um dos nossos, um irmão que elegemos para nos representar por alguns anos, na saudável mudança de governo a cada quatro anos. O homem negro fecha os olhos, num sonho, como na ilusão de Matrix, um mundo falso, de faz de conta, no Mito da Caverna, tendo nós que nos libertarmos dos tolos sinais auspiciosos e ver o Mundo da forma mais fria e racional possível, no caminho da verdade, nas palavras imortais de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida!”, na função dos heróis, que é nos acordar para a realidade. A altiva igreja está num topo de morro, como na catedral de Caxias do Sul, construída sobre uma rocha, sendo, na época, o ponto mais alto da cidade, numa mensagem clara: Aqui quem manda sou eu! Mas num Vaticano que vem perdendo fiéis para igrejas como a Universal, como na supercomédia Mudança de Hábito, com fiéis atraídos ao templo para os shows do coral de freiras, nesta grande deusa que é Whoopy Goldberg, em artistas de tanto carisma, na universalidade do palhaço, que é nos fazer rir num mundo sisudo e cinzento – quem é palhaço, o será estando ou não remunerado por tal. A escadinha ao lado da igreja é um acesso, uma porta, uma possibilidade, numa pessoa que busca por meios para se expressar, como um certo senhor fisiculturista, buscando meios para se fazer notar, no sonho de artista em alcançar renome, em grandes astros como Dalí, valorizadíssimos, integrando o acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York, uma cidade que pulsa Arte, como já ouvi dizer: O melhor de NY é de graça ou custa só alguns dólares, no caminho da simplicidade, que é o mais elevado grau de sofisticação, como numa logomarca bem desenhada, bem projetada, simples, pujante, chamativa, como na impecável bandeira nacional japonesa, no rubro Sol nascente oriental em meio às brumas alvas da manhã, no caminho de tal simplicidade majestosa, na sabedoria de que menos é mais, na ironia taoista: Se quero ser mais, tenho que ser menos, pois tudo o que é demais, enjoa, mesmo passear na linda e apolínea cidade de Gramado, a qual se esgota frente a uma pessoa que vai seguidamente à urbe serrana. A cerquinha é o limite, como nos limites entre propriedades, no respeito mútuo entre vizinhos, num homem polido, de Tao, o qual jamais recomendará violência, na expressiva queda de popularidade de Trump nos EUA, no que Tao chama de “guia tortuoso”, um homem que não é sábio para reger tal estado e tais conflitos. A igreja está fechada, na folga do padre, repousando num domingo como padres em escolas católicas, fazendo do domingo um dia sagrado, sem trabalho, com até Deus descansando depois de seis dias de labor.

 


Acima, A justiça cruel. O espantalho é como um fantasma, um medo, na função de rechaçar animais que possam danificar a lavoura, numa invenção tão americana, inexistente no Brasil, nos cinturões de milho nos EUA, alimentando países, tanto os EUA quanto parceiros comerciais Mundo afora. Esta moça é a “Sônia Braga” de Bartlett, aparecendo em diversas pinturas de Bo, numa espécie de alterego, como diretores de Cinema que amam certos atores, num caminho de profunda intimidade, como Tarantino amando Uma Thurman, como fez certa vez o diretor Fabio Barreto, apadrinhando uma atriz, abrindo portas para esta no Rio de Janeiro, na Globo, no ato de amizade e irmandade, na nobre intenção de ajudar as pessoas, como eu mesmo conto com o apoio de uma pessoa poderosa e respeitada, aliados que gostam do que fazemos, numa construção de pontes, de amizades, e os amigos são o ouro da Vida, pois, fora da amizade, não há salvação, na imortalidade do vínculos de amizade, os quais duram para sempre, como uma madeira nobre, que resiste à passagem do tempo, ou como metais nobres, preciosos, mas sendo puramente matéria, a qual é uma ilusão, na ilusão dos apelos de consumo, em sedutoras vitrines de shoppings, “escravizando” aqueles que não têm estilo, pois, quando tenho estilo, com critérios autodidatas em minha cabeça, posso me vestir num brechó beneficente e parecer que recém saí de uma loja cara de um shopping de luxo – estilo vem de dentro. A moça repousa, mas está consciente, como nas máscaras mortuárias egípcias, de olhos abertos, na pessoa consciente de seu próprio desencarne, como no velório da senhora minha avó, no qual sentia-se que esta estava completamente consciente do próprio desencarne, preparando-se para voltar ao maravilhoso Lar Primordial, nos versos da bela canção tema da franquia O Senhor dos Anéis: “Os navios vieram para carregar você de volta para casa!”, num final arrebatador, de almas desencarnadas embarcando para terras de luz e beleza, no continumm universal entre luz, luxo e leveza, espíritos felizes que vivem lá em cima emoldurados por uma luz, que é o milagre da Vida Eterna, o imensurável poder que nunca nos deixará perecer – não é poder demais? Creio que sim! Ao fundo no quadro um circo, no espírito nômade de mambembe, circense, como um cantor em turnês mundiais, lotando shows Mundo afora, num espírito cigano, no código de conduta entre atores, como atores ricos financiando o Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro, no sentido da pessoa pertencer a uma classe, a uma categoria, no modo dos atores em não fazer diferença entre si só porque uns têm mais sucesso e mais dinheiro do que outros, no caminho da humildade, que é evitar ao máximo a arrogância, a qual precede a queda, como um certo senhor, o qual achou que deslancharia loucamente na carreira, mas um senhor que acabou fracassando, em duras lições de humildade que a Vida nos ensina – quem tem os pés no chão, não sofre. O gramado é como um carpete, numa sala limpa, cheirosa, como deitar em uma cama com lençóis levemente perfumados, numa sensação de lar, de acolhimento, remetendo a órfãos que crescem em orfanatos, numa vida dura, de pessoas que vieram ao Mundo “sem lenço, nem documento”, não tendo a mínima ideia de suas raízes, pais, família etc., um espírito corajoso, que topou reencarnar em tal duro contexto para, assim, crescer enormemente como espírito, fazendo do crescimento moral o sentido da Vida – homens honestos são bem vistos e respeitados. Aqui é como nas palavras de Barbra num concerto, dizendo que, na maior parte do tempo, quer deitar sob uma árvore e fazer coisa nenhuma, num retiro, numa discrição, como uma certa artista plástica, a qual optou por morar na zona rural para viver uma vida de retiro e reserva, numa pessoa pacata, que quer paz em seus dias na Terra, na sabedoria da paz, a qual é maior do que a raiva, e o Plano Superior é divino porque, lá, não há conflitos, fazendo da Terra tal palco de horrores bélicos, em cidades violentas, cheias de ladrões e assassinos, como um certo inocente senhor assassinado por latrocínio, num assassino infeliz, um pobre diabo sofredor que não faz ideia da tragédia que trouxe à família da vítima.

 


Acima, A noiva. Aqui é como a Vênus e o Marte de Botticelli, quando Marte está sedado, dormindo e inconsciente, rendido aos braços de Vênus, na recomendação taoista: Entenda a força do Yang, o Marte, o masculino, mas seja mais Yin, mais feminino e Vênus dentro de si mesmo, no recanto do lar, do retiro da casa, da muvuca, como dizem os cariocas, na recomendação a um líder para este nunca interferir no dia a dia pacato do cidadão. O noivo está abatido, nas divertidas palavras de um certo senhor: “Quando casei, ao assinar o documento de enlace, assinei também meu atestado de óbito!”, ou como outra certa senhora, dizendo: “Casei e minha vida virou um inferno!”, no modo como é necessário ter paciência e persistência para que um casamento dure para sempre, ao contrário de casais que brigam na primeiro mínimo desentendimento. O noivo é a razão, o siso, nos trajes discretos do noivo, pois a estrela do dia é a noiva, no costume de casamentos: Em primeiro lugar, entram no templo o noivo, a mãe deste e os padrinhos; após, as portas da igreja são fechadas e, finalmente, entra em cena a noiva com o pai, no machismo patriarcal de tal ritual, na mulher que vai das mãos do pai direto para as mãos do marido, uma mulher que deposita seu próprio Yang nas mãos de outrem, abraçando uma vida de anonimato, condenada a criar crianças e manter uma casa limpa, organizada e abastecida, com comida feita, no modo como a Sociedade nunca exige da mulher o desenvolvimento da agressividade, ao contrário do homem, do qual é cobrado o êxito e o sucesso mundano, como já vi certos homens não muito contentes em ver as respectivas esposas em momento de sucesso destas, com um homem, assim, sentindo-se aquém da própria parceira, no machismo de ter que ser ao contrário: É a mulher quem tem que girar em torno do homem, como num certo comercial de perfume, com duas escadas rolantes, com uma subindo e a outra descendo, com ele subindo e ela descendo, e, de repente a escada da mulher para e passa a subir para, assim, acompanhar o homem, no modo como as próprias mulheres podem ser machistas, querendo ter um namorado mais alto do que a própria menina, no caso divertido de um certo casal, com ela mais alta do que ele, ficando ela, em poses para fotos, um tanto agachada para não parecer tão mais alta, como disse uma certa ex esposa de um ator baixinho, a qual, ao se divorciar, disse que não mais teria que usar saltos baixinho ao lado do marido, na sabedoria popular de que tamanho não é documento. Ao fundo no quadro, discretamente, a passagem bíblica em que Deus pede a um patriarca para que este mate o próprio filho, com um Deus desconfiado, testando a fidelidade do patriarca, com um anjo clemente segurando a mão do patriarca, com este conquistando a confiança de Deus, na imagem de um velho patriarca, num mundo de homens, com freiras tendo que acatar um padre, que é o papa, ou como vi recentemente na Rua uma mulher de burca, com apenas os olhos expostos, em diferenças culturais, na universalidade do patriarcado, como no filme Barbie, rechaçando a figura do machão misógino, numa mulher que pode ser o que ela mesma quiser. A noiva está começando a se despir, com o decote quase revelando os seios, num sensual striptease, que é provocar o público, no termo “tomara que caia”, que é um bustiê sem alças, na sensualidade da mulher brasileira, saindo de manhã de casa como cabelo úmido e recém lavado, cheiroso, no padrão cultural do salvadorenho, que é tomar não um, mas dois banhos por dia. O homem está aos pés da moça, como na arrebatadora cena de A Época da Inocência, com Newland beijando os pés de Ellen, num amor impossível, podendo trazer um destrutivo escândalo para uma família tradicional de Nova York, num amor de muita emoção, mas com pouca realidade, ou seja, ouça a mente e, só depois, o coração. O vestido é como um pilar, numa rainha de Festa da Uva, majestosa, inspirando a comunidade.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Bom Bo (Parte 26 de 28)

 

 

Falo pela vigésima sexta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A sociedade de bobo. A coroa é uma consagração, numa miss, num símbolo de poder, num poder representativo, como uma rainha da Festa da Uva, no poder de representar uma sociedade e uma história, numa moça que precisa ter alma de artista, de diva, para, assim, marcar seu reinado, no poder das tradições, que é nos dar a sensação de que o tempo não passa, remetendo-nos ao Plano Superior, no qual o tempo é nada, numa dimensão tão fina e onírica, onde percebemos a noção taoista de que grosso é fraco e de que fino é forte, remetendo às raivas de poder de Trump, um senhor o qual, definitivamente, não é um homem de Tao, pois o homem de Tao jamais recomendará violência, num Trump fazendo uso de poderio intimidador, com milhões e milhões de americanos indo às ruas para protestar contra tal complexo de Napoleão, no Anel do Poder, o qual corrompe homens. A moça dormindo é a pessoa que ainda não tomou atitudes em sua própria vida, sonhando e sonhando, no modo como a Vida exige que tomemos tais decisões, num posicionamento, remetendo aos que estão numa retranca de décadas, perdidos num labirinto, como no submundo, o qual é tal labirinto, numa pessoa sem norte, sem noção, num estilo de vida solitário, vagando solitário pelas ruas da Vida, desenvolvendo uma carência afetiva, sem amigos, sem um ombro amigo, na necessidade de psicoterapia, na sabedoria popular de que o psicoterapeuta é uma comadre bem paga, uma pessoa que nos acompanha e que sabe pelo que passamos. Aqui temos uma neo Pietà, na Virgem triste com o cadáver do filho, numa imagem tão poderosa, num Jesus tão fraco e vulnerável, numa imagem forte, a qual, em ironia, é forte, na noção taoista de que fraco é forte, num Jesus para lá de humilhado e agredido, numa posição tão frágil e vulnerável, atravessando milênios, tornando-se o centro sobrenatural da História, numa mente tão poderosa, forte, depurada, no poder do pensamento, na noção espírita de que pensamento é tudo e de que matéria é nada, pois o Plano Superior é feito puramente de pensamento, na glória dos desencarnados, que é estar livre de todo e qualquer problema relativo ao corpo carnal, num rejuvenescimento, num lugar onde temos a aparência que desejamos, num lugar de autoestima, no qual estamos tão bem em relação a nós mesmos. A camisa listrada é como na tiara dos faraós, no intercalamento entre dia e noite, numa vida organizada, com norte, na pessoa que vive uma vida ordeira, com disciplina e trabalho, na ironia de que o Céu não é feito de anjinhos tocando harpas, mas um plano em que observamos a necessidade de nos mantermos ocupados com algo nobre e produtivo, na necessidade de se trabalhar ou estudar, não havendo sentido numa vida ociosa, remetendo a uma certa senhora encarnada, uma mulher rica que nada faz de seus dias na Terra, e como posso tirar o chapéu para uma pessoa que não faz merda nenhuma, com o perdão do termo chulo? A luz entra branda no quadro, na luz de praias, num cenário tão amado por Bartlett, no barulho sussurrante de ondas indo e vindo, respirando, na sensualidade da Vida pulsando, no modo como a Vida é o nervo da Arte, como em shows pomposos de artistas, numa celebração da Vida, fazendo dos tambores o ritmo do coração, numa vida que pulsa, na fluidez de um bom cantor, de uma boa diva, num dom que é o canto, um dom que nem todos têm, e quando não temos tal dom, não há Cristo que possa interceder, numa pessoa que não reconhece suas próprias virtudes e limitações, no caminho da autoimagem, do saber sobre si mesmo. Os chinelos são a simplicidade, remetendo a pessoas pobres, que não têm muitas condições de adquirir pares de tênis, andando de humildes chinelos, talvez penando em dias frios de inverno, como nas inclementes frentes frias polares que flagelam a Serra Gaúcha, em espíritos que topam reencarnar em um contexto social tão pobre e sofrido, crescendo, assim, como espíritos, no modo como o crescimento e a depuração moral são o sentido da Vida, num caminho de aprendizado e melhoramento, pois a Vida vai fazendo de nós pessoas melhores. A discreta sacola ao lado é o invólucro do lar, da casa, do porto seguro, numa casa com regras rígidas, como o senhor meu pai chamando minha irmã e eu às dez horas da noite para dormirmos, no caminho da disciplina, a qual não pode faltar.

 


Acima, A terra prometida. O homem forte é tal força motriz, na imagem de Atlas, carregando o Mundo nas costas, na força do labor que sustenta uma nação, na crença marxista de guerra entre classes, resultando no Comunismo o qual décadas depois “caiu de podre”, sendo, hoje, uma piada, no paradoxo chinês: De jure, uma ditadura comunista; de facto, um cidadão chinês que é absolutamente livre para empreender, numa China tão capitalista e economicamente forte e competitiva, no contraditório termo “socialismo de mercado”. O homem aqui é o sonho de “ratões de academia”, homens que malham feito “loucos”, sonhando em ter um corpo com zero por cento de gordura, com puro músculo, pessoas para as quais o condicionamento físico é extremamente capital e importante, numa espartana vida de dieta rigorosa e de exercícios árduos, como disse um fisiculturista sendo entrevistado por Fernando Gabeira no canal Globonews: “Vida de fisiculturista é sofrimento!”. O mar revolto é tal percalço, na onda que tanto excita o surfista, num surfista prostrado frente a um mar sem ondas, numa decepção, como eu já sofri uma grande decepção com uma certa pessoa, uma pessoa que eu achei que fosse meu amigão brother, mas uma pessoa que se revelou falsa, um sociopata interessado em minha ruína, querendo me destruir, odiando-me intensamente, pois, num coração podre de sociopata, não há espaço para amor ou amizade, um espírito infeliz que vaga sozinho pelo Umbral, a dimensão dos sem amigos, quando que os amigos são o ouro da Vida, como num certo espírito desencarnado, perguntando onde ele próprio estava, ouvindo a resposta: “Entre amigos!”. As moças aqui estão alheias e ociosas, observando a paisagem, fazendo do homem tal dignificação pelo labor, nessas pessoas que levam vidas tão árduas, como um gari varrendo chão de cidades, uma pessoa cuja vida é uma vassoura, tudo para ganhar um ralo salário no fim do mês, em trabalhos que sobram para os que não têm muita escolaridade, remetendo ao erro que eu mesmo cometi, o grande erro de largar a faculdade, um erro que reconheci, reentrando eu na faculdade para partir em busca do tempo perdido, formando-se no Ensino Superior, remetendo a uma certa pessoa, a qual cometeu o mesmo erro que cometi, nessa pessoa postando no Facebook: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”, nesses erros que vamos cometendo, fazendo da Terra tal palco de erros, no sentido de que ninguém reencarna sabendo tudo, pois não há sentido numa vida sem crescimento. Aqui remete a um certo filme, num homem, ao final, sozinho, em alto mar, prestes a morrer afogado, dizendo: “Tudo o que existe é amor”, pois, fora da amizade, não há esperança, remetendo a um certo sociopata, amigo de ninguém, numa vida podre, girando em torno de sexo, como as pessoas que fazem do sexo um leilão, como eu gostaria de dizer para esses rapazes que se prostituem: “Vá arranjar um emprego decente! Pare de desperdiçar sua juventude nessa vidinha de michê!”. O mar aqui é bem revolto e instável, e há um risco de morrer, e o homem olha preocupado para tal cenário de risco, como um pai preocupado se poderá prover um lar, como o pai herói que foi meu avô, provendo uma casa com esposa e seis filhos, num pai que nunca deixou algo faltar dentro de casa, num esforço de dedicação, de responsabilidade, como uma certa senhora, a qual teve que amadurecer “na marra”, sustentando duas filhas de pais diferentes, dois homens que são uns merdas, com o perdão do termo chulo; dois homens que nada contribuem para sustentar tais meninas, fugindo da responsabilidade. Aqui é no imortal romance Moby Dick, num ponto em que temos a sensação de estarmos ondulando dentro do barco, no talento de escritor em envolver nossas mentes, no poder da Arte, que é construir pontes mentais entre pessoas, como num bom filme, absorvendo-nos, com filmes bons, que têm algo de pertinente a nos dizer. Aqui é um percalço sendo observado, no modo como as crises são positivas; no modo como as dificuldades acabam por nos ajudar.

 


Acima, Adormecida acordando. Aqui é como as máscaras mortuárias egípcias, com os olhos abertos, despertos, na pessoa totalmente consciente de seu próprio desencarne, como no velório da senhora minha avó Nelly, em 1992, num ambiente em que podíamos sentir que minha avó estava totalmente consciente de seu próprio desencarne, no fato de que ninguém está no Mundo para sempre, e que o dia glorioso de soltura vai chegar, em uma prisão que se abre, num Jesus desencarnando, voltando ao glorioso Lar Primordial, o Grande Reino da Luz ao qual todos pertencemos, no Útero Sacrossanto que nos tem, fazendo do mito de Nossa Senhora a metáfora para entendermos que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, fazendo dos reinos mundanos cópias do reino em tal dimensão superior. O branco é a cor da paz, da medicina, da limpeza, como minha mãe lavando os jalecos do senhor meu pai, médico cardiologista, numa vida devota de esposa de médico, no modo como ser apenas mãe, esposa e dona de casa não diz à mulher quem ela mesma é, no processo de identidade da pessoa, como no filme Mulan, de Disney, na menina se disfarçando de menino e indo para a guerra, acabando reconhecida e respeitada, com o Mundo se curvando perante ela, no caminho da dignidade e de servir ao Mundo. A escada atrás é tal acesso ao divino, à dimensão atemporal, como no nome da grife de luxo Escada, como uma ascensão social, com novos ricos interessados em se elevar socialmente, como uma certa senhora, a qual quis dar uma  guinada na Vida ao fazer uma plástica, reformar sua casa e construir uma pomposa piscina, uma senhora que mergulhou numa grande depressão, numa grande decepção com a Vida, percebendo que, mesmo em tantos esforços, sua vida continuou tudo a mesma merda, com o perdão do termo chulo, como aquelas pessoas que acreditam que sua vida vai mudar radicalmente se apenas se mudar de cidade, nas sábias palavras de um certo senhor intelectual: “A Vida é difícil em qualquer lugar!”. Aqui é a revelação solar, da luz que nos faz irmãos, revelando que somos da mesma família, como na sensação de pertencermos à família de um amigo, frequentando a casa de tal amigo, na imortalidade dos laços de amizade, no caminho áureo do amor incondicional, que é amar sem fazer exigências, nas sábias palavras de Hebe Camargo: “Em amizade não pode haver cobrança!”. É como um ente querido meu desencarnado, o qual carrego como grande amigo, mesmo não tendo eu frequentado a casa de tal amigo na Terra – é o valor do desapego, do “arejamento”, por assim dizer, na contramão do amor obsessivo, possessivo e doente, no qual definitivamente não temos a noção de que se trata de um irmão. O despertar aqui é como a pessoa se dando conta de algo, numa revelação, numa conclusão de processo mental, num caminho autodidata, como ter estilo, o qual vem dos critérios da cabeça da pessoa, a qual aprendeu por si, no modo como, se tenho estilo, posso me vestir num brechó beneficente e, ainda assim, parecer que recém saí de uma loja carésima do Barra Shopping em Porto Alegre; quando não tenho estilo, tenho que ser “refém” de grifes pretensiosas e “prisioneiro” dos apelos da sociedade de consumo, no Mito da Caverna, que é ver o Mundo da forma mais clara e realista possível, racionalmente, no papel de Neo em Matrix, libertando-nos. Aqui é um ponto final de um momento de descanso, quando não mais temos vontade de permanecer na cama, ou no sisudo momento em que o despertador toca, chamando-nos para a luta, para o labor, na imagem do deus Marte, o deus dos batalhadores, no lado macho da Vida, que é conquistar o respeito das pessoas, no desafio de se tornar uma pessoa levada a sério, nas palavras de uma certa sábia senhora: “O Mundo pertence aos dignos! O resto são sinais auspiciosos!”. A menina aqui está jogada como uma conchinha à beiramar, na divindade “Menina da Praia”, da Umbanda, no mito de uma Britney Spears no boom inicial da carreira, virgem, na revelação de uma manhã de domingo, na Terra da Estrela da Manhã, na beleza inabalável e plena.

 


Acima, Ajuste. Aqui me remete a uma lembrança, num baile de debutantes num clube chic e tradicional de Caxias do Sul, com as lindas debutantes de branco no saguão do luxuoso clube, e, do lado de fora, meninos de rua admirados com tal beleza, num profundo abismo social, algo tão brasileiro, em ecos do Brasil escravocrata, como nos antigos moldes sociais da Bahia, com os pobres pretos trabalhando para os ricos brancos, nos horrores da escravidão, algo tão duro e cruel, na capacidade do Ser Humano em explorar Ser Humano, algo tão longe do conceito cristão de irmandade, em seres humanos que dizem agir em nome de Jesus, mas totalmente esquecendo as palavras deste, na hipocrisia de ricos que pregam a caridade, mas mal se importam de fato com os pobres. Aqui é a divertida superstição de que o noivo não pode ver a noiva antes do casamento em si, e aqui o homem está indo ver a noiva, num mau agouro, nesse grande dia da mulher, sendo a estrela do dia, num dia em que ela se sente tratada como uma rainha, numa mulher que quer um homem que a faça se sentir uma rainha, como um certo casal, já divorciado, com ela subindo ao púlpito e pensando: “Olha o príncipe que peguei para mim! Este vai fazer de mim uma rainha!”, mas uma moça que acabou se decepcionando, dando-se conta de que o rapaz era, de fato, um grossão, como no divertido anti herói Radicci, do genial cartunista Iotti, um homem repleto de imperfeições. Aqui é um sonho de menina, nela ganhando uma boneca linda, uma Barbie, na magia de um aniversário, Natal ou Dia da Criança, nos preconceitos do Mundo, relegando à mulher o papel de rainha do lar, com menininhas que brincam com bonecos de bebê, ensaiando para a árdua e anônima vida de dona de casa, uma mulher sem identidade, sem saber qual é o seu lugar no Mundo, no modo como cada pessoa precisa desenvolver seu caminho de identidade, rechaçando os preconceitos do Mundo, mandando este à merda, com o perdão do termo chulo, no preconceito quando nasce a menininha, com o pai dizendo: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na Igreja!”, como num certo machismo de Tolkien, na donzela Arwen sendo entregue pura e casta, pura como branco leite, na cor da noiva, no mito de Nossa Senhora, impedida de ter vida sexual, na moça que nunca transou. A costureira é o zelo e a dedicação profissional, como disse uma certa costureira respeitada: “Cada vestido que faço é como um filho para mim! Dói um pouco em mim em ver o vestido indo embora, tirado de minhas mãos!”, no fato de que criamos um filho para o Mundo e não para nós mesmos. O cabelo branco é a sabedoria, no modo como a juventude tem percalços e imperfeições, numa época da Vida em que fazemos muitas merdas, com o perdão do termo chulo, num certa popstar dizendo sobre sua própria juventude: “Eu era tão burra!”. A luz entra linda no quadro, num cenário onírico, no fascínio de uma noiva suntuosa, como uma jovem Diana sendo desposada por um príncipe, nos encargos de rituais sociais, em ritos de passagem, como em tribos amazônicas, com o casal transando na frente da tribo toda, nessas contrastantes diferenças culturais, mas no fato da universalidade do Ser Humano, com a universalidade da espiritualidade, no modo como não existe religião suprema, pois são caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, como dedos de uma mesma mão – se tal religião visa o Bem, está ok. O espelhinho ao fundo é a reflexão, o olhar para si no mito de Narciso, afogando-se na própria vaidade, como no narcisismo do sociopata, o qual, pura e simplesmente, acha-se Deus, ou seja, pode tudo, como certa vez eu fazendo uma pura e absoluta gentileza de segurar a porta de elevador para uma senhora, e ela não me agradeceu, agindo como se eu estivesse fazendo minha pura obrigação – é um horror. Aqui é a magia dos casamentos, em pomposos eventos sociais, numa noite de cópula socialmente aprovada, com famílias se reunindo para o ritual universal de enlace.

 


Acima, Albatroz. Aqui é mais uma cena de Bartlett em um barco. O homem está ocupado demais para nos olhar, ocupado com as responsabilidades do dia, no siso da gravata apertada, chegando o glorioso momento do happy hour, num gole de trago para relaxar as tensões do dia, como nos tradicionais pubs ingleses e irlandeses, na memória que tenho de um pub na zona da Cidade Baixa, de Porto Alegre, com um videoquê para os frequentadores, numa lembrança de um senhor que entrou no pub de noite, com sua bolsa de livros do curso de História da UFRGS, no conforto da vizinhança, na recomendação taoista a um líder: “Nunca interfira no dia a dia pacato do cidadão!”. Neste mar, um sério perigo vem, pois vemos um predador se insinuando acima da água, rondando o homem, querendo fazer deste um belo banquete, em casos de surfistas sendo atacados por feras marinhas, nas vicissitudes da natureza selvagem, como ser atacado por mosquitos ou sofrer uma insolação, nas imperfeições naturais, havendo no Plano Superior uma natureza muito mais perfeita, como pastagens macias como carpete, num lugar doce, um lar perfeito, no sentimento de não desejarmos estar em qualquer outro lugar, numa sensação de pertencimento, no título do célebre livro do querido Chico: Nosso Lar, num Chico tão divino, que nos ilumina lá de cima, e me ilumina sempre que falo dele em meu blog – como a espiritualidade é maravilhosa! O mar aqui é escuro, cinzento, incerto, misterioso, no eterno mistério de Tao, da Vida Eterna, sobre a qual não se pode falar, no imensurável poder de que jamais findaremos, no caminho eterno, e é muito poder, não? O homem aqui até tem a intuição do perigo, mas não tem plena consciência de onde exatamente está o perigo. É como um sociopata nos rondando, estudando nossa rotina, como um sequestrador, estudando a rotina do dia a dia da pessoa, como Patrícia Abravanel sendo sequestrada em São Paulo, num crime tão hediondo, numa pessoa arrancada e sua vida, jogada num cativeiro como um cão num canil, fazendo do criminoso tal pessoa de raso apuro moral, um espírito infeliz fadado ao Umbral, a dimensão dos que zombam da amizade, do respeito e da Vida em Sociedade, no modo social de punir os impuros, como no precário e deprimente Presídio Central de Porto Alegre, o qual dizem ser uma sucursal do Inferno, com cem por cento dos detentos com verminose, no modo humano de punir os que não sabem viver em Sociedade. Podemos ouvir aqui o som do remo na água, no relaxante som de água, como numa certa loja chinesa em Nova York, num pequeno córrego fluindo, numa sensação de relaxamento e fluidez, conforto, liberdade, delícia. Aqui é o empenho da virilidade, remando com força, num bom exercício físico, na importância de nos exercitarmos de alguma forma, nem se for por uma simples caminhada, remetendo a senhores que nada mais fazem do que puxar ferro em academias, na sabedoria de que tudo o que é demais, enjoa, como tomar muito álcool e chegar ao deprimente ponto de embriaguez, como uma certa atriz brasileira, entrevistada num baile de Carnaval no Rio, com a língua enrolada, visivelmente bêbada, típico dos pinguços, no aviso em comerciais de cerveja: “Aprecie com moderação”. A camisa cinza entra em continuum com a água e o predador, na cor da incerteza encarnatória, como no Castelo de Grayskull, do universo de He-Man, ou seja, o Castelo da Caveira Cinza. E por que cinza? Porque é a junção do mal escuro com o bem da clareza, na mescla que resulta no cinza, num local de disputa entre as forças do bem e as forças do mal, num universo dos anos 1980 que tão profundamente penetrou em minha mente e nas mentes de muitas outras crianças na época, na magia da infância, uma época simples. Aqui é como uma pessoa que mal sabe onde está se metendo, como um noivo que não faz ideia da vida de casado que levará, no modo como é preciso ter paciência e persistência para manter um casamento por décadas, faltando a muitos casais tal paciência, separando-se já no primeiro desentendimento. Neste quadro, há um expresso aviso: Nunca baixe a guarda completamente!

 


Acima, Alcatrão. Aqui é o labor que move o Mundo, nesses homens corpulentos como os homens do pintor Aldo Locatelli, na busca humana por beleza, em homens que têm tal corpo sem precisar colocar o pé dentro de uma academia, dando inveja aos que gastam grandes somas de dinheiro para bancar uma academia e um personal trainer, como uma certa academia de luxo de minha cidade, cuja mensalidade deve chegar a mil reais! Aqui, raça pouco quer dizer, pois há homens brancos e um negro, no ato de fraternidade no fim de um jogo de Futebol, com os jogadores trocando as camisas com os oponentes, num ato de cavalheirismo, remetendo ao infeliz racista, no mesmo absurdo de se dizer que siamês não é gato – é gato, sim. Aqui são os corriqueiros barulhos do labor, como marteladas e serras funcionando, nos barulhos do dia, como aspiradores de pó. Ao fundo, fumaça industrial, em cidades industriais pujantes, como no polo metalmecânico de Caxias do Sul, num forte turismo executivo, mas uma Caxias que é uma anã turística, inequiparável à turisticamente gigante Gramado, com esta atraindo milhões de pessoas por ano, um destino o qual, já ouvi dizer, está chegando perto da demanda turística da cidade do Rio, numa Gramado tão onírica, onde somos crianças novamente, como a onírica Ciudad de los Niños, na Argentina, ou como nos parques da cidade americana de Orlando, pois a infância é feliz porque esta é simples, sem os sisos e as exigências do mundo dos adultos. Aqui é como cidades como Detroit, de pesada indústria, em percalços como a poluição ambiental por combustíveis fósseis, no conceito dos carros elétricos, como num ativista Leonardo DiCaprio, no modo como temos que ouvir os ecologistas, pois a Terra é nosso único lar, pois, fora de Terra, o Cosmos é hostil ao Ser Humano, odiando este, numa Humanidade que realmente não tem para onde ir. A torre de energia elétrica é tal estrutura gigantesca, em demandas de grandes urbes como São Paulo, ou como na demanda de água na cidade de Salvador, na qual o padrão cultural não é um, mas dois banhos diários, ao contrário do Sul do Brasil, com apenas um banho diário, talvez por questão climática de temperaturas. Os homens estão à vontade, sem camisa, numa libertação, como chegar na beira da praia e tirar a camisa, num ar de libertação, na liberdade deliciosa das democracias, no cidadão livre, ao contrário do Brasil, com o voto obrigatório, numa contradição: Você é obrigado a ser livre! Ao contrário dos EUA – você vota se quiser. Aqui é o suor do labor, num glorioso banho no fim do dia, num básico ritual social de purificação, como sair do lamacento Umbral e tomar banho num banheiro ensolarado, na limpeza da simplicidade, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, na noção taoista de que a pessoa tem que ser autodidata, aprendendo por si mesma o que é simplicidade – não há livro ou faculdade que ensine. Um dos homens repousa um pouco, como um senhor jardineiro que meus pais tiveram quando moravam numa casa, numa vida tão árdua, tirando ervas daninhas de um gramado, purificando este, nos trabalhos duros que sobram aos que têm baixa escolaridade, nas palavras de um certo senhor, que no passado cometeu o grande erro de largar a faculdade: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”. O céu é cinza, num dia ordinário de labor, no termo “tocar o barco” e “ir à luta”, remetendo a um certo senhor, o qual cometeu o grave erro de largar uma faculdade para nada fazer no lugar, mergulhando numa vidinha insossa, frequentando puteiros, com o perdão do termo chulo, um senhor que se perdeu em tal vida, no modo como a Vida é algo sério, muito sério. Aqui é uma hierarquia, pois os homens simples, do povo, estão seguindo ordens do mestre de obras, o qual tem que ser respeitado. Um homem está protegido, com capacete; já, os outros nem tanto. Há pessoas sábias, que se protegem, como usar preservativo na hora do sexo, nos esforços do psicoterapeuta no sentido da autoestima: Você tem que gostar de si mesmo! E não é infernal não gostar de si mesmo e não gostar de sua própria vida?

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.