quarta-feira, 25 de março de 2026

Bom Bo (Parte 23 de 28)

 

 

Falo pela vigésima terceira vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Balanço. O balanço é o prazer do vaivém, das ondas à beiramar respirando, no pulmão respirando, no mistério da Vida – o que faz o coração bater? O balanço é tal diversão infantil, na gritaria do intervalo do colégio, nas crianças na areia do parquinho, cheias de areia nos sapatos! É o glorioso momento do intervalo, da folga, das férias, em merecidas férias de verão, na praia, na sensação deliciosa de liberdade na orla, na água salgada e fresquinha banhando nossos pés nus, em ilhas como a de Florianópolis, seduzindo turistas no verão, com muitos argentinos, no fascínio que os trópicos exercem sobre pessoas de clima mais frio, como na sedução do Rio de Janeiro, um potente destino turístico mundial, numa cidade bela e problemática, com tanta beleza e tanta criminalidade, nos versos da canção de Fernanda Abreu, carioca da gema: “Rio quarenta graus! Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos!”. Aqui é uma brincadeira solitária, na pessoa vivendo consigo mesma, em gloriosos momentos de solidão, de retiro, como no filmão Dogma, em que Deus tirava folgas e simplesmente sumia, só retornando depois, numa merecida dose de retiro, como no Gênesis, quando Ele descansou no sétimo dia, dando um exemplo de férias e de folga, remetendo ao laborioso colono italiano na Serra Gaúcha, o qual só não trabalhava no domingo porque o padre e a religião não permitiam, numa vida tão dura de colono, com as mãos todas calejadas pelo duro labor na lavoura. Aqui remete a um recente comercial de TV com a estrelona Gisele, com a diva num balanço indo e vindo, nesse monstro sacrossanto em que a menina de Horizontina se tornou, com seus cabelos ondulados sendo imitados por todas as mulheres no planeta Terra, na característica da pessoa de Tao, a qual conquista o Mundo inteirinho e ninguém se dá conta, numa pessoa que brilha como um diamante, deixando-nos perplexos com tal brilho e tal fascínio, no respeito que tenho por pessoas que vieram do nada e conquistaram seu espaço, como na diva Marisa Monte, a qual veio, conquistou seu espaço e segue na luta para reafirmar tal espaço, num talento claro, o qual só precisava de tempo e persistência para se revelar, numa voz tão cristalina e afinadinha, ou como Tom Cruise, o qual veio do nada e tornou-se tal medalhão de Hollywood, sobrevivendo há décadas nessa “selva” que é a Meca do Cinema, num mundo tão competitivo, no qual a pessoa sabe que, se quiser se destacar, tem que ser digna e merecedora, como nossa amiga Madonna, a qual sabe que, ao fazer um videoclipe, tem que se esforçar para fazer um senhor videoclipe, remetendo a uma certa quase estrela, uma cantora de boa voz, mas sem estilo nem atitude, ao contrário de Gaga, uma bomba atômica de atitude, sabendo que tal atitude, além de boa música, assegura o se destacar a nível mundial, nesse mercado tão concorrido, com tantas divas maravilhosas concorrendo pela atenção do público, nas palavras de um certo psiquiatra para mim: “Tens que ter mais agressividade, pois vives num mundo competitivo!”. É a imagem do deus Marte, o deus da guerra, da batalha, da luta pela vida, na pessoa que encara a luta, ao contrário do morador de Rua, o qual quer, com todas as suas forças, fugir da luta, pagando um preço muito alto, que é o degradante estilo de vida de morador de rua, nas palavras de uma certa e inesquecível médium espírita: “Deus quer nos ver lutando! Deus não quer nos ver atirados nas cordas do ringue da vida!”. Neste quadro temos um impulso, uma projeção, numa pessoa alçando voos altos, num sonho e numa ambição, remetendo às pessoas equivocadas, as quais acham que não obtiveram sucesso por causa do Mundo, quando o Mundo não tem culpa se fulano é um medíocre, remetendo a um certo senhor, o qual almejou ser o homem mais sexy do planeta, falhando retumbantemente, nas duras lições de humildade que a Vida nos ensina, um senhor arrogante, que inclusive me chamou de “idiota” – a arrogância precede a queda. Aqui é um momento de diversão e recreio, como no deslumbrante complexo de parques temáticos da cidade americana de Orlando, nuns EUA tão, mas tão ricos, numa malha hoteleira arrojadíssima, no lazer de famílias americanas, como Gramado, com tudo feito para encantar tal turista. Aqui é uma jovialidade, na capacidade da criança em se contentar com pouco, como aprendi que podemos ser felizes com pouco.

 


Acima, Bela. Esta modelo é recorrente nas obras de Bo Bartlett, olhando-nos, desafiando-nos, como numa enigmática Monalisa, seduzindo as pessoas que vão ao Louvre, na característica da grande obra de Arte, que é render inúmeras interpretações, num quadro pelo qual da Vinci se apegou muito, não querendo ficar longe de tal obra, algo como uma figura materna, fazendo de uma mulher a maior obra de Arte de todos os tempos, numa certa decepção ao visitante, vendo que se trata de um quadro pequeno, na sabedoria popular de que tamanho não é documento, num Tom Cruise, um tampinha que se tornou tão poderoso, na busca do Mundo da Moda por modelos altos, no termo “Sua Real Alteza”, ou seja, altitude, na superioridade dos espíritos que têm apuro moral, o qual é o sentido da Vida, pois tornar-se uma pessoa melhor e mais honesta é o sentido da Vida, num caminho de depuração, como num diamante sendo lapidado; como entrar numa faculdade e passar por uma bateria de ensinamentos, num caminho autodidata, no qual a pessoa tem que aprender por si o que é simplicidade, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como nas obras de Botticelli, iluminadas, claras, com traços atentos ao essencial, no continuum entre luz, luxo e leveza. O amarelo do vestido é a vida, o brilho do ouro, na cor da gema de ovo, do alimento, numa cor quente, que traz vida, na cor do Sol, da luz da vida, aquecendo, no deus egípcio de Rá, o disco solar que traz a luz e a vida, na noção de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida!”, como “Tao” significa “caminho”, em guias nossos, como minha irmã e eu, ouvindo, desde pequenos, Elis Regina no carro com nossos pais, numa Elis guia, guiando-nos pela estrada da Vida, na capacidade do grande artista, que é se tornar um deus sacrossanto de Arte e Vida, no poder da Arte em unir as pessoas, como uma multidão ensandecida num concerto de grandes bandas e cantores, no dom de certos artistas em excitar uma plateia e “atiçar fogo” nesta, ao contrário de um show de Lenny Kravitz no Brasil, um artista o qual, apesar de ser um grande astro, uma grande voz e um grande repertório, não soube puxar o povo, fazendo um show morninho, meio sem sal, por assim dizer, o que é uma pena – na vida não se pode ter tudo, não? Os cabelos da musa ondulam sensualmente ao vento da beiramar, numa orla que tanto fascina Bartlett, na liberdade do ar puro do mar, no sopro de vida que vem do mar, no frescor da Vênus de Botticelli, novinha, como nas rainhas metafísicas, líderes que não envelhecem no Plano Superior, no costume caxiense de sempre eleger uma nova rainha para a Festa da Uva, fazendo com que a nova moça faça metáfora com a juventude imortal metafísica, num sucessão de rainhas que faz metáfora com tal ausência da passagem de tempo, numa dimensão onírica, bela e fina, na qual nada se perde, nem o mais humilde trabalho de gari varrendo ruas, com tudo fazendo parte da construção da grande carreira espiritual, na ironia de que, no Céu, segue imperando a necessidade de nos mantermos operantes e produtivos, no Éden para os que gostam de se sentir úteis ao Mundo; no prazer de se fazer algo de bom para o Mundo. O pingente é uma nobreza, nos metais nobres, fazendo da durabilidade das coisas nobres metáfora com a ausência de passagem de tempo, como uma mesa de madeira que eu tenho em casa, de uma madeira nobre, a qual, com várias décadas de uso, não tem um único foco de cupins, ao contrário das madeiras de baixa qualidade, com seus focos de cupins, no termo “marca diabo”, apontando produtos de baixa qualidade. A moça aqui é a juventude, como na embalagem do leite condensado Moça, com a menina com um balde de leite sobre a cabeça, na pureza da donzela Arwen, de Tolkien, entregue pura e casta ao marido, no machismo patriarcal no qual a mulher não pode ter vida sexual ativa, trazendo a transgressão corajosa de certas mulheres famosas, na mensagem ao final do filme Barbie, num manifesto antipatriarcado, na liberdade da mulher em ser o que ela mesma quiser ser.

 


Acima, Betsy no espelho. O espelho é tal símbolo de feminilidade, no esforço pela beleza, nas mulheres fazendo “loucuras” em nome da beleza, como se submeter a dolorosas e complicadas cirurgias plásticas, remetendo a uma certa socialite americana, desfiguradíssima, num transtorno de imagem gravíssimo, uma mulher rica, que pode bancar tantas cirurgias, em cirurgiões antiéticos, que sabem que uma nova cirurgia só a deixará ainda mais desfigurada, mas que topam operá-la por causa do dinheiro, ou seja, uma falta de apuro moral, como um certo senhor que me enganou certa vez, e a vida é um inferno para os que não são honestos, com suas consciências os cutucando, como um certo assassino desencarnado, vendo os olhos alegres e sorridentes das pessoas que matara na Terra, num peso de culpa, num inferno, em sociopatas que acabam rechaçados, sepultados sem entes que os amam, como um certo sociopata, um mentiroso de marca maior, uma pessoa que, com certeza, vai acabar enterrada “como um cachorro”, sem fazer muita falta no Mundo. O decote aqui é ousado, nas ousadias da Moda, em sopros de vogues que varrem o Mundo, como no boom de Carmen Miranda, num boom de alegria e música em meio aos horrores da II Grande Guerra, num contexto em que não havia muito clima para celebrações, como na Festa da Uva de Caxias, num hiato sem festas desde o início da Guerra até o fim dos anos 1940 – não havia ânimo no inconsciente coletivo. O quadro aqui não é totalmente centralizado, e a modelo está no lado, como em coberturas jornalísticas pela TV, com o jornalista à esquerda ou à direita, deixando aparecer um destaque gráfico na reportagem. Aqui, nesta obra, o retiro ao lado mostra uma folga, um vazio magnético, no magnetismo sensual dos espaços vazios, num decorador sábio, que sabe que um ambiente tem que ter tais espaços vazios para o uso do dia a dia, como enfeites e adornos em uma mesa de console: A parte mais dianteira, à frente da pessoa, tem que estar vazia, sem adornos, para o uso do cotidiano, ou como numa de centro numa sala de estar, vazia, sem adornos, ou se, com adornos, adornos que não podem roubar totalmente os espaços vazios em tal mesa – a sensualidade reside precisamente nos espaços vazios, nesse vazio de Tao, que é a página em branco na qual escrevemos nossas vidas, como um escritor, ou como um bom ator, que some perante o personagem, ao contrário do mau ator, que “esconde” o personagem. Os cabelos presos são a disciplina, o siso e a discrição, como antigamente, quando mulheres não podiam sair pela Rua com os cabelos soltos ao vento, em sopros transgressores de renovação corajosa de Chanel, uma espécie de feminista, libertando a mulher, no famoso corte de cabelo Chanel, numa Coco corajosa, inovadora, dizendo certa vez a um jornalista: “Os jovens de hoje não têm coragem! São uns medrosos!”. É como no pedido de um glorioso Papa Francisco a uma plateia de jovens católicos: “Sejam revolucionários!”, num homem humilde e simples, do povo, no rei simples, que toma o mesmo tipo de café que os seus súditos tomam, pois o rei que se afasta de seu próprio povo deixa de ser líder, como num Romanov deposto pelos comunistas, ou como no grande golpe de estado que foi a Revolução Francesa, na voz de um povo oprimido e infeliz, padecendo por causa do simples preço do pão. O vermelho é a vida, no sangue que seduz os vampiros, na famosa capa rubra de Drácula do filmão Drácula de Bram Stoker, num merecido Oscar de Figurinos para tal película, em cineastas que se esforçam ao máximo num filme, colocando ali tudo de bom e de melhor, no modo como não me canso de dizer que o sucesso é um amante infiel, pois hoje está com você, e amanhã você não sabe, como um certo diretor, cujo ponto alto de sua carreira fez “diminuir” a percepção sobre outros filmes de sua carreira – o sucesso é um cu, com o perdão do termo chulo. A moça sorri brandamente como uma altiva Nefertiti, num sorriso discreto de uma Gisele, nessas mulheres que tecem teias de sedução, no talento estadista de uma Cleópatra, num filme que quase quebrou um estúdio!

 


Acima, Betsy Eby. Aqui são altivos perfis de monarcas em moedas, na sabedoria de que, quem já reinou, jamais perde a majestade, numa pessoa que reinou numa vida passada, trazendo todo um residual, como uma certa artista plástica, altiva, parecendo ser a “dona da festa”, parecendo usar uma altiva coroa, no peso sobre a cabeça de quem reina, nos encargos de responsabilidade, remetendo a reis sociopatas como Calígula, no poder pelo poder, num rei em relação ao qual o povo romano, o senado romano e a corte romana se deram conta: Nosso rei é louco! Então, um parente do monarca louco tramou o assassinato de Calígula, colocando fim num reinado conturbado, como no infame reinado do faraó Aquenáton, desprezado dos registros oficiais, num Egito que quis se esquecer de tal legado transgressor, sepultando o corpo dele sem a tradicional mumificação, tal o desprezo do Egito por tal líder, num Egito em que qualquer faraó era devidamente mumificado, nos rituais de passagem da pessoa pelo mundo dos mortos, no impacto que o Cristianismo teve sobre o clássico paganismo da Antiguidade, ao ponto do rei romano se tornar cristão oficialmente, nos impérios que ascendem e descendem, como as vaidades humanas indo e vindo, vivendo e morrendo, perecendo, permanecendo Jesus pela eternidade, uma figura na qual podemos depositar as esperanças de que um mundo bem melhor nos espera lá em cima, num mundo de amizade, onde todos se respeitam, sem qualquer criminalidade, remetendo a um certo senhor sociopata, um mentiroso, um espírito que certamente irá ao Umbral ao desencarnar. O pescoço delgado é forte, no pescoço poderoso do busto famoso de Nefertiti, na fragilidade que se revela força, no discernimento básico de que fino é forte de que grosso é fraco, num Ser Humano que sempre se perde, ignorando o discernimento taoista, como nas tragédias das guerras, deixando rastros de destruição, privação e fome, pois quando Tao é perdido, a confusão reina, como no bangue bangue de Trump contra o Irã, numa condução conturbada e tortuosa, pois um homem de Tao jamais recomendará violência, sempre primando pelo diálogo diplomático, no cavalheirismo no fio do bigode: Vamos sentar e conversar, pois, conversando, nós nos entendemos! É como no rei da Tailândia, um homem cordato e respeitado, sempre primando pelo diálogo, sempre fazendo tudo em nome da paz, na dignidade das famílias de realeza, as quais, em suas belas tradições, representam um mundo melhor e mais pacífico, num mundo mais belo, no qual o tempo não passa. A janela ao fundo é a perspectiva, na luz que entra beijando a tela, no talento de um diretor de fotografia num filme, merecendo prêmios, no modo como a arte do Cinema abraça as Artes Plásticas, pois as artes estão umas dentro das outras, como no inevitável casamento entre Música e Dança. O cabelo ajeitado é a autoestima, da pessoa que gosta de si mesma e que se arruma para sair de casa, pois dá gosto de ver uma mulher elegante, bem vestida, arrumada, como num talento estadista de Elizabeth I, a qual sabia do valor da aparência na vida pública, arrumando-se muito na hora de ir a público, como em sessões com o parlamento, no modo como a aparência ajuda a pessoa na vida pública, numa mulher impecável, sempre com os cabelos impecavelmente tingidos, ou como no ato de se perfumar, agradando as pessoas. A moça aqui tem uma grande paciência para posar, como antigamente, antes da Fotografia, no modo como a Fotografia libertou a Arte da função retratista, remetendo a um certo artista plástico em Porto Alegre, o qual tira fotos tuas no estúdio e, depois, a partir da melhor foto escolhida, faz uma pintura tua a óleo. Aqui temos uma elegância, na elegância do homem de Tao, como um Obama, amado e respeitado, um homem que respeita os vizinhos no Mundo, mas firme para ordenar a execução oficial de um grande terrorista. A moça aqui tem disciplina e abraça sua função social de líder, como numa cédula de dinheiro, na regência responsável, no paradoxo inglês – o monarca reina, mas não governa!

 


Acima, Bodhisattva. Aqui é um papel de guia, num pastor numa igreja, no sermão do padre, remetendo a um coleguinha meu de Ensino Fundamental, o qual se tornou padre, e cabe a mim respeitar, pois a vida dele não é minha – respeitar é algo relativamente simples. Neste cume, neste topo, há a elevação espiritual, numa elevação moral, na pessoa que odeia mentir, no modo como, lá em cima, a mentira perece, e tudo é colocado de forma clara, indo para o Umbral os que mentiram na Terra, no modo social de execrar os mentirosos, como um certo senhor, sofrendo processo de impeachment, rechaçado pelo povo, no fim trágico do ditador Mussolini, odiado pelas pessoas, enterrado sem qualquer honra ou dignidade, muito menos respeito, no modo inevitável de que respeito é para quem o tem – como posso ser respeitado se sou um sádico que gosta de ver os outros sofrerem? É como um certo senhor sádico, o qual exclui de minha vida, um senhor que terá tal fim trágico de vida, indo ao Umbral inevitavelmente, no plano da loucura de um prisioneiro que não quer sair da prisão no glorioso dia de soltura, de desencarne – é uma ausência de lógica, numa pessoa cujos atos analisamos e não encontramos lógica, como um certo sociopata recentemente preso por feminicídio, com uma inocente cara acima de qualquer suspeita. O guia aqui está para nos mostrar o Mundo da forma mais clara possível, no papel do psicoterapeuta de nos mostrar o Mundo da forma mais fria possível, no poder do pensamento racional, protegendo o coração das dores sombrias, ao contrário da pessoa que se deixa guiar pelo coração, sofrendo assim, como um certo rapaz caminhoneiro, o qual levava uma vida duríssima, trabalhando arduamente, uma pessoa que sofria ao se deixar guiar apenas pelo coração, nunca ouvindo a fria razão, na metáfora do busto blindando a Mulher Maravilha, que é a pessoa bloquear o assédio de espíritos maldosos, num espírito maldoso que os espíritas chamam de “encosto”, ou seja, um vampiro desencarnado empenhado em nos fazer sofrer, no caminho espírita da mortificação, quando a pessoa deixa de ouvir o traiçoeiro coração e ouve esta coisa maravilhosa que Deus nos deu chama CABEÇA, na fria razão dos números, na beleza fria dos números, fazendo de Deus tal lógica, partindo de um para dois, de dois para três etc. As vestes aqui são pudicas e decentes, como numa imagem de Nossa Senhora, na qual apenas e face os alvos pés descalços são mostrados, como na machista burca, impedindo a mulher de viver, no modo patriarcal de tolher a sexualidade feminina, como na boneca Barbie, sem vagina, no pai que, ao ver a filha nascer, planeja entregá-la pura e casta ao marido na Igreja, como na donzela Arwen, de Tolkien, pura como a mais pura e alva nata, na mulher que vive na sombra de um homem, no modo como a Vida em Sociedade sempre cobra do homem o desenvolvimento da agressividade, pois se sou uma mulher mãe, esposa e dona de casa, anônima e microscópica, não tem problema. A fumaça aos pés do líder espiritual é o espírito fluidio, sexy, numa água com vida, que nunca para de correr, como Tao é tal água com vida, sempre regando e nutrindo, num papel de provedor de um lar, deixando claro quem manda ali dentro de tal casa, impondo normas aos filhos, como meu pai, o qual sempre, às dez da noite, mandava minha irmã e eu para a cama, mesmo que fôssemos a contragosto para a cama, como na casa de uma certa psicóloga, com leis rígidas para os três filhos, numa sensação de proteção e invólucro, de lar, como um pai dizendo ao filho no fim de um domingo de doce vadiagem: “Acabou o fim de semana! Tu tens que jantar, tomar banho, revisar as tarefas de casa escolares a arrumar teus livros para amanhã, pois, amanhã, começa tudo de novo!”. Remete a uma certa rígida  e exigente professora de balé, nunca permitindo que uma aula parasse de render. O líder aqui está no mais elevado grau de sofisticação, que é a simplicidade, como numa pessoa que tem estilo, que tem critérios na cabeça, ao contrário daqueles que têm que ser “escravos” de grifes pretensiosas.

 


Acima, Bons e velhos dias. Aqui é o encargo de pai, provendo um lar e uma família, num pai tão zeloso que foi o senhor meu avô por parte de mãe, nunca deixando algo faltar dentro de casa, sempre proporcionando boas casas para a esposa e os filhos, sempre proporcionando uma mesa farta no almoço, numa família numerosa, com seis filhos. O peixe aqui é como um troféu, numa pilhagem, como um certo senhor, o qual amava ir ao campo com amigos para caçar perdizes, num homem que ama tais desafios, como uma certa pessoa, para a qual quanto mais difícil, melhor, como numa eterna gincana, no tesão de um surfista frente a um desafiador mar com ondas grandes, prostrado perante um mar sem ondas, como eu disse a um certo professor meu de faculdade, no primeiro dia de aula da cadeira: “Estou aqui para novos desafios”, naqueles professores talentosos e exigentes, que valem cada centavo da mensalidade, mas já, outros professores, nem tanto – deve assim ser em qualquer faculdade. O peixe é a tradição da Semana Santa, no poder das tradições, como a senhora minha bisavó, a qual, na Sexta Feira Santa, proibia em casa as pessoas de rir ou falar alto, com o rádio emitindo canções fúnebres, no milagre do desencarne, quando Jesus se libertou da carne e voltou a maravilhoso lar primordial celestial, no inevitável dia de libertação – sim, meu irmão, desencarnarás, na sabedoria popular de que, para morrer, basta estar vivo. Os altivos pinos ao fundo são tal majestade de natureza, no modo como os campos e florestas vestem roupas maravilhosas, fazendo dos palácios meras cópias de tal beleza natural, num rei que contempla o ar puro de seu reino, mal se importando com os luxos palacianos, nas simples casas do cidadão comum, recebendo-nos e servindo-nos um café, na proximidade de um líder de seu povo, como no paradigma democrático, a forma mais legítima de governo – o presidente é um dos nossos, é nosso igual, que elegemos para nos governar por alguns anos, ao contrário do Egito Antigo, no qual o líder era visto como um deus em carne de homem, numa mescla entre religião, arte e política. A mulher repousa a cabeça no marido num ato de carinho e amor, amando o homem que provê o lar, nas divertidas palavras de um certo colega meu de faculdade: “Quem gosta de homem é veado! Mulher gosta mesmo é de dinheiro!”. A criancinha ainda é muito pequena para entender o Mundo, na candura infantil de se divertir com pouco, como no trenó Rosebud de Cidadão Kane, numa época em que a vida é simples, com brincadeiras com amiguinhos, no delicioso faz de conta da criança, como no seriadão Chaves, na criança que quer brincar para imitar o mundo dos adultos, como brincar de cabeleireiro, num seriado que tão fundo penetrou nos corações de inúmeros fãs, no poder da comédia, que é o Ser Humano rindo de si mesmo, no poder de um bom palhaço, como os mestres Rowan Atkinson e Jim Carey. Aqui é algo exibido com orgulho, numa conquista, como um Oscar, no problema do sucesso – quando este vem, tenho que saber sobreviver e continuar tocando a vida com humildade, em troféus que pode se revelar maldições. O peixe é a biodiversidade, numa Natureza tão rica na Terra, num planeta tão rico biologicamente, riquíssimo, nos esforços de cientistas em detectar vida fora daqui, em sondas enviadas sistema solar afora, num Ser Humano ainda tão aquém de conhecer o que nos cerca, num Cosmos tão, mas tão vasto, na máxima islâmica de que Alá é grande, com galáxias as quais precisaríamos de alguns milhões de anos na velocidade da luz para cruzá-las de ponta a ponta, sendo que o Homo sapiens pela Terra mal tem um milhão de anos de história – é muito grande. Aqui temos a estrutura de uma família, num grupo organizado, com hierarquia – os mais velhos mandam! É como na hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta a força, hierarquia na qual os mais pacíficos regem os menos, tudo em nome da paz e da amizade, ao ponto de eu fazer questão de obedecer ao meu irmão mais depurado.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Bom Bo (Parte 22 de 28)

 

 

Falo pela vigésima segunda vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Bote salvavidas. Aqui é um esforço e um empreendimento, como uma pessoa regendo um negócio, no sisudo fato de que quem não tem competência, não se estabelece, como uma certa pessoa, a qual regeu por dez anos o próprio negócio, sendo patrão de si mesmo, mas acabou fracassando, pois era um workaholic de marca maior, sem dignidade ou respeito por si mesmo, fracassando e tendo que fechar as portas de tal empresa, tendo que peregrinar pela cidade para arranjar um emprego e voltar a ficar submetido a um patrão, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? É no aspecto da arrogância preceder a queda, como um certo publicitário, o qual se achava dono e senhor da Festa da Uva de Caxias, um senhor que acabou aprendendo que não era bem assim, pois a Festa é uma manifestação de cultura popular brasileira, pertencendo, assim, ao povo caxiense, num engajamento comunitário. O rapaz aqui é jovem e forte, remetendo a esses rapazes fortes, jovens e sadios, jogados numa calçada pedindo dinheiro, na recomendação de assistentes sociais – não dê esmola, pois esta não ajuda, só atrapalha. Não negue pão para quem tem fome; não negue água para quem tem sede; negue esmola. Aqui é um desafio e até um perigo, em surfistas corajosos que pegam ondas monstruosas, numa prova de coragem, remetendo ao cagão, com o perdão do termo chulo, a pessoa que se borra toda nas calças na hora de erguer a cabeça e tratar de ser feliz, na recompensa ao destemido, ao corajoso, que enfrenta obstáculos heroicamente, desafiando o Mundo e obtendo reconhecimento por tal altivez olímpica. Aqui é um quadro de solidão, na metáfora do Anel do Poder, de Tolkien, o qual confere desoladora solidão ao portador de tal maldito anel de poder, na metáfora dos homens gananciosos, que querem poder acima de tudo, na crítica de uma certa parlamentar em Brasília, criticando os homens que querem o poder pelo poder, e não para usar de forma sábia tal poder, como um certo sociopata que conheci no colégio, um verme imoral e sádico, malicioso, desprezível, um sociopata que roubava canetas de luxo só para tê-las, e não para usá-las de forma pertinente, na sina do mentiroso, o qual acaba “enterrado como um cachorro”, sem o amor do Mundo, sem o respeito do Mundo, no natural mecanismo da Sociedade de acabar rejeitando tais mentirosos. Este quadro tem a maestria de Bartlett, e tem um movimento, um ritmo, como no romance clássico Moby Dick, um livro que chega a um ponto em que nos sentimos ondulando dentro do barco em alto mar, na liquidiscência e na fluidez de grandes inteligências, num ritmo cardíaco de tambores, como já ouvi que a Vida é o nervo da Arte, no mistério da Vida e no mistério da Arte, numa Arte que nos faz tão humanos, como eu já disse: Arte é uma questão de saúde mental; Arte é o que há de importante – o que seria de nós sem a Música, por exemplo? O rapaz aqui está ocupado demais para nos olhar, e está empenhado em ver e sentir as ondas. O rapaz aqui, em tal responsabilidade, deixa de ser menino para ser homem, como no filmão O Império do Sol, com o grande ator Christian Bale, que interpreta um menino que, na II Guerra Mundial, começa tudo criança e acaba homem, no inevitável crescimento da pessoa, como a animação Mulan, na menina que parte em busca de um processo de identidade, num artista que quer saber quem ele mesmo é, em carreiras longevas, em artistas que alcançam tal prestígio e tal respeito, em artistas respeitados como a cantora Alcione, entrando nos lares das pessoas, nesse grande filão no Brasil que são os gêneros samba, pagode e sertanejo, em climas de devoção popular a gigantes como o cantor Leonardo, nesses homens simples, do povo, num rei carismático, o qual nunca vai se opor ao próprio povo, na sabedoria do homem de Tao, jamais recomendando violência; jamais indo para guerras, em homens corretos como Obama, mas firme ao ponto de ordenar a  execução oficial de Bin Laden, na recomendação taoista: As execuções têm que ser oficiais, pois, do contrário, você só irá sujar de sangue suas próprias mãos! Aqui é um quadro de incerteza, como no filmão Dúvida, numa freira em dúvida se um certo padre é inocente ou um pedófilo amoral, remetendo  a um certo sociopata, o qual foi à Tailândia para fazer turismo sexual, numa vida girando em torno de sexo – é um horror.

 


Acima, Cachorro perdido. Aqui é um sintoma do transtorno borderline, num sentimento de abandono, como um certo senhor, sempre no limite, sempre em campos perigosos, um senhor esotérico, que disse que, ao fazer um regresso de encarnações passadas, disse que fora um jovem que fora abandonado pela própria família, num sentimento de desolação, quando na verdade se trata de um sintoma border, um senhor para o qual há uma simples recomendação – tome remédio, pois há medicação para border, como pessoas com distúrbios psiquiátricos, as quais têm a sorte de viver numa época em que há medicamentos, ao contrário de antigamente, sem remédios, estendendo enormemente o tempo de internação psiquiátrica, pessoas que não podem ficar sem o remédio, nessas maravilhas inventadas pela Ciência, como uma certa senhora que morreu bem idosa, uma senhora a qual, em sua juventude, não havia medicamentos, numa época em que traços de doenças psíquicas eram confundidos com traços de personalidade, falando de uma pessoa depressiva: “O Fulano? O Fulano é assim mesmo, melancólico. É o jeito dele!”. É como no filmão Garota Interrompida, passado nos EUA dos anos 1960, com a personagem psicótica de Angelina Jolie, havia anos internada numa clínica, com as drogas atuais abreviando enormemente o tempo de internação. O cachorro aqui está jogado à própria sorte, rejeitado pelo dono, como um certo rapaz, o qual se desinteressou pelo próprio cachorro, doando este a um casal de amigos, na trabalheira que é ter um bicho: comprar ração, trocar a água do pote, vacinar, mandar tosar e banhar e medicar em caso de doença, num ponto em que tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, assim, cobrir meu bicho dos cuidados necessários – não é tão simples assim: “Terei um bicho!”. Aqui são cachorros viralatas, de rua, no sangue forte do cão mestiço, suportando frio, fome e sede, ao contrário do glamoroso cão de pedigree, de raça definida, um animal geneticamente debilitado, frágil, como um cocker spaniel que tive, o qual, ao pegar uma virose, ficou cego e perdeu os movimentos da metade traseira do corpo, e tive que mandar sacrificar o bicho para este parar de sofrer, e eu chorei quando o cão morreu, na capacidade humana de se apegar ao bicho, em pessoas que amam tanto os bichos que se tornam veterinários, como uma amiga minha solteirona, vivendo com dois cães, os quais são fiéis companheiros, como no filme Um Vagabundo na Alta Roda, num mendigo que tenta se matar ao ser abandonado pelo próprio cão, como já ouvi dizer: “Às vezes, tudo o que resta na vida de um homem é seu cão”. O cão aqui não entende o que está acontecendo, sem a noção de que terá que se esforçar para se manter alimentando, na atitude amorosa de certas pessoas de colocar na calçada potes com ração, em caso de passar por ali um cão esfomeado, na desoladora imagem de cães que se perderam de seus donos nas recentes trágicas enchentes no RS, como na família de minha tia, com eles adotando um cão que se perdera da família na enchente, num ato de amor e zelo, remetendo à imagem do santo padroeiro dos animais, e em casos de acumuladores compulsivos, obcecados em ter bichos, colecionado vários cães ou gatos, muitas vezes numa casa insalubre, perigosa para a saúde do dono ou dos bichos, como vi certa vez na TV uma casa de uma senhora que tinha muitos gatos dentro de casa, animais com doenças por causa de tal insalubridade do ambiente, descobrindo até um esqueleto de gato atrás de um armário, um bicho que morreu e apodreceu, mas num fedor que não fora detectado pela dona, tal o cheiro forte e podre predominante em tal ambiente. O cão desolado aqui remete a um rapaz paupérrimo que conheci, um menino que foi abandonado pelos próprios pais, crescendo num orfanato, vindo ao Mundo sem qualquer noção de suas raízes, nesses espíritos corajosos, os quais reencarnam num contexto dificílimo, duro, crescendo, assim, enormemente como espírito, desencarnando e cumprindo tal árdua missão na Terra.

 


Acima, Canção da sereia. Aqui é a magia das sereias, seduzindo os marinheiros, como num filme da franquia Piratas do Caribe, num aspecto misógino condenando Eva, com sereias que eram, na verdade, diabólicas, no modo social misógino de desmerecer a mulher, como nessas cantadas agressivas dirigidas a mulheres na Rua, as quais se sentem um lixo ao sofrerem tais cantadas machistas, no mesmo erro crasso de crer que a mulher gosta de ser estuprada, sentindo-se, assim, sexy e atraente, remetendo ao lema coloquial: “Respeita as mina!”. A nudez é tal vínculo com a natureza, na deliciosa sensação de se nadar nu no mar, no conforto uterino sem qualquer malícia, na nudez inocente, no modo como o grego antigo lidava com naturalidade com a nudez, ao contrário da culpa católica, num momento de Renascença em que a nudez veio à Europa, nesses sopros de renovação, no novo que sempre vem, como no frescor primaveril da Vênus de Botticelli, tímida em sua simplicidade nua, no olor de mar, na sedução de liberdade do mar, na mãe Iemanjá abençoando as redes dos pescadores, na fartura de reinos ricos, de países ricos como o Canadá, o qual, por ser tão limpo, belo, apolíneo e bem administrado, faz com que cidades desenvolvidas como Nova York pareçam terceiro mundo! A nudez aqui é tímida, talvez num medo de se revelar e de se expor, remetendo às aulas de nu artístico em escolas de Arte, lidando com naturalidade com o nu, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo inventou? É como na inocência do Éden antes do advento da serpente da malícia, com Adão e Eva cobrindo seus respectivos sexos, em relação a algo que é natural, que é a sexualidade, nos esforços científicos de Psicoterapia, ensinando-nos a lidar sem culpa em relação a sexo, como uma querida professora freira que tive, a qual dava aulas de Educação Sexual exatamente para aniquilar a malícia do jovem em relação a sexo, como nas tribos indígenas, com os casais copulando na frente de todo os outros membros da tribo, não compreendendo a imagem de Nossa Senhora esmagando a serpente com seus alvos e puros pés. Aqui, a nudez traz tal liberdade, na inocência de uma praia de nudismo, na qual nossos corpos naturais se mesclam à natureza, na sensação de nossos pés descalços banhados pelas ondinhas na beirinha, na alegria da criançada em castelos de areia, como me perguntou um certo professor meu de faculdade: “Por que será que praia é algo tão gostoso?”. As rochas são a resistência, como escravos africanos em culturas de resistência, como a capoeira e o candomblé, trazendo os orixás africanos, numa mescla sincrética com catolicismo, remetendo a um certo senhor padre, o qual foi expulso da ordem ao tentar, com a melhor das intenções, fazer um sincretismo no altar na hora da missa, recebendo expressas advertências: “Atenha-se à discrição de um sacerdote católico apostólico romano!”, num senhor de espírito jovial, moderno, ousado, resultando em senhores tão adoráveis como o Papa Francisco, um homem cheio de simplicidade, sendo, assim, o Papa do Povo. A mulher aqui está tímida, e não mostra o rosto, numa culpa, remetendo ao livro Sex de Madonna, com a tal popstar mostrando o próprio lindo corpo, num livro de bom gosto, no qual tudo são insinuações, num livro o qual, definitivamente, não é pornô, mas um “macarrão” apimentado e vibrante, nas batidas do coração de um ritmo contagiante de carnaval. Aqui ouvimos o som do mar, numa canção de ninar, num acalento, no mito de Nossa Senhora que serve para nos fazer entender que somos todos frutos de Imaculada Conceição, e que temos a Eternidade à nossa frente, nesse poder do infinito, no qual jamais findaremos – é muito poder! A pedra é a firmeza, numa vida centrada e organizada, numa pessoa com siso, seriedade, mesmo tendo, em meio a isso, um necessário senso de humor, num talento de palhaço e piadista, na capacidade humana em rir de si mesmo, como assistir a uma boa comédia, num talento de palhaço, fazendo da ironia algo que nos faz tão humanos e únicos.

 


Acima, Canção de amor para apaixonado. As flores são a Vida, a genitália das plantas, no ato do apaixonado de presentear o amor de sua vida, nos versos de uma certa canção pop: “Flores lindas são o caminho par ao seu coração, mas seu amado precisa começar com a sua cabeça!”. É como no filme As Pontes de Madison, num homem que seduz uma mulher, mas não dá a esta uma proposta consistente, e, no fim da película, ela acaba chutando ele, mesmo isso doendo no coração dela, fazendo a coisa certa, que é se guiar pela fria razão, poupando, assim, o coração de sofrer, como certa vez conheci uma pessoa, a qual vivia sempre na sofrência, deixando-se guiar pelo coração e não pela mente, levando uma vida muito árdua e sofrida, adorando canções sertanejas que falam sobre sofrer de amor, como me disse certa vez uma querida psicóloga: “Segure o coração! Não se deixe guiar pelo coração, o qual é sempre traiçoeiro. Ouça a fria razão!”. É como num filme de um casal vivido por Ethan Hawk e Gwyneth Paltrow, quando ela, uma moça rica, seduzia ele, um rapaz bem pobre, e só no fim do filme ele dá a ela uma proposta consistente, conquistando assim o difícil coração da moça esnobe, como é dito no filme Harry & Sally: “Só há dois tipos de mulher – baixo custo e alto custo”, no modo como há mulheres que se deixam guiar pela paixões, não ouvindo esta coisa maravilhosa que Deus nos deu, chamada CABEÇA. As flores aqui são uma casa aconchegante, com o frescor de flores de verdade, como uma certa senhora, numa casa sempre com flores frescas, num lar com vida e graça, como num lar alegre com crianças pequenas, as quase são uma bênção, no conceito cristão de que o Reino dos Céus é das criancinhas, as quais trazem, logo ao reencarnar, um residual do glorioso Plano Superior, no qual, fora da amizade e do amor, não há salvação, na vida infernal do sociopata, o qual não tem amigos, um sociopata que mente sempre, acabando rechaçado pela Sociedade, como no fim trágico de Mussolini, cercado pelo ódio das pessoas, como no filme Chá com Mussolini, num líder para lá de mentiroso, visando enganar tudo e todos, como uma mãe que exige que o filho não minta, nas sábias palavras da senhora minha mãe quando eu era pequeno: “A mentira tem pernas curtas!”. E só a paz é eterna, pois o ódio faz a pessoa sofrer, como certa vez com a supermodelo Naomi Campbell, a qual, cheia de ódio dentro de si, com uma grande arrogância, a qual precede a queda, cuspiu na cara de uma aeromoça, numa Naomi que foi processada, que teve que pagar indenização à aeromoça e que teve que prestar horas de serviço comunitário, como, por exemplo, varrer chão de prédios públicos, uma humilhação para uma das maiores estrelas da Moda Mundial, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? O azul perfeito ao fundo é um glorioso céu de brigadeiro, limpo, ensolarado, como na sombria cidade de Londres, na qual dias de Sol são minoria no calendário anual londrino, como na canção California Dreaming, num dia de inverno cinzento e sem vida, sonhando com o Sol majestoso do estado americano da cidade de Los Angeles, na sedução da terra do Cinema, da terra dos sonhos despedaçados, na gangorra da Vida, num Mel Gibson que já esteve no topo da cadeia alimentar de Hollywood, enterrando-se em meio a um filme em que culpa os judeus pela morte de Jesus, numa lei implícita na Meca do Cinema: Não mexa com os judeus! Aqui temos uma alegria e um colorido carnavalesco, numa festa vibrante de contagiante alegria, fazendo do exuberante carnaval carioca o maior espetáculo da Terra, com a herança afro dos tambores, num estilo musical tão brasileiro, na herança afro do atroz passado escravocrata, como na telenovela Sinhá Moça, mostrando tais horrores, em seres humanos jogados numa senzala como cães num canil, negros condenados a uma vida de cruel trabalho forçado, sofrendo duras punições de seu senhor, na ganância dos barões do café, no Anel do Poder, com milhões de brasileiros jogando na Loteria, na ilusão de que dinheiro traz felicidade, quando que, pelo contrário, podemos ser felizes com pouco.

 


Acima, Capitães. Em algumas de suas obras, Bartlett gosta de pessoas de costas para o espectador, remetendo ao famoso bumbum da cantora Gretchen, dançando de costas para o público, transgredindo a regra de que o performista nunca deve dar as costas ao público, numa senhora transgressora, já tendo feito filme pornô, no qual Gretchen está muito bonita, nua, dando para um cara, com o perdão do termo chulo, nas palavras da própria cantora em entrevista: “Aonde eu vou, as pessoas me amam!”, na questão de lidar com naturalidade em relação a sexo. O rapazinho aqui ainda não é homem feito, remetendo àqueles rapazes com corpo de homem feito, mas com cabeça de criança, no termo “gurizão”, como um colega que tive na faculdade, um rapaz com corpanzil de homem, mas jovem ainda, inclusive se deparando com uma professora para lá de dura, um rapaz severamente punido por tentar colar na prova, na sabedoria popular de que quem cola, não sai da escola! Foi um rapaz que percebeu que ainda tinha muito a aprender até ser adulto, na questão da pós adolescência, o período intermediário entre adolescência e vida adulta, chegando à idade de Cristo morto, na casa dos trinta, uma idade em que ainda somos jovens, mas já com maturidade, no termo “mulher balzaquiana”, uma mulher nem menininha, nem quarentona, como na idade da Mulhergato de Pfeiffer, com todo o vigor da juventude, mas não mais uma menininha, numa deusa que tanto preencheu tal papel, nesses deuses sacrossantos de Hollywood, simplesmente sumindo perante um papel, ao contrário do mau ator, o qual não nos deixa ver muito bem o personagem. Aqui é um doce momento de férias, no siso de se fechar a casa de praia e voltar para o siso das obrigações da cidade, da vida, do labor, do estudo, no modo como a vida não é só verão, remetendo a um certo senhor, o qual aprendeu que a vida não é só férias e oba-oba, aprendendo a lição de que a Vida cobra sério e, realmente, não dá para fugir, na figura do morador de Rua, uma pessoa que quer fugir da Vida, no modo como já vimos tantos astros e estrelas aparecendo e desaparecendo, numa lástima, artistas que simplesmente pararam de lutar, desaparecendo assim, na especialidade de Hollywood em fazer promessas que não acabam se cumprindo, na maldição que pode ser um Oscar, como na atriz Marisa Tomei, a qual, infelizmente, não soube sobreviver ao Oscar que ganhou ainda muito jovem, na noção taoista de que o sucesso é um problema, pois exige que tenhamos força para sobreviver e continuar tocando a Vida para a frente com humildade e pés no chão, na questão humilde de não deixar o sucesso subir à cabeça, na figura do metidinho, do arrogante, como um certo senhor, achando que se tornaria o chuá da sensualidade, seduzindo o Mundo inteirinho, sendo capa da revista People como o homem mais sexy do planeta, um senhor o qual, em arrogância, chamou-me de idiota; um senhor o qual, de tão microscópico, acha que é culpa do Mundo o fato deste senhor não ter obtido o sucesso tão almejado e sonhado. Aqui é um céu glorioso e limpo, na magia das férias na orla, na minha memória de lindas praias do estado de Santa Catarina, catando conchinhas na areia, andando de bicicleta com amiguinhos da vizinhança na paradisíaca praia de Jurerê, uma ilha a qual “hiberna” no inverno, com os rigorosos invernos do sul do Brasil, fazendo das estações climáticas o lembrete de que a Vida não e só doce verão. O mar aqui é tal estabilidade e tranquilidade, num lugar doce, como no fim do filme Contato, numa praia tão doce, no desejo de ficarmos para sempre ali, fugindo das durezas da vida na Terra, esta esfera tão dura, na qual trabalho não se pode parar, na ironia de que, no Plano Superior, segue imperando a necessidade de nos mantermos ocupados com algo nobre, no exemplo de Tao, sempre criando, deixando-nos perplexos com tal perfeição, fazendo de Tao o grande piadista, como já ouvi dizer que a gravidez e o parto são grandes piadas de Deus para com as mulheres! Aqui vislumbramos uma perspectiva, num empreendedor que olha longe, sem mediocridades.

 


Acima, Carrossel. Aqui temos um parque abandonado, como me disse um certo senhor o qual foi  passar um fim de semana na praia em pleno inverno, e disse que era deprimente, com aquela orla erma, fria, cinzenta, com um frio vento cortante, num terreno como o Umbral, onde estamos sem amigos, numa desolação, tão sem amigos, tão desamparado, como num estilo de vida de “lobo solitário”, sempre vagando sozinho pelas ruas de uma cidade, como uma certa senhora, a qual, ainda jovem, foi morar sozinha em outra cidade, sentindo-se tão desolada num domingo deprimente, solitário, tendo que consultar com um psiquiatra para amenizar tal sensação de abandono, num sentimento de vagar por uma cidade fantasma, abandonada, até o ponto da pessoa ter a humildade para pedir ajuda, como um sonho que tiver certa vez, quando eu estava triste e jogado numa poça de lama, e um espírito amigo veio, tirou-me dali e lavou a lama de mim, em irmãos que nos amam, sem nos julgar, como no filme espírita Nosso Lar, num homem que não mais suportava o Umbral, pedindo ajuda de irmãos, no poder revigorante de um bom banho, lavando as sujeiras do dia, do suor, da fuligem dos carros, remetendo ao traço cultural do salvadorenho, o qual toma dois banhos por dia – um no início; outro no fim, na monstruosa demanda de água na cidade de Salvador, numa terra tão gostosa, de calor suportável, muito longe dos verões do Rio, de Cuiabá e da fronteira oeste do RS, com termômetros chegando ao 40 graus, algo que jamais acontece em Salvador. O carrossel é o ciclo da Vida, como no ciclo de um curso superior, na necessidade de nos formarmos e encerrarmos o que começamos, no grande erro que cometi ao ter largado meus estudos na PUCRS nos anos 1990, um erro que tanta desgraça deu a mim, tendo eu, posteriormente, voltado atrás e reentrando na faculdade para, finalmente, formar-se, remetendo a uma querida amiga já falecida, a qual sempre me perguntava quando nos encontrávamos: “E aí? Formaste-te?”, numa amiga da qual JAMAIS vou me esquecer, na imortalidade dos vínculos de amor e amizade, fazendo dos amigos o ouro da Vida, como eu nesses dias na Rua, abraçando carinhosamente uma amiga, no consolo caloroso de um sincero abraço. É como nossos queridos avós que nos esperam lá em cima, como minha bisavó, a qual sempre me ilumina, mesmo não tendo me conhecido na Terra, no mesmo amor que minha mãe terá pelo filho de meu sobrinho, na imortalidade dos vínculos de família, com todas as desavenças sendo encerradas, com laços reatados, fazendo das famílias mundanas de realeza a metáfora para entendermos tal plano atemporal que paira acima de nós, num plano belo, fino e onírico, sem a passagem do tempo, fazendo das tradições tal sensação de que o tempo não passa, como escolher de dois em dois anos uma rainha para a Festa da Uva, numa soberana que não envelhece, regendo-nos com amor e paz lá em cima. A luz aqui está num limiar, e não sabemos se o dia começa ou acaba, como nas deusas élficas de Tolkien, com a Arwen morena sendo a estrela vespertina e a Galadriel loira sendo a estrela matutina, na beleza da Terra da Estrela da Manhã, um plano tão belo, o Éden para os que gostam de se manter nobremente ocupados, no conselho que sempre dou a meus entes desencarnados: Trabalhe ou estude! Aqui é uma candura infantil, como na candura dos traços de Basquiat, numa simplicidade de criança, a qual se contenta com pouco, nas brincadeiras de faz de conta, em seriados tão populares como Chaves, numa época em que a Vida é mais simples, com amizades puras e inocentes. O cavalinhos são o galgar do tempo, no título da canção Tempo tempo tempo tempo, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, sendo a verdade a filha do tempo, no subjetivo que acaba se revelando objetivo. O giro do carrossel são os ciclos da Vida, na estações indo e vindo, no homem de Tao observando as estações respirando e pulsando, observando que as folhas em árvores começam a cair no outono. Podemos ouvir a doce música de parque de diversões, num momento em que voltamos a ser crianças.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.