quarta-feira, 18 de março de 2026

Bom Bo (Parte 22 de 28)

 

 

Falo pela vigésima segunda vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Bote salvavidas. Aqui é um esforço e um empreendimento, como uma pessoa regendo um negócio, no sisudo fato de que quem não tem competência, não se estabelece, como uma certa pessoa, a qual regeu por dez anos o próprio negócio, sendo patrão de si mesmo, mas acabou fracassando, pois era um workaholic de marca maior, sem dignidade ou respeito por si mesmo, fracassando e tendo que fechar as portas de tal empresa, tendo que peregrinar pela cidade para arranjar um emprego e voltar a ficar submetido a um patrão, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? É no aspecto da arrogância preceder a queda, como um certo publicitário, o qual se achava dono e senhor da Festa da Uva de Caxias, um senhor que acabou aprendendo que não era bem assim, pois a Festa é uma manifestação de cultura popular brasileira, pertencendo, assim, ao povo caxiense, num engajamento comunitário. O rapaz aqui é jovem e forte, remetendo a esses rapazes fortes, jovens e sadios, jogados numa calçada pedindo dinheiro, na recomendação de assistentes sociais – não dê esmola, pois esta não ajuda, só atrapalha. Não negue pão para quem tem fome; não negue água para quem tem sede; negue esmola. Aqui é um desafio e até um perigo, em surfistas corajosos que pegam ondas monstruosas, numa prova de coragem, remetendo ao cagão, com o perdão do termo chulo, a pessoa que se borra toda nas calças na hora de erguer a cabeça e tratar de ser feliz, na recompensa ao destemido, ao corajoso, que enfrenta obstáculos heroicamente, desafiando o Mundo e obtendo reconhecimento por tal altivez olímpica. Aqui é um quadro de solidão, na metáfora do Anel do Poder, de Tolkien, o qual confere desoladora solidão ao portador de tal maldito anel de poder, na metáfora dos homens gananciosos, que querem poder acima de tudo, na crítica de uma certa parlamentar em Brasília, criticando os homens que querem o poder pelo poder, e não para usar de forma sábia tal poder, como um certo sociopata que conheci no colégio, um verme imoral e sádico, malicioso, desprezível, um sociopata que roubava canetas de luxo só para tê-las, e não para usá-las de forma pertinente, na sina do mentiroso, o qual acaba “enterrado como um cachorro”, sem o amor do Mundo, sem o respeito do Mundo, no natural mecanismo da Sociedade de acabar rejeitando tais mentirosos. Este quadro tem a maestria de Bartlett, e tem um movimento, um ritmo, como no romance clássico Moby Dick, um livro que chega a um ponto em que nos sentimos ondulando dentro do barco em alto mar, na liquidiscência e na fluidez de grandes inteligências, num ritmo cardíaco de tambores, como já ouvi que a Vida é o nervo da Arte, no mistério da Vida e no mistério da Arte, numa Arte que nos faz tão humanos, como eu já disse: Arte é uma questão de saúde mental; Arte é o que há de importante – o que seria de nós sem a Música, por exemplo? O rapaz aqui está ocupado demais para nos olhar, e está empenhado em ver e sentir as ondas. O rapaz aqui, em tal responsabilidade, deixa de ser menino para ser homem, como no filmão O Império do Sol, com o grande ator Christian Bale, que interpreta um menino que, na II Guerra Mundial, começa tudo criança e acaba homem, no inevitável crescimento da pessoa, como a animação Mulan, na menina que parte em busca de um processo de identidade, num artista que quer saber quem ele mesmo é, em carreiras longevas, em artistas que alcançam tal prestígio e tal respeito, em artistas respeitados como a cantora Alcione, entrando nos lares das pessoas, nesse grande filão no Brasil que são os gêneros samba, pagode e sertanejo, em climas de devoção popular a gigantes como o cantor Leonardo, nesses homens simples, do povo, num rei carismático, o qual nunca vai se opor ao próprio povo, na sabedoria do homem de Tao, jamais recomendando violência; jamais indo para guerras, em homens corretos como Obama, mas firme ao ponto de ordenar a  execução oficial de Bin Laden, na recomendação taoista: As execuções têm que ser oficiais, pois, do contrário, você só irá sujar de sangue suas próprias mãos! Aqui é um quadro de incerteza, como no filmão Dúvida, numa freira em dúvida se um certo padre é inocente ou um pedófilo amoral, remetendo  a um certo sociopata, o qual foi à Tailândia para fazer turismo sexual, numa vida girando em torno de sexo – é um horror.

 


Acima, Cachorro perdido. Aqui é um sintoma do transtorno borderline, num sentimento de abandono, como um certo senhor, sempre no limite, sempre em campos perigosos, um senhor esotérico, que disse que, ao fazer um regresso de encarnações passadas, disse que fora um jovem que fora abandonado pela própria família, num sentimento de desolação, quando na verdade se trata de um sintoma border, um senhor para o qual há uma simples recomendação – tome remédio, pois há medicação para border, como pessoas com distúrbios psiquiátricos, as quais têm a sorte de viver numa época em que há medicamentos, ao contrário de antigamente, sem remédios, estendendo enormemente o tempo de internação psiquiátrica, pessoas que não podem ficar sem o remédio, nessas maravilhas inventadas pela Ciência, como uma certa senhora que morreu bem idosa, uma senhora a qual, em sua juventude, não havia medicamentos, numa época em que traços de doenças psíquicas eram confundidos com traços de personalidade, falando de uma pessoa depressiva: “O Fulano? O Fulano é assim mesmo, melancólico. É o jeito dele!”. É como no filmão Garota Interrompida, passado nos EUA dos anos 1960, com a personagem psicótica de Angelina Jolie, havia anos internada numa clínica, com as drogas atuais abreviando enormemente o tempo de internação. O cachorro aqui está jogado à própria sorte, rejeitado pelo dono, como um certo rapaz, o qual se desinteressou pelo próprio cachorro, doando este a um casal de amigos, na trabalheira que é ter um bicho: comprar ração, trocar a água do pote, vacinar, mandar tosar e banhar e medicar em caso de doença, num ponto em que tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, assim, cobrir meu bicho dos cuidados necessários – não é tão simples assim: “Terei um bicho!”. Aqui são cachorros viralatas, de rua, no sangue forte do cão mestiço, suportando frio, fome e sede, ao contrário do glamoroso cão de pedigree, de raça definida, um animal geneticamente debilitado, frágil, como um cocker spaniel que tive, o qual, ao pegar uma virose, ficou cego e perdeu os movimentos da metade traseira do corpo, e tive que mandar sacrificar o bicho para este parar de sofrer, e eu chorei quando o cão morreu, na capacidade humana de se apegar ao bicho, em pessoas que amam tanto os bichos que se tornam veterinários, como uma amiga minha solteirona, vivendo com dois cães, os quais são fiéis companheiros, como no filme Um Vagabundo na Alta Roda, num mendigo que tenta se matar ao ser abandonado pelo próprio cão, como já ouvi dizer: “Às vezes, tudo o que resta na vida de um homem é seu cão”. O cão aqui não entende o que está acontecendo, sem a noção de que terá que se esforçar para se manter alimentando, na atitude amorosa de certas pessoas de colocar na calçada potes com ração, em caso de passar por ali um cão esfomeado, na desoladora imagem de cães que se perderam de seus donos nas recentes trágicas enchentes no RS, como na família de minha tia, com eles adotando um cão que se perdera da família na enchente, num ato de amor e zelo, remetendo à imagem do santo padroeiro dos animais, e em casos de acumuladores compulsivos, obcecados em ter bichos, colecionado vários cães ou gatos, muitas vezes numa casa insalubre, perigosa para a saúde do dono ou dos bichos, como vi certa vez na TV uma casa de uma senhora que tinha muitos gatos dentro de casa, animais com doenças por causa de tal insalubridade do ambiente, descobrindo até um esqueleto de gato atrás de um armário, um bicho que morreu e apodreceu, mas num fedor que não fora detectado pela dona, tal o cheiro forte e podre predominante em tal ambiente. O cão desolado aqui remete a um rapaz paupérrimo que conheci, um menino que foi abandonado pelos próprios pais, crescendo num orfanato, vindo ao Mundo sem qualquer noção de suas raízes, nesses espíritos corajosos, os quais reencarnam num contexto dificílimo, duro, crescendo, assim, enormemente como espírito, desencarnando e cumprindo tal árdua missão na Terra.

 


Acima, Canção da sereia. Aqui é a magia das sereias, seduzindo os marinheiros, como num filme da franquia Piratas do Caribe, num aspecto misógino condenando Eva, com sereias que eram, na verdade, diabólicas, no modo social misógino de desmerecer a mulher, como nessas cantadas agressivas dirigidas a mulheres na Rua, as quais se sentem um lixo ao sofrerem tais cantadas machistas, no mesmo erro crasso de crer que a mulher gosta de ser estuprada, sentindo-se, assim, sexy e atraente, remetendo ao lema coloquial: “Respeita as mina!”. A nudez é tal vínculo com a natureza, na deliciosa sensação de se nadar nu no mar, no conforto uterino sem qualquer malícia, na nudez inocente, no modo como o grego antigo lidava com naturalidade com a nudez, ao contrário da culpa católica, num momento de Renascença em que a nudez veio à Europa, nesses sopros de renovação, no novo que sempre vem, como no frescor primaveril da Vênus de Botticelli, tímida em sua simplicidade nua, no olor de mar, na sedução de liberdade do mar, na mãe Iemanjá abençoando as redes dos pescadores, na fartura de reinos ricos, de países ricos como o Canadá, o qual, por ser tão limpo, belo, apolíneo e bem administrado, faz com que cidades desenvolvidas como Nova York pareçam terceiro mundo! A nudez aqui é tímida, talvez num medo de se revelar e de se expor, remetendo às aulas de nu artístico em escolas de Arte, lidando com naturalidade com o nu, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo inventou? É como na inocência do Éden antes do advento da serpente da malícia, com Adão e Eva cobrindo seus respectivos sexos, em relação a algo que é natural, que é a sexualidade, nos esforços científicos de Psicoterapia, ensinando-nos a lidar sem culpa em relação a sexo, como uma querida professora freira que tive, a qual dava aulas de Educação Sexual exatamente para aniquilar a malícia do jovem em relação a sexo, como nas tribos indígenas, com os casais copulando na frente de todo os outros membros da tribo, não compreendendo a imagem de Nossa Senhora esmagando a serpente com seus alvos e puros pés. Aqui, a nudez traz tal liberdade, na inocência de uma praia de nudismo, na qual nossos corpos naturais se mesclam à natureza, na sensação de nossos pés descalços banhados pelas ondinhas na beirinha, na alegria da criançada em castelos de areia, como me perguntou um certo professor meu de faculdade: “Por que será que praia é algo tão gostoso?”. As rochas são a resistência, como escravos africanos em culturas de resistência, como a capoeira e o candomblé, trazendo os orixás africanos, numa mescla sincrética com catolicismo, remetendo a um certo senhor padre, o qual foi expulso da ordem ao tentar, com a melhor das intenções, fazer um sincretismo no altar na hora da missa, recebendo expressas advertências: “Atenha-se à discrição de um sacerdote católico apostólico romano!”, num senhor de espírito jovial, moderno, ousado, resultando em senhores tão adoráveis como o Papa Francisco, um homem cheio de simplicidade, sendo, assim, o Papa do Povo. A mulher aqui está tímida, e não mostra o rosto, numa culpa, remetendo ao livro Sex de Madonna, com a tal popstar mostrando o próprio lindo corpo, num livro de bom gosto, no qual tudo são insinuações, num livro o qual, definitivamente, não é pornô, mas um “macarrão” apimentado e vibrante, nas batidas do coração de um ritmo contagiante de carnaval. Aqui ouvimos o som do mar, numa canção de ninar, num acalento, no mito de Nossa Senhora que serve para nos fazer entender que somos todos frutos de Imaculada Conceição, e que temos a Eternidade à nossa frente, nesse poder do infinito, no qual jamais findaremos – é muito poder! A pedra é a firmeza, numa vida centrada e organizada, numa pessoa com siso, seriedade, mesmo tendo, em meio a isso, um necessário senso de humor, num talento de palhaço e piadista, na capacidade humana em rir de si mesmo, como assistir a uma boa comédia, num talento de palhaço, fazendo da ironia algo que nos faz tão humanos e únicos.

 


Acima, Canção de amor para apaixonado. As flores são a Vida, a genitália das plantas, no ato do apaixonado de presentear o amor de sua vida, nos versos de uma certa canção pop: “Flores lindas são o caminho par ao seu coração, mas seu amado precisa começar com a sua cabeça!”. É como no filme As Pontes de Madison, num homem que seduz uma mulher, mas não dá a esta uma proposta consistente, e, no fim da película, ela acaba chutando ele, mesmo isso doendo no coração dela, fazendo a coisa certa, que é se guiar pela fria razão, poupando, assim, o coração de sofrer, como certa vez conheci uma pessoa, a qual vivia sempre na sofrência, deixando-se guiar pelo coração e não pela mente, levando uma vida muito árdua e sofrida, adorando canções sertanejas que falam sobre sofrer de amor, como me disse certa vez uma querida psicóloga: “Segure o coração! Não se deixe guiar pelo coração, o qual é sempre traiçoeiro. Ouça a fria razão!”. É como num filme de um casal vivido por Ethan Hawk e Gwyneth Paltrow, quando ela, uma moça rica, seduzia ele, um rapaz bem pobre, e só no fim do filme ele dá a ela uma proposta consistente, conquistando assim o difícil coração da moça esnobe, como é dito no filme Harry & Sally: “Só há dois tipos de mulher – baixo custo e alto custo”, no modo como há mulheres que se deixam guiar pela paixões, não ouvindo esta coisa maravilhosa que Deus nos deu, chamada CABEÇA. As flores aqui são uma casa aconchegante, com o frescor de flores de verdade, como uma certa senhora, numa casa sempre com flores frescas, num lar com vida e graça, como num lar alegre com crianças pequenas, as quase são uma bênção, no conceito cristão de que o Reino dos Céus é das criancinhas, as quais trazem, logo ao reencarnar, um residual do glorioso Plano Superior, no qual, fora da amizade e do amor, não há salvação, na vida infernal do sociopata, o qual não tem amigos, um sociopata que mente sempre, acabando rechaçado pela Sociedade, como no fim trágico de Mussolini, cercado pelo ódio das pessoas, como no filme Chá com Mussolini, num líder para lá de mentiroso, visando enganar tudo e todos, como uma mãe que exige que o filho não minta, nas sábias palavras da senhora minha mãe quando eu era pequeno: “A mentira tem pernas curtas!”. E só a paz é eterna, pois o ódio faz a pessoa sofrer, como certa vez com a supermodelo Naomi Campbell, a qual, cheia de ódio dentro de si, com uma grande arrogância, a qual precede a queda, cuspiu na cara de uma aeromoça, numa Naomi que foi processada, que teve que pagar indenização à aeromoça e que teve que prestar horas de serviço comunitário, como, por exemplo, varrer chão de prédios públicos, uma humilhação para uma das maiores estrelas da Moda Mundial, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? O azul perfeito ao fundo é um glorioso céu de brigadeiro, limpo, ensolarado, como na sombria cidade de Londres, na qual dias de Sol são minoria no calendário anual londrino, como na canção California Dreaming, num dia de inverno cinzento e sem vida, sonhando com o Sol majestoso do estado americano da cidade de Los Angeles, na sedução da terra do Cinema, da terra dos sonhos despedaçados, na gangorra da Vida, num Mel Gibson que já esteve no topo da cadeia alimentar de Hollywood, enterrando-se em meio a um filme em que culpa os judeus pela morte de Jesus, numa lei implícita na Meca do Cinema: Não mexa com os judeus! Aqui temos uma alegria e um colorido carnavalesco, numa festa vibrante de contagiante alegria, fazendo do exuberante carnaval carioca o maior espetáculo da Terra, com a herança afro dos tambores, num estilo musical tão brasileiro, na herança afro do atroz passado escravocrata, como na telenovela Sinhá Moça, mostrando tais horrores, em seres humanos jogados numa senzala como cães num canil, negros condenados a uma vida de cruel trabalho forçado, sofrendo duras punições de seu senhor, na ganância dos barões do café, no Anel do Poder, com milhões de brasileiros jogando na Loteria, na ilusão de que dinheiro traz felicidade, quando que, pelo contrário, podemos ser felizes com pouco.

 


Acima, Capitães. Em algumas de suas obras, Bartlett gosta de pessoas de costas para o espectador, remetendo ao famoso bumbum da cantora Gretchen, dançando de costas para o público, transgredindo a regra de que o performista nunca deve dar as costas ao público, numa senhora transgressora, já tendo feito filme pornô, no qual Gretchen está muito bonita, nua, dando para um cara, com o perdão do termo chulo, nas palavras da própria cantora em entrevista: “Aonde eu vou, as pessoas me amam!”, na questão de lidar com naturalidade em relação a sexo. O rapazinho aqui ainda não é homem feito, remetendo àqueles rapazes com corpo de homem feito, mas com cabeça de criança, no termo “gurizão”, como um colega que tive na faculdade, um rapaz com corpanzil de homem, mas jovem ainda, inclusive se deparando com uma professora para lá de dura, um rapaz severamente punido por tentar colar na prova, na sabedoria popular de que quem cola, não sai da escola! Foi um rapaz que percebeu que ainda tinha muito a aprender até ser adulto, na questão da pós adolescência, o período intermediário entre adolescência e vida adulta, chegando à idade de Cristo morto, na casa dos trinta, uma idade em que ainda somos jovens, mas já com maturidade, no termo “mulher balzaquiana”, uma mulher nem menininha, nem quarentona, como na idade da Mulhergato de Pfeiffer, com todo o vigor da juventude, mas não mais uma menininha, numa deusa que tanto preencheu tal papel, nesses deuses sacrossantos de Hollywood, simplesmente sumindo perante um papel, ao contrário do mau ator, o qual não nos deixa ver muito bem o personagem. Aqui é um doce momento de férias, no siso de se fechar a casa de praia e voltar para o siso das obrigações da cidade, da vida, do labor, do estudo, no modo como a vida não é só verão, remetendo a um certo senhor, o qual aprendeu que a vida não é só férias e oba-oba, aprendendo a lição de que a Vida cobra sério e, realmente, não dá para fugir, na figura do morador de Rua, uma pessoa que quer fugir da Vida, no modo como já vimos tantos astros e estrelas aparecendo e desaparecendo, numa lástima, artistas que simplesmente pararam de lutar, desaparecendo assim, na especialidade de Hollywood em fazer promessas que não acabam se cumprindo, na maldição que pode ser um Oscar, como na atriz Marisa Tomei, a qual, infelizmente, não soube sobreviver ao Oscar que ganhou ainda muito jovem, na noção taoista de que o sucesso é um problema, pois exige que tenhamos força para sobreviver e continuar tocando a Vida para a frente com humildade e pés no chão, na questão humilde de não deixar o sucesso subir à cabeça, na figura do metidinho, do arrogante, como um certo senhor, achando que se tornaria o chuá da sensualidade, seduzindo o Mundo inteirinho, sendo capa da revista People como o homem mais sexy do planeta, um senhor o qual, em arrogância, chamou-me de idiota; um senhor o qual, de tão microscópico, acha que é culpa do Mundo o fato deste senhor não ter obtido o sucesso tão almejado e sonhado. Aqui é um céu glorioso e limpo, na magia das férias na orla, na minha memória de lindas praias do estado de Santa Catarina, catando conchinhas na areia, andando de bicicleta com amiguinhos da vizinhança na paradisíaca praia de Jurerê, uma ilha a qual “hiberna” no inverno, com os rigorosos invernos do sul do Brasil, fazendo das estações climáticas o lembrete de que a Vida não e só doce verão. O mar aqui é tal estabilidade e tranquilidade, num lugar doce, como no fim do filme Contato, numa praia tão doce, no desejo de ficarmos para sempre ali, fugindo das durezas da vida na Terra, esta esfera tão dura, na qual trabalho não se pode parar, na ironia de que, no Plano Superior, segue imperando a necessidade de nos mantermos ocupados com algo nobre, no exemplo de Tao, sempre criando, deixando-nos perplexos com tal perfeição, fazendo de Tao o grande piadista, como já ouvi dizer que a gravidez e o parto são grandes piadas de Deus para com as mulheres! Aqui vislumbramos uma perspectiva, num empreendedor que olha longe, sem mediocridades.

 


Acima, Carrossel. Aqui temos um parque abandonado, como me disse um certo senhor o qual foi  passar um fim de semana na praia em pleno inverno, e disse que era deprimente, com aquela orla erma, fria, cinzenta, com um frio vento cortante, num terreno como o Umbral, onde estamos sem amigos, numa desolação, tão sem amigos, tão desamparado, como num estilo de vida de “lobo solitário”, sempre vagando sozinho pelas ruas de uma cidade, como uma certa senhora, a qual, ainda jovem, foi morar sozinha em outra cidade, sentindo-se tão desolada num domingo deprimente, solitário, tendo que consultar com um psiquiatra para amenizar tal sensação de abandono, num sentimento de vagar por uma cidade fantasma, abandonada, até o ponto da pessoa ter a humildade para pedir ajuda, como um sonho que tiver certa vez, quando eu estava triste e jogado numa poça de lama, e um espírito amigo veio, tirou-me dali e lavou a lama de mim, em irmãos que nos amam, sem nos julgar, como no filme espírita Nosso Lar, num homem que não mais suportava o Umbral, pedindo ajuda de irmãos, no poder revigorante de um bom banho, lavando as sujeiras do dia, do suor, da fuligem dos carros, remetendo ao traço cultural do salvadorenho, o qual toma dois banhos por dia – um no início; outro no fim, na monstruosa demanda de água na cidade de Salvador, numa terra tão gostosa, de calor suportável, muito longe dos verões do Rio, de Cuiabá e da fronteira oeste do RS, com termômetros chegando ao 40 graus, algo que jamais acontece em Salvador. O carrossel é o ciclo da Vida, como no ciclo de um curso superior, na necessidade de nos formarmos e encerrarmos o que começamos, no grande erro que cometi ao ter largado meus estudos na PUCRS nos anos 1990, um erro que tanta desgraça deu a mim, tendo eu, posteriormente, voltado atrás e reentrando na faculdade para, finalmente, formar-se, remetendo a uma querida amiga já falecida, a qual sempre me perguntava quando nos encontrávamos: “E aí? Formaste-te?”, numa amiga da qual JAMAIS vou me esquecer, na imortalidade dos vínculos de amor e amizade, fazendo dos amigos o ouro da Vida, como eu nesses dias na Rua, abraçando carinhosamente uma amiga, no consolo caloroso de um sincero abraço. É como nossos queridos avós que nos esperam lá em cima, como minha bisavó, a qual sempre me ilumina, mesmo não tendo me conhecido na Terra, no mesmo amor que minha mãe terá pelo filho de meu sobrinho, na imortalidade dos vínculos de família, com todas as desavenças sendo encerradas, com laços reatados, fazendo das famílias mundanas de realeza a metáfora para entendermos tal plano atemporal que paira acima de nós, num plano belo, fino e onírico, sem a passagem do tempo, fazendo das tradições tal sensação de que o tempo não passa, como escolher de dois em dois anos uma rainha para a Festa da Uva, numa soberana que não envelhece, regendo-nos com amor e paz lá em cima. A luz aqui está num limiar, e não sabemos se o dia começa ou acaba, como nas deusas élficas de Tolkien, com a Arwen morena sendo a estrela vespertina e a Galadriel loira sendo a estrela matutina, na beleza da Terra da Estrela da Manhã, um plano tão belo, o Éden para os que gostam de se manter nobremente ocupados, no conselho que sempre dou a meus entes desencarnados: Trabalhe ou estude! Aqui é uma candura infantil, como na candura dos traços de Basquiat, numa simplicidade de criança, a qual se contenta com pouco, nas brincadeiras de faz de conta, em seriados tão populares como Chaves, numa época em que a Vida é mais simples, com amizades puras e inocentes. O cavalinhos são o galgar do tempo, no título da canção Tempo tempo tempo tempo, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, sendo a verdade a filha do tempo, no subjetivo que acaba se revelando objetivo. O giro do carrossel são os ciclos da Vida, na estações indo e vindo, no homem de Tao observando as estações respirando e pulsando, observando que as folhas em árvores começam a cair no outono. Podemos ouvir a doce música de parque de diversões, num momento em que voltamos a ser crianças.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Bom Bo (Parte 21 de 28)

 

 

Falo pela vigésima primeira vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Cena de multidão. A cruz é tal símbolo poderoso, na noção taoista de que forte é fraco e de que fraco é forte, ou seja, torna-se fortíssima a fraqueza e a vulnerabilidade de Jesus no Calvário, humilhado, maltratado, agredido, fraco, tornando-se, assim, forte, numa imagem indelével, ao ponto de perguntar: “Senhor, por que me abandonaste?”. Já falei de Jesus no meu blog anterior, o Blog desde 2015 por Gonçalo Mascia – é só digitar “Superstar Jesus” no search. A fita de isolamento é o respeito às regras da vida em sociedade, com limites a serem respeitados, no modo social de punir severamente os que mentem, sendo estas pessoas que acabam enterradas como um cachorro, como no fim da vida de Mussolini, odiado, execrado, como a vilã Raposa de Jade em O Tigre e o Dragão, totalmente rechaçada pelo Mundo, no fim de vida trágico de um sociopata, o qual nenhuma falta fará em nossas vidas – bem pelo contrário. O guarda é a autoridade que tem que ser respeitada, num policial que pode nos prender por desacato, num poder que o policial tem, no civilizado ato de cumprimentar na Rua os PMs, que são pessoas que vivem dentro da lei, ao contrário daqueles que foram exemplarmente excluídos da corporação, pessoas que, definitivamente, extrapolaram limites, como um certo senhor, expulso pela corporação, pois uma coisa é perder o emprego; outra é perder o direito de exercer a profissão, num homem humilhado, que teve que recomeçar do zero e ter o ENORME trabalho de reconstrução de uma vida, nos versos da famosa canção: “Começar de novo!”. A menina de vestido floreado é a delicadeza perfumada de feminilidade, no ato de autoestima de se perfumar, no fascínio das fragrâncias, as quais são meras “molduras”, pois um perfume só surtirá efeito se usado por uma pessoa fina, que tenha um comportamento polido e civilizado, com apuro moral, pois se um sociopata usar perfume, este perfume vai se revelar ruim, por mais caro que seja financeiramente – se a “pintura” é ruim, não há moldura que a salve; quando um álbum é ruim, não há capa que o salve. Aqui as pessoas assistem atônitas numa cena de crime, em crimes tão cruéis, promovidos por pessoas que zombam da Vida, da vida das pessoas, da vida em sociedade, no modo como um sociopata pode ter tal impecável aparência, enganado, assim, muitas pessoas, como vi certa vez na Rua um rapaz com tornozeleira eletrônica, um rapaz de boa aparência, acima de qualquer suspeita, com barba feita, cabelo cortado e roupa boa, na sabedoria popular de que as aparências podem enganar muito, manipulando, assim, os outros, como uma certa sociopata me abordando na Rua, querendo que eu caísse em suas ardilosas teias, como uma inocente mosquinha desavisada, num sádico que precisa de masoquistas. O menininho de camisa listrada remete ao personagem dos livros de Onde está Wally?, desafiando nossa atenção, fazendo-nos adivinhar onde Wally está, em imagens cheias de pistas falsas, como num livro de Agatha Christie, enganado o leitor, sendo raros os leitores que adivinham, antes do fim, quem é o assassino, em letras que desafiam nossas mentes, num jogo de inteligência. Neste grupo de cidadãos, há brancos e negros, na diversidade dos EUA, nos avanços culturais de haver um presidente negro, num Obama impecável, pacífico, cordial, cordato, civilizado, mas com o pulso firme de mandar executar oficialmente Osama Bin Laden, num homem firme, mas carismático em sua simplicidade, no homem de Tao, simples, tomando o mesmo tipo de café do que o de seus súditos, num rei próximo do povo, com simplicidade, no modo como amar um homem de Tao é confiar em tal homem correto, amoroso e simpático, um homem que jamais recomendará o uso da força, ao contrário de um Trump belicoso, reprovado por muitos cidadãos americanos, no modo como não devemos ter pena de um povo que recolocou tal homem na Casa Branca. As algemas na cintura do policial são tal prisão, no modo como a encarnação é uma cela, uma prisão, e tudo reside no que desejamos fazer de nossos dias de cárcere na Terra – uns levam uma vida nobre, produtiva; outros, nem tanto, como um mendigo jogado numa calçada, querendo, assim, fugir da Vida e da luta pela Vida. Aqui é algo atraindo atenção e causando comoção, como um escândalo estourando, como no adultério de Bill Clinton.

 


Acima, Comunidade. Aqui é o básico civilizatório de ter higiene, remetendo a um certo colega meu de faculdade, o qual definitivamente, não tinha o hábito de tomar banhos diários, pois o rapaz tinha um cheiro de queijo, e de que adianta eu usar uma roupa limpa se meu corpo fede? Não deixa de ser engraçado, numa pessoa que somente se banha nas quartas feiras e domingos! Aqui são como rituais de renovação, como um espírito desencarnado, no sujo Umbral, resgatado por um espírito irmão amigo, levado para um banheiro ensolarado para tomar um glorioso banho, nessa renovação tão prazerosa, numa pessoa que, em tal banho, volta ao status de ser civilizado, remetendo ao estado da Bahia, um país à parte, numa região em que o padrão cultural é dois banhos diários, quiçá três, ao contrário do região sul do Brasil, estados em que, talvez por uma questão climática de temperaturas, o padrão cultural é um único banho ao dia. A moça está alheia a nós, reservada, tímida, como uma celebridade tentando passear por lugares públicos, como uma Gisele, uma pessoa tão midiatizada e celebrizada, tendo que se disfarçar para caminhar no Parcão em Porto Alegre, como vi certa vez o assédio num shopping ao discretíssimo Luis Fernando Veríssimo, que Deus o tenha, meu escritor preferido, o qual se expressava com tanta clareza, na noção de da Vinci de que a simplicidade e a clareza são os mais elevados graus de sofisticação, como nas pinturas do grande Botticelli, com tudo revelado com clareza, no poder da luz, no continuum entre luz, luxo e leveza, na Dimensão Metafísica onde tudo é claro, num lugar em que a pessoa, para se feliz, tem que ou trabalhar, ou estudar, no conselho que dou, por telepatia, a meus entes queridos lá em cima: Faça algo de bom; produtivo! É um lugar maravilhoso, no qual não há falta de emprego ou de instituições de estudo. A bacia é o receptáculo feminino, como a jarra do espelho de Galadriel, de Tolkien, fazendo do espelho tal símbolo de feminilidade, em mulheres arrumadas, com autoestima, sejam moças ou idosas, remetendo à mulher homossexual, a qual odeia usar maquiagem, e temos que respeitar tal gosto, tal orientação, na questão entre homem e mulher: Quando ambos voltam de uma festa, ele só tem que se atirar na cama; já, ela tem que tirar a maquiagem antes – como é duro ser mulher! Os banheiros com encanamento e vias de esgoto tão tal marcos civilizatórios, na facilitação dos hábitos de higiene, remetendo a épocas em que não havia tal estrutura sanitária, como em castelos medievais, como o xixi e o cocô feitos em tubulações, as quais, provavelmente, eram extremamente fétidas, remetendo a épocas em que as mulheres, em seus vestidos, sofriam para fazer tal ato fisiológico, como nos vestidos da corte de Versalhes, pouco antes da revolução que trouxe a nós a Idade Contemporânea, num sangrento golpe de estado, numa Maria Antonieta decapitada, no empenho humano em ser o mais violento e brutal possível, num Ser Humano que ignora o conceito de amizade, de ser amigo, de respeitar as diferenças, na novidade trazida por Jesus, fazendo de Deus não um pai duro e desconfiado, mas um grande amigo, na página da Eternidade na qual escrevemos nossa história, no imensurável poder da Eternidade, no fato de que jamais findaremos – não é maravilhoso e inconcebível? Podemos ouvir aqui a água correndo e gotejando, no poder da fluidez e do ritmo, no papel da Arte, que é abraçar a Vida, o mistério da Vida, nas batidas de tambores africanos imitando os pulsos cardíacos, no mistério: O que faz o coração bater? De onde vem a Vida? O que é a Vida? A Vida é como a Arte – um mistério, numa Arte que nunca cessa, no poder da Arte em mexer com nossas mentes, como um filme causando comoção mundial, como na mensagem antiburguesa de Titanic. Aqui é o impacto do uso de glicerina na civilização, no prazer de se sair de casa de manhã com o cabelo recém lavado, cheiroso, úmido, na sensualidade da mulher brasileira, no modo como poder ser desinteressante uma pessoa que não toma banho, como um infeliz morador de Rua.

 


Acima, Cordeiro. Aqui é uma sustentação, um apoio, um acolhimento, como corajosos bombeiros resgatando vítimas, num ato tão heroico como doar órgãos, numa fábula: Um homem ao caminhar, percebeu que era seguido por Deus, com as pegadas deste junto às pegadas do homem, e, ao homem se sentir mal, observou que só havia marcas de uma só pegada, e perguntou a Deus porque este o abandonara, e este lhe disse que só havia marcas de uma pegada apenas porque, nesse momento, Deus carregava tal homem nos braços, na esperança de que há alguém que nos ama muito, no mito de Nossa Senhora, na nossa mãe divina, no Útero Sacrossanto que nos criou de forma imaculada e perfeita, pois somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, na suprema felicidade dos espíritos evoluídos, de impecável apuro moral, contra a total falta de apuro moral de Hitler, trazendo tanta maldade ao Mundo, causando sofrimento e mortes em massa, em espíritos odiosos, num Hitler que até hoje é ídolo de outros sociopatas – é um horror. Aqui é um bicho sacrificado para um jantar, enfurecendo os veganos, pessoas que, por exemplo, não usam produtos que foram testados em animais, num posicionamento que vai além da culinária. Aqui é como sacrificar um porco, com quase todas as partes do corpo aproveitadas para fins alimentares, num bom salame salgadinho, como um certo senhor, cardiopata na terceira idade, comendo, escondido no supermercado, o delicioso salame que tinha sido vetado pelo médicos de tal senhor, fazendo do comer um dos maiores prazeres do Mundo, no modo como há, no Plano Superior, confeitarias maravilhosas, no gostoso pecadinho capital da Gula, como presentear uma pessoa com chocolate, como mágicos ovos coloridos de Páscoa, no zelo da senhora minha mãe, confeccionando, para mim e minha irmã, cestos com ovos coloridos e deliciosos, em épocas doces de infância, numa época em que a vida é mais simples, na criança que se contenta com pouco, em eternos “faz de conta”, longe dos sisudos critérios dos adultos. Aqui, o abate é tal sacrifício, num sacrifício animal para se comer, na falta de apuro moral de antigas tribos amazônicas, no hábito de canibalismo, algo absolutamente impensável para quem tem o mínimo de apuro moral, na função civilizatória do homem europeu no continente americano, em conceitos cristãos, como na imagem de Maria esmagando a cobra da maldade, uma imagem misteriosa para o indígena, o qual lidava mais naturalmente com sexo, em casais da tribo transando em frente a todos os outros membros da tribo, sem compreender a metáfora por trás da Imaculada Conceição, na imagem de uma Maria à qual foi negado ter sexualidade, no patriarcado tão criticado no filme Barbie, na menininha que vira mulher, como no reinado de uma rainha da Festa da Uva, iniciando menina e concluindo mulher, numa experiência de vida que faz com que a moça cresça muito. Aqui é como o mercado exportador e importador de carne, como frangos brasileiros enviados aos EUA, nas universais rotas de comércio, numa China tão rica e capitalista, apesar de ser um país comunista na teoria, num cidadão que não pode escolher os rumos políticos, mas que pode empreender economicamente à vontade – não é irônico? A bermuda azul é a cor do mar, na cor do vestido de Iemanjá, trazendo riqueza às redes dos pescadores, no milagre cristão da multiplicação dos pães, num reino farto, rico, em nações ricas, que não foram exploradas por outras nações, como Portugal sugando as riquezas minerais brasileiras, no modo como, onde há riqueza, há pobreza, como nos abismos sociais brasileiros, como na cidade de São Paulo, a qual abriga o primeiro mundo junto ao quarto mundo – nada mais brasileiro. Aqui é a responsabilidade de um homem em prover uma casa, uma família, no peso de tal responsabilidade, num pai zeloso, que nada deixa faltar em casa, como o senhor meu avô materno, o qual sempre proveu boas casas para a família morar, mesmo que alugadas.

 


Acima, Crença no pós vida. A cadeira é a desordem, o caos, pois quando Tao é perdido, a confusão reina, num líder de condução tortuosa, incompetente, com uma visão rala, que não vai além da “esquina”. A cadeira é um sinal de alguém que passou e fez tal dano, como na infame balbúrdia em Brasília, nos atos golpistas de vandalismo amplo, resultando na prisão de Bolsonaro, no modo como só damos valor à liberdade quando a perdemos, e posso estar preso num lindo castelo de ouro maciço e, ainda assim, estarei infeliz, pois estar encarnado já é uma prisão, e estar num presídio é a prisão dentro da prisão, como uma Kirchner em prisão domiciliar, numa vida infernal, com cada dia sendo um esforço enorme para sobreviver, como estar internado numa clínica psiquiátrica, ficando nas mãos de um médico, e só sairemos dali se este achar que podemos, algo tão humilhante, como uma Britney Spears se comunicando com os fãs pelo Twitter, dizendo que fora a uma lugar humilhante, ou seja, uma instituição psiquiátrica, um lugar de desolação, em pessoas que estão em fundos de poço em suas vidas, numa devastação existencial enorme, sem saber para onde ir ou qual ação tomar, como se fosse dentro de um traiçoeiro labirinto, como uma pessoa que só ouve o coração e não ouve a cabeça, na noção espírita de nos mortificarmos, ignorando o traiçoeiro coração e ouvindo a cabeça, com tudo girando em torno da razão, da ponderação, sem os sofrimentos das paixões. O sofá é ordeiro, arrumado e estável, acolhedor, num vácuo que nos puxa e nos convida, atraindo-nos, no poder magnético dos espaços vazios, como decorar uma mesa de centro de sala de estar – a sensualidade reside exatamente no espaço vazio, pois este é útil ao Mundo, servindo para coisas, e tal mesa tem que ter tal serventia, como colocar ali jornais ou canecas, no sentido da pessoa em se sentir útil ao Mundo, servindo este, no poder do trabalho, do labor, na dignidade do que produz, pois como posso tirar o chapéu para uma pessoa que não faz merda nenhuma, com o perdão do termo chulo? A janela fornece luz, e revela uma vizinhança pacata, silenciosa, na dádiva de se morar num prédio cheio de moradores idosos, num delicioso silêncio, na sabedoria da idade, numa idade em que temos sabedoria e juízo, algo impossível na juventude, pois a juventude feliz, plena e perfeita é uma invenção de velhos nostálgicos, pois, quando se é jovem demais, fazem-se muitas merdas, com o perdão do termo chulo. A cerca ao fundo são os limites, que devem ser observados, em um juízo, no sentido de respeitar os outros, nunca invadindo o gramado do vizinho, remetendo às infelizes briga de vizinhos, às vezes regadas a violência verbal e até física, numa deselegância, pois quando o Tao diplomático é perdido, o nível baixa, e vizinhos são algo que devemos levar com toda a delicadeza, num tato de conversa, de cavalheirismo no fio do bigode, na classe de um diplomática cordato, educado, polido, na dignidade de representar todo um povo, como um altivo príncipe, que inspira o próprio povo, como numa rainha da Festa da Uva, uma menina com alma de diva, inspirando a comunidade, no poder das tradições, as quais têm que ser respeitadas, mesmo para um rebelde transgressor. A sala aqui está abandonada e silenciosa, no prazer da calma e do silêncio, como no sisudo silêncio durante uma sessão espírita, evocando espíritos e dando assistências aos encarnados que estão na sala neste momento, numa comunicação sensível que ultrapassa barreiras, no mesmo amor que minha bisavó tem por mim, apesar de não termos nos conhecido na Terra, na gloriosa imortalidade dos vínculos de família, numa bisavó que tanto que ilumina lá de cima, na maravilha que é a boa e simples amizade, pois amigos são tudo o que levamos do Mundo, e os amigos são o ouro da vida – fora da amizade não há salvação. As cortinas revelam algo além, num astro sendo revelado ao Mundo, no boom do videoclipe de Michael Jackson virando um assustador lobisomem, abrindo mão da vaidade, no poder do Yang masculino, o qual tem que ser respaldado pelo Yin feminino, numa mescla de sentido universal: Delicado com áspero, faces do mesmo trabalho.

 


Acima, Cruzamento do pintor. Aqui são idas eras em que casacos de pele não eram considerados antiecológicos, como um episódio do seriadão Sex and the City, na personagem Samantha agredida por uma ativista, com esta jogando tinta no casaco de Samantha e gritando a esta: “Assassina! Assassina!”, como na heresia que é jogar lixo na areia da famosa Praia do Rosa, em Floripa, um santuário de natureza pura, na beleza de tal ilha no verão, uma ilha que no inverno se torna complicada, como um certo senhor, o qual, ainda muito jovem, quis ser ratão de praia em Floripa, deparando-se com o advento do inverno e do frio – a Vida não é só verão; a Vida não é somente férias, num jovem que percebeu que queria fazer algo que não pode ser feito, que é fugir da Vida e esconder-se da luta. Aqui é uma paisagem invernal, no frio da Serra Gaúcha que tanto atrai turistas, no termo “Europa verde tupiniquim” para designar a cidade de Gramado, a cidade em que tudo é feito pata encantar o visitante, com suas lojas de chocolates, numa “cidade de boneca” na qual o turista se sente criança novamente, como no sucesso da loja Criamigos, na qual o cliente monta seu próprio bicho de pelúcia, num ato altamente customizado, no transferencial que a criança faz, criando vínculos com tais bichinhos, e é como no doce ato de receber amiguinhos em casa para brincar, em doces tardes com um lanche no meio da tarde, em mães zelosas, as quais nos fazem uma falta enorme quando saímos de casa e vamos morar sozinhos, sem aquela mãe para manter tudo limpo e organizado, com comida feita na mesa e com aquela geladeira abastecida de supermercado, no termo “geladeira de solteiro”, que é a geladeira tão vazia ou pobre, na imaginação que devemos ter na hora de decidir o que será servido de jantar, como no meu caso, comprando com frequência alimentos já preparados na copa do supermercado, como feijão preto, lentinha, purê de batata, frango xadrez etc. Aqui são pessoas de uma certa idade, na calma e ponderação da pessoa sábia, percebendo que não pode impor as coisas à força, como no Exército e suas rígidas hierarquias, algo longe da hierarquia espiritual, a qual, apesar de ser irresistível, nunca é e imposta à força, ao chegar ao ponto de eu fazer questão de obedecer meu irmão mais depurado, em ordens que sempre surgem em nome da paz e da harmonia, na deliciosa paz do Plano Superior, em um lugar onde tudo é feito com calma e polidez, numa energia de trabalho e produtividade, de labor, pois o Céu não são anjinhos loiros tocando harpas, mas um lugar em que impera a necessidade de nos ocuparmos de alguma forma nobre, como eu digo a meus entes querido desencarnados: Trabalhe ou estude! Aqui há pessoas abastadas, que levam uma vida confortável, com bons agasalhos que barram o frio, na delícia de uma lareira num dia frio, no fogo que nos atrai, em sedução, no prazer de se estar num cômodo seco e quentinho, recebendo amigos numa tarde de sábado, no prazer em receber amigos em casa, num bom vinho à beira do fogo! As pessoas aqui sorriem, e estão contentes, como na família do famoso romance de Dan Brown, uma família descendente direta de Jesus, revelando um segredo, até uma moça saber que pertence a tal família discretíssima, encontrando um alento no Mundo, como no mito da princesa russa Anastácia, a qual, creu-se por um tempo, ter sobrevivido à execução da família real russa pelos soviéticos, um assassinato coletivo que escandalizou a Europa da época, pois, convenhamos, devemos matar crianças? É um horror. Aqui o campo é vasto, como nos Campos de Cima da Serra Gaúcha, como na cidade de Vacaria, com pastagens majestosas, que vão até onde a visão alcança, no prazer da área rural, com cheiro de bosta ao ar livre, numa sensação de liberdade e de simplicidade, de contato com a Natureza, pois os campos e florestas vestem roupas maravilhosas, na paixão do gaúcho pelas terras do RS, criando toda uma cultura tradicionalista, com cantores e músicos de prestígio por tal tradição, na tragédia da Revolução Farroupilha, quando os rebeldes gaúchos foram esmagados pelas forças imperiais.

 


Acima, De manhã. Aqui é uma pessoa conduzida, quiçá presa, numa custódia, como pessoas flagradas com drogas em aeroportos, nos chamados “mulas”, que são pessoas aliciadas pelo narcotráfico para transportar os entorpecentes, com esses “mulas” sendo um elo frágil em tal cadeia, na sedutora perspectiva de dinheiro fácil, em pessoas as quais, ao serem presas, dão-se conta do erro que cometeram, dando valor à liberdade perdida, no modo como dizem que o Presídio Central de Porto Alegre é uma sucursal do inferno, com cem por cento dos detentos com verminose, no modo da sociedade em punir severamente os criminosos, num Mundo que não se importa com tais condições no cárcere. A porta ao lado é uma saída, uma opção, uma alternativa, uma rota de fuga, na saída para um problema ou para uma situação espinhosa, num plano b, como em meio a uma crise, a qual é positiva, disse-me uma excelente psicoterapeuta, pois a crise assinala um momento de renovação na vida da pessoa em crise, no poder das catarses, que são faxinas da alma, no ato de se lavar uma roupa ou limpar uma casa, numa sensação revigorante como cortar o cabelo, numa renovação, num recomeço, como eu repetindo de ano no colégio, na ausência de sabedoria da juventude, numa irresponsabilidade enorme, como eu descuidando de minha faculdade na PUCRS, como me disse uma grande e querida amiga na época: “Não se descuide de sua faculdade!”, palavras verdadeiras de um amigo real, de verdade, amigão, irmão, fazendo dos amigos tal ouro da Vida, remetendo à pessoa solitária, sempre só, construindo dentro de si toda uma carência afetiva, no estilo de vida de “lobo solitário”, no modo como as famílias existem exatamente para aplacar em nós tal sentimento de solidão, como um certo rapaz solitário, o qual tem que saber que tem irmão, que tem mãe, que tem madrinha, que tem sobrinho, que tem tios e que tem primos, ou seja, família, e ter família é importante, remetendo a um certo rapaz paupérrimo, o qual veio ao Mundo sem pai e sem mãe, crescendo num orfanato, um rapaz que certa vez tentou se matar, decidindo se dedicar à sua religião, que é a Umbanda, uma religião tão vibrante e forte, intensa, com uma das divindades sendo o Capa Preta, que é o lado macho da Vida, na luta, do empenho para nos afirmarmos em tal Mundo, no deus da guerra Marte, como eu já disse sobre uma certa popstar: “Ela é guerreira! Ela é uma deusa! Ela á mulher de verdade!”. Aqui o masculino envolve o feminino, como num sanduíche, como em filmes pornôs de uma mulher transando com dois homens, num sexo frio e mecânico, muito, muito longe do sexo manso com intimidade, gostoso, doce, na linha divisória clara entre fazer sexo e fazer amor. A moça aqui é oprimida pelo patriarcado, tendo tolhida em si sua própria sexualidade, na questão da galinha e do garanhão: Se é um homem com várias mulheres, pode; se é mulher com vários homens, não pode. É como na donzela Arwen, de Tolkien, entregue pura e casta ao marido rei, como no caso de uma personagem coadjuvante no seriadão Friends, a qual teve durante a vida apenas um parceiro sexual, que era seu próprio marido. É como no rapaz estreando sexualmente em prostíbulos, construindo em machismo dois tipos de mulher – a santinha e a putinha, com o perdão do termo chulo, enfurecendo as feministas, as quais não querem ser nem uma, nem outra, mas um ser independente, de “jeans e camiseta”, de igual para igual com os homens, como na lendária faraó Hatshepsut, impondo-se num Egito de homens, um país no qual o máximo que uma mulher podia ser era a grande esposa real do faraó, numa mulher faraó que fez tal ousada transgressão, tornando-se uma grande líder, inspirando o seriado da super heroína Ísis, no qual uma arqueóloga egiptologista descobre um colar mágico dado pela deusa Ísis a Hatshepsut, um adorno que dava à usuária superpoderes, como voar e ter superforça, numa libertação feminista.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.