quarta-feira, 8 de julho de 2026

Akira Aqui (Parte 5 de 7)

 

 

Falo pela quinta vez sobre o pintor japonês Akira Ikezoe. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Futuro Primitivo VI. A prancha é tal belo esporte – o surf. Além de belo, é também muito conectado à Natureza, como me disse certa vez um rapaz, o qual queria se mudar para Florianópolis para ter um fábrica de pranchas, num trabalho artesanal, nas mãos dedicadas do artesão, calejadas, numa ocupação, ao contrário de pessoas ociosas, que nada fazem de seus dias na Terra, como uma certa senhora, rica e, ao mesmo tempo, miserável, e como posso tirar o chapéu para uma pessoa que não faz merda alguma, com o perdão do termo chulo? A mesa é a elegância do lar, num bom decorador, montando ambientes de sonhos, no prazer de se estar em casa, no prazer Yin do recolhimento, na recomendação taoista: Entenda a força e a credibilidade do Yang, mas seja mais Yin dentro de si mesmo, na metáfora do Super Homem, no pacato Clark Kent que se transforma em tal homem poderoso: Seja pacato e serás um gigante! Vemos um vaso “gordinho”, no receptáculo feminino de Galadriel em contraste com os rudes pés masculinos de Frodo, na capacidade de um diretor em transformar livros em filmes, como um certo senhor, o qual vivenciou que o sucesso é um amante infiel, um senhor que obteve muito sucesso com um determinado trabalho, nunca mais tendo, até o final da carreira, outro sucesso igual, como no famoso álbum Duets, de Sinatra com outros grandes astros, um sucesso total, fracassando retumbantemente o álbum posterior, o Duets II, ou como na primeira Playboy de Galisteu, ouro total, sucesso avassalador, fracassando a segunda Playboy dela, anos depois, nesse amante infiel que é o sucesso, fazendo do sucesso uma merda, com o perdão do termo chulo, fazendo do sucesso tal problema, como o diretor Walter Salles, o qual tem o enorme desafio de superar seu recente Oscar. Vemos uma forma como uma borboleta, num símbolo de graça, delicadeza e feminilidade, beleza, na magia de borboletas coloridas, num cio de primavera, nas borboletas ensandecidas entre as flores, nos versos de uma canção de Marisa Monte sobre uma borboleta: “Vivo no meio das flores procurando quem me queira!”. Vemos uma luminária, numa ideia feliz, numa ideia de artista ou publicitário, em alguém sendo feliz ao desenvolver um conceito, numa profissão simbolizada pela lâmpada, numa pessoa sendo feliz em ter ideias, como num bom compositor, tecendo uma canção bela, em gênios como Jobim, tecendo o icônico álbum com a suprema Elis, juntando dois monstros sagrados da MPB – não tem como dar errado! Vemos um vaso sem vida, infeliz, infértil, como um homem estéril, que não pode ter filhos biológicos, como um certo senhor de Hollywood, o qual já tentou ter filhos biológicos com várias mulheres, vendo-se obrigado a adotar, num ato nobre, acolhendo uma criança de pouca sorte, a qual veio ao Mundo sem pais. Na base do quadro, uma folhagem exuberante, como nos cabelos ralos do personagem Cebolinha, na magia do universo infantil de Mauricio de Souza, um gênio brasileiro, tanto conquistando as crianças da nação, nesse dom de se conversar com os infantes. Vemos uma planta altíssima, luxuriante, como uma palmeira sexy de Beverly Hills, como uma pluma exótica e exuberante, como no clipe Vogue de Madonna, um clipe chic, sofisticado e elegante, com plumas revelando a beleza refinada e aristocrática, no termo “atitude”, que é ser marcante, na incumbência do popstar em ter tal atitude, destacando-se a nível mundial, como Lady Gaga, uma bomba atômica de atitude, no seu famoso vestido de pedaços de carne, no caminho da simplicidade: Atitude não é sinônimo de gastar fortunas em trajes, no caminho da simplicidade, o mais elevado grau de sofisticação. Vemos um vasinho pequeno com formas circulares, como ovas de um inseto ou peixe, remetendo à cara iguaria que é o caviar, sem eu querer aqui ser blasé: Caviar tem gosto de peixe podre. Vemos na base um pau nu, como no pau fálico do monumento dos irmãos Bertussi, na zona rural de Caxias do Sul, ícones da música tradicionalista gaúcha, no formato abrasivo piramidal, na agressividade de uma Elizabeth I, encarando a então toda poderosa Espanha, nesses talentos estadistas. Vemos aqui tudo disposto de forma harmônica, como numa decoração do lar, ou numa coleção de museu, com tudo catalogado, ao contrário do caos de casas de acumuladores compulsivos.

 


Acima, Futuro Primitivo VII. O fundo é quente, como nas cores vibrantes dos anos 1970, no advento da foto colorida, num antigo anúncio de filme fotográfico, com pessoas vestidas cada uma de uma cor, nos versos de Janis Joplin: “Ó Senhor, não vais comprar para mim um televisão a cores?”. É o galgar das novas tecnologia, como para a minha geração, que foi criança nos anos 1980, em plena era analógica, uma geração que fica perplexa com os avanços contemporâneos, com tudo sendo feito a partir dos dispositivos móveis, sepultando as máquinas de foto e as máquinas de filmar, na incrível era da IA, como na perfeição de um certo anúncio publicitário, fazendo a cantora Maria Rita interagir com sua mãe Elis! Vemos um pau torto, numa reverência, numa humildade, na humildade das pessoas elegantes, e não é insuportável uma pessoa arrogante, que se acha imune a erros? É como uma certa senhora – só ela sabia hora certa de fazer piadas e só as piadas dela eram engraçadas, nessas pessoas que se acham perfeitas. Vemos uma forma que parece ser um receptáculo, como em água acumulada em folhas de plantas, num cenário propenso à Vida, a qual é o nervo da Arte, no mistério que é a Vida, num coração que bate sem sabermos o porquê, no mistério que é a Arte, no Ser Humano vendo a si mesmo, como no senso de humor, algo tão humano, na figura do palhaço, na pessoa rindo de si mesma, em gênios humoristas como Chespirito, Jô Soares e Chico Anysio, no dom de fazer rir, ou como na talentosa atriz Ilana Kaplan, cuja peça cômica vi no ano de 1995 em Porto Alegre, numa peça na qual só temos duas coisas para fazer – sentar e rir! Vemos uma estrutura bem delgada e longa, como nos frágeis e elegantes pilares do desenho Os Jetsons, num mundo futurista que faz metáfora com as cidades metafísicas, perfeitas, plácidas e limpas, um mundo de paz onde todos se respeitam, no caminho supremo da amizade: Deus quer que sejamos amigos uns dos outros, ao contrário do talento humano pela desarmonia, a guerra e a raiva, como num raivoso Trump e suas desarmonias globais, um homem embriagado de poder, falando alto e bom tom: “Eu sou o chefe!”, um senhor que vai ter muita dificuldade em “desencarnar” do poder, na opinião de Tolkien: O Ser Humano, acima de tudo, quer poder! Vemos uma forma elegante, com fios se entrelaçando, num talento de arquiteto, num talento de artesão, ou de estilista, desenhando suas formas elegantes, como no filme dos anos 1980 A Garota Rosa Shocking, numa moça pobre de enorme talento de estilista, desenhando roupas lindas a partir de poucos recursos, no caminho da simplicidade, como no mestre Li Mu Bai em O Tigre e o Dragão, mostrando à discípula que se pode fazer muito com um simples graveto, sem necessitar de espadas luxuosas cravejadas de pedras preciosas, na revolução de Chanel, trazendo o conceito de que, num acessório, o que vale é o efeito, e não o preço, numa bijuteria que vale bem menos do que uma joia, como usar flores no cabelo, numa beleza enorme, sem altos custos, numa Chanel que sabia o valor da simplicidade. Vemos uma forma que tem uma base mais gordinha do que a o topo, como num certo prédio no Oriente Médio, com o topo mais delgado, num formato de agulha, de penetração, na figura fálica da espada, ameaçando, num Ser Humano que é um rei que nunca está feliz dentro de seu próprio reino, sempre querendo anexar os lotes vizinhos, no caminho da desarmonia e da inimizade, em vaidosos impérios que ascendem e descendem, como Roma, sendo tudo e, depois, nada, permanecendo a imagem de humildade e de simplicidade de Jesus, a maior mente de todos os tempos, dividindo a História em duas, no poder do pensamento, dos conceitos, no conceito inédito do Reino dos Céus, que é a vitória do fino sobre o grosso; da amizade sobre a inimizade. Aqui é como uma biodiversidade, com seres vivos distintos, ou como numa galeria de personagens de um artista, num panteão, como eu em minha infância, colecionando bonequinhos do universo de He-Man, num panteão colorido, em doces infâncias, como o trenó Rosebud de Cidadão Kane.

 


Acima, Futuro Primitivo VIII. Vemos uma folhagem exuberante, luxuriante, tropical, exótica, na magia de um vento noturno, farfalhando as folhas, num som sensual, num sussurro, num processo intermitente de transformação, como na cena inicial de um filme que deu a Kim Basinger o Oscar de atriz, na diva com um capuz de veludo, virando e produzindo o sutil e discreto farfalhar de veludo, na delícia de se deitar em românticos lençóis de cetim, mas nas palavras de uma certa canção pop: Cetim é romântico, mas a Vida não é só cama! Vemos uma forma que parece ser um fálico foguete espacial, em posição ereta de ejeção, na corrida espacial para ver quem conquista o espaço primeiro, como na corrida na Europa das Navegações, desbravando as Américas, com Espanha, Portugal e Inglaterra concorrendo, numa Europa que se abria aos ventos de renovação da Renascença, no novo que sempre vem, como no posterior advento do Barroco, com cada época com suas características, como estão na moda os cabelos ondulados de Gisele, na moda há mais de década, com mulheres todas ao redor do Mundo imitando tais ondulações, na característica da pessoa de Tao, que é conquistar o Mundo e ninguém se dar conta. Vemos uma estrutura com ventiladores, como num parque eólico, no advento das energias limpas, num esforço ecológico de Leonardo DiCaprio, dirigindo carros elétricos, na ameaça das mudanças climáticas, como dizem ser poluída a grande e suntuosa Pequim, no paradoxo chinês: De jure, uma ditadura comunista; de facto, um país capitalista no qual o cidadão é totalmente livre para empreender. Vemos uma forma que parece ser um espelho, nesse símbolo de feminilidade, como na idosa Rose de Titanic, segurando um espelho que fora seu quando jovem, dizendo divertidamente: “Só o reflexo mudou um pouco!”. O espelho é tal forma de autoestima, como uma professora que tive no Ensino Médio, uma mulher a qual, de manhã bem cedinho, estava perfeitamente arrumada – maquiagem, cabelos, roupas, acessórios, perfume etc. –, uma senhora que provavelmente acordava bem cedo para se arrumar de tal modo, ao contrário de outra professora que tive na mesma época, a qual perdeu a autoestima, saindo de casa de qualquer roupa, com o cabelo de qualquer jeito, remetendo a outra certa senhora, ex primeira dama municipal, uma mulher sempre impecavelmente arrumada, no caminho do gostar de si mesmo. É como na comédia As Patricinhas de Beverly Hills, numa moça que encontrou tal autoestima, arrumando-se. Na porção direita, uma forma como vários braços de um deus hindu, nos atributos divinos, como chamar Jesus como Ele, e não ele, no atributo divino, na universalidade da espiritualidade humana, com caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, como não me canso de dizer que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, tendo que evitar o radicalismo, o qual não é saudável, como até entendo a aversão de Marx pelas religiões, pois nenhuma forma de xiitismo é sábia ou saudável. O vaso é a base, a proveniência, como em vinhos feitos no Vale dos Vinhedos, numa denominação de origem, ou como nos Chocolates de Gramado, em selos de qualidade, como no ponto em que foi proibido que os espumantes de fora da região francesa da Champagne fossem chamados de champagne, na universalidade do álcool, como no saquê japonês, de arroz, como já ouvi dizer: As pessoas não gostam do sabor de álcool; as pessoas gostam do efeito do álcool! Nesta cena, um carpete impecavelmente limpo, no prazer de se estar numa casa recém limpa, perfumada, como no perfume de óleo de peroba, nas elegantes salas metafísicas, com pessoas finas e bonitas, na vitória do fino sobre o grosso, num Ser Humano eternamente equivocado, achando que o grosso é mais válido do que o fino, subestimando, assim, o polido tato diplomático, o qual prima pela paz, pois a Vida sem paz é um inferno. Aqui é como numa mostra industrial, com firmas diversas, variadas, expondo seus produtos, no Brasil do empreendedorismo.

 


Acima, Futuro Primitivo X. O ziguezague é uma regência tortuosa, num homem que não é um homem de Tao, pois um homem de Tao jamais recomendará violência ou guerras, no caminho diplomático do diálogo, num cavalheirismo no fio do bigode, algo tão raro no Mundo, em homens embriagados de poder, num Saddam dizendo energicamente aos subalternos: “Não estou pedindo que você faça isso; eu estou mandando!”. O ziguezague é como uma rua tortuosa de Gramado, tortuosa para possibilitar a descida de veículos com tração animal, numa rua que é ponto turístico da urbe serrana, com vários turistas tirando fotos, nesse talento turístico de tal região do RS, só perdendo em termos turísticos, dentro do Brasil, para o Rio, ou seja, medalha de prata para Gramado, como em disse certa vez um primo meu: “Aqui em Gramado existe toda uma sinergia, com tudo combinando com tudo!”. Vemos uma goleira, um vão, um buraco, na passividade feminina, numa mulher que conquista seu homem, na goleira do futebol, tendo que ser defendida pelo goleiro, remetendo à recente derrota do Brasil na Copa, num Brasil o qual, infelizmente, não é mais o país do Futebol, pois foram-se os tempos em que, nos sorteios de grupos da Copa, ninguém queria pegar o Brasil! Vemos uma planta desproporcional, pequena demais para o vaso, no termo “areia demais para o camihãozinho”, como certa vez numa telenovela da Globo, numa personagem que era uma famosa atriz francesa em passagem pelo Brasil, uma mulher marcante e exuberante, revelando-se demais para um jovem rapaz brasileiro que a namorava, num momento em que tal atriz foi a um evento vestida de smoking de cavalheiro, remetendo a uma certa moça caxiense num baile de gala na cidade, vestida de smoking, transgredindo e marcando assim, marcando profundamente, na capacidade do transgressor em provocar o crescimento e a evolução de uma determinada sociedade, nos versos de uma canção de Carly Simon: “Deixe que os sonhadores acordem a nação!”. Vemos uma forma como uma bandeja apoiando algo, talvez um macarrão, fazendo da bandeja tal praticidade e facilidade, no caminho delicioso da preguicinha: Por que carregar coisas aos poucos se posso fazê-lo por muito menos tempo e muito mais conveniência numa bandeja? É como numa certa rede de hotéis, com uma bandeja para o buffet de café da manhã, ao contrário de outras redes de hotel, quando temos que fazer várias “viagens” do buffet até a nossa mesa. Nessas formas aqui vemos bases, apoios, como ganhar o respaldo de aliados poderosos e influentes, como o diretor Fabio Barreto, o qual apadrinhou uma moça atriz, ajudando esta a obter visualidade no Rio de Janeiro, fazendo aparições públicas com a moça, ao ponto da imprensa carioca achar que se tratava de uma noiva do célebre diretor, fazendo do sucesso tal amante infiel, num Fabio o qual, depois de ser indicado a um Oscar, nunca mais o foi até o fim da vida, na noção taoista de que o sucesso é um problema, pois, quando vem, tem que ser superado, como na atriz Marisa Tomei, a qual não soube sobreviver ao Oscar que ganhou ainda muito jovem – o sucesso é um cu, com o perdão do termo chulo. Vemos uma forma delgada como uma delicada taça de cristal de vinho, na sutileza do brinde, no poder da delicadeza, em contraste com o sociopata, o qual definitivamente carece de tal delicadeza, fazendo do sociopata uma pessoa totalmente fora de tudo que pode ser considerado válido e razoável, numa questão muito simples: Não se relacione com um sociopata, como no clássico O Silêncio dos Inocentes, num diabólico homem manipulador, brincando com a cabeça das pessoas, como uma certa senhora, a qual tinha uma comadre sociopata, com aquela fazendo exatamente o que não se deve fazer, que é dar informações pessoais a um sociopata, uma comadre que acabou por destruir um casamento – não há espaço para amor e amizade num coração podre de sociopata. Akira gosta de formas delgadas, finas, frágeis, delicadas, na polidez do povo japonês, um povo polido e limpo, fazendo de Tóquio a maior cidade do Mundo, como me narrou meu cunhado, in memoriam, dizendo que na capital japonesa há uma avenida do porte de uma avenida Paulista, só que toda de lojas de eletrônicos, ou seja, riqueza.

 


Acima, Futuro Primitivo XI. Vemos uma peneira, uma purificação, uma seleção, como num critério de seleção de candidatos num vestibular, em vestibulares concorridos, como na UFRGS, remetendo a um certo senhor, o qual iniciou o curso de Direito em tal instituição, puramente abandonando o curso para nada fazer no lugar, mergulhando numa desinteressante vidinha de submundo, na máxima “trabalhe ou estude”, fazendo do Plano Superior tal exigência, um plano em que temos que nos manter operantes, na construção da grande carreira espiritual, como uma pessoa de vasto currículo, com várias experiências, como um passaporte cheio de carimbos, numa trajetória de carreira, como um popstar com vários clipes, no termo “penteadeira de puta”, com o perdão do termo chulo. Vemos uma forma que parece ser um polvo, com vários tentáculos, como um deus hindu, remetendo a um certo controverso quadro, com Jesus crucificado, com vários braços de deus hindu, na universalidade da espiritualidade, fazendo de todos nós filhos do mesmo Rei, fazendo das diferenças culturais algo superficial, nos versos de uma canção de Tina Turner: “Realmente não há diferença quando olhamos por baixo da pele!”, no absurdo de se dizer que beagle não é cachorro; sim, é cachorro, remetendo a um certo país, racista, sinto em dizer, em contraste com o Brasil, no qual injúria racial é crime, no feriado nacional de Consciência Negra, remetendo a uma certa senhora carioca que conheci, preconceituosa, microscópica, lançando mão do termo pejorativo “aquela coisa marrom” – é um horror. Vemos uma forma como uma mangueira, no aspecto do pênis para entrar na vagina, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo inventou? Remete a uma querida professora freira que tive, a qual dava aulas de Educação Sexual exatamente para neutralizar tal malícia nos jovens alunos, os quais viam graça maliciosa em termo frios e científicos como “pênis” e “testículo”, na figura do Éden, com a folha nas genitálias, abandonando a inocente nudez primordial uterina, em aulas de nu artístico em faculdades de Arte, na beleza do corpo humano, obra de Tao, o artesão que nunca para de atuar, pois se até Ele trabalha, por que você não deve trabalhar também? Vemos uma forma com folhagem nascendo de folhagem, como no brinquedo de bonecas russas, com filha, mãe, neta, avó e bisavó, umas dentro das outras, numa sucessão de gerações, no mesmo amor de uma bisavó a qual, apesar de não termos conhecido em vida, nos ama e nos ilumina lá de cima, no mesmo amor que nossas mães teriam por nossos netos, na imortalidade fabulosa dos vínculos de família, os quais não se dissolvem com o Desencarne, na sobrevivência do nobre e do metafísico, derrotando a morte do corpo físico, na noção taoista de que, se tal corpo carnal morrer, não tem problema! Uma mesinha de centro de sala de estar é tal organização, numa praticidade, com a função de apoiar coisas, em objetos úteis ao dia a dia, na dignidade dos espaços vazios, do nada, do vago, magnetizando assim as coisas, atraindo as coisas, no caminho do homem de Tao, que é inspirar o Mundo, em figuras poderosas como uma Gisele, a princesa do Brasil, uma moça comum, que veio de uma família comum, com sangue comum, tornando-se tal nobre figura, ao contrário de outra moça, de sangue azul, tataraneta da princesa Isabel, mas uma moça que, no frigir dos ovos, é comum – não é engraçado? Vemos aqui uma sutil desorganização, numa desordem mínima e inevitável, num aparelho jogado e desprezado, subestimado, na vitória do subestimado, “vingando-se” e mostrando-se muito útil, na capacidade de mandar uma penca de gente “chupar uma manga”, no delicioso pecadinho capital da ira e da vingança! As formas de Akira são exóticas, diferentes, estranhas, no homem de Tao, o qual é diferente, estranho, adorável, em personagens fascinantes como o monstrinho Gollum, consumido pelo Anel do Poder, como uma pessoa que terá extrema dificuldade de se desapegar de tal poder mundano, o qual no Mundo fica.

 


Acima, Futuro Primitivo XII. Vemos um pedaço de tronco de árvore, na intervenção humana de explorar a Natureza, nos esforços do IBAMA em rastrear madeiras coletadas de forma ilegal, num Brasil tão rico em Natureza, com extração de importantes insumos usados a nível mundial, em parques enormes de garimpo ilegal, na capacidade humana de destruir o natural, no modo como temos que dar ouvidos aos ecologistas, pois a Terra é nosso único lar – o Ser Humano simplesmente não tem para onde ir, num Cosmos o qual, fora da Terra, é hostil à Humanidade. Vemos uma folhagem na forma de coração, no símbolo do amor e da amizade, na incapacidade do sociopata em amar e ser amado, numa pessoa que acaba “enterrada como um cachorro”, na noção taoista de que os que mentem acabam desprezados e rejeitados, como o ex presidente Bill Clinton, o qual está até hoje pagando por ter mentido sobre um caso extraconjugal com a infame Monica Lewinsky, uma moça a qual, sem autoestima, topou ser a fulaninha do presidente, nos versos de uma certa canção pop: “Você fica bem melhor estando sozinha!”. Vemos uma forma como um abanador, como um ventilador de teto, nos ventos minuanos inclementes no pampa gaúcho, derrubando a sensação térmica, como em municípios fronteiriços como Uruguaiana, em um frio de se “congelarem” os ouvidos, no turismo de inverno, atraindo pessoas de regiões mais quentes do Brasil, no fascínio da neve, um fenômeno o qual, de tão raro, vira notícia nacional quando acontece, ao contrário de terras de abundante neve como nos EUA, em dias em que a prefeitura de Nova York orienta o cidadão a não sair de casa, tal a quantidade de neve, numa cidade a qual, no verão, vira um “forno de padaria”, na beleza do baile das estações do ano, no homem de Tao que observa tudo indo e vindo, como nos vinhedos, sendo podados no outono, hibernando no inverno, renascendo em floração na primavera e resultando em fruta no verão. No topo do quadro uma folhagem como na imagem do deus de disco solar egípcio Áton, com vários braços saindo do disco, abençoando o Mundo com luz e calor, Vida, no contundente início do musical da Broadway O Rei Leão, com o poderoso Sol africano nascendo, na luz da Vida, nutrindo o Mundo, nas palavras de Deus no Gênesis: “Faça-se a luz!”. No tronco cortado, vemos uma derivação ou excrescência, na pergunta: Como posso tirar o chapéu para uma pessoa que não faz merda alguma, com o perdão do termo chulo? É na noção de que uma pessoa rica só pode se manter sã se for fazer algum tipo de trabalho, remetendo a uma certa senhora, a qual se acha a rainha de uma comunidade, uma mulher inativa, de vida vazia, preocupando-se principalmente com suas extensões capilares, na ilusão de que existe dignidade na inatividade, como em socialites, fazendo suas pomposas festas, como em festas de uma certa socialite, com bandejas com cocaína circulando entre os convidados, no poder da droga em destruir vidas, como um certo senhor, o qual está condenado a prisão perpétua, um homem que passará o resto de suas décadas de vida numa clínica psiquiátrica, numa devastação sem qualquer chance de reconstrução, um senhor que se perdeu nas drogas, como uma grande amiga minha, a qual começou a andar com uma galerinha barra pesada e começou, por inocente curiosidade, a cheirar cocaína, tornado-se dependente, com tal amiga me dizendo: “Quando você cheira, você se sente o suprassumo!”, na ilusão que a droga vende, no preço após a euforia, que é a depressão pós pico, como um amigo meu narcodependente disse: “Depois de cheirar, você acorda no dia seguinte se sentindo um nada!”. A clareza de Akira nos traz um discernimento, uma diferenciação, como aprender o discernimento entre amigo e conhecido – amigo é uma pessoa com a qual podemos contar, tornando-se um companheiro existencial, que sabe pelo que passamos; conhecido é uma amizade só para a hora da festa e do oba oba, num conhecido que “desaparece” em momentos em que precisamos de um ombro amigo, pois quando ficamos um tempo sem ver tal conhecido e o reencontramos, olhamos nos olhos da pessoa e vemos ali um estranho!

 

Referências bibliográficas:

 

CV. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

Paintings. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Akira Aqui (Parte 4 de 7)

 

 

Falo pela quarta vez sobre o pintor japonês Akira Ikezoe. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Futuro Primitivo I. Aqui é como uma coleção, no amor pelas plantas, na paciência de regar diariamente as plantas, num ambiente de lar, de muvuca, na gíria carioca. Vemos uma árvore inóspita, morta, no caminho da mortificação, que é deixar de ouvir as bobagens do coração, do traiçoeiro coração, pois é exatamente quando ouvimos o coração quando nos fodemos, com o perdão do termo chulo. Vemos formas ovais como fungos, cogumelos, iguarias finas usadas em receitas, no prazer de uma massa ao molho funghi, no modo como me sinto tão entretido ao assistir programas televisivos de culinária, no paradoxo de que eu mesmo sou um medíocre na cozinha, com um repertório culinário extremamente limitado, restando a mim comprar comidas já feitas no supermercado, em contraste com a senhora minha avó, in memoriam, uma mulher que era uma deusa ao cozinhar, nesses talentos culinários. Aqui é um cenário colorido de diversidade, em particularidades, individualidades, como numa família, com vários filhos, com cada um tendo sua própria personalidade, mesmo tendo a mesma genética e vindo do mesmo lar, sob os mesmos valores, como duas primas minhas, extremamente diferentes uma da outra, na particularidade do espírito, o qual nasce assim. Uma das plantas parece um amuleto africano de magia, na arrebatadora sessão africana do museu novaiorquino Met, com artigos tribais de magia, fortes, estranhos, quando vi ali um rapaz negro, o qual se mostrava orgulhoso de suas próprias raízes africanas, no ponto evolutivo do Homo sapiens de construir tais magias de arte, diferenciando-se assim dos macacos, os quais não têm arte ou rituais de magia, fazendo da Arte algo essencial, que nos faz humanos, numa suma questão de saúde mental – quando mais Arte, melhor, remetendo a um certo senhor, um homem sem vida cultural, pobre neste sentido, um homem que não vê um filme ou uma peça teatral, beirando a grosseria, em particularidades. No topo do quadro vemos uma forma volátil, como um ovni, atiçando a curiosidade de quem quer crer em vida alienígena, num Cosmos tão vasto, infinito, numa infindável sopa de galáxias, sendo assustadoras as duas hipóteses: Haver Vida e não haver Vida. Vemos caules delgados, no tato fino diplomático, sempre primando pelo diálogo cordato, ao contrário de pessoas que subestimam tal tato, sem ver que polidez é um valor universal, como na polidíssima primeira ministra japonesa, com suas elegantes pernas cruzadas, dignas de rainha da Inglaterra, num povo japonês tão limpo e polido, no fato de que tal país, apesar de tão rico, tem altos índices de suicídio, na sabedoria popular de que dinheiro não traz felicidade, como na inferno que é a vida de um ganhador da Loteria, uma pessoa considerada feliz na Terra, na questão espírita: Você não faz ideia a que nível fica reduzida uma pessoa que é considerada feliz na Terra, no modo como dinheiro traz tudo de conveniente, menos o que importa, que é felicidade. Aqui são os esforços de Darwin em catalogar os seres vivos, num trabalho vasto, praticamente impossível, como na incrível variedade biológica brasileira, especialmente na Amazônia, remetendo aos crimes ambientais, como garimpos ilegais e tráfico de animais, na importância suma do apuro moral – andar sempre na linha, pois os honestos têm a consciência tranquila, e a vida sem paz é um inferno. Os vasos são tais receptáculos, casas, bases e proveniências, na capacidade da terra em gerar vida, no ponto decisivo da Agricultura, quando o Homem passou a cultivar alimentos, indo além da caça, da pesca e da coleta, na universal divisão de trabalhos, como em tribos amazônicas: Os trabalhos que exigem mais agressividade ficam a cargo dos homens, na universalidade do machismo patriarcal, como em tais tribos, nas quais apenas aos homens é permitido praticar lutas, na mensagem antipatriarcal do filme Barbie, numa mulher que pode ser o que ela quiser, como uma psiquiatra que conheci, já falecida, uma mulher linda, arrumada, com autoestima, uma mulher que levou uma vida nobre e produtiva, auxiliando os que tinham problemas espirituais, uma médica que voltou de cabeça erguida ao Plano Superior, no clima de missão cumprida, uma mulher que respeito. Aqui remete à vida bela do Rio de Janeiro, uma cidade que tanto exala vida e beleza, mesclando urbe com natureza.

 


Acima, Futuro Primitivo III. O fundo cor de rosa é o interior feminino da garrafa do clássico televisivo Jeannie é um gênio, quando ela se recolhia sem querer ser perturbada, como programar o celular na função “não perturbe”, quando a pessoa quer ter momentos saudáveis de solidão, num retiro necessário, remetendo ao autista, fechado para a interação social, como um rapaz autista que conheci certa vez, o qual dizia, ao ser abordado por alguém: “Não quero!”. Vemos uma forma que parece um leque, em senhoras se abanando com um leque, como no filme ...E o vento levou, com as escravas negras abanando as moças brancas quando estas dormiam, numa vida dura de escravo, de pessoas miseráveis, na coragem de determinação de um espírito em reencarnar em uma família paupérrima, como descendentes de indígenas em Caxias do Sul, jogados numa calçada fria pedindo moedinhas, uma criancinha que não tem ideia da miséria na qual nasceu, uma encarnação que vai causar à pessoa um crescimento espiritual enorme, no remédio amargo que gera doces efeitos – como é degradante não saber se vai ter um pedaço de pão no estômago no fim do dia, numa das funções mais básicas de um ser vivo, que é a alimentação. Vemos uma forma como um ventilador, remetendo aos inclementes verões romanos, com turistas assoberbados por tal calor, nessas zonas de clima temperado, com as estações do ano tão definidas. O ventilador é tal renovação de frescor, como no advento de novas tecnologias, sepultando o CD e o DVD, num galgar vibrante de novas tecnologias, num Ser Humano sempre se superando, no preceito dialético de que tudo é processo, como no processo de evolução espiritual, como numa faculdade, num Pai orgulhoso de nós no dia da formatura, remetendo à tragédia numa certa família, a qual amargou o brutal assassinato de um rapaz na semana de formatura deste – eu gostaria de este assassino se dê conta da tragédia que trouxe a tal família, pedindo, assim, perdão à vítima, pois uma alma de tão raso apuro moral não como estar em paz, vivendo uma vida insuportável, sem qualquer paz, na consciência que fica nos “cutucando”. Vemos uma árvore podada, tolhida, como nas podas outonais de vinhedos, no alto custo que é produzir tal bebida, com todo um trabalho e todo um investimento no produto final na gôndola do supermercado, ao contrário de bebidas mais baratas como a cachaça, baratinhas, preferidas pelos brasileiros de poder aquisitivo mais baixo, com tudo começando pela captação dos insumos, em contraste com a colheita da uva, manual desde o Antigo Egito. Vemos uma planta que parece ser uma luminária, em momentos de iluminação, num artista concebendo algo, inventando, no poder da criatividade, em cartunistas tão inspirados como o gaúcho Carlos Iotti, ao ponto de certa vez ser indagado por um admirador: “De onde tiras tanta coisa?”. Na base do quadro um trevo de quatro folhas, símbolo de sorte, uma plantinha tão rara, e certa vez minha irmã encontrou no jardim de nossa casa um trevo de quatro folhas, raro como pessoas de rara inteligência emocional, fazendo do homem de Tao tal exceção, um homem que não quer subjugar o Mundo, nem lançar mão da força, ao contrário de um certo senhor embriagado de poder, achando-se o rei do Mundo, numa fome napoleônica, sempre descontente, sempre querendo anexar os reinos vizinhos, na sedução do Anel do Poder, sempre corrompendo os homens, num Tolkien que nos mostra uma história sombria, sobre tal fraqueza humana. Vemos uma forma que parece ser um maracujá, cujo nome indígena quer dizer “o alimento dentro da cuia”, em magia de frutos tão perfumados, na magia das frutas, obras de Tao, o grande inventor, no paradoxo maçônico: Não crer em Deus, mas crer que o Universo tem um grande arquiteto. Vemos formas como exuberantes palmeiras tropicais, como no aeroporto de Orlando, EUA, com palmeiras para encher os olhos do turista, numa cidade que é uma das provas do poder e da riqueza dos EUA, com um complexo deslumbrante de parques temáticos e uma malha hoteleira arrojadíssima.

 


Acima, Futuro Primitivo IV. Um pilar bem fininho, típico de Akira, ergue uma luminária, que é a iluminação de uma mente, como num publicitário concebendo algo, no símbolo de tal profissão, que é uma lâmpada. Vemos uma grande folha de palmeira, que é a exuberância tropical que tanto seduz pessoas de regiões frias do planeta, como nos longos e deprimentes invernos escandinavos, com seis meses de neve, na contramão de quem visita a Serra Gaúcha, querendo, exatamente, passar frio! Uma planta cabeluda remete ao Primo It, da Família Adams, um ente cabeludo e andrógino, sem sabermos se é homem ou mulher, no caminho da androginia, que é os gêneros se igualando, na igualdade de homem e mulher perante a lei, na imagem da justiça cega, que não faz diferenças, mostrando que ninguém está acima da lei, como um certo ditador, executando o próprio tio – é um horror. Vemos um tripé futurista, minimalista, como nas linhas futuristas de Teotihuacán, a Cidade dos Deuses, alimentando a imaginação de quem crê que s Humanidade recebeu, num passado remoto, assistência civilizatória de raças alienígenas, com medidas de construção de cidades e de escrita, tirando o Ser Humano da Pré História, num momento em que as tradições deixaram de ser passadas oralmente, sendo mantidas por meio da escrita, no modo como as línguas estão em constante processo de transformação, em línguas mortas, como o latim, ou como nas recentes renovações na Língua Portuguesa, abolindo o acento circunflexo em palavras como “voo” e abolindo o acento agudo em palavras como “ideia”, remetendo à reviravolta que foi a Pedra da Roseta, a qual possibilitou que fosse “ressuscitado” o egípcio antigo. Vemos uma estante, um móvel, numa estratificação, numa ordem social com classes, como na rígida hierarquia social do Antigo Egito, na qual não havia mobilidade social – se nasço plebeu, morro plebeu; se nasço nobre, morro nobre, remetendo à figura do “alpinista social”, o qual quer ascender na pirâmide social, numa ambição. Na base do quadro uma conchinha perdida, singela, numa simplicidade, como no majestoso minimalismo da bandeira nacional japonesa, impecável, discreta, perfeita, nas brumas alvas abraçando o rubro sol nascente de tal país, na ironia taoista de que menos é mais – se quero subir, antes tenho que descer, na questão do “curva-te  reinarás!”, como na humildade de Madonna ao homenagear Marilyn Monroe num clipe, estourando assim em  nível mundial, nesse instinto que certas pessoas têm em relação ao saber se vender muito bem vendido, num caminho instintivo e autodidata, pois não há livro ou faculdade que ensine isso. Vemos um vaso listrado, com elegantes linhas retas aristocráticas, numa lisura, numa elegância retilínea, num charme aristocrático, remetendo a um certo rapaz mentiroso, que jurava que era um fidalgo e nobre dono de um altivo cavalo, mentindo que cavalgava – não estou dizendo que você não pode se vender; só estou dizendo que, se for para se vender, que seja com fatos e verdades, e não com mentiras. Akira gosta de dispor as coisas de forma ordenada, como num acervo de museu, no prazer de se visitar o paulista MASP, num estado de SP tão rico, fazendo de tal nobre museu uma espécie de nervo da urbe, com manifestações sociais se reunindo em frente ao local. Uma planta escorre e vai ao chão, como uma cascata, numa fonte abundante que nunca seca, como Tao, tal fonte de Vida, como uma fonte de água viva, nas palavras de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e Vida!”, na maior mente de todos os tempos, dividindo a História em duas, no poder do pensamento, pois o Reino dos Céus é feito de pensamento, longe das vicissitudes da matéria, na glória que é estar desencarnado, numa vida plena, numa luz nos emoldurando e nos fazendo felizes, com paz, pois a Vida sem paz é um inferno, meu irmão. Essa disposição é num trabalho de análise, no método científico de se separarem as partes do corpo, gerando as especialidades médicas: Pneumo, oftalmo, cárdio etc. Os vasinhos com terra são a vida, num Ser Humano dependente de tal terra para cultivos diversos, nas palavras do pai da heroína Scarlet O’hara: Terra é o que de mais longevo existe.

 


Acima, Futuro Primitivo IX. Vemos um arco, como em arcos romanos, em dutos numa urbe antiga e moderna, ou como nos famosos arcos da Lapa no Rio, em formas elegantes, como nos arcos do Coliseu, com espaço para imagens de deuses, na magia politeísta que foi transgredida pelo monoteísmo cristão, chegando ao ponto do imperador romano se converter ao Cristianismo, numa Roma que, antes disso, perseguia os cristãos e os executava de forma cruel, usando seus cadáveres para se acenderem piras ardentes na arena, na eterna inclinação do Ser Humano: Quanto mais cruel, melhor – é um horror. Os arcos são tal símbolo de humildade, de curvatura, como no elegante e cavalheiresco gesto antes dos judocas se enfrentarem, com ambos se curvando, mutuamente, em sinal de respeito, como na elegância ao fim de uma partida de Tênis, com os oponentes se cumprimentando, como um presidente passando a faixa para o próximo presidente, reconhecendo, com humildade, que tal poder já não mais lhe pertence, na sucessão democrática, “ventilando” o poder. Vemos uma confusão e um emaranhado, como em teias complexas viárias em urbes, com placas auxiliando, como entrar num supermercado no qual não estamos habituados a entrar, ao contrário de nosso supermercado de costume, onde sabemos direitinho onde encontrar cada mercadoria, numa familiaridade, numa intimidade. Vemos uma forma como uma capela gótica, no estilo ao final da Idade Média, com formas góticas, não se imaginando, em tal momento, que a Renascença brotaria com tanta força na Europa, em sopros de renovação, no modo como o novo sempre vem, em advento de novas estrelas como Gaga, em gerações com seus respectivos ídolos. O gótico é tal amor pela religião, na magia da Arte Sacra, fazendo de ricas igrejas tais “museus” de tal arte, com tudo de Arte Sacra que já foi produzido até hoje na Humanidade, em deuses como Michelangelo e da Vinci, artistas de forte iluminação, reinando eternos em museus e templos. Vemos uma forma como uma taça de torneio, em “carnificinas” que são tais campeonatos, com a maioria das seleções se frustrando e indo embora para casa, nos dramáticos mata-matas da Copa do Mundo, num Brasil depositando esperanças, numa pressão enorme: Como você acha que é um país inteiro pressionando você para você trazer o Hexa para casa? Não deve ser infernal? Para suportar isso, a pessoa não precisa ter uma estrutura psíquica muito forte? O emaranhado são as tripas trabalhando, nos sons orgânicos que ouvimos quando estamos nos corpos de nossas respectivas mães, numa relação de intimidade, na eterna gratidão à mãe, pois, sem esta, não estaríamos aqui, como eu escrevi recentemente num cartão à minha mãe: “Parabéns a esta pessoa que me trouxe ao Mundo, trocou minhas fraldas e me deu comidinha na boca!”, fazendo do Dia das Mães uma data tão poderosa do comércio brasileiro. Vemos uma forma delgada num topo que pode ser um totem de magia tribal, como nos totens de indígenas norteamericanos, em populações que foram dizimadas pela agressividade do homem europeu, subjugando em nome das ambições dos reis absolutistas, na corrida para ver qual potência europeia adquiriria o controle de tais terras virgens, na ilusão de Colombo, o qual acreditou que a América fosse a margem oriental da Índia! Aqui remete a uma certa cerimônia do Oscar, com três artistas interpretando canções candidatas à estatueta de Canção Original, com os três no palco, cada um com sua particularidade, num conjunto eclético, no sabor da diversidade, a qual deve ser respeitada, no modo como Deus nos fez com perfeição e absoluta particularidade, como num colorido panteão de astros de Hollywood. O arco é tal passagem, no termo “passiva”, que denomina a goleira, a mãe indefesa que tem que ser defendida pelo goleiro, nos versos da canção do clássico Caratê Kid: “Eu sou um homem que vai lutar por sua honra!”.

 


Acima, Futuro Primitivo – Prateleira II. Vemos uma planta caída, abatida, como numa pessoa em doloroso momento de depressão, perdendo o tesão pela Vida, numa pessoa prostrada, muito decepcionada com a Vida. É como uma pessoa morrendo, deixando para trás os “anéis de poder” mundanos, na frase: “Isso não lhe pertence mais!”. As prateleiras são a organização, como dividir alunos em salas num colégio, numa certa rivalidade entre tais salas, em momentos de forte competição em gincanas, remetendo à minha irmã no Ensino Médio, liderando a turma na gincana e vencendo esta, em talentos de liderança. Vemos uma garrafa deitada, exótica, diferente, remetendo a belas garrafas numa vinícola boutique em Flores da Cunha, RS, a cidade brasileira com o maior número de vinícolas, na magia dos vinhos, em vinhos sedutores, frutados, com o perfume da fruta, na magia ancestral de tal bebida, em épocas passadas em que o armazenamento era em jarros de barro, no momento decisivo que foi a garrafa de vidro, remetendo a vinhos com tampa rosca, a qual, apesar de não ser glamorosa como a rolha de cortiça tradicional, é uma praticidade que fala mais alto – é como abrir uma garrafa pet de refrigerante. No topo, vemos um vulcão adormecido, nas forças da Natureza, no modo do Ser Humano antigo em ver divindades em tais forças naturais, como o deus Odin do Sol e o deus Thor do trovão, na revolução monoteísta: Na há deuses, mas nossos irmãos depurados, de perfeição moral, no modo católico de ver santos os quais, no frigir dos ovos, suplantaram os panteões pagãos, como no panteão hollywoodiano, numa sobrevivência de tal paganismo, com cada santo/deus com suas atribuições, como Santo Antônio, o santo casamenteiro. Na base vemos formas como chaminés de indústrias, na exigência ambiental de tratamento de resíduos, como numa certa indústria química, tratando tais dejetos, chegando ao momento final da cadeia de tratamento, numa chaminé que exala inofensivo vapor de água. Neste conjunto vemos várias linhas retas, que são a objetividade, o foco e o pensamento racional, abreviando e buscando facilidades, no termo “subjetivo é objetivo”, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, fazendo da verdade a filha do tempo, no modo como a Humanidade demorou um tanto para compreender a importância da passagem de Jesus pela Terra, numa fé que renasceu séculos depois de tal homem ter vivido, numa espécie de “vingança”, que é mandar uma penca de gente “chupar uma manga”, ou seja, o delicioso pecadinho da ira e da vingança, como no filme Uma Linda Mulher, com a protagonista se vingando de mulheres arrogantes e esnobes – quem não vai se apaixonar por Julia Roberts? É o dom do carisma, remetendo a um certo monarca, um homem sem lá muito carisma. Vemos uma espécie de duna de areias amarelas, na dança das dunas, sempre se movendo, como um palhaço nômade, com os circos indo e vindo, no rompante da vida de uma então jovem Dercy Gonçalves, fugindo de casa para se juntar a uma trupe circense, no modo como, em Showbusiness, a pessoa tem que ter espírito mambembe, como artistas em pomposas turnês mundiais, arrastando multidões Mundo afora, num poder de popularidade, fama e sucesso, remetendo a um grande mambembe como Michael Jackson, o qual morreu trabalhando, em plenos ensaios para uma bateria de shows – é uma pena. Vemos uma forma como uma pequena árvore, na brincadeira infantil de se trepar em árvores, numa época da Vida em que tudo é mais simples, na imagem do personagem Chico Bento comendo goiabas frescas, recém tiradas do pé, remetendo ao hábito do colono italiano, que era, ao visitar um vizinho, levar para este algo do pomar, num ato de generosidade e respeito, quando tudo se resume a viver em paz junto às pessoas, no final do épico O Senhor dos Anéis, com o humilde Sam voltando ao simples lar: Tudo se resume a ter uma vida pacata. Folhagens caem sobre a prateleira, como numa produção artística, num artista que tem que dar vazão a suas obras, como um lojista, que querendo ver o produto sair da loja, nem que, para isso, tenha que fazer imperdíveis promoções.

 


Acima, Futuro Primitivo V. Formas se erguem por um lugar ao Sol, na natural competitividade da Vida Humana, como em Copas do Mundo, com quarenta e sete times indo embora para casa, frustrados, como em carnificinas de concursos de beleza, com moças frustradas, como na clara imagem de frustração de Deise Nunes, a Miss Brasil 1986 que concorreu a Miss Universo, em um sonho despedaçado, como em Hollywood, a terra do fracasso, com inúmeros sonhos que se despedaçam todos os dias na Meca do Cinema, numa “selva” na qual sobreviver é duro, num forte Tom Cruise, sobrevivendo desde os anos 1980, um homem que veio do nada e conquistou tal espaço – é de se tirar o chapéu, não? Na base vemos pás de um ventilador, num arejamento e renovação, ventilação, como na sucessão democrática de poder, sendo difícil “desencarnar” de tal poder, como um Trump, o qual, certamente, sofrerá para se desfazer de tais “anéis de poder”, como uma pessoa que não quer desencarnar, querendo voltar ao corpo físico – o que dizer de um prisioneiro que não quer sair da prisão? Vemos formas como cogumelos, em fungos em jardins, remetendo a um tipo de cogumelo altamente tóxico, que é vermelho com pontinhas brancas, parecendo um inocente docinho, podendo enganar uma criança desavisada, na sabedoria de que as aparências podem muito enganar, como uma certa senhora, a qual trouxe para a vida dela mesma um sociopata de rosto bonito e corpo torneado, numa lição importante: Temos que saber olhar dentro das pessoas, e não só fora! Vemos um cano erguido, fálico, como no pau pontudo e altivo num monumento na zona rural de Caxias do Sul, remetendo ao nome de uma certa cidade – Pau Grande –, gerando inevitáveis piadinhas debochadas, na competição fálica para ver qual país tem a maior torre do Mundo, como em países ricos do Oriente Médio, na riqueza do petróleo, remetendo ao já infame Estreito de Ormuz, em desarmonias de homens que não são homens de Tao, pois homens de Tao nunca fazem uso da força bruta e deselegante. Numa das formas vemos uma bifurcação, como gêmeos siameses, numa deformidade enorme, horrível, na coragem de um espírito decidir reencarnar em tal contexto de dificuldade, numa vicissitude que causará enorme crescimento ao espírito em tal situação, numa metáfora: Tenho vários bons amigos no Mundo, mas não somos gêmeos siameses uns dos outros, pois cada um tem a sua vida, no caminho do amor incondicional, que é leve e desapegado, sem cobranças, na sabedoria de Hebe Camargo em entrevista: “Em amizade não pode haver cobrança!”. Na base do cano ereto, vemos uma pedra, talvez um diamante bruto, como um artista com grande potencial, tendo que ter humildade para sobreviver a sinais auspiciosos, sempre com os pés no chão, no modo como a arrogância precede a queda, ou seja, se quero tomar no cu, com o perdão do termo chulo, tudo o que tenho a fazer é ficar bêbado com meu próprio sucesso, como um certo cantor americano, um arrogante que simplesmente desapareceu, no modo como um novo álbum musical numa carreira é um novo desafio, recomeçando sempre do zero, com humildade. Vemos plumas luxuriantes, como em momentos do clássico Drácula de Bram Stoker, na sedução do vampiro, o sociopata de boa aparência que tanto pode enganar, como num rapaz em outro clássico, O Silêncio dos Inocentes, seduzido pelo horrível Hannibal Lecter, num filme sombrio, forte, sem um final catártico, num sociopata que acaba livre por aí, podendo topar conosco na Rua, ou seja, não é um filme o qual, ao sairmos da sala de Cinema, nos deixa exultantes de alegria, como em clássicos de terror como A Bruxa de Blair, na recomendação de uma certa psicoterapeuta: “Pessoas muito sensíveis não podem ver filmes de terror”. Vemos um pau quebrado, numa falência, numa derrota, como um certo senhor, o qual perdeu o ser patrão de si mesmo para ficar submetido a um patrão, em duras lições de humildade, um senhor que não se dava ao respeito, fracassando na carreira.

 

Referências bibliográficas:

 

CV. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

Paintings. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.