quarta-feira, 3 de junho de 2026

AC: Assim Contemporâneo (Parte 4 de 4)

 

 

Falo pela quarta vez sobre o pintor canadense Alex Colville. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Lua e vaca. A Lua é tal magia, como um prato de prata, como no prato prateado de luar no icônico quadro A Noite, do fabuloso Pedro Américo, quadro o qual certa vez pude ver de perto no Margs, no poder do feminino, numa sedução da luz do luar, a qual tanto exibe quanto oculta, num limiar sexy e fascinante, na luz do luar dos amantes, dos enamorados. A vaca aqui é tal solidão, nos momentos de solidão saudável que devemos ter, como Deus descrito no filme Dogma: “Solitário, mas engraçado!”. A vaca é tal provedora de leite e de carnes, no brutal matadouro, como eu vi certa vez, ainda muito criança, uma ovelha sendo carneada, num pobre bichinho dando os últimos suspiros, como um Jesus na cruz: “Pai, por que em abandonaste?”, em momentos de desafio de fé, como eu disse recentemente a um ente querido: Os vínculos de família não se desfazem com o desencarne, em famílias que permanecem unidas, como na família de meu falecido cunhado, uma família unida, que se reúne e faz brincadeiras, lembrando-me muito de meus natais com meus avós maternos, na ironia de que, quando meu avô faleceu, a família se desuniu um tanto, pois foi-se o poder agregador de patriarca, como um senhor vizinho de minha família em Jurerê, SC, um homem agregador, que gostava de receber as pessoas, trocar uma prosa e servir um café, nesses talentos de anfitrião, como socialites de bom coração, amando receber as pessoas, como um certo rapaz carioca, um anfitrião que dá pomposas festas, no fato de que, infelizmente, festas não marcam época; trabalhos marcam época, pois, após o momento de euforia festiva, a Vida, no dia seguinte, segue se desdobrando em toda a sua seriedade, na imagem da pista de dança sendo varrida após os resíduos de festa, como na casa portoalegrense Ocidente: Boate de noite, restaurante de dia, na figura do lendário empresário Fiapo, regendo a casa por décadas na vida da urbe dos gaúchos, cidade pela qual tanto carinho tenho, mesmo sabendo eu, no fundo, de que tudo continua a mesma merda, com o perdão do termo chulo. Esta cena é um tanto onírica, como nos cenários oníricos do filme A Cela, nos esforços de psicólogo para decodificar tais aspectos, analisando sonhos em consultório, na intenção de guiar existencialmente, na sabedoria popular de que um psicólogo é uma comadre bem paga, no ato saudável de se sentar e conversar, numa relação de confiança, jogando-se nos braços do terapeuta, como receber alguém dentro de nossas casas, trazendo-os para o hálito de nosso lar, como me lembro do cheiro de lar de minha querida avó paterna, uma mulher tão cheia de amor, iluminando-me lá de cima, na imortalidade dos vínculos de família, amor e amizade, num túnel de luz que nos leva a tal lugar maravilhoso, em figuras tão amorosas como Chico Xavier, maravilhoso, inacreditável, sempre me iluminando quando falo dele em meu blog, um homem o qual, de tão humilde, dizia-se um mero “carteiro”, distribuindo mensagens de esperança e conforto principalmente a mães que perderam os filhos – obrigado, Chico! Aqui é como nas noites dos Campos de Cima da Serra, RS, com o canto prateado do queroquero, uma ave tão típica gaúcha, no poder dos instintos e da seleção natural, como certa vez uma mãe queroquero quase arrancou meu olho por eu passar perto do ninho com filhotes, nessas pessoas cheias de instinto, sobrevivendo, pois instinto é um caminho autodidata, e nenhum livro ou faculdade pode nos dizer direitinho o que fazer em cada situação, na noção taoista de que as pessoas precisam aprender por si mesmas o que é simplicidade, o mais elevado grau de sofisticação, como na impecável bandeira nacional japonesa, limpa, mínima, simples, arrebatadora. A vaca aqui deitada é tal repouso necessário, remetendo às pessoas workaholics, que não param de trabalhar, numa vida degradante, numa pessoa que simplesmente não se permite viver, no conceito bíblico de que até Deus descansou no sétimo dia, nos versos de uma canção de Barbra: “Não me diga para não viver e só sentar e produzir!”. Aqui remete à arrebatadora canção O Amor e o Poder: “Um animal que ronda no véu do luar”, no bicho querendo comida e sexo. A cerquinha é o limite, o siso, a responsabilidade, numa pessoa que sabe até onde pode ir. Aqui, os domínios de um reino até onde a vista alcança, como nos vastos vinhedos do Vale dos Vinhedos na Serra Gaúcha.

 


Acima, Mulher com revólver. Aqui temos uma cosmogonia entre princípios masculino e feminino, no céu “fazendo amor” com a terra, numa doce chuva que cai. Aqui é como num certo filme com Gisele, com esta segurando uma pistola, misturando beleza feminina com agressividade masculina, em arquétipos universais da bela e da fera, num jogo de sedução, como no flerte do filme O amor custa caro, num jogo universal, como nos tradicionais casais japoneses: Ele, fechado, antipático e carrancudo, sem dar um sorriso ou curvatura de polidez, caminhando grosseiramente na frente da esposa; ela, doce, simpática e receptiva, curvando-se polidamente. É como um casal de lésbicas que vi recentemente: Uma delas, doce e simpática, mal dando para ver que era gay; a companheira, extremamente masculina, antipática, sem cumprimentar as pessoas, praticante de artes marciais, como no nome de uma certa jogadora de Futebol, bem masculina, no caminho da identidade de gênero, a qual tem que ser respeitada, afinal, não se trata de minha vida. A cabeça aqui está decapitada, como alguém que não quer se identificar, como num certo clipe de décadas atrás, numa drag queen obscura, sem querer se identificar, talvez numa vergonha, num Mundo que exige que sejamos claros e transparentes, no caminho do apuro moral. A escada é a gradação, como em cadeiras numa faculdade, num processo de crescimento, na sabedoria dialética de que tudo é processo, em crescimentos intermitentes, remetendo aos espíritos de pura luz, gozando da suprema felicidade, num Céu que exige que nos mantenhamos produtivos, na ironia de que o Céu é tal siso, longe da vaga imagem de anjinhos tocando harpas doces, na perguntinha inevitável que fazemos a nossos entes queridos lá em cima: “Onde estás trabalhando?”. E Tao é este artesão incansável, deixando-nos perplexos com tal perfeição, como nos plátanos: Quentinhos no inverno, fresquinhos no verão, numa ideia tão simples e maravilhosa, num senso de humor imortal, na figura do palhaço, o qual faz palhaçadas estando ou não remunerado por tal, em palhaços maravilhosos como Jim Carey e Rowan Atkinson, na particularidade humana de rir de si mesmo. Aqui o nu não é agressivo ou “ginecológico”, mas num sexy sem ser vulgar, como na revista Playboy brasileira, em edições tão memoráveis como a de Vera Fischer em Paris, ou na bombástica edição do debut de Adriane Galisteu, nesta tornando-se estrela após tal edição, enfrentando um fracasso com a Playboy para a qual posou muitos anos depois de tal debut – o sucesso é um amante infiel, pois, hoje, está comigo; amanhã, não sei. Aqui é numa intenção de matar, num sociopata armando tudo secretamente, visando se safar, num espírito que vai ao Umbral depois de desencarnar, na dimensão da loucura, num prisioneiro que não quer sair da prisão, num espírito que quer voltar ao corpo carnal, algo impossível, na sabedoria popular de que do Mundo nada se leva. A arma é tal terrível invenção, na agressividade europeia, pegando a pólvora dos belos fogos de artifício chineses para transformar em armas, no homem europeu reivindicando as Américas, dizimando os indígenas, resultando depois em tantas ruas e lugares brasileiros como nomes indígenas, numa espécie de pedidos de desculpas, como na praia gaúcha de Capão da Canoa, com diversas vias com nomes indígenas, como Sepé, Paraguassu, Marabá e Ararigboia. A nudez é tal franqueza, como num momento de um certo show de Gal Costa, com a diva com seios expostos numa verdade nua e crua, cantando os versos de deus Cazuza: “Brasil, mostra a tua cara!” – nada de errado com nudez. Aqui, a mulher é jovem e formosa, talvez numa sociopata que seduz homens, no divertido videoclipe em que o espião Austin Powers, vivido pelo deus Mike Myers, é seduzindo por Madonna, a deusa sacrossanta do pop, nessas pessoas que trilharam instintivamente seus caminhos.

 


Acima, Mulher na rampa. Aqui é certa idade, na chamada “turma da bengala”, numa época da Vida em que caminhar se torna complicado. A senhora aqui tem os corrimões como amparo e ajuda, na época das “três pernas”, sendo uma destas a bengala. O mar é doce e o Sol brilha, ao contrário de urbes cinzentas como Londres, em contraste com as rubras cabines telefônicas, as quais foram “aposentadas” pelos dispositivos móveis, nesse galgar frenético de tecnologias, fazendo de minha geração uma geração que testemunhou a transição do analógico para o digital, aposentando, por exemplo, os televisores de tubo sem controle remoto e só com canais de TV aberta, mas numa época em que éramos felizes, mesmo sem então muita tecnologia, na nostalgia do CD e das fitas VHS, com as locadoras. Neste aclive há um crescimento, como em fases de um curso universitário, no catatau de coisas que precisamos fazer para nos formarmos, em anos de esforços, isso sem falar no trabalho de locomoção para ir e voltar do campus, gastando não só dinheiro em mensalidade, no caso de instituições particulares, mas também em locomoção, no sentimento de realização, de completar algo, remetendo aos que cometem um erro de largar a faculdade, subestimando a importância de um diploma, como um certo senhor, o qual largou a faculdade para nada fazer e no lugar, numa pessoa que se perdeu num submundo desinteressante, frequentando lugares viciosos. Aqui é o inverno da Vida, na terceira idade, numa época em que temos sabedoria, na figura respeitada do ancião, nesta imagem que temos de Deus, a de um patriarca de barbas brancas, na sociedade patriarcal que impõe a burca, nessa castração à sexualidade feminina, no mito da Virgem Maria, a mulher à qual foi negado ter vida sexual, como no pai ao ver a própria filhinha nascendo: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na Igreja!”, ao contrário da sexualidade masculina, a qual é encorajada – é um horror essa disparidade de preconceitos. Os pés descalços são a simplicidade da praia, num lugar de liberdade e ar puro, remetendo a meu sobrinho ainda pequenino na orla, felicíssimo com a água, na capacidade da criança em se sustentar com pouco, ao contrário das exigências adultas. Aqui temos um quadro solitário, com esta senhora sem que a ajude, como uma pessoa que resulta em mendigo, rechaçando a Vida em Sociedade, num estilo de vida degradante, no qual a pessoa quer fugir da luta pela Vida, num Mundo que exige que tenhamos tal espírito guerreiro, nessas pessoas que levam uma vida de labor dignificante, num caminho de construção, como numa laboriosa Hebe Camargo, colecionando joias, mas tudo fruto de trabalho, em pessoas trabalhando e constituindo patrimônio. O corpo aqui é tal envelhecimento inevitável, como pessoas famosas que envelhecem publicamente, remetendo a Vera Fischer, estando muito bem para uma mulher de sua idade, naquelas mulheres que sabem que idade não é pretexto para parar de se arrumar, como uma professora que tive, a qual de manhã bem cedinho estava impecavelmente arrumada – maquiagem, cabelo, unhas, roupa, perfume, acessórios etc., no caminho do amor próprio, remetendo a uma certa senhora cozinheira de shows televisivos, a qual perdeu totalmente a autoestima, simplesmente sem se arrumar na hora de gravar seus programas. Aqui é uma certa libertação, numa mulher que parou de menstruar, na noção de que há aspectos que melhoram com a idade, numa idade em que não pensamos nas bobagens em que pensávamos, fazendo da juventude feliz e perfeita uma invenção de velhos, crendo que a juventude é sinônimo de felicidade, quando a juventude é pautada de vicissitudes, como a irresponsabilidade. A mulher com cautela olha para o chão, como se soubesse que há perigo, como tropeçar na Rua e ferir-se de algum modo, na inevitabilidade dos acidentes. As listras do maiô são aristocráticas e finas, em marcas tão aristocráticas como Ralph Lauren, seduzindo consumidores frente a tanta sofisticação e bom gosto, na sedução de fragrâncias, fazendo do perfume um luxo, e não uma primeira necessidade.

 


Acima, Pacífico. A perigosa arma está em repouso, colocada de lado, no modo como um homem de Tao jamais recomendará violência, remetendo às guerras insanas do Ser Humano, com Caim eternamente matando Abel; com irmão derramando sangue de irmão, como um certo ditador mandando matar o próprio irmão – é um horror. O homem aqui contempla um pouco a Vida, e deixa a raiva e a arma de lado, no modo como a paz é maior do que a raiva, fazendo com que os desentendimentos não sejam perenes, pois a Eternidade é tempo para tudo se revolver, resultando nos espíritos superiores, de impecável apuro moral, na deliciosa hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, ao contrário da hierarquia militar, com tudo imposto à força, numa cópia tosquíssima de Tao, o Rei do qual somos todos príncipes filhos, num Pai que quer o melhor para nós. A arma remete ao lobby das armas nos EUA, num divertido filme em que o intelectual e genial Woody Allen critica os republicanos, num enredo em que um rapaz estava simpatizando com as ideias republicanas, num rapaz que foi fazer exames e o diagnóstico é que estava indo pouco oxigênio para o cérebro do rapaz, nas guerras de Trump, sendo um xerifão que se mete em todos os assuntos do Mundo, no modo como os americanos têm que arcar com as consequências de terem recolocado tal senhor na Casa Branca. Aqui, a violência é deixada de lado e a contemplação do mar é relaxante, como um som que nos embala num sono, numa canção de ninar, nas demandas de se ter um bebê dentro de casa, com pais mal podendo dormir em meios aos choros, nas palavras de uma certa mãe, com o filho bebê: “Meu dia começa às cinco da manhã!”. O mar aqui é a beleza do surfe, num esporte tão belo e tão conectado à natureza, como uma amiga minha carioca, a qual virou surfista, no sabor agridoce do Rio de Janeiro: Por um lado, um paraíso belo, cheio de natureza e praia, de Sol, de Vida; por outro lado, uma cidade na qual há pobreza e violência, pois, do topo do Cristo Redentor, o Rio parece ser imaculado, limpo, pacífico e perfeito; visto de perto, tem problemas como sujeira, como certa vez uma certa atriz, catando do chão das areias cariocas o lixo que o povo jogava na areia, como vi recentemente lixo reciclável jogado em lata de lixo orgânico, na revolução que foi a reciclagem de resíduos, como latinhas de alumínio, com tudo começando com o humilde trabalho de catador de lixo seco, num elemento químico que pode ser reciclado inúmeras vezes, ao contrário do plástico, do qual a Humanidade ainda é muito dependente. O homem aqui está aprendendo que a paz fala mais alto, fazendo de Jesus tal Príncipe da Paz, no modo como nem Ele, em sua suprema majestade, foi capaz de solucionar os problemas do Mundo, como as guerras, mas num Jesus que segue sendo uma figura na qual podemos depositar esperanças de que um mundo melhor nos espera lá em cima, na imortalidade dos vínculos de família. Podemos ouvir aqui tal som relaxante, na delícia de se nadar nu no mar, na inocente nudez uterina, no trauma que é vir ao Mundo, num choque térmico entre o quentinho da mãe com a sala fria de parto. A arma é a inclinação humana para a desarmonia, no discernimento taoista: Numa queda de braço, perca, pois, quando você perde, você se torna o homem grande; quem vence, entra em inferno astral, o qual pode durar diversos dias, num inferno que nos prejudica num momento em que deveríamos estar felizes. A janela aberta é tal arejamento de ideias, na arma deixada de lado, numa pessoa em processo de crescimento, o qual é o sentido da Vida – tornar-se uma pessoa melhor, como num processo de crescimento numa faculdade, numa Vida que nos dá constantes oportunidades de fazermos amigos, os quais são o ouro da Vida, pois, fora da amizade, não há salvação, no caminho espírita do amor incondicional, sem cobranças ou condições, no amar sem a expectativa de retorno de outrem. A arma aqui está esquecida, como no arrebatador final do filme A Ilha do Medo, numa ilusão sendo desfeita, no caminho da loucura do personagem de Leo DiCaprio, um grande ator.

 


Acima, Para a Ilha de Príncipe Eduardo. As lentes são um vislumbre existencial, como num empresário que vê oportunidades de mercado, como no volúvel mercado gramadense, com tantos e tantos empreendimentos fechando e fracassando durante o ano, em investimentos que não deram o retorno desejado, como num certo restaurante de comida portuguesa, impecavelmente decorado, chique, tendo que fechar as portas, como um certo senhor publicitário, o qual fracassou e teve que fechar as portas de sua agência, perdendo o ser patrão de si mesmo e tendo que voltar a ficar submetido a um patrão, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? O homem atrás está bem relaxado, curtindo a navegação. A mulher está tensa e atenta, observando movimentos de mercado, como num cineasta sonhando em fazer um filme, frequentemente querendo transformar um romance em filme, nesse trabalho difícil que é fazer Cinema no Brasil, ou como na Argentina, país no qual o Cinema, hoje, está estagnado, na política de contenção de gastos de Milei, em cofres públicos exauridos, num presidente que teve que cortar totalmente os incentivos aos cineastas argentinos, os quais, neste momento, é claro, estão odiando Milei, em medidas antipáticas como as de Thatcher, ignorando protestos, no termo que a política inglesa mereceu: A Dama de Ferro, em episódios como o da Guerra das Malvinas, ceifando as vidas de jovens rapazes de ambos os lados do tabuleiro mundial. O barco aqui é de luxo e confortável, em privilégios da riqueza mundana, na metáfora do Anel do Poder, corrompendo homens basicamente bons, no pesadelo que é a vida de uma pessoa que ganhou na loteria, na noção espírita, sobre o Plano Superior: Você não faz ideia a que estado ficam reduzidos aqui aqueles que são considerados felizes na Terra! É no modo como uma pessoa rica só pode ser sã se trabalhar de alguma forma, na necessidade de nos mantermos nobremente ocupados no Plano Superior, o lugar onde o ócio é impossível. O mar aqui é bem calmo e plácido, o pavor dos surfistas, que querem ondas grandes, com um tesão para praticar o esporte, remetendo a uma certa pessoa, a qual outrora tinha um grande tesão pela Vida, mas uma pessoa hoje desestimulada, como um surfista que não quer pegar onda. A mulher nos olha como nós olhamos para ela, como a Monalisa nos olhando, na grande estrela do Louvre, na decepção do espectador ao se deparar com um quadro pequeno, na sabedoria popular de que tamanho não é documento, como Tom Cruise, um homem baixinho que é um gigante de Hollywood, ou como Madonna, uma naniquinha que é um monstro pop. As roupas brancas são tal paz no mar, na cor dos hospitais, ou de centros espíritas, como na farsa revelada de um senhor que se fazia passar por grande curandeiro espírita, sendo desmascarado e rejeitado, pois os que mentem acabam assim, rechaçados, como um certo sociopata, o qual mente, mente e mente, uma pessoa que terminará a vida “enterrado como um cachorro”, sem deixar saudades, como na vilã Raposa de Jade em O Tigre e o Dragão, enterrada como um cachorro de rua, um espírito equivocado, para o qual só resta o Umbral, a dimensão dos que não respeitam a Vida, como um certo sociopata, o qual matou um rapaz absolutamente inocente, um sociopata que tem que ver a tragédia que trouxe para a família de tal rapaz. Aqui é como as lentes que revolucionaram as navegações europeias em solo americano, explorando terras devolutas e selvagens, com tribos de canibais, na missão europeia de trazer apuro moral, rejeitando o canibalismo, no trabalho de padres em doutrinar os ditos selvagens, impondo os valores do Vaticano, como na Cruz de Malta, símbolo dos guerreiros cristãos, no peito do super herói He-Man, na imposição do patriarcado; do macho alfa. Aqui é como um voyeur, ou um paparazzo, seguindo pessoas, como certos comediantes brasileiros obcecados por uma certa atriz carioca, no caminho do amor doente e fixado.

 


Acima, Patinador. Aqui é o treino, a disciplina e a dedicação, numa seriedade muito grande e competitiva, sabendo que vai concorrer com atletas excelentes, em carreiras brilhantes como a de Guga Kuerten, exigindo o má-xi-mo do corpo, em sonhos de carreiras estelares, como é no mundo dos esportes: Alegria de um, tristeza de outro. O chão riscado é como cicatrizes existenciais, como numa mala com várias etiquetas de viagens, ou carimbos num passaporte, num espírito que vai passando por várias vidas e vai crescendo, no modo como nenhuma vida é em vão, e ninguém está no Mundo “a passeio”, mas encarando oportunidades de crescimento, nas vicissitudes que acabam por nos guiar e nos ajudar, como me disse uma terapeuta que as crises são positivas, pois estas assinalam um momento de renovação na vida da pessoa, em remédios amargos que surtem doces efeitos, como uma água gélida que limpa. O patinador aqui brilha numa prova, num momento de enorme concentração, como o tenista na quadra, ou um jogador de futebol, mal ouvindo os gritos na plateia, como vi certa vez uma cena de extrema deselegância num campo de futebol, com rapazes cuspindo em jogadores do time oponente, num ambiente de grosseria, ao qual é perigoso levar mulheres ou crianças, em grosserias que definitivamente esquecem o cavalheirismo no fio do bigode. Aqui, é claro, tem que ter uma canção embalando a prova, como a ginasta Daiane dos Santos ao som de clássicos da Música Brasileira, num caminho de identidade nacional, na riqueza da MPB, em deuses sacrossantos imortais como Elis, fazendo parte de meu “DNA”, com eu ouvindo Elis desde pequeninho no carro dos meus pais ou em nossa casa, na sutileza do manifesto por trás de Águas de Março, como disse uma certa professora, doutora graduada: “Os militares eram tão burros!”. O patinador aqui está alheio a nós, pois está muito ocupado, e aqui é um momento frágil, pois qualquer errinho pode comprometer, como jogadores de Futebol errando pênaltis, como o Brasil sendo eliminado pela França nos pênaltis na Copa do Mundo de 1986: Temos que levar na esportiva! A lâmina dos patins é a precisão, o foco, como num bisturi, pois, quando me sinto como uma tesoura cega, é porque estou humilde e com os pés no chão; quando me sinto afiado como um bisturi, é que porque estou arrogante, e a arrogância precede a queda, ou seja, estou prestes a tomar no cu, com o perdão do termo chulo. Aqui é um esporte arte, belo, como no futebol arte do Brasil, em reis como Pelé, um homem que se manteve humilde, na qualidade do grande rei, que é nunca se afastar do próprio povo, num rei que toma o mesmo tipo de café de seus súditos, num caminho de simplicidade, como numa cena do clássico Titanic, com um homem primando pela simplicidade, rechaçando frescuras e afetações pernósticas arrogantes, como o topo poderoso Boni, da Globo, numa entrevista, dizendo, em sua simplicidade, mesmo sendo um homem rico e bem sucedido: “Comida boa é comida simples, bem feita.”, ou seja, um xisburguer bem feito – e como é bom! Aqui, essas cicatrizes no chão são como no divertido termo “puta velha”, com o perdão do termo chulo, referindo-se àquelas pessoas que estão há um tempão atuando no mercado, conhecendo todos e por todos sendo conhecida! Aqui, no quadro, temos velocidade, precisão, num atleta que tanto se preparou, dando dó de ver um deles caindo na pista de gelo, em sonhos desmoronando num piscar de olhos, no modo como não existe atleta perfeito, e mesmo um grande tenista comete vários erros numa partida, remetendo a um certo senhor, o qual, ao errar no tênis, jogava violentamente a raquete no chão da quadra, num descontrole emocional, remetendo ao enorme controle emocional de lutadores, os quais não levam a porrada para o lado pessoal, abraçando o oponente no final do embate. Aqui são esportes de inverno, impossíveis em países como o Brasil, no modo como cada estação tem seus encantos, na beleza dos ciclos da natureza, em cidades como Nova York, com estações bem definidas, na beleza do outono, num Central Park totalmente dourado.

 

Referências bibliográficas:

 

Alex Colville. Disponível em: <www.artgalleryofhamilton.com>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.beaux-arts.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.moma.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Biography. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Collections. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Gallery. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Home. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Selected Publications. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

AC: Assim Contemporâneo (Parte 3 de 4)

 

 

Falo pela terceira vez sobre o pintor canadense Alex Colville. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Estúdio. O pudor, como nas maliciosas folhas no Éden, ao ponto do Vaticano cobrir inocentes genitálias em pinturas no centro católico mundial. Aqui pode ser um autorretrato, no artista vendo a si mesmo, num momento de reflexão, numa pitada de solidão no estúdio, na saudável solidão que devemos ter de vez em quando, como Deus descrito no filme Dogma: “Solitário, mas engraçado! Extremamente bem humorado!”. É o caminho solitário existencial, num caminho autodidata, na noção taoista de que as pessoas precisam aprender por si mesmas o que é simplicidade, na noção de da Vinci de que a simplicidade, a limpeza e o minimalismo são os mais elevados graus de sofisticação, na gloriosa sensação de se tomar um bom banho depois de um dia inteiro de sujeiras na Rua e transpiração, ao contrário do estar perfumado, o que é um luxo, inacessível para pessoas mais pobres, nos preços acessíveis da marca de perfumaria Jequiti, vendendo miniaturas por preços módicos, exatamente para atingir classes menos ricas, no fascínio de fragrâncias, tendo eu já perdido a conta de quantos frascos de perfume consumi até hoje me minha vida, remetendo a um certo senhor malicioso, o qual usava perfume de mulheres, achando isso chic e sofisticado, no modo como você pode ser perfumado e, ao mesmo tempo, homem! A luz entra difusa, como em dias nublados, sem projeção de sombras, em dias nublados, de dúvida existencial, num mundo cinzento entre o bem branco e o mal preto, num plano de disputa entre o bem e o mal, como no universo de He-Man, no Castelo da Caveira Cinza, disputado entre o bem e o mal, na metáfora de que a caveira mortificada é o mal anulado e vencido, no caminho espírita de mortificação, que é ouvir  a fria mente e parar de ouvir as bobagens do coração, como uma certa médium espírita, bloqueando-se contra o traiçoeiro coração, pois é exatamente quando só ouvimos o coração que tomamos no cu, com o perdão do termo chulo, na sisuda noção de que antes vem a mente e só depois vem o coração, remetendo a uma grande tragédia na vida de uma certa senhora, a qual, é claro, sem intenção de matar, matou o próprio neto, nesses traumas incontornáveis, numa senhora que levou para o próprio túmulo tal trauma tenebroso, desencarnado depois e reencontrando-se com o neto no Plano Superior, vendo que o neto está lindo, vivo, lépido e faceiro – pronto, minha senhora, passou! A ironia aqui é que a nudez é ainda mais ressaltada pelo relógio no pulso e os óculos no rosto, em acessórios tão essenciais, remetendo ao nosso tempo, onde tudo é via dispositivo móvel, enterrando a era das máquinas fotográficas e das câmeras de vídeo, com tudo se resumindo a software, na era do download e do streaming, sepultando o suporte físico, a mercadoria que compramos ou alugamos e levamos para casa, na nostalgia da era VHS, com as locadoras de vídeo, como na minha geração, a qual testemunhou a morte da era analógica e viu a ascensão suprema da era digital, como nesses dias a notícia de que a fabricante de brinquedos Estrela pediu recuperação judicial, pois as crianças de hoje em dia brincam somente de forma digital, desinteressando-se pelos brinquedos comprados na loja, deixando no passado o saco de Papai Noel cheio de brinquedos físicos – sinal dos tempos. A calvície é o passar do tempo, como no trans homem Tammy, com uma careca tipicamente masculina, no caminho da identificação de gênero, como uma certa homossexual que conheci em Porto Alegre, uma mulher de uma autoimagem completamente masculina, uma pessoa a qual, ao ir a uma loja de departamento para comprar roupas para si, vai para o departamento masculino, e temos que respeitar, pois, afinal, trata-se da vida de outra pessoa, e não de minha vida. Aqui temos uma magreza, até com os ossos do tórax salientes, remetendo aos cruéis padrões de beleza vigentes, nos quais só é considerada sexy uma mulher que esteja na antessala da Anorexia, alvejando em cheio a autoestima da mulher, gerando levas de moças que simplesmente não querem saber de se alimentar – é um horror. No topo do quadro, uma vegetação, na força da Vida, sempre lutando para viver, no espírito de guerreiro, que é a pessoa que luta no ringue da Vida, batalhando pela Vida, num Deus Pai que quer no ver lutando, trabalhando e merecendo.

 


Acima, Expresso Köln. Aqui são esses miseráveis em situação de rua, pessoas que querem fugir da luta renhida que é a Vida, remetendo à Argentina, na qual mendicância é ilegal, e inclusive vi certa vez numa praça de Buenos Aires os policiais abordando um mendigo. O “canto da sereia” da situação de rua é que a pessoa leva uma vida sem regras, sem horários, sem obrigações sisudas, pois há abrigos de assistência social, mas, nesses abrigos, os assistentes sociais colocam os dedos da pessoa na “tomada elétrica”: “Você não pode ficar aqui vendo TV o dia todo. Você tem que fazer a sua carteira de identidade, ir para rua e procurar emprego, ou seja, você tem que se reerguer”, quando que, na Rua, não há pessoas que “encham o saco” com tais cobranças, ou seja, o mendigo não é uma vítima, no modo como não se deve dar esmola, a qual não ajuda, só atrapalha, pois a esmola incentiva e pessoa a ficar em tal situação degradante de rua. Aqui o inverno é rigoroso e cruel, como um certo mendigo, o qual estava dormindo dentro de um container de lixo seco, e veio o caminhão de coleta, revirou o container e o mendigo acabou morrendo esmagado pelos mecanismos do caminhão, numa morte tão tola e estúpida, como morrer atropelado. Aqui é o necessário descanso, e o mendigo não dá a si mesmo opções, tendo que dormir num banco de praça, ou dentro de setores de caixas eletrônicos de bancos, como na minha cidade, com mendigos dormindo em tais lugares, fugindo assim de inclementes invernos, numa vida tão sem sentido, numa pessoa que não faz merda nenhuma, com o perdão do termo chulo, como uma certa senhora rica, morando em um belo prédio, dirigindo um belo carro e tendo para si uma empregada que lhe faz tudo, fazendo dessa mulher rica uma mulher miserável, que nada faz de seus dias na Terra, numa miséria tal que tudo o que lhe resta é fofocar e cuidar da vida dos outros, muitas vezes falando mal dos outros, inclusive falando mal de mim – vá tomar no cu, minha senhora, com o perdão do termo chulo. A vida exige que façamos algo de produtivo, em tristes estilos de vida de pessoas aposentadas, passando o dia inteiro dentro de casa, só fuçando na Internet e vendo TV – não tem como ser válido. É como a senhora minha avó, a qual, ao se aposentar como professora de Língua Portuguesa, passou a escrever poesia, escrevendo, em meio às tardes de brumas na Serra Gaúcha: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”. O cargueiro são as pontes de comércio internacional, nos sonhos liberais de Adam Smith de uma economia global autorregulada, no oposto de Marx, que é o estado total, na sabedoria de Keynnes, que é o caminho do meio, num estado que tem que interferir de modo sutil na economia, havendo a opção de tratamento de saúde na rede pública e na rede privada – os extremos são como um inverno gelado e um verão tórrido, numa bipolaridade, como em radicalismos religiosos intolerantes, algo que construiu a aversão de Marx pelas religiões, na universalidade humana, com “pontes” diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao. O navio é o labor, com pessoas laborando, lutando pela Vida, como acordar numa manhã gelada de inverno, nas palavras de Thatcher do filme A Dama de Ferro: “Estive numa batalha em cada dia de minha vida!”. O navio trabalhando faz contraste com o mendigo, no modo como, no Mundo, há pessoas que têm vidas produtivas; outras pessoas, nem tanto. É na realidade do Plano Superior, no qual temos que trabalhar, no espírito desencarnado que começa a observar a necessidade de se manter produtivo, evitando uma insossa vida de ócio e contemplação, nas palavras de uma canção da cantora Macy Gray: “Levante-se! Levante-se! Faça algo!”. Aqui o mendigo pode estar morto por hipotermia, sepultado anonimamente, como indigente, remetendo a um certo rapaz solitário, o qual se esquece que tem família, irmão, mãe, dinda, primos e tios, nas palavras de uma certa mulher adotada: “Eu não tenho família!”. A neve aqui é tal beleza, na raridade de tal fenômeno no sul do Brasil, encantando turistas, os quais vão a Gramado exatamente para passar frio!

 


Acima, Farra no rio. A guia no cachorro é a disciplina, o controle, no hábito de se castrar o bicho, fazendo metáfora com a vida espiritual, a qual é “castrada”, sem as paixões e sofrimentos do corpo físico, na glória que é estar desencarnado, como eu digo mentalmente a um querido ente querido já falecido: “Você está na glória; você está desencarnado!”. E não é glorioso estar livre de todos os problemas relativos ao corpo físico? Não é uma libertação inenarrável? É como disse certa vez Elke Maravilha sobre a terceira idade: “Você não sente mais libido na perereca! É uma libertação!”, ao contrário da juventude, quando somos “escravos” de nossos próprios hormônios, numa jovem pessoa que quer sexo, sexo e sexo. O barco é a travessia existencial, no trajeto pela Vida, como me disse uma certa senhora: “É um looongo caminho”. O barco passando é como as coisas vão passando na Vida, como me disse um certo senhor: “Tudo passa!”. Foi quando ouvi em minha mente uma voz num momento muito espinhoso e complicado para mim: “Vai passar!”. E realmente passou. O importante é sobreviver na Vida, como Madonna em entrevista, sobre certo um álbum da própria diva: “É meu modo de celebrar tudo o que sobrevivi na minha vida!”. E a Vida não exige que sobrevivamos a tais “hecatombes nucleares”? É como na metáfora das baratas, as quais sobrevivem a tais hecatombes, em metáfora com a cantora Cher, uma sobrevivente, batalhando para tocar a carreira para a frente, na humildade de se virar a página e recomeçar do zero, encarando uma nova fase na Vida, nas palavras de uma certa senhora ao acordar os filhos de manhã cedo: “Hora de encarar a Vida!”. É no siso do despertador, num momento em que daríamos tudo para permanecer dormindo, como num episódio de Mr. Bean, com este procurando fugir, com mais alguns minutinhos de sono, na sedução dos braços de Morfeu, havendo no despertar tal momento de sacrifício, com meu pai dizendo a mim e minha irmã ao nos acordar numa gélida manhã de inverno: “É fogo! É fogo!”. O rio plácido é tal tranquilidade, na mortificação do coração, deixando-se guiar pela razão, pela lógica, poupando o coração de sofrimentos, como no siso de uma proposta de casamento, no homem propondo algo sério, para assim ganhar a confiança da mulher, com dinheiro para montar uma casa com móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, fazendo do casamento uma conveniência de sociedade: Nós nos unimos e cada um faz uma parte do trabalho. A mulher está decapitada, censurada, retirada, numa discrição, como no discreto Luis Fernando Veríssimo, passeando pacatamente por um shopping portoalegrense, num escritor assediado por pessoas querendo fazer selfies com o homem, ao invés de respeitarem o momento de lazer do cidadão, na sina das pessoas midiatizadas, visadas publicamente, como uma Gisele, tendo que se disfarçar para passear por um parque da capital gaúcha, nessas pessoas tão públicas, como popstars mundiais, condenados a uma vida de prisão, sem poder caminhar pelo calçadão no Rio, comer um açaí e curtir a vida, como eu disse para mim mesmo num domingo de tarde num shopping: “Coisa boa poder passear em paz!”. Os poéticos ao fundo são tal passagem, como passar por um curso universitário, no caminho de depuração da Vida, cujo sentido é se tornar uma pessoa melhor, e você não é bem melhor do que era? Existe vida sem sentido? Claro que não, pois ninguém está no Mundo “a passeio”. O barco aqui é extenso, numa travessia extensa, como navios de comércio internacional, na trama da saga Star Wars, no início do episódio IV, falando das rotas de comércio numa galáxia, na atemporalidade, como no Império Romano, estendendo-se Mundo afora, como numa sede de poder de Alexandre, nas ambições humanas de subjugar tudo e todos, na sedução do Anel do Poder de Tolkien, corrompendo nobres corações. Aqui, tudo passa, como num programa passando pela TV.

 


Acima, Fevereiro. Aqui é uma rejeição e um evitamento, pois a modelo está de costas, alheia a nós, talvez numa reserva, em estilos de vida reservados e discretos, como uma senhora que conheço, discretíssima, com pouca ou nenhuma maquiagem, discreta no modo de se vestir e de falar, numa voz reservada, suave, numa certa timidez. Aqui é como já ouvi dizer como são deprimentes os invernos escandinavos, com meses seguidos de neve intensa, longe da alegria tropical do Rio, com turistas indo à urbe para curtir a mescla entre concreto e natureza, numa cidade que tanto pulsa vida, num poderoso destino turístico mundial, em contraste com a poderosa cidade de São Paulo, um tanto fechada para o turista, assim como Caxias do Sul, uma gigante econômica e uma anã turística, numa São Paulo cinzenta, na cidade dos negócios, uma cidade tão cosmopolita e aberta ao Mundo, assim como Brasília, a cidade das embaixadas, remetendo a Caxias do Sul, uma cidade que está ficando cosmopolita, até com mulheres de burca caminhando pela cidade, a qual atrai tantos latinoamericanos e africanos, na promessa de trabalho e de vida digna. Num retiro, vemos um homem observando, talvez o próprio pintor observando os movimentos da mulher, no papel do modelo, que é inspirar o artista, numa relação de confiança, no modelo à vontade dentro do estúdio, na paciência para posar por horas, remetendo a um artista plástico de Porto Alegre, o qual tira fotos tuas num estúdio e, a partir da foto, faz uma pintura a óleo, na magia e no glamour da tradicional pintura a óleo, no modo como o poderoso advento da Fotografia libertou a Arte da função retratista, em tantos avanços que simplificam nossa vida, no libertário e gostoso pecadinho capital da preguiça: Por que me “matar” subindo e descendo escadas se posso o fazer comodamente dentro de um elevador? A neve aqui é espessa, num inverno inclemente, como em momentos de inverno novaiorquino, quando a prefeitura da urbe orienta o cidadão a não sair de casa, tal o acúmulo de neve, numa cidade a qual, no pico do verão, vira um “forno de padaria”, na magia poética das estações climáticas, na delícia da meia estação, sem a bipolaridade entre extremo calor e extremo frio, na delícia do Plano Superior, no qual os dias são agradáveis e as noites são amenas, pois, desencarnados, estamos livres dos nossos corpos que são sensíveis às temperaturas, num plano tão divino, no qual observamos a necessidade de nos mantermos operantes e ativos, procurando lá um trabalho, num lugar onde não existe desemprego, com trabalhos bons, que exigem de nossa cabeça, e não meros trabalhos subservientes. O quadro aqui é melancólico e cinzento, na dúvida cinzenta existencial entre branco celestial e negro do Umbral, fazendo do submundo tal escuridão, com espíritos sofrendo e se arrastando pela sujeira, pela escuridão e pelo fedor, um lugar que é uma prisão para nossa cabeça, na prisão dos subvalores, os quais perdem contanto com esse aspecto importantíssimo que é o Senso Comum, um submundo que vai nos deixando barra pesada e mal encarados, em amizades fúteis, que não nos dão sensação de acompanhamento existencial. O casaco é tal proteção e resguardo, como usar camisinha, em gerações que chegaram à maturidade sexual desavisadas em relação à AIDS, sendo pegas de surpresa por ela, ao contrário de minha geração, que foi criança nos anos 1980, sendo desde cedo alertada sobre a importância de se proteger com camisinha, numa terrível AIDS que ainda não foi erradicada, continuando a circular solta por aí, inspirando uma canção de uma certa popstar, na qual chora pela morte de dois grandes amigos ceifados pelo vírus, neste boom que a AIDS teve nos anos 1980, dividindo vidas sexuais entre antes e depois da camisinha. A mulher aqui luta para andar na neve, como na praia Mole de Santa Catarina, difícil de se caminhar, nessa ilha tão linda no verão e tão fria no inverno, destruindo os sonhos dos que desejam ser ratões de praia, vendo, no inverno, uma praia erma, cinzenta e fria, ou seja, deprimente.

 


Acima, Homem na varanda. Aqui é um momento de contemplação, a qual é necessária de vez em quando, mas sem resultar numa vida completamente contemplativa, na qual a pessoa não mostra o seu próprio talento ao Mundo, escondendo-se deste, como eu gostaria de dizer a um certo rapaz o qual mostrou seu pênis numa revista semipornô: Você não tem que mostrar seu pênis; você tem que mostrar o seu talento! Esse é o seu pênis? Grande merda, com o perdão do termo chulo. Aqui remete ao substancioso desenvolvimento imobiliário de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, com arranhacéus dignos de grandes urbes do mundo, com torres de até oitenta andares cada, numa praia na qual, após o início da tarde, já não há Sol direto na orla, nas ambições humanas da Torre de Babel, na competição fálica mundial para ver quem ter a torre mais alta do Mundo, num Mundo tão competitivo, exigindo agressividade da parte da pessoa, como nos esportes, em pais que querem ver o filho desenvolvendo tal agressividade, colocando o filho na aula de Judô, e tal filho odeia o Judô, sentindo-me tão deslocado ali no tatame, o qual tem cheiro de pouco conhecer uma faxineira, com pais que o fazem com a melhor e mais nobre das intenções, nas palavras de uma certa canção: “A estrada para o inferno é feita de boas intenções!”. Aqui remete a uma vista inesquecível para mim, com gigantescos navios de cruzeiro pela Bahia de Todos os Santos, Salvador, uma cidade tão tropical, um oásis para quem estuda História do Brasil, com prédios históricos e igrejas seculares, nessa “colcha de retalhos” que é o Brasil, num estado da Bahia que é um país à parte, com seus próprios padrões culturais, como tomar um banho no início do dia e outro no fim, ao contrário do Sul do mesmo país, no qual o padrão, por motivos climáticos e de temperatura, é um banho diário, na demanda de água na capital baiana. O gatinho ao fundo é a companhia, em bichos que podem ser tais companheiros, principalmente para pessoa sozinhas, solteiras, morando com tais bichinhos, aos quais podemos nos apegar bastante, com eu certa vez, chorando pela morte de meu adorado cãozinho cocker spaniel, pois, por trás do glamour de um cachorro de pedigree, existe um bicho geneticamente debilitado e frágil, ao contrário do viralata, o qual é forte, suportando frio, fome e sede, na ironia de que os viralatas são os mais simpáticos! Aqui remete a uma canção da MPB, nos versos “Um barquinho a deslizar no profundo azul do mar”, numa canção em plenos Anos de Chumbo no Brasil, numa época em que a censura imperava, frustrando tantos artistas, num manifesto discreto e poderoso, referindo-se ao regime duro: “É pau! É pedra! É o fim do caminho!”, nas “águas de março fechando o verão e a promessa de vida no teu coração”, palavras que conotam o infame primeiro de abril, o dia da mentira. Aqui temos placidez, na sábia quietude da velhice, como em prédios com moradores idosos, prédios tão silenciosos, calmos, na quietude que nos faz curtir a casa, no modo como a juventude feliz é uma invenção de velhos, pois, quando se é jovem demais, fazem-se muitas merdas, com o perdão do termo chulo, num caminho de irresponsabilidade, remetendo ao filme cult Labirinto, já resenhado no Blog desde 2015 por Gonçalo Mascia, num momento em que uma menina recebe nas mãos a enorme responsabilidade de salvar sue irmão bebê dos braços do um tirano senhor dos duendes, o qual reinava num lugar mágico, num labirinto cheio de pistas falsas e traiçoeiras, um filme o qual, ao ser lançado no ano de 1986, foi de início uma decepção nas bilheterias, dando prejuízo ao estúdio, um filme que hoje é cult, uma pequena pérola, na sabedoria latina de que a verdade é filha do tempo! Aqui é um quadro um pouco cinzento, talvez num Colville fazendo a catarse de tal melancolia, no poder terapêutico das catarses, as quais são faxinas da alma, como num sensível Leo DiCaprio num set certa vez, com uma catarse em frente às lentes, na capacidade de se colocar nos sapatos do personagem, amando este, como num grande Chespirito amando o menino pobre Chaves, nessa amizade entre ator e personagem. Aqui é como se sentar numa poltrona e ver um filme, apreciando o labor de outrem.

 


Acima, Infantaria. Aqui remete a um videoclipe de manifesto politicoculural, com alunos moldados pelos bancos escolares, como numa esteira de execução de Holocausto, nos versos: “Ei, professores! Deixem as crianças em paz!”, talvez num país distante do Brasil, o qual tanto carece da produção de cultura erudita e civilizatória, no modo como tal cultura erudita nasce em tais bancos, nas imortais palavras: “Um país se faz com homens e livros!”. Aqui é um quadro de profunda infelicidade, com irmão matando irmão, longe das intenções de Deus, o qual quer nos ver amigos uns dos outros, como uma família unida por laços de amizade e carinho, na eterna imagem de Caim matando Abel, como um horrível ditador, mandando executar seu próprio irmão, nessas competições pelos tronos mundanos, nos versos da canção de Tears for Fears: “Todo mundo quer mandar no Mundo!”, no Anel do Poder, como pessoas de má fé, que se aproveitam de pessoa humildes e ignorantes, ou seja, “Devorai-vos uns aos outros!”. Aqui é uma esteira indistinta, com cada ser humano sendo massa de manobra de senhores ambiciosos, com rapazes sendo mandados para a morte como cachorros, meros peões num tabuleiro de ambições, na capacidade do sociopata em ver as pessoas como coisas e como meras ferramentas, numa hierarquia tão cruel, muuuito longe da irresistível hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, num ponto em que faço questão de obedecer ao meu irmão mais depurado, no caminho do aprimoramento, o qual é o sentido da Vida, fazendo metáfora como num curso universitário, fazendo do desencarne tal “formatura”, num Deus orgulhoso de nossos progressos morais; num Pai que quer nos ver lutando pela Vida, com coragem e altivez olímpica! Aqui é um retrato da infelicidade, em rostos indistintos, como no contundente início de um certo filme, com rapazes sendo executados como frangos num abatedouro, numa experiência embrutecedora, com rapazes sendo arrancados de seus lares, num quartel o qual é qualquer coisa, menos um lar, na eterna inclinação humana em direção à crueldade, como prisioneiros de guerras, num ser tão odioso, como queimar pessoas vivas em fogueiras, em regentes sanguinolentos como Maria Tudor, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo algo que Ele jamais faria! Aqui é uma marcha para a morte, remetendo a um certo senhor militar, o qual muito jovem se suicidou no quartel, vivendo uma vida tão sem sabor ou sentido, forçando uma mãe a fazer algo horrível, que é enterrar o próprio filho, quando que o natural é o filho enterrar a mãe. O Sol aqui luta para brilhar, sendo opaco, doente, deprimido, fraco, pouco consolador, numa vida fria e vazia, causando sequelas psíquicas. Aqui é como uma fila para ver quem morre primeiro, como na Guerra das Malvinas, com muitas baixas em todos os lados do tabuleiro, nos versos da canção: “O cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada. O cravo ficou ferido; a rosa, despedaçada!”, como vi certa vez na Rua dois carros se batendo intencionalmente, tal a raiva inerente, no modo como, a nível inconsciente, as mulheres têm raiva de Gisele, imitando os cabelos ondulados desta, querendo arrancar de Gisele o que esta tem. A neve aqui está suja de barro, em campos devastados pela guerra, deixando traços de fome e destruição, arrancando pessoas de suas casas, privando-as de calefação em inclementes invernos, em caminhões de ajuda humanitária distribuindo comida, com uma multidão insana se acotovelando para ter tal alimento, como fotógrafos se acotovelando para clicar uma celebridade. Aqui a fila é interminável, extensa, num caminho de embrutecimento, como na miserável Terra Negra de Mordor, de Tolkien, o Umbral longe de qualquer consolo, desolador, amargo, infeliz, como traficantes de drogas, infelizes que levam uma vida sem apuro moral, traficantes os quais, ao desencarnar, pedirão perdão a cada pessoa à qual venderam drogas na Terra.

 

Referências bibliográficas:

 

Alex Colville. Disponível em: <www.artgalleryofhamilton.com>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.beaux-arts.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.moma.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Biography. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Collections. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Gallery. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Home. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Selected Publications. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.