quarta-feira, 27 de maio de 2026

AC: Assim Contemporâneo (Parte 3 de 4)

 

 

Falo pela terceira vez sobre o pintor canadense Alex Colville. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Estúdio. O pudor, como nas maliciosas folhas no Éden, ao ponto do Vaticano cobrir inocentes genitálias em pinturas no centro católico mundial. Aqui pode ser um autorretrato, no artista vendo a si mesmo, num momento de reflexão, numa pitada de solidão no estúdio, na saudável solidão que devemos ter de vez em quando, como Deus descrito no filme Dogma: “Solitário, mas engraçado! Extremamente bem humorado!”. É o caminho solitário existencial, num caminho autodidata, na noção taoista de que as pessoas precisam aprender por si mesmas o que é simplicidade, na noção de da Vinci de que a simplicidade, a limpeza e o minimalismo são os mais elevados graus de sofisticação, na gloriosa sensação de se tomar um bom banho depois de um dia inteiro de sujeiras na Rua e transpiração, ao contrário do estar perfumado, o que é um luxo, inacessível para pessoas mais pobres, nos preços acessíveis da marca de perfumaria Jequiti, vendendo miniaturas por preços módicos, exatamente para atingir classes menos ricas, no fascínio de fragrâncias, tendo eu já perdido a conta de quantos frascos de perfume consumi até hoje me minha vida, remetendo a um certo senhor malicioso, o qual usava perfume de mulheres, achando isso chic e sofisticado, no modo como você pode ser perfumado e, ao mesmo tempo, homem! A luz entra difusa, como em dias nublados, sem projeção de sombras, em dias nublados, de dúvida existencial, num mundo cinzento entre o bem branco e o mal preto, num plano de disputa entre o bem e o mal, como no universo de He-Man, no Castelo da Caveira Cinza, disputado entre o bem e o mal, na metáfora de que a caveira mortificada é o mal anulado e vencido, no caminho espírita de mortificação, que é ouvir  a fria mente e parar de ouvir as bobagens do coração, como uma certa médium espírita, bloqueando-se contra o traiçoeiro coração, pois é exatamente quando só ouvimos o coração que tomamos no cu, com o perdão do termo chulo, na sisuda noção de que antes vem a mente e só depois vem o coração, remetendo a uma grande tragédia na vida de uma certa senhora, a qual, é claro, sem intenção de matar, matou o próprio neto, nesses traumas incontornáveis, numa senhora que levou para o próprio túmulo tal trauma tenebroso, desencarnado depois e reencontrando-se com o neto no Plano Superior, vendo que o neto está lindo, vivo, lépido e faceiro – pronto, minha senhora, passou! A ironia aqui é que a nudez é ainda mais ressaltada pelo relógio no pulso e os óculos no rosto, em acessórios tão essenciais, remetendo ao nosso tempo, onde tudo é via dispositivo móvel, enterrando a era das máquinas fotográficas e das câmeras de vídeo, com tudo se resumindo a software, na era do download e do streaming, sepultando o suporte físico, a mercadoria que compramos ou alugamos e levamos para casa, na nostalgia da era VHS, com as locadoras de vídeo, como na minha geração, a qual testemunhou a morte da era analógica e viu a ascensão suprema da era digital, como nesses dias a notícia de que a fabricante de brinquedos Estrela pediu recuperação judicial, pois as crianças de hoje em dia brincam somente de forma digital, desinteressando-se pelos brinquedos comprados na loja, deixando no passado o saco de Papai Noel cheio de brinquedos físicos – sinal dos tempos. A calvície é o passar do tempo, como no trans homem Tammy, com uma careca tipicamente masculina, no caminho da identificação de gênero, como uma certa homossexual que conheci em Porto Alegre, uma mulher de uma autoimagem completamente masculina, uma pessoa a qual, ao ir a uma loja de departamento para comprar roupas para si, vai para o departamento masculino, e temos que respeitar, pois, afinal, trata-se da vida de outra pessoa, e não de minha vida. Aqui temos uma magreza, até com os ossos do tórax salientes, remetendo aos cruéis padrões de beleza vigentes, nos quais só é considerada sexy uma mulher que esteja na antessala da Anorexia, alvejando em cheio a autoestima da mulher, gerando levas de moças que simplesmente não querem saber de se alimentar – é um horror. No topo do quadro, uma vegetação, na força da Vida, sempre lutando para viver, no espírito de guerreiro, que é a pessoa que luta no ringue da Vida, batalhando pela Vida, num Deus Pai que quer no ver lutando, trabalhando e merecendo.

 


Acima, Expresso Köln. Aqui são esses miseráveis em situação de rua, pessoas que querem fugir da luta renhida que é a Vida, remetendo à Argentina, na qual mendicância é ilegal, e inclusive vi certa vez numa praça de Buenos Aires os policiais abordando um mendigo. O “canto da sereia” da situação de rua é que a pessoa leva uma vida sem regras, sem horários, sem obrigações sisudas, pois há abrigos de assistência social, mas, nesses abrigos, os assistentes sociais colocam os dedos da pessoa na “tomada elétrica”: “Você não pode ficar aqui vendo TV o dia todo. Você tem que fazer a sua carteira de identidade, ir para rua e procurar emprego, ou seja, você tem que se reerguer”, quando que, na Rua, não há pessoas que “encham o saco” com tais cobranças, ou seja, o mendigo não é uma vítima, no modo como não se deve dar esmola, a qual não ajuda, só atrapalha, pois a esmola incentiva e pessoa a ficar em tal situação degradante de rua. Aqui o inverno é rigoroso e cruel, como um certo mendigo, o qual estava dormindo dentro de um container de lixo seco, e veio o caminhão de coleta, revirou o container e o mendigo acabou morrendo esmagado pelos mecanismos do caminhão, numa morte tão tola e estúpida, como morrer atropelado. Aqui é o necessário descanso, e o mendigo não dá a si mesmo opções, tendo que dormir num banco de praça, ou dentro de setores de caixas eletrônicos de bancos, como na minha cidade, com mendigos dormindo em tais lugares, fugindo assim de inclementes invernos, numa vida tão sem sentido, numa pessoa que não faz merda nenhuma, com o perdão do termo chulo, como uma certa senhora rica, morando em um belo prédio, dirigindo um belo carro e tendo para si uma empregada que lhe faz tudo, fazendo dessa mulher rica uma mulher miserável, que nada faz de seus dias na Terra, numa miséria tal que tudo o que lhe resta é fofocar e cuidar da vida dos outros, muitas vezes falando mal dos outros, inclusive falando mal de mim – vá tomar no cu, minha senhora, com o perdão do termo chulo. A vida exige que façamos algo de produtivo, em tristes estilos de vida de pessoas aposentadas, passando o dia inteiro dentro de casa, só fuçando na Internet e vendo TV – não tem como ser válido. É como a senhora minha avó, a qual, ao se aposentar como professora de Língua Portuguesa, passou a escrever poesia, escrevendo, em meio às tardes de brumas na Serra Gaúcha: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”. O cargueiro são as pontes de comércio internacional, nos sonhos liberais de Adam Smith de uma economia global autorregulada, no oposto de Marx, que é o estado total, na sabedoria de Keynnes, que é o caminho do meio, num estado que tem que interferir de modo sutil na economia, havendo a opção de tratamento de saúde na rede pública e na rede privada – os extremos são como um inverno gelado e um verão tórrido, numa bipolaridade, como em radicalismos religiosos intolerantes, algo que construiu a aversão de Marx pelas religiões, na universalidade humana, com “pontes” diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao. O navio é o labor, com pessoas laborando, lutando pela Vida, como acordar numa manhã gelada de inverno, nas palavras de Thatcher do filme A Dama de Ferro: “Estive numa batalha em cada dia de minha vida!”. O navio trabalhando faz contraste com o mendigo, no modo como, no Mundo, há pessoas que têm vidas produtivas; outras pessoas, nem tanto. É na realidade do Plano Superior, no qual temos que trabalhar, no espírito desencarnado que começa a observar a necessidade de se manter produtivo, evitando uma insossa vida de ócio e contemplação, nas palavras de uma canção da cantora Macy Gray: “Levante-se! Levante-se! Faça algo!”. Aqui o mendigo pode estar morto por hipotermia, sepultado anonimamente, como indigente, remetendo a um certo rapaz solitário, o qual se esquece que tem família, irmão, mãe, dinda, primos e tios, nas palavras de uma certa mulher adotada: “Eu não tenho família!”. A neve aqui é tal beleza, na raridade de tal fenômeno no sul do Brasil, encantando turistas, os quais vão a Gramado exatamente para passar frio!

 


Acima, Farra no rio. A guia no cachorro é a disciplina, o controle, no hábito de se castrar o bicho, fazendo metáfora com a vida espiritual, a qual é “castrada”, sem as paixões e sofrimentos do corpo físico, na glória que é estar desencarnado, como eu digo mentalmente a um querido ente querido já falecido: “Você está na glória; você está desencarnado!”. E não é glorioso estar livre de todos os problemas relativos ao corpo físico? Não é uma libertação inenarrável? É como disse certa vez Elke Maravilha sobre a terceira idade: “Você não sente mais libido na perereca! É uma libertação!”, ao contrário da juventude, quando somos “escravos” de nossos próprios hormônios, numa jovem pessoa que quer sexo, sexo e sexo. O barco é a travessia existencial, no trajeto pela Vida, como me disse uma certa senhora: “É um looongo caminho”. O barco passando é como as coisas vão passando na Vida, como me disse um certo senhor: “Tudo passa!”. Foi quando ouvi em minha mente uma voz num momento muito espinhoso e complicado para mim: “Vai passar!”. E realmente passou. O importante é sobreviver na Vida, como Madonna em entrevista, sobre certo um álbum da própria diva: “É meu modo de celebrar tudo o que sobrevivi na minha vida!”. E a Vida não exige que sobrevivamos a tais “hecatombes nucleares”? É como na metáfora das baratas, as quais sobrevivem a tais hecatombes, em metáfora com a cantora Cher, uma sobrevivente, batalhando para tocar a carreira para a frente, na humildade de se virar a página e recomeçar do zero, encarando uma nova fase na Vida, nas palavras de uma certa senhora ao acordar os filhos de manhã cedo: “Hora de encarar a Vida!”. É no siso do despertador, num momento em que daríamos tudo para permanecer dormindo, como num episódio de Mr. Bean, com este procurando fugir, com mais alguns minutinhos de sono, na sedução dos braços de Morfeu, havendo no despertar tal momento de sacrifício, com meu pai dizendo a mim e minha irmã ao nos acordar numa gélida manhã de inverno: “É fogo! É fogo!”. O rio plácido é tal tranquilidade, na mortificação do coração, deixando-se guiar pela razão, pela lógica, poupando o coração de sofrimentos, como no siso de uma proposta de casamento, no homem propondo algo sério, para assim ganhar a confiança da mulher, com dinheiro para montar uma casa com móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, fazendo do casamento uma conveniência de sociedade: Nós nos unimos e cada um faz uma parte do trabalho. A mulher está decapitada, censurada, retirada, numa discrição, como no discreto Luis Fernando Veríssimo, passeando pacatamente por um shopping portoalegrense, num escritor assediado por pessoas querendo fazer selfies com o homem, ao invés de respeitarem o momento de lazer do cidadão, na sina das pessoas midiatizadas, visadas publicamente, como uma Gisele, tendo que se disfarçar para passear por um parque da capital gaúcha, nessas pessoas tão públicas, como popstars mundiais, condenados a uma vida de prisão, sem poder caminhar pelo calçadão no Rio, comer um açaí e curtir a vida, como eu disse para mim mesmo num domingo de tarde num shopping: “Coisa boa poder passear em paz!”. Os poéticos ao fundo são tal passagem, como passar por um curso universitário, no caminho de depuração da Vida, cujo sentido é se tornar uma pessoa melhor, e você não é bem melhor do que era? Existe vida sem sentido? Claro que não, pois ninguém está no Mundo “a passeio”. O barco aqui é extenso, numa travessia extensa, como navios de comércio internacional, na trama da saga Star Wars, no início do episódio IV, falando das rotas de comércio numa galáxia, na atemporalidade, como no Império Romano, estendendo-se Mundo afora, como numa sede de poder de Alexandre, nas ambições humanas de subjugar tudo e todos, na sedução do Anel do Poder de Tolkien, corrompendo nobres corações. Aqui, tudo passa, como num programa passando pela TV.

 


Acima, Fevereiro. Aqui é uma rejeição e um evitamento, pois a modelo está de costas, alheia a nós, talvez numa reserva, em estilos de vida reservados e discretos, como uma senhora que conheço, discretíssima, com pouca ou nenhuma maquiagem, discreta no modo de se vestir e de falar, numa voz reservada, suave, numa certa timidez. Aqui é como já ouvi dizer como são deprimentes os invernos escandinavos, com meses seguidos de neve intensa, longe da alegria tropical do Rio, com turistas indo à urbe para curtir a mescla entre concreto e natureza, numa cidade que tanto pulsa vida, num poderoso destino turístico mundial, em contraste com a poderosa cidade de São Paulo, um tanto fechada para o turista, assim como Caxias do Sul, uma gigante econômica e uma anã turística, numa São Paulo cinzenta, na cidade dos negócios, uma cidade tão cosmopolita e aberta ao Mundo, assim como Brasília, a cidade das embaixadas, remetendo a Caxias do Sul, uma cidade que está ficando cosmopolita, até com mulheres de burca caminhando pela cidade, a qual atrai tantos latinoamericanos e africanos, na promessa de trabalho e de vida digna. Num retiro, vemos um homem observando, talvez o próprio pintor observando os movimentos da mulher, no papel do modelo, que é inspirar o artista, numa relação de confiança, no modelo à vontade dentro do estúdio, na paciência para posar por horas, remetendo a um artista plástico de Porto Alegre, o qual tira fotos tuas num estúdio e, a partir da foto, faz uma pintura a óleo, na magia e no glamour da tradicional pintura a óleo, no modo como o poderoso advento da Fotografia libertou a Arte da função retratista, em tantos avanços que simplificam nossa vida, no libertário e gostoso pecadinho capital da preguiça: Por que me “matar” subindo e descendo escadas se posso o fazer comodamente dentro de um elevador? A neve aqui é espessa, num inverno inclemente, como em momentos de inverno novaiorquino, quando a prefeitura da urbe orienta o cidadão a não sair de casa, tal o acúmulo de neve, numa cidade a qual, no pico do verão, vira um “forno de padaria”, na magia poética das estações climáticas, na delícia da meia estação, sem a bipolaridade entre extremo calor e extremo frio, na delícia do Plano Superior, no qual os dias são agradáveis e as noites são amenas, pois, desencarnados, estamos livres dos nossos corpos que são sensíveis às temperaturas, num plano tão divino, no qual observamos a necessidade de nos mantermos operantes e ativos, procurando lá um trabalho, num lugar onde não existe desemprego, com trabalhos bons, que exigem de nossa cabeça, e não meros trabalhos subservientes. O quadro aqui é melancólico e cinzento, na dúvida cinzenta existencial entre branco celestial e negro do Umbral, fazendo do submundo tal escuridão, com espíritos sofrendo e se arrastando pela sujeira, pela escuridão e pelo fedor, um lugar que é uma prisão para nossa cabeça, na prisão dos subvalores, os quais perdem contanto com esse aspecto importantíssimo que é o Senso Comum, um submundo que vai nos deixando barra pesada e mal encarados, em amizades fúteis, que não nos dão sensação de acompanhamento existencial. O casaco é tal proteção e resguardo, como usar camisinha, em gerações que chegaram à maturidade sexual desavisadas em relação à AIDS, sendo pegas de surpresa por ela, ao contrário de minha geração, que foi criança nos anos 1980, sendo desde cedo alertada sobre a importância de se proteger com camisinha, numa terrível AIDS que ainda não foi erradicada, continuando a circular solta por aí, inspirando uma canção de uma certa popstar, na qual chora pela morte de dois grandes amigos ceifados pelo vírus, neste boom que a AIDS teve nos anos 1980, dividindo vidas sexuais entre antes e depois da camisinha. A mulher aqui luta para andar na neve, como na praia Mole de Santa Catarina, difícil de se caminhar, nessa ilha tão linda no verão e tão fria no inverno, destruindo os sonhos dos que desejam ser ratões de praia, vendo, no inverno, uma praia erma, cinzenta e fria, ou seja, deprimente.

 


Acima, Homem na varanda. Aqui é um momento de contemplação, a qual é necessária de vez em quando, mas sem resultar numa vida completamente contemplativa, na qual a pessoa não mostra o seu próprio talento ao Mundo, escondendo-se deste, como eu gostaria de dizer a um certo rapaz o qual mostrou seu pênis numa revista semipornô: Você não tem que mostrar seu pênis; você tem que mostrar o seu talento! Esse é o seu pênis? Grande merda, com o perdão do termo chulo. Aqui remete ao substancioso desenvolvimento imobiliário de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, com arranhacéus dignos de grandes urbes do mundo, com torres de até oitenta andares cada, numa praia na qual, após o início da tarde, já não há Sol direto na orla, nas ambições humanas da Torre de Babel, na competição fálica mundial para ver quem ter a torre mais alta do Mundo, num Mundo tão competitivo, exigindo agressividade da parte da pessoa, como nos esportes, em pais que querem ver o filho desenvolvendo tal agressividade, colocando o filho na aula de Judô, e tal filho odeia o Judô, sentindo-me tão deslocado ali no tatame, o qual tem cheiro de pouco conhecer uma faxineira, com pais que o fazem com a melhor e mais nobre das intenções, nas palavras de uma certa canção: “A estrada para o inferno é feita de boas intenções!”. Aqui remete a uma vista inesquecível para mim, com gigantescos navios de cruzeiro pela Bahia de Todos os Santos, Salvador, uma cidade tão tropical, um oásis para quem estuda História do Brasil, com prédios históricos e igrejas seculares, nessa “colcha de retalhos” que é o Brasil, num estado da Bahia que é um país à parte, com seus próprios padrões culturais, como tomar um banho no início do dia e outro no fim, ao contrário do Sul do mesmo país, no qual o padrão, por motivos climáticos e de temperatura, é um banho diário, na demanda de água na capital baiana. O gatinho ao fundo é a companhia, em bichos que podem ser tais companheiros, principalmente para pessoa sozinhas, solteiras, morando com tais bichinhos, aos quais podemos nos apegar bastante, com eu certa vez, chorando pela morte de meu adorado cãozinho cocker spaniel, pois, por trás do glamour de um cachorro de pedigree, existe um bicho geneticamente debilitado e frágil, ao contrário do viralata, o qual é forte, suportando frio, fome e sede, na ironia de que os viralatas são os mais simpáticos! Aqui remete a uma canção da MPB, nos versos “Um barquinho a deslizar no profundo azul do mar”, numa canção em plenos Anos de Chumbo no Brasil, numa época em que a censura imperava, frustrando tantos artistas, num manifesto discreto e poderoso, referindo-se ao regime duro: “É pau! É pedra! É o fim do caminho!”, nas “águas de março fechando o verão e a promessa de vida no teu coração”, palavras que conotam o infame primeiro de abril, o dia da mentira. Aqui temos placidez, na sábia quietude da velhice, como em prédios com moradores idosos, prédios tão silenciosos, calmos, na quietude que nos faz curtir a casa, no modo como a juventude feliz é uma invenção de velhos, pois, quando se é jovem demais, fazem-se muitas merdas, com o perdão do termo chulo, num caminho de irresponsabilidade, remetendo ao filme cult Labirinto, já resenhado no Blog desde 2015 por Gonçalo Mascia, num momento em que uma menina recebe nas mãos a enorme responsabilidade de salvar sue irmão bebê dos braços do um tirano senhor dos duendes, o qual reinava num lugar mágico, num labirinto cheio de pistas falsas e traiçoeiras, um filme o qual, ao ser lançado no ano de 1986, foi de início uma decepção nas bilheterias, dando prejuízo ao estúdio, um filme que hoje é cult, uma pequena pérola, na sabedoria latina de que a verdade é filha do tempo! Aqui é um quadro um pouco cinzento, talvez num Colville fazendo a catarse de tal melancolia, no poder terapêutico das catarses, as quais são faxinas da alma, como num sensível Leo DiCaprio num set certa vez, com uma catarse em frente às lentes, na capacidade de se colocar nos sapatos do personagem, amando este, como num grande Chespirito amando o menino pobre Chaves, nessa amizade entre ator e personagem. Aqui é como se sentar numa poltrona e ver um filme, apreciando o labor de outrem.

 


Acima, Infantaria. Aqui remete a um videoclipe de manifesto politicoculural, com alunos moldados pelos bancos escolares, como numa esteira de execução de Holocausto, nos versos: “Ei, professores! Deixem as crianças em paz!”, talvez num país distante do Brasil, o qual tanto carece da produção de cultura erudita e civilizatória, no modo como tal cultura erudita nasce em tais bancos, nas imortais palavras: “Um país se faz com homens e livros!”. Aqui é um quadro de profunda infelicidade, com irmão matando irmão, longe das intenções de Deus, o qual quer nos ver amigos uns dos outros, como uma família unida por laços de amizade e carinho, na eterna imagem de Caim matando Abel, como um horrível ditador, mandando executar seu próprio irmão, nessas competições pelos tronos mundanos, nos versos da canção de Tears for Fears: “Todo mundo quer mandar no Mundo!”, no Anel do Poder, como pessoas de má fé, que se aproveitam de pessoa humildes e ignorantes, ou seja, “Devorai-vos uns aos outros!”. Aqui é uma esteira indistinta, com cada ser humano sendo massa de manobra de senhores ambiciosos, com rapazes sendo mandados para a morte como cachorros, meros peões num tabuleiro de ambições, na capacidade do sociopata em ver as pessoas como coisas e como meras ferramentas, numa hierarquia tão cruel, muuuito longe da irresistível hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, num ponto em que faço questão de obedecer ao meu irmão mais depurado, no caminho do aprimoramento, o qual é o sentido da Vida, fazendo metáfora como num curso universitário, fazendo do desencarne tal “formatura”, num Deus orgulhoso de nossos progressos morais; num Pai que quer nos ver lutando pela Vida, com coragem e altivez olímpica! Aqui é um retrato da infelicidade, em rostos indistintos, como no contundente início de um certo filme, com rapazes sendo executados como frangos num abatedouro, numa experiência embrutecedora, com rapazes sendo arrancados de seus lares, num quartel o qual é qualquer coisa, menos um lar, na eterna inclinação humana em direção à crueldade, como prisioneiros de guerras, num ser tão odioso, como queimar pessoas vivas em fogueiras, em regentes sanguinolentos como Maria Tudor, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo algo que Ele jamais faria! Aqui é uma marcha para a morte, remetendo a um certo senhor militar, o qual muito jovem se suicidou no quartel, vivendo uma vida tão sem sabor ou sentido, forçando uma mãe a fazer algo horrível, que é enterrar o próprio filho, quando que o natural é o filho enterrar a mãe. O Sol aqui luta para brilhar, sendo opaco, doente, deprimido, fraco, pouco consolador, numa vida fria e vazia, causando sequelas psíquicas. Aqui é como uma fila para ver quem morre primeiro, como na Guerra das Malvinas, com muitas baixas em todos os lados do tabuleiro, nos versos da canção: “O cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada. O cravo ficou ferido; a rosa, despedaçada!”, como vi certa vez na Rua dois carros se batendo intencionalmente, tal a raiva inerente, no modo como, a nível inconsciente, as mulheres têm raiva de Gisele, imitando os cabelos ondulados desta, querendo arrancar de Gisele o que esta tem. A neve aqui está suja de barro, em campos devastados pela guerra, deixando traços de fome e destruição, arrancando pessoas de suas casas, privando-as de calefação em inclementes invernos, em caminhões de ajuda humanitária distribuindo comida, com uma multidão insana se acotovelando para ter tal alimento, como fotógrafos se acotovelando para clicar uma celebridade. Aqui a fila é interminável, extensa, num caminho de embrutecimento, como na miserável Terra Negra de Mordor, de Tolkien, o Umbral longe de qualquer consolo, desolador, amargo, infeliz, como traficantes de drogas, infelizes que levam uma vida sem apuro moral, traficantes os quais, ao desencarnar, pedirão perdão a cada pessoa à qual venderam drogas na Terra.

 

Referências bibliográficas:

 

Alex Colville. Disponível em: <www.artgalleryofhamilton.com>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.beaux-arts.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.moma.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Biography. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Collections. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Gallery. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Home. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Selected Publications. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

AC: Assim Contemporâneo (Parte 2 de 4)

 

 

Falo pela segunda vez sobre o pintor canadense Alex Colville. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Artista e carro. O carro é uma das provas de que foram da preguiça que nasceram as grandes invenções da Humanidade: Por que me “matar” caminhando quilômetros se posso fazer isso confortável e rapidamente num carro? É o modo como o carro suplantou o uso de cavalos, os quais hoje em dia servem para um puro charme retrô, como carruagens com o monarca britânico, nessa pompa e circunstância inglesas. A neve é o uso da fria razão, a qual serve exatamente para deixar o coração tranquilo, o qual tem que ser mortificado, na questão de ouvir a cabeça e não ouvir o coração, como numa sisuda proposta de casamento, em pessoas pragmáticas e com os pés no chão, sabendo que tudo se inicia com a fria mente racional, ao contrário de fogosos casos extraconjugais, nos quais não há razão, mas apenas coração, como um certo senhor, o qual tem (ou ao menos tinha) uma amante, levando, assim, vida dupla, numa Vida que exige que sejamos unos e íntegros, dignos de respeito, tornando-se um exemplo de dignidade e boa conduta, como num filme com a deusa sacrossanta Meryl Streep, mandando o amante à merda, com o perdão do termo chulo, observando que tal amante não tinha uma proposta consistente, numa atitude que doeu no coração de tal mulher, mas sabendo que estava fazendo a coisa certa e racional, pois lençóis de cetim são muito românticos, mas a Vida é mais do que só cama, ou seja, se é para estar com um amante tão inconsistente, num caso sem futuro, é melhor, então, ficar sozinho, como na adorável personagem Bridget Jones, optando por respeitar a si mesma, rechaçando fortemente um amante que tanto feriu o coração nobre de Bridget, no caminho da autoestima, do se dar ao respeito, pois a primeira pessoa que devo amar é eu mesmo. O carro é o avanço tecnológico, num galgar infinito de aprimoramento, nos ausentes limites da Ciência, sempre em um caminho de aprimoramento, na sabedoria popular de que o novo sempre vem, remetendo a épocas em que não se imaginava a era do download e do streaming, quando tudo vira software, derrubando por terra o suporte físico de um vinil, um CD, uma fita VHS ou um DVD, enterrando a era do suporte físico, de coisa, de produto que compramos ou alugamos – é um galgar muito louco! O que virá depois? Os agasalhos são a proteção, numa pessoa que se protege do frio, ou num sentido espiritual, que é blindar o coração para evitar sofrimentos, no caminho espírita da mortificação, que é ouvir à mente e ignorar o traiçoeiro coração, remetendo a uma experiência que tive certa vez, quando ouvi somente o coração, numa história que acabou muito mal, pois se ouvimos só o coração, nós tomamos no cu, com o perdão do termo chulo, com tudo se resumindo ao mental, ao psicológico, à cabeça, a qual sobrevive à morte do corpo físico, na noção taoista de que o desencarne não tem problema algum. A neve é algo raro no extremo sul do Brasil, com precipitações raras e ralas, sem formar grandes montes de neve, ao contrário de cidades como Nova York, com dias tão nevados que a prefeitura da urbe orienta o novaiorquino a não sair de casa, em estações do ano tão definidas, numa cidade que no verão vira um “forno de padaria”, na vicissitudes da matéria, que é suportar os extremos climáticos, havendo no Plano Superior uma perene temperatura agradável, primaveril, com noites doces e amenas, pois é um plano de puro pensamento, sem as vicissitudes materiais; sem a bipolaridade entre muito frio e muito calor, pois o Céu é a glória, meu irmão! O homem aqui neste autorretrato está só, em necessários momentos de solidão, de retiro, de tempo consigo mesmo, mas sem remeter ao lobo solitário, sempre sozinho, vagando e vagando pelas ruas de uma cidade, desenvolvendo uma enorme carência afetiva, no veneno do estilo de vida solitário. O caloroso tom de amarelo do carro traz um pouco de vida a tal paisagem fria e inóspita, invernal, como no boom cultural dos anos 1960 na cinzenta Londres, com jovens de roupas de cores vibrantes, assim como as tradicionais cabines telefônicas rubras na cidade, uma tecnologia hoje ultrapassada, na era do dispositivo móvel, o qual é um “coringa” de muitas funções, detonando tecnologias analógicas como o filme fotográfico, no antigo ato de ir ao laboratório de revelação e aguardar com expectativa o resultado das fotos impressas.

 


Acima, Beijo com Honda. Aqui são casamentos longevos, sabendo que deve haver paciência para suportar os defeitos do outro, nas palavras de um certo senhor: “Eu estou até hoje casado com minha esposa porque ela aguenta meus defeitos!”. Aqui é como um adorável casal formado pela chef americana Ina Garten e seu marido Jefrey, com ela carinhosamente cozinhando para o marido, num casal de terceira idade, deixando viva a chama da paixão, no título de um dos livros da chef: “Cozinhando para Jefrey”, num caminho de dedicação e simplicidade, no modo como a Vida é boa quando é simples, como sentar um gramado de parque com amigos, curtindo as coisas simples da Vida, como conversar com amigos e trocar uma ideia, numa sala de star com pessoas bonitas, na imortalidade da beleza, a qual vence no Plano Superior, na eternidade do belo versus a finitude da matéria, num cadáver se decompondo, no termo bíblico “do pó ao pó”, na ilusão que é a dimensão material, na ilusão da coisa, do palpável, como pedras preciosas, ilusões que querem imitar o Infinito, o qual impera sobre tudo o que é material, mesmo joias que se julgam eternas, fazendo das oníricas realezas mundanas cópias de tal imortalidade, no sangue estelar sacrossanto que corre nas veias de cada um de nós, remetendo a espíritos corajosos, que topam reencarnar como paupérrimos órfãos, vindo duramente ao Mundo sem pai nem mãe. Aqui é um momento de intervalo, com ela girando em torno dela, parando o carro para beijar a mulher, no conceito de passividade feminina, passiva, inativa, atraindo o homem, numa metáfora que pode soar um pouco misógina, que é a aranha construindo a teia e esperando que ali caia alguma mosquinha distraída, como mulheres fazendo simpatias supersticiosas para agarrar seu homem, na imagem da mulher sedutora, chamando o homem, em imagens de esplendor feminino como a Noite de Pedro Américo, meu artista acadêmico preferido, numa obra majestosa que pude certa vez ver em “carne e osso” no Margs, o tradicional museu de Porto Alegre, esta urbe que tanto amo e na qual fiz tantos bons amigos, na imortalidade do laços de amor e amizade, perdurando pela Eternidade, num Deus que quer que sejamos amigos uns dos outros, sem as agressivas guerras mundanas, nas quais perde-se qualquer noção de amizade, rumando pelo caminho da raiva, a qual é menor que a paz, no caminho da Eternidade, que é destruir qualquer inimizade, no modo como ninguém está no Umbral para sempre, num futuro de luz suprema que aguarda por cada um de nós, como um certo sociopata que conheci, o qual passará por muitas vidas, depurar-se-á e tornar-se-á um grande espírito de luz, remetendo aos espíritos de supremo apuro moral, gozando da suprema felicidade, no caminho do labor eterno, num Tao exemplar, o qual está sempre criando, no caminho do autorrespeito, que é tirar um tempo de folga, longe do estilo de vida sofredor de workaholic, uma pessoa que simplesmente não se permite viver, remetendo a um certo rapaz que se dava ao respeito, deslanchando, assim, profissionalmente, ao contrário de um certo workaholic, o qual tomou no cu, com o perdão do termo chulo. As luzes acesas no veículo são tal calor de relação, no momento decisivo que foi o controle do fogo pelo Ser Humano, sem superstições, fazendo do fogo algo racional e não divino, no Mito da Caverna, que é nos libertar e a nós mostrar o Mundo de forma fria, racional, como no processo do herói Neo de Matrix, dando-se conta de que era um escravo de um sistema, como podemos ser escravos do Capitalismo: Tenho que trabalhar como um “burro de carga” para produzir capital e adquirir bens cobiçados de consumo, como um celular ou um carro de luxo, bens cobiçados pelo Ser Humano, na metáfora do Anel de Tolkien: Os homens querem poder e mais poder. Aqui, os pombinhos estão a sós, no termo “enfim sós” dos recém casados, na privacidade da noite de núpcias, numa cópula socialmente aprovada, como recém casados numa tribo amazônica, transando em frente da tribo inteira, inclusive de crianças.

 


Acima, Cavalo e trem. Aqui temos um duelo e um confronto, em embates esportivos que tanta audiência televisiva têm, na universalidade da luta, atividades socialmente só bem vistas se forem lutas de homens, olhando com preconceito a mulher lutadora. É o sumo, o caratê, o boxe etc, como em tribos amazônicas, com lutas só permitidas a homens, na universalidade dos preconceitos patriarcais, num mundo de homens, no qual as freiras estão submetidas a um homem, que é o papa, nos versos de uma canção de Cher: “É um mundo de homens, mas nada seria sem uma mulher ou menina!”, na misoginia do muito de Eva, a qual corrompeu o perfeito Adão, como na misoginia de culpar uma mulher pelo fracasso da Seleção Brasileira na Copa de 1998, no nome da personagem de Nicole Kidman em Moulin Rouge: Satine, ou seja, satânica, no preconceito de dividir as mulheres entre nobres e mundanas, uma linha divisória combatida pelas feministas, as quais não querem ser nem uma, nem outra, mas uma mulher de jeans e camiseta tão boa quanto qualquer homem, na assexualidade da mente humana, na ilusão de que o sexos nos separam, na misoginia das palavras de um certo cientista ficcional a uma mulher cientista: “Você deveria largar a Ciência para ter filhos e lavar roupa!”. Os trilhos são a travessia existencial, numa pauta de aprendizados, fazendo metáfora com uma faculdade, na qual fazemos todo um itinerário mental de crescimento, até nos formarmos, como no desencarne, fazendo do suicídio algo tão nefasto, como largar uma faculdade no meio do processo, sem acabar o que começou, como uma cópula sem orgasmo – não tem sentido. O cavalo aqui é a coragem, como na coragem da monarca lendária Elizabeth I, enfrentando a então toda poderosa Invencível Armada da Espanha, derrotando esta e sendo um símbolo de altivez e soberania, numa rainha feminista, a qual sabia que, se casasse com outro monarca, faria da Inglaterra um mero quintal de outro país, numa mulher que tanto poder obteve em tal mundo de homens, numa contradição: Fundou os tradicionais colleges ingleses; por outro lado, tais instituições eram vetadas a mulheres! Aqui é como no final redentor e feminista de Thelma & Louise, com a dupla indo penhasco abaixo e rechaçando todos os preconceitos patriarcais, como no filmão Barbie, numa mulher que pode ser o que ela quiser, como uma certa psiquiatra que conheci, já falecida, uma mulher tão linda, altiva, elegante, uma “Barbie”, com a competência de qualquer psiquiatra homem, uma mulher que voltou de cabeça erguida ao Plano Superior, em clima de missão cumprida, auxiliando os que tinham problemas espirituais na Terra, um espírito de luz que me ilumina assim que escrevo sobre ela aqui no blog, na maravilha que é a imortalidade! Aqui, o altivo cavalo luta até o fim, numa pessoa que não desiste, como numa Gisele, a qual, ainda antes de ser famosa, pensou em largar a carreira de modelo, uma Gisele que disse ouvir dentro de si a orientação: “Não desista!”, pois quando a pessoa tem potencial, basta ter persistência, como na famosa jornalista Patrícia Poeta, a qual, desde cedo na faculdade de Jornalismo, chamou a atenção dos professores já nos primeiros laboratórios de Telejornalismo. A luz do trem ameaça, e é um aviso, como nas abrasivas pirâmides egípcias, num Egito poderoso, militarmente temido pelos reinos vizinhos, em impérios que ascendem e descendem, permanecendo a humilde imagem de Jesus, um homem nem cuja majestade foi o suficiente para aplacar os problemas do Mundo, mas um homem que segue como imagem para termos a esperança de que uma vida melhor nos aguarda lá em cima, na poderosa imagem do Reino dos Céus, no modo como a monoteísmo ganhou o Mundo, ao ponto do césar romano se converter cristão, numa Roma a qual, antes disso, perseguia cruelmente os cristãos, nessa eterna crueldade do Ser Humano, como jogar bombas em outros irmãos, na imagem cruel de Caim e Abel. Aqui são sentimentos fortes em oposição, como numa bipolaridade, em altos e baixos como um bipolar numa festa, entre euforia antes e prostração depois.

 


Acima, Dormente. Aqui é o inevitável envelhecimento, como disse Barbra, dizendo que o Showbusiness é um âmbito no qual a pessoa envelhece publicamente, e todos estão submetidos a isso, mesmo os deuses sacrossantos de Hollywood, citando aqui duas mulheres que estão envelhecendo com uma beleza impressionante, que são Lynda Carter, a eterna Mulher Maravilha da TV, e Demi Moore, a eterna linda de corpo e rosto, numa beleza que parece que tomaram a milagrosa fórmula da juventude eterna na pequena pérola que é o filme A Morte lhe cai bem, um filme de efeitos visuais deslumbrantes, nessa excelência técnica hollywoodiana, como no filme Gravidade, o qual podemos jurar que foi realmente feito no espaço! A nudez entre cônjuges é a intimidade, nas palavras de uma certa senhora: “Meu casamento acabará a partir do momento em que meu marido me ver sentada numa privada!”, no ato de segurar os flatos na cama, poupando o cônjuge de tal odor desagradável, nas divertidas palavras do anti herói Radicci, do genial cartunista gaúcho Iotti, num Radicci sozinho na cama, sem a esposa, dizendo: “Agora é negócio é peidar à vontade!”. O corpo aqui é de terceira idade, numa idade em que temos sabedoria e juízo, ao contrário das vicissitudes de adolescência, uma idade na qual temos merda na cabeça, com o perdão do termo chulo, como um jovem dirigindo sem ter carteira de motorista, expondo-se e expondo outrem a riscos, como eu disse recentemente na Rua a uma velha amiga: “A idade nos traz responsabilidade!”. A mulher desperta e vai acordar o marido, no modo como a mulher pode controlar o homem, numa figura materna, nos termos divertidos de uma certa associação, chamando do homens de “leões” e as mulheres de “domadoras”, como um certo casal, no qual ela colocou ele nos eixos, um senhor que divertidamente me disse ao mostrar a mesa na qual assinou sua certidão de casamento: “Foi nesta mesa que assinei meu atestado de óbito!”, no modo como a mulher pode controlar o homem, longe da doce e passiva imagem de Nossa Senhora, a mulher à qual foi negado ter sexualidade, na imagem de pureza de uma moça na lata de leite condensado, como na cara de santa de Evita, a qual, de santa, só tinha a cara, uma mulher que foi tão perniciosa, cultivando inimigos pela Argentina, comprando briga com a aristocracia rural argentina, os ricos detentores de terras, numa Eva que deixava bem claro no discurso que a razão de sua vida era o proletariado, lançando mão do termo “descamisados”, rechaçando a classe média da grande Buenos Aires, uma mulher a qual, de tão odiada, viu seus inimigos celebrarem o câncer que começou a conspirar contra a saúde de Evita, com inimigos pintando em muros na capital portenha a frase: “Viva o câncer!”, só para termos uma ideia de como Evita colecionou inimigos. Aqui a luz entra como penumbra, num ambiente propício ao descanso, como no famoso espírito Patrícia ao desencarnar, acordando numa cama confortável e cheirosa, num quarto na penumbra, num momento em que a pessoa tem todo o tempo do Mundo para descansar e, depois, abraçar a vida metafísica, a qual é maravilhosa, na obrigatoriedade da pessoa em se manter ocupada com algo nobre, na ironia de que o Céu não são anjinhos tocando harpas! A cama é tal merecido repouso, remetendo a um certo senhor workaholic, o qual, certa vez, não dormiu entre duas jornadas de trabalho, num caminho degradante, de falta de respeito para consigo mesmo, na sabedoria popular de que respeito é para quem se dá ao respeito. Aqui é como a Vênus desperta de Botticelli, frente a um Marte dormente, entorpecido, no lugar Yin que é o lar, na nossa cama, nosso banheiro, nossa cozinha etc., ao contrário do sequelante serviço militar, no qual o rapaz é arrancado de seu lar, num quartel que é qualquer coisa, menos um lar, como no “desmame” precoce em Cidadão Kane, num rapazinho arrancado de seu paraíso de infância, num Mundo que pode ser tão duro e cruel, na inclinação cruel do Ser Humano.

 


Acima, Em um rio. O cão é tal amigo e companheiro, fazendo uma festa quando chegamos em casa, no modo como ter um bicho pode ser trabalhoso e oneroso: Tenho que acordar para trabalhar e ganhar dinheiro para, assim, poder comprar ração para o meu bicho! O bicho aqui aplaca tal sensação de solidão, como uma certa solteirona empedernida, com cães como companhia, em responsabilidades como alimentar, vacinar e tratar em caso de doenças, como uma cachorrinha minha certa vez, a qual teve verminose, e tive que medicar o bicho, remetendo a uma certa pessoa, a qual se desinteressou pelo seu cãozinho, doando este para uma casal de amigos, remetendo aos pobres bichinhos em situação de Rua, magérrimos, tal a fome, com pessoas nobres, que colocam pela rua potes com ração para alimentar tais abandonados, em canis públicos, cheios de bichinhos esperando por um lar, por uma família, como órfãos sonhando em ser adotados, deixando para trás toda a dureza do orfanato, como um certo órfão que conheci certa vez, dizendo ter apanhado várias vezes dos supervisores da instituição, remetendo a uma certa senhora, filha adotiva, adotada com todo amor e carinho por um casal, no qual ele era estéril, como um certo astro, o qual já tentou ter filhos biológicos com várias mulheres, um senhor que acabou adotando, dando lar e carinho para pessoas que vieram ao Mundo em tal desalento e dureza, nas palavras do pobre órfão Chaves da TV: “Se eu tivesse uma mãe, não a desperdiçaria desobedecendo!”. Aqui é uma travessia, num líder cauteloso, como se soubesse que pode haver perigo, sempre poupando seu povo, respeitando este, no caminho da simplicidade, num rei que toma exatamente o mesmo tipo de café dos súditos, no ato de se confiar num homem de Tao, num homem simples, o qual, apesar de morar num luxuoso palácio, ignora este, atendo-se à beleza dos campos e florestas, os quais vestem roupas maravilhosas, na saúde do ar livre de um reino, na excitação de cavalgar por tais domínios. Num detalhe no quadro, uma sinalização, um aviso, na importância das placas de trânsito, as quais têm que ser respeitadas, no caos que seria sem tal respeito, nas inevitáveis regras da Vida em Sociedade, com penas sobre crimes, remetendo ao sociopata, o qual é um animalzinho desde criança, maltratando coleguinhas e maltratando pequenos animais, sendo, assim, punido pela Sociedade, a qual rechaça o comportamento sociopático, num sociopata que constrói uma “máscara” e leva vida dupla, num “lobo em pele de cordeiro”, como já conheci tantos sociopatas até hoje me minha vida, pessoas que não devemos aceitar em nossas vidas, tal o veneno. O rio é doce e plácido, gentil, sem ameaçar, na prostração de um surfista perante um mar calmo e sem ondas, no tesão do desafio, que é arregaçar as mangas e fazer algo com tesão e vontade, nas palavras de um certo pregador na Rua certa vez: “Deus ajuda, mas a pessoa tem que ter vontade!”, na sabedoria popular de que Deus ajuda a quem ajuda a si mesmo. O dia aqui ou morre, ou nasce, em não sabemos ao certo, num momento de limiar, como na sexy luz do luar, a qual tanto exibe quanto esconde, num limite interessante entre feio e belo, numa pessoa feia e bela ao mesmo tempo, no modo como tudo traz em si sua própria contradição, com duas leituras: A razão masculina e a loucura feminina, num jogo de sedução entre a Bela e a Fera, nos termos de uma dupla da Jovem Guarda: A ternurinha, que era Wanderléa, e o tremendão, que era Erasmo, nos versos de uma canção da deusa Cher: “Um rei chora em seu trono, pois ele tinha uma rainha, e ela morreu. Que magia é esta que procuramos – o forte poderoso e a fraca poderosa?”. Aqui temos um rumo e um objetivo, numa pessoa centrada, com foco na Vida, na necessidade da pessoa em se centrar, nos versos de uma certa canção pop: “Você quer voar ao redor do Mundo num lindo balão!”, no sentido da pessoa não viver “ao sabor do vento”, colocando os pés no chão. Aqui um horizonte é vislumbrado, num empresário vendo oportunidades de negócio, de mercado, observando um ramo interessante, em tinos de vendedores, nos apelos da Sociedade de Consumo, a qual pode ser uma prisão, como em Matrix.

 


Acima, Embarcação. Aqui é uma sociedade, numa empresa com sócios, como acionistas, nas palavras em um certo filme de um personagem príncipe: “Não somos uma família; somos uma firma!”. Aqui é como me disse um certo senhor sobre uma sociedade, uma banda: “Casamento sem sexo”, em bandas longevas como U2, sobrevivendo desde os anos 1980 com a mesa formação, nessa selva que é a Indústria Fonográfica Mundial, em tantos astros que vemos aparecer e desaparecer, numa vida que exige muita força do artista, na forma para virar a página e encarar uma nova fase e um novo desafio, remetendo a uma certa artista, a qual foi uma estrela emblemática dos anos 1980, transitando entre Cinema, Música e atitude, mas uma artista que não soube sobreviver a tal momento, sendo hoje um mero “fóssil”, só tendo pertinência para quem foi criança, adolescente ou pós adolescente em tal época, como Cindy Lauper, até hoje vivendo nos anos 1980, sem pertinência para essa meninada que vem por aí, jovens nascidos nos anos 2000 e 2010, uma geração para a qual pouco significa uma certa rádio, a qual toca exaustivamente clássicos, uma rádio não muito antenada no que ocorre neste momento ao redor do Mundo, nas palavras de um certa professora: “Tens que viver no teu próprio tempo!”. Aqui ou é embarque, ou desembarque, e não sabemos ao certo, na “cilada” da dialética, como vi certa vez numa revista uma imagem de uma mulher ao lado de um celular da altura dela: Não sabemos se é a mulher que ficou do tamanho do celular ou se é o celular que ficou do tamanho da mulher, num truque para desorientarmos alguém com quem debatemos, na ironia de que tudo traz ironia, fazendo de Deus tal palhaço maravilhoso, num senso de humor que é o sexo, algo de que Ele não pode ter vergonha. O deque aqui é um porto seguro, uma segurança, uma garantia, uma firmeza, num homem fazendo uma séria e sisuda proposta de casamento, combinando com a esposa a compra de móveis e eletrodomésticos para casa dos recém casados, como um certo senhor, o qual era apaixonadinho por uma certa senhora, e esta rechaçou a sisuda proposta de casamento do homem, magoando este, nas palavras dos sisudos personagens Pierina e Ângelo de O Quatrilho: “Nós dois juntos vamos longe!”, um casal de pessoas realistas, pés no chão, acabando suas vidas ricos e bem sucedidos, cercados de todo o conforto do dinheiro. Aqui é como uma parceria, com ambos embarcando no mesmo projeto, como no famoso casal de artistas plásticos Christo e Jeanne-Claude, como suas suntuosas instalações, fazendo-nos “cair o queixo”, na função do artista, que é nos fazer “babar”, no poder da Arte em mexer conosco, deslumbrando-nos, como um álbum de nosso artista preferido, em fã clubes ao redor do Mundo, com artistas com bilhões de visualizações de videoclipes no Youtube, em fã clubes bem grandes e substanciosos, na universalidade da Arte e da espiritualidade humana, no modo como Arte era sinônimo de magia em formações humanas primitivas, como no início do clássico O Rei Leão, com o altivo rei cumprimentando o feiticeiro da tribo, como no Antigo Egito, no qual a casta dos sacerdotes era poderosa e respeitada, remetendo a um certo amigo meu, o qual se tornou padre para encontrar seu próprio lugar no Mundo, no caminho existencial cognitivo. Aqui é um convívio, com uma pessoa convivendo com alguma dor, como no seriado Chaves, que fala sobre convívio numa vila, com atritos e desentendimentos, na sabedoria popular de que vizinho não se escolhe; vizinho se tem! Aqui há um objetivo em comum como numa certa empresa, na qual uma mãe era sócia dos filhos, nesses planos diferentes um do outro, que é lar e firma, mas em momentos em que a mãe, na firma, tinha o poder de mando de mãe no lar, em algo inevitável assim. Aqui é como numa comunhão de bens, em separações complicadas e litigiosas, como um certo senhor, o qual desabou ao se separar, tendo que baixar no hospital por causa de Alcoolismo.

 

Referências bibliográficas:

 

Alex Colville. Disponível em: <www.artgalleryofhamilton.com>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.beaux-arts.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.moma.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.