Falo pela vigésima segunda vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Bote salvavidas. Aqui é um esforço e um empreendimento, como uma pessoa regendo um negócio, no sisudo fato de que quem não tem competência, não se estabelece, como uma certa pessoa, a qual regeu por dez anos o próprio negócio, sendo patrão de si mesmo, mas acabou fracassando, pois era um workaholic de marca maior, sem dignidade ou respeito por si mesmo, fracassando e tendo que fechar as portas de tal empresa, tendo que peregrinar pela cidade para arranjar um emprego e voltar a ficar submetido a um patrão, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? É no aspecto da arrogância preceder a queda, como um certo publicitário, o qual se achava dono e senhor da Festa da Uva de Caxias, um senhor que acabou aprendendo que não era bem assim, pois a Festa é uma manifestação de cultura popular brasileira, pertencendo, assim, ao povo caxiense, num engajamento comunitário. O rapaz aqui é jovem e forte, remetendo a esses rapazes fortes, jovens e sadios, jogados numa calçada pedindo dinheiro, na recomendação de assistentes sociais – não dê esmola, pois esta não ajuda, só atrapalha. Não negue pão para quem tem fome; não negue água para quem tem sede; negue esmola. Aqui é um desafio e até um perigo, em surfistas corajosos que pegam ondas monstruosas, numa prova de coragem, remetendo ao cagão, com o perdão do termo chulo, a pessoa que se borra toda nas calças na hora de erguer a cabeça e tratar de ser feliz, na recompensa ao destemido, ao corajoso, que enfrenta obstáculos heroicamente, desafiando o Mundo e obtendo reconhecimento por tal altivez olímpica. Aqui é um quadro de solidão, na metáfora do Anel do Poder, de Tolkien, o qual confere desoladora solidão ao portador de tal maldito anel de poder, na metáfora dos homens gananciosos, que querem poder acima de tudo, na crítica de uma certa parlamentar em Brasília, criticando os homens que querem o poder pelo poder, e não para usar de forma sábia tal poder, como um certo sociopata que conheci no colégio, um verme imoral e sádico, malicioso, desprezível, um sociopata que roubava canetas de luxo só para tê-las, e não para usá-las de forma pertinente, na sina do mentiroso, o qual acaba “enterrado como um cachorro”, sem o amor do Mundo, sem o respeito do Mundo, no natural mecanismo da Sociedade de acabar rejeitando tais mentirosos. Este quadro tem a maestria de Bartlett, e tem um movimento, um ritmo, como no romance clássico Moby Dick, um livro que chega a um ponto em que nos sentimos ondulando dentro do barco em alto mar, na liquidiscência e na fluidez de grandes inteligências, num ritmo cardíaco de tambores, como já ouvi que a Vida é o nervo da Arte, no mistério da Vida e no mistério da Arte, numa Arte que nos faz tão humanos, como eu já disse: Arte é uma questão de saúde mental; Arte é o que há de importante – o que seria de nós sem a Música, por exemplo? O rapaz aqui está ocupado demais para nos olhar, e está empenhado em ver e sentir as ondas. O rapaz aqui, em tal responsabilidade, deixa de ser menino para ser homem, como no filmão O Império do Sol, com o grande ator Christian Bale, que interpreta um menino que, na II Guerra Mundial, começa tudo criança e acaba homem, no inevitável crescimento da pessoa, como a animação Mulan, na menina que parte em busca de um processo de identidade, num artista que quer saber quem ele mesmo é, em carreiras longevas, em artistas que alcançam tal prestígio e tal respeito, em artistas respeitados como a cantora Alcione, entrando nos lares das pessoas, nesse grande filão no Brasil que são os gêneros samba, pagode e sertanejo, em climas de devoção popular a gigantes como o cantor Leonardo, nesses homens simples, do povo, num rei carismático, o qual nunca vai se opor ao próprio povo, na sabedoria do homem de Tao, jamais recomendando violência; jamais indo para guerras, em homens corretos como Obama, mas firme ao ponto de ordenar a execução oficial de Bin Laden, na recomendação taoista: As execuções têm que ser oficiais, pois, do contrário, você só irá sujar de sangue suas próprias mãos! Aqui é um quadro de incerteza, como no filmão Dúvida, numa freira em dúvida se um certo padre é inocente ou um pedófilo amoral, remetendo a um certo sociopata, o qual foi à Tailândia para fazer turismo sexual, numa vida girando em torno de sexo – é um horror.
Acima, Cachorro perdido. Aqui é um sintoma do transtorno borderline, num sentimento de abandono, como um certo senhor, sempre no limite, sempre em campos perigosos, um senhor esotérico, que disse que, ao fazer um regresso de encarnações passadas, disse que fora um jovem que fora abandonado pela própria família, num sentimento de desolação, quando na verdade se trata de um sintoma border, um senhor para o qual há uma simples recomendação – tome remédio, pois há medicação para border, como pessoas com distúrbios psiquiátricos, as quais têm a sorte de viver numa época em que há medicamentos, ao contrário de antigamente, sem remédios, estendendo enormemente o tempo de internação psiquiátrica, pessoas que não podem ficar sem o remédio, nessas maravilhas inventadas pela Ciência, como uma certa senhora que morreu bem idosa, uma senhora a qual, em sua juventude, não havia medicamentos, numa época em que traços de doenças psíquicas eram confundidos com traços de personalidade, falando de uma pessoa depressiva: “O Fulano? O Fulano é assim mesmo, melancólico. É o jeito dele!”. É como no filmão Garota Interrompida, passado nos EUA dos anos 1960, com a personagem psicótica de Angelina Jolie, havia anos internada numa clínica, com as drogas atuais abreviando enormemente o tempo de internação. O cachorro aqui está jogado à própria sorte, rejeitado pelo dono, como um certo rapaz, o qual se desinteressou pelo próprio cachorro, doando este a um casal de amigos, na trabalheira que é ter um bicho: comprar ração, trocar a água do pote, vacinar, mandar tosar e banhar e medicar em caso de doença, num ponto em que tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, assim, cobrir meu bicho dos cuidados necessários – não é tão simples assim: “Terei um bicho!”. Aqui são cachorros viralatas, de rua, no sangue forte do cão mestiço, suportando frio, fome e sede, ao contrário do glamoroso cão de pedigree, de raça definida, um animal geneticamente debilitado, frágil, como um cocker spaniel que tive, o qual, ao pegar uma virose, ficou cego e perdeu os movimentos da metade traseira do corpo, e tive que mandar sacrificar o bicho para este parar de sofrer, e eu chorei quando o cão morreu, na capacidade humana de se apegar ao bicho, em pessoas que amam tanto os bichos que se tornam veterinários, como uma amiga minha solteirona, vivendo com dois cães, os quais são fiéis companheiros, como no filme Um Vagabundo na Alta Roda, num mendigo que tenta se matar ao ser abandonado pelo próprio cão, como já ouvi dizer: “Às vezes, tudo o que resta na vida de um homem é seu cão”. O cão aqui não entende o que está acontecendo, sem a noção de que terá que se esforçar para se manter alimentando, na atitude amorosa de certas pessoas de colocar na calçada potes com ração, em caso de passar por ali um cão esfomeado, na desoladora imagem de cães que se perderam de seus donos nas recentes trágicas enchentes no RS, como na família de minha tia, com eles adotando um cão que se perdera da família na enchente, num ato de amor e zelo, remetendo à imagem do santo padroeiro dos animais, e em casos de acumuladores compulsivos, obcecados em ter bichos, colecionado vários cães ou gatos, muitas vezes numa casa insalubre, perigosa para a saúde do dono ou dos bichos, como vi certa vez na TV uma casa de uma senhora que tinha muitos gatos dentro de casa, animais com doenças por causa de tal insalubridade do ambiente, descobrindo até um esqueleto de gato atrás de um armário, um bicho que morreu e apodreceu, mas num fedor que não fora detectado pela dona, tal o cheiro forte e podre predominante em tal ambiente. O cão desolado aqui remete a um rapaz paupérrimo que conheci, um menino que foi abandonado pelos próprios pais, crescendo num orfanato, vindo ao Mundo sem qualquer noção de suas raízes, nesses espíritos corajosos, os quais reencarnam num contexto dificílimo, duro, crescendo, assim, enormemente como espírito, desencarnando e cumprindo tal árdua missão na Terra.
Acima, Canção da sereia. Aqui é a magia das sereias, seduzindo os marinheiros, como num filme da franquia Piratas do Caribe, num aspecto misógino condenando Eva, com sereias que eram, na verdade, diabólicas, no modo social misógino de desmerecer a mulher, como nessas cantadas agressivas dirigidas a mulheres na Rua, as quais se sentem um lixo ao sofrerem tais cantadas machistas, no mesmo erro crasso de crer que a mulher gosta de ser estuprada, sentindo-se, assim, sexy e atraente, remetendo ao lema coloquial: “Respeita as mina!”. A nudez é tal vínculo com a natureza, na deliciosa sensação de se nadar nu no mar, no conforto uterino sem qualquer malícia, na nudez inocente, no modo como o grego antigo lidava com naturalidade com a nudez, ao contrário da culpa católica, num momento de Renascença em que a nudez veio à Europa, nesses sopros de renovação, no novo que sempre vem, como no frescor primaveril da Vênus de Botticelli, tímida em sua simplicidade nua, no olor de mar, na sedução de liberdade do mar, na mãe Iemanjá abençoando as redes dos pescadores, na fartura de reinos ricos, de países ricos como o Canadá, o qual, por ser tão limpo, belo, apolíneo e bem administrado, faz com que cidades desenvolvidas como Nova York pareçam terceiro mundo! A nudez aqui é tímida, talvez num medo de se revelar e de se expor, remetendo às aulas de nu artístico em escolas de Arte, lidando com naturalidade com o nu, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo inventou? É como na inocência do Éden antes do advento da serpente da malícia, com Adão e Eva cobrindo seus respectivos sexos, em relação a algo que é natural, que é a sexualidade, nos esforços científicos de Psicoterapia, ensinando-nos a lidar sem culpa em relação a sexo, como uma querida professora freira que tive, a qual dava aulas de Educação Sexual exatamente para aniquilar a malícia do jovem em relação a sexo, como nas tribos indígenas, com os casais copulando na frente de todo os outros membros da tribo, não compreendendo a imagem de Nossa Senhora esmagando a serpente com seus alvos e puros pés. Aqui, a nudez traz tal liberdade, na inocência de uma praia de nudismo, na qual nossos corpos naturais se mesclam à natureza, na sensação de nossos pés descalços banhados pelas ondinhas na beirinha, na alegria da criançada em castelos de areia, como me perguntou um certo professor meu de faculdade: “Por que será que praia é algo tão gostoso?”. As rochas são a resistência, como escravos africanos em culturas de resistência, como a capoeira e o candomblé, trazendo os orixás africanos, numa mescla sincrética com catolicismo, remetendo a um certo senhor padre, o qual foi expulso da ordem ao tentar, com a melhor das intenções, fazer um sincretismo no altar na hora da missa, recebendo expressas advertências: “Atenha-se à discrição de um sacerdote católico apostólico romano!”, num senhor de espírito jovial, moderno, ousado, resultando em senhores tão adoráveis como o Papa Francisco, um homem cheio de simplicidade, sendo, assim, o Papa do Povo. A mulher aqui está tímida, e não mostra o rosto, numa culpa, remetendo ao livro Sex de Madonna, com a tal popstar mostrando o próprio lindo corpo, num livro de bom gosto, no qual tudo são insinuações, num livro o qual, definitivamente, não é pornô, mas um “macarrão” apimentado e vibrante, nas batidas do coração de um ritmo contagiante de carnaval. Aqui ouvimos o som do mar, numa canção de ninar, num acalento, no mito de Nossa Senhora que serve para nos fazer entender que somos todos frutos de Imaculada Conceição, e que temos a Eternidade à nossa frente, nesse poder do infinito, no qual jamais findaremos – é muito poder! A pedra é a firmeza, numa vida centrada e organizada, numa pessoa com siso, seriedade, mesmo tendo, em meio a isso, um necessário senso de humor, num talento de palhaço e piadista, na capacidade humana em rir de si mesmo, como assistir a uma boa comédia, num talento de palhaço, fazendo da ironia algo que nos faz tão humanos e únicos.
Acima, Canção de amor para apaixonado. As flores são a Vida, a genitália das plantas, no ato do apaixonado de presentear o amor de sua vida, nos versos de uma certa canção pop: “Flores lindas são o caminho par ao seu coração, mas seu amado precisa começar com a sua cabeça!”. É como no filme As Pontes de Madison, num homem que seduz uma mulher, mas não dá a esta uma proposta consistente, e, no fim da película, ela acaba chutando ele, mesmo isso doendo no coração dela, fazendo a coisa certa, que é se guiar pela fria razão, poupando, assim, o coração de sofrer, como certa vez conheci uma pessoa, a qual vivia sempre na sofrência, deixando-se guiar pelo coração e não pela mente, levando uma vida muito árdua e sofrida, adorando canções sertanejas que falam sobre sofrer de amor, como me disse certa vez uma querida psicóloga: “Segure o coração! Não se deixe guiar pelo coração, o qual é sempre traiçoeiro. Ouça a fria razão!”. É como num filme de um casal vivido por Ethan Hawk e Gwyneth Paltrow, quando ela, uma moça rica, seduzia ele, um rapaz bem pobre, e só no fim do filme ele dá a ela uma proposta consistente, conquistando assim o difícil coração da moça esnobe, como é dito no filme Harry & Sally: “Só há dois tipos de mulher – baixo custo e alto custo”, no modo como há mulheres que se deixam guiar pela paixões, não ouvindo esta coisa maravilhosa que Deus nos deu, chamada CABEÇA. As flores aqui são uma casa aconchegante, com o frescor de flores de verdade, como uma certa senhora, numa casa sempre com flores frescas, num lar com vida e graça, como num lar alegre com crianças pequenas, as quase são uma bênção, no conceito cristão de que o Reino dos Céus é das criancinhas, as quais trazem, logo ao reencarnar, um residual do glorioso Plano Superior, no qual, fora da amizade e do amor, não há salvação, na vida infernal do sociopata, o qual não tem amigos, um sociopata que mente sempre, acabando rechaçado pela Sociedade, como no fim trágico de Mussolini, cercado pelo ódio das pessoas, como no filme Chá com Mussolini, num líder para lá de mentiroso, visando enganar tudo e todos, como uma mãe que exige que o filho não minta, nas sábias palavras da senhora minha mãe quando eu era pequeno: “A mentira tem pernas curtas!”. E só a paz é eterna, pois o ódio faz a pessoa sofrer, como certa vez com a supermodelo Naomi Campbell, a qual, cheia de ódio dentro de si, com uma grande arrogância, a qual precede a queda, cuspiu na cara de uma aeromoça, numa Naomi que foi processada, que teve que pagar indenização à aeromoça e que teve que prestar horas de serviço comunitário, como, por exemplo, varrer chão de prédios públicos, uma humilhação para uma das maiores estrelas da Moda Mundial, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? O azul perfeito ao fundo é um glorioso céu de brigadeiro, limpo, ensolarado, como na sombria cidade de Londres, na qual dias de Sol são minoria no calendário anual londrino, como na canção California Dreaming, num dia de inverno cinzento e sem vida, sonhando com o Sol majestoso do estado americano da cidade de Los Angeles, na sedução da terra do Cinema, da terra dos sonhos despedaçados, na gangorra da Vida, num Mel Gibson que já esteve no topo da cadeia alimentar de Hollywood, enterrando-se em meio a um filme em que culpa os judeus pela morte de Jesus, numa lei implícita na Meca do Cinema: Não mexa com os judeus! Aqui temos uma alegria e um colorido carnavalesco, numa festa vibrante de contagiante alegria, fazendo do exuberante carnaval carioca o maior espetáculo da Terra, com a herança afro dos tambores, num estilo musical tão brasileiro, na herança afro do atroz passado escravocrata, como na telenovela Sinhá Moça, mostrando tais horrores, em seres humanos jogados numa senzala como cães num canil, negros condenados a uma vida de cruel trabalho forçado, sofrendo duras punições de seu senhor, na ganância dos barões do café, no Anel do Poder, com milhões de brasileiros jogando na Loteria, na ilusão de que dinheiro traz felicidade, quando que, pelo contrário, podemos ser felizes com pouco.
Acima, Capitães. Em algumas de suas obras, Bartlett gosta de pessoas de costas para o espectador, remetendo ao famoso bumbum da cantora Gretchen, dançando de costas para o público, transgredindo a regra de que o performista nunca deve dar as costas ao público, numa senhora transgressora, já tendo feito filme pornô, no qual Gretchen está muito bonita, nua, dando para um cara, com o perdão do termo chulo, nas palavras da própria cantora em entrevista: “Aonde eu vou, as pessoas me amam!”, na questão de lidar com naturalidade em relação a sexo. O rapazinho aqui ainda não é homem feito, remetendo àqueles rapazes com corpo de homem feito, mas com cabeça de criança, no termo “gurizão”, como um colega que tive na faculdade, um rapaz com corpanzil de homem, mas jovem ainda, inclusive se deparando com uma professora para lá de dura, um rapaz severamente punido por tentar colar na prova, na sabedoria popular de que quem cola, não sai da escola! Foi um rapaz que percebeu que ainda tinha muito a aprender até ser adulto, na questão da pós adolescência, o período intermediário entre adolescência e vida adulta, chegando à idade de Cristo morto, na casa dos trinta, uma idade em que ainda somos jovens, mas já com maturidade, no termo “mulher balzaquiana”, uma mulher nem menininha, nem quarentona, como na idade da Mulhergato de Pfeiffer, com todo o vigor da juventude, mas não mais uma menininha, numa deusa que tanto preencheu tal papel, nesses deuses sacrossantos de Hollywood, simplesmente sumindo perante um papel, ao contrário do mau ator, o qual não nos deixa ver muito bem o personagem. Aqui é um doce momento de férias, no siso de se fechar a casa de praia e voltar para o siso das obrigações da cidade, da vida, do labor, do estudo, no modo como a vida não é só verão, remetendo a um certo senhor, o qual aprendeu que a vida não é só férias e oba-oba, aprendendo a lição de que a Vida cobra sério e, realmente, não dá para fugir, na figura do morador de Rua, uma pessoa que quer fugir da Vida, no modo como já vimos tantos astros e estrelas aparecendo e desaparecendo, numa lástima, artistas que simplesmente pararam de lutar, desaparecendo assim, na especialidade de Hollywood em fazer promessas que não acabam se cumprindo, na maldição que pode ser um Oscar, como na atriz Marisa Tomei, a qual, infelizmente, não soube sobreviver ao Oscar que ganhou ainda muito jovem, na noção taoista de que o sucesso é um problema, pois exige que tenhamos força para sobreviver e continuar tocando a Vida para a frente com humildade e pés no chão, na questão humilde de não deixar o sucesso subir à cabeça, na figura do metidinho, do arrogante, como um certo senhor, achando que se tornaria o chuá da sensualidade, seduzindo o Mundo inteirinho, sendo capa da revista People como o homem mais sexy do planeta, um senhor o qual, em arrogância, chamou-me de idiota; um senhor o qual, de tão microscópico, acha que é culpa do Mundo o fato deste senhor não ter obtido o sucesso tão almejado e sonhado. Aqui é um céu glorioso e limpo, na magia das férias na orla, na minha memória de lindas praias do estado de Santa Catarina, catando conchinhas na areia, andando de bicicleta com amiguinhos da vizinhança na paradisíaca praia de Jurerê, uma ilha a qual “hiberna” no inverno, com os rigorosos invernos do sul do Brasil, fazendo das estações climáticas o lembrete de que a Vida não e só doce verão. O mar aqui é tal estabilidade e tranquilidade, num lugar doce, como no fim do filme Contato, numa praia tão doce, no desejo de ficarmos para sempre ali, fugindo das durezas da vida na Terra, esta esfera tão dura, na qual trabalho não se pode parar, na ironia de que, no Plano Superior, segue imperando a necessidade de nos mantermos ocupados com algo nobre, no exemplo de Tao, sempre criando, deixando-nos perplexos com tal perfeição, fazendo de Tao o grande piadista, como já ouvi dizer que a gravidez e o parto são grandes piadas de Deus para com as mulheres! Aqui vislumbramos uma perspectiva, num empreendedor que olha longe, sem mediocridades.
Acima, Carrossel. Aqui temos um parque abandonado, como me disse um certo senhor o qual foi passar um fim de semana na praia em pleno inverno, e disse que era deprimente, com aquela orla erma, fria, cinzenta, com um frio vento cortante, num terreno como o Umbral, onde estamos sem amigos, numa desolação, tão sem amigos, tão desamparado, como num estilo de vida de “lobo solitário”, sempre vagando sozinho pelas ruas de uma cidade, como uma certa senhora, a qual, ainda jovem, foi morar sozinha em outra cidade, sentindo-se tão desolada num domingo deprimente, solitário, tendo que consultar com um psiquiatra para amenizar tal sensação de abandono, num sentimento de vagar por uma cidade fantasma, abandonada, até o ponto da pessoa ter a humildade para pedir ajuda, como um sonho que tiver certa vez, quando eu estava triste e jogado numa poça de lama, e um espírito amigo veio, tirou-me dali e lavou a lama de mim, em irmãos que nos amam, sem nos julgar, como no filme espírita Nosso Lar, num homem que não mais suportava o Umbral, pedindo ajuda de irmãos, no poder revigorante de um bom banho, lavando as sujeiras do dia, do suor, da fuligem dos carros, remetendo ao traço cultural do salvadorenho, o qual toma dois banhos por dia – um no início; outro no fim, na monstruosa demanda de água na cidade de Salvador, numa terra tão gostosa, de calor suportável, muito longe dos verões do Rio, de Cuiabá e da fronteira oeste do RS, com termômetros chegando ao 40 graus, algo que jamais acontece em Salvador. O carrossel é o ciclo da Vida, como no ciclo de um curso superior, na necessidade de nos formarmos e encerrarmos o que começamos, no grande erro que cometi ao ter largado meus estudos na PUCRS nos anos 1990, um erro que tanta desgraça deu a mim, tendo eu, posteriormente, voltado atrás e reentrando na faculdade para, finalmente, formar-se, remetendo a uma querida amiga já falecida, a qual sempre me perguntava quando nos encontrávamos: “E aí? Formaste-te?”, numa amiga da qual JAMAIS vou me esquecer, na imortalidade dos vínculos de amor e amizade, fazendo dos amigos o ouro da Vida, como eu nesses dias na Rua, abraçando carinhosamente uma amiga, no consolo caloroso de um sincero abraço. É como nossos queridos avós que nos esperam lá em cima, como minha bisavó, a qual sempre me ilumina, mesmo não tendo me conhecido na Terra, no mesmo amor que minha mãe terá pelo filho de meu sobrinho, na imortalidade dos vínculos de família, com todas as desavenças sendo encerradas, com laços reatados, fazendo das famílias mundanas de realeza a metáfora para entendermos tal plano atemporal que paira acima de nós, num plano belo, fino e onírico, sem a passagem do tempo, fazendo das tradições tal sensação de que o tempo não passa, como escolher de dois em dois anos uma rainha para a Festa da Uva, numa soberana que não envelhece, regendo-nos com amor e paz lá em cima. A luz aqui está num limiar, e não sabemos se o dia começa ou acaba, como nas deusas élficas de Tolkien, com a Arwen morena sendo a estrela vespertina e a Galadriel loira sendo a estrela matutina, na beleza da Terra da Estrela da Manhã, um plano tão belo, o Éden para os que gostam de se manter nobremente ocupados, no conselho que sempre dou a meus entes desencarnados: Trabalhe ou estude! Aqui é uma candura infantil, como na candura dos traços de Basquiat, numa simplicidade de criança, a qual se contenta com pouco, nas brincadeiras de faz de conta, em seriados tão populares como Chaves, numa época em que a Vida é mais simples, com amizades puras e inocentes. O cavalinhos são o galgar do tempo, no título da canção Tempo tempo tempo tempo, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, sendo a verdade a filha do tempo, no subjetivo que acaba se revelando objetivo. O giro do carrossel são os ciclos da Vida, na estações indo e vindo, no homem de Tao observando as estações respirando e pulsando, observando que as folhas em árvores começam a cair no outono. Podemos ouvir a doce música de parque de diversões, num momento em que voltamos a ser crianças.
Referências bibliográficas:
Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.
Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.











