quarta-feira, 22 de julho de 2026

Akira Aqui (Parte 7 de 7)

 

 

Falo pela sétima vez sobre o pintor japonês Akira Ikezoe. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Não tão natureza morta IX. Aqui temos uma concordância, como num grupo de jovens, com todos se vestindo mais ou menos da mesma forma, num caminho de identificação, punindo aquele que destoa, como eu próprio fui excluído de um grupo por eu não me encaixar perfeitamente, no termo “ser colocado na geladeira”. Aqui é um caminho de mediocridade, remetendo a um certo mestre intelectual, já falecido, o qual só respeitava alunos cuja inteligência era claramente acima da média; acima de mediocridades, como uma certa crítica teatral brasileira, já falecida, a qual era fóda, com o perdão do termo chulo, pois tal senhora comparava tudo e todos a Shakespeare, rejeitando normalmente as peças que assistia, equivalendo a jogar fora cantoras boas como Sandy, Paula Toller e Maria Rita só porque estas não são Elis Regina. Aqui é como numa turma de faculdade, numa classe, na qual há os brilhantes e os medíocres, com alunos acima da média, que se esforçam para fazer muito bem feitos os trabalhos que o professor exige, como eu próprio numa cadeira em minha faculdade, fazendo o melhor trabalho da classe, enchendo de orgulho o professor, na delícia que é estudar e fazer bem feitos tais trabalhos, nessa luta de anos que é uma faculdade, tendo eu anos antes cometido uma cagada, com o perdão do termo chulo, que foi abandonar a faculdade, subestimando a importância de se ter tal diploma, nas palavras de um certo senhor, o qual cometeu o mesmo erro que eu cometi: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”, pois, ao preenchermos um cadastro, no item “escolaridade” dá gosto de se assinalar “superior completo”, num ciclo que se fecha, terminando o que começamos, fazendo do abandono do curso uma relação sexual sem orgasmo. A luminária é a exposição pública de celebridades, frequentemente com invasão de privacidade, no paradoxo de Diana: Adorava aparecer e, ao mesmo tempo, sentia-se invadida pelo assédio dos fotógrafos, no modo como tudo traz em si sua própria contradição, na ironia de Tao, o grande palhaço, em gênios cômicos como Chico Anysio, construindo uma deslumbrante galeria de personagens distintos, no privilégio do Brasil ter tido tal gênio, na dignificação do trabalho de artistas brilhantes. O holofote é a iluminação de uma ideia, num conceito, num caminho de criatividade, o “sangue” cobiçado pelos sociopatas, os quais nada têm de inteligência emocional, como eu próprio tive que excluir expressamente de minha vida um sociopata, o qual queria dar um “nó” em minha cabeça, querendo fazer de mim o pedante insuportável, nesses nós que tais gênios do mal querem fazer em nossas cabeças, num conselho simples: Não se relacione com tais sociopatas. Nesta prateleira, temos uma organização, como colocar uma casa em ordem, na dupla jornada dura de uma mulher, que é trabalhar fora de casa e, ao voltar ao lar, cuidar deste também, na luta de se extinguir a escala seis por um sem redução salarial, nessas pessoas que levam uma vida tão, mas tão dura, como os catadores de lixo seco, puxando seus carrinhos com lixo seco, ganhando uns trocados por dia, em pessoas que sobrevivem com tão pouco, mal sabendo se terá, no fim do dia, um pedaço de pão no estômago, no caminho degradante da fome, como artistas de rua, tentando mostrar ao Mundo o seu valor artístico, num Mundo frio e duro, por tantas vezes indiferente, no modo como ignoramos moradores de rua, que são estas pessoas simplesmente invisíveis para a sociedade de consumo. Vemos peixes bonitos, na presença do peixe na cozinha japonesa, a qual ganhou o Mundo, em iguarias de peixe cru, algo inexistente na cozinha ocidental, num divertido episódio de telenovela em que uma senhora simples, do povo, num restaurante japonês, perguntou: “Não tem uma mísera colher de óleo para cozinhar este peixe?”. As tigelas são a serventia do vazio, pois a sensualidade reside exatamente em tal vazio útil ao dia a dia, como decorar um console com objetos de enfeite: Deve haver um espaço vago no móvel, para o cotidiano, pois um móvel completamente tomado de objetos perde tal serventia. Aqui é como num hotel com cada hóspede em seu quarto, na poderosa rede hoteleira de Gramado, uma cidade que sofre em termos de infraestrutura para receber tantos visitantes, como há anos no Natal Luz, com uma queda de energia elétrica na cidade toda!

 


Acima, Não tão natureza morta VI. As nuvens são o sonho, como no personagem Anjinho de Mauricio de Sousa, na sua nuvenzinha, numa pessoa sonhando em ser um artista de renome, na cidade das frustrações que é Hollywood, com uma competitividade enorme, com um querendo “devorar as tripas” do outro, como em herdeiros na partilha de uma herança, ou como na negociação de um imóvel – todos querem levar a melhor, nos versos de uma certa canção pop: “Todos querem mandar no Mundo!”, na metáfora do Anel de Tolkien, que é o poder, em milhões de brasileiros apostando na loteria, na noção espírita de que tal ganhador fica reduzido a algo deprimentemente patético, apesar de parecer que tal ganhador é felicíssimo. Aqui vemos um processo industrial, com coisas sendo processadas numa esteira de produção, como no complexo processo de montagem de carros, com tantos robôs que “roubam” o emprego de trabalhadores humanos, como em Caxias do Sul, onde o processo de coleta de lixo nas ruas é automatizado, ou como em colheitas que, antigamente, eram feitas a mão. A água jorra como nos espelhos de água de Brasília, remetendo ao infame episódio de vandalismo com intenções golpistas, tal qual Trump mentindo e enfurecendo uma turba raivosa que invadiu espaços públicos americanos, na eterna confusão na mente humana, a qual acha que o grosso é melhor do que o fino, quando é bem pelo contrário. A Vida aqui ruge bela e forte, em exuberâncias como a Amazônia, seduzindo a atenção de outros países, na responsabilidade brasileira que é cuidar de tal espaço vasto, enorme, ficando dura a fiscalização de garimpos ilegais, no clamor ecologista, que é ter a noção de que, fora da Terra, a Vida é impossível ao Ser Humano. O telhado é a proteção, a cautela, num carinho de um lar protetor, como numa apólice de seguro, num esforço como usar preservativo sexual, no modo como minha geração, que foi criança nos anos 1980, já chegou alertada na maturidade sexual sobre a importância de tal preservativo, pegando de surpresa uma subgeração antes de mim, a qual chegou à maturidade sexual desalertada. Vemos formas exuberantes como algodões doces, no modo infantil de se alimentar mal, sem dar valor a alimentos saudáveis, como vegetais, como certa vez o chef inglês Jamie Oliver numa escola, fantasiado de vagem, encorajando as crianças a comer tal produto, em homens de tanto carisma e talento, construindo toda uma carreira, num Jamie incansável: Quando está de folga em casa com a família, no fim de semana, Jamie também cozinha, numa vida de muito, muito trabalho, num homem de talento, o qual merece tal sucesso. Aqui temos um ciclo, como rios desembocando em mares, renascendo em suas nascentes nas entranhas da Terra, nesse mecanismo misterioso que é nosso planetinha, tão ínfimo e tão único. A vegetação aqui é tal diversidade, nas inevitáveis diferenças entre as pessoas, no modo como Tao nos fez únicos, inconfundíveis, nos versos da grande estrela Gaga: “Ele fez você perfeitamente!”, no sentido da Vida, que é se tornar uma pessoa melhor, num caminho de depuração e crescimento, como entrar numa faculdade, e as vicissitudes da Vida não vão fazendo de nós pessoas melhores? Existe Vida em vão? As formas de plumagem com pés delgados são como elegantes flamingos, na magia das cores da natureza, numa exótica América seduzindo a Europa do século XVI, com histórias dos indígenas canibais, no caminho de apuro moral dos colonizadores, que é deplorar tal prática, na imposição de valores europeus, cristãos, que é ver com maus olhos a sexualidade, fazendo de Maria a mulher à qual foi negado ter sexualidade, algo difícil para o indígena compreender, o qual via sexo como algo natural, como casais transando na frente de todo o resto da tribo. Aqui são os labores do dia, com os barulhos do labor, como maquinário em geral, num organismo de empresa, na qual cada um tem sua função, na metáfora de Matrix, que é deletar programas que não têm finalidade ou função, dignidade, no termo “razão social”.

 


Acima, Não tão natureza morta VII. Aqui é todo um mecanismo, numa abstração de produção, como encontrar imagens na Internet para se ilustrar um trabalho universitário, abstraindo e, assim, catando imagens fódas, com o perdão do termo chulo, no modo como a sensualidade está na cabeça, e não no corpo, podendo ser muito decepcionante uma pessoa linda de corpo, como um certo pseudoator: Por fora, um deus; por dentro, uma nulidade. É como vi certa vez um casal, com ele halterofilista, de excelência de desenvolvimento de massa muscular, e ela obesa, talvez mais inteligente do que ele, num casal que casou tão bem! As hélices são como os moinhos, como num moinho movido a curso de água num rio, na importante indústria de produção de farinha, num produto tão importante, desde a Antiguidade, importante ao ponto de ser o estopim da Revolução Francesa, estopim que era o simples preço do pão, num monarca francês que vivia alienado numa bolha de privilégios, afastado do homem comum, e um rei que abandona o próprio povo deixa de ser rei, como no Romanov deposto pelos comunistas, talvez reis arrogantes, pouco preocupados com o próprio povo, nas palavras da Elizabeth de Cate Blanchett: “Meu povo é meu único carinho!”. Aqui vemos vasinhos modestos, que são os pequenos produtores, como vegetais em feiras livres, no ato brasileiro de se fazer feira, algo inusitado em países como os EUA, este um país em que o cidadão médio come mal, em altos índices de obesidade mórbida, num problema de saúde complicado, numa pessoa que sequer consegue defecar todos os dias, em um filme em que o ator Branden Frasier se desfigurou para interpretar um obeso de péssima saúde, no modo como a Academia de Hollywood adora atores que abrem a mão da vaidade e desfiguram-se para um papel, oscarizando Frasier, na máxima popular de que beleza não põe à mesa! Vemos pedras negras como carvão, no tradicional churrasco brasileiro, na magia de almoços de domingo, reunindo família e amigos, talvez para ver Futebol pela TV, um esporte tão popular no Brasil, em depressões coletivas na seleção brasileira excluída de uma Copa, num Brasil que deixou de ser o país do Futebol. Vemos uma tela, como um filtro, como num patrão em uma empresa, na sabedoria popular de que patrão é um colega que sempre tem a razão, remetendo a um certo senhor, o qual abriu um empresa a qual se viu forçado a fechar dez anos depois, num fracasso, tendo que voltar a ficar submetido a um patrão, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? Vemos uma fumaça, como gelo seco, como num certo baile de casamento, com os nubentes valsando por uma salão de gelo seco, em momentos guardados para sempre, como num recente casamento, numa festa tão linda, que deve ter custado caro, tudo, creio eu, do bolso do pai da noiva, nas palavras de um Chandler de Friends prestes a se casar: “Vou pagar jantar para duzentas pessoas!”. Na grande estrutura em marrom escuro, algo como uma corneta, numa buzina, na lei de se proibir buzinar próximo de hospitais, como aconteceu com um grande relógio público de Caxias do Sul, o qual funciona sem mais badalar, tanto melhor, pois é uma poluição sonora a menos, nas rígidas leis americanas, protegendo o silêncio e a quietude, num cidadão americano com todos os direitos de acionar o famoso número 911 e acabar com festinhas indesejadas, como disse certa vez uma menina americana, dizendo que as festas acabam quando chega a polícia! Este artefato parece ser uma máscara africana, em rituais de magia, como no filme A Guerra do Fogo, com três níveis de evolução humana: 1) Um estado animalesco, com o corpo todo coberto de pelos; 2) Um estado intermediário, com o uso de peles de animais como roupas; 3) Um estado já evoluído, neolítico, tribal, com o domínio da técnica do fogo e construção de artefatos de magia e de rituais, com o cacique usando uma máscara de autoridade na tribo. Os vasinhos são a Vida lutando parar prosperar, como numa pessoa batalhando na carreira, crescendo assim dentro de uma empresa, fazendo metáfora com a grande carreira espiritual, onde tudo é processo.

 


Acima, Não tão natureza morta VIII. Vemos uma fumaça, como numa queimada em florestas, como num sinal de fumaça, numa sinalização, num apelo, na misoginia no filme Lagoa Azul, na mulher que não fez sinal de fumaça para um navio ao longe, na mulher querendo ficar para sempre numa ilha isolada, no mito de Eva, a qual trouxe azar a Adão, como na cortesã do filme Moulin Rouge, Satine, ou seja, Satanás, no enfurecimento de feministas, as quais pensam contra os poderosos ventos do patriarcado, na formação de elites, cuja função é acordar o corpo social, no Mito da Caverna, na pessoa ali dentro presa, conectada a sinais auspiciosos na luz projetada na parede ao fundo, presa a sinais traiçoeiros, sem razão ou racionalidade, na função do filósofo, que é nos libertar, no mito de Jesus, o libertador, num Jesus o qual não foi capaz de resolver os problemas crônicos do Mundo, mas uma figura que permanece como mensagem de esperança, na metáfora cromática que sempre trago: Num aguerrido Mundo de amarelos versus azuis, seja verde! As pedras aqui estão organizadas por ordem de tamanho, como numa turma de crianças pequenas na escola, na fila por ordem de estatura, ensinando à criança o conceito de organização do caos, no pensamento positivista em nossa bandeira: Ordem e progresso. Aqui é como uma pirâmide social, numa estratificação, numa divisão de classes, nas sábias palavras de Obama: “Um presidente tem que governar para todos!”, criticando um certo senhor de fome napoleônica, um homem o qual não é um homem de Tao, pois um homem de Tao jamais recomendará violência. Num vaso em forma de vulcão, uma origem, como ramos de uma família, em sucessões monárquicas, como no violento filme Calígula, com o pretendente ao trono romano matando o atual regente, em famílias que não são famílias, mas firmas, remetendo a uma certa rica família gaúcha, uma família a qual, definitivamente, não se reúne, ao contrário da família de meu cunhado em Salvador, BA, uma família unida, que se reúne e faz brincadeiras, como amigo secreto, remetendo-me a lembranças de infância, quando meu falecido avô, com talento de patriarca, mantinha a família unida, num auê, com todos falando alto, nas tristes palavras de uma menina rica, porém não muito feliz: “Minha família nunca se reúne!”, no modo como dinheiro em excesso não é bom, remetendo a uma certa senhora, uma pessoa simples: Ela tem o ouro, mas o ouro não a tem! Vemos pequenos bibelôs de peixinhos, remetendo ao passeio guiado pela casa de Jorge Amado em Salvador, com os enfeitezinhos que o romancista colecionou na vida, com uma placa escrita pelo escritor: “Não posso viver sem minhas inutilidades!”. É como uma casa de uma certa pessoa, com aspecto de loja de enfeites, num apego a coisinhas, com uma minicristaleira cheia de traqueirinhas, no fato de que um dia tal senhora desencarnará, deixando tudo de material para trás, na humildade de se entrar “pobre” no Reino dos Céus, sendo complicado o desencane de pessoas apegadas ao material, como nos fetiches da sociedade de consumo, seduzindo-nos com tal apego material, numa escravatura: Tenho que trabalhar feito “louco” para produzir capital e ser alguém em tal sociedade, nos versos de uma certa sanção pop: “Já percebi que o dinheiro não vai pagar! Não vai pagar!”. Vemos exóticas flores monumentais, na ironia de que a maior flor do Mundo tem cheiro de carniça! Tais flores podem acumular água de chuvas e abrigar ovos de espécies anfíbias, em ecossistemas tão exóticos como nossa Amazônia, seduzindo nações de clima mais frio e de vida pouco exótica. Vemos pequenas borboletas em varetas bem fininhas e discretas, na magia de borboletas ensandecidas em flores na primavera, na memória que tenho de flores de lantanas “assoberbadas” por borboletas, na explicação à criança do que é sexo e reprodução, remetendo a uma certa freira professora, a qual dava aulas de Educação Sexual exatamente para aniquilar a malícia nas crianças.

 


Acima, sem título (1). A cor do fundo é o feminino interior da garrafa de Jeannie é um Gênio, numa reclusão, na saudável pitada de solidão que temos que ter em nossas vidas, no Deus descrito no filme Dogma: Solitário, mas engraçado! É como num certo casamento, o qual ruiu, pois a esposa foi trabalhar com o marido na firma deste, ou seja, um assoberbamento: Na firma, lá está tal pessoa; em casa, lá está tal pessoa; no supermercado, lá está tal pessoa. Aqui vemos uma estrutura como em experiências químicas, no modo como sou descendente do químico industrial Luiz Veronese, numa longeva e secular firma em Caxias do Sul, um homem inteligente, que soube dar serventia a subprodutos de vinificação, nessa indústria vinícola tão forte na Serra Gaúcha, num ponto de reviravolta nos anos 1980, quando uvas finas começaram a ser plantadas em tal região, “sepultando” a era dos vinhos de mesa de garrafão de cinco litros, um produto de qualidade mais simples, sem eu aqui querer ser blasé ou nojento! Vemos dois pés parados, num quadro de estagnação, como pessoas inteligentes, de grande potencial, que não mostram ao Mundo tal talento, num Mundo que exige que mostremos algo de bom, nas palavras do lendário Tom Cruise: “Tenho que mostrar algo!”. Os pés aqui são uma amputação, uma exclusão, como num pária sendo naturalmente execrado pelo corpo social, remetendo a um certo deprimente videoclipe, com um rapaz homossexual sendo execrado de tal forma, inclusive rejeitado pelos próprios pais, e, no fim do clipe, num solitário trem, tudo o que resta a tal rapaz é compartilhar o pão com aqueles que, como ele, foram execrados. Nesses pés há um tolhimento, como eu em uma época de minha vida me cercando de pessoas que me tolhiam: Olhe aqui rapaz, vá tolher a senhora sua avó! Eram amizades que me faziam me sentir preso, inativo, preso num mundinho de faz de conta, num submundo tão desconectado do senso comum, o qual é muito importante, como certos rapazes quando o Brasil conquistou o Penta, rapazes sem ideia desse fato nacional, num mundinho com seus próprios subvalores distorcidos. Aqui vemos uma piscina, como em piscinas luxuosas em topos de prédios, na sedução de tal prazer, como no resort Vila Galé, em Salvador, deslumbrante, digno de férias de presidente da República, em um turismo poderoso, seduzindo outros povos, como os argentinos, na mesma força da indústria do tabaco no Brasil, num brasileiro que tanto fuma, indiferente às expressas advertências em carteiras de cigarro, alertando obre câncer, impotência sexual etc., num hábito de ambos os sexos, de todas as raças e de todas as classes sociais, remetendo aos EUA, um país severo no qual,  provavelmente no futuro, o cidadão só poderá fumar dentro de sua casa! Vemos um cogumelo como o de uma bomba atômica, no instinto de uma pessoa em se tornar tal postar avassalador, como divas internacionais arrastando incríveis multidões à praia de Copacabana, no poder da Arte, que é criar tal magia, fazendo da Vida o nervo da Arte, numa celebração da Vida, daquilo que nos faz humanos – os macacos não sobem num palco para fazer um show. Este quadro é um pouco excepcional na carreira de Akira, pois há poucos elementos, ao contrário da variedade de elementos em outras obras do artista japonês, na ironia de que menos é mais, num caminho de limpeza e simplicidade, em simplicidades como a do templo erguido pela mulher faraó Hatshepsut, no conceito de da Vinci: A simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como tomar um bom banho depois de um dia de labor e transpiração. O suporte é tal amigo poderoso aliado, pessoas que nos ajudam a obter respeito do corpo social, como certa vez a diretora do colégio em que estudei, a qual, em seu poder na instituição, interveio para me fazer uma pessoa respeitada, uma diretora a qual, apesar de ter uma aura rigorosíssima e quase amedrontadora, revelou-se uma amiga, pessoas das quais jamais vamos nos esquecer: Obrigado, querida! Aqui temos um trabalho de análise, como se desmontar um relógio para um conserto.

 


Acima, sem título (2). Aqui é algo bem inusitado na obra de Akira, pois se trata de um quadro horizontal, num artista que normalmente faz quadros quadriculares. Vemos um recorte de um relevo, numa topografia, como na estrada gaúcha Rota do Sol, na qual, ao descermos da serra para o litoral, deparamo-nos com tal recorte de cânions, na beleza dos campos e florestas, os quais vestem roupas majestosas, como no manifesto ecológico de Tolkien, numa lendária Terra Média repleta de florestas mágicas, no modo como os navegadores europeus foram seduzidos pela exuberância tropical americana, num vastíssimo trabalho de se catalogar cada espécie animal e vegetal, dando nomes para terras devolutas, como eu vi certa vez na Rua, em Caxias do Sul, um rapaz intelectual conversando com uma paupérrima indígena, com esta pedindo esmola, com tal rapaz dizendo: “Teus antepassados eram donos e senhores destas terras, e então veio o homem branco e tomou tudo à força”, nesse talento humano em espraiar o ódio e a raiva, na noção taoista de que a raiva é menor do que a paz, fazendo do Plano Superior tal plano de amigos, no qual ninguém quer nos enganar, na morte da mentira, havendo no Umbral o plano de quem mentiu em vida, como um certo senhor sociopata, o qual mente, mente e mente, uma pessoa que vai acabar “enterrada como um cachorro”, pois os mentirosos acabam rechaçados pela sociedade, como num Bill Clinton, até hoje pagando por ter mentido no episódio infame de Monica Lewinsky. O azul é a cor do céu de brigadeiro, do sonho, da aspiração, num artista com sonhos em meio a um mundo tão frio e indiferente, duro, em vidas amargas como a de Van Gogh, só reconhecido postumamente, ao contrário de Andy Warhol, monstro da Pop Art, reconhecido em vida, recebendo inúmeras encomendas. Na extremidade direita, uma bandeirinha, numa sinalização, remetendo aos tempos em que não havia VAR no Futebol, eras nas quais tínhamos que confiar no bandeirinha, o qual era impopular ao marcar impedimentos de jogadas, nesse “balde de água gelada” que são os gols anulados por impedimento, como num coito interrompido. A bandeira é a universalidade do patriotismo, remetendo a uma certa senhora chauvinista, para a qual algo era perfeito e maravilhoso só porque era brasileiro, num patriota agressivo, ignorando a universalidade do Ser Humano, da Arte, da Ciência e do Esporte. Vemos forminhas como cálices de vinho, de cabo bem fino e delicado, na forma do delicado, mais forte do que o grosso, mas num Ser Humano que eternamente acha o grosso melhor do que o fino, subestimando a delicadeza diplomática e a fraternidade, nos eternos esforços do padre na missa, dizendo que somos todos irmãos, pois somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, no sangue estelar sacrossanto que corre em nossas veias. Uma das formas aqui é como um livro aberto, numa pessoa de vida nobre e simples, um livro aberto, no caminho da lisura e da dignidade, remetendo a um certo senhor, o qual é bígamo, como duas esposas, duas proles e duas casas, e a Vida exige que sejamos unos e íntegros – difícil entender o que faz uma pessoa ter vida dupla, uma pessoa que acha que é obrigada a levar tal vida dupla! Vemos uma mangueira frouxa e caída, como num quadro depressivo, uma pessoa que está passando por uma prostração muito grande em relação à Vida, numa doença que faz com que a pessoa fique fisicamente abalada, como uma certa senhora, a qual quis dar uma boa guinada na vida, deprimindo-se ao perceber que nunca chegara perto de tal guinada pretendida, como ao conversarmos com uma pessoa deprimida, a qual fica prostrada e apática, jogada numa cadeira, sem quer fazer uma coisa simples e prazerosa, que é conversar. Vemos uma bandeirinha caída, derrotada, na prostração do povo argentino na última Copa do Mundo, como certa vez a seleção brasileira, derrotada na final do mundial, em tristezas coletivas. Vemos uma forma como óculos, na reviravolta que foi a invenção das lentes de óculos, algo tão simples, como me disse um certo oftalmologista: “Imagine você viver na era dos faraós, quando não havia óculos!”.

 

Referências bibliográficas:

 

CV. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

Paintings. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Akira Aqui (Parte 6 de 7)

 

 

Falo pela sexta vez sobre o pintor japonês Akira Ikezoe. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Futuro primitivo XIII. O vaso é o conforto do lar, na incumbência de se regar a plantinha, num trabalho de paciência, como ter um bicho, provendo este de toda as necessidades, como um certo menino, o qual implorou, por quase um ano, um cachorro à mãe, com esta cedendo e dando um shitzu ao rapaz, um rapaz que acabou se desinteressando pelo bicho, tendo a mãe, então, doado e o bicho a um casal de amigos, nessas vicissitudes da vida de mãe. O fundo rosa é tenro e feminino, remetendo a um certo time de Futebol, o qual pintava de rosa o vestiário dos clubes visitantes, querendo, assim, taxar de “veadinho” tal visitante, na ironia dialética de que tudo tem duas leituras, uma a contradição da outra: Por um lado, feminiliza o oponente; por outro, dá a impressão do anfitrião ter tal ausência de agressividade, sendo rosa a cor da casa de tal anfitrião, como no símbolo universal de Yin e Yang, com um trazendo um pouquinho do outro, no jogo de sedução cósmica entre tais opostos. A prateleira é a organização, numa mente organizada, centrada, numa vida centrada em algo nobre e produtivo, numa pessoa que está se encontrando em tal ordem e progresso, no lema positivista da bandeira nacional brasileira, a qual, apesar de bela, é mais complexa do que a simples e impecável bandeira japonesa, sem eu aqui querer ser antipatriota. De um tronco se deriva um ramo, como na ramificação monoteísta, com Cristianismo, Judaísmo e Islamismo, na universalidade da mente humana, da espiritualidade, com caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, fazendo da Vida o nervo da Arte, a qual é uma questão de saúde mental, ao contrário de sistemas ditatoriais, que tolhem a liberdade de expressão, num cidadão que se vê escravo de uma ideologia, com esta ditando padrões de produção artística, num artista que se vê escravo de um sistema, como no Brasil militar, na frustração de ser censurado, como foi censurada a primeira versão da telenovela Roque Santeiro, com Betty Faria como a Viúva Porcina, uma Bette a qual, anos depois, deu a volta por cima como a inesquecível Tieta, numa novela tão popular, sucesso de audiência, no modo como a Vida exige que tenhamos paciência, na noção taoista de que, se eu esperar, posso agir, na noção de que Deus escreve certo por linhas tortas. Vemos uma planta caída e prostrada, deprimida, abatida, sem tesão para lutar pela Vida, como um surfista que não quer pegar onda, remetendo a uma certo senhor, numa fossa de décadas, um senhor o qual, no passado, tinha tal tesão, conquistando o respeito de um certo célebre professor altamente exigente, nessas pessoas num eterno labirinto, sem noção se vai para cá ou para lá, numa pessoa que quer fugir da luta, como um morador de Rua, nas palavras de uma certa médium espírita: Deus quer nos ver lutando, e não atirados nas cordas do ringue da Vida! Akira adora a vida das plantas, numa exuberância tropical em meio a um Japão de clima não tropical, na sedução de cidades como o Rio de Janeiro, no seu calor e sua natureza exuberante, num Rio que tanto pulsa Vida, na memória que tenho da casa de minha tia em tal cidade, como o canto de pássaros tropicais, numa cidade paradoxal, bela e complicada, com muita violência e criminalidade, nos abismos sociais brasileiros. As rodinhas da prateleira são a mobilidade e a flexibilidade, numa pessoa que se curva sabiamente, sabendo que o se curvar é o mais simples e sábio, como na polidez japonesa na luta de judô, com os oponentes se curvando em sinal de respeito, sem subestimar o oponente, na fábula da lebre e da tartaruga: Esta ganhou a corrida exatamente porque a lebre subestimou a seriedade da situação, como um jogador entrando com humildade em campo, no inevitável modo como a arrogância precede a queda. A Vida aqui é abundante, no milagre da Vida, numa Terra tão rica nesse sentido, no modo como temos que dar valor aos ecologistas: Temos que cuidar da Terra, pois o Homem não tem para onde ir! Uma planta aqui desponta como líder e elite, no ponto mais alto da cena, como na liderança de um grupo, na irresistível hierarquia espiritual, nunca imposta à força, no mais moralmente depurado guiando o menos, na força da classe e da fineza, num Ser Humano sempre equivocado, achando que a grosseria é o melhor e mais eficiente caminho, com um certo senhor, embriagado de poder.

 


Acima, Futuro primitivo XIV. Aqui temos uma quebra e uma interrupção, como num suicídio, ou como alguém largando a faculdade para nada fazer no lugar desta, como um certo senhor, o qual desvirtuou a própria vida, abandonando um curso superior, num intenso empobrecimento existencial, um senhor que fica em casa o dia inteiro perguntando a si mesmo por que será que nada acontece em sua vida, pois, fora do trabalho e do estudo, não há salvação, como no Plano Superior, no qual temos que nos manter produtivos de alguma forma nobre, pois como posso respeitar alguém que merda nenhuma faz, com o perdão do termo chulo? Vemos uma mesa, um suporte, como um poderoso aliado nos ajudando de alguma forma, como certa vez no meu Ensino Fundamental, com a rigorosa diretora do colégio me ajudando a ser respeitado pelos meus colegas, os quais me submetiam a bullying, na perversidade do Ser Humano, que é esquecer que somos iguais perante o mesmo Rei, na nobre intenção democrática, que é nos igualar perante a urna eleitoral, deixando de lado gênero, classe social, raça, religiosidade etc. Vemos plantinhas pequeninas, coadjuvantes, como num jovem Ronaldo reserva na Copa de 1994, jogando na de 1998 e dando a volta por cima na Copa de 2002, no Penta, na comoção nacional que tal torneio traz ao Brasil, numa tristeza no senso comum do brasileiro, num Brasil que já deixou de ser o país do Futebol, deixando para trás os áureos tempos em que, nos sorteios de grupos da Copa, ninguém queria pegar o Brasil! Vemos uma forma como um balão de São João, nas festas tipicamente brasileiras, no poder de tal cultura popular, fazendo da Festa da Uva tal momento de projeção social, na comunidade que se vê projetada e representada, no poder da rainha, que é representar a beleza de tal terra, numa rainha que tem que ter um ar não de gatinha, mas de mulher madura, fazendo, assim, metáfora com o ponto de maturação da uva na época de vindima, fazendo da Itália tal país das vindimas, com cada comunidade com sua identidade cultural, num ato de agradecimento ao labor árduo do colono italiano, o qual é nosso herói. Vemos uma mangueira jogada e inutilizada, sem função, no poder da dignidade, que é servir ao Mundo, na pessoa se sentir importante no Mundo, como num artista querendo renome e fama, num fracasso como o de Van Gogh, só reconhecido postumamente, numa espécie de “vingança póstuma”, fazendo com que mandemos à merda os que nos subestimavam, com o perdão do termo chulo, como um certo senhor, o qual foi, há anos, falar mal de mim em público – chupe esta manga, rapaz! Como é gostoso o pecadinho capital da ira e da vingança! De um vaso vemos uma ramificação tripla, em todas a ramificações cristãs, como o anglicanismo, em transgressões inevitáveis, na noção de que tudo é processo, como as línguas, as quais vão aparecendo e desaparecendo, como no latim, fonte das línguas latinas, um latim que desapareceu, com ultraconservadores, que acham que os ritos católicos têm que ser em latim, em toda uma ala conservadora do Vaticano, em homens nobres e únicos como o imortal Francisco, clemente, com o intuito de unir as pessoas, um homem excepcional, abrindo inovações as quais transformaram para sempre o Vaticano. Vemos um tronco cortado, em mortificação, como lenha para fogueira, ou como troncos de eucaliptos para obras de construção civil, na estratégia do reflorestamento, como na via gaúcha da Rota do Sol, com vastas matas de reflorestamento, no modo como a era digital abreviou enormemente o uso de papel, em adventos de tecnologias como o e-mail, o qual, hoje, é banal, um e-mail o qual, eu próprio uso pouco, pois, com as redes sociais, o uso do e-mail ficou menos volumoso, numa tecnologia tão “louca”, com você conversando em tempo real quem está a milhares de quilômetros de distância, em outro continente, na minha geração, que viu o sepultamento da era analógica. Na base do quadro vemos uma discreta bifurcação, como gêmeos siameses, em espíritos de alta coragem, escolhendo reencarnar em tal incrível vicissitude.

 


Acima, Futuro primitivo XV. O fundo preto é tal discrição, remetendo a uma brincadeira que fiz certa vez com uma mulher, a qual estava de preto da cabeça aos pés, e eu perguntei, como piadinha: “Onde é o enterro?”, e a mulher levou a brincadeira a “ponta de faca”, carecendo de bom humor, no risco que corremos quando fazemos uma inocente brincadeira com alguém. Vemos um vulcão, nas forças da natureza do famoso vulcão que destruiu Pompeia, nas vicissitudes naturais, como em maremotos japoneses, ou terremotos na Venezuela, num momento de auxílio humanitário, com envio de ajuda e recursos financeiros, no modo como tais catástrofes nos trazem a mensagem de que somos irmãos, na classe de uma Cate Blanchett, compadecendo-se com o sofrimento do povo gaúcho nas recentes enchentes, numa atriz que se deu ao trabalho de pegar um avião até Porto Alegre para ter uma audiência com o governador, nesses artistas que nos dão exemplos de solidariedade, algo tão raro no Ser Humano, o qual tende à guerra e à desarmonia, sempre. Vemos uma pequena piscina, com plantinhas, como brincar com os amiguinhos no verão, numa piscina, em doces diversões de verão, à beira da água, na magia do verão, das férias, no descanso, o qual não pode faltar, ao contrário do workaholic, o qual só trabalha e não vive, como um certo senhor, sem respeito para consigo mesmo, ao ponto de não descansar entre duas jornadas de trabalho, num caminho degradante, num senhor que fracassou, fechando as portas da empresa que abrira, voltando a ficar submetido a um patrão, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? Vemos uma variedade de folhinhas pequeninas, como num astro com vários fãs, pessoas comuns, em pessoas que se tornam excepcionais, como uma pessoa batalhando pela vida, como numa Patricia Pillar, batalhadora, uma mulher que veio do nada e tornou-se tal grande nome que se tornou, ao contrário de quem é privilegiado, com um pai poderoso ou uma mãe poderosa para abrir portas na indústria, como um Tom Cruise, o qual veio do nada, sobrevivendo desde os anos 1980 nesta “selva” que é Hollywood, a terra do fracasso e da frustração. Vemos vasos bem pequenos, comuns, irrelevantes, subestimados, como discretos coadjuvantes num filme, fazendo se sobressaírem os protagonistas, na noção de comparação: Quando digo que algo é grande, é porque comparo com algo menor, como num casal em que o homem, mais alto, se destaca, o qual se destaca exatamente por estar ao lado da esposa mais baixinha, na noção taoista de que liso e áspero, fácil e difícil são faces do mesmo trabalho, como numa Marisa Monte em turnê: Na hora de cantar no placo, prazer total; por outro lado, o trabalho da turnê, com muitas estradas, aeroportos e hotéis, sem falar no trabalho de transportação de equipe, banda e maquinário para a realização do show, ou seja, não há trabalho que seja cem por cento prazer. Vemos uma luminária caída, algo inusitado na obra de Akira, o qual costuma trazer plantas, seres vivos. A luminária é a iluminação da mente do artista, em ideias felizes, como num bom roteirista, bolando uma história bem contada, nessa doença crônica de Hollywood, que é a escassez de bons roteiros, com filmes tecnicamente bons, mas com argumento pobre, como um certo recente filme, uma porcaria, sinto em dizer, numa história sem pé nem cabeça, admirando-me o fato de tal roteiro ter passado pelo crivo do estúdio. Vemos uma forma como um fóssil, com marcas de vegetação, no trabalho científico de reconstituir eras no Mundo, como me disse um certo professor: Reconstituir uma civilização extinta é como remontar uma pessoa a partir do lixo desta. Neste quadro vemos uma estrutura de concreto, simples, minimalista, modernista, como em casas modernistas feitas há um século, parecendo que foram criadas hoje mesmo, em 2026, no poder da transgressão modernista, que “sepultou” a arte acadêmica, em sopros necessários de renovação, numa época em que a Renascença era o último sopro de renovação a Europa, ressuscitando a Antiguidade Clássica, com cada geração com seus ícones.

 


Acima, Futuro primitivo XVI. Na base uma estrutura azul, como um meio ovo, como no domo do Senado em Brasília, na obra de Niemeyer, num jogo entre côncavo e convexo, num talento de Arquitetura, num caminho de identidade brasileira, como na enorme incumbência do Cinema Brasileiro, que é encontrar tal identidade, “libertando-se” de Hollywood e das influências desta. Uma forma é como um fogo cinzento, nas cinzas como os vestígios, como nos vestígios de um crime, num minucioso trabalho de reconstituição, no trabalho de remover as cinzas e limpar a lareira para uma nova queima de lenha, na sedução de um vinho na beira da lareira num dia ou noite frios, no romantismo dos enamorados, como um casal buscando recuperar o calor na relação, como numa segunda lua de mel, ou como inocentes joguinhos eróticos, como passar talco na nádega do outro, num caminho de intimidade, em pessoas que se tornam tão importantes em nossas vidas. Vemos estruturas como flechas reunidas, escoradas, num formato de cerca com lanças, como um soldado fazendo a guarda, na proteção de lares, numa “neurose”, que é prever possíveis crimes, no cuidado de se instalar cercas elétricas, num filão de mercado, que é a segurança particular, remetendo a eras em que não eram necessários tantos aparatos de segurança, como na Caxias do Sul na primeira metade do século XX, com as casas abertas, sem medo de assaltos, fazendo do Plano Superior tal lugar em que estamos entre amigos, sem paranoias de assaltos e criminalidade, num plano de apuro moral, em que ninguém quer nos mentir ou nos enganar, na delícia de se estar entre amigos. Vemos uma forma como um vulcão inativo, pacífico, dormente, como uma pessoa na “tocaia”, esperando pelo momento para agir, na noção taoista de que, se sei esperar, posso agir, num caminho de calma e serenidade, esperando pelo momento propício, como na persistência de se vender um imóvel, sabendo que o momento vai chegar propício. Vemos uma forma como um aquecedor de ambiente, nos invernos no RS e em SC, em padrões culturais como um banho diário, ao contrário da Bahia, na qual a pessoa toma dois banhos por dia, na demanda de água em tal urbe, fazendo da Bahia, na prática, um país à parte. Vemos um buraco, uma intervenção, como num corte cirúrgico, num corte de bisturi, em um momento de grande seriedade e concentração da parte do médico, como uma amiga minha, fazendo parto de cesarianas, seríssima, no peso adulto da responsabilidade, no modo como a juventude perfeita é uma invenção de velhos, pois na juventude não temos cautela, sabedoria, paciência ou juízo, ou seja, é uma merda, com o perdão do termo chulo. Vemos formas que parecem ser os aparatos judaicos de sete velas, fazendo dos judeus tal povo perseguido, tendo que adotar sobrenomes para despistar tal perseguição, no impacto de filmes como A Lista de Schindler, em preto e branco, num momento do filme que mostra uma menininha de vermelho, menininha que, em outra cena, aparece morta e reduzida a cinzas, tudo por causa de um grande sociopata, na capacidade do sociopata em manipular pessoas e tomar o controle de estados inteiros, como um certo sociopata que se tornou presidente, o qual se elegeu por ter uma aparência impecável, acima de qualquer suspeita, um sociopata malicioso que sabe que, na vida pública, a aparência da pessoa é extremamente importante, remetendo a certas senhoras de má aparência, as quais creem que, se arrumarem-se muito, serão tidas como dondocas fúteis e peruas frívolas, o que é um equívoco, com uma certa senhora que concorreu a prefeita, como cabelo de qualquer jeito, sem um único pingo de maquiagem, com as unhas de qualquer jeito e com uma visual pobre, sem distinção, remetendo a grandes talentos estadistas como Elizabeth I, a qual levava extremamente a sério o se arrumar na hora de ir a público, e isso ganha a confiança do povo. Vemos uma espécie de funil, como na seleção de um concurso vestibular, selecionando os mais estudiosos, na formação de nossas elites, que pensam acima da média.

 


Acima, Não tão natureza morta I. Vemos palmeiras cortadas do pé, alienadas, como cortar árvores para se obter lenha, num trabalho de extração, de exploração da natureza, em eras em que não havia legislação de crimes ambientais, fazendo do século XXI tal momento ecologista, como em celebridades ecologicamente engajadas, dirigindo somente carros elétricos, no cheiro de óleo diesel de cidades como Nova York, ou Pequim, no preço do progresso, em problemas como o descarte do lixo plástico, numa Humanidade ainda muito dependente do plástico. Vemos um objeto como um ovo, na expectativa de algo que vem, como num nenê chegando numa família, na bênção que é uma criança, “derretendo” o coração dos avós, fazendo da criança algo tão inocente e especial, pois a criança traz um residual do Plano Superior, a dimensão do amor incondicional, que é o amor sem cobranças, ao contrário dos negócios, no popular ditado: “Amigos, amigos; negócios, à parte!”. O ovo parece um coco, numa fruta tão exótica e única, ma magia das frutas, obras de Tao, o grande criador, em magias como a da manga, da Índia, dando muito bem no Brasil , sendo ambos países de clima quente, em diferenças culturais, como templos hindus tomados de ratos, em riscos enormes de leptospirose, como já ouvi dizer que são insalubres as condições de limpeza na Índia, na qual a vaca é sagrada, em contraste intenso com o Ocidente, que consome avidamente a carne de tal animal, no tradicional hambúrguer. Vemos folhas picotadas, podadas, como num revigorante corte de cabelo, numa renovação, num caminho de autoestima, que é a pessoa se arrumar e gostar de si mesma, no exemplo do psicoterapeuta, arrumado, bonito, gostando de si mesmo, como no filme As Patricinhas de Beverly Hills, numa menina primeiramente sem tal autoestima, recebendo o auxílio de outras duas moças com autoestima, fazendo de tal menina uma pessoa com tal amor próprio, numa reinvenção. Vemos uma forma como um boné, que é o resguardo e a proteção, num acessório jovial, como disse uma certa popstar, dizendo que há dias em ela se sente masculina e veste-se como um menino, fazendo da moda e do estilo tais meios de se expressar, no poder da indústria da Moda, movendo tanto dinheiro em tal mercado, em cobiçados bens de consumo, na escravatura da sociedade de consumo: Tenho que trabalhar feito um “burro de carga” para produzir capital e, deste modo, adquirir bens cobiçados de consumo, como roupas, carros, celulares, joias etc., fazendo do indivíduo tal escravo de um sistema, na metáfora de Matrix, que é aprisionar e manter sob controle o cidadão. Vemos plantinhas que parecem ser levadas pelo vento, numa humilde curvatura, no caminho da discrição e da humildade, que é nunca subestimar a seriedade da situação, como no filmão A Rainha, com a célebre monarca se vendo acuada, tendo que tomar ações em relação ao falecimento trágico da ex nora, chegando a um momento, no final, em que a monarca diz: “Tenho escolha?”. O vento é tal força natural, por vezes causando tragédias e destruição, fazendo de tais intempéries a prova de que é a imperfeita Terra quem tenta imitar o perfeito Céu. Vemos uma estatueta como um corpo humano sem cabeça, como numa execução, com o carrasco com seu machado, em países como os EUA, com pena de morte, ao contrário das sentenças brasileiras, em aspectos como a progressão de pena, com um sociopata que sairá da prisão sendo o mesmo sociopata de sempre, pois uma pessoa de tal raso apuro moral JAMAIS vai se regenerar em vida. Vemos uma máscara africana, na magia carnavalesca de fantasias e máscaras, ou como em rituais africanos de magia, na figura do feiticeiro da tribo, fazendo da Arte tal recurso de magia, como na magia de carisma de popstars, arrastando multidões para shows Mundo afora. Na base, vemos rochas residuais, nas profundezas geológicas, como nas raízes de vinhedos, na magia das entranhas da terra, como veias colhendo nutrientes, na seiva vital correndo como nutritivo sangue, na magia da Vida, no mistério que faz um coração bater.

 


Acima, Não tão natureza morta II. Uma majestosa flor se ergue soberana, exuberante, no crisântemo chinês, na universalidade das flores, da beleza, num adorno que é um presente dos enamorados, nos eternos ramalhetes de rosas do Professor Girafalez para a Dona Florinda, num amor cego, que só vê coisas boas no namorado, nos eternos versos de Tim Maia: “Quando a gente ama, não pensa em dinheiro; só se quer amar!”, num amor profundo que não cobra qualquer preço, em pessoas tão especiais, que passam por nossas vidas deixando tais marcas eternas, em pessoas que se tornam nossos amigos para sempre, conhecendo-nos profundamente, no poder da amizade, a qual é o sentido da Terra e do Céu, pois fora de tais laços de amizade não há salvação, na saudade que sentimos de velhos amigos, na inevitabilidade da Vida, que é separar as pessoas, pois cada um acaba indo para um lado diferente, e a Vida são tais constantes oportunidades de fazermos tais amigos. Vemos uma fumaça mágica, como na alegre feminilidade de Jeannie é um Gênio, da TV americana, na mulher se transformando em mágica fumaça rubra, na magia de perfumes doces femininos, nos versos fogosos de uma certa canção rock: “Lábios como açúcar! Beijos de açúcar!”. A fumaça é tal glamour que enfeitiça, num jogo de sedução entre masculino e feminino, como no flerte no filme O Amor custa caro, ou como no jogo de sedução de Cleópatra, num talento estadista, uma mulher com a qual morreu a multimilenar tradição faraônica, no inevitável modo como os impérios nascem e morrem, ou como já vimos, no Showbusiness, estrelas aparecendo e desaparecendo, como uma moça chamada Betty Boo, a qual teve um relativo sucessinho no início dos anos 1990, e hoje, décadas depois, não fazemos ideia de onde está tal mulher, e nem sabemos se ainda está viva, pois os que param de lutar pela Vida, desaparecem, remetendo a carreiras longevas, de artistas que têm a humildade de virar a página e recomeçar do zero, numa eterna reconstrução e reinvenção. Na base vemos uma tartaruga, retirada dentro de sua concha, num recolhimento do lar, no lugar sem igual, no conforto do lar, fazendo das guerras tal força horrível, pois as guerras arrancam as pessoas de seus lares, deixando rastros de fome e destruição, e nem a majestosa passagem de Jesus pela Terra soube sanar os problemas do Mundo, fazendo de Jesus uma imagem em que podemos depositar as esperanças de que uma vida melhor nos espera lá em cima, na dimensão em que vivemos num mundo feliz de amor e amizade. No topo vemos uma separação, com duas formas separadas, como em gêmeos sendo separados no nascimento, no modo como há uma grande intimidade entre gêmeos, remetendo às explosões de Vida em ninhadas de cães ou gatos, na força da Vida, do cio, num animal escravo de tal libido, ou como pessoas adolescentes, escravas de seus próprios hormônios, nas imponentes palavras de Marta Suplicy a uma plateia de adolescentes: “A adolescência é uma época em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal!”, deixando a plateia perplexa com tal imponência, numa Marta muito elegante, num tailleur impecável – dá gosto de se ver uma mulher elegante! Vemos formas como hélices num parque eólico, no caminho dos combustíveis limpos, como na casa em que morei com minha família, com placas que captavam energia solar, em eventos como a Cop, alertando a Humanidade, em esforços como o do príncipe inglês William, preparando-se para o destino que o aguarda, um rapaz que quer muito servir ao seu amado país. Vemos mudinhas bem pequeninas, como girinos, ou como num berçário, num jardim de infância, numa escolinha, quando a criança começa sua vida social, relacionando-se com outrem. Vemos formas como peixes, em animais tão bem adaptados, espertos, esquivando-se de predadores, na magia do sushi, o peixe cru que ganhou o Mundo, na universalidade da boca humana. Vemos uma planta murcha e sem vida, derrotada, mortificada, na mortificação espiritual, que é parar de se pensar em bobagens e começar a se ater ao que é importante, protegendo o coração de sofrimentos.

 

Referências bibliográficas:

 

CV. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

Paintings. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.