quarta-feira, 1 de julho de 2026

Akira Aqui (Parte 4 de 7)

 

 

Falo pela quarta vez sobre o pintor japonês Akira Ikezoe. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Futuro Primitivo I. Aqui é como uma coleção, no amor pelas plantas, na paciência de regar diariamente as plantas, num ambiente de lar, de muvuca, na gíria carioca. Vemos uma árvore inóspita, morta, no caminho da mortificação, que é deixar de ouvir as bobagens do coração, do traiçoeiro coração, pois é exatamente quando ouvimos o coração quando nos fodemos, com o perdão do termo chulo. Vemos formas ovais como fungos, cogumelos, iguarias finas usadas em receitas, no prazer de uma massa ao molho funghi, no modo como me sinto tão entretido ao assistir programas televisivos de culinária, no paradoxo de que eu mesmo sou um medíocre na cozinha, com um repertório culinário extremamente limitado, restando a mim comprar comidas já feitas no supermercado, em contraste com a senhora minha avó, in memoriam, uma mulher que era uma deusa ao cozinhar, nesses talentos culinários. Aqui é um cenário colorido de diversidade, em particularidades, individualidades, como numa família, com vários filhos, com cada um tendo sua própria personalidade, mesmo tendo a mesma genética e vindo do mesmo lar, sob os mesmos valores, como duas primas minhas, extremamente diferentes uma da outra, na particularidade do espírito, o qual nasce assim. Uma das plantas parece um amuleto africano de magia, na arrebatadora sessão africana do museu novaiorquino Met, com artigos tribais de magia, fortes, estranhos, quando vi ali um rapaz negro, o qual se mostrava orgulhoso de suas próprias raízes africanas, no ponto evolutivo do Homo sapiens de construir tais magias de arte, diferenciando-se assim dos macacos, os quais não têm arte ou rituais de magia, fazendo da Arte algo essencial, que nos faz humanos, numa suma questão de saúde mental – quando mais Arte, melhor, remetendo a um certo senhor, um homem sem vida cultural, pobre neste sentido, um homem que não vê um filme ou uma peça teatral, beirando a grosseria, em particularidades. No topo do quadro vemos uma forma volátil, como um ovni, atiçando a curiosidade de quem quer crer em vida alienígena, num Cosmos tão vasto, infinito, numa infindável sopa de galáxias, sendo assustadoras as duas hipóteses: Haver Vida e não haver Vida. Vemos caules delgados, no tato fino diplomático, sempre primando pelo diálogo cordato, ao contrário de pessoas que subestimam tal tato, sem ver que polidez é um valor universal, como na polidíssima primeira ministra japonesa, com suas elegantes pernas cruzadas, dignas de rainha da Inglaterra, num povo japonês tão limpo e polido, no fato de que tal país, apesar de tão rico, tem altos índices de suicídio, na sabedoria popular de que dinheiro não traz felicidade, como na inferno que é a vida de um ganhador da Loteria, uma pessoa considerada feliz na Terra, na questão espírita: Você não faz ideia a que nível fica reduzida uma pessoa que é considerada feliz na Terra, no modo como dinheiro traz tudo de conveniente, menos o que importa, que é felicidade. Aqui são os esforços de Darwin em catalogar os seres vivos, num trabalho vasto, praticamente impossível, como na incrível variedade biológica brasileira, especialmente na Amazônia, remetendo aos crimes ambientais, como garimpos ilegais e tráfico de animais, na importância suma do apuro moral – andar sempre na linha, pois os honestos têm a consciência tranquila, e a vida sem paz é um inferno. Os vasos são tais receptáculos, casas, bases e proveniências, na capacidade da terra em gerar vida, no ponto decisivo da Agricultura, quando o Homem passou a cultivar alimentos, indo além da caça, da pesca e da coleta, na universal divisão de trabalhos, como em tribos amazônicas: Os trabalhos que exigem mais agressividade ficam a cargo dos homens, na universalidade do machismo patriarcal, como em tais tribos, nas quais apenas aos homens é permitido praticar lutas, na mensagem antipatriarcal do filme Barbie, numa mulher que pode ser o que ela quiser, como uma psiquiatra que conheci, já falecida, uma mulher linda, arrumada, com autoestima, uma mulher que levou uma vida nobre e produtiva, auxiliando os que tinham problemas espirituais, uma médica que voltou de cabeça erguida ao Plano Superior, no clima de missão cumprida, uma mulher que respeito. Aqui remete à vida bela do Rio de Janeiro, uma cidade que tanto exala vida e beleza, mesclando urbe com natureza.

 


Acima, Futuro Primitivo III. O fundo cor de rosa é o interior feminino da garrafa do clássico televisivo Jeannie é um gênio, quando ela se recolhia sem querer ser perturbada, como programar o celular na função “não perturbe”, quando a pessoa quer ter momentos saudáveis de solidão, num retiro necessário, remetendo ao autista, fechado para a interação social, como um rapaz autista que conheci certa vez, o qual dizia, ao ser abordado por alguém: “Não quero!”. Vemos uma forma que parece um leque, em senhoras se abanando com um leque, como no filme ...E o vento levou, com as escravas negras abanando as moças brancas quando estas dormiam, numa vida dura de escravo, de pessoas miseráveis, na coragem de determinação de um espírito em reencarnar em uma família paupérrima, como descendentes de indígenas em Caxias do Sul, jogados numa calçada fria pedindo moedinhas, uma criancinha que não tem ideia da miséria na qual nasceu, uma encarnação que vai causar à pessoa um crescimento espiritual enorme, no remédio amargo que gera doces efeitos – como é degradante não saber se vai ter um pedaço de pão no estômago no fim do dia, numa das funções mais básicas de um ser vivo, que é a alimentação. Vemos uma forma como um ventilador, remetendo aos inclementes verões romanos, com turistas assoberbados por tal calor, nessas zonas de clima temperado, com as estações do ano tão definidas. O ventilador é tal renovação de frescor, como no advento de novas tecnologias, sepultando o CD e o DVD, num galgar vibrante de novas tecnologias, num Ser Humano sempre se superando, no preceito dialético de que tudo é processo, como no processo de evolução espiritual, como numa faculdade, num Pai orgulhoso de nós no dia da formatura, remetendo à tragédia numa certa família, a qual amargou o brutal assassinato de um rapaz na semana de formatura deste – eu gostaria de este assassino se dê conta da tragédia que trouxe a tal família, pedindo, assim, perdão à vítima, pois uma alma de tão raso apuro moral não como estar em paz, vivendo uma vida insuportável, sem qualquer paz, na consciência que fica nos “cutucando”. Vemos uma árvore podada, tolhida, como nas podas outonais de vinhedos, no alto custo que é produzir tal bebida, com todo um trabalho e todo um investimento no produto final na gôndola do supermercado, ao contrário de bebidas mais baratas como a cachaça, baratinhas, preferidas pelos brasileiros de poder aquisitivo mais baixo, com tudo começando pela captação dos insumos, em contraste com a colheita da uva, manual desde o Antigo Egito. Vemos uma planta que parece ser uma luminária, em momentos de iluminação, num artista concebendo algo, inventando, no poder da criatividade, em cartunistas tão inspirados como o gaúcho Carlos Iotti, ao ponto de certa vez ser indagado por um admirador: “De onde tiras tanta coisa?”. Na base do quadro um trevo de quatro folhas, símbolo de sorte, uma plantinha tão rara, e certa vez minha irmã encontrou no jardim de nossa casa um trevo de quatro folhas, raro como pessoas de rara inteligência emocional, fazendo do homem de Tao tal exceção, um homem que não quer subjugar o Mundo, nem lançar mão da força, ao contrário de um certo senhor embriagado de poder, achando-se o rei do Mundo, numa fome napoleônica, sempre descontente, sempre querendo anexar os reinos vizinhos, na sedução do Anel do Poder, sempre corrompendo os homens, num Tolkien que nos mostra uma história sombria, sobre tal fraqueza humana. Vemos uma forma que parece ser um maracujá, cujo nome indígena quer dizer “o alimento dentro da cuia”, em magia de frutos tão perfumados, na magia das frutas, obras de Tao, o grande inventor, no paradoxo maçônico: Não crer em Deus, mas crer que o Universo tem um grande arquiteto. Vemos formas como exuberantes palmeiras tropicais, como no aeroporto de Orlando, EUA, com palmeiras para encher os olhos do turista, numa cidade que é uma das provas do poder e da riqueza dos EUA, com um complexo deslumbrante de parques temáticos e uma malha hoteleira arrojadíssima.

 


Acima, Futuro Primitivo IV. Um pilar bem fininho, típico de Akira, ergue uma luminária, que é a iluminação de uma mente, como num publicitário concebendo algo, no símbolo de tal profissão, que é uma lâmpada. Vemos uma grande folha de palmeira, que é a exuberância tropical que tanto seduz pessoas de regiões frias do planeta, como nos longos e deprimentes invernos escandinavos, com seis meses de neve, na contramão de quem visita a Serra Gaúcha, querendo, exatamente, passar frio! Uma planta cabeluda remete ao Primo It, da Família Adams, um ente cabeludo e andrógino, sem sabermos se é homem ou mulher, no caminho da androginia, que é os gêneros se igualando, na igualdade de homem e mulher perante a lei, na imagem da justiça cega, que não faz diferenças, mostrando que ninguém está acima da lei, como um certo ditador, executando o próprio tio – é um horror. Vemos um tripé futurista, minimalista, como nas linhas futuristas de Teotihuacán, a Cidade dos Deuses, alimentando a imaginação de quem crê que s Humanidade recebeu, num passado remoto, assistência civilizatória de raças alienígenas, com medidas de construção de cidades e de escrita, tirando o Ser Humano da Pré História, num momento em que as tradições deixaram de ser passadas oralmente, sendo mantidas por meio da escrita, no modo como as línguas estão em constante processo de transformação, em línguas mortas, como o latim, ou como nas recentes renovações na Língua Portuguesa, abolindo o acento circunflexo em palavras como “voo” e abolindo o acento agudo em palavras como “ideia”, remetendo à reviravolta que foi a Pedra da Roseta, a qual possibilitou que fosse “ressuscitado” o egípcio antigo. Vemos uma estante, um móvel, numa estratificação, numa ordem social com classes, como na rígida hierarquia social do Antigo Egito, na qual não havia mobilidade social – se nasço plebeu, morro plebeu; se nasço nobre, morro nobre, remetendo à figura do “alpinista social”, o qual quer ascender na pirâmide social, numa ambição. Na base do quadro uma conchinha perdida, singela, numa simplicidade, como no majestoso minimalismo da bandeira nacional japonesa, impecável, discreta, perfeita, nas brumas alvas abraçando o rubro sol nascente de tal país, na ironia taoista de que menos é mais – se quero subir, antes tenho que descer, na questão do “curva-te  reinarás!”, como na humildade de Madonna ao homenagear Marilyn Monroe num clipe, estourando assim em  nível mundial, nesse instinto que certas pessoas têm em relação ao saber se vender muito bem vendido, num caminho instintivo e autodidata, pois não há livro ou faculdade que ensine isso. Vemos um vaso listrado, com elegantes linhas retas aristocráticas, numa lisura, numa elegância retilínea, num charme aristocrático, remetendo a um certo rapaz mentiroso, que jurava que era um fidalgo e nobre dono de um altivo cavalo, mentindo que cavalgava – não estou dizendo que você não pode se vender; só estou dizendo que, se for para se vender, que seja com fatos e verdades, e não com mentiras. Akira gosta de dispor as coisas de forma ordenada, como num acervo de museu, no prazer de se visitar o paulista MASP, num estado de SP tão rico, fazendo de tal nobre museu uma espécie de nervo da urbe, com manifestações sociais se reunindo em frente ao local. Uma planta escorre e vai ao chão, como uma cascata, numa fonte abundante que nunca seca, como Tao, tal fonte de Vida, como uma fonte de água viva, nas palavras de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e Vida!”, na maior mente de todos os tempos, dividindo a História em duas, no poder do pensamento, pois o Reino dos Céus é feito de pensamento, longe das vicissitudes da matéria, na glória que é estar desencarnado, numa vida plena, numa luz nos emoldurando e nos fazendo felizes, com paz, pois a Vida sem paz é um inferno, meu irmão. Essa disposição é num trabalho de análise, no método científico de se separarem as partes do corpo, gerando as especialidades médicas: Pneumo, oftalmo, cárdio etc. Os vasinhos com terra são a vida, num Ser Humano dependente de tal terra para cultivos diversos, nas palavras do pai da heroína Scarlet O’hara: Terra é o que de mais longevo existe.

 


Acima, Futuro Primitivo IX. Vemos um arco, como em arcos romanos, em dutos numa urbe antiga e moderna, ou como nos famosos arcos da Lapa no Rio, em formas elegantes, como nos arcos do Coliseu, com espaço para imagens de deuses, na magia politeísta que foi transgredida pelo monoteísmo cristão, chegando ao ponto do imperador romano se converter ao Cristianismo, numa Roma que, antes disso, perseguia os cristãos e os executava de forma cruel, usando seus cadáveres para se acenderem piras ardentes na arena, na eterna inclinação do Ser Humano: Quanto mais cruel, melhor – é um horror. Os arcos são tal símbolo de humildade, de curvatura, como no elegante e cavalheiresco gesto antes dos judocas se enfrentarem, com ambos se curvando, mutuamente, em sinal de respeito, como na elegância ao fim de uma partida de Tênis, com os oponentes se cumprimentando, como um presidente passando a faixa para o próximo presidente, reconhecendo, com humildade, que tal poder já não mais lhe pertence, na sucessão democrática, “ventilando” o poder. Vemos uma confusão e um emaranhado, como em teias complexas viárias em urbes, com placas auxiliando, como entrar num supermercado no qual não estamos habituados a entrar, ao contrário de nosso supermercado de costume, onde sabemos direitinho onde encontrar cada mercadoria, numa familiaridade, numa intimidade. Vemos uma forma como uma capela gótica, no estilo ao final da Idade Média, com formas góticas, não se imaginando, em tal momento, que a Renascença brotaria com tanta força na Europa, em sopros de renovação, no modo como o novo sempre vem, em advento de novas estrelas como Gaga, em gerações com seus respectivos ídolos. O gótico é tal amor pela religião, na magia da Arte Sacra, fazendo de ricas igrejas tais “museus” de tal arte, com tudo de Arte Sacra que já foi produzido até hoje na Humanidade, em deuses como Michelangelo e da Vinci, artistas de forte iluminação, reinando eternos em museus e templos. Vemos uma forma como uma taça de torneio, em “carnificinas” que são tais campeonatos, com a maioria das seleções se frustrando e indo embora para casa, nos dramáticos mata-matas da Copa do Mundo, num Brasil depositando esperanças, numa pressão enorme: Como você acha que é um país inteiro pressionando você para você trazer o Hexa para casa? Não deve ser infernal? Para suportar isso, a pessoa não precisa ter uma estrutura psíquica muito forte? O emaranhado são as tripas trabalhando, nos sons orgânicos que ouvimos quando estamos nos corpos de nossas respectivas mães, numa relação de intimidade, na eterna gratidão à mãe, pois, sem esta, não estaríamos aqui, como eu escrevi recentemente num cartão à minha mãe: “Parabéns a esta pessoa que me trouxe ao Mundo, trocou minhas fraldas e me deu comidinha na boca!”, fazendo do Dia das Mães uma data tão poderosa do comércio brasileiro. Vemos uma forma delgada num topo que pode ser um totem de magia tribal, como nos totens de indígenas norteamericanos, em populações que foram dizimadas pela agressividade do homem europeu, subjugando em nome das ambições dos reis absolutistas, na corrida para ver qual potência europeia adquiriria o controle de tais terras virgens, na ilusão de Colombo, o qual acreditou que a América fosse a margem oriental da Índia! Aqui remete a uma certa cerimônia do Oscar, com três artistas interpretando canções candidatas à estatueta de Canção Original, com os três no palco, cada um com sua particularidade, num conjunto eclético, no sabor da diversidade, a qual deve ser respeitada, no modo como Deus nos fez com perfeição e absoluta particularidade, como num colorido panteão de astros de Hollywood. O arco é tal passagem, no termo “passiva”, que denomina a goleira, a mãe indefesa que tem que ser defendida pelo goleiro, nos versos da canção do clássico Caratê Kid: “Eu sou um homem que vai lutar por sua honra!”.

 


Acima, Futuro Primitivo – Prateleira II. Vemos uma planta caída, abatida, como numa pessoa em doloroso momento de depressão, perdendo o tesão pela Vida, numa pessoa prostrada, muito decepcionada com a Vida. É como uma pessoa morrendo, deixando para trás os “anéis de poder” mundanos, na frase: “Isso não lhe pertence mais!”. As prateleiras são a organização, como dividir alunos em salas num colégio, numa certa rivalidade entre tais salas, em momentos de forte competição em gincanas, remetendo à minha irmã no Ensino Médio, liderando a turma na gincana e vencendo esta, em talentos de liderança. Vemos uma garrafa deitada, exótica, diferente, remetendo a belas garrafas numa vinícola boutique em Flores da Cunha, RS, a cidade brasileira com o maior número de vinícolas, na magia dos vinhos, em vinhos sedutores, frutados, com o perfume da fruta, na magia ancestral de tal bebida, em épocas passadas em que o armazenamento era em jarros de barro, no momento decisivo que foi a garrafa de vidro, remetendo a vinhos com tampa rosca, a qual, apesar de não ser glamorosa como a rolha de cortiça tradicional, é uma praticidade que fala mais alto – é como abrir uma garrafa pet de refrigerante. No topo, vemos um vulcão adormecido, nas forças da Natureza, no modo do Ser Humano antigo em ver divindades em tais forças naturais, como o deus Odin do Sol e o deus Thor do trovão, na revolução monoteísta: Na há deuses, mas nossos irmãos depurados, de perfeição moral, no modo católico de ver santos os quais, no frigir dos ovos, suplantaram os panteões pagãos, como no panteão hollywoodiano, numa sobrevivência de tal paganismo, com cada santo/deus com suas atribuições, como Santo Antônio, o santo casamenteiro. Na base vemos formas como chaminés de indústrias, na exigência ambiental de tratamento de resíduos, como numa certa indústria química, tratando tais dejetos, chegando ao momento final da cadeia de tratamento, numa chaminé que exala inofensivo vapor de água. Neste conjunto vemos várias linhas retas, que são a objetividade, o foco e o pensamento racional, abreviando e buscando facilidades, no termo “subjetivo é objetivo”, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, fazendo da verdade a filha do tempo, no modo como a Humanidade demorou um tanto para compreender a importância da passagem de Jesus pela Terra, numa fé que renasceu séculos depois de tal homem ter vivido, numa espécie de “vingança”, que é mandar uma penca de gente “chupar uma manga”, ou seja, o delicioso pecadinho da ira e da vingança, como no filme Uma Linda Mulher, com a protagonista se vingando de mulheres arrogantes e esnobes – quem não vai se apaixonar por Julia Roberts? É o dom do carisma, remetendo a um certo monarca, um homem sem lá muito carisma. Vemos uma espécie de duna de areias amarelas, na dança das dunas, sempre se movendo, como um palhaço nômade, com os circos indo e vindo, no rompante da vida de uma então jovem Dercy Gonçalves, fugindo de casa para se juntar a uma trupe circense, no modo como, em Showbusiness, a pessoa tem que ter espírito mambembe, como artistas em pomposas turnês mundiais, arrastando multidões Mundo afora, num poder de popularidade, fama e sucesso, remetendo a um grande mambembe como Michael Jackson, o qual morreu trabalhando, em plenos ensaios para uma bateria de shows – é uma pena. Vemos uma forma como uma pequena árvore, na brincadeira infantil de se trepar em árvores, numa época da Vida em que tudo é mais simples, na imagem do personagem Chico Bento comendo goiabas frescas, recém tiradas do pé, remetendo ao hábito do colono italiano, que era, ao visitar um vizinho, levar para este algo do pomar, num ato de generosidade e respeito, quando tudo se resume a viver em paz junto às pessoas, no final do épico O Senhor dos Anéis, com o humilde Sam voltando ao simples lar: Tudo se resume a ter uma vida pacata. Folhagens caem sobre a prateleira, como numa produção artística, num artista que tem que dar vazão a suas obras, como um lojista, que querendo ver o produto sair da loja, nem que, para isso, tenha que fazer imperdíveis promoções.

 


Acima, Futuro Primitivo V. Formas se erguem por um lugar ao Sol, na natural competitividade da Vida Humana, como em Copas do Mundo, com quarenta e sete times indo embora para casa, frustrados, como em carnificinas de concursos de beleza, com moças frustradas, como na clara imagem de frustração de Deise Nunes, a Miss Brasil 1986 que concorreu a Miss Universo, em um sonho despedaçado, como em Hollywood, a terra do fracasso, com inúmeros sonhos que se despedaçam todos os dias na Meca do Cinema, numa “selva” na qual sobreviver é duro, num forte Tom Cruise, sobrevivendo desde os anos 1980, um homem que veio do nada e conquistou tal espaço – é de se tirar o chapéu, não? Na base vemos pás de um ventilador, num arejamento e renovação, ventilação, como na sucessão democrática de poder, sendo difícil “desencarnar” de tal poder, como um Trump, o qual, certamente, sofrerá para se desfazer de tais “anéis de poder”, como uma pessoa que não quer desencarnar, querendo voltar ao corpo físico – o que dizer de um prisioneiro que não quer sair da prisão? Vemos formas como cogumelos, em fungos em jardins, remetendo a um tipo de cogumelo altamente tóxico, que é vermelho com pontinhas brancas, parecendo um inocente docinho, podendo enganar uma criança desavisada, na sabedoria de que as aparências podem muito enganar, como uma certa senhora, a qual trouxe para a vida dela mesma um sociopata de rosto bonito e corpo torneado, numa lição importante: Temos que saber olhar dentro das pessoas, e não só fora! Vemos um cano erguido, fálico, como no pau pontudo e altivo num monumento na zona rural de Caxias do Sul, remetendo ao nome de uma certa cidade – Pau Grande –, gerando inevitáveis piadinhas debochadas, na competição fálica para ver qual país tem a maior torre do Mundo, como em países ricos do Oriente Médio, na riqueza do petróleo, remetendo ao já infame Estreito de Ormuz, em desarmonias de homens que não são homens de Tao, pois homens de Tao nunca fazem uso da força bruta e deselegante. Numa das formas vemos uma bifurcação, como gêmeos siameses, numa deformidade enorme, horrível, na coragem de um espírito decidir reencarnar em tal contexto de dificuldade, numa vicissitude que causará enorme crescimento ao espírito em tal situação, numa metáfora: Tenho vários bons amigos no Mundo, mas não somos gêmeos siameses uns dos outros, pois cada um tem a sua vida, no caminho do amor incondicional, que é leve e desapegado, sem cobranças, na sabedoria de Hebe Camargo em entrevista: “Em amizade não pode haver cobrança!”. Na base do cano ereto, vemos uma pedra, talvez um diamante bruto, como um artista com grande potencial, tendo que ter humildade para sobreviver a sinais auspiciosos, sempre com os pés no chão, no modo como a arrogância precede a queda, ou seja, se quero tomar no cu, com o perdão do termo chulo, tudo o que tenho a fazer é ficar bêbado com meu próprio sucesso, como um certo cantor americano, um arrogante que simplesmente desapareceu, no modo como um novo álbum musical numa carreira é um novo desafio, recomeçando sempre do zero, com humildade. Vemos plumas luxuriantes, como em momentos do clássico Drácula de Bram Stoker, na sedução do vampiro, o sociopata de boa aparência que tanto pode enganar, como num rapaz em outro clássico, O Silêncio dos Inocentes, seduzido pelo horrível Hannibal Lecter, num filme sombrio, forte, sem um final catártico, num sociopata que acaba livre por aí, podendo topar conosco na Rua, ou seja, não é um filme o qual, ao sairmos da sala de Cinema, nos deixa exultantes de alegria, como em clássicos de terror como A Bruxa de Blair, na recomendação de uma certa psicoterapeuta: “Pessoas muito sensíveis não podem ver filmes de terror”. Vemos um pau quebrado, numa falência, numa derrota, como um certo senhor, o qual perdeu o ser patrão de si mesmo para ficar submetido a um patrão, em duras lições de humildade, um senhor que não se dava ao respeito, fracassando na carreira.

 

Referências bibliográficas:

 

CV. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

Paintings. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Akira Aqui (Parte 3 de 7)

 

 

Falo pela terceira vez sobre o pintor japonês Akira Ikezoe. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Cabeças de Coco no céu estrelado. Vemos telas de Cinema, numa arte tão popular, a cara do século XX, na figura do cinéfilo, “viciado” em tal arte, como um certo crítico profissional, editor chefe de um portal excelente, quiçá o melhor do Brasil. A tela são as projeções da mente humana, como no Mito da Caverna, com pessoas ali dentro olhando para as auspiciosas projeções na parede interna, ignorando a saída de tal prisão, num indivíduo escravo de um sistema: Tenho que trabalhar arduamente para produzir capital e, deste modo, adquirir bens cobiçados de consumo, na metáfora de Matrix, que é um sistema que aprisiona a pessoa, como em ditaduras, nas quais o cidadão não pode se opor, reduzindo um ser humano a uma pilha alcalina, a serviço de um sistema. Vemos uma ordenação, como na disciplina de uma sala de aula, na tarefa complicada de se manterem na linha crianças e adolescentes, remetendo a uma certa senhora freira, diretora de um colégio católico, uma freira duríssima, assustadora, grossa por vezes, na tarefa de impor tal bom comportamento, como eu disse recentemente a alguém: Para se aturar criança, é preciso que se tenha um saco enorme, numa prova de paciência. Vemos bois abatidos num matadouro, em carnes circulando pelo Mundo, numa imagem que também podem ser vacas sendo ordenhadas, numa produção massiva de leite, um produto ainda muito desejado pela Humanidade, em eventos como o Festiqueijo, em Carlos Barbosa, RS, com vinhos e queijos à vontade, na divertida imagem de rapazes jovens caídos no chão, bêbados de tanto vinho, nas lições que as ressacas nos ensinam, como em comerciais de cerveja: Aprecie com moderação, pois uma coisa é apreciar o sabor da bebida; outra, injetar álcool irresponsavelmente no sangue. Aqui é como no dia a dia de uma empresa, com casa pessoa exercitando sua função, como em linhas de montagem de carros, um processo longo e complexo, por vezes com robôs, os quais, teoricamente, são perfeitos, mas que podem apresentar falhas, pois são feitos pela errante mão humana, nas imperfeições inevitáveis, no modo como não há tenista perfeito, que sempre acerta, remetendo a um certo senhor, o qual, ao jogar tênis e errar a jogada, atirava com raiva e força a raquete no chão, fazendo esta ficar deformada pelos choques, no modo como a paz é maior do que a raiva, num caminho de controle emocional, como em lutadores profissionais, não deixando a porrada ser levada para o lado pessoal. Vemos em detalhe injeções de sangue vermelho, como no ato de doação de sangue, como uma certa senhora, a qual doa sangue periodicamente, num “Complexo de Madre Tereza”, uma pessoa bem intencionada, é claro, como no ato de doação de órgãos, num ato de amor fraternal, como tudo, tudo mesmo, resume-se a amizade, pois os amigos são o ouro da vida, e Deus quer nos ver amigos uns dos outros, no caminho natural da Eternidade, que é a resolução de desavenças, e tudo acaba se resolvendo, no modo como a raiva não é eterna; apenas a paz é eterna. Vemos funcionários carregando baldes com água, em trabalhos árduos, como gari varrendo ruas, uma pessoa cuja vida é uma vassoura, com mãos calejadas e costas cansadas do labor, no ato deselegante das pessoas de se jogar lixo no chão, deixando tudo a cargo do gari, esta uma pessoa sem a qual a vida em sociedade seria impossível, remetendo às cidades espirituais, metafísicas, as quais são limpíssimas e bem administradas, sem a raiva dos vândalos, os quais querem destruir a Vida em Sociedade. Vemos um homem na base erguendo uma espada, em tal símbolo de poder, agressividade, no princípio fálico, como no falo do Código de Hamurabi, alertando e assustando o cidadão comum: Se você não quer se dar mal, respeite a lei! E a Sociedade tem seus meios para punir o infrator, como dizem que o Presídio Central de Porto Alegre é uma sucursal do Inferno, como cem por cento dos detentos com verminose, remetendo a infelizes em prisão domiciliar, pois posso estar preso num lindo palácio, e ainda assim será uma prisão, na fato de que só damos valor à liberdade quando a perdemos. Vemos uma escadinha para se trepar numa árvore, num caminho de ascensão social, como pessoas querendo ascender socialmente, embarcando em tolos sinais auspiciosos, os quais seduzem o coração e fazem a pessoa sofrer em tais auspícios, como tediosas alas vip de boates.

 


Acima, Cabeças de Coco nos ciclos selvagens. Aqui é um quadro mais complexo do que de costume na obra de Akira. O azul é a cor do céu, dos sonhos, num industrial ambicioso, construindo um império, como no sucesso de Luiza Trajano, num império de lojas Brasil afora, uma empresária a qual, em sua competência, sabe que é imprescindível a qualidade no atendimento, e, de fato, sentimo-nos muito bem vindos no Magazine Luiza, com vendedores em prol do cliente, querendo ajudar este, e, realmente, quando entramos em lojas da concorrência, não nos sentimos muito bem atendidos, no atendimento que sempre pesa muito. Vemos um curral de vacas, como em currais eleitorais, com pessoas ignorantes, que não sabem que o voto no Brasil é secreto, nas nobres intenções democráticas da urna eleitoral, num momento de igualdade no qual não há cor, sexo, casta social, religião etc., respirando os ares da Revolução Francesa, no auge do paradigma democrático: O presidente é um dos nossos, nosso irmão, o qual elegemos para nos governar por um tempo apenas, derrubando os poderes divinos da sucessão monárquica, no paradoxo inglês: O rei reina, mas não governa! Podemos ouvir aqui a barulheira rotineira dos sons de trabalho, no momento em que a sirene toca e todos estão dispensados de seu trabalho, seja na hora do almoço, seja na hora do fim do expediente, remetendo a uma fase de minha vida, na qual fui workaholic, impedindo a mim mesmo de viver, de ter sábados domingos e feriados de folga, remetendo a um certo senhor, o qual era esforçado e trabalhava, mas um senhor que se dava ao respeito, negando-se ser workaholic, um senhor que acabou deslanchando e obtendo sucesso, na sabedoria popular de que respeito é para quem se dá ao respeito, e o Mundo não vai abonar você por você ser workaholic; o Mundo nada se importa. Vemos um grande funil, como num processamento de alimentos, na luta contra a má alimentação, em trabalhos como o de nutricionistas, num personagem de um filme de Woody Allen, aquele um senhor que estava casado com uma mulher que o fazia comer corretamente, remetendo a grupos de risco cardíaco, como obesos fumantes, no modo como é poderosa a indústria do tabaco no Brasil, com tantos, mas tantos brasileiros que fumam vários cigarros ao dia, quiçá duas carteiras inteiras por dia. Vemos uma esteira, como numa esteira de lixo seletivo, num trabalho minucioso de triagem, numa reciclagem nunca imaginada antes dos anos 1990, na revolução que é a separação do lixo seco do orgânico, no fato: Quando separamos o lixo, damo-nos conta de quanto lixo produzimos! Vemos uma montagem de uma piscina, num símbolo de status social, que é ter uma piscina em casa, como ter um gramado na frente de casa, num “cartão de visitas” da casa, como uma senhora, a qual se deprimiu ao se frustrar com tentativas de dar uma guinada na sua própria vida, construindo para si uma bela piscina, e a depressão é isto, uma grande frustração com a vida, uma pessoa cuja vida foi empobrecendo existencialmente, numa doença que simplesmente nos tira a vontade de viver, num conselho simples: É só tomar um remedinho receitado pelo psiquiatra. Vemos coisas sendo iluminadas, no esclarecimento racional, vendo o Mundo da forma mais fria e racional possível, como astrônomos explicando o Cosmos, longe do homem primitivo, que via divindades nas estrelas da noite no céu, na crença então considerada suprema e insuperável: Os deuses nos regem e nada há superior a eles! Então veio a revolução monoteísta, mostrando que não há deuses, mas nossos irmãos de apuro moral superior, na irresistível hierarquia espiritual: Faço questão de obedecer a meu irmão mais depurado do que eu, ao contrário do caminho do Ser Humano, que é impor tudo a força, violência e grosseria, num Ser Humano que ainda não aprendeu que fino é forte e que grosso é fraco. Vemos alguns vulcões em erupção, nas forças da Natureza, como tempestades de areia, num Ser Humano que se vê obrigado a lidar com tais vicissitudes.

 


Acima, Cabeças de Coco revivendo a civilização egípcia. Na base vemos deuses, no costume egípcio de unir corpos humanos a cabeças de animais da natureza de tal país, como chacais, escaravelhos, gatos etc., na revolução herege de Aquenáton, abolindo os deuses e transgredindo milênios de arte tradicional egípcia, um rei que foi odiado em seu próprio tempo, apagado de registros oficiais de tal império célebre, na sabedoria de que a verdade é a filha do tempo, fazendo do reinado de Aquenáton um dos momentos mais singulares e interessantes da história de tal civilização, no poder da transgressão, a qual serve para provocar evolução num determinado corpo social. O fundo é quente, caloroso, laranja, rubro como fogo, como nos anos 1960 em Londres, com a juventude de roupas coloridas, psicodélicas, contrastando com uma Londres fria e cinzenta, úmida, com londrinos de rosto pálido, fruto de poucos dias de Sol na urbe inglesa, no poder da juventude, que é trazer revoluções, no modo como precisamos ver mais juventude e transgressão no tapete vermelho das celebridades, como a atitude transgressora de Gaga, uma bomba atômica de atitude, construindo um substancial fã clube ao redor do Mundo, numa imagem de esperança aos que se sentem oprimidos, como na imagem de esperança do Espírito Santo, no glorioso dia de libertação, como disse eu a um querido ente desencarnado: Você está na glória; você está desencarnado; você está  livre de todos os problemas relativos ao seu corpo físico. Vemos um camelo bebendo água, nas necessidades de um ser vivo, na condição de ter de haver água para haver Vida, num Ser Humano que ainda pouco sabe sobre o que existe além da Terra, como galáxias longínquas, na frase absurda: Há mais estrelas no Universo do que grãos de areia na Terra! É como é perguntado a Deus no filme Dogma: Por que tudo isso? Por que tão vasto e grande? É na máxima islâmica: Alá é grande! E a intolerância é o caminho do mal, pois as religiões são caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, na universalidade do drama humano e da espiritualidade humana, no choque na Europa entre católicos e protestantes, em execuções cruéis, como queimar pessoas vivas em fogueiras, num Ser Humano notadamente cruel como sempre. Vemos uma esteira de montagem, como num divertido episódio do seriado de Lucille Ball, com a comediante tendo de arcar com doces numa veloz esteira de fabricação, tendo que comer bombons para não desperdiçar, no poder do riso, algo tão humano e formidável, no senso de humor de Tao, o grande palhaço, como assistir a uma boa comédia no teatro ou no cinema, com apenas duas diretrizes: Sentar e rir! Vemos aqui o árduo serviço de construção de pirâmides, com operários tão explorados em nome da vaidade de reis, num rei tão duro e inflexível, considerado um deus pelos seus súditos, em túmulos de tanta imponência como as grandes pirâmides, num abismo social tão profundo, na crença espírita de que, ao desencarnar, a pessoa perde os “anéis de poder mundano”, só podendo entrar no Céu se tal pessoa tiver humildade, fazendo do Umbral isso, a dimensão dos que não querem se desapegar do mundano, e o que você diria de um prisioneiro o qual não quer sair da prisão no glorioso dia de soltura? Não é o caminho da loucura? As pirâmides, além de serem uma construção extremamente estável, têm um aspecto abrasivo e agressivo, num expresso aviso na era de ouro de tal império: Não desafie o Egito! E os impérios humanos vão assim, ascendendo e descendendo, com vaidades que sobem e caem, permanecendo a imagem de humildade do Menino Jesus, em sua humilde manjedoura, no caminho da simplicidade, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, na noção taoista do caminho autodidata da Vida: As pessoas têm que aprender por si mesmas o que é simplicidade. No topo, uma porta aberta, uma válvula de escape, uma saída, numa pessoa que quer fugir um pouco e ficar um pouco sozinha, nas necessárias pitadas de solidão que a Vida nos exige ter.

 


Acima, Escolhas e sanduíches. A tesoura é tal instrumento de barbeiro, nos instrumentos de labor, no siso do labor e da produtividade, numa jornada de trabalho, no sentido da pessoa ser útil ao Mundo, como a senhora minha avó, a qual me mostrava suas velhas mãos e dizia: “Estas mãos foram úteis ao Mundo, pois com elas lavei, passei, cozinhei e costurei!”, no sentido da dignidade, como uma certa psiquiatra, já falecida, a qual levou uma vida produtiva, auxiliando os que tinham problemas espirituais, desencarnando e voltando de cabeça erguida ao Plano Superior, num clima de missão cumprida – parabéns, doutora! O prendedor é tal trabalho de dona de casa, numa árdua vida de Maria, nas palavras de uma certa dona de casa: “Eu me matando para manter esta casa limpa e organizada!”. Aqui é um esclarecimento e um discernimento, no misterioso feminino sendo elucidado pelo claro masculino, como certa vez na imprensa caxiense, apresentando à comunidade as candidatas a rainha da Festa da Uva, exibindo às claras objetos nas bolsas das meninas, como na intimidante Galadriel de Tolkien, estranha, glacial, bela e pura, como uma horrível aranha sendo iluminada, como uma aranha de cristal, longe das figuras idealizadas de fadinhas da Disney, no pedido de Tolkien aos herdeiros: Nunca vender para a Disney os direitos de minha obra, pois a história do anel é sombria, falando da fraqueza do Ser Humano perante tal poder, como um certo senhor embriagado de poder, dizendo energicamente: “Eu sou o chefe!”. Aqui é claro que temos uma organização, como numa faxina colocando uma casa em ordem, na árdua dupla jornada de uma mulher, trabalhando durante o dia e, ao chegar em casa cansada, ainda tem mais serviço dentro de casa, como atualmente no Governo Federal pedir o fim da escala 6 x 1 sem redução salarial, dando mais descanso ao trabalhador brasileiro, pois o trabalho dignifica, mas não pode oprimir o cidadão. Aqui é como num buffet em café da manhã de hotel, com tudo disposto de forma bonita, num buffet rico e colorido, cheio de opções, nessas deliciosas mordomias de hotel, no qual nos sentimos reis, muito bem recebidos, no talento de anfitrião de nos receber, no coração generoso de um anfitrião, como as socialites recebendo convidados, no amargo fato de que festas não marcam época, pois a festa é um breve momento de desligamento, pois, no dia seguinte, a Vida volta em toda a sua seriedade, remetendo a um certo senhor, cujo sonho era ir a tais pomposas festas, com eu tendo o desejo de dizer para tal senhor: “É só uma festa!”. Aqui é um trabalho de análise, como no meu próprio trabalho aqui no blog, analisando obras de Arte, num trabalho científico de análise, ou como numa psicanálise, no paciente confiando no médico e abrindo as porta de sua mente, como no trabalho de decodificar códigos oníricos analisando os sonhos que a pessoa tem de noite, no sentido de que tais sonhos nos dão mensagens existenciais. Vemos um fone de ouvido, na poderosa arte que é a Música, movendo-nos de certa forma, no slogan de uma certa rádio FM: “Conectada com o que move você!”, fazendo da Arte algo tão imprescindível e necessário na Vida em Sociedade, pois Arte é uma questão de saúde mental, no poder do artista em mexer conosco e atiçar nossa inteligência emocional, algo inacessível ao sociopata, cuja inteligência é fria e puramente esquemática, num caminho de total insensibilidade e anti-humanidade, como um certo sociopata, insensível à comoção mundial de um megahit de Whitney Houston. Vemos uma lagartixa, na variedade de Vida na Terra, uma esfera tão rica e única, abrigando o Ser Humano, no modo como, fora da Terra, o Cosmos é hostil. Vemos um formato de pizza, nessa comida que tanto seduziu o Mundo, num dos pratos preferidos do americano, na sedução da culinária italiana, a qual ganhou o Mundo, contrastando com a simples cozinha inglesa. Aqui é como cada objeto tem suas particularidades, no estilo pessoal de cada um, na máxima: Respeite o jeito de cada um. É como numa família de vários filhos, cada um com suas particularidades, mesmo tendo vindo da mesma barriga e criados debaixo do mesmo teto, sob os mesmos valores.

 


Acima, Faces. Aqui é como um cardume de peixes, com numerosos cardumes fugindo do predador, confundindo este, no instinto de esperteza e de manutenção da espécie, pois os pouco espertos não passam seus próprios genes às próximas gerações, como em pombos urbanos, discretos e suas cores cinzentas, de concreto e asfalto; de urbe. Vemos uma casinha, num refúgio, no lar que tanto nos acolhe, no zelo materno de manter tal casa abastecida e organizada, no “choque térmico” que é sair de casa para se morar sozinho, sentindo muita falta de tais zelos maternos, até chegar ao ponto da pessoa aprender a morar sozinha, no inevitável caminho de emancipação, no modo como não criamos nossos filhos para nos mesmos; criamos nossos filhos para o Mundo, e não para um submundo escuro e fétido, alienado do Senso Comum, um senso imprescindível na vida de uma pessoa, no “choque térmico” que é desgarrar de um vício, pois é muito fácil dizer a um narcodependente que é só parar de se drogar. Vemos uma viçosa abóbora de Halloween, numa celebração tão americana, tão típica dos EUA, num momento em que a pessoa veste uma fantasia para se expressar, como num baile à fantasia, no qual nos expomos ao ridículo, com eu mesmo indo a tal baile fantasiado de faraó, num dos maiores micos de toda a minha vida, no valor da reserva e da discrição, que é ter uma vida nobre e produtiva. Vemos um tronco oco de árvore com a face de um fantasma, ou no famoso Grito de Munch, numa perplexidade e numa comoção, naquelas pessoas que nos deixam perplexos, na figura do bruxo, que é uma pessoa de gigante inteligência emocional, no caminho do bem e da concórdia, ao contrário do homem embriagado de poder, como Saddam, dizendo energicamente aos subalternos: “Não estou pedindo; estou mandando!”, num homem que acabou tão mal, enforcado oficialmente, indo, é claro, para o Umbral, a dimensão dos que não querem deixar o mundano para trás, como um prisioneiro que não quer sair da prisão, no caminho da loucura. Vemos uma chaleira, na delícia de se estar em casa e preparar uma bebida quente, no costume gaúcho, uruguaio e argentino de tomar o chimarrão, na universalidade de tal bebida, como no chá chinês de jasmim, no chá japonês e no chá inglês, num gole quente que traz conforto em um dia londrino de inclemente frio úmido, que penetra nos ossos, na roda de chimarrão, algo complicado para quem tem TOC, pois são todos na roda que colocam a boca na mesma bomba de aço do chimarrão! Vemos um tronco de corpo masculino, no costume de jogadores de Futebol tirando a camisa após terem feito um gol, um ato dispensável, pois do que adianta o jogador ter músculos, mas não ter competência no gramado? Vemos um inseto, nas variedades biológicas, na ironia da cadeia alimentar, que são os herbívoros comendo plantas e os carnívoros comendo os herbívoros, como no grande blockbuster Parque dos Dinossauros, uma comoção mundial, fazendo de Spielberg tal monstro sacrossanto de Hollywood, e a Meca do Cinema é assim mesmo: Uns se tornam gigantes memoráveis que marcam para sempre a história de tal arte; outros, nem tanto. Vemos formas que parecem ser tomadas elétricas, no termo “colocar o dedo na tomada”, que é a pessoa levando um intenso choque de realidade, num impacto, como uma batida de carro, no papel de psicoterapeuta em nos dar tais choques se necessários. Vemos uma forma de OVNI, com anteninhas de alienígena, no contraste do seriadão Arquivo X: Mulder querendo provar a existência de vida alienígena, frente a uma Scully cética e racional, com os pés no chão, no casamento universal entre razão e loucura, como num certo desenho animado de dois ratinhos, sendo um a racionalidade e outro a emoção, como no contraste de casais típicos japoneses, com ele fechado e antipático e ela doce e receptiva, com ela personificando Yin dele e ele personificando o Yang dela, algo inevitável em casais heterossexuais, no ato de se cumprimentar apenas um dos membros do casal – o casal está cumprimentado!

 


Acima, Futuro primitivo – prateleira. Aqui é ironia de metalinguagem, pois é a arte do pincel de Akira falando da arte da decoração, no bom gosto de se decorar bem um ambiente, no caminho do bom gosto, como uma certa senhora já falecida, decorando por si só a própria casa, fazendo parecer que tal casa veio das páginas de uma revista internacional de decoração, uma senhora que sequer teve que contratar um profissional, num caminho autodidata, no qual a pessoa tem que aprender por si. Aqui temos uma casa organizada e limpa, num lar de fato, nas palavras de um texto de uma comédia teatral com Ney Latorraca: “Que delícia que é casa! Casa é uma delícia!”. Vemos uma planta bem delgada e elegante, altiva, erguendo-se por um lugar ao Sol, como uma pessoa em busca de meios para se expressar, como um certo rapaz em Porto Alegre, o qual era decorador de vitrines, batalhando pela cidade, pedindo permissão para decorar tais vitrines, numa luta constante, nos versos de uma certa canção: “Agora você está em Nova York, selva de concreto onde os sonhos são feitos – nada que você não possa fazer!”. A plumagem da planta remete ao ousado figurino de Cher quando esta foi consagrada no Oscar, nesses artistas que sabem que atitude e estilo são importantes, pois só a voz não garante o estrelato, remetendo a um certa cantora, a qual já lançou vários álbuns, tendo várias chances de deslanchar, mas que sempre acabou fracassando, pois se trata de uma artista com boa voz, mas sem atitude, e Gaga, além de boa voz, tem muita, muita atitude, no caminho da simplicidade da atitude, no famoso vestido de pedaços de carne de Gaga – custo financeiro, zero por cento; atitude, cem por cento, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação. Neste quadro vemos muitas plantas, que são a Vida, pois a Vida é o nervo da Arte, nos tambores africanos reproduzindo as batidas do coração, na fluidez do sangue e da seiva, do líquido da Vida. Aqui não é acumulação, mas coleção, pois os objetos são dispostos de forma ordenada e organizada, como num museu, ao contrário da casa de acumulador, um caos insalubre, sujo, confuso e degradante, com pilhas de objetos que vão do chão ao teto, na imagem do Tio Patinhas nadando em seu dinheiro, num acumulador que vê tais objetos como um tesouro, e não como uma doença, como num filme em que DiCaprio interpreta um milionário com TOC, obcecado com higiene, passando horas debaixo da torneira lavando as mãos, ao ponto de gerar feridas nas palmas de tais mãos, num caminho de sofrimento, pedindo urgente tratamento. Aqui remete a uma coleção de objetos de meu falecido cunhado, um homem que viajou por muitos lugares, trazendo para casa tais bens, numa coleção altiva dentro de casa, numa coleção ordenada e bem disposta, longe de casa caótica de acumulador. Num dos objetos, vemos um emaranhado e uma confusão, como numa guerra, com a confusão reinando no caos, com ambos os lados atirando com armas, no caos de uma guerra mundial, marcando e sequelando gerações, como a geração de minha avó, jovem na II Grande Guerra, numa época em que simplesmente não havia clima para realizar a Festa da Uva, a qual só retornou ao calendário caxiense no ano de 1950, remetendo aos alegres filmes com Carmen Miranda, num breve momento em que o público se desligava dos horrores bélicos, numa figura de festa, cor e alegria, com a alegria tropical na política de boa vizinhança entre Brasil e EUA. Na base vemos um túnel, como rochas cortadas, nos trabalhos humanos de se fazerem estradas e vias, como vias aéreas, nas tecnologias que servem ao princípio da preguiça: Por que ficar horas numa viagem de carro se posso fazê-lo em poucos minutos num avião? É como viajar entre Porto Alegre e Florianópolis: seis horas de carro frente a vinte minutos de voo! Aqui é como uma loja decorada, enchendo os olhos do cliente, na capacidade de uma pessoa sem se vender de certo modo, como uma certa popstar, a qual, definitivamente, sabe se vender, num instinto autodidata.

 

Referências bibliográficas:

 

CV. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

Paintings. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.