quarta-feira, 1 de abril de 2026

Bom Bo (Parte 24 de 28)

 

 

Falo pela vigésima quarta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, As sonâmbulas. O homem laborioso ao fundo remete aos homenzarrões corpulentos de Aldo Locatelli – se você é de fora de Caxias e tiver a chance de visitar a urbe serrana do RS, não deixe de ir à Igreja de São Pelegrino, com as deslumbrantes pinturas de AL, um templo que é um verdadeiro museu de Arte Sacra. Aqui é o suor do labor, da pessoa que rala e vai à luta, no modo como uma pessoa rica só pode se manter sã mentalmente se trabalhar de alguma forma, na miséria que fica a pessoa que é considerada feliz na Terra, como os ganhadores da Loteria, na sabedoria popular de que dinheiro compra tudo, menos o que importa, que é felicidade, no modo como uma pessoa muito especial me ensinou que podemos ser felizes com pouco, como no filme Moulin Rouge, com a cortesã que quer se casar com um duque rico, mas que acaba se apaixonando por um escritor pobre, com ela dizendo: “Nós vamos acabar morando na Rua!”, o que é um exagero. As mulheres nuas são a franqueza e a honestidade, remetendo a uma certa psicóloga, a qual atendia os clientes usando uma camiseta que mostrava o formato de seios, numa mulher confortável em ser mulher, em honestidade consigo mesma, mostrando que é mulher, e que gosta de ser assim, numa questão de simplicidade e honestidade, buscando autenticidade, no caminho da pessoa se gostar e aceitar-se como é. Os seios são a nutrição dos mamíferos, como mamar numa caixinha de leite condensado, no modo como os laticínios estão tão penetrados na Sociedade, com vários alimentos sendo feitos à base de leite, remetendo aos intolerantes a lactose, numa questão da pessoa saber até onde pode ir e o que pode fazer, ficando alerta às suas próprias limitações. Os pés descalços são a simplicidade, como nos alvos pés de Maria esmagando a serpente da malícia, remetendo a uma certa senhora fofoqueira, rica e, ao mesmo tempo, miserável, numa vida tão desinteressante que tudo o que lhe resta é cuidar da vida dos outros, falando mal das pessoas, uma senhora que tem um semblante malicioso, e só não mando ela à merda, com o perdão do termo chulo, porque não quero comprar indisposições com as pessoas, pois já tive que comprar uma grande indisposição com um certo sociopata, e não quero mais inimizades em minha vida – simples assim, e esta senhor que colha os frutos de ser o que é e de fazer o que faz, uma pessoa que vai desencarnar e dar-se conta da vida vazia que levou na Terra, talvez topando reencarnar numa vida mais produtiva, correndo em busca do tempo perdido. A câmera é o louvor da Sétima Arte, quando a chegada do som ao Cinema fez uma simples distração se tornar arte de fato, numa Hollywood que é uma das provas de ninguém está por cima o tempo todo, como Meryl Streep, acostumada a todo ano ser pelo menos indicada a um Oscar, uma diva que há vários Oscars sequer é indicada, fazendo do sucesso tal amante infiel, no encargo de superar um doce momento de sucesso apolíneo, como num Romário, mantendo-se humilde mesmo depois de conquistar a Copa do Mundo e voltar em dourado júbilo à nação brasileira, como uma Gisele, com a humildade de dizer: “Desculpe, gente, as tenho que trabalhar!”, e não é insuportável uma pessoa arrogante? Aqui temos laços de afeto e amor, no amor puramente espiritual, de mente para mente, sem as vicissitudes do corpo carnal, no sentido da mortificação espírita, que é não ouvir o traiçoeiro coração e ouvir à fria mente, poupando, assim, a pessoa de sofrer, pois, quando não ouvimos à cabeça, tomamos no cu, com o perdão do termo chulo. Aqui é um set, com uma numerosa equipe, num sharing, que é cada um dando sua contribuição, com tudo girando em torno do diretor, no “xixi” que o saudoso diretor Fábio Barreto me deu certa vez, dizendo-me: “Quando eu falo algo, você tem que obedecer!” – nós te amamos, Fábio! A nudez é a dedicação do ator, como no final de uma peça com Glória Menezes, com a atriz, interpretando uma paciente com Câncer, aparecendo totalmente nua perante a plateia, num ato de coragem e franqueza. Os chinelos no chão são a simplicidade, como no povo salvadorenho, de chinelos nos melhores shoppings da cidade, em particularidades do senso comum baiano, como, por exemplo, tomar dois banhos por dia, na demanda de água na cidade de Salvador.

 


Acima, Asfalto. Aqui é um lamentável acidente, como o que sofri certa vez com meus pais, irmã e sobrinho, no milagre de termos saído com vida, tudo culpa de um condutor bêbado no carro que bateu bem de frente com nosso carro, no modo como é importante termos juízo e responsabilidade, pois quando somos muito jovens, fazemos  muita merda, com o perdão do termo chulo, como eu certa vez adolescente, andando na Rua com uma bicicleta cujos freios não estavam funcionando muito bem, tendo eu atropelado uma inocente menininha, pois, hoje, e diria a mim mesmo: “Não vou sair com uma bike cujos freios não estão cem por cento, pois assim colocarei a mim e outrem em risco”, no modo como a juventude perfeita e felicíssima é uma invenção de velhos, idealizando um passado que não foi tão ideal assim. As fitas amarelas são um aviso para não nos envolvermos no processo, remetendo a um videoclipe com a superdiva Lady Gaga, com esta enrolada em fitas similares, numa artista que é uma bomba atômica de atitude, brindando-nos com tamanho frescor, numa jovialidade de transgressão, estranha, maravilhosa, trazendo mais juventude ao tapete vermelho, nesse competitivo mundo em que elas concorrem para ver qual tem o vestido mais deslumbrante, como no baile da revista Vogue no Rio, numa explosão de glamour para ver quem é mais maravilhoso, nas inevitáveis competições da Vida em Sociedade, como no colégio, onde concorremos para ver quem é mais aplicado, exigindo agressividade da pessoa, na letra de uma certa cação pop: “Todo mundo quer mandar no Mundo!”. O avião é o progresso do Homem, em supermáquinas que desafiam as leis da Física, no galgar infindável de tecnologias, sendo só questão de tempo até o Homem poder viajar pelo Cosmos, na teoria do Buraco de Minhoca, tecendo caminhos para abreviar distâncias, viajando mais rápido do que a velocidade da luz, a qual, apesar de parecer ser rapidíssima, é lentíssima em termo cósmicos. Aqui temos uma vítima, um cadáver, na inevitabilidade dos acidentes, em vidas ceifadas tão precocemente, como uma grande amiga minha, vítima de um acidente de carro, com a qual faço contato espiritual todos os dias para tal amiga abençoar meu dia, na imortalidade dos laços de amizades, pois, fora da amizade, não há salvação, e tudo o que levamos são nossos amigos, pois os amigos são o ouro da Vida. Num detalhe vemos um homem parcialmente nu, com a genitália exposta, na malícia da serpente do Éden, cobrindo os inocentes sexos, no modo do grego antigo em lidar de forma natural com a nudez, como altivo kouros do novaiorquino Met, numa nudez tão inocente, pura. Aqui são as avaliações de tal evento de acidente, com os socorros sendo prestados, como na sucessão de acidentes com a companhia aérea TAM, com muitas vítimas, as quais, reunidas lado e lado no asfalto do aeroporto, formaram um córrego de sangue, na amarga ironia: No setor de checkin da TAM, uma tapete vermelho recebia o cliente, no modo de fazer com que este sinta-se vip e especial; depois de tais acidentes, a cor do tapete remetia ao sangue das tragédias, numa ironia, pois o avião é o meio de transporte mais seguro. No céu uma agourenta nuvem negra de forma, como no céu escuro na crucificação de Jesus, numa imagem tão forte, num Jesus tão humilde e vulnerável, num quadro de fraqueza, a qual se revela força, no discernimento taoista de que fraco é forte, fazendo de tal imagem de vulnerabilidade algo tão forte e poderoso, num caminho de humildade, na ressurreição que foi nada mais do que o simples desencarne de Jesus, voltando triunfante ao Plano Superior em clima de missão cumprida, no modo como a Filosofia não muda o Mundo, e nem Jesus mudou o Mundo, mas Ele segue como uma figura na qual podemos depositar as esperanças de que um Mundo melhor nos espera lá em cima, na mensagem de esperança do Espírito Santo. Este cadáver é como o corpo morto de Jesus no colo de Maria, numa imagem de entrega, como a Nossa Senhora recebendo o oprimido e maltratado Negrinho do Pastoreio, uma figura de folclore gaúcho que também é o fraco que se revela forte.

 


Acima, Asher Lev. O cabelo é o orgulho afro, como no Brasil, no feriado Nacional de Consciência Negra, remetendo a um certo país racista, no qual negros não são bem vindos – é um horror. Aqui remete a uma certa canção pop, na letra dizendo para uma menina afro ter orgulho de seu próprio cabelo, sem prendê-lo ou tentar domá-lo de alguma forma, como na moda capilar dos anos 1970, na chamada blackpower, como na famosa banda Jackson Five, com o infante Michael Jackson, uma criança à qual foi negado ter uma infância normal, num pai tão duro e tirano, magoando para sempre o célebre mestre pop, um Michael que foi tão mal compreendido com suas excentricidades, como construir para si um parque de diversões particular, como uma certa senhora, a qual, adulta, tinha como hobby pilotar carrinhos por controle remoto, uma pessoa que não teve infância, ou como pessoas de mais idade que ficam fervendo pela boemia, talvez pessoas que, em suas juventudes, sentiam-se proibidas de viver tal vida. A moça aqui é pura e inocente, muito jovem, muito “verde”, por assim dizer, e tem todo um aprendizado pela frente, talvez frente a uma vida longa e produtiva, numa encarnação que causa à pessoa um crescimento enorme, pois a depuração moral é o sentido de qualquer vida, no sentido de nos tornarmos pessoas melhores frente às vicissitudes, as quais acabam por nos ajudar, na sabedoria popular de que Deus escreve certo por linhas tortas, como para mim, pois algo que eu desejava se realizou, mas não do jeito exato como eu imaginava, num Pai tão amoroso, que nos atende. Duas mechas que escapam do penteado são a rebeldia, a insatisfação, em ícones como James Dean, numa juventude com seus conflitos, como dentro de um labirinto, de um submundo cheio de pistas falsas e armadilhas, num espírito que está perdido, talvez imaturo, remetendo a pessoas que, enquanto perdem tempo no mimimi, suas vidas estão passando, e ter uma certa idade já é idade para se estar bem resolvido em relação à Vida. A camisa está espartanamente apertada e abotoada, numa disciplina, como aqueles professores totalmente duros e exigentes, como uma professora de Filosofia que tive, ultraexigente, na única cadeira de minha faculdade na qual quase fui reprovado, tendo passado com conceito mínimo, daqueles professores excelentes, quando desejamos cursar mais cadeiras com eles nos exigindo – nem todos os professores valem cada centavo da mensalidade, como outra certa professora, a qual usou para o seu trabalho os próprios alunos, numa falta de apuro moral, quiçá em grande desrespeito, uma pessoa para a qual eu, definitivamente, não tiro o chapéu, ao menos até o presente momento. O traje aqui é meio mórmon, protestante, por assim dizer, na simplicidade dos templos protestantes, limpos, minimalistas, ao contrário de templos exuberantes católicos, cheios de pinturas, imagens e arabescos, no modo como gosto de visitar tais templos fora do horário de missa, nunca tendo eu entrado num confessionário, quando em mesmo, paradoxalmente, tenho como amiga uma freira que foi minha professora no Ensino Fundamental! Aqui é um quadro de discrição, na discrição de se orar na Igreja, remetendo a um certo padre, o qual foi desligado da ordem, um padre que tinha nobres intenções de sincretismo, de unir as crenças e as pessoas, um senhor que recebeu diversas advertências, do tipo: “Atenha-se à discrição de um sacerdote católico apostólico romano!”. O fundo aqui tem uma cor discreta. O cabelo arrumado é como num compromisso social, no qual temos que nos arrumar, como em premiações de gala, solenes, remetendo a uma certa atriz, a qual, talvez de modo inconsciente, quer agredir, arrumando-se de forma precária na hora de tais cerimônias, quando permanece a importância da autoestima, que é a pessoa se arrumar, como, por exemplo, perfumar-se, como o incenso oriental ganhou a Europa, na universalidade de valores como limpeza, pureza e perfume.

 


Acima, Assunção. O barco é o porto seguro, como numa casa segura, criando crianças, numa responsabilidade. Aqui é como os leves pés de Jesus caminhando na água, na série de milagres que Ele cometeu, no sobrenatural que se impõe ao físico, desafiando leis da Física. O abraço é o amor, a amizade imortal, a qual dura para sempre, como uma madeira nobre, de boa qualidade, durável, imune a cupins, ou como os metais nobres, ou como pedras preciosas, aparentemente eternas, fazendo metáfora com a imortalidade da mente humana, pois pedras são matéria, e toda matéria está fadada à danação, à ruína, remetendo aos espíritos mundanos materialistas, obcecados com essa ilusão que é a matéria, como no Mito da Caverna, da pessoa agrilhoada a ilusões de tolos auspícios, trazendo o papel do filósofo que é nos acordar e nos fazer olhar além da caverna, libertando-nos, como Neo libertando a Humanidade em Matrix, num processo cognitivo de acordar as pessoas para a dura realidade nua e crua, num choque de realidade o qual, de início, é duro de se aceitar, como no doloroso fato de que a Filosofia não muda o Mundo, pois nem a majestade de Jesus soube mudar as mazelas do Ser Humano, num Mundo agressivo com suas guerras, nas levas recentes de americanos protestando contra o semitirano Trump. É como na “desintoxicação” que refugiados nortecoreanos sofrem ao se refugiar na Coreia do Sul, recebendo as noções de que vêm de um estado opressor e totalitário, tirano, cruel, entendendo de que cada um cuida de si, no caminho da liberdade de expressão, no forte contraste entre as duas Coreias: Na do norte, tudo investido em armistício, roubando do cidadão e originando um estado pobre, paupérrimo, sem escolas, hospitais ou estradas; na do sul, uma festa colorida do k-pop, num estado em que a pessoa é dona de si mesma, na deliciosa sensação de liberdade de se estar na beira da praia, respirando ares de renovação, nos versos de uma certa canção: “Sem liberdade, não há amor; sem amor, não há liberdade”. O branco do barco é a paz, em esforços diplomáticos, num homem de Tao, o qual nunca recomendará violência, ao contrário do homem medíocre, no caminho degradante da raiva, a qual é menor do que a paz, pois só a paz é eterna, e toda e qualquer desavença vai se resolver, como no degradante Umbral, uma casa de passagem, pois o caminho inevitável e natural é o crescimento, e ninguém está no Umbral para sempre, como um certo professor que tive, o qual se desentendeu fortemente comigo certa vez, e ele e eu seremos grandes amigos, pois no Plano Superior vamos nos reencontrar e tudo ficará em paz, no caminho da amizade, a qual é o ouro da Vida. O azul marinho é tal de discrição, como nos ternos sisudos de políticos em Brasília, no impacto de um Clodovil em tal ambiente de homens, na desolação do menino gay na hora do futebol na Educação Física escolar, como vi certa vez um rapaz que pura e simplesmente se recusava a fazer essas aulas com os meninos, jogando, assim, vôlei com as meninas, e cabe a nós respeitar, pois, afinal, a vida é dele e não nossa, como em grandes cidades, com estranhos convivendo na mesma urbe, com cada um cuidando de sua vida, no modo como tanto respeito casais gays na Rua, afinal, faz tempo que homossexualidade deixou de ser oficialmente doença psíquica, nas luzes esclarecedoras da Ciência e do glorioso pensamento racional. A criancinha é ainda pequena, e mal compreende o mundo à sua volta, como vi hoje mesmo na Rua uma mãe com duas crianças, num peso duplo de responsabilidade, no modo como eu já disse a uma certa pessoa: “Para se aturar uma criança, é preciso uma paciência descomunal”, em atos como imposição de disciplina, preparando a criança para os sisos da vida de adulto. Esta elevação é como uma colônia espiritual, numa dimensão ligeiramente acima da Terra, num lugar onde a Vida continua, e trabalho e estudo não podem faltar, na ironia de que o Céu não são anjinhos loiros tocando harpas, mas um lugar de responsabilidade e disciplina.

 


Acima, Atribuição. Aqui é um lar disfuncional, com uma mãe relapsa e ausente, indiferente aos filhos, fugindo da responsa, como no livrão As Horas, no mestre Michael Cunningham, numa mulher que abandona o filho, arrependendo-se quando este morre por suicídio, num rapaz soropositivo, no modo como minha geração, que foi criança nos anos 1980, no boom mundial inicial da AIDS, já chegou alertada à maturidade sexual, sabendo da importância do uso de preservativo, ao contrário de uma subgeração antes de mim, pega de surpresa pelo terrível vírus. O quadro é sombrio, escuro, incerto, como nos quadros barrocos, no jogo entre claro e escuro, no inevitável advento das vogues, das ondas, como na vogue de uma Carmen Miranda, trazendo cor e alegria a um Mundo pesaroso com os horrores da II Grande Guerra, numa época em que não havia clima para festa, nos horrores de extermínio em massa, na passagem de grandes sociopatas como Hitler, remetendo a uma certa pessoa, louca, com certeza, tentando catequizar jovens para o Nazismo, no caminho da loucura, que é não querer sair da prisão no dia glorioso de soltura, como no espírito que, ao desencarnar, quer voltar para o corpo físico, o qual perdemos no desencarne, num caminho sem volta, como um certo senhor, no caminho sem volta da drogadição, condenado a apodrecer o resto de seus dias numa clínica psiquiátrica, perdendo-se nas drogas, ao contrário de vidas destruídas que têm perspectiva de reconstrução, mesmo que lenta e gradual, num ponto de fundo de poço na vida da pessoa. O carente menininho nos olha, e está desamparado, como um certo rapaz órfão, que veio ao Mundo sem pais, um rapaz que tentara de matar, sendo enviado a uma clínica psiquiátrica, decidindo se dedicar à sua religião, a Umbanda, uma religião tão forte e vibrante, acolhendo os socialmente execrados, no poder dos tambores africanos, imitando a fluidez das batidas do coração, no modo como já ouvi que a Vida é o nervo da Arte. A cadeira caída é o desleixo e o descuido, como pais sociopatas, expondo os filhos ao perigo, no exato caminho oposto ao pai zeloso, na absoluta falta de apuro moral nos sociopatas, pessoas as quais temos que, por media de segurança, excluir de nossas vidas, como uma pessoa de minha família, uma pessoa sociopata, pessoa que um dia visitarei no Umbral, convidando tal pessoa a ir comigo a um lugar melhor, no caminho da humildade, que é admitir que se necessita de auxílio, no feliz modo como ninguém está no inferno para sempre, sendo tudo processo e transformação, no caminho da Eternidade, da qual não é possível se falar ou descrever. A mulher dorme, sem consciência do caos em sua casa, com menores abandonados, espíritos corajosos, que topam reencarnar em tal contexto duríssimo e miserável, sofrendo, assim, um descomunal desenvolvimento espiritual, voltando ao Lar Superior, no qual nossa Mãe Divina nos acolhe, fazendo da Imaculada Conceição uma forma de nos fazer entender que somos todos frutos de tal concepção sacrossanta, e cada um de nós é único, fazendo metáfora com a rica galeria de personagens construídas durante a brilhante carreira de Chico Anysio, personagens altamente únicos, distintos, no privilégio do Brasil ter tido no país tal gênio humorístico, em artistas que nos deixam perplexos com tamanha genialidade, no modo como o palhaço o será estando ou não remunerado por tal, no caminho do desinteresse, em brilhos que nos deixam perplexos, como Chico Xavier, um espírito tão, mas tão depurado, o qual nos ama e nos acompanha, nosso irmão, nosso igual, nosso Chico, o qual me ilumina no exato momento em que escrevo este texto! A luz fraca que entra na sala é a esperança, numa reviravolta de vida, na pessoa que assume o controle de sua própria vida, mandando os outros à merda, com o perdão do termo chulo, como um certo senhor, o qual mandou o Mundo se danar e foi tratar de ser feliz, pois que vida é esta na qual sou prisioneiro dos outros? Aqui, a inocência infantil não nos deixa compreender completamente o que acontece, como um certo casal de narcotraficantes, vendendo drogas na frente da filha pequena – é um horror.

 


Acima, Autorretrato. O olhar é sério, até triste, como uma certa celebridade, a qual, mesmo sorrindo em público, tem os olhos tristes, ou como outro certo senhor, com um olhar tristíssimo, talvez numa grande carência afetiva, como na carência afetiva da pessoa solitária, havendo golpistas que se aproximam de tais pessoas para a estas explorar, como seduzir viúvas solitárias, no estilo de vida solitário, sem norte, na necessidade suma de nos ocuparmos com algo produtivo e positivo, no modo como lamento sobre certas pessoas, as quais estavam bem engajadas socialmente, mas pessoas que acabaram abandonando tais atividades, no modo como não existe a palavra “aposentadoria”, pois a Vida é produtividade sempre, como a senhora minha avó paterna, a qual, ao se aposentar como professora, passou a escrever poesia, para ter algo para fazer de seus dias na Terra, dizendo em um de seus textos: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”, fazendo menção à neblina invernal comum nas cidades da Serra Gaúcha, e a Vida é isto, uma tarde brumosa a qual temos que preencher de alguma forma, na vida tão, mas tão vazia da pessoa rica que não trabalha, na ilusão do dinheiro, o qual é o tempo todo visto como um paraíso, no inferno do ganhador da Loteria, sendo um prisioneiro de sua própria riqueza, como um certo novo milionário, do qual pessoas interesseiras se aproximaram, pessoas estas que são qualquer coisa, menos amigos, pois amizade é sem interesse, sem cobrança, no caminho espiritual do Amor Incondicional, o qual é leve e desapegado, ao contrário do amor doente, obsessivo e possessivo, como um certo senhor, nutrindo tal amor fixado, sofrendo assim, como no filme espírita E a vida continua, num rapaz obcecado por uma moça, querendo possuir esta; querendo ser dono e senhor desta, no caminho oposto ao da liberdade, a qual é fundamental, na sabedoria de Hebe Camargo numa entrevista: “Em amizade não pode haver cobrança!”. O preto é a discrição do luto, como em velórios, eventos sociais que não são festas alegres, mas eventos que são uma boa oportunidade para reencontrarmos parentes e amigos, naquele café forte de velório, para lembrar que não é festa, no modo espírita de ver o desencarne como algo natural, ao contrário do costume de religiões que vêem a morte de forma tão escura e atroz. O cachecol aqui é o frio, na frieza da cabeça, do pensamento racional, o qual serve para proteger o coração e poupar este de sofrimentos, no papel do psicoterapeuta em nos mostrar o Mundo da forma mais fria possível, libertando-nos da “caverna” e nos trazendo para o mundo real, no termo “dar espetadas”, que é acordar o paciente para a realidade. Na cabeça, o preto de impõe, como nos lugares escuros de submundo, com espíritos sofredores, arrastado-se por tal escuridão, sofrendo, num lugar horrível, num antro, como no antro do monstro Laracna, de Tolkien, num confuso labirinto aprisionador cheio de lixo e desnecessidades, num espírito que vaga por tal plano, no modo como nossos pais nos colocaram no Mundo para o Mundo, e não para um submundo, na necessidade de honrarmos pai e mãe, sendo um processo longo e doloroso que é voltar do submundo, como desgarrar de um vício, num pesadelo de crise de abstinência, pois que vida é esta na qual centro-me numa escuridão total? Que vida é esta? O artista aqui se arrumou para o retrato, barbeando-se devidamente, no gosto de se ver um homem barbeado e aprumado, com perfume de colônia pós barba, no ato de autoestima, que é arrumar-se para interagir socialmente, na figura do filantropo, o qual se arruma para dar aos pobres um exemplo de autoestima, muito distante do morador de Rua, o qual definitivamente não tem autoestima, numa vida tão degradante, dormindo dentro de setores de terminais bancários. O casaco aqui não está totalmente abotoado, numa folga, num respiro, num intervalo, pois até Deus descansou no sétimo dia, trazendo os dias de folga no Plano Superior, quando podemos passear pelos belos recantos plácidos da colônia espiritual, num plano de paz inabalável, onde todos se amam e respeitam-se.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Bom Bo (Parte 23 de 28)

 

 

Falo pela vigésima terceira vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Balanço. O balanço é o prazer do vaivém, das ondas à beiramar respirando, no pulmão respirando, no mistério da Vida – o que faz o coração bater? O balanço é tal diversão infantil, na gritaria do intervalo do colégio, nas crianças na areia do parquinho, cheias de areia nos sapatos! É o glorioso momento do intervalo, da folga, das férias, em merecidas férias de verão, na praia, na sensação deliciosa de liberdade na orla, na água salgada e fresquinha banhando nossos pés nus, em ilhas como a de Florianópolis, seduzindo turistas no verão, com muitos argentinos, no fascínio que os trópicos exercem sobre pessoas de clima mais frio, como na sedução do Rio de Janeiro, um potente destino turístico mundial, numa cidade bela e problemática, com tanta beleza e tanta criminalidade, nos versos da canção de Fernanda Abreu, carioca da gema: “Rio quarenta graus! Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos!”. Aqui é uma brincadeira solitária, na pessoa vivendo consigo mesma, em gloriosos momentos de solidão, de retiro, como no filmão Dogma, em que Deus tirava folgas e simplesmente sumia, só retornando depois, numa merecida dose de retiro, como no Gênesis, quando Ele descansou no sétimo dia, dando um exemplo de férias e de folga, remetendo ao laborioso colono italiano na Serra Gaúcha, o qual só não trabalhava no domingo porque o padre e a religião não permitiam, numa vida tão dura de colono, com as mãos todas calejadas pelo duro labor na lavoura. Aqui remete a um recente comercial de TV com a estrelona Gisele, com a diva num balanço indo e vindo, nesse monstro sacrossanto em que a menina de Horizontina se tornou, com seus cabelos ondulados sendo imitados por todas as mulheres no planeta Terra, na característica da pessoa de Tao, a qual conquista o Mundo inteirinho e ninguém se dá conta, numa pessoa que brilha como um diamante, deixando-nos perplexos com tal brilho e tal fascínio, no respeito que tenho por pessoas que vieram do nada e conquistaram seu espaço, como na diva Marisa Monte, a qual veio, conquistou seu espaço e segue na luta para reafirmar tal espaço, num talento claro, o qual só precisava de tempo e persistência para se revelar, numa voz tão cristalina e afinadinha, ou como Tom Cruise, o qual veio do nada e tornou-se tal medalhão de Hollywood, sobrevivendo há décadas nessa “selva” que é a Meca do Cinema, num mundo tão competitivo, no qual a pessoa sabe que, se quiser se destacar, tem que ser digna e merecedora, como nossa amiga Madonna, a qual sabe que, ao fazer um videoclipe, tem que se esforçar para fazer um senhor videoclipe, remetendo a uma certa quase estrela, uma cantora de boa voz, mas sem estilo nem atitude, ao contrário de Gaga, uma bomba atômica de atitude, sabendo que tal atitude, além de boa música, assegura o se destacar a nível mundial, nesse mercado tão concorrido, com tantas divas maravilhosas concorrendo pela atenção do público, nas palavras de um certo psiquiatra para mim: “Tens que ter mais agressividade, pois vives num mundo competitivo!”. É a imagem do deus Marte, o deus da guerra, da batalha, da luta pela vida, na pessoa que encara a luta, ao contrário do morador de Rua, o qual quer, com todas as suas forças, fugir da luta, pagando um preço muito alto, que é o degradante estilo de vida de morador de rua, nas palavras de uma certa e inesquecível médium espírita: “Deus quer nos ver lutando! Deus não quer nos ver atirados nas cordas do ringue da vida!”. Neste quadro temos um impulso, uma projeção, numa pessoa alçando voos altos, num sonho e numa ambição, remetendo às pessoas equivocadas, as quais acham que não obtiveram sucesso por causa do Mundo, quando o Mundo não tem culpa se fulano é um medíocre, remetendo a um certo senhor, o qual almejou ser o homem mais sexy do planeta, falhando retumbantemente, nas duras lições de humildade que a Vida nos ensina, um senhor arrogante, que inclusive me chamou de “idiota” – a arrogância precede a queda. Aqui é um momento de diversão e recreio, como no deslumbrante complexo de parques temáticos da cidade americana de Orlando, nuns EUA tão, mas tão ricos, numa malha hoteleira arrojadíssima, no lazer de famílias americanas, como Gramado, com tudo feito para encantar tal turista. Aqui é uma jovialidade, na capacidade da criança em se contentar com pouco, como aprendi que podemos ser felizes com pouco.

 


Acima, Bela. Esta modelo é recorrente nas obras de Bo Bartlett, olhando-nos, desafiando-nos, como numa enigmática Monalisa, seduzindo as pessoas que vão ao Louvre, na característica da grande obra de Arte, que é render inúmeras interpretações, num quadro pelo qual da Vinci se apegou muito, não querendo ficar longe de tal obra, algo como uma figura materna, fazendo de uma mulher a maior obra de Arte de todos os tempos, numa certa decepção ao visitante, vendo que se trata de um quadro pequeno, na sabedoria popular de que tamanho não é documento, num Tom Cruise, um tampinha que se tornou tão poderoso, na busca do Mundo da Moda por modelos altos, no termo “Sua Real Alteza”, ou seja, altitude, na superioridade dos espíritos que têm apuro moral, o qual é o sentido da Vida, pois tornar-se uma pessoa melhor e mais honesta é o sentido da Vida, num caminho de depuração, como num diamante sendo lapidado; como entrar numa faculdade e passar por uma bateria de ensinamentos, num caminho autodidata, no qual a pessoa tem que aprender por si o que é simplicidade, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como nas obras de Botticelli, iluminadas, claras, com traços atentos ao essencial, no continuum entre luz, luxo e leveza. O amarelo do vestido é a vida, o brilho do ouro, na cor da gema de ovo, do alimento, numa cor quente, que traz vida, na cor do Sol, da luz da vida, aquecendo, no deus egípcio de Rá, o disco solar que traz a luz e a vida, na noção de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida!”, como “Tao” significa “caminho”, em guias nossos, como minha irmã e eu, ouvindo, desde pequenos, Elis Regina no carro com nossos pais, numa Elis guia, guiando-nos pela estrada da Vida, na capacidade do grande artista, que é se tornar um deus sacrossanto de Arte e Vida, no poder da Arte em unir as pessoas, como uma multidão ensandecida num concerto de grandes bandas e cantores, no dom de certos artistas em excitar uma plateia e “atiçar fogo” nesta, ao contrário de um show de Lenny Kravitz no Brasil, um artista o qual, apesar de ser um grande astro, uma grande voz e um grande repertório, não soube puxar o povo, fazendo um show morninho, meio sem sal, por assim dizer, o que é uma pena – na vida não se pode ter tudo, não? Os cabelos da musa ondulam sensualmente ao vento da beiramar, numa orla que tanto fascina Bartlett, na liberdade do ar puro do mar, no sopro de vida que vem do mar, no frescor da Vênus de Botticelli, novinha, como nas rainhas metafísicas, líderes que não envelhecem no Plano Superior, no costume caxiense de sempre eleger uma nova rainha para a Festa da Uva, fazendo com que a nova moça faça metáfora com a juventude imortal metafísica, num sucessão de rainhas que faz metáfora com tal ausência da passagem de tempo, numa dimensão onírica, bela e fina, na qual nada se perde, nem o mais humilde trabalho de gari varrendo ruas, com tudo fazendo parte da construção da grande carreira espiritual, na ironia de que, no Céu, segue imperando a necessidade de nos mantermos operantes e produtivos, no Éden para os que gostam de se sentir úteis ao Mundo; no prazer de se fazer algo de bom para o Mundo. O pingente é uma nobreza, nos metais nobres, fazendo da durabilidade das coisas nobres metáfora com a ausência de passagem de tempo, como uma mesa de madeira que eu tenho em casa, de uma madeira nobre, a qual, com várias décadas de uso, não tem um único foco de cupins, ao contrário das madeiras de baixa qualidade, com seus focos de cupins, no termo “marca diabo”, apontando produtos de baixa qualidade. A moça aqui é a juventude, como na embalagem do leite condensado Moça, com a menina com um balde de leite sobre a cabeça, na pureza da donzela Arwen, de Tolkien, entregue pura e casta ao marido, no machismo patriarcal no qual a mulher não pode ter vida sexual ativa, trazendo a transgressão corajosa de certas mulheres famosas, na mensagem ao final do filme Barbie, num manifesto antipatriarcado, na liberdade da mulher em ser o que ela mesma quiser ser.

 


Acima, Betsy no espelho. O espelho é tal símbolo de feminilidade, no esforço pela beleza, nas mulheres fazendo “loucuras” em nome da beleza, como se submeter a dolorosas e complicadas cirurgias plásticas, remetendo a uma certa socialite americana, desfiguradíssima, num transtorno de imagem gravíssimo, uma mulher rica, que pode bancar tantas cirurgias, em cirurgiões antiéticos, que sabem que uma nova cirurgia só a deixará ainda mais desfigurada, mas que topam operá-la por causa do dinheiro, ou seja, uma falta de apuro moral, como um certo senhor que me enganou certa vez, e a vida é um inferno para os que não são honestos, com suas consciências os cutucando, como um certo assassino desencarnado, vendo os olhos alegres e sorridentes das pessoas que matara na Terra, num peso de culpa, num inferno, em sociopatas que acabam rechaçados, sepultados sem entes que os amam, como um certo sociopata, um mentiroso de marca maior, uma pessoa que, com certeza, vai acabar enterrada “como um cachorro”, sem fazer muita falta no Mundo. O decote aqui é ousado, nas ousadias da Moda, em sopros de vogues que varrem o Mundo, como no boom de Carmen Miranda, num boom de alegria e música em meio aos horrores da II Grande Guerra, num contexto em que não havia muito clima para celebrações, como na Festa da Uva de Caxias, num hiato sem festas desde o início da Guerra até o fim dos anos 1940 – não havia ânimo no inconsciente coletivo. O quadro aqui não é totalmente centralizado, e a modelo está no lado, como em coberturas jornalísticas pela TV, com o jornalista à esquerda ou à direita, deixando aparecer um destaque gráfico na reportagem. Aqui, nesta obra, o retiro ao lado mostra uma folga, um vazio magnético, no magnetismo sensual dos espaços vazios, num decorador sábio, que sabe que um ambiente tem que ter tais espaços vazios para o uso do dia a dia, como enfeites e adornos em uma mesa de console: A parte mais dianteira, à frente da pessoa, tem que estar vazia, sem adornos, para o uso do cotidiano, ou como numa de centro numa sala de estar, vazia, sem adornos, ou se, com adornos, adornos que não podem roubar totalmente os espaços vazios em tal mesa – a sensualidade reside precisamente nos espaços vazios, nesse vazio de Tao, que é a página em branco na qual escrevemos nossas vidas, como um escritor, ou como um bom ator, que some perante o personagem, ao contrário do mau ator, que “esconde” o personagem. Os cabelos presos são a disciplina, o siso e a discrição, como antigamente, quando mulheres não podiam sair pela Rua com os cabelos soltos ao vento, em sopros transgressores de renovação corajosa de Chanel, uma espécie de feminista, libertando a mulher, no famoso corte de cabelo Chanel, numa Coco corajosa, inovadora, dizendo certa vez a um jornalista: “Os jovens de hoje não têm coragem! São uns medrosos!”. É como no pedido de um glorioso Papa Francisco a uma plateia de jovens católicos: “Sejam revolucionários!”, num homem humilde e simples, do povo, no rei simples, que toma o mesmo tipo de café que os seus súditos tomam, pois o rei que se afasta de seu próprio povo deixa de ser líder, como num Romanov deposto pelos comunistas, ou como no grande golpe de estado que foi a Revolução Francesa, na voz de um povo oprimido e infeliz, padecendo por causa do simples preço do pão. O vermelho é a vida, no sangue que seduz os vampiros, na famosa capa rubra de Drácula do filmão Drácula de Bram Stoker, num merecido Oscar de Figurinos para tal película, em cineastas que se esforçam ao máximo num filme, colocando ali tudo de bom e de melhor, no modo como não me canso de dizer que o sucesso é um amante infiel, pois hoje está com você, e amanhã você não sabe, como um certo diretor, cujo ponto alto de sua carreira fez “diminuir” a percepção sobre outros filmes de sua carreira – o sucesso é um cu, com o perdão do termo chulo. A moça sorri brandamente como uma altiva Nefertiti, num sorriso discreto de uma Gisele, nessas mulheres que tecem teias de sedução, no talento estadista de uma Cleópatra, num filme que quase quebrou um estúdio!

 


Acima, Betsy Eby. Aqui são altivos perfis de monarcas em moedas, na sabedoria de que, quem já reinou, jamais perde a majestade, numa pessoa que reinou numa vida passada, trazendo todo um residual, como uma certa artista plástica, altiva, parecendo ser a “dona da festa”, parecendo usar uma altiva coroa, no peso sobre a cabeça de quem reina, nos encargos de responsabilidade, remetendo a reis sociopatas como Calígula, no poder pelo poder, num rei em relação ao qual o povo romano, o senado romano e a corte romana se deram conta: Nosso rei é louco! Então, um parente do monarca louco tramou o assassinato de Calígula, colocando fim num reinado conturbado, como no infame reinado do faraó Aquenáton, desprezado dos registros oficiais, num Egito que quis se esquecer de tal legado transgressor, sepultando o corpo dele sem a tradicional mumificação, tal o desprezo do Egito por tal líder, num Egito em que qualquer faraó era devidamente mumificado, nos rituais de passagem da pessoa pelo mundo dos mortos, no impacto que o Cristianismo teve sobre o clássico paganismo da Antiguidade, ao ponto do rei romano se tornar cristão oficialmente, nos impérios que ascendem e descendem, como as vaidades humanas indo e vindo, vivendo e morrendo, perecendo, permanecendo Jesus pela eternidade, uma figura na qual podemos depositar as esperanças de que um mundo bem melhor nos espera lá em cima, num mundo de amizade, onde todos se respeitam, sem qualquer criminalidade, remetendo a um certo senhor sociopata, um mentiroso, um espírito que certamente irá ao Umbral ao desencarnar. O pescoço delgado é forte, no pescoço poderoso do busto famoso de Nefertiti, na fragilidade que se revela força, no discernimento básico de que fino é forte de que grosso é fraco, num Ser Humano que sempre se perde, ignorando o discernimento taoista, como nas tragédias das guerras, deixando rastros de destruição, privação e fome, pois quando Tao é perdido, a confusão reina, como no bangue bangue de Trump contra o Irã, numa condução conturbada e tortuosa, pois um homem de Tao jamais recomendará violência, sempre primando pelo diálogo diplomático, no cavalheirismo no fio do bigode: Vamos sentar e conversar, pois, conversando, nós nos entendemos! É como no rei da Tailândia, um homem cordato e respeitado, sempre primando pelo diálogo, sempre fazendo tudo em nome da paz, na dignidade das famílias de realeza, as quais, em suas belas tradições, representam um mundo melhor e mais pacífico, num mundo mais belo, no qual o tempo não passa. A janela ao fundo é a perspectiva, na luz que entra beijando a tela, no talento de um diretor de fotografia num filme, merecendo prêmios, no modo como a arte do Cinema abraça as Artes Plásticas, pois as artes estão umas dentro das outras, como no inevitável casamento entre Música e Dança. O cabelo ajeitado é a autoestima, da pessoa que gosta de si mesma e que se arruma para sair de casa, pois dá gosto de ver uma mulher elegante, bem vestida, arrumada, como num talento estadista de Elizabeth I, a qual sabia do valor da aparência na vida pública, arrumando-se muito na hora de ir a público, como em sessões com o parlamento, no modo como a aparência ajuda a pessoa na vida pública, numa mulher impecável, sempre com os cabelos impecavelmente tingidos, ou como no ato de se perfumar, agradando as pessoas. A moça aqui tem uma grande paciência para posar, como antigamente, antes da Fotografia, no modo como a Fotografia libertou a Arte da função retratista, remetendo a um certo artista plástico em Porto Alegre, o qual tira fotos tuas no estúdio e, depois, a partir da melhor foto escolhida, faz uma pintura tua a óleo. Aqui temos uma elegância, na elegância do homem de Tao, como um Obama, amado e respeitado, um homem que respeita os vizinhos no Mundo, mas firme para ordenar a execução oficial de um grande terrorista. A moça aqui tem disciplina e abraça sua função social de líder, como numa cédula de dinheiro, na regência responsável, no paradoxo inglês – o monarca reina, mas não governa!

 


Acima, Bodhisattva. Aqui é um papel de guia, num pastor numa igreja, no sermão do padre, remetendo a um coleguinha meu de Ensino Fundamental, o qual se tornou padre, e cabe a mim respeitar, pois a vida dele não é minha – respeitar é algo relativamente simples. Neste cume, neste topo, há a elevação espiritual, numa elevação moral, na pessoa que odeia mentir, no modo como, lá em cima, a mentira perece, e tudo é colocado de forma clara, indo para o Umbral os que mentiram na Terra, no modo social de execrar os mentirosos, como um certo senhor, sofrendo processo de impeachment, rechaçado pelo povo, no fim trágico do ditador Mussolini, odiado pelas pessoas, enterrado sem qualquer honra ou dignidade, muito menos respeito, no modo inevitável de que respeito é para quem o tem – como posso ser respeitado se sou um sádico que gosta de ver os outros sofrerem? É como um certo senhor sádico, o qual exclui de minha vida, um senhor que terá tal fim trágico de vida, indo ao Umbral inevitavelmente, no plano da loucura de um prisioneiro que não quer sair da prisão no glorioso dia de soltura, de desencarne – é uma ausência de lógica, numa pessoa cujos atos analisamos e não encontramos lógica, como um certo sociopata recentemente preso por feminicídio, com uma inocente cara acima de qualquer suspeita. O guia aqui está para nos mostrar o Mundo da forma mais clara possível, no papel do psicoterapeuta de nos mostrar o Mundo da forma mais fria possível, no poder do pensamento racional, protegendo o coração das dores sombrias, ao contrário da pessoa que se deixa guiar pelo coração, sofrendo assim, como um certo rapaz caminhoneiro, o qual levava uma vida duríssima, trabalhando arduamente, uma pessoa que sofria ao se deixar guiar apenas pelo coração, nunca ouvindo a fria razão, na metáfora do busto blindando a Mulher Maravilha, que é a pessoa bloquear o assédio de espíritos maldosos, num espírito maldoso que os espíritas chamam de “encosto”, ou seja, um vampiro desencarnado empenhado em nos fazer sofrer, no caminho espírita da mortificação, quando a pessoa deixa de ouvir o traiçoeiro coração e ouve esta coisa maravilhosa que Deus nos deu chama CABEÇA, na fria razão dos números, na beleza fria dos números, fazendo de Deus tal lógica, partindo de um para dois, de dois para três etc. As vestes aqui são pudicas e decentes, como numa imagem de Nossa Senhora, na qual apenas e face os alvos pés descalços são mostrados, como na machista burca, impedindo a mulher de viver, no modo patriarcal de tolher a sexualidade feminina, como na boneca Barbie, sem vagina, no pai que, ao ver a filha nascer, planeja entregá-la pura e casta ao marido na Igreja, como na donzela Arwen, de Tolkien, pura como a mais pura e alva nata, na mulher que vive na sombra de um homem, no modo como a Vida em Sociedade sempre cobra do homem o desenvolvimento da agressividade, pois se sou uma mulher mãe, esposa e dona de casa, anônima e microscópica, não tem problema. A fumaça aos pés do líder espiritual é o espírito fluidio, sexy, numa água com vida, que nunca para de correr, como Tao é tal água com vida, sempre regando e nutrindo, num papel de provedor de um lar, deixando claro quem manda ali dentro de tal casa, impondo normas aos filhos, como meu pai, o qual sempre, às dez da noite, mandava minha irmã e eu para a cama, mesmo que fôssemos a contragosto para a cama, como na casa de uma certa psicóloga, com leis rígidas para os três filhos, numa sensação de proteção e invólucro, de lar, como um pai dizendo ao filho no fim de um domingo de doce vadiagem: “Acabou o fim de semana! Tu tens que jantar, tomar banho, revisar as tarefas de casa escolares a arrumar teus livros para amanhã, pois, amanhã, começa tudo de novo!”. Remete a uma certa rígida  e exigente professora de balé, nunca permitindo que uma aula parasse de render. O líder aqui está no mais elevado grau de sofisticação, que é a simplicidade, como numa pessoa que tem estilo, que tem critérios na cabeça, ao contrário daqueles que têm que ser “escravos” de grifes pretensiosas.

 


Acima, Bons e velhos dias. Aqui é o encargo de pai, provendo um lar e uma família, num pai tão zeloso que foi o senhor meu avô por parte de mãe, nunca deixando algo faltar dentro de casa, sempre proporcionando boas casas para a esposa e os filhos, sempre proporcionando uma mesa farta no almoço, numa família numerosa, com seis filhos. O peixe aqui é como um troféu, numa pilhagem, como um certo senhor, o qual amava ir ao campo com amigos para caçar perdizes, num homem que ama tais desafios, como uma certa pessoa, para a qual quanto mais difícil, melhor, como numa eterna gincana, no tesão de um surfista frente a um desafiador mar com ondas grandes, prostrado perante um mar sem ondas, como eu disse a um certo professor meu de faculdade, no primeiro dia de aula da cadeira: “Estou aqui para novos desafios”, naqueles professores talentosos e exigentes, que valem cada centavo da mensalidade, mas já, outros professores, nem tanto – deve assim ser em qualquer faculdade. O peixe é a tradição da Semana Santa, no poder das tradições, como a senhora minha bisavó, a qual, na Sexta Feira Santa, proibia em casa as pessoas de rir ou falar alto, com o rádio emitindo canções fúnebres, no milagre do desencarne, quando Jesus se libertou da carne e voltou a maravilhoso lar primordial celestial, no inevitável dia de libertação – sim, meu irmão, desencarnarás, na sabedoria popular de que, para morrer, basta estar vivo. Os altivos pinos ao fundo são tal majestade de natureza, no modo como os campos e florestas vestem roupas maravilhosas, fazendo dos palácios meras cópias de tal beleza natural, num rei que contempla o ar puro de seu reino, mal se importando com os luxos palacianos, nas simples casas do cidadão comum, recebendo-nos e servindo-nos um café, na proximidade de um líder de seu povo, como no paradigma democrático, a forma mais legítima de governo – o presidente é um dos nossos, é nosso igual, que elegemos para nos governar por alguns anos, ao contrário do Egito Antigo, no qual o líder era visto como um deus em carne de homem, numa mescla entre religião, arte e política. A mulher repousa a cabeça no marido num ato de carinho e amor, amando o homem que provê o lar, nas divertidas palavras de um certo colega meu de faculdade: “Quem gosta de homem é veado! Mulher gosta mesmo é de dinheiro!”. A criancinha ainda é muito pequena para entender o Mundo, na candura infantil de se divertir com pouco, como no trenó Rosebud de Cidadão Kane, numa época em que a vida é simples, com brincadeiras com amiguinhos, no delicioso faz de conta da criança, como no seriadão Chaves, na criança que quer brincar para imitar o mundo dos adultos, como brincar de cabeleireiro, num seriado que tão fundo penetrou nos corações de inúmeros fãs, no poder da comédia, que é o Ser Humano rindo de si mesmo, no poder de um bom palhaço, como os mestres Rowan Atkinson e Jim Carey. Aqui é algo exibido com orgulho, numa conquista, como um Oscar, no problema do sucesso – quando este vem, tenho que saber sobreviver e continuar tocando a vida com humildade, em troféus que pode se revelar maldições. O peixe é a biodiversidade, numa Natureza tão rica na Terra, num planeta tão rico biologicamente, riquíssimo, nos esforços de cientistas em detectar vida fora daqui, em sondas enviadas sistema solar afora, num Ser Humano ainda tão aquém de conhecer o que nos cerca, num Cosmos tão, mas tão vasto, na máxima islâmica de que Alá é grande, com galáxias as quais precisaríamos de alguns milhões de anos na velocidade da luz para cruzá-las de ponta a ponta, sendo que o Homo sapiens pela Terra mal tem um milhão de anos de história – é muito grande. Aqui temos a estrutura de uma família, num grupo organizado, com hierarquia – os mais velhos mandam! É como na hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta a força, hierarquia na qual os mais pacíficos regem os menos, tudo em nome da paz e da amizade, ao ponto de eu fazer questão de obedecer ao meu irmão mais depurado.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.