quarta-feira, 17 de junho de 2026

Akira Aqui (Parte 2 de 7)

 

 

Falo pela segunda vez sobre o pintor japonês Akira Ikezoe. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Bordas. Aqui remete a estampas de uma grife se bolsas de luxo, nesses bens tão cobiçados, numa pessoa que vira uma escrava de vitrines de shopping, num sistema que nos aprisiona: Tenho que trabalhar feito “louco” para produzir capital e adquirir tais bens, na metáfora de Matrix, num sistema opressor, como numa ditadura, no cidadão sob controle de um sistema. A azul é a cor de gloriosos dias de céu de brigadeiro, sem uma única nuvem, para olharmos para o céu, enchermos os pulmões de ar e agradecer por termos saúde, pois tudo gira em torno de saúde, havendo saúde perfeita no Plano Superior, onde estamos desligados de qualquer problema relativo ao corpo carnal, numa gloriosa libertação, com tudo se definindo no que desejamos fazer de nossos dias de cárcere na Terra – uns levam uma vida nobre e produtiva, voltando de cabeça erguida ao Céu, no clima de missão cumprida; outros, nem tanto, como uma certa senhora inativa, rica e, ao mesmo tempo, miserável, ou como outra certa senhora, dona de uma inteligência ímpar, sem colocar para o Mundo tal inteligência, num desperdício, como Andrea Bocelli cantando Atirei o pau no gato. Aqui remete a um antigo videogame, o Tetris, com formas geométricas caindo, fazendo com que encaixássemos as peças na base da tela, num desafio, numa chuva intermitente de formas, numa corrida contra o tempo, no modo como os games eletrônicos ganharam o Mundo, com crianças viciadas em tais games, como um certo rapaz, o qual ficava o dia inteiro dentro de uma quarto escuro jogando, em pleno dia de ensolarado verão, com amigos lá fora o convidando para se divertir, ou seja, não é muito saudável tal vício, com pais com a responsabilidade de controlar tal compulsão por games. Aqui vemos formas delgadas, finas, no discernimento taoista de que fino é forte de e grosso é fraco, mas num ser humano que sempre acaba se confundindo, apelando para a grosseria. Aqui remete a um quadro do mestre Magritte, com homens delgados caindo como chuva, no poder de certos artistas em desenvolver uma identidade, uma marca registrada, adquirindo reconhecimento ainda em vida, ao contrário de grandes nomes como Van Gogh, reconhecido postumamente, mergulhando em depressão e frustração, sentindo toda a dureza do Mundo, como miseráveis artistas de rua, fazendo seus números em semáforos, ganhando por dia uma quantia irrisória, sentindo na pele tal indiferença do Mundo. Aqui são como ícones numa tela de computador, ou de celular, em dispositivos de tanta flexibilidade, com tudo hoje em dia se resumindo a tais equipamentos móveis, fazendo obsoletas as máquinas de foto e de filmar, deixando perplexa minha geração, que foi criança nos anos 1980, ainda vivendo em meio à era analógica, com o filme fotográfico, na expectativa de retirar as fotos no laboratório e ver os resultados, avanços tecnológicos que são triviais para as gerações mais jovens, que nasceram a partir dos anos 2000, uma geração completamente digital, sem ter ideia do telefone fixo de gancho e disco, ou das cartas pelo correio, fazendo com que hoje e-mail seja algo tão trivial e comum, ao contrário dos anos 1990, época em que e-mail era para lá de chique, do tipo: Quando acordo, a primeira coisa que faço, antes de tomar café, é ler meus e-mails! Hoje em dia, com as redes sociais, tal tecnologia é banal – o que será que virá após a era download e streaming? Aqui é como na cena do filme A Rainha, na monarca organizando os objetos sobre a mesa, num sentimento de ordem e controle, impondo ordem ao caos, num trabalho de organização, como colocar uma casa em ordem, nas palavras de uma certa senhora ao brigar com o próprio marido: “Eu me matando para manter esta casa limpa e organizada!”, fazendo do casamento tal terreno frágil, sendo uma pena quando um casal  rompe, pois casal é uma coisa tão bonita! Aqui são como confetes de carnaval caindo, na magia de um colorido baile de carnaval, com cada um com suas fantasias, como no Halloween americano, no modo da pessoa se expressar por tal fantasia, numa diversão, desligando-se um pouco do sisudo dia a dia. Nessa variedade de objetos, vemos uma varinha de fada, com uma estrelinha, no discernimento infantil: Ou algo é todo do bem, ou é algo todo do mal. Aqui é como jogadores dispostos na cancha de vôlei, na pressão por resultados e vitória.

 


Acima, Buracos. O violão é o impulso da Arte, aquilo que nos interpela como seres humanos, aquilo que tanto nos faz humanos, pois os macacos até podem ter alguma inteligência, mas não pintam, não canta, não dançam etc. A Arte só é detectável pelos que têm inteligência emocional, havendo no sociopata tal inteligência fria, esquemática, insensível a apelos subjetivos. A sacola de mercado é a demanda do dia a dia, com compras que precisam ser feitas, nas demandas do dia, na ocupação de uma dona de casa em manter a casa abastecida, com uma despensa farta, cheia de produtos, naquele pai herói, que nunca deixa algo faltar dentro de casa, em pesos de responsabilidade, que é ter filhos no Mundo. A abóbora sorridente é o Halloween, na tradição americana de cavocar as abóboras e colocar luzes dentro, numa festa que aos poucos vai sendo absorvida pelo Brasil, na universalidade do Ser Humano, que é celebrar um pouco a Vida, desligando-se do siso por algum momento. A máscara africana é tal universalidade da Arte, como desenhos geométricos indígenas, como no hotel de O Iluminado, com tapeçarias de arte indígena, num caminho de identidade, como no Cinema Brasileiro, com a enorme incumbência de se conferir uma identidade a tal cinema nacional, sendo inevitável a poderosa influência de Hollywood, esta uma indústria para lá de consolidada, no slogan de um certo estúdio, com uma tradição secular: “Um legado de excelência”, fazendo do Cinema tal rosto do século vinte, no ponto decisivo da chegada do som ao cinema, transformando em arte algo que era uma banal distração muda. Vemos um pé de meia, numa bagunça natural, com em casas com crianças pequenas, sempre desorganizadas, no modo como é necessária uma paciência enorme par aturar tais “pentelhinhos”, como num cruel orfanato, com tutores que perdem a paciência, remetendo a um certo rapaz órfão, que cresceu num lar de órfãos, dizendo ter muitas vezes apanhado de tais tutores, na sabedoria popular de que paciência tem limite! Vemos uma caverna, no Mito da Caverna, na pessoa aprisionada por superstições, escrava de um sistema, com o papel do filósofo, de Neo de Matrix, acordando para o fato de ser um escravo, no papel libertador da Filosofia, na amarga ironia de que a Filosofia não muda o Mundo, pois nem a suprema e avassaladora passagem de Jesus pela Terra foi capaz de sanar os problemas do Ser Humano, como guerras, mas um Jesus que segue sendo uma figura na qual podemos depositar esperanças, na metáfora cromática: Num aguerrido mundo de amarelos versus azuis, seja verde! Vemos um toco de árvore com um buraco, que é o lar, a casa, o refúgio da pessoa na sabedoria de que não existe lugar como o lar, remetendo ao pobre rapaz que presta serviço militar, um rapaz sequelado por tal experiência cruel, como no menininho de Cidadão Kane, arrancado de seu paraíso de infância, balbuciando no leito de morte o nome do seu adorado trenó de neve, remetendo a um tempo em que a vida era mais simples, na simplicidade infantil, que é se contentar com pouco, como me ensinou uma pessoa extraespecial: Não precisamos ser donos de meio mundo para sermos felizes! Vemos um buraco preto, que é a perdição de um vício em drogas, como um grande amigo meu, o qual se viciou em cocaína, uma droga a qual, após o pico de euforia, sobra seu preço, numa depressão pós pico, com a pessoa acordando se sentindo um naco de merda, com o perdão do termo chulo, sem vontade sair da cama, na ilusão da cocaína, que faz com que nos sintamos, momentaneamente, o suprassumo, como um popstar estourando nos quatro cantos do Mundo, com zilhões de dólares na conta bancária – é a sedução da droga. Vemos um vulcão, em tragédias como a de Pompeia, nos desastres naturais que são a prova de que é a imperfeita Terra o que tenta imitar o perfeito Céu, nas vicissitudes da matéria, as quais acabam por nos fazer crescer, sendo se tornar uma pessoa melhor o sentido da Vida.

 


Acima, Cabeças de Côco ao redor do estúdio de cerâmica. As pessoinhas são os vassalos, os escravos, forçados a uma vida árdua, de trabalhoso forçados, como na construção das descomunais pirâmides do Egito, em túmulos de tanta, tanta grandiosidade, até num exagero, chegando a um ponto em que não era mais possível erguer tais construções, construindo-se então o Vale do Reis, sepultando os monarcas de formas mais simples e discreta, na perfeição do trabalho egípcio, com túneis e cômodos perfeitamente lineares, esculpidos na rocha, perfeitos como apartamentos e casas de paredes, teto e chão retos, em monarcas “loucos” como Aquenáton, demandando a construção de toda uma cidade num local ermo da margem do Nilo, com trabalhos forçados, com escravos com problemas ósseos, tal o labor árduo, num faraó que, de tão odiado, foi apagado dos registros oficiais do Egito de então, fazendo com que só recentemente os egiptólogos tenham reconstituindo tal etapa. Vemos uma forma circular como uma piscina, como em casas de luxo, com piscinas, remetendo a uma certa senhora, a qual quis dar uma guinada na vida, fazendo uma plástica, reformando a casa e construindo uma bela piscina, uma senhora que se deprimiu anos depois, vendo que seus esforços nada adiantaram, no erro de se querer encontrar as coisas fora de si mesmo, numa vida que foi mostrando que tudo continuou a mesma merda, com o perdão de termo chulo. Aqui é como na construção de um grande parque temático, rezando a lenda de que Walt Disney, ao visitar a Cidade das Crianças, na Argentina, inspirou-se para construir o parque da Disneylândia na Califórnia, num lugar em que voltamos a ser crianças, como em Gramado, com seus doces chocolates, numa cidade em que tudo é feito para encantar o visitante, mas uma cidade que se torna enfadonha ao visitarmos demais, com muita frequência, na sabedoria taoista de que tudo que é demais, enjoa, mesmo lugares tão belos como tal urbe turística. Vemos um trabalho de colheita, como no Egito, com as cheias do rio enchendo de riquezas fertilizantes a beira, no baile das estações, na beleza de casa estação climática, em lugares como Nova York: No verão, um “forno de padaria”; no inverno, dias de tanta neve que a prefeitura orienta o novaiorquino a não sair de casa! Vemos aqui pórticos arqueados, como os dutos da Lapa, no Rio de Janeiro, uma cidade a qual, do topo do Cristo Redentor, parece ser limpa, perfeita, pacífica e apolínea, sendo, de perto, tal urbe de diversos problemas, como a criminalidade e a pobreza. Vemos num detalhe o planeta Saturno, com seus sedutores anéis, em uma esfera tão singular e bela, na busca incessante de vida fora da Terra, num sistema solar frio, gélido, com gelo duro como pedra, no modo como, fora da Terra, o Cosmos conspira contra o Ser Humano, nas palavras do filme impecavelmente concebido Gravidade: “A Vida é impossível no espaço”. Num detalhe vemos quatro homens dispostos linearmente como ponteiros num relógio, numa simetria, simetria a qual Niemeyer evitou ao conceber o Congresso em Brasília, com o domo do senado sendo menor do que o da câmara, puxando o para o lado do senado o prédio de duas torres, num equilíbrio assimétrico, feito por quem sabe fazer Arquitetura, fugindo da obviedade clássica simétrica. Vemos operários carregando carrinhos com pedras, nas demandas do dia, do esforço, como Jô Soares, o qual, depois de falar piadas e bobagens, dizia, na hora de convidar a pessoa a ser entrevistada: “Vamos trabalhar!”, no sentido de disciplina e de encarar o labor, numa Gisele para os fãs num set de filmagem: “Desculpem, gente, mas tenho que trabalhar!”, num caminho de humildade e pés no chão, sem se deixar levar pelo sucesso, na sabedoria de que a arrogância precede a queda. Vemos pássaros brancos, na cor da paz, do Espírito Santo, numa imagem de esperança. Aqui é um dia ordinário de trabalho, com os inevitáveis barulhos do labor, como máquinas funcionando, ou faxineiras usando aspiradores de pó, no humilde trabalho de gari, no modo como nenhum labor é insignificante, sendo tudo parte da grande carreia espiritual.

 


Acima, Cabeças de Coco com água e areia. Na base vemos uma grande plantação, na revolução da Agricultura, quando o Homem passou a controlar a produção de alimentos, remetendo à árdua vida de imigrante italiano no RS, com suas mãos calejadíssimas pelo labor na lavoura, num trabalho de Sol a Sol, trazendo mais trabalho do que a caça, pesca e coleta, na universalidade da divisão de trabalho, com as funções mais agressivas sendo feitas pelos homens, como uma mulher indígena coletando coisas na mata, um trabalho análogo ao de se fazerem compras, como uma certa mulher ianomâmi que se casou com um homem civilizado, com tal mulher amando fazer o trabalho de compras. Vemos um trilho com cargas transportadas, como uma vida estruturada, nos trilhos, num siso de responsabilidade, que é não se descuidar da Vida, como me disse uma grande amiga em Porto Alegre: “Não se descuide de sua faculdade!”, pois um amigo verdadeiro quer nos ver sendo feliz; quer nos ver indo para a frente, remetendo às amizades fúteis, as quais só são para o momento de festa e de diversão, amizades que, definitivamente, não são um ombro amigo para o qual podemos desabafar e colocar nossas questões existenciais, no discernimento entre amigo e semiamigo, sendo este uma pessoa que não torce contra, nem a favor. Vemos bobinas erguendo coisas, no labor diário da firma, como no império de metalurgia que a tradicional família caxiense Eberle construiu, uma família que tanto enriqueceu nas demandas bélicas da II Guerra Mundial. Aqui vemos bens sendo feitos, na Revolução Industrial, na ironia de que a Inglaterra foi o berço de tal revolução, sendo a primeira nação do Mundo a se industrializar, e, hoje em dia, é um país desindustrualizado, com bens sendo manufaturados em outros países, principalmente a China, sendo esta tal gigante global, poderoso, rico, num cidadão chinês absolutamente livre para empreender, na contradição de que este mesmo cidadão não pode ir a público falar mal do governo, na máxima que imperava certa época no Brasil: “Ame-o ou deixe-o”, com levas de pessoas se exilando em outros países, como Caetano em Londres, numa urbe fria e cinzenta, muito longe da alegria tropical do Brasil, da Bahia, um estado que é um país à parte, como no padrão de se tomarem dois banhos por dia, ao contrário do sul do Brasil, no qual o padrão é apenas um banho diário, fazendo de um Brasil tão amplo uma colcha de retalhos, feita de vários Brasis. Vemos aqui operários confeccionando uma máscara africana, na brincadeira carnavalesca de se usarem máscaras, num baile em que extravasamos nossa fantasia, numa festa tão brasileira, enchendo de luz e calor os olhos do turista, fazendo do Rio de Janeiro tal potência turística, como abrigar megashows nas areias de Copacabana, numa prefeitura que precisa “sambar” para recolocar em ordem as areias de tais eventos, com vários dias de trabalho de limpeza, no paradoxo carioca: Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos. Vemos operários carregando baldes, nas demandas do labor diário, como no humilde gari, cuja vida é uma vassoura, numa vida tão dura, num labor de causar dores musculares, como nas costas, pessoas pobres, que pouco devem ganhar de salário por tal árduo labor, como num humilde artista de Rua, pedindo dinheiro em semáforos, numa vida tão, mas tão dura. Vemos aqui coisas sendo enroladas e desenroladas, como no dia e dia de uma firma, com coisas rotineiras, no siso rotineiro, trazendo os momentos de festa, um momento em que nos desligamos por algum momento, no extraordinário abraçando o ordinário, como num desfile da Festa da Uva, com carros alegóricos mostrando o trabalho manual do colono e de seus descendentes, fazendo de tal celebração uma festa de identidade, como em urbes de vindimas italianas, abraçando seus passados medievais, numa Itália que hoje em dia restringiu enormemente os critérios para a retirada do cobiçado passaporto bordô; numa Itália sobre a qual já ouvi dizer – um país que não vê com bons olhos o brasileiro. Aqui, o faraó comanda tudo, como um prefeito, cheios de responsa, como tocar obras de manutenção de canos na Rua.

 


Acima, Cabeças de Coco criando uma mostra de Arte. Vemos luzes de holofotes, como no batsinal para chamar Batman para defender Gotham City, numa franquia tão poderosa no cinema, com um certo diretor que conduziu com competência, ao contrário de outro diretor, o qual produziu filmes risíveis, que desrespeitavam o personagem, nessa fortíssima identidade hollywoodiana, numa indústria tão bem estabelecida, ao contrário do Brasil, no qual ninguém fica rico fazendo cinema, remetendo à heroica família Barreto, alimentando a cultura nacional, no legado de Fabio Barreto, um grande brasileiro, um homem que queria exportar a imagem do Brasil, num homem que obteve poder de príncipe, com as pessoas se unindo em torno dele no intuito de transformar um romance em filme, fazendo do sucesso tal amante infiel, num Fabio que apenas uma ver na carreira foi indicado a um Oscar, como na carreira de um popstar, nem sempre fazendo álbuns de esmagador sucesso. Vemos aviões num disciplinado pátio de aeroporto, numa ordenação para evitar acidentes, como num momento da franquia Matrix, com seres humanos de função iguala a um computador, na fria razão, a qual serve para deixar o coração tranquilo, num trabalho de psicoterapeuta, que é nos mostrar o Mundo da forma mais fria possível, fazendo com que nos sintamos bem ao sairmos do consultório. O preto no fundo é essencial para que as formas se destaquem, como na maravilhosa Primavera de Botticelli, com as divindades iluminadas sendo respaldadas por um fundo escuro, no discernimento taoista: Quando digo que algo é liso, é porque conheço o oposto, que é áspero, no modo como não existe trabalho que é cem por cento prazer – fácil e difícil são partes do mesmo trabalho, como um artista em turnê: A parte lisa do trabalho é o prazer de se estar num palco se apresentando; a parte áspera é que o trabalho de turnê acarreta em hotéis, estrada, ônibus, aviões e aeroportos, sem falar no trabalho de se transportarem equipe e instrumentos musicais, fora elementos de decoração do palco, em megashows que levam dias para o palco ser feito e desfeito, num espírito de mambembe, circense, nômade, como disse certa vez a diva Dercy Gonçalves: “Eu sou mambembe!”. Vemos aqui um momento de diversão, que são rapazes jogando algum tipo de esporte, na diversão do futebolista, como disse certa vez um jogador, dizendo-se sortudo por ganhar para fazer um trabalho que ama, na parte áspera do trabalho, que é o sisudo treinamento de preparação para nunca subestimar o oponente, na fábula da lebre e da tartaruga, tendo esta vencido uma corrida exatamente porque a lebre subestimou a seriedade do negócio, no termo “não entrar em campo de salto alto”. Vemos árvores sendo colhidas, como eucaliptos em obras de construção, como numa certa estrada, com campos de reflorestamento, no controle da produção de tal material, num ponto em que temos que ouvir os ecologistas, pois a Terra é, realmente, o único lar do Ser Humano, num Cosmos o qual, fora da Terra, tanto conspira contra o Ser Humano. Vemos na base uma forma de sofá, no encanto de se estar em casa, pois há pessoas que não gostam de hotéis, por nesses se sentirem tão longe do conforto da casa, pois o lar o é mesmo sendo modesto, na máxima de O Mágico de Oz: “Não existe lugar como o lar!”. Vemos um grande funil aqui, como no afunilamento de um concurso vestibular, numa prova que seleciona os mais estudiosos, na inevitável competitividade da Vida em Sociedade, como me disse um certo psiquiatra, o qual aprendi a respeitar: “Tens que ter mais agressividade, pois vives num mundo competitivo!”, e não concorremos uns com os outros numa sala de aula? No topo da obra vemos uma lanterna, uma iluminação, num homem iluminando o outro, num auxílio de amor fraternal, na figura do anjo da guarda, um espírito amigo que quer nos ver sempre no bom caminho, no fato de que nenhum de nós está só.

 


Acima, Cabeças de Coco entre a montanha de neve e arranhas céus. No centro uma explosão, uma comoção, um escândalo, uma bomba atômica de comoção, nas palavras de Dalí: “Feliz daquele que provoca o escândalo!”, como uma pessoa que de alguma forma se torna pioneira, desbravando caminhos, no modo como não mérito artístico em trilhar caminhos que já foram trilhados, sendo subartista aquele que sobe num palco puramente para imitar – não tem como ser sério. A bomba é a sequela na pessoa que acionou as infames bombas sobre o Japão na II Guerra Mundial, numa alma que morreu, num espírito tão infeliz, traumatizado para sempre, uma pessoa que morreu por dentro: “O que fiz!”. Na porção acima no quadro, uma cidade metafísica, elevada, de puro pensamento, na noção espírita de que matéria é nada e pensamento é tudo, num plano metafísico no qual estamos livres de problemas terrenos, como sentir muito frio ou muito calor, em dias agradáveis e noites amenas, num lugar de paz, sem estressantes e degradantes prazos, como workaholics em agências de Propaganda, varando madrugada a dentro em um caminho degradante, de falta de respeito pra consigo mesmo, como um certo senhor, o qual, certa vez, sequer se permitiu descansar entre duas jornadas de trabalho – não tem como ser digno ou saudável. Vemos inclementes caminhões jogando seres humanos, em cenas do clássico A Lista de Schindler, com seres humanos sistematicamente executados e queimados, como lenha em lareira, num filme que tanto arrebatou o Mundo, nesses grandes nomes como Spielberg, com uma brilhante carreira, nessas pessoas que chegam ao Mundo e mostram potencial e talento, em homens que tão respeitados se tornam, sobrevivendo por décadas de carreira nesta “selva” que é Hollywood, como Tom Cruise, sobrevivendo desde os anos 1980, num Tom que nem sempre obteve esmagadores sucessos, fazendo do sucesso tal amante infiel. Vemos uma palestra com gráficos num quadro explicativo, numa reunião de empresa, ou numa sala de aula, no trabalho árduo de professor, o qual tem que preparar as aulas antes de ir à instituição de ensino, num trabalho tão fundamental e tão pouco valorizado, no modo como não há professores ricos, como disse uma certa professora a alunos de colégio particular: “Não vamos discutir nossas diferenças!”. Vemos formas como numa firma, num escritório, nos sisos da rotina, como um certo senhor, o qual se dava ao respeito, um senhor que trabalhava, mas não se submetia à vida degradante de workaholic, obtendo sucesso e deslanchando, no caminho do respeitar a si mesmo, no poder fundamental de algo chamado autoestima. No centro vemos algo como uma fogueira de festa junina, na brincadeira de pular a fogueira, nas lembranças doces de festas juninas na infância, no aculturamento no RS, no qual adultos e crianças vão a tais festas juninas vestidos de prenda e de gaúcho com bombachas, no corpo dinâmico que é a cultura popular, onde tudo é processo de transformação. Na base vemos algo como uma cordilheira, como nos Andes, em estações de esqui no Chile e em Bariloche, na magia da neve, com turistas que tanto vão a Canela e Gramado para ver tal raro fenômeno, numa beleza onírica, num fenômeno tão raro no Brasil. Vemos aves voando em círculo, num bando, numa identidade grupal, como podemos observar em grupos de adolescentes, nos quais todos se vestem mais ou menos da mesma forma, como eu certa vez, quando comecei a andar com uma galera que bebia cerveja, e eu, por influência do grupo, passei a apreciar cerveja, um hábito o qual perdi, pois a cerveja me remete a uma fase boêmia da vida que está vivida e que ficou para trás. Vemos algumas formas humanas com chapes cônicos, como nos chapéus chineses, na universalidade do chapéu, que é se proteger. Vemos um trabalho de colheita, como no árduo trabalho da vindima, remetendo a uma certa senhora empregada doméstica, de uma família humilde de viticultores, uma senhora que não queria tirar férias na época da vindima, pois, se fosse tirar férias em tal momento, teria que auxiliar a família na árdua colheita.

 

Referências bibliográficas:

 

CV. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

Paintings. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Akira Aqui (Parte 1 de 7)

 

 

Falo pela primeira vez sobre o pintor japonês Akira Ikezoe, nascido em 1979. Fez oito mostras solos, muitas em Nova York, ou seja, reconhecimento internacional. Fez dezoito mostras coletivas e ganhou nove prêmios. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, sem título (1). Aqui são como microorganismos convivendo num ambiente, numa convivência, como no seriado Chaves, com pessoas convivendo numa humilde vila, com constantes atritos e tensões, na sabedoria popular de que vizinho não se escolhe; vizinho se tem! Aqui os suportes são delgados, finos, frágeis, no discernimento taoista de que grosso é fraco e de que fino é forte, no homem de Tao, um homem muito polido, excessivamente polido, sabendo que tudo é frágil e que precisamos ter delicado tato diplomático, como fiquei sabendo do rei da Tailândia, um homem cordato, que dialoga com as pessoas, numa família popular em seu país, com os livros de diários de viagens de uma certa princesa, fenômeno de vendas na Tailândia, no dom que é o carisma, como dizem que foi morninho o show de Lenny Kravitz no Brasil, um artista o qual, apesar de ser uma grande voz e ter um grande repertório, não soube “atear fogo” na plateia, ao contrário de outros artistas, excitando a plateia, no poder da união e da celebração, no contraste entre as Coreias: No sul, um país em festa, com arte, cor, liberdade, beleza; no norte, um déspota que investe tudo em armamento, num país miserável, num ponto agonizante de ditadura no Mundo, na coragem de chamar de “democracia” tal país. Uma forma aqui é uma serpente, num bicho que, no Cristianismo, simboliza o mal e a malícia; já, em outras culturas, é símbolo de fertilidade e sensualidade, como água escorrendo, na água lutando para sobreviver, na luta de árvores competindo pelo Sol, na luta pela vida, num Deus que quer nos ver lutando pela Vida, ao contrário do morador de Rua, uma pessoa que quer, com toda as suas forças, fugir de tal luta, nas palavras de uma certa canção: “A Vida cobra sério e, realmente, não dá para fugir”, ou nos versos de nosso hino nacional: “Verás que filho teu não foge à luta!”, como meu falecido tio, construindo meio século de atuação no mercado de produtos químicos, um homem guerreiro, digno, deixando tal legado para a família. Outra forma aqui é como um peixe, na esperteza do peixe na água, fugindo furtivamente de predadores, no instinto de sobrevivência, na seleção natural, na qual só os mais espertos passam seus genes para outras gerações, como na cor cinzenta de pombos urbanos, em harmonia com as cores cinzentas da urbe, na sabedoria do camaleão, que é se esconder de presas e predadores, no poder da discrição, em homens tão discretos como Luis Fernando Veríssimo, meu ídolo, o qual vi certa vez num shopping em Porto Alegre, num senhor sendo desrespeitosamente assediado com pessoas querendo fazer selfies com o escritor, um senhor alheio a celebrizações midiáticas, ao contrário do robert, do exibidinho, o qual, no fundo, as pessoas não respeitam muito, como uma certa socialite, a qual quer aparecer por aparecer, simplesmente, uma pessoa para a qual não dá para se tirar o chapéu – sinto muito. Outra forma aqui é como um pote, uma casa de joão de barro, numa casa da felicidade, como uma certa amiga minha, feliz em seu casamento, vivendo uma vida de produtividade e discrição, na capacidade de uma pessoa em fazer escolhas visando tal felicidade, ao contrário de casamentos que naufragam, como hoje em dia, em casais que se separam em meio a um mero desentendimento, ou seja, faltando com a persistência, na sabedoria popular de que ninguém é perfeito, como um não fumante aturando um cônjuge fumante, na questão do fumante passivo. Outra forma aqui é como um gongo, num barulho marcante, como pessoas marcando épocas, em passagens tão poderosas como a de Jesus, atravessando séculos em um legado indelével, propagando conceitos e ideias, pensamentos, no poder do pensamento, que é ir além da matéria, fazendo da matéria uma ilusão, como somos prisioneiro do Capitalismo, de Matrix: Tenho que trabalhar feito um “burro de carga” para produzir capital e, assim, adquirir bens cobiçados de consumo, na questão do endividamento, que é uma pessoa que quer viver acima do que pode, em suaves prestações que se revelam um pesadelo. Aqui, cada um tem seu estilo, numa diversidade que tem que ser respeitada.

 


Acima, sem título (2). Aqui temos uma flexão, uma curvatura, no polido ato japonês de curvatura, como oponentes no judô, num trato entre cavalheiros, numa necessidade de se ter um enorme controle emocional para não levar as porradas para o lado pessoal, no modo como polidez é um valor universal, no tato diplomático, sempre pelo diálogo, no cavalheirismo no fio do bigode, no modo como um homem de Tao jamais recomendará violência, ao contrário de um certo senhor, o qual trilha o caminho de imposição à força, muito diferente da hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, num ponto em que faço questão de obedecer a meu irmão mais depurado. Vemos uma nuvem, uma fumaça, como em chaminés de fábricas, no cheiro de óleo diesel de cidades como Nova York, ou como em Pequim, no curioso paradoxo chinês: De jure, uma ditadura comunista na qual o cidadão não tem poder de mando ou voto, de facto, um país no qual o oprimido cidadão é absolutamente livre para empreender e abrir seu negócio, em pontos agonizantes de comunismo no Mundo, remetendo à época da ditadura militar brasileira, numa época em que a Comunismo era temido, no temor do Brasil ser anexado à URSS, fazendo, assim, tal bloco comunista ser muito poderoso. Vemos uma pequena piscina, na alegria de brincadeiras de verão na água, em doces lembranças com amigos, os quais são o ouro da Vida, no poder do compartilhamento, pois só é válido eu ter as coisas se eu puder compartilhar, no equívoco do personagem Quico, o qual queria passar sozinho seu próprio aniversário e comer tudo sozinho, repreendido pela mãe Florinda, a qual disse que temos que aquecer nossos corações e compartilhar as coisas. Vemos aqui uma forma como luminária, ou castiçal com velas, na iluminação na mente de um artista, buscando tal inspiração, como um popstar elucubrando um videoclipe, em artistas tão profissionais como Jennifer Lopez, esforçando-se para fazer clipes criativos e interessantes, como num genial clipe em que a diva interpreta vários papéis num enredo que se passa dentro de uma boate, num clipe marcante e bem conduzido, na diva dizendo certa vez ao conceber uma fragrância: “Se é para fazer algo ruim, é melhor nada fazer, pois não quero me constranger!”, em pessoas com agressividade, sabendo que o Mundo é um lugar competitivo. O suporte aqui é tal respaldo, num artista se estabelecendo, numa luta, como um certo professor que tive em minha faculdade, o qual enveredou para as Artes Plásticas, tecendo um trabalho tão interessantes, naqueles quadros que nos dão vontade de roubar e levar para casa, fazendo da Arte tal poder civilizatório, no modo como os macacos não pintam, nem dança, nem cantam etc. Arte é uma questão de saúde mental; Arte é visceralmente importante, como no Reino Unido, no monarca condecorando artistas com os títulos nobres de tal reino, como no título de Dama de Liz Taylor. O fundo rubro é tal calor, num tempero latino, num restaurante mexicano que em certa época funcionou em Porto Alegre, com molhos picantes, como tambores vibrantes, no poder das especiarias, as quais seduziram a Europa na Era das Navegações, na delícia de se colocar canela em comidas, como em tortas, pastéis etc., na universalidade da barriga humana, no modo como o sushi ganhou o Mundo, ou no modo como a pizza ganhou o Mundo, no poder da culinária italiana. Vemos um tripé sustentando, como num chefe de família sustentando uma família, remetendo a homens que levam vida dupla, com duas família, sustentando ambas, numa Vida que exige que sejamos unos e íntegros, com uma só Vida, na situação grave que é saber que se têm meios irmãos no Mundo os quais sequer conhecemos, podendo nos topar com eles na Rua sem saber quem são! A nuvem é o sonho, como no personagem Anjinho, do mestre cartunista Mauricio de Souza, sonhando em sua nuvenzinha, no termo da firma hollywoodiana Dream Works, ou seja, Sonhos e Trabalhos, sendo necessário sonhar e trabalhar para concretizar tal sonho.

 


Acima, sem título (3). Assim são como itens de decoração para uma casa, como na casa de uma certa senhora, uma casa decorada com extremo bom gosto, parecendo ter saído das páginas de uma revista internacional de decoração, uma senhora que não teve que contratar qualquer decorador, na dádiva que é a pessoa ter bom gosto, num instinto, como ouvi certa na conversa de duas senhoras: “Sabes como é gosto – não se discute; só se lamenta!”, ou seja, caminho diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, o imaterial, o sacrossanto pensamento, no poder do pensamento de Jesus, trazendo tal conceito inédito espírita do Reino dos Céus, nas cidades espirituais, feitas de pensamento, no modo do grego antigo em projetar tais cidades no metafísico Monte Olimpo, a morada dos deuses, lugares sem as vicissitudes da matéria, do corpo físico, na glória que é o desencarne, num momento em que nos desligamos de todos os problemas relacionados ao corpo físico, como doenças – é a glória, meu irmão! Numa das formas aqui vemos um emaranhado, como numa complexa rede de vias urbanas, numa espécie de labirinto, com placas nos guiando, no incômodo que é transitar por vias desconhecidas e estranhas a nossos olhos, como no supermercado no qual estamos acostumados a fazer compras, pois já sabemos direitinho onde encontrar casa mercadoria, numa familiaridade, como uma pessoa que se muda de cidade, tendo que se orientar e fazer novos amigos, na ilusão de que nossa vida mudará radicalmente só porque nos mudamos de cidade, nas palavras de um certo senhor inteligente: “A Vida é dura e difícil em qualquer lugar!”. Vemos aqui formas fálicas, como no falo patriarcal do Código de Hamurabi, numa séria e expressa advertência: Comporte-se e respeite a lei se você não quiser tomar no cu, com o perdão do termo chulo, com tudo se resumindo a comportamento: Se você se comportar mal, vai de castigo, como pessoas internadas em duras clínicas psiquiátricas, no valor do simples senso comum, o qual é visceral, com línguas em constante processo de transformação, com tudo se rendendo ao senso comum, em línguas mortas como o latim e o egípcio antigo – tudo é processo vivo. Vemos uma forma que parece ser uma folha de árvore, no modo como os campos e florestas vestem roupas maravilhosas, no modo como a beleza de um reino não está nos palácios, mas nas paisagens naturais, na saúde ao ar livre, como cavalgar, como os tropeiros no passado do Rio Grande do Sul, admirados pelos colonos italianos, com estes achando os tropeiros com aspecto de príncipes com seu garbosos cavalos, num bicho tão majestoso, como no altivo cavalo Scadufax, de Tolkien, nobre, cheio de porte e elegância. Aqui vemos uma garrafa, como de vinho, na universalidade do álcool, no saquê japonês, na vodca russa etc., no glorioso momento do happy hour, no qual deixamos de lado as disciplinas sisudas do trabalho, afrouxando gravatas e injetando álcool na corrente sanguínea, como já ouvi dizer numa sitcom americana: As pessoas não gostam do gosto de álcool; as pessoas gostam dos efeitos do álcool. Aqui é como se Akira estivesse pintando uma exposição de esculturas, numa ironia de metalinguagem, que é x falando de x, ou seja, a arte da pintura falando da arte da escultura, como uma atriz interpretando outra atriz, no modo como brilhou a deusa Goldie Hawn na supercomédia O Clube das Desquitadas, sentindo-se muito à vontade em tal papel, em momentos felizes numa carreira, fazendo do sucesso tal amante infiel – hoje, comigo; amanhã, não sei. Uma das formas fálicas é em formato de bala de arma de fogo, no modo como um homem de Tao nada terá a ver com armas, as quais são coisas terríveis, na agressividade do homem ocidental, aproveitando a pólvora para fabricar armas, em países fazendo armas nucleares, punidos pelo “xerifões” de certos países, na competição fálica para ver quem tem o pau maior, com o perdão do termo chulo, em pessoas inocentes envolvidas em guerras que deixam rastros de fome e destruição, na tradicional crueldade do Ser Humano. Aqui as formas diferem umas das outras, como irmãos, com cada um sendo de um jeito, apesar de terem vindo da mesma barriga e terem sido criados debaixo do mesmo teto.

 


Acima, sem título (4). Vemos árvores, vegetação, num bioma rico, numa Terra tão rica em Vida, causando “inveja” ao restante dos planetas do nosso sistema solar, na incessante busca humana por Vida fora da Terra, num Ser Humano que crê que a Vida só pode existir com água e oxigênio, o que pode ser um equívoco, pois se pergunto a um peixe se existe Vida fora da água, o peixe vai dizer: “Não, pois fora da água não se pode respirar!”. Uma árvore aqui tem um caule bem delgado, mínimo, como no desenho animado dos Jetsons, com prédios elevados, sustentados por caules finos, numa relação mínima com a matéria, como na filosofia de Keynnes, que é um estado mínimo, que interfere de forma sutil na economia, num sábio meio termo entre o estado total de Marx e o estado nulo de Smith, no modo como nenhuma forma de radicalismo é saudável, fazendo-nos entender a aversão marxista em relação às religiões, num Comunismo que resultou no endeusamento do estado, vibrando no século XX, mas caindo de podre depois, como diziam de Lula nas eleições de 1989, dizendo que o petista confiscaria comunisticamente nossos bens, na amarga ironia de que foi seu oponente, o Collor, quem acabou confiscando as poupanças dos brasileiros, numa história que acabou mal, com um impeachment, como um certo senhor ex prefeito, arrogante, sendo impeachado, proibido de exercer cargos públicos por anos, numa espécie de prisão, no modo como só damos valor à liberdade quando a perdemos, como na prisão de Bolsonaro – claro que é um inferno. Na base vemos uma formação rochosa, numa base sólida, como a catedral de Caxias do Sul erguida sobre uma altiva rocha, deixando bem claro o poder do Vaticano, o qual, é claro, sofre com a perda de fiéis para outras igrejas, remetendo a homens excepcionais como Francisco, um homem simples, na capacidade do rei de Tao, que é estar perto do povo, com tantos líderes sendo rechaçados pelo povo, como Romanov, engolido pelo Comunismo, um rei que passou a obter tanto poder, oprimindo o cidadão comum, como na Revolução Francesa, acontecendo por causa do preço do pão, num Palácio de Versalhes que era uma bolha alienada de privilégios, na superficialidade do Ser Humano, pois o rei que se afasta do povo é deposto por este, na noção taoista: Se não me oponho ao povo, ele não vai me depor, na capacidade de um homem em se manter simples, como uma certa senhora rica, uma mulher simples – ela tem o ouro, mas o ouro não a tem. Na base vemos uma espécie de piscina, em brincadeiras doces de verão, na simplicidade da criança, deliciada com a beiramar, numa época em que a Vida é mais simples, no residual metafísico que a criança traz ao reencarnar, em épocas de vida em que as amizades são puras, sem interesses. Vemos um arco, que é a humildade e a polidez de se curvar, em civilizações tão polidas e educadas como a japonesa, no poder de um país de primeiro mundo, num japonês o qual, se quiser ir para Nova York, não precisa de visto, ao contrário do brasileiro, precisando de tal documento de permissão, nas palavras certa vez de Marta Suplicy: “Como o Brasil é pobre!”, em consonância com os pensamentos de FHC, o presidente intelectual, sem eu aqui querer aborrecer os petistas! Vemos uma espécie de torre, como uma Torre de Babel, na ambição humana de tocar o céu, em torres altivas como em Balneário Camboriú, numa cidade que tanto se elitizou, no mesmo processo dos preços de uma certa cidade, em preços pouco módicos, como eu certa vez num café da cidade, o qual me cobrou, por um expresso e um refrigerante, três ou quatro vezes mais do que em uma cafeteria normal – é um horror. Aqui as coisas se erguem, na luta pela Vida, ao contrário do morador de Rua, querendo fugir da luta, nos abismos sociais brasileiros, em heranças do Brasil Colônia, no preto pobre escravo, como mostra a telenovela Sinhá Moça, com seres humanos jogados numa senzala como cães num canil, tudo em nome das ambições dos barões do café.

 


Acima, sem título (5). Uma das formas é a forma altiva de coroas de faraós, unificando o Alto e Baixo Egito, na dádiva do Nilo, no modo como os impérios humanos sobem e descem, num Egito que já foi uma potência militar temida pelos reinos vizinhos, e hoje é um país reduzido a sítio arqueológico, no formato abrasivo e agressivo das pirâmides, pontiagudas, afiadas, num recado claro de poder: Não se meta com os egípcios! Uma forma aqui parece um pente, no ritual diário de arrumação em frente a um espelho, preparando-se para o momento de interação social, na pessoa com autoestima, que se arruma, no exemplo da figura do psicoterapeuta, sempre arrumado, dando ao paciente um exemplo de tal autoestima, numa pessoa que se esforça para ser exemplar, nas palavras de uma certa senhora: “Nós somos representantes de algo!”. Numa das formas vemos um corpo, como um inseto, na beleza do corpo humano, há milênios inspirando a Arte, na naturalidade inofensiva do nu, como numa praia de nudismo, sem malícia, na deliciosa sensação de liberdade de se caminhar nu por tal orla, na inocência da nudez de menininhos com pênis minúsculos, como numa certa fonte de Porto Alegre, nos menininhos “urinando” água no chafariz, em algo tão natural que é a micção, abrangendo todos os seres humanos e diversos seres vivos. Vemos uma forma de dois ramos que se geram de um só ramo, como gêmeos siameses, como num vínculo de amor e amizade, numa união entre povos, num Deus que quer que sejamos amigos uns dos outros, e não no caminho da guerra e da raiva, as quais são menores do que a paz, na paz do Plano Superior, onde estamos entre amigos, nos versos da canção do cantor gaúcho Duca Leindecker: “Sonhei que as pessoas eram boas em um mundo de amor, e acordei neste mundo marginal!”, fazendo menção à Terra, o plano em que o amor e amizade são tão, mas tão subestimados, remetendo aos sociopatas, pessoas que mentem incessantemente, acabando sepultadas “como um cachorro”, sem a capacidade de amar ou ser amado, ensinando à criança tal discernimento entre bem e mal: Quando um herói precisa de ajuda, os outros amigos heróis o ajudam; quando um vilão precisa de ajuda, os outros vilões não o ajudam! Então, o sociopata, desde pequeninho, vê que a Sociedade deplora o comportamento malévolo, e o sociopata, assim, veste uma “máscara” e leva vida dupla, como no filmão Fargo, num pai de família que vive vida dupla ao forjar o sequestro da própria esposa, assim como pessoas com duas vidas, duas casas, duas proles etc., num mundo que exige que sejamos unos e íntegros, merecedores de respeito, no modo como o Mundo só considera quem é digno de tal respeito, em oposição a sinais auspiciosos bobinhos, como alas vip de boates. Vemos uma forma que serpenteia sensualmente, numa modelo numa passarela, caminhando como uma deusa, no modo como já ouvi dizer que o mundo da Moda é de um brilho superficial – eles fingem que são deuses e nós fingimos que acreditamos, pessoas que parecem ser deuses, mas só parecem. Vemos uma torre pontiaguda, como em países ricos do Oriente Médio, com as vicissitudes materiais das tempestades de areia, como já ouvi dizer de tais tempestades: Entra areia nos olhos, nos ouvidos, na boca e no nariz, e tais percalços materiais são a prova de que é a imperfeita Terra quem tenta imitar o perfeito Céu, este um lugar sem extremos climáticos, com dias agradáveis e noites amenas, pois, em tal plano, estamos livres da sensibilidade climática de nossos corpos carnais. Aqui é como uma diversidade colorida num panteão, no paganismo que por milênios reinou na Humanidade, na revolução monoteísta, com um só de Deus Pai, sem deuses, mas espíritos depurados que gozam da suprema felicidade, no caminho do aprimoramento moral, o qual é capital para que a Terra seja um mundo de paz e harmonia – se minto para você, é porque não amo você! Aqui tudo parece brotar, com raízes ocultas, numa árvore forte, com raízes profundas, numa vida centrada em labor e produtividade, ao contrário da pessoa que não faz merda alguma, com o perdão do termo chulo.

 


Acima, sem título (6). Um vaso é tal proveniência, como na denominação Vale dos Vinhedos, para os vinhos de Bento Gonçalves, RS, num passeio tão belo, parecendo que estamos nas lindas vinícolas do Vale do Napa, Califórnia, EUA, com ônibus de turistas fazendo compras, em gigantes produtoras como Valduga, Miolo e Salton, com vinhedos até onde a vista alcança. O vaso é o cuidado, como criar um filho, cercado de cuidados, no desafio de se colocar valores nobres na cabeça da criança, evitando falar palavrões na frente da criança, nessa responsabilidade de sustentar um lar, como um certo senhor, “sambando” em meio a tal encargo, trabalhando de Sol a Sol para dirigir um belo carro e morar num belo apartamento, com tudo construído com trabalho, como na coleção de joias de Hebe Camargo, uma mulher sábia que disse em entrevista: “Em amizade não pode haver cobrança”, no caminho espírita do amor incondicional, sem cobranças, no amar sem querer algo em troca, como amar um sociopata, um irmão, o qual devo amar, um irmão que passará por muitas vidas e tornar-se-á um grande espírito de luz, num futuro brilhante pela frente – ninguém é sociopata para sempre, no caminho de esperança do Espírito Santo, lembrando-nos da passagem de Jesus pela Terra, na maior cabeça de todos os tempos, no poder do pensamento, o qual é tudo; matéria é nada. Aqui é como uma loja de enfeites, com coisas expostas, ou como um museu, em lugares poderosos como o novaiorquino Met, com milênios de Arte, num país rico, que pode bancar tal vida cultural pulsante, remetendo ao supremo Louvre, no qual precisamos, pelo menos, de sete dias dentro do estabelecimento para darmos conta de tudo que lá existe, tal a riqueza, fazendo de Paris, de certa forma, o centro do mundo civilizado, nos versos de uma certa canção: “Paris, centro do Mundo!”. Uma das formas tem como um penacho no topo, como uma glamorosa vedete, no poder de sedução em artistas que tão bem sabem se vender, como numa formidável Lady Gaga, talentosa, boa cantora, ousada, estranha, extravagante, marcante, exuberante, em mulheres exuberantes como Gabi Amarantos, a qual é a prova de que a pessoa bela o é estando acima ou abaixo do peso, como essas grandes atrizes, deusas em qualquer idade, como Maggie Smith, reinando até os últimos trabalhos da carreira, no instinto de uma pessoa saber se vender. Vemos uma mesinha, como um suporte, como um padrinho, madrinha ou aliado poderoso, o qual nos ajuda a obter o respeito das pessoas, com pessoas para nos abrir portas na indústria, como uma certa mamãe poderosa, abrindo portas para o filho, remetendo àqueles que vieram do nada e conquistaram seu espaço, como Marisa Monte, deslumbrando-nos desde o início de tal brilhante carreira, tornando-se uma lenda viva da MPB. Uma das formas parece uma corneta, como uma vuvuzela, num barulho, na metáfora de como anunciar é importante para um produto ou serviço: ambas galinha e pata colocam seu ovo, mas a galinha vende mais porque faz mais barulho ao colocar tal ovo, em artistas que sabem que o marketing é importante. Vemos uma forma um tanto espinhosa, como espinhos na roseira, espinhos que a evolução entalhou, pois tais espinhos protegem a flor de ser consumida por predadores, no trabalho de se tirar tais espinhos de buquês de rosas, fazendo menção ao Plano Superior, no qual não há espinhos, numa vida nobre de produtividade, no exemplo de Tao, o qual está sempre criando, e se Ele é ocupado, o que me faz pensar que posso ser desocupado? Aqui é como cada pessoa tem suas características, em diferenças respeitadas, como na distinção da rica galeria de personagens de Chico Anysio, no privilégio do Brasil ter tido aqui tal gênio cômico, no poder do palhaço, que nos fazer rir de nós mesmos! Aqui é como uma exposição nos pavilhões da Festa da Uva, com as empresas exibindo orgulhosamente seus produtos, numa diversidade de mercado, nas palavras de Barbra ao fim de um espetáculo: Somos equivalentes e, definitivamente, não somos iguais!

 

Referências bibliográficas:

 

CV. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

Paintings. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.