quarta-feira, 24 de junho de 2026

Akira Aqui (Parte 3 de 7)

 

 

Falo pela terceira vez sobre o pintor japonês Akira Ikezoe. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Cabeças de Coco no céu estrelado. Vemos telas de Cinema, numa arte tão popular, a cara do século XX, na figura do cinéfilo, “viciado” em tal arte, como um certo crítico profissional, editor chefe de um portal excelente, quiçá o melhor do Brasil. A tela são as projeções da mente humana, como no Mito da Caverna, com pessoas ali dentro olhando para as auspiciosas projeções na parede interna, ignorando a saída de tal prisão, num indivíduo escravo de um sistema: Tenho que trabalhar arduamente para produzir capital e, deste modo, adquirir bens cobiçados de consumo, na metáfora de Matrix, que é um sistema que aprisiona a pessoa, como em ditaduras, nas quais o cidadão não pode se opor, reduzindo um ser humano a uma pilha alcalina, a serviço de um sistema. Vemos uma ordenação, como na disciplina de uma sala de aula, na tarefa complicada de se manterem na linha crianças e adolescentes, remetendo a uma certa senhora freira, diretora de um colégio católico, uma freira duríssima, assustadora, grossa por vezes, na tarefa de impor tal bom comportamento, como eu disse recentemente a alguém: Para se aturar criança, é preciso que se tenha um saco enorme, numa prova de paciência. Vemos bois abatidos num matadouro, em carnes circulando pelo Mundo, numa imagem que também podem ser vacas sendo ordenhadas, numa produção massiva de leite, um produto ainda muito desejado pela Humanidade, em eventos como o Festiqueijo, em Carlos Barbosa, RS, com vinhos e queijos à vontade, na divertida imagem de rapazes jovens caídos no chão, bêbados de tanto vinho, nas lições que as ressacas nos ensinam, como em comerciais de cerveja: Aprecie com moderação, pois uma coisa é apreciar o sabor da bebida; outra, injetar álcool irresponsavelmente no sangue. Aqui é como no dia a dia de uma empresa, com casa pessoa exercitando sua função, como em linhas de montagem de carros, um processo longo e complexo, por vezes com robôs, os quais, teoricamente, são perfeitos, mas que podem apresentar falhas, pois são feitos pela errante mão humana, nas imperfeições inevitáveis, no modo como não há tenista perfeito, que sempre acerta, remetendo a um certo senhor, o qual, ao jogar tênis e errar a jogada, atirava com raiva e força a raquete no chão, fazendo esta ficar deformada pelos choques, no modo como a paz é maior do que a raiva, num caminho de controle emocional, como em lutadores profissionais, não deixando a porrada ser levada para o lado pessoal. Vemos em detalhe injeções de sangue vermelho, como no ato de doação de sangue, como uma certa senhora, a qual doa sangue periodicamente, num “Complexo de Madre Tereza”, uma pessoa bem intencionada, é claro, como no ato de doação de órgãos, num ato de amor fraternal, como tudo, tudo mesmo, resume-se a amizade, pois os amigos são o ouro da vida, e Deus quer nos ver amigos uns dos outros, no caminho natural da Eternidade, que é a resolução de desavenças, e tudo acaba se resolvendo, no modo como a raiva não é eterna; apenas a paz é eterna. Vemos funcionários carregando baldes com água, em trabalhos árduos, como gari varrendo ruas, uma pessoa cuja vida é uma vassoura, com mãos calejadas e costas cansadas do labor, no ato deselegante das pessoas de se jogar lixo no chão, deixando tudo a cargo do gari, esta uma pessoa sem a qual a vida em sociedade seria impossível, remetendo às cidades espirituais, metafísicas, as quais são limpíssimas e bem administradas, sem a raiva dos vândalos, os quais querem destruir a Vida em Sociedade. Vemos um homem na base erguendo uma espada, em tal símbolo de poder, agressividade, no princípio fálico, como no falo do Código de Hamurabi, alertando e assustando o cidadão comum: Se você não quer se dar mal, respeite a lei! E a Sociedade tem seus meios para punir o infrator, como dizem que o Presídio Central de Porto Alegre é uma sucursal do Inferno, como cem por cento dos detentos com verminose, remetendo a infelizes em prisão domiciliar, pois posso estar preso num lindo palácio, e ainda assim será uma prisão, na fato de que só damos valor à liberdade quando a perdemos. Vemos uma escadinha para se trepar numa árvore, num caminho de ascensão social, como pessoas querendo ascender socialmente, embarcando em tolos sinais auspiciosos, os quais seduzem o coração e fazem a pessoa sofrer em tais auspícios, como tediosas alas vip de boates.

 


Acima, Cabeças de Coco nos ciclos selvagens. Aqui é um quadro mais complexo do que de costume na obra de Akira. O azul é a cor do céu, dos sonhos, num industrial ambicioso, construindo um império, como no sucesso de Luiza Trajano, num império de lojas Brasil afora, uma empresária a qual, em sua competência, sabe que é imprescindível a qualidade no atendimento, e, de fato, sentimo-nos muito bem vindos no Magazine Luiza, com vendedores em prol do cliente, querendo ajudar este, e, realmente, quando entramos em lojas da concorrência, não nos sentimos muito bem atendidos, no atendimento que sempre pesa muito. Vemos um curral de vacas, como em currais eleitorais, com pessoas ignorantes, que não sabem que o voto no Brasil é secreto, nas nobres intenções democráticas da urna eleitoral, num momento de igualdade no qual não há cor, sexo, casta social, religião etc., respirando os ares da Revolução Francesa, no auge do paradigma democrático: O presidente é um dos nossos, nosso irmão, o qual elegemos para nos governar por um tempo apenas, derrubando os poderes divinos da sucessão monárquica, no paradoxo inglês: O rei reina, mas não governa! Podemos ouvir aqui a barulheira rotineira dos sons de trabalho, no momento em que a sirene toca e todos estão dispensados de seu trabalho, seja na hora do almoço, seja na hora do fim do expediente, remetendo a uma fase de minha vida, na qual fui workaholic, impedindo a mim mesmo de viver, de ter sábados domingos e feriados de folga, remetendo a um certo senhor, o qual era esforçado e trabalhava, mas um senhor que se dava ao respeito, negando-se ser workaholic, um senhor que acabou deslanchando e obtendo sucesso, na sabedoria popular de que respeito é para quem se dá ao respeito, e o Mundo não vai abonar você por você ser workaholic; o Mundo nada se importa. Vemos um grande funil, como num processamento de alimentos, na luta contra a má alimentação, em trabalhos como o de nutricionistas, num personagem de um filme de Woody Allen, aquele um senhor que estava casado com uma mulher que o fazia comer corretamente, remetendo a grupos de risco cardíaco, como obesos fumantes, no modo como é poderosa a indústria do tabaco no Brasil, com tantos, mas tantos brasileiros que fumam vários cigarros ao dia, quiçá duas carteiras inteiras por dia. Vemos uma esteira, como numa esteira de lixo seletivo, num trabalho minucioso de triagem, numa reciclagem nunca imaginada antes dos anos 1990, na revolução que é a separação do lixo seco do orgânico, no fato: Quando separamos o lixo, damo-nos conta de quanto lixo produzimos! Vemos uma montagem de uma piscina, num símbolo de status social, que é ter uma piscina em casa, como ter um gramado na frente de casa, num “cartão de visitas” da casa, como uma senhora, a qual se deprimiu ao se frustrar com tentativas de dar uma guinada na sua própria vida, construindo para si uma bela piscina, e a depressão é isto, uma grande frustração com a vida, uma pessoa cuja vida foi empobrecendo existencialmente, numa doença que simplesmente nos tira a vontade de viver, num conselho simples: É só tomar um remedinho receitado pelo psiquiatra. Vemos coisas sendo iluminadas, no esclarecimento racional, vendo o Mundo da forma mais fria e racional possível, como astrônomos explicando o Cosmos, longe do homem primitivo, que via divindades nas estrelas da noite no céu, na crença então considerada suprema e insuperável: Os deuses nos regem e nada há superior a eles! Então veio a revolução monoteísta, mostrando que não há deuses, mas nossos irmãos de apuro moral superior, na irresistível hierarquia espiritual: Faço questão de obedecer a meu irmão mais depurado do que eu, ao contrário do caminho do Ser Humano, que é impor tudo a força, violência e grosseria, num Ser Humano que ainda não aprendeu que fino é forte e que grosso é fraco. Vemos alguns vulcões em erupção, nas forças da Natureza, como tempestades de areia, num Ser Humano que se vê obrigado a lidar com tais vicissitudes.

 


Acima, Cabeças de Coco revivendo a civilização egípcia. Na base vemos deuses, no costume egípcio de unir corpos humanos a cabeças de animais da natureza de tal país, como chacais, escaravelhos, gatos etc., na revolução herege de Aquenáton, abolindo os deuses e transgredindo milênios de arte tradicional egípcia, um rei que foi odiado em seu próprio tempo, apagado de registros oficiais de tal império célebre, na sabedoria de que a verdade é a filha do tempo, fazendo do reinado de Aquenáton um dos momentos mais singulares e interessantes da história de tal civilização, no poder da transgressão, a qual serve para provocar evolução num determinado corpo social. O fundo é quente, caloroso, laranja, rubro como fogo, como nos anos 1960 em Londres, com a juventude de roupas coloridas, psicodélicas, contrastando com uma Londres fria e cinzenta, úmida, com londrinos de rosto pálido, fruto de poucos dias de Sol na urbe inglesa, no poder da juventude, que é trazer revoluções, no modo como precisamos ver mais juventude e transgressão no tapete vermelho das celebridades, como a atitude transgressora de Gaga, uma bomba atômica de atitude, construindo um substancial fã clube ao redor do Mundo, numa imagem de esperança aos que se sentem oprimidos, como na imagem de esperança do Espírito Santo, no glorioso dia de libertação, como disse eu a um querido ente desencarnado: Você está na glória; você está desencarnado; você está  livre de todos os problemas relativos ao seu corpo físico. Vemos um camelo bebendo água, nas necessidades de um ser vivo, na condição de ter de haver água para haver Vida, num Ser Humano que ainda pouco sabe sobre o que existe além da Terra, como galáxias longínquas, na frase absurda: Há mais estrelas no Universo do que grãos de areia na Terra! É como é perguntado a Deus no filme Dogma: Por que tudo isso? Por que tão vasto e grande? É na máxima islâmica: Alá é grande! E a intolerância é o caminho do mal, pois as religiões são caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, na universalidade do drama humano e da espiritualidade humana, no choque na Europa entre católicos e protestantes, em execuções cruéis, como queimar pessoas vivas em fogueiras, num Ser Humano notadamente cruel como sempre. Vemos uma esteira de montagem, como num divertido episódio do seriado de Lucille Ball, com a comediante tendo de arcar com doces numa veloz esteira de fabricação, tendo que comer bombons para não desperdiçar, no poder do riso, algo tão humano e formidável, no senso de humor de Tao, o grande palhaço, como assistir a uma boa comédia no teatro ou no cinema, com apenas duas diretrizes: Sentar e rir! Vemos aqui o árduo serviço de construção de pirâmides, com operários tão explorados em nome da vaidade de reis, num rei tão duro e inflexível, considerado um deus pelos seus súditos, em túmulos de tanta imponência como as grandes pirâmides, num abismo social tão profundo, na crença espírita de que, ao desencarnar, a pessoa perde os “anéis de poder mundano”, só podendo entrar no Céu se tal pessoa tiver humildade, fazendo do Umbral isso, a dimensão dos que não querem se desapegar do mundano, e o que você diria de um prisioneiro o qual não quer sair da prisão no glorioso dia de soltura? Não é o caminho da loucura? As pirâmides, além de serem uma construção extremamente estável, têm um aspecto abrasivo e agressivo, num expresso aviso na era de ouro de tal império: Não desafie o Egito! E os impérios humanos vão assim, ascendendo e descendendo, com vaidades que sobem e caem, permanecendo a imagem de humildade do Menino Jesus, em sua humilde manjedoura, no caminho da simplicidade, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, na noção taoista do caminho autodidata da Vida: As pessoas têm que aprender por si mesmas o que é simplicidade. No topo, uma porta aberta, uma válvula de escape, uma saída, numa pessoa que quer fugir um pouco e ficar um pouco sozinha, nas necessárias pitadas de solidão que a Vida nos exige ter.

 


Acima, Escolhas e sanduíches. A tesoura é tal instrumento de barbeiro, nos instrumentos de labor, no siso do labor e da produtividade, numa jornada de trabalho, no sentido da pessoa ser útil ao Mundo, como a senhora minha avó, a qual me mostrava suas velhas mãos e dizia: “Estas mãos foram úteis ao Mundo, pois com elas lavei, passei, cozinhei e costurei!”, no sentido da dignidade, como uma certa psiquiatra, já falecida, a qual levou uma vida produtiva, auxiliando os que tinham problemas espirituais, desencarnando e voltando de cabeça erguida ao Plano Superior, num clima de missão cumprida – parabéns, doutora! O prendedor é tal trabalho de dona de casa, numa árdua vida de Maria, nas palavras de uma certa dona de casa: “Eu me matando para manter esta casa limpa e organizada!”. Aqui é um esclarecimento e um discernimento, no misterioso feminino sendo elucidado pelo claro masculino, como certa vez na imprensa caxiense, apresentando à comunidade as candidatas a rainha da Festa da Uva, exibindo às claras objetos nas bolsas das meninas, como na intimidante Galadriel de Tolkien, estranha, glacial, bela e pura, como uma horrível aranha sendo iluminada, como uma aranha de cristal, longe das figuras idealizadas de fadinhas da Disney, no pedido de Tolkien aos herdeiros: Nunca vender para a Disney os direitos de minha obra, pois a história do anel é sombria, falando da fraqueza do Ser Humano perante tal poder, como um certo senhor embriagado de poder, dizendo energicamente: “Eu sou o chefe!”. Aqui é claro que temos uma organização, como numa faxina colocando uma casa em ordem, na árdua dupla jornada de uma mulher, trabalhando durante o dia e, ao chegar em casa cansada, ainda tem mais serviço dentro de casa, como atualmente no Governo Federal pedir o fim da escala 6 x 1 sem redução salarial, dando mais descanso ao trabalhador brasileiro, pois o trabalho dignifica, mas não pode oprimir o cidadão. Aqui é como num buffet em café da manhã de hotel, com tudo disposto de forma bonita, num buffet rico e colorido, cheio de opções, nessas deliciosas mordomias de hotel, no qual nos sentimos reis, muito bem recebidos, no talento de anfitrião de nos receber, no coração generoso de um anfitrião, como as socialites recebendo convidados, no amargo fato de que festas não marcam época, pois a festa é um breve momento de desligamento, pois, no dia seguinte, a Vida volta em toda a sua seriedade, remetendo a um certo senhor, cujo sonho era ir a tais pomposas festas, com eu tendo o desejo de dizer para tal senhor: “É só uma festa!”. Aqui é um trabalho de análise, como no meu próprio trabalho aqui no blog, analisando obras de Arte, num trabalho científico de análise, ou como numa psicanálise, no paciente confiando no médico e abrindo as porta de sua mente, como no trabalho de decodificar códigos oníricos analisando os sonhos que a pessoa tem de noite, no sentido de que tais sonhos nos dão mensagens existenciais. Vemos um fone de ouvido, na poderosa arte que é a Música, movendo-nos de certa forma, no slogan de uma certa rádio FM: “Conectada com o que move você!”, fazendo da Arte algo tão imprescindível e necessário na Vida em Sociedade, pois Arte é uma questão de saúde mental, no poder do artista em mexer conosco e atiçar nossa inteligência emocional, algo inacessível ao sociopata, cuja inteligência é fria e puramente esquemática, num caminho de total insensibilidade e anti-humanidade, como um certo sociopata, insensível à comoção mundial de um megahit de Whitney Houston. Vemos uma lagartixa, na variedade de Vida na Terra, uma esfera tão rica e única, abrigando o Ser Humano, no modo como, fora da Terra, o Cosmos é hostil. Vemos um formato de pizza, nessa comida que tanto seduziu o Mundo, num dos pratos preferidos do americano, na sedução da culinária italiana, a qual ganhou o Mundo, contrastando com a simples cozinha inglesa. Aqui é como cada objeto tem suas particularidades, no estilo pessoal de cada um, na máxima: Respeite o jeito de cada um. É como numa família de vários filhos, cada um com suas particularidades, mesmo tendo vindo da mesma barriga e criados debaixo do mesmo teto, sob os mesmos valores.

 


Acima, Faces. Aqui é como um cardume de peixes, com numerosos cardumes fugindo do predador, confundindo este, no instinto de esperteza e de manutenção da espécie, pois os pouco espertos não passam seus próprios genes às próximas gerações, como em pombos urbanos, discretos e suas cores cinzentas, de concreto e asfalto; de urbe. Vemos uma casinha, num refúgio, no lar que tanto nos acolhe, no zelo materno de manter tal casa abastecida e organizada, no “choque térmico” que é sair de casa para se morar sozinho, sentindo muita falta de tais zelos maternos, até chegar ao ponto da pessoa aprender a morar sozinha, no inevitável caminho de emancipação, no modo como não criamos nossos filhos para nos mesmos; criamos nossos filhos para o Mundo, e não para um submundo escuro e fétido, alienado do Senso Comum, um senso imprescindível na vida de uma pessoa, no “choque térmico” que é desgarrar de um vício, pois é muito fácil dizer a um narcodependente que é só parar de se drogar. Vemos uma viçosa abóbora de Halloween, numa celebração tão americana, tão típica dos EUA, num momento em que a pessoa veste uma fantasia para se expressar, como num baile à fantasia, no qual nos expomos ao ridículo, com eu mesmo indo a tal baile fantasiado de faraó, num dos maiores micos de toda a minha vida, no valor da reserva e da discrição, que é ter uma vida nobre e produtiva. Vemos um tronco oco de árvore com a face de um fantasma, ou no famoso Grito de Munch, numa perplexidade e numa comoção, naquelas pessoas que nos deixam perplexos, na figura do bruxo, que é uma pessoa de gigante inteligência emocional, no caminho do bem e da concórdia, ao contrário do homem embriagado de poder, como Saddam, dizendo energicamente aos subalternos: “Não estou pedindo; estou mandando!”, num homem que acabou tão mal, enforcado oficialmente, indo, é claro, para o Umbral, a dimensão dos que não querem deixar o mundano para trás, como um prisioneiro que não quer sair da prisão, no caminho da loucura. Vemos uma chaleira, na delícia de se estar em casa e preparar uma bebida quente, no costume gaúcho, uruguaio e argentino de tomar o chimarrão, na universalidade de tal bebida, como no chá chinês de jasmim, no chá japonês e no chá inglês, num gole quente que traz conforto em um dia londrino de inclemente frio úmido, que penetra nos ossos, na roda de chimarrão, algo complicado para quem tem TOC, pois são todos na roda que colocam a boca na mesma bomba de aço do chimarrão! Vemos um tronco de corpo masculino, no costume de jogadores de Futebol tirando a camisa após terem feito um gol, um ato dispensável, pois do que adianta o jogador ter músculos, mas não ter competência no gramado? Vemos um inseto, nas variedades biológicas, na ironia da cadeia alimentar, que são os herbívoros comendo plantas e os carnívoros comendo os herbívoros, como no grande blockbuster Parque dos Dinossauros, uma comoção mundial, fazendo de Spielberg tal monstro sacrossanto de Hollywood, e a Meca do Cinema é assim mesmo: Uns se tornam gigantes memoráveis que marcam para sempre a história de tal arte; outros, nem tanto. Vemos formas que parecem ser tomadas elétricas, no termo “colocar o dedo na tomada”, que é a pessoa levando um intenso choque de realidade, num impacto, como uma batida de carro, no papel de psicoterapeuta em nos dar tais choques se necessários. Vemos uma forma de OVNI, com anteninhas de alienígena, no contraste do seriadão Arquivo X: Mulder querendo provar a existência de vida alienígena, frente a uma Scully cética e racional, com os pés no chão, no casamento universal entre razão e loucura, como num certo desenho animado de dois ratinhos, sendo um a racionalidade e outro a emoção, como no contraste de casais típicos japoneses, com ele fechado e antipático e ela doce e receptiva, com ela personificando Yin dele e ele personificando o Yang dela, algo inevitável em casais heterossexuais, no ato de se cumprimentar apenas um dos membros do casal – o casal está cumprimentado!

 


Acima, Futuro primitivo – prateleira. Aqui é ironia de metalinguagem, pois é a arte do pincel de Akira falando da arte da decoração, no bom gosto de se decorar bem um ambiente, no caminho do bom gosto, como uma certa senhora já falecida, decorando por si só a própria casa, fazendo parecer que tal casa veio das páginas de uma revista internacional de decoração, uma senhora que sequer teve que contratar um profissional, num caminho autodidata, no qual a pessoa tem que aprender por si. Aqui temos uma casa organizada e limpa, num lar de fato, nas palavras de um texto de uma comédia teatral com Ney Latorraca: “Que delícia que é casa! Casa é uma delícia!”. Vemos uma planta bem delgada e elegante, altiva, erguendo-se por um lugar ao Sol, como uma pessoa em busca de meios para se expressar, como um certo rapaz em Porto Alegre, o qual era decorador de vitrines, batalhando pela cidade, pedindo permissão para decorar tais vitrines, numa luta constante, nos versos de uma certa canção: “Agora você está em Nova York, selva de concreto onde os sonhos são feitos – nada que você não possa fazer!”. A plumagem da planta remete ao ousado figurino de Cher quando esta foi consagrada no Oscar, nesses artistas que sabem que atitude e estilo são importantes, pois só a voz não garante o estrelato, remetendo a um certa cantora, a qual já lançou vários álbuns, tendo várias chances de deslanchar, mas que sempre acabou fracassando, pois se trata de uma artista com boa voz, mas sem atitude, e Gaga, além de boa voz, tem muita, muita atitude, no caminho da simplicidade da atitude, no famoso vestido de pedaços de carne de Gaga – custo financeiro, zero por cento; atitude, cem por cento, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação. Neste quadro vemos muitas plantas, que são a Vida, pois a Vida é o nervo da Arte, nos tambores africanos reproduzindo as batidas do coração, na fluidez do sangue e da seiva, do líquido da Vida. Aqui não é acumulação, mas coleção, pois os objetos são dispostos de forma ordenada e organizada, como num museu, ao contrário da casa de acumulador, um caos insalubre, sujo, confuso e degradante, com pilhas de objetos que vão do chão ao teto, na imagem do Tio Patinhas nadando em seu dinheiro, num acumulador que vê tais objetos como um tesouro, e não como uma doença, como num filme em que DiCaprio interpreta um milionário com TOC, obcecado com higiene, passando horas debaixo da torneira lavando as mãos, ao ponto de gerar feridas nas palmas de tais mãos, num caminho de sofrimento, pedindo urgente tratamento. Aqui remete a uma coleção de objetos de meu falecido cunhado, um homem que viajou por muitos lugares, trazendo para casa tais bens, numa coleção altiva dentro de casa, numa coleção ordenada e bem disposta, longe de casa caótica de acumulador. Num dos objetos, vemos um emaranhado e uma confusão, como numa guerra, com a confusão reinando no caos, com ambos os lados atirando com armas, no caos de uma guerra mundial, marcando e sequelando gerações, como a geração de minha avó, jovem na II Grande Guerra, numa época em que simplesmente não havia clima para realizar a Festa da Uva, a qual só retornou ao calendário caxiense no ano de 1950, remetendo aos alegres filmes com Carmen Miranda, num breve momento em que o público se desligava dos horrores bélicos, numa figura de festa, cor e alegria, com a alegria tropical na política de boa vizinhança entre Brasil e EUA. Na base vemos um túnel, como rochas cortadas, nos trabalhos humanos de se fazerem estradas e vias, como vias aéreas, nas tecnologias que servem ao princípio da preguiça: Por que ficar horas numa viagem de carro se posso fazê-lo em poucos minutos num avião? É como viajar entre Porto Alegre e Florianópolis: seis horas de carro frente a vinte minutos de voo! Aqui é como uma loja decorada, enchendo os olhos do cliente, na capacidade de uma pessoa sem se vender de certo modo, como uma certa popstar, a qual, definitivamente, sabe se vender, num instinto autodidata.

 

Referências bibliográficas:

 

CV. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

Paintings. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Akira Aqui (Parte 2 de 7)

 

 

Falo pela segunda vez sobre o pintor japonês Akira Ikezoe. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Bordas. Aqui remete a estampas de uma grife se bolsas de luxo, nesses bens tão cobiçados, numa pessoa que vira uma escrava de vitrines de shopping, num sistema que nos aprisiona: Tenho que trabalhar feito “louco” para produzir capital e adquirir tais bens, na metáfora de Matrix, num sistema opressor, como numa ditadura, no cidadão sob controle de um sistema. A azul é a cor de gloriosos dias de céu de brigadeiro, sem uma única nuvem, para olharmos para o céu, enchermos os pulmões de ar e agradecer por termos saúde, pois tudo gira em torno de saúde, havendo saúde perfeita no Plano Superior, onde estamos desligados de qualquer problema relativo ao corpo carnal, numa gloriosa libertação, com tudo se definindo no que desejamos fazer de nossos dias de cárcere na Terra – uns levam uma vida nobre e produtiva, voltando de cabeça erguida ao Céu, no clima de missão cumprida; outros, nem tanto, como uma certa senhora inativa, rica e, ao mesmo tempo, miserável, ou como outra certa senhora, dona de uma inteligência ímpar, sem colocar para o Mundo tal inteligência, num desperdício, como Andrea Bocelli cantando Atirei o pau no gato. Aqui remete a um antigo videogame, o Tetris, com formas geométricas caindo, fazendo com que encaixássemos as peças na base da tela, num desafio, numa chuva intermitente de formas, numa corrida contra o tempo, no modo como os games eletrônicos ganharam o Mundo, com crianças viciadas em tais games, como um certo rapaz, o qual ficava o dia inteiro dentro de uma quarto escuro jogando, em pleno dia de ensolarado verão, com amigos lá fora o convidando para se divertir, ou seja, não é muito saudável tal vício, com pais com a responsabilidade de controlar tal compulsão por games. Aqui vemos formas delgadas, finas, no discernimento taoista de que fino é forte de e grosso é fraco, mas num ser humano que sempre acaba se confundindo, apelando para a grosseria. Aqui remete a um quadro do mestre Magritte, com homens delgados caindo como chuva, no poder de certos artistas em desenvolver uma identidade, uma marca registrada, adquirindo reconhecimento ainda em vida, ao contrário de grandes nomes como Van Gogh, reconhecido postumamente, mergulhando em depressão e frustração, sentindo toda a dureza do Mundo, como miseráveis artistas de rua, fazendo seus números em semáforos, ganhando por dia uma quantia irrisória, sentindo na pele tal indiferença do Mundo. Aqui são como ícones numa tela de computador, ou de celular, em dispositivos de tanta flexibilidade, com tudo hoje em dia se resumindo a tais equipamentos móveis, fazendo obsoletas as máquinas de foto e de filmar, deixando perplexa minha geração, que foi criança nos anos 1980, ainda vivendo em meio à era analógica, com o filme fotográfico, na expectativa de retirar as fotos no laboratório e ver os resultados, avanços tecnológicos que são triviais para as gerações mais jovens, que nasceram a partir dos anos 2000, uma geração completamente digital, sem ter ideia do telefone fixo de gancho e disco, ou das cartas pelo correio, fazendo com que hoje e-mail seja algo tão trivial e comum, ao contrário dos anos 1990, época em que e-mail era para lá de chique, do tipo: Quando acordo, a primeira coisa que faço, antes de tomar café, é ler meus e-mails! Hoje em dia, com as redes sociais, tal tecnologia é banal – o que será que virá após a era download e streaming? Aqui é como na cena do filme A Rainha, na monarca organizando os objetos sobre a mesa, num sentimento de ordem e controle, impondo ordem ao caos, num trabalho de organização, como colocar uma casa em ordem, nas palavras de uma certa senhora ao brigar com o próprio marido: “Eu me matando para manter esta casa limpa e organizada!”, fazendo do casamento tal terreno frágil, sendo uma pena quando um casal  rompe, pois casal é uma coisa tão bonita! Aqui são como confetes de carnaval caindo, na magia de um colorido baile de carnaval, com cada um com suas fantasias, como no Halloween americano, no modo da pessoa se expressar por tal fantasia, numa diversão, desligando-se um pouco do sisudo dia a dia. Nessa variedade de objetos, vemos uma varinha de fada, com uma estrelinha, no discernimento infantil: Ou algo é todo do bem, ou é algo todo do mal. Aqui é como jogadores dispostos na cancha de vôlei, na pressão por resultados e vitória.

 


Acima, Buracos. O violão é o impulso da Arte, aquilo que nos interpela como seres humanos, aquilo que tanto nos faz humanos, pois os macacos até podem ter alguma inteligência, mas não pintam, não canta, não dançam etc. A Arte só é detectável pelos que têm inteligência emocional, havendo no sociopata tal inteligência fria, esquemática, insensível a apelos subjetivos. A sacola de mercado é a demanda do dia a dia, com compras que precisam ser feitas, nas demandas do dia, na ocupação de uma dona de casa em manter a casa abastecida, com uma despensa farta, cheia de produtos, naquele pai herói, que nunca deixa algo faltar dentro de casa, em pesos de responsabilidade, que é ter filhos no Mundo. A abóbora sorridente é o Halloween, na tradição americana de cavocar as abóboras e colocar luzes dentro, numa festa que aos poucos vai sendo absorvida pelo Brasil, na universalidade do Ser Humano, que é celebrar um pouco a Vida, desligando-se do siso por algum momento. A máscara africana é tal universalidade da Arte, como desenhos geométricos indígenas, como no hotel de O Iluminado, com tapeçarias de arte indígena, num caminho de identidade, como no Cinema Brasileiro, com a enorme incumbência de se conferir uma identidade a tal cinema nacional, sendo inevitável a poderosa influência de Hollywood, esta uma indústria para lá de consolidada, no slogan de um certo estúdio, com uma tradição secular: “Um legado de excelência”, fazendo do Cinema tal rosto do século vinte, no ponto decisivo da chegada do som ao cinema, transformando em arte algo que era uma banal distração muda. Vemos um pé de meia, numa bagunça natural, com em casas com crianças pequenas, sempre desorganizadas, no modo como é necessária uma paciência enorme par aturar tais “pentelhinhos”, como num cruel orfanato, com tutores que perdem a paciência, remetendo a um certo rapaz órfão, que cresceu num lar de órfãos, dizendo ter muitas vezes apanhado de tais tutores, na sabedoria popular de que paciência tem limite! Vemos uma caverna, no Mito da Caverna, na pessoa aprisionada por superstições, escrava de um sistema, com o papel do filósofo, de Neo de Matrix, acordando para o fato de ser um escravo, no papel libertador da Filosofia, na amarga ironia de que a Filosofia não muda o Mundo, pois nem a suprema e avassaladora passagem de Jesus pela Terra foi capaz de sanar os problemas do Ser Humano, como guerras, mas um Jesus que segue sendo uma figura na qual podemos depositar esperanças, na metáfora cromática: Num aguerrido mundo de amarelos versus azuis, seja verde! Vemos um toco de árvore com um buraco, que é o lar, a casa, o refúgio da pessoa na sabedoria de que não existe lugar como o lar, remetendo ao pobre rapaz que presta serviço militar, um rapaz sequelado por tal experiência cruel, como no menininho de Cidadão Kane, arrancado de seu paraíso de infância, balbuciando no leito de morte o nome do seu adorado trenó de neve, remetendo a um tempo em que a vida era mais simples, na simplicidade infantil, que é se contentar com pouco, como me ensinou uma pessoa extraespecial: Não precisamos ser donos de meio mundo para sermos felizes! Vemos um buraco preto, que é a perdição de um vício em drogas, como um grande amigo meu, o qual se viciou em cocaína, uma droga a qual, após o pico de euforia, sobra seu preço, numa depressão pós pico, com a pessoa acordando se sentindo um naco de merda, com o perdão do termo chulo, sem vontade sair da cama, na ilusão da cocaína, que faz com que nos sintamos, momentaneamente, o suprassumo, como um popstar estourando nos quatro cantos do Mundo, com zilhões de dólares na conta bancária – é a sedução da droga. Vemos um vulcão, em tragédias como a de Pompeia, nos desastres naturais que são a prova de que é a imperfeita Terra o que tenta imitar o perfeito Céu, nas vicissitudes da matéria, as quais acabam por nos fazer crescer, sendo se tornar uma pessoa melhor o sentido da Vida.

 


Acima, Cabeças de Côco ao redor do estúdio de cerâmica. As pessoinhas são os vassalos, os escravos, forçados a uma vida árdua, de trabalhoso forçados, como na construção das descomunais pirâmides do Egito, em túmulos de tanta, tanta grandiosidade, até num exagero, chegando a um ponto em que não era mais possível erguer tais construções, construindo-se então o Vale do Reis, sepultando os monarcas de formas mais simples e discreta, na perfeição do trabalho egípcio, com túneis e cômodos perfeitamente lineares, esculpidos na rocha, perfeitos como apartamentos e casas de paredes, teto e chão retos, em monarcas “loucos” como Aquenáton, demandando a construção de toda uma cidade num local ermo da margem do Nilo, com trabalhos forçados, com escravos com problemas ósseos, tal o labor árduo, num faraó que, de tão odiado, foi apagado dos registros oficiais do Egito de então, fazendo com que só recentemente os egiptólogos tenham reconstituindo tal etapa. Vemos uma forma circular como uma piscina, como em casas de luxo, com piscinas, remetendo a uma certa senhora, a qual quis dar uma guinada na vida, fazendo uma plástica, reformando a casa e construindo uma bela piscina, uma senhora que se deprimiu anos depois, vendo que seus esforços nada adiantaram, no erro de se querer encontrar as coisas fora de si mesmo, numa vida que foi mostrando que tudo continuou a mesma merda, com o perdão de termo chulo. Aqui é como na construção de um grande parque temático, rezando a lenda de que Walt Disney, ao visitar a Cidade das Crianças, na Argentina, inspirou-se para construir o parque da Disneylândia na Califórnia, num lugar em que voltamos a ser crianças, como em Gramado, com seus doces chocolates, numa cidade em que tudo é feito para encantar o visitante, mas uma cidade que se torna enfadonha ao visitarmos demais, com muita frequência, na sabedoria taoista de que tudo que é demais, enjoa, mesmo lugares tão belos como tal urbe turística. Vemos um trabalho de colheita, como no Egito, com as cheias do rio enchendo de riquezas fertilizantes a beira, no baile das estações, na beleza de casa estação climática, em lugares como Nova York: No verão, um “forno de padaria”; no inverno, dias de tanta neve que a prefeitura orienta o novaiorquino a não sair de casa! Vemos aqui pórticos arqueados, como os dutos da Lapa, no Rio de Janeiro, uma cidade a qual, do topo do Cristo Redentor, parece ser limpa, perfeita, pacífica e apolínea, sendo, de perto, tal urbe de diversos problemas, como a criminalidade e a pobreza. Vemos num detalhe o planeta Saturno, com seus sedutores anéis, em uma esfera tão singular e bela, na busca incessante de vida fora da Terra, num sistema solar frio, gélido, com gelo duro como pedra, no modo como, fora da Terra, o Cosmos conspira contra o Ser Humano, nas palavras do filme impecavelmente concebido Gravidade: “A Vida é impossível no espaço”. Num detalhe vemos quatro homens dispostos linearmente como ponteiros num relógio, numa simetria, simetria a qual Niemeyer evitou ao conceber o Congresso em Brasília, com o domo do senado sendo menor do que o da câmara, puxando o para o lado do senado o prédio de duas torres, num equilíbrio assimétrico, feito por quem sabe fazer Arquitetura, fugindo da obviedade clássica simétrica. Vemos operários carregando carrinhos com pedras, nas demandas do dia, do esforço, como Jô Soares, o qual, depois de falar piadas e bobagens, dizia, na hora de convidar a pessoa a ser entrevistada: “Vamos trabalhar!”, no sentido de disciplina e de encarar o labor, numa Gisele para os fãs num set de filmagem: “Desculpem, gente, mas tenho que trabalhar!”, num caminho de humildade e pés no chão, sem se deixar levar pelo sucesso, na sabedoria de que a arrogância precede a queda. Vemos pássaros brancos, na cor da paz, do Espírito Santo, numa imagem de esperança. Aqui é um dia ordinário de trabalho, com os inevitáveis barulhos do labor, como máquinas funcionando, ou faxineiras usando aspiradores de pó, no humilde trabalho de gari, no modo como nenhum labor é insignificante, sendo tudo parte da grande carreia espiritual.

 


Acima, Cabeças de Coco com água e areia. Na base vemos uma grande plantação, na revolução da Agricultura, quando o Homem passou a controlar a produção de alimentos, remetendo à árdua vida de imigrante italiano no RS, com suas mãos calejadíssimas pelo labor na lavoura, num trabalho de Sol a Sol, trazendo mais trabalho do que a caça, pesca e coleta, na universalidade da divisão de trabalho, com as funções mais agressivas sendo feitas pelos homens, como uma mulher indígena coletando coisas na mata, um trabalho análogo ao de se fazerem compras, como uma certa mulher ianomâmi que se casou com um homem civilizado, com tal mulher amando fazer o trabalho de compras. Vemos um trilho com cargas transportadas, como uma vida estruturada, nos trilhos, num siso de responsabilidade, que é não se descuidar da Vida, como me disse uma grande amiga em Porto Alegre: “Não se descuide de sua faculdade!”, pois um amigo verdadeiro quer nos ver sendo feliz; quer nos ver indo para a frente, remetendo às amizades fúteis, as quais só são para o momento de festa e de diversão, amizades que, definitivamente, não são um ombro amigo para o qual podemos desabafar e colocar nossas questões existenciais, no discernimento entre amigo e semiamigo, sendo este uma pessoa que não torce contra, nem a favor. Vemos bobinas erguendo coisas, no labor diário da firma, como no império de metalurgia que a tradicional família caxiense Eberle construiu, uma família que tanto enriqueceu nas demandas bélicas da II Guerra Mundial. Aqui vemos bens sendo feitos, na Revolução Industrial, na ironia de que a Inglaterra foi o berço de tal revolução, sendo a primeira nação do Mundo a se industrializar, e, hoje em dia, é um país desindustrualizado, com bens sendo manufaturados em outros países, principalmente a China, sendo esta tal gigante global, poderoso, rico, num cidadão chinês absolutamente livre para empreender, na contradição de que este mesmo cidadão não pode ir a público falar mal do governo, na máxima que imperava certa época no Brasil: “Ame-o ou deixe-o”, com levas de pessoas se exilando em outros países, como Caetano em Londres, numa urbe fria e cinzenta, muito longe da alegria tropical do Brasil, da Bahia, um estado que é um país à parte, como no padrão de se tomarem dois banhos por dia, ao contrário do sul do Brasil, no qual o padrão é apenas um banho diário, fazendo de um Brasil tão amplo uma colcha de retalhos, feita de vários Brasis. Vemos aqui operários confeccionando uma máscara africana, na brincadeira carnavalesca de se usarem máscaras, num baile em que extravasamos nossa fantasia, numa festa tão brasileira, enchendo de luz e calor os olhos do turista, fazendo do Rio de Janeiro tal potência turística, como abrigar megashows nas areias de Copacabana, numa prefeitura que precisa “sambar” para recolocar em ordem as areias de tais eventos, com vários dias de trabalho de limpeza, no paradoxo carioca: Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos. Vemos operários carregando baldes, nas demandas do labor diário, como no humilde gari, cuja vida é uma vassoura, numa vida tão dura, num labor de causar dores musculares, como nas costas, pessoas pobres, que pouco devem ganhar de salário por tal árduo labor, como num humilde artista de Rua, pedindo dinheiro em semáforos, numa vida tão, mas tão dura. Vemos aqui coisas sendo enroladas e desenroladas, como no dia e dia de uma firma, com coisas rotineiras, no siso rotineiro, trazendo os momentos de festa, um momento em que nos desligamos por algum momento, no extraordinário abraçando o ordinário, como num desfile da Festa da Uva, com carros alegóricos mostrando o trabalho manual do colono e de seus descendentes, fazendo de tal celebração uma festa de identidade, como em urbes de vindimas italianas, abraçando seus passados medievais, numa Itália que hoje em dia restringiu enormemente os critérios para a retirada do cobiçado passaporto bordô; numa Itália sobre a qual já ouvi dizer – um país que não vê com bons olhos o brasileiro. Aqui, o faraó comanda tudo, como um prefeito, cheios de responsa, como tocar obras de manutenção de canos na Rua.

 


Acima, Cabeças de Coco criando uma mostra de Arte. Vemos luzes de holofotes, como no batsinal para chamar Batman para defender Gotham City, numa franquia tão poderosa no cinema, com um certo diretor que conduziu com competência, ao contrário de outro diretor, o qual produziu filmes risíveis, que desrespeitavam o personagem, nessa fortíssima identidade hollywoodiana, numa indústria tão bem estabelecida, ao contrário do Brasil, no qual ninguém fica rico fazendo cinema, remetendo à heroica família Barreto, alimentando a cultura nacional, no legado de Fabio Barreto, um grande brasileiro, um homem que queria exportar a imagem do Brasil, num homem que obteve poder de príncipe, com as pessoas se unindo em torno dele no intuito de transformar um romance em filme, fazendo do sucesso tal amante infiel, num Fabio que apenas uma ver na carreira foi indicado a um Oscar, como na carreira de um popstar, nem sempre fazendo álbuns de esmagador sucesso. Vemos aviões num disciplinado pátio de aeroporto, numa ordenação para evitar acidentes, como num momento da franquia Matrix, com seres humanos de função iguala a um computador, na fria razão, a qual serve para deixar o coração tranquilo, num trabalho de psicoterapeuta, que é nos mostrar o Mundo da forma mais fria possível, fazendo com que nos sintamos bem ao sairmos do consultório. O preto no fundo é essencial para que as formas se destaquem, como na maravilhosa Primavera de Botticelli, com as divindades iluminadas sendo respaldadas por um fundo escuro, no discernimento taoista: Quando digo que algo é liso, é porque conheço o oposto, que é áspero, no modo como não existe trabalho que é cem por cento prazer – fácil e difícil são partes do mesmo trabalho, como um artista em turnê: A parte lisa do trabalho é o prazer de se estar num palco se apresentando; a parte áspera é que o trabalho de turnê acarreta em hotéis, estrada, ônibus, aviões e aeroportos, sem falar no trabalho de se transportarem equipe e instrumentos musicais, fora elementos de decoração do palco, em megashows que levam dias para o palco ser feito e desfeito, num espírito de mambembe, circense, nômade, como disse certa vez a diva Dercy Gonçalves: “Eu sou mambembe!”. Vemos aqui um momento de diversão, que são rapazes jogando algum tipo de esporte, na diversão do futebolista, como disse certa vez um jogador, dizendo-se sortudo por ganhar para fazer um trabalho que ama, na parte áspera do trabalho, que é o sisudo treinamento de preparação para nunca subestimar o oponente, na fábula da lebre e da tartaruga, tendo esta vencido uma corrida exatamente porque a lebre subestimou a seriedade do negócio, no termo “não entrar em campo de salto alto”. Vemos árvores sendo colhidas, como eucaliptos em obras de construção, como numa certa estrada, com campos de reflorestamento, no controle da produção de tal material, num ponto em que temos que ouvir os ecologistas, pois a Terra é, realmente, o único lar do Ser Humano, num Cosmos o qual, fora da Terra, tanto conspira contra o Ser Humano. Vemos na base uma forma de sofá, no encanto de se estar em casa, pois há pessoas que não gostam de hotéis, por nesses se sentirem tão longe do conforto da casa, pois o lar o é mesmo sendo modesto, na máxima de O Mágico de Oz: “Não existe lugar como o lar!”. Vemos um grande funil aqui, como no afunilamento de um concurso vestibular, numa prova que seleciona os mais estudiosos, na inevitável competitividade da Vida em Sociedade, como me disse um certo psiquiatra, o qual aprendi a respeitar: “Tens que ter mais agressividade, pois vives num mundo competitivo!”, e não concorremos uns com os outros numa sala de aula? No topo da obra vemos uma lanterna, uma iluminação, num homem iluminando o outro, num auxílio de amor fraternal, na figura do anjo da guarda, um espírito amigo que quer nos ver sempre no bom caminho, no fato de que nenhum de nós está só.

 


Acima, Cabeças de Coco entre a montanha de neve e arranhas céus. No centro uma explosão, uma comoção, um escândalo, uma bomba atômica de comoção, nas palavras de Dalí: “Feliz daquele que provoca o escândalo!”, como uma pessoa que de alguma forma se torna pioneira, desbravando caminhos, no modo como não mérito artístico em trilhar caminhos que já foram trilhados, sendo subartista aquele que sobe num palco puramente para imitar – não tem como ser sério. A bomba é a sequela na pessoa que acionou as infames bombas sobre o Japão na II Guerra Mundial, numa alma que morreu, num espírito tão infeliz, traumatizado para sempre, uma pessoa que morreu por dentro: “O que fiz!”. Na porção acima no quadro, uma cidade metafísica, elevada, de puro pensamento, na noção espírita de que matéria é nada e pensamento é tudo, num plano metafísico no qual estamos livres de problemas terrenos, como sentir muito frio ou muito calor, em dias agradáveis e noites amenas, num lugar de paz, sem estressantes e degradantes prazos, como workaholics em agências de Propaganda, varando madrugada a dentro em um caminho degradante, de falta de respeito pra consigo mesmo, como um certo senhor, o qual, certa vez, sequer se permitiu descansar entre duas jornadas de trabalho – não tem como ser digno ou saudável. Vemos inclementes caminhões jogando seres humanos, em cenas do clássico A Lista de Schindler, com seres humanos sistematicamente executados e queimados, como lenha em lareira, num filme que tanto arrebatou o Mundo, nesses grandes nomes como Spielberg, com uma brilhante carreira, nessas pessoas que chegam ao Mundo e mostram potencial e talento, em homens que tão respeitados se tornam, sobrevivendo por décadas de carreira nesta “selva” que é Hollywood, como Tom Cruise, sobrevivendo desde os anos 1980, num Tom que nem sempre obteve esmagadores sucessos, fazendo do sucesso tal amante infiel. Vemos uma palestra com gráficos num quadro explicativo, numa reunião de empresa, ou numa sala de aula, no trabalho árduo de professor, o qual tem que preparar as aulas antes de ir à instituição de ensino, num trabalho tão fundamental e tão pouco valorizado, no modo como não há professores ricos, como disse uma certa professora a alunos de colégio particular: “Não vamos discutir nossas diferenças!”. Vemos formas como numa firma, num escritório, nos sisos da rotina, como um certo senhor, o qual se dava ao respeito, um senhor que trabalhava, mas não se submetia à vida degradante de workaholic, obtendo sucesso e deslanchando, no caminho do respeitar a si mesmo, no poder fundamental de algo chamado autoestima. No centro vemos algo como uma fogueira de festa junina, na brincadeira de pular a fogueira, nas lembranças doces de festas juninas na infância, no aculturamento no RS, no qual adultos e crianças vão a tais festas juninas vestidos de prenda e de gaúcho com bombachas, no corpo dinâmico que é a cultura popular, onde tudo é processo de transformação. Na base vemos algo como uma cordilheira, como nos Andes, em estações de esqui no Chile e em Bariloche, na magia da neve, com turistas que tanto vão a Canela e Gramado para ver tal raro fenômeno, numa beleza onírica, num fenômeno tão raro no Brasil. Vemos aves voando em círculo, num bando, numa identidade grupal, como podemos observar em grupos de adolescentes, nos quais todos se vestem mais ou menos da mesma forma, como eu certa vez, quando comecei a andar com uma galera que bebia cerveja, e eu, por influência do grupo, passei a apreciar cerveja, um hábito o qual perdi, pois a cerveja me remete a uma fase boêmia da vida que está vivida e que ficou para trás. Vemos algumas formas humanas com chapes cônicos, como nos chapéus chineses, na universalidade do chapéu, que é se proteger. Vemos um trabalho de colheita, como no árduo trabalho da vindima, remetendo a uma certa senhora empregada doméstica, de uma família humilde de viticultores, uma senhora que não queria tirar férias na época da vindima, pois, se fosse tirar férias em tal momento, teria que auxiliar a família na árdua colheita.

 

Referências bibliográficas:

 

CV. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

Paintings. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.