quarta-feira, 13 de maio de 2026

AC: Assim Contemporâneo (Parte 1 de 4)

 

 

O pintor canadense Alex Colville (1920 – 2013) integra as coleções de diversos museus, inclusive o MoMa de Nova York. Teve onze publicações sobre seus trabalhos. Fez mais de vinte mostras, com seu debut em uma mostra em 1951. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Refrigerador. Aqui é uma imagem de intimidade, perdendo qualquer pudor, como num certo filme, com o casal comendo, em pé, da mesma panela, sem qualquer formalidade, como nos versos de uma certa canção brega: “Completamente apaixonados, perdendo toda nossa timidez!”. A geladeira é a frieza racional, a qual serve para proteger o coração de sofrimentos, pois ouvir somente o coração é sofrer, no termo “paixão”, que é sofrimento, como uma pessoa que conheci certa vez, uma pessoa tão sofrida, que levava uma vida duríssima, tendo que trabalhar feito um “escravo” para ganhar um dinheirinho que só servia para pagar as contas, sem poder acumular muito. É como num filme com Ethan Hawke e Gwyneth Paltrow, com ela esnobando ele, exigindo muito dele, exigindo uma proposta sólida de casamento, e no fim do filme ela o aceita finalmente, e eles ficam juntos, na questão de exigir uma proposta sólida, sempre ouvindo a cabeça, como uma dama antiga, avaliando qual pretendente tem o maior dote, como na junção de duas pessoas pragmáticas, pés no chão, sabendo que o casamento é, antes de tudo, uma sociedade, um trato e um contrato, deixando em segundo plano o afeto e o prazer sexual, ao contrário do sofredor que se deixa guiar pelo traiçoeiro coração. Aqui a nudez é mista, e agrada tanto quem gosta de mulher, quanto de homem. É a inocência da nudez, como no Éden antes da maçã infame, quando veio a malícia, remetendo a uma grande amiga minha, uma freira que foi minha professora no Ensino Fundamental, uma senhora que dava aulas de Educação Sexual exatamente para neutralizar a malícia na mente dos jovens alunos, com esta freira pensando: “Esta meninada mal ‘quebrou a casca do ovo’ e já está supermaliciosa me relação a Sexo!”, e existe nudez mais inocente do que a do feto na barriga da mãe? Os gatos são a beleza, no termo em inglês “catwalk”, ou seja, caminhar do gato, referindo-se às passarelas de Moda, com as belas modelos desfilando, brilhando como deusas, no modo como já ouvi dizer que o mundo da Moda é de um brilho bem superficial, num mercado volúvel, sempre em busca do frescor de rostinhos novos, um mercado cruel, que descarta facilmente tantos modelos, remetendo a uma certa lindíssima mulher, a qual não deslanchou como modelo porque não tem altura suficiente, uma mulher a qual, apesar de ser de uma beleza de uma Helena de Troia, nunca obteve sucesso, talvez por não ter muito instinto ou carisma, uma mulher de uma persona um tanto antipática e arisca, fechada, refratária, por assim dizer. Aqui é o aconchego do lar, na experiência traumática do serviço militar, no rapaz que é arrancado de seu lar, como o protagonista de Cidadão Kane, arrancado de seu paraíso de infância, balbuciando, no leito de morte, o nome de seu amado trenó de neve, o Rosebud, numa época em que a vida era mais simples, como um certo senhor, o qual sofreu tal rompimento, tendo que se fazer homem desde cedo na vida, como no filmão O Império do Sol, no personagem que passa pela II Guerra Mundial, começando o filme menino e acabando homem, finalmente voltando ao lar depois do conflito que tanto mal trouxe à Humanidade, na eterna inclinação humana em direção à crueldade, como queimar pessoas vivas em fogueiras, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo coisas que Ele jamais faria – é um horror. O homem bebe, no prazer de um drinque no glorioso momento de happy hour, injetando um pouco de álcool na corrente sanguínea depois de um engravatado e sisudo dia de obrigações profissionais, como na hora do recreio nos colégios, uma pausa para curtirmos um pouco a Vida, no modo como a Vida não é só obrigação, nos versos em O Iluminado: “Muito trabalho e pouca diversão fazem de Jack um bobão!”, no modo bíblico como até Deus descansou no sétimo dia, remetendo aos workaholics, pessoas que não se dão ao respeito, varando madrugada adentro trabalhando e sofrendo como um escravo – não tem como ser saudável. O piso em xadrez é a ludicidade, em tardes de infância jogando jogos de tabuleiro com amigos, em desafios como o Xadrez, exigindo tanto de nossa inteligência.

 


Acima, Sala de estar. O cão é o descanso necessário, a pausa que divide duas jornadas – para o pragmático, a noite é para descansar e abraçar no dia seguinte uma nova jornada; já, para o sensível, é um momento de se apreciar as estrelas e perguntar-se sobre os segredos do Universo, nos versos de uma certa canção: “Pois a noite pertence ao amantes; pois a noite pertence a nós!”. A sensibilidade é a reação humana perante a Arte, e a função desta é mexer conosco como seres humanos, pois, se não mexe, não é Arte, visto que o frio sociopata ignora completamente a Arte, pois esta só atinge quem tem inteligência emocional, remetendo a um certo sociopata, totalmente insensível ao megahit I Will Always Love You, da deusa Whitney Houston, uma artista cuja voz foi destruída pelas drogas, no modo como nesse business que é o Showbusiness, as pressões são enormes, numa pessoa que tem que ter uma estrutura psicológica para aguentar tal pressão – como você acha que é um país inteiro pressionando você para você trazer o Hexa para casa? É muita pressão, nas palavras da personagem valentona Dona Florinda: “Já vou avisando que não gosto que me pressionem!”. A mulher toca o piano e perfuma a sala com música, como um artista de rua, o qual está trabalhando e não mendigando, perfumando a rua com tal som, numa vida tão dura, num Mundo tão insensível, tão indiferente, nas palavras de um artista que vendia na Rua coisas feitas a partir de latas de alumínio: “É fácil me ajudar – é só me dar dinheiro!”, num Mundo que pode ser tão duro, gerando pessoas empedernidas, nos versos de uma certa canção: “Os homens vão ficando frios (...) E, no final, todos perdemos nosso charme!”. O senhor sentado é o ócio, o descanso ouvindo a música da esposa, num momento necessário de contemplação, mas nunca em excesso, pois não há sentido em uma vida estritamente contemplativa, e todos temos que produzir de alguma forma – como posso tirar o chapéu para uma pessoa que não faz merda nenhuma, com o perdão do termo chulo? Remete a uma certa senhora rica, a qual é, ao mesmo tempo, miserável, numa vidinha bem desinteressante, na qual só lhe resta fofocar e cuidar da vida dos outros, certamente já tido falado bem mal de mim – vá tomar no cu, minha senhora, com o perdão do termo chulo. A janela é a perspectiva, um vislumbre de oportunidade, como numa pessoa com tino empresarial, com iniciativa de empreender, em profissionais tão bem sucedidas e respeitadas como Luiza Trajano, guiando tão bem um império de lojas pelo Brasil, com o foco no atendimento, num cliente que se sente muito à vontade numa loja Magalu, pois, em lojas da concorrência, já não nos sentimos tão bem recebidos, no modo como a qualidade no atendimento pode pesar muito na hora da compra. Aqui é uma ironia de metalinguagem, pois é coisa falando de coisa, ou seja, a arte do pincel de Alex falando da arte musical do piano, no inevitável modo como as artes estão umas dentro das outras, no poder da sensibilidade humana, fazendo da Arte tal poder civilizatório, na Cultura Erudita que começa nos bancos escolares, num Brasil que tanto carece de cultura civilizatória, em problemas como a evasão escolar, em programas do Governo Federal para manter o jovem até o fim do Ensino Médio, remetendo a um ex aluno de minha mãe, professora aposentada, um rapaz que largou o colégio para trabalhar, e como posso conseguir bons empregos se sequer tenho o Ensino Médio completo? O cão dorme ao som do piano, numa canção de ninar, como uma Barbra cantando para sua afilhada pequena, nesses talentos monstruosos, que nos deixam perplexos, numa voz que, apesar de ter envelhecido, não perdeu a excelência, ao contrário de vozes destruídas pelas drogas, malditas estas sejam. Aqui é um espectador num show de um artista, como nesses megashows nas areias de Copacabana, numa prefeitura que tem que “sambar” para recolocar tais areias em ordem, recolhendo toneladas de dejetos como resíduos plásticos, os quais são um problema ecológico no nosso planeta. Aqui há um relacionamento – uns fazem; outros apreciam.

 


Acima, Sete corvos. Os corvos remetem ao onírico videoclipe Frozen, de Madonna, com esta caindo e se fragmentando em vários corvos, no poder mágico da Arte, como a Arte em civilizações antigas ou tribais, com rituais de magia que arrebatam o Ser Humano, na Arte como uma janela para contemplarmos Tao, pois os estilos de Arte são caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, em caminhos tão diferentes um do outro, como a Música Clássica e as vertentes de Heavy Metal, no caminho da Terra da Estrela da Manhã, no sangue estelar que corre em nossas veias, nos versos de uma canção da megadiva Lady Gaga: “Todos nascemos superestrelas!”. O terreno ermo é a necessidade de termos alguns momentos de retiro e solidão, remetendo a um certo casamento que não deu certo, pois a esposa foi trabalhar com o marido, e isto provavelmente sobrecarregou o relacionamento, pois casa e firma são planos diferentes um do outro, e tudo o que é demais, enjoa, e isso inclui o cônjuge, na advertência taoista em relação aos excessos: Cavalgar nos campos é bom e excitante, mas vai enlouquecer você se você cavalgar demais! Aqui remete a uma pessoa que achava que dava para fugir da Vida, uma pessoa que quis ser ratão de praia em Floripa, amando os meses de verão na bela ilha, mas observando o verão indo embora, numa orla que se tornou erma, solitária e deprimente, numa pessoa que viu que queria fazer algo que não se pode fazer, que é fugir da Vida, remetendo ao morador de Rua, sendo este uma pessoa que quer, com todas as suas forças, fugir da luta, nos versos de nosso hino nacional: “Verá que filho teu não foge à luta!”, remetendo às pessoas perdidas, que não veem que é necessário que a pessoa se centre em algo nobre, no sentido de colocar os pés do chão e parar de fazer da Vida uma reles aventura sem rumo. Aqui é a Natureza que não cessa, como nas ondas à beiramar, requebrando o ano inteiro numa praia, indiferentes aos modos humanos de organizar o ano, como o doce verão vago frente ao sisudo inverno de responsabilidades, na fábula da formiga e da cigarra: A formiga trabalhou o ano inteiro para se preparar par ao inverno duro, trabalhando para um dia se aposentar, pensando no futuro. Os corvos andam em bando, como num grupo de amigos, como em grupos de adolescentes, nos quais podemos observar que os integrantes se vestem mais ou menos da mesma forma, num caminho de identificação, no termo “diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és”, remetendo a uma querida amiga minha, a qual começou a cheirar cocaína num grupo de cheiradores, na suma recomendação: Nunca se envolva com drogas, seja fabricando, vendendo ou consumindo! O rumo aqui é galgado instintivamente, no instinto de uma pessoa em crescer e destacar-se, pois não há livro ou faculdade que nos ensine a brilhar, na noção taoista: As pessoas precisam aprender por si mesmas o que é simplicidade, como num Luis Fernando Veríssimo, dizendo que um escritor tem que ser claro ao colocar as palavras no papel, como na claridade das obras do mito Botticelli, com tudo colocado com clareza, como uma aranha feita de cristal, como certa vez num jornal caxiense, falando sobre candidatas a rainha da Festa da Uva, com as bolsas “iluminadas” das candidatas, mostrando o que não pode não faltar nas bolsas das mulheres, como no contraste de Tolkien entre Galadriel e Laracna: Aquela, iluminada, com os segredos elucidados, num poder de luz e numa água fria, porém que cura e limpa; já, a Laracna é um monstro horrível, cheio de escuridão fétida, em algo que tanto pavor causa aos aracnofóbicos, num lugar negro do submundo, com espíritos se arrastando e sofrendo num submundo que é um labirinto escuro, horrível, cheio de pistas falsas e armadilhas, numa prisão para a mente. Aqui remete aos pássaros quero-quero no Rio Grande do Sul, no seu canto que embala as terras sulistas, na capacidade fina de se verem belezas em paisagens e seres naturais, como deuses egípcios, aludindo seres como crocodilos, gatos, chacais etc.

 


Acima, Sobrevivente. Aqui é a curiosidade humana, enviando sondas espaciais sistema solar afora, numa Humanidade que sequer sabe se há vida no Universo fora da rica Terra. Aqui é como um voyeur espionando as casas dos outros, como no malfadado filme Invasão de Privacidade, num tarado pervertido que vigiava as casas de todos no seu prédio, instalando, em segredo, câmeras pelos apartamentos, monitorando tudo de dentro de uma sala secreta em seu apartamento, num filme que, no frigir dos ovos, nada tem de interessante para dizer, e Hollywood é assim, com uma doença crônica, que é a escassez de bons projetos, num paradigma indestrutível de tal indústria: Um bom filme parte de um bom roteiro, boas letras no papel, em histórias bem contadas, pois quando se parte de um argumento ruim, não há como consertar mais lá para a frente, como num certo infame filme recheado de grandes astros e estrelas, um filme que acabou dando prejuízo multimilionário ao estúdio, fazendo de Hollywood a terra da pretensão, num homem dizendo para si mesmo: “Eu sou maravilhoso! Eu pego qualquer roteiro ruim e transformo em ouro!”, como num certo filme com Leo DiCaprio e Meryl Streep, cujas estelares presenças não salvaram o filme de um fiasco internacional, daqueles filmes que o ator ou atriz se arrepende amargamente de ter feito, remetendo ao deboche que é a Framboesa de Ouro, rindo da cara dos que estão por baixo, fazendo do sucesso tal amante infiel – hoje, está comigo; amanhã, não se sabe, como Tom Hanks, o qual foi outrora considerado, por dois anos consecutivos, a nata da nata de Hollywood, amargando, há alguns anos, uma presença na infame Framboesa. Aqui é uma mulher, numa libertação feminista, numa mulher que tem tanta capacidade quanto um homem, num mercado de trabalho ainda desigual, numa misoginia arraigada na sociedade, prejulgando, em preconceito, uma mulher só porque ela é bela e arrumada, remetendo às mulheres homossexuais, as quais não se arrumam muito, com um aspecto masculino, senhoras que acham que, se forem se arrumar, serão levadas como dondocas e peruas fúteis, e não serão levadas a sério, o que é um equívoco: Na vida pública, quanto mais eu me arrumar, melhor para mim, com lésbicas que não vão muito longe exatamente por terem tal aparência “crua”, por assim dizer, remetendo a uma certa senhora, a qual já poderia ter chegado a presidente se prestasse atenção no modo como se arruma frente ao olho do público. A cena aqui é erma e solitária, como num estilo de vida de lobo solitário, uma pessoa que vai construindo toda uma carência afetiva, num estilo de vida tão triste e melancólico, vagando e vagando pelas ruas de uma cidade, almoçando sozinho num vago domingo, talvez se cercando de pessoas que não são amigões de verdade, em amizades que não são amigos, mas conhecidos, pessoas que não aplacam em nós tal sensação de solidão – posso estar cercado de tais pessoas e, mesmo assim, sentir-me tão só. O curso do rio é sensual e tortuoso, como num caminhar sexy de uma modelo na passarela, nesses talentos como Naomi Campbell, desfilando como uma deusa, na crítica mordaz de Woody Allen sobre o stablishment das celebridades: Normalmente, a mulher celebridade é uma mulher vulgar, com Naomi certa vez cuspindo na cara de uma aeromoça, a qual processou a supermodelo, com esta condenada a prestar determinadas horas de serviço comunitário, como varrer chão de repartições públicas, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? O dia aqui é nublado e encoberto, na dúvida cinzenta da encarnação, esta travessia cinzenta entre o Céu e o Inferno, como no Castelo da Caveira Cinza, do universo de He-Man, castelo disputado pelo bem iluminado e pelo mal escuro, resultando, então num meio termo cromático – o cinza. Aqui ouvimos os sons campestres, como pássaros, num bálsamo para os ouvidos, num acalentador som de bemtevi, num som plácido, que me remete às ruas arborizadas de Porto Alegre, uma cidade que é minha “filha adotiva”, a qual tanto amo.

 


Acima, Soldado e menina na estação. O amor é lindo! Aqui remete à famosa fotografia no final da II Grande Guerra, com o rapaz beijando fervorosamente a moça, na vitória da virtude e da liberdade, derrotando as forças sombrias de ditaduras, as quais oprimem e aterrorizam o cidadão, nos opostos que podem se assemelhar – Fascismo ou Comunismo, é tudo ditadura igual, no intuito de Matrix, que é manter o cidadão sob controle, como no filme Brazil, numa tecnocracia aprisionando o cidadão, em lugares agonizantes do Mundo com tais ditaduras, num Comunismo agonizante, no paradoxo chinês – de jure, uma ditadura comunista na qual o cidadão não é livre para opinar ou contestar em protesto; de facto, um país perfeitamente capitalista, no qual o cidadão é livre para empreender, no termo paradoxal “socialismo de mercado”, numa China rica, mas num cidadão chinês não tão rico, um tanto sugado pelo sistema, num vampirismo ideológico, como nos exilados no Brasil, num Caetano Velloso exilado em Londres, compondo a melancólica canção London, London, numa Londres cinzenta e fria, muito longe do delicioso clima baiano e das cores tropicais, em sabores de frutas exóticas, fazendo do estado da Bahia um país à parte, com seus próprios padrões culturais, como tomar dois banhos por dia, numa Salvador que, no verão, é mais fresquinha do que Porto Alegre, na máxima popular: Na Bahia é proibido ficar triste! Aqui o casal está retirado em grande privacidade, ao contrário de um casal indiscreto, fazendo coisas inapropriadas em público, como certa vez uma professora minha falando de um casal indiscreto num baile de gala, naqueles profundos beijos de língua, com um praticamente lambendo a amídala do outro, nas palavras de tal professora: “Desse jeito, o que sobra para se fazer entre quatro paredes?”. É no termo em inglês “get a room”, ou seja, faça isso num quarto fechado! Os postes são tal iluminação criativa, num artista se esforçando para não se repetir e, mesmo assim, criar uma identidade, como nos inconfundíveis círculos e bolas de Yayoi Kusama, já analisada aqui no blog: Para ler, é só digitar “Quem ama Kusama” no search aqui do blog! O ardor é tão grande que a bagagem é esquecida no chão, nos versos do imortal Tim Maia: “Quando a gente ama, não pensa em dinheiro! Só se quer amar!”. E a Vida não é boa quando é simples? Podemos ser felizes com pouco, em pessoas especiais, que podem nos ensinar isto, nesse constante processo de aprendizagem que é a Vida, no objetivo existencial de nos tornarmos pessoas melhores, em metáfora com um processo de curso universitário, fazendo do desencarne tal formatura, na hora de voltarmos para casa de cabeça erguida, num clima de missão cumprida na Terra, como no velório da senhora minha avó, no qual respirava-se o ar de que ela, a avó, estava totalmente consciente do próprio desencarne, como nas máscaras mortuárias egípcias, com os olhos despertos, conscientes da morte do corpo físico, na noção taoista de que, se seu corpo físico morrer, não tem problema! É o glorioso momento de libertação, como pegar um diploma, num sentimento de realização e de missão cumprida. O barulho do trem passando nada aqui significa, e tudo parece ter um silêncio plácido e redentor, como quando estamos concentrados numa leitura, alheios aos sons em volta, num momento de vida em que deixamos o Mundo lá fora para curtir a Vida da forma mais simples possível, como sentar num gramado de parque e tomar um chimarrão com amigos, no caso de ser tratar um grupo de gaúchos, é claro, na universalidade do chá, da bebida quente, esquentando a garganta numa sensação deliciosa de acalento e conforto. O Trem aqui são as obrigações do dia a dia, no siso de responsabilidades, na jornada de trabalho, com a responsabilidade de se prover um lar, num pai herói, o qual nada deixa faltar dentro de casa. O passar do trem é a passagem do tempo, numa travessia existencial, remetendo ao atemporal Plano Superior, num lugar onde temos a aparência que desejamos ter, sem as vicissitudes da matéria, como o envelhecimento.

 


Acima, Viajante. A solidão da travessia existencial, num caminho individual de depuração, em durezas que são remédios amargos que surtem doces efeitos, como na água gelada na entrada da floresta mágica Lothlórien, de Tolkien: Gelada, mas que trata de limpar! É como as vicissitudes acabam por nos ajudar e guiar, no termo “tanto melhor”, nas palavras de uma grande professora: “Nunca deixe o fracasso lhe subir à cabeça!”, como na estelar Gisele, a qual, ainda não celebrizada e famosa, pensou em abandonar a dura vida de modelo, mas uma Gisele que podia ouvir dentro de si uma voz que dizia: “Não desista!”, em espíritos amigos que nos guiam pela Terra, na crença de que cada um de nós é guiado por um anjo da guarda, um espírito amigo que quer o melhor para nós, na eternidade dos vínculos de amor e amizade, com tudo se reduzindo a amizade – Deus quer que sejamos amigos uns dos outros, e não como na Terra, nesse brutal lugar aguerrido, num Mundo com suas guerras, e nem a passagem de Jesus pela Terra soube sanar tais problemas, num Ser Humano eternamente patético e odioso, em líderes mundiais cujas raivas afetam a todos, como no preço de combustíveis, no termo taoista “twisted guidance”, que é um guia tortuoso, que não sabe guiar com firmeza ou placidez, na queda de aprovação do americano em relação a um presidente belicoso, com um grave complexo de Napoleão, no Anel do Poder, o qual tanto corrompe os homens, no pensamento: Um homem poderoso quer o quê? Mais poder! O painel de controle é o controle sobre sua própria vida, como num amigo meu, o qual a vida inteira se sentiu forçado a fazer o curso de Medicina, encontrando-se infeliz em tal curso, mandando o Mundo à merda, com o perdão do termo chulo, e indo cursar Jornalismo, ou seja, fez algo saudável, que é mandar tudo e todos à merda, com o perdão do termo chulo, pois que vida é esta na qual sou prisioneiro dos outros? Não devo eu assumir o controle de minha própria vida? Dane-se o Mundo. É como pessoas que levam vidas sem felicidade, ou seja, pessoas que não respeitam a si mesmas, e a primeira pessoa que devo respeitar é eu mesmo. A neve aqui é a frieza racional, desmascarando o Mal e trazendo paz ao coração, no trabalho de esmiuçar o comportamento do sociopata, que é uma pessoa louca, cujas ações não têm lógica, tudo sob a luz da razão, numa águia majestosa voando alto no céu. A ponte é tal travessia existencial, como na ponte do famoso grito de Munch, no cuidado do líder carinhoso, atravessando com cuidado um rio, como se soubesse que ali há perigo, num líder amoroso, que nunca vai se opor ao próprio cidadão, pois se me afasto do povo, deixo de ser líder, como na famosa imagem de um simples homem proletário chutando o traseiro de um executivo engravatado, ou qual, claro, não era lá muito popular entre os homens simples, no caminho da simplicidade, como um rei que bebe exatamente o mesmo café dos súditos, num povo confiando em tal homem isento e digno de respeito. Nesta imagem quase há um atropelamento, nos cuidados que temos que ter nas vias urbanas, nas fatalidades de acidentes, no modo como podem ser comuns os acidentes automobilísticos, como eu próprio sofri um grave acidente com minha família certa vez, ao ponto de serem ativados os airbags, num susto muito, muito grande, com uma pessoa de minha família fraturando cinco costelas, ou seja, meses de noites mal dormidas, em metáfora com as inevitáveis dores existenciais, nas palavras de Barbra num concerto: “É possível sobreviver aos desapontamentos da Vida!”, como em expectativas sendo frustradas, num desapontamento existencial que pode resultar em depressão, essa doença horrível que priva a pessoa de ser feliz, no chamado “fantasma do meio dia”. O espelho retrovisor é olhar para o passado e observar os movimentos da Vida, aprendendo com o passado, em lições tão importantes sendo aprendidas, nas divertidas palavras de uma canção da banda Ramones: “Eu não quero viver minha vida de novo!”. As duas mãos no volante são a pessoa com a cabeça no lugar.

 

Referências bibliográficas:

 

Alex Colville. Disponível em: <www.artgalleryofhamilton.com>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.beaux-arts.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.moma.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Alex Colville. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Biography. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Collections. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Gallery. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Home. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

Selected Publications. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Bom Bo (Parte 28 de 28)

 

 

Falo pela vigésima oitava vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A aia da noiva. Bartlett adora noivas, na magia da mulher de branco, num dia de rainha em que ela se sente no topo do Mundo, com um belo príncipe do altar, remetendo a uma certa mulher, a qual se decepcionou com o marido, vendo que este era de fato um grossão sem vida cultural, separando-se assim. Aqui é um momento de resguardo, na moça sem a parte de cima do vestido, numa intimidade com a aia, como essas aias de famílias ricas, como na Inglaterra, como em filmes sobre Elizabeth I, cercada de aias, num séquito de privilégios. Os seios são como no Antigo Egito, quando seios expostos não eram vistos como indecentes ou imorais, mas um modo de mostrar a beleza feminina, em seios como símbolos de fertilidade, de leite, nutrindo bebês, no fascínio do feminino. Os seios à mostra são como num episódio envolvendo Madonna nos anos 1990, quando a estrela desfilou num desfile do famoso estilista francês Gaultier, queridinho da popstar americana, com esta desfilando com os vistosos seios à mostra, causando comoção entre os fotógrafos que registravam o evento, como me disse um certo rapaz frustrado, que tentou ser um topmodel internacional, dizendo que, ao se estar na passarela com aquela multidão de fotógrafos fotografando você, é melhor do que sexo, um rapaz que acabou naufragando, nas duras lições de humildade que a Vida nos ensina, um rapaz um tanto arrogante, metido, que chegou a me chamar de idiota! O véu é tal delicadeza feminina, no arcaico termo “sexo frágil”, antifeminista, enfurecendo as feministas lésbicas, como no fim redentor do filmão Thelma & Louise, libertando-se de todo o hálito patriarcal, no final com a tela ficando branca, como na energia homoerótica do filmão As Horas, um ensaio sobre lésbicas, no divertido modo em que as lésbicas vivem em um mundo; os homens gays, noutro. É o antigo método de separar os sexos, como nas aulas de Educação Física, como em tradicionais colégios, com as freiras educando as moças e os padres educando os rapazes, no jogo de sedução, com os rapazes indo para a saída das moças, no flerte social, como muitos casais que se conhecem na vida cultural de paróquias, em missas de domingo, no modo do adolescente de se desinteressar pelos brinquedos e abraçar a vida social, como na moça debutante, despedindo-se das bonecas e indo linda, de branco, ao baile, encantando-se com rapazes galantes, com meninas histéricas assediando os integrantes de boybands, como Backstreet Boys, na recomendação a galãs de novelas da Globo: Para fugir de um violento assédio, evite ir a shoppings no fim de semana! Aqui é algo que faz parte do trabalho de modelo, que é fazer os ajustes, num trabalho árduo, muito diferente do efeito glamoroso na plateia, num brilho o qual, já ouvi dizer, é superficial, remetendo a um divertido videoclipe de George Michael, como modelos avassaladores numa passarela, na magia do feminino num palco, como uma stripper, fazendo com que o homem expectador se sinta um lixo, como uma certa moça que conheci, a qual, em segredo, era stripper, levando vida dupla, uma moça que já vi numa academia da cidade, cuidando do corpo, seu instrumento de trabalho, no modo como acho tão intrigante essas pessoas que levam vida dupla, como um certo senhor, com duas cônjuges, duas proles, duas casas e duas vidas, numa Vida que exige que sejamos unos, íntegros e dignos de respeito, pois como posso tirar o chapéu para um homem que leva vida dupla? Como será que deve ser saberes que tens meios irmãos no Mundo, os quais sequer conheces? É muito grave. Aqui também é um dia grandioso para a mãe da nubente, sonhando com este dia desde quando e menininha nasceu, com o pai da bebê dizendo: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na Igreja!”, nos preconceitos do patriarcado – homem pode tudo; mulher, nada. O branco é um princípio, uma página na qual escrevemos nossas vidas, na sensualidade dos espaços em branco, dos espaços livres e vagos, como decorar uma mesinha de centro numa sala de estar – a mesa tem que ter espaços vagos para o uso do dia a dia, como colocar uma caneca ou um controle remoto, no magnetismo do vazio, numa força de gravidade, em ações minimalistas, clean, atendo-se ao necessário apenas, na recomendação taoista: Quando você precisa tomar ação, faça apenas o que é necessário.

 


Acima, A arte da cura. Aqui é ironia de metalinguagem, pois é Zé falando de Zé, ou seja, a arte do pincel de Bo falando da arte do instrumento musical, no modo como as Artes estão umas dentro das outras, em casamentos como o entre Música e Dança, ou Música e Cinema. Aqui apenas o rapaz do meio está fazendo algo de produtivo, pois os outros estão vagos e desocupados, numa vida pobre, sem significado, sem norte, como várias pessoas que conheço: Como posso tirar o chapéu para uma pessoa que nada faz de nobre de seus dias aqui na Terra? É ao contrário de artistas de Rua, os quais estão trabalhando e não pedindo dinheiro como mendigos, na recomendação de assistentes sociais, que é nunca dar esmola, pois esta não ajuda, pelo contrário, só atrapalha, incentivando a pessoa a permanecer em degradante situação de Rua, numa pessoa que quer, com todas as suas forças, evitar a Vida e fugir da luta, nas inesquecíveis palavras de uma certa médium espírita: Deus não quer nos ver atirados nas cordas; Deus quer nos ver lutando! E a seriedade da Vida não nos ensina que a coisa é seria e que não dá para fugir? Aqui, o som perfuma o ambiente, como em escolas de Arte, ensinando várias artes, como eu certa vez estudando violão, numa escola com aulas também de dança, como em certas pessoas que se tornam artistas completos, cantando, atuando, dançando e tocando algum instrumento, num caminho de disciplina e dedicação, remetendo a uma certa duríssima professora de Dança, uma mulher séria, exigente, sabendo que deve haver seriedade para se conduzir algo, uma senhora sem lá muito senso de humor, ou seja, séria demais, mas uma pessoa que aprendi a respeitar, pois os ressentimentos não são eternos, e a Eternidade é tempo de sobra para se resolverem desavenças, no caminho do perdão, o que é natural, com tantas pessoas que, um dia, pedirão meu perdão por terem me agredido ou me enganado, pedindo perdão lá no Céu, o plano em que estamos sempre entre amigos, e o apuro moral é capital, pois, se minto ou engano, não amo, não sou amigo, e, fora da amizade, não há salvação, nos eternos esforços do padre na missa nos dizendo que somos irmãos, filhos nobres do mesmo Rei Supremo, mas palavras que são esquecidas a partir do momento em que colocamos os pés fora do templo, no conceito da Revolução Francesa, que é igualdade entre irmãos, num mundo de liberdade, em que não somos propriedade de um estado opressor. Neste quadro, temos uma “escadinha”, pois os rapazes são de diferentes idades, com diferentes estaturas, como num caminho de crescimento e depuração, como nos trabalhos na carreira de um artista, no divertido termo “penteadeira de puta”, com o perdão do termo chulo, na crença de que, no momento de desencarne, passa por nossa mente um “filme de nossa vida”, com momentos importantes, capitais, nos quais aprendemos muito, crescendo assim, pois nenhuma encarnação é em vão, e ninguém está no Mundo “a passeio”; ninguém está aqui só para ensinar. É num caminho de “apara de arestas”, como uma certa senhora, a qual tem arestas a aparar, uma artista famosa, mas um tanto grosseira, pois, quando chega por exemplo num set para dar uma entrevista, cumprimenta apenas a pessoa que a entrevista, ignorando completamente os cinegrafistas, o técnico de som, o técnico de mesa e o iluminador, e a Vida exige que sejamos finos e delicados, tratando todos com respeito, como eu sempre em minha vida, sempre por baixo, sempre sendo considerado uma “ameba” pelo Mundo, sempre ninguém, ou seja, estou acostumado! As pernas cruzadas são a polidez, o garbo civilizatório, como numa pessoa com autoestima, arrumando-se antes de sair de casa, lançando mão de certos luxos, como estar perfumado, ao contrário de um bom banho diário, o qual não é luxo, mas algo de suma importância civilizatória. Os pincéis discretos são tais instrumentos, como a espada do guerreiro, em ícones como He-Man, no poder patriarcal do machão mais poderoso do Universo, deixando mocinhas suspirando, na capacidade de certos homens em fazer sucesso entre a mulherada, em artistas com tal carisma, como o cacho de uva que seduz abelhinhas.

 


Acima, A arte do desenho. Aqui temos uma neo Pietà, com o filho no colo da mãe, numa imagem de tristeza e vulnerabilidade, no fraco que se forma forte, fazendo de tamanho poder a imagem de um homem totalmente humilhado e fragilizado, agredido, insultado, maltratado, numa imagem que se revela de força extrema, na ironia taoista de que fraco é forte. O preto é a discrição do luto, como em velórios, eventos sociais não festivos, numa boa oportunidade de revermos parentes, naquele café forte, para lembrar que não se trata de festa! O menino é um talento precoce, como no personagem superdotado Sheldon de The Big Bang Theory, irritantemente inteligente, interpretado por este grande ator que é Jim Parsons, nesses talentos que nos deixam perplexos, na capacidade do bom ator em desaparecer perante o personagem, mostrando-nos só o personagem, em mestres como Streep, sumindo perante tal personagem, ao contrário do mau ator, o qual quer aparecer mais do que o personagem – é assim mesmo: Uns, grandes; outros, pequenos. É como na hierarquia do panteão de Hollywood – uns se tornam ícones que marcam para sempre a trajetória da Sétima Arte; outros, nem tanto. O menino se esforça com seriedade, numa chance que está tendo, trabalhando desde muito jovem, na criança que cresce precocemente, tendo que trabalhar desde cedo, ao contrário da criança mais privilegiada, que só tem duas coisas a fazer: Estudar e brincar. O menino deitado está desocupado, no modo como é desinteressante tal pessoa desocupada, como uma pessoa rica desocupada, uma pessoa que só pode ter saúde mental se trabalhar, no poder do eterno labor, como no Plano Superior, no qual temos que seguir produzindo de alguma forma, na perguntinha inevitável que fazemos a nossos entes queridos lá em cima: “Onde estás trabalhando?”. E Tao é tal trabalhador, sempre produzindo, mas sem estilo degradante de vida workaholic, na tradição bíblica de que Ele descansou no sétimo dia, remetendo a um certo senhor workaholic, o qual não se dava ao respeito, uma pessoa que chegou a não descansar entre duas jornadas de trabalho, desrespeitando a si mesmo, na sabedoria popular de que respeito é para quem tem, e que a primeira pessoa que devemos respeitar é nós mesmos, um senhor que fracassou, tendo que fechar as portas da firma que abrira, na humilhação de voltar a ficar submetido a um patrão, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? A mulher imóvel é a paciência, como na paciência de se sentar na cadeira de cabeleireiro e esperar para que este faça o corte, numa Vida que tanto exige de nossa paciência, no sentido de não desejarmos pular etapas, nas sábias palavras de uma canção da superbanda Van Halen, sobre querer mudar o imutável: “Não vai chegar; nada via mudar!”. O blusão rubro são os vínculos de sangue, no sangue de mar, digo, de mãe para filho, na intimidade de uma pessoa que carregamos dentro de nós, alimentando tal bebê com o que nos alimentamos, nas homenagens de Dia das Mães, uma pessoa sem a qual não estaríamos aqui, numa eterna gratidão, homenageando tal mulher com flores no domingo de celebração, numa regra sagrada: Em almoço de Dia das Mães, as mães não cozinham! O menino no colo é tal porto seguro do lar, na casa da mãe, no “choque térmico” que é sair de casa para morar sozinho, longe dos zelos maternais, como abastecer uma casa com supermercado, fazer comida, limpar a casa e lavar a roupa, nos zelos de mãe deixando uma casa limpa e organizada, demorando um certo tempo até nos acostumarmos em estar longe de tais zelos, num “desmame” inevitável. Aqui é um talento precoce, talvez de um Bartlett falando de si mesmo, desde a infância de interessando pela Arte, como um pai e uma mãe os quais, ao observarem o talento dos filhos, encaminham estes para certas instituições, como um amigo meu, colocando sua filha nas aulas de balé por observar tal potencial na menina.

 


Acima, A babá. Os sapatos estão descalçados, e é um momento à vontade, no conforto do lar, na máxima de O Mágico de Oz: “Não há lugar como o lar”, por mais modesto que seja, remetendo a tragédias de enchentes e deslizamentos, com pessoas desalojadas, sem casa, sem nada, com tudo destruído, nas palavras de Barbra num de seus impecáveis concertos: “Sempre precisaremos de uma catástrofe para nos lembrar de que somos pessoas que precisam de pessoas?”. A colcha no sofá é rica, bordada, numa riqueza visual, como em palácios dos Romanov na Rússia, num povo pobre, oprimido, com reuniões comunistas, contestando o czar, pois um líder que se afasta de seu próprio povo deixa de ser líder, como na deposição do rei Sol na França, num povo que se levantou por causa de algo simples – o preço do pão. São golpes de estado, remetendo à prisão de Bolsonaro, pois só damos valor à liberdade quando a perdemos, como uma Cristina Kirchner em prisão domiciliar, um inferno, pois posso estar preso de um suntuoso castelo de ouro maciço e cravejados de diamantes e, ainda assim, estarei infeliz; preso. O sofá é o conforto da casa, ao contrário de estar num hospital, o qual não é nossa casa, nosso fogão, nossa geladeira, nosso sofá, nosso banheiro, nossa TV etc. A moça aqui é esta presença marcante nas obras de Bo Bartlett, num alterego, uma musa de inspiração. As meias são a intimidade, como um amigo meu, íntimo ao ponto de ligar para minha casa às três horas da manhã, uma pessoa pela qual tenho perene carinho, um ente meu lá de cima, de uma amizade divina, no modo como os amigos são o ouro da Vida, e o objetivo da Vida é fazer amigos e crescer frente aos obstáculos inevitáveis da Vida, no caminho capital da aquisição de apuro moral, até chegar ao ponto da pessoa odiar mentir, pois quando me mentem e querem me enganar, não me amam, e a Vida sem amor, sem amigos, é um inferno, remetendo ao sociopata, o qual não tem amigos, um espírito infeliz que vaga pelo Umbral, a dimensão da desolação, remetendo a um certo senhor, o qual me enganou, um senhor que acabou danificando a si mesmo com tal mentira, um senhor o qual, um dia lá em cima, pedir-me-á perdão, e claro que perdoarei, pois é meu irmão, e o perdão é o caminho natural da Eternidade, no constante crescimento, na noção dialética de que tudo é processo, e na noção taoista de que a Eternidade sobre a qual podemos falar não é a verdadeira Eternidade, até chegar ao ponto de uma “formatura”, no espírito que galgou todo um crescimento como cursar uma faculdade, num espírito que então passa a gozar da felicidade suprema, nossos irmãos depurados que tanto nos amam, nós, os pequenos, na metáfora da infância, na noção cristã de que o Céu é dos pequeninos. A moça aqui está se despindo, num quarto de privacidade, numa intimidade consigo mesma, como uma stripper num palco, provocando, como certas divas pop, provocando o público, no caminho da transgressão, a qual serve para proporcionar a evolução de uma sociedade, nas palavras de Dalí: “Feliz daquele que provoca o escândalo!”. Aqui pode ser o próprio atelier do artista, convidando a musa a posar, no modo como certos diretores de Cinema têm seus artistas preferidos, em atores que caem em tais graças, como adquirir um aliado poderoso, um amigo que decide nos ajudar a obter respeito, no caminho da ajuda, da amizade, como uma doce e nobre atriz, uma pessoa que quis me ajudar e apoiar, num caminho nobre de caridade, em apadrinhamentos, e poder existe para usarmos este com sabedoria e caridade, no título de um centro espírita caxiense: “Fora da caridade não há salvação!”, e os amigos não são tal poderoso consolo numa Terra cinzenta e incerta? A Vida não é uma “tarde brumosa” a qual temos que preencher nobremente? As pernas aqui estão discretas, sem mostrar a vulva, num ato pudico, num nu de bom gosto, como na revista Playboy brasileira, num nu de tão bom gosto que agradava até os homens gays, na delicada linha divisória entre sexy e vulgar. Aqui parece que a moça está voltando da escola e tirando o uniforme, conhecido como “farda” na Bahia, depois de um dia de disciplina e adesão séria aos estudos, com alunos aplicados e alunos não tão aplicados – é assim mesmo.

 


Acima, A baleia. A bicicleta é o ciclo da Vida, em ciclos que começam e encerram, como se formar numa faculdade, num sentimento de realização, de cumprir algo, na cagada que cometi ao largar minha faculdade, com o perdão do termo chulo, tendo que eu, posteriormente, reentrar na faculdade e partir em busca do tempo perdido, nas palavras de uma certa pessoa que cometeu o mesmo erro que cometi: “Como eu gostaria de voltar a estudar!”, pois, ao preenchermos um cadastro, no item “escolaridade” dá gosto de assinalar em “Superior completo”, na importância de acabarmos o que começamos, pois largar uma faculdade é como uma transa sem orgasmo, sem sentido, frustrante. Bartlett ama paisagens praianas, na delícia do olor fresco de mar, de liberdade, de se colocarem simples chinelos e curtir os aspectos mais simples da Vida, a qual é boa quando é simples, pois uma pessoa muito especial me ensinou que podemos ser felizes com pouco, no caminho sábio taoista da simplicidade, numa Vida que exige que sejamos autodidatas: As pessoas precisam aprender por si mesmas o que é simplicidade, sem livro ou faculdade que possa ensinar isto. As moças aqui estão alheias a nós, contemplando o bom e velho mar, nessa imensidão oceânica que supera a superfície de terra no planeta, numa Terra tão única e cheia de farta Vida, no desejo darwiniano de se catalogarem todos os seres vivos do planeta, numa ambição científica em compreender racionalmente o Universo, em avanços tão maravilhosos como as medicações, com remédios contra enfermidade mentais, como bipolaridade, depressão, esquizofrenia etc., abreviando enormemente, assim, o tempo de internação psiquiátrica, no galgar positivista de ordem e progresso, no uso da fria razão para desmascarar sociopatas maliciosos, os vampiros de alma que transitam entre nós na vida em sociedade – os sociopatas são minoria, mas estão entre nós, e pessoas malévolas servem para darmos valor quando nos deparamos com pessoas benévolas, como pessoas gentis no trânsito, num trânsito que pode ser caótico e grosseiro, com descorteses buzinadas e até xingamentos, na capacidade bélica humana em nome da desarmonia, num Trump de popularidade despencando, mas não podemos ter pena de um povo que recolocou tal senhor na Casa Branca, a qual, apesar de ter a cor da paz, é uma fonte de guerra, inclusive gastando bilhões de dólares do bolso do cidadão pagador de impostos – é um horror. Aqui pode ser mãe e filha, passando a sabedoria de geração para geração, no encargo sério de criar filhos bem criados, com valores nobres na cabeça, no discernimento de que é covardia agredir os mais fracos, preparando a criança para a vida em sociedade, na qual só vencem os dignos merecedores, no caminho da depuração moral, remetendo a pobres diabos sofredores órfãos, sem uma criação apropriada, remetendo a um certo rapaz órfão, o qual o qual mastigava de boca aberta, sem ter tido uma pessoa que o educasse a fazê-lo de boca fechada, um espírito corajoso, que decidiu reencarnar em tal vicissitude, no caminho das escolhas, como se matricular em cadeiras numa faculdade. Aqui é um doce dia de verão, estação preferida de Bartlett, no momento de férias, de descanso, nas diversões com amigos na piscina, no modo como não adianta eu ter as coisas na Vida se não posso compartilhar, no caminho da amizade, a qual é eterna, num Deus que quer nos ver amigos uns dos ouros, nas palavras de Jesus: “Amai-vos uns aos outros!”, no oposto da agressividade da Vida, do lado macho da competição: “Devorai-vos uns aos outros!”, num Papa Leão XIV condenando os movimentos de Trump. O mar aqui é lindo e plácido, doce, como comer uma fatia de torta, no delicioso pecadinho da gula, no modo como, no Plano Superior, há doces para comermos, mas doces que não engordam, nem causam cáries ou diabetes! A bicicleta é a atividade física, a saúde, no mercado das academias de musculação e dos personal trainers, em pessoas saradas que parecem ser deuses, mas só parecem – Tao vem de dentro.

 


Acima, A caixa. Na caixa, a bandeira americana, no modo como o patriotismo é algo positivo e inofensivo, mas sem o chauvinista, que é um patriota agressivo: Tal coisa é linda e maravilhosa só porque é brasileira! O tapete rubro é o derramamento de sangue das guerras humanas, um Ser Humano tão cheio de ódio e raiva dentro de si, e quem não ama, sofre, como dizer amar o Brasil, mas vandalizar o patrimônio nacional – não tem sentido. Na caixa, um chapéu militar, nas duras hierarquias militares, ao contrário da poderosa e suma hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, pois é tudo em nome da paz, da harmonia e da amizade. É a estupidez de Caim matando Abel, com irmão derramando sangue de irmão, numa Maria Tudor que quase condenou à morte sua própria irmã Elizabeth, na imoralidade de uma certa notória sociopata, uma pessoa que já cumpriu sua pena, mas que permanece o mesmo monstro criminoso de sempre, uma pessoa que deveria passar o resto de seus dias num manicômio judiciário, pois o sociopata, mesmo cumprindo pena, JAMAIS nesta vida vai se regenerar. A menina em pé é ativa e predomina, atuando de alguma forma, e o menino está passivo, sentado, acatando, como na Vênus e Marte de Botticelli, com ela desperta e aquele adormecido, na ironia de que um traz um pouco do outro, num jogo de sedução, na ironia de que tudo traz em si sua própria contradição, no jogo dialético para confundir o oponente, no casamento entre razão e loucura, como, por exemplo, o slogan da linha de alimentos Seara: “A qualidade vai te surpreender!”, em duas leituras opostas: A qualidade boa vai te surpreender; a má, também! É como uma faca de dois gumes contraditórios, como no divertido termo “No stress”, ou seja, em inglês, é “Sem stress”; em português, é “Estar No Stress”, no senso de humor divino, no Deus descrito no filme Dogma: Solitário, mas engraçado! Muito bem humorado! Como disse uma certa senhora: A gravidez e o parto são grandes piadas de Deus para com as mulheres! O ambiente aqui é chic, aristocrático, bonito, denotando uma elevada classe social, num privilégio, no prazer de se decorar bem uma casa, como uma certa senhora de alto bom gosto, cuja casa parece ter saído das páginas de uma revista internacional de Decoração, uma senhora que decorou tudo sozinha, sem um único decorador auxiliar, no modo como o bom gosto vem de dentro, dos critérios que e a pessoa aprendeu a ter na cabeça, num caminho autodidata. Aqui são crianças, numa fase da vida em que não temos responsabilidade, juízo e sabedoria, pois a juventude feliz e perfeita é uma invenção de velhos, idealizando uma etapa da Vida que não foi tão ideal assim, nos versos da diva Marina Lima: “Os momentos felizes não estão escondidos nem no passado e nem no futuro”. O abajur ligado é a iluminação, numa pessoa que brilha, como um certo estilista uruguaianense radicado no Rio de Janeiro, uma pessoa que brilha com criatividade e bom gosto, uma pessoa com iniciativa, que levanta, vai e faz, inclusive uma pessoa muito respeitada em sua cidade natal, numa iniciativa similar de meu bisavô Joaquim Pedro Lisboa, que é tido em Caxias do Sul como o Pai da Festa Nacional da Uva, algo que me enche de orgulho, na simplicidade respeitada de um homem de Tao, humano, nobre. A caixa é um depósito de esperanças, com coisas guardadas dentro de si mesmo, da pessoa, em pessoas que se tornam figuras nas quais podemos depositar esperanças, em homens tão grandes como Obama, cordato, pacífico, mas firme ao ordenar a execução de Osama Bin Laden, num homem firme, mas civilizado, no avanço sociocultural de uma família negra morando na Casa Branca, remetendo a um certo país racista, no qual negros não são considerados pessoas, no mesmo absurdo de se dizer que beagle, shitzu, york shire e dobermann não são cachorros – sim, são cachorros. Aqui, as crianças enfrentam um momento de interrupção, talvez repreendidos por pais enérgicos, na necessidade de regras rígidas dentro de uma casa.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.