quarta-feira, 15 de abril de 2026

Bom Bo (Parte 25 de 28)

 

 

Falo pela vigésima quinta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, América. Os balanços são o vaivém da vida, com as coisas passando, como um espírito amigo me disse certa vez, quando encarei um momento muito duro: “Vai passar!”, na sabedoria popular: “Tirando motorista e cobrador, é tudo passageiro!”. O balanço é a diversão de vaivém, numa fluidez, num bom baile de carnaval, nas batidas dos tambores fluindo como o sangue no rio da vida, no sangue que tanto seduz o sociopata vampiro, o qual quer sugar nossa criatividade e nossa inteligência emocional, no modo como devemos tirar de nossas vidas tais vampiros, por medida de segurança, nesse nó fenomenal que os vampiros querem dar em nossas cabeças, como se nós, os benévolos, fôssemos os malas pedantes e sugadores. Aqui é a estrutura de família, numa organização, num lar estável e protetor, numa imposição de regras e disciplina, dando à criança a sensação de lar e de invólucro, como no senhor meu pai, sempre chamando minha irmã e eu às dez da noite, no momento em que o dia acabou e em que temos que descansar para encarar um novo dia de estudos e afazeres, como acordar em gélidas manhãs de inverno, com meu pai dizendo: “É fogo!”. O parque de diversões é o momento glorioso de intervalo, num momento breve de distração e brincadeira, com os professores fumando na sala dos professores, num intervalo no meio da manhã, como eu aqui no blog, espaçando em intervalos minha redação, nos versos de uma sábia canção: “Calma! A Vida precisa de pausa!”, na sabedoria das pessoas que já não são jovenzinhas, pois a juventude perfeita e plena é uma invenção de velhos, pois a juventude é uma merda, com o perdão do termo chulo, pois quando se é jovem demais fazem-se muitas besteiras, numa época da Vida em que somos arrogantes, acreditando que percalços e dificuldades são só para os outros, numa época da Vida em que ainda não tomamos muitos tombos, na lição dura de que a arrogância precede a queda, pois que é humilde não toma no cu, com o perdão do termo chulo. A mãe está alheia a nós, ocupada demais em cuidar da prole, nas palavras de uma certa matriarca: “Não sei do que sou capaz para proteger um filho meu!”, nesse talento unificador, como o senhor meu avô materno, um patriarca que mantinha a família unida, em doces lembranças de noites da Natal, com os adultos fazendo amigo secreto e as crianças rasgando ansiosamente o papel dos presentes, numa época em que a Vida é mais simples, como em Cidadão Kane, no menininho arrancado de seu paraíso de infância, um homem que balbucia no leito de morte o nome de seu querido trenó de neve Rosebud, como no rapaz que encara o serviço militar, uma experiência sequelante, pois o quartel é qualquer coisa, menos um lar, nos versos de uma certa canção: “Os homens ficam frios e as mulheres envelhecem, e todos, no final, perdemos nosso charme!”. O pai empurra a menina no balanço, no papel de pai provedor, provendo um lar, em encargos enormes de responsabilidade, como um amigo meu, com quádrupla responsabilidade – prover a si, a mulher e as duas filhas, nas palavras sábias de um certo senhor: “Pense antes de ter filhos, pois, se tiveres filhos, tua vida nunca mais será e mesma!”. A menininha mais velha já não brinca, alheia a coisas de crianças mais jovens, no processo de identidade do adolescente, rebelde, rejeitando o mundo das crianças e o mundo dos adultos, sendo, assim, um “galeto”, ou seja, nem pinto, nem frango. Ao fundo vemos casas pontiagudas, como na agressividade piramidal egípcia, sendo uma potência na áurea época faraônica, dando um recado muito claro e expresso: Não se meta com o Egito! E a Humanidade é assim, com impérios ascendendo e descendendo, com vaidades que vêm e vão, permanecendo a mensagem de humildade e simplicidade de Jesus, uma figura na qual podemos depositar nossa esperanças, mas um Jesus o qual, em toda Sua majestade, não soube solucionar os problemas do Mundo, na ironia de que a Filosofia não muda o Mundo, no papel do filósofo de nos libertar da “caverna” de auspícios e nos mostrar o Mundo de forma clara e verdadeira, como um certo cidadão caxiense, filósofo, daquelas pessoas que sempre têm algo de interessante para dizer, ao contrário da pessoa vazia e obtusa, a qual acaba nos decepcionando, como em corpões de academia – parecem deuses, mas, infelizmente, não o são. Aqui é uma cena de família, remetendo a um certo senhor, o qual tem duas família, e isso é grave, numa Vida que exige que sejamos unos  e íntegros.

 


Acima, Amor em tempos de pandemia. Aqui é algo raro na obra de Bartlett, que é uma cena erma, sem modelos, como me disse meu tio, o qual foi à praia num fim de semana de inverno, e disse que era deprimente, com aquela orla erma, cinzenta, fria, sem um pingo de vida humana, como na pessoa que quer ser ratona de praia, encarando o inverno, numa orla cinzenta e erma, deprimente, no fato de que a Vida não é só verão, e o trabalho e o estudo nos chamam ao final do descanso, no siso do despertador nos chamando de manhã cedo, numa hora de sacrifício, rejeitando a deliciosa cama e mandando o sedutor Morfeu à merda, com o perdão do termo chulo. Aqui é cenário de “guerra” da pandemia, a qual afetou o Mundo todo, em ruas ermas, como num toque bélico de recolher, em ruas sem gente, deprimentes, numa sensação de desolação e solidão, como caminhar por uma urbe deserta, e assim é o desolador Umbral, sem uma única alma amiga, num lugar onde estamos sem amigos ou consolação, num ponto da pessoa orar e suplicar pela ajuda de uma mão amiga, no caminho da humildade – o primeiro passo para sair do Umbral é reconhecer que se está no Umbral, remetendo a espíritos rebeldes, que desdenham dos espíritos limpos e benévolos, caçoando destes, como um prisioneiro que quer voltar para a prisão, no caminho da loucura. Aqui não vemos qualquer sinal de vida, e temos um silêncio, só quebrado por pássaros alheios a tal pandemia, pois foi rara exceção quem não saiu afetado pela pandemia, pois esta e outras vicissitudes terrenas são a prova de que é a imperfeita Terra o que tenta imitar o perfeito Céu, pois neste há saúde plena, no caminho do amor incondicional, leve, sem cobranças, em amizades leves, fáceis de se levar, na perspectiva de que teremos a Eternidade toda para nos relacionarmos com tais entes, ao contrário do amor possessivo, obcecado e fixado, doente, como um certo senhor, alimentando um amor para lá de obsessivo, no caminho da loucura, que é não ver que somos filhos do mesmo Rei, no modo como somos iguais nesse sentido, e de que não há “poderes mágicos” ou outros auspícios traiçoeiros. O céu é azul e majestoso, num lindo dia verão californiano, a terra do Sol, como no deus Rá, supremo no Sol que nos banha, como no majestoso Sol africano no início do musical O Rei Leão, no Sol carioca que deixa curtida a pele do cidadão, como uma certa amiga carioca, bronzeadíssima, surfando pelas praias sedutoras da antiga capital federal, nessa deslumbrante mescla entre natureza e cidade, como já ouvi dizer que os cariocas não gostam de dias nublados! Aqui pode não parecer, mas os lugares estão recheados de pessoas, e um silêncio impera, num contexto que pode nos afetar psicologicamente, como um vizinho meu, colocando uma caixa de som na janela para encher a vizinhança de música, buscando, assim, sanidade mental, remetendo aos desoladores cenários de guerra, matando inocentes, arrancando pessoas de seus lares e deixando rastros de destruição e fome, na “beleza” das guerras, em homens insanos com Complexo de Napoleão, querendo subjugar tudo e todos, no caminho da raiva, a qual é menor que a paz, pois a raiva é passageira; já, a paz é perene, reinando inabalável no Plano Superior, num lugar onde somos todos amigos, na doce lembrança que tenho de meus coleguinhas no início do Ensino Fundamental, um círculo no qual todos me respeitavam, no modo como a Vida vai separando as pessoas, e cada um vai para um lado, vivendo sua vida. Aqui o Sol parece ser majestoso, mas é um cenário triste de desolação, como num labirinto de submundo, um lugar no qual vagamos solitários e perdidos, sem noção de norte, na necessidade da pessoa se centrar em algo nobre e produtivo, pois, fora do norte nobre, não há salvação, remetendo às pessoas que vivem ao sabor do vento, sem se centrar, numa sisuda Vida que exige que sejamos centrados e sérios.

 


Acima, Amorista. Aqui remete ao contundente início de um filme em que a deusa sacrossanta Meryl Streep aparece em nu frontal, num filme que fala sobre o trabalhador, enfurecendo os marxistas, os quais creem numa pirâmide social em que o proletário é a força motriz. Aqui é como em belas mulheres que posam nuas, como nos áureos tempos da Playboy brasileira, num nu de tão bom gosto que conquistava até os homens gays, remetendo a um ensaio nu com Sabrina Sato, com uma das fotos na qual a diva midiática não se saiu muito bem, no fato irônico de que o sucesso é um amante infiel – hoje está com você; amanhã, você não sabe. O nu é natural na Arte, lidando de forma natural com o modo como Deus nos fez, na inocência de uma praia de nudismo, na deliciosa sensação de se nadar nu no mar, numa liberdade tão prazerosa, no modo do grego antigo de lidar naturalmente com o nu, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo desenhou? É como nas aulas de nu artístico em faculdade de Artes Plásticas, remetendo ao divertido episódio de Mr. Bean no qual este tapa com argila os seios de uma moça que posava nua, no modo ocidental de renegar o hábito do nu indígena, impondo valores europeus, como sexos sendo tapados em obras de Arte no Vaticano. Aqui a modelo confia no pintor, entregando-se a este, remetendo a uma certa atriz, a qual atua em Cinema e TV, mas nunca em Teatro, uma atriz que precisa um bom diretor, que a deixe à vontade no palco, sendo tão simplório um ator que não explora todos os meios de expressão cênica, como aquele ator que só faz TV, ao contrário de uma suprema Fernandona, explorando todos os meios. O lustre ao fundo é a iluminação de uma ideia, de um conceito, como numa agência de Propaganda, em conceitos que visam vender produtos de serviços, num trabalho de Mercado, num meio de Marketing que abraça todas as etapas, desde a concepção de um produto ou serviço até a formulação de uma campanha publicitária para vendê-los, nas duras palavras ao aluno no início da faculdade de Propaganda: “Não é Arte; é técnica de venda!”. A moça aqui é jovem, bem jovem, com seios firmes, no auge da forma física, pronta para posar, como no clássico Titanic, numa Rose posando nua, confiando em Jack, numa moça que queria se desvencilhar da vidinha fútil de socialite e ser atriz, artista, como uma certa socialite carioca, a qual ninguém, no fundo, respeita muito, uma mulher rica e, ao mesmo tempo, miserável, como uma certa rica socialite americana, a qual ninguém a leva a sério como modelo, atriz ou cantora, pois dinheiro traz tudo, menos o que importa. A calcinha está jogada no chão, como numa stripper, como num filme que a linda Salma Hayek faz uma stripper, numa figura idolatrada pelo espectador, o qual se sente um lixo perante tal beleza, no modo como já conheci uma moça que levava vida dupla, sendo estudante de Comunicação e, ao mesmo tempo, uma stripper numa casa de shows em Porto Alegre, nessas pessoas que levam vida dupla, como um certo homem, o qual era um homem que se relacionava com uma pessoa do sexo oposto, e, em outra vida, era um atendente de telessexo, tendo conversas eróticas com quem ligasse, inclusive homens! A moça aqui não ousa soltar os cabelos, num resquício de pudor, num pequeno recato em relação ao posar nua. Aqui remete à bela mulher nua em O Iluminado, num personagem em vai pirando em meio uma situação de isolamento social, vendo e ouvindo coisas irreais, numa miséria existencial, resultando num brutal assassinato, em talentos como Kubrick, baseando-se em letras do mestre Stephen King e contratando um deus como Jack Nicholson – não tem como dar errado, como no álbum clássico Elis & Tom, tendo dois deuses sacrossantos da MPB, num Brasil tão, mas tão único! As roupas jogadas são uma pitada de bagunça e repouso, numa casa que só posteriormente será colocada em ordem, nas palavras furiosas de uma mulher ao marido em casa: “Eu me matando pra manter esta casa limpa e organizada!”. A moça remete aos tradicionais calendários da Pirelli, num nu de absoluto bom gosto, no ambiente machões das mecânicas e borracharias.

 


Acima, Analisando a noiva. Aqui é o grande dia da mulher, a estrela do dia, sentindo-se a maior mulher do Mundo, como já ouvi dizer: “Mulher quer é casar. Se tiver filhos e carreira, melhor. Do contrário, está casada!”. O branco é a virgindade, como muitas mulheres casam castas e puras, virgens, intocadas, tendo, por toda a sua vida, um único parceiro sexual, que é o marido, ao contrário do homem, cuja sexualidade é estimulada desde jovem, talvez perdendo a virgindade num prostíbulo, vendo a mulher de apenas duas formas – ou santa, ou diaba. E isso enfurece as feministas, as quais não querem ser nem uma, nem outra, mas um ser humano totalmente apto a fazer tudo o que um homem pode fazer, no caminho da igualdade civil, no modo como é duro ser mulher, tendo que sentir cólicas e usar absorventes, numa memória minha de adolescência, com uma colega chorando pelas dores de cólicas, tendo que tomar Atroveran para minimizar os efeitos da dor. O vestido é tal glamour, como nos vestidos de Lucélia Santos na telenovela Sinhá Moça, com figurinos suntuosos, glamorosos, contrastando com a duríssima vida de escravo, condenado a trabalhos forçados e jogado numa desconfortável senzala como cães num canil, tudo em nome das ambições dos barões do café, na vergonha de nosso passado escravocrata, como nos EUA, um país de certas tensões raciais. A mãe olha com cuidado para a filha, querendo o melhor para esta, planejando este dia desde o dia de nascimento da filha, no modo como a sociedade nunca cobra da mulher o desenvolvimento de agressividade – se queres ser uma anônima mãe, esposa e dona de casa, vivendo na sombra de um homem, pode, não tem problema. Já, do homem, a agressividade e o sucesso são cobrados, sendo tão malvisto o homem feminino, sem muita agressividade, sendo necessário ter agressividade para sobreviver num mundo tão duro, tão cheio de males e guerras, como no rapaz que presta serviço militar, ficando sequelado, brutalizado, pois o quartel é qualquer coisa, menos um lar, no rapaz arrancado de seu lar, de sua vida, como no brutal momento de rompimento na vida do protagonista de Cidadão Kane, arrancado de seu paraíso de infância, numa época em que a vida é mais simples. A mãe aqui é dura e exigente, no termo “olho de sogra”, num olhar frio e exigente, exigindo o máximo do genro, como no Elrond de Tolkien, dizendo ao genro Aragorn que este teria que se esforçar ao máximo para merecer a mão da apolínea e doce donzela Arwen, filha de Elrond, como num merecido troféu no fim de um árduo campeonato, como no fim do filme Winbledon, no rapaz campeão indo à platéia e beijando intensamente a namorada, no mundo heterocentrado, no qual heterossexual é sinônimo de saúde e beleza e homossexualidade é sinônimo de feiura e doença. A moça fecha os olhos, num sonho, sonhando com tal dia grande, no prazer de se ver uma pomposa noiva, como na Carrie de Sex and the City, num suntuoso vestido de Vivienne Westwood, maravilhoso, digno de rainha, no glamour do bolo de casamento, em eventos sociais que são oportunidades tão boas de vermos nossos parentes, como num velório – não é festa, mas não deixa de ser um evento social. Algo jogado no chão é algo desprezado, como desprezando um certo defeito do marido, na sabedoria popular de que ninguém é perfeito, como uma certa senhora não fumante, aturando por mais de meio século um marido fumante, uma paciência a qual admiro profundamente, pois, por mais que ele escovasse os dentes antes de namorar, não era a mesma coisa do que um não fumante. A mãe aqui toma nota de coisas importantes para o grande dia, como a senhora minha mãe, organizando o casamento de minha irmã com o então noivo desta, nessas dedicações de mãe, no modo como, quando vamos morar sozinhos, sentimos, de início, uma enorme falta dos zelos maternos dentro de uma casa. A pose da mãe aqui é como um psicoterapeuta, analisando nossos pensamentos, mostrando-nos o Mundo da forma mais fria e realista possível. O vestido é o encanto de uma Cinderela, no pensamento binário infantil – ou algo é do bem, ou algo é do mal.

 


Acima, Apanhador de sonhos. Aqui é um momento de retiro e solidão, em retiros necessários de vez em quando, mas não num estilo de vida solitário, carente, sem amigos, e estes são o ouro da vida, desconstruindo o termo “caridade”, que é amor e amizade, e fora da amizade não há salvação, pois tudo o que carregamos são nossos amigos, os entes queridos que nos fazem falta quando estes morrem, como uma queridíssima prima minha já falecida, no amor incondicional, o qual é eterno, entes desencarnados que podemos facilmente evocar aqui na Terra – feche os olhos, mentalize a pessoa, e, assim, esta estará ali com você, na imortalidade dos laços de amizade, como Tao, a paciência eterna, sempre nos fazendo crescer e evoluir, fazendo da depuração moral o sentido da Vida, pois quando minto a alguém, é porque não amo tal alguém, e a Vida sem Amor é excruciantemente complicada, dura e difícil, na infelicidade dos espíritos que vagam pelo desconsolador Umbral, sem uma única alma amiga ali dentro, como vagar por uma deprimente cidade fantasma, como uma certa pessoa, a qual foi estudar numa faculdade em outra cidade, longe de casa, uma pessoa que se viu tão desolada num domingo, sentindo-se tão solitária em tal cidade fantasma, sentindo a dureza de sair de casa e encarar a Vida. A luz aqui entra discreta, quase na penumbra, no prazer de se dormir num quarto na penumbra, numa cama tão gostosa, na qual podemos ficar o quanto queremos, como no desencarne, pois o Plano Superior nos dá todo o tempo do Mundo, em um plano em que as coisas são feitas sem pressa, como nossa querida estrela Patricia Pillar, a qual teve a iniciativa de fazer um documentário sobre Waldick Soriano, com a deusa dizendo numa entrevista, ao ser interrogada sobre o processo de confecção da obra documental: “Estou fazendo sem pressa!”, e a Vida não é um inferno angustiante quando temos pressa? É como em agências de Propaganda, com os cruéis prazos, estressando todos na agência, com pessoas num estilo de vida degradante, como virar noites e madrugadas trabalhando na firma, como uma certa publicitária, a qual, sem respeito por si mesma, simplesmente se negou a descansar entre duas jornadas de trabalho, e isso não é dolorosamente degradante? A Vida não exige que gostemos de nós mesmos? A nudez é a franqueza, a verdade, na beleza do corpo humano, num Tao que assim nos fez, como em escolas de Arte, com aulas de nu artístico, na inocência da nudez, ao contrário da malícia no Éden, com as folhas tapando os sexos, ao contrário da Antiguidade Clássica, no nu grego sem malícia, apenas contemplando a beleza do corpo humano. A cama aqui está vaga, numa pessoa sozinha, solteira, talvez rejeitando alguém ou sendo rejeitada por alguém, como já ouvi dizer: Quando nós nos apaixonamos, tomamos no cu, com o perdão do termo chulo, pois num namoro precisa haver uma base fria, racional, como no rapaz pedindo ao futuro sogro a permissão para namorar a filha desta, nos versos de uma grande canção pop: “Lençóis de cetim são muito românticos, mas o que acontece quando você não está na cama?”. É a questão de ouvir o cérebro antes de ouvir o coração, mortificando este, no caminho espírita da mortificação, bloqueando-se em relação a bobagens auspiciosas. Ao fundo, o gosto de Bartlett pelas paisagens praianas, na canção de ninar das ondas indo e vindo, respirando, num acalento, embalando nosso sono, no ar puro da orla, numa deliciosa sensação de liberdade, como nadar nu no mar. O cabelo arrumando é a disciplina, como as moças jogadoras de vôlei, domando seus cabelos, num ambiente desportivo sem lá muito glamour, mas na agressividade necessária para se competir, num mundo tão competitivo. A moça aqui espera algo, talvez um rapaz, numa construção de expectativa, a qual acaba nos frustrando, como encarar um insucesso, como uma certa senhora, a qual encarou uma derrota em sua carreira profissional, em duras lições de humildade.

 


Acima, As coisas não ficam fixas. Um frescor de primavera, no frescor da Vênus de Botticelli, revelada numa concha, no olor de mar, numa nova página sendo encarada por um ator, numa vida que exige que tenhamos a força para virar as páginas e encarar um novo desafio, no modo como vemos tantas estrelas aparecendo e desaparecendo, em pessoas sem a força para virar a página com humildade e recomeçar do zero, como certos artistas talentosos os quais simplesmente não sobreviveram aos anos 1980, numa Vida que exige tanto de nossa humildade, pois carreiras longevas são para os fortes, como na banda U2, sobrevivendo desde os anos 1980, injetando, de tempos em tempos, material novo na praça, sabendo que, num show, deve haver uma mescla de clássicos com novidades, na questão da pessoa não parar no tempo, nunca permitindo que o sucesso suba à cabeça, como um certo rapaz comediante, o qual tinha um talento e um potencial ESMAGADORES, um diamante bruto pronto para ser lapidado, mas um rapaz que acabou sumindo, provavelmente porque entrou numas de egotrip, do tipo: “I’m the best, fuck the rest!”, ou seja, “Sou o melhor, o texto que se foda!”, com o perdão do termo chulo. Aqui é uma pessoa nas nuvens, como uma apaixonada, como no filme Maria Antonieta, com a célebre rainha francesa apaixonado-se por um rapaz de belos olhos, uma rainha ainda tão jovem, na idade de uma criança no Ensino Médio, numa época da Vida em que é difícil ter integral juízo, pois juventude feliz é uma invenção de velhos, visto que a juventude é pautada de merdas, com o perdão do termo chulo, numa época da vida em que não temos responsabilidade ou sabedoria. Aqui é como um comercial de perfume, no fascínio das fragrâncias, seduzindo com notas tão envolventes, numa Jennifer Lopez num documentário, a qual, ao planejar o lançamento de uma fragrância com seu nome, disse: “Ou lanço algo maravilhoso, ou nada lançarei! Não quero ficar constrangida!”, sabendo que para se obter sucesso é necessária muita, muita competência, nas duras, porém verdadeiras palavras de um certo senhor para mim: “Se não obtiveste sucesso é porque não tiveste competência!”, um homem que para umas coisas é tão duro e para outras é tão doce! Aqui é um sonho muito bonito, num inebriante perfume no ar, na magia das flores, dos apaixonados, em flores que conquistam o coração, como no Dia das Mães, no qual a genitora tem que ser presenteada com flores, numa homenagem àquela pessoa sem a qual não estaríamos aqui, como um homem respeitando a própria esposa, sabendo ser esta a mãe de seus filhos. Aqui a mulher paira sobre algo, prestes a tomar alguma ação, mas se permitindo ter um momento de pausa num mundo tão atribulado e estressante, fazendo algo com calma, sem angustiantes prazos, no modo como cada pessoa tem deu dia a dia e seus afazeres, pois tenho grandes amigos no Mundo, mão não sou “gêmeo siamês” destes, pois cada um tem sua vida, e em amizade não pode haver cobrança ou assoberbamento, na imortalidade dos laços de amizade, pois um amigão é alguém que não vemos há anos, quiçá décadas, e quando revemos tal ente, parece que foi ontem a última vez em que vimos tal amigo, ao contrário do conhecido, do semiamigo, uma pessoa a qual olhamos nos olhos e não sabemos quem está ali! O amarelo é a cor do Sol e do ouro, da juba do rei da selva, na majestade agressiva do rei, como no célebre leão da MGM, numa grande coragem, como no Gato Guerreiro, o parceiro do super herói He-Man, um GG que era um bichinho o qual, num piscar de olhos, ia de pacato medroso a valente, destemido, como uma paladina Elizabeth I desafiando a então toda poderosa Espanha. Seja pacato e pacífico e, assim, serás um super herói, como no pacato Clark Kent, tornando-se o Super Homem. Entenda a força do masculino Yang, mas dentro de você mesmo seja mais Yin, o princípio feminino, na recomendação taoista a um líder: Nunca interfira no dia a dia pacato do cidadão. Aqui é um quadro de leveza e feminilidade, de perfume, numa Vênus domando Marte, num rei que prima pela paz, ao contrário de um certo senhor insano, afetando tudo e todos numa sede napoleônica por poder, sempre poder.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Pausa

 Excepcionalmente nesta semana não haverá postagem.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Bom Bo (Parte 24 de 28)

 

 

Falo pela vigésima quarta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, As sonâmbulas. O homem laborioso ao fundo remete aos homenzarrões corpulentos de Aldo Locatelli – se você é de fora de Caxias e tiver a chance de visitar a urbe serrana do RS, não deixe de ir à Igreja de São Pelegrino, com as deslumbrantes pinturas de AL, um templo que é um verdadeiro museu de Arte Sacra. Aqui é o suor do labor, da pessoa que rala e vai à luta, no modo como uma pessoa rica só pode se manter sã mentalmente se trabalhar de alguma forma, na miséria que fica a pessoa que é considerada feliz na Terra, como os ganhadores da Loteria, na sabedoria popular de que dinheiro compra tudo, menos o que importa, que é felicidade, no modo como uma pessoa muito especial me ensinou que podemos ser felizes com pouco, como no filme Moulin Rouge, com a cortesã que quer se casar com um duque rico, mas que acaba se apaixonando por um escritor pobre, com ela dizendo: “Nós vamos acabar morando na Rua!”, o que é um exagero. As mulheres nuas são a franqueza e a honestidade, remetendo a uma certa psicóloga, a qual atendia os clientes usando uma camiseta que mostrava o formato de seios, numa mulher confortável em ser mulher, em honestidade consigo mesma, mostrando que é mulher, e que gosta de ser assim, numa questão de simplicidade e honestidade, buscando autenticidade, no caminho da pessoa se gostar e aceitar-se como é. Os seios são a nutrição dos mamíferos, como mamar numa caixinha de leite condensado, no modo como os laticínios estão tão penetrados na Sociedade, com vários alimentos sendo feitos à base de leite, remetendo aos intolerantes a lactose, numa questão da pessoa saber até onde pode ir e o que pode fazer, ficando alerta às suas próprias limitações. Os pés descalços são a simplicidade, como nos alvos pés de Maria esmagando a serpente da malícia, remetendo a uma certa senhora fofoqueira, rica e, ao mesmo tempo, miserável, numa vida tão desinteressante que tudo o que lhe resta é cuidar da vida dos outros, falando mal das pessoas, uma senhora que tem um semblante malicioso, e só não mando ela à merda, com o perdão do termo chulo, porque não quero comprar indisposições com as pessoas, pois já tive que comprar uma grande indisposição com um certo sociopata, e não quero mais inimizades em minha vida – simples assim, e esta senhor que colha os frutos de ser o que é e de fazer o que faz, uma pessoa que vai desencarnar e dar-se conta da vida vazia que levou na Terra, talvez topando reencarnar numa vida mais produtiva, correndo em busca do tempo perdido. A câmera é o louvor da Sétima Arte, quando a chegada do som ao Cinema fez uma simples distração se tornar arte de fato, numa Hollywood que é uma das provas de ninguém está por cima o tempo todo, como Meryl Streep, acostumada a todo ano ser pelo menos indicada a um Oscar, uma diva que há vários Oscars sequer é indicada, fazendo do sucesso tal amante infiel, no encargo de superar um doce momento de sucesso apolíneo, como num Romário, mantendo-se humilde mesmo depois de conquistar a Copa do Mundo e voltar em dourado júbilo à nação brasileira, como uma Gisele, com a humildade de dizer: “Desculpe, gente, as tenho que trabalhar!”, e não é insuportável uma pessoa arrogante? Aqui temos laços de afeto e amor, no amor puramente espiritual, de mente para mente, sem as vicissitudes do corpo carnal, no sentido da mortificação espírita, que é não ouvir o traiçoeiro coração e ouvir à fria mente, poupando, assim, a pessoa de sofrer, pois, quando não ouvimos à cabeça, tomamos no cu, com o perdão do termo chulo. Aqui é um set, com uma numerosa equipe, num sharing, que é cada um dando sua contribuição, com tudo girando em torno do diretor, no “xixi” que o saudoso diretor Fábio Barreto me deu certa vez, dizendo-me: “Quando eu falo algo, você tem que obedecer!” – nós te amamos, Fábio! A nudez é a dedicação do ator, como no final de uma peça com Glória Menezes, com a atriz, interpretando uma paciente com Câncer, aparecendo totalmente nua perante a plateia, num ato de coragem e franqueza. Os chinelos no chão são a simplicidade, como no povo salvadorenho, de chinelos nos melhores shoppings da cidade, em particularidades do senso comum baiano, como, por exemplo, tomar dois banhos por dia, na demanda de água na cidade de Salvador.

 


Acima, Asfalto. Aqui é um lamentável acidente, como o que sofri certa vez com meus pais, irmã e sobrinho, no milagre de termos saído com vida, tudo culpa de um condutor bêbado no carro que bateu bem de frente com nosso carro, no modo como é importante termos juízo e responsabilidade, pois quando somos muito jovens, fazemos  muita merda, com o perdão do termo chulo, como eu certa vez adolescente, andando na Rua com uma bicicleta cujos freios não estavam funcionando muito bem, tendo eu atropelado uma inocente menininha, pois, hoje, e diria a mim mesmo: “Não vou sair com uma bike cujos freios não estão cem por cento, pois assim colocarei a mim e outrem em risco”, no modo como a juventude perfeita e felicíssima é uma invenção de velhos, idealizando um passado que não foi tão ideal assim. As fitas amarelas são um aviso para não nos envolvermos no processo, remetendo a um videoclipe com a superdiva Lady Gaga, com esta enrolada em fitas similares, numa artista que é uma bomba atômica de atitude, brindando-nos com tamanho frescor, numa jovialidade de transgressão, estranha, maravilhosa, trazendo mais juventude ao tapete vermelho, nesse competitivo mundo em que elas concorrem para ver qual tem o vestido mais deslumbrante, como no baile da revista Vogue no Rio, numa explosão de glamour para ver quem é mais maravilhoso, nas inevitáveis competições da Vida em Sociedade, como no colégio, onde concorremos para ver quem é mais aplicado, exigindo agressividade da pessoa, na letra de uma certa cação pop: “Todo mundo quer mandar no Mundo!”. O avião é o progresso do Homem, em supermáquinas que desafiam as leis da Física, no galgar infindável de tecnologias, sendo só questão de tempo até o Homem poder viajar pelo Cosmos, na teoria do Buraco de Minhoca, tecendo caminhos para abreviar distâncias, viajando mais rápido do que a velocidade da luz, a qual, apesar de parecer ser rapidíssima, é lentíssima em termo cósmicos. Aqui temos uma vítima, um cadáver, na inevitabilidade dos acidentes, em vidas ceifadas tão precocemente, como uma grande amiga minha, vítima de um acidente de carro, com a qual faço contato espiritual todos os dias para tal amiga abençoar meu dia, na imortalidade dos laços de amizades, pois, fora da amizade, não há salvação, e tudo o que levamos são nossos amigos, pois os amigos são o ouro da Vida. Num detalhe vemos um homem parcialmente nu, com a genitália exposta, na malícia da serpente do Éden, cobrindo os inocentes sexos, no modo do grego antigo em lidar de forma natural com a nudez, como altivo kouros do novaiorquino Met, numa nudez tão inocente, pura. Aqui são as avaliações de tal evento de acidente, com os socorros sendo prestados, como na sucessão de acidentes com a companhia aérea TAM, com muitas vítimas, as quais, reunidas lado e lado no asfalto do aeroporto, formaram um córrego de sangue, na amarga ironia: No setor de checkin da TAM, uma tapete vermelho recebia o cliente, no modo de fazer com que este sinta-se vip e especial; depois de tais acidentes, a cor do tapete remetia ao sangue das tragédias, numa ironia, pois o avião é o meio de transporte mais seguro. No céu uma agourenta nuvem negra de forma, como no céu escuro na crucificação de Jesus, numa imagem tão forte, num Jesus tão humilde e vulnerável, num quadro de fraqueza, a qual se revela força, no discernimento taoista de que fraco é forte, fazendo de tal imagem de vulnerabilidade algo tão forte e poderoso, num caminho de humildade, na ressurreição que foi nada mais do que o simples desencarne de Jesus, voltando triunfante ao Plano Superior em clima de missão cumprida, no modo como a Filosofia não muda o Mundo, e nem Jesus mudou o Mundo, mas Ele segue como uma figura na qual podemos depositar as esperanças de que um Mundo melhor nos espera lá em cima, na mensagem de esperança do Espírito Santo. Este cadáver é como o corpo morto de Jesus no colo de Maria, numa imagem de entrega, como a Nossa Senhora recebendo o oprimido e maltratado Negrinho do Pastoreio, uma figura de folclore gaúcho que também é o fraco que se revela forte.

 


Acima, Asher Lev. O cabelo é o orgulho afro, como no Brasil, no feriado Nacional de Consciência Negra, remetendo a um certo país racista, no qual negros não são bem vindos – é um horror. Aqui remete a uma certa canção pop, na letra dizendo para uma menina afro ter orgulho de seu próprio cabelo, sem prendê-lo ou tentar domá-lo de alguma forma, como na moda capilar dos anos 1970, na chamada blackpower, como na famosa banda Jackson Five, com o infante Michael Jackson, uma criança à qual foi negado ter uma infância normal, num pai tão duro e tirano, magoando para sempre o célebre mestre pop, um Michael que foi tão mal compreendido com suas excentricidades, como construir para si um parque de diversões particular, como uma certa senhora, a qual, adulta, tinha como hobby pilotar carrinhos por controle remoto, uma pessoa que não teve infância, ou como pessoas de mais idade que ficam fervendo pela boemia, talvez pessoas que, em suas juventudes, sentiam-se proibidas de viver tal vida. A moça aqui é pura e inocente, muito jovem, muito “verde”, por assim dizer, e tem todo um aprendizado pela frente, talvez frente a uma vida longa e produtiva, numa encarnação que causa à pessoa um crescimento enorme, pois a depuração moral é o sentido de qualquer vida, no sentido de nos tornarmos pessoas melhores frente às vicissitudes, as quais acabam por nos ajudar, na sabedoria popular de que Deus escreve certo por linhas tortas, como para mim, pois algo que eu desejava se realizou, mas não do jeito exato como eu imaginava, num Pai tão amoroso, que nos atende. Duas mechas que escapam do penteado são a rebeldia, a insatisfação, em ícones como James Dean, numa juventude com seus conflitos, como dentro de um labirinto, de um submundo cheio de pistas falsas e armadilhas, num espírito que está perdido, talvez imaturo, remetendo a pessoas que, enquanto perdem tempo no mimimi, suas vidas estão passando, e ter uma certa idade já é idade para se estar bem resolvido em relação à Vida. A camisa está espartanamente apertada e abotoada, numa disciplina, como aqueles professores totalmente duros e exigentes, como uma professora de Filosofia que tive, ultraexigente, na única cadeira de minha faculdade na qual quase fui reprovado, tendo passado com conceito mínimo, daqueles professores excelentes, quando desejamos cursar mais cadeiras com eles nos exigindo – nem todos os professores valem cada centavo da mensalidade, como outra certa professora, a qual usou para o seu trabalho os próprios alunos, numa falta de apuro moral, quiçá em grande desrespeito, uma pessoa para a qual eu, definitivamente, não tiro o chapéu, ao menos até o presente momento. O traje aqui é meio mórmon, protestante, por assim dizer, na simplicidade dos templos protestantes, limpos, minimalistas, ao contrário de templos exuberantes católicos, cheios de pinturas, imagens e arabescos, no modo como gosto de visitar tais templos fora do horário de missa, nunca tendo eu entrado num confessionário, quando em mesmo, paradoxalmente, tenho como amiga uma freira que foi minha professora no Ensino Fundamental! Aqui é um quadro de discrição, na discrição de se orar na Igreja, remetendo a um certo padre, o qual foi desligado da ordem, um padre que tinha nobres intenções de sincretismo, de unir as crenças e as pessoas, um senhor que recebeu diversas advertências, do tipo: “Atenha-se à discrição de um sacerdote católico apostólico romano!”. O fundo aqui tem uma cor discreta. O cabelo arrumado é como num compromisso social, no qual temos que nos arrumar, como em premiações de gala, solenes, remetendo a uma certa atriz, a qual, talvez de modo inconsciente, quer agredir, arrumando-se de forma precária na hora de tais cerimônias, quando permanece a importância da autoestima, que é a pessoa se arrumar, como, por exemplo, perfumar-se, como o incenso oriental ganhou a Europa, na universalidade de valores como limpeza, pureza e perfume.

 


Acima, Assunção. O barco é o porto seguro, como numa casa segura, criando crianças, numa responsabilidade. Aqui é como os leves pés de Jesus caminhando na água, na série de milagres que Ele cometeu, no sobrenatural que se impõe ao físico, desafiando leis da Física. O abraço é o amor, a amizade imortal, a qual dura para sempre, como uma madeira nobre, de boa qualidade, durável, imune a cupins, ou como os metais nobres, ou como pedras preciosas, aparentemente eternas, fazendo metáfora com a imortalidade da mente humana, pois pedras são matéria, e toda matéria está fadada à danação, à ruína, remetendo aos espíritos mundanos materialistas, obcecados com essa ilusão que é a matéria, como no Mito da Caverna, da pessoa agrilhoada a ilusões de tolos auspícios, trazendo o papel do filósofo que é nos acordar e nos fazer olhar além da caverna, libertando-nos, como Neo libertando a Humanidade em Matrix, num processo cognitivo de acordar as pessoas para a dura realidade nua e crua, num choque de realidade o qual, de início, é duro de se aceitar, como no doloroso fato de que a Filosofia não muda o Mundo, pois nem a majestade de Jesus soube mudar as mazelas do Ser Humano, num Mundo agressivo com suas guerras, nas levas recentes de americanos protestando contra o semitirano Trump. É como na “desintoxicação” que refugiados nortecoreanos sofrem ao se refugiar na Coreia do Sul, recebendo as noções de que vêm de um estado opressor e totalitário, tirano, cruel, entendendo de que cada um cuida de si, no caminho da liberdade de expressão, no forte contraste entre as duas Coreias: Na do norte, tudo investido em armistício, roubando do cidadão e originando um estado pobre, paupérrimo, sem escolas, hospitais ou estradas; na do sul, uma festa colorida do k-pop, num estado em que a pessoa é dona de si mesma, na deliciosa sensação de liberdade de se estar na beira da praia, respirando ares de renovação, nos versos de uma certa canção: “Sem liberdade, não há amor; sem amor, não há liberdade”. O branco do barco é a paz, em esforços diplomáticos, num homem de Tao, o qual nunca recomendará violência, ao contrário do homem medíocre, no caminho degradante da raiva, a qual é menor do que a paz, pois só a paz é eterna, e toda e qualquer desavença vai se resolver, como no degradante Umbral, uma casa de passagem, pois o caminho inevitável e natural é o crescimento, e ninguém está no Umbral para sempre, como um certo professor que tive, o qual se desentendeu fortemente comigo certa vez, e ele e eu seremos grandes amigos, pois no Plano Superior vamos nos reencontrar e tudo ficará em paz, no caminho da amizade, a qual é o ouro da Vida. O azul marinho é tal de discrição, como nos ternos sisudos de políticos em Brasília, no impacto de um Clodovil em tal ambiente de homens, na desolação do menino gay na hora do futebol na Educação Física escolar, como vi certa vez um rapaz que pura e simplesmente se recusava a fazer essas aulas com os meninos, jogando, assim, vôlei com as meninas, e cabe a nós respeitar, pois, afinal, a vida é dele e não nossa, como em grandes cidades, com estranhos convivendo na mesma urbe, com cada um cuidando de sua vida, no modo como tanto respeito casais gays na Rua, afinal, faz tempo que homossexualidade deixou de ser oficialmente doença psíquica, nas luzes esclarecedoras da Ciência e do glorioso pensamento racional. A criancinha é ainda pequena, e mal compreende o mundo à sua volta, como vi hoje mesmo na Rua uma mãe com duas crianças, num peso duplo de responsabilidade, no modo como eu já disse a uma certa pessoa: “Para se aturar uma criança, é preciso uma paciência descomunal”, em atos como imposição de disciplina, preparando a criança para os sisos da vida de adulto. Esta elevação é como uma colônia espiritual, numa dimensão ligeiramente acima da Terra, num lugar onde a Vida continua, e trabalho e estudo não podem faltar, na ironia de que o Céu não são anjinhos loiros tocando harpas, mas um lugar de responsabilidade e disciplina.

 


Acima, Atribuição. Aqui é um lar disfuncional, com uma mãe relapsa e ausente, indiferente aos filhos, fugindo da responsa, como no livrão As Horas, no mestre Michael Cunningham, numa mulher que abandona o filho, arrependendo-se quando este morre por suicídio, num rapaz soropositivo, no modo como minha geração, que foi criança nos anos 1980, no boom mundial inicial da AIDS, já chegou alertada à maturidade sexual, sabendo da importância do uso de preservativo, ao contrário de uma subgeração antes de mim, pega de surpresa pelo terrível vírus. O quadro é sombrio, escuro, incerto, como nos quadros barrocos, no jogo entre claro e escuro, no inevitável advento das vogues, das ondas, como na vogue de uma Carmen Miranda, trazendo cor e alegria a um Mundo pesaroso com os horrores da II Grande Guerra, numa época em que não havia clima para festa, nos horrores de extermínio em massa, na passagem de grandes sociopatas como Hitler, remetendo a uma certa pessoa, louca, com certeza, tentando catequizar jovens para o Nazismo, no caminho da loucura, que é não querer sair da prisão no dia glorioso de soltura, como no espírito que, ao desencarnar, quer voltar para o corpo físico, o qual perdemos no desencarne, num caminho sem volta, como um certo senhor, no caminho sem volta da drogadição, condenado a apodrecer o resto de seus dias numa clínica psiquiátrica, perdendo-se nas drogas, ao contrário de vidas destruídas que têm perspectiva de reconstrução, mesmo que lenta e gradual, num ponto de fundo de poço na vida da pessoa. O carente menininho nos olha, e está desamparado, como um certo rapaz órfão, que veio ao Mundo sem pais, um rapaz que tentara de matar, sendo enviado a uma clínica psiquiátrica, decidindo se dedicar à sua religião, a Umbanda, uma religião tão forte e vibrante, acolhendo os socialmente execrados, no poder dos tambores africanos, imitando a fluidez das batidas do coração, no modo como já ouvi que a Vida é o nervo da Arte. A cadeira caída é o desleixo e o descuido, como pais sociopatas, expondo os filhos ao perigo, no exato caminho oposto ao pai zeloso, na absoluta falta de apuro moral nos sociopatas, pessoas as quais temos que, por media de segurança, excluir de nossas vidas, como uma pessoa de minha família, uma pessoa sociopata, pessoa que um dia visitarei no Umbral, convidando tal pessoa a ir comigo a um lugar melhor, no caminho da humildade, que é admitir que se necessita de auxílio, no feliz modo como ninguém está no inferno para sempre, sendo tudo processo e transformação, no caminho da Eternidade, da qual não é possível se falar ou descrever. A mulher dorme, sem consciência do caos em sua casa, com menores abandonados, espíritos corajosos, que topam reencarnar em tal contexto duríssimo e miserável, sofrendo, assim, um descomunal desenvolvimento espiritual, voltando ao Lar Superior, no qual nossa Mãe Divina nos acolhe, fazendo da Imaculada Conceição uma forma de nos fazer entender que somos todos frutos de tal concepção sacrossanta, e cada um de nós é único, fazendo metáfora com a rica galeria de personagens construídas durante a brilhante carreira de Chico Anysio, personagens altamente únicos, distintos, no privilégio do Brasil ter tido no país tal gênio humorístico, em artistas que nos deixam perplexos com tamanha genialidade, no modo como o palhaço o será estando ou não remunerado por tal, no caminho do desinteresse, em brilhos que nos deixam perplexos, como Chico Xavier, um espírito tão, mas tão depurado, o qual nos ama e nos acompanha, nosso irmão, nosso igual, nosso Chico, o qual me ilumina no exato momento em que escrevo este texto! A luz fraca que entra na sala é a esperança, numa reviravolta de vida, na pessoa que assume o controle de sua própria vida, mandando os outros à merda, com o perdão do termo chulo, como um certo senhor, o qual mandou o Mundo se danar e foi tratar de ser feliz, pois que vida é esta na qual sou prisioneiro dos outros? Aqui, a inocência infantil não nos deixa compreender completamente o que acontece, como um certo casal de narcotraficantes, vendendo drogas na frente da filha pequena – é um horror.

 


Acima, Autorretrato. O olhar é sério, até triste, como uma certa celebridade, a qual, mesmo sorrindo em público, tem os olhos tristes, ou como outro certo senhor, com um olhar tristíssimo, talvez numa grande carência afetiva, como na carência afetiva da pessoa solitária, havendo golpistas que se aproximam de tais pessoas para a estas explorar, como seduzir viúvas solitárias, no estilo de vida solitário, sem norte, na necessidade suma de nos ocuparmos com algo produtivo e positivo, no modo como lamento sobre certas pessoas, as quais estavam bem engajadas socialmente, mas pessoas que acabaram abandonando tais atividades, no modo como não existe a palavra “aposentadoria”, pois a Vida é produtividade sempre, como a senhora minha avó paterna, a qual, ao se aposentar como professora, passou a escrever poesia, para ter algo para fazer de seus dias na Terra, dizendo em um de seus textos: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”, fazendo menção à neblina invernal comum nas cidades da Serra Gaúcha, e a Vida é isto, uma tarde brumosa a qual temos que preencher de alguma forma, na vida tão, mas tão vazia da pessoa rica que não trabalha, na ilusão do dinheiro, o qual é o tempo todo visto como um paraíso, no inferno do ganhador da Loteria, sendo um prisioneiro de sua própria riqueza, como um certo novo milionário, do qual pessoas interesseiras se aproximaram, pessoas estas que são qualquer coisa, menos amigos, pois amizade é sem interesse, sem cobrança, no caminho espiritual do Amor Incondicional, o qual é leve e desapegado, ao contrário do amor doente, obsessivo e possessivo, como um certo senhor, nutrindo tal amor fixado, sofrendo assim, como no filme espírita E a vida continua, num rapaz obcecado por uma moça, querendo possuir esta; querendo ser dono e senhor desta, no caminho oposto ao da liberdade, a qual é fundamental, na sabedoria de Hebe Camargo numa entrevista: “Em amizade não pode haver cobrança!”. O preto é a discrição do luto, como em velórios, eventos sociais que não são festas alegres, mas eventos que são uma boa oportunidade para reencontrarmos parentes e amigos, naquele café forte de velório, para lembrar que não é festa, no modo espírita de ver o desencarne como algo natural, ao contrário do costume de religiões que vêem a morte de forma tão escura e atroz. O cachecol aqui é o frio, na frieza da cabeça, do pensamento racional, o qual serve para proteger o coração e poupar este de sofrimentos, no papel do psicoterapeuta em nos mostrar o Mundo da forma mais fria possível, libertando-nos da “caverna” e nos trazendo para o mundo real, no termo “dar espetadas”, que é acordar o paciente para a realidade. Na cabeça, o preto de impõe, como nos lugares escuros de submundo, com espíritos sofredores, arrastado-se por tal escuridão, sofrendo, num lugar horrível, num antro, como no antro do monstro Laracna, de Tolkien, num confuso labirinto aprisionador cheio de lixo e desnecessidades, num espírito que vaga por tal plano, no modo como nossos pais nos colocaram no Mundo para o Mundo, e não para um submundo, na necessidade de honrarmos pai e mãe, sendo um processo longo e doloroso que é voltar do submundo, como desgarrar de um vício, num pesadelo de crise de abstinência, pois que vida é esta na qual centro-me numa escuridão total? Que vida é esta? O artista aqui se arrumou para o retrato, barbeando-se devidamente, no gosto de se ver um homem barbeado e aprumado, com perfume de colônia pós barba, no ato de autoestima, que é arrumar-se para interagir socialmente, na figura do filantropo, o qual se arruma para dar aos pobres um exemplo de autoestima, muito distante do morador de Rua, o qual definitivamente não tem autoestima, numa vida tão degradante, dormindo dentro de setores de terminais bancários. O casaco aqui não está totalmente abotoado, numa folga, num respiro, num intervalo, pois até Deus descansou no sétimo dia, trazendo os dias de folga no Plano Superior, quando podemos passear pelos belos recantos plácidos da colônia espiritual, num plano de paz inabalável, onde todos se amam e respeitam-se.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.