Antes de ler esta postagem, saiba que, depois desta, o blog entra em férias e volta entre fevereiro e março de 2026. Bom Natal! Bom Réveillon! Bom verão!
Falo pela décima sétima vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Fora deste quarto é a guerra e o terror. Um envolvimento e uma cumplicidade, como um certo casal, experimentando juntos maconha, como num certo filme, com o casal comendo, de pé, da mesma panela, numa intimidade profunda, ao contrário de um fino e pomposo jantar para amigos, numa mesa impecavelmente posta, tratando os amigos da melhor forma possível, num talento de anfitrião, como num filme com Leo DiCaprio, um multimilionário dando pomposas festas, recebendo em sua mansão um catatau de pessoas, proporcionando a estas música, glamour, bebida e diversão, mas um senhor o qual, ao morrer, só teve um amigo de verdade, havendo apenas este do funeral do homem rico, no discernimento entre amigo e conhecido: O amigão sabe pelo que passo existencialmente, dando um ombro e um consolo, uma companhia; já, o conhecido é uma amizade “vaca de presépio”, pois é só para a hora da festa de do oba-oba, um conhecido o qual não nos dá sensação de acompanhamento – não é amizade tóxica, mas também não é brother. Aqui é como num sexy comercial de lingerie, na moça numa cama etérea, no hábito de rapazes se masturbarem com catálogos de lingerie, naquela época da vida em que somos escravos de nossos próprios hormônios, nas palavras de uma imponente Marta Suplicy: “Adolescência é uma época da vida em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal!”, deixando perplexa uma plateia de adolescentes, naquelas pessoas que, definitivamente, não são simplórias, numa Marta caindo no gosto dos homens gays, frente a uma mulher tão elegante e glamorosa. O branco aqui é a paz, na paz que desejamos numa virada de ano, na paz inabalável do Plano Superior, em ruas silenciosas, num acalentador canto de pássaros, num plano em que não temos prazos ou pressa, num lugar em que todos se respeitam, sem querer passar os outros para trás, num plano de apuro moral, onde temos a sensação de estarmos entre amigos, como entre nossos coleguinhas de escola, numa sensação de acolhimento e pertencimento, nas palavras de um espírito no Plano Superior, no filme Nosso Lar: “Não desejo estar em qualquer outro lugar!”. Os olhos azuis são a transparência, num amigo transparente, amigo, aliado, irmão, numa pessoa na qual podemos indubitavelmente confiar, como um certo senhor, uma pessoa boa e honesta, na qual posso confiar cegamente, no caminho capital da aquisição de apuro moral, ao contrário do sociopata, um mau caráter que quer sempre mentir e enganar, havendo só um lugar para tal espírito – o Umbral, o plano no qual, definitivamente, não temos amigos, numa desolação, como vagar por uma cidade deserta, inóspita, num eterno domingo deprimente, como um morador de rua jogado numa calçada, uma pessoa que, com todas as suas forças, quer fugir da vida e evitar a luta, nos perenes versos do Hino Nacional do Brasil: “Verás que filho teu não foge à luta!”. A luz entra aqui branda, suave, num cômodo claro, plácido, no poder da luz, da Terra da Estrela da Manhã, à qual todos pertencemos, sem esquecer de que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei Supremo, e todos fomos impecavelmente concebidos por tal Pai amoroso, no Útero Sacrossanto, do qual todos viemos, havendo no mito de Maria a metáfora para entendermos nossas origens divinas. Aqui há sensualidade, mas não sexualidade, pois não se trata de uma foto pornô, remetendo ao nu de bom gosto da revista Playboy brasileira, um nu de tão bom gosto que conquistava até os homens gays, em edições memoráveis, como o debut explosivo de Adriane Galisteu, numa edição que vendeu como água, alçando AG ao status estelar então. É a tênue linha entre erótico e vulgar, uma linha nem sempre sendo bem visualizada. Aqui pode ser um casal homoafetivo, no modo como temos que respeitar outrem, pois a vida é de outrem, e não nossa. As mãos dadas são o amor e a compreensão, num nível de intimidade no qual compreendemos completamente tal pessoa, ao ponto de podermos conversar por telepatia, sem proferir uma única palavra.
Acima, Forasteiro. O vento é a liberdade, no desejo gaúcho de liberdade em se desvincular do Império Brasileiro e fazer do RS uma nação independente e soberana, nos farrapos sendo esmagados pelo poderio militar imperial, fazendo da Revolução Farroupilha a tragédia fundadora do povo gaúcho, na altivez de se tocar o hino gaúcho em partidas estaduais de Futebol, como no título de um lugar em Brasília: “A embaixada do Rio Grande em Brasília”. O homem aqui já não é um rapaz, mas também não é velhinho, como no Aragorn de Tolkien, um homem grisalho o qual, apesar de ter 47 anos de idade, está na flor da idade e no auge da virilidade, como no James Bond, um homem de meia idade no auge da vida, num Bond que tem que ser a combinação entre charme e agressividade, em Bonds charmosos como os de Pierce Brosnan e Sean Connery, num charme londrino, cosmopolita, resultando depois nos metrossexuais, em homens como Beckham, empenhados em ter a melhor aparência possível, num Beckham tão midiático, adorando aparecer pela mídia global, como numa Diana, um monstro midiático que transcendeu numa Inglaterra na qual ninguém pode ser mais do que realeza. O homem aqui nos fita, talvez num desafio, numa altivez de rei, nesses homens simples que conquistam o respeito do povo, num homem que bebe o mesmo tipo de café dos súditos, no caminho da simplicidade, na noção taoista de que o homem de Tao mora em pomposos palácios, mas não se importa com estes, sabendo que os campos e florestas vestem roupas maravilhosas, em terras vastas, que vão até onde alcança a visão, na saúde do ar livre, no cheiro de bosta do campo, num lugar simples, sem pretensões ou frescuras, no caminho da virilidade, numa viril Elizabeth I, conquistando a confiança do povo, transformando uma nação pobre e fraca no país mais rico e poderoso da Europa, fundando os tradicionalíssimos colleges, numa época misógina em que a mulheres não podiam estudar, mesmo havendo uma mulher como chefe de estado! O vento é a deliciosa sensação de liberdade da orla, do delicioso hálito de mar, da Mãe Mar que gerou a Vida na Terra, na imagem popular de Iemanjá, a Rainha do Mar, trazendo fartura às redes de pescadores, no milagre cristão da multiplicação de peixes, em países fartos e ricos como o Canadá, apolíneo, totalmente bem administrado, fazendo com que, em comparação, Nova York pareça Terceiro Mundo! O cachecol é a preservação contra o frio, em dias de inverno na Serra Gaúcha, seduzindo turistas que vão ao RS exatamente para passar frio, e, na contramão, os gaúchos adoram o calorzinho gostoso de cidades como Salvador! O agasalho aqui é a preservação, na campanha anual do agasalho no RS, combatendo tal inclemente inverno gaúcho, remetendo a cidades como Porto Alegre, tão quente no verão ao ponto de receber o apelido “Forno Alegre”, havendo no Plano Superior nem o frio congelante, nem o calor escaldante, em dias agradáveis e noites amenas, sem a bipolaridade de extremos, na magia das vindimas, celebrando a beleza da vida. A barba grisalha é a sabedoria que a idade traz, fazendo de nós pessoas responsáveis, com juízo, como na sisuda responsa de se terem filhos no Mundo, em um pai que trabalha de Sol a Sol para ser tal provedor de um lar, deixando muito claro que é tal pai quem manda dentro de casa, nos inevitáveis xixis dados nos filhos, participando da educação destes, remetendo a uma certa mulher um tanto cruel, a qual, ao se separar do marido, arrancou deste o lar que tal homem tinha, numa mulher que se decepcionou, a qual, na Igreja, pensou ter desposado um príncipe, mas um homem o qual, no siso do dia a dia, revelou-se um “sapo”, um homem insensível e pouco romântico, no modo como, num relacionamento amoroso, todo santo dia tem que haver uma pequena reconquistada naquela pessoa, pois, do contrário, cairá na mesmice. As terras vastas ao fundo são os domínios do rei, nesses altivos reis de Tolkien, em homens tão altivos como Papa Francisco, num legado aos papas posteriores.
Acima, Forja. Aqui é a virilidade do labor, nesses esforços braçais, exigindo condicionamento físico para tal, como nos navegadores europeus desbravando as Américas, seduzindo donzelas com suas histórias de aventuras, no mito de Rapunzel, libertada de seu castelo, na sedução entre masculino e feminino, como no mito de São Jorge matando com sua fálica lança o dragão, libertando a donzela, como na Arwen de Tolkien, entregue pura e casta ao rei, na divisão machista de haver só dois tipos de mulher – a santinha e a putinha, com perdão do termo chulo, enfurecendo as feministas, as quais trabalham em prol de ta liberdade, criticando o mito de Eva, o segundo sexo, o arremedo de Adão, com a função machista de reprodução da espécie, fazendo da mulher uma escrava dos labores do lar, nas furiosas palavras de uma certa senhora em briga com o próprio marido: “Eu me matando para manter esta casa limpa e organizada! Eu vou-me embora desta casa!”, entristecendo os filhos, os quais não gostam de ver os pais brigando. Aqui é o erguimento de algo, no modo como a Imigração Italiana na Serra Gaúcha foi uma reforma agrária que deu certo, na força do colono em carpir lotes virgens, sonhando com uma farta mesa de galeteria, mesa de rei, com muita comida e vinho, impressionando uma senhora italiana em tal restaurante: “Mas Dio, quanta comida! Como vocês comem!”. Podemos ouvir o barulho possante do martelo na bigorna, num esforço que exercita o corpo, num homem que sequer precisa colocar o pé dentro de uma academia de musculação, nessa atividade enfadonha de puxar ferro, pouco exigindo de nossa inteligência, em homens que decidem ter tal condicionamento físico, halterofilístico, tornando-se escravos de uma academia, nas palavras de um homem ao jornalista Fernando Gabeira: “Vida de fisiculturista é sofrimento!”. Os homens sem camisa são a liberdade do ar livre, num cheiro de campo, de liberdade, na gloriosa sensação de se tirar a camisa na praia, no sedutor mar que desafia o surfista, excitado com as ondas volumosas, prostrando o surfista frente a um mar sem ondas, remetendo a uma certa pessoa, a qual perdeu totalmente a vontade de lutar e viver, mergulhando, há cerca de duas décadas, num marasmo sem fim, num prejuízo sério, pois enquanto está no mimimi, sua vida está passando, ou seja, está perdendo tempo em ter pena de si mesma. Aqui é um esforço hercúleo, como na produção de O Quatrilho, num Fabio Barreto que foi o epicentro de todo um labor, excitando uma comunidade inteira, em hotéis da cidade hospedando os membros da equipe e elenco, num momento em que todos se uniram em torno de Fabio, comprando o sonho deste em transformar tal livro em filme, num trabalho artesanal, que exigiu tudo de todos, num filme que foi o auge da carreira de tal grande brasileiro como Barreto, um homem que amava tanto o Brasil, querendo difundir globalmente a imagem de tal país amado, ou seja, um grande homem, sem dúvida. A pedra elevada é o capital labor, qual não pode faltar, como no Plano Superior, no qual não falta trabalho, em trabalhos nobres, que exigem de nossas cabeças, como um publicitário sonhando em trabalhar em pomposas agências de Propaganda, como na agência DCS, de Porto Alegre, num tesão de firma. O fogo ardendo é o labor árduo, mas que vale a pena, nas inevitáveis dores encarnatórias – a diferença reside se me permito ou não sofrer por tal dor, na capacidade humana em rir das dores, como uma grande amiga minha, a qual encarou com bom humor o fato de ter tido sua própria casa assaltada, num bandido que, definitivamente, não tem como estar ok, havendo no Umbral tal dimensão de sofrimento. Aqui é uma cidade sendo erguida com esforço e virilidade, em sonhos de desenvolvimento, com altivos prédios altos, na competição fálica para ver qual país do Mundo tem a torre mais alta, no mito de Babel, a torre que queria desafiar Deus, ruindo e fracassando. Os homens sem camisa remetem a uma antiga campanha publicitária de cigarro, com fisiculturistas fumando ao ar livre, linkando o cigarro à ideia de saúde, algo que hoje é contra a lei.
Acima, Galileia. Momento de festa e beleza, num momento em que nos desligamos temporariamente dos sisos do dia a dia. O barco é a sociedade, em meio às intempéries naturais, como em Os Pássaros, do imortal Hitchcock, num choque entre ordem em caos, fazendo das tragédias naturais a prova de que é a imperfeita Terra quem tenta imitar o perfeito Céu, fazendo do Plano Superior o plano glorioso e doce, no qual estamos livres de todo e qualquer problema relativo a nossos corpos carnais, como na metáfora do filme Elysium, com uma máquina que curava qualquer problema de saúde, em ricos desalmados que viviam numa estação espacial, fora da Terra, em abismos sociais, como no Brasil, respirando ainda ecos do Brasil escravocrata, como na telenovela Sinhá Moça, mostrando tais horrores, com negros jogados como cães num canil de senzala, condenados a uma vida árdua, sofrida, levando ao ponto do Brasil comemorar o Dia de Consciência Negra, contrastando com um certo país, o qual é racista, no absurdo de se dizer que beagle não é cachorro – é cachorro, sim! Neste majestoso quadro deste mestre inegável que é Bo Bartlett, há uma ironia de metalinguagem, pois é tal falando de tal, ou seja, a arte do pincel de Bartlett falando da arte dos instrumentos musicais, como uma atriz interpretando outra atriz, como na deusa Goldie Hawn, reinando em O Clube das Desquitadas, em ironias, fazendo de Tao tal piadista, com tudo de Yang trazendo uma pitada de Yin, e viceversa, na questão da comparação, pois quando digo que algo é baixo, é porque comparo com algo mais alto, e liso e áspero, ou seja, fácil feminino e difícil masculino são faces do mesmo trabalho, nas palavras de uma monstruosamente brilhante Gisele para fãs num set de filmagem: “Desculpem, gente, mas tenho que trabalhar!”, nas palavras de Moacyr Scliar, tendo que ter a disciplina para sentar e produzir, numa dedicação ao labor, um labor que se revela prazeroso, doce, no modo como discordo de uma certa artista, a qual disse em entrevista que vê exclusivamente prazer no trabalho, como em esforços de artistas em turnês mundiais, viajando pelo Mundo todo, em horas e horas em aviões, longe de casa, em hotéis, no discernimento em O Mágico de Oz, no qual não existe lugar como nosso lar, como estar num hospital, longe de casa, num menino em Cidadão Kane, arrancado de seu paraíso de infância, como no menino em O Império do Sol, arrancando de sua família pelos horrores das guerras, começando a guerra guri e acabando homem, numa pessoa que teve que amadurecer muito cedo na vida, num filme bem conduzido por Christian Bale, o qual, diga-se de passagem, rendeu um bom Batman, ao contrário de outro certo senhor, para o qual eu não tiro o chapéu, sinto em dizer, um ator que não me cativa – gosto é pessoal! Aqui, os trajes de gala são a elegância, como em moças com seus suntuosos vestidos, como certa vez num baile de debutantes em Caxias do Sul, com as moças lindas de branco, jovens, e, do lado de fora da sede social de tal clube, meninos de rua admirados com tal beleza, num abismo social, em espíritos corajosos, que topam reencarnar em meio a tanta vicissitude, num árduo trabalho, o qual acaba por causar no espírito uma mortificação enorme, e a mortificação é necessária, pois devemos parar de ouvir o traiçoeiro coração e passar a ouvir a fria razão, nos trabalhos de Psicoterapia, num terapeuta nos mostrando o Mundo da forma mais fria possível, racional, na questão da fálica verdade, como numa recente campanha publicitária de uma fragrância masculina de Versace, com o ator musculosão Channing Tatum jogando uma flecha fálica racional que estilhaça o frasco, destroçando as tolas ideias mundanas de auspícios enganosos, nas palavras de uma sábia senhora: “O Mundo só pertence aos dignos, pois o resto são sinais auspiciosos”, como uma certa socialite, a qual, o que tem de rica, tem de desrespeitada, pois muito dinheiro traz tudo, menos o que importa! A mulher ociosa observa tudo, sem tocar um instrumento musical, numa pessoa que aprendeu a surfar nas ondas, num instinto nato.
Acima, Geórgia. A roda é uma das maiores invenções da Humanidade, universal, como não me canso de dizer que foram da preguiça que nasceram as grandes invenções – por que me “matar” subindo e descendo escadas se posso fazê-lo comodamente dentro de um elevador? Aqui remete a doces tempos de verão e férias, como em veraneios com minha família em Jurerê, SC, nos anos 1980, com a galera da vizinhança de noite, depois do jantar, passando em frente às casas dos amigos para uma pedalada, no modo como os amigos são o ouro da Vida, havendo tal sensação no Plano Superior, num mundo de Amor no qual ninguém quer enganar ou ludibriar, no caminho do apuro moral, o qual é o sentido da Vida, a qual só tem sentido se nos tornamos pessoas melhores, remetendo às pessoas improdutivas, desperdiçando uma vida com malícia e auspícios tolos, no modo como é miserável a vida de uma pessoa rica improdutiva, pois não há esperança fora do dignificante labor, na perguntinha inevitável quando vemos nossos entes queridos lá em cima: “Onde estás trabalhando?”. O rapaz negro remete a um rapaz negro que vi na ala africana do famoso museu novaiorquino Met, um rapaz altivo, orgulhoso de suas origens afro, em artefatos de magia tribal, no ponto decisivo em que o Homo sapiens passou a se diferenciar da animalidade, num Ser Humano ritualístico, em rituais de magia, no modo como a Arte pode ser mágica, conquistando fã clubes ao redor do Mundo, em artistas tão amados e reverenciados, na função da Arte em nos encantar, como na suntuosidade do casal Christo e Jeanne-Claude, em instalações que nos deixam embasbacados, perplexos, em bons artistas que nos encantam, fazendo da Arte algo tão civilizatório, como na construção de Cultura Erudita, num Brasil que tanto carece de tal cultura civilizatória, em problemas como a evasão escolar, como abandonar um curso universitário, cometendo o erro de não levar a sério se fechar um ciclo e acabar-se o que se começou, neste erro de descaminho, como certa vez um rapaz numa cafeteria, ex-aluno da senhora minha mãe, e o rapaz disse que abandonara o colégio, havendo trabalhos não muito bons aos que não têm escolaridade elevada, no modo como dá gosto, ao se preencher um cadastro, assinalar “superior completo” no item escolaridade, nas palavras de um certo senhor: “Se não estudares, tua vida será uma merda!”, com o perdão do pertinente termo chulo. Aqui remete a uma certa família, na qual dois meninos ganharam de Natal bicicletas, e partiram pela cidade pedalando, felizes e contentes, sendo assaltados ao transitarem por um lugar perigoso, com suas bicicletas roubadas, num presente que durou tão pouco, em lugares complicados como a Praça da Sé, em São Paulo, numa cidade que reúne o Primeiro e o Quarto Mundo, numa Patrícia Abravanel a qual não pode sair na Rua, em tal urbe, sem a companhia de um guardacostas, uma moça que já foi sequestrada, nesse crime hediondo, que é arrancar uma pessoa de sua vida e jogá-la num cativeiro como um cachorro – é um horror. Aqui são esses doces momentos de Verão tão frequentes na obra de Bo Bartlett, na magia das férias, esses merecidos descansos, chegando num momento final de veraneio em que a pessoas observam a importância de retomar a vida, os estudos e os trabalhos, pois tudo que é demais, enjoa, e isso inclui descanso. Aqui é uma boa atividade física, em pessoas para as quais o condicionamento físico é muito importante, remetendo a homens que são “escravos” de uma academia, levando uma vida tão árdua, no discernimento taoista de que matéria é nada e pensamento é tudo, como uma amiga minha, a qual, na Terra, é obesa, uma pessoa a qual, no Plano Superior, no mundo real, é magra, bela, com uma bunda que é bem gostosinha, no caminho da autoestima, como uma pessoa que se perfuma ao sair de casa, no caminho do gostar de si mesmo, como pregam os psicoterapeutas. É o Mito da Caverna, fazendo da Terra tal lugar de ilusões, num Ser Humano tão escravo da matéria, das pedras preciosas, as quais ficam no Mundo, nas palavras do imortal Silvio Santos: “Do Mundo não se leva nada!”.
Acima, Guerra civil. Aqui é uma neo Pietà, nos majestosos trajes de uma Maria a qual, em vida, foi pobre, esposa de um humilde carpinteiro, num vestido tão imponente e suntuoso, pomposo, como nas pomposas coroações de monarcas britânicos, encantando o Mundo com tais rituais milenares, no papel da tradição em nos dar a impressão de que o tempo não passa, remetendo-nos a um plano atemporal, fino, belo e onírico, longe das imperfeições terrenas, num plano superior com espíritos depurados que regem tais lugares, no termo espírita “veneranda”, espíritos de alto apuro moral que regem os que têm menos apuro moral, no caminho da verdade e da honestidade, ao contrário de um certo senhor, que me ludibriou, e não há esperanças para os que mentem, pois estes acabam rejeitados e desprezados, como na mentira de Bill Clinton, o qual negou em público o infame caso extraconjugal, num homem que está até hoje pagando pela mentira, na sabedoria popular de que a mentira tem pernas curtas. Aqui é um cenário de devastação de guerras, com poças de sangue, nesse ódio intrínseco ao Ser Humano, em irmão odiando irmão, como num certo caso em que dois irmãos simplesmente não se relacionam, sequer fazendo ligações telefônicas no aniversário de tal irmão, algo que, é claro, deixa descontente a mãe desencarnada de tais irmãos, observando lá de cima tal ódio e discórdia, pois do que adianta aparecer lindo e elegante numa coluna social se, de perto, é uma família complicada? Aqui é como as pragas de Moisés no Antigo Egito, num Nilo se transformando em sangue, num ponto decisivo em que o monoteísmo passou a se impor, despaganizando o Mundo Ocidental, trazendo o conceito simples de que há um só Rei, e que não há deuses, mas nossos irmãos depurados que nos regem em perfeição moral de arcanjos, estes gozando da felicidade suprema, recebendo diretamente as ordens de Deus, que é o infinito, e o eterno sobre o qual podemos falar não é o verdadeiro eterno, neste imensurável poder que é a Vida Eterna, no poderoso fato de que jamais findaremos! A mulher piedosa aqui ora e olha para cima, querendo elevação, em momentos de desespero nos quais tudo o que nos resta é rezar, como num espírito desencarnado no Umbral, farto de tanto sofrimento, pedindo, com humildade, a ajuda para sair de lá, como sair de um lugar imundo e tomar um revigorante banho num banheiro ensolarado, no poder da luz, a qual vence a escuridão, sendo fácil se detectar o sociopata, uma pessoa que, de fato, acha o Mal mais interessante, como um certo senhor, o qual tentou aliciar pessoas ao Nazismo – é um horror. Vemos um homem morto e tombado, morto em ação bélica, na obrigação do cidadão brasileiro homem em que se apresentar para o Exército, ao contrário dos EUA, onde tal serviço é opcional, ou seja, o brasileiro não nasce livre, mas prisioneiro e escravo de um sistema, como no sistema de Matrix, transformando um cidadão numa bateria alcalina, no modo ditatorial de se controlar tal cidadão, num Brasil que ainda respira ecos ditatoriais. O céu aqui é negro, atroz, fechado, em luto, como no céu negro sobre um Jesus crucificado, num momento em que até Ele se sentiu abandonado: “Senhor, por que me abandonaste?”, num Jesus o qual, hoje, sequer se lembra de tal execução cruel, remetendo a um certo senhor, o qual jura que é a reencarnação de Jesus, enganando quem quiser ser enganado. Ao fundo no quadro, outra Pietà, como corpos sendo retirados de campos de guerra, em homens que sequer foram sepultados em sua terra mãe, enterrados como cachorros em valas, no eterno lema humano: Quanto mais cruel, melhor. Muito ao fundo, de forma bem discreta, vemos homens assistindo a tudo à distância, testemunhas oculares de tais horrores, como correspondentes de guerras ao redor do Mundo, numa coragem para chegar tão perto de tais eventos destrutivos. A mulher de branco clama por tal paz, numa metáfora cromática: Num aguerrido mundo de amarelos em eterno pé de guerra contra azuis, seja verde!
Referências bibliográficas:
Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.
Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.











