quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Bom Bo (Parte 17 de 28)

 

 

            Antes de ler esta postagem, saiba que, depois desta, o blog entra em férias e volta entre fevereiro e março de 2026. Bom Natal! Bom Réveillon! Bom verão!

 

Falo pela décima sétima vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Fora deste quarto é a guerra e o terror. Um envolvimento e uma cumplicidade, como um certo casal, experimentando juntos maconha, como num certo filme, com o casal comendo, de pé, da mesma panela, numa intimidade profunda, ao contrário de um fino e pomposo jantar para amigos, numa mesa impecavelmente posta, tratando os amigos da melhor forma possível, num talento de anfitrião, como num filme com Leo DiCaprio, um multimilionário dando pomposas festas, recebendo em sua mansão um catatau de pessoas, proporcionando a estas música, glamour, bebida e diversão, mas um senhor o qual, ao morrer, só teve um amigo de verdade, havendo apenas este do funeral do homem rico, no discernimento entre amigo e conhecido: O amigão sabe pelo que passo existencialmente, dando um ombro e um consolo, uma companhia; já, o conhecido é uma amizade “vaca de presépio”, pois é só para a hora da festa de do oba-oba, um conhecido o qual não nos dá sensação de acompanhamento – não é amizade tóxica, mas também não é brother. Aqui é como num sexy comercial de lingerie, na moça numa cama etérea, no hábito de rapazes se masturbarem com catálogos de lingerie, naquela época da vida em que somos escravos de nossos próprios hormônios, nas palavras de uma imponente Marta Suplicy: “Adolescência é uma época da vida em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal!”, deixando perplexa uma plateia de adolescentes, naquelas pessoas que, definitivamente, não são simplórias, numa Marta caindo no gosto dos homens gays, frente a uma mulher tão elegante e glamorosa. O branco aqui é a paz, na paz que desejamos numa virada de ano, na paz inabalável do Plano Superior, em ruas silenciosas, num acalentador canto de pássaros, num plano em que não temos prazos ou pressa, num lugar em que todos se respeitam, sem querer passar os outros para trás, num plano de apuro moral, onde temos a sensação de estarmos entre amigos, como entre nossos coleguinhas de escola, numa sensação de acolhimento e pertencimento, nas palavras de um espírito no Plano Superior, no filme Nosso Lar: “Não desejo estar em qualquer outro lugar!”. Os olhos azuis são a transparência, num amigo transparente, amigo, aliado, irmão, numa pessoa na qual podemos indubitavelmente confiar, como um certo senhor, uma pessoa boa e honesta, na qual posso confiar cegamente, no caminho capital da aquisição de apuro moral, ao contrário do sociopata, um mau caráter que quer sempre mentir e enganar, havendo só um lugar para tal espírito – o Umbral, o plano no qual, definitivamente, não temos amigos, numa desolação, como vagar por uma cidade deserta, inóspita, num eterno domingo deprimente, como um morador de rua jogado numa calçada, uma pessoa que, com todas as suas forças, quer fugir da vida e evitar a luta, nos perenes versos do Hino Nacional do Brasil: “Verás que filho teu não foge à luta!”. A luz entra aqui branda, suave, num cômodo claro, plácido, no poder da luz, da Terra da Estrela da Manhã, à qual todos pertencemos, sem esquecer de que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei Supremo, e todos fomos impecavelmente concebidos por tal Pai amoroso, no Útero Sacrossanto, do qual todos viemos, havendo no mito de Maria a metáfora para entendermos nossas origens divinas. Aqui há sensualidade, mas não sexualidade, pois não se trata de uma foto pornô, remetendo ao nu de bom gosto da revista Playboy brasileira, um nu de tão bom gosto que conquistava até os homens gays, em edições memoráveis, como o debut explosivo de Adriane Galisteu, numa edição que vendeu como água, alçando AG ao status estelar então. É a tênue linha entre erótico e vulgar, uma linha nem sempre sendo bem visualizada. Aqui pode ser um casal homoafetivo, no modo como temos que respeitar outrem, pois a vida é de outrem, e não nossa. As mãos dadas são o amor e a compreensão, num nível de intimidade no qual compreendemos completamente tal pessoa, ao ponto de podermos conversar por telepatia, sem proferir uma única palavra.

 


Acima, Forasteiro. O vento é a liberdade, no desejo gaúcho de liberdade em se desvincular do Império Brasileiro e fazer do RS uma nação independente e soberana, nos farrapos sendo esmagados pelo poderio militar imperial, fazendo da Revolução Farroupilha a tragédia fundadora do povo gaúcho, na altivez de se tocar o hino gaúcho em partidas estaduais de Futebol, como no título de um lugar em Brasília: “A embaixada do Rio Grande em Brasília”. O homem aqui já não é um rapaz, mas também não é velhinho, como no Aragorn de Tolkien, um homem grisalho o qual, apesar de ter 47 anos de idade, está na flor da idade e no auge da virilidade, como no James Bond, um homem de meia idade no auge da vida, num Bond que tem que ser a combinação entre charme e agressividade, em Bonds charmosos como os de Pierce Brosnan e Sean Connery, num charme londrino, cosmopolita, resultando depois nos metrossexuais, em homens como Beckham, empenhados em ter a melhor aparência possível, num Beckham tão midiático, adorando aparecer pela mídia global, como numa Diana, um monstro midiático que transcendeu numa Inglaterra na qual ninguém pode ser mais do que realeza. O homem aqui nos fita, talvez num desafio, numa altivez de rei, nesses homens simples que conquistam o respeito do povo, num homem que bebe o mesmo tipo de café dos súditos, no caminho da simplicidade, na noção taoista de que o homem de Tao mora em pomposos palácios, mas não se importa com estes, sabendo que os campos e florestas vestem roupas maravilhosas, em terras vastas, que vão até onde alcança a visão, na saúde do ar livre, no cheiro de bosta do campo, num lugar simples, sem pretensões ou frescuras, no caminho da virilidade, numa viril Elizabeth I, conquistando a confiança do povo, transformando uma nação pobre e fraca no país mais rico e poderoso da Europa, fundando os tradicionalíssimos colleges, numa época misógina em que a mulheres não podiam estudar, mesmo havendo uma mulher como chefe de estado! O vento é a deliciosa sensação de liberdade da orla, do delicioso hálito de mar, da Mãe Mar que gerou a Vida na Terra, na imagem popular de Iemanjá, a Rainha do Mar, trazendo fartura às redes de pescadores, no milagre cristão da multiplicação de peixes, em países fartos e ricos como o Canadá, apolíneo, totalmente bem administrado, fazendo com que, em comparação, Nova York pareça Terceiro Mundo! O cachecol é a preservação contra o frio, em dias de inverno na Serra Gaúcha, seduzindo turistas que vão ao RS exatamente para passar frio, e, na contramão, os gaúchos adoram o calorzinho gostoso de cidades como Salvador! O agasalho aqui é a preservação, na campanha anual do agasalho no RS, combatendo tal inclemente inverno gaúcho, remetendo a cidades como Porto Alegre, tão quente no verão ao ponto de receber o apelido “Forno Alegre”, havendo no Plano Superior nem o frio congelante, nem o calor escaldante, em dias agradáveis e noites amenas, sem a bipolaridade de extremos, na magia das vindimas, celebrando a beleza da vida. A barba grisalha é a sabedoria que a idade traz, fazendo de nós pessoas responsáveis, com juízo, como na sisuda responsa de se terem filhos no Mundo, em um pai que trabalha de Sol a Sol para ser tal provedor de um lar, deixando muito claro que é tal pai quem manda dentro de casa, nos inevitáveis xixis dados nos filhos, participando da educação destes, remetendo a uma certa mulher um tanto cruel, a qual, ao se separar do marido, arrancou deste o lar que tal homem tinha, numa mulher que se decepcionou, a qual, na Igreja, pensou ter desposado um príncipe, mas um homem o qual, no siso do dia a dia, revelou-se um “sapo”, um homem insensível e pouco romântico, no modo como, num relacionamento amoroso, todo santo dia tem que haver uma pequena reconquistada naquela pessoa, pois, do contrário, cairá na mesmice. As terras vastas ao fundo são os domínios do rei, nesses altivos reis de Tolkien, em homens tão altivos como Papa Francisco, num legado aos papas posteriores.

 


Acima, Forja. Aqui é a virilidade do labor, nesses esforços braçais, exigindo condicionamento físico para tal, como nos navegadores europeus desbravando as Américas, seduzindo donzelas com suas histórias de aventuras, no mito de Rapunzel, libertada de seu castelo, na sedução entre masculino e feminino, como no mito de São Jorge matando com sua fálica lança o dragão, libertando a donzela, como na Arwen de Tolkien, entregue pura e casta ao rei, na divisão machista de haver só dois tipos de mulher – a santinha e a putinha, com perdão do termo chulo, enfurecendo as feministas, as quais trabalham em prol de ta liberdade, criticando o mito de Eva, o segundo sexo, o arremedo de Adão, com a função machista de reprodução da espécie, fazendo da mulher uma escrava dos labores do lar, nas furiosas palavras de uma certa senhora em briga com o próprio marido: “Eu me matando para manter esta casa limpa e organizada! Eu vou-me embora desta casa!”, entristecendo os filhos, os quais não gostam de ver os pais brigando. Aqui é o erguimento de algo, no modo como a Imigração Italiana na Serra Gaúcha foi uma reforma agrária que deu certo, na força do colono em carpir lotes virgens, sonhando com uma farta mesa de galeteria, mesa de rei, com muita comida e vinho, impressionando uma senhora italiana em tal restaurante: “Mas Dio, quanta comida! Como vocês comem!”. Podemos ouvir o barulho possante do martelo na bigorna, num esforço que exercita o corpo, num homem que sequer precisa colocar o pé dentro de uma academia de musculação, nessa atividade enfadonha de puxar ferro, pouco exigindo de nossa inteligência, em homens que decidem ter tal condicionamento físico, halterofilístico, tornando-se escravos de uma academia, nas palavras de um homem ao jornalista Fernando Gabeira: “Vida de fisiculturista é sofrimento!”. Os homens sem camisa são a liberdade do ar livre, num cheiro de campo, de liberdade, na gloriosa sensação de se tirar a camisa na praia, no sedutor mar que desafia o surfista, excitado com as ondas volumosas, prostrando o surfista frente a um mar sem ondas, remetendo a uma certa pessoa, a qual perdeu totalmente a vontade de lutar e viver, mergulhando, há cerca de duas décadas, num marasmo sem fim, num prejuízo sério, pois enquanto está no mimimi, sua vida está passando, ou seja, está perdendo tempo em ter pena de si mesma. Aqui é um esforço hercúleo, como na produção de O Quatrilho, num Fabio Barreto que foi o epicentro de todo um labor, excitando uma comunidade inteira, em hotéis da cidade hospedando os membros da equipe e elenco, num momento em que todos se uniram em torno de Fabio, comprando o sonho deste em transformar tal livro em filme, num trabalho artesanal, que exigiu tudo de todos, num filme que foi o auge da carreira de tal grande brasileiro como Barreto, um homem que amava tanto o Brasil, querendo difundir globalmente a imagem de tal país amado, ou seja, um grande homem, sem dúvida. A pedra elevada é o capital labor, qual não pode faltar, como no Plano Superior, no qual não falta trabalho, em trabalhos nobres, que exigem de nossas cabeças, como um publicitário sonhando em trabalhar em pomposas agências de Propaganda, como na agência DCS, de Porto Alegre, num tesão de firma. O fogo ardendo é o labor árduo, mas que vale a pena, nas inevitáveis dores encarnatórias – a diferença reside se me permito ou não sofrer por tal dor, na capacidade humana em rir das dores, como uma grande amiga minha, a qual encarou com bom humor o fato de ter tido sua própria casa assaltada, num bandido que, definitivamente, não tem como estar ok, havendo no Umbral tal dimensão de sofrimento. Aqui é uma cidade sendo erguida com esforço e virilidade, em sonhos de desenvolvimento, com altivos prédios altos, na competição fálica para ver qual país do Mundo tem a torre mais alta, no mito de Babel, a torre que queria desafiar Deus, ruindo e fracassando. Os homens sem camisa remetem a uma antiga campanha publicitária de cigarro, com fisiculturistas fumando ao ar livre, linkando o cigarro à ideia de saúde, algo que hoje é contra a lei.

 


Acima, Galileia. Momento de festa e beleza, num momento em que nos desligamos temporariamente dos sisos do dia a dia. O barco é a sociedade, em meio às intempéries naturais, como em Os Pássaros, do imortal Hitchcock, num choque entre ordem em caos, fazendo das tragédias naturais a prova de que é a imperfeita Terra quem tenta imitar o perfeito Céu, fazendo do Plano Superior o plano glorioso e doce, no qual estamos livres de todo e qualquer problema relativo a nossos corpos carnais, como na metáfora do filme Elysium, com uma máquina que curava qualquer problema de saúde, em ricos desalmados que viviam numa estação espacial, fora da Terra, em abismos sociais, como no Brasil, respirando ainda ecos do Brasil escravocrata, como na telenovela Sinhá Moça, mostrando tais horrores, com negros jogados como cães num canil de senzala, condenados a uma vida árdua, sofrida, levando ao ponto do Brasil comemorar o Dia de Consciência Negra, contrastando com um certo país, o qual é racista, no absurdo de se dizer que beagle não é cachorro – é cachorro, sim! Neste majestoso quadro deste mestre inegável que é Bo Bartlett, há uma ironia de metalinguagem, pois é tal falando de tal, ou seja, a arte do pincel de Bartlett falando da arte dos instrumentos musicais, como uma atriz interpretando outra atriz, como na deusa Goldie Hawn, reinando em O Clube das Desquitadas, em ironias, fazendo de Tao tal piadista, com tudo de Yang trazendo uma pitada de Yin, e viceversa, na questão da comparação, pois quando digo que algo é baixo, é porque comparo com algo mais alto, e liso e áspero, ou seja, fácil feminino e difícil masculino são faces do mesmo trabalho, nas palavras de uma monstruosamente brilhante Gisele para fãs num set de filmagem: “Desculpem, gente, mas tenho que trabalhar!”, nas palavras de Moacyr Scliar, tendo que ter a disciplina para sentar e produzir, numa dedicação ao labor, um labor que se revela prazeroso, doce, no modo como discordo de uma certa artista, a qual disse em entrevista que vê exclusivamente prazer no trabalho, como em esforços de artistas em turnês mundiais, viajando pelo Mundo todo, em horas e horas em aviões, longe de casa, em hotéis, no discernimento em O Mágico de Oz, no qual não existe lugar como nosso lar, como estar num hospital, longe de casa, num menino em Cidadão Kane, arrancado de seu paraíso de infância, como no menino em O Império do Sol,  arrancando de sua família pelos horrores das guerras, começando a guerra guri e acabando homem, numa pessoa que teve que amadurecer muito cedo na vida, num filme bem conduzido por Christian Bale, o qual, diga-se de passagem, rendeu um bom Batman, ao contrário de outro certo senhor, para o qual eu não tiro o chapéu, sinto em dizer, um ator que não me cativa – gosto é pessoal! Aqui, os trajes de gala são a elegância, como em moças com seus suntuosos vestidos, como certa vez num baile de debutantes em Caxias do Sul, com as moças lindas de branco, jovens, e, do lado de fora da sede social de tal clube, meninos de rua admirados com tal beleza, num abismo social, em espíritos corajosos, que topam reencarnar em meio a tanta vicissitude, num árduo trabalho, o qual acaba por causar no espírito uma mortificação enorme, e a mortificação é necessária, pois devemos parar de ouvir o traiçoeiro coração e passar a ouvir a fria razão, nos trabalhos de Psicoterapia, num terapeuta nos mostrando o Mundo da forma mais fria possível, racional, na questão da fálica verdade, como numa recente campanha publicitária de uma fragrância masculina de Versace, com o ator musculosão Channing Tatum jogando uma flecha fálica racional que estilhaça o frasco, destroçando as tolas ideias mundanas de auspícios enganosos, nas palavras de uma sábia senhora: “O Mundo só pertence aos dignos, pois o resto são sinais auspiciosos”, como uma certa socialite, a qual, o que tem de rica, tem de desrespeitada, pois muito dinheiro traz tudo, menos o que importa! A mulher ociosa observa tudo, sem tocar um instrumento musical, numa pessoa que aprendeu a surfar nas ondas, num instinto nato.

 


Acima, Geórgia. A roda é uma das maiores invenções da Humanidade, universal, como não me canso de dizer que foram da preguiça que nasceram as grandes invenções – por que me “matar” subindo e descendo escadas se posso fazê-lo comodamente dentro de um elevador? Aqui remete a doces tempos de verão e férias, como em veraneios com minha família em Jurerê, SC, nos anos 1980, com a galera da vizinhança de noite, depois do jantar, passando em frente às casas dos amigos para uma pedalada, no modo como os amigos são o ouro da Vida, havendo tal sensação no Plano Superior, num mundo de Amor no qual ninguém quer enganar ou ludibriar, no caminho do apuro moral, o qual é o sentido da Vida, a qual só tem sentido se nos tornamos pessoas melhores, remetendo às pessoas improdutivas, desperdiçando uma vida com malícia e auspícios tolos, no modo como é miserável a vida de uma pessoa rica improdutiva, pois não há esperança fora do dignificante labor, na perguntinha inevitável quando vemos nossos entes queridos lá em cima: “Onde estás trabalhando?”. O rapaz negro remete a um rapaz negro que vi na ala africana do famoso museu novaiorquino Met, um rapaz altivo, orgulhoso de suas origens afro, em artefatos de magia tribal, no ponto decisivo em que o Homo sapiens passou a se diferenciar da animalidade, num Ser Humano ritualístico, em rituais de magia, no modo como a Arte pode ser mágica, conquistando fã clubes ao redor do Mundo, em artistas tão amados e reverenciados, na função da Arte em nos encantar, como na suntuosidade do casal Christo e Jeanne-Claude, em instalações que nos deixam embasbacados, perplexos, em bons artistas que nos encantam, fazendo da Arte algo tão civilizatório, como na construção de Cultura Erudita, num Brasil que tanto carece de tal cultura civilizatória, em problemas como a evasão escolar, como abandonar um curso universitário, cometendo o erro de não levar a sério se fechar um ciclo e acabar-se o que se começou, neste erro de descaminho, como certa vez um rapaz numa cafeteria, ex-aluno da senhora minha mãe, e o rapaz disse que abandonara o colégio, havendo trabalhos não muito bons aos que não têm escolaridade elevada, no modo como dá gosto, ao se preencher um cadastro, assinalar “superior completo” no item escolaridade, nas palavras de um certo senhor: “Se não estudares, tua vida será uma merda!”, com o perdão do pertinente termo chulo. Aqui remete a uma certa família, na qual dois meninos ganharam de Natal bicicletas, e partiram pela cidade pedalando, felizes e contentes, sendo assaltados ao transitarem por um lugar perigoso, com suas bicicletas roubadas, num presente que durou tão pouco, em lugares complicados como a Praça da Sé, em São Paulo, numa cidade que reúne o Primeiro e o Quarto Mundo, numa Patrícia Abravanel a qual não pode sair na Rua, em tal urbe, sem a companhia de um guardacostas, uma moça que já foi sequestrada, nesse crime hediondo, que é arrancar uma pessoa de sua vida e jogá-la num cativeiro como um cachorro – é um horror. Aqui são esses doces momentos de Verão tão frequentes na obra de Bo Bartlett, na magia das férias, esses merecidos descansos, chegando num momento final de veraneio em que a pessoas observam a importância de retomar a vida, os estudos e os trabalhos, pois tudo que é demais, enjoa, e isso inclui descanso. Aqui é uma boa atividade física, em pessoas para as quais o condicionamento físico é muito importante, remetendo a homens que são “escravos” de uma academia, levando uma vida tão árdua, no discernimento taoista de que matéria é nada e pensamento é tudo, como uma amiga minha, a qual, na Terra, é obesa, uma pessoa a qual, no Plano Superior, no mundo real, é magra, bela, com uma bunda que é bem gostosinha, no caminho da autoestima, como uma pessoa que se perfuma ao sair de casa, no caminho do gostar de si mesmo, como pregam os psicoterapeutas. É o Mito da Caverna, fazendo da Terra tal lugar de ilusões, num Ser Humano tão escravo da matéria, das pedras preciosas, as quais ficam no Mundo, nas palavras do imortal Silvio Santos: “Do Mundo não se leva nada!”.

 


Acima, Guerra civil. Aqui é uma neo Pietà, nos majestosos trajes de uma Maria a qual, em vida, foi pobre, esposa de um humilde carpinteiro, num vestido tão imponente e suntuoso, pomposo, como nas pomposas coroações de monarcas britânicos, encantando o Mundo com tais rituais milenares, no papel da tradição em nos dar a impressão de que o tempo não passa, remetendo-nos a um plano atemporal, fino, belo e onírico, longe das imperfeições terrenas, num plano superior com espíritos depurados que regem tais lugares, no termo espírita “veneranda”, espíritos de alto apuro moral que regem os que têm menos apuro moral, no caminho da verdade e da honestidade, ao contrário de um certo senhor, que me ludibriou, e não há esperanças para os que mentem, pois estes acabam rejeitados e desprezados, como na mentira de Bill Clinton, o qual negou em público o infame caso extraconjugal, num homem que está até hoje pagando pela mentira, na sabedoria popular de que a mentira tem pernas curtas. Aqui é um cenário de devastação de guerras, com poças de sangue, nesse ódio intrínseco ao Ser Humano, em irmão odiando irmão, como num certo caso em que dois irmãos simplesmente não se relacionam, sequer fazendo ligações telefônicas no aniversário de tal irmão, algo que, é claro, deixa descontente a mãe desencarnada de tais irmãos, observando lá de cima tal ódio e discórdia, pois do que adianta aparecer lindo e elegante numa coluna social se, de perto, é uma família complicada? Aqui é como as pragas de Moisés no Antigo Egito, num Nilo se transformando em sangue, num ponto decisivo em que o monoteísmo passou a se impor, despaganizando o Mundo Ocidental, trazendo o conceito simples de que há um só Rei, e que não há deuses, mas nossos irmãos depurados que nos regem em perfeição moral de arcanjos, estes gozando da felicidade suprema, recebendo diretamente as ordens de Deus, que é o infinito, e o eterno sobre o qual podemos falar não é o verdadeiro eterno, neste imensurável poder que é a Vida Eterna, no poderoso fato de que jamais findaremos! A mulher piedosa aqui ora e olha para cima, querendo elevação, em momentos de desespero nos quais tudo o que nos resta é rezar, como num espírito desencarnado no Umbral, farto de tanto sofrimento, pedindo, com humildade, a ajuda para sair de lá, como sair de um lugar imundo e tomar um revigorante banho num banheiro ensolarado, no poder da luz, a qual vence a escuridão, sendo fácil se detectar o sociopata, uma pessoa que, de fato, acha o Mal mais interessante, como um certo senhor, o qual tentou aliciar pessoas ao Nazismo – é um horror. Vemos um homem morto e tombado, morto em ação bélica, na obrigação do cidadão brasileiro homem em que se apresentar para o Exército, ao contrário dos EUA, onde tal serviço é opcional, ou seja, o brasileiro não nasce livre, mas prisioneiro e escravo de um sistema, como no sistema de Matrix, transformando um cidadão numa bateria alcalina, no modo ditatorial de se controlar tal cidadão, num Brasil que ainda respira ecos ditatoriais. O céu aqui é negro, atroz, fechado, em luto, como no céu negro sobre um Jesus crucificado, num momento em que até Ele se sentiu abandonado: “Senhor, por que me abandonaste?”, num Jesus o qual, hoje, sequer se lembra de tal execução cruel, remetendo a um certo senhor, o qual jura que é a reencarnação de Jesus, enganando quem quiser ser enganado. Ao fundo no quadro, outra Pietà, como corpos sendo retirados de campos de guerra, em homens que sequer foram sepultados em sua terra mãe, enterrados como cachorros em valas, no eterno lema humano: Quanto mais cruel, melhor. Muito ao fundo, de forma bem discreta, vemos homens assistindo a tudo à distância, testemunhas oculares de tais horrores, como correspondentes de guerras ao redor do Mundo, numa coragem para chegar tão perto de tais eventos destrutivos. A mulher de branco clama por tal paz, numa metáfora cromática: Num aguerrido mundo de amarelos em eterno pé de guerra contra azuis, seja verde!

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Bom Bo (Parte 16 de 28)

 

 

Falo pela décima sexta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Homem iluminado. Aqui é uma projeção, um almejo, como num físico, querendo desvendar os segredos do Universo, numa incansável sede por conhecimento, no trabalho de se enviarem sondas para explorar o sistema solar. Aqui são holofotes desbravadores, como em estreias de filmes em Hollywood, no glamour do tapete vermelho, dos astros, com tietes enlouquecidas: Os astros fingem que são deuses; os fãs fingem que acreditam que aqueles são deuses. Aqui é uma tentativa de marco, nas ambições de um artista, com artista grandiosos, como a dupla célebre Christo e Jeanne-Claude, deixando-nos perplexos com tamanha grandiosidade, no completo caminho oposto do simplório, como disse certa vez Fernandona Montenegro: “Eu acho tão simplório o ator que só faz TV; que não explora todos os meios de expressão cênica!”. Seguindo tal certeira lógica, há uma certa atriz, aclamadíssima e reconhecida, mas que até hoje não teve a coragem de pisar num palco, e eu gostaria de dizer a tal atriz: “Qual é teu medo? Tu és uma grande atriz! Pegue um diretor no qual tu confies; um diretor que te deixe à vontade no palco, com um texto que te proporcione uma catarse. Não tem como dar errado!”. Ou seja, cada um com suas questões a serem resolvidas. A Lua aqui está discreta, e é essencial, pois sua discrição faz realçar, em comparação, o facho paladino, como num casal, com ela mais baixinha do que ele: Ele se realça só porque está do lado da mulher baixa, na questão de darmos o valor a personagens coadjuvantes, na sabedoria popular de que tamanho não é documento, pois, se fosse, um certo homem, de alta estatura, sonhando em ser topmodel, seria o paladino baluarte de uma nação, um homem que acabou com sonhos frustrados, nessa rua de sonhos despedaçados, de frustração, tomando no cu, com o perdão do termo chulo. O facho aqui é a retidão racional, na liberdade do uso da razão, na sofisticação psiquiátrica de se entenderem as projeções da mente humana, prestando atenção em como projeto minhas coisas em outrem, na questão da pessoa buscar as respostas dentro de si, nunca fora. No detalhe no quadro, temos três homens, talvez cientistas, nerds, no modo como a inteligência acaba se revelando a fonte de sensualidade e sedução, em mentes envolventes, brilhantes, sofisticadas, em mentes como a do mestre Woody Allen, ao falar, no filme, com um casal lindo na Rua – eu sei que eles parecem que são deuses. Mas só parecem, na questão popular de que as aparências enganam e de que beleza não põe à mesa – eu sei que parecem ser deuses! Aqui é uma projeção fálica, patriarcal, sempre acorrentando a mulher, a qual gosta do mundo machista, havendo as excepcionais elites, as feministas que nos acordam para tais preconceitos perenes, em professores que respeitam a inteligência de alunos raros e excepcionais, na ação altiva de se ignorarem os ignorantes, pessoas desprovidas de qualquer sofisticação, revelando-se vazias e decepcionantes. O facho desbrava a escuridão, o Cosmos, um lugar que tanto conspira contra o Ser Humano, como nas terras insuportáveis do planeta Vênus, por exemplo, hostil a qualquer astronauta, o qual morreria, na certa, em tal ambiente hostil, visto que, fora da Terra, o Cosmos odeia o Ser Humano, num momento em que temos que dar ouvidos aos ecologistas – esta é nossa única casa! Aqui é uma tentativa de expressão e projeção, num sonho de se destacar, em pessoas que vão tão longe, numa Gisele, a qual conquistou tudo e todos, e ninguém percebe, com os cabelos ondulados da diva sendo imitados pelas mulheres do Mundo inteirinho, numa Gi que não é estrela; é monstro. Aqui é como um marco divisório, dividindo eras, como na maior mente de todos os tempos, que é Jesus Cristo, no centro sobrenatural de tudo, tudo por causa da mente de tal homem, no poder de sedução da inteligência, como sociopatas de inteligência brilhante, numa mente a serviço de um caráter de ralo apuro moral, sociopatas que podem ser facilmente detectados – é só usar o pensamento lógico e racional, em ações que não revelam lógica, no caminho da loucura, como no Umbral, o plano dos que não querem sair co corpo carnal – o que você diria de um prisioneiro que não quer sair da prisão? Aqui é como mandar mensagens ao Cosmos em busca de vida inteligente, uma espécie de “primos” nossos.

 


Acima, Homem voando. Aqui é como um dançarino se expressando, numa ironia de metalinguagem, de coisa falando de coisa, ou seja, da arte do pincel de Bartlett falando da arte do dançarino. Aqui remete à lenda de um bailarino grosseiro, o qual batia nas bailarinas se estas falhassem de algum forma no palco, como dizem rumores de que atletas nortecoreanos, ao fracassarem em competições mundiais, voltam para casa e são submetidos a inclementes discursos ideológicos, como no vilão Esqueleto numa live action dos anos 1980, com o vilão impondo pena capital aos que falhassem com as ordens do arquiinimigo de He-Man. É uma ditadura, na base de opressão e terror, como uma certa senhora diretora de colégio, uma ditadora de marca maior, num fascismo, como no dia de seu aniversário, num dia sem aulas, dedicados a massagear o ego da grosseira terrorista, presenteando tal mulher com flores finas, muito diferentes da grosseria usual de tal mulher, naquela pessoa que acha que, para ser respeitada, tem que ser desrespeitosa, como se gentileza gerasse truculência. Uma grossa de marca maior, em mulheres de aparência tão desleixada, ignorando a sabedoria de que, na vida pública, a aparência da pessoa é capital, em mulheres que acham, que se arrumarem, não serão levadas a sério! O homem aqui sonha, num sonho delicioso, em que temos a sensação de plainar, de deslizar, como uma certa menina certa vez, a qual, ao descer uma ladeira de skate, achou tão engraçado que se urinou nas calças! É em filmes oníricos como O Tigre e o Dragão, em cenas de luta inacreditáveis, numa coreografia perfeita, impecável, deixando-nos perplexos – como será que conseguirem fazer isso tudo? É o papel da Arte em nos deixar perplexos, como obras de Arte que causam comoção, como em filmes de sucesso estrondoso, num papador de troféus, como na direção de arte do filme Barbie, um filme que acaba se revelando uma mensagem feminista – uma mulher pode ser o que ela quiser e, ainda assim, tem autoestima e arruma-se, como atrizes que, por mais sérias que sejam, arrumam-se para eventos solenes, eventos em que nos esforçamos para termos a melhor aparência possível, fazendo metáfora com o Plano Superior, no qual somos belos, jovens e saudáveis para sempre, numa vida com produtividade e sentido, na construção da grande carreira espiritual, na qual nenhum trabalho é em vão, mesmo o humilde trabalho de gari, na dignificação do labor – não há esperanças aos inativos, ociosos e inoperantes. O homem aqui é um desprendimento, como uma pessoa se desfazendo de coisas inúteis, libertando-se, ao contrário do acumulador compulsivo, obcecado em colecionar coisas inúteis, perigosas ou insalubres, como um certo senhor, o qual varava pelo lixo seco da vizinhança para levar tranqueiras inúteis para casa, no oposto da limpeza, que é se ater ao essencial, como num bom e revigorante banho depois de um dia cheio, como espíritos que saem do Umbral, tomando banho num banheiro ensolarado, na vitória da luz, do bem e da vida, esta vida da qual o sociopata tanto zomba, dando cabo de vidas inocentes por causa de motivos fúteis, numa pessoa disposta a matar em nome de um par de tênis, os bens de consumo ambicionados, inacessíveis para muitos, remetendo a uma ação do Governo Federal de financiar pobres a comprar seu par de tênis, no viés de esquerda, que é o estado supremo, no centro de tudo, como numa China, um país rico, mas com cidadãos não tão ricos – cada um com seus parâmetros. Aqui é um sonho, numa pessoa que quer voar alto, num artista sonhando em ser célebre, reconhecido e valorizado, nas tristes histórias de artistas que não foram reconhecidos em vida, como Van Gogh, o qual, no Plano Superior, deve dar gargalhadas de tal reconhecimento tardio, no poder do humor, fazendo de Tao o palhaço supremo, na ironia de que tudo tem seu lado liso e seu lado áspero, pois fácil e difícil são faces do mesmo trabalho, como na barba áspera com a pele macia. Aqui é talento de certos artistas em parecer que voam, como nos bons musicais de Hollywood de outrora, em artistas de inegável talento, no poder da Arte, que é nos elevar.

 


Acima, Hurtsboro. Aqui é a amizade, no seriadão Friends, no amor fraternal que deveria nos unir, um amor tão subestimado, no desenvolvimento do apuro moral, que é não querer enganar alguém, remetendo a um certo senhor, o qual me enganou para ganhar alguns reais, e a palavra de um homem vale mais do que dinheiro, um senhor deletou a si próprio, retirando-se de minha vida, na ironia de que eu nada precisei fazer para tirá-lo de minha vida, numa consciência que nos cutuca em relação à falta de apuro moral, sendo um inferno a vida de uma pessoa imoral, arrastando-se pelas terras escuras do Umbral, zombando dos espíritos limpos, livres e felizes – os anjos. É no mito de Lúcifer, o anjo caído, embebido em vaidade, no fato de que a arrogância precede a queda, pois quem é humilde, não toma no cu, com o perdão do termo chulo. Aqui é o orgulho racial, como recentemente no Brasil, no feriado de Consciência Negra, para nos lembrar de que cor e raça são superficiais, remetendo a um certo senhor, o qual, ao ver uma pessoa negra bebendo em uma determinada caneca, nunca mais colocou a boca em tal caneca, num racismo tão arraigado, no mesmo absurdo de se dizer que a raça cocker spaniel não é cachorro - é sim, rapaz! A areia branca e as roupas brancas são a paz, a qual só pode ocorrer com apuro moral, numa consciência tranquila, nos desejos de festas de virada de ano, em ter um ano com paz, o oposto do inferno, que é a guerra, sendo esta uma fonte de sofrimento, destruindo lares e deixando rastros de pessoas famintas, acotovelando-se para receber ajuda humanitária de comidas emergenciais – como tal privação pode ser bela? Um rapaz encosta a cabeça no outro, num ato de afeto e carinho, como encontrar entes queridos num velório, um evento social triste, mas de validade social, fazendo com que as pessoas se revejam e sejam lembradas de que, na vida, nada mais certo do que a morte, e tudo reside no que decidimos fazer de nossos dias de cárcere na Terra – uns levam uma vida nobre e produtiva; outros, nem tanto, como os bandidos, pessoas equivocadas que, definitivamente, não vão desencarnar em paz, como esses pobres diabos sofredores que buscam aplicar golpes por telefone ou computador, como no hacker, uma inteligência brilhante a serviço de uma falta enorme de apuro moral, pois a inteligência é algo puramente instrumental, e tudo se decide a partir de como é a mão que guia tal ferramenta. Aqui, a areia branca virginal e os trajes em branco formam um continuum, uma harmonia cromática, numa pessoa com estilo, que sabe combinar cores, pois estilo vem da simplicidade, a qual só poder ser aprendida de forma autodidata, com a limpeza do minimalismo, na orientação taoista a um líder: “Quando você precisa tomar ação, faça somente o necessário”, como na monarca Elizabeth II, a qual, num primeiro momento, subestimou a seriedade da morte de Diana, no modo como nunca se é velho demais para aprender. As cabeças carecas são tal simplicidade, como no astro Vin Diesel, assumindo a careca, ao contrário de um certo senhor ridículo, que jura que ninguém percebe que ele não é calvo por trás de um ridículo penteado. Aqui é o termo jovial “galera”, com pessoas ligadas por afinidade, na sabedoria popular: “Diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és!”. É a imortalidade do Amor Incondicional, leve, sutil, desapegado, no modo como, em amizade, não pode haver cobrança, como uma grande amiga minha, já desencarnada, e a tenho como amiga mesmo que, na Terra, nunca tenhamos ido à casa um do outro – o Amor é grátis! O céu aqui é glorioso e aberto, num amigo franco e verdadeiro, como no trabalho de guia de psicoterapeuta, sempre nos mostrando o Mundo da forma mais fria e racional possível, num terapeuta isento, distante, com a função de nos fazer mais fortes perante a Vida e o Mundo, como na serventia de uma bússola, guiando navegadores pelas vastidões dos oceanos. Talvez aqui, no centro, há o líder de tal grupo, a pessoa com o poder de coesão e união, na força de um líder, no papel de guia, em grandes talentos estadistas, sempre primando pela união, como num maravilhoso Papa Francisco, querendo unir as pessoas.

 


Acima, Idade carinhosa. Aqui é uma submissão, uma humilhação, na guerra entre classes marxista, na crença de que, onde há riqueza, há pobreza, como na cidade de São Paulo, a qual reúne o primeiro e o quarto mundo, como nas precárias cercanias do Mercado Público da pujante urbe, em prédios totalmente precários, feios, decadentes, na noção taoista: Como são ricos, e roubaram tudo dos pobres! É como nas pedras preciosas de origem africana da coroa imperial inglesa, num objeto o qual, de tão caro e precioso, simplesmente não pode sair do cofre, e, no dia de coroação do monarca daquele país, o rei ou rainha usa uma réplica, uma bijuteria, na noção de que, quanto mais tesouros tenho, menos seguro estou, como nos homens fortemente armados em carros que transportam dinheiro, num Ser Humano patético, que envereda para o submundo do crime, num espírito infeliz equivocado, o qual, ao desencarnar e ir ao inóspito Umbral, dá-se conta do vazio da vida que levou na Terra, na capital importância de se adquirir apuro moral, em espíritos bons, honestos, amorosos, que não querem enganar os outros, como dizia um certo senhor: “Há muitos ladrões no Mundo!”. As mangas arregaçadas são o labor, como num certo senhor, o qual, em vida pública, aparecia com mangas arregaçadas, havendo no Mundo homens que se revelam sociopatas de marca maior, havendo neste uma falta imensurável de apuro moral, na vontade do sociopata em sempre adquirir vantagens em relação a seus companheiros de caminhada, sociopatas que fazem do Mundo um lugar tão duro e difícil, em infelizes encarcerados, pois estar encarnado já é uma prisão; estar num presídio é a prisão dentro da prisão – é um horror, fazendo dos presídios sucursais do Inferno. A tiara vermelha da menina é o fator feminino de Chapeuzinho Vermelho, em contraste com o lobo mau, masculino, agressivo, seduzido pelas doçuras femininas da menina. O vermelho é a dor da cólica menstrual, no modo como é duro ser mulher, numa memória de colégio que tenho, numa colega chorando de dor, tendo que tomar antiespasmódicos, numa mulher que está “naqueles dias”, havendo o equívoco em homens que se tornam transmulheres, crendo que a vida é doce e perfeita para as mulheres, nos imortais versos de Caetano: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é!”, no caminho do respeito, como uma certa senhora, a qual está desesperadamente precisando de um design de sobrancelhas, mas não direi isto a esta senhora, pois, no frigir dos ovos, as sobrancelhas não são minhas, e ninguém gosta da verdade nua e crua, na sabedoria popular de que, quem tem telhado de vidro, não pode jogar pedra nos outros. O homem aqui é a obrigação de pai provedor, sustentando uma família, em enormes encargos e responsabilidade, como em pais enérgicos, deixando claro quem manda dentro de casa, pois tal pai não é um escravo, e tem que ser respeitado pelos filhos, num pai herói que não deixa algo faltar em casa. Aqui é como casais heterossexuais em shows, com ela trepada nos ombros do namorado, com este tendo que ter a força para bancar tal responsa. Aqui é como uma dominatrix, subjugando, castrando o homem, como em Crepúsculo dos Deuses, com a diva Norma Desmond castrando grandes homens, no mito misógino de Medusa, horrorosa, malévola, arruinando homens, transformando estes em pedra, como num show de uma certa popstar, com dezenas de homens puxando um carro no qual tal diva era transportada, no arrebatador mito de Maria, a Virgem Santíssima, a mulher pela qual homens morreram, como em mitos estadistas como Elizabeth I, num ponto decisivo na História da Inglaterra, uma mulher que levava extremamente a sério o se arrumar na hora de ir a público. Aqui é o funeral de um grande homem, o qual serviu dignamente ao Mundo, num funeral pomposo, de rei, de homem importante, como no comediante mexicano Chespirito, enterrado com todas as honras. Aqui é um trato de casamento: Nós nos unimos e cada um faz uma parte do trabalho!

 


Acima, Império. O cabelo punk é a atitude, num estilo, no modo como atitude e estilo são essenciais para um artista pop que quiser fazer sucesso no Mundo, nessa bomba atômica de atitude que é Lady Gaga, arrebatando tudo e todos com seu frescor e ousadia, no famoso vestido de pedaços de carne crua, remetendo a outra certa artista, a qual, apesar de ter uma voz boa e pujante, não tem lá muita atitude, perecendo, assim, nas percepções do Mundo, uma artista equivocada, que acha que apenas a voz garante o estrelato, uma artista que já teve muitas chances, já tendo lançado vários álbuns, e sempre acabou fracassando. A foice é a foice da morte, no modo como, na vida, nada mais natural do que a morte, como dizia uma divertida querida amiga minha: “Um dia vou estar bem pequenininha em meu caixão!”, fazendo graça da inevitabilidade do óbito carnal, e tudo reside no que resolvemos fazer de nossos dias de cárcere na Terra, esta linda prisão na qual todos nos depuramos e tornamo-nos pessoas melhores – o aprimoramento é o sentido da Vida, como numa espécie de faculdade espiritual, pois nenhuma encarnação é em vão, remetendo a pessoas que perdem tempo com bobagens, e, enquanto isso, as vidas dessas pessoas estão passando. A foice é o labor rural, na bandeira da extinta URSS, no valor dignificante do trabalho, pois nenhum trabalho é em vão, mesmo o humilde e discreto trabalho de gari, sendo tudo parte da grande carreira espiritual, em cidades com uma energia de trabalho e produtividade, em algo que digo a meus entes querido desencarnados: “Arranje um trabalho, meu irmão! Estás num lugar maravilhoso, onde não há desemprego!”, no modo como a vida continua, fazendo da morte uma mera vírgula. As fumaças negras são resquícios de guerras, esses cruéis eventos que arrancam as pessoas de seus lares, deixando horríveis rastros de fome, em uma das funções mais básicas de um ser vivo, que é a alimentação, na responsabilidade de se colocar comida sobre a mesa, no pão de cada dia, pois é essencial qualquer trabalho que dê a uma pessoa um lugar ao Mundo. O cabelo punk se popularizou nos anos 1980, uma década que teve toda uma sinergia entre Cinema, Moda e Música, como num pioneiro como David Bowie, o qual trouxe, em vanguarda nos anos 1970, um cabelo que só seria popular anos depois, na década seguinte, com o cabelo desbastado em cima e compridinho embaixo, na nuca, nesse deus que foi Bowie, arrebatando-me em sua atuação na pérola cult que é o  filme Labirinto, um filme mágico e deslumbrante. O homem aqui é jovem e viril, encarando, desde cedo, responsabilidades, nessa idade em que a pessoa tende a ser um tanto arrogante, não tendo ainda tomado muitos tombos na vida, na sabedoria de que a arrogância precede a queda, remetendo a uma certa pessoa, a qual sofreu uma grande derrota na carreira profissional, numa colherada de remédio bem amargo, mas que cura, e a Vida não nos ensina duras lições de humildade? O homem aqui vislumbra um terreno, uma possibilidade, como num empresário visualizando perspectivas de mercado, em talentos empreendedores, como Luiza Trajano, dona de um império comercial, na prova de que homem e mulher são iguais, numa Luiza feminista, independente, ao contrário da anônima dona de casa, a qual vive na sombra de um homem, num antifeminismo, como uma certa senhora, a qual abandonou a carreira para ser tal anônima mulher, e ser só dona de casa não vai dizer a você quem você é. Este terreno seco e inóspito remete à franquia Mad Max, como na deusa Charlize Theron, num papel ultrafeminista, como no final do filmão Thelma & Louise, jogando-se de um precipício e vencendo todos os ranços do patriarcado, havendo em tal filme um homem cordato, gentil, que acompanhava as dores da dupla de protagonistas. O cabelo punk é o impacto, no poder da moda e do estilo, que é proporcionar que a pessoa se expresse. É como numa famosa via de Porto Alegrem na qual as pessoas punks se reúnem, em pessoas que não fixam o cabelo com gel, mas com clara de ovos, dizendo que gel é coisa de playboy, numa agressividade transgressora.

 


Acima, Istmo. Aqui são as diferenças culturais, no modo como, na Índia, a vaca é um animal sagrado, contrastando com o hambúrguer servido no Ocidente, fazendo do gado mero alimento, como no tradicional churrasco brasileiro, enfurecendo os veganos, os quais adquirem tal posicionamento gastrocultural. Aqui é como no Egito Antigo, na vaca como uma deusa, numa civilização tão notável, desenvolvida, na dádiva do Nilo, do qual o Egito dependia gigantescamente, em contraste com um clima tão árido e desértico, numa época em que não existia ventilador ou ar condicionado, remetendo a um deslumbrante clipe de Michael Jackson, num artista tão singular e, ainda, mal compreendido, num Mundo que não entendia que Michael foi uma criança à qual foi negado ter uma infância normal, num pai duro e enérgico, o qual obrigou a criança a trabalhar desde muito cedo, nesses adultos que não tiveram infância, como uma certa pessoa, a qual queria brincar de carrinho quando criança, mas era tolhida, e tudo foi estourar mais tarde, numa pessoa perfeitamente adulta, a qual gostava de brincar com carrinhos de controle remoto, no modo como o Mundo pode ser tão cruel e duro com pessoas que não se encaixam em padrões. A vaquinha aqui repousa, como num Marte entorpecido de Botticelli aos pés de uma Vênus desperta, na recomendação taoista: Entenda e força masculina do fálico Yang, mas seja mais humilde, feminino e suave como o Yin, na noção cômica de que tudo traz em si sua própria contradição, numa questão de comparação, pois o áspero de disciplina, junto ao prazer doce e liso, são faces do mesmo trabalho. Aqui é um lago de Narciso, no mito que se afogou frente à própria vaidade, nas armadilhas do ego, no qual a pessoa pode viver de forma narcisista, como certa vez pude ter a oportunidade de sentar e conversar com uma certa atriz respeitada, uma mulher a qual, em desinteressante narcisismo, só sabia falar de si mesma, de suas épocas de vida, de seus trabalhos etc., uma pessoa desinteressante, sem conversa, sem lá muita inteligência, eternamente dando uma entrevista – é bem vazio e obtuso, pois, de perto, o mundo das celebridades é decepcionante, acredite. A vaca pacífica é tal paz, numa pessoa que vive em paz com o Mundo, vivendo uma vida produtiva, pois a Vida é uma “tarde brumosa”, e tudo reside no que decidimos fazer de tal tarde, remetendo a pessoas que levam vidas vazias, principalmente as pessoas ricas, as quais só podem se manter sãs se fizerem algum tipo de trabalho, como certa vez num programa de TV, com uma menina rica que dizia, desesperada: “Que vazio!”, na noção taoista de que os vencedores da loteria vivem uma vida infernal, apesar de parecer o contrário, nos versos de uma certa canção de Jazz: “Tudo o que seu dinheiro vai lhe dar é um ataque do coração!”. A vaca é uma pessoa pacata, que vive seus dias com discrição, no papel de um rei, o qual nunca deve interferir no dia a dia pacato do cidadão, num rei que é um homem simples, que toma o mesmo tipo de café dos seus súditos, num homem que está junto de seu povo, e isto é confiar num homem de Tao, no modo como nenhum livro ou faculdade pode nos dizer como nos tornarmos pessoas simples, num caminho autodidata existencial. Podemos ouvir aqui o “mu” característico do bicho, no gado pastando o tempo todo, no modo como as paisagens rurais seduzem as pessoas da cidade, como em doces memórias minhas, quando ia com minha família para fazendas, em rios selvagens, cheios de girinos, na força da Vida, esta força que faz de nosso planetinha tão único e rico, num Ser Humano ainda tão aquém de desvendar os segredos do Cosmos. A vaca aqui repousa de estômago cheio, num delicioso torpor de satisfação alimentar, como numa farta mesa de Natal, com tudo em torno da comida, em esforços de matriarcas em unir a família, como a senhora minha avó Carmen, in memorian, dedicando-se ao máximo para prover com uma ceia majestosa de Natal. A vaquinha aqui nos encara, pacífica, no seu dever em prover leite, como em ...E o vento levou, numa vaca com leite para alimentar as crianças, numa terra devastada pela guerra, numa Scarlet O’hara que foi de menininha mimada a mulher forte.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.