Falo pela terceira vez sobre o pintor canadense Alex Colville. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Estúdio. O pudor, como nas maliciosas folhas no Éden, ao ponto do Vaticano cobrir inocentes genitálias em pinturas no centro católico mundial. Aqui pode ser um autorretrato, no artista vendo a si mesmo, num momento de reflexão, numa pitada de solidão no estúdio, na saudável solidão que devemos ter de vez em quando, como Deus descrito no filme Dogma: “Solitário, mas engraçado! Extremamente bem humorado!”. É o caminho solitário existencial, num caminho autodidata, na noção taoista de que as pessoas precisam aprender por si mesmas o que é simplicidade, na noção de da Vinci de que a simplicidade, a limpeza e o minimalismo são os mais elevados graus de sofisticação, na gloriosa sensação de se tomar um bom banho depois de um dia inteiro de sujeiras na Rua e transpiração, ao contrário do estar perfumado, o que é um luxo, inacessível para pessoas mais pobres, nos preços acessíveis da marca de perfumaria Jequiti, vendendo miniaturas por preços módicos, exatamente para atingir classes menos ricas, no fascínio de fragrâncias, tendo eu já perdido a conta de quantos frascos de perfume consumi até hoje me minha vida, remetendo a um certo senhor malicioso, o qual usava perfume de mulheres, achando isso chic e sofisticado, no modo como você pode ser perfumado e, ao mesmo tempo, homem! A luz entra difusa, como em dias nublados, sem projeção de sombras, em dias nublados, de dúvida existencial, num mundo cinzento entre o bem branco e o mal preto, num plano de disputa entre o bem e o mal, como no universo de He-Man, no Castelo da Caveira Cinza, disputado entre o bem e o mal, na metáfora de que a caveira mortificada é o mal anulado e vencido, no caminho espírita de mortificação, que é ouvir a fria mente e parar de ouvir as bobagens do coração, como uma certa médium espírita, bloqueando-se contra o traiçoeiro coração, pois é exatamente quando só ouvimos o coração que tomamos no cu, com o perdão do termo chulo, na sisuda noção de que antes vem a mente e só depois vem o coração, remetendo a uma grande tragédia na vida de uma certa senhora, a qual, é claro, sem intenção de matar, matou o próprio neto, nesses traumas incontornáveis, numa senhora que levou para o próprio túmulo tal trauma tenebroso, desencarnado depois e reencontrando-se com o neto no Plano Superior, vendo que o neto está lindo, vivo, lépido e faceiro – pronto, minha senhora, passou! A ironia aqui é que a nudez é ainda mais ressaltada pelo relógio no pulso e os óculos no rosto, em acessórios tão essenciais, remetendo ao nosso tempo, onde tudo é via dispositivo móvel, enterrando a era das máquinas fotográficas e das câmeras de vídeo, com tudo se resumindo a software, na era do download e do streaming, sepultando o suporte físico, a mercadoria que compramos ou alugamos e levamos para casa, na nostalgia da era VHS, com as locadoras de vídeo, como na minha geração, a qual testemunhou a morte da era analógica e viu a ascensão suprema da era digital, como nesses dias a notícia de que a fabricante de brinquedos Estrela pediu recuperação judicial, pois as crianças de hoje em dia brincam somente de forma digital, desinteressando-se pelos brinquedos comprados na loja, deixando no passado o saco de Papai Noel cheio de brinquedos físicos – sinal dos tempos. A calvície é o passar do tempo, como no trans homem Tammy, com uma careca tipicamente masculina, no caminho da identificação de gênero, como uma certa homossexual que conheci em Porto Alegre, uma mulher de uma autoimagem completamente masculina, uma pessoa a qual, ao ir a uma loja de departamento para comprar roupas para si, vai para o departamento masculino, e temos que respeitar, pois, afinal, trata-se da vida de outra pessoa, e não de minha vida. Aqui temos uma magreza, até com os ossos do tórax salientes, remetendo aos cruéis padrões de beleza vigentes, nos quais só é considerada sexy uma mulher que esteja na antessala da Anorexia, alvejando em cheio a autoestima da mulher, gerando levas de moças que simplesmente não querem saber de se alimentar – é um horror. No topo do quadro, uma vegetação, na força da Vida, sempre lutando para viver, no espírito de guerreiro, que é a pessoa que luta no ringue da Vida, batalhando pela Vida, num Deus Pai que quer no ver lutando, trabalhando e merecendo.
Acima, Expresso Köln. Aqui são esses miseráveis em situação de rua, pessoas que querem fugir da luta renhida que é a Vida, remetendo à Argentina, na qual mendicância é ilegal, e inclusive vi certa vez numa praça de Buenos Aires os policiais abordando um mendigo. O “canto da sereia” da situação de rua é que a pessoa leva uma vida sem regras, sem horários, sem obrigações sisudas, pois há abrigos de assistência social, mas, nesses abrigos, os assistentes sociais colocam os dedos da pessoa na “tomada elétrica”: “Você não pode ficar aqui vendo TV o dia todo. Você tem que fazer a sua carteira de identidade, ir para rua e procurar emprego, ou seja, você tem que se reerguer”, quando que, na Rua, não há pessoas que “encham o saco” com tais cobranças, ou seja, o mendigo não é uma vítima, no modo como não se deve dar esmola, a qual não ajuda, só atrapalha, pois a esmola incentiva e pessoa a ficar em tal situação degradante de rua. Aqui o inverno é rigoroso e cruel, como um certo mendigo, o qual estava dormindo dentro de um container de lixo seco, e veio o caminhão de coleta, revirou o container e o mendigo acabou morrendo esmagado pelos mecanismos do caminhão, numa morte tão tola e estúpida, como morrer atropelado. Aqui é o necessário descanso, e o mendigo não dá a si mesmo opções, tendo que dormir num banco de praça, ou dentro de setores de caixas eletrônicos de bancos, como na minha cidade, com mendigos dormindo em tais lugares, fugindo assim de inclementes invernos, numa vida tão sem sentido, numa pessoa que não faz merda nenhuma, com o perdão do termo chulo, como uma certa senhora rica, morando em um belo prédio, dirigindo um belo carro e tendo para si uma empregada que lhe faz tudo, fazendo dessa mulher rica uma mulher miserável, que nada faz de seus dias na Terra, numa miséria tal que tudo o que lhe resta é fofocar e cuidar da vida dos outros, muitas vezes falando mal dos outros, inclusive falando mal de mim – vá tomar no cu, minha senhora, com o perdão do termo chulo. A vida exige que façamos algo de produtivo, em tristes estilos de vida de pessoas aposentadas, passando o dia inteiro dentro de casa, só fuçando na Internet e vendo TV – não tem como ser válido. É como a senhora minha avó, a qual, ao se aposentar como professora de Língua Portuguesa, passou a escrever poesia, escrevendo, em meio às tardes de brumas na Serra Gaúcha: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”. O cargueiro são as pontes de comércio internacional, nos sonhos liberais de Adam Smith de uma economia global autorregulada, no oposto de Marx, que é o estado total, na sabedoria de Keynnes, que é o caminho do meio, num estado que tem que interferir de modo sutil na economia, havendo a opção de tratamento de saúde na rede pública e na rede privada – os extremos são como um inverno gelado e um verão tórrido, numa bipolaridade, como em radicalismos religiosos intolerantes, algo que construiu a aversão de Marx pelas religiões, na universalidade humana, com “pontes” diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao. O navio é o labor, com pessoas laborando, lutando pela Vida, como acordar numa manhã gelada de inverno, nas palavras de Thatcher do filme A Dama de Ferro: “Estive numa batalha em cada dia de minha vida!”. O navio trabalhando faz contraste com o mendigo, no modo como, no Mundo, há pessoas que têm vidas produtivas; outras pessoas, nem tanto. É na realidade do Plano Superior, no qual temos que trabalhar, no espírito desencarnado que começa a observar a necessidade de se manter produtivo, evitando uma insossa vida de ócio e contemplação, nas palavras de uma canção da cantora Macy Gray: “Levante-se! Levante-se! Faça algo!”. Aqui o mendigo pode estar morto por hipotermia, sepultado anonimamente, como indigente, remetendo a um certo rapaz solitário, o qual se esquece que tem família, irmão, mãe, dinda, primos e tios, nas palavras de uma certa mulher adotada: “Eu não tenho família!”. A neve aqui é tal beleza, na raridade de tal fenômeno no sul do Brasil, encantando turistas, os quais vão a Gramado exatamente para passar frio!
Acima, Farra no rio. A guia no cachorro é a disciplina, o controle, no hábito de se castrar o bicho, fazendo metáfora com a vida espiritual, a qual é “castrada”, sem as paixões e sofrimentos do corpo físico, na glória que é estar desencarnado, como eu digo mentalmente a um querido ente querido já falecido: “Você está na glória; você está desencarnado!”. E não é glorioso estar livre de todos os problemas relativos ao corpo físico? Não é uma libertação inenarrável? É como disse certa vez Elke Maravilha sobre a terceira idade: “Você não sente mais libido na perereca! É uma libertação!”, ao contrário da juventude, quando somos “escravos” de nossos próprios hormônios, numa jovem pessoa que quer sexo, sexo e sexo. O barco é a travessia existencial, no trajeto pela Vida, como me disse uma certa senhora: “É um looongo caminho”. O barco passando é como as coisas vão passando na Vida, como me disse um certo senhor: “Tudo passa!”. Foi quando ouvi em minha mente uma voz num momento muito espinhoso e complicado para mim: “Vai passar!”. E realmente passou. O importante é sobreviver na Vida, como Madonna em entrevista, sobre certo um álbum da própria diva: “É meu modo de celebrar tudo o que sobrevivi na minha vida!”. E a Vida não exige que sobrevivamos a tais “hecatombes nucleares”? É como na metáfora das baratas, as quais sobrevivem a tais hecatombes, em metáfora com a cantora Cher, uma sobrevivente, batalhando para tocar a carreira para a frente, na humildade de se virar a página e recomeçar do zero, encarando uma nova fase na Vida, nas palavras de uma certa senhora ao acordar os filhos de manhã cedo: “Hora de encarar a Vida!”. É no siso do despertador, num momento em que daríamos tudo para permanecer dormindo, como num episódio de Mr. Bean, com este procurando fugir, com mais alguns minutinhos de sono, na sedução dos braços de Morfeu, havendo no despertar tal momento de sacrifício, com meu pai dizendo a mim e minha irmã ao nos acordar numa gélida manhã de inverno: “É fogo! É fogo!”. O rio plácido é tal tranquilidade, na mortificação do coração, deixando-se guiar pela razão, pela lógica, poupando o coração de sofrimentos, como no siso de uma proposta de casamento, no homem propondo algo sério, para assim ganhar a confiança da mulher, com dinheiro para montar uma casa com móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, fazendo do casamento uma conveniência de sociedade: Nós nos unimos e cada um faz uma parte do trabalho. A mulher está decapitada, censurada, retirada, numa discrição, como no discreto Luis Fernando Veríssimo, passeando pacatamente por um shopping portoalegrense, num escritor assediado por pessoas querendo fazer selfies com o homem, ao invés de respeitarem o momento de lazer do cidadão, na sina das pessoas midiatizadas, visadas publicamente, como uma Gisele, tendo que se disfarçar para passear por um parque da capital gaúcha, nessas pessoas tão públicas, como popstars mundiais, condenados a uma vida de prisão, sem poder caminhar pelo calçadão no Rio, comer um açaí e curtir a vida, como eu disse para mim mesmo num domingo de tarde num shopping: “Coisa boa poder passear em paz!”. Os poéticos ao fundo são tal passagem, como passar por um curso universitário, no caminho de depuração da Vida, cujo sentido é se tornar uma pessoa melhor, e você não é bem melhor do que era? Existe vida sem sentido? Claro que não, pois ninguém está no Mundo “a passeio”. O barco aqui é extenso, numa travessia extensa, como navios de comércio internacional, na trama da saga Star Wars, no início do episódio IV, falando das rotas de comércio numa galáxia, na atemporalidade, como no Império Romano, estendendo-se Mundo afora, como numa sede de poder de Alexandre, nas ambições humanas de subjugar tudo e todos, na sedução do Anel do Poder de Tolkien, corrompendo nobres corações. Aqui, tudo passa, como num programa passando pela TV.
Acima, Fevereiro. Aqui é uma rejeição e um evitamento, pois a modelo está de costas, alheia a nós, talvez numa reserva, em estilos de vida reservados e discretos, como uma senhora que conheço, discretíssima, com pouca ou nenhuma maquiagem, discreta no modo de se vestir e de falar, numa voz reservada, suave, numa certa timidez. Aqui é como já ouvi dizer como são deprimentes os invernos escandinavos, com meses seguidos de neve intensa, longe da alegria tropical do Rio, com turistas indo à urbe para curtir a mescla entre concreto e natureza, numa cidade que tanto pulsa vida, num poderoso destino turístico mundial, em contraste com a poderosa cidade de São Paulo, um tanto fechada para o turista, assim como Caxias do Sul, uma gigante econômica e uma anã turística, numa São Paulo cinzenta, na cidade dos negócios, uma cidade tão cosmopolita e aberta ao Mundo, assim como Brasília, a cidade das embaixadas, remetendo a Caxias do Sul, uma cidade que está ficando cosmopolita, até com mulheres de burca caminhando pela cidade, a qual atrai tantos latinoamericanos e africanos, na promessa de trabalho e de vida digna. Num retiro, vemos um homem observando, talvez o próprio pintor observando os movimentos da mulher, no papel do modelo, que é inspirar o artista, numa relação de confiança, no modelo à vontade dentro do estúdio, na paciência para posar por horas, remetendo a um artista plástico de Porto Alegre, o qual tira fotos tuas num estúdio e, a partir da foto, faz uma pintura a óleo, na magia e no glamour da tradicional pintura a óleo, no modo como o poderoso advento da Fotografia libertou a Arte da função retratista, em tantos avanços que simplificam nossa vida, no libertário e gostoso pecadinho capital da preguiça: Por que me “matar” subindo e descendo escadas se posso o fazer comodamente dentro de um elevador? A neve aqui é espessa, num inverno inclemente, como em momentos de inverno novaiorquino, quando a prefeitura da urbe orienta o cidadão a não sair de casa, tal o acúmulo de neve, numa cidade a qual, no pico do verão, vira um “forno de padaria”, na magia poética das estações climáticas, na delícia da meia estação, sem a bipolaridade entre extremo calor e extremo frio, na delícia do Plano Superior, no qual os dias são agradáveis e as noites são amenas, pois, desencarnados, estamos livres dos nossos corpos que são sensíveis às temperaturas, num plano tão divino, no qual observamos a necessidade de nos mantermos operantes e ativos, procurando lá um trabalho, num lugar onde não existe desemprego, com trabalhos bons, que exigem de nossa cabeça, e não meros trabalhos subservientes. O quadro aqui é melancólico e cinzento, na dúvida cinzenta existencial entre branco celestial e negro do Umbral, fazendo do submundo tal escuridão, com espíritos sofrendo e se arrastando pela sujeira, pela escuridão e pelo fedor, um lugar que é uma prisão para nossa cabeça, na prisão dos subvalores, os quais perdem contanto com esse aspecto importantíssimo que é o Senso Comum, um submundo que vai nos deixando barra pesada e mal encarados, em amizades fúteis, que não nos dão sensação de acompanhamento existencial. O casaco é tal proteção e resguardo, como usar camisinha, em gerações que chegaram à maturidade sexual desavisadas em relação à AIDS, sendo pegas de surpresa por ela, ao contrário de minha geração, que foi criança nos anos 1980, sendo desde cedo alertada sobre a importância de se proteger com camisinha, numa terrível AIDS que ainda não foi erradicada, continuando a circular solta por aí, inspirando uma canção de uma certa popstar, na qual chora pela morte de dois grandes amigos ceifados pelo vírus, neste boom que a AIDS teve nos anos 1980, dividindo vidas sexuais entre antes e depois da camisinha. A mulher aqui luta para andar na neve, como na praia Mole de Santa Catarina, difícil de se caminhar, nessa ilha tão linda no verão e tão fria no inverno, destruindo os sonhos dos que desejam ser ratões de praia, vendo, no inverno, uma praia erma, cinzenta e fria, ou seja, deprimente.
Acima, Homem na varanda. Aqui é um momento de contemplação, a qual é necessária de vez em quando, mas sem resultar numa vida completamente contemplativa, na qual a pessoa não mostra o seu próprio talento ao Mundo, escondendo-se deste, como eu gostaria de dizer a um certo rapaz o qual mostrou seu pênis numa revista semipornô: Você não tem que mostrar seu pênis; você tem que mostrar o seu talento! Esse é o seu pênis? Grande merda, com o perdão do termo chulo. Aqui remete ao substancioso desenvolvimento imobiliário de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, com arranhacéus dignos de grandes urbes do mundo, com torres de até oitenta andares cada, numa praia na qual, após o início da tarde, já não há Sol direto na orla, nas ambições humanas da Torre de Babel, na competição fálica mundial para ver quem ter a torre mais alta do Mundo, num Mundo tão competitivo, exigindo agressividade da parte da pessoa, como nos esportes, em pais que querem ver o filho desenvolvendo tal agressividade, colocando o filho na aula de Judô, e tal filho odeia o Judô, sentindo-me tão deslocado ali no tatame, o qual tem cheiro de pouco conhecer uma faxineira, com pais que o fazem com a melhor e mais nobre das intenções, nas palavras de uma certa canção: “A estrada para o inferno é feita de boas intenções!”. Aqui remete a uma vista inesquecível para mim, com gigantescos navios de cruzeiro pela Bahia de Todos os Santos, Salvador, uma cidade tão tropical, um oásis para quem estuda História do Brasil, com prédios históricos e igrejas seculares, nessa “colcha de retalhos” que é o Brasil, num estado da Bahia que é um país à parte, com seus próprios padrões culturais, como tomar um banho no início do dia e outro no fim, ao contrário do Sul do mesmo país, no qual o padrão, por motivos climáticos e de temperatura, é um banho diário, na demanda de água na capital baiana. O gatinho ao fundo é a companhia, em bichos que podem ser tais companheiros, principalmente para pessoa sozinhas, solteiras, morando com tais bichinhos, aos quais podemos nos apegar bastante, com eu certa vez, chorando pela morte de meu adorado cãozinho cocker spaniel, pois, por trás do glamour de um cachorro de pedigree, existe um bicho geneticamente debilitado e frágil, ao contrário do viralata, o qual é forte, suportando frio, fome e sede, na ironia de que os viralatas são os mais simpáticos! Aqui remete a uma canção da MPB, nos versos “Um barquinho a deslizar no profundo azul do mar”, numa canção em plenos Anos de Chumbo no Brasil, numa época em que a censura imperava, frustrando tantos artistas, num manifesto discreto e poderoso, referindo-se ao regime duro: “É pau! É pedra! É o fim do caminho!”, nas “águas de março fechando o verão e a promessa de vida no teu coração”, palavras que conotam o infame primeiro de abril, o dia da mentira. Aqui temos placidez, na sábia quietude da velhice, como em prédios com moradores idosos, prédios tão silenciosos, calmos, na quietude que nos faz curtir a casa, no modo como a juventude feliz é uma invenção de velhos, pois, quando se é jovem demais, fazem-se muitas merdas, com o perdão do termo chulo, num caminho de irresponsabilidade, remetendo ao filme cult Labirinto, já resenhado no Blog desde 2015 por Gonçalo Mascia, num momento em que uma menina recebe nas mãos a enorme responsabilidade de salvar sue irmão bebê dos braços do um tirano senhor dos duendes, o qual reinava num lugar mágico, num labirinto cheio de pistas falsas e traiçoeiras, um filme o qual, ao ser lançado no ano de 1986, foi de início uma decepção nas bilheterias, dando prejuízo ao estúdio, um filme que hoje é cult, uma pequena pérola, na sabedoria latina de que a verdade é filha do tempo! Aqui é um quadro um pouco cinzento, talvez num Colville fazendo a catarse de tal melancolia, no poder terapêutico das catarses, as quais são faxinas da alma, como num sensível Leo DiCaprio num set certa vez, com uma catarse em frente às lentes, na capacidade de se colocar nos sapatos do personagem, amando este, como num grande Chespirito amando o menino pobre Chaves, nessa amizade entre ator e personagem. Aqui é como se sentar numa poltrona e ver um filme, apreciando o labor de outrem.
Acima, Infantaria. Aqui remete a um videoclipe de manifesto politicoculural, com alunos moldados pelos bancos escolares, como numa esteira de execução de Holocausto, nos versos: “Ei, professores! Deixem as crianças em paz!”, talvez num país distante do Brasil, o qual tanto carece da produção de cultura erudita e civilizatória, no modo como tal cultura erudita nasce em tais bancos, nas imortais palavras: “Um país se faz com homens e livros!”. Aqui é um quadro de profunda infelicidade, com irmão matando irmão, longe das intenções de Deus, o qual quer nos ver amigos uns dos outros, como uma família unida por laços de amizade e carinho, na eterna imagem de Caim matando Abel, como um horrível ditador, mandando executar seu próprio irmão, nessas competições pelos tronos mundanos, nos versos da canção de Tears for Fears: “Todo mundo quer mandar no Mundo!”, no Anel do Poder, como pessoas de má fé, que se aproveitam de pessoa humildes e ignorantes, ou seja, “Devorai-vos uns aos outros!”. Aqui é uma esteira indistinta, com cada ser humano sendo massa de manobra de senhores ambiciosos, com rapazes sendo mandados para a morte como cachorros, meros peões num tabuleiro de ambições, na capacidade do sociopata em ver as pessoas como coisas e como meras ferramentas, numa hierarquia tão cruel, muuuito longe da irresistível hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, num ponto em que faço questão de obedecer ao meu irmão mais depurado, no caminho do aprimoramento, o qual é o sentido da Vida, fazendo metáfora como num curso universitário, fazendo do desencarne tal “formatura”, num Deus orgulhoso de nossos progressos morais; num Pai que quer nos ver lutando pela Vida, com coragem e altivez olímpica! Aqui é um retrato da infelicidade, em rostos indistintos, como no contundente início de um certo filme, com rapazes sendo executados como frangos num abatedouro, numa experiência embrutecedora, com rapazes sendo arrancados de seus lares, num quartel o qual é qualquer coisa, menos um lar, na eterna inclinação humana em direção à crueldade, como prisioneiros de guerras, num ser tão odioso, como queimar pessoas vivas em fogueiras, em regentes sanguinolentos como Maria Tudor, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo algo que Ele jamais faria! Aqui é uma marcha para a morte, remetendo a um certo senhor militar, o qual muito jovem se suicidou no quartel, vivendo uma vida tão sem sabor ou sentido, forçando uma mãe a fazer algo horrível, que é enterrar o próprio filho, quando que o natural é o filho enterrar a mãe. O Sol aqui luta para brilhar, sendo opaco, doente, deprimido, fraco, pouco consolador, numa vida fria e vazia, causando sequelas psíquicas. Aqui é como uma fila para ver quem morre primeiro, como na Guerra das Malvinas, com muitas baixas em todos os lados do tabuleiro, nos versos da canção: “O cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada. O cravo ficou ferido; a rosa, despedaçada!”, como vi certa vez na Rua dois carros se batendo intencionalmente, tal a raiva inerente, no modo como, a nível inconsciente, as mulheres têm raiva de Gisele, imitando os cabelos ondulados desta, querendo arrancar de Gisele o que esta tem. A neve aqui está suja de barro, em campos devastados pela guerra, deixando traços de fome e destruição, arrancando pessoas de suas casas, privando-as de calefação em inclementes invernos, em caminhões de ajuda humanitária distribuindo comida, com uma multidão insana se acotovelando para ter tal alimento, como fotógrafos se acotovelando para clicar uma celebridade. Aqui a fila é interminável, extensa, num caminho de embrutecimento, como na miserável Terra Negra de Mordor, de Tolkien, o Umbral longe de qualquer consolo, desolador, amargo, infeliz, como traficantes de drogas, infelizes que levam uma vida sem apuro moral, traficantes os quais, ao desencarnar, pedirão perdão a cada pessoa à qual venderam drogas na Terra.
Referências bibliográficas:
Alex Colville. Disponível em: <www.artgalleryofhamilton.com>. Acesso em: 6 mai. 2026.
Alex Colville. Disponível em: <www.beaux-arts.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.
Alex Colville. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.
Alex Colville. Disponível em: <www.moma.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.
Alex Colville. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 6 mai. 2026.
Biography. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.
Collections. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.
Gallery. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.
Home. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.
Selected Publications. Disponível em: <www.alexcolville.ca>. Acesso em: 6 mai. 2026.






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