De família judia, o italiano Amedeo Modigliani (1884 – 1920) viveu a maior parte da vida em Paris. É conhecido por seus retratos de rostos e pescoços alongados, tais quais máscaras africanas. Morreu jovem, muito pobre, doente – com Meningite – e envolvido com Álcool e drogas. Também pintou retratos da própria esposa Jeanne. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Moise Kisling. Nos olhos, temos um desencontro, como numa discordância ou um desentendimento, como numa briga de casal, num casal há décadas enlaçado, sobrevivendo a crises, ao contrário de outros casais, os quais se separam frente à mais ínfima crise, faltando persistência, como num casal que conheço, no qual ela, não fumante, atura um marido fumante – o marido dela não é perfeito, mas ela o ama, na máxima popular de que ninguém é perfeito. O pescoço é forte, robusto, numa pessoa que passou por vicissitudes e fortaleceu-se nos labirintos da Vida, no modo como as crises são positivas, pois assinalam um momento de renovação na vida da pessoa, como me disse uma psicóloga, nas palavras de uma certa canção cantada por Diana Krall: Você pode estar farto de tudo isso, mas você será um homem, meu filho. A boca aqui é minúscula, no modo de Amedeo de brincar com proporções, tecendo faces um tanto deformadas, como nas deformidades cubistas de Picasso, no modo como a Academia de Hollywood ama atores que se desfiguram para um determinado papel, como num irreconhecível Heath Ledger como Coringa, num triste Oscar póstumo, num homem que morreu na flor da idade, em mortes trágicas como James Dean ou Elis Regina, tão jovens, com tanto pela frente. O rapaz aqui é jovem e belo, talvez arrancando suspiros das moçoilas, em momentos sociais de flerte, na dureza heterocentrada, na qual homem é para mulher e viceversa, como na introdução do livro da sexóloga Marta Suplicy para adolescentes: “A adolescência é a época em que os meninos começam a se interessar pelas meninas e viceversa”. Os olhos aqui são negros e profundos, misteriosos e imprevisíveis, como num enigmático bicho de estimação como o gato, misterioso em seus sentimentos, ao contrário do cão, o qual deixa muito claro quando gosta ou não de algo, como no misterioso personagem felino Garfield, cheio de meandros, de ironia cáustica, ao contrário do cão Odie, muito simples em suas emoções, no modo como esses bichinhos de estimação podem ser tais fiéis companheiros, como uma amiga solteirona que tenho, a qual tem como companhia dois cachorros, o que acarreta uma série de responsabilidades: comprar e transportar sacos de ração, pagar taxas em petshops, levar o bicho para defecar na Rua etc., havendo pessoas que não têm tal paciência, sequer com a paciência de ter uma plantinha na sacada – são escolhas de Vida, nas palavras de uma sábia amiga minha psicóloga: “A Vida é feita de escolhas!”, numa pessoa feliz, que se casou com quem realmente ama, no caminho da felicidade, com tantas e tantas pessoas pouco felizes, as quais fazem escolhas sem visar tal felicidade, numa questão de causa e consequência. O rapaz aqui é garboso, impecavelmente barbeado, preparado para a interação social, com tantos jovens flertam após missas em paróquias, tendo uma religião em comum, no tradicional casamento católico na Igreja, na tradicional noiva de branco, num divertido contraste com a noiva cigana, a qual veste vermelho, no modo como as diferenças culturais são peculiares e divertidas; no modo como, mesmo frente a tais diferenças, a questão humana é universal, como na união homem/mulher, ocorrendo até em tribos amazônicas, no casal fazendo a cópula frente a todos os outros da aldeia, numa cópula socialmente aprovada, nessas obrigações de casais de realeza, sofrendo pressões para colocar no Mundo um herdeiro varão, na obsessão de Henrique VIII em colocar no Mundo tal herdeiro, numa Elizabeth I que se revelou além de muitos regentes homens, num reinado que dividiu em duas a História da Inglaterra, em ícones feministas, unindo beleza feminina com força masculina, no arquétipo universal rei/rainha, no forte frente à fraca. O cabelo do rapaz é de um corte bem rente, masculino, com tantas mulheres que adoram ter tal cabelo masculino, em ícones libertários como Coco Chanel.
Acima, Mulher. O pescoço alongado remete ao longilíneo pescoço do famoso busto de Nefertiti, o qual, de jure, é uma peça de calcário que não vale um centavo mas, de facto, tem um valor inestimável, ao ponto de ser objeto de disputa entre Egito e Alemanha, onde está hoje, num arquétipo de beleza feminina que ultrapassa milênios, revelando certos traços culturais egípcios, como nas sobrancelhas impecavelmente depiladas delineadas, num ato de civilização e disciplina, em atos de garbo e aprumação, numa consorte que sabia o valor de uma boa aparência, conquistando a confiança do povo, o qual gosta de regentes arrumados e bonitos. O preto aqui é a cor da discrição e do luto, numa cor que entrou para a Moda nos anos 1990, no termo “pretinho básico”, nos versos de uma certa canção pop: “Aqui, neste mundinho fechado, ela é incrível, com seu vestidinho preto indefectível”. O preto remete à minha senhora bisavó, a qual, ao enviuvar, vestiu, pelo resto da vida, só roupas pretas, num luto ad eternum, nessas senhoras digníssimas de respeito, apreciadas pela comunidade, recebendo visitas em sua casa, sabendo do valor da discrição no meio comunitário, como uma certa socialite paulistana, a qual tinha duas salas de visitas, e, conforme a pessoa que recebia, recebia ou na sala tradicional, ou na sala moderninha, nas palavras de um sábio senhor que foi meu professor universitário: “Eu tenho dois “olhos” – um moderno e um conservador”. É como no restauro do casarão de pedra construído por meu senhor tataravô no município de Flores da Cunha, na Serra Gaúcha, uma obra que juntou as tradicionais paredes de pedra com um topo de material moderno, mais leve. Os olhos da moça aqui são vagos, com em olhos de esculturas, numa pergunta que ouvi: “Por que será que os olhos das esculturas não têm vida?”. É como num majestoso conjunto de bustos romanos no novaiorquino Met, com cada busto cheio de vida, de personalidade, parecendo estar vivos, observando o visitante, num museu que é o nervo de Arte e beleza de Nova York, merecendo muito mais do que somente um dia de visitação, como num gigantesco Louvre, na riqueza imensa da nação francesa, nos reis sóis com estilo imitado por Dom Pedro I em uma certa pintura, no modo como, já ouvi dizer, os parisienses são um povo muito provinciano, achando-se o centro do Mundo, um fato que me leva à conclusão de que o Ser Humano, em geral, é provinciano, como nas palavras sábias do finado mestre gaúcho Tatata Pimentel, o qual dizia que o jornal gaúcho Zero Hora é um jornal provinciano, no termo “bairrismo”, quando algo é maravilhoso só porque está na ZH. O vestido negro e o cabelo aqui formam um continuum de mistério, numa profundidade negra, como um lago misterioso, negro, profundo, plácido, cheio de paz e introspecção, num momento de introspecção no lar, na casa, na “muvuca”, termo carioca para “lar”. A moça aqui é um tanto triste, como uma pintura a óleo que tenho em casa, de uma gueixa com um olhar triste, melancólico, talvez num momento de perda e luto, num processo que leva um tempo para se dissipar, como na morte do marido da rainha Victoria, a qual levou um certo tempo para superar tal perda, como numa triste Carrie no filme Sex and the City, abandonada na Igreja pelo canalha do companheiro, nela perguntando às amigas: “Será que um dia poderei rir novamente?”. O quadro aqui é quase simétrico, com a cabeça pendendo um pouco para um dos lados, como no design do Congresso de Brasília, com as torres gêmeas pendendo um pouco para um dos lados, num equilíbrio de equação matemática, como nas assimetrias de Mondrian, num jogo de equilíbrio. O fundo cinzento combina com o negror, numa harmonia cromática, na discrição do cinza, como já ouvi dizer que São Paulo é a cidade cinzenta dos negócios, como Caxias do Sul, uma pequena São Paulo, numa Caxias cujo turismo de fato é o executivo, ao contrário dos encantos turísticos gramadenses, esta, sim, uma Meca turística. Aqui temos seriedade, talvez num senso de responsabilidade e siso.
Acima, Mulher com leque. O leque é um arejamento, como nos sopros de renovação na Europa Renascentista, com selvagens terras americanas descobertas, objetos de disputa entre potências europeias, fascinando o europeu com as tribos de indígenas canibais. O leque é uma gradiente, como numa classe escolar: Há os alunos brilhantes, os medíocres e os indisciplinados. É um leque de opções como numa gigantesca urbe, como Nova York, cheia de shows majestosos da Broadway, nessas cidades que respiram Arte, num meio tão competitivo como a Broadway, nos cobiçados Tony Awards, o Oscar do Teatro Novaiorquino, em artistas tão excepcionais como Frank Langella, conquistando mais de uma vez tal cobiçado troféu, nesta fogueira de ambições que é Hollywood, com tantos sonhos despedaçados todos os dias. O leque é o alívio de senhoras para ambientes quentes, em eras sem ar condicionado, uma grande invenção do Ser Humano, remetendo à recente viagem dos senhores meus pais ao santuário brasileiro de Aparecida, num fevereiro de temperaturas tórridas, com os padres rezando as missas cobertos de vestimentas compatíveis com o frio europeu. Modigliani gosta de tais bocas diminutas, com nas boquinhas de gueixas, simbolizando um certo recato, uma feminilidade, num minimalismo, como numa limpeza, em contraste com o bocão de Angelina Jolie, de uma beleza tão arrebatadora, etérea, na capacidade instintiva de uma pessoa conduzir a própria carreira, tornando-se uma pessoa tão famosa, rica e importante, num instinto o qual nenhum livro é capaz de ensinar, na noção taoista: As pessoas precisam aprender por si mesmas a lição da simplicidade, num caminho autodidata, numa noção que valoriza o não fazer taoista, numa ação minimalista e limpa: Quando você precisar tomar alguma ação, faça apenas o que é necessário, na noção do não fazer, a gostosa preguicinha, no sentido da pessoa de sair do meio da “estrada” e deixar Tao fazer o trabalho, numa doutrina enigmática e atual, apesar de ter sido redigida há milênios, no modo como os gostosos pecadinhos capitais geram invenções majestosas, como na gostosa vingancinha de Julia Roberts em Uma Linda Mulher, vingando-se de atendentes esnobes que se negaram anteriormente a atendê-la: Quem não vai se apaixonar por Julia? É no termo “chupar uma manga” – Chupa essa manga! O fundo aqui é rubro e vibrante, remetendo à sala de estar de um senhor que conheci, uma parede vermelha que “apimentava” as visitas em tal cômodo, provocando, excitando, como uma boa pizza de calabresa picante, na magia de cozinhas como a baiana e a mexicana, ou na raiz forte japonesa, no episódio de The Nanny em que a protagonista Fran quase “morre” ao comer muito tal condimento. O decote aqui acusa um dia de Verão, numa Paris que pode ser tão tórrida na estação mais quente do ano, na magia de tais regiões de clima temperado, com as estações bem definidas e particulares, como numa pálida Londres, com poucos dias de Sol radiante e tórrido. O quadro aqui tem um certo movimento, com o leque sendo balançado, num vaivém de cópula, num barco boiando, na deliciosa sensação liquidiscente da Experiência Extracorporal espírita, no retorno ao útero – escuro, quentinho, silencioso e acolhedor, num prazer total, no eterno retorno ao Útero Primordial de Nossa Senhora, numa dimensão onde tudo é limpo, belo e agradável, como na cena final de A Cela, quando Jennifer Lopez incorpora a Virgem Santíssima, em contraste com a ala caótica, sofredora e deprimente do psicopata, num filme de forte apelo visual. Aqui não é uma moça, mas uma senhora, uma pessoa que aprendeu muitas lições na Vida, numa mulher fina, que sabe do valor do minimalismo comportamental, talvez uma senhora que conquistou o respeito da comunidade onde vive, sabendo que respeito é para quem se dá ao respeito. Aqui é esta paixão de Amedeo por figuras longilíneas como girafas, remetendo à vitrine de uma loja em Gramado, na qual uma girafa, em tamanho real perfura o andar acima com seu pescoço descomunal.
Acima, Noiva e noivo. Aqui remete a um casal que conheço, no qual o homem é mais baixinho, então, a mulher, ao tirar foto com o marido, agacha-se um pouco para que ele não pareça tão baixinho, como no nanico Tom Cruise, exigindo que uma certa esposa na época de casados usasse sapatos sem salto em aparições públicas ao lado do astro, o qual é, por ironia, um altíssimo colosso em Hollywood, sobrevivendo há décadas na “selva” da celebrização mundial. É no simples discernimento taoista: Quando digo que algo é pequeno, é porque comparo com algo maior, numa simples relatividade, como no nosso Sol, um gigante MUITO maior do que a Terra, mas um Sol ínfimo em comparação a estrelas muito maiores. Os rostos de Amedeo são sérios, sem o menor sorriso, como na vocalista do duo pop Everything but the Girl, uma mulher de olhos bem tristes, um tanto carentes, como uma pessoa blindada e protegida contra apelos auspiciosos, nas sábias palavras da senhora minha mãe: “Seja muito digno e austero, pois o Mundo só pertence aos dignos – o resto são sinais auspiciosos!”, como nas tediosas alas vip de boates, quando que a festa, no frigir dos ovos, acontece no coração da pista de dança. A ocasião aqui é solene, de gala, especial, pois o senhor está com um elegante smoking, na magia de ventos grandiosos, luxuosos, algo que nos dá uma provinha da gloriosa vida que nos espera após nossa breve passagem pela Terra, esta escola que tanto nos faz crescer, trazendo-nos depuração a aperfeiçoamento moral, na vitória da verdade. Cortando os rostos aqui, temos uma linha reta vertical, num divisor de águas, como na chegada da maturidade, um divisor de águas na vida da pessoa, no advento glorioso da sabedoria, do juízo e da responsabilidade, algo difícil de se encontrar em adolescentes, a idade na qual fazemos muitas merdas, com o perdão do termo chulo. Aqui temos a magia do contraste, com o traje do cavalheiro em preto e branco, em filmes em preto e branco, no termo “tela prateada”, com os deuses do Cinema em telas gigantescas, na chamada Era de Ouro de Hollywood, numa geração tão peculiar, em atrizes portando majestosamente seus vestidos, algo análogo às modelos de hoje em dia, no inevitável exemplo de Gisele, portando seus vestidos como uma rainha, muito além de muitas atrizes mal vestidas, no modo como, em premiações pela TV, dá de tudo em relação a trajes tanto masculinos quanto femininos, na questão de como o estilo e a atitude podem arrebatar o Mundo, em astros de estilo imitado, em comoções pop mundiais, no poder da Arte sobre a mente humana, conquistando por meio de carisma, como tietes histéricas frente a seus ídolos em tapetes vermelhos, o símbolo da celebrização vip, até chegar ao ponto da pessoa precisar andar disfarçada na Rua para pode passear em paz, ou seja, a celebrização tem toda uma face infernal, sinto em dizer, numa espécie de prisão, resultando em exceções como a célebre Jackie O., podendo esta passear em paz pelas ruas de Nova York, uma mulher que foi entusiasta da Arte, integrando o quadro cultural da Big Apple. Aqui é como numa foto em coluna social, numa “fogueira de vaidades”, como no baile brasileiro da revista Vogue, uma chuva de plumas e lantejoulas histéricas, numa atroz competição para ver qual delas é a mais maravilhosa, no modo como a Vida em Sociedade traz tal competitividade, como na Escola, na competição para ver qual é o aluno mais aplicado, o queridinho do professor, pois não são os Esportes o maior símbolo da competitividade do Ser Humano? É a questão das ambições mundanas, numa pessoa que quer fama a qualquer custo, no modo como a exposição midiática pode se tornar complicada, numa pessoa que, repito, não pode passear em paz pela Rua. O bigode grisalho do homem mostra um quadro de meia idade, na idade em que temos maturidade mas não somos tão velhos assim, como no Aragorn de Tolkien, um homem de 47 anos de idade que está na flor da idade e no auge da virilidade, como um James Bond. Aqui remete a meus pais indo a eventos sociais, com ambos saindo de casa perfumados, na magia das fragrâncias, no modo como o se perfumar é um ato de autoestima.
Acima, Nu feminino. É impressionante como os gregos antigos lidavam de forma natural com a nudez, como no Éden pré serpente, no ponto em que a malícia se impôs e os sexos foram tapados por folhas. A mulher aqui está dormente e entorpecida, passiva, deixando-se retratar, num momento de intimidade num atelier de artista, no momento em que a modelo se joga nos braços do pintor, como numa íntima sessão de Psicoterapia, no momento em que o paciente confia no terapeuta e “rende-se”, no papel de guia espiritual, que nos mostra o Mundo da forma mais fria e realista possível, com humildade e pés no chão. O nu aqui não é vulgar ou agressivo, como na revista Playboy brasileira, com o sexy sem ser vulgar, em revelações de estrelas como Adriane Galisteu, uma mulher independente, que soube surfar na onda de namoradinha de Senna, nesses relacionamentos tão públicos e expostos, na exposição natural do casal heterossexual, quando ela personifica o Yin dele e ele personifica o Yang dela, como cumprimentar o um casal hétero na Rua – cumprimentando um deles somente, o casal já está devidamente cumprimentado, como na gueixa japonesa, doce e simpática, ao lado do marido sério e sisudo, antipático. A moça é jovem, de beleza natural, longe de ser uma siliconada de seios antinaturais, numa beleza natural, como Deus a concebeu, nos versos da canção: “Maria Morena você se pintou! Maria, você já é bonita com o que Deus lhe deu!”, como um certo senhor tolhendo a própria esposa ao esta maquiar a filha deles de doze anos de idade, com ele esbravejando: “Por que uma menina de doze anos de idade tem que estar maquiada e de salto alto?”, no modo como as crianças crescem rápido, pois, quando nos damos conta, somos pais de adolescentes, “aborrecentes”, com filhos nos achando velhos, apesar de não sermos tão velhos assim. Aqui remete à gíria misógina “racha”, que serve para designar meninas e mulheres femininas, em menção ao aspecto de “rachadura” da genitália feminina, com uma infinidade de gírias que nomeiam tal genitália feminina, como “xana”, “xota” e “boceta”, com o perdão dos termos chulos, remetendo a uma cantada agressiva que um menino aplicou a uma amiga minha, chamando-a de “bocetuda” – são um horror essas cantadas agressivas, desrespeitando a mulher, remetendo a uma famosa sociopata, cujo nome não mencionarei, tal meu desprezo, uma sociopata que disse que as mulheres têm que aturar e aguentar tais cantadas agressivas e misóginas, na covardia que é bater em alguém mais fraco do que nós: Deus abençoe o cavalheirismo! Os seios são macios e liquidiscentes, na magia das fêmeas mamíferas amamentando, numa dedicação de mãe, como uma cachorrinha que tive, a qual começou a ficar desnutrida ao dar de mamar às próprias crias, como em tempos de Escravatura, quando amas de leite negras amamentavam as crianças ricas brancas. A moça é formosa, com sua cintura fina, na ditadura dos espartilhos, oprimindo a mulher com tiranos padrões de beleza, em mulheres sofrendo ao quererem ser magérrimas, como uma adolescente que conheci, a qual teve que baixar em um hospital porque simplesmente não estava mais comendo – sequer um grão de ervilha! Aqui remete a uma senhora que conheço, a qual teve que passar por uma mastectomia, ou seja, perdeu a constituição natural dos seios, tendo que adquirir próteses, e isso, é claro, desafia a autoestima da mulher, na máxima popular: O que Deus fez, o Homem não faz igual! Aqui é um quadro bem natural, e alguns fios de cabelo caem sobre um dos ombros, no conceito taoista dos caminhos naturais da Vida, como um rio em seu curso natural, na inevitável chegada da maturidade e da sabedoria, numa pessoa que, ao levar “surras” da Vida, mantém-se humilde, não deixando que o sucesso suba à cabeça, nas sábias palavras humildes de um grande ator: “Não pode faltar trabalho!”, pois uma pessoa rica e improdutiva é infeliz, não vivendo no Mundo real. A moça aqui dorme à vontade frente ao artista, numa tarde preguiçosa em um sedutor cômodo na penumbra.
Acima, Paul Guillaume. O quadro é sombrio, como nas negras profundidades do Barroco, no jogo de sedução entre claro e escuro, na forças das vogues, das ondas que varrem percepções, como na bela transgressão do Modernismo Brasileiro, em pontos de renovação em que a Arte Acadêmica ficou para trás, se comparada a algo mais novo, como na revolucionária chegada do Som ao Cinema, transformando este em Arte, e não mais em pura distração mundana, até chegar ao ponto da Nouvelle Vague, trazendo ao Cinema o senso crítico e a intelectualidade, em comoções como A Lista de Schindler, com toda uma face crítica, buscando expor ao máximo possível a crueldade do Ser Humano, no modo como nunca me canso de dizer que nada mais humano do que ser desumano, com em insanos como Putin, condenado por toda a Comunidade Internacional, na sedução do Anel do Poder, no qual só há destruição, fome e morte. O senhor aqui fuma calmamente, como se tivesse toda a paciência para posar para Amedeo, talvez em se tratando de dois amigos, num grau de confiança e intimidade, no grau de intimidade no qual é possível que, à frente de tal pessoa, possamos conversar por telepatia, sem proferir uma só palavra, como no menininho de O Iluminado, numa grande sensibilidade psíquica, sabendo que tal situação de clausura resultaria em surto psicótico e assassinato. O homem aqui tem um ar desafiador, quase debochado, na dádiva que é o senso de humor, como num da Vinci bem humorado, que se manteve jovial e brincalhão até o resto da vida, fazendo do senso de humor algo tão humano, como no instigante filme Dogma, no qual Deus é tido como alguém solitário, mas extremamente brincalhão, em vastos exemplos de ironia, como na lógica matemática: Por toda a Eternidade haverá números primos, não importando quanto tempo passe! Então, é o inestimável presente da Vida Eterna, em ícones como Santo Agostinho, fazendo parte da concepção espírita, na noção de que somos feitos de carne finita e de alma infinita, no modo como estamos na Terra apenas de passagem, esperando por nós, lá em cima, uma dimensão onde estamos cercados somente de amigos, sem um único pinguinho de criminalidade, no caminho do apuro moral, a razão de qualquer encarnação, no modo como o sociopata perde tempo, dedicando sua própria encarnação com mentiras e desvirtudes, perdendo tempo, num espírito que MUITO tem a evoluir e tornar-se um espírito de luz – um anjo –, pois ninguém está no Umbral para sempre, ainda bem! O rosto do homem é jovem e atlético, no termo em Inglês handsome, ou seja, muito bonitão, arrancando suspiros das mocinhas, remetendo a um senhor que conheci, um rapaz muito bonito na época do Colégio, tornando-se um homem muito bonito após, mas um homem que acabou se suicidando, sem ter estrutura psíquica para aguentar o peso da Vida – é uma lástima, num desperdício que é uma vida jogada fora, equivalente ao jogarmos fora uma joia inestimável, por assim metaforizar. O homem aqui é garboso, e seu bigode está cuidadosamente delineado, num homem que passou um certo tempo frente a um espelho, remetendo a um senhor que conheci, um homem ALTAMENTE vaidoso, beirando o narcisismo, hipnotizado por si mesmo num espelho, crendo que tal beleza dar-lhe-ia o Mundo, algo que acabou não se concretizando, na máxima popular: “Beleza não põe à mesa”, havendo em um Brad Pitt algo mais do que beleza, no mistério do que é o estrelato. Aqui é este estilo transgressor de Amedeo, abandonando por completo os ranços acadêmicos, no valor social da transgressão, causando a evolução de um determinado corpo social, numa pessoa que se revela um pioneiro, como numa escandalosa Monroe, seduzindo o Mundo com sua roupagem de loira burra, num talento que faz com que, até hoje, as pessoas acreditem que ela era de fato tal loira burra, no modo como o gênio faz parecer com que as coisas sejam fáceis, como em gols de Pelé.
Referências bibliográficas:
Amedeo Modigliani Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 28 fev. 2024.






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