Volto a falar sobre o pintor italiano Amedeo Modigliani. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Jeane Cocteau. O azul marinho é a discrição, num tom que não busca ser carnavalesco vibrante, como uma senhora discretíssima que conheço, discreta no modo de se vestir e falar, só usando maquiagem em ocasiões muito especiais, vivendo normalmente sem maquiagem no dia a dia. Esses pescoços delgados de Amedeo são a elegância e a altivez, na linha divisória que existe entre altivo e arrogante, sendo que este está prestes a cair, no fato de que a arrogância precede a queda, sendo insuportável uma pessoa arrogante, impossível de se conviver, aquelas pessoas que se consideram o centro do Mundo, como um certo publicitário, o qual, em sua presunção, achava-se dono e senhor da Festa Nacional da Uva de Caxias do Sul, quando que esta festa pertence ao povo da cidade, numa manifestação de Cultura Popular Brasileira. O lenço na lapela é a elegância, num hábito um tanto obsoleto, na existência dos lenços de papel, muito mais higiênicos, no modo como antigamente, creio eu, as pessoas eram mais garbosas – não sei se estou certo. A gravata apertada é o siso, o trabalho, a seriedade, no redentor momento de libertação do happy hour, dos drinques, quando as gravatas são afrouxadas e o Álcool entra no sangue com uma sensação de relaxamento, como já ouvi dizer: As pessoas não gostam do sabor do Álcool; as pessoas gostam do efeito do Álcool, na universalidade da bebida alcoólica, desde o saquê japonês até o rum caribenho, na tradicional cachaça brasileira e na tradicional vodca russa. O jovem aqui é magro e delgado, fino, como um rapaz que conheço, um rapaz fino, discreto, sabendo do valor do bom gosto e da exigência. O rapaz senta-se majestoso, como num rei em seu trono, no peso das responsabilidades de liderança, havendo líderes que, afastando-se do próprio povo, perdem o poder, como no Romanov deposto na Revolução Comunista, em eventos tão sangrentos como na covarde execução da Família Real Russa, assassinando inclusive crianças – é um horror. O rosto aqui tem uma imperfeição premeditada, pois não é perfeitamente simétrico, num Amedeo um tanto avesso a simetrias matemáticas e geométricas. Os olhos aqui se desencontram, como numa briga de casal, ou como numa guerra entre nações, na especialidade humana em favor do ódio e do derramamento de sangue, na máxima taoista: A Paz é maior do que a raiva. O cabelo negro é algo imprevisível e misterioso, na cor negra da discrição, do respeito e do luto, como num céu negro sem estrelas, no modo como nunca sabemos como as coisas vão exatamente acontecer na Vida, na máxima popular de que Deus escreve certo por linhas tortas, num presente que nos é dado sem prevermos tal teor de tal presente. Aqui é a magreza em sua obsessão, em mulheres dispostas a tudo para perder peso, como numa Maria Callas adquirindo verminose premeditada para, assim, emagrecer, em cruéis padrões de beleza que agridem a mulher, perdendo um dos prazeres da Vida, que é a Gastronomia. O queixo aqui é anguloso, proeminente, altivo, como num altivo cavanhaque de faraó, num símbolo de poder divino, num regente que era visto, pelo próprio povo, como um herdeiro direto dos deuses, no modo como, no fascinante Egito Antigo, Arte, Política e Religião caminhavam juntas, na tradição milenar do panteão de deuses, algo interrompido no controverso reinado de Aquenáton, o faraó que instaurou a primeira fagulha de Monoteísmo da História, nesses momentos de rompimento e transgressão, no modo como o transgressor acaba por ocasionar a evolução de sua própria sociedade. O rapaz aqui, esperando, é a paciência, no modo como eu, certa vez, perguntei à atriz Gloria Pires qual era a sua técnica de construção de personagem, e ela me disse que o ingrediente mágico é a paciência, desdobrando o personagem e entendendo as motivações deste. O rapaz aqui está garboso, impecavelmente barbeado, talvez para ir a um elegante café, talvez com o perfume de uma agradável colônia pós barba, inebriando as pessoas ao redor, no fascínio das fragrâncias, indo até o incenso indiano, usando em missas católicas, no modo como o perfume nos dá ideia da limpeza e da pureza do glorioso Plano Metafísico.
Acima, Jeanne Hebuterne. A pose é natural, sem formalidades, talvez por se tratar da esposa do artista, num grau de intimidade, o que nos faz lamentar por Amedeo não ter sido reconhecido em vida, em melancólicos troféus póstumos, como no Oscar de Heath Ledger, remetendo a uma certa popstar, a qual, sinto em dizer, só será devidamente reconhecida postumamente, deixando no Mundo um legado inestimável, uma mulher que paga um preço caro por ser uma mulher num mundo de homens, na eterna misoginia humana, no mito maldito de Eva, a responsável pela derrocada da Humanidade, seduzindo e arruinando a figura perfeita de Adão, a obraprima do Criador Supremo, do qual temos a imagem de um patriarca – será que um dia veremos uma mulher papa? O decote aqui é ousado e tentador, em toques de sensualidade, na diferença entre sexy e vulgar, como na provocante fenda do vestido de Gisele na abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, talvez desagradando a mulher que é, de fato, a Garota de Ipanema, nas fogueiras de vaidades do Mundo, na raiva inconsciente que as mulheres têm de Gisele, imitando o cabelo ondulado desta, na aliança entre admiração e raiva – quando alguém vira um hit, todos querem um “pedacinho” deste alguém. A cadeira é o repouso, o descanso merecido após um dia de labor, nas cruéis senzalas escravocratas, confinando negros como se estes fossem cachorros num canil, tudo em nome da ambição dos barões do Café, exportando o precioso grão para a Europa, nos elegantes cafés parisienses, no modo como, neste momento, com a valorização do Euro e a desvalorização do Real, a capital francesa está “os olhos da cara” para os brasileiros. Amedeo gosta desses olhos “vazados”, sem pupila, como olhos de esculturas, sem Vida, olhos incertos, pois não sabemos para onde estão olhando, como olhos de deficientes visuais, remetendo a uma menina que me marcou, uma menina quase cega, paupérrima, vendendo sabonetes caseiros na Rua, buscando comprar algum pão para não passar fome, nessas passagens das quais não esquecemos. O quadro aqui traz simplicidade, pois Jeanne está sem anéis, brincos ou colares, num desprendimento, numa renúncia às riquezas mundanas, na canção tradicional do programa dominical televisivo de Silvio Santos: “Do Mundo não se leva nada! Vamos sorrir e cantar!”, na capacidade excepcional de uma pessoa em se manter humilde, mesmo atingindo pícaros de sucesso, fama e popularidade, no modo como a Vida vai exigindo que tenhamos tal humildade para, assim, aturar os meandros traiçoeiros do sucesso, remetendo a um certo pobre coitado senhor, o qual, obtendo esmagador sucesso e popularidade em vida, acabou se suicidando, achando que não tinha escolha, num homem que não teve estrutura psíquica para aguentar tal carga, na noção espírita: Você não imagina a qual estado ficam reduzidas psiquicamente as pessoas que são consideradas felizes na Terra, no vazio excruciante que é a vida de uma pessoa rica e improdutiva, na palavras sábias e humildes de DiCaprio: “Não pode faltar trabalho!”, e não é maravilhosa uma pessoa que não permite que o sucesso suba à cabeça? O vermelho aqui é bordô, de vinho tinto, nos altos custos de produção de vinho, começando pela colheita da uva, um processo manual e artesanal, sem poder ser um processo automatizado – talvez algum dia a Humanidade invente uma forma de colher uva de forma automatizada. Aqui, temos uma mulher bem jovem, sem um único cabelo grisalho, num penteado aprumado, formal, disciplinado, num momento de autoestima em frente a um espelho, como a reza a lenda de que Evita Perón levava cerca de quarenta minutos para se aprumar devidamente. Os ambientes ao fundo são simples, sem babados ou frufrus, num artista que sabia do valor da limpeza e da simplicidade, no modo como a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, nas linhas simples da Brasília de Niemeyer, na busca de uma identidade brasileira, no grande desafio do Cinema Brasileiro, que é encontrar tal identidade própria e única, parando de imitar a suprema Holywood.
Acima, Jeanne Hebuterne sentada. A cama é um dos maiores prazeres da Vida, que é o sono, nos sedutores braços de Morfeu, no ato de, de vez em quando, deixar a disciplina de lado e ficar mais um tempo na cama, mesmo já se tendo dormido o tempo suficiente de descanso. O despertar é um momento de sacrifício, como o senhor meu pai acordando minha irmã em manhãs de aula no Colégio, muitas vezes em gélidas e hostis manhãs geladas de Inverno, com meu pai dizendo: “É fogo!”. É um momento de sacrifício, por assim dizer. A cama é a intimidade de casal, num grau de extrema proximidade, nos versos da canção famosa de John Mayer: “Teu corpo é uma terra de maravilhas!”, remetendo à piadinha: “Qual é o único defeito da mulher? O ‘playground’ é muito perto do ‘esgoto’!”. Aqui remete à fábula das camas da família Urso, no caminho do meio: Uma das camas era muito dura; a segunda cama era muito mole; a terceira cama tinha o conforto ideal. É como num dia agradável de meia estação, remetendo às temperaturas do Plano Metafísico, com dias agradáveis e noites amenas, no fato de que, lá em cima, não estamos mais ligados aos nossos corpos carnais, os quais são sensíveis ao frio e ao calor – é a glória, meu irmão! Aqui não é um momento de sono ou de se deitar, pois a modelo está vestida para sair de casa, vestindo-se especialmente para tal pose, havendo na Monalisa o retrato mais enigmático da História, a maior obra de Arte de todos os tempos, rendendo inúmeras interpretações, na decepção que é ir ao Louvre e se deparar com um quadro tão pequenino, frente a sua esmagadora e imensurável fama, um quadro do qual, reza a lenda, da Vinci nunca quis se desprender ou desfazer, no poder da Arte em marcar as mentes das pessoas, em talentos tão esmagadores como Michelangelo, para sempre expostos para plateias perplexas frente a tal genialidade, no dever da Arte, que é encantar e deslumbrar. Num local bem discreto e coadjuvante, vemos um criadomudo, que é a serventia, a utilidade, como numa pessoa dependente de criados, de empregados, numa preguiça de ir à cozinha e se servir de um copo de água, solicitando tal copo ao servente, como uma certa moça da qual lembro: Certa vez, ajudei-a a colocar o lixo no container do lixo na Rua, e o fiz por pura gentileza e educação, e quando eu encontrei novamente a moça levando o lixo, ela simplesmente me deu uma ríspida ordem, exigindo que eu abrisse a tampa do container, e claro que não abri, quase lhe dizendo: “Querida, eu sou gentil mas não sou subserviente!”. Jeanne aqui está comedida, comportada, humilde em seu próprio espaço, talvez no papel de pura esposa e dona de casa, no termo machista: “Bela, recatada e do lar”, sufocando o direito da Mulher em pensar por si mesma e construir carreira, sendo tão malvista a mulher independente, que não é escrava de um homem provedor. Os dedos estão entrelaçados, reunidos, aliados, como num momento de engajamento comunitário, como na articulação comunitária para se fazer uma festividade, como nas numerosas festas comunitárias em solo gaúcho, num momento em que as pessoas se esquecem de suas diferenças e unem-se me torno do bem comum, elegendo meninas bonitas para que sejam representantes das belezas de suas respectivas terras, como um certo senhor maravilhoso que conheci, o qual adquiriu um poder de príncipe, unindo as pessoas em torno de um bem comum, que foi a concretização de uma filmagem, fazendo da Paz a cola que une as pessoas, na Paz inabalável do Plano Superior, uma vizinhança plácida repleta de amigos, num extremo respeito mútuo, num plano em que temos todos a noção de que somos príncipes, filhos do mesmo Rei, numa revelação de luz, nos eternos esforços do padre na Igreja, chamando-nos de “irmãos”, como no carinho que Chico Xavier tinha por todos, num homem tão adorado e respeitado pelo Povo Brasileiro. O quarto aqui é o retiro merecido depois de um dia de dedicação, como no trabalho árduo do colono italiano na Serra Gaúcha, num exemplo de reforma agrária que deu certo, no poder do trabalho, a força que nos mantém mentalmente sãos.
Acima, Jovem. O pescoço é um pilar, uma sustentação, numa pessoa forte, a qual sabe sobreviver, como na questão do sucesso – este pode ser uma bênção e uma maldição, pois quando o sucesso vem, temos que saber superá-lo e continuar tocando a vida para frente, com humildade, e os exemplos são vastos, como por exemplo o seriado Friends, com os cinco protagonistas remanescentes tentando, até hoje, sobreviver a tal sucesso, no sentido da pessoa ter a humildade para continuar “guiando o barco”, como no jogador Romário, o qual, depois da glória do Tetra, trazendo para casa tal troféu cobiçado, estava, tempos depois, bem humilde, jogando no estádio caxiense Alfredo Jaconi, continuando a conduzir a carreira, pois não é insuportável uma pessoa arrogante? A arrogância não precede a queda? Os olhos de Amedeo são assim, sem vida, sem pupilas, incertos, pois não sabemos para onde olham, em mistérios da Vida, no modo como nunca podemos prever com as coisas de fato acontecerão, pois se pudéssemos antever, as coisas não aconteceriam! É o mistério da Vida, inspirando a Arte, cujo nervo é a Vida, desde sempre no Homo sapiens, num Ser Humano começando com decorações de cerâmica, diferenciando-se dos macacos, os quais não têm a capacidade de pegar um pincel e pintar um quadro, apesar dos macacos serem bichos relativamente inteligentes. A cor cinza ao fundo é a incerteza da existência, como no famoso Castelo de Grayskull, do universo do herói He-Man, ou seja, o Castelo da Caveira Cinza, pois é o resultado da junção entre branco e preto, ou seja, Bem e Mal, num castelo que pode ser tomado por qualquer um dos lados, na eterna luta contra o Mal, contra Esqueleto, o senhor malévolo da destruição, na questão humana de se combater entre luz e escuridão, em questões tão básicas como a taoista: A paz é maior do que a raiva, pois só a verdade é eterna, e a mentira está fadada à danação eterna. O semblante e o formato das sobrancelhas revelam uma certa tristeza, uma melancolia, numa carência afetiva, numa pessoa que, por mais que ria e sorria, sempre terá olhos tristes, como um certo popstar, um homem um tanto triste, seríssimo, agressivo, um homem que nunca em público foi visto sorrindo, como no filme Onze homens e um segredo, quando a personagem de Julia Roberts diz que o atual marido não a faz rir, mas também não a faz chorar, um relacionamento morno. O cabelo escuro é o siso e a discrição, na questão da humildade, pois tudo o que preciso fazer para “quebrar a própria cara” é ser arrogante, no modo como a humildade é tão subestimada, e poucos conseguem entender o “nada fazer” de Tao, numa atitude clean, na qual só devo fazer algo quando é necessário, evitando frescuras sujas e desnecessidades, como uma certa senhora muito bem sucedida, a qual sabe que não pode parar de trabalhar, na humildade para eu entender que não sou o centro do Universo, ao contrário de um insano e patético sociopata, o qual se acha Deus, e essa arrogância não é insuportável? É como numa família que conheço, na qual está infiltrada uma sociopata, uma manipuladora que brinca coma cabeça das pessoas, espraiando suas malícias e maldades, como na recomendação no filmão O silêncio dos inocentes: Nunca dê informações pessoais a um sociopata, como num sociopata que virou psiquiatra, recebendo informações altamente pessoais, brincado assim com a vida das pessoas – é um horror. O decote aqui é altamente discreto, numa mulher que não quer se expor demais, como na famosa foto das jovens Sophia Loren e Jane Mansfield, com esta com um decote absolutamente ousado, quiçá vulgar, com Sophia olhando com reprovação para tal decote, na linha divisória que existe entre sexy e vulgar, como na Playboy brasileira, numa nudez que revelava, mas nunca agredia a modelo, em fenômenos de vendas de exemplares como na primeira Playboy de Adriane Galisteu, a qual não obteve sucesso com sua segunda Playboy – o sucesso é um amante infiel! O cabelo aqui tem uma pitada de caos, no modo como uma pitada de feiura pode se revelar sexy, como numa Barbra Streisand, uma “feia bela”, por assim dizer.
Acima, Madame Kisling. Aqui é como pode ser fashion e estilosa uma mulher que se veste como homem, como na estrela Diane Keaton, famosa por seus trajes com uma pitada masculina, como uma gravata, na piada no seriado Friends, quando um terno masculino teria pertencido a Diane, como numa Madonna, a qual disse em entrevista que, às vezes, sentindo-se um tanto masculina, veste-se como um menino, com um boné de Baseball, no modo como o estilo é um excelente meio de autoexpressão, no modo como tem que haver liberdade para que cada um se expresse devidamente, no modo como ainda há muito preconceito no Mundo, como um certo rapaz que vi certa vez numa casa noturna, um rapaz todo estiloso, alvo de chacota de um outro rapaz, medíocre este, como um homem que conheço, o qual não obteve sucesso na carreira artística porque é um medíocre, numa pessoa que simplesmente não brilha, numa pessoa a qual, de tão microscópica, acha que é tudo culpa do Mundo, na máxima de que quem não tem competência não se estabelece. O rosto aqui é todo anguloso, de linhas tensas, masculinas, como aristocráticas listras, na magia de uma peça de roupa listrada, num charme aristocrático. O cabelo da modelo é bem moderno, na revolução de mulheres com cabelos curtos, de homem, nos versos de uma certa canção pop: A Sociedade não leva a mal uma menina com cabelos curto, pois em tal sociedade ser homem é glorioso, ao contrário do rapaz com cabelos longos, de mulher, no sentido de que tal sociedade vê com maus olhos a mulher. É o mundo misógino no qual vivemos, no qual a mulher tem que assumir o sobrenome do marido na Igreja, indo das mãos do pai para as mãos do marido, nos versos de uma canção da banda Maroon 5: “Rainha de beleza com apenas dezesseis anos de idade. Sempre pertenceu a alguém”. A gravata é a disciplina, como um certo senhor, o qual se manifestou “enforcado” pelas exigências da própria esposa, no modo como, num casamento, é imprescindível que haja paciência – não é perfeito, mas é meu cônjuge e eu o amo! Como uma certa senhora não fumante, aturando há décadas um marido fumante, o qual, por sua vez, atura esta chata autoassumida que é tal senhora. A cabeça pende para o lado, como num sino anunciando algo solene, num balanço, num movimento, num quadro que evita simetrias clássicas, como dois pesos sendo medidos, como na imagem da Justiça, uma mulher com olhos vendados em frente ao STF em Brasília, na questão de que ninguém está acima da Lei, no termo “doa a quem doer”, na questão de um cidadão humilde, que sabe que tem que respeitar a Lei, respeitando as instituições e as autoridades, como respeitar um monarca, o qual tem o DEVER de respeitar cada um de seus súditos, servindo estes, no desafio que é um monarca impor respeito entre os súditos do reino, num líder que tem que se manter simples, conquistando, assim, o carinho do povo, como um rei tranquilamente sentado assistindo a algum canal da TV de seu reino, no discurso conciliatório de uma jovem Elizabeth II: Todo e qualquer cidadão britânico pertence à Grande Família Imperial, numa inclusão, com tudo girando acima da Dimensão Acima, na qual a mentira se desfaz e a verdade se impõe: Somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, numa revelação de luz, com a força da Aurora nos trazendo tal esclarecimento de fatos. As modas capilares marcam épocas, com este corte digno de anos 1920 ou 1930, em revoluções como a de Chanel, a feminista que libertou as mulheres, em revoluções como a da mulher usando calças, algo tão impossível de se imaginar em eras anteriores, na imposição social do vestido da mulher, oprimindo esta com espartilhos dolorosos, no modo como certas culturas ao redor do Mundo seguem oprimindo terrivelmente a mulher, impedindo esta de ser dona de si mesma. A mulher aqui é ousada e avantgarde, mostrando que apenas um homem muito macho pode arcar com tal mulherão.
Acima, Menino campesino. O rapaz é ainda muito jovem, como no filmão O Império do Sol, quando um menino, ao enfrentar os horrores da II Guerra Mundial, acaba o filme homem, voltando aos braços da família que perdera no início do conflito, e esta é a “beleza” da guerra, deixando rastros de destruição, fome e sofrimento, em um insano Putin, condenado por toda a Sociedade Internacional, numa guerra absolutamente sem necessidade, num rei infeliz, o qual nunca está feliz e contentado dentro de seu próprio território, sempre tendo que anexar os reinos vizinhos, na tentação do Anel do Poder de Tolkien, seduzindo e fazendo-nos pensar o que faríamos se tivéssemos tal poder imensurável. O rapaz é corado, talvez sob o Sol dos labores na terra, numa vida árdua, como na vida do imigrante italiano na Serra Gaúcha, enfrentando um lote de mata virgem, num labor calejando as mãos, algo que criou em tal região a cultura do trabalho árduo, num colono que ia dormir sonhando com uma mesa farta de galeteria, com muito galeto, massa, vinho, polenta etc. O rapazinho nasceu e cresceu em tal contexto campesino, sendo desde muito jovem agente de tal labor, no modo como o grande intelectual Harari aponta que a Revolução Agrícola trouxe apenas ainda mais trabalho ao Homem, numa dedicação campesina de Sol e Sol, num trabalho bem árduo, só havendo descanso no Domingo, o dia em que até Ele repousou, num colono italiano que só não trabalhava no Domingo porque o padre e a religião não permitiam, como na famosa pintura Tempora Mutantur, do mestre Pedro Weingärtner, com o casal de colonos num breve momento de descanso na roça, com o homem olhando para o vazio e a mulher observando os calos em suas próprias mãos, como na forte Scarlet O’hara, encarando o labor árduo na plantação de algodão da família, com a irmã de Scarlet lamentando que uma mulher pode ser conhecida por suas próprias mãos, lamentando, assim, seus próprios calos, numa história de superação e força para encarar os males da Guerra. O rapaz aqui está comportado, como se soubesse que um modelo tem que ter a paciência para posar, como uma certa senhora que posou para Aldo Locatelli, o qual, reza a lenda, fumava um cigarro após o outro, sem pausa entre um cigarro e o outro, morrendo de Câncer. O traje do rapaz e a parede formam um continuum cromático, na sedução de oceanos azuis, como na Grécia, com suas casas brancas, nas cores da elegância náutica, resultando em fragrâncias que remetem a tal beleza de cores, na sensação de liberdade que a orla traz, no vazio da orla, onde escrevemos nossas percepções, havendo em Tao isto, o vazio do infinito, a Vida Eterna em seu poder imensurável, este presente de Deus, no mistério eterno, e não é poder demais que não existirá fim? O chapéu é o resguardo, para se proteger do Sol, como no chapéu de palha do colono italiano, saindo da Itália fria para o calor subtropical do sul do Brasil. O rapaz é um pouco gordinho, num rapaz forte e saudável, apto para o árduo labor rural, e o botão do colete quase explode, talvez num estilo de vida em que não falta comida à mesa. A cadeira é o descanso, na volta ao lar no fim do dia, numa exaustão, no momento de se desligar da Vida e ter uma merecida pausa, como num intervalo após o início das aulas numa manhã, no momento do recreio escolar, no qual o professor faz sua pausa, sabendo que a Vida precisa de pausa, ao contrário de uma senhora que conheci, a qual simplesmente não se permitia descansar, chegando ao ponto de simplesmente não dormir entre o um dia e outro de trabalho, numa grande falta de respeito para consigo mesma, na sabedoria de que respeito é para quem se dá ao respeito. Os olhos do menino são azuis como nos tons dominantes no quadro, no azul do Céu, da promessa do Reino dos Céus, a Vida gloriosa que nos aguarda após o Desencarne, no siso de que, mesmo após o Desencarne, temos que arrumar um emprego, uma função, pois até Tao está o tempo todo criando e laborando.
Referências bibliográficas:
Amedeo Modigliani Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 28 fev. 2024.






Nenhum comentário:
Postar um comentário