quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Rei Artush (Parte 2 de 6)

 

 

Falo pela segunda vez sobre o artista armênio Artush Voskanyan. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Orando para ela. Como Artush é divertido e subliminar! A oração é o momento de introspecção, de reserva, no hábito de se rezar antes de pegar a estrada, pedindo por proteção divina, no modo espírita de rezar Ave Maria e Pai Nosso, como me disse uma professora amiga freira minha: “Nós, os católicos, respeitamos os espíritas!”, pois é a universalidade da espiritualidade humana, no modo de entender o metafísico, o divino, o mental, o espiritual. A mulher insinuada aqui fecha os olhos no momento da oração, remetendo a católicos fervorosos como Maria Tudor, queimando protestantes vivos em fogueiras, numa execução tão cruel, tão desprovida de sentimento ou fraternidade, nessas pessoas “xiitas”, intolerantes, que não entendem que a fé é uma questão pessoal, remetendo a uma certa senhora católica, a qual não gostava dos espíritas, uma senhora que já desencarnou, e eu gostaria de dizer para ela: “Se tu quiseres, podes voltar para a Terra numa nova encarnação; numa nova vida; numa nova missão – viste como os espíritas não estavam errados?”. Como tudo é processo, as religiões também o são, como no “choque térmico” da Reforma Protestante, desafiando um Vaticano todo poderoso, que vinha fortificado pela Idade Média, quando o Vaticano era absolutamente tudo na Europa, em eras em que nem a toda então poderosa Espanha, na Renascença, ousava desafiar o Papa, num Catolicismo que hoje perde fiéis para igrejas como a Universal. Esse mundanismo remete a um vídeo com senhores abocanhando pilhas de dinheiro vivo, no mundanismo do Ser Humano, sempre seduzido pela Sociedade de Consumo, da qual somos todos escravos, como no sistema tirano de Matrix. O homem aqui está numa pose de humildade, numa confissão, no absurdo de termos que nos confessar porque batemos punheta, com o perdão do termo chulo, visto que sexualidade é natural na encarnação, nas influências da matéria, nos gostosos pecadinhos capitais, como existe na minha cidade uma sexshop, com artigos para apimentar as relações amorosas, em atos divertidos como passar talquinho no bumbum do cônjuge – o que há de errado nisso? Vemos aqui uma pia batismal, no ato de se entrar no templo e se benzer, entrando assim puro, no delicioso ritual diário do banho, como na crença espírita, com um espírito desencarnado infeliz, jogado numa poça de lama, fazendo surgir um espírito amigo, que nos estende a mão, levando-nos a um banheiro para nos banhar, num banheiro tão lindo e ensolarado, com os raios de Sol da manhã, na beleza da Terra da Estrela da Manhã, à qual todos pertencemos. É como um chafariz, na água viva que brota sempre, em Tao havendo esta fartura, numa fonte que nunca cessa, no poder implacável da beleza, na vitória do nobre sobre o vulgar, como certa vez na revista Veja, colocando lado a lado duas fotos: De um lado, uma moça meio vulgar, empinando o bumbum; de outra, uma modelo maravilhosa, deslumbrante, fina – de quem você acha que a Veja falou mal? O livro aqui é a revolução da imprensa, na fabricação em massa de livros, na revolução da Tipografia, havendo na Bíblia o livro mais vendido de todos os tempos, nas divertidas palavras de uma cética psiquiatra a uma devota católica em um certo seriado de TV: “Você não tem a capacidade de ler um livro além da Bíblia?”. O homem aqui lembra Jesus Cristo, no momento doloroso da cruz, em que Ele teve a impressão de ter sido abandonado por Deus Pai, talvez num evento do qual Ele, Jesus, sequer se lembra hoje, nosso irmão tão chic e depurado, educado, perfumando, bondoso, agradável, no perfume metafísico dos espíritos depurados moralmente, como diziam que era maravilhoso o perfume comportamental de Chico Xavier, num certo fato: Se sou uma pessoa de comportamento fedorento, não adianta eu usar perfumes finos; se sou uma pessoa  de comportamento nobre e fino, o perfume que uso é apenas um realce do que eu exalo espiritualmente. Remete ao sociopata, uma pessoa de um hediondo fedor espiritual, pois quando a “pintura” é ruim, não há “moldura” que a salve. A cabeça abaixada é a humildade, numa pessoa discreta, que vive seus dias pacatos, com produtividade, na sábia figura do Preto Velho, quietinho no seu canto, sábio em sua humildade, só observando os egos ascendendo e descendendo.

 


Acima, Orgulho. Aqui é a exuberância de fantasias de Carnaval, como um senhor que conheço, um “bicho” de Carnaval, sempre brilhando com suas fantasias, brilhando no baile ou desfile, nos contagiantes tambores, os quais vibram para aludir à fluidez das coisas, do Mundo, num Tao que é um rio que sempre flui, na noção taoista de que as coisas se resolvem por si, como uma certa pessoa, com a qual, anos atrás, eu me desentendi, uma pessoa que resolveu me perdoar, no modo como os ressentimentos não são eternos, e o perdão é o caminho natural da Eternidade, na sabedoria popular de que, com o andar da carroça, as coisas ali dentro vão se sedimentando e arrumando-se, e o perdão não é divino? É a Revolução Cristã, derrubando a lei do “olho por olho, dente por dente”. Obrigado por ter me perdoado, querida amiga! O céu atrás da mulher é um rico e dourado céu de alvorecer, na magia da deusa grega Eos, a deusa da aurora, banhando o Mundo de ouro, remetendo à casa onde morei por muitos anos com minha família, na qual a janela da copa era frente leste, ou seja, tomava-se café da manhã em meio às luzes douradas do espetáculo da aurora, pois digo que a Aurora é a filha do Sonho: Antes, tenho que sonhar, quando durmo, e depois desperto nas luzes da manhã para concretizar o sonho, havendo no amanhecer a luz divina do sonho sendo esclarecido e concretizado. A mulher aqui nos olha meio oculta, misteriosa, com metade da face escondida, num recato provocante, como num striptease, removendo as roupas provocantemente, remetendo a uma divertida amiga minha, a qual, por não se achar assim tão sexy, brincava dizendo que, se subisse num palco de striptease, os homens, ao invés de dizer “Tira! Tira!”, diriam “Coloca! Coloca!”, no fato de que rir é o melhor remédio. O colar da mulher é exótico, enigmático, como no colar da super heroína Ísis, quando uma arqueóloga descobre o colar mágico que a deusa Ísis dera à faraó feminista Hatshepsut, com a moça usando o colar e recebendo todos os poderes da deusa. A ave aqui é tal pavão, tal exibicionismo, como no baile de gala novaiorquino do museu Met, no qual as mulheres entram em acirrada competição para ver qual delas tem o vestido mais deslumbrante, numa fogueira de vaidades e ambições, em pessoas ricas que se exibem, dizendo-se caridosas, mas doando ali um dinheiro que, para tais bolsos ricos, pouco significam, diferentemente de uma pessoa pobre, a qual, em proporções guardadas, doa algo que pesa muito no bolso de tal pessoa pobre, no discernimento entre quantidade e qualidade. Aqui é o hábito egípcio da mulher nobre e rica em usar perucas, num Antigo Egito de piolhos endêmicos, terra em que absolutamente todos raspavam a cabeça, desde o faraó até o escravo, contrastando com o paradigma democrático, no qual elegemos um irmão, um dos nossos, sem deuses ou deusas. O pescoço aqui, enfeitado, é firme como o de Nefertiti, num certo brinquedo feminino de outrora, numa cabeça de boneca sustentada por um pescoço firme, proporcionando à menina que maquiasse a boneca, no modo como as lésbicas odeiam usar maquiagem ou usar salto alto, vendo essas coisas como imposições sociais misóginas, em explosões de fúria de feministas, com a força para ir contra os poderosos ventos do patriarcado, como “nascer de cabeça para baixo”. O brinco tremulante aqui é singelo, num sino misterioso ao vento, na magia de folhas de árvores farfalhando ao sabor do vento e da brisa da noite, numa noite enluarada, na noite dos enamorados, no modo como pode esfriar o calor numa relação, indo embora a magia e o calor da lua de mel, como um senhor que conheço, o qual foi rejeitado pelas companheiras por ter se mostrado um homem pouco romântico, no modo como um casamento pode cair na mesmice, nos versos de uma canção da colossal Barbra: “Nós não estamos mais fazendo amor! Nós não estamos mais fazendo amor como antes!”. É a magia do sexo gostoso, com intimidade, manso. A ave aqui é como um cocar indígena, na universalidade dos adereços de festa.

 


Acima, Orgulhosa – sem estômago. As folhas caídas são o passar do tempo, no homem de Tao, observando as estações climáticas indo e vindo, na sabedoria do Preto Velho, humilde, quieto e discreto no seu canto, só observando os egos subindo e caindo, sabendo que a arrogância precede a queda. A mulher aqui nos olha severa, seríssima, cobrando respeito de nós, sabendo que o Mundo só pertence aos dignos de tal respeito, como um certo rapaz que conheço, um rapaz honesto e batalhador, sem medo de trabalhar e ser digno, na dignidade de um gari varrendo ruas, num serviço tão essencial e importante, ao contrário de um certo senhor, o qual viveu “deitado eternamente em berço esplêndido”, sem fazer merda nenhuma de seus dias aqui na Terra, com o perdão do termo chulo. A ave aqui é meio Carmen Miranda, seduzindo o Mundo com a exuberância tropical, como nos navegadores europeus trazendo novidades para Europa, em curiosos relatos de indígenas canibais, num ponto primitivo de evolução humana, resultando na sofisticação da Revolução Científica, como no contraste de 2001, numa ruptura de extremos, mostrando um simples pedaço de osso usado como instrumento até resultar nas apolíneas estações espaciais humanas ao som de Danúbio Azul, num Ser Humano orgulhoso de ter tais raízes simples, num Ser Humano que veio do nada e evoluiu por si, contradizendo os ufólogos, que creem que a Ser Humano, num passado remoto, recebeu assistência civilizatória de raças alienígenas evoluídas, no ponto de reviravolta que foi o surgimento da Escrita, sepultando a era da transmissão oral de tradição, como num altivo Egito Antigo, registrando sua vasta lista de faraós na História, numa era em que tal país foi potência, como nos EUA de hoje, num poder “temido” por outras nações, assim como no poder espanhol na Era das Navegações, financiando naus até o exótico e misterioso continente americano. A janela aberta ao fundo é uma possibilidade, uma liberdade e uma opção, na lição que uma grande amiga minha psicóloga me ensinou – a Vida é feita de escolhas, como na libertação do Neo de Matrix, optando em liberdade, ameaçando um insano sistema opressor, na libertação dos auspícios da “caverna”, guiando o povo a um esclarecimento, no papel do filósofo em nos libertar, no doloroso modo como ninguém é, foi ou será capaz de resolver os problemas do Mundo, nem mesmo Jesus Cristo em sua indubitável majestade de apuro moral, pois num aguerrido mundo de azuis versus amarelos, seja verde, pois poderás ser uma figura na qual o povo possa depositar esperanças de um amanhã melhor, na promessa do Reino dos Céus, “racionalizado” pelos ventos espíritas, na revelação da Grande Família Estelar, a qual abrange a todos, sem exceção, e isto não é um conceito consolador? Não é maravilhoso o fato de que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei? Não corre em nossas veias o Sangue Sacrossanto Divino? A luz entrando aqui é uma libertação e um esclarecimento, nas palavras de carinho de um padre na missa, nos esforços incansáveis para dizer que somos membros da mesma família, num fiel o qual, ao colocar o pé fora da igreja, esquece-se de tudo o que ouviu ali dentro, como nas furiosas palavras de uma professora minha aos alunos numa cadeira da faculdade: “Vocês não estão ouvindo absolutamente nada do que estou falando aqui!”, no modo como há professores brilhantes, que valem cada centavo da mensalidade, ao contrário de outros professores, que são medíocres, sinto em dizer. O peru aqui é o sacrifício da ceia de Natal, num pobre bichinho que virou comida, num Ser Humano inclinado em mortificar seres como numa cadeia alimentar, resultando nos veganos, os quais têm todo um posicionamento social, como se recusar a usar produtos que foram testados em animais. O coelhinho é o ser adorável, no Amor humano por animais, como pessoas de minha família, as quais adotaram um cãozinho que se perdeu dos donos nas brutais enchentes de maio no RS, simbolizando a força de um povo para se reerguer. O coelho é a fertilidade criativa do artista, como na abertura de um filme de Allen, com coelhinhos se reproduzindo, falando de Sexo.

 


Acima, Pacificação. O aquário é o lar, o conforto, na limitação científica de que só pode haver Vida com água e oxigênio, na sabedoria de que a ave foi feita para o ar e o peixe para a água, na incessante busca por Vida fora da Terra, num mistério que ainda perdura – qual o futuro da exploração espacial humana? O gato aqui é a tranquilidade, sem cobiçar o suculento peixe, numa espécie de castração, como no Desencarne, quando dizemos adeus a tudo de mundano em nós, incluindo sexo e sexualidade, na assexualidade dos anjos, nas divertidas palavras de uma Elke Maravilha idosa: “Paramos de sentir tesão na virilha! É uma libertação!”. A moça aqui está submersa em pensamentos, numa reclusão de reflexão, como em aulas de Ensino Religioso em colégios católicos, num momento de reflexão, numa cadeira que visa perpetuar a fé nas novas gerações, no modo como hoje em dia é raro ver jovens que querem ser padres ou freiras, como um coleguinha meu de colégio, que resolveu virar padre, dizendo que sofrera muita xenofobia na Itália, uma país no qual, ouvi dizer, os brasileiros são malvistos, nas noções de que lá o Brasil é sinônimo de casas com palafitas e jacarés na Amazônia, de favelas paupérrimas no Rio e de prostituição, como uma certa senhora caxiense, a qual jurou para si mesma que JAMAIS colocará o pés de novo na Itália, no raso apuro de quem carece de sofisticação diplomática, na noção sábia de que o Ser Humano é universal em suas mazelas e virtudes, fazendo das aparentes diferenças culturais diferenças mínimas. O gato aqui é a elegância numa passarela de Moda, desfilando charme e beleza, num bicho que caminha tão suavemente, sem fazer barulho, na figura da Mulhergato, The Gotham Kitty, combinando suavidade de pelos macios com a agressividade de unhas afiadas, numa mescla de Bela e Fera. Neste quadro temos placidez, na água tranquila no aquário, no peixe plácido fluindo quieta e silenciosamente, num terreno de paz, como na Paz Inabalável do Plano Superior, o lugar santo em que ninguém quer passar os outros para trás, no amor por trás do apuro moral, no modo como a mentira é um desamor, nas palavras sábias de que “A mentira tem pernas curtas!”, ou seja, só a Verdade é eterna, perdurando pela Eternidade à qual todos pertencemos, fazendo do perdão o caminho natural da Eternidade, pois as mágoas e os ressentimentos não são eternos, na noção taoista de que as coisas se resolvem por si, como eu em relação a uma certa pessoa, a qual resolveu me perdoar, no poder do perdão, fazendo das eternas desavenças humanas algo tão ínfimo e mesquinho, pequeno, microscópico, na grandeza de um homem que sabe que, numa queda de braço, é melhor perder do que ganhar, pois quem perde se torna o homem maior e quem vence entra em inferno astral, sendo este complicado, pois dura dias, num estado psíquico em que tenho tudo para estar ok, mas não estou... A luz aqui entra suave, com conforto, sabendo que luz demais pode cegar, no caminho da moderação, na sabedoria de que tudo que é demais, enjoa – cavalgar pelos campos é prazeroso e excitante, mas vai enlouquecer você se você cavalgar demais; passear por Gramado é prazeroso, mas passear demais por lá vai se tornar enfadonho. O rosto da moça aqui é feito de peixinhos menores, numa relatividade: Se digo que algo é liso, é porque conheço o oposto, que é áspero; quando digo que algo é grande, é porque comparo com algo menor. Os discretos peixinhos aqui são fundamentais para fazer se destacar o peixão, como num filme, em que os modestos coadjuvantes são essenciais para se fazer destacar o protagonista. É como no casal em que a mulher baixinha é essencial para o marido se fazer maior, nas palavras de uma certa moça: “Quero ter um namorado mais alto do que eu!”, no modo como as próprias mulheres podem ser machistas, misóginas e patriarcais, resultando na figura da feminista, desafiando com coragem os poderosos ventos do Patriarcado, na figura de Mulher Maravilha, capaz de dar um pau em qualquer homem!

 


Acima, Pantera negra. Aqui remete à capa do álbum solo da ex spice girl Victoria Beckham, com ela num vestidinho sexy negro ao lado de uma pantera, uma capa linda, arrebatadora, mas ilustrando um álbum desinteressante, que não chegou nem um pouquinho perto do sucesso avassalador das Spice Girls – quando a pintura é ruim, não há moldura que a salve, no infame exemplo da bomba Ricos, Bonitos e Infiéis, num roteiro ruim, num filme para o qual foram contratados grandes astros e estrelas, um filme que acabou dando um baita prejuízo ao estúdio, fazendo de Hollywood a terra da pretensão, em pessoas dizendo: “Eu sou fodão! Eu pego qualquer roteirozinho ruim e transformo em filmão!”, quando que a realidade não é bem assim. A mulher aqui é sexy, como uma Mulhergato, provocante e perigosa, nem vilã, nem heroína, uma mulher “de lua”, com suas próprias motivações, no enigma dos gatos, misteriosos, ao contrário do cachorro, que é mais espontâneo e claro em suas expressões, como abanar o rabo, deixando claro quando gosta ou não de alguma coisa. O gato aqui abocanha uma ave, nas leis da cadeia alimentar, com tudo, no final, rendendo-se às bactérias, na inevitável danação da matéria, no modo como o corpo físico é deixado para trás, só sobrevivendo a mente, numa gloriosa libertação, num espírito que não mais está ligado e agrilhoado às doenças mundanas, vivendo exclusivamente como espiritual, na metáfora do filme Elysium, no qual havia uma máquina capaz de curar qualquer problema de saúde, no modo como, na Terra, tudo gira em torno de saúde, na dignidade da figura do médico, tratando pessoas e salvando vidas, como um senhor certa vez começou a encher meu saco, sabendo que sou filho de médico, dizendo-me: “Por que não te tornaste médico? Tu és filho de médico! Tens que ser médico também! Terias tudo pronto para ti!”, um senhor que não respeita a liberdade das escolhas de cada pessoa, pois uma grande amiga me ensinou que a Vida é feita de escolhas, como um rapaz escolhendo ser padre, numa escolha de carreira, como num vestibular, numa pessoa tão jovem ainda, obrigada a fazer uma escolha para o resto da Vida, remetendo a um amigo meu, o qual sempre se sentiu pressionado a cursar Medicina, mandando todos à merda, com o perdão do termo chulo, ingressando no curso de Jornalismo e tratando de ser feliz, fazendo esta coisa saudável, que é mostrar o dedo do meio para o Mundo, pois que vida é esta na qual sou escravo de outrem e não tenho controle e soberania sobre mim mesmo? A sobrancelha é impecavelmente delineada, como nas disciplinadas sobrancelhas do famoso busto de Nefertiti, em hábitos civilizatórios, impondo ordem ao caos, num ato de autoestima, numa mulher se arrumando para sair, com todo um “ritual” de arrumação, começando pelo banho, secando e escovando o cabelo depois, maquiando-se, colocando roupas e acessórios e perfumando-se, sem falar na passada semanal pela manicure, num ato de autoestima, como uma professora que tive no Ensino Médio, impecavelmente arrumada às sete e meia da manhã, talvez acordando muito cedo para se aprontar de tal modo impecável. Aqui temos uma mulher, e não uma menina, como uma menina que inicia a vida sexual e vira mulher, desprendendo-se das bonecas e abraçando a vida social, como no baile de debutantes, quando a menina abandona a infância, nas divertidas palavras de uma certa colega minha de Inglês: “Tu só sabes estudar? Tu não tens vida social?”. O cabelo preto é o mistério e a sedução, no divertido termo: “Os homens preferem a loiras, mas se casam com as morenas!”. O rabo do gato faz uma sensual curvatura, numa insinuação, numa sedutora liquidiscência, como Tao, sexy, sempre fluindo, sempre vivendo, sempre respirando, sempre criando, no exemplo de Tao, que está sempre criando, na vida no Plano Superior, no qual o trabalho é imprescindível, mas, é claro, com pausas e diversões, evitando o estilo de vida degradante do workaholic, como uma pessoa que conheci, não se dando ao respeito, uma pessoa que acabou fracassando, fechando as portas da firma que abrira.

 


Acima, Paruyr Sevak – ecos de memória. O homem aqui está mergulhado em reflexão e introspecção, em ponderação, como alguém fazendo uma escolha, como na juíza que julgou o traficante Johnny Estrela, abrandando a pena, fazendo-o cumprir dois anos numa instituição psiquiátrica ao invés de condená-lo a muitos e muitos anos numa prisão comum, numa alma piedosa, sensível, ao contrário do juiz insensível que negou uma inocente pensãozinha para a atriz e diretora Norma Bengell, ou como um juiz não permitiu que uma certa famosa atriz pudesse ver o próprio neto, nessa especialidade humana que é a crueldade, como queimar pessoas vivas em fogueiras, num ato tão odioso, levando tal espírito infeliz a um só lugar – o Umbral, pois o Desencarne pouco muda a vida da pessoa, pois se estou encarnado de mal comigo mesmo, estou desencarnado do mesmo modo, como um certo mendigo falecido, indo direto para o Umbral, a dimensão dos arrogantes que não querem ser ajudados a sair de tal situação, no caminho da arrogância, da anti humildade, como no filme espírita Nosso Lar, num espírito de luz estendo a mão para o irmão no Umbral. O livro aberto aqui, com as páginas ao vento, é a liberdade do pensamento, na liberdade de uma democracia, ao contrário da ditadura, que impõe a paz de forma artificial, oprimindo o pacato cidadão, o qual não tem escolha se não obedecer, como nos anos de chumbo no Brasil: Se você não está gostando das coisas aqui, exile-se, como um Caetano Velloso, exilando-se na fria e pálida Londres, muito longe das belezas tropicais de cidades mágicas como Salvador. As mulheres aqui voam como numa fantasia sexual, na beleza de um corpão violão de mulher formosa, ao contrário da magreza doente anoréxica, numa moça a qual, de tão doente, para de menstruar, como uma menina que conheci, a qual concorria num concurso de beleza, uma moça da magreza cadavérica – o que um pai ou uma mãe pode fazer se não hospitalizar urgentemente a menina antes que esta morra? Tudo culpa desses cruéis padrões de beleza, os quais detonam a autoestima da menina e da mulher. Vemos aqui uma infinidade de sinos, como no campanário da Catedral de Caxias do Sul, tocando diariamente ao meio dia e às seis da tarde, unindo a comunidade num só ritmo, nas obrigações de uma rádio FM em tocar novidades, estando antenada como que está acontecendo neste momento no Brasil e no Mundo, ao contrário de uma certa rádio FM, a qual toca muita velharia, pouco significando para quem nasceu nos anos 2000 ou 2010, como nas ondas dos movimentos de Arte, como o Barroco superou a Renascença, ou como na explosão da Arte Moderna, libertando a Arte, deixando tudo sob a criatividade do artista, em artistas talentosos que nos fazem “babar”, como na suntuosidade do famoso casal Christo e Jeanne-Laude, numa força de expressão. Em detalhe na cena vemos soldados lutando, com Caim matando Abel, como mandar matar o próprio irmão ou meio irmão, na “beleza” das guerras, as quais só causam fome e destruição, como Deus no final do filmão Dogma, restaurando a paz e a ordem, num filme divertido, que retrata Deus como uma mulher, tocando no nervo da ferida do orgulho patriarcal, num Mundo de homens, no modo como há muitas mulheres machistas, que condenam puritanamente mulheres bem sucedidas e independentes, como no puritanismo protestante dos EUA de outrora, condenando mulheres por bruxaria, no mito de Eva, aquela que trouxe a ruína ao perfeito e indefectível Adão. Um dos soldados aqui rapta uma donzela indefesa, num ato de covardia como assaltar uma indefesa mulher na Rua, num assaltante que não teria coragem de enfrentar alguém à sua altura. A mesa do livro é o pescoço, o sustentáculo, na força de um patriarca ou uma matriarca em manter a família unida, como dois certos patriarcas que conheci, os quais, ao morrerem, deixaram suas famílias se desintegrar, no glorioso modo como os vínculos de família não se desfazem no Desencarne, na imortalidade do Amor Incondicional leve, light, desapegado.

 

Referências bibliográficas:

 

Artush Voskanyan. Disponível em: <www.artfinder.com>. Acesso em: 27 nov. 2024.

Artush Voskanyan. Disponível em: <www.artsper.com>. Acesso em: 27 nov. 2024.

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