Armênio de 1966, Artush Voskanyan se tornou um grande surrealista com temática no fantástico. Graduou-se nos anos 1980 em Arte na escola que depois levou seu nome. Fez muitas exibições, incluindo os EUA. Ícone da arte contemporânea da Armênia. Suas obras são dúbias e divertidas, “desafiando” a mente do espectador. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Peixe dourado. O peixe é a liberdade, na deliciosa sensação de se nadar nu no mar, como eu numa praia de nudismo de Florianópolis, na entrega à Mãe Natureza, no conforto uterino do lar, onde estamos à vontade. O peixe é a Vida que começou na água, no mar, desenvolvendo então os anfíbios, répteis, aves e mamíferos, no mistério da Vida: O que faz o coração bater? Existe Vida fora da Terra? As duas perspectivas seriam impressionantes: Haver Vida pelo Cosmos inteiro ou haver Vida só na Terra. Aqui são as delícias de Verão na água, tanto no mar quanto na piscina, nas brincadeiras doces de infância, na libertação do Verão, nos versos de uma certa canção soul: “O Verão veio doce como canela!”. As bolhas subindo são a imaginação, a criatividade, na inteligência emocional, algo que os sociopatas friso não possuem, possuindo apenas uma inteligência fria, esquemática, incapazes de perceber os jogos lúdicos de obras como as de Artush, no modo como eu mesmo já tive professores sociopatas, pessoas infelizes que odeiam cada centímetro cúbico do Mundo e das pessoas, destruindo-se socialmente, como romper qualquer vínculo com um sociopata, por uma medida de segurança, por assim dizer, na metáfora do vampiro, numa pessoa sádica em busca de masoquistas, sugando almas, ou seja, manipulando as pessoas, brincando com as cabeças das pessoas – tudo o que você tem que fazer é nunca dar informações pessoais a um sociopata, como no filme pesado O Silêncio dos Inocentes, num sociopata inteligente, que entra nas mentes das pessoas. As algas aqui são a Vida brotando em toda a sua força, como flores silvestres primaveris, as quais não precisaram ser plantadas pela mão humana, num presente da Natureza, nas forças da Dimensão Material, como terremotos e tufões, no modo humano antigo em ver divindades nas forças da Natureza, passando pela Revolução Científica, na explicação racional do que nos cerca, abolindo deuses pagãos, os quais foram substituídos pelos panteões de atores e cantores, no panteão de Hollywood – enquanto uns são atores competentes que fazem seu trabalho bem feito, outros reinam como deuses, cativando em carisma multidões de fãs ao redor do Mundo. A mulher aqui é bela, arrumada e glamorosa, como uma estrela, numa mulher com autoestima, como uma psicóloga que conheço, uma mulher que se arruma bem, aparentando ter bem menos idade do que realmente tem, no poder do amor próprio, como sair de casa perfumado, pois a primeira pessoa que devo amar é eu mesmo. O brinco da moça é retorcido, como sensuais colunas barrocas, serpentes de sensualidade e fertilidade, como em culturas antigas, nas quais as serpentes não eram a serpente diabólica do Éden, mas um símbolo de fertilidade e Vida, como na dança do ventre, numa celebração da Vida e da fartura, como no gordo Papai Noel, na generosidade de pessoas boas, as quais existem exatamente para detectarmos pessoas que não são tão boas assim, no básico discernimento taoista: Quando digo que algo é belo, é porque conheço o oposto, que é feio, como no paradoxo da poderosa cidade de São Paulo, a qual reúne o primeiro e o quarto Mundo, como nos decadentes arredores do Mercado Público da urbe vibrante. Aqui é como no icônico busto de Nefertiti, nos cuidados civilizatórios, com as sobrancelhas impecavelmente delineadas e depiladas, em ações civilizatórias de cuidado e beleza, como em tribos amazônicas em dias de festa na tribo, usando seus suntuosos e coloridos cocares, na universalidade da celebração social, girando em torno da beleza e da juventude inabaláveis do Plano Superior, na dimensão gloriosa, livre das vicissitudes terrenas, fazendo da Terra tal potente “faculdade” que tanto nos ensina e nos faz crescer – o sentido da Vida é depuração moral, meu irmão, como num dos espíritos que auxiliou Kardec na concepção da Doutrina Espírita: O Espírito da Verdade. O sorriso aqui é sutil, brando, numa mulher fina, numa fina anfitriã numa sala chic, com lustres finos de cristal, na vitória da beleza.
Acima, Pescadora. A isca e o anzol são como golpistas querendo nos aplicar golpes, e uma pessoa com essa carência de apuro moral não tem como estar feliz; não tem como estar ok. Não é que uma pessoa assim sofrerá – uma pessoa assim sofre neste exato momento. O lago espelhado aqui é a placidez e a paz, numa pessoa pacata, vivendo seus dias com discrição e produtividade, ao contrário da pessoa improdutiva, que nada faz de seus dias aqui na Terra, como disse o Gandalf de Tolkien: A diferença reside no que decidimos fazer de nossos dias no Mundo. O espelho é este símbolo do feminino, nos esforços de uma mulher com autoestima, cuidando-se, frequentando institutos de beleza, como ouvi certa vez de uma mulher numa clínica de limpeza de pele: “Qualquer coisa para me deixar mais bonita!”, como mulheres se enxertando próteses de silicone, em seios os quais, sinto em dizer, não ficam muito naturais, tudo culpa de cruéis padrões de beleza, que agridem a autoestima feminina, como num certo comercial de sabonete, numa mulher se banhando e dizendo ser dona de uma beleza que não se encaixa em padrões, no caminho de sessões de Psicoterapia, resgatando a autoestima do paciente, como no homem gay, o qual, desde sempre em sua vida, sentiu sua autoestima ser sempre esfaqueada pela sociedade, num gay que só pode ter autoestima de fizer terapia, na pergunta áurea de um terapeuta: “Como estás te sentindo?”. A ave comendo o peixe é a fome, a ambição de uma pessoa em obter o respeito da sociedade em geral, em homens humildes como Senna, sempre discretos, nunca deixando subir à cabeça os píncaros de glória na carreira, subindo tanto no conceito das pessoas, pois quanto mais humilde eu for, mais longe irei, como um certo publicitário portoalegrense que conheci, o qual ganhou um prêmio recentemente, uma pessoa que, se mantiver-se humilde, irá muito longe na carreira, pois não é insuportável uma pessoa presunçosa e arrogante? A arrogância não precede a queda? Nesta cena temos a cadeia alimentar, pois a ave come o peixe, e nós comemos a ave, no costume e na tradição de fim de ano de cear uma ave assada, reunindo as pessoas ao redor da mesa, nesse ato tão primevo que é a alimentação. A moça aqui nos olha sexy, desafiante, um mulherão, como um toureiro tendo que domar um selvagem touro, no termo “Ser areia demais para o meu caminhãozinho”. Os olhos são peixes, livres no mar, na água, no berço da Vida na Terra, no olor libertador da beiramar, na Mãe Iemanjá que provê as redes dos pescadores, na cornucópia do milagre cristão da multiplicação dos peixes, em países ricos e fartos como o Canadá, ao contrário da Argentina, um país quebrado e falido, como nada de dinheiro, no discurso de posse de Milei: “Não tem dinheiro!”. O busto da mulher são rochas firmes, como um homem sério e centrado, trabalhador, dando à mulher a sensação de segurança e estabilidade, nas responsabilidades de um homem em prover um lar, uma casa, no encargo de nada deixar faltar dentro de casa, como um senhor que conheço, numa baita responsabilidade, sustentando a si mesmo, uma esposa e duas filhas, um homem que trabalha de Sol a Sol, como no colono italiano no RS, só não trabalhando no Domingo porque o padre e a religião não permitiam, num traço cultural que trouxe a cultura do trabalho árduo, dedicado e sério, muito sério, na ironia da pessoa desencarnada, a qual, lá em cima, observa a necessidade de seguir trabalhando, pois até Tao trabalha, sempre criando, deixando-nos perplexos com tamanha perfeição. Aqui é um cenário de solidão e retiro, como no filmão A Rainha, na monarca sozinha ao ar livre, chorando pela morte de Diana, a rosa inglesa. Os pés da ave são a delicadeza e a finura diplomática, sempre em esforços pela paz, pelo diálogo, condenando guerras insanas e desnecessárias, como na Rússia versus Ucrânia, na crueldade das guerras, as quais nada mais fazem do que deixar rastros de fome e destruição – é um horror.
Acima, Retrato de dois cães - Trabalho surrealista. Os cães são a lealdade, o companheirismo, como uma amiga solteirona que tenho, a qual tem como companhia seus cães, nos encargos e responsabilidades de se ter um bicho: Tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, assim, comprar ração para o meu bicho. Como uma pessoa que conheço, a qual acabou se desinteressando pelo bicho, doando este para um casal de amigos. Aqui é como uma peruca pomposa de rei da França, na bolha de privilégios de Versalhes, num regente isolado dos flagelos do povo, na exorbitância do preço do pão, o estopim para o maior golpe de estado da História, que é a Revolução Francesa, nas acusações de Bolsonaro de tramar um golpe para assassinar os homens mais importantes do país, tudo em nome do Anel do Poder, corrompendo homens basicamente bons, nos protestos de uma Heloísa Helena, denunciando homens que querem o poder pelo poder, na ironia de que o Desencarne retira isto do homem poderoso, havendo no Umbral a dimensão dos que não querem se desapegar do mundano, insano como um presidiário que não quer sair do presídio, num espírito desencarnado que quer, a todo custo, voltar para o mundano na Terra, querendo reaver uma existência perdida, que ficou para trás, como no bandido de Matrix, lamentando por ter se libertado do sistema opressor insano de Matrix, no modo como somos escravos do Capitalismo, pois temos que trabalhar feito “loucos” para produzirmos capital e, assim, adquirir bens cobiçados de consumo, como roupas, carros, celulares, joias etc., no Mito da Caverna, havendo em Neo o indivíduo que olhou além da ilusão e trouxe clareza ao povo, libertando o povo das superstições das imagens projetadas no fundo da caverna. Ao redor da dama aqui vemos planetas e luas, na divertida abertura do seriadão Third Rock from the Sun, com corpos celestes dançando num divertido rock and roll, em sondas enviadas ao espaço para exploração, num Ser Humano de tecnologias ainda pobres, com pouco podermos saber sobre nossos vizinhos no sistema solar, como no filmão Gravidade, dizendo que a Vida é impossível no espaço, num Cosmos que odeia o Ser Humano, num Cosmos frio e escuro, no ambiente hostil de Vênus, com temperaturas altíssimas, pressão atmosférica esmagadora, nuvens de ácido sulfúrico e vulcanismo ativo, ou como Marte, gelado, morto e inóspito, com tempestades de areias avassaladoras, num ponto em que temos que dar ouvidos aos ecologistas: A Terra é nossa única casa, pois o Ser Humano não tem para onde ir. A mulher aqui é furtiva e divertida, sorrindo, amando seus cachorrinhos, no modo como o Ser Humano pode se apegar muito ao bicho, como eu próprio chorei quando faleceu meu adorável cocker spanial, o Quincas. Os brincos da mulher exalam essas esferas, numa geração fértil, no supremo poder feminino de trazer Vida ao Mundo, causando “inveja” aos homens, resultando na sociedade patriarcal, na mulher sempre submetida a um homem, enfurecendo as feministas, as quais, como elite intelectual, pensam “contra a correnteza”, na formação de nossas elites nas universidades, remetendo ao saudoso mestre gaúcho Tatata Pimentel, o qual ignorava os medíocres, respeitando apenas alguns de seus alunos, chamando esses de “elite”, e quando um desses falava na aula, o mestre dizia aos medíocres: “Calem a boca – a elite vai falar!”, no caminho autodidata, na pessoa que em que aprender por si a brilhar, em instintos como uma Gisele, a menina comum que se tornou a princesa do Brasil, orgulho nacional, em carismas esmagadores como o de Leo DiCaprio ou Luciano Pavarotti. Aqui remete a uma vizinha chic de tive, uma mulher bonita e elegantes, agradável, que tinha duas cachorrinhas, nessas pessoas de fino trato, que sabem que o fino se sobrepõe ao grosso, na noção taoista de que fraco é forte e de que forte é fraco, em lições que só podem ser aprendidas instintivamente, com inteligência emocional, ou seja, impossível para um sociopata frio e esquemático, emocionalmente burro. Os cachorros são adoráveis como personagens como Bridget Jones.
Acima, Retrato de Salvador Dalí. Aqui é ironia de metalinguagem, pois é artista falando de artista, como brilhou Goldie Hawn em O Clube das Desquitadas, pois era atriz interpretando atriz, algo que deve ter colaborado para a estrela se sentir tão à vontade no papel, nessa capacidade de certos artistas em atingir fama e renome, ao contrário de artistas que só são reconhecidos postumamente, como no triste Oscar póstumo de Heath Ledger. O bigode eriçado é o tesão, a vontade de viver, ao contrário da pessoa deprimida e desanimada, como um surfista sem vontade de pegar ondas. Aqui é o modo como Dalí se tornou um popstar, como em casos como o de Andy Warhol, artistas que gostam de saracotear na Mídia, como Diana, amando aparecer e, ainda assim, odiando o assédio dos paparazzi, os quais a acompanharam até sua morte, no triste modo como os acidentes automobilísticos são comuns e frequentes, como eu próprio já sofri um feio acidente de carro com minha família, mas graças a Deus não sofremos danos graves – quando não é nossa hora, nós não vamos. O touro é a ferocidade, a coragem, como no famoso touro de Wallstreet, nos testículos opulentos simbolizando a coragem do homem, a virilidade e a competitividade, nas palavras de um certo psiquiatra para mim: “Tens que ter mais agressividade, pois vives num mundo competitivo!”, um médico com essa atitude competitiva, construindo uma clínica psiquiátrica bem diferenciada, entrando de forma competitiva no mercado, em artistas como Jennifer Lopez, a qual se esforça ao máximo na hora de conduzir um videoclipe, sabendo que não obterá sucesso sendo medíocre, na lei suprema de que quem não tem competência não se estabelece, remetendo a um certo senhor, o qual não obteve sucesso porque não soube conduzir. O menininho na porção inferior é o sonho de criança, na criancinha querer crescer e ser forte como um super herói, nos sonhos de criança, como no amado trenó Rosebud de Cidadão Kane, numa época em que a vida era mais simples, e a vida é boa quando é simples, num homem o qual, mesmo tendo alcançado tanto dinheiro e sucesso, sentia falta de suas diversões na neve com o trenó, suspirando seu nome no leito de morte, o trenó que acabou incinerado e destruído, no modo como o que é material fica no Mundo Material, como as joias de faraós não alcançam o Além. A justiça cega, aqui, é tal imparcialidade, na verdade que doa a quem doer, num sistema que vê todos de forma igual, no paradigma democrático em que nosso líder não é um deus, mas um irmão que nós elegemos democraticamente, na urna eleitoral que nos iguala por inteiro, ignorando sexo, raça, religião, classe social etc. Os olhos de Dalí são o discernimento, num artista observando o Mundo de forma tão singular, num ponto de vista único e especial, no modo como Tao nunca faz dois filhos iguais, e cada um de nós é extremamente único e especial, na eternidade do espírito, no presente da Vida Eterna, no absurdo poder de que jamais findaremos. O terreno aqui é ermo e solitário, num momento para introspecção, como num profundo momento de Psicoterapia, em que nos abrimos sem pudores ao terapeuta, numa relação de confiança e confidência, libertando a mente do paciente, no modo como já ouvi dizer num filme: “Deus abençoe Freud!”. Dali nos encara aqui desafiador, “louco”, formidável, remetendo a uma escultura majestosa de Dalí que vi no famoso museu novaiorquino de Arte Moderna, como uma moça com férteis milhos, com formigas marchando, numa explosão de Vida, a qual é o nervo da Arte, nos tambores africanos imitando as batidas cardíacas, no modo como Arte é Vida, é prazer, é o que nos faz pensantes e humanos – os macacos não cantam. A imagem da justiça aqui é alada com as sobrancelhas de Dalí, na liberdade do pensamento racional, na frieza bela dos números, como a bela e glacial Galadriel de Tolkien, intimidadora, o ser mais depurado e emblemático da lendária Terra Média. Aqui a Arte brota selvagem, implacável, “invadindo” nossas mentes, no prazer de se deparar com um artista talentoso.
Acima, Retrato surrealista com peru. Aqui são aqueles chapéus ousados e exóticos de damas inglesas, num traço cultural tal que a mulher, com tal acessório, só o tira da cabeça quando for de noite, em chapéus atrevidos em meio a uma realeza tão sisuda e conservadora, no peso da tradição, numa Diana transgressora, que foi além e libertou-se de tais parâmetros. Aqui é como uma exótica e vibrante Carmen Miranda, uma estrela tão brilhante, agradando e perfumando um mundo que na época vivia os horrores da II Grande Guerra, com notícias atrozes que vinham da Europa, tudo culpa de um sociopata, o qual é seguido por pessoas que realmente creem que o mal é mais interessante, como um senhor que conheci, o qual falava de Hitler com carinho, querendo catequizar diabolicamente estudantes adolescentes inocentes, em algo que é claro de se observar – o sociopata realmente julga que o bem é uma piada. Aqui temos uma exuberância tropical, com perfume de frutas tropicais, como uma deliciosa manga, uma árvore que vingou tão bem no Brasil, na magia de um vinho frutado, com perfume de saladas de frutas, no modo como está bombando o Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, com seus vinhos finos, que nada deixam a desejar em relação a rótulos europeus, na universalidade do álcool, gerando o saquê japonês, como no provocante filme Lagoa Azul, com um senhor náufrago, isolado numa ilha deserta, descobrindo uma caixa de bebidas alcoólicas, fruto do naufrágio de algum navio por perto, tomando um porre, ou como em O Iluminado, num homem “louco” por um trago, como já ouvi dizer: As pessoas não gostam do gosto de álcool; as pessoas gostam do efeito do álcool. É uma questão de moderação, pois tudo que é demais, enjoa. Os brincos aqui tremulam, numa mulher vibrante, no auge da beleza, na autoestima de uma mulher em se arrumar para sair de casa, remetendo a uma professora que tive, a qual, décadas atrás, era uma mulher arrumada, cuidando do cabelo, pele, maquiagem, unhas, roupas, acessórios, joias e perfume, mas uma senhora que acabou perdendo tal autoestima, parando definitivamente de se arrumar, saindo de casa com qualquer roupa, com o cabelo de qualquer jeito, e são esses os esforços num consultório de Psicologia, dizendo para a pessoa jamais perder a autoestima, como nas psicólogas, que são bonitas, arrumadas, dando um exemplo de autoestima para o paciente, pois o amor próprio é imprescindível. Aqui remete a uma certa modelo que tem vitiligo, com o rosto marcado pela condição dermatológica, mas uma menina com autoestima, arrumada, no modo como, na vida pública, a aparência é capital, como uma certa dantesca pessoa, cujo nome não mencionarei, uma pessoa que conquistou a confiança do povo exatamente porque tinha uma aparência acima de qualquer suspeita, como estadistas memoráveis como Elizabeth I, a qual levava extremamente sério o se arrumar na hora de vir a público, conquistando os corações do povo inglês, ao contrário de uma certa senhora da Política, uma mulher que não vai muito longe exatamente porque não se arruma, subestimando a importância disso, uma mulher sem um pingo de maquiagem, sem um brinquinho e com o cabelo desgrenhando, de qualquer jeito, remetendo a Simone Tebet, a qual está sempre com os cabelos impecavelmente tingidos, sabendo que não pode vir a público de qualquer jeito. A mulher aqui usa um colar exótico, com poderes místicos, nos fascínios da feminilidade, no jogo de sedução entre os opostos que geraram o Cosmos, na ironia dialética de que tudo traz em si sua própria contradição, no discernimento de que, quando digo que algo é feio, é porque conheço o oposto, que é belo, como nos carimbos de xilogravura, no jogo entre côncavo e convexo, gerando imagens, como na grande artista xilogravurista que é Mara De Carli, deslumbrando-me com suas obras marcantes, na vitória do talento. A gola aqui é de flora tropical exuberante, na natureza tropical exuberante que tanto fascinou a Europa na Era das Navegações.
Acima, Sergey Parajanov – A cor das romãs. Sergey aqui parece decepcionado com algo, prostrado, olhando para o lado, rejeitando algo, no modo como as prostrações são naturais, visto que ninguém está por cima o tempo todo, como Hollywood, que é a terra do sucesso e a terra do fracasso, ou como na cidade de Gramado, com tantos e tantos empreendimentos que fecham as portas todos os anos, sendo exceção os empreendimentos mais longevos, como nas décadas de carreira da cantina italiana Pastasciuta. Os pilares aqui são a força e a sustentação, numa pessoa se estruturando e encontrando-se na Vida, sabendo quem ela mesma é, no conforto de amigos, os quais não deixam que desistamos, como um amigo meu, inteligentíssimo, mas prostrado, desorientado na travessia existencial, o que é um desperdício, pois cada um de nós tem que mostrar algo para o Mundo, nas palavras sábias de Tom Cruise: “Tenho que mostrar algo”. É como pessoas realistas, que sabem que não podem parar, como artistas com décadas de carreira, sabendo que, se pararem, virarão “peça de museu”, como Cindy Lauper, a talentosa cantora que vive até hoje nos anos 1980, incapaz de virar a página e encarar novos momentos na carreira, o que é uma lástima, pois se trata de uma Cindy talentosa. Vemos rolos de filmes, na Era Analógica do Cinema, sendo que hoje em dia é tudo por computador, em efeitos visuais tão impecáveis como na produção Gravidade, quando juramos que Sandra Bullock está de fato no espaço, nessa fome humana em explorar o Cosmos, numa Humanidade com tecnologias ainda aquém de tais explorações, como nas tecnologias das naus e das bússolas nas Navegações, sendo só uma questão de tecnologia para irmos a Marte e voltarmos ilesos. As plumas são a pompa, num pavão exibindo-se para a fêmea, no cortejo de seleção natural – o macho mais saudável recebe o aval da fêmea, como espermatozoides concorrendo pelo singelo óvulo, na competitividade da vida em sociedade, havendo no óvulo tal feminilidade, beleza, limpeza, fineza, na fêmea cobiçada por todos os machos. A barriga de Sergey é o indicativo da idade, como no chocalho da cascavel – quanto mais longo, maior é o tempo vivido. É como na excelente peça teatral Galileu Galilei, estrelada por Denise Fraga, interpretando o homem célebre, e ao passar de tempo na peça, Galileu ia adquirindo mais barriga, na figura de fartura de Papai Noel, com seu saco cheio, na generosidade, como numa lembrança minha de Natal com minha família, quando minha avó, na ceia, preparava um prato de comida para o porteiro do prédio, num ato de bondade e generosidade, numa data que nos inspira a sermos melhores e mais generosos – oxalá fôssemos assim no ano inteiro! A barba branca é a sabedoria, na imagem patriarcal que temos de Deus, um patriarca de longas barbas brancas, na simples questão taoista: O infinito sobre o qual podemos falar não é o verdadeiro infinito, no poder imensurável de Deus, pois não é absurdo o fato de que jamais findaremos? Não é Deus o infinito? Mulheres aqui flutuam como deusas altivas, como na figura de uma rainha da Festa da Uva, numa moça que tem que ter alma de diva, alma de artista para, assim, inspirar a comunidade em torno da Festa, num poderoso momento de engajamento comunitário, fazendo com que tenhamos uma amostra do Plano Superior, com a colônia espiritual regida por uma rainha de impecável apuro moral, no fino que rege o grosso, num plano divino em que os dias são agradáveis e as noites são amenas, numa eterna Festa da Uva, num lugar com Vida e Paz, sempre Paz, num lugar onde todos se respeitam; onde ninguém quer enganar outrem. Dentro da cabeça grande vemos uma cabeça pequena, como no jogo de bonecas russas, na tataravó que vai até a tataraneta, nossos entes queridos que nos iluminam lá de cima, como nossos bisavós, no glorioso fato de que os vínculos da família não se desfazem com o Desencarne, na imortalidade dos fios sutis que nos unem mas não nos atam, no caminho eterno do Amor Incondicional, leve, desapegado, saudável.
Referências bibliográficas:
Artush Voskanyan. Disponível em: <www.artfinder.com>. Acesso em: 27 nov. 2024.
Artush Voskanyan. Disponível em: <www.artsper.com>. Acesso em: 27 nov. 2024.






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