quarta-feira, 26 de março de 2025

Cassatt é do cacete (Parte 2 de 6)

 

 

Falo pela segunda vez sobre a pintora impressionista americana Mary Cassatt. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Abaixo da árvore de castanha. Aqui é o poderoso binômio mãe/filho, como na Madona com Jesus, no fruto imaculado, o mito que existe para nos explicar que todos somos frutos de tal Imaculada Conceição, num Deus que nos fez tão únicos, tão especiais, remetendo aos espíritos revoltados que habitam o Umbral, como uma certa pessoa, revoltada desde criança, no caminho da pessoa descobrir a si mesma, vendo que é um maravilhoso príncipe, irmão de príncipes, filhos do mesmo Rei Supremo que a todos rege, fazendo das realezas mundanas cópias de tal Plano Superior, nobre, atemporal, na dimensão como o mais fino cristal. A nudez infantil é a inocência, na nudez sem malícia, como em chafarizes com menininhos fazendo xixi, remetendo a um escândalo que certa vez assombrou a comunidade de Caxias do Sul, quando num editorial de Moda apareceram crianças peladinhas ao lado de um garotão nu, num mau gosto que escandalizou, ao ponto de tal jornal nunca mais fazer editoriais de Moda, tal o trauma, na linha divisória entre sexy e vulgar, como na revista Playboy brasileira, num nu de bom gosto, no erótico sem ser vulgar, uma revista que era apreciada até por homens gays, tal o bom gosto. Aqui é como me disse certa vez uma mãe, que quando as crianças crescem, perde-se um pouco da graça, na sabedoria popular de que ser mãe é padecer no paraíso, num encargo de responsabilidades, como ouvi certa vez de uma mãe de uma criança de colo: “Dá trabalho, mas vale a pena!”, remetendo às famílias numerosas de antigamente, num tempo em que o Sexo era a principal diversão, em tempos sem Rádio ou Televisão, muito menos Internet, nos sinais de rádio terrestres que penetram no Cosmos, talvez interceptados por outras raças alienígenas, no desafio da Ufologia em se impor como uma ciência, pois num Universo tão estupidamente vasto, como pode haver Vida somente na Terra? É no Mulder de Arquivo X, querendo saber de tudo, sonhando em descobrir formas exóticas de Vida, censurado pela cética parceira Scully, no uso do pensamento racional, científico, na Revolução Científica, pois o que seria da Humanidade sem a Ciência? É o uso da racionalidade no Espiritismo, pois a Eternidade é a única explicação para tudo, pois nada teria sentido se tudo acabasse na morte do corpo físico, no poder imensurável da Eternidade, de Deus, na perspectiva de que jamais findaremos, e isso não é poder demais? Jamais haverá fim. É muito poder, de dar vertigem! Nesta cena de felicidade, podemos ouvir os pássaros cantando no jardim, numa doce tarde de verão, em brincadeiras com amigos na água, nas merecidas férias depois de um ano inteiro de siso e responsabilidades, de encargos, de seriedades, no melancólico ponto de se retornar das férias para os afazeres da Vida cotidiana, com as águas de março fechando o verão, na capacidade de se observar o Mundo assim, com as estações indo e vindo, nos ritmos da Natureza, em cidades tão paradoxais como Nova York, num tórrido verão para um gélido inverno. O menininho aqui é bem loirinho, como um Menino Jesus, na imagem poderosa de um presépio, em doces lembranças minhas de infância, quando eu montava, na lareira de minha casa, um presépio, com vaquinhas, ovelhas e tudo, como o chão de serragem verde, e um espelhinho como um lago para os patinhos, na delícia de se decorar para o fim de ano, na época gloriosa de férias em que a criança ganha o brinquedo com o qual sonhou o ano inteiro, numa recompensa pelo bom comportamento, como numa progressão de pena, com tudo se reduzindo a bom comportamento, nas regras da Vida em Sociedade – comporte-se! Aqui é o reencontro com a mãe no Plano Superior, como no filme espírita Nosso Lar, com o protagonista se reencontrando com a mãe, na imortalidade dos vínculos de Amor, no Amor Incondicional, leve, eterno, sem cobranças, na sabedoria de que, em amizade, não pode haver cobranças. As crianças crescem rápido, e, quando vemos, somos pais de aborrecentes, com cada fase da Vida com suas vicissitudes, na idade em que somos escravos de nossa própria libido, nas palavras de diva Elke Maravilha, dizendo que, com o passar do tempo, a pessoa vai sentindo cada vez menos desejo sexual, numa libertação. Aqui a mãe vislumbra o destino do filho, com uma criancinha que ainda não faz ideia das seriedades da Vida.

 


Acima, Autorretrato. Aqui são pinceladas furiosas, na formidável transgressão impressionista, em sopros de renovação, como na Europa Renascentista querendo descobrir as Américas, nesta fome humana por conhecimento, mandando sondas para explorar o sistema solar. Aqui é como uma ventania, como numa vida entrando em crise, descobrindo, depois, um novo momento, na sabedoria de que as crises são positivas, pois assinalam um momento de renovação na vida da pessoa, nos aprendizados inevitáveis da Vida, no modo como ninguém está no Mundo a passeio, encarando uma bateria de lições, como numa certa canção de Alanis Morissette, dizendo que aprendemos a cada momento na Vida, como no livro de Gisele, o Aprendizados, um livro que acabou fondo, sinto em dizer, no discernimento: Como modelo, Gisele é de um brilho monstruoso, avassalador, esmagador; já, como atriz, nem tanto, fracassando no filme fraquinho Táxi. É como Madonna: como bicho pop, um monstro; como atriz, completamente ignorada. Aqui é como um rabisco afoito, num dia de ventanias, como na sensação de se colocar o Anel do Poder de Tolkien, num ambiente tenebroso, de ventos furiosos e cruéis, na infelicidade do sociopata, uma pessoa que não tem como entender e limpeza e a paz de Tao, o caminho que nos une, como numa espécie de Internet cósmica, ligando a todos, na figura sexy da canção Smooth Operator da deusa Sade, num sensual operador telefônico, ou como na famosa época em que um aeroporto de São Paulo tinha uma voz feminina muito sexy anunciando os voos no altofalante, numa leveza, numa entrega, num ambiente uterino de prazer, quieto, quentinho, no trauma de se vir ao Mundo, num choque, encarando a frieza, na ruptura de se cortar o cordão umbilical, como na personagem Rachel no seriadão Friends, cortando seus próprios cartões de crédito para sair debaixo da asa do pai, sendo estimulada a fazer isto pelos amigos, dizendo a Rachel: “Bem vinda ao mundo real. É uma merda – você vai amar!”, com o perdão do termo chulo. É como um adulto farto de ser criança, numa espécie de libertação. Realmente, Cassatt é um talento, com a luz batendo suavemente no rosto dela, remetendo a grandes monstros de talento como Paulo Cézanne, na ironia impressionista de que, de perto, o quadro é um monte de borrões; de longe, uma figura perfeitamente vislumbrável. Cassatt está aqui garbosa, arrumada, como pronta para um pomposo evento social, como ir a um elegante café, no modo como Paris penetrou no “sangue” de Cassatt, na cidade centro do Mundo Civilizado, alvo de ambições de turistas ao redor do Mundo em visitar tal urbe vibrante, num Louvre o qual, de tão rico e vasto, exige que passemos, pelo menos, uma semana inteira ali dentro, numa injeção intravenosa de Arte, no modo como saí “bombardeado” do Met de Nova York, na riqueza dos EUA, com seu estonteante complexo turístico na cidade de Orlando, num FHC lamentando: “O Brasil é muito pobre!”. É como na exigência de um visto turístico, incômodo para um cidadão brasileiro que quer visitar os EUA, tendo que, ainda por cima, gastar um bom dinheiro para obter tal visto: “Por favor, me dê um vistozinho! Eu prometo que vou me comportar!”. A Cassatt aqui é jovem, ousada e sofisticada, como num jovem com um corte de cabelo ousado, jovial, no modo como precisamos ver mais transgressão e jovialidade no red carpet, remetendo aos impactos estilísticos dessa grande artista que é Lady Gaga, ousada, corajosa, cheia de verve e frescor, deixando-nos perplexos com tal ousadia, no papel do artista em abrir os olhos das pessoas, no poder libertador da Arte, tocando nossa inteligência emocional, humana, como na sensibilidade do juiz que deu à esposa de Cássia Eller a guarda do filho desta, ou como no cativante filmão ET, na sensibilidade se impondo sobre a crueldade e a frieza no carismático personagem alienígena, num filme que tanta comoção causou, em grandes mestres como Spielberg, arrastando multidões para o blockbuster Parque dos Dinossauros, na função da Arte em nos deixar perplexos.

 


Acima, Banho da criança. O banho é a responsabilidade de uma mãe, como uma certa senhora, com dois filhos, a qual disse que, no primeiro banho do primeiro filho, esta senhora se sentiu muito insegura, mas que o primeiro banho do segundo filho foi mais gostoso e tranquilo, numa questão de calejamento, por assim dizer. O banho é o ritual de purificação e renovação, como num espírito desencarnado que vai ao Umbral, sendo lá socorrido por um espírito irmão amigo, sendo aquele levado a um banheiro muito bonito e ensolarado, para tomar um banho e deixar para trás as indesejadas impurezas do Umbral, a dimensão da improdutividade e da sujeira, do desnecessário, que foge de Tao, que é limpo e minimalista, impecável, como num homem viril, sem frescuras, na simplicidade de um homem rei, tomando o café comum tomado pelos próprios súditos, um rei simples, que não deixa subir à cabeça os luxos e confortos do palácio que habita. Aqui é como o córrego gélido e purificador que dá acesso a uma floresta mágica de Tolkien, uma água amarga e incômoda, fria, mas que purifica, como uma pessoa voltando do submundo, num longo e doloroso processo de desintoxicação psíquica, num remédio amargo que surte doces efeitos, como no processo de se apagarem tatuagens, um processo o qual, no momento de desenrolar, não é prazeroso, mas demandoso. A jarra é o receptáculo feminino, o útero, o ovário, no óvulo princesa sendo cobiçado pela multidão dos espermatozoides comuns, no modo como Sexo e Sexualidade não deixam de ser engraçados, num adolescente que é refém de sua própria libido, masturbando-se loucamente, como passei certa vez na Rua por um adolescente, o qual dizia em voz alta: “Eu quero sexo!”. Podemos ouvir aqui o som reconfortante da água, num processo se desenrolando naturalmente, no inevitável processo de crescimento espiritual, o qual é o sentido da Vida, pois uma vida sem vicissitudes não teria sentido, visto que, sem estas, não teria crescimento, visto que ninguém está no Mundo por acaso ou a passeio, numa Vida que vai fazendo de nós pessoas melhores, como num espírito no Plano Superior, sentindo a necessidade de aprimoramento, encarando assim uma nova encarnação, como num jovem se matriculando numa faculdade, fazendo da Terra esta faculdade que tanto nos faz crescer. A zelosa mãe aqui ensina a menina e se banhar, num trabalho árduo de educação, como num professor esforçado, numa vida dura de trabalho docente, fazendo parte do crescimento dos jovens, como minha querida professora de pré escola Inês, fundamental para mim, fazendo-me recordar do discernimento que ela mostrou entre liso e áspero, na noção taoista de que liso e áspero são faces do mesmo trabalho, na disciplina do Yang com o prazer do Yin, um trabalho o qual, apesar de árduo, dá muito prazer, no modo como não existe trabalho que seja só prazer. A estampa do vestido da mãe é a elegância retilínea, em espíritos que aprendem por si a brilhar, pois o brilhar não é ensinado num livro ou faculdade, exigindo que a pessoa seja autodidata, aprendendo por si mesma a simplicidade, a qual é o mais elevado grau de sofisticação, segundo da Vinci, como uma singela e chic Jackie O. caminhando sozinha pelas ruas de Nova York, uma pessoa que, definitivamente, soube brilhar e vender-se muito bem, na mulher mais notória daquela nação, fazendo escola para inúmeras socialites pretensiosas como Paris Hilton, a qual, o que tem de rica, tem de desrespeitada, no modo como dinheiro traz tudo, menos o que importa, pois, aprendi, a Vida é boa quando é simples, e não precisamos ser donos de meio Mundo para sermos felizes. Aqui são os encargos de mãe, num trabalho duro, que exige muita paciência, numa mãe a qual, de vez em quando, precisa dar um “xixi” para ensinar alguma lição importante, como escovar os dentes ou comer de forma nutritiva. Aqui é um clic de momento de intimidade, como no faraó herege Aquenáton retratado beijando suas filhinhas, numa família de realeza que precisa ser simples para ser amada pelas famílias de não realeza.

 


Acima, Chá. Aqui é este hábito tão britânico, em consonância com o chimarrão gaúcho e argentino, como no astro Viggo Mortensen, o qual morou por uma época na Argentina, adquirindo, assim, o hábito do mate quente, dando, posteriormente, entrevistas tomando chimarrão, num ator que soube muito bem surfar na onda do personagem Aragorn, numa interpretação assombrosa, num divisor de águas na carreira do artista, membro da Academia de Hollywood. Aqui é um ambiente aristocrático e privilegiado, com pessoas com dinheiro para pagar pelo serviço de Cassatt, como deveriam ser caras as encomendas pedidas ao ícone Andy Warhol, num estilo tão próprio e inconfundível, na habilidade de certos artistas em fazerem escola, como uma certa popstar, tornando-se uma poderosa e inoxidável referência para quem deseja prosperar no Showbusiness. A prataria polida aqui brilha, na habilidade de uma pessoa em brilhar, conquistando um fã clube gigantesco, como no finada Whitney Houston, havendo, num famoso vídeo seu no Youtube, mais um bilhão de acessos – isto mesmo: com b de bola. O chá, com seu calor, traz acalento, principalmente para uma terra tão fria e úmida como a Inglaterra, numa Londres cujos cidadãos são pálidos, tal a carência de luz solar forte na urbe, fazendo o londrino sonhar com terras mais ensolaradas. Aqui temos uma disparidade, pois enquanto uma moça toma o chá, a outra já terminou de tomar, como numa corrida, numa competitividade, na necessidade da pessoa em desenvolver agressividade competitiva, no âmbito do Yang, do lado macho da Vida, como na figura umbandista do Capa Preta, o qual coita tanto homens quanto mulheres, no aspecto do administrar uma carreira, um trabalho, num foco e num objetivo, no trabalho em consultórios de Psicologia, no terapeuta nos cobrando tal foco, no certo preconceito social: Do homem é cobrado o sucesso e o êxito, pois o homem que não os obtém, sente-se um lixo; já, da mulher, não, sendo ok uma mulher querer ser uma anônima e inexpressiva dona de casa, mãe e esposa, como uma professora que tive na faculdade, a qual largou a carreira para ter uma vida tão inexpressiva, no modo como pode ser desinteressante uma mulher que somente cuida de uma casa. As moças aqui são comportadas, no modo como a sociedade tolhe a agressividade numa mulher, remetendo aos times de Futebol Feminino, moças que não aceitam esse tolhimento social, no caminho corajoso da feminista, que é pensar contra os poderosos ventos do patriarcado, como na mensagem feminista do filmão Thelma e Louise, ensinando a um assediador agressivo uma dura lição de respeito, no final arrebatador, na morte das protagonistas, mas num final em que a tela fica branca, numa mensagem de paz e vida. Aqui é um momento de prosa, quiçá fofoca, nesse gosto humano por improdutivas fofocas, como uma certa senhora, uma dondoca improdutiva que nenhuma merda faz de seus dias na Terra, com o perdão do termo chulo, uma dondoca a qual só resta ficar cuidando da vida de outrem, tal o nível raso de seriedade, numa senhora maliciosa, a qual com certeza já deve ter falado mal de mim – vá tomar no cu, perua, com o perdão do termo chulo. Realmente, as pinceladas de Cassatt são ardilosas, como podemos observar no reflexo da prataria, fazendo metáfora com a polidez de caráter, numa pessoa que sabe que grosso é fraco e que fino é forte, num discernimento que muita confusão pode trazer, como no sociopata, o qual, definitivamente, considera o Mal mais válido do que o Bem, como uma professora sociopata eu tive, a qual queria, de fato, aliciar os alunos para o Umbral, a dimensão do ódio – é um horror. Aqui são aspirantes a socialites, meninas improdutivas que embarcam na crença de que o trabalho não é necessário, numa Grace Kelly, abandonando uma carreira brilhante para ser uma dondoca improdutiva – é triste. A toalha rubra é o dolorido sangue de menstruação, numa época em que não havia remédio para cólicas – como é duro ser mulher!

 


Acima, Criança com chapéu. Há uma reprodução desta obra no apartamento de meus pais em Gramado. A criança está comedida e bem comportada, um tanto a contra gosto, numa criança um tanto triste, sentindo desde cedo as durezas da Vida, como um menor abandonado, que veio ao Mundo sem lenço nem documento, como um rapaz negro e paupérrimo que conheci, o qual cresceu num orfanato, encaminhado a uma instituição psiquiátrica porque tentara se suicidar, numa vida tão dura, num indivíduo que pode desenvolver uma carência afetiva enorme, como na campanha política de uma certa senhora, a qual, no vídeo, abraçava um menor de Rua, ou seja, aproveitando-se da carência afetiva do menino, tudo para uma conveniência da propaganda política, uma senhora a qual, de fato, não sentia muito amor pelo menino, no modo como um político pode fazer coisas não muito nobres, tudo em nome da ambição na urna eleitoral, remetendo a um certo senhor, um sociopata de marca maior, na capacidade do sociopata em seduzir, num senhor com uma aparência acima de qualquer suspeita, conquistando, assim, a confiança do povo – é um horror. Aqui remete a uma mãe enérgica e dura, numa cena que vi num parque temático na Flórida, EUA, na mãe dizendo, expressa e duramente, à criança ficar onde estava, dizendo austera: “Fique aí!”, no modo como um pai pode até ter pena do filho, mas, mesmo assim, ser duro e exigente, como disse certa vez uma mãe, dizendo que o coração nos manda sermos gentis como avós e avôs, mas na necessidade de impormos limites à criança, para esta não ficar achando que pode tudo, resultando, no oposto, em mães superprotetoras, que massageiam o ego do filho, como um homem que conheço, o qual teve uma mãe bem superprotetora, num rapaz que achava, na adolescência, que tornar-se-ia o maior popstar de todos os tempos, levando da Vida uma dura lição de humildade, não resultando em um popstar tão gigantesco assim, bem pelo contrário, levando uma vida bem anônima, no fato de que a arrogância precede a queda, meu irmão. O chapéu é a proteção do lar, da família, como foi feito certa vez um experimento, confinando crianças numa casa sem os pais, numa casa de liberdade total, na criança podendo fazer tudo o que desejasse, sem regra alguma, mas, depois de dois dias, as crianças começavam a chorar, querendo seus pais, seu lar, seu quarto, ou seja, no fundo, a criança gosta de receber limites, pois estes dão a sensação de invólucro, lar e proteção, como num pai austero, impondo a hora da criança ir para a cama e dormir, como uma senhora psicóloga que conheço, a qual impõe, no lar, regras rígidas, preparando a criança para a inevitável dureza do Mundo. Aqui o coração é triste, mas é por uma razão, ao contrário de uma certa pessoa sociopata, a qual me fez fazer sofrer sem motivo algum para tal, numa lembrança de infância que tenho, mesmo de um momento tão inicial de minha vida – vá fazer sofrer sua avó, seu sociopata! A cena aqui é de verão, com uma roupa de mangas curtas, nos doces verões de férias e veraneio, no momento de deixar de lado a sisudez das outras estações do ano, na sisudez de um dia nublado, nas delícias de cada estação do ano, como se meter debaixo de um cobertor, na capacidade do homem de Tao em observar as estações subindo e descendo, observando os ritmos da Natureza, esta força poderosa que nos liga a nossos corpos carnais, no momento glorioso do Desencarne, no qual nos desgrudamos de todo e qualquer problema relativo aos nossos corpos carnais, na simplicidade do desencarnado, vivendo uma vida simples, produtiva, na ironia de que, lá em cima, temos que nos manter ocupados e operantes, no modo como até mesmo Ele, Tao, está sempre produzindo, deixando-nos perplexos com tal perfeição, como num fã clube curtindo ardorosamente a opus de um artista, no poder do trabalho, o qual, segundo o respeitado DiCaprio, não pode faltar – qual a esperança para uma pessoa que nada faz? É um desperdício como Andrea Bocelli cantando Atirei o pau no gato. Aqui há uma imposição de disciplina, na criança sentindo tal peso e siso.

 


Acima, Criança com faixa rosa. Aqui é uma criancinha rica, em seu trono de mimos e privilégios, como em certas lojas luxuosas de roupas infantis, decoradas com pomposos lustres de cristal, no modo como o dinheiro traz tudo de bom, menos felicidade, no modo como pode ser tão dura e vazia a vida de uma pessoa rica e improdutiva, fazendo dos luxos mundanos meras cópias da plenitude dos desencarnados, felizes em sua saúde perfeita, desligados de todos os zelos mundanos em relação a saúde, fazendo com que na Terra tudo gire em torno de saúde, na dignidade do médico, a profissão tão nobre e respeitada, num senhor médico que se torna um partidão cobiçado por mulheres que queiram desposar tal homem digno. A menina aqui está alheia ao espectador e a Cassatt, meio sem paciência para posar, como em fotos de antigamente, nas quais se tinha que ficar estático por alguns segundos, algo impossível para uma criança inquieta, resultando em borrões na foto final. Aqui temos as pinceladas e riscos de vanguarda de Cassatt, como nos traços afoitos do mestre Basquiat, na libertação da Arte, em movimentos de inovação, no modo como a Fotografia libertou a Arte da função de alta fidelidade retratista, resultando na Arquitetura Modernista, em casas modernas as quais, apesar de terem sido construídas há um século, permanecem totalmente atuais e contemporâneas, nos traços simples da Brasília de Niemeyer, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como numa decoração clean, minimalista, nos traços minimalistas japoneses, resultando na bandeira nacional mais linda do Mundo, no Sol ardente nascente japonês cercado de alvas brumas, remetendo ao filmão O Império do Sol, num ótimo início de carreira ao atorzão Christian Bale, na história do menino que, na II Guerra Mundial, começa o filme menino e acaba homem, degustando todo o amargor e privação do dantesco conflito, nessa inclinação humana pelo ódio, como num insano Putin travando uma guerra desnecessária, e o Ser Humano é assim mesmo, um rei que nunca está feliz dentro de seu próprio reino, sempre querendo anexar os reinos vizinhos, num déspota disfarçado de líder democrático, uma grande piada, sinceramente, num ditador que decide quais filmes podem ou não ser exibidos na Rússia. A menina aqui está propriamente arrumada para a pose, como num comercial da marca de perfumaria Jequiti com Patricia Abravanel, com esta brincando com seus filhos pequenos, estando estes com roupas de festa, muito longe da criança brincando com roupas de dia a dia, sujando-se inevitavelmente, nas demandas de uma casa em manter as roupas limpas, no modo como uma vida de dona de casa pode ser uma prisão, numa mulher que se sente uma escrava, nos berros de uma certa senhora ao respectivo marido: “Eu me matando para manter esta casa limpa e organizada!”. Neste quadro temos muita ousadia, transgressão, ímpeto, como em artistas de ímpeto como Gaga, numa deliciosa transgressão estilística, chocante, formidável, no poder da criatividade, algo que o frio sociopata não compreende, desprezado a Arte, achando esta uma piada, quando na verdade é piada quem não tem um pingo de inteligência emocional, sendo insensível ao apelo artístico de pessoa fazendo contato com pessoa. A menininha aqui é saudável e gorducha, bem nutrida desde sempre, ao contrário de crianças paupérrimas subnutridas, com o crescimento prejudicado, como no cativante personagem Chaves, uma criança que veio ao mundo sem pai, mãe ou família, um menino sempre esfomeado, achando um luxo poder tomar café da manhã. A cinta aqui é o aperto disciplinador, como nas cintas das famosas meninas de Renoir no MASP, sendo Renoir outro monstro impressionista, no modo dos artistas em dialogar entre si, influenciando uns aos outros, como em homenagens, como Madonna homenageando Marilyn Monroe. A inocente criança aqui mal tem ideia do Mundo duro que enfrentará, numa fase da Vida em que esta é simples, restando apenas estudar e brincar, como no trenó Rosebud de Cidadão Kane.

 

Referências bibliográficas:

 

Mary Cassatt. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.

Mary Cassatt. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.

quarta-feira, 19 de março de 2025

Cassatt é do cacete (Parte 1 de 6)

 

 

Americana impressionista, Mary Cassatt (1843 – 1926) morou por muito tempo em Paris, tendo como amigo e tutor o célebre pintor Edgar Degas. Testemunhou a Guerra de Secessão; brilhou numa época em que as Artes Plásticas eram de predomínio masculino; retratou momentos íntimos de mães e filhos. De início, a família de Mary não gostou quando esta disse que queria ser artista, com a família temendo que Cassatt mergulhasse numa vida desregrada e boêmia. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Reine Lefebre e Margot numa janela. Aqui é uma cena feliz, como num comercial de algum produto, como farinha láctea, na ilusão de que a Vida é desprovida de percalços, os quais dão sentido à Vida, como um surfista querendo ondas exigentes, desafiantes, pois a Vida não tem sentido se não crescemos no decorrer dela – é como num livro de palavras cruzadas, pois, quanto mais fácil, menos graça, num espírito olímpico, ou como um estudante no primeiro dia de aula, pedindo ao professor novos desafios. Realmente, as pinceladas impressionistas de Cassatt são impressionantes, num sopro de renovação, sepultando a arte clássica, na missão da Arte em trazer tais renovações, em cidades vibrantes como Paris, com sua alta costura, trazendo novidades, numa cidade que abriga o maior e mais deslumbrante museu de Arte do Mundo, fazendo de Paris, de certo modo, o centro do Mundo, no poder civilizatório da Arte, algo que nos diferencia dos macacos, os quais não sabem pegar uma caneta e escrever “olá”. Aqui remete a um retrato que tirei certa vez na Rua em Porto Alegre, de uma mulher mendiga com quatro ou cinco filhos juntos, ou como vi certa vez na Rua em Capão da Canoa, num adulto irresponsável, quiçá cruel e sociopata, o qual mandou uma criança pequena para a Rua para vender panos de prato, num espírito que escolheu reencarnar em tal contexto duríssimo, desumano, numa encarnação dolorosa que acaba por exercer no indivíduo um crescimento gigantesco, como criancinhas filhas de indígenas paupérrimos nas ruas de Caxias do Sul, jogados numa calçada e pedindo moedas – que horror. Aqui é como nos joguinhos de bonecas russas, com uma dentro da outra, indo da bisavó à bisneta, na sucessão monárquica, em pessoas em primeiro lugar numa linha de privilegiada sucessão, como no poderosíssimo trono britânico, num monarca reinando sobre um terço da Humanidade, uma vida que fazia tão infeliz Diana, a qual começou a encarar um marido indiferente, mandando este à merda, com o perdão do termo chulo, numa Diana que tinha uma relação de amor e ódio com a imprensa, numa Di que, por um lado, amava ser o bicho midiático que era, aparecendo nos televisores do Mundo inteiro; por outro lado, uma mulher que se sentia muito invadia e desrespeitada por tal imprensa, sem eu aqui querer desrespeitar a Família Imperial Britânica, a qual acumula uma dignidade representativa enorme, no paradoxo das famílias de realeza: Por um lado, algo belo, fino e onírico; por outro, algo obtuso, nos membros divididos entre varões e fêmeas, bloqueando qualquer tentativa de se escapar da heterossexualidade – é um horror. Aqui é uma família abastada, com condições de fazer encomendas a artistas incensados como Cassatt, como as menininhas de Renoir no MASP, obra do monstro Renoir, em artistas privilegiados, reconhecidos ainda em vida, como num Andy Warhol, recebendo um mar de encomendas, num estilo Pop Art tão inconfundível, nesse casamento formidável entre Arte e Mercado, Cultura de Massa. A mãe é recatada, com cabelos presos numa época em que era impensável a mulher vir a público sem os cabelos domados, numa questão de pudor mesmo, na formidável transgressão de Chanel, no corte de cabelo Chanel, libertando a mulher dos ranços patriarcais, na coragem da feminista em ir contra os poderosos ventos patriarcais, no modo como, sinto em dizer, as próprias mulheres são machistas, como uma certa mulher me disse: “Quero um marido que seja mais alto do que eu!”, ou como no filme A Letra Escarlate, no qual vem de uma mulher a ideia de punir moralmente outra mulher, nas palavras de Madonna: “Muitas mulheres gostariam que eu me calasse e fosse embora!”. Aqui é o encargo de responsabilidade de se terem filhos no Mundo, incutindo valores nobres na cabeça do infante – é um desafio.

 


Acima, Retrato de Madame Sisley. Altivez, como num altivo monarca numa moeda, no modo como as pessoas frequentemente confundem altivez com arrogância, como num apelo publicitário, exaltando um determinado produto, ao contrário do vaidoso, que exalta a si mesmo, perdendo tal linha divisória – quero ver meu labor exposto ao máximo; já, minha pessoa, não quero ver tão exposta assim. É como vi certa vez o escritor LF Veríssimo assediado num shopping em Porto Alegre, um homem tão pacato, tão discreto e, ainda assim, midiático, ou seja, quando o vejo na Rua, sei que é ele. É a sabedoria da discrição do camaleão, invisível para as presas, invisível para os predadores, remetendo à figura do robert, aquele que quer puramente aparecer, como uma certa socialite, a qual, o que tem de rica, tem de desrespeitada, no modo como o dinheiro traz tudo de conveniente, menos o que importa, que é paz e amor, havendo no Plano Superior tal paz inabalável, no lugar onde as pessoas não querem enganar umas às outras, ou seja, vaga pelo Umbral aquele que tem má fé, arrastando-se e sofrendo por tal inferno, num lugar escuro, sujo, fedorento – é um horror, como no insalubre banheiro do clássico Transpotting, sem qualquer salubridade ou limpeza. A madame aqui está meio cabisbaixa, nessa doença horrível que é a Depressão, na qual estamos tão desolados, tão prostrados perante à Vida, como uma senhora que conheço, a qual quis dar uma guinada na Vida, fazendo uma cirurgia plástico, reformando sua casa e construindo uma bela piscina, ou seja, queria encontrar a si mesma fora de si mesma, numa sensação de guinada inicial, mas uma sensação que durou pouco, nesta senhora percebendo que nada de fato mudara, ou seja, deprimiu-se, nessa doença que sequer nos dá prazer de se tomar um banho, numa doença chamada de “fantasma do meio dia”, num contexto psíquico em que tudo é amargo e ruim, escuro, pobre, péssimo, fazendo-nos evocar a esperança, num momento em que a pessoa tem que fazer um esforço ENORME para contornar tal vicissitude, no grande desafio da Vida, que é crescimento e superação, fazendo-nos pessoas mais forte e mais pés no chão, impedindo-nos de pensar em bobagens, na noção taoista: Quando estou farto de bobagens, estou bem, pois estou enjoado de estar enjoado, ou seja, estou bem, como no personagem Ernest na comédia A morte lhe cai bem, num homem contestando a frivolidade sem sentido da juventude eterna evocada no filme, no caminho espírita da mortificação, do desapego a ilusões auspiciosas, no lema espírita: Mortifique o espírito e não o corpo, condenando os que se automutilam, extirpando partes do corpo, não por doença ou câncer, mas por gosto, na ilusão de se achar que a Vida é perfeita para quem é homem ou para quem é mulher, o que é um equívoco, pois a dureza está nas vidas de cada um de nós, no caminho do aprimoramento espiritual – morremos melhor do que quando nascemos. Este quadro é um dos motivos de celebrarmos as pinceladas de Cassatt, na maravilhosa transgressão impressionista, superando a Arte Tradicional Acadêmica, em momentos de glória pop como um Michael Jackson encarnando um horrível lobisomem, abrindo mão da vaidade e desfigurando-se, no modo como a Academia de Hollywood adora atores que se desfiguram para um papel, na capacidade do bom ator em sumir perante o personagem, em interpretações assombrosas como a Thatcher de Streep. A pele alva aqui é a pureza de intenções, numa pessoa que quer o bem, amando as pessoas e seus amigos, resultando nesta coisa maravilhosa que é o Amor Incondicional, leve, desapegado, na perspectiva de que teremos a Eternidade para nos relacionarmos com tais entes, no caminho oposto ao amor obsessivo e doente, apegado, num desejo de controlar outrem, como um certo senhor, o qual desenvolveu um amor bem doente por uma pessoa, numa coisa esmagadora e terrível como a violenta pressão atmosférica na superfície de Vênus, algo que difere da fraternidade, em marido e mulher que, ao desencarnarem, tornam-se amigos lá em cima, e não mais um casal.

 


Acima, Retrato de menininha. Qualquer arte impressionista tem um certo aspecto de textura. Aqui temos uma reserva e um recato, numa menina comportadinha e triste, reservada, disciplinada, com o coração triste, mas sabendo que é a escolha mais racional, como certa vez ouvi de um espírita que havia uma pessoa que desencarnara muito agitada e fora de controle, tendo que reencarnar como filho único de um casal extremamente exigente em relação à disciplina, num espírito que sofreu assim uma mortificação enorme, apaziguando-se e desencarnando de forma mais tranquila, no modo como tudo na Vida tem um porquê, e nenhuma encarnação é em vão, ou seja, ninguém está na Terra a passeio. Aqui é uma menina que sabe que, se não se comportar, não receberá presente do Papai Noel, no modo como uma mãe pode assustar uma criança, dizendo a esta que, se não se comportar, será levada embora por uma cigana, no modo como o povo cigano sofre muito preconceito de discriminação, sendo malvistos pelo corpo social, no modo como deve haver respeito mútuo, num católico tradicional respeitando a cor do vestido de noiva cigana, que é vermelha, no modo como as diferenças culturais são superficiais, havendo a universalidade inabalável do Ser Humano, na universalidade da Arte, por exemplo, com postars com fãs ao redor do Mundo, nesses fenômenos de popularidade da cultura de massa, algo aliado à Indústria Cultural, no casamento formidável entre Arte e Mercado, no movimento poderoso da Pop Art, algo que desagradava Ariano Suassuna, o qual amava a Cultura Popular, a qual vem do povo e com este permanece, em manifestações culturais como o Carnaval, nascido dos tambores africanos da população negra pobre carioca, numa dança tão singular como o Samba, no carioca da gema apaixonado por tal manifestação, como na Festa da Uva de Caxias do Sul – cada cidadão caxiense se sente um pouco dono da Festa, na importância de herdarmos tais traços culturais, na magia da tradição, a qual tem que ser respeitada mesmo pelo mais rebelde. A menina aqui está arrumadinha, e tem que se comportar para Cassatt fazer o retrato, num caminho de paciência, como esperar numa fila de supermercado, num pai com paciência para com as peraltices do filho, no desafio de se criar uma criança, em pais se esforçando para não falar palavrões na frente do filho, o que é em vão, pois a criança, no frigir dos ovos, aprende direitinho os palavrões bem chulos. Aqui é a questão básica do bom comportamento, como numa progressão de pena num presidiário, entrando para os regimes aberto ou semiaberto, como vi certa vez um senhor com uma tornozeleira eletrônica na Rua, inclusive um bandido com uma aparência acima de qualquer suspeita, na sabedoria popular de que as aparências enganam. Aqui é uma criança que se esforça no colégio para tirar boas notas e orgulhar os professores, no modo como eu mesmo já fui professor por um curto período, e um aluno aplicado traz sentido à vida docente, como tive certa uma colega de Ensino Médio, a qual só tirava notão, talvez criada assim desde cedo pelos próprios pais, uma menina cujo objetivo era gabaritar todas as disciplinas, recebendo com um semblante seríssimo uma prova corrigida na qual tal menina não tinha tirado nota dez, talvez um espírito o qual, numa encarnação anterior, viveu ao sabor de vento, sem se centrar nem colocar os pés no chão, fazendo da vida uma irresponsável aventura, como um certo senhor, o qual, de certa forma, foge das responsabilidades de ter filhos no Mundo. A menina olha para o vazio, com a cabeça muito além do estúdio da pintora, no modo libertador do trabalho, do labor terapêutico no qual nossa cabeça viaja livre, no modo como o trabalho liberta, sendo infeliz a pessoa rica e improdutiva, mergulhando numa vidinha insossa e indolente, sem se centrar em algo de bom e positivo, no modo como a pessoa rica pode ser tão miserável. Aqui é a criança contando os minutos para a hora do intervalo na Escola, no merecido descanso, na noção bíblica de que até Ele descansou no Sétimo Dia.

 


Acima, Retrato de Cyrus J. Lawrence com seu neto R. Lawrence Oakley. Aqui é a imortalidade dos vínculos de família, havendo, após o Desencarne, o reencontro com nossos avós lá em cima, tornando finitas as brigas de família, como numa certa família, com brigas e brigas, ao ponto de uma pessoa sequer ligar para o próprio pai no aniversário deste, ou sequer se encontrando na noite de Natal, como uma certa senhora de Porto Alegre, a qual disse que sua família nunca se reúne, e a família é importante, pois nos dá aconchego e segurança, como uma certa família que conheci, uma família unida, que se relaciona, reunindo-se em datas especiais e fins de semana, fazendo brincadeiras e amigos secretos, remetendo aos Natais com meus avós maternos, na força de um patriarca em manter a família unida, como uma certa matriarca, mantendo a família unida. Neste quadro, é a passagem do tempo, com a tocha sendo passada de geração a geração, como na firma Veronese Indústria Química, fundada por meu bisavô Luiz Veronese no ano de 1911, uma empresa que segue de portas abertas, ainda sob o controle da família, nesta poesia de tradição, como num trono de monarca, na sucessão, no paradigma monárquico absolutista, no qual não se imaginava uma forma de governo como a Democracia, na Revolução Francesa que sepultou a monarquia naquele país, no contraste entre França e Inglaterra, sendo esta uma permanência da tradição milenar do trono inglês, no desafio do monarca recém entronado, tendo que obter o respeito não só de seus próprios súditos como também do Mundo em geral, como na sucessão do sistema televisivo SBT, com as filhas de Silvio Santos tomando o controle da firma, nas palavras de um príncipe num certo filmão: “Não somos uma família; somos uma firma!”, na sabedoria popular de que família é tudo igual, só mudando o endereço, nas brigas de família que sempre resultam em reconciliação. A senhora aqui é tradicional, discretíssima, sabendo do valor da discrição, numa pessoa discreta no modo de se vestir e no modo de falar, no modo como pode ser desinteressante uma pessoa indiscreta, como na figura do robert, o qual só quer aparecer, um homem que ninguém leva muito a sério, como na famosa socialite Paris Hilton, a qual, o que tem de rica, tem de desrespeitada, e respeito é tudo, meu irmão. O neto aqui é ainda muito infante, peralta, sem entender de fato a seriedade da sucessão de poder, numa criança que ainda não tem condições de entender o peso da responsabilidade, sem entender termos abstratos como “respeito”, na época simples da Vida, como em Cidadão Kane, com seu trenó de neve Rosebud, numa época em que a Vida era mais simples, num menino arrancado de tal paraíso infantil, morrendo e renegando todo o dinheiro e sucesso que obteve em vida, suspirando, no leito de morte, o nome do trenó, num momento de ruptura, em que a criança sente as durezas da Vida, como um amigo meu, o qual, na adolescência, tinha uma vida simples e feliz, estudando de manhã e namorando de tarde, e a Vida é boa quando é simples, na simplicidade de se sentar num gramado num parque e prosear com os amigos, remetendo à monstruosa estrela Gisele, a qual precisa se disfarçar para passear no Parcão em Porto Alegre, no modo como a Vida pode ser uma prisão, num popstar em Nova York, o qual não pode fazer em paz um piquenique no Central Park, não podendo desfrutar da cena cultural de tal urbe linda, sem poder ir a um museu ou ver um show na Broadway, no momento em que se perde a linha divisória entre obra e artista, como num trabalho de ator, exposto naturalmente, mas impossibilitado de passear em paz num shoppping – é o lado amargo da fama. A cadeira aqui é tal respaldo e proteção, protegendo o menino, numa avó deixando uma farta herança, no modo como pode ser uma ato canibalesco a hora de partilha de herança entre herdeiros, como uma pessoa que conheço, a qual esconde jogo dos próprios irmãos, no modo como a riqueza mundana pode ser infeliz. A senhora aqui cose, tecendo destinos, como nas costureiras em Moulin Rouge, tecendo o destino da personagem Satine e a morte trágica desta, num filme que tantas multidões cativou.

 


Acima, Tempo de verão. Aqui é a doçura da melhor estação, nos versos de uma certa canção soul: “O verão veio como canela – tão doce!”, em brincadeiras com os amigos na água, no mar, na piscina, na dureza de encerrar o veraneio e voltar para a sisudez da Vida, nos estudos ou trabalhos, nos versos da icônica canção da MPB Águas de Março: “São as águas de março, fechando o verão. E a promessa de Vida no teu coração”, numa sutil alusão ao gole militar em abril, numa época em que o artista tinha que ser muito sutil para não ser detectado por mentes obtusas, como no jogo inteligente de Chico Buarque entre “cálice” e “cale-se”, aludindo à censura e à repressão, e minha geração, que nasceu no fim do governo militar, não tem ideia de como foi tal época. Os patos passeiam placidamente, na beleza natural de algum lugar, como na bela ilha de Florianópolis, com suas praias sedutoras, remetendo a um certo senhor, o qual, ainda piazote, queria ser ratão de praia em Floripa, percebendo que o verão acabara, com praias cada vez mais ermas e frias, vendo-se numa deprimente praia deserta, na ilusão de que é possível fugir da Vida, como num morador de Rua, fugindo da luta, da lida, dormindo numa calçada dura e fria, absolutamente alheio a encarar a seriedade da Vida, nas sábias palavras da diva Dercy Gonçalves: “A Vida é luta!”. Aqui pode ser um doce momento de namoro, de flerte, numa época em que o sangue adolescente ferve de libido, como numa explosão primaveril de cio, como vi certa vez uma gata se contorcendo de libido em pleno cio, num animal numa mata querendo comida e sexo, como borboletas em flores, as quais estas nada mais são do que órgãos genitais, como um adolescente comprando sua primeira revista pornô, ou alugando sua primeira fita pornô, no modo como sexo e sexualidade não deixam de ser engraçados, num Ser Humano prisioneiro de tal impulsos, nas palavras da sexóloga Marta Suplicy: “A adolescência é uma época em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal!”, numa mulher que nos deixa perplexos com tal imponência, como uma fachada de um prédio em estilo neoclássico. Os chapéus aqui são a proteção e o zelo, o resguardo, remetendo a mães superprotetoras, as quais massageiam o ego do filho, como uma certa senhora, a qual massageava o ego do próprio filho, num menino que achava que tornar-se-ia o maior popstar de todos os tempos, fracassando de tal modo, tornando-se uma pessoa muito aquém de tais ambições, no modo como a Vida nos ensina duras lições de humildade, na sabedoria de que a arrogância precede a queda. A água aqui flui linda, nas talentosas pinceladas de Cassatt, na capacidade do impressionista em gerar tal efeito, e podemos ouvir aqui o delicioso barulho de água, como em praias que são cópias fiéis do Éden, como uma flor de plástico imitando fielmente uma flor natural, na seguinte metáfora: A vida dos ricos, na Terra, nada mais é do que uma cópia da plenitude do desencarnado, na glória dos desencarnados, os quais estão livres de todo e qualquer problema relacionado ao corpo físico – é a glória, meu irmão. As crianças aqui estão recatadas, incertas se tocam ou não a água, como uma pessoa que chupa pau, no fundo estar querendo chupar boceta, com o perdão dos termos chulos, numa pessoa que só toma vinho de mesa, sem se permitir tomar vinho fino, de rei, no modo como uma pessoa pode ter medo, como certos homens, os quais são, aparentemente, homens de enorme coragem, mas são, na verdade, cagões, como o perdão do termo chulo. Aqui é o desejo de tirar a roupa e nadar, na deliciosa sensação de se nadar nu no mar, na inocência da nudez, ao contrário da interferência de um papa numa capela do Vaticano, tapando todos os sexos em pinturas, na malícia da maçã, quando Adão sente vergonha de mostrar-se nu. Aqui é uma deliciosa ondulação, como no clássico Moby Dick, um livro o qual, em determinado momento, faz-nos sentir a ondulação, como se estivéssemos dentro da embarcação.

 


Acima, Toureiro. Ele é a coragem e a virilidade, na vitória do garbo humano sobre a selvageria do touro feroz. É a glória da chuva de rosas ao final da tourada, como um estelar gladiador no Coliseu, em grandes espetáculos públicos. Aqui remete ao primoroso videoclipe Take a Bow de Madonna, na moça bonita na primeira fila, frente ao macho toureiro, num trabalho arriscado, como vi certa vez numa revista e foto de um toureiro o qual, ao levar uma chifrada violenta, teve que usar um dreno na perna por causa do pus da ferida, num gesto de extrema dedicação ao labor, como na dedicação de uma Maria Callas, detonando sua própria voz para dar o máximo de si, no modo como as drogas devastaram a voz da diva pop Whitney Houston, no choque de se ouvir seu último álbum de estúdio, o I look to you, mal dando para crer que é um álbum de WH, tal a destruição na voz, numa cantora que conheceu o céu e o inferno, liderando um dos dez álbuns mais bem vendidos de toda a História da Indústria Fonográfica Mundial, num momento de êxtase e sucesso que levou a cantora, sob pressões, a lançar mão de drogas pesadas – é bem triste. Aqui é um jogo de sedução num momento de interação social, com as líderes de torcidas girando em torno do que importa, que é o jogo dos homens, no seguinte machismo: Em dias de jogos da seleção brasileira masculina de Futebol, o Brasil para; em dias de jogos da seleção brasileira feminina de Futebol, o Brasil NÃO para. Então surge uma figura transgressora de feminismo, com a coragem de ir contra os ventos do patriarcado, em elites intelectuais que pensam fora da ignorância, como no Mito da Caverna, como Neo de Matrix nos libertando e mostrando-nos que somos escravos de um sistema insano, sendo nós prisioneiros da Sociedade de Consumo: Tenho que acordar e trabalhar como um “burro de carga” para ter dinheiro e, assim, adquirir bens cobiçados de consumo, como tênis de grifes caras, cobiçados por ladrões da Rua, remetendo ao brutal assassinato de um certo rapaz em Poro Alegre, assassinado por um ladrão que queria o carro da vítima, no total desrespeito que o sociopata tem pela Vida, zombando desta. As vestimentas aqui são apuradas e glamorosas, em sonhos de estilistas, como no mestre Karl Lagerfeld, vestindo certa vez um traje de toureiro, num traje tão glamoroso, cheio de acabamentos de luxo, para pessoas para as quais as roupas são importantes, como em certos popstars, para os quais é capital escolher roupas legais na hora de vir a público. O astro do quadro é o toureiro, pois a moça está quase de costas para o espectador, no machismo que coloca a mulher girando em torno do homem, como numa mãe, esposa e dona de casa, girando em torno de um homem, do lar deste e das crianças deste, como na história de uma certa senhora, a qual abandonou uma carreira para ser dona de casa, como na trágica história de Grace Kelly, abandonando uma carreira brilhante para chupar um pau coroado, com o perdão do termo chulo, tornando-se um útero reprodutor a serviço de uma coroa. O pano rubro é a morte, o sangue, o sacrifício do animal, algo que pode enfurecer os ambientalistas e ecologistas, como me disse uma tia minha, a qual assistiu uma tourada, dizendo-me que pessoas muito sensíveis não podem ver touradas, pois dá dó de ver o bicho sendo tratado assim. A tourada é a repressão dos impulsos, na vitória da caneta sobre a espada. O toureiro aqui é jovem, inexperiente, como num astro do Esporte, uns baitas homens na quadra, mas rapazotes que muito têm ainda por vir, no modo como as responsabilidades podem surgir cedo na Vida, como num irmão mais velho ajudando a criar os irmãos mais novos, como espíritos que reencarnam num contexto sisudo, como uma moça que conheci certa vez, uma filha adotiva que ajudava os pais adotivos a criar uma filha biológica do casal, esta com Síndrome de Down, no modo como pode ser complicado criar uma criança com tal limitação psíquica. A flor da moça é a feminilidade, jogando-a ao toureiro. Aqui é o fascínio da Cultura Espanhola, um país que já foi o mais poderoso da Europa, com sua Invencível Armada, no modo como os poderes mundanos acendem e descendem.

 

 

Referências bibliográficas:

 

Mary Cassatt. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.

Mary Cassatt. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.