Falo pela segunda vez sobre a pintora impressionista americana Mary Cassatt. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Abaixo da árvore de castanha. Aqui é o poderoso binômio mãe/filho, como na Madona com Jesus, no fruto imaculado, o mito que existe para nos explicar que todos somos frutos de tal Imaculada Conceição, num Deus que nos fez tão únicos, tão especiais, remetendo aos espíritos revoltados que habitam o Umbral, como uma certa pessoa, revoltada desde criança, no caminho da pessoa descobrir a si mesma, vendo que é um maravilhoso príncipe, irmão de príncipes, filhos do mesmo Rei Supremo que a todos rege, fazendo das realezas mundanas cópias de tal Plano Superior, nobre, atemporal, na dimensão como o mais fino cristal. A nudez infantil é a inocência, na nudez sem malícia, como em chafarizes com menininhos fazendo xixi, remetendo a um escândalo que certa vez assombrou a comunidade de Caxias do Sul, quando num editorial de Moda apareceram crianças peladinhas ao lado de um garotão nu, num mau gosto que escandalizou, ao ponto de tal jornal nunca mais fazer editoriais de Moda, tal o trauma, na linha divisória entre sexy e vulgar, como na revista Playboy brasileira, num nu de bom gosto, no erótico sem ser vulgar, uma revista que era apreciada até por homens gays, tal o bom gosto. Aqui é como me disse certa vez uma mãe, que quando as crianças crescem, perde-se um pouco da graça, na sabedoria popular de que ser mãe é padecer no paraíso, num encargo de responsabilidades, como ouvi certa vez de uma mãe de uma criança de colo: “Dá trabalho, mas vale a pena!”, remetendo às famílias numerosas de antigamente, num tempo em que o Sexo era a principal diversão, em tempos sem Rádio ou Televisão, muito menos Internet, nos sinais de rádio terrestres que penetram no Cosmos, talvez interceptados por outras raças alienígenas, no desafio da Ufologia em se impor como uma ciência, pois num Universo tão estupidamente vasto, como pode haver Vida somente na Terra? É no Mulder de Arquivo X, querendo saber de tudo, sonhando em descobrir formas exóticas de Vida, censurado pela cética parceira Scully, no uso do pensamento racional, científico, na Revolução Científica, pois o que seria da Humanidade sem a Ciência? É o uso da racionalidade no Espiritismo, pois a Eternidade é a única explicação para tudo, pois nada teria sentido se tudo acabasse na morte do corpo físico, no poder imensurável da Eternidade, de Deus, na perspectiva de que jamais findaremos, e isso não é poder demais? Jamais haverá fim. É muito poder, de dar vertigem! Nesta cena de felicidade, podemos ouvir os pássaros cantando no jardim, numa doce tarde de verão, em brincadeiras com amigos na água, nas merecidas férias depois de um ano inteiro de siso e responsabilidades, de encargos, de seriedades, no melancólico ponto de se retornar das férias para os afazeres da Vida cotidiana, com as águas de março fechando o verão, na capacidade de se observar o Mundo assim, com as estações indo e vindo, nos ritmos da Natureza, em cidades tão paradoxais como Nova York, num tórrido verão para um gélido inverno. O menininho aqui é bem loirinho, como um Menino Jesus, na imagem poderosa de um presépio, em doces lembranças minhas de infância, quando eu montava, na lareira de minha casa, um presépio, com vaquinhas, ovelhas e tudo, como o chão de serragem verde, e um espelhinho como um lago para os patinhos, na delícia de se decorar para o fim de ano, na época gloriosa de férias em que a criança ganha o brinquedo com o qual sonhou o ano inteiro, numa recompensa pelo bom comportamento, como numa progressão de pena, com tudo se reduzindo a bom comportamento, nas regras da Vida em Sociedade – comporte-se! Aqui é o reencontro com a mãe no Plano Superior, como no filme espírita Nosso Lar, com o protagonista se reencontrando com a mãe, na imortalidade dos vínculos de Amor, no Amor Incondicional, leve, eterno, sem cobranças, na sabedoria de que, em amizade, não pode haver cobranças. As crianças crescem rápido, e, quando vemos, somos pais de aborrecentes, com cada fase da Vida com suas vicissitudes, na idade em que somos escravos de nossa própria libido, nas palavras de diva Elke Maravilha, dizendo que, com o passar do tempo, a pessoa vai sentindo cada vez menos desejo sexual, numa libertação. Aqui a mãe vislumbra o destino do filho, com uma criancinha que ainda não faz ideia das seriedades da Vida.
Acima, Autorretrato. Aqui são pinceladas furiosas, na formidável transgressão impressionista, em sopros de renovação, como na Europa Renascentista querendo descobrir as Américas, nesta fome humana por conhecimento, mandando sondas para explorar o sistema solar. Aqui é como uma ventania, como numa vida entrando em crise, descobrindo, depois, um novo momento, na sabedoria de que as crises são positivas, pois assinalam um momento de renovação na vida da pessoa, nos aprendizados inevitáveis da Vida, no modo como ninguém está no Mundo a passeio, encarando uma bateria de lições, como numa certa canção de Alanis Morissette, dizendo que aprendemos a cada momento na Vida, como no livro de Gisele, o Aprendizados, um livro que acabou fondo, sinto em dizer, no discernimento: Como modelo, Gisele é de um brilho monstruoso, avassalador, esmagador; já, como atriz, nem tanto, fracassando no filme fraquinho Táxi. É como Madonna: como bicho pop, um monstro; como atriz, completamente ignorada. Aqui é como um rabisco afoito, num dia de ventanias, como na sensação de se colocar o Anel do Poder de Tolkien, num ambiente tenebroso, de ventos furiosos e cruéis, na infelicidade do sociopata, uma pessoa que não tem como entender e limpeza e a paz de Tao, o caminho que nos une, como numa espécie de Internet cósmica, ligando a todos, na figura sexy da canção Smooth Operator da deusa Sade, num sensual operador telefônico, ou como na famosa época em que um aeroporto de São Paulo tinha uma voz feminina muito sexy anunciando os voos no altofalante, numa leveza, numa entrega, num ambiente uterino de prazer, quieto, quentinho, no trauma de se vir ao Mundo, num choque, encarando a frieza, na ruptura de se cortar o cordão umbilical, como na personagem Rachel no seriadão Friends, cortando seus próprios cartões de crédito para sair debaixo da asa do pai, sendo estimulada a fazer isto pelos amigos, dizendo a Rachel: “Bem vinda ao mundo real. É uma merda – você vai amar!”, com o perdão do termo chulo. É como um adulto farto de ser criança, numa espécie de libertação. Realmente, Cassatt é um talento, com a luz batendo suavemente no rosto dela, remetendo a grandes monstros de talento como Paulo Cézanne, na ironia impressionista de que, de perto, o quadro é um monte de borrões; de longe, uma figura perfeitamente vislumbrável. Cassatt está aqui garbosa, arrumada, como pronta para um pomposo evento social, como ir a um elegante café, no modo como Paris penetrou no “sangue” de Cassatt, na cidade centro do Mundo Civilizado, alvo de ambições de turistas ao redor do Mundo em visitar tal urbe vibrante, num Louvre o qual, de tão rico e vasto, exige que passemos, pelo menos, uma semana inteira ali dentro, numa injeção intravenosa de Arte, no modo como saí “bombardeado” do Met de Nova York, na riqueza dos EUA, com seu estonteante complexo turístico na cidade de Orlando, num FHC lamentando: “O Brasil é muito pobre!”. É como na exigência de um visto turístico, incômodo para um cidadão brasileiro que quer visitar os EUA, tendo que, ainda por cima, gastar um bom dinheiro para obter tal visto: “Por favor, me dê um vistozinho! Eu prometo que vou me comportar!”. A Cassatt aqui é jovem, ousada e sofisticada, como num jovem com um corte de cabelo ousado, jovial, no modo como precisamos ver mais transgressão e jovialidade no red carpet, remetendo aos impactos estilísticos dessa grande artista que é Lady Gaga, ousada, corajosa, cheia de verve e frescor, deixando-nos perplexos com tal ousadia, no papel do artista em abrir os olhos das pessoas, no poder libertador da Arte, tocando nossa inteligência emocional, humana, como na sensibilidade do juiz que deu à esposa de Cássia Eller a guarda do filho desta, ou como no cativante filmão ET, na sensibilidade se impondo sobre a crueldade e a frieza no carismático personagem alienígena, num filme que tanta comoção causou, em grandes mestres como Spielberg, arrastando multidões para o blockbuster Parque dos Dinossauros, na função da Arte em nos deixar perplexos.
Acima, Banho da criança. O banho é a responsabilidade de uma mãe, como uma certa senhora, com dois filhos, a qual disse que, no primeiro banho do primeiro filho, esta senhora se sentiu muito insegura, mas que o primeiro banho do segundo filho foi mais gostoso e tranquilo, numa questão de calejamento, por assim dizer. O banho é o ritual de purificação e renovação, como num espírito desencarnado que vai ao Umbral, sendo lá socorrido por um espírito irmão amigo, sendo aquele levado a um banheiro muito bonito e ensolarado, para tomar um banho e deixar para trás as indesejadas impurezas do Umbral, a dimensão da improdutividade e da sujeira, do desnecessário, que foge de Tao, que é limpo e minimalista, impecável, como num homem viril, sem frescuras, na simplicidade de um homem rei, tomando o café comum tomado pelos próprios súditos, um rei simples, que não deixa subir à cabeça os luxos e confortos do palácio que habita. Aqui é como o córrego gélido e purificador que dá acesso a uma floresta mágica de Tolkien, uma água amarga e incômoda, fria, mas que purifica, como uma pessoa voltando do submundo, num longo e doloroso processo de desintoxicação psíquica, num remédio amargo que surte doces efeitos, como no processo de se apagarem tatuagens, um processo o qual, no momento de desenrolar, não é prazeroso, mas demandoso. A jarra é o receptáculo feminino, o útero, o ovário, no óvulo princesa sendo cobiçado pela multidão dos espermatozoides comuns, no modo como Sexo e Sexualidade não deixam de ser engraçados, num adolescente que é refém de sua própria libido, masturbando-se loucamente, como passei certa vez na Rua por um adolescente, o qual dizia em voz alta: “Eu quero sexo!”. Podemos ouvir aqui o som reconfortante da água, num processo se desenrolando naturalmente, no inevitável processo de crescimento espiritual, o qual é o sentido da Vida, pois uma vida sem vicissitudes não teria sentido, visto que, sem estas, não teria crescimento, visto que ninguém está no Mundo por acaso ou a passeio, numa Vida que vai fazendo de nós pessoas melhores, como num espírito no Plano Superior, sentindo a necessidade de aprimoramento, encarando assim uma nova encarnação, como num jovem se matriculando numa faculdade, fazendo da Terra esta faculdade que tanto nos faz crescer. A zelosa mãe aqui ensina a menina e se banhar, num trabalho árduo de educação, como num professor esforçado, numa vida dura de trabalho docente, fazendo parte do crescimento dos jovens, como minha querida professora de pré escola Inês, fundamental para mim, fazendo-me recordar do discernimento que ela mostrou entre liso e áspero, na noção taoista de que liso e áspero são faces do mesmo trabalho, na disciplina do Yang com o prazer do Yin, um trabalho o qual, apesar de árduo, dá muito prazer, no modo como não existe trabalho que seja só prazer. A estampa do vestido da mãe é a elegância retilínea, em espíritos que aprendem por si a brilhar, pois o brilhar não é ensinado num livro ou faculdade, exigindo que a pessoa seja autodidata, aprendendo por si mesma a simplicidade, a qual é o mais elevado grau de sofisticação, segundo da Vinci, como uma singela e chic Jackie O. caminhando sozinha pelas ruas de Nova York, uma pessoa que, definitivamente, soube brilhar e vender-se muito bem, na mulher mais notória daquela nação, fazendo escola para inúmeras socialites pretensiosas como Paris Hilton, a qual, o que tem de rica, tem de desrespeitada, no modo como dinheiro traz tudo, menos o que importa, pois, aprendi, a Vida é boa quando é simples, e não precisamos ser donos de meio Mundo para sermos felizes. Aqui são os encargos de mãe, num trabalho duro, que exige muita paciência, numa mãe a qual, de vez em quando, precisa dar um “xixi” para ensinar alguma lição importante, como escovar os dentes ou comer de forma nutritiva. Aqui é um clic de momento de intimidade, como no faraó herege Aquenáton retratado beijando suas filhinhas, numa família de realeza que precisa ser simples para ser amada pelas famílias de não realeza.
Acima, Chá. Aqui é este hábito tão britânico, em consonância com o chimarrão gaúcho e argentino, como no astro Viggo Mortensen, o qual morou por uma época na Argentina, adquirindo, assim, o hábito do mate quente, dando, posteriormente, entrevistas tomando chimarrão, num ator que soube muito bem surfar na onda do personagem Aragorn, numa interpretação assombrosa, num divisor de águas na carreira do artista, membro da Academia de Hollywood. Aqui é um ambiente aristocrático e privilegiado, com pessoas com dinheiro para pagar pelo serviço de Cassatt, como deveriam ser caras as encomendas pedidas ao ícone Andy Warhol, num estilo tão próprio e inconfundível, na habilidade de certos artistas em fazerem escola, como uma certa popstar, tornando-se uma poderosa e inoxidável referência para quem deseja prosperar no Showbusiness. A prataria polida aqui brilha, na habilidade de uma pessoa em brilhar, conquistando um fã clube gigantesco, como no finada Whitney Houston, havendo, num famoso vídeo seu no Youtube, mais um bilhão de acessos – isto mesmo: com b de bola. O chá, com seu calor, traz acalento, principalmente para uma terra tão fria e úmida como a Inglaterra, numa Londres cujos cidadãos são pálidos, tal a carência de luz solar forte na urbe, fazendo o londrino sonhar com terras mais ensolaradas. Aqui temos uma disparidade, pois enquanto uma moça toma o chá, a outra já terminou de tomar, como numa corrida, numa competitividade, na necessidade da pessoa em desenvolver agressividade competitiva, no âmbito do Yang, do lado macho da Vida, como na figura umbandista do Capa Preta, o qual coita tanto homens quanto mulheres, no aspecto do administrar uma carreira, um trabalho, num foco e num objetivo, no trabalho em consultórios de Psicologia, no terapeuta nos cobrando tal foco, no certo preconceito social: Do homem é cobrado o sucesso e o êxito, pois o homem que não os obtém, sente-se um lixo; já, da mulher, não, sendo ok uma mulher querer ser uma anônima e inexpressiva dona de casa, mãe e esposa, como uma professora que tive na faculdade, a qual largou a carreira para ter uma vida tão inexpressiva, no modo como pode ser desinteressante uma mulher que somente cuida de uma casa. As moças aqui são comportadas, no modo como a sociedade tolhe a agressividade numa mulher, remetendo aos times de Futebol Feminino, moças que não aceitam esse tolhimento social, no caminho corajoso da feminista, que é pensar contra os poderosos ventos do patriarcado, como na mensagem feminista do filmão Thelma e Louise, ensinando a um assediador agressivo uma dura lição de respeito, no final arrebatador, na morte das protagonistas, mas num final em que a tela fica branca, numa mensagem de paz e vida. Aqui é um momento de prosa, quiçá fofoca, nesse gosto humano por improdutivas fofocas, como uma certa senhora, uma dondoca improdutiva que nenhuma merda faz de seus dias na Terra, com o perdão do termo chulo, uma dondoca a qual só resta ficar cuidando da vida de outrem, tal o nível raso de seriedade, numa senhora maliciosa, a qual com certeza já deve ter falado mal de mim – vá tomar no cu, perua, com o perdão do termo chulo. Realmente, as pinceladas de Cassatt são ardilosas, como podemos observar no reflexo da prataria, fazendo metáfora com a polidez de caráter, numa pessoa que sabe que grosso é fraco e que fino é forte, num discernimento que muita confusão pode trazer, como no sociopata, o qual, definitivamente, considera o Mal mais válido do que o Bem, como uma professora sociopata eu tive, a qual queria, de fato, aliciar os alunos para o Umbral, a dimensão do ódio – é um horror. Aqui são aspirantes a socialites, meninas improdutivas que embarcam na crença de que o trabalho não é necessário, numa Grace Kelly, abandonando uma carreira brilhante para ser uma dondoca improdutiva – é triste. A toalha rubra é o dolorido sangue de menstruação, numa época em que não havia remédio para cólicas – como é duro ser mulher!
Acima, Criança com chapéu. Há uma reprodução desta obra no apartamento de meus pais em Gramado. A criança está comedida e bem comportada, um tanto a contra gosto, numa criança um tanto triste, sentindo desde cedo as durezas da Vida, como um menor abandonado, que veio ao Mundo sem lenço nem documento, como um rapaz negro e paupérrimo que conheci, o qual cresceu num orfanato, encaminhado a uma instituição psiquiátrica porque tentara se suicidar, numa vida tão dura, num indivíduo que pode desenvolver uma carência afetiva enorme, como na campanha política de uma certa senhora, a qual, no vídeo, abraçava um menor de Rua, ou seja, aproveitando-se da carência afetiva do menino, tudo para uma conveniência da propaganda política, uma senhora a qual, de fato, não sentia muito amor pelo menino, no modo como um político pode fazer coisas não muito nobres, tudo em nome da ambição na urna eleitoral, remetendo a um certo senhor, um sociopata de marca maior, na capacidade do sociopata em seduzir, num senhor com uma aparência acima de qualquer suspeita, conquistando, assim, a confiança do povo – é um horror. Aqui remete a uma mãe enérgica e dura, numa cena que vi num parque temático na Flórida, EUA, na mãe dizendo, expressa e duramente, à criança ficar onde estava, dizendo austera: “Fique aí!”, no modo como um pai pode até ter pena do filho, mas, mesmo assim, ser duro e exigente, como disse certa vez uma mãe, dizendo que o coração nos manda sermos gentis como avós e avôs, mas na necessidade de impormos limites à criança, para esta não ficar achando que pode tudo, resultando, no oposto, em mães superprotetoras, que massageiam o ego do filho, como um homem que conheço, o qual teve uma mãe bem superprotetora, num rapaz que achava, na adolescência, que tornar-se-ia o maior popstar de todos os tempos, levando da Vida uma dura lição de humildade, não resultando em um popstar tão gigantesco assim, bem pelo contrário, levando uma vida bem anônima, no fato de que a arrogância precede a queda, meu irmão. O chapéu é a proteção do lar, da família, como foi feito certa vez um experimento, confinando crianças numa casa sem os pais, numa casa de liberdade total, na criança podendo fazer tudo o que desejasse, sem regra alguma, mas, depois de dois dias, as crianças começavam a chorar, querendo seus pais, seu lar, seu quarto, ou seja, no fundo, a criança gosta de receber limites, pois estes dão a sensação de invólucro, lar e proteção, como num pai austero, impondo a hora da criança ir para a cama e dormir, como uma senhora psicóloga que conheço, a qual impõe, no lar, regras rígidas, preparando a criança para a inevitável dureza do Mundo. Aqui o coração é triste, mas é por uma razão, ao contrário de uma certa pessoa sociopata, a qual me fez fazer sofrer sem motivo algum para tal, numa lembrança de infância que tenho, mesmo de um momento tão inicial de minha vida – vá fazer sofrer sua avó, seu sociopata! A cena aqui é de verão, com uma roupa de mangas curtas, nos doces verões de férias e veraneio, no momento de deixar de lado a sisudez das outras estações do ano, na sisudez de um dia nublado, nas delícias de cada estação do ano, como se meter debaixo de um cobertor, na capacidade do homem de Tao em observar as estações subindo e descendo, observando os ritmos da Natureza, esta força poderosa que nos liga a nossos corpos carnais, no momento glorioso do Desencarne, no qual nos desgrudamos de todo e qualquer problema relativo aos nossos corpos carnais, na simplicidade do desencarnado, vivendo uma vida simples, produtiva, na ironia de que, lá em cima, temos que nos manter ocupados e operantes, no modo como até mesmo Ele, Tao, está sempre produzindo, deixando-nos perplexos com tal perfeição, como num fã clube curtindo ardorosamente a opus de um artista, no poder do trabalho, o qual, segundo o respeitado DiCaprio, não pode faltar – qual a esperança para uma pessoa que nada faz? É um desperdício como Andrea Bocelli cantando Atirei o pau no gato. Aqui há uma imposição de disciplina, na criança sentindo tal peso e siso.
Acima, Criança com faixa rosa. Aqui é uma criancinha rica, em seu trono de mimos e privilégios, como em certas lojas luxuosas de roupas infantis, decoradas com pomposos lustres de cristal, no modo como o dinheiro traz tudo de bom, menos felicidade, no modo como pode ser tão dura e vazia a vida de uma pessoa rica e improdutiva, fazendo dos luxos mundanos meras cópias da plenitude dos desencarnados, felizes em sua saúde perfeita, desligados de todos os zelos mundanos em relação a saúde, fazendo com que na Terra tudo gire em torno de saúde, na dignidade do médico, a profissão tão nobre e respeitada, num senhor médico que se torna um partidão cobiçado por mulheres que queiram desposar tal homem digno. A menina aqui está alheia ao espectador e a Cassatt, meio sem paciência para posar, como em fotos de antigamente, nas quais se tinha que ficar estático por alguns segundos, algo impossível para uma criança inquieta, resultando em borrões na foto final. Aqui temos as pinceladas e riscos de vanguarda de Cassatt, como nos traços afoitos do mestre Basquiat, na libertação da Arte, em movimentos de inovação, no modo como a Fotografia libertou a Arte da função de alta fidelidade retratista, resultando na Arquitetura Modernista, em casas modernas as quais, apesar de terem sido construídas há um século, permanecem totalmente atuais e contemporâneas, nos traços simples da Brasília de Niemeyer, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como numa decoração clean, minimalista, nos traços minimalistas japoneses, resultando na bandeira nacional mais linda do Mundo, no Sol ardente nascente japonês cercado de alvas brumas, remetendo ao filmão O Império do Sol, num ótimo início de carreira ao atorzão Christian Bale, na história do menino que, na II Guerra Mundial, começa o filme menino e acaba homem, degustando todo o amargor e privação do dantesco conflito, nessa inclinação humana pelo ódio, como num insano Putin travando uma guerra desnecessária, e o Ser Humano é assim mesmo, um rei que nunca está feliz dentro de seu próprio reino, sempre querendo anexar os reinos vizinhos, num déspota disfarçado de líder democrático, uma grande piada, sinceramente, num ditador que decide quais filmes podem ou não ser exibidos na Rússia. A menina aqui está propriamente arrumada para a pose, como num comercial da marca de perfumaria Jequiti com Patricia Abravanel, com esta brincando com seus filhos pequenos, estando estes com roupas de festa, muito longe da criança brincando com roupas de dia a dia, sujando-se inevitavelmente, nas demandas de uma casa em manter as roupas limpas, no modo como uma vida de dona de casa pode ser uma prisão, numa mulher que se sente uma escrava, nos berros de uma certa senhora ao respectivo marido: “Eu me matando para manter esta casa limpa e organizada!”. Neste quadro temos muita ousadia, transgressão, ímpeto, como em artistas de ímpeto como Gaga, numa deliciosa transgressão estilística, chocante, formidável, no poder da criatividade, algo que o frio sociopata não compreende, desprezado a Arte, achando esta uma piada, quando na verdade é piada quem não tem um pingo de inteligência emocional, sendo insensível ao apelo artístico de pessoa fazendo contato com pessoa. A menininha aqui é saudável e gorducha, bem nutrida desde sempre, ao contrário de crianças paupérrimas subnutridas, com o crescimento prejudicado, como no cativante personagem Chaves, uma criança que veio ao mundo sem pai, mãe ou família, um menino sempre esfomeado, achando um luxo poder tomar café da manhã. A cinta aqui é o aperto disciplinador, como nas cintas das famosas meninas de Renoir no MASP, sendo Renoir outro monstro impressionista, no modo dos artistas em dialogar entre si, influenciando uns aos outros, como em homenagens, como Madonna homenageando Marilyn Monroe. A inocente criança aqui mal tem ideia do Mundo duro que enfrentará, numa fase da Vida em que esta é simples, restando apenas estudar e brincar, como no trenó Rosebud de Cidadão Kane.
Referências bibliográficas:
Mary Cassatt. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.
Mary Cassatt. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.











