quarta-feira, 19 de março de 2025

Cassatt é do cacete (Parte 1 de 6)

 

 

Americana impressionista, Mary Cassatt (1843 – 1926) morou por muito tempo em Paris, tendo como amigo e tutor o célebre pintor Edgar Degas. Testemunhou a Guerra de Secessão; brilhou numa época em que as Artes Plásticas eram de predomínio masculino; retratou momentos íntimos de mães e filhos. De início, a família de Mary não gostou quando esta disse que queria ser artista, com a família temendo que Cassatt mergulhasse numa vida desregrada e boêmia. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Reine Lefebre e Margot numa janela. Aqui é uma cena feliz, como num comercial de algum produto, como farinha láctea, na ilusão de que a Vida é desprovida de percalços, os quais dão sentido à Vida, como um surfista querendo ondas exigentes, desafiantes, pois a Vida não tem sentido se não crescemos no decorrer dela – é como num livro de palavras cruzadas, pois, quanto mais fácil, menos graça, num espírito olímpico, ou como um estudante no primeiro dia de aula, pedindo ao professor novos desafios. Realmente, as pinceladas impressionistas de Cassatt são impressionantes, num sopro de renovação, sepultando a arte clássica, na missão da Arte em trazer tais renovações, em cidades vibrantes como Paris, com sua alta costura, trazendo novidades, numa cidade que abriga o maior e mais deslumbrante museu de Arte do Mundo, fazendo de Paris, de certo modo, o centro do Mundo, no poder civilizatório da Arte, algo que nos diferencia dos macacos, os quais não sabem pegar uma caneta e escrever “olá”. Aqui remete a um retrato que tirei certa vez na Rua em Porto Alegre, de uma mulher mendiga com quatro ou cinco filhos juntos, ou como vi certa vez na Rua em Capão da Canoa, num adulto irresponsável, quiçá cruel e sociopata, o qual mandou uma criança pequena para a Rua para vender panos de prato, num espírito que escolheu reencarnar em tal contexto duríssimo, desumano, numa encarnação dolorosa que acaba por exercer no indivíduo um crescimento gigantesco, como criancinhas filhas de indígenas paupérrimos nas ruas de Caxias do Sul, jogados numa calçada e pedindo moedas – que horror. Aqui é como nos joguinhos de bonecas russas, com uma dentro da outra, indo da bisavó à bisneta, na sucessão monárquica, em pessoas em primeiro lugar numa linha de privilegiada sucessão, como no poderosíssimo trono britânico, num monarca reinando sobre um terço da Humanidade, uma vida que fazia tão infeliz Diana, a qual começou a encarar um marido indiferente, mandando este à merda, com o perdão do termo chulo, numa Diana que tinha uma relação de amor e ódio com a imprensa, numa Di que, por um lado, amava ser o bicho midiático que era, aparecendo nos televisores do Mundo inteiro; por outro lado, uma mulher que se sentia muito invadia e desrespeitada por tal imprensa, sem eu aqui querer desrespeitar a Família Imperial Britânica, a qual acumula uma dignidade representativa enorme, no paradoxo das famílias de realeza: Por um lado, algo belo, fino e onírico; por outro, algo obtuso, nos membros divididos entre varões e fêmeas, bloqueando qualquer tentativa de se escapar da heterossexualidade – é um horror. Aqui é uma família abastada, com condições de fazer encomendas a artistas incensados como Cassatt, como as menininhas de Renoir no MASP, obra do monstro Renoir, em artistas privilegiados, reconhecidos ainda em vida, como num Andy Warhol, recebendo um mar de encomendas, num estilo Pop Art tão inconfundível, nesse casamento formidável entre Arte e Mercado, Cultura de Massa. A mãe é recatada, com cabelos presos numa época em que era impensável a mulher vir a público sem os cabelos domados, numa questão de pudor mesmo, na formidável transgressão de Chanel, no corte de cabelo Chanel, libertando a mulher dos ranços patriarcais, na coragem da feminista em ir contra os poderosos ventos patriarcais, no modo como, sinto em dizer, as próprias mulheres são machistas, como uma certa mulher me disse: “Quero um marido que seja mais alto do que eu!”, ou como no filme A Letra Escarlate, no qual vem de uma mulher a ideia de punir moralmente outra mulher, nas palavras de Madonna: “Muitas mulheres gostariam que eu me calasse e fosse embora!”. Aqui é o encargo de responsabilidade de se terem filhos no Mundo, incutindo valores nobres na cabeça do infante – é um desafio.

 


Acima, Retrato de Madame Sisley. Altivez, como num altivo monarca numa moeda, no modo como as pessoas frequentemente confundem altivez com arrogância, como num apelo publicitário, exaltando um determinado produto, ao contrário do vaidoso, que exalta a si mesmo, perdendo tal linha divisória – quero ver meu labor exposto ao máximo; já, minha pessoa, não quero ver tão exposta assim. É como vi certa vez o escritor LF Veríssimo assediado num shopping em Porto Alegre, um homem tão pacato, tão discreto e, ainda assim, midiático, ou seja, quando o vejo na Rua, sei que é ele. É a sabedoria da discrição do camaleão, invisível para as presas, invisível para os predadores, remetendo à figura do robert, aquele que quer puramente aparecer, como uma certa socialite, a qual, o que tem de rica, tem de desrespeitada, no modo como o dinheiro traz tudo de conveniente, menos o que importa, que é paz e amor, havendo no Plano Superior tal paz inabalável, no lugar onde as pessoas não querem enganar umas às outras, ou seja, vaga pelo Umbral aquele que tem má fé, arrastando-se e sofrendo por tal inferno, num lugar escuro, sujo, fedorento – é um horror, como no insalubre banheiro do clássico Transpotting, sem qualquer salubridade ou limpeza. A madame aqui está meio cabisbaixa, nessa doença horrível que é a Depressão, na qual estamos tão desolados, tão prostrados perante à Vida, como uma senhora que conheço, a qual quis dar uma guinada na Vida, fazendo uma cirurgia plástico, reformando sua casa e construindo uma bela piscina, ou seja, queria encontrar a si mesma fora de si mesma, numa sensação de guinada inicial, mas uma sensação que durou pouco, nesta senhora percebendo que nada de fato mudara, ou seja, deprimiu-se, nessa doença que sequer nos dá prazer de se tomar um banho, numa doença chamada de “fantasma do meio dia”, num contexto psíquico em que tudo é amargo e ruim, escuro, pobre, péssimo, fazendo-nos evocar a esperança, num momento em que a pessoa tem que fazer um esforço ENORME para contornar tal vicissitude, no grande desafio da Vida, que é crescimento e superação, fazendo-nos pessoas mais forte e mais pés no chão, impedindo-nos de pensar em bobagens, na noção taoista: Quando estou farto de bobagens, estou bem, pois estou enjoado de estar enjoado, ou seja, estou bem, como no personagem Ernest na comédia A morte lhe cai bem, num homem contestando a frivolidade sem sentido da juventude eterna evocada no filme, no caminho espírita da mortificação, do desapego a ilusões auspiciosas, no lema espírita: Mortifique o espírito e não o corpo, condenando os que se automutilam, extirpando partes do corpo, não por doença ou câncer, mas por gosto, na ilusão de se achar que a Vida é perfeita para quem é homem ou para quem é mulher, o que é um equívoco, pois a dureza está nas vidas de cada um de nós, no caminho do aprimoramento espiritual – morremos melhor do que quando nascemos. Este quadro é um dos motivos de celebrarmos as pinceladas de Cassatt, na maravilhosa transgressão impressionista, superando a Arte Tradicional Acadêmica, em momentos de glória pop como um Michael Jackson encarnando um horrível lobisomem, abrindo mão da vaidade e desfigurando-se, no modo como a Academia de Hollywood adora atores que se desfiguram para um papel, na capacidade do bom ator em sumir perante o personagem, em interpretações assombrosas como a Thatcher de Streep. A pele alva aqui é a pureza de intenções, numa pessoa que quer o bem, amando as pessoas e seus amigos, resultando nesta coisa maravilhosa que é o Amor Incondicional, leve, desapegado, na perspectiva de que teremos a Eternidade para nos relacionarmos com tais entes, no caminho oposto ao amor obsessivo e doente, apegado, num desejo de controlar outrem, como um certo senhor, o qual desenvolveu um amor bem doente por uma pessoa, numa coisa esmagadora e terrível como a violenta pressão atmosférica na superfície de Vênus, algo que difere da fraternidade, em marido e mulher que, ao desencarnarem, tornam-se amigos lá em cima, e não mais um casal.

 


Acima, Retrato de menininha. Qualquer arte impressionista tem um certo aspecto de textura. Aqui temos uma reserva e um recato, numa menina comportadinha e triste, reservada, disciplinada, com o coração triste, mas sabendo que é a escolha mais racional, como certa vez ouvi de um espírita que havia uma pessoa que desencarnara muito agitada e fora de controle, tendo que reencarnar como filho único de um casal extremamente exigente em relação à disciplina, num espírito que sofreu assim uma mortificação enorme, apaziguando-se e desencarnando de forma mais tranquila, no modo como tudo na Vida tem um porquê, e nenhuma encarnação é em vão, ou seja, ninguém está na Terra a passeio. Aqui é uma menina que sabe que, se não se comportar, não receberá presente do Papai Noel, no modo como uma mãe pode assustar uma criança, dizendo a esta que, se não se comportar, será levada embora por uma cigana, no modo como o povo cigano sofre muito preconceito de discriminação, sendo malvistos pelo corpo social, no modo como deve haver respeito mútuo, num católico tradicional respeitando a cor do vestido de noiva cigana, que é vermelha, no modo como as diferenças culturais são superficiais, havendo a universalidade inabalável do Ser Humano, na universalidade da Arte, por exemplo, com postars com fãs ao redor do Mundo, nesses fenômenos de popularidade da cultura de massa, algo aliado à Indústria Cultural, no casamento formidável entre Arte e Mercado, no movimento poderoso da Pop Art, algo que desagradava Ariano Suassuna, o qual amava a Cultura Popular, a qual vem do povo e com este permanece, em manifestações culturais como o Carnaval, nascido dos tambores africanos da população negra pobre carioca, numa dança tão singular como o Samba, no carioca da gema apaixonado por tal manifestação, como na Festa da Uva de Caxias do Sul – cada cidadão caxiense se sente um pouco dono da Festa, na importância de herdarmos tais traços culturais, na magia da tradição, a qual tem que ser respeitada mesmo pelo mais rebelde. A menina aqui está arrumadinha, e tem que se comportar para Cassatt fazer o retrato, num caminho de paciência, como esperar numa fila de supermercado, num pai com paciência para com as peraltices do filho, no desafio de se criar uma criança, em pais se esforçando para não falar palavrões na frente do filho, o que é em vão, pois a criança, no frigir dos ovos, aprende direitinho os palavrões bem chulos. Aqui é a questão básica do bom comportamento, como numa progressão de pena num presidiário, entrando para os regimes aberto ou semiaberto, como vi certa vez um senhor com uma tornozeleira eletrônica na Rua, inclusive um bandido com uma aparência acima de qualquer suspeita, na sabedoria popular de que as aparências enganam. Aqui é uma criança que se esforça no colégio para tirar boas notas e orgulhar os professores, no modo como eu mesmo já fui professor por um curto período, e um aluno aplicado traz sentido à vida docente, como tive certa uma colega de Ensino Médio, a qual só tirava notão, talvez criada assim desde cedo pelos próprios pais, uma menina cujo objetivo era gabaritar todas as disciplinas, recebendo com um semblante seríssimo uma prova corrigida na qual tal menina não tinha tirado nota dez, talvez um espírito o qual, numa encarnação anterior, viveu ao sabor de vento, sem se centrar nem colocar os pés no chão, fazendo da vida uma irresponsável aventura, como um certo senhor, o qual, de certa forma, foge das responsabilidades de ter filhos no Mundo. A menina olha para o vazio, com a cabeça muito além do estúdio da pintora, no modo libertador do trabalho, do labor terapêutico no qual nossa cabeça viaja livre, no modo como o trabalho liberta, sendo infeliz a pessoa rica e improdutiva, mergulhando numa vidinha insossa e indolente, sem se centrar em algo de bom e positivo, no modo como a pessoa rica pode ser tão miserável. Aqui é a criança contando os minutos para a hora do intervalo na Escola, no merecido descanso, na noção bíblica de que até Ele descansou no Sétimo Dia.

 


Acima, Retrato de Cyrus J. Lawrence com seu neto R. Lawrence Oakley. Aqui é a imortalidade dos vínculos de família, havendo, após o Desencarne, o reencontro com nossos avós lá em cima, tornando finitas as brigas de família, como numa certa família, com brigas e brigas, ao ponto de uma pessoa sequer ligar para o próprio pai no aniversário deste, ou sequer se encontrando na noite de Natal, como uma certa senhora de Porto Alegre, a qual disse que sua família nunca se reúne, e a família é importante, pois nos dá aconchego e segurança, como uma certa família que conheci, uma família unida, que se relaciona, reunindo-se em datas especiais e fins de semana, fazendo brincadeiras e amigos secretos, remetendo aos Natais com meus avós maternos, na força de um patriarca em manter a família unida, como uma certa matriarca, mantendo a família unida. Neste quadro, é a passagem do tempo, com a tocha sendo passada de geração a geração, como na firma Veronese Indústria Química, fundada por meu bisavô Luiz Veronese no ano de 1911, uma empresa que segue de portas abertas, ainda sob o controle da família, nesta poesia de tradição, como num trono de monarca, na sucessão, no paradigma monárquico absolutista, no qual não se imaginava uma forma de governo como a Democracia, na Revolução Francesa que sepultou a monarquia naquele país, no contraste entre França e Inglaterra, sendo esta uma permanência da tradição milenar do trono inglês, no desafio do monarca recém entronado, tendo que obter o respeito não só de seus próprios súditos como também do Mundo em geral, como na sucessão do sistema televisivo SBT, com as filhas de Silvio Santos tomando o controle da firma, nas palavras de um príncipe num certo filmão: “Não somos uma família; somos uma firma!”, na sabedoria popular de que família é tudo igual, só mudando o endereço, nas brigas de família que sempre resultam em reconciliação. A senhora aqui é tradicional, discretíssima, sabendo do valor da discrição, numa pessoa discreta no modo de se vestir e no modo de falar, no modo como pode ser desinteressante uma pessoa indiscreta, como na figura do robert, o qual só quer aparecer, um homem que ninguém leva muito a sério, como na famosa socialite Paris Hilton, a qual, o que tem de rica, tem de desrespeitada, e respeito é tudo, meu irmão. O neto aqui é ainda muito infante, peralta, sem entender de fato a seriedade da sucessão de poder, numa criança que ainda não tem condições de entender o peso da responsabilidade, sem entender termos abstratos como “respeito”, na época simples da Vida, como em Cidadão Kane, com seu trenó de neve Rosebud, numa época em que a Vida era mais simples, num menino arrancado de tal paraíso infantil, morrendo e renegando todo o dinheiro e sucesso que obteve em vida, suspirando, no leito de morte, o nome do trenó, num momento de ruptura, em que a criança sente as durezas da Vida, como um amigo meu, o qual, na adolescência, tinha uma vida simples e feliz, estudando de manhã e namorando de tarde, e a Vida é boa quando é simples, na simplicidade de se sentar num gramado num parque e prosear com os amigos, remetendo à monstruosa estrela Gisele, a qual precisa se disfarçar para passear no Parcão em Porto Alegre, no modo como a Vida pode ser uma prisão, num popstar em Nova York, o qual não pode fazer em paz um piquenique no Central Park, não podendo desfrutar da cena cultural de tal urbe linda, sem poder ir a um museu ou ver um show na Broadway, no momento em que se perde a linha divisória entre obra e artista, como num trabalho de ator, exposto naturalmente, mas impossibilitado de passear em paz num shoppping – é o lado amargo da fama. A cadeira aqui é tal respaldo e proteção, protegendo o menino, numa avó deixando uma farta herança, no modo como pode ser uma ato canibalesco a hora de partilha de herança entre herdeiros, como uma pessoa que conheço, a qual esconde jogo dos próprios irmãos, no modo como a riqueza mundana pode ser infeliz. A senhora aqui cose, tecendo destinos, como nas costureiras em Moulin Rouge, tecendo o destino da personagem Satine e a morte trágica desta, num filme que tantas multidões cativou.

 


Acima, Tempo de verão. Aqui é a doçura da melhor estação, nos versos de uma certa canção soul: “O verão veio como canela – tão doce!”, em brincadeiras com os amigos na água, no mar, na piscina, na dureza de encerrar o veraneio e voltar para a sisudez da Vida, nos estudos ou trabalhos, nos versos da icônica canção da MPB Águas de Março: “São as águas de março, fechando o verão. E a promessa de Vida no teu coração”, numa sutil alusão ao gole militar em abril, numa época em que o artista tinha que ser muito sutil para não ser detectado por mentes obtusas, como no jogo inteligente de Chico Buarque entre “cálice” e “cale-se”, aludindo à censura e à repressão, e minha geração, que nasceu no fim do governo militar, não tem ideia de como foi tal época. Os patos passeiam placidamente, na beleza natural de algum lugar, como na bela ilha de Florianópolis, com suas praias sedutoras, remetendo a um certo senhor, o qual, ainda piazote, queria ser ratão de praia em Floripa, percebendo que o verão acabara, com praias cada vez mais ermas e frias, vendo-se numa deprimente praia deserta, na ilusão de que é possível fugir da Vida, como num morador de Rua, fugindo da luta, da lida, dormindo numa calçada dura e fria, absolutamente alheio a encarar a seriedade da Vida, nas sábias palavras da diva Dercy Gonçalves: “A Vida é luta!”. Aqui pode ser um doce momento de namoro, de flerte, numa época em que o sangue adolescente ferve de libido, como numa explosão primaveril de cio, como vi certa vez uma gata se contorcendo de libido em pleno cio, num animal numa mata querendo comida e sexo, como borboletas em flores, as quais estas nada mais são do que órgãos genitais, como um adolescente comprando sua primeira revista pornô, ou alugando sua primeira fita pornô, no modo como sexo e sexualidade não deixam de ser engraçados, num Ser Humano prisioneiro de tal impulsos, nas palavras da sexóloga Marta Suplicy: “A adolescência é uma época em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal!”, numa mulher que nos deixa perplexos com tal imponência, como uma fachada de um prédio em estilo neoclássico. Os chapéus aqui são a proteção e o zelo, o resguardo, remetendo a mães superprotetoras, as quais massageiam o ego do filho, como uma certa senhora, a qual massageava o ego do próprio filho, num menino que achava que tornar-se-ia o maior popstar de todos os tempos, fracassando de tal modo, tornando-se uma pessoa muito aquém de tais ambições, no modo como a Vida nos ensina duras lições de humildade, na sabedoria de que a arrogância precede a queda. A água aqui flui linda, nas talentosas pinceladas de Cassatt, na capacidade do impressionista em gerar tal efeito, e podemos ouvir aqui o delicioso barulho de água, como em praias que são cópias fiéis do Éden, como uma flor de plástico imitando fielmente uma flor natural, na seguinte metáfora: A vida dos ricos, na Terra, nada mais é do que uma cópia da plenitude do desencarnado, na glória dos desencarnados, os quais estão livres de todo e qualquer problema relacionado ao corpo físico – é a glória, meu irmão. As crianças aqui estão recatadas, incertas se tocam ou não a água, como uma pessoa que chupa pau, no fundo estar querendo chupar boceta, com o perdão dos termos chulos, numa pessoa que só toma vinho de mesa, sem se permitir tomar vinho fino, de rei, no modo como uma pessoa pode ter medo, como certos homens, os quais são, aparentemente, homens de enorme coragem, mas são, na verdade, cagões, como o perdão do termo chulo. Aqui é o desejo de tirar a roupa e nadar, na deliciosa sensação de se nadar nu no mar, na inocência da nudez, ao contrário da interferência de um papa numa capela do Vaticano, tapando todos os sexos em pinturas, na malícia da maçã, quando Adão sente vergonha de mostrar-se nu. Aqui é uma deliciosa ondulação, como no clássico Moby Dick, um livro o qual, em determinado momento, faz-nos sentir a ondulação, como se estivéssemos dentro da embarcação.

 


Acima, Toureiro. Ele é a coragem e a virilidade, na vitória do garbo humano sobre a selvageria do touro feroz. É a glória da chuva de rosas ao final da tourada, como um estelar gladiador no Coliseu, em grandes espetáculos públicos. Aqui remete ao primoroso videoclipe Take a Bow de Madonna, na moça bonita na primeira fila, frente ao macho toureiro, num trabalho arriscado, como vi certa vez numa revista e foto de um toureiro o qual, ao levar uma chifrada violenta, teve que usar um dreno na perna por causa do pus da ferida, num gesto de extrema dedicação ao labor, como na dedicação de uma Maria Callas, detonando sua própria voz para dar o máximo de si, no modo como as drogas devastaram a voz da diva pop Whitney Houston, no choque de se ouvir seu último álbum de estúdio, o I look to you, mal dando para crer que é um álbum de WH, tal a destruição na voz, numa cantora que conheceu o céu e o inferno, liderando um dos dez álbuns mais bem vendidos de toda a História da Indústria Fonográfica Mundial, num momento de êxtase e sucesso que levou a cantora, sob pressões, a lançar mão de drogas pesadas – é bem triste. Aqui é um jogo de sedução num momento de interação social, com as líderes de torcidas girando em torno do que importa, que é o jogo dos homens, no seguinte machismo: Em dias de jogos da seleção brasileira masculina de Futebol, o Brasil para; em dias de jogos da seleção brasileira feminina de Futebol, o Brasil NÃO para. Então surge uma figura transgressora de feminismo, com a coragem de ir contra os ventos do patriarcado, em elites intelectuais que pensam fora da ignorância, como no Mito da Caverna, como Neo de Matrix nos libertando e mostrando-nos que somos escravos de um sistema insano, sendo nós prisioneiros da Sociedade de Consumo: Tenho que acordar e trabalhar como um “burro de carga” para ter dinheiro e, assim, adquirir bens cobiçados de consumo, como tênis de grifes caras, cobiçados por ladrões da Rua, remetendo ao brutal assassinato de um certo rapaz em Poro Alegre, assassinado por um ladrão que queria o carro da vítima, no total desrespeito que o sociopata tem pela Vida, zombando desta. As vestimentas aqui são apuradas e glamorosas, em sonhos de estilistas, como no mestre Karl Lagerfeld, vestindo certa vez um traje de toureiro, num traje tão glamoroso, cheio de acabamentos de luxo, para pessoas para as quais as roupas são importantes, como em certos popstars, para os quais é capital escolher roupas legais na hora de vir a público. O astro do quadro é o toureiro, pois a moça está quase de costas para o espectador, no machismo que coloca a mulher girando em torno do homem, como numa mãe, esposa e dona de casa, girando em torno de um homem, do lar deste e das crianças deste, como na história de uma certa senhora, a qual abandonou uma carreira para ser dona de casa, como na trágica história de Grace Kelly, abandonando uma carreira brilhante para chupar um pau coroado, com o perdão do termo chulo, tornando-se um útero reprodutor a serviço de uma coroa. O pano rubro é a morte, o sangue, o sacrifício do animal, algo que pode enfurecer os ambientalistas e ecologistas, como me disse uma tia minha, a qual assistiu uma tourada, dizendo-me que pessoas muito sensíveis não podem ver touradas, pois dá dó de ver o bicho sendo tratado assim. A tourada é a repressão dos impulsos, na vitória da caneta sobre a espada. O toureiro aqui é jovem, inexperiente, como num astro do Esporte, uns baitas homens na quadra, mas rapazotes que muito têm ainda por vir, no modo como as responsabilidades podem surgir cedo na Vida, como num irmão mais velho ajudando a criar os irmãos mais novos, como espíritos que reencarnam num contexto sisudo, como uma moça que conheci certa vez, uma filha adotiva que ajudava os pais adotivos a criar uma filha biológica do casal, esta com Síndrome de Down, no modo como pode ser complicado criar uma criança com tal limitação psíquica. A flor da moça é a feminilidade, jogando-a ao toureiro. Aqui é o fascínio da Cultura Espanhola, um país que já foi o mais poderoso da Europa, com sua Invencível Armada, no modo como os poderes mundanos acendem e descendem.

 

 

Referências bibliográficas:

 

Mary Cassatt. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.

Mary Cassatt. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 mar. 2025.

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