quarta-feira, 28 de maio de 2025

MM de muito maravilhoso (Parte 5 de 5)

 

 

Falo pela última vez sobre o artista americano Marlon Mullen. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, sem título (1). As formas de Mullen são sempre sugestivas, no sentido de ver o que quiseres ver, como ver nuvens no céu. O céu aqui é azul e majestoso, com “nuvens de algodão”, no céu dos sonhadores, como em Hollywood, com tantos e tantos sonhos que se despedaçam todos os dias na Meca do Cinema, como na cidade de Gramado, a terra do fracasso, sendo muito comum em tal lugar o fracasso de empreendimentos, numa competitividade atroz, como num lance rápido no filmão O Advogado do Diabo, com lobos ferozes devorando uns aos outros, como vi certa vez num evento, com três ou quatro fotógrafos fazendo registros do acontecimento, com estes senhores simplesmente acotovelando-se ensandecidamente, no termo anticristão “Devorai-vos uns aos outros”, como nos vestibulares da UFRGS, concorridos, como em cursos como o de Medicina, num curso que tanta dedicação exige do aluno, nesse périplo que é se formar, com anos e anos de esforço, na gloriosa sensação de pegar o fálico canudo, em insanos versos em um discurso de Evita: “Deem-me uma lança e a fincarei no centro do Universo!”, no falo do Código de Hamurabi: Se você não quer acabar mal, seja obediente, como nas cruéis execuções de protestantes, queimados vivos em fogueiras, numa Mary Tudor tão cruel e brutal, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo coisas que Ele JAMAIS faria, no desumano lema humano: Quanto mais cruel, melhor. Ao redor deste céu lindo, vemos cinzentas nuvens, em dias fechados, antipáticos, por assim dizer, no siso de acordar e ir trabalhar, nas responsabilidades: Tenho que acordar e trabalhar para, assim, sustentar minha família, nas ordens furiosas da senhora minha mãe quando eu era pirralho: “Vá abrir a porta da garagem para teu pai,o qual estava trabalhando até agora para nos sustentar!”. É o peso da responsa, meu irmão, como um amigo meu, trabalhando de Sol a Sol para prover um nível muito bom de vida à família, ou como em pequenas responsabilidades como ter um bicho de estimação, comprando ração, um produto que não é baratíssimo, no modo como podemos nos apegar ao bicho, como certa vez eu chorei ao ver meu cãozinho cocker spaniel morrer, fazendo do cão tal símbolo de fidelidade e amizade, fazendo uma festa quando chegamos em casa. Neste céu lindo, uma mancha negra, nos versos de uma canção: “Tem um pontinho negro no Sol hoje”, e encarnação é isso, sempre com algo nos cobrando, como numa faculdade qualquer, na qual sempre haverá cadeiras das quais não gostaremos, como na minha faculdade, na cadeira de Estatística Mercadológica, pura Matemática, o horror de qualquer aluno de Publicidade e Propaganda, mas uma cadeira que acabou se revelando interessante, no mundo das estatísticas, as verificações empíricas como pesquisa de intenção de voto, numa amostra que nos dá uma noção do conjunto, em exemplos simples como cozinhar espaguete – um só fiozinho já é o suficiente para nos dizer se a massa está pronta. O pontinho preto é a responsabilidade, no modo de nunca podermos baixar totalmente a “guarda”, sempre tomando cuidados, como dirigir, na responsabilidade de levar muitos passageiros, como na sina do irmão mais velho, o qual, ao ter que ajudar a criar seus irmãos mais novos, adquire, assim, desde cedo, o senso de responsabilidade, como minha querida irmã mais velha, auxiliando a me criar, no sentido de se manter a ordem dentro de casa, como no peso de um diretor de escola, austero, duro por vezes, como uma certa senhora freira, dirigindo um certo colégio, extremamente dura, severa, quase amedrontadora, tendo que impor respeito aos rebeldes adolescentes e crianças, no modo como a paciência, por vezes, pode esgotar, num pai aos berros para manter o filho na linha, por vezes conferindo castigos e punições ao mau comportamento, como a senhora minha mãe certa vez, a qual me deixou de castigo por eu ter chamado um amigo meu de “putão e cagão”, com o perdão dos termos chulos. Mullen adora escrever em seus quadros, no casamento entre as Artes: Letras com Artes Plásticas, ou como no formidável casamento entre Cinema e Música. Vemos ínfimos pontinhos rosa pink, que é a candura feminina, no fascínio de uma mulher perfumada, doce, agradável, como na doce figura da gueixa.

 


Acima, sem título (2). A cara sorridente é o contentamento, no modo como podemos ser felizes com pouco, na recomendação taoista: Tenha o mínimo possível de coisas. É o sorriso e a alegria do palhaço, animando festas infantis, em grandes palhaços como Costinha, no dream team do televisivo A Escolinha do Professor Raimundo, dando emprego a artistas já aposentados, num esmagador sucesso de audiência, no modo como o Brasil foi privilegiado em ter aqui tal gênio como Chico Anysio, na construção de uma formidável galeria de personagens, numa excelência ao ponto de nenhum personagem ser parecido com outro, em personagens altamente distintos, no poder da mente criativa, nesta fertilidade mental que tanto seduz o sociopata, o qual quer sugar tal “sangue”, no caminho do amor incondicional: Tem um certa pessoa a qual é seguramente sociopata, ou seja, sem qualquer amor  no coração, mas uma pessoa que amo, pois é filho de meu Pai Divino, ou seja, é meu irmão, mas uma pessoa a qual tive que extirpar de minha vida, nunca mais, nesta encarnação, relacionando-me com ela, nas sábias palavras da senhora minha avó: “Nem que tu tenhas que dar ‘chega pra lá’ para alguém!”, na imortalidade dos vínculos de amor e família, com nossos entes nos vigiando lá de cima, mesmo sendo uma bisavó a qual não conhecemos na Terra, no modo como as pazes e a reconciliação são o caminho natural da Eternidade – os rancores não são eternos, visto que a paz é maior do que a raiva. Na base do quadro uma deliciosa piscina, nas brincadeiras com amigos em doces tardes de Verão, nas palavras de uma grande amiga minha: “Nós éramos felizes, e sabíamos!”, nos laços de amizade, havendo tal paz no Plano Superior, um lugar em que ninguém quer enganar outrem, no caminho fraternal do respeito, remetendo a um certo senhor, o qual me enganou, e eu gostaria de dizer a tal senhor: “A palavra de um homem vale mais do que dinheiro!”, um senhor que extirpou a si mesmo de minha vida, sem eu tendo que ter feito um só movimento para tal. Quase no centro do quadro, um mapa como na Faixa de Gaza, em zonas de conflito, na “beleza” das guerras, as quase causam rastros de fome e destruição, como um certo senhor deselegante, por vezes mentiroso, um homem obtuso, que conquistou seu eleitorado, como certa vez no Brasil, um sociopata de marca maior que foi eleito a um cargo poderoso, como pessoas de má fé, aproveitando-se da ignorância das pessoas, no modo como uma boa aparência ajuda na vida pública da pessoa, remetendo a certas senhoras da política, as quais não vão muito longe porque não se arrumam, crendo que, se arrumarem-se, serão tidas como peruas e não serão respeitadas, o que não é verdade, como nos cabelos impecavelmente tingidos de Simone Tebet. Este quadro é como na mágica revelação da cortina teatral se abrindo, mergulhando na mente do diretor, remetendo a uma grande atriz, a qual até hoje se caga para pisar num palco, com o perdão do termo chulo, o que é uma bobagem, pois é uma atriz de alto talento, respeitada: Qual é teu medo, mulher? É nas palavras sábias de Fernandona Montenegro: Um ator tem que explorar todos os meios de expressão cênica. A faixa em azul é o útero confortável, no conforto do lar, o lugar inequiparável, onde tudo é do nosso jeito, nos versos de O Mágico de Oz: “Não há lugar como o lar!”, no leão querendo ter coragem de rei, como numa paladina Elizabeth I, enfrentado a então chamada Invencível Armada da Espanha, dividindo em duas a História da Inglaterra, num talento enorme de estadista competente, visitando regularmente os colleges ingleses, instituições as quais, na época, eram exclusivas para homens – é um horror machista. Na parte direita do quadro, algo como um parafuso, numa incisão, em algo marcante como um entalhe, em artistas marcantes de estilo próprio, como num poderoso Andy Warhol, na felicidade de ser reconhecido ainda em vida, ao contrário de Van Gogh, falecendo arruinado e anônimo.

 


Acima, sem título (3). Aqui é como a obsolência de aparelhos como o tocafitas ou o VHS, na era analógica, algo incompreensível para as gerações mais novas, que nasceram nos anos 2000 e 2010, sendo estas gerações digitais, na obsolência das enciclopédias impressas e dos dicionários linguísticos, na era em que a luz solar direta danificava os velhos discos de vinil, remetendo a eras em que CD era algo chiquérrimo, no último grito de tecnologia, no diferencial de que no CD não havia o tradicional ruidozinho do LP. No topo do quadro, a palavra músculo, nessas pessoas para as quais a aparência física é muito importante, numa atividade que não exige muito da cabeça, num trabalho monótono e repetitivo, em algo vinculado a dor, sinto em dizer, nas palavras de um fisiculturista entrevistado por Fernando Gabeira: “Vida de fisiculturista é sofrimento!”, no termo “no pain, no gain”, ou seja, sem dor, sem ganho. É como no filme em que Barbra faz uma mulher que começou a malhar, enfrentando as dores inevitáveis de tal atividade. Neste quadro vemos um aparelho, como um aparelho de som, nas tecnologias humanas, na tentativa de Ser Humano em se igualar a Deus, construindo robôs que fazem metáfora com a plenitude espiritual, num ser desencarnado, que é só espírito, só mente, livre de todas as dores e paixões relacionadas ao corpo físico, o qual é sensível a luz e calor, algo inexistente no Plano Superior, no qual os dias são agradáveis e as noites são amenas, numa eterna Festa da Uva, na beleza da rainha regendo a colônia espiritual, na figura da veneranda espírita, amada e respeitada pelo povo, na capacidade do homem de Tao em conquistar tal respeito, num homem que é visto, amado e respeitado, no modo como ninguém, no fundo, respeita ou leva a sério o robert, o exibidinho, aquela pessoa que quer puramente aparecer midiaticamente, sem ter algo de substancioso para apresentar, no modo como as midiatizações e celebrizações são complicadas, numa pessoa como Michael Jackson, prisioneiro se sua própria ultrafama, não podendo sair em paz pela Rua nos quatro cantos do planeta, nas palavras de uma certa popstar: “Fama é prisão!”. No quadro vemos letras que expressam raiva, a raiva que é menor do que a paz, havendo tal paz inabalável no Plano Superior, onde tudo é feito sem pressa, sem os angustiantes prazos da atividade de publicitário, que é uma pessoa que perde o respeito por si mesma, entrando madrugada adentro da agência de Propaganda, faltando com o respeito para si mesmo, como um publicitário fracassado que conheci, um workaholic que não se dava ao respeito, o qual, certa vez, tocou dois dias seguidos de trabalho sem dormir ou descansar, e pode-se imaginar maior falta de desrespeito para consigo mesmo? Não somos seres humanos que precisam descansar numa cama? Respeito é para quem tem, meu irmão, e a primeira pessoa que devo amar é eu mesmo. Neste quadro é na era em que havia o suporte físico, o bem de consumo, no vinil, no CD, na fita VHS e no DVD, quando eu comprava ou alugava um produto, levando este para casa. Já, hoje em dia, é diferente, na era do download e do streaming, do software, pois se perdeu o suporte, o fetiche do palpável, do objeto, do bom de consumo, causando uma revolução industrial inevitável, com uma numerosa e substanciosa coleção de vinis e CDs que cabe inteirinha num pendrive, num puto pendrivezinho, com o perdão do termo chulo – é muito louco! O verde é a cor da ecologia, no Partido Verde, como no reflorestamento dedicado do falecido superfotógrafo Sebastião Salgado, resultando nas florestas de reflorestamento, num ponto em que temos que dar ouvido aos ecologistas: A Terra é nosso único lar, e o Ser Humano não tem para onde ir! É a revolução do lixo seletivo, quando nos damos conta do quanto produzimos de lixo, algo impensável para a geração de meus avós, com todos os tipos de lixo descartados da mesma forma, no tradicional senhor lixeiro pendurado na traseira do caminhão de coleta de lixo, usando grossas luvas para evitar eventuais cacos de vidro. Aqui é o barulhinho da fita VHS tocando no videocassete, numa era que foi a tecnologia VHS, trazendo-nos títulos os quais não necessariamente estrearam nos cinemas, num reduto de cinéfilos, como nos críticos do excelente portal Papo de Cinema.

 


Acima, sem título (4). Aqui remete a um jogo que vi recentemente no Programa Silvio Santos, com Patrícia Abravanel, em que as pessoas do auditório eram desafiadas a ler em voz alta a cor das palavras, mas com dificuldades, pois as palavras eram cores, como amarelo, azul ,etc., mas a cor das palavras era diferente da cor escrita, ou seja, dava um “nó” no cérebro, desafiando o participante, no modo como a mente pode nos pregar peças, como em travalínguas, como repetir várias vezes “casa suja, chão sujo”. O preto é a base sisuda destacando o que está em cores ou branco, no discernimento taoista: Quando digo que algo é liso, é porque conheço o oposto, que é áspero, pois ambos fazem parte do mesmo trabalho, combinando disciplina áspera com prazer liso, como num artista plástico dedicado, nas suntuosas e grandiosas instalações de Christo e Jeanne-Claude, deixando-nos perplexos com tal força de expressão, na capacidade do grande artista, que é nos deixar boquiabertos, como em filmes que arrastam multidões, como na excelência total da trilogia O Senhor dos Anéis, num diretor que deu o melhor do melhor de si, envolvendo uma multidão de pessoas trabalhando na película, fossem na pré produção, produção ou pós produção. O preto remete ao piche na beira da praia no paradisíaco balneário de Jurerê, SC, com o piche grudando na sola dos pés dos passantes banhistas, nos custos do progresso, como nos poluidores combustíveis fósseis, o segredo da riqueza dos países produtores no Oriente Médio, os quais morrem de medo da difusão dos combustíveis limpos, pois estes colocaria em xeque o cheque dos poderosos do petróleo, remetendo ao carismático Leonardo DiCaprio, ambientalmente engajado, partidário dos carros elétricos, no modo de celebridades em aderir a causas nobres, como recentemente na TV brasileira o ator Rodrigo Santoro doando seu cachê em nome da UNICEF, solicitando doações para sachês de nutrientes para crianças em situação de fome e miséria, combatendo a severa mortalidade infantil que acontece no Mundo, em espíritos corajosos, que topam reencarnar em tal situação de penúria e pobreza, de fome, de privação, de sofrimento, numa vida que serve para nos mortificar por dentro, fazendo com que não pensemos em fúteis bobagens, no caminho do crescimento e da depuração – a Vida vai fazendo de nós pessoas melhores, e uma encarnação na Terra nos causa um crescimento enorme, o qual é o sentido da Vida. Aqui, a alegria de confetes desafia o negror, como nos horrores escravocratas, com seres humanos sendo jogados em senzalas como cães em canis, brotando dos afrodescendentes uma cultura de resistência, em aspectos como os tambores, a capoeira, a feijoada etc., em novelas tão contundentes como Sinhá Moça, nos suntuosos vestidos de Lucélia Santos em contraste com os cruéis barões do café de São Paulo, na era das escravas negras domésticas, ajudando a amamentar os filhos ricos dos brancos dominantes, num café que é uma bebida tão universal e difundida, em grifes caras como a Starbucks, em produtos de excelência, como certa vez na rede mundial, na qual era servido um delicioso cappuccino mentolado, um produto que saiu, infelizmente, da esteira de produção da Starbucks, no modo como uma marca tem que passar por momentos de reinvenção, evitando, assim, o  esgotamento, na sabedoria popular de que tudo o que é demais, enjoa. Neste quadro é o casamento entre dever e prazer, na necessidade de nos mantermos ativos no Plano Superior, num lugar em que segue imperiosa a necessidade do dignificante labor, diferente da ideia sem sentido de anjinhos loiros tocando harpas de louvor – as aposentadorias não são eternas, e o espírito sente a necessidade de se aprimorar e trabalhar, ocupando-se de forma nobre, ao contrário dos que fazem do Sexo um leilão. Este preto é como os campos profundos do Cosmos para os quais os supertelescópios apontam suas lentes poderosas, na incapacidade humana de apreender tudo isso. Aqui é como um anúncio clean, sucinto, simples, numa pessoa que sabe que menos é mais.

 


Acima, sem título (5). O ovo é a expectativa, na vida que vem ao Mundo, no milagre da Vida, na magia de um ninho de Páscoa com ovos coloridos, num domingo tão mágico e doce, na brincadeira de esconder os ninhos para as crianças encontrarem, na zelosa senhora minha mãe, confeccionando os ninhos de chocolate, fazendo do ovo tal símbolo de fertilidade, como em certas culturas com a serpente como sinônimo de tal abundância, ao contrário do Cristianismo, colocando a serpente como algo malévolo e malicioso, expulsando Adão e Eva do Éden, na malícia de tapar os sexos, como em pinturas no Vaticano, com os sexos sendo tapados, longe da inocência uterina, na pureza da nudez infantil, como em chafarizes com menininhos urinando, no estado regido por um homem de Tao, dando fartura e prosperidade a um reino. No canto direito inferior temos listras como as cores nacionais do Brasil – verde e amarelo –, no modo como o patriotismo pode ser tão benéfico e inofensivo, ao contrário do chauvinismo, num patriotismo agressivo e insano, como uma certa senhora, a qual dizia que algo era maravilhoso só porque era brasileiro, e isso não é verdade, como num filme em que um senhor francês desdenhava de Lady Diana em nome de Renoir. Neste quadro, algo está prestes a estourar, numa catarse se formando, numa bolha inchando, até chegar ao ponto de saturação, na capacidade de certas pessoas em causar tais comoções, nos versos de uma canção de uma certa artista: “Eu vivi por algum tempo como uma narcisista, ouvindo os outros dizer ‘Olha para você! Olha para você!’, tentando eu ser tão provocante!”.  O marrom aqui é a cor da terra, da base, como certa vez num desfile de Moda, com o chão da passarela feito de terra, algo que deve ter dado dois trabalhos: Montar e desmontar. A terra é a simplicidade, no modo como a Vida é boa quando é simples, em simplicidades como servir uma travessa bem no meio de uma mesa com pessoas ao redor, no rei Sol provendo seus filhos planetas, na capacidade do homem de Tao, que é distribuir para seus filhos, nunca deixando algum deles desconsiderado, num homem que nunca se esquece de alguém, no caminho do amor incondicional, sem exigências ou cobranças, como um certo sociopata, o qual amo, pois é meu irmão, meu igual, filho de Deus, um sociopata que passará por diversas vidas e, em depuração, tornar-se-á um grande espírito de luz – é meu irmão, que veio do mesmo Útero Imaculado do qual vim, na dignidade do mito de Nossa Senhora, remetendo a um certo pastor altamente desrespeitoso e deselegante, chutando, na TV, uma imagem de Maria, um homem ínfimo, insignificante, parecendo uma criança de quatro anos de idade: “Eu gosto do Super Homem mas o fulano gosta do Homem Aranha!”. O céu branco aqui é a promessa de dias melhores, no glorioso dia de Desencarne, longe dos dúbios dias cinzentos na Terra, na cinzenta travessia existencial, cheia de percalços, os quais surgem para nos ajudar, no modo como as crises são positivas, pois assinalam um momento de renovação na vida da pessoa. Pelo menos em todas as obras de Mullen que analisei aqui no blog, há letras e palavras, numa espécie de marca registrada do artista, no poder da diversidade, na busca por uma marca, um estilo, um Tao, um charme, uma particularidade, no modo como, sinto em dizer, não existe pertinência em artistas que imitam outrem, pois uma coisa é fazer uma regravação e dar uma cara nova para uma velha canção; outra é trilhar caminhos que já foram trilhados, como eu gostaria de dizer: Você tem que ser inconfundível! O chão cinzento é o piso de realidade, numa base de referência, numa comparação, colocando algo ao lado de outro algo, no modo como o Yin traz um pouquinho de Yang e viceversa, no jogo de sedução que cria o Universo mágico e imenso, na ironia dialética em que tudo traz em si sua própria contradição, como num duo entre dois certos artistas, chamado Pouca Vogal, ou seja, muito Yang e pouco Yin, em homens viris, como ouvi de um certo homem bem viril: “Isso de fresco não é comigo!”.

 


Acima, sem título (6). Uma urbe tão vibrante como Nova York, com tanta vida e arte, em locais tão fabulosos e deslumbrantes como o Guggenheim, o qual, neste momento, abriga uma mostra da artista carioca Beatriz Milhazes, da qual já falei aqui no blog, só que as pessoas no Brasil se mostram tão blasés, mesmo sendo uma artista brasileira em tal momento de evidência profissional, obtendo visibilidade numa cidade tão fóda, com o perdão do termo chulo, pois eu inclusive já mandei tal sugestão de pauta a dois jornais diferentes, mas nunca obtive retorno – é uma pena. Aqui é na competitividade da célebre Times Square, com anúncios que buscam ser um mais lindo do que o outro, como árvores competindo por um lugar ao Sol, como na cadeia alimentar, em herbívoros submetidos aos carnívoros, com tudo, no fim das contas, rendendo-se às bactérias, na inevitável danação e decomposição; na inevitável morte do corpo carnal, o qual tem um prazo de validade, na sobrevivência da mente ao óbito carnal. Aqui é no final redentor do filmão Uma Secretária de Futuro, num take de diversas salas comerciais, com tantas e tantas histórias a serem contadas, falando de uma moça ambiciosa, cheia de talento e vontade de vencer, sendo enganada por sua patroa imoral e traidora, com o bem e a verdade triunfando no final, no modo taoista como toda canção termina em paz, num livro que foi escrito há tanto tempo, mas que permanece atual em pleno século XX, na era digital avassaladora, nas inevitáveis ondas e vogues, em tecnologias sendo sempre suplantadas por tecnologias melhores, na era do download e do streaming, onde tudo se reduz a software. Nestas janelas iluminadas de dentro, uma demanda insana por energia elétrica, remetendo aos dias de hoje, na consciência ecológica, sabendo que os recursos naturais não são infindáveis, como num recente comercial de TV, com a garota propaganda desligando as luzes dentro de casa, poupando, assim, energia. Aqui é como uma colcha de retalhos, aproveitando pedaços de tecidos, numa sabedoria de aproveitamento, no talento da mão de artista plástico, pegando objetos dissociados e, ao associá-los, produzindo algo novo, como na senhora minha avó Carmen, a qual amava costurar, tendo sempre seu quartinho de costura em casa, fazendo de suas mãos algo útil ao Mundo, no trabalho paciente de costureira, enfiando o fiozinho pela brecha breve da agulha, no poder terapêutico do trabalho, o qual mantém nossas mentes saudáveis, realistas, no infeliz caso de pessoas que se aposentam e nada mais fazem de seus dias na Terra, algo que não pode acontecer, pois só o trabalho dignifica. Aqui é como no romance brasileiro O Cortiço, com a comunidade acordando de manhã cedo e tomando o desjejum, na figura sedutora da mulata carioca, exótica, no fervor dos morros cariocas, dos quais nasce o Samba, este ritmo tão propriamente brasileiro, na riqueza da Cultura Popular Brasileira, a qual vem do povo e com este fica, como na Festa da Uva, a qual pertence ao povo caxiense, na eleição de uma rainha, fazendo metáfora com a veneranda do Plano Superior, a qual rege este, em cidades tão apolíneas e bem administradas, limpas, nas quais cada um vive sua vida com labor e produtividade, numa cidade com uma energia de trabalho. Aqui é como um condomínio cheio de unidades, com cada um vivendo sua vida, resultando em belicosas reuniões de condomínios, nas quais rolam desavenças e reclamações, no modo como é mais sábio não ir a tais reuniões, se você não quiser adquirir problemas ou estresse. Aqui é como uma esteira de produção industrial, em pujantes indústrias, na história que conheço de um certo industrial, o qual resolveu desafiar uma grande fabricante nacional, na história de Davi encarando Golias, num industrial que acabou fracassando, talvez lhe faltando mais ousadia e agressividade, como em comercias de TV nos quais a marca concorrente é amplamente desafiada, como na eterna guerra entre Pepsi e Coca Cola, num Mundo competitivo; agressivo.

 

Referências bibliográficas:

 

Marlon Mullen. Disponível em: <www.adamsandollman.com/Marlon-Mullen-1>. Acesso em: 23 abr. 2025.

Marlon Mullen. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 23 abr. 2025.

Projects: Marlon Mullen. Disponível em: <www.press.moma.org/exhibitions/projects-marlon-mullen/>. Acesso em: 23 abr. 2025.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

MM de muito maravilhoso (Parte 4 de 5)

 

 

Falo pela quarta vez sobre o artista americano Marlon Mullen. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, sem título (1). Na faixa temos uma interferência, como numa lacuna, como num intervalo mo meio do dia de colégio, na punição aos alunos mal comportados: Hoje você fica sem recreio! São as regras da vida em sociedade, remetendo a pobres diabos sofredores, infelizes ao ponto de vandalizar, como queimar latas de lixo na Rua, nas punições severas da sociedade, como já ouvi dizer que o Presídio Central de Porto Alegre é uma sucursal do Inferno, com cem por cento dos detentos com verminose, na prisão dentro da prisão: Estar encarnado já é uma prisão; ser preso é pior ainda, nas fracas leis brasileiras, como libertar sociopatas os quais JAMAIS se ressocializarão, como uma notória sociopata, cruel ao ponto de tramar o assassinato dos próprios pais, uma sociopata que se encontra livre, vivendo como pária, como no famoso caso de OJ Simpson, vivendo como pária após ser absolvido, no modo do sociopata em zombar da vida em sociedade, na loucura da pessoa se achar Deus, ou seja, um manipulador exímio que acha que é onipotente – não é insano? Esta faixa no quadro é como a faixa de Judô, num gradiente de hierarquia, partindo do branco iniciante até o mestre preto, na universalidade das lutas, das artes marciais, como em lutas em tribos amazônicas, na universalidade patriarcal em colocar que só homens podem lutar, resultando na figura feminista da narradora de Futebol, na figura folclórica da “mulher macho”, a mulher sem medo de lutar, como numa incisiva Thatcher, encarando a Argentina na Guerra das Malvinas, como mulheres árbitros de Futebol, dama de ferro, duras, blindadas, como no busto blindado da Mulher Maravilha, imune até a tiros de canhão, em ícones feministas, numa MM que, apesar de bela e formosa como uma boneca, tem superforça para dar uma surra em qualquer marmanjo mal intencionado, como no desenho animado das Meninas Superpoderosas, combinando beleza e candura femininas com superpoderes, dando uma surra em vilões, na questão da combinação entre Yin e Yang, ou seja, feminino e masculino: Quem é naturalmente Yin, tem que buscar seu próprio Yang; já, quem é naturalmente Yang, tem que partir em busca do próprio Yin. É como na feminista Madonna com seus famosos cones nos seios, combinando feminilidade com força. Esta faixa é como na grande comoção que a boyband portorriquenha Menudo causou, com os rapazes com faixas amarradas na cabeça, com tietes histéricas, enlouquecidas, na velha fórmula da boyband, encantando a menininha que ainda não é mulher, na construção de expectativa do príncipe encantando, do homem perfeito, maravilhoso, com o qual a mulher será feliz para sempre, como há pessoas que perdem tempo esperando pelo tal príncipe, como uma pessoa que conheço, perdendo tempo, esperando por tal sinal auspicioso, uma pessoa a qual está perdendo tempo, pois sua vida está passando, no modo como não podemos ficar no mimimi, lamentando por si mesmo, no modo como a Vida exige que sejamos fortes, muito fortes: Você pode estar farto de tudo isso, mas você será um homem, meu filho! Neste quadro temos algo escorrendo, num vazamento de informações, como no infame site Wikileaks, deixando um homem em mais lençóis, em péssimos lençóis, no modo como há pessoas que ficam se martirizando, dando “murros em ponta de faca”, como uma certa pessoa que foi presa e torturada pelo regime ditatorial militar brasileiro, uma pessoa que poderia ter evitado tudo isto, simplesmente ficando quieta no seu canto, na figura da pessoa que “cutuca o tigre com a vara curta”, pois, em tal época no Brasil, só adquiria problemas quem partia em busca de tais problemas – se eu tivesse vivido em tal época, eu me faria de morto, meu irmão! O preto aqui é uma indefinição, num limbo, como em horrorosas boates gays, como o chamado “dark room”, ou seja, o quarto escuro, um lugar de promiscuidade que traduz a escuridão dos submundos, os quais são ilusões e piadas, pois nossos pais nos colocaram no Mundo para o Mundo, e não para um submundo. Aqui é como uma deliciosa barra de chocolate, no gosto pecadinho capital da Gula, no modo como os pecados capitais são tão gostosos, como a Ira, a vingança, a volta por cima.

 


Acima, sem título (2). A cor laranja é uma refrescante explosão de cor e sabor, cítrico, como na delícia meteorológica do Plano Superior: Dias agradáveis e noites amenas, num lugar em que não mais estamos ligados aos nossos corpos carnais, os quais são sensíveis a frio e calor, numa terna Festa da Uva, no plano em que todos se amam e respeitam-se, num plano onde há inabalável paz, muita paz, longe das guerras da Terra, as quais nada mais fazem do que deixar rastros de fome e destruição, como eu, ainda pequenino, disse a meu avô Ibanez: “Guerras já têm demais no Mundo, vô!”. Aqui temos peças dissociadas, num quebra cabeça a ser decodificado, num trabalho de muita paciência e concentração, dando “dor de cabeça”, como nos mistérios revelados de um romance policial, em gênios como Christie, jogando-nos pistas falsas para nos confundir, num desafio à inteligência, sendo exceção os que desvendam o mistério antes do fim do livro, num jogo sedutor de sedução intelectual, no modo como as aparências podem enganar, num filme do gênio intelectual Woody Allen, falando com um casal lindo na Rua, com a mulher linda dizendo “Sou vazia e obtusa, e não falo nada de interessante!”, com o homem lindo dizendo “Eu sou como ela!”, como um certo homem totalmente musculoso, o qual tira a camisa para operar a bateria na banda na qual ele toca: Meu amigo, você não precisa operar pelado a batera, pois só ter músculos não quer dizer ter, assim, talento, pois não diz a sabedoria popular que beleza não põe à mesa? Na porção superior do quadro, uma figura como um sorriso, num contentamento, na dádiva que é a pessoa fazer o que gosta e gostar do que faz, no caminho do Amor, no discernimento taoista de que fácil e difícil são faces do mesmo trabalho: A parte áspera é a parte da disciplina, na qual tenho que sentar e produzir; já, a parte lisa é um trabalho que traz prazer, pois não existe trabalho que é só prazer, nas palavras humildes de Gisele a fãs num set de filmagem: “Desculpem, gente, mas tenho que trabalhar!”, e não tem os pés no chão a pessoa que sabe que não é um deus? Não segue, no Plano Superior, a necessidade de nos mantermos produtivos? Tao não é um laborador? Ao lado do sorriso vemos um formato de celular, de dispositivo, nos insanos avanços tecnológicos, deixando perplexa minha geração, que foi criança nos anos 1980, com os dezesseis densos tomos da Enciclopédia Barsa, e hoje, meu irmão, é tudo Internet, ficando “nua” a pessoa sem acesso à Internet, a qual marcará, definitivamente o século XXI, em avanços abismais, como no Google os dicionários linguísticos, não só da Língua Portuguesa, mas com todas as possibilidades: Inglês para Alemão, Espanhol para Japonês, Italiano para Francês etc. É muito louco! É a extrema dignidade do celular, uma ferramenta tão, mas tão útil, na democratização das tecnologias, no modo como, nos anos 1990, celular era chiquérrimo, significando status social, e era extremamente chic andar na Rua falando no celular, quando que, hoje em dia, qualquer pessoa tem seu dispositivo, remetendo a eras em que e-mail era considerado extra chic, sendo, hoje, algo tão banal. Neste quadro são como tatuagens, em pessoas que resolvem se tatuar “da cabeça aos pés”, remetendo à atriz Megan Fox, a qual passou pelo longo e doloroso processo de deletar as tatuagens, que faz metáfora com o voltar do submundo, num longo processo de desintoxicação, como largar de drogas pesadas como a Heroína, no modo como as drogas tanto sofrimento trazem, destruindo famílias, casamentos, carreiras etc., ou seja, destruindo vidas, como um certo senhor, o qual se perdeu nas drogas, sendo condenado a prisão perpétua, ou seja, condenado a apodrecer o resto de seus dias numa clínica psiquiátrica – é um horror. Na porção inferior do quadro vemos marcas vermelhas, como feridas, como uma desavença, no eterno talento humano pela guerra, com Caim matando Abel, nas trapalhadas humanas, tudo em nome do maldito Anel do Poder, corroendo até os corações mais nobres, no poder pelo poder, sem sabedoria.

 


Acima, sem título (3). A cor aqui é o formidável personagem da Pantera Cor de Rosa, na trilha sonora memorável de Mancini, num delicioso Jazz, no modo como a herança afro tanto definiu os EUA, com gêneros musicais como os Blues, primos do Jazz, no caldeirão de cultura popular em engloba o Rock e os Country, como na decisiva influência afro no Brasil, com os tambores que vieram dos negros pobres cariocas, na evolução de se ter injúria racial como crime federal, resultando no feriado de Consciência Negra, remetendo a uma senhora racista que conheci, arrogante, presunçosa, desdenhando de pessoas de cor marrom, como num Hitler se negando a aplaudir um atleta negro, no modo como o racismo pode estar arraigado na sociedade, como um certo senhor, o qual se negou a beber de uma caneca na qual bebera uma pessoa negra, remetendo a um certo país, cujo nome não mencionarei, um país racista, com pessoas negras sendo totalmente malvistas em tal país, numa insanidade, pois somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, sem exceção, fazendo das miscigenação algo tão belo e interessante, em combinações lindas como negro com japonês, remetendo aos EUA, um país no qual, via de regra, branco tem filho com branca e negro tem filho com negra, ao contrário do Brasil, um país de pardos e mulatos. As letras correm soltas aqui, ao sabor do vento, numa deliciosa sensação de liberdade, como estar na beira da praia, na simplicidade de andar de pés descalços, em algo simples como a nudez, no prazer de se nadar nu no mar, no inocente conforto uterino, num lugar prazeroso, quieto, quentinho, no trauma que é vir ao Mundo, num choque térmico, no choro inicial do bebê, na ironia da qual ouvi falar: Quando nascemos, nós choramos e o Mundo ri; quando morremos, nós rimos e o Mundo chora! O pink aqui é a cor da feminilidade, como ontem vi o filme Legalmente Loira, na menina linda de Beverly Hills, remetendo ao perfume Bubble Gum, ou seja, Bolha de Chiclete, em coisas agradáveis e femininas, doces, tuttifrutti, numa certa canção roqueira: “Lábios como açúcar! Beijos de açúcar!”, no fascínio que o feminino exerce sobre o masculino, num jogo de sedução, quando o indivíduo deixa de ser criança e abraça algo chamado vida social, no ambiente em que os sexos se atraem, a salvo em casso de homossexualidade, é  claro, como no livro Sexo para Adolescentes, de Marta Suplicy, no qual a autora simplesmente não interpela o adolescente gay que está lendo o livro. Aqui é como no interior de um filé de gado bem preparado, mole e rosa no centro, no modo como comida boa é comida simples bem feita, como um arroz com feijão ou um purê de batata, no modo como a Vida é boa quando é simples, como estender uma toalha sobre um gramado num parque num domingo e prosear com amigos, tomando um chimarrão, no caso dos gaúchos, no modo como as prefeituras municipais sabem que não podem deixar desassistidos tais espaços públicos, na obrigação de um prefeito em mostrar trabalho, principalmente em anos de reeleição, remetendo a Eduardo Leite, o qual cometeu a façanha de ser o primeiro governador gaúcho da História a se reeleger, talvez recebendo respaldo decisivo do eleitorado feminino, o qual ama Leite. Esta candura cromática é no universo das menininhas com seus quartos decorados com bonecas e bichos de pelúcia, num ambiente feminino como um salão de beleza, em atos de autoestima, fazendo do se cuidar algo que vai além de tudo: sexo, classe social, raça, cor, religião etc., pois a primeira pessoa que devo amar é eu mesmo. Aqui é como na capa de um caderno colegial de menina, nos entrosamentos e amizades sendo feitas no colégio, em questões de afinidades, no modo como há crianças com algum problema psiquiátrico, atrapalhando na socialização na escola, como o próprio Marlon Mullen do qual falo aqui, um autista que encontrou uma ligação com o Mundo que o cerca, fazendo da Arte tal meio de ligação, numa importante questão de Saúde Mental, no modo como o Homo sapiens, desde muito cedo, passou a fazer Arte, como em simples peças de cerâmica pintada, ou na confecção de suntuosos cocares de indígenas.

 


Acima, sem título (4). Um baile de carnaval, no momento de interação social, com a libido em alta, num breve momento de euforia e desligamento, chegando a sisudez da quarta feira de cinzas, quando a Vida volta em toda a sua seriedade, pois festas não marcam época; trabalhos marcam época. É como na figura da socialite, uma pessoa que ninguém leva muito a sério, como Narcisa e Paris Hilton – o que têm de ricas, têm de desrespeitadas, no modo como dinheiro não traz dignidade nem felicidade, apesar de parecer tão afortunado um vencedor da loteria. No topo do quadro vemos um coco com seus olhos, numa casca tão dura, na dureza da Vida, no modo como liso e áspero são faces do mesmo trabalho: o áspero é a disciplina, a sisudez; o liso é o prazer que o trabalho traz a quem o faz. O azul é a cor do sonho, do Plano Superior, nos versos de uma certa canção: “Eu descobri que é a azul a cor da parede da casa de Deus!”. O coco é a dureza, numa pessoa esbarrando em percalços, os quais, ironicamente, surgem para ajudar, apesar de parecer o contrário, no fato de que as crises são positivas, pois assinalam um momento de renovação na vida da pessoa em crise, ao contrário de um certo senhor, o qual está há quase vinte anos numa crise infindável, como num lutador frustrado, atirado nas cordas do ringue da Vida, nas palavras de uma palestra de uma médium espírita: “Deus não quer nos ver atirados nas cordas; Deus quer nos ver lutando!”, como no tesão do surfista em pegar onda, prostrado frente a um mar sem ondas, sem desafios. Na porção esquerda do quadro, um balão sorridente, leve, solto, na glória do Desencarne, no momento em que o presidiário sai da prisão, ao contrário do sociopata, o qual se identifica com a matéria, com o físico, com o mundano, um prisioneiro que não quer sair da prisão, no caminho da loucura, na noção espírita de que matéria é nada e pensamento é tudo, na seriedade da Vida, na seriedade do labor e da produtividade – alguns fazem algo de nobre de seus dias na Terra; outros, nem tanto, como as pessoas que se prostituem, sem eu aqui querer ser moralista, mas é que a pessoa que se prostitui nada constrói e a lugar nenhum chega, fazendo do Sexo um leilão, arrependendo-se de tal vida quando desencarna, num espírito que se equivocou, como no filme Uma Linda Mulher, no amor que vence a vulgaridade, num amor que brota de uma relação na qual, inicialmente, sexo era tudo, no momento de entrega existencial, quando abrimos nossas tristezas e frustrações, na virtude vencendo a vulgaridade, num momento de tal entrega, de tal rendição, no momento mágico em que abrimos nossa alma para uma pessoa especial, num momento mágico, o qual o dinheiro e o mundano não podem comprar. Na porção inferior do quadro, vemos uma bola de boliche, no modo como tal esporte é divertido, na universalidade dos esportes, nos jogos olímpicos, reunindo pessoas de todos os cantos do Mundo, na inevitável competitividade da Vida em Sociedade, quando, na Escola, as crianças competem para ver qual delas é a mais aplicada, na figura do queridinho do professor, na experiência complicada que é repetir de ano no colégio, uma experiência pela qual já passei, ou quando subestimei a importância de me formar na faculdade, largando o curso no meio, emperrando, não fechando o ciclo, mas no modo como, depois, dei-me conta de tal burrada e reentrei na faculdade para, assim, formar-me e fechar o ciclo, no modo como são tristes as histórias de via de pessoas que subestimaram a importância de fechar o ciclo, como numa transa sem orgasmo. No canto inferior direito, uma forma feminina, com seios, cintura e ancas, na figura opressora do espartilho, oprimindo a mulher, no costume patriarcal de tolher a sexualidade feminina, na figura da santinha, na figura da mulher à qual foi proibido ter sexualidade – é um horror. Neste quadro são como balões, numa gloriosa sensação de descarrego e alívio, como eu certa vez num evento em Porto Alegre, no qual apresentei-me musicalmente, tendo então um forte vômito catártico naquele momento, mandando tudo e todos à merda, com o perdão do termo chulo, saindo eu de lá livre, leve e solto, como uma gaivota à beiramar.

 


Acima, sem título (5). Temos uma divisão, como tomos de enciclopédia, como em um dia sendo levado com pausas, na noção taoista de que quando vemos algo que é feminino, é porque conhecemos o oposto, que é masculino, num jogo de discernimento, num contraste, o qual chama a atenção, como na obraprima de Botticelli, sua Primavera, com as figuras de divindade que se destacam em sua clareza exatamente porque são respaldadas por um fundo escuro, como na Noite de Pedro Américo, com a deusa de cabelos negros embasada por uma Lua reluzente, um quadro que reside no Rio de Janeiro, mas que foi brevemente emprestado ao MARGS, e tive a oportunidade de ver em pessoa tal majestosa obra, arrebatadora, pulsante, instigante, na beleza de lingerie negra, na sedução da marca Victoria’s Secret, seduzindo o homem que busca por mulher, no jogo de contraste em que tudo traz em si sua própria contradição, pois, na Vida, nada mais certo do que a Morte, nessas pessoas que, ao falecerem, viram o Mundo “de cabeça para baixo”, como na comoção da morte de Diana e de Elis Regina, vidas ceifadas tão precocemente, na flor da idade. Aqui neste quadro, a palavra “new”, ou seja, “nova ou novidade”, na capacidade do artista plástico em produzir coisas novas, associando coisas e fazendo coisas novas, numa vida produtiva, no curioso caso da artista Kusama, a qual optou por morar numa clínica psiquiátrica, o que é uma bobagem, pois, hoje em dia, com as medicações psiquiátricas, o esquizofrênico pode tomar remédio e ter uma vida normal no Mundo, nessas maravilhas da Ciência, no modo como somos todos privilegiados em viver na era das medicações psiquiátricas, ao contrário do filme Garota Interrompida, nos EUA dos anos 1960, no caso da personagem de Angelina Jolie, uma psicótica que estava havia anos numa clínica, inclusive um papel que deu um Oscar a Jolie, esses deuses sacrossantos de Hollywood, a cidade que é a prova de que ninguém está por cima o tempo todo, nos altos e baixos da Vida, no infame “prêmio” Framboesa de Ouro, escolhendo os piores do ano, no caso de Tom Hanks, o qual, depois de ganhar dois Oscars consecutivos, figurou recentemente na Framboesa de Ouro, como em qualquer curso universitário, no qual sempre haverá cadeiras das quais não gostamos muito, nas palavras de uma grande amiga minha psicóloga: “Sempre vai ter algo de que você não vai gostar!”, nessas amizades eternas, no reencontro glorioso no Plano Superior, numa amiga cética, sem muita fé na sobrevivência da mente frente à morte do corpo físico, numa perguntinha que farei a tal amiga lá em cima: Viu como há vida depois da morte? É na noção taoista: se o seu corpo físico morrer, não tem problema! Aqui temos pinceladas enigmáticas, como signos de feitiçaria em povos neolíticos, na universalidade da espiritualidade humana, no decisivo momento em que deixamos de ser animais para fazer algo decisivo na civilização, que é a Letra e a Arte, algo que definitivamente nos diferencia de todos os outros animais – os macacos não cantam, não dançam, não pintam, não fazem filmes etc. Remetendo aqui à situação de penúria dos cineastas argentinos, no corte total do presidente Milei aos cineastas daquele país, numa medida extremamente impopular, é claro, mas num Milei que não teve escolha, numa Argentina que mergulha hoje numa crise sem fim, no famoso discurso de posse: “Não tem dinheiro!”. Aqui temos uma festa de diversidade, nas diferenças que têm que ser respeitadas, na figura do arcoíris, numa alegria festiva, como em elegantes salões com lustres de cristal, na magia das cores, como na logomarca de uma certa edição da Festa da Uva de Caxias do Sul, com um cacho de uvas com cada uva de uma cor, celebrando a diversidade da Vida em Sociedade, ao contrário do governo ditatorial, o qual quer um padrão, uma escravatura, no indivíduo prisioneiro de um sistema opressor, como num Putin proibindo na Rússia a exibição da cinebiografia de Elton John.

 


Acima, sem título (6). A face negra nos olha, no horrível passado dos EUA nos quais negros e brancos não podiam ir ao mesmo banheiro público, como no famoso Apartheid, em países que respiram ecos da escravatura, logo num país como os EUA, que se diz o paladino baluarte democrático da igualdade e da liberdade, no manifesto social da telenovela Sinhá Moça, da Globo, com escravos sendo jogados numa senzala como cães num canil, na ironia do surgimento da feijoada, um prato tão típico e delicioso que nasceu das simples refeições de escravos, com restos de carne, dando assim tanto sabor ao prato, no modo como comida boa é comida simples, mas bem feita, como um feijão feito por quem sabe fazer. Aqui é o momento decisivo da eleição de Obama, numa família negra residindo na Casa Branca, resultando no feriado de Consciência Negra no Brasil, punindo os engraçadinhos que imitam macacos num estádio de futebol, na pura e fria ciência que nos diz que os negros são, sim, seres humanos, ora bolas, resultando nos protestos “Vidas negras importam”. O verde, na cor das folhas da Natureza, é a fertilidade da mente do artista, na criatividade, numa energia canalizada, investida em algo nobre, no inferno que é a vida de uma pessoa improdutiva, como pessoas ricas improdutivas, numa vida vazia e sem sentido, na metáfora de Matrix: Os programas que não têm um propósito são deletados. É a questão capital da dignidade, da serventia. Bem discreto, no pé do quadro, um crucifixo, na religiosidade, num símbolo de fracasso que é a cruz, num Jesus o qual, em vida, foi totalmente mal compreendido, executado oficialmente pelo Código Penal Romano, renascendo, depois, da fé dos cristãos, no impacto do Cristianismo sobre o Paganismo, na noção de que não há deuses, mas nossos irmãos depurados, perfeitos em apuro moral, havendo em Deus o enigma do infinito, no poder imensurável de que jamais findaremos, num poder tão descabido, em meio a tanto poder, como uma madeira nobre, que sobrevive a décadas de uso sem um único foco de cupins, na imortalidade dos vínculos de amor e amizade, no modo como os vínculos de família sobrevivem a Desencarne, fazendo das brigas de família algo passageiro, com as pazes sendo feitas finalmente, no Plano Superior, remetendo aos espíritos revoltados, como um espírito revoltado que conheço, revoltado desde a primeira infância. O formato da cabeça aqui é como o chapéu de toureiros, na gloriosa chuva de rosas ao fim da tourada, na vitória do garbo humano sobre a brutalidade do animal, no modo como já me disse uma tia já finada: Pessoas muito sensíveis não devem ver touradas, pois dá pena do pobre touro executado. Na porção inferior do quadro, uma luz acesa, como em aureolas de santos e anjos, na iluminação, no aspecto universal da iluminação, da clareza das ações, da vitória da luz sobre a sombra, como na intimidante Galadriel de Tolkien, a qual, apesar de clara e iluminada, é estranha, glacial, como uma aranha feita de cristal, muito longe das fadinhas infantis de Disney, na exigência que Tolkien fez em testamento: “Não vendam os direitos de minha obra para a Disney!”, pois, na concepção infantil, só há bem e mal; já, a obra sombria de Tolkien mostra como a alma humana pode ser corrompida pelo poder mundano. A luz aqui é como uma casa iluminada à noite, como numa lareira aconchegante, em aspectos simples, pois a Vida é boa quando é simples, e me ensinou certa pessoa: Podemos ser felizes com pouco! A verde aqui é como uma hera forte e envolvente, apoderando-se de tudo e todos, como em fortes raízes de árvores, deformando calçadas na Rua, na força da Natureza, na capacidade de certos artistas em se tornarem tais forças naturais, num astro de Cinema estourando numa tela como uma supernova poderosa, como tietes enlouquecidas vendo DiCaprio em O Homem da Máscara de Ferro, num ator impulsionado, então, pelo esmagador sucesso de Titanic, em carreiras vertiginosas, mas no fato de que ninguém é a nata o tempo todo, sinto em dizer. Aqui, a face nos olha como um vagalume, na capacidade da pessoa ter brilho próprio.

 

Referências bibliográficas:

 

Marlon Mullen. Disponível em: <www.adamsandollman.com/Marlon-Mullen-1>. Acesso em: 23 abr. 2025.

Marlon Mullen. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 23 abr. 2025.

Projects: Marlon Mullen. Disponível em: <www.press.moma.org/exhibitions/projects-marlon-mullen/>. Acesso em: 23 abr. 2025.