Falo pela última vez sobre o artista americano Marlon Mullen. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, sem título (1). As formas de Mullen são sempre sugestivas, no sentido de ver o que quiseres ver, como ver nuvens no céu. O céu aqui é azul e majestoso, com “nuvens de algodão”, no céu dos sonhadores, como em Hollywood, com tantos e tantos sonhos que se despedaçam todos os dias na Meca do Cinema, como na cidade de Gramado, a terra do fracasso, sendo muito comum em tal lugar o fracasso de empreendimentos, numa competitividade atroz, como num lance rápido no filmão O Advogado do Diabo, com lobos ferozes devorando uns aos outros, como vi certa vez num evento, com três ou quatro fotógrafos fazendo registros do acontecimento, com estes senhores simplesmente acotovelando-se ensandecidamente, no termo anticristão “Devorai-vos uns aos outros”, como nos vestibulares da UFRGS, concorridos, como em cursos como o de Medicina, num curso que tanta dedicação exige do aluno, nesse périplo que é se formar, com anos e anos de esforço, na gloriosa sensação de pegar o fálico canudo, em insanos versos em um discurso de Evita: “Deem-me uma lança e a fincarei no centro do Universo!”, no falo do Código de Hamurabi: Se você não quer acabar mal, seja obediente, como nas cruéis execuções de protestantes, queimados vivos em fogueiras, numa Mary Tudor tão cruel e brutal, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo coisas que Ele JAMAIS faria, no desumano lema humano: Quanto mais cruel, melhor. Ao redor deste céu lindo, vemos cinzentas nuvens, em dias fechados, antipáticos, por assim dizer, no siso de acordar e ir trabalhar, nas responsabilidades: Tenho que acordar e trabalhar para, assim, sustentar minha família, nas ordens furiosas da senhora minha mãe quando eu era pirralho: “Vá abrir a porta da garagem para teu pai,o qual estava trabalhando até agora para nos sustentar!”. É o peso da responsa, meu irmão, como um amigo meu, trabalhando de Sol a Sol para prover um nível muito bom de vida à família, ou como em pequenas responsabilidades como ter um bicho de estimação, comprando ração, um produto que não é baratíssimo, no modo como podemos nos apegar ao bicho, como certa vez eu chorei ao ver meu cãozinho cocker spaniel morrer, fazendo do cão tal símbolo de fidelidade e amizade, fazendo uma festa quando chegamos em casa. Neste céu lindo, uma mancha negra, nos versos de uma canção: “Tem um pontinho negro no Sol hoje”, e encarnação é isso, sempre com algo nos cobrando, como numa faculdade qualquer, na qual sempre haverá cadeiras das quais não gostaremos, como na minha faculdade, na cadeira de Estatística Mercadológica, pura Matemática, o horror de qualquer aluno de Publicidade e Propaganda, mas uma cadeira que acabou se revelando interessante, no mundo das estatísticas, as verificações empíricas como pesquisa de intenção de voto, numa amostra que nos dá uma noção do conjunto, em exemplos simples como cozinhar espaguete – um só fiozinho já é o suficiente para nos dizer se a massa está pronta. O pontinho preto é a responsabilidade, no modo de nunca podermos baixar totalmente a “guarda”, sempre tomando cuidados, como dirigir, na responsabilidade de levar muitos passageiros, como na sina do irmão mais velho, o qual, ao ter que ajudar a criar seus irmãos mais novos, adquire, assim, desde cedo, o senso de responsabilidade, como minha querida irmã mais velha, auxiliando a me criar, no sentido de se manter a ordem dentro de casa, como no peso de um diretor de escola, austero, duro por vezes, como uma certa senhora freira, dirigindo um certo colégio, extremamente dura, severa, quase amedrontadora, tendo que impor respeito aos rebeldes adolescentes e crianças, no modo como a paciência, por vezes, pode esgotar, num pai aos berros para manter o filho na linha, por vezes conferindo castigos e punições ao mau comportamento, como a senhora minha mãe certa vez, a qual me deixou de castigo por eu ter chamado um amigo meu de “putão e cagão”, com o perdão dos termos chulos. Mullen adora escrever em seus quadros, no casamento entre as Artes: Letras com Artes Plásticas, ou como no formidável casamento entre Cinema e Música. Vemos ínfimos pontinhos rosa pink, que é a candura feminina, no fascínio de uma mulher perfumada, doce, agradável, como na doce figura da gueixa.
Acima, sem título (2). A cara sorridente é o contentamento, no modo como podemos ser felizes com pouco, na recomendação taoista: Tenha o mínimo possível de coisas. É o sorriso e a alegria do palhaço, animando festas infantis, em grandes palhaços como Costinha, no dream team do televisivo A Escolinha do Professor Raimundo, dando emprego a artistas já aposentados, num esmagador sucesso de audiência, no modo como o Brasil foi privilegiado em ter aqui tal gênio como Chico Anysio, na construção de uma formidável galeria de personagens, numa excelência ao ponto de nenhum personagem ser parecido com outro, em personagens altamente distintos, no poder da mente criativa, nesta fertilidade mental que tanto seduz o sociopata, o qual quer sugar tal “sangue”, no caminho do amor incondicional: Tem um certa pessoa a qual é seguramente sociopata, ou seja, sem qualquer amor no coração, mas uma pessoa que amo, pois é filho de meu Pai Divino, ou seja, é meu irmão, mas uma pessoa a qual tive que extirpar de minha vida, nunca mais, nesta encarnação, relacionando-me com ela, nas sábias palavras da senhora minha avó: “Nem que tu tenhas que dar ‘chega pra lá’ para alguém!”, na imortalidade dos vínculos de amor e família, com nossos entes nos vigiando lá de cima, mesmo sendo uma bisavó a qual não conhecemos na Terra, no modo como as pazes e a reconciliação são o caminho natural da Eternidade – os rancores não são eternos, visto que a paz é maior do que a raiva. Na base do quadro uma deliciosa piscina, nas brincadeiras com amigos em doces tardes de Verão, nas palavras de uma grande amiga minha: “Nós éramos felizes, e sabíamos!”, nos laços de amizade, havendo tal paz no Plano Superior, um lugar em que ninguém quer enganar outrem, no caminho fraternal do respeito, remetendo a um certo senhor, o qual me enganou, e eu gostaria de dizer a tal senhor: “A palavra de um homem vale mais do que dinheiro!”, um senhor que extirpou a si mesmo de minha vida, sem eu tendo que ter feito um só movimento para tal. Quase no centro do quadro, um mapa como na Faixa de Gaza, em zonas de conflito, na “beleza” das guerras, as quase causam rastros de fome e destruição, como um certo senhor deselegante, por vezes mentiroso, um homem obtuso, que conquistou seu eleitorado, como certa vez no Brasil, um sociopata de marca maior que foi eleito a um cargo poderoso, como pessoas de má fé, aproveitando-se da ignorância das pessoas, no modo como uma boa aparência ajuda na vida pública da pessoa, remetendo a certas senhoras da política, as quais não vão muito longe porque não se arrumam, crendo que, se arrumarem-se, serão tidas como peruas e não serão respeitadas, o que não é verdade, como nos cabelos impecavelmente tingidos de Simone Tebet. Este quadro é como na mágica revelação da cortina teatral se abrindo, mergulhando na mente do diretor, remetendo a uma grande atriz, a qual até hoje se caga para pisar num palco, com o perdão do termo chulo, o que é uma bobagem, pois é uma atriz de alto talento, respeitada: Qual é teu medo, mulher? É nas palavras sábias de Fernandona Montenegro: Um ator tem que explorar todos os meios de expressão cênica. A faixa em azul é o útero confortável, no conforto do lar, o lugar inequiparável, onde tudo é do nosso jeito, nos versos de O Mágico de Oz: “Não há lugar como o lar!”, no leão querendo ter coragem de rei, como numa paladina Elizabeth I, enfrentado a então chamada Invencível Armada da Espanha, dividindo em duas a História da Inglaterra, num talento enorme de estadista competente, visitando regularmente os colleges ingleses, instituições as quais, na época, eram exclusivas para homens – é um horror machista. Na parte direita do quadro, algo como um parafuso, numa incisão, em algo marcante como um entalhe, em artistas marcantes de estilo próprio, como num poderoso Andy Warhol, na felicidade de ser reconhecido ainda em vida, ao contrário de Van Gogh, falecendo arruinado e anônimo.
Acima, sem título (3). Aqui é como a obsolência de aparelhos como o tocafitas ou o VHS, na era analógica, algo incompreensível para as gerações mais novas, que nasceram nos anos 2000 e 2010, sendo estas gerações digitais, na obsolência das enciclopédias impressas e dos dicionários linguísticos, na era em que a luz solar direta danificava os velhos discos de vinil, remetendo a eras em que CD era algo chiquérrimo, no último grito de tecnologia, no diferencial de que no CD não havia o tradicional ruidozinho do LP. No topo do quadro, a palavra músculo, nessas pessoas para as quais a aparência física é muito importante, numa atividade que não exige muito da cabeça, num trabalho monótono e repetitivo, em algo vinculado a dor, sinto em dizer, nas palavras de um fisiculturista entrevistado por Fernando Gabeira: “Vida de fisiculturista é sofrimento!”, no termo “no pain, no gain”, ou seja, sem dor, sem ganho. É como no filme em que Barbra faz uma mulher que começou a malhar, enfrentando as dores inevitáveis de tal atividade. Neste quadro vemos um aparelho, como um aparelho de som, nas tecnologias humanas, na tentativa de Ser Humano em se igualar a Deus, construindo robôs que fazem metáfora com a plenitude espiritual, num ser desencarnado, que é só espírito, só mente, livre de todas as dores e paixões relacionadas ao corpo físico, o qual é sensível a luz e calor, algo inexistente no Plano Superior, no qual os dias são agradáveis e as noites são amenas, numa eterna Festa da Uva, na beleza da rainha regendo a colônia espiritual, na figura da veneranda espírita, amada e respeitada pelo povo, na capacidade do homem de Tao em conquistar tal respeito, num homem que é visto, amado e respeitado, no modo como ninguém, no fundo, respeita ou leva a sério o robert, o exibidinho, aquela pessoa que quer puramente aparecer midiaticamente, sem ter algo de substancioso para apresentar, no modo como as midiatizações e celebrizações são complicadas, numa pessoa como Michael Jackson, prisioneiro se sua própria ultrafama, não podendo sair em paz pela Rua nos quatro cantos do planeta, nas palavras de uma certa popstar: “Fama é prisão!”. No quadro vemos letras que expressam raiva, a raiva que é menor do que a paz, havendo tal paz inabalável no Plano Superior, onde tudo é feito sem pressa, sem os angustiantes prazos da atividade de publicitário, que é uma pessoa que perde o respeito por si mesma, entrando madrugada adentro da agência de Propaganda, faltando com o respeito para si mesmo, como um publicitário fracassado que conheci, um workaholic que não se dava ao respeito, o qual, certa vez, tocou dois dias seguidos de trabalho sem dormir ou descansar, e pode-se imaginar maior falta de desrespeito para consigo mesmo? Não somos seres humanos que precisam descansar numa cama? Respeito é para quem tem, meu irmão, e a primeira pessoa que devo amar é eu mesmo. Neste quadro é na era em que havia o suporte físico, o bem de consumo, no vinil, no CD, na fita VHS e no DVD, quando eu comprava ou alugava um produto, levando este para casa. Já, hoje em dia, é diferente, na era do download e do streaming, do software, pois se perdeu o suporte, o fetiche do palpável, do objeto, do bom de consumo, causando uma revolução industrial inevitável, com uma numerosa e substanciosa coleção de vinis e CDs que cabe inteirinha num pendrive, num puto pendrivezinho, com o perdão do termo chulo – é muito louco! O verde é a cor da ecologia, no Partido Verde, como no reflorestamento dedicado do falecido superfotógrafo Sebastião Salgado, resultando nas florestas de reflorestamento, num ponto em que temos que dar ouvido aos ecologistas: A Terra é nosso único lar, e o Ser Humano não tem para onde ir! É a revolução do lixo seletivo, quando nos damos conta do quanto produzimos de lixo, algo impensável para a geração de meus avós, com todos os tipos de lixo descartados da mesma forma, no tradicional senhor lixeiro pendurado na traseira do caminhão de coleta de lixo, usando grossas luvas para evitar eventuais cacos de vidro. Aqui é o barulhinho da fita VHS tocando no videocassete, numa era que foi a tecnologia VHS, trazendo-nos títulos os quais não necessariamente estrearam nos cinemas, num reduto de cinéfilos, como nos críticos do excelente portal Papo de Cinema.
Acima, sem título (4). Aqui remete a um jogo que vi recentemente no Programa Silvio Santos, com Patrícia Abravanel, em que as pessoas do auditório eram desafiadas a ler em voz alta a cor das palavras, mas com dificuldades, pois as palavras eram cores, como amarelo, azul ,etc., mas a cor das palavras era diferente da cor escrita, ou seja, dava um “nó” no cérebro, desafiando o participante, no modo como a mente pode nos pregar peças, como em travalínguas, como repetir várias vezes “casa suja, chão sujo”. O preto é a base sisuda destacando o que está em cores ou branco, no discernimento taoista: Quando digo que algo é liso, é porque conheço o oposto, que é áspero, pois ambos fazem parte do mesmo trabalho, combinando disciplina áspera com prazer liso, como num artista plástico dedicado, nas suntuosas e grandiosas instalações de Christo e Jeanne-Claude, deixando-nos perplexos com tal força de expressão, na capacidade do grande artista, que é nos deixar boquiabertos, como em filmes que arrastam multidões, como na excelência total da trilogia O Senhor dos Anéis, num diretor que deu o melhor do melhor de si, envolvendo uma multidão de pessoas trabalhando na película, fossem na pré produção, produção ou pós produção. O preto remete ao piche na beira da praia no paradisíaco balneário de Jurerê, SC, com o piche grudando na sola dos pés dos passantes banhistas, nos custos do progresso, como nos poluidores combustíveis fósseis, o segredo da riqueza dos países produtores no Oriente Médio, os quais morrem de medo da difusão dos combustíveis limpos, pois estes colocaria em xeque o cheque dos poderosos do petróleo, remetendo ao carismático Leonardo DiCaprio, ambientalmente engajado, partidário dos carros elétricos, no modo de celebridades em aderir a causas nobres, como recentemente na TV brasileira o ator Rodrigo Santoro doando seu cachê em nome da UNICEF, solicitando doações para sachês de nutrientes para crianças em situação de fome e miséria, combatendo a severa mortalidade infantil que acontece no Mundo, em espíritos corajosos, que topam reencarnar em tal situação de penúria e pobreza, de fome, de privação, de sofrimento, numa vida que serve para nos mortificar por dentro, fazendo com que não pensemos em fúteis bobagens, no caminho do crescimento e da depuração – a Vida vai fazendo de nós pessoas melhores, e uma encarnação na Terra nos causa um crescimento enorme, o qual é o sentido da Vida. Aqui, a alegria de confetes desafia o negror, como nos horrores escravocratas, com seres humanos sendo jogados em senzalas como cães em canis, brotando dos afrodescendentes uma cultura de resistência, em aspectos como os tambores, a capoeira, a feijoada etc., em novelas tão contundentes como Sinhá Moça, nos suntuosos vestidos de Lucélia Santos em contraste com os cruéis barões do café de São Paulo, na era das escravas negras domésticas, ajudando a amamentar os filhos ricos dos brancos dominantes, num café que é uma bebida tão universal e difundida, em grifes caras como a Starbucks, em produtos de excelência, como certa vez na rede mundial, na qual era servido um delicioso cappuccino mentolado, um produto que saiu, infelizmente, da esteira de produção da Starbucks, no modo como uma marca tem que passar por momentos de reinvenção, evitando, assim, o esgotamento, na sabedoria popular de que tudo o que é demais, enjoa. Neste quadro é o casamento entre dever e prazer, na necessidade de nos mantermos ativos no Plano Superior, num lugar em que segue imperiosa a necessidade do dignificante labor, diferente da ideia sem sentido de anjinhos loiros tocando harpas de louvor – as aposentadorias não são eternas, e o espírito sente a necessidade de se aprimorar e trabalhar, ocupando-se de forma nobre, ao contrário dos que fazem do Sexo um leilão. Este preto é como os campos profundos do Cosmos para os quais os supertelescópios apontam suas lentes poderosas, na incapacidade humana de apreender tudo isso. Aqui é como um anúncio clean, sucinto, simples, numa pessoa que sabe que menos é mais.
Acima, sem título (5). O ovo é a expectativa, na vida que vem ao Mundo, no milagre da Vida, na magia de um ninho de Páscoa com ovos coloridos, num domingo tão mágico e doce, na brincadeira de esconder os ninhos para as crianças encontrarem, na zelosa senhora minha mãe, confeccionando os ninhos de chocolate, fazendo do ovo tal símbolo de fertilidade, como em certas culturas com a serpente como sinônimo de tal abundância, ao contrário do Cristianismo, colocando a serpente como algo malévolo e malicioso, expulsando Adão e Eva do Éden, na malícia de tapar os sexos, como em pinturas no Vaticano, com os sexos sendo tapados, longe da inocência uterina, na pureza da nudez infantil, como em chafarizes com menininhos urinando, no estado regido por um homem de Tao, dando fartura e prosperidade a um reino. No canto direito inferior temos listras como as cores nacionais do Brasil – verde e amarelo –, no modo como o patriotismo pode ser tão benéfico e inofensivo, ao contrário do chauvinismo, num patriotismo agressivo e insano, como uma certa senhora, a qual dizia que algo era maravilhoso só porque era brasileiro, e isso não é verdade, como num filme em que um senhor francês desdenhava de Lady Diana em nome de Renoir. Neste quadro, algo está prestes a estourar, numa catarse se formando, numa bolha inchando, até chegar ao ponto de saturação, na capacidade de certas pessoas em causar tais comoções, nos versos de uma canção de uma certa artista: “Eu vivi por algum tempo como uma narcisista, ouvindo os outros dizer ‘Olha para você! Olha para você!’, tentando eu ser tão provocante!”. O marrom aqui é a cor da terra, da base, como certa vez num desfile de Moda, com o chão da passarela feito de terra, algo que deve ter dado dois trabalhos: Montar e desmontar. A terra é a simplicidade, no modo como a Vida é boa quando é simples, em simplicidades como servir uma travessa bem no meio de uma mesa com pessoas ao redor, no rei Sol provendo seus filhos planetas, na capacidade do homem de Tao, que é distribuir para seus filhos, nunca deixando algum deles desconsiderado, num homem que nunca se esquece de alguém, no caminho do amor incondicional, sem exigências ou cobranças, como um certo sociopata, o qual amo, pois é meu irmão, meu igual, filho de Deus, um sociopata que passará por diversas vidas e, em depuração, tornar-se-á um grande espírito de luz – é meu irmão, que veio do mesmo Útero Imaculado do qual vim, na dignidade do mito de Nossa Senhora, remetendo a um certo pastor altamente desrespeitoso e deselegante, chutando, na TV, uma imagem de Maria, um homem ínfimo, insignificante, parecendo uma criança de quatro anos de idade: “Eu gosto do Super Homem mas o fulano gosta do Homem Aranha!”. O céu branco aqui é a promessa de dias melhores, no glorioso dia de Desencarne, longe dos dúbios dias cinzentos na Terra, na cinzenta travessia existencial, cheia de percalços, os quais surgem para nos ajudar, no modo como as crises são positivas, pois assinalam um momento de renovação na vida da pessoa. Pelo menos em todas as obras de Mullen que analisei aqui no blog, há letras e palavras, numa espécie de marca registrada do artista, no poder da diversidade, na busca por uma marca, um estilo, um Tao, um charme, uma particularidade, no modo como, sinto em dizer, não existe pertinência em artistas que imitam outrem, pois uma coisa é fazer uma regravação e dar uma cara nova para uma velha canção; outra é trilhar caminhos que já foram trilhados, como eu gostaria de dizer: Você tem que ser inconfundível! O chão cinzento é o piso de realidade, numa base de referência, numa comparação, colocando algo ao lado de outro algo, no modo como o Yin traz um pouquinho de Yang e viceversa, no jogo de sedução que cria o Universo mágico e imenso, na ironia dialética em que tudo traz em si sua própria contradição, como num duo entre dois certos artistas, chamado Pouca Vogal, ou seja, muito Yang e pouco Yin, em homens viris, como ouvi de um certo homem bem viril: “Isso de fresco não é comigo!”.
Acima, sem título (6). Uma urbe tão vibrante como Nova York, com tanta vida e arte, em locais tão fabulosos e deslumbrantes como o Guggenheim, o qual, neste momento, abriga uma mostra da artista carioca Beatriz Milhazes, da qual já falei aqui no blog, só que as pessoas no Brasil se mostram tão blasés, mesmo sendo uma artista brasileira em tal momento de evidência profissional, obtendo visibilidade numa cidade tão fóda, com o perdão do termo chulo, pois eu inclusive já mandei tal sugestão de pauta a dois jornais diferentes, mas nunca obtive retorno – é uma pena. Aqui é na competitividade da célebre Times Square, com anúncios que buscam ser um mais lindo do que o outro, como árvores competindo por um lugar ao Sol, como na cadeia alimentar, em herbívoros submetidos aos carnívoros, com tudo, no fim das contas, rendendo-se às bactérias, na inevitável danação e decomposição; na inevitável morte do corpo carnal, o qual tem um prazo de validade, na sobrevivência da mente ao óbito carnal. Aqui é no final redentor do filmão Uma Secretária de Futuro, num take de diversas salas comerciais, com tantas e tantas histórias a serem contadas, falando de uma moça ambiciosa, cheia de talento e vontade de vencer, sendo enganada por sua patroa imoral e traidora, com o bem e a verdade triunfando no final, no modo taoista como toda canção termina em paz, num livro que foi escrito há tanto tempo, mas que permanece atual em pleno século XX, na era digital avassaladora, nas inevitáveis ondas e vogues, em tecnologias sendo sempre suplantadas por tecnologias melhores, na era do download e do streaming, onde tudo se reduz a software. Nestas janelas iluminadas de dentro, uma demanda insana por energia elétrica, remetendo aos dias de hoje, na consciência ecológica, sabendo que os recursos naturais não são infindáveis, como num recente comercial de TV, com a garota propaganda desligando as luzes dentro de casa, poupando, assim, energia. Aqui é como uma colcha de retalhos, aproveitando pedaços de tecidos, numa sabedoria de aproveitamento, no talento da mão de artista plástico, pegando objetos dissociados e, ao associá-los, produzindo algo novo, como na senhora minha avó Carmen, a qual amava costurar, tendo sempre seu quartinho de costura em casa, fazendo de suas mãos algo útil ao Mundo, no trabalho paciente de costureira, enfiando o fiozinho pela brecha breve da agulha, no poder terapêutico do trabalho, o qual mantém nossas mentes saudáveis, realistas, no infeliz caso de pessoas que se aposentam e nada mais fazem de seus dias na Terra, algo que não pode acontecer, pois só o trabalho dignifica. Aqui é como no romance brasileiro O Cortiço, com a comunidade acordando de manhã cedo e tomando o desjejum, na figura sedutora da mulata carioca, exótica, no fervor dos morros cariocas, dos quais nasce o Samba, este ritmo tão propriamente brasileiro, na riqueza da Cultura Popular Brasileira, a qual vem do povo e com este fica, como na Festa da Uva, a qual pertence ao povo caxiense, na eleição de uma rainha, fazendo metáfora com a veneranda do Plano Superior, a qual rege este, em cidades tão apolíneas e bem administradas, limpas, nas quais cada um vive sua vida com labor e produtividade, numa cidade com uma energia de trabalho. Aqui é como um condomínio cheio de unidades, com cada um vivendo sua vida, resultando em belicosas reuniões de condomínios, nas quais rolam desavenças e reclamações, no modo como é mais sábio não ir a tais reuniões, se você não quiser adquirir problemas ou estresse. Aqui é como uma esteira de produção industrial, em pujantes indústrias, na história que conheço de um certo industrial, o qual resolveu desafiar uma grande fabricante nacional, na história de Davi encarando Golias, num industrial que acabou fracassando, talvez lhe faltando mais ousadia e agressividade, como em comercias de TV nos quais a marca concorrente é amplamente desafiada, como na eterna guerra entre Pepsi e Coca Cola, num Mundo competitivo; agressivo.
Referências bibliográficas:
Marlon Mullen. Disponível em: <www.adamsandollman.com/Marlon-Mullen-1>. Acesso em: 23 abr. 2025.
Marlon Mullen. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 23 abr. 2025.
Projects: Marlon Mullen. Disponível em: <www.press.moma.org/exhibitions/projects-marlon-mullen/>. Acesso em: 23 abr. 2025.











