quarta-feira, 14 de maio de 2025

MM de muito maravilhoso (Parte 3 de 5)

 

 

Falo pela terceira vez sobre o artista americano Marlon Mullen. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, sem título (1). Os traços abaixo são como uma faixa de pedestres, num cuidado e numa proteção, numa zona de conforto, como uma amiga minha, a qual era bem estudiosa, a queridinha dos professores, mas uma amiga a qual, no fundo, não se identificava com aquilo de queridinha cdf, querendo ousar, principalmente no sentido sexual, numa pessoa rejeitando rótulos, no sentido da pessoa mandar o Mundo à merda, com o perdão do termo chulo, no sentido da pessoa adquirir as rédeas de sua própria vida, como um amigo meu, o qual sempre foi pressionado para cursar Medicina, iniciando tal curso, mas abandonando depois, indo cursar Jornalismo, ou seja, tratou de ser feliz, como numa explosão catártica, na pessoa reagindo. Os traços aqui são como um piano em teclas, numa ironia de metalinguagem, pois é a arte musical sendo falada sob a arte do pincel de Mullen, como num ator interpretando um ator, como a deusa Goldie Hawn interpretando uma atriz em O Clube das Desquitadas, algo que deve ter colaborado para GH se sentir tão à vontade no papel, sendo a que mais brilha entre todo o elenco do filme – inclusive, já falei no filme no Blog desde 2015. O rubor aqui é como na deliciosa torta red velvet, ou seja, veludo vermelho, no fascínio de um vinho tinto, com seus taninos naturais, na contraindicação: Ao harmonizar frutos do mar com um vinho, este tem que ser branco, pois, do contrário, o contato do tanino tinto com iodo natural dos frutos do mar, causará um sabor metálico e desagradável na boca! Neste quadro temos uma explosão dourada de amanhecer, com em memórias na casa em que morei por muitos anos com minha família, com a cozinha frente leste, ou seja, banhada pelo Sol matinal, banhando de dourado a mesa, num bom café com leite, no poder e na beleza da deusa grega Eos, a deusa da aurora, na sua majestosa carruagem abrindo as luzes do dia, na cor dourada do cobiçado sucesso, o qual pode ser uma maldição, como Madonna, até hoje tentando sobreviver a um Grammy que ganhou em 1999, na noção taoista de que o sucesso é um problema, apesar de parecer que não. Aqui é como um quebracabeça, como territórios de países num continente, com cada região com suas particularidades, no modo como o estado da Bahia é um país à parte, nas enormes extensões territoriais brasileiras, na piada na supercomédia O Diário de Bridget Jones, na protagonista a qual, ao ver sua própria bunda na caindo sobre uma câmera de TV, disse: “A minha bunda do tamanho do Brasil!”, no modo como o sucesso é um amante infiel: o segundo e o terceiro filme sequentes não foram tão bem de carreira, como na trilogia de Dan Brown: O primeiro, ouro; o segundo, ruim; o terceiro, uma piada. Como no astro Matt Le Blanc, o eterno Joey de Friends, fracassando na tentativa de legitimar um seriado sobre Joey, após o fim de Friends, ou como Mathew Perry, o eterno Chandler, morrendo deprimido, recluso e improdutivo. Aqui é como numa capa de revista, com o título ao topo, em construções de mitos midiáticos, como capas da revista People elegendo o homem ou a mulher mais sexy do planeta, como um rapaz arrogantezinho que conheci, o qual sonhou alto, bem alto, e acabou tomando no cu, com o perdão do termo chulo, nas duras lições de humildade que a Vida nos ensina, como na mitologia nórdica, com o deus supremo solar Odin punindo seu filho Thor, o qual estava se achando o centro do universo, remetendo à recente revelação do novo papa: Vamos ver como este senhor se sai; vamos ver se este senhor ficará à altura de Francisco, o papa do povo, no modo como esses grandes homens entendem o valor da simplicidade, a qual, segundo da Vinci, é o mais elevado grau de sofisticação. No flanco direito do quadro, algo como um uniforme militar, nas rígidas hierarquias militares, ao contrário da hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, até o ponto de eu fazer questão de obedecer ao meu irmão mais depurado, como Jesus, nosso irmão depuradíssimo, o centro sobrenatural da História, no poder do pensamento sobre a matéria, na vitória do plano metafísico, feito de pensamento. Aqui, neste artista autista, remete a um certo escritor esquizofrênico, o qual, ao escrever e laborar, coloca-se perfeita e claramente ao Mundo.

 


Acima, sem título (2). O cinza contrasta com o azul, no contraste entre dias limpos e dias encobertos, na dúvida cinzenta da quarta-feira de cinzas, quando a euforia da festa volta ao velho e bom siso do trabalho e do dever, no modo como o Plano Superior é o paraíso para os que gostam de trabalhar e estudar, no siso que sobrevive ao Desencarne, num espírito o qual, recém desencarnado, tem que encarar a Vida, encarando algum emprego, num espaço divino, no qual não há o fantasma do desemprego, fazendo do Céu algo pouco parecido com anjinhos tocando harpas, no siso de que a Vida continua em toda a sua seriedade. Aqui é como na abertura do programa de entrevistas de Jô Soares na Globo, com um enorme “Jô” tomando toda a tela, com um título mais discreto – Programa do... – em consonância com Tao, pois quando digo que algo é grande, é porque conheço o oposto, que é menor, como uma esposa baixinha ao lado do marido alto, no modo como as próprias mulheres podem ser machistas, querendo um marido mais alto do que elas, no modo patriarcal de sempre colocar a mulher como um cidadão de segunda categoria, como freiras impedidas de eleger um papa, na castração do feminino, como em filmes pornôs, nos quais apenas ao homem é permitido ter orgasmo, na castração do mito de Nossa Senhora, a mulher à qual foi negado ter sexualidade, no preconceito de um pai ao nascer da filha: “Esta eu vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta o marido na Igreja!”, como na donzela pura e casta de Arwen, de Tolkien, entregue virginal ao marido rei, na cor branca do vestido de noiva, sendo malvistas as mulheres com carreira e com um histórico de carreira. O azul é a cor do sonho, do almejo, no termo “Vá carpir um lote”: Sim, lotes têm que ser carpidos, mas isso não significa que sua vida tem que ser só isso, como um certo senhor, o qual leva uma vida sem grandes ambições, num dia a dia monótono e sem sentido, apenas cuidando de um lar, e nada mais fazendo, e não pode ser assim, rapaz, ou seja, arrume um norte nobre para a Vida! A porção cinza aqui tem máculas, feiuras, como falhas num gramado de Futebol, com cicatrizes inevitáveis da Vida, como no ator que faz Wolverine, com um rosto todo marcado por uma história, uma carreira e uma trajetória, no jogo de sedução com a donzela sem marcas ou carreira, fascinada pelas histórias de aventuras de tal homem, no jogo de sedução entre agressividade de Marte e beleza de Vênus, como no quadro monumental de Botticelli, artista sobre o qual já falei no Blog desde 2015, num artista renascentista tão singular, no sopro de renovação artística na Europa de então, nessas ondas e vogues avassaladoras, como no pioneirismo do filme O Cantor de Jazz, o primeiro filme falado da História, assinalando toda uma revolução em Hollywood, fazendo no Cinema uma guinada: Antes, uma distração inocente; depois, arte de fato, no primeiro filme a ganhar um Oscar, numa Academia que começou pequena, na coragem da pessoa em trilhar tal caminho, partindo de um humilde ponto inicial até se desenvolver, remetendo a um senhor infeliz que conheço, o qual, na hora de batalhar pelos seus sonhos na carreira de músico, cagou-se todo nas calças, com o perdão do termo chulo, com medo de pisar num palco e lutar pela Vida, nas palavras sábias de Dercy: “A Vida é luta!”, no modo como há pessoas que são cagonas, com o perdão do termo chulo. Um dos traços nesta face cinza é como um machucado, uma ferida, numa pessoa alvo de alguma agressão, num “batismo de fogo”, por assim dizer, como num assalto, num bandido que zomba da Vida em Sociedade, como um senhor que conheci, o qual foi covardemente assassinado por um bandido em Porto Alegre, e espero que este assassino se arrependa e tenha noção da tragédia que provocou numa família em luto severo. Mullen é amigo das letras, colocando-as em suas obras, no modo como, hoje em dia, no Terceiro Milênio, as Artes Plásticas estão totalmente livres para inovações, sem limites de imaginação, ao contrário de sistemas opressores, castrando a imaginação, como em gestos insanos de censura.

 


Acima, sem título (3). As barras são como um bigode, num símbolo de masculinidade, no modo como há mulheres homossexuais que gostam de fazer crescer o buço, imitando um homem, na questão da identidade de gênero, a qual tem que se respeitada – o Ser Humano é odioso, logo, odeia tudo e todos, e o travesti e o transexual ficam expostos a esse ódio natural humano, no modo como pode ser complicada a vida de um trans, como numa recente manifestação de Rua que vi, com o lema “Vidas trans importam!”, nas palavras de uma drag queen entalhada na dureza da Vida: Se homossexualidade fosse opção, não haveria pessoas gays dispostas a sofrer tanto preconceito e discriminação, no modo como homossexualidade é algo genético, e a prova disso é a seguinte: Filhos da mesma família, com os mesmos genitores heterossexuais, criados debaixo do mesmo teto, sob os mesmos valores, e, nesta prole, uns saem héteros; outros, gays. Aqui temos um bom gosto cromático, num tom sobre tom de azul, na questão da harmonia, numa metáfora cromático que sempre gosto de descrever: Neste aguerrido mundo de azuis sempre em pé de guerra contra amarelos, seja verde, pois não resolverás os problemas do Mundo, mas poderás ser uma figura na qual o povo possa depositar esperanças de um mundo melhor que nos espera lá em cima, pois nem a majestade suprema de Jesus soube sanar as guerras do Mundo. Vemos aqui bolotas, como a obsessão de Kusama por bolas e círculos, numa marca registrada, numa identidade, na busca de um artista por tal estilo inequiparável. As bolas aqui são estrelas num céu, na ironia de que, quando olhamos para o céu noturno estrelado, não estamos vendo as estrelas, mas as estrelas como eram há anos, décadas, séculos ou milênios atrás, nessa vastidão cósmica, uma infinitude enigmática para a pequena compreensão humana, fazendo da Terra um mundo tão raro e minúsculo, na crença ufologista de que estamos cercados de raças alienígenas – é claro que há muita Vida neste Cosmos tão vasto. A figura preta na lateral é como os diabólicos e nefastos Espectros do Anel de Tolkien, criaturas totalmente corroídas pela malícia do Anel, na busca humana por poder, como um caminhoneiro pobre que conheci certa vez, o qual tinha, ao redor do pescoço, um pingente não com um crucifixo, mas uma notinha dourada de dinheiro, em pessoas que levam uma vida tão dura, só conseguindo pagar contas, sem poder acumular, no mito do Tio Patinhas com sua caixaforte, nadando em seu dinheiro, no gostoso pecadinho da avareza, pois é necessário ter alguma reserva, ao contrário de uma pessoa que conheço, uma pessoa que fica por aí torrando seu suado dinheirinho, no modo como os pecadinhos capitais são tão gostosos, pois entram em consonância com a natureza humana, visto que sexo e sexualidade são algo tão humano, no absurdo de se entrar num confessionário e pedir perdão por ter batido uma punheta, com o perdão do termo chulo. É como na embalagem do chocolate em pó Nestlé, com dois frades se deliciando com uma receita de chocolate, no pecadinho capital da gula, na crença espírita de que, no Plano Superior, há doces deliciosos para comermos! Neste quadro é como um tsunami se aproximando, em rastros de tanta destruição, como nas enchentes de 2024 em Porto Alegre, destruindo simplesmente todos os escritórios do MARGS, o Museu de Arte do RS, com a água destruindo tudo: Mesas, cadeiras, telefones, computadores, impressoras e arquivos em geral, numa clara prova de que é a Terra quem tenta imitar a perfeição do Céu, fazendo de cidades limpas e bem administradas metáfora com as cidades espirituais. Aqui são como elementos se misturando combinando, como num vinho assemblage, reunindo castas variadas de uvas finas, no costume assemblage português de se produzir vinhos só informando se o produto é seco ou suave, tinto ou branco, tranquilo ou espumante, fino ou de mesa, fazendo de Portugal um país tomado de vinhedos, fazendo da vinificação algo tão universal, como a casta Merlot, cultivada nos quatro cantos do Mundo.

 


Acima, sem título (4). Uma digestão num intestino, num estômago, em processos que levam seu tempo, na sabedoria dialética de que tudo é processo, inclusive no processo de depuração espiritual, numa encarnação que é como uma faculdade, causando na pessoa um crescimento enorme, como uma pessoa que era fútil e alienada, crescendo e compadecendo-se com os problemas e as dores do Mundo, como em A Lista de Schindler, num playboyzinho fútil que acaba vendo a dor de judeus, salvando vidas, numa regra que impera em Hollywood: Não mexa com os judeus, como no caso de Mel Gibson, o qual já esteve no topo da cadeia alimentar hollywoodiana, mas um homem que sepultou a si mesmo ao fazer um filme que colocou os judeus como os responsáveis pela execução de Jesus, na ciranda da Vida – hoje, posso estar lá em cima; amanhã, não se sabe. Aqui é como observar por um âmbar, ou alguma pedra translúcida colorida, na dissiminação dos vitrais em templos ao redor do Mundo, na magia universal das cores, banhando o interior de cores e luz, de alegria, como em templos góticos, na alegria de fiéis construindo templos, na universalidade dos templos, de várias religiões, fazendo da religião uma faca de dois gumes: Por um lado, é necessário o acompanhamento espiritual; por outro, não devemos ser “xiitas” fechados e intolerantes, remetendo à aversão de Marx pelas religiões, na sabedoria de que tudo em excesso é prejudicial – cavalgar pelos campos é excitante, mas vai enlouquecer você de cavalgar demais! Aqui é como um sanguinolento campo de guerra, fazendo do rubro planeta Marte o deus da guerra, em irmão jorrando sangue de irmão, em Caim matando Abel, como num sensível clipe da banda Thirty seconds to Mars, em amigos vestidos com armaduras, quase matando uns aos outros, observando o ato hediondo que estava para ser conduzido, como uma certa pessoa aguerrida que conheço, um homem rude e desinteressante, o qual adora puxar uma briga, na paixão humana pelo caos, como no fim do filme Dogma, com Deus lamentando por um campo sangrento de guerra, restabelecendo a paz e a harmonia, como num amanhecer de Domingo, nos versos de uma certa canção: “Sou descomplicado como uma manhã de Domingo!”. Aqui é como um deslizamento de terra, em caos e destruição, morte, dor, no triste modo como são sempre os mais pobres os que mais sofrem, na ilusão do dinheiro: Parece felicidade, mas não é, remetendo a uma mulher rica que conheço, uma pessoa que se manteve simples, pés no chão, nunca sendo escrava de sua própria condição social, na questão do desapego – os mais desapegados têm um desencarne mais fácil e tranquilo, havendo no Umbral a dimensão insana, como um prisioneiro que não quer sair da prisão no dia de soltura, na identificação tosca com o material, e não com o metafísico, sendo, este, tudo. Aqui é como um interior uterino, como vi certa vez uma mulher na TV, espraiando suas paredes vaginais e permitindo que as pessoas, com lanternas, vissem o rubro interior uterino, no lema: Não tenha medo, pois é de lá que todos viemos! É como o útero sacrossanto de Maria, na tentativa de nos fazer entender que somos todos frutos de tal Imaculada Conceição, filhos do mesmo Pai Supremo, o qual nos amará para sempre, no incrível caminho da Eternidade: Jamais findaremos! Não é poder demais? Os pontos pretos aqui são lacunas, falhas, buracos pelos quais podemos respirar, num respiro, numa pausa, num intervalo, como nos recreios em escolas, no glorioso momento de lanche e brincadeira, com os professores proseando na sala dos professores, na sabedoria de que a Vida precisa de pausa sempre, no modo bíblico como até Deus descansou no sétimo dia, como no laborioso colono italiano no RS, o homem que não trabalhava no Domingo só porque o padre e a religião não permitiam! Aqui é como um retrato de caos na vida de uma pessoa em crise, nas palavras de esperança de que as crises são positivas, pois assinalam um momento de renovação na vida da pessoa – nada como um bom psicoterapeuta para nos colocar as coisas da forma mais fria possível!

 


Acima, sem título (5). Mãos ávidas aqui, na avidez humana por conhecimento, enviando sondas pelo sistema solar, remetendo a um pseudointelectual, cujo nome não mencionarei, um escritor que desrespeita a Ciência, e o que seria da Humanidade sem a Ciência, a qual causou e segue causando impactos decisivos em nossas vidas? É como desrespeitar os medicamentos que curam ou tratam, em avanços decisivos como a invenção da anestesia, ou de coisas essenciais como analgésicos e antitérmicos, remetendo a eras passadas, nas quais a Ciência ainda não havia chegado, como em superstições medievais, na insalubridade que levou à Peste Negra, ceifando montes de vidas, como nas condições insalubres do Antigo Egito, com alta mortalidade infantil e baixa expectativa de vida, num Egito no qual os piolhos eram endêmicos, com todo e qualquer egípcio raspando a cabeça, desde o humilde escravo até o todo poderoso faraó, em hábitos civilizatórios como banhos diários, lavagem de roupa e limpeza de casas, no modo humano de se aproximar ao máximo do Plano Superior, no qual na existe uma só bactéria, pois é o espírito livre do corpo, no glorioso dia de Desencarne, quando, em metáfora, uma cobra troca de pele, deixando para trás o que trazia em si. A forma aqui de Mullen é dúbia, estranha, e não pode ser detectada, com cada pessoa vendo o que quiser ver, como em testagens em consultório de Psicologia, na completa isenção do terapeuta, o qual tem que estar livre e distante de sofrimentos e paixões, mostrando-nos a Vida da forma mais fria possível, científica, em técnicas de Psicologia, em desbravamentos de Freud, ramificando em sofisticações, fazendo de Sigmund um pioneiro, na ironia de que todos os psiquiatras e psicólogos se tratam com outros terapeutas, num cuidado e num tratamento, como nas decodificações de sonhos que temos à noite, os quais servem para nos trazer mensagens existenciais. As bolinhas que vemos aqui são como imagens de Nossa Senhora com vários anjinhos aos seus pés, com os anjinhos querendo atrair a atenção da Virgem, num símbolo de fertilidade, como num trabalho de desovas de salmões fêmeas em rios, com o macho fertilizando, com ambos morrendo, nos ciclos naturais de Vida, como no pássaro mãe alimentando os filhotes no ninho, na logomarca da marca Nestlé, com o filhote crescendo e, por sua vez, também alimentando sua prole, nas responsabilidades de um pai de família, o qual simplesmente não pode deixar qualquer coisa faltar em casa, num encargo e numa responsabilidade sisuda, do sisudo homem que sai para trabalhar, em vidas árduas como a de taxista ou motorista de aplicativo, como ouvi certa vez de um senhor que trabalho uma época como uber, mas dizendo que é dura a relação trabalho/recompensa. Uma faixa azul rasga o quadro, como num sedutor mar caribenho, em cópias fiéis do Éden, como flores de plástico, cópias, assim como o dinheiro traz cópias da plenitude metafísica, fazendo parecer que ter muito dinheiro é interessante e feliz, nas palavras de uma personagem no filmão O Advogado do Diabo: “Eu achava que ter muito dinheiro seria maravilhoso, mas não é!”, ou seja, tudo gira em torno do Plano Superior, quando não temos que nos preocupar com o que nos preocupa na Terra, na glória do desencarnado, na libertação, na imagem de esperança do Espírito Santo, como num personagem de Matrix desdenhando da esperança humana, no termo popular de que há sempre uma luz no fim do túnel. Vemos aqui um rio de sangue, como na passagem bíblica do Moisés banhando Nilo de sangue, no impacto do monoteísmo frente ao tradicional politeísmo pagão, na transubstanciação da missa, na hora em que o sangue de Jesus é como vinho bebido, numa bebida tão tradicional, em nações como Portugal, tomada de vinhedos, no hábito de monges medievais de produzir seu próprio vinho, como já ouvi dizer: As pessoas não gostam do sabor do álcool; as pessoas gostam do efeito do álcool. Neste quadro vemos uma espécie de face humana, mas deformada, distorcida, numa deturpação de fatos, na obsessão do sociopata em mentir, sempre mentir, na noção taoista de que quem mente acaba rejeitado e desprezado.

 


Acima, sem título (6). A nota cem é a excelência, no modo como um aluno aplicado dá sentido e prazer ao professor, como tive uma breve experiência como professor de Inglês. Vemos aqui uma maçã, na maçã do Éden, na malícia, na malévola maçã que envenenou Branca de Neve, no fator da tentação, ou do gostoso pecadinho da gula, no prazer de se comer uma fatia de torta, em pequenos prazeres da Vida, como ficar um pouco mais na cama, no fato de que foram da preguiça que nasceram invenções que mudaram para sempre a Humanidade – por que subir e descer escadas se posso fazê-lo comodamente num elevador? É a questão da praticidade, como no americano, que trouxe o conceito da caneca sem pires, ao contrário da tradição inglesa, num pires obrigatoriamente respaldando uma xícara. Aqui vemos um fantasminha sorrindo, como um espírito amigo, um anjo da guarda, no glorioso modo como ninguém está sozinho, na adorável oração: “Meu anjinho, meu amiguinho, leve-me sempre pelo bom caminho!”, no discernimento entre amigão e amigo fútil, o qual este não aplaca em nós a sensação de solidão, pois posso estar cercado de pessoas e, ainda assim, sentir-me tão sozinho e desolado, na amizade “vaca de presépio”: Se está ali, que bonitinho; se não, não faz falta, do tipo “não fede e nem cheira”. Vemos semiesferas que formam uma bola de Futebol, na paixão brasileira pelo esporte bretão, no sopro de esperança do técnico recém empossado Ancelloti, num Brasil que deixou de ser muito temido pelas seleções de outros países, em épocas em que, nos sorteios de jogos da Copa do Mundo, ninguém queria pegar o Brasil. Acima da maçã vemos uma banana, num assemblage de frutas, como numa paella, como certa vez comi uma majestosa paella de frutos do mar, os quais, sinto em dizer, não podem ser harmonizados com vinhos tintos, pois quando o tanino do vinho tinto entra em contato com o iodo natural dos frutos do mar, gera na boca um sabor metálico desagradável, e você não quer passar por isso, quer? No topo do quadro vemos um Sol supremo, na minimalista e elegantíssima bandeira nacional japonesa, no Sol rubro envolto nas brumas da manhã nipônica, no impacto do faraó herege Aquenáton, agredindo uma tradição pagã politeísta para trazer o conceito inédito de monoteísmo, na divindade única Áton, o deus do disco solar, na crença de que o antigo grego não considerava que a aurora era fruto do Sol que vinha, na deusa Eos, organizando o dourado no céu para o astro surgir de fato, na gloriosa sensação de se desencarnar e tomar um banho num banheiro bem ensolarado, perfumado, na magia de um dia que começa tão bem, como num bom café da manhã de hotel, em mordomias que nos enchem de prazer, como acordar numa cama com lençóis sutilmente perfumados, numa sensação de lar e acolhimento, como em instituições de assistência social, acolhendo pessoas em situação de rua, cobrando dessas uma resolução: Você tem que retomar sua própria vida e reerguer-se! Se até no Céu não podemos deixar de trabalhar! Não é Tao aquele que sempre está criando e laborando? Não é o Cosmos uma obra prima que nos deixa perplexos frente a tanta vastidão? Não existem mais estrelas no Universo do que grãos de areia na Terra? É muito vasto e incompreensível. Vemos manchas pretas, como máculas, cicatrizes, como carimbos num passaporte, como a recente mudança de regras na obtenção de um passaporte italiano, num cidadão brasileiro que precisa de visto para viajar, implorando por um visto num consulado ou embaixada, isso sem falar nos custo da emissão de tal documento. Na base do quadro vemos um rosto perplexo, como certas pessoas cuja energia nos deixam energizados e animados, como certa vez num taxista muito polido, o qual, em sua energia benéfica, causou-me arrepios na espinha, tal a energia, ou como também certa vez me energizou uma cigana na Rua, no modo como o povo cigano tanto sofre com preconceito e discriminação.

 

Referências bibliográficas:

 

Marlon Mullen. Disponível em: <www.adamsandollman.com/Marlon-Mullen-1>. Acesso em: 23 abr. 2025.

Marlon Mullen. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 23 abr. 2025.

Projects: Marlon Mullen. Disponível em: <www.press.moma.org/exhibitions/projects-marlon-mullen/>. Acesso em: 23 abr. 2025.

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