Falo pela segunda vez sobre o pintor italiano Bernardo Strozzi. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, A Anunciação. Aqui é a passividade de Maria, aceitando a ordem de Deus, uma figura patriarcal – por que Jesus teve que ser homem? A Bíblia aqui é o embasamento religioso, sendo obrigatório que uma religião tenha um livro base, no modo como penetrou em minha mente o livro de Tao, com palavras sábias, só acessíveis para quem tem um coração dentro do peito, ou seja, inacessível para sociopatas. O anjo aponta para o Céu, para a elevação, na promessa do Reino dos Céus, na Revolução Cristã, em palavras que perduram pelos tempos, palavras inoxidáveis, na riqueza do pensamento frente à pobreza da matéria, na noção espírita de que matéria é nada e pensamento é tudo, na questão do nada invisível taoista, na pessoa invisível, puro pensamento. As flores são a delicadeza de Jesus, no fino trato, na polidez, em oposição à grosseria do Umbral, numa Festa da Uva do Mal, nas patetices humanas das guerras, em bombardeios e destruição, deixando rastros de fome, tudo em nome do sedutor Anel do Poder, o qual, em suas sombras, corrompe corações, na questão do Diabo tentando Jesus, o qual passou pelo teste e resistiu às tentações mundanas, no caminho da mortificação, no deixar de pensar em bobagens, atendo-se ao importante, na frivolidade do Ser Humano, como eu na escola, sofrendo bullying por usar óculos de aro da cor vermelha – tantos sérios problemas no Mundo e as pessoas preocupadas com a cor do aro dos óculos do fulano, e a mortificação é tal aprendizado, no título do livro mal sucedido escrito por Gisele, Aprendizados, no modo como os aspectos podem ser discerníveis, pois, como modelo, Gisele é um monstro sagrado de brilho esmagador; já, como atriz, tomou no cu, com o perdão do termo chulo, na sabedoria popular de que, na Vida, não se pode ter tudo. O mito da Virgem Santíssima é meio incompreensível aos indígenas, pois estes não carregam a culpa católica em relação a Sexo, como num casal se preparando para casar na Igreja, recebendo do padre a imposição: Sexo é só para meios reprodutivos, em imagens engraçadas como uma noiva grávida, como no eterno musical Funny Girl, com Barbra, na noiva subindo grávida ao púlpito, no poder da comédia, na capacidade do Ser Humano em rir de si mesmo, pois a Vida é séria, mas, ao mesmo tempo, é preciso ter senso de humor, em palhaços formidáveis como Rowan Atkinson, amicíssimo do rei Charles, no costume monárquico em honrar pessoas que se destacam em seus ofícios, no fascínio que as tradições exercem sobre o Mundo e sobre a Academia de Hollywood, em filmes oscarizados sobre reis e rainhas de tal respeitado reino. As nuvens e os tecidos vaporosos são a ambição de qualquer estilista, na busca por um tecido sublime, sobrenatural, como no fascínio que a seda chinesa exerceu sobre a Europa das Navegações, num momento em que Ocidente e Oriente se encontram, na universalidade do Ser Humano – as diferenças culturais entre nós são uma casca bem fininha, pois, abaixo, somos todos os mesmos, na universalidade dos Esportes Olímpicos, das Artes e das Ciências, com popstars tendo fãs ao redor do Mundo inteirinho. Aqui é a paixão de Strozzi por cenas sacras, ganhando o respeito do Vaticano, em mestres avassaladores como Michelangelo, em esculturas que parecem estar vivas, como nos bustos romanos no novaiorquino Met, em bustos que parecem ter vida, cheios de personalidade, nos mistérios do talento – o que fez de Michelangelo tamanho mestre? Qual é o segredo de tamanho talento? É um mistério, num talento inato, com a pessoa simplesmente nascendo com tal dom, com tal Tao. A Bíblia aqui é sólida e volumosa, forte como um pilar, forte como as bases do Mundo, no costume jurídico americano de se jurar dizer a verdade colocando a mão direita sobre o livro sacro, no poder das palavras. Maria aqui está cabisbaixa, passiva, como uma vulnerável goleira, a passividade, tendo que ser defendida pelo goleiro, o princípio ativo e masculino, na popularidade de uma grande estadista como Elizabeth I, defendida pelos seus homens do reino, num talento estadista misterioso – o que a fez ser tudo o que foi? É como o livro de Tao dá conselhos aos que querem reinar soberanos, na sabedoria popular de que a arrogância precede a queda.
Acima, A caridade de São Lourenço. O santo tem uma sutil auréola de elevação moral, no sentido da Vida, que é a depuração moral, na eternidade da Verdade frente à finitude da mentira, como no nome de um dos espíritos que guiaram Kardec na concepção da Doutrina Espírita – o Espírito da Verdade, que é o laço mágico da Mulher Maravilha, o qual, ao enlaçar alguém, faz com que este diga somente a verdade. A criancinha é a inocência infantil, numa fase em que a Vida é mais simples, no modo como a criança se contenta com pouco, ao contrário do adulto, que é cheio de critérios e exigências, no modo como a criança traz um residual do Plano Superior anterior à reencarnação, numa fase da Vida em que as amizades são puras, longe das amizades por interesse, como na triste história de um ganhador da Loteria, o qual passou a ficar cercado de pessoas interesseiras, amizades falsas, embasadas no dinheiro, na noção taoista: Você não faz ideia a que estado ficam reduzidos aqueles que são considerados felizes na Terra. Neste quadro temos as riquezas mundanas, o lastro, o ouro, remetendo a uma nobre senhora que conheço, uma mulher rica, mas que nunca foi escrava de seu próprio ouro – ela tem o ouro; o ouro não a tem, numa pessoa que se mantém simples e humilde, na prisão da sociedade de consumo, como em Matrix, escravos de um sistema insano: Tenho que trabalhar feito “louco” para, assim, adquirir bens cobiçados de consumo, no papel do personagem Neo, libertando-nos do Mito da Caverna e libertando nossas percepções, como no papel de salvador de Jesus, mostrando-nos o que importa, que é o metafísico, o Plano Superior, o qual está livre do ouro mundano, como meu falecido e querido cunhado, longe daquela merda toda mundana, com o perdão do termo chulo. Aqui é a vogue barroca da luz entrando humilde no quadro, com um jogo de contraste com o escuro, na sabedoria da canção regravada por Elis, “o novo sempre vem”, no modo como, no auge da era CD, nunca se imaginaria que chegaríamos o ponto do Download, onde tudo virou software, sepultando a coisa, o objeto, o bem de consumo, a coisa que alugamos ou compramos e levamos para casa, num galgar incrível de tecnologias, deixando perplexa minha geração, testemunha da Era Analógica, como televisor de tubo, sem controle remoto e só com canais de TV aberta; com a carta pelo correio; com o telefone de gancho e disco. No canto esquerdo do quadro, um senhor cobiçando o troféu, nas ambições mundanas, no caminho oposto à humildade, que nos diz que a Vida é boa quando é simples, como no ídolo Romário, o qual, depois do júbilo de ouro de ser o capitão do Tetra, estava, um ano depois, bem humilde no estádio Alfredo Jaconi em Caxias do Sul, na sabedoria de que o novo momento, no dia seguinte, sempre chega, pois a bola segue rolando, rolando e rolando. As senhoras idosas são a passagem do tempo, na sabedoria de um rosto com rugas, numa época em que se tem juízo, ao contrário das “loucuras” de juventude, num adolescente dirigindo por aí sem ter carteira de habilitação, no modo como a juventude plena e feliz é uma invenção de velhos, pois é raro uma pessoa muito jovem estar centrada ou saber exatamente o que quer da Vida, com muitos jovens que acabam se arrependendo de terem escolhido este ou aquele curso superior. Na porção inferior do quadro temos a tiara papal, o poder mundano, o trono de São Pedro, o Banco do Vaticano, numa Igreja poderosa e rica, num passado remoto medieval em que o Vaticano era absolutamente tudo na Europa, em épocas em que nem a toda poderosa Espanha ousava desafiar o Papa, em coragens protestantes em desafiar tal poder, num jogo que colocou as duas crenças em confronto, como queimar protestantes vivos em fogueiras, no eterno talento humano no sentido da crueldade, pois quanto mais desumano, melhor – esse é o lema humano, sinto em dizer. O senhor barbado é a sabedoria do tempo, o qual coloca tudo nos eixos, na figura patriarcal de sabedoria, como num dos personagens de Chico Anysio, um senhor de grandes barbas brancas dando conselhos sábios.
Acima, A Cozinheira. Aqui é a dignidade do trabalho, nas sábias palavras de Leo DiCaprio: “Não pode faltar trabalho!”, numa ironia de metalinguagem aqui, pois é o trabalho do artista falando do trabalho da cozinheira, no modo como o trabalho é a única coisa capaz de manter lúcida uma pessoa rica. Aqui é uma cozinha farta, de rei, com vistosas aves, como no privilégio do faraó em comer pato assado, um prato inacessível para seus plebeus e escravos, na universalidade da gastronomia, como se tornaram universais a pizza e o sushi, em traços chineses como se alimentar de aranhas e cachorros, algo muito diferente da culinária ocidental, em tabus como carne de cavalo, ou como na Índia, onde é proibido comer carne de gado. O jarro é o receptáculo feminino, como no jarro de Galadriel em contraste com os rudes pés masculinos de Frodo, num diretor Peter Jackson que foi tão feliz ao transformar Tolkien em filmes, num diretor que tanto se esforçou, contratando uma multidão de gente para realizar as películas, como vi ontem o filmão O Regresso, com Leo, num merecidíssimo Oscar para este, num ator que se esforçou ao máximo, no modo como a Academia gosta de atores que abrem mão da vaidade e desfiguram-se para um papel, como no assombroso Coringa de Heath Ledger, num triste Oscar póstumo, como num Van Gogh, só sendo reconhecido depois de morrer. As aves mortas são a finitude da Vida material, a cadeia alimentar, com suas próprias leis naturais, nos carnívoros devorando herbívoros, na opção de uma pessoa em se tornar vegana, não comendo cadáveres de bichos, com dois primos meus, veganos, em posicionamentos como não consumir produtos testados em animais, numa questão não só nutricional, mas sociocultural. A cozinheira é linda e nos olha, usando um colar caro, digno de patroa, não de serviçal, com modelos belos, mas não ricos, como me narrou um estudante do curso de Artes Plásticas na UFRGS, com uma aula de nu artístico, com um modelo garoto de programa, um rapaz com um olhar que parecia que bateria nos que o cercava para desenhar, como no artista gay do filmão Melhor Impossível, um artista agredido brutalmente por um garoto de programa, no modo como todos na prostituição se sentem um lixo, tanto quem se prostitui, quanto quem contata o prostituto, no modo como certa vez um michê me abordou crendo que eu era michê também! Aqui é o hábito do almoço de domingo, um dia especial, como ir numa vistosa galeteria, no glamour do almoço de domingo, no dia em que até mesmo Deus descansou, no modo workaholic do imigrante italiano na Serra Gaúcha, o qual só não trabalhava no domingo porque o padre e a religião não permitam, restando ao colono visitar os colonos dos lotes vizinhos. Aqui é um trabalho paciente para depenar as aves, numa serviçal que serve ao Mundo, digna, como minha falecida avó me mostrando suas velhas mãos, dizendo: “Essas mãos foram úteis ao Mundo, pois com elas lavei, passei, cozinhei e costurei!”, na dignificação do trabalho, no inferno vago que é a vida de uma pessoa improdutiva, num vazio sem sentido, na metáfora de Matrix: Os programas que não têm uma função, são deletados. Os seios fartos da moça são tal farta cozinha, num reino rico, farto, em países tão ricos como o Canadá, primeiríssimo mundo, no modo como já ouvi dizer: O Canadá é tão rico e bem administrado que, quando vamos a Nova York, consideramos esta cidade terceiro mundo! As asas são a liberdade do pensamento racional, na função do psicoterapeuta em nos manter os mais frios e racionais possíveis, no modo como não podemos ouvir somente o coração, pois este pode ser traiçoeiro e enganador, fazendo-nos sofrer, como uma proposta de casamento, a qual tem que ser sólida e realista, conquistando o respeito dos sogros. A gastronomia é o ponto decisivo no Homo sapiens, quando deixamos de comer como animais e passamos a cozinhar, nos modos de polidez à mesa, como mastigar de boca fechada e usar o guardanapo, nos modos civilizatórios de etiqueta e bom comportamento; nos modos de punição à criança: Se não se comportar, vai de castigo! É a exigência social de nos portarmos de forma nobre sempre.
Acima, A cura de Tobias. O anjo é a noção espírita de que cada um de nós é acompanhado por um espírito amigo, e de que ninguém está só, na adorável oração: “Meu anjinho, meu amiguinho, leve-me sempre pelo bom caminho!”. As asas são a liberdade do desencarnados, na noção agostiniana de que somos todos prisioneiros, tendo que fazer algo de válido e nobre de nossos dias de cárcere na Terra – uns levam uma vida proveitosa e produtiva; outros, nem tanto. Falando em desencarne, hoje vi no obituário a morte de uma psiquiatra que me atendeu certa vez, uma pessoa nobre, ponderada e sábia – vá com Deus, amiga! Um dia vamos nos rever! É a imortalidade dos laços de amor e amizade, na força que une a grande família estelar, à qual todos pertencemos. São Tobias aqui está enfermo, bem doente, como numa floresta de Tolkien, um lugar de doença e mal estar, na glória dos desencarnados, longe de todo e qualquer problema ligado ao corpo físico, como qualquer doença. O peixe morto aqui é a necessidade de mortificação espiritual, no conselho espírita: Mortifique o espírito, não o corpo! É a noção de Tao, da falta de expectativa, pois a expectativa é gêmea da frustração, como no personagem Mulan, com sua humildade, sem expectativas, numa pessoa a qual, dentro de si, sente-se como uma tesoura cega, pois quando me sinto como um bisturi afiadíssimo, é porque não estou ok, pois a arrogância precede a queda. O cãozinho aqui é a fidelidade, um amigo fiel que faz uma festa quando chegamos em casa, numa companhia, mas numa relação onerosa: Tenho que acordar para trabalhar e, assim, comprar ração pro meu bicho. Eu mesmo não tenho bicho, e sequer tenho paciência para ter plantas! A senhora idosa é a sabedoria, numa pessoa que passou por muitos acontecimentos, criando, assim, humildade, discernimento, no modo do jovem se achar imune a erros, como uma certa pessoa, arrogantezinha, achando-se imune a erros, na crença de que, se algo desse errado, não era culpa desta mesma pessoa, uma pessoa que me dizia que eu tinha que desenvolver humildade, mas uma pessoa um tanto hipócrita, a qual não tinha muita humildade, nesta “síndrome” que eu mesmo batizei com a sigla FEC – falta de espelho em casa. A cadeira de trono aqui é o poder mundano, no complicado desencarne de pessoas poderosas, tendo que se desfazer dos “anéis de poder”, como certa vez li num livro espírita sobre uma princesa arrogante recém desencarnada, perguntando-se onde estavam seus serviçais, pois quanto mais simples for a pessoa, mais tranquilo é o desencarne, como certa vez numa igreja antiga, com espaço para os ricos e espaço para os escravos negros pobres –a parte dos ricos era cheia de frufrus decorativos, longe da simplicidade de Jesus; já, a parte dos escravos era clean, limpa e simples, minimalista, moderna, por assim dizer, na sabedoria de que a Vida é boa quando é simples, como me ensinou uma pessoa muito especial: Podemos perfeitamente ser felizes com pouco. É como na ambiciosa Satine de Moulin Rouge, decepcionada ao se apaixonar por um escritor pobre, numa Satine com ambição de desposar um marido rico, bem rico. O rapaz medicando é o avanço da Medicina, dos conhecimentos, remetendo a eras de pouco avanço medicinal, sem medicamentos básicos como analgésicos, antitérmicos e antibióticos, como me disse certa vez um oftalmologista: Se você vivesse no tempo dos faraós, não haveria óculos para corrigir a visão! Aqui é o ambiente meio baixo astral de hospitais, cheios de enfermos, cheios de morte, sinto em dizer havendo só na maternidade um setor mais alegre e leve, no divertido paradoxo: Quando nasço, eu choro e o Mundo ri; quando morro, eu rio e o Mundo chora! O enfermo aqui tem todos os cuidados do lar, num pai e uma mãe zelosos, cientes de suas responsabilidades, no encargo de se terem filhos no Mundo, ao contrário de um certo senhor, o qual foge um pouco das responsabilidades de ter filhos no Mundo, nas palavras sábias de outro certo senhor: Pense antes de ser pai, pois se você tiver filhos, sua vida nunca mais vai ser a mesma!
Acima, A entrega das chaves para São Pedro. O sacrossanto trono de Pedro, ocupado pelos papas, no poder da tradição, mas em figuras progressistas como Francisco, o papa do povo, num reforma que não mais pode ser desrespeitada, na sabedoria popular de que é para frente que se anda, num Vaticano que precisa se reinventar, como na noção mercadológica – se um produto ou serviço não se renovar, virarão um “abacaxi”. A chave é a passagem para o Céu, porém no Umbral há os que se suicidaram, como um certo senhor que se suicidou recentemente, numa pessoa que simplesmente não aguentou a Vida, no modo como a Vida exige que sejamos fortes, como nas palavras de uma certa senhora no leito de morte, com câncer: “Dos fracos a história nada conta!”. Jesus aqui delega uma responsabilidade a Pedro, no modo como pode haver pessoas que ficam se martirizando, sofrendo, como uma certa pessoa, presa e torturada durante o regime militar brasileiro, num ato tão desnecessário, numa época em que quem não “cutucava o tigre coma vara curta”, não se incomodava com as autoridades, na recomendação taoista: Nunca interfira no dia a dia pacato do cidadão, como uma certa senhora, a qual todo fim de tarde vai de hobby e pantufa para comprar pão e leite na padaria, numa vida simples e sossegada. Os pilares clássicos atrás na cena são a força basilar da palavra de Jesus, numa base firme, na qual podemos confiar, como eu mesmo adotei o livro de Tao, na minha opção de crença, em palavras tão sábias e ponderadas, universais, atemporais, num livro que foi escrito há milênios, e permanece extremamente atual em plena era digital! Os homens ao redor estão incrédulos, duvidando do poder do pensamento cristão de amor, na busca por fé, pois quando entro num centro espírita, tenho que entrar ali com fé, pois, do contrário, a visita não surtirá efeitos, no ato fraternal do passe espírita num banho de luz, num glorioso banho num banheiro banhado pela luz matinal, num plano onde nosso cabelo fica do jeitinho que queremos, no caminho da autoestima e do amor por si mesmo. O protagonismo do quadro aqui é de Jesus, iluminado, eleito pelo povo, ressuscitando na fé das pessoas, até conquistar o mesmo império romano que antes crucificara Jesus, o qual foi tão subestimado em vida. A chave aqui é o poder, no poder de um papa, remetendo a um coleguinha que tive no colégio, amigo o qual hoje é padre, e tenho todos os votos para ver um dia ele sendo papa, talvez o primeiro papa brasileiro da História, neste país como Brasil, tendo sido brasileiro o maior médium espírita de todos os tempos – Chico Xavier, num país tão promissor como o Brasil, majestoso, grande, porem problemático. O céu acima é a promessa, a esperança do Espírito Santo, no lar sacrossanto em que temos a clara noção e consciência de que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, e de que todos fomos concebidos de forma imaculada, espiritual, na metáfora da Imaculada Conceição, num amor puramente espiritual, como numa conversa ao telefone. As delicadas mãos de Jesus são tal fino trato, tal classe, tal tato diplomático, sempre primando pela paz e pela concórdia, ao contrário das patetices humanas em suas guerras, destruindo lares e deixando multidões esfomeadas, privando o Ser Humano de uma das funções mais básicas, que é a alimentação. O natural rubor de Jesus aqui é a saúde mental, a sanidade, no poder da Arte em nos trazer tal saúde, no poder de artes como a do Cinema, cativando-nos, em filmes que se tornam comoções mundiais, como no manifesto antiinsesibilidade de Titanic, como uma certa senhora vendo tal filme, a qual saiu da sala de cinema aos prantos, tal a emoção, na capacidade de um diretor em entrar em nossas mentes, em ser humano abordando ser humano, no modo o nervo da Arte é incompreensível para o frio sociopata, insensível a comoções como o megahit I will always love you, de Whitney Houston, a cantora que teve a própria voz devastada pelas drogas – é bem triste.
Acima, A incredulidade de São Tomás. A necessidade do ser humano em tocar o divino aqui, na Terra. É como no final do filmão Elizabeth, com as pessoa beijando as vestes da lendária rainha, o centro sobrenatural da História da Inglaterra, uma estadista que transformou um país pobre e fraco na maior potência europeia, na ironia atual: A Inglaterra foi o berço da Revolução Industrial, e, hoje, é um país desindustrializado, como por exemplo o tradicional chá inglês Twinnings, feito em outros países. A nudez de Jesus é inocente, e é a vulnerabilidade, a exposição, num momento de dor em que Jesus acreditou ter sido abandonado por Deus, nos testes pelos quais nossa fé passa, como num filme em que Audrey Hepburn interpreta uma jovem freira, uma moça a qual, apesar de ter tanta fé, acabou se desiludindo com a carreira religiosa, abandonando a ordem no fim da película, um filme interessante, que mostra os rituais de ordenação. Aqui temos uma hierarquia, pois Jesus está acima do santo, na irresistível hierarquia espiritual, a qual nunca é imposta à força, ao ponto de fazermos questão de obedecer a nossos irmãos depurados, ao contrário da rígida hierarquia militar, imposta à força, em violentos golpes de estado, como na deposição da princesa Isabel do Brasil, num machismo arraigado socioculturalmente – você vai receber ordens de uma mulher? É como na atriz Meryl Streep, a qual ama interpretar mulheres empoderadas, poderosas, embarcando recentemente num filme péssimo, aceitando embarcar só porque era o papel de uma mulher presidente dos EUA – ninguém está por cima o tempo todo. Outros três senhores estão discretos, em segundo plano, numa hierarquia, como em Hollywood – uns se tornam estrelões que marcam épocas e gerações; outros, nem tanto. Aqui remete à imagem de Jesus morto na catedral de Caxias do Sul, no caminho da mortificação, pois Tao vive assim, sem expectativas, sempre criando, sempre produtivo, deixando-nos perplexos com tal poder, como na imensidão cósmica, numa multidão infindável de galáxias – Senhor, porque tudo é tão grande? É a máxima islâmica: Alá é grande! O islamismo é uma bela religião; já, o radicalismo, não. É o caminho da moderação. E eu até entendo a aversão de Marx pelas religiões, pois os adeptos radicais, os “xiitas”, são o caminho inverso da sabedoria – tudo o que é demais, enjoa. O santo aqui está perplexo, mas acreditando, como uma pessoa que se depara com efeitos incríveis, humilde, jamais crendo que iria tão longe. As auréolas são tal divindade, tal iluminação, num espírito de luz desencarnado, feliz em sua vida produtiva, no Éden para os que gostam de se manter produtivos, remetendo a uma personagem desencarnada no filme Nosso Lar, entediada, improdutiva, ouvindo de um espírito amigo: “Mas minha irmã, não há um único trabalho em nossa colônia que desperte seu interesse?”. Jesus é a humildade eterna, num espírito que provavelmente não se lembra da própria crucificação, dizendo: “Todos me falam disso! Eu não lembro!”. Jesus é a classe infinita, imortal, indestrutível. O príncipe da paz. Jesus é chic. Jesus é a vitória da beleza sobre a morte! As vestes aqui são pomposas, nobres, longe de um Jesus pobre, filho de um humilde carpinteiro, como num filme da franquia Indiana Jones, numa sala onde havia vários cálices, majestosos, dignos de rei, e o Santo Graal era exatamente o cálice mais simples, discreto, humilde e despretensioso, no caminho da simplicidade, na noção taoista autodidata: A pessoa que tem que aprender por si a lição da simplicidade, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como nas linhas simples da Brasília de Niemeyer, na transgressão modernista que “sepultou” a Arte tradicional acadêmica, e ventos de renovação necessários para a evolução do corpo social como um todo. A calvície do santo é a passagem do tempo, numa evolução de experiência, podendo chegar ao triste ponto da indolência de aposentadoria, no modo como ninguém pode parar totalmente, nas palavras de minha querida avó, professora aposentada que passou a escrever poemas: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”. E a Vida é uma tarde brumosa da qual algo de nobre temos que fazer.
Referências bibliográficas:
Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.
Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.meisterdrucke.pt>. Acesso em: 11 jun. 2025.
Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.










