quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Bom Bo (Parte 19 de 28)

 

 

Falo pela décima nona vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Deus. O negro remete ao feriado nacional brasileiro de Consciência Negra, num país em que racismo é crime, remetendo a xingamentos de negros em campos de Futebol, chamados de “macacos”, como num certo país, um país racista, sinto em dizer, um país no qual pessoas negras são malvistas e consideradas semi humanos – é um horror, no mesmo absurdo de se dizer que siamês não é gato. O rapaz aqui é todo um orgulho afro, como na seção africana do museu novaiorquino Met, com artigos de magia tribal, em obras instigantes, como vi em tal lugar um rapaz negro, orgulhoso de suas próprias raízes, remetendo a uma certa agência de Propaganda, cujo nome é África, inclusive com uma moça negra atendendo na recepção, como dizia minha falecida avó a sua empregada negra muito bonita: “Tu és descendente de príncipes africanos!”, com a moça com seus cabelos rastafári, remetendo ao estilo capilar blackpower dos anos 1970, com a cabeleiras assumidas, volumosas e exuberantes, nos versos de uma certa canção, dizendo a uma moça de cabelo afro: “Não deixe estes rapazes enganarem você! Adoro seu cabelo afro!”, no caminho da autoestima, em gostar de si mesmo, em lugares como salões de beleza e clínicas de estética, em mulheres elegantes, que se arrumam, como uma professora que tive, a qual, de manhã bem cedinho, estava impecavelmente arrumada, vestida e maquiada, fazendo-me imaginar no horário em que ela acordava de manhã cedo para se arrumar de tal forma, ao contrário de outra ex-professora minha, a qual definitivamente perdeu a autoestima, saindo de casa com qualquer roupa, com o cabelo de qualquer jeito, ao contrário das senhoras que sabem que idade não é pretexto para parar de se arrumar, como numa personagem chic da deusa Maggie Smith, elegantíssima no topo de seus cabelos brancos, em atos de autoestima como se perfumar. Ao fundo podemos ver uma paisagem africana, como na capa de um CD da cantora negra Des’ree, com uma paisagem afro ao fundo, remetendo a heróis como Mandela e Luther King, ao ponto de se eleger Obama, este, sim, um grande homem, ponderado, sábio e carismático, na evolução de se ter uma família negra na Casa Branca, desgostando um certo país racista, no retrocesso racista, remetendo à infame imagem de Obama e a esposa como macacos, em ares residuais de nazismo, no ponto em que pode chegar um homem sem um pingo de apuro moral, com os planos de, simplesmente, acabar com o Mundo, colocando uma metade contra a outra, no modo como o sentido da Vida é adquirir tal apuro moral, na vitória da verdade e da nobreza, do garbo e da elegância diplomática, num tato delicado, na noção taoista de que delicado é forte e de que grosseiro é fraco. O rapaz é jovem, belo, remetendo a uma certa popstar a qual adora belos homens negros, nuns EUA em que, via de regra, branco tem filho com branca e negro tem filho com negra, ao contrário da intensa miscigenação brasileira. É como uma pessoa racista, sinto em dizer, a qual, ao ver uma negra beber numa caneca, nunca mais bebe em tal caneca, num racismo tão arraigado na vida em sociedade, num Hitler que simplesmente não aplaudia atletas negros. Riquezas minerais da África foram extraídas por potências mundiais, assim como Portugal sugou a riquezas minerais brasileiras, na noção taoista: Como são ricos! E roubaram tudo dos pobres! É num Brasil com contrastes sociais tão fortes, como na cidade de São Paulo, reunindo o Primeiro e o Quarto Mundo, como nas imediações do Mercado Público da pulsante urbe, totalmente degradantes. O rapaz altivo usa uma tiara, talvez num líder africano, em culturas tribais neolíticas, sem ainda o uso da Escrita, mas com organizações, como arte, rituais e organização social, na figura patriarcal do cacique, na universalidade do machismo, fazendo de tal patriarca uma compensação ao sumo poder que a mulher tem em trazer Vida ao Mundo, como no Islamismo, na figura de Deus como um patriarca, num mundo de homens, como um certo político chamando outra certa política de “vagabunda”, remetendo ao final do filmão Thelma & Louise, fugindo de tal patriarcado, como no final do filmão Barbie, numa mulher que pode ser o que ela quiser.

 


Acima, Deus Ex Machina. Aqui é uma elevação, como uma pessoa sendo promovida dentro de uma empresa, uma pessoa humilde, que começou por baixo, colhendo os frutos de sua persistência, como uma pessoa alçada ao poderoso cargo de secretário de estado dos EUA, como numa feminista Hillary Clinton, algo raro em tal mundo de homens, com freiras tendo que acatar um homem, que é o Papa, remetendo a grandes homens como Francisco, sendo simples, humilde e clemente, agregador, positivo, civilizado, progressista, jovem de alma, cheio de senso de humor, remetendo a outro certo senhor, o qual era de uma cabeça cheia de “teias de aranha”, no modo como as crianças, ainda jovens, podem desenvolver malícia em relação a sexo, num absurdo, pois como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo inventou? Aqui são como containeres em portos de trânsito internacional, como na poderosa China, num divertido paradoxo: De jure, uma ditadura comunista na qual o cidadão não tem liberdades como votar ou fazer manifestações públicas; de facto, um país perfeitamente capitalista, num cidadão totalmente livre para empreender. Aqui é a questão ancestral de troca de mercadorias, quando as especiarias indianas com a seda chinesa seduziram a Europa de séculos atrás, numa situação tão universal e atemporal, como no início de Guerra nas Estrelas volume 4, falando sobre rotas de comércio entre sistemas os solares de uma  mesma galáxia, nesse absurdo de grande que é o Cosmos, grande demais para a pequenina compreensão humana, na máxima islâmica de que Alá é grande, numa Humanidade ainda tão aquém de explorar tal vastidão, nutrindo o fascínio de ufólogos, como em Arquivo X, num Mulder fascinado por descobrir tais formas de Vida, frente à cética e racional Scully, no casamento entre razão e loucura, na ironia de que um homem interpreta a loucura feminina e uma mulher interpreta a razão masculina, angariando fãs ao redor do Mundo, na universalidade do drama humano, com artistas com fãs ao redor do Mundo, e fã clubes tão grandes, como no de Whitney Houston, com vídeos com bilhões de acesso no Youtube, numa linda negra que conheceu o céu do sucesso com o inferno das drogas, na noção taoista de que o sucesso é um cu, com o perdão do termo chulo, pois quando o sucesso vem, temos que saber sobreviver a ele e continuar tocando a vida para a frente com humildade e pés no chão, em cobiçados prêmios que podem ser um problema, com tantos artistas oscarizados que têm dificuldade em continuar conduzindo a Vida com humildade, como Michael Jackson, o qual passou o resto da vida tentando, isso mesmo, neste termo, tentando superar o sucesso esmagador do álbum Thriller, e é como numa queda de braço: Quem perde se torna o homem grande; quem ganha, entra em inferno astral – preço alto para a vitória, não? O céu ao fundo são os sonhos de um artista ainda desconhecido, querendo atingir fama e renome, em artistas privilegiados como Andy Warhol, valorizado ainda em vida, num estilo inconfundível, como Romero Britto, descaradamente imitado por um outro certo artista, cujo nome não mencionarei, no modo como os pequenos têm que boquetear os grandes, com o perdão do termo chulo. Aqui é como num ferro velho, com um acumulador compulsivo com sua coleção de coisas inúteis e sem valor, no apego ao material, como uma certa compulsiva, a qual era incapaz de se sentar numa privada e fazer as necessidades fisiológicas, fazendo xixi e cocô em galões de cinco litros e estocando, colecionando os galões cheios de porcaria – é um horror. Aqui é uma ascensão, como Jesus ressuscitando, ou seja, desencarnando, no glorioso dia de soltura, o qual vai chegar, meu irmão, sendo só questão de tempo, num momento em que nos libertamos de TODOS os problemas relacionados ao nosso corpo físico – é a glória! Fora do trabalho ou do estudo, não há salvação, na ironia de que a Vida continua, e que, lá em cima, temos que nos manter produtivos – como posso tirar o chapéu para uma pessoa improdutiva, que vive à toa? Aqui é o sonho do desenho Os Jetsons, num mundo de futuro, de aprimoramento científico, com carros voadores.

 


Acima, Deusa. Aqui parece Lady Gaga, uma megaestrela que sabe que, para se destacar em nível mundial, é necessário que se tenha muita, muita atitude, num caminho sofisticado de simplicidade, pois estilo não tem a ver com o preço financeiro do traje, mas com a atitude jovial de transgressão, como no famoso vestido de pedaços de carne de Gaga, um traje que atraiu tanta atenção, com um preço de custo baixíssimo, na revolução de Chanel, trazendo o conceito da bijuteria, pois o que importa é o efeito, e não o preço, como na beleza de uma mulher arrumada com flores no cabelo – custo baixo, atitude alta, e não há livro ou faculdade que nos ensine a ter atitude, num caminho autodidata, na noção taoista: As pessoas precisam aprender simplicidade por si mesmas, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como nas imagens simples e claras de Botticelli, na capacidade em se expressar de forma clara, simples e fácil, no continuum entre luz, luxo e leveza, no termo latino lux. A moça nos olha com altivez, como na altivez de um DiCaprio recebendo seu Oscar, premiado por um trabalho no qual  astro se esforçou ao máximo, indo a terrenos gélidos para filmar sua participação, no modo como a Academia de Hollywood adora atores que abrem mão da vaidade para se desfigurar para um papel, no termo popular de que beleza não põe à mesa, pois há muitos rostinhos lindos e muitos corpões por aí que jamais serão astros, como um certo senhor, o qual tem o corpanzil do milênio, e jamais será astro, pois Brad Pitt, além de bonitão, tem algo a mais, e o que é este algo a mais? Não se sabe. É uma questão de instinto, num pessoa que simplesmente nasce assim, numa questão de dom, de dádiva, como saber cantar, em talentos como uma Bethânia, na questão de que o que devo mostrar não são meus músculos, mas meu talento, como um certo senhor com corpo de deus, num senhor para lá de medíocre e inexpressivo, uma pessoa desinteressante, que nada de válido tem a dizer – eu sei que parece que é um deus, mas, infelizmente, só parece. A moça está envolta numa colcha de retalhos, no poder criativo do artesanato, das mãos de artesão, no poder do artista plástico em pegar elementos dissociados e associá-los, fabricando, assim, algo novo, como pegar retalhos e fazer tal colcha, como uma certa obra de Arte que vi certa vez, com uma faca com um furo na lâmina, e, agregado a este furo, um cadeado fechado, ou seja, fabricando algo novo, no poder da mente criativa, no papel da Arte em nos deslumbrar e nos deixar perplexos, pois a Arte tem que mexer conosco, se não, não é Arte, como em películas que se tornam comoções mundiais, fazendo filas histéricas nas salas de Cinema, no poder da Sétima Arte, no modo como, já ouvi dizer, as Artes estão umas dentro das outras, como em salas interconectadas, pois o que seria da Dança ou do Cinema sem a Música? O que seria do Cinema sem as Letras para se fazer um roteiro? O estrelato pode ser complicado, principalmente por causa das pressões, como Whitney, a qual disse que, depois do sucesso esmagador do álbum O Guardacostas, passou a sofrer pressões pesadas, como esses técnicos e jogadores de Futebol: Como você acha que é um país inteiro pressionando você para trazer o Hexa para casa? Não é necessária uma estrutura psíquica forte, muito forte? Não é um grande desafio se manter humilde, com os pés no chão? A moça aqui está séria, sem um mínimo traço de sorriso, como no famoso rapper Eminem, sempre sério, sem sorrir, desenvolvendo uma hiperagressividade, num estilo musical que pode ser tão machista e homofóbico, numa pessoa que constrói tais “muralhas” dentro de si como uma defesa, buscando sobreviver num mundo duro, competitivo e agressivo. Os cabelos da moça ondulam no vento, num frescor, num sopro de renovação, na capacidade de se trazer tal frescor ao cenário mundial, no modo como já ouvi dizer: Temos que ver mais jovialidade e mais transgressão no tapete vermelho. A Gaga aqui sente o peso da responsabilidade, de conduzir sua própria vida e carreira, num protagonismo.

 


Acima, Diáspora. O fogo é um desejo ardente, numa fome de artista por fama e renome, numa luta incessante, renhida, numa luta que tem que ser encarada, ao contrário da pessoa em situação de rua, colocando-se em tal situação, querendo, com todas as suas forças, fugir da vida, fugir da luta, nos versos do hino nacional brasileiro: “Verás que filho teu não foge à luta!”, nas palavras altivas de uma certa senhora: “Dos fracos, a história nada conta!”, nas palavras de uma amiga médium espírita minha: “Deus quer nos ver lutando; Deus não quer nos ver atirados nas cordas do ringue da vida”. É o lado macho da vida, de Marte, deus da luta, num mundo competitivo, desde cedo na escola, quando competimos para ver qual é o aluno mais aplicado, num mundo que exige agressividade de nós, na figura feminista da Mulher Maravilha: Bela e formosa como uma boneca, mas superforte, blindada, dando uma surra em qualquer marmanjo mal intencionado. As moças se unem em solidariedade, amor, união, na imortalidade dos laços de amor e amizade, na perspectiva de que teremos a Eternidade inteira para nos relacionarmos com tais entes, no poder imenso do infinito, que é Deus, no inconcebível poder de que jamais findaremos, neste vazio do infinito no qual escrevemos nossas vidas, no vazio de Tao, num vazio tão magnético, numa folha em branco na qual podemos escrever. Ao fundo temos uma anti Pietà, pois é um homem que segura uma mulher, e não o oposto da Pietà tradicional, de Maria triste com Jesus morto. É num divertido episódio do superseriado Chaves, com Dona Florinda segurando o filho Quico, achando que este fora picado por um letal escorpião, na divina imortalidade dos laços de família, com nossos queridos avós nos esperando lá em cima, no modo como toda e qualquer desavença em família tem prazo de validade, e tudo acaba se resolvendo, pois o perdão é o caminho natural do infinito, no modo como eu mesmo resolvi perdoar uma certa pessoa, pois quem odeia, sofre, pois o ódio é uma perda de tempo, no modo como o Ser Humano foi fadado para o erro, e os erros são inevitáveis, na imperfeição natural das pessoas, no sentido da Vida que é o crescimento e a depuração moral, pois as durezas da Vida vão nos fazendo pessoas melhores e mais depuradas, mais sábias, com mais classe e virtude. Aqui é este gosto de Bartlett por paisagens praianas, na liberdade do ar fresco da beiramar, numa sensação de liberdade, com tantas e tantas pessoas que tiram férias no litoral, num momento de nos desplugarmos do dia a dia, abraçando um pouco de ócio e vadiagem, num merecido descanso após um ano inteiro de trabalho e estudo, ao contrário do wokaholic, o qual simplesmente não se permite descansar, como uma certa publicitária, cujo nome é claro que não mencionarei, uma infeliz que se submetia a varar madrugada adentro de sua própria agência, num vício em trabalho, e o Mundo não vai nos abonar por sermos workaholics; o Mundo está cagando e andando, com o perdão do termo chulo. A pedra é o fundamento, a firmeza de uma pessoa centrada no trabalho, no labor, num homem sério, com sua firma, uma rocha firme na qual a esposa pode se segurar com confiança, num homem que dá a sensação de segurança e firmeza, ao contrário das pessoas que vivem ao sabor do vento, sem se centrar, e a Vida exige que sejamos sérios e responsáveis, remetendo a um certo senhor, um alcoólatra e um drogadito de marca maior, abraçando uma vida em torno de suas dependências químicas, uma pessoa que deveria ir a um a hospital psiquiátrico para saber, uma vez na Vida, o que é estar limpo. O fogo aqui é o consolo de uma lareira num dia frio e úmido, naquele frio que penetra nos ossos, em cidades de clima como Londres, com os londrinos de faces pálidas, numa Londres com raros dias de Sol, sonhando com cidades ensolaradas como o Rio de Janeiro, atraindo turistas numa cidade que pulsa natureza e orla. O mar sereno ao fundo é tal estabilidade e tranquilidade, num mar doce, manso, gostoso, numa gloriosa sensação de liberdade e prazer, sem culpa.

 


Acima, Domínio. Aqui é um refúgio, uma zona de conforto, numa base de projeção, uma fuga num mar gelado e traiçoeiro, traiçoeiro como é o coração, o qual só podemos deixar em paz se dermos ouvidos à cabeça, à fria razão, ao psíquico, à mente, pois é exatamente quando ouvimos o coração que nos fodemos, com o perdão do termo chulo, como na infame facada de Bolsonaro, o qual, naquele momento, deixou-se guiar pelo coração, pagando um preço bem, mas bem alto, numa agressão que não desejo a pessoa alguma. É a questão espírita da mortificação, do bloquear o coração de bobagens, bloqueando, assim, espíritos que querem nosso mal, como eu mesmo tive que cortar laços com um sociopata, numa inimizade a qual tive que comprar, e não desejo fazer o mesmo com outras pessoas, pois um só desafeto já o suficiente em minha vida. O urso aqui é corajoso, na figura do leão rei da selva, na figura corajosa de um rei, numa feminista Elizabeth I, com a coragem de desafiar a assim chamada Invencível Armada da Espanha, poderosa então, uma armada que a famosa estadista inglesa venceu, nesses poderes de liderança, como uma certa pessoa, a qual, no colégio, liderou a própria turma na gincana da instituição, vencendo tal gincana, em talento de liderança em grandes homens como Obama e Francisco, humildes, primando pela paz e pela concórdia, longe dos insanos tarifaços de Trump, um homem que causa mais mal do que imagina, no que o Taoismo chama de “guia instável”, como guiar um carro cuja direção não esteja funcionando perfeitamente. A cor do urso é fruto da infalível seleção natural, adquirindo a cor do gelo, escondendo-se, assim, de presas, na sabedoria do camaleão, protegendo-se de predadores e atacando presas, na capacidade do homem de Tao em ser tal nada, tal invisível, no valor da discrição, ao contrário do robert, o showman, o exibidinho, uma pessoa que quer pura e simplesmente aparecer, sem trazer algo de válido ou interessante, e ninguém, ninguém no fundo respeita o robert, como uma certa senhora, inclusive sequeladinha das drogas, uma mulher rica que ninguém leva muito a sério, no modo como dinheiro traz tudo, menos o que interessa, remetendo à socialite Paris Hilton, uma atriz, uma cantora e uma modelo que ninguém leva com seriedade – bem pelo contrário. O urso aqui é tal agressividade na luta pela Vida, tendo que lutar para ganhar o pão de cada dia, nas responsabilidades de um pai de família, como um certo senhor, com uma quádrupla responsabilidade: Sustentar a si, a esposa e as duas filhas, tendo que trabalhar de Sol a Sol para prover tal nível de vida, dirigindo belos carros e morando num belo apartamento, nas lembranças de infância que tenho de meu pai, um homem que deixava bem claro quem mandava ali dentro daquela casa, fazendo a criança entender a hierarquia numa família. A cromaticidade da seleção natural aqui remete a pombos de urbes, cinzentos, acolhidos pelas cores cinzentas das urbes, ficando, assim, “invisíveis”, discretos, nas inevitáveis mutações que geram evoluções e depurações, no modo como a mutação é o ingresso para a evolução, na evolução da Terra, partindo de seres microscópicos até animais e vegetais, gerando o Ser Humano, na crença de ufologistas de que a Humanidade, num remoto passado, recebeu um auxílio de raças alienígenas civilizadas, numa espécie de “empurrãozinho”, numa crença que fere um tanto o orgulho humano, combatendo a ideia altiva de que o Ser Humano evoluiu por si só – será que um Cosmos tão vasto não tem vida além da Terra? Aqui é um cenário de seriedade e solidez, como na catedral de Caxias do Sul, erguida sobre uma pedra gigante, o ponto mais alto da cidade então, deixando bem claro quem mandava ali, no choque entre católicos e protestantes, na transgressão de Lutero, um homem corajoso, desafiando um poderoso Vaticano de então, um Vaticano que não era desafiado nem pela então poderosíssima Espanha, no valor da transgressão, a qual causa a evolução das sociedades.

 


Acima, Donzela viajante. A viagem dá dois prazeres: ir e voltar. É sempre bom sair de casa e ver lugares novos; é sempre bom voltar ao velho e bom lar. Ao fundo vemos um majestoso transatlântico, um navio de cruzeiro, na memória que tenho de Salvador, BA, no museu de arte sacra da cidade, antes um monastério, com uma bela vista para a Bahia de Todos os Santos, com um portentoso navio, na sedução de tais urbes tropicais, nos pés de mangueira na cidade, seduzindo pessoas como eu, de uma cidade de invernos inclementes, com suas poderosas frentes frias, na eterna insatisfação humana: Se estou no frio, quero ir par ao calor; se estou no calor, quero ir para o frio. É como turistas “enlouquecidos” em Gramado, RS, em noites de rara neve, nesse fenômeno tão raro, longe da branca Bariloche argentina, em zonas de clima temperado como Nova York – verões tórridos e invernos rigorosos, na capacidade do homem de Tao em observar as estações indo e vindo, num ritmo, num eterno ciclo que volta ao princípio, saboreando as frutas da estação, como figos no verão e bergamotas no inverno, no hábito gaúcho de se comer bergamota debaixo de um acalentador sol de inverno, em cidades serranas as quais, em dias de verão, podem ter frio digno de inverno, como nas recentes nevascas inclementes surrando os EUA, na capacidade do Ser Humano ancestral em ver divindades nas forças da Natureza, num paganismo derrubado pelas três grandes religiões monoteístas. A moça aqui relaxa no trem, na paciência do viajante em chegar ao destino, como encarar horas e horas num avião, remetendo a um divertido videoclipe da banda Foofighters, num enredo cômico que se passa dentro de um avião, no poder dos videoclipes, ferramenta indispensável para a Indústria Fonográfica Mundial, na revolução da MTV, traduzindo os anseios da juventude, na importância da imagem junto à Música, em astros de tamanha ousadia e transgressão, no poder transformador da Arte, a qual existe para nos deixar mentalmente sãos – Arte é indispensável, no contraste entre as Coreias – na do sul, grupos pop coloridos, no poder da celebração e da paz; na do norte, tudo investido em armistício, o que é um horror insano. É a desintoxicação pela qual refugiados nortecoreanos têm que encarar quando vão à do sul, vindos de um estado opressor e absoluto, no sonho marxista de estados máximos, escravizando e aprisionando os próprios cidadãos, no modo como os ditadores têm muito, muito medo da liberdade de expressão, em países que proíbem ou controlam a Internet – é um horror, pois quanto mais Tao tenho, quanto mais classe tenho, menos controle viso obter, na deliciosa sensação de liberdade que as democracias têm, como na Experiência Extracorporal espírita, quando nos desplugamos temporariamente de nossos corpos carnais, como mergulhar numa piscina quentinha e deliciosa, no conforto uterino de lar e acolhimento, nas cidades metafísicas, perfeitas, limpas, belas, cheias de pessoas que vivem de forma produtiva, laborando no poder do trabalho, o qual não pode faltar. A moça aqui segura um cartão vermelho, no poder dos árbitros de Futebol, na sabedoria popular de que Deus não joga, mas fiscaliza, no rigor do juiz, na chamada Sala de Justiça de super-heróis como Super-Homem e Mulher Maravilha, numa urbe ensolarada, linda, um lugar no qual dá gosto de se viver, na infalibilidade da Justiça Divina, num ser que coloca a si mesmo no Umbral, como espíritos revoltados, que zombam da limpeza do Plano Superior, como pessoas revoltadas, que não conseguem ver o amor de um espírito amigo, que quer nos tirar das terras sujas do Umbral, como tomar banho num banheiro ensolarado, num perfume de limpeza, da gloriosa sensação revigorante de se tomar um bom banho depois de um dia inteiro de transpiração, como no traço cultural salvadorenho, que é tomar não um, mas dois banhos diários, numa cidade cujo clima encoraja tal hábito, longe das terras mais frias meridionais brasileiras. Viajar é um prazer, quando nos deparamos com o mesmo Ser Humano nos quatro cantos do Mundo.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

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