quarta-feira, 1 de abril de 2026

Bom Bo (Parte 24 de 28)

 

 

Falo pela vigésima quarta vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, As sonâmbulas. O homem laborioso ao fundo remete aos homenzarrões corpulentos de Aldo Locatelli – se você é de fora de Caxias e tiver a chance de visitar a urbe serrana do RS, não deixe de ir à Igreja de São Pelegrino, com as deslumbrantes pinturas de AL, um templo que é um verdadeiro museu de Arte Sacra. Aqui é o suor do labor, da pessoa que rala e vai à luta, no modo como uma pessoa rica só pode se manter sã mentalmente se trabalhar de alguma forma, na miséria que fica a pessoa que é considerada feliz na Terra, como os ganhadores da Loteria, na sabedoria popular de que dinheiro compra tudo, menos o que importa, que é felicidade, no modo como uma pessoa muito especial me ensinou que podemos ser felizes com pouco, como no filme Moulin Rouge, com a cortesã que quer se casar com um duque rico, mas que acaba se apaixonando por um escritor pobre, com ela dizendo: “Nós vamos acabar morando na Rua!”, o que é um exagero. As mulheres nuas são a franqueza e a honestidade, remetendo a uma certa psicóloga, a qual atendia os clientes usando uma camiseta que mostrava o formato de seios, numa mulher confortável em ser mulher, em honestidade consigo mesma, mostrando que é mulher, e que gosta de ser assim, numa questão de simplicidade e honestidade, buscando autenticidade, no caminho da pessoa se gostar e aceitar-se como é. Os seios são a nutrição dos mamíferos, como mamar numa caixinha de leite condensado, no modo como os laticínios estão tão penetrados na Sociedade, com vários alimentos sendo feitos à base de leite, remetendo aos intolerantes a lactose, numa questão da pessoa saber até onde pode ir e o que pode fazer, ficando alerta às suas próprias limitações. Os pés descalços são a simplicidade, como nos alvos pés de Maria esmagando a serpente da malícia, remetendo a uma certa senhora fofoqueira, rica e, ao mesmo tempo, miserável, numa vida tão desinteressante que tudo o que lhe resta é cuidar da vida dos outros, falando mal das pessoas, uma senhora que tem um semblante malicioso, e só não mando ela à merda, com o perdão do termo chulo, porque não quero comprar indisposições com as pessoas, pois já tive que comprar uma grande indisposição com um certo sociopata, e não quero mais inimizades em minha vida – simples assim, e esta senhor que colha os frutos de ser o que é e de fazer o que faz, uma pessoa que vai desencarnar e dar-se conta da vida vazia que levou na Terra, talvez topando reencarnar numa vida mais produtiva, correndo em busca do tempo perdido. A câmera é o louvor da Sétima Arte, quando a chegada do som ao Cinema fez uma simples distração se tornar arte de fato, numa Hollywood que é uma das provas de ninguém está por cima o tempo todo, como Meryl Streep, acostumada a todo ano ser pelo menos indicada a um Oscar, uma diva que há vários Oscars sequer é indicada, fazendo do sucesso tal amante infiel, no encargo de superar um doce momento de sucesso apolíneo, como num Romário, mantendo-se humilde mesmo depois de conquistar a Copa do Mundo e voltar em dourado júbilo à nação brasileira, como uma Gisele, com a humildade de dizer: “Desculpe, gente, as tenho que trabalhar!”, e não é insuportável uma pessoa arrogante? Aqui temos laços de afeto e amor, no amor puramente espiritual, de mente para mente, sem as vicissitudes do corpo carnal, no sentido da mortificação espírita, que é não ouvir o traiçoeiro coração e ouvir à fria mente, poupando, assim, a pessoa de sofrer, pois, quando não ouvimos à cabeça, tomamos no cu, com o perdão do termo chulo. Aqui é um set, com uma numerosa equipe, num sharing, que é cada um dando sua contribuição, com tudo girando em torno do diretor, no “xixi” que o saudoso diretor Fábio Barreto me deu certa vez, dizendo-me: “Quando eu falo algo, você tem que obedecer!” – nós te amamos, Fábio! A nudez é a dedicação do ator, como no final de uma peça com Glória Menezes, com a atriz, interpretando uma paciente com Câncer, aparecendo totalmente nua perante a plateia, num ato de coragem e franqueza. Os chinelos no chão são a simplicidade, como no povo salvadorenho, de chinelos nos melhores shoppings da cidade, em particularidades do senso comum baiano, como, por exemplo, tomar dois banhos por dia, na demanda de água na cidade de Salvador.

 


Acima, Asfalto. Aqui é um lamentável acidente, como o que sofri certa vez com meus pais, irmã e sobrinho, no milagre de termos saído com vida, tudo culpa de um condutor bêbado no carro que bateu bem de frente com nosso carro, no modo como é importante termos juízo e responsabilidade, pois quando somos muito jovens, fazemos  muita merda, com o perdão do termo chulo, como eu certa vez adolescente, andando na Rua com uma bicicleta cujos freios não estavam funcionando muito bem, tendo eu atropelado uma inocente menininha, pois, hoje, e diria a mim mesmo: “Não vou sair com uma bike cujos freios não estão cem por cento, pois assim colocarei a mim e outrem em risco”, no modo como a juventude perfeita e felicíssima é uma invenção de velhos, idealizando um passado que não foi tão ideal assim. As fitas amarelas são um aviso para não nos envolvermos no processo, remetendo a um videoclipe com a superdiva Lady Gaga, com esta enrolada em fitas similares, numa artista que é uma bomba atômica de atitude, brindando-nos com tamanho frescor, numa jovialidade de transgressão, estranha, maravilhosa, trazendo mais juventude ao tapete vermelho, nesse competitivo mundo em que elas concorrem para ver qual tem o vestido mais deslumbrante, como no baile da revista Vogue no Rio, numa explosão de glamour para ver quem é mais maravilhoso, nas inevitáveis competições da Vida em Sociedade, como no colégio, onde concorremos para ver quem é mais aplicado, exigindo agressividade da pessoa, na letra de uma certa cação pop: “Todo mundo quer mandar no Mundo!”. O avião é o progresso do Homem, em supermáquinas que desafiam as leis da Física, no galgar infindável de tecnologias, sendo só questão de tempo até o Homem poder viajar pelo Cosmos, na teoria do Buraco de Minhoca, tecendo caminhos para abreviar distâncias, viajando mais rápido do que a velocidade da luz, a qual, apesar de parecer ser rapidíssima, é lentíssima em termo cósmicos. Aqui temos uma vítima, um cadáver, na inevitabilidade dos acidentes, em vidas ceifadas tão precocemente, como uma grande amiga minha, vítima de um acidente de carro, com a qual faço contato espiritual todos os dias para tal amiga abençoar meu dia, na imortalidade dos laços de amizades, pois, fora da amizade, não há salvação, e tudo o que levamos são nossos amigos, pois os amigos são o ouro da Vida. Num detalhe vemos um homem parcialmente nu, com a genitália exposta, na malícia da serpente do Éden, cobrindo os inocentes sexos, no modo do grego antigo em lidar de forma natural com a nudez, como altivo kouros do novaiorquino Met, numa nudez tão inocente, pura. Aqui são as avaliações de tal evento de acidente, com os socorros sendo prestados, como na sucessão de acidentes com a companhia aérea TAM, com muitas vítimas, as quais, reunidas lado e lado no asfalto do aeroporto, formaram um córrego de sangue, na amarga ironia: No setor de checkin da TAM, uma tapete vermelho recebia o cliente, no modo de fazer com que este sinta-se vip e especial; depois de tais acidentes, a cor do tapete remetia ao sangue das tragédias, numa ironia, pois o avião é o meio de transporte mais seguro. No céu uma agourenta nuvem negra de forma, como no céu escuro na crucificação de Jesus, numa imagem tão forte, num Jesus tão humilde e vulnerável, num quadro de fraqueza, a qual se revela força, no discernimento taoista de que fraco é forte, fazendo de tal imagem de vulnerabilidade algo tão forte e poderoso, num caminho de humildade, na ressurreição que foi nada mais do que o simples desencarne de Jesus, voltando triunfante ao Plano Superior em clima de missão cumprida, no modo como a Filosofia não muda o Mundo, e nem Jesus mudou o Mundo, mas Ele segue como uma figura na qual podemos depositar as esperanças de que um Mundo melhor nos espera lá em cima, na mensagem de esperança do Espírito Santo. Este cadáver é como o corpo morto de Jesus no colo de Maria, numa imagem de entrega, como a Nossa Senhora recebendo o oprimido e maltratado Negrinho do Pastoreio, uma figura de folclore gaúcho que também é o fraco que se revela forte.

 


Acima, Asher Lev. O cabelo é o orgulho afro, como no Brasil, no feriado Nacional de Consciência Negra, remetendo a um certo país racista, no qual negros não são bem vindos – é um horror. Aqui remete a uma certa canção pop, na letra dizendo para uma menina afro ter orgulho de seu próprio cabelo, sem prendê-lo ou tentar domá-lo de alguma forma, como na moda capilar dos anos 1970, na chamada blackpower, como na famosa banda Jackson Five, com o infante Michael Jackson, uma criança à qual foi negado ter uma infância normal, num pai tão duro e tirano, magoando para sempre o célebre mestre pop, um Michael que foi tão mal compreendido com suas excentricidades, como construir para si um parque de diversões particular, como uma certa senhora, a qual, adulta, tinha como hobby pilotar carrinhos por controle remoto, uma pessoa que não teve infância, ou como pessoas de mais idade que ficam fervendo pela boemia, talvez pessoas que, em suas juventudes, sentiam-se proibidas de viver tal vida. A moça aqui é pura e inocente, muito jovem, muito “verde”, por assim dizer, e tem todo um aprendizado pela frente, talvez frente a uma vida longa e produtiva, numa encarnação que causa à pessoa um crescimento enorme, pois a depuração moral é o sentido de qualquer vida, no sentido de nos tornarmos pessoas melhores frente às vicissitudes, as quais acabam por nos ajudar, na sabedoria popular de que Deus escreve certo por linhas tortas, como para mim, pois algo que eu desejava se realizou, mas não do jeito exato como eu imaginava, num Pai tão amoroso, que nos atende. Duas mechas que escapam do penteado são a rebeldia, a insatisfação, em ícones como James Dean, numa juventude com seus conflitos, como dentro de um labirinto, de um submundo cheio de pistas falsas e armadilhas, num espírito que está perdido, talvez imaturo, remetendo a pessoas que, enquanto perdem tempo no mimimi, suas vidas estão passando, e ter uma certa idade já é idade para se estar bem resolvido em relação à Vida. A camisa está espartanamente apertada e abotoada, numa disciplina, como aqueles professores totalmente duros e exigentes, como uma professora de Filosofia que tive, ultraexigente, na única cadeira de minha faculdade na qual quase fui reprovado, tendo passado com conceito mínimo, daqueles professores excelentes, quando desejamos cursar mais cadeiras com eles nos exigindo – nem todos os professores valem cada centavo da mensalidade, como outra certa professora, a qual usou para o seu trabalho os próprios alunos, numa falta de apuro moral, quiçá em grande desrespeito, uma pessoa para a qual eu, definitivamente, não tiro o chapéu, ao menos até o presente momento. O traje aqui é meio mórmon, protestante, por assim dizer, na simplicidade dos templos protestantes, limpos, minimalistas, ao contrário de templos exuberantes católicos, cheios de pinturas, imagens e arabescos, no modo como gosto de visitar tais templos fora do horário de missa, nunca tendo eu entrado num confessionário, quando em mesmo, paradoxalmente, tenho como amiga uma freira que foi minha professora no Ensino Fundamental! Aqui é um quadro de discrição, na discrição de se orar na Igreja, remetendo a um certo padre, o qual foi desligado da ordem, um padre que tinha nobres intenções de sincretismo, de unir as crenças e as pessoas, um senhor que recebeu diversas advertências, do tipo: “Atenha-se à discrição de um sacerdote católico apostólico romano!”. O fundo aqui tem uma cor discreta. O cabelo arrumado é como num compromisso social, no qual temos que nos arrumar, como em premiações de gala, solenes, remetendo a uma certa atriz, a qual, talvez de modo inconsciente, quer agredir, arrumando-se de forma precária na hora de tais cerimônias, quando permanece a importância da autoestima, que é a pessoa se arrumar, como, por exemplo, perfumar-se, como o incenso oriental ganhou a Europa, na universalidade de valores como limpeza, pureza e perfume.

 


Acima, Assunção. O barco é o porto seguro, como numa casa segura, criando crianças, numa responsabilidade. Aqui é como os leves pés de Jesus caminhando na água, na série de milagres que Ele cometeu, no sobrenatural que se impõe ao físico, desafiando leis da Física. O abraço é o amor, a amizade imortal, a qual dura para sempre, como uma madeira nobre, de boa qualidade, durável, imune a cupins, ou como os metais nobres, ou como pedras preciosas, aparentemente eternas, fazendo metáfora com a imortalidade da mente humana, pois pedras são matéria, e toda matéria está fadada à danação, à ruína, remetendo aos espíritos mundanos materialistas, obcecados com essa ilusão que é a matéria, como no Mito da Caverna, da pessoa agrilhoada a ilusões de tolos auspícios, trazendo o papel do filósofo que é nos acordar e nos fazer olhar além da caverna, libertando-nos, como Neo libertando a Humanidade em Matrix, num processo cognitivo de acordar as pessoas para a dura realidade nua e crua, num choque de realidade o qual, de início, é duro de se aceitar, como no doloroso fato de que a Filosofia não muda o Mundo, pois nem a majestade de Jesus soube mudar as mazelas do Ser Humano, num Mundo agressivo com suas guerras, nas levas recentes de americanos protestando contra o semitirano Trump. É como na “desintoxicação” que refugiados nortecoreanos sofrem ao se refugiar na Coreia do Sul, recebendo as noções de que vêm de um estado opressor e totalitário, tirano, cruel, entendendo de que cada um cuida de si, no caminho da liberdade de expressão, no forte contraste entre as duas Coreias: Na do norte, tudo investido em armistício, roubando do cidadão e originando um estado pobre, paupérrimo, sem escolas, hospitais ou estradas; na do sul, uma festa colorida do k-pop, num estado em que a pessoa é dona de si mesma, na deliciosa sensação de liberdade de se estar na beira da praia, respirando ares de renovação, nos versos de uma certa canção: “Sem liberdade, não há amor; sem amor, não há liberdade”. O branco do barco é a paz, em esforços diplomáticos, num homem de Tao, o qual nunca recomendará violência, ao contrário do homem medíocre, no caminho degradante da raiva, a qual é menor do que a paz, pois só a paz é eterna, e toda e qualquer desavença vai se resolver, como no degradante Umbral, uma casa de passagem, pois o caminho inevitável e natural é o crescimento, e ninguém está no Umbral para sempre, como um certo professor que tive, o qual se desentendeu fortemente comigo certa vez, e ele e eu seremos grandes amigos, pois no Plano Superior vamos nos reencontrar e tudo ficará em paz, no caminho da amizade, a qual é o ouro da Vida. O azul marinho é tal de discrição, como nos ternos sisudos de políticos em Brasília, no impacto de um Clodovil em tal ambiente de homens, na desolação do menino gay na hora do futebol na Educação Física escolar, como vi certa vez um rapaz que pura e simplesmente se recusava a fazer essas aulas com os meninos, jogando, assim, vôlei com as meninas, e cabe a nós respeitar, pois, afinal, a vida é dele e não nossa, como em grandes cidades, com estranhos convivendo na mesma urbe, com cada um cuidando de sua vida, no modo como tanto respeito casais gays na Rua, afinal, faz tempo que homossexualidade deixou de ser oficialmente doença psíquica, nas luzes esclarecedoras da Ciência e do glorioso pensamento racional. A criancinha é ainda pequena, e mal compreende o mundo à sua volta, como vi hoje mesmo na Rua uma mãe com duas crianças, num peso duplo de responsabilidade, no modo como eu já disse a uma certa pessoa: “Para se aturar uma criança, é preciso uma paciência descomunal”, em atos como imposição de disciplina, preparando a criança para os sisos da vida de adulto. Esta elevação é como uma colônia espiritual, numa dimensão ligeiramente acima da Terra, num lugar onde a Vida continua, e trabalho e estudo não podem faltar, na ironia de que o Céu não são anjinhos loiros tocando harpas, mas um lugar de responsabilidade e disciplina.

 


Acima, Atribuição. Aqui é um lar disfuncional, com uma mãe relapsa e ausente, indiferente aos filhos, fugindo da responsa, como no livrão As Horas, no mestre Michael Cunningham, numa mulher que abandona o filho, arrependendo-se quando este morre por suicídio, num rapaz soropositivo, no modo como minha geração, que foi criança nos anos 1980, no boom mundial inicial da AIDS, já chegou alertada à maturidade sexual, sabendo da importância do uso de preservativo, ao contrário de uma subgeração antes de mim, pega de surpresa pelo terrível vírus. O quadro é sombrio, escuro, incerto, como nos quadros barrocos, no jogo entre claro e escuro, no inevitável advento das vogues, das ondas, como na vogue de uma Carmen Miranda, trazendo cor e alegria a um Mundo pesaroso com os horrores da II Grande Guerra, numa época em que não havia clima para festa, nos horrores de extermínio em massa, na passagem de grandes sociopatas como Hitler, remetendo a uma certa pessoa, louca, com certeza, tentando catequizar jovens para o Nazismo, no caminho da loucura, que é não querer sair da prisão no dia glorioso de soltura, como no espírito que, ao desencarnar, quer voltar para o corpo físico, o qual perdemos no desencarne, num caminho sem volta, como um certo senhor, no caminho sem volta da drogadição, condenado a apodrecer o resto de seus dias numa clínica psiquiátrica, perdendo-se nas drogas, ao contrário de vidas destruídas que têm perspectiva de reconstrução, mesmo que lenta e gradual, num ponto de fundo de poço na vida da pessoa. O carente menininho nos olha, e está desamparado, como um certo rapaz órfão, que veio ao Mundo sem pais, um rapaz que tentara de matar, sendo enviado a uma clínica psiquiátrica, decidindo se dedicar à sua religião, a Umbanda, uma religião tão forte e vibrante, acolhendo os socialmente execrados, no poder dos tambores africanos, imitando a fluidez das batidas do coração, no modo como já ouvi que a Vida é o nervo da Arte. A cadeira caída é o desleixo e o descuido, como pais sociopatas, expondo os filhos ao perigo, no exato caminho oposto ao pai zeloso, na absoluta falta de apuro moral nos sociopatas, pessoas as quais temos que, por media de segurança, excluir de nossas vidas, como uma pessoa de minha família, uma pessoa sociopata, pessoa que um dia visitarei no Umbral, convidando tal pessoa a ir comigo a um lugar melhor, no caminho da humildade, que é admitir que se necessita de auxílio, no feliz modo como ninguém está no inferno para sempre, sendo tudo processo e transformação, no caminho da Eternidade, da qual não é possível se falar ou descrever. A mulher dorme, sem consciência do caos em sua casa, com menores abandonados, espíritos corajosos, que topam reencarnar em tal contexto duríssimo e miserável, sofrendo, assim, um descomunal desenvolvimento espiritual, voltando ao Lar Superior, no qual nossa Mãe Divina nos acolhe, fazendo da Imaculada Conceição uma forma de nos fazer entender que somos todos frutos de tal concepção sacrossanta, e cada um de nós é único, fazendo metáfora com a rica galeria de personagens construídas durante a brilhante carreira de Chico Anysio, personagens altamente únicos, distintos, no privilégio do Brasil ter tido no país tal gênio humorístico, em artistas que nos deixam perplexos com tamanha genialidade, no modo como o palhaço o será estando ou não remunerado por tal, no caminho do desinteresse, em brilhos que nos deixam perplexos, como Chico Xavier, um espírito tão, mas tão depurado, o qual nos ama e nos acompanha, nosso irmão, nosso igual, nosso Chico, o qual me ilumina no exato momento em que escrevo este texto! A luz fraca que entra na sala é a esperança, numa reviravolta de vida, na pessoa que assume o controle de sua própria vida, mandando os outros à merda, com o perdão do termo chulo, como um certo senhor, o qual mandou o Mundo se danar e foi tratar de ser feliz, pois que vida é esta na qual sou prisioneiro dos outros? Aqui, a inocência infantil não nos deixa compreender completamente o que acontece, como um certo casal de narcotraficantes, vendendo drogas na frente da filha pequena – é um horror.

 


Acima, Autorretrato. O olhar é sério, até triste, como uma certa celebridade, a qual, mesmo sorrindo em público, tem os olhos tristes, ou como outro certo senhor, com um olhar tristíssimo, talvez numa grande carência afetiva, como na carência afetiva da pessoa solitária, havendo golpistas que se aproximam de tais pessoas para a estas explorar, como seduzir viúvas solitárias, no estilo de vida solitário, sem norte, na necessidade suma de nos ocuparmos com algo produtivo e positivo, no modo como lamento sobre certas pessoas, as quais estavam bem engajadas socialmente, mas pessoas que acabaram abandonando tais atividades, no modo como não existe a palavra “aposentadoria”, pois a Vida é produtividade sempre, como a senhora minha avó paterna, a qual, ao se aposentar como professora, passou a escrever poesia, para ter algo para fazer de seus dias na Terra, dizendo em um de seus textos: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”, fazendo menção à neblina invernal comum nas cidades da Serra Gaúcha, e a Vida é isto, uma tarde brumosa a qual temos que preencher de alguma forma, na vida tão, mas tão vazia da pessoa rica que não trabalha, na ilusão do dinheiro, o qual é o tempo todo visto como um paraíso, no inferno do ganhador da Loteria, sendo um prisioneiro de sua própria riqueza, como um certo novo milionário, do qual pessoas interesseiras se aproximaram, pessoas estas que são qualquer coisa, menos amigos, pois amizade é sem interesse, sem cobrança, no caminho espiritual do Amor Incondicional, o qual é leve e desapegado, ao contrário do amor doente, obsessivo e possessivo, como um certo senhor, nutrindo tal amor fixado, sofrendo assim, como no filme espírita E a vida continua, num rapaz obcecado por uma moça, querendo possuir esta; querendo ser dono e senhor desta, no caminho oposto ao da liberdade, a qual é fundamental, na sabedoria de Hebe Camargo numa entrevista: “Em amizade não pode haver cobrança!”. O preto é a discrição do luto, como em velórios, eventos sociais que não são festas alegres, mas eventos que são uma boa oportunidade para reencontrarmos parentes e amigos, naquele café forte de velório, para lembrar que não é festa, no modo espírita de ver o desencarne como algo natural, ao contrário do costume de religiões que vêem a morte de forma tão escura e atroz. O cachecol aqui é o frio, na frieza da cabeça, do pensamento racional, o qual serve para proteger o coração e poupar este de sofrimentos, no papel do psicoterapeuta em nos mostrar o Mundo da forma mais fria possível, libertando-nos da “caverna” e nos trazendo para o mundo real, no termo “dar espetadas”, que é acordar o paciente para a realidade. Na cabeça, o preto de impõe, como nos lugares escuros de submundo, com espíritos sofredores, arrastado-se por tal escuridão, sofrendo, num lugar horrível, num antro, como no antro do monstro Laracna, de Tolkien, num confuso labirinto aprisionador cheio de lixo e desnecessidades, num espírito que vaga por tal plano, no modo como nossos pais nos colocaram no Mundo para o Mundo, e não para um submundo, na necessidade de honrarmos pai e mãe, sendo um processo longo e doloroso que é voltar do submundo, como desgarrar de um vício, num pesadelo de crise de abstinência, pois que vida é esta na qual centro-me numa escuridão total? Que vida é esta? O artista aqui se arrumou para o retrato, barbeando-se devidamente, no gosto de se ver um homem barbeado e aprumado, com perfume de colônia pós barba, no ato de autoestima, que é arrumar-se para interagir socialmente, na figura do filantropo, o qual se arruma para dar aos pobres um exemplo de autoestima, muito distante do morador de Rua, o qual definitivamente não tem autoestima, numa vida tão degradante, dormindo dentro de setores de terminais bancários. O casaco aqui não está totalmente abotoado, numa folga, num respiro, num intervalo, pois até Deus descansou no sétimo dia, trazendo os dias de folga no Plano Superior, quando podemos passear pelos belos recantos plácidos da colônia espiritual, num plano de paz inabalável, onde todos se amam e respeitam-se.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

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