quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Anders Zorn de A a Z (Parte 5 de 7)

 

 

Falo pela quinta vez sobre o pintor sueco Anders Zorn. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Estúdio Idyll. Aqui é uma entrega, numa relação de confiança, com a modelo muito à vontade no estudo de Zorn. Aqui é metalinguagem, pois é césar falando de césar – a arte da Pintura falando sobre a arte da Música, remetendo aos versos de Bossa Nova: “Um cantinho; um violão”. A pose aqui é o erótico sem ser vulgar, como no nu de extremo bom gosto da Playboy brasileira, como na avassaladora primeira Playboy de Adriane Galisteu, alçando esta ao status de estrela, com o Brasil inteiro “babando” com tal ensaio de bom gosto, ao contrário da segunda Playboy de Galisteu, ignorada, no modo como ninguém está por cima o tempo todo, na liquidiscência da Vida, fluindo em altos e baixos, com ondas ascendendo e descendendo – não deixa de ser engraçado. O suporte é de sedutora pele de animal, extremamente suave ao toque, na famosa foto de Monroe nua numa cama de veludo ou seda, como na atitude fina de uma pessoa agradável, deixando-nos confortáveis, tal qual um fino veludo, suave, delicioso, fazendo metáfora com alguém sendo bem tratado e amado, no conforto primordial uterino, no choque que é sair de tal invólucro e vir ao Mundo, no feto respirando pela primeira vez, chorando, num sinal de Vida; num sinal de que nova Vida veio ao Mundo. O nu aqui não é total, e é por isso que é ainda mais provocante, pois a cabeça da modelo está coberta por um lenço, num recato que contrasta com tal nudez de entrega, numa pose quase ginecológica, num Zorn que sabe o limite entre sexy e vulgar, como nos famosos calendários da Pirelli, com modelos nuas em poses de extremo bom gosto, como certa vez Gisele em tal calendário, com um dos seios expostos, mas com o mamilo coberto pela mão da própria modelo, como na pudica Vênus de Botticelli, cobrindo a genitália e um dos seios, no modo como a pessoa tímida é uma pessoa que chama a atenção sobre si mesma, como na contradição de Diana – uma mulher tímida que tanta atenção midiática atraía. O rosto da modelo é ruborizado, talvez tímida, talvez numa época em que modelos nuas em estúdios não eram bem vistas pela Sociedade, no momento do Éden em que a malícia entra em cena e as genitálias são cobertas, na malícia humana, remetendo a uma grande professora que tive no Ensino Fundamental, a qual, ao ver que os aluninhos estavam maliciosos em relação a Sexo, resolveu das aulas de Educação Sexual para varrer tal malícia, pois não canso de dizer: Como Ele pode ter vergonha de algo que Ele mesmo inventou? Aqui é algo bem confortável, numa sensação deliciosa de repouso, e a modelo está deitada, entregue, como se confiasse totalmente no artista, como uma pessoa que conquista nossa confiança, como num psicoterapeuta, a comadre bem paga para a qual nós desabafamos e abrimos todos os cômodos de nossas mentes, na confidencialidade do consultório de Psicologia, na paciência necessária para se aprofundar em tal terapia, até chegar ao ponto do terapeuta ficar íntimo nosso, conhecendo-nos profundamente, como um certo psiquiatra que conheci em Porto Alegre, o qual, em sessão com certos pacientes, tomava com estes um uisquinho, algo inusitado, porém inofensivo, sendo este psiquiatra cheio de senso humor, na máxima popular de que rir é o melhor remédio, na ironia fria dos números, no inconcebível poder da Eternidade, sobre a qual não é possível de se falar – existe poder maior do que o fato de que jamais findaremos? Não é Deus o infinito? Aqui é um momento de repouso, numa pessoa que sabe que, como ser humano, tem que ter pausa e descanso, ao contrário de um publicitário portoalegrense que conheci, um senhor que, certa vez, passou 48 horas sem dormir, só trabalhando, e isso não tem como ser positivo ou saudável – dê-se ao respeito, rapaz! O belo corpo aqui é imaculado, como uma casa com decoração minimalista, clean, onde só há o necessário, num Zorn que parece saber que a sensualidade reside, precisamente, nos espaços vagos, havendo nestes uma força gravitacional, sexy, sempre a serviço do Mundo. A mulher está alheia, olhando para o lado, distraída, mal sentindo a presença do artista ou do espectador. Aqui remete à bela abertura da novela da Globo Barriga de Aluguel, com a mãe dando à luz.

 


Acima, Filhas de Ramón Subercaseaux. Zorn gosta de espaços vagos, como se fosse algo que atrai a visão do espectador, o qual é a razão de qualquer artista – o que é de um popstar sem seus fãs? Aqui é a doce infância, o lúdico, na fase da Vida em que a pessoa ainda não adquiriu juízo, não entendendo termos abstratos como respeito. Aqui são menininhas burguesas com pais que podem bancar o serviço de Zorn, como nas ricas menininhas de Renoir no MASP, nas palavras de uma professora minha de Arte no Ensino Médio: A Arte custa relativamente caro, como no dinheiro para bancar as grandiosas e suntuosas instalações de Christo e Jeanne-Claude, uns dos artistas mais grandiosos e pomposos do Mundo, quiçá os mais pomposos, nessa capacidade da Arte em fazer “cair nosso queixo”, em filmes que causam comoções mundiais, como na comoção de A Lista de Schindler, na mensagem de humanidade versus crueldade, em um filme que tem algo de válido para nos dizer, ao contrário de outros filmes, os quais nada de interessante têm para dizer, dignos do deboche Framboesa de Ouro – Hollywood tem esta doença endêmica, que á a escassez de bons roteiros. Aqui é a simplicidade da criança, no chão, à vontade, numa casa limpa e confortável, em filhos muito bem criados, aprendendo o discernimento entre classe e vulgaridade, em infantes cercados de todos os cuidados, no enorme desafio que é criar filhos e incutir em suas mentes valores nobres, como o respeito ao próximo – é muita responsabilidade. O carpete rubro é o sangue que une as irmãs, nas frequentes brigas entre irmãos, na capacidade da crueldade humana em Caim matando Abel, nas guerras em que irmão mata irmão, como no sensível videoclipe da banda Thirty seconds to Mars, com integrantes escondidos debaixo de armaduras bélicas, tirando tais armaduras, olhando uns para os outros e observando a insanidade que seria uns matarem aos outros, no modo como a Vida precisa de mais sensibilidade, como eu disse ao meu querido avô Ibanez (in memoriam): “Guerra já tem demais no Mundo, vô!”. A brincadeira é o modo interagir com o Mundo, de reconhecer terrenos, num desenvolvimento de psique, como em cursos de Inglês para crianças, tendo que ser um curso divertido, no qual a criança aprende brincando. O carpete vermelho é o interior uterino, o ventre sagrado de Nossa Senhora, na imaculada conceição que a todos nós gerou, pois somos todos deuses, divinos, príncipes feitos de puro espírito, na eterna classe de Tao, dando-nos o presente da Vida Eterna, na figura de esperança do Espírito Santo, no glorioso dia de libertação, como num último dia de aula na escola, no fim do ano letivo, abraçando as doces férias de Verão, num momento de recreio e descanso, para encarar, depois do descanso, um novo trabalho e uma nova missão, na possibilidade de reencarnação, ou seja, voltar para a Terra em nova missão. O centro aqui é incerto, em inevitáveis dúvidas humanas, e Zorn tenta captar crianças inquietas, que não param quietas, algo pertinente às pinceladas impressionistas, furiosas, impetuosas, cheias de vontade de viver. Aqui é o início da imprescindível alfabetização, fazendo de cada professor um degrau importantíssimo na trajetória de uma pessoa, como na palestra de um psiquiatra que assisti, o qual narra o caso de uma pessoa que passou por vários terapeutas, mas só se acertou com o quinto ou sexto terapeuta – o crédito tem que ser dado a todos os médicos pelos quase a pessoa passou, e não apenas ao último médico. Aqui é uma época em que ainda não havia o sedutor televisor, como na minha geração, de quem foi criança dos anos 1980, passando manhãs inteiras vendo programas infantis televisivos, assistindo a excitantes desenhos animados de super-heróis, no desejo infantil de adquirir tais poderes, como voar ou ter superforça. Cada menina aqui está absorvida em seus próprios assuntos, numa considerável diferença de idade, com interesses diferentes, no caminho de crescimento, quando parte da própria criança a iniciativa de guardar os brinquedos num armário, abraçando o início da maturidade sexual.

 


Acima, Frances Cleveland, esposa do presidente Grover Cleveland. Zorn pinta tantos modelos nuas quanto modelos pudicamente vestidas. Aqui é tal paixão de Zorn pelos EUA, o país mais livre e democrático do Mundo, causando inveja a regimes totalitários. Aqui é uma cena de baile, de elegância, no momento em que a menina se desinteressa pelas bonecas e começa a ser seduzida pela vida social, numa mulher que leva muito a sério o se arrumar na hora de vir a público, na competição para ver qual é a mulher mais maravilhosa da noite, na magia de uma mulher com flores no cabelo, exalando fidalgo olor. O vestido aqui traz uma certa ousadia, com o peito exposto, quase apontando o formato dos seios, e com braços descobertos, talvez num vestido Primavera ou Verão, nas virginais debutantes de branco, fazendo metáfora com o sopro de novidade primaveril, numa explosão de vida e beleza, como em certa vez num baile caxiense de debutantes, com as moças chegando a um tradicional e chic clube da cidade, com meninos pobres de Rua na porta do clube, hipnotizados por tanta beleza e privilégio, em lamentáveis abismos sociais, fazendo das classes sociais ilusões, como numa pessoa rica, acostumada em estar cercada de serventes, uma pessoa que desencarna e pergunta: “Onde estão meu serventes?”, num espírito que não entende que os “anéis” de poder mundano no Mundo ficam, na frase que não canso de dizer: Ayrton saiu de cena, pois só com nua humildade se entra no Reino dos Céus, havendo a loucura dos espíritos mundanos, os quais não querem deixar a “prisão” terrena. O cabelo da moça está devidamente arrumado, colocado para cima, num penteado com conceito, na mulher que passa no cabeleireiro para se arrumar no fim de tarde, para ir para casa e vestir o vestido suntuoso, indo finalmente à festa, remetendo a uma doce senhora que conheço, uma relações públicas que adora organizar festas, sabendo do prazer que reside na interação social, como em festas em clubes, fazendo metáfora com as suntuosas e belíssimas festas metafísicas, em eventos terrenos como a Festa da Uva, um momento em que a sociedade se debruça sobre a eternidade plena metafísica, numa rainha jovem para sempre, regendo em sua excelência moral, no poder da verdade sobre as trevas, como no laço mágico da Mulher Maravilha, o qual, ao enlaçar alguém, faz com que este diga somente a verdade, nas palavras sábias da senhora minha mãe: “A mentira tem pernas curtas!”. A moça aqui está extremamente comportada, esperando que um cavalheiro a tire para dançar no baile, na regra social – é sempre o rapaz quem tira a moça para dançar, havendo em certas mulheres a transgressão, como na personagem Olenska em A época da inocência, uma mulher transgressora não muito bem vista pela Sociedade da época, prima de uma mulher mais conservadora, esta, sim, respeitada pelo corpo social, nas sábias palavras deste grande homem que foi o diretor Fabio Barreto: “Uma sociedade só pode evoluir mediante transgressão de alguns de seus indivíduos”. O vestido e a parede formam um continuum cromático, como num esperto camaleão, invisível, discreto, escondendo-se de predadores e ficando imperceptível para presas, numa pessoa com poder de adaptação, como na facilidade de fazer amizades, remetendo a um triste colega que tive no Ensino Fundamental, o qual era um lobo solitário, sem amigos, uma pessoa com muita dificuldade de se entrosar, fazer amigos e estabelecer relacionamentos, um rapaz que, ao ser indagado por uma colega minha, disse a esta: “Não me relaciono com pessoa alguma” – cada um com suas dificuldades. As sobrancelhas aqui são delineadas e disciplinadas, como nas disciplinadas sobrancelhas do famoso busto de Nefertiti, uma mulher plena em sua beleza, transcendendo, uma mulher que, ao parecer de certos egiptólogos, exerceu um governo transitório de alguns anos, num Egito que só podia ser governado por homens, em ícones feministas de figuras femininas que dão uma surra em qualquer marmanjo mal intencionado, no caminho da igualdade de gênero, pois o espírito não tem sexo.

 


Acima, Freya. Aqui temos um nu mais ousado, exibindo mais a genitália, talvez um quadro que tenha causado escândalo e reações adversas na época em que foi pintado. A vagina é como uma caverna que leva a uma gruta, que é o útero, nos versos de uma certa canção brega: “Se você quiser se esconder, eu escondo você”, numa conotação sexual. A mulher aqui está jogada, no termo “jogar-se nas cordas”, como me disse uma certa médium espírita, que disse que Deus quer nos ver lutando, batalhando pela Vida, remetendo à população de Rua, pessoas refratárias que não querem saber de viver em Sociedade, visto que na Vida em Sociedade há regras, como trabalhar/estudar e ter horário para as coisas, num caminho de disciplina, quando que, na situação de Rua, não há pessoas para confrontar tais moradores, numa vida absolutamente desregrada, visto que, em abrigos de assistência social, os moradores de rua são confrontados com a realidade, como se tivessem com os dedos “na tomada elétrica”: Você não pode ficar aqui o dia inteiro assistindo TV; você tem que fazer sua carteira de identidade, tem que ir para a Rua procurar trabalho e tem que se reerguer! Aqui é como uma prostração depressiva, numa pessoa que simplesmente não vê sentido na Vida ou no Mundo, numa pessoa que sequer quer conversar, remetendo a uma senhora que conheço, a qual passou por uma forte crise depressiva, num aspecto psicossomático, quando a pessoa fica fisicamente abatida, mal conseguindo caminhar na Rua, na enorme diferença entre estar triste e estar deprimido – estar de luto é uma coisa; estar deprimido é um fundo de poço na vida da pessoa, num ponto em que a pessoa tem que empreender um esforço enorme para se reerguer, como no roqueiro célebre Axl Rose, o qual, depois de beijar o fundo de poço, está se esforçando para se reerguer, na estrada em turnês da famosa banda, tendo já se apresentado várias vezes no Brasil, nas sábias palavras de Dercy Gonçalves: A Vida é luta! A modelo aqui parece estar adormecida, entorpecida, inconsciente, mal sabendo que está posando nua, nos braços de Morfeu, com os sonhos de significados existenciais, com partes do self psíquico projetadas, fazendo com que as análises de sonhos sejam interpretações semióticas, no aspecto da pessoa se conhecer bem, compreendendo a interação onírica consigo mesma. O cômodo escurecido serve para destacar o alvo corpo da mulher, num jogo quase barroco de claro e escuro, no básico e fácil discernimento taoista – quando digo que algo é masculino, é porque conheço o oposto, que é feminino, na eterna ironia dialético em que tudo traz em si sua própria contradição, no jogo de sedução entre razão masculina e loucura feminina, como nos versos de uma certa canção de Chico Buarque, na qual o homem sério e sisudo, que sai de casa para trabalhar, é provocado pelo vaivém das ancas da mulher sensual na Rua, na sedução do Éden, quando Eva convence Adão a provar da maldita maçã, como na maçã envenenada de Branca de Neve, na vitória do Amor sobre o Mal, havendo na vilã rainha o quadro de profunda inveja, na obsessão mundana em se obter poder, no modo como a Sociedade cobra do homem o sucesso e o êxito, ao contrário da mulher, à qual é permitido ser uma anônima dona de casa, mãe e esposa, sempre vivendo na sombra de um homem – é assim que as meninas são criadas, sendo malvista a mulher independente e bem sucedida. Os seios são opulentos, fartos, cheios de leite, numa cadelinha amamentando, na dedicação maternal, passando até por um quadro de desnutrição para amamentar as crias, na sabedoria popular de que ser mãe é padecer no paraíso! Aqui é uma entrega, numa pessoa rendida, no termo “abrir as pernas”, como uma pessoa que, sem dignidade e sem autorrespeito, topa ser “puta pobre”, com o perdão do termo chulo, como uma mulher que concorda em ser uma mera amante, uma fulaninha qualquer de um homem casado, no caminho que vai contra a depuração moral: Se é para ser uma mera número dois, então é melhor ficar sozinha! Os seios são macios e não fazem resistência, ao contrário dos duros silicones, num aspecto não muito natural.

 


Acima, Garotas de Dalarna tomando banho. Uma cena de intimidade, num Zorn aqui como um intruso curioso, como um voyeur, o qual busca por um exibicionista. Aqui é como na intimidade de um séquito de íntimas aias, como no séquito de Elizabeth I, num momento de relaxamento no qual a rainha não precisava se aprumar, ao contrário da hora de vir a público, numa rainha que levava extremamente a sério o se arrumar na hora de vir a público, sabendo que uma aparência majestosa conquista a confiança do povo, como um certo senhor sociopata, o qual conseguiu se eleger presidente por que tinha uma aparência acima de qualquer suspeita, sendo posteriormente deposto, numa espécie de máscara caindo. As moças estão à vontade estando nuas na frente das outras, ao contrário de uma mulher homossexual extremamente masculina, não gostando de tirar a roupa na frente das outras pessoas por não se identificar com seu próprio corpo feminino, como seios, vulva etc., uma mulher gay que acha um saco ter que menstruar e usar absorvente íntimo, chegando ao ponto da transexualidade, quando a pessoa quer, com todas as suas forças, pertencer ao sexo oposto. Podemos ouvir aqui o delicioso ruído aquoso, como nesses corpos fluidios e aquosos, como em uma cena de dois rapazes gays no seriadão Sex and the city, os quais, ao apalparem os seios da personagem Samantha, a vagabunda, com o perdão do termo chulo, admiraram-se com a maciez dos seios femininos, remetendo às jogadoras de Futebol, protegendo os seios na hora de fazer uma barreira numa cobrança. Aqui é um delicioso banho quente, no prazer de se deitar numa banheira quentinha, uterina, agradável, algo longe do honesto banho de ducha, o qual nos lava perfeitamente, mas o qual não tem lá muito glamour, no modo como lamento o fato de que em todos os lugares em que morei até hoje em minha vida, nenhum destes tinha banheira... Os corpos estão úmidos e lustrosos, banhados, remetendo a um majestoso comercial televisivo do perfume francês da Dior, o J’adore, com a estrelíssima Charlize Theron, toda nua, emergindo de águas brandas como uma Vênus sendo revelada ao Mundo, na explosão de uma Gisele, a menina comum, de sangue comum, que se tornou a princesa do Brasil, uma mulher que sabe que, se parar de trabalhar, virará “peça de museu”, em carreiras longevas como a de Madonna, sobrevivendo há décadas no complicado cenário da celebrização mundial, numa capacidade de sobrevivência, como baratas sobrevivendo a hecatombes nucleares. Aqui paira no ar um perfume, no fabuloso ritual de renovação que é um banho, remetendo ao limpíssimo povo baiano, o qual se banha de duas a três vezes por dia, ao contrário de outros lugares, no qual o padrão é um banho diário, nesse país amigo chamado Bahia, um Éden para quem gosta de estudar História do Brasil, sendo a primeira capital brasileira, uma terra abençoada na qual nunca faz calor extremo. Aqui é o aspecto civilizatório de limpeza e higiene, ao contrário do insalubre Egito Antigo, no qual a mortalidade infantil era alta e a expectativa de vida era baixa, na dificuldade de um faraó em, com seu numeroso harém, colocar no Mundo um herdeiro varão que chegasse à idade adulta. Aqui temos esta pincelada impecável de Zorn, com a branca luz difusa entrando no cômodo e iluminando as lindas modelos, no modo grego de observar a beleza do corpo humano, na explosão renascentista de da Vinci, um artista talentoso o qual atraía muita inveja na competitiva Florença, na vitória do talento sobre a mediocridade, como no célebre mestre professor gaúcho Tatata Pimentel, o qual só respeitava a inteligência de alunos excepcionais, chamados estes de “elite” , num homem que detectava o provincianismo tolo. A modelo na banheira está molhada, com pinceladas brancas que mostram tal aspecto úmido, na fantasia sexual de um homem heterossexual, achando sexy, muito sexy duas mulheres transando, mas como ouvi de uma certa moça homossexual, a qual disse que tais filmes pornôs de mulheres transando pouco corresponde à realidade do sexo lésbico de fato.

 


Acima, Garota tricotando. Aqui é um quadro de paciência e dedicação, como na imagem da Nossa Senhora Desatadora de Nós, debruçando-se pacientemente sobre a missão de desatar. Aqui é o poder transformador das mãos humanas, no diferencial humano que é ter polegares opostos, possibilitando tal manuseio e atividade. Aqui é o momento do funcionário na fábrica, abraçando as tarefas do dia, como numa indústria química de minha família, a Veronese, de portas abertas desde o ano de 1911, com vários funcionários, cada um com sua função numa complicada esteira de produção, num processo complicado análogo à produção de um carro. Aqui é como uma carinhosa mãe ou avó, tricotando meias de lã para os filhos e netos, nos zelos de cuidado, no “choque térmico” que é a pessoa sair de casa e ir morar sozinha, sentindo falta dos zelos maternos, num processo de “desmame”. Aqui é como o tear, no trabalho de costureira e tecelã, na universalidade das roupas e do estilo, como na sedução que a seda chinesa causou na Europa, com tecidos finos e muito caros, acessíveis só às elites europeias, como na alta corte de Versalhes, uma vida de luxos e privilégios que contrastava com os flagelos do povo francês, num rei que acabou deposto, assim como no rompimento comunista que fuzilou a família real russa, como no golpe que destituiu Isabel do Brasil, fazendo esta se exilar na Europa, na dança de cadeiras do poder, sempre o poder, em homens de caráter corrompido, embriagados pelo poder, em déspotas homofóbicos como Putin, travando a infame guerra contra a Ucrânia, num ditador condenado pela Comunidade Internacional, com apelos de paz feitos pelo Papa. O tricô de lã vermelha é vibrante, sangrento, no apelo vibrante de tal cor, na sedução de uma mulher de vermelho, como uma certa feiticeira que vi certa vez em Porto Alegre, uma mulher de vermelho com uma energia bela e estonteante, na beleza eterna de uma relva fresca e verde, nessas pessoas especialíssimas, que nos deixam energizados, com a sensação de uma energia elétrica na espinha, em casos raros, de pessoas excepcionais e vibrantes, como uma certa cigana certa vez, a qual me deixou com essa maravilhosa sensação de energia na espinha dorsal – é maravilhoso. Aqui é um canto de labor, num pequeno estúdio, como minha falecida e querida avó Carmen, por parte de mãe, a qual, à tarde, depois de uma manhã mantendo a casa em ordem e cozinhando, tirava tal etapa do dia para costurar, no modo como me tricotou certa vez um cachecol de lã amarelo, numa avó tão amorosa e sensível, a qual vive plena e luminosa no glorioso Plano Metafísico, a dimensão da juventude eterna e do labor dignificante, na ironia de que, depois de desencarnado, o indivíduo se depara com a necessidade de fazer algum trabalho, na grande construção da carreira espiritual, na qual nenhum trabalho é em vão. A luz vem de cima e ilumina o trabalho manual. É como na luz divina que se sente ao se receber o passe espírita, numa amorosa pessoa irmã nos passando tal energia boa e reconfortante, nessas pessoas maravilhosas que trabalham nos centros espíritas, uma função bloqueada para os sociopatas, os quais nada mais querem do que vantagens mundanas – é um horror. Aqui é um quadro solitário, num labor solitário, nos versos de uma certa canção pop recente: “O caminho é solitário”. É como numa estrada solitária, na necessidade da pessoa em ter momentos a sós, consigo mesma, desligando-se um pouco do Mundo, ao contrário de um casamento mal sucedido que conheci, no qual ela foi trabalhar na firma dele, algo que então sobrecarregou o relacionamento, pois casa e trabalho são esferas diferentes. Aqui é como em uma certa abertura do programa televisivo de culinária de Rodrigo Hilbert, quando o homem aparecia fazendo tricô, numa pessoa entrando em contato consigo mesma: Se sou basicamente Yin, tenho que desenvolver meu Yang; se sou basicamente Yang, tenho que desenvolver meu Yin, até chegar ao ponto da pessoa não projetar em outrem partes de si mesma. Aqui é o fato de como não pode faltar trabalho, como um longevo Paul MacCartney, um oitentão em plena atividade, fazendo shows de mais de duas horas de duração.

 

Referências bibliográficas:

 

Anders Zorn. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 8 nov. 2023.

Anders Zorn. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 8 nov. 2023.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Anders Zorn de A a Z (Parte 4 de 7)

 

 

Falo pela quarta vez sobre o pintor sueco Anders Zorn. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Presidente Glover Cleveland. A paixão de Zorn pelos EUA, um “americano adotivo”, por assim dizer. Os livros são a cultura e o esclarecimento, no modo como os cidadãos de países ricos são leitores vorazes, na noção de que um país se faz com homens e livros. O relógio de bolso é o registro do tempo, na tradição democrática americana, um país que foi avançando aos poucos, abolindo a escravatura, permitindo o voto feminino e elegendo um homem negro presidente, na lástima que foi Hillary não ter sido eleita, derrotada por um homem não muito fino, este enraivecendo uma turba que invadiu o Congresso Americano, num ato semelhante aos vandalismos em Brasília, num Ser Humano sempre confuso, sem o simples discernimento de que fino é forte e de que grosso é fraco, nas palavras sábias de Obama: “Você será lembrado pelo que construiu e não pelo que destruiu”, como em vândalos pichadores, achando que estão construindo algo de nobre e válido. O homem aqui usa uma elegante gravata borboleta, num homem que sabe que, na vida pública, a aparência da pessoa é muito importante, ao contrário de certas mulheres desarrumadas, que subestimam a importância do garbo, como num Evita Perón, a qual levava extremamente a sério o se arrumar na hora de vir a público, conquistando os corações dos proletários descamisados, como Diana, uma mulher arrumada, encantando as pessoas com tanto glamour, em personalidades mágicas, de carisma esmagador, ao contrário de um carismático Mussolini, que acabou mal, muito mal. A luz entra branda na sala, num dia encoberto, nesse talento de Zorn em captar tal luz, num pincel tão sutil. As cortinas são finas, aristocráticas, dignas de um gabinete de presidente, como a seda chinesa encantou a Europa, na vitória do sutil sobre o grosseiro, em monarcas franceses vestindo tais tecidos exclusivos, acabando na deposição do rei francês, o qual mal se importava com o preço do pão e a fome do povo, pois um líder que se afasta de seu próprio povo deixa de ser líder, como na deposição dos Romanov na Rússia, neste eterno talento humano egoísta: Se estou bem, resto que se ferre. O relógio é a passagem do tempo, sendo só questão de tempo até o mandato expirar, chegando o momento de uma nova eleição, na troca de cadeiras, num país em que, de tão livre, o voto não é obrigatório, porém num país em que o cidadão não pode se prostituir e ser dono de seu próprio corpo, talvez numa herança puritana protestante, sempre castrando a sexualidade feminina, na figura idealizada da Virgem, à qual não foi permitido ter sexualidade, como em certas culturas em que a genitália feminina é mutilada e castrada, na figura do patriarca, a imagem que temos de Deus, na noção islâmica de que Deus é homem e ponto final, quando que os espíritos desencarnados não têm sexo nem sexualidade, ou seja, de fato, somos todos irmãos, mas Caim sempre assassina Abel, sinto em dizer – é um horror. A cadeira, o trono, é tal empoderamento, no modo como o poder pode corromper a alma do homem, num Trump que simplesmente não teve a elegância de aceitar a vitória de Biden, num Trump que, infelizmente, cativa milhões e milhões de eleitores. O homem aqui está a poucos passos da calvície, num homem vivido e experiente, no modo como não é bom ser jovem demais, pois, quando somos adolescentes, não temos juízo nem responsabilidade, tornando-nos inconsequentes. Apesar de já um tanto idoso aqui, não há cabelos brancos, ao contrário do Aragorn de Tolkien, um senhor grisalho o qual, apesar de estar na casa dos quarenta, era um homem no auge da virilidade e na flor da idade, como na figura de James Bond, um homem na meia idade absolutamente vigoroso e viril, na figura patriarcal do macho alfa comedor de mulheres, com o perdão do termo chulo, no modo como o menininho, quando nasce, é coberto pelos preconceitos do Mundo, nos quais homem pode tudo e mulher pode nada. O homem aqui é disciplinado, posando pacientemente para Zorn, remetendo a um certo artista plástico que conheço, o qual  tira uma foto da pessoa e a partir da foto faz uma pintura a óleo, ou seja, poupa a pessoa de posar por horas.

 


Acima, Sommarnöje. Este incrível talento de Zorn para retratar águas, num talento inacreditável, marcante. O homem aqui é sedutor, querendo que a moça embarque, como na capa de um dos álbuns do cantor Eros Ramazzotti, com Eros remando um barco numa linda noite de luar, num amante sedutor, na letra de uma canção de Fábio Jr.: “Esquece e vem”, como na Dona Flor de Amado, com o homem do dinheiro e o homem romântico, no modo como a mulher gosta dessas duas coisas no mesmo homem, rechaçando um homem que é só romântico e um homem que é só garantia e segurança, como um homem que conheço, o qual levou um “pé na bunda” de duas mulheres, pois estas tinham expectativas românticas em relação a tal homem, quando que o romantismo está em pequenas coisas que não custam um só centavo, como por exemplo a mulher cozinhando no fogão, com o homem abraçando-a por trás e dando-lhe um beijinho, como me disse uma amigona psicóloga: “Nos relacionamentos amorosos, todos os dias temos que dar uma pequena reconquistada no cônjuge”, pois os relacionamentos amorosos são difíceis, pouco importando se é hetero ou homossexualidade. A mulher aqui é a hesitação, pensando se o homem tem uma proposta digna de respeito, no modo como tudo tem que começar pela cabeça, pela razão, na garantia do Yang, na proposta de homem, sólida, realista, como uma sisuda proposta de casamento, no modo como o glamour da Lua de Mel só dura poucos meses, entrando em cena o dia a dia do casal, quando um começa e se deparar com os defeitos do outro, nas palavras de um certo senhor: “Eu estou até hoje casado porque minha esposa aguenta meus defeitos”, como um certo casal, no qual ele é fumante e ela não, mas ela, em compensação é uma chata assumida, ou seja, tem que haver paciência sempre – não é perfeito, mas é meu cônjuge, e eu o amo! O dia é incerto e cinzento, numa sisuda Quarta Feira de Cinzas, quando a alegria do veraneio acaba e temos que voltar a nossas sisudas vidas, encarando o labor e o estudo, como na divertida tira do mestre cartunista Iotti, com a família voltando da praia, todos com cara de emburrados, sentindo o peso da seriedade da Vida. A mulher aqui não é cinzenta, mas branca, na pura cor do leite, na moça na embalagem de leite condensado, talvez virgem, guardando-se, como uma mulher que casou virgem tendo pelo resto da Vida o mesmo parceiro sexual, num comportamento bem visto pela Sociedade, na qual o homem, antes de se casar, tem que ter uma visa sexual ativa, requentando prostíbulos, nas duas figuras misóginas de feminino: a santa e a puta, com o perdão do termo chulo, quando que, na verdade, a mulher não é nem uma, nem outra, como no seriadão Sex and the city, com mulheres modernas, vivendo suas sexualidades, catapultando Sarah Jessica Parker ao status de estrela, num seriado que tanto conquistou a mulherada, numa conversa honesta sobre sexo, num seriado se passando nuns EUA protestantes, que no passado condenava mulheres por bruxaria, na condição e Eva em ser um mero arremedo do perfeito Adão, sendo culpa de uma mulher pelos males do Mundo, numa Eva diabólica e maliciosa, que corrompeu Adão idealizado, talvez num patriarcado com “inveja” do poder feminino em trazer Vida ao Mundo, construindo um patriarcado como uma compensação, uma divisão de poderes, na figura do cacique indígena, assumindo o controle da tribo. A cena aqui é erma, e o casal parece estar bem sozinho, num momento propício para tal flerte. Mas a mulher está incerta, não sabendo se confia no homem, num ato de cautela, de sabedoria e precaução, como no filme As pontes de Madison, num homem que não fornece uma proposta sólida nem realista a uma mulher, fazendo desta uma mera amantezinha, como no filmão Elizabeth, quando a rainha se dá conta de que nada mais foi do que a putinha de um homem, com o perdão do termo chulo. A água é plácida e convidativa, e podemos ouvir o delicioso ruído aquoso, numa pessoa vibrante, num artista que sabe “atear fogo” numa plateia ensandecida.

 


Acima, Sophia, rainha consorte da Suécia e Noruega. Aqui é uma vida vivida, numa mulher no Inverno da Vida, construindo sabedoria e sensatez, como num longevo Leonardo da Vinci, o qual se manteve jovial e brincalhão até o fim da Vida, numa pessoa que não se permitiu envelhecer demais, como um senhor que conheci em Porto Alegre, o qual usava roupas extremamente fashion e modernas, joviais, mais jovial do que muitos, muitos jovens de fato, um senhor que chamava a atenção de tão moderno, algo extremamente inusitado para uma pessoa de mais idade. A mão sobre a face é o repouso, numa pessoa que sabe que a Vida precisa de pausa e de calma, na sabedoria de que Roma não foi erguida em um só dia, nessa “pressa” que as pessoas jovens têm, em achar que um relacionamento de dois anos de duração é uma eternidade. A luz lateral revela as marcas de velhice na face, numa mulher que já foi linda, num espírito que, ao desencarnar, opta por qual imagem ter no Plano Metafísico, rejuvenescendo assim, sendo jovem para sempre, mas com a sabedoria de um espírito que já passou por muitas vidas, tendo passado por muitos lugares, num caminho de crescimento e depuração: o importante na Vida é a evolução, fazendo com que nos tornemos pessoas melhores, menos egoístas e menos alienadas, no eterno exemplo do personagem Oscar Schindler, um playboyzinho fútil que acabou se compadecendo com os problemas do Mundo, escrevendo a lendária lista que tantas vidas salvou, numa Hollywood um tanto judia, crucificando Mel Gibson quando um dos filmes deste colocou os judeus como os executores de Cristo, na perseguição aos judeus, como num insano Hamas, numa guerra de terror, nesse “talento” humano em primar por destruições desnecessárias, como atingir uma inocente editora parisiense, a Charlie. As suaves mãos envelhecidas seguram um lenço fino, leve, macio, agradável, na questão do termo latino “lux”, que é luz, luxo e leveza, como na Cinderela, numa Disney que traz às crianças o discernimento entre Bem e Mal, ao contrário da obra sombria que é O Senhor dos Anéis, num livro que fala sobre a fraqueza humana perante o Anel do Poder, num anel corrompendo homens basicamente bons, no esforço de renúncia de Galadriel, a qual negou o Anel, adquirindo humildade e permanecendo ela mesma, sem ser desfigurada por tal sedutor poder. A consorte aqui é pudica, com o corpo quase todo tapado por vestes, com elegante adorno na cabeça, numa mulher decente, com pudor, construindo toda uma vida pública, conquistando o respeito do povo, como num machista Antigo Egito, no qual o MÁXIMO que uma mulher podia sonhar em chegar era ser a grande esposa real, que aparecia publicamente ao lado do rei, uma esposa acima de todas as outras integrantes do harém do faraó, uma lei machista que foi transgredida por Hatshepsut, a mulher que foi faraó de fato, num momento excepcional, raro. Aqui é a dignidade de realeza, numa posição de poder e de representatividade, representando uma tradição que serve para nos dar uma amostra do infinito, do atemporal, da dimensão acima da nossa, da dimensão em que tudo é jovem, fino, belo, limpo e eterno, fazendo com que as duras cidades terrenas sejam meras cópias toscas das divinas cidades espirituais, para onde voltaremos após nossas sisudas encarnações na Terra – é só questão de tempo, meu irmão. Aqui é uma pessoa que aprendeu “na marra” a ter majestade, como na rainha consorte Camilla, uma figura não muito carismática, num povo que teve que “engoli-la”, por assim dizer, uma consorte a qual, mesmo em tal posição de poder, não é uma figura na qual o povo inglês coloca necessariamente suas esperanças – na Vida não se pode ter tudo. O repouso aqui é numa poltrona, num abrigo para uma pessoa idosa, numa vida cheia de confortos e regalias, no modo como pode ser duro para um presidente “desencarnar” do poder, não aceitando a derrotas nas urnas, como num elegante FHC, passando humildemente a faixa presidencial para Lula, havendo neste o carisma de um homem que não teve acesso a muito estudo.

 


Acima, Sr. Henry Clay Pierce, financiador e pioneiro da indústria de petróleo. Zorn gosta de retratar esses senhores digníssimos, grandes homens, que fazem a diferença, com muita austeridade, na noção de que o Mundo pertence somente aos austeros e dignos, sendo o resto tolos sinais auspiciosos, como tediosas alas vip de boates, quando que, na verdade, o coração da festa está na pista de dança. Aqui temos um retrato de corpo inteiro, com impecáveis sapatos, símbolos de status, como em Liza Minnelli entrevistada pelo mestre gaúcho Tatata Pimentel, dizendo a este, claro, em inglês: “Sapatos fabulosos!”, como num cliente que entra na loja, com o vendedor olhando para os sapatos do cliente, sabendo, assim, se trata-se de uma pessoa abastada ou nem tanto – é a crueldade da Sociedade de Consumo, na qual os que não têm dinheiro nada são. Esses senhores se arrumam para posar, em homens ricos, que têm como bancar o serviço de tal pintor excepcional, como nas meninas burguesas de Renoir no MASP, numa família com dinheiro para fazer tal encomenda, na burguesia que ascendeu na Revolução Francesa, guilhotinando Maria Antonieta e chocando países tão tradicionais como a Inglaterra, a qual cultua até hoje sua própria aristocracia, numa espécie de meio termo, numa monarquia parlamentar – o monarca reina, mas não governa. Pierce segura um livro, símbolo de conhecimento e intelectualidade, numa pessoa quieta no seu canto, lendo, como a senhora minha mãe, uma pessoa muito letrada, inteligente – sem eu aqui quer ter Complexo de Édipo –, uma pessoa que devora livros, no prazer de uma boa leitura, como num delicioso texto de LF Veríssimo, meu escritor ídolo, um homem tão discreto e reservado, dizendo, em sua sabedoria, que a pessoa tímida, como ele, é, na prática, uma “Elke Maravilha”, atraindo atenções para si, numa contradição divertida, no conceito dialético de que tudo traz em si sua própria contradição, no senso de humor de Tao – duas faces para cada moeda, como na xilogravura, num jogo de sedução entre côncavo e convexo; positivo e negativo. O escritório elegante aqui é a responsabilidade, no peso da coroa sobe a cabeça, num homem que sabe que tem que ter tato diplomático, cautela, como se soubesse que a travessia num rio tem perigos ocultos, como um cirurgião no momento da cirurgia, num momento de extrema concentração e dedicação, como numa foto de uma amiga minha médica, fazendo uma cesárea, altamente dedicada a tal delicado momento, no peso da responsabilidade, numa seriedade adulta a qual o muito jovem não tem, num adolescente para o qual o mundo dos adultos é extremamente tedioso e desinteressante, num “galeto” – nem pinto, nem frango. A poltrona confortável é a regalia do poder, num estilo de vida tão confortável, numa mansão tão confortável e luxuosa como a Casa Branca, limpa, com deliciosas refeições servidas ao presidente e sua família, numa bela banheira Jacuzzi no banheiro, nas regalias do poder, sendo duro para um homem terminar o mandato e retirar-se da célebre mansão americana, como FHC dizendo sentir falta da majestosa piscina na residência presidencial em Brasília, na sedução do Anel do Poder, subestimando o poder da humildade – a arrogância precede a queda. O gabinete é organizado, como uma mente organizada, numa pessoa que adquiriu um norte para sua vida, ao contrário de uma pessoa desnorteada em um submundo, perdida dentro de um labirinto traiçoeiro e cheio de pistas falsas, até a pessoa se dar conta que está andando em círculos, perdida, sem noção, numa pessoa solitária e perdida, construindo uma enorme carência afetiva – é triste. A barba feita e o bigode alinhado são a polidez, o garbo, e a elegância, como num bom galã da Era de Ouro de Hollywood, em charmes como Clark Gable, gerando a maravilhosa sátira do grande mestre Chico Anysio, o ator Alberto Roberto, cheio de estrelismos, esnobando suas coatrizes, com AR dizendo: “Eu não ga-ra-vo”. A decoração é como no suntuoso Palácio Piratini, sede do governo estadual gaúcho, com pinturas do célebre mestre Aldo Locatelli, numa identidade gaúcha.

 


Acima, Sra. Eben Richards. Provavelmente aqui temos uma noiva, arrumada para tal momento de glamour e glória na igreja, fazendo da noiva a estrela da cerimônia, na noção machista de que o casamento é o passo mais importante na vida de uma mulher, no termo “bela, recatada e do lar”, como uma mulher que conheço, a qual abandonou a carreira docente e abandonou um bom emprego de bancária para se tornar puramente mãe, esposa e dona de casa, no modo como ser apenas uma dona de casa não vai dizer a tal mulher quem esta é, no processo de identidade da pessoa, como a personagem Mulan de Disney, encarando a guerra e partindo em busca de tal identidade. O buquê de flores é a beleza da Vida, na beleza de explosão de Vida primaveril, na elegância de uma noiva com um buquê de copos de leite, no machismo da cor branca, exigindo que a moça case virgem, pura e casta, ao contrário do marido, como no famoso casal Perón e Evita – ele dava umas “puladas de cerca”; já, ela, nunca. O vestido é majestoso, digno de um casamento de realeza, na intenção burguesa de se parecer com a aristocracia, em vestidos tão suntuosos como os de noivas em casamento de realeza inglesa, no modo como tais rituais seduzem o Mundo, como num certo casamento inglês nos anos 1980, com o noivo e a noiva saindo de linda carruagem da igreja, já enlaçados, com o casal jogando quilos e quilos de pétalas de flores brancas pela extensão do cortejo pelas ruas de Londres, convidando todo o povo a fazer parte de tal glamour estonteante, fazendo do Ser Humano um ser ritualístico, na dura noção religiosa: “O que Deus une o homem não desune”, como na ruptura entre católicos e protestantes, numa Europa tensa, muito longe da paz medieval na qual o Vaticano era tudo, com os sinais dos tempos chegando, em passos de renovação como as Navegações e a Renascença, no momento em que o tradicional terraplanismo perdia força, no advento de passos decisivos como a Revolução Científica, no momento em que as superstições dão lugar ao raciocínio lógico, imaginando o porquê da Peste Negra ter atingido em cheio a Europa, como nas condições insalubres no Antigo Egito, com mortalidade infantil alta e expectativa de vida baixa, nas palavras positivistas na bandeira nacional brasileira: Ordem e Progresso, no desenvolvimento do pensamento racional, livre como uma águia nos céus, acima de bobagens e crendices sem fundamento científico. A moça é pálida como o vestido, pura, como a donzela élfica Arwen de Tolkien, entregue pura e casta ao marido, passiva, gentil, triste, reservada, modesta. O vestido é o fascínio da Moda sobre as mulheres, em ocasiões especiais como eventos de gala, num tapete vermelho para ver qual mulher tem o vestido mais majestoso e estonteante, como no evento novaiorquino Met Gala, numa certa esnobice, sinto em dizer, com os ricos, com dinheiro para comprar o ingresso, exibindo suas roupas suntuosas, querendo humilhar os pobres. A noiva aqui não é uma Maria qualquer, mas uma moça de família abastada e poderosa, gozando de regalias de poder socioeconômico, estudando em boas instituições caras de ensino, gozando de privilégios, como uma viagem maravilhosa à Disney, uma mulher que não se vende por “um e noventa e nove”, no filme Harry e Sally, no qual há a noção de que há dois tipos de mulheres – alto custo e baixo custo –, com Harry dizendo a Sally: “Você é o pior tipo: alto custo disfarçada de baixo custo!”. O luxo do vestido traz tal farfalhar, num cômodo luxuoso, como no sutil farfalhar de veludo negro de Kim Basinger no filme que lhe um Oscar, numa estatueta tão cobiçada, com zilhões de atores os quais jamais serão sequer indicados ao prêmio, num senhor que conheci, o qual se desiludiu com a carreira de ator e tornou-se advogado – cada um tem o direito de sonhar com uma vida melhor. A moça aqui está paciente, esperando pelo momento, tendo uma paciência para encontrar o pretendente ideal, exigindo um homem sério, centrado, uma rocha firme que dê à mulher a sensação de segurança e estabilidade, que é o Yang.

 


Acima, Sra. Potter Palmer. Zorn gosta de tais vestidões suntuosos, em mulheres elegantes, ricas, nos esforços de uma Patrícia Abravanel em encantar o brasileiro pobre, numa Patrícia obcecada em ter aparência de rica, numa Evita Perón caprichando no visual elegante, querendo deslumbrar o humilde proletariado com glamour e vestidos de maisons parisienses. Aqui a burguesa usa uma tiara digna de rainha, na sedução de tal adorno, como na personagem Amy em The Big Bang Theory, absolutamente deslumbrada por ganhar do namorado uma tiara digna de princesa, num adorno que toca na autoestima da mulher, fazendo esta se sentir tal princesa, como um pai carinhoso, que trata a própria filha como uma princesa, nos versos de uma célebre canção: “Meu coração pertence a papai, pois ele ma trata tão bem”. O vestido aqui é, definitivamente, extravagante, arrastado pelo chão de garbosos salões de festa, pelos salões arrastando o seu vestido rendado, nos versos de Aquarela do Brasil. A escuridão ao fundo serve para fazer um contraste com o vestido alvo, no jogo barroco entre claro e escuro, como nas divindades da Primavera de Botticelli, figuras humanas claras respaldadas por um fundo escuro, num artista que sabe que quando digo que algo é liso, é porque conheço o oposto, que é áspero, como na mulher baixinha que faz destacar o marido alto, ou como o coadjuvante faz realçar o protagonista. Aqui temos um belo salão de baile, pronto para servir tal evento pomposo de ricos e poderosos, num salão limpo, pronto para receber os garbosos convidados, em eventos solenes, ao contrário de uma certa atriz americana, a qual definitivamente não se arruma para um evento solene, o que é grave, pois o se arrumar é um ato de autoestima, como uma mulher indo semanalmente à manicure para renovar o visual das unhas, num ato que não é apenas feminilidade, mas autoestima, como o rapaz fazendo a barba para uma festa, num momento em que a pessoa busca ter a melhor aparência, girando em torno da plenitude do Plano Metafísico, o lugar limpo onde não há uma só fagulha de poeira ou pó, o plano que nos proporciona empregos maravilhosos, que exigem de nossas mentes, na noção de que não pode faltar trabalho, estando eu encarnado ou não – a seriedade da Vida continua, meu irmão. A Sra. Potter Palmer segura um leque emplumado, como se fosse um cetro, numa posição de poder, no conselho taoista: Nunca fique exibindo sua riqueza como um pavão! É o valor da discrição. As furiosas pinceladas impressionistas de Zorn retratam tal suntuosidade, no modo como, numa festa, neste mundo competitivo em que vivemos, as mulheres competem para ver qual é a mais maravilhosa, nessa guerra no tapete vermelho, com comentaristas de Moda julgando os trajes, elegendo as melhores e as piores, no modo como ninguém está por cima o tempo todo, num ator que pode ter tanto um Oscar quanto uma Framboesa de Ouro, como Halle Berry, nas gangorras hollywoodianas de sucesso e insucesso, numa terra sedutora que destrói tantos e tantos sonhos todos os dias, em pessoas fortes como Gisele, vendendo tais cruéis vicissitudes, em casos raros de sucesso, pois o Mundo não é dos fortes? A mulher aqui é digna de uma recepção de realeza, como a personagem de Sharon em Cassino, circulando elegantemente entre os convidados, dando as boas vindas a todos, no fascínio de uma mulher que, além de usar um vestido elegante, tem uma atitude e um comportamento elegantes, pois quando a pintura é ruim, não há moldura que a salve, como um álbum ruim, cuja capa não o salva do fracasso, ou como um filme que parte de um roteiro ruim, impossível de consertar tal filme com trilha sonora, elenco etc. Atrás da dama de branco vemos uma pintura, talvez cara, de um artista famoso, numa casta social que tem o poder para adquirir tais peças, num artista feliz, reconhecido ainda em vida, como nas inúmeras encomendas feitas a Andy Warhol – é um privilégio, com tantos artistas reconhecidos só depois da morte. A mulher sorri suavemente, gentilmente, sabendo que uma mulher sorridente enche um salão de graça.

 

Referências bibliográficas:

 

Anders Zorn. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 8 nov. 2023.

Anders Zorn. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 8 nov. 2023.