quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Não pise na Gram (Parte 3 de 3)

 

 

Falo pela terceira e última vez sobre a pintora americana Angela Gram. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Coisas crepusculares. Aqui temos uma análise e uma desconstrução, no método ocidental de dissociação, como no ser Frankenstein, criado a partir de pedaços de cadáveres, ou como no famoso quadro do Tiradentes, do mestre acadêmico Pedro Américo, com a cruel execução do homem que teve a coragem de pensar contra o vento, na época em que o Brasil era ainda uma mera colônia, com Tiradentes esquartejado e exposto em praça pública, na intenção de aterrorizar o cidadão comum, nessa tendência humana para com as ditaduras, as quais oprimem e assustam o cidadão comum, no modo como se deve tratar com respeito as pessoas que estão abaixo na hierarquia, pois respeito é para quem tem, na simplicidade do homem respeitado, que nunca trata os outros com diferença, num rei simples, que gosta dos hábitos do cidadão comum, como tomar um café do tipo mais comum possível, sem as afetações da bolha de privilégios que foi Versalhes, no monarca alheio ao próprio povo, sendo deposto por este, pois o líder que se afasta do povo deixa de ser líder, em homens tão majestosos e amados como Pelé, um homem simples, humilde, o qual nunca deixou o sucesso subir à cabeça, ao contrário da maioria dos famosos, os quais podem se revelar narcisistas de marca maior, pessoas desinteressantes, sem papo, sem conversa, como uma certa senhora estrela com a qual jantei certa vez, uma senhora que só sabia falar de si mesma, no desprezo do mestre Allen para com as celebridades, produzindo um filme no qual o diretor expressa tal desprezo. A luz aqui é dúbia, crepuscular, num momento do dia em que não é dia, nem noite, remetendo aos berros de uma senhora minha vizinha, berrando, em tal horário, para a filha voltar imediatamente para casa, no encargo de responsabilidade de uma mãe, tendo que se esforçar para criar a criança da forma mais nobre possível, na tarefa de se incutirem valores nobres, no discernimento de que grosso é fraco e de que fino é forte, num Ser Humano para sempre equivocado, crendo que a grosseria é maior, na brutalidade humana de forçar as coisas, como numa ditadura, ou como em homens como um certo grosso burro que se tornou um homem poderoso – é um mistério, como uma certa senhora cantora desafinada, de voz medíocre, uma senhora que arrastou um milhão e meio de pessoas para um show recente, ao contrário de uma voz avassaladora como Céline Dion, a qual jamais arrastará tanta gente para um show, no mistério daquilo que é necessário ter, no poder do estilo e da atitude, em artistas ousadas como Gaga. O animal aqui está em transição, num momento de crise, no modo como as crises são positivas, pois estas assinalam um momento de renovação na vida da pessoa em crise, numa vida que precisa de tal renovação e arejamento, numa força da pessoa em se reerguer, empreendendo um esforço enorme, ao contrário de um senhor que conheço, o qual se perdeu nas drogas, numa vida devastada, sem chances de reconstrução – é deprimente. O animal aqui, herbívoro, é um prato cheio para a fome de carnívoros agressivos, como leões, nas leis da Natureza. O animal está sendo estraçalhado pelo predador, numa morte cruel e dolorosa, na crueldade de queimar uma pessoa viva na fogueira, na sanguinolenta Maria Tudor, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo algo que Jesus JAMAIS faria, neste ser odioso que é o Homem, esquecendo definitivamente da revelação ensolarada de que somos todos filhos especiais do mesmo Rei Supremo, o qual nos criou com todo o Amor, como um escritor compondo personagens, sendo “amigo” destes, num ato amoroso, como reza a lenda de que da Vinci nunca quis se separar da famosíssima Monalisa, a queridinha do Louvre, num quadro pequeno, porém de valor inestimável, na prova de que tamanho não é documento. Aqui é como no teletransporte de filmes de Ficção Científica, em pessoas transportadas para distâncias enormes, em sonhos nerds de ficção, na contradição dos nerds, os quais, apesar de serem pessoas de inteligência descomunal e esmagadora, são vítimas dos marqueteiros, num nerd juntando dinheiro para comprar um bem não essencial, como um pote biscoiteiro em forma de Batman.

 


Acima, Garças acasalando. Aqui é a libido natural, no modo como o Sexo é natural, no instinto de preservação da espécie, como numa gata se contorcendo no cio, em adolescentes na Primavera, como um professor que tive no Ensino Médio, o qual decidiu, em rompante, encerrar a aula antes do horário previsto, crendo que os alunos estavam muito eriçados hormonalmente, nas palavras de Marta Suplicy, dizendo que na Adolescência é perfeitamente normal se masturbar dez vezes por dia, em cenas peculiares, como vi certa vez um casal de pombos acasalando. Aqui é o Sexo como um final, como salmões nadando correnteza acima para a desova das fêmeas e o esperma dos machos, em peixes abocanhados por ursos famintos, recém saídos da hibernação, no modo como a Biologia não deixa de ser engraçada, no grande piadista que é Tao, pregando peças, no senso de humor de uma Ellen Degeneres, assustando convidados de seu famoso talk show, numa mulher moleque, jovial, como da Vinci, o qual, apesar de ter morrido longevo, manteve-se sempre com muito sendo de humor, na capacidade humana de rir de si mesmo, na piada que é tudo trazer em si sua própria contradição, no jogo cósmico de sedução de opostos entre Yin e Yang, no deus Eros unindo tais opostos universais, na universalidade humana do casal heterossexual – o homem personifica o Yang da mulher, a qual, por sua vez, personifica o Yin do homem, como num tradicional casal japonês, com o homem antipático e carrancudo, seguido de uma mulher doce, simpática e agradável, no modo humano de compor o casal heterossexual, em ele representando eles e ela representando elas, numa questão simples de representatividade pública, como cumprimentar tal casal, sendo o suficiente cumprimentar apenas um dos membros de tal casal. Aqui é como na viúva negra devorando o macho após a cópula, como no filme Instinto Selvagem, no arrebatador início com a mulher assassinando brutalmente o homem bem no momento que este atingia o orgasmo, esta força de libido que tanto escraviza o Ser Humano, na força que tanto excita, como nos inúmeros sites de fotos e filmes pornôs, no modo como tudo em excesso é prejudicial, como ficar horas se masturbando em frente a um computador – não tem como ser saudável ou positivo. Podemos ouvir o som das aves em êxtase, num divertido Chandler em Friends, dizendo que quando um homem conquista alguém para o coito, tal homem pensa: “Finalmente alguém que fazer Sexo comigo!”. Aqui é este gosto de Gram por dissociações, como num quebracabeça desafiador, como num romance policial, do detetive tentando elucidar um crime, em mestres como Agatha Christie, desafiando a inteligência do leitor, distribuindo pistas falsas para desnortear este, sendo tão raras as pessoas que conseguem desvendar o mistério antes do fim de tal livro. Aqui o orgasmo é como uma bomba explodindo, como num filme, cujo nome não me lembro, no qual Keanu Reeves e o finado River Phoenix interpretavam dos prostitutos, na ação de diretor em representar o orgasmo com uma casa de madeira se estraçalhando ao cair no chão, ou como no filme B Liquid Sky, no qual o homem, ao ter orgasmo, simplesmente desaparecia. O pescoço das graças são a elegância, como uma pessoa polida à mesa, nunca colocando os cotovelos na mesa, em livros de etiqueta, no modo como me sinto lisonjeado por ser respeitado por uma certa senhora polidíssima, a qual escreve livros de etiqueta, no desafio de se obter o respeito de pessoas desafiantes. Aqui é na canção de cunho sexual oculto: “O cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada. O cravo ficou ferido; a rosa, despedaçada”. Aqui é o orgasmo em conjunto, com os dois obtendo prazer, ao contrário dos machistas filmes pornôs, nos quais apenas ao homem é permitido ter orgasmo, no modo patriarcal de castrar a sexualidade feminina, no pai entregando a filha pura e casta, de branco, na Igreja para o marido, no machismo da mulher adquirindo o sobrenome do marido, no modo como as próprias mulheres podem ser machistas, sinto em dizer. Aqui é a destruição que é prelúdio do renascimento, na Vida sempre ressurgindo.

 


Acima, Leão branco. O leão é tal símbolo de majestade, como no personagem leão de O Mágico de Oz, um leão medroso, frágil, o qual sonhava em ter um coração corajoso, num homem corajoso, em monarcas tão célebres como Elizabeth I, a qual regia uma Inglaterra então financeiramente pobre e politicamente fraca, desafiando a então suporpotente Espanha, derrotando esta e inaugurando um ponto de reviravolta na História Inglesa, uma rainha que, ao morrer, legou ter feito da Inglaterra a nação mais rica e poderosa da Europa, em ares de altivez até hoje respirados pelos cidadãos ingleses. O leão branco, frente à neve igualmente branca, é a sabedoria da discrição, como num esperto camaleão, fugindo de predadores e abocanhando presas, nesta capacidade em ser nada, em ser vazio, em ser invisível, num artista fugindo de interpretações, na característica da grande obra de Arte, que é render inúmeras interpretações, como na Monalisa, até hoje um mistério, como na inesgotável Egiptologia, desdobrando um país de passado tão glorioso, no vaivém do poder, um Egito que já foi uma superpotência e hoje é um país pobre e pouco poderoso, na sabedoria do folclórico Preto Velho, quietinho no seu canto, só observando os egos ascendendo e descendendo, na permanência de Jesus, na humildade Dele, nosso irmão depuradíssimo, o maior homem da História, um homem humilde que tanta esperança nos traz, no Reino dos Céus, o qual nos espera depois de uma encarnação tão dura e desafiante, na figura de esperança do Espírito Santo, no glorioso dia de libertação que chegará, numa prisão na qual ninguém está para sempre. A paisagem invernal aqui é a frieza do pensamento científico e racional, na glacial Galadriel de Tolkien, um ser benevolente, porém estranho e intimidador, em olhos aguçados de Bette Davis, esmiuçando os corações de homens corruptíveis, numa feiticeira de poder descomunal, como uma aranha feita de cristal – amedrontadora e, mesmo assim, belíssima, ao contrário de Laracna de Tolkien, uma aranha gigantesca de dar arrepios em aracnofóbicos. Podemos ver um dos olhos do leão, um olho azul, bonito, nobre, num homem de transparentes intenções, na beleza de olhos claros, como vi certa vez um rapaz um tanto indiscreto, usando lentes de contato que deixavam seus olhos de um azul gritante, pouco natural – és livre, meu irmão, e cabe a mim respeitar tal liberdade, ora bolas. Aqui é a neve cruel em O Iluminado, com um homem enlouquecido em surto total, perseguindo com um machado assassino um menininho que se mostrou mais esperto do que o esperado, na esperteza exigida pela Seleção Natural, com os pouco espertos perecendo, sem passar seus genes para a frente em descendentes, nesse instinto de certas pessoa em suceder, no modo como a Vida vai exigindo que sejamos autodidatas nesse sentido, pois não há livro ou faculdade que nos ensine a vencer na Vida, nesses astros de tamanho instinto, sobrevivendo por décadas nessa selva ultracompetitiva que é Hollywood, com tantos e tantos sonhos que se despedaçam diariamente na Meca do Cinema. O leão é a ferocidade de uma pessoa competitiva, numa fome por vitória, numa fome por cobiçados prêmios, num cobiçadíssimo Oscar, com tantos e tantos atores e atrizes que jamais indicados serão, no modo irônico como um Oscar pode ser um problema, pois o artista oscarizado tem que ter a força para virar a página e manter-se humilde para continuar tocando a carreira para a frente, em situações como a do eterno astro mirim Macauly Culkin, o qual está até hoje tentando sobreviver ao imenso sucesso de Esqueceram de Mim, no modo como o Mundo pode esquecer das pessoas, nos típicos quinze minutos de fama do reality show Big Brother, em astros instantâneos que simplesmente somem da memória do público, no paradoxo do programa radiofônico a Vox do Brasil, transmitido nas rádios do país inteiro, mas com uma audiência baixíssima. A paisagem ao fundo é um ponto de esperança neste ponto de dilaceração que explode e detona o leão. Aqui é a pessoa aprendendo a ser invisível como Tao, no poder do invisível.

 


Acima, Leopardo negro. O leopardo negro é o mistério, em algo que ainda não pode ser revelado à pessoa, na sabedoria popular de que tudo tem seu tempo, numa pessoa que tem que passar por um certo percurso e aprendizado, como cursar cadeiras numa faculdade, sendo algumas delas pré requisitos de outras. O leopardo é tal ferocidade, agressividade, como num lutador entrando num duro ringue, remetendo a um rapaz negro e pobre que conheci certa vez, quando eu jogava Tênis num clube tradicional de Caxias do Sul, e este rapaz, que trabalhava humildemente como gandula, tinha uma incrível fome de bola, pois não entrava em quadra para jogar, e sim para ganhar – não sei o que aconteceu com o rapaz, o qual é, para mim, um exemplo de força de vontade, de ganas de vencer, numa pessoa que encontra tesão na Vida. Aqui temos uma fome e uma ambição, numa pessoa que se deu conta de que não chegará o príncipe encantado num cavalo branco com sua espada fálica, numa pessoa que sabe que tem que desenvolver seu próprio Yang, sua agressividade, como um certo psiquiatra, o qual aprendi a respeitar, um médico que fundou uma clínica psiquiátrica própria, uma firma altamente diferenciada, que entra de forma competitiva no mercado, nas palavras desse senhor para mim: “Tens que ter mais agressividade, pois vives num mundo competitivo!”. Aqui remete a um acidente com vizinhos meus, quando na casa destes estourou uma panela de pressão, achatando a mesa do fogão, tal a força do impacto, e aqui temos esta explosão de um astro pop sendo revelado ao Mundo, no poder esmagador de uma Lady Gaga, popular e respeitada, talentosa, extravagante, uma a-r-t-i-s-t-a com todas as letras, impactante, fazendo algo muito positivo, que é trazer jovialidade, transgressão e frescor criativo ao tradicional tapete vermelho das celebridades, uma Gaga que leva extremamente sério o se arrumar na hora de vir a público, impactando com seus figurinos ousados, ganhando os corações de um enorme fã clube ao redor do Mundo. O leopardo negro é a estrela vespertina anunciando a noite, como a linda elfa Arwen de Tolkien, donzela, virginal, no machismo patriarcal que tolhe a sexualidade feminina, como em certas culturas brutais que fazem a castração de fato, física, em mulheres, no termo machista “bela, recatada e do lar”, como uma Roberta Close, a qual virou mulher para ser uma mera dondoca socialite dona de casa, vivendo na sombra de um homem, nas palavras de uma grande amiga minha psicóloga: “É tão desinteressante uma pessoa que é apenas dona de casa!”. Aqui temos um momento de ruptura, como na história triste de uma certa drag queen, a qual rompeu com suas raízes frente a um pai duro e inclemente, indo embora de casa para o Mundo, ingressando num submundo para nunca mais de lá sair, uma pessoa entalhada na dureza da Vida, talvez sequer com Ensino Fundamental completo, no problema brasileiro que é a evasão escolar, como um certo rapaz que foi aluno de minha mãe, de História, num colégio municipal, um rapaz que abandonou os estudos para trabalhar, sem fechar um ciclo, como uma transa sem orgasmo, nas histórias tristes de pessoas que subestimaram a importância de finalizar o curso que começaram, como um certo senhor, o qual abandonou a faculdade para nada fazer no lugar, mergulhando num vida ociosa e sem sentido, triste, pois o Mundo pertence aos dignos de respeito. Aqui remete a um caso brutal de uma senhora atacada por vários cães da feroz raça pitbull, tendo que amputar um braço, numa agressividade enorme, como num James Bond, o qual, além de charme cosmopolita londrino, tem que ter agressividade e sangue frio, num Bond tão charmoso como o de Sean Connery, no modo como a finada monarca Elizabeth II não perdia uma única première de filmes de James Bond em Londres, numa senhora longeva que aprendeu “na marra” a ter majestade e distinção, num caminho autodidata, na noção taoista de que temos que aprender por nós mesmos em instinto.

 


Acima, Norte. Aqui é este estilo dilacerador de Gram, como na digestão de um prato, no modo como a Gastronomia é uma arte que foi feita para ser destruída, nas palavras de um sábio chef gaúcho, no modo como me sinto tão entretido ao ver tais programas; ao ver os outros cozinhando. As majestosas nuvens ao fundo são os sonhos, numa criança sonhando em ser estrela, nos sonhos de uma Gisele pequenina, tendo a força para encarar a dureza do Mundo, sobrevivendo, vencendo na Vida, ciente de que não pode faltar trabalho, uma Gisele a qual, mesmo tendo se tornando a estrela monstruosa que se tornou, tem a humildade para dizer: “Desculpe, gente, mas tenho que trabalhar!”, nos cabelos ondulados da top sendo, há anos, imitados ao redor do Mundo, nesse êxito que o Taoismo identifica como fenômeno, quando a pessoa conquistou o Mundo e este não se dá conta, numa Gisele que aprendeu por si a brilhar, no caminho autodidata da Vida. Os pelos aqui são os mamíferos, longe das escamas de peixes e couraças de répteis, no meteoro que matou os dinossauros e trouxe a ascensão dos mamíferos, na arrebatadora grandiosidade cósmica, em galáxias que exigiriam que viajássemos por milênios na velocidade da luz para cruzar tais galáxias de ponta a ponta, num Universo o qual, de tão grande, é, na prática, infinito, numa infindável sopa de mais e mais galáxias, num Ser Humano ainda tão aquém de desvendar tais mistérios, no feto ao final de 2001, numa Humanidade a qual, de tão jovem, sequer nasceu. Vemos ao centro uma estrutura parecida com uma colmeia ou formigueiro, nos instintos animais de construção de tais estruturas, no instinto de um joão de barro, fazendo sua toca com perfeição, como na perfeição de uma folha de plátano, no modo como a Natureza pode trazer traços da perfeição de Tao, havendo a perfeição plena do Plano Metafísico, como roseiras sem espinhos, longe das vicissitudes da Matéria, em leis como a do mais forte, numa luta pela Vida, no termo “por um lugar ao Sol”, nas competitividades inevitáveis do Mundo, em competições olímpicas, no modo como os Esportes nos fazem tão universais, com atletas indo de todas as partes do Mundo a Paris, nessa fome humana por competições, num Brasil que para durante jogos da seleção brasileira em dias de Copa do Mundo de Futebol, num machismo: Nos jogos dos homens, o Brasil para; já, nos das mulheres, o Brasil NÃO para. Na porção superior vemos um bico pontiagudo, preciso, fálico, na competição fálica para ver qual país do Mundo tem o prédio mais alto, na história da Torre de Babel, num Ser Humano esbarrando em limites, sendo alvo da fúria divina, no crescimento vertiginoso elitista do Balneário Camboriú, uma mini Nova York à beiramar, com prédios de várias dezenas de andares, em prédios tão altos que fazem com que só haja Sol na beira da praia durante o período da manhã, numa fome desenvolvimentista, civilizatória. Vemos aqui olhos dilacerados, num Édipo perdendo os olhos pela mãe Jocasta, remetendo à famosa telenovela Mandala, da Globo, com Vera Fischer no auge da beleza, com a canção brega ultrapopular Como uma deusa, num grande sucesso da cantora Rosana Fiengo, a qual está até hoje tentando sobreviver a tal sucesso, na noção taoista de que o sucesso é um problema, pois o sucesso tem que ser superado, como numa Madonna, até hoje tentando sobreviver a um Grammy, o qual pode ser uma bênção; pode ser uma maldição. Aqui são esses momentos de luz dúbia de Gram, nem dia, nem noite, na dúvida cinzenta que une preto e branco, mal e bem, no Castelo de Graykull, do universo de He-Man, o Castelo da Caveira Cinzenta, ponto de disputa entre vilões e mocinhos, na lição básica de que a Paz é maior do que a Raiva, e de que as forças da escuridão cedem à beleza da Aurora, na hierarquia embasada em apuro moral, Amor por seus irmãos. Aqui pode ser um encontro, um impacto, numa amizade sendo feita ou desfeita, talvez numa pessoa que se deu conta de que seu “amigo” é um sociopata de marca maior, rompendo, assim, relações, por uma medida de cautela existencial, no modo como o sociopata não vê além da Dimensão Material, achando que a Natureza é o princípio de tudo, quando apenas Tao é o princípio de tudo.

 


Acima, O nada. A folha é a beleza da Natureza, nas riquezas exuberantes tropicais, fascinando quem mora em países sem muita exuberância tropical, como nos longos e deprimentes inversos do Alaska, com altos níveis de depressão na população, ao contrário do Brasil, no qual as nevadas são raras, e quando ocorrem, viram notícia nacional, tal a raridade do fenômeno em terras quentes tropicais. Aqui temos esse gosto de Gram por feras agressivas vociferantes, como um cachorro arisco, o qual não nos encoraja a chegar mais perto, no modo como certa vez um maquiador me falou sobre uma certa modelo famosa, a qual, disse o rapaz, tinha uma aura tão agressiva que mal dava vontade de chegar perto de tal modelo, nos mistérios da fotogenia – o que faz uma pessoa feia ter a fotogenia de um deus grego? Por que há pessoas belas pessoalmente, mas que não fotografam tão bem? O que é necessário para se “devorar” a lente do fotógrafo? A mata aqui é densa e escura, misteriosa, cheia de armadilhas, como no filme cult Labirinto, num lugar cheio de pistas falsas traiçoeiras, no modo como o coração pode ser tão traiçoeiro, pois temos que tomar decisões ouvindo a mente, como uma certa pessoa, a qual se apaixonou por uma pessoa bela por fora, mas podre por dentro, na sabedoria popular de se identificar o sociopata traiçoeiro e enganador: “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”, no modo como eu gostaria de dizer a tal senhora: Eu não estou dizendo que você não pode ter um namorado gato; eu só estou dizendo para que você que, além de gato, certifique-se de que ele seja uma pessoa boa - só isso, minha senhora. Aqui a agressividade é tal instinto de sobrevivência, como nativos neolíticos africanos fugindo de leões predadores, no modo como não posso conceber como o indígenas originários da Serra Gaúcha sobreviviam a tais invernos gelados, sem um casaco ou jaqueta, no modo como tais indígenas eram donos e senhores de tais terras, na agressividade do homem branco que desapropriou tais índios, os quais hoje têm descendentes miseráveis, pedindo esmola nas ruas frias de Caxias do Sul, neste hábito de dar nomes indígenas a ruas, numa forma de compensação de tal crueldade humana, como nas ruas de nomes indígenas de Capão da Canoa, no modo como a civilização chega de forma tão agressiva, dizimando e escravizando povos – é um horror, em Caim sempre matando Abel, na crueldade das senzalas dos cafezais paulistas, em telenovelas de cunho social arrebatador como Sinhá Moça, da Globo. A fera aqui quase nos morde, em filmes como Tubarão, no bicho trazendo terror a uma pacata praia, no modo como um sociopata pode trazer tanto medo, como num sedento Napoleão, obrigando a família real portuguesa a buscar refúgio no então longínquo e selvagem Brasil, num Napoleão espalhando terror pela Europa, tudo em nome do sedutor Anel do Poder de Tolkien, corrompendo homens basicamente bons, no júbilo das forças do Mal sendo derrotadas, como no júbilo de islâmicos xiitas em ver as Torres Gêmeas ruindo, no título do vilão Esqueleto: O senhor malévolo da destruição, nas palavras sábias do grande Obama: “Você será lembrando pelo que construiu, e não pelo que destruiu!”. Esta cena tem aquele cheiro de mato, de natureza, fascinando crianças da cidade, da selva de pedra, na magia da vida viril ao ar livre, no gaúcho paladino criando bois montado num altivo cavalo, no símbolo da virilidade da famosa Estátua do Laçador, em Porto Alegre, num gaúcho sempre vigilante, como num salvavidas atento no posto à beiramar, em homens valorosos que zelam por nossa segurança. Aqui o animal felino pode ser vegano, devorando a folha, no modo como eu, “carnívoro”, não nego de vez em quando uma refeição vegana, no modo como já ouvi dizer: A dieta vegana favorece muito o fluxo intestinal. A ferocidade traz aqui também a suavidade do pelo do animal, afável, macio, suave, de toque delicado, amoroso, cuidadoso, numa pessoa que não quer enganar os outros, no caminho terno e eterno do apuro moral.

 

Referências bibliográficas:

 

Angela Gram. Disponível em: <www.angelagramart.com/about>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.gallerypoulsen.com/en/artists>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.wowxwow.com>. Acesso em: 24 jul. 2024.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Não pise na Gram (Parte 2 de 3)

 

 

Falo pela segunda vez sobre a pintora americana Angela Gram. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Corpo. O cavalo é o ímpeto, numa pessoa com a coragem do tamanho do Mundo, destemida, como o césar de Roma no filme Cleópatra, avistando seu próprio filho pequeno e dizendo: “Olhe como ele é destemido!”, num filme que quase quebrou o estúdio, numa das muitas provas de que o sucesso é um amante infiel, vide o “prêmio” deboche da Framboesa de Ouro, contemplando um Tom Hanks, por exemplo, o qual já foi considerado, por duas vezes seguidas a nata da nata de Hollywood, a terra do sucesso e do fracasso. O cavalo, com suas crinas ao vento, é a liberdade, como um certo notório ditador querendo falsear eleições, condenado pela Comunidade Internacional, inclusive a União Europeia, no apego humano pelo poder, sempre o poder, no Anel maldito que corrompe homens, como no vilão destrutivo Esqueleto, absolutamente obcecado em obter poder sobre o Universo inteiro, em sistemas opressores, na metáfora de Matrix, na qual o indivíduo é um escravo e um prisioneiro de um sistema: Tenho que trabalhar como um “burro de carga” para produzir capital e adquirir cobiçados bens de consumo, como um carro, uma roupa, um celular etc., no modo como somos todos, de um jeito ou de outro, escravos do Capitalismo, na sociedade que endeusa o sucesso mundano, fazendo com que a pessoa mal sucedida se sinta um lixo. O cavalo azul é a cor dos sonhos, do Céu, como um senhor que conheci, o qual sonhou bem alto na carreira de modelo, visando se tornar simplesmente um deus, o chuá da sensualidade, visando ser capa da revista People com a manchete “O homem mais sexy do Mundo”, sonhando ainda migrar para a carreira de ator e ganhar um Oscar, um senhor cujos sonhos foram frustrados, visto que a Vida nos ensina duras lições de humildade, como Odin punindo o filho Thor, o qual embarcou numa de arrogância, achando-se imune a erros, na arrogância de se acreditar que os percalços são apenas para outrem. O corpo majestoso do cavalo é o sonho de frequentadores de academias, pessoas obcecadas em ter um corpo de deus, sofrendo dores ao puxar altas cargas de ferro, em pessoas que acham que apenas malhar garante o Mundo, quando que há muitos, muitos corpões por aí que jamais serão astros, se eu pudesse dizer: “Eu não estou dizendo que você não pode malhar e não ser musculosão; eu só estou pedindo que você faça algo além do que só malhar, meu irmão”. O cavalo é o porte, numa pessoa elegante, que sabe caminhar, ao contrário da grande estrela Julia Roberts, a qual definitivamente não tem muito porte para caminhar, algo que não a impede de ser uma das maiores de Hollywood, numa hierarquia no panteão de tal indústria: Uns são megaestelares e ocupam o primeiro escalão; outros, nem tanto, na triste história de Grace Kelly, a qual abandonou uma carreira brilhante para se tornar dona de casa, num desperdício como virar uma carésima garrafa da champanha Veuve Cliquot pelo ralo da pia da cozinha, como uma mulher que conheço, a qual abandonou tudo para ser mãe, esposa e dona de casa, uma posição que não diz à pessoa quem esta é, no caminho de identidade da pessoa, como um amigo meu, o qual se tornou padre para saber qual é o seu lugar no Mundo, numa pessoa que observa a necessidade de se centrar e colocar os pés no chão, abraçando uma vida produtiva. As crinas aqui, muito bem pintadas, remetem aos cabelos louros das obras supremas de Botticelli, na explosão estética renascentista, quando a Europa sepultou o Gótico para abraçar novos sopros de renovação, numa revelação, como na Vênus do mesmo artista, uma neo Iemanjá com olor de Mar, de peixe fresquinho, no prazer que encontro em comer um sushi feito com peixe fresquinho, no curioso modo como tal iguaria ganhou o Mundo, mesmo indo contra o costume ocidental em cozinhar o peixe. Na cena vemos linhas elegantes, como molduras de quadros, como ouvi dizer que as molduras do Louvre são um espetáculo à parte, numa metáfora: A moldura só funciona se o quadro for bom; quando uma pessoa for de má fé, esta pode usar qualquer perfume, pois continuará sendo o mesmo sociopata de sempre, ou seja, deve-se desconstruir e analisar o comportamento de outrem. Podemos ouvir aqui a cavalgada, na sensação de liberdade de se cavalgar ao ar livre, na sedução do frescor da vida campestre.

 


Acima, Édipo e a Esfinge. A esfinge é o exigente enigma, num mistério perene, que é a Vida Eterna, sobre a qual não é possível falar, na noção espírita de que Deus é o infinito. O amarelo vibrante é a cor do ouro, olímpica, na cor da vitória, como uma torcida brasileira tomada de amarelo, de ouro, em ídolos como Senna, na vitória dourada, num mito que tanto orgulho deu ao Brasil. Os seios são a feminilidade, com tantas mulheres fazendo enxertos de silicone, numa busca por autoestima, talvez na misoginia social de se atacar a autoestima da mulher, ao contrário de um recente comercial televisivo de sabonete, na mulher ao banho dizendo ter uma beleza que não se encaixa em padrões, no caminho da autoestima, derrotando o paradigma de beleza no qual só é considerada sexy uma mulher que esteja na antessala da Anorexia – é muita crueldade. As garras da esfinge são a tenacidade, a luta e a persistência, numa pessoa batalhadora e honesta, como na adorável personagem Betty, a feia, numa beleza mais sutil e discreta, numa pessoa rica por dentro, inteligente, interessante, revelando-se muito mais interessante do que mulheres de uma beleza mais óbvia, quiçá vulgar, em mulheres belas, vazias e obtusas, que nada falam de interessante, no modo como temos que saber ver além da Dimensão Material e olhar as pessoas por dentro. Édipo está tímido e oculto, coadjuvante, diminuto perante o espectro materno, num divertido filme de Allen, quando a mãe do personagem aparece no céu de Nova York, ditando regras, num Allen que teve uma mãe assim, controladora e castradora, num Allen dizendo em outro filme, sarcasticamente: “Jesus, obrigado, mãe! Esta é minha mãe!”. As asas são tal autonomia feminina, na coragem feminista de se observar além do medíocre e ir contra os poderosos ventos do patriarcado, em feministas lésbicas furiosas em tamanha misoginia, como no divertido personagem Sheldon no seriadão The Big Bang Theory, dizendo a uma cientista que esta deveria abandonar a Ciência para lavar roupa e cuidar de crianças, enfurecendo tal mulher. O rosto da esfinge é blasé, entediado, numa entediada Madona renascentista, no modo da pessoa em resistir aos auspiciosos apelos da Sociedade de Consumo, bloqueando-se, como um médium espírita, sábia, bloqueando energias negativas, numa doutrina que tanto ainda tem por vir, na noção régia de que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei Supremo, o qual nos criou de forma única e imaculada, no Útero Sacrossanto de Maria, que serve como metáfora para entendermos quem somos de fato, numa revelação ensolarada, na realeza estelar que nos une, no modo como tudo acaba girando em torno da mesma coisa, que é Amor Incondicional, até eu me tornar uma pessoa que ODEIA mentir e passar os outros para trás, como um certo senhor, o qual me enganou, e a Vida é um inferno astral para os que carecem de apuro moral, pois a pessoa de má fé não tem como estar de bem com a Vida. As florzinhas são a beleza da Vida, em flores campestres livres, gratuitas, nas flores invernais de azaleias anunciando a Primavera, na delicadeza de flores como a de cerejeira, numa Terra tão única em biodiversidade, muito rica, no desafio científico de se encontrar Vida fora da Terra. O arco ante Édipo é a curvatura, a humildade, numa pessoa que sabe que, se quiser dominar, tem que começar por baixo, no caminho da humildade, como em grandes homens que começaram humildemente, como engraxates, por exemplo, na máxima taoista: Curva-te e reinarás, no modo como pode ser insuportável uma pessoa arrogante e presunçosa, como uma certa pessoa que conheci, a qual se achava dona e senhora da Festa da Uva de Caxias, quando que a Festa, enquanto manifestação de Cultura Popular Brasileira, pertence ao povo de tal cidade, na universalidade humana de se celebrar a Vida. A esfinge é um mistério insolúvel, no costume egípcio de gerar deuses com corpos humanos e cabeças de animais, antecedendo a revolução cristã, a qual derrubou o Paganismo.

 


Acima, Encruzilhada. A tatuagem é como uma pessoa marcante, da qual jamais vamos nos esquecer, como num amigão de verdade, num relacionamento que a passagem do tempo não apaga, ao contrário do amigo fútil, o qual não faz muita falta em nossas vidas, em amizades “vaca de presépio”, por assim dizer. O mistério da esfinge é o modo como a Vida exige que sejamos autodidatas, tendo que aprender por si as lições, aprender a brilhar, no modo como foi tão feliz Lao, o idealizador do livro clássico taoista, no divertido modo como, apesar de ter sido escrito há milênios, permanece extremamente atual e contemporâneo em plena Era Digital no Século XXI, na universalidade atemporal do Ser Humano, na universalidade dos Esportes, com delegações do Mundo inteiro jogando em jogos olímpicos. Bem ao fundo no quadro, vislumbramos um gol e uma meta, num lampejo a partir do qual podemos ver bem longe, em terras longínquas, na promessa cristã do Reino dos Céus, no modo como a Terra tenta imitar ao máximo a perfeita plenitude metafísica das terras superiores, havendo muitas provas disso, como na recente tragédia das enchentes gaúchas, em cidades que, ao quererem se parecer com as cidades metafísicas perfeitas, contratam garis para a limpeza das calçadas, no trabalho de limpeza que busca se parecer com as cidades espirituais, as qual são impecavelmente limpas, perfeitas, num lugar de tal paz inabalável, longe das guerras e dos desentendimentos terrenos, a dimensão cruel cujas arestas nem Deus Jesus Supremo soube curar, no modo como a Filosofia não muda o Mundo, mas pode mudar o modo do indivíduo em ver tal Mundo, na formação de nossas elites, que pensam acima de mediocridades e preconceitos. Aqui é esta paixão de Angela por Arquitetura, em estruturas, como na paixão de MC Escher por tais formas que saíram da cabeça de um bom arquiteto, no modo como é altamente depurada a arquitetura das cidades metafísicas, um lugar onde não há ambições humanas por poder, pois a real hierarquia entre irmãos reside no apuro moral – os mais amorosos regem os menos. A mulher aqui está alheia, quase oculta, numa pessoa discreta, que não quer aparecer, não querendo perder as prerrogativas do cidadão comum de ir e vir tranquilamente, remetendo a uma ultracelebrizada Gisele, tendo que se disfarçar para caminhar em paz por um parque numa cidade do Brasil, ou como certa vez vi o assédio sobre Luis Fernando Verissimo num shopping em Porto Alegre, um senhor o qual, apesar de ser famoso, é discretíssimo, não se identificando com o brilho superficial das celebridades auspiciosas, no modo como a Vida é boa quando é simples. O penteado aqui é o garbo civilizatório, impondo ordem a cabelos caóticos, numa busca estética que nos faz humanos – os macacos não se banham nem penteiam seus próprios pelos. A tatuagem aqui é como uma carreira, numa pessoa que se depurou por ter passado por muitas encarnações, na crença espírita de que uma encarnação na Terra é um item curricular espiritual muito valorizado, como uma renomada instituição de Ensino qualquer, em vestibulares tão concorridos, nas inevitáveis competitividades da Vida em Sociedade, com tal competição já ocorrendo no Ensino Fundamental, na concorrência para ver qual é o aluno mais aplicado, na hierarquia girando em torno das notas em provas, em alunos aplicados que tanto orgulho dão a um professor, como numa breve experiência minha como professor de Inglês, dando a mim um sentimento de realização ao ver um aluno aplicado. A esfinge á tal cânone ocidental, no modo como a cultura do Egito Antigo foi herdada e aprimorada pelos gregos, até chegar à Roma Antiga, no romano fazendo o culto a Ísis, nesses arquétipos femininos, no modo como os altares de deusas pagãs foram tranquilamente substituídos pelas imagens de Nossa Senhora, na tentativa de vermos a Mãe que nos gerou e por nós roga, no caminho do Amor, o qual acaba salvando tudo. Aqui temos um arejamento, numa artista feliz, produzindo, expressando-se ao Mundo, pois a Vida e o Mundo pertencem àqueles que mostram seus respectivos talentos.

 


Acima, Espiral. As aves formam tal formato de espiral, no ciclo das estações do ano, na pessoa observando as coisas indo e vindo, na Natureza sempre se renovando, no milagre do renascimento da Vida na Primavera, no frescor da Primavera de Botticelli, na busca humana que projeta coisas nos jovens, no modo como já ouvi dizer: A juventude feliz é uma invenção de velhos, visto que cada etapa da vida do indivíduo está repleta de percalços, no modo como não é bom ser jovem demais, pois o adolescente não tem juízo, responsabilidade ou sabedoria, nessa coisa gloriosa que é a chegada da maturidade na vida da pessoa, como uma pessoa que conheci, que dizia querer relacionamento amoroso com pessoas que tivessem o mínimo de maturidade, e eu concordo, como num filme de Allen, quando um homem já de terceira idade se relaciona com uma moça com idade para ser neta dele, uma moça que se revela, então imatura, com o homem dizendo a ela: “Sua criança!”. Esta cena é como um detalhe rápido e sutil no filmão O Advogado do Diabo, com lobos ferozes agredindo uns aos outros, fazendo metáfora com a acirrada competitividade do ramo de Direito, como no célebre touro de Wall Street, com seus culhões que representam a coragem e a agressividade, num mundo de homens, num mundo sempre misógino e patriarcal, como no Antigo Egito, no qual o máximo que uma mulher podia almejar era ser a líder do numeroso harém do faraó, em momentos raros de transgressão como Hatshepsut, a qual, na morte do marido faraó, impôs-se na corte e disse então que era o novo faraó do Egito, inclusive usando um cavanhaque postiço em aparições públicas, havendo no cavanhaque tal símbolo dos reis de tal era célebre, ou como a famosa Nefertiti, a qual fez um governo transitório entre a morte do marido e a chegada do enteado Tut à maioridade, nessa coisa inesgotável que é o Antigo Egito, no ponto decisivo civilizatório, com a chegada da Escrita, ao contrário de tribos neolíticas, nas quais as tradições são todas transmitidas oralmente de geração para geração, como nas tribos amazônicas, na universalidade do Ser Humano, deixando aos homens coisas mais agressivas, como lutas, algo negado às mulheres, cuja função é cuidas das crianças, em aspectos que a passagem do Tempo não apaga. Neste quadro temos essas lindas paisagens de Gram, em paisagens arejadas, livres, límpidas, como nas paisagens renascentistas, numa janela mágica para a dimensão acima, no famoso espírito Patrícia, recém desencarnada, abrindo uma janela e deparando-se com violetas, na magia das flores, essas grandes invenções de Tao, na beleza da Vida, em atos românticos como presentear o ente querido com flores, na metáfora das roseiras – flores e espinhos fazem parte do trabalho todo, ou seja, fácil e difícil são faces do mesmo trabalho. Ao fundo, no curso de um rio, vemos um barco fluindo, nos processos naturais da Vida, nos versos alienados da canção, buscando fugir da censura: “Um barquinho a deslizar no profundo azul do Mar”. As aves policromáticas são tal alegria, num cristal multicolorido nos encantando com tal beleza cristalina, na hierarquia espiritual: Os mais finos e amorosos estão acima dos mais grossos e odiosos, na importância do apuro moral, algo inexistente no sociopata, o qual só quer obter vantagens, numa mente brilhante a serviço de um coração podre – de que adianta ser inteligente e ser Hitler? Aqui é o curso cíclico das galáxias, girando em torno de um centro denso, de forte gravidade, nas forças gravitacionais que regem o Cosmos, nesse tamanho absurdo que é tal Universo, na lentidão incrível da velocidade da luz, apesar desta parecer ser rapidíssima, dando sete voltas ao redor da Terra em apenas um segundo. Aqui temos um pouquinho de Escher, com seus jogos geométricos, em seu talento tão esmagador, citado no filme cult Labirinto, com o deus David Bowie, numa sala sem centro gravitacional, sem norte, numa pessoa perdida e solitária num submundo, buscando encontrar amor verdadeiro, uma Lua de cristal, num mundo traiçoeiro, cheio de pistas falsas.

 


Acima, Evoluir. Aqui não há briga ou desavença, mas intimidade e harmonia, numa harmonia dentro de um clã, como a famosa família Barreto, do Cinema Brasileiro, uma família que sempre tanto lutou pelo Brasil, exportando ao Mundo a imagem brasileira, em grandes homens como Fabio Barreto, amando seu país, tendo orgulho deste, na construção de heróis nacionais, como Pelé, um homem que sempre se manteve humilde, nunca deixando subir à cabeça os píncaros de glória que alcançou na carreira, no homem de Tao: Visto, amado e respeitado. Nesta cena de intimidade é como em um dos filmes da franquia Alien, com a personagem de Sigourney Weaver, com um pouco de sangue alienígena, jogando-se em meios aos alienígenas, na sensação de lar e de invólucro, no modo como a criança, no fundo, gosta de receber ordens e regras, pois estas dão à criança tal sensação de segurança e pertencimento, como uma prima psicóloga que tenho, a qual me disse impor regras rígidas aos próprios filhos, pois uma vida sem regras não tem sentido, como uma pessoa aventureira, que nunca se centrou na Vida, no modo como esta exige que tenhamos tal siso e responsabilidade, nesta face séria da Vida. Os felinos aqui são tal combinação entre Yin e Yang, como na Mulhergato: a suavidade agradável do pelo macio com a agressividade ferrenha das garras, numa Michelle Pfeiffer que se agarrou com unhas e dentes a tal papel, tornando-se a única coisa realmente boa e memorável do filme Batman - O retorno, num diretor Tim Burton que não conseguiu repetir o sucesso do primeiro Batman, de 1989, neste amante tão infiel que é o sucesso, nas gangorras da Vida, como num Charlie Sheen, o qual era o ator mais bem pago da TV americana e, de um momento para o outro, botou tudo a perder. As cordilheiras ao fundo ardem num crepúsculo ou uma aurora com cores marcantes, como no por do Sol rubro cor de sangue da Santa Ceia, antevendo a execução cruel de Jesus, o homem que, a princípio, tinha tudo para ser esquecido, tornando-se o maior homem da História, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, no ditado latino de que a Verdade é filha do Tempo, como em filmes que, a princípio, fracassaram, mas, depois, foram adquirindo verniz cult, como Blade Runner, impossível de se imaginar um remake, tal a originalidade, nessa espécie de “vingança”, como Julia Roberts em Uma Linda Mulher, punindo as atendentes de loja que anteriormente a esnobaram – quem não vai se apaixonar por Julia? A língua lambendo é o zelo e o carinho, na mãe com intimidade com a prole, na diferença entre o Homem e os demais mamíferos: Nos animais, os vínculos de prole se dissolvem com a chegada do filhote à maioridade; já, no Ser Humano, os vínculos de família persistem para sempre, na noção espírita de que os vínculos de família não se dissolvem com o Desencarne, com nossos avós amorosos nos abençoando lá de cima, esperando-nos após o Desencarne, no glorioso reencontro com tais entes queridos, na glória metafísica, na qual nada se perde, nem mesmo o humilde trabalho de gari varrendo ruas arduamente. Um dos felinos aqui está alheio, de costas, como se não quisesse midiatização, a qual pode ser complicada, numa celebridade que simplesmente não pode caminhar em paz na Rua, como uma Xuxa Meneghel, impedida de passear num calçadão carioca, sentar e comer um açaí com granola, no lado ruim da fama, a qual pode ser uma prisão, no preço pela fama ultramidiatizada. Os picos ao fundo são tais coisas cortantes, no termo “dar murro em ponta de faca” – se eu me manter distante, não me cortarei, nessas pessoas que “cutucam o tigre com a vara curta”, expondo-se a tal perigo, como nos sociopatas, com os quais não devemos nos aproximar nem relacionar, num resguardo sábio, deixando a ponta de faca quietinha no canto dela. Aqui é um momento dúbio do dia, na sensualidade da luz do luar, a qual tanto revela quanto oculta, em sedutoras noites tropicais de lua de mel, num calor que pode murchar com o tédio do dia a dia num casamento.

 


Acima, Ícone. Aqui é esta paixão de menininhas – os unicórnios, cujo falo cortante é o Yang misturado com a beleza, que é Yin, num quarto de menininha, com bonecas e bichos de pelúcia, numa fase da Vida em que as meninas odeiam o mundo dos meninos, chegando à adolescência, a fase da Vida em que os meninos começam a se interessar pelas meninas e viceversa, a salvo casos de homossexualidade, é claro. Os cabelos estão ao vento, numa mulher vaidosa, passando horas num salão de beleza, num ambiente tão feminino, glamourizado, algo que não faz uma lésbica se sentir muito à vontade, como vi certa vez uma moça homossexual numa barbearia para homens, no caminho de identidade e identificação da pessoa, na máxima social de que devemos respeitar o jeito de cada pessoa, na arrogância que pode acometer um homofóbico, no fato de que a arrogância precede a queda. O bicho místico aqui tem um olhar doce, sem agressividade, no modo como a Barbie é um brinquedo sem agressividade, ao contrário do ícone feminista que é a Mulher Maravilha, a mulher que trabalha e constitui carreira, numa mulher independente, batalhadora, que não fica esperando em vão por um príncipe encantado que jamais vai aparecer, como numa Carrie no seriadão Sex and the City, lendo um conto de fadas para a afilhada criancinha, indagando esta: “Você não acredita nesses contos de fadas, acredita?”. O branco é a cor da paz, da saúde, no jaleco do médico ou do dentista, como em terreiros de Umbanda ou centros espíritas, na cor da limpeza, longe do negror do submundo, o lugar escuro no qual o espírito se arrasta sofrendo, no inferno de um subconjunto, no modo como nossos pais nos colocaram no Mundo para o Mundo, e não para um submundo, o qual é uma prisão para a mente, desligando a pessoa dessa coisa importantíssima que é o Senso Comum, o qual é esquecido em meio a subvalores, que fogem da realidade, no modo como pode ser difícil uma pessoa se desvencilhar de tal subesfera, no filme Alcatraz – Fuga Impossível, num fugitivo que é, infelizmente, exceção. Aqui é como no unicórnio alado da super heroína She-Ra, na liberdade dos voos do pensamento racional, na alegria das cores de tal ser majestoso de belo, fabuloso, podendo falar como um ser humano, numa heroína que também é um ícone feminista, pois, além de bela, glamorosa e formosa, She-Ra tem superforça e superpoderes, dando surras nos vilões, em ícones de emancipações feministas como Chanel, com a coragem de trazer novos conceitos e libertar as mulheres, na revolução do conceito das bijuterias – o que importa não é o valor financeiro do acessório, mas o efeito que este produz, como uma mulher com flores no cabelo, um penteado que, apesar de glamoroso, pouco centavos custou de fato, na diferença entre rico e chic. As flores ao fundo são tal candura feminina, no modo como o homem heterossexual precisa de tal mulher feminina em sua vida, como um senhor amigo meu, o qual sofreu um golpe muito contundente de sua própria esposa, a qual, ao pedir o divórcio, deixou tal homem “nu” de um momento para o outro, arrancando de tal homem o lar que este tinha, um homem que teve que “suar” para encontrar uma nova esposa, no modo como o casamento não é só amor, mas também conveniência. O ser aqui é inofensivo, no modo como há as revistas para menininhas com rapazes celebridades, rapazes não ofensivos, ao contrário de um ícone de agressão como Eminem, o homem agressivo, seríssimo, o qual nunca, nunca aparece sorrindo em público, talvez tendo as forças para sobreviver no meio do RAP, o qual pode ser machista e homofóbico, num homem construindo ao redor de dia uma espécie de defesa, numa pessoa se embrutecendo para sobreviver. O corno pontiagudo aqui é um aviso – mantenha distância! É na questão do respeito, numa pessoa que tanto quer ser levada a sério, neste grande desafio que é ganhar o respeito do Mundo, em pessoas respeitadas como a cantora Alcione, a qual sabe que um artista, com sua música, está entrando nas casas das pessoas, como no apresentador Celso Portioli, o apresentador da família brasileira.

 

Referências bibliográficas:

 

Angela Gram. Disponível em: <www.angelagramart.com/about>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.gallerypoulsen.com/en/artists>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.wowxwow.com>. Acesso em: 24 jul. 2024.