quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Não pise na Gram (Parte 2 de 3)

 

 

Falo pela segunda vez sobre a pintora americana Angela Gram. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Corpo. O cavalo é o ímpeto, numa pessoa com a coragem do tamanho do Mundo, destemida, como o césar de Roma no filme Cleópatra, avistando seu próprio filho pequeno e dizendo: “Olhe como ele é destemido!”, num filme que quase quebrou o estúdio, numa das muitas provas de que o sucesso é um amante infiel, vide o “prêmio” deboche da Framboesa de Ouro, contemplando um Tom Hanks, por exemplo, o qual já foi considerado, por duas vezes seguidas a nata da nata de Hollywood, a terra do sucesso e do fracasso. O cavalo, com suas crinas ao vento, é a liberdade, como um certo notório ditador querendo falsear eleições, condenado pela Comunidade Internacional, inclusive a União Europeia, no apego humano pelo poder, sempre o poder, no Anel maldito que corrompe homens, como no vilão destrutivo Esqueleto, absolutamente obcecado em obter poder sobre o Universo inteiro, em sistemas opressores, na metáfora de Matrix, na qual o indivíduo é um escravo e um prisioneiro de um sistema: Tenho que trabalhar como um “burro de carga” para produzir capital e adquirir cobiçados bens de consumo, como um carro, uma roupa, um celular etc., no modo como somos todos, de um jeito ou de outro, escravos do Capitalismo, na sociedade que endeusa o sucesso mundano, fazendo com que a pessoa mal sucedida se sinta um lixo. O cavalo azul é a cor dos sonhos, do Céu, como um senhor que conheci, o qual sonhou bem alto na carreira de modelo, visando se tornar simplesmente um deus, o chuá da sensualidade, visando ser capa da revista People com a manchete “O homem mais sexy do Mundo”, sonhando ainda migrar para a carreira de ator e ganhar um Oscar, um senhor cujos sonhos foram frustrados, visto que a Vida nos ensina duras lições de humildade, como Odin punindo o filho Thor, o qual embarcou numa de arrogância, achando-se imune a erros, na arrogância de se acreditar que os percalços são apenas para outrem. O corpo majestoso do cavalo é o sonho de frequentadores de academias, pessoas obcecadas em ter um corpo de deus, sofrendo dores ao puxar altas cargas de ferro, em pessoas que acham que apenas malhar garante o Mundo, quando que há muitos, muitos corpões por aí que jamais serão astros, se eu pudesse dizer: “Eu não estou dizendo que você não pode malhar e não ser musculosão; eu só estou pedindo que você faça algo além do que só malhar, meu irmão”. O cavalo é o porte, numa pessoa elegante, que sabe caminhar, ao contrário da grande estrela Julia Roberts, a qual definitivamente não tem muito porte para caminhar, algo que não a impede de ser uma das maiores de Hollywood, numa hierarquia no panteão de tal indústria: Uns são megaestelares e ocupam o primeiro escalão; outros, nem tanto, na triste história de Grace Kelly, a qual abandonou uma carreira brilhante para se tornar dona de casa, num desperdício como virar uma carésima garrafa da champanha Veuve Cliquot pelo ralo da pia da cozinha, como uma mulher que conheço, a qual abandonou tudo para ser mãe, esposa e dona de casa, uma posição que não diz à pessoa quem esta é, no caminho de identidade da pessoa, como um amigo meu, o qual se tornou padre para saber qual é o seu lugar no Mundo, numa pessoa que observa a necessidade de se centrar e colocar os pés no chão, abraçando uma vida produtiva. As crinas aqui, muito bem pintadas, remetem aos cabelos louros das obras supremas de Botticelli, na explosão estética renascentista, quando a Europa sepultou o Gótico para abraçar novos sopros de renovação, numa revelação, como na Vênus do mesmo artista, uma neo Iemanjá com olor de Mar, de peixe fresquinho, no prazer que encontro em comer um sushi feito com peixe fresquinho, no curioso modo como tal iguaria ganhou o Mundo, mesmo indo contra o costume ocidental em cozinhar o peixe. Na cena vemos linhas elegantes, como molduras de quadros, como ouvi dizer que as molduras do Louvre são um espetáculo à parte, numa metáfora: A moldura só funciona se o quadro for bom; quando uma pessoa for de má fé, esta pode usar qualquer perfume, pois continuará sendo o mesmo sociopata de sempre, ou seja, deve-se desconstruir e analisar o comportamento de outrem. Podemos ouvir aqui a cavalgada, na sensação de liberdade de se cavalgar ao ar livre, na sedução do frescor da vida campestre.

 


Acima, Édipo e a Esfinge. A esfinge é o exigente enigma, num mistério perene, que é a Vida Eterna, sobre a qual não é possível falar, na noção espírita de que Deus é o infinito. O amarelo vibrante é a cor do ouro, olímpica, na cor da vitória, como uma torcida brasileira tomada de amarelo, de ouro, em ídolos como Senna, na vitória dourada, num mito que tanto orgulho deu ao Brasil. Os seios são a feminilidade, com tantas mulheres fazendo enxertos de silicone, numa busca por autoestima, talvez na misoginia social de se atacar a autoestima da mulher, ao contrário de um recente comercial televisivo de sabonete, na mulher ao banho dizendo ter uma beleza que não se encaixa em padrões, no caminho da autoestima, derrotando o paradigma de beleza no qual só é considerada sexy uma mulher que esteja na antessala da Anorexia – é muita crueldade. As garras da esfinge são a tenacidade, a luta e a persistência, numa pessoa batalhadora e honesta, como na adorável personagem Betty, a feia, numa beleza mais sutil e discreta, numa pessoa rica por dentro, inteligente, interessante, revelando-se muito mais interessante do que mulheres de uma beleza mais óbvia, quiçá vulgar, em mulheres belas, vazias e obtusas, que nada falam de interessante, no modo como temos que saber ver além da Dimensão Material e olhar as pessoas por dentro. Édipo está tímido e oculto, coadjuvante, diminuto perante o espectro materno, num divertido filme de Allen, quando a mãe do personagem aparece no céu de Nova York, ditando regras, num Allen que teve uma mãe assim, controladora e castradora, num Allen dizendo em outro filme, sarcasticamente: “Jesus, obrigado, mãe! Esta é minha mãe!”. As asas são tal autonomia feminina, na coragem feminista de se observar além do medíocre e ir contra os poderosos ventos do patriarcado, em feministas lésbicas furiosas em tamanha misoginia, como no divertido personagem Sheldon no seriadão The Big Bang Theory, dizendo a uma cientista que esta deveria abandonar a Ciência para lavar roupa e cuidar de crianças, enfurecendo tal mulher. O rosto da esfinge é blasé, entediado, numa entediada Madona renascentista, no modo da pessoa em resistir aos auspiciosos apelos da Sociedade de Consumo, bloqueando-se, como um médium espírita, sábia, bloqueando energias negativas, numa doutrina que tanto ainda tem por vir, na noção régia de que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei Supremo, o qual nos criou de forma única e imaculada, no Útero Sacrossanto de Maria, que serve como metáfora para entendermos quem somos de fato, numa revelação ensolarada, na realeza estelar que nos une, no modo como tudo acaba girando em torno da mesma coisa, que é Amor Incondicional, até eu me tornar uma pessoa que ODEIA mentir e passar os outros para trás, como um certo senhor, o qual me enganou, e a Vida é um inferno astral para os que carecem de apuro moral, pois a pessoa de má fé não tem como estar de bem com a Vida. As florzinhas são a beleza da Vida, em flores campestres livres, gratuitas, nas flores invernais de azaleias anunciando a Primavera, na delicadeza de flores como a de cerejeira, numa Terra tão única em biodiversidade, muito rica, no desafio científico de se encontrar Vida fora da Terra. O arco ante Édipo é a curvatura, a humildade, numa pessoa que sabe que, se quiser dominar, tem que começar por baixo, no caminho da humildade, como em grandes homens que começaram humildemente, como engraxates, por exemplo, na máxima taoista: Curva-te e reinarás, no modo como pode ser insuportável uma pessoa arrogante e presunçosa, como uma certa pessoa que conheci, a qual se achava dona e senhora da Festa da Uva de Caxias, quando que a Festa, enquanto manifestação de Cultura Popular Brasileira, pertence ao povo de tal cidade, na universalidade humana de se celebrar a Vida. A esfinge é um mistério insolúvel, no costume egípcio de gerar deuses com corpos humanos e cabeças de animais, antecedendo a revolução cristã, a qual derrubou o Paganismo.

 


Acima, Encruzilhada. A tatuagem é como uma pessoa marcante, da qual jamais vamos nos esquecer, como num amigão de verdade, num relacionamento que a passagem do tempo não apaga, ao contrário do amigo fútil, o qual não faz muita falta em nossas vidas, em amizades “vaca de presépio”, por assim dizer. O mistério da esfinge é o modo como a Vida exige que sejamos autodidatas, tendo que aprender por si as lições, aprender a brilhar, no modo como foi tão feliz Lao, o idealizador do livro clássico taoista, no divertido modo como, apesar de ter sido escrito há milênios, permanece extremamente atual e contemporâneo em plena Era Digital no Século XXI, na universalidade atemporal do Ser Humano, na universalidade dos Esportes, com delegações do Mundo inteiro jogando em jogos olímpicos. Bem ao fundo no quadro, vislumbramos um gol e uma meta, num lampejo a partir do qual podemos ver bem longe, em terras longínquas, na promessa cristã do Reino dos Céus, no modo como a Terra tenta imitar ao máximo a perfeita plenitude metafísica das terras superiores, havendo muitas provas disso, como na recente tragédia das enchentes gaúchas, em cidades que, ao quererem se parecer com as cidades metafísicas perfeitas, contratam garis para a limpeza das calçadas, no trabalho de limpeza que busca se parecer com as cidades espirituais, as qual são impecavelmente limpas, perfeitas, num lugar de tal paz inabalável, longe das guerras e dos desentendimentos terrenos, a dimensão cruel cujas arestas nem Deus Jesus Supremo soube curar, no modo como a Filosofia não muda o Mundo, mas pode mudar o modo do indivíduo em ver tal Mundo, na formação de nossas elites, que pensam acima de mediocridades e preconceitos. Aqui é esta paixão de Angela por Arquitetura, em estruturas, como na paixão de MC Escher por tais formas que saíram da cabeça de um bom arquiteto, no modo como é altamente depurada a arquitetura das cidades metafísicas, um lugar onde não há ambições humanas por poder, pois a real hierarquia entre irmãos reside no apuro moral – os mais amorosos regem os menos. A mulher aqui está alheia, quase oculta, numa pessoa discreta, que não quer aparecer, não querendo perder as prerrogativas do cidadão comum de ir e vir tranquilamente, remetendo a uma ultracelebrizada Gisele, tendo que se disfarçar para caminhar em paz por um parque numa cidade do Brasil, ou como certa vez vi o assédio sobre Luis Fernando Verissimo num shopping em Porto Alegre, um senhor o qual, apesar de ser famoso, é discretíssimo, não se identificando com o brilho superficial das celebridades auspiciosas, no modo como a Vida é boa quando é simples. O penteado aqui é o garbo civilizatório, impondo ordem a cabelos caóticos, numa busca estética que nos faz humanos – os macacos não se banham nem penteiam seus próprios pelos. A tatuagem aqui é como uma carreira, numa pessoa que se depurou por ter passado por muitas encarnações, na crença espírita de que uma encarnação na Terra é um item curricular espiritual muito valorizado, como uma renomada instituição de Ensino qualquer, em vestibulares tão concorridos, nas inevitáveis competitividades da Vida em Sociedade, com tal competição já ocorrendo no Ensino Fundamental, na concorrência para ver qual é o aluno mais aplicado, na hierarquia girando em torno das notas em provas, em alunos aplicados que tanto orgulho dão a um professor, como numa breve experiência minha como professor de Inglês, dando a mim um sentimento de realização ao ver um aluno aplicado. A esfinge á tal cânone ocidental, no modo como a cultura do Egito Antigo foi herdada e aprimorada pelos gregos, até chegar à Roma Antiga, no romano fazendo o culto a Ísis, nesses arquétipos femininos, no modo como os altares de deusas pagãs foram tranquilamente substituídos pelas imagens de Nossa Senhora, na tentativa de vermos a Mãe que nos gerou e por nós roga, no caminho do Amor, o qual acaba salvando tudo. Aqui temos um arejamento, numa artista feliz, produzindo, expressando-se ao Mundo, pois a Vida e o Mundo pertencem àqueles que mostram seus respectivos talentos.

 


Acima, Espiral. As aves formam tal formato de espiral, no ciclo das estações do ano, na pessoa observando as coisas indo e vindo, na Natureza sempre se renovando, no milagre do renascimento da Vida na Primavera, no frescor da Primavera de Botticelli, na busca humana que projeta coisas nos jovens, no modo como já ouvi dizer: A juventude feliz é uma invenção de velhos, visto que cada etapa da vida do indivíduo está repleta de percalços, no modo como não é bom ser jovem demais, pois o adolescente não tem juízo, responsabilidade ou sabedoria, nessa coisa gloriosa que é a chegada da maturidade na vida da pessoa, como uma pessoa que conheci, que dizia querer relacionamento amoroso com pessoas que tivessem o mínimo de maturidade, e eu concordo, como num filme de Allen, quando um homem já de terceira idade se relaciona com uma moça com idade para ser neta dele, uma moça que se revela, então imatura, com o homem dizendo a ela: “Sua criança!”. Esta cena é como um detalhe rápido e sutil no filmão O Advogado do Diabo, com lobos ferozes agredindo uns aos outros, fazendo metáfora com a acirrada competitividade do ramo de Direito, como no célebre touro de Wall Street, com seus culhões que representam a coragem e a agressividade, num mundo de homens, num mundo sempre misógino e patriarcal, como no Antigo Egito, no qual o máximo que uma mulher podia almejar era ser a líder do numeroso harém do faraó, em momentos raros de transgressão como Hatshepsut, a qual, na morte do marido faraó, impôs-se na corte e disse então que era o novo faraó do Egito, inclusive usando um cavanhaque postiço em aparições públicas, havendo no cavanhaque tal símbolo dos reis de tal era célebre, ou como a famosa Nefertiti, a qual fez um governo transitório entre a morte do marido e a chegada do enteado Tut à maioridade, nessa coisa inesgotável que é o Antigo Egito, no ponto decisivo civilizatório, com a chegada da Escrita, ao contrário de tribos neolíticas, nas quais as tradições são todas transmitidas oralmente de geração para geração, como nas tribos amazônicas, na universalidade do Ser Humano, deixando aos homens coisas mais agressivas, como lutas, algo negado às mulheres, cuja função é cuidas das crianças, em aspectos que a passagem do Tempo não apaga. Neste quadro temos essas lindas paisagens de Gram, em paisagens arejadas, livres, límpidas, como nas paisagens renascentistas, numa janela mágica para a dimensão acima, no famoso espírito Patrícia, recém desencarnada, abrindo uma janela e deparando-se com violetas, na magia das flores, essas grandes invenções de Tao, na beleza da Vida, em atos românticos como presentear o ente querido com flores, na metáfora das roseiras – flores e espinhos fazem parte do trabalho todo, ou seja, fácil e difícil são faces do mesmo trabalho. Ao fundo, no curso de um rio, vemos um barco fluindo, nos processos naturais da Vida, nos versos alienados da canção, buscando fugir da censura: “Um barquinho a deslizar no profundo azul do Mar”. As aves policromáticas são tal alegria, num cristal multicolorido nos encantando com tal beleza cristalina, na hierarquia espiritual: Os mais finos e amorosos estão acima dos mais grossos e odiosos, na importância do apuro moral, algo inexistente no sociopata, o qual só quer obter vantagens, numa mente brilhante a serviço de um coração podre – de que adianta ser inteligente e ser Hitler? Aqui é o curso cíclico das galáxias, girando em torno de um centro denso, de forte gravidade, nas forças gravitacionais que regem o Cosmos, nesse tamanho absurdo que é tal Universo, na lentidão incrível da velocidade da luz, apesar desta parecer ser rapidíssima, dando sete voltas ao redor da Terra em apenas um segundo. Aqui temos um pouquinho de Escher, com seus jogos geométricos, em seu talento tão esmagador, citado no filme cult Labirinto, com o deus David Bowie, numa sala sem centro gravitacional, sem norte, numa pessoa perdida e solitária num submundo, buscando encontrar amor verdadeiro, uma Lua de cristal, num mundo traiçoeiro, cheio de pistas falsas.

 


Acima, Evoluir. Aqui não há briga ou desavença, mas intimidade e harmonia, numa harmonia dentro de um clã, como a famosa família Barreto, do Cinema Brasileiro, uma família que sempre tanto lutou pelo Brasil, exportando ao Mundo a imagem brasileira, em grandes homens como Fabio Barreto, amando seu país, tendo orgulho deste, na construção de heróis nacionais, como Pelé, um homem que sempre se manteve humilde, nunca deixando subir à cabeça os píncaros de glória que alcançou na carreira, no homem de Tao: Visto, amado e respeitado. Nesta cena de intimidade é como em um dos filmes da franquia Alien, com a personagem de Sigourney Weaver, com um pouco de sangue alienígena, jogando-se em meios aos alienígenas, na sensação de lar e de invólucro, no modo como a criança, no fundo, gosta de receber ordens e regras, pois estas dão à criança tal sensação de segurança e pertencimento, como uma prima psicóloga que tenho, a qual me disse impor regras rígidas aos próprios filhos, pois uma vida sem regras não tem sentido, como uma pessoa aventureira, que nunca se centrou na Vida, no modo como esta exige que tenhamos tal siso e responsabilidade, nesta face séria da Vida. Os felinos aqui são tal combinação entre Yin e Yang, como na Mulhergato: a suavidade agradável do pelo macio com a agressividade ferrenha das garras, numa Michelle Pfeiffer que se agarrou com unhas e dentes a tal papel, tornando-se a única coisa realmente boa e memorável do filme Batman - O retorno, num diretor Tim Burton que não conseguiu repetir o sucesso do primeiro Batman, de 1989, neste amante tão infiel que é o sucesso, nas gangorras da Vida, como num Charlie Sheen, o qual era o ator mais bem pago da TV americana e, de um momento para o outro, botou tudo a perder. As cordilheiras ao fundo ardem num crepúsculo ou uma aurora com cores marcantes, como no por do Sol rubro cor de sangue da Santa Ceia, antevendo a execução cruel de Jesus, o homem que, a princípio, tinha tudo para ser esquecido, tornando-se o maior homem da História, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, no ditado latino de que a Verdade é filha do Tempo, como em filmes que, a princípio, fracassaram, mas, depois, foram adquirindo verniz cult, como Blade Runner, impossível de se imaginar um remake, tal a originalidade, nessa espécie de “vingança”, como Julia Roberts em Uma Linda Mulher, punindo as atendentes de loja que anteriormente a esnobaram – quem não vai se apaixonar por Julia? A língua lambendo é o zelo e o carinho, na mãe com intimidade com a prole, na diferença entre o Homem e os demais mamíferos: Nos animais, os vínculos de prole se dissolvem com a chegada do filhote à maioridade; já, no Ser Humano, os vínculos de família persistem para sempre, na noção espírita de que os vínculos de família não se dissolvem com o Desencarne, com nossos avós amorosos nos abençoando lá de cima, esperando-nos após o Desencarne, no glorioso reencontro com tais entes queridos, na glória metafísica, na qual nada se perde, nem mesmo o humilde trabalho de gari varrendo ruas arduamente. Um dos felinos aqui está alheio, de costas, como se não quisesse midiatização, a qual pode ser complicada, numa celebridade que simplesmente não pode caminhar em paz na Rua, como uma Xuxa Meneghel, impedida de passear num calçadão carioca, sentar e comer um açaí com granola, no lado ruim da fama, a qual pode ser uma prisão, no preço pela fama ultramidiatizada. Os picos ao fundo são tais coisas cortantes, no termo “dar murro em ponta de faca” – se eu me manter distante, não me cortarei, nessas pessoas que “cutucam o tigre com a vara curta”, expondo-se a tal perigo, como nos sociopatas, com os quais não devemos nos aproximar nem relacionar, num resguardo sábio, deixando a ponta de faca quietinha no canto dela. Aqui é um momento dúbio do dia, na sensualidade da luz do luar, a qual tanto revela quanto oculta, em sedutoras noites tropicais de lua de mel, num calor que pode murchar com o tédio do dia a dia num casamento.

 


Acima, Ícone. Aqui é esta paixão de menininhas – os unicórnios, cujo falo cortante é o Yang misturado com a beleza, que é Yin, num quarto de menininha, com bonecas e bichos de pelúcia, numa fase da Vida em que as meninas odeiam o mundo dos meninos, chegando à adolescência, a fase da Vida em que os meninos começam a se interessar pelas meninas e viceversa, a salvo casos de homossexualidade, é claro. Os cabelos estão ao vento, numa mulher vaidosa, passando horas num salão de beleza, num ambiente tão feminino, glamourizado, algo que não faz uma lésbica se sentir muito à vontade, como vi certa vez uma moça homossexual numa barbearia para homens, no caminho de identidade e identificação da pessoa, na máxima social de que devemos respeitar o jeito de cada pessoa, na arrogância que pode acometer um homofóbico, no fato de que a arrogância precede a queda. O bicho místico aqui tem um olhar doce, sem agressividade, no modo como a Barbie é um brinquedo sem agressividade, ao contrário do ícone feminista que é a Mulher Maravilha, a mulher que trabalha e constitui carreira, numa mulher independente, batalhadora, que não fica esperando em vão por um príncipe encantado que jamais vai aparecer, como numa Carrie no seriadão Sex and the City, lendo um conto de fadas para a afilhada criancinha, indagando esta: “Você não acredita nesses contos de fadas, acredita?”. O branco é a cor da paz, da saúde, no jaleco do médico ou do dentista, como em terreiros de Umbanda ou centros espíritas, na cor da limpeza, longe do negror do submundo, o lugar escuro no qual o espírito se arrasta sofrendo, no inferno de um subconjunto, no modo como nossos pais nos colocaram no Mundo para o Mundo, e não para um submundo, o qual é uma prisão para a mente, desligando a pessoa dessa coisa importantíssima que é o Senso Comum, o qual é esquecido em meio a subvalores, que fogem da realidade, no modo como pode ser difícil uma pessoa se desvencilhar de tal subesfera, no filme Alcatraz – Fuga Impossível, num fugitivo que é, infelizmente, exceção. Aqui é como no unicórnio alado da super heroína She-Ra, na liberdade dos voos do pensamento racional, na alegria das cores de tal ser majestoso de belo, fabuloso, podendo falar como um ser humano, numa heroína que também é um ícone feminista, pois, além de bela, glamorosa e formosa, She-Ra tem superforça e superpoderes, dando surras nos vilões, em ícones de emancipações feministas como Chanel, com a coragem de trazer novos conceitos e libertar as mulheres, na revolução do conceito das bijuterias – o que importa não é o valor financeiro do acessório, mas o efeito que este produz, como uma mulher com flores no cabelo, um penteado que, apesar de glamoroso, pouco centavos custou de fato, na diferença entre rico e chic. As flores ao fundo são tal candura feminina, no modo como o homem heterossexual precisa de tal mulher feminina em sua vida, como um senhor amigo meu, o qual sofreu um golpe muito contundente de sua própria esposa, a qual, ao pedir o divórcio, deixou tal homem “nu” de um momento para o outro, arrancando de tal homem o lar que este tinha, um homem que teve que “suar” para encontrar uma nova esposa, no modo como o casamento não é só amor, mas também conveniência. O ser aqui é inofensivo, no modo como há as revistas para menininhas com rapazes celebridades, rapazes não ofensivos, ao contrário de um ícone de agressão como Eminem, o homem agressivo, seríssimo, o qual nunca, nunca aparece sorrindo em público, talvez tendo as forças para sobreviver no meio do RAP, o qual pode ser machista e homofóbico, num homem construindo ao redor de dia uma espécie de defesa, numa pessoa se embrutecendo para sobreviver. O corno pontiagudo aqui é um aviso – mantenha distância! É na questão do respeito, numa pessoa que tanto quer ser levada a sério, neste grande desafio que é ganhar o respeito do Mundo, em pessoas respeitadas como a cantora Alcione, a qual sabe que um artista, com sua música, está entrando nas casas das pessoas, como no apresentador Celso Portioli, o apresentador da família brasileira.

 

Referências bibliográficas:

 

Angela Gram. Disponível em: <www.angelagramart.com/about>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.gallerypoulsen.com/en/artists>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.wowxwow.com>. Acesso em: 24 jul. 2024.

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