quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Energia canalizada

 

 

 Falo pela única vez sobre o pintor uruguaio Yamandú Canosa. Natural da capital do Uruguai, Canosa está há várias décadas radicado na Espanha. É reconhecido na Europa e EUA, sendo importante ao ponto de representar o Uruguai na Bienal de Veneza. Estudou Arquitetura. É financeiramente bem cotado. Expôs com exclusividade no Museu Salvador Dalí. Integra arquivos de muitos e fundações do Mundo. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, ARRC. Aqui é um jogo de negativo e positivo, no modo como tudo traz em si sua própria contradição, num jogo de opostos da Xilogravura, que são “carimbos” que geram imagens, num trabalho que exige muita atenção do artista, tendo este que se concentrar num jogo que parece ser simples, mas não é, no modo como o coração pode ser traiçoeiro – ouça a mente primeiro, meu irmão. Aqui é o jogo entre copa e raízes, em raízes fundas e sólidas, numa pessoa solidificada, centrada, séria, que sabe que não pode faltar trabalho, como numa Gisele, a qual, apesar de tão majestosa, sabe que, se parar de trabalhar, virará “peça de museu”. É a questão do siso e do juízo. Ao contrário de pessoas as quais, infelizmente, param completamente, numa aposentadoria melancólica e sem graça, no modo como a Vida exige de nós espírito de guerreiro – não há vitória sem luta, como uma amiga minha, a qual está num mimimi sem fim, reclamando da Vida, atirada nas cordas, esperando por um príncipe que não vai chegar, no modo como uma pessoa adulta não “compra” contos de fadas, como na Carrie de Sex and the City, abandonada pelo noivo no momento da cerimônia de enlace, nas palavras de uma certa popstar: “Se você não é uma menininha nem um homem, você entende quando eu coloco minhas raivas para fora!”. Aqui é o fato de que tudo tem seu preço, numa pessoa que sabe que tem que ser digna e meritosa, no modo como não há reconhecimento sem produção. Aqui são árvores nuas, de Inverno, como vinhedos hibernando, na Ressurreição de Cristo, no desencarne do maior homem de todos os tempos, no doloroso e até engraçado fato de que ninguém, nem Ele, soube resolver os problemas do Mundo – continua tudo a mesma merda, com o perdão do termo chulo, e isso é um pensamento encorajador, numa pessoa que parou de idealizar o Mundo e as pessoas, no caminho espírita da mortificação, numa pessoa que não mais tece expectativas, poupando-se de se frustrar, pois quanto mais espero, mais longe meus pés então do chão, e o Mundo pertence aos realistas, que conectados com o Plano Metafísico, no plano da vitória do pensamento racional, na beleza fria dos números, numa água gelada que limpa. Aqui é o continuum de “design” entre veias, artérias, galhos, ramos, curso de rios e furiosos raios de tempestade, na energia que pulsa na Vida incessante, numa pessoa que compreende que tem que ter tesão pela Vida, na indispensável pitada de Yang num caldeirão de Yin, pois todos temos que ter tanto Yin quanto Yang, na junção dos opostos que geram Tao, o único caminho de existência – não existe um segundo Tao, derrubando as crença em “Satanás”, o qual não existe de fato, fazendo do Umbral não um outro Mundo, mas um modo pobre que se afasta da única luz que existe. Aqui vemos morros e colinas, nas colinas áridas de Hollywood, a terra do sucesso e do fracasso, num Charlie Sheen que antes era o ator mais bem pago da TV americana, e, de um momento para o outro, perdeu tudo e foi de Alfa a Ômega num piscar de olhos – ninguém está por cima o tempo todo, não canso de dizer. Aqui é a cor de papel pardo, o papel que respeita o Meio Ambiente, neste grande problema que é o lixo plástico, emporcalhando mares e rios, numa possessa certa atriz na beira da praia no Rio de Janeiro, catando co chão e colocando no lixo da orla o lixo que este povo tão relaxado joga gratuitamente na areia, havendo no povo japonês, por exemplo, um povo tão limpo e civilizado, mas num Japão com o maior índice de suicídios do Mundo – vai entender? Aqui é o senso de humor de Tao, nessa alternância, sendo Verão no Hemisfério Sul e o oposto no Norte, no jogo irônico de Tao: Quando uma pessoa parece que esta andando para trás, ela está na verdade indo para frente, no momento divertido Tênis em que a bola vai para um lado e o oponente vai para o outro!

 


Acima, Cachoeira. Aqui é o garbo e a arrumação, numa mulher elegante, que só sai de casa se estiver toda empetecada, como uma certa dama caxiense, a qual não sai de casa sem estar completamente ajeitada, ao contrário de outra certa senhora, uma pessoa sem autoestima, que sai de casa com qualquer roupa e com o cabelo de qualquer jeito, nos versos de uma certa canção pop: “Aprenda a amar a si mesmo – é uma grande, grande sensação”. O pau é o falo, a incisão, a agulha penetrante, num intelectual de pensamento tão penetrante, numa pirâmide abrasiva, pontuda, na indispensável pitada de Yang, de agressividade, como no competitivo Mercado Fonográfico Mundial, com muitas divas maravilhosas competindo pela atenção do público, como uma certa popstar, a qual sabe que tal pitada agressiva é tão decisiva, no modo como todos temos que ter “AM e FM”, por assim dizer, no deus Eros unindo os opostos no Cosmos interligado e sexy, no sensual sem ser sexual, na sensação deliciosa uterina, no trauma do parto em tal “choque térmico”, no choro do nenê respirando ar pela primeira vez. O cabelo azul é a cor do céu e dos sonhos, numa menina a qual, ao se inscrever para o concurso de Rainha da Festa da Uva, tinha todo um sonho de criança, querendo ser aquela rainha que acena ao povo, numa rainha num carro alegórico tão belo, tão majestoso e tão poderoso, nos arquétipo feminino de Ísis. É o sonho da Estrela da Manhã, num espírito desencarnado e feliz, emoldurado por uma luz radiante e fina, no paraíso para os que amam trabalhar e estudar, no irônico modo como JAMAIS vamos nos aposentar, ao ponto de arcanjo, o espírito feliz que goza da felicidade suprema, vislumbrando o invislumbrável infinito, nos termos espíritas: “Deus é o infinito”, ou seja, passaremos a Eternidade buscando desvendar tal mistério, num pacote de presente gigantesco, imensurável, numa prova de tanto, tanto poder, como um móvel de madeira nobre, durável, com décadas de uso sem um só foco de cupim, no modo como os metais preciosos e as pedras preciosas são mera copa de tal Eternidade, pois tudo, tudo de material está fadado à danação, e isso inclui um belo diamante, apesar de ser difícil de acreditar em tal danação, no eterno apego humano pelo material, pelo palpável, pelo tangível, havendo em Tao algo tão intangível e enigmático, na frase de abertura do livro: “O Tao sobre o qual é possível de se falar não é o verdadeiro Tao”. É como na cena em Matrix num menininho empunhando uma colher, dizendo a Neo: “Não existe colher!”. Aqui o cabelo cai como uma cascata, num plano em que nosso cabelo fica exatamente do jeito que desejamos estar, num plano de autoestima, nos incessantes esforços de psicoterapeutas em incutir no paciente tais valores de autovalorização, no prazer de um banho bem tomado, num ritual de renovação que nos aproxima da limpeza perfeita metafísica, o lugar onde não há uma só bactéria, na limpeza do pensamento versus a sujeira material. A moça aqui é um mistério, pois está de costas para o espectador, incitando, provocando, como num jogo de striptease, num jogo sensual de revelar e esconder, como na sensual luz do luar, uma luz que revela e ao mesmo tempo esconde, na magia das noites enluaradas dos enamorados, nos versos de uma certa canção pop: “A noite pertence aos amantes!”, ou como nos versos de uma canção de Luan Santana, em enamorados fazendo amor e acordando a vizinhança em plena madrugada! Aqui há um contraste entre azul e amarelo, numa junção de opostos, como juntar um azul marinho discreto com um verde berrante – existe harmonia e, ainda assim, choque de contraste. Aqui há uma imposição de ordem ao caos, em cabelos arrumados, ao contrário de uma certa atriz que foi a uma cerimônia do Oscar com os cabelos absolutamente desgrenhados, como se tivesse recém saído do chuveiro – é um horror ver uma mulher desarrumada. Neste quadro temos disciplina, nos professores os quais, depois de minutos de intervalo, encaram a hora e voltar à sala e dar sua aula – há vitória sem luta?

 


Acima, Diamantes. Aqui é a vela faiscante de aniversário, numa homenagem, numa ocasião especial, no prazer de um aniversariante em receber amigos, receber presentes e oferecer um doce aos convidados, nesse gostoso pecadinho da Gula, nos incríveis doces que existem na Dimensão Metafísica, em doces que não engordam – não tenha culpa em relação aos pecados capitais, pois foi da Preguiça que nasceram as grandes invenções da Humanidade, em algo simples e genial como a Roda. Aqui é uma polinização de Primavera, no modo como tal época em Porto Alegre é tão maravilhosa, com seus fartos jacarandás floridos de flores roxas, cobrindo as calçadas com tais flores – não há algo mais chic do que flores na calçada, pois o chic está em coisas simples, e não em uma conta bancária gorda. É como uma mulher decorando seus cabelos com flores, pois o que importa é o efeito, e não o custo financeiro do adorno, na revolução de bijuterias de Chanel, a mulher revolucionária que tinha duas bolas no meio das pernas, no modo contrário como uma pessoa pode ser tão cagona, com o perdão do termo chulo. Aqui é a obsessão mundana por riquezas, na sedução de pedras preciosas, no ícone Audrey Hepburn comendo croissant de café da manha olhando as joias da vitrine da lendária marca Tiffany’s – tudo de material está fadado à danação, apesar do Ser Humano crer que tais pedras são eternas, com tudo girando em torno do Espírito da Verdade, numa pessoa de alto apuro moral; numa pessoa que simplesmente odeia mentir, colocando os sociopatas na rabeira da fila de aquisição de apuro moral, num espírito que tanto aprendizado tem pela frente, num pai orgulhoso do filho no dia de formatura deste, numa tragédia que conheci em Porto Alegre, num rapaz que foi brutalmente assassinado na semana de sua formatura – maldita seja a obsessão mundana por Poder. Aqui são estrelas apolíneas no céu noturno, convidando à contemplação, numa pessoa sensível, sonhadora, perguntando-se sobre os segredos do Universo, da existência, ao contrário de uma pessoa pragmática, para a qual a noite é feita para se descansar para, assim, acordar cedo e abraçar mais uma jornada de trabalho, no traço cultural da região gaúcha de Imigração Italiana, na cultura do trabalho árduo, dedicado, num colono que só não trabalhava no Domingo porque o padre não permitia – se até Deus descansou no sétimo dia! Aqui é o modo como as estrelas sempre fascinaram a Humanidade, na sede de conhecimento astronômico, na metáfora das estrelas de Hollywood, em carismas tão arrebatadores como de um Brad Pitt, neste dom que têm as pessoas carismáticas, ao contrário de um certo ator, o qual está muito bonitão em um certo filme dos anos 1990, mas num ator que não soube deslanchar muito bem em tal indústria, na prova de que beleza não põe à mesa. Aqui é varinha mágica, no passe de mágica que transformou Cinderela, no papel coadjuvante, porém decisivo, da Fada Madrinha, como uma certa pessoa poderosa que conheci, a qual me apadrinhou, num gesto de amor fraternal; num gesto da intenção de dar uma ajudinha a quem precisa, como um certo amigo meu, o qual faço questão de ajudar na luta diária por respeito e reconhecimento, pois, como diz o nome de um certo centro espírita: “Fora da caridade, não há salvação!”, ou seja, dar um empurrãozinho para quem necessita, e não propriamente dar esmolas, as quais só incentivam o pedinte a permanecer na situação de rua. O azul é a cor do céu e dos sonhos, numa menininha sonhando em um dia ser Rainha da Festa da Uva, no modo como são “carnificinas” os concursos de beleza, pois cada concurso desses gera um numeroso grupo de meninas frustradas, sentindo-se com a autoestima chumbeadinha. Aqui é a leveza do pólen, no jogo primaveril de sedução e Vida, em adolescentes com os hormônios à flor da pele, numa época em que só queremos três coisas: sexo, sexo e sexo. Aqui há um jogo de comparação, pois se acho a estrela grande, é porque ao lado existe ma estrelinha menor, ou seja, a mulher baixinha, em seu papel coadjuvante, é essencial para o homem ser visto como alto e grande.

 


Acima, Janelas. Aqui é como o freio de mão no carro, no juízo e nos brios de sisudez, numa pessoa que cresceu a atingiu uma fase maravilhosa da Vida, que é a maturidade, nas palavras de uma amiga minha, na crença de que a idade vai nos libertando: Estamos na fase do “foda-se”, com o perdão do termo chulo. Tal coisa não deu certo? Foda-se! Aqui é como no trabalho de equipe na modalidade olímpica do remo coletivo, na força da coletividade, em cada um fazendo sua parte pelo todo, na metáfora de Matrix: Os programas que não têm utilidade ou propósito são deletados, eliminados, desprezados. É como no termo “razão social”, num negócio sendo aberto com CNPJ, tendo que ter alguma utilidade para a Vida em Sociedade, ao contrário de uma dondoca improdutiva, sem identidade, simplesmente sendo uma dona de casa de luxo – ser apenas uma dona de casa não vai te dizer quem és! É o processo de identidade da personagem Mulan, encarando a vida de guerreiro, numa pessoa que resolveu ir à luta pela Vida, sabendo que não há vitória sem luta, numa excelente professora antropóloga que tive, a qual chegava para as pessoas perguntando: “Como vai a luta?”. É na questão da pessoa “levantar da cadeira” e fazer alguma coisa produtiva, válida, positiva – casas precisam estar limpas, organizadas e abastecidas de supermercado, mas isso não quer dizer que minha vida tem que ser só isso. Aqui é como um martelo ruidoso, testemunha de uma jornada de trabalho, num dos símbolos de labor comunista, num regime tão opressor, que não permitia ao cidadão ter suas crenças espirituais, pois não canso de pedir que Marx me perdoe: Espiritualidade não é besteira, bem pelo contrário, é necessidade, pois somos todos feitos de carne e espírito, conforme Santo Agostinho. Aqui é uma articulação entre partes, numa articulação comunitária, com vários agentes girando em torno de algo, como neste grande brasileiro que foi o diretor Fabio Barreto, num momento em que Caxias do Sul e região se uniram em torno de tal homem, nesta aventura que é produzir Cinema no Brasil, ao contrário da sólida e tradicional tradição hollywoodiana, numa verdadeira indústria sedimentada. O pano de fundo é azul del Rey, nobre, discreto, nas cores do Oceano no Google Earth, num planeta que, na verdade, deveria se chamar “Planeta Água”! O fundo aqui é um tecido nobre, talvez seda, como numa pessoa elegante que conheci, a qual comprou metros de seda para uma costureira fazer camisas – moda e estilo são excelentes modos de autoexpressão, havendo tal suma importância disso na Indústria Fonográfica Mundial, em fabulosas transgressões estilosas de Lady Gaga, este ícone da nova geração. Aqui é algo em curso, como num curso universitário, no infeliz modo de uma pessoa em abandonar os estudos, subestimando estes, uma pessoa a qual, mais tarde, vai se arrepender amargamente por ter largado os estudos, num curso sem formatura, ou seja, numa transa sem orgasmo, num ciclo que não se fechou. Aqui há uma base de comparação, num chão sólido, numa pessoa sólida, centrada no trabalho, como um homem que conheço, o qual é seríssimo, centrado no trabalho, mas decepcionando sua própria esposa, a qual o rejeitou por considerá-lo pouco romântico ou cavalheiro – não tenho pena deste homem, pois quem tem pena é pato, meu irmão. Aqui é como uma trama se desdobrando, num enredo que vai crescendo na cabeça do espectador, numa elucidação de mistérios, num lento amanhecer, na magia da Estrela da Manhã, como num alvorecer após um baile de gala, dando-nos uma amostrinha da magia de uma manhã de Domingo, na Terra da Estrela da Manhã, o lugar de paz tão inabalável, indestrutível, na sensação de que tudo está na mais perfeita ordem, na promessa do Reino dos Céus, fazendo da virgindade de Maria um modo da Humanidade entender a Imaculada Conceição Divina, nas ruas pacíficas, cheias de casas de amigos, no modo como os vínculos de família não se dissolvem com o Desencarne – toda desavença é solucionada!

 


Acima, Vento cruzado. Aqui temos uma imposição, em ramos se sobressaindo e ofuscando quem está atrás, nas palavras de uma certa vencedora de concurso de beleza: “Se você fizer “sombra” para alguém, prepare-se para ser alvo de inveja!”. Aqui é uma naturalidade, numa pessoa natural e espontânea, instintiva, que vai trilhando seu caminho de modo autodidata, na inexistência de um livro que nos diga como se deve viver. É como uma pessoa que deixou que o Mundo a diga como ela deve viver, o que é péssimo, pois, de certo modo, com todo o respeito, temos que mandar o Mundo se foder, com o perdão do termo chulo. Aqui é uma farta e deslumbrante buganvília, como num certo parque caxiense, que tem um túnel dessas flores, na magia das flores em Primavera, em quadros tão deslumbrante como a Primavera de Botticelli, tão fino, tão farto, tão perfumado, tão arrebatador, numa explosão de cores que bombardeiam as percepções do espectador, no poder da Arte me mexer com a pessoa, excitando-a, numa energia vibrante e encorajadora, no modo como o papel da Arte é fazer com que nos sintamos vivos, com algo que mexe conosco, nas poderosas catarses, vômitos impactantes que fazem uma bela faxina na alma do artista catártico, no poder terapêutico da Arte, algo que nos faz tão humanos, desde as argilas primitivas de tribos indígenas, na prova da racionalidade humana. Aqui sentimos o olor de florescimento, numa bela mulher perfumada, elegante, uma mulher que dá gosto de se ver, espalhando no ar seu perfume feminino, nas palavras do personagem de Woody Allen a um filho: “As mulheres são a melhor coisa que você vai ter na Vida. E algumas delas fazem compras na Victoria’s Secret!”. É o jogo de sedução de opostos, arrastando tantas multidões aos cinemas, num jogo de sedução entre opostos, numa união cósmica que a todos conecta, numa espécie de Internet Metafísica, fazendo da Internet mundana uma mera cópia da união cósmica, pois Tao só existe um, e só existe um caminho, no caminho de Jesus, nosso irmão de avassalador apuro moral, na prova da vitória da fineza sobre a grosseria, talvez num Jesus que nem se lembra de sua própria brutal crucificação, num desencarne que coloca tudo em seu devido lugar, numa libertação irônica, pois mesmo lá em cima é necessário que nos mantenhamos produtivos, no poder do trabalho e do juízo, no modo como pode se deprimir uma pessoa que se aposentou completamente – não dá para parar. O fundo aqui é suave, num amarelo bebê, remetendo ao vestido de uma Gisele num certo evento de gala novaiorquino, na capacidade que esta mulher teve em varrer o Mundo, ditando até hoje moda capilar, a qual imita as ondulações naturais da modelo mais bem sucedida da História, à frente de deusas como Linda Evangelista e Cindy Crawford – a concorrência é atroz, meu filho, portanto, faça-se homem, mesmo estando farto de tudo. Aqui é uma cadência, numa furtiva estrela cadente, fazendo com que façamos um pedido, no modo como as estrelas sempre fascinaram a Humanidade, num Homo sapiens empenhado em desvendar os segredos do Universo, numa contemplação de astros que parecem ser feitos do mais fino e chic cristal, frágil e, ainda assim, fortíssimo, no discernimento taoista: Fino é forte; grosso é fraco. Aqui temos uma doce ondulação, na sedução de uma amena brisa noturna de Verão, farfalhando as folhas das árvores, como se tudo fosse feito de luxuoso veludo, num acolhimento agradável, num útero confortável, no final do filme 2001, no feto de volta à barriga, no eterno retorno, fazendo da Terra um lar de passagem, e não de permanência. Aqui é a vitória da Vida e da Beleza, em meninas debutantes se despedindo de suas infâncias e abraçando o mágico momento de baile de Cinderela, num momento em que damas e cavalheiros se esforçam para estar com a melhor aparência possível, aproximando-se do enigmático metafísico. Aqui é como um complexo de ninhos, de Vida, na Vida se renovando com tanta força, jogando luz sobre as escuras terras malditas de Mordor de Tolkien, na vitória do Bem.

 


Acima, Vidas paralelas II. Pessoas que vivem em mundos diferentes, nos versos de uma canção romântica de Barbra: “Linhas paralelas que se tocaram”. São os relacionamentos amorosos, nesse terreno difícil no qual temos que ter paciência para com os defeitos do outro, como uma senhora que admiro, a qual suporta, por mais de meio século, um marido fumante, não sendo ela fumante: não é perfeito, mas é meu marido, diria ela. Aqui são barras de apoio, numa proteção, no zelo de uma mãe cuidadosa, enchendo o lar de cuidados, remetendo a uma certa tragédia numa família, numa criancinha que bebeu um reagente químico e pensando que fosse água, morrendo, nessa grande responsabilidade que é criar um infante. Aqui são linhas aristocráticas, disciplinadas e elegantes, num trabalho de exclusão, de limpeza, num espírito que compreende a limpeza de Tao, o essencial, o minimalista, na elegância da bandeira nacional japonesa, a bandeira mais elegante do Mundo, com o rubro sol nascente oriental cercado por alvas brumas, na magia das Brumas de Avalon, no culto pagão da Deusa, substituído depois, no Cristianismo, pela Virgem Maria, num supremo arquétipo feminino, fazendo com que a alva face da Virgem nos dê uma esperança das pacíficas vizinhanças metafísicas, num lugar em que impera a Paz, este sentimento o qual, se faltar, revelará uma falta hedionda – como posso ter Paz se quero fazer tudo ao mesmo tempo agora? A barra vermelha é o sangue, o vinho da Vida, na transubstanciação mágica na hora da missa, no momento em que comemos o corpo e bebemos o sangue de Jesus, no mágico momento de comunhão, na nobre intenção democrática da urna eleitoral, na qual somos todos absolutamente iguais em nossa irmandade, no irônico modo como o monarca inglês é proibido de votar nas eleições da Inglaterra! As barras aqui são duras e impositivas, barrando alguma invasão, num prisioneiro que tanto odeia estar preso, fazendo do trabalho o milagre da felicidade, no poder libertador do labor, sendo insuportável uma vida ociosa, improdutiva, vazia, pois no autoencontro existencial não pode faltar trabalho, nas palavras de Cruise: “Eu preciso mostrar alguma coisa”, ao contrário de um certo senhor, um showman que só quer aparecer, sem propriamente mostrar algo de válido, no modo como ninguém, no fundo, respeita o robert, ou seja, o exibidinho que só quer mídia. Aqui são doces duros de caramelo, no modo como a criança carece totalmente de disciplina alimentar, só querendo comer porcarias ultraprocessadas, em esforços como o de Jamie Oliver em alimentar corretamente as crianças nas escolas inglesas. Aqui há uma comparação, pois uma barra é mais espessa do que a outra, ou seja, a barra fina tem uma função essencial, que é fazer tal contraste, como num design de logomarca – se na mesma logomarca coloco letras de diferentes tamanhos, tenho então uma base de comparação, no discernimento taoista: o Mal existe para reconhecermos o Bem. Aqui é como um mirante, com um dia de muita neblina, nas palavras de minha falecida avó, então aposentada: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”. A tarja vermelha é um alarme e uma advertência, como avisar sobre equipamentos de alta tensão, com a figura da caveira, no modo como o Ser Humano teme algo natural e inevitável, que é a morte do corpo físico, no milagre da sobrevivência da Mente, na supremacia psiquiátrica, na lenda grega de Psique, a alma, o comportamental, na mente de Jesus no momento de ressurreição. Aqui são como fotos panorâmicas da superfície de Marte, um planeta morto, tão hostil ao Ser Humano, pois, sem querer ser blasé, mas o que há de interessante para fazermos em tal esfera inóspita? É o modo como nunca mais foram mandadas missões tripuladas à nossa Lua – o que há para se fazer lá? A Terra é nosso único lar. Aqui é uma ordem se impondo aos caos, no trabalho disciplinador do caderno de caligrafia, estimulando o aluno a ter uma caligrafia apolínea, algo que, pelo menos para mim, nunca surtiu efeitos, tendo eu tal caligrafia feia.

 

Referências bibliográficas:

 

SCOTT, Chadd. Yamandú Canosa teams up with the Dali Museum for exclusive exhibitions of New York. Disponível em: <www.seegreatart.art/yamandu- canosa-teams-up-with-the-dali-museum-for-exclusive-exhibitions-of-new-york/>. Acesso em: 28 set. 2022.

Yamandú Canosa. Disponível em: <www.cientomasuna.com/en/yamandu-canosa/>. Acesso em: 28 set. 2022.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Andanças de Andrew (Parte 4 de 4)

 

 

 Falo pela última vez sobre o pintor realista americano Andrew Wyeth. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Cabelo da donzela. Aqui temos uma perspectiva renascentista, a qual quebrou com a tradicional Arte Gótica, no inevitável modo como as novidades sempre vêm. Aqui é um templo vazio, fora do horário de culto, numa pessoa que quer simplesmente orar em saudável momento de solidão, num saudável retiro, nas palavras de Barbra: “Na maior parte do tempo, quero deitar sob uma árvore e nada fazer!”. Podemos sentir o odor de igreja, num odor de madeira antiga, remetendo-me a um certo hotel salvadorenho, construído a partir de um monastério, no modo como Salvador é um deleite para quem estuda História do Brasil, com sua vastidão de templos católicos, no modo como a religião tem tal papel de acompanhamento psicológico, ao contrário de Marx, que desdenhava das religiões, na frieza soviética ateia. A moça aqui é pudica, de família, discreta, e seu disciplinado vestido está abotoado até o pescoço, talvez numa família bem tradicional, no grande machismo patriarcal, numa menina que, ao nascer, faz com que o próprio pai pense: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na Igreja!”, ao contrário da sexualidade masculina, a qual é amplamente estimulada, na simplicidade de uma família de realeza: Mulher é fêmea e homem é varão, e tudo que se desviar disso é heresia grave, ou seja, uma pessoa que permite que o Mundo a diga como deve viver – é um horror. A moça está triste e cabisbaixa – é a melancolia, numa pessoa depressiva que sentiu, na carne, todos os cruéis sintomas de Depressão, esta doença que faz com que a pessoa perca totalmente o desejo e o tesão de viver, numa pessoa que não vê lógica na Vida, num esvaziamento existencial profundo, como um surfista que perdeu a vontade de surfar, numa pessoa que encara um ENORME esforço de reerguimento e reconstrução, nas palavras de uma certa canção de Jazz: “Você pode estar farto de tudo isso, mas você será um homem, meu filho!”. É levar um tombo, sacudir a poeira e tocar a Vida para frente. A moça usa uma coroa de flores, num símbolo de feminilidade, como as coroas de flores na cabeça de Cicciolina, a atriz pornô italiana que, com muita coragem e altivez, enveredou para a Política, como um senhor que conheci, o qual se desiludiu com a carreira de ator e acabou se tornando advogado, no modo como todos temos o direito de sonhar com uma vida melhor, como no ator Reagan se tornando presidente, ou um despretensioso FHC enveredando para a Política. A coroa aqui é a disciplina, pois é apertada, como num cruel espartilho, na crueldade dos padrões de beleza feminina, nos quais só é considerada sexy uma mulher semianoréxica, como os ossos das costelas evidentes no peito, logo acima dos seios. Aqui é como uma dama de honra num casamento, numa mulher que ainda não casou, sonhando com o momento de subir ao púlpito toda de branco, nas palavras de um senhor que conheci: “Mulher que mesmo é casar. Se puder conciliar com carreira e filhos, melhor. Do contrário, está casada!”, no modo como é desinteressante uma pessoa cuja vida gira em torno da vida de outra pessoa – todos temos que ter “autonomia de voo”, no caminho assexuado espírita, pois somos todos filhos do mesmo Rei. A porta ao fundo está entreaberta, convidativa, num agregamento comunitário, como no filme Mudança de Hábito, com um formidável coro de freiras atraindo os fiéis ao templo, no modo com a igreja de Macedo tantos fiéis “rouba” do Vaticano. A luz aqui, que entra no templo, é a iluminação e o esclarecimento, como numa pessoa chegando a uma conclusão, na resolução de um mistério, ou numa questão sendo resolvida, como uma amiga falecida minha, a qual, em vida, perdeu brutalmente sua própria neta, e aquela desencarnou e se reencontrou com a neta, e este “filme de terror” chegou ao fim! A moça aqui é humildade, fazendo um pedido, talvez num momento de complicada travessia por um “rio”, temendo perecer no decorrer do caminho e se afogar em tal fossa depressiva. A moça quer saber seu lugar no Mundo, como um amigo padre meu, o qual enveredou para a religião para saber qual é seu lugar no Mundo, neste grande desafio da pessoa saber quem ela própria é.

 


Acima, Castanhas assadas. Wyeth adora trilhas e estradas pela terra e lama, vias toscas, simples e acolhedoras, na simplicidade do rústico, como os rústicos CTGs, os centros de tradições gaúchas, focando no que importa, que é a beleza das terras gaúchas, numa explosão de flores de hortênsia no Verão, numa beleza exuberante que nos faz lamentar pelo fato de que tal floração não dura o ano todo. Aqui é uma beira de estrada, talvez em alguém perdido e desnorteado, no modo como só um grande amigo sabe olhar para dentro de nós e saber pelo que passamos existencialmente, num grau de proximidade e intimidade, ao ponto de ser possível falar em telepatia com tal amigo, sem precisarmos proferir uma só palavra. Aqui é uma pobreza, numa vida dura, como na vida dura de catador de lixo seco, ou na dura vida de gari, passando os dias de sua vida varrendo, para cima e para baixo, as ruas de uma cidade, e, ainda por cima, dar graças a Deus por ter um emprego. Aqui remete aos vendedores de pinhão nas beiras das estradas em Gramado, numa pessoa que não sabe se, ao final do dia, trará algum dinheiro para casa, talvez na enorme responsabilidade de sustentar uma família. Nestas gélidas cenas de Wyeht, o qual é um fã do Inverno, o fogo aqui é tal consolo de calor, numa lareira num dia frio e úmido, com a função de secar uma casa, no duro trabalho de lenhador, empreendendo tamanha força ao cortar lenha, como um certo cortador de cocos verdes, o qual parecia dizer a si mesmo: “Eu deveria ter estudado para ser médico!”, no modo como a infelicidade é tão presente no Ser Humano, numa insatisfação eterna: Se estou na cidade, quero ir ao campo; se no campo, à cidade. É o modo como a pessoa tem que ouvir à mente e não ao traiçoeiro coração, o qual nos pregará peças eternamente, no crescimento e na aquisição de juízo e siso. Aqui é uma venda frustrada, pois a estrada nada tem de movimento, num silêncio mortal, talvez quebrado por algumas corajosas aves invernais. O fogo aqui é o contentamento num dia tão frio, nos versos de uma certa canção pop: “Dias chuvosos e segundas feiras sempre me deixam triste!”. O rapaz aqui é bem magro e esguio, no sonho de emagrecimento de tantas pessoas obesas, como uma amiga obesa que tenho, a qual, no Mundo Metafísico, ou seja, no Mundo Real, é magra, formosa e bela, no modo da pessoa saber transcender e conectar-se com o metafísico, como uma certa professora que tive, a qual, apesar de obesa, tinha uma inteligência ágil e arrebatadora – de que adiante ser uma gostosona que é vazia, burra, obtusa e desinteressante? É o modo como pode ser tão desinteressante uma pessoa que é apenas um pedaço de carne. Este quadro é a esperança, numa pessoa em brava persistência, como uma Gisele, a qual, antes do estrelato, ao pensar em largar a carreira, “ouvia” uma voz que lhe dizia: “Não desista!”. É a questão do potencial, o qual se cumpre se sob persistência. A vegetação aqui é desolada, pobre, invernal, hibernando para romper em Vida na Primavera, a estação que nos traz o florescimento da esperança de renascimento, na renovação da Vida, nesta obra prima de Tao que são as flores, provas da beleza de concepção da Suprema Inteligência que nos tem como filhos amados, prezados e valorizados, no caminho de um órfão em saber qual é o seu lugar no Mundo. Talvez a magreza do rapaz seja uma certa privação, talvez numa pessoa subnutrida, numa vida muito dura, num espírito que decide corajosamente reencarnar numa vida absolutamente pobre e dura, nas vicissitudes que tanto crescimento espiritual trazem, como numa grande universidade, na qual temos que ser autodidatas, nas palavras de Tao: “As pessoas têm que aprender por si mesmas a lição da simplicidade”, ou seja, a lição da limpeza comportamental, minimalista, limpa, elegante, impecável, sempre dispensando o dispensável, como no perfume metafísico de Chico Xavier, sendo brasileiro o maior médium de todos os tempos. Aqui é uma paciência e uma espera, como se soubesse que a persistência será recompensada. É uma vicissitude sendo enfrentada.

 


Acima, Dr. Pecado. Aqui é a finitude, a danação, na danação da carne frente à eternidade do espírito, fazendo da Terra tal lar de passagem, numa prisão a qual, certamente, não é perpétua, no prisioneiro contando os dias para a tão desejada soltura, como uma pessoa viciada num submundo, odiando este mas se sentindo presa a este, numa relação de amor e ódio. O casaco do esqueleto é o garbo, como um mendigo que vi certa vez na Rua, um mendigo que caminhava com tal elegância como se estivesse vestindo uma roupa cara de grife, tendo mais porte e elegância do que muitas pessoas mais endinheiradas do que ele, no fato de que elegância e porte vêm de dentro, no modo como quem já reinou jamais perde a majestade. O esqueleto é o prazo de validade chegando, no redentor final de O Senhor dos Anéis, com navios nos levando a uma dourada aurora de beleza e vida, num mundo doce para quem gosta de se manter ativo e produtivo, pois mesmo Tao é tal trabalhador, sempre criando e inventando em Sua perfeição que nos deixa perplexos, na grande invenção que é o planeta Terra, uma esfera tão autossustentável, o nosso único lar de encarnados – a Humanidade encarnada não tem outro lugar para ir, portanto, temos que cuidar de nosso planetinha, o qual é tão único em frente a esferas tão mortas quanto Marte. O piso em xadrez é a ludicidade, em doces memórias de infância, nas brincadeiras com os amigos, numa grande amiga minha que me disse: “Éramos felizes e sabíamos!”, como no redentor último dia de aula, na hora das férias e do merecido descanso, num necessário desligamento, numa pausa, ao contrário de uma pessoa workaholic que conheci, a qual só trabalhava e não vivia, como outro senhor que conheço, o qual não para de trabalhar mesmo em momento de jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo – descanse um pouco, rapaz, pois és humano! Na cena vemos um canhão, que é tal raiva belicosa, em baixas em ambos os lados do tabuleiro, no eterno talento de Caim matando seu próprio irmão, e é claro que Tao não gosta das guerras, esses horríveis momentos em que definitivamente esquecemos de que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, na grande rede que a todos conecta, no tesouro supremo que é a Grande Família Estelar, na qual somos todos infinitamente especiais e únicos! O formato do canhão, claro, é o falo, na competição para ver quem tem o pau maior, com o perdão do termo chulo, no malévolo talento do sociopata em semear o ódio e a desavença, querendo desunir as pessoas, num sociopata que não ama nem os próprios netos – é um horror. Podemos ouvir aqui os impiedosos tiros de canhão, na virilidade de uma Elizabeth I em desafiar a então toda poderosa Espanha, numa época em que nem esta ousava enfrentar o Vaticano, o qual era tudo na Idade Média, com tanta cultura e erudição nos monastérios, no fascinante filme O Nome da Rosa, numa época em que a democratização do conhecimento era evitadíssima, ao contrário dos dias de hoje, nos quais todos temos que ter acesso a tal erudição e conhecimento, ao contrário do Antigo Egito, no qual a escrita só era acessível às elites e sacerdotes. Aqui é uma cabine de navio, no vaivém das ondas, no delicioso útero materno, no trauma que é sair de tal ambiente aprazível para encarar a dolorosa frieza do Mundo, num choro de desespero, em contraste com a celebração que é uma vida chegando a tal Mundo. Aqui é como o comandante do Titanic naufragando junto com o navio, na fragilidade da Vida Humana perante às intempéries do Plano Material, no qual temos que nos esforçar para nos parecermos ao máximo com o Plano Superior, onde somos todos jovens, saudáveis, felizes e produtivos. O esqueleto remete ao vilão Esqueleto, no qual há a metáfora da degradação imoral de um espírito mundano e ambicioso, cruel, belicoso, como num insano Putin, gerando protesto anti Putin ao redor do Mundo inteiro. O esqueleto aqui é uma pessoa que esperou demais, no modo como o sonho tem que se encontrar com a realização, numa pessoa tomando ação e fazendo algo válido e real de sua vida.

 


Acima, Grandes rochedos. Aqui um soldado solitário, como em O Regresso, num DiCaprio que se esforçou ao MÁXIMO para arrebatar um Oscar por tal papel, no auge do rigoroso Inverno norteamericano, num ator que tão visceralmente encarnou em tal papel, na dureza de Hollywood, num Leo que só ganhou o troféu após duas indicações que nenhum prêmio renderam. Aqui é o acalento de uma fogueira, remetendo ao churrasco raiz gaúcho, com os espetos cravado na terra, na carne assando no fogo de chão, no modo como o Churrasco, ou o Churras, ganhou a preferência do brasileiro, na universalidade da Gastronomia, no modo como o Sushi tomou o Mundo. Aqui é a paixão de Wyeth pelas paisagens invernais, no auge de tal frio, num esforço de sobrevivência, como baratas sobrevivendo a hecatombes nucleares, como num artista de longa carreira, conseguindo sobreviver ao próprio sucesso, no modo como o sucesso pode ser algo tão complicado: Quando ele não vem, é frustrante e desanimador; quando vem, torna-se um problema, como num Michael Jackson querendo sobreviver ao momento áureo do álbum icônico Thriller, ou num Macauly Culckin tentando sobreviver a Esqueceram de Mim, pois se você quiser saber o que alguém tem na cabeça, dê a esta pessoa um pouco de sucesso, pois se assim tudo sobe à cabeça de tal pessoa, sabemos da fraqueza desta perante o Anel do Poder de Tolkien, no desejo mundano de se ganhar na Loteria, na máxima espírita: Você não faz ideia a que estado são reduzidos aqui – no Plano Metafísico – os que são considerados felizes na Terra, ou seja, os ricos, numa vida tão rica e tão pobre, no vazio desolador de uma pessoa improdutiva. Aqui as árvores estão nuas e hibernando, áridas, mortas, pobres, sem frutos, sem vida, num quadro tão depressivo, no qual o depressivo se vê num lugar tão pobre e inóspito, longe de um Éden doce e frutífero, na sensação do Umbral, o plano daqueles que não amam a Vida nem amam Tao, o qual é a razão de estarmos todos aqui. O soldado aqui está perdido, desnorteado, tentando arranjar algum consolo na fogueira, como num náufrago numa ilha deserta, tendo que sobreviver, no modo como a Vida é tal luta de sobrevivência, como em tribos indígenas, nas quais não falta o labor universal: as mulheres fazem coleta e cuidam dos filhos; os homens caçam e pescam. É a universalidade da divisão de tarefas entre os sexos, na dona de casa que é prisioneira do próprio lar, numa vida dura para manter uma casa limpa e organizada, lavando as cuecas do marido, como uma pessoa a qual subestimei, uma pessoa que eu julgava ser uma dondoca e dona de casa de luxo, uma pessoa que conseguiu se eleger vereadora numa Porto Alegre na qual MUITOS pleiteiam o mesmo cargo na Câmara de Vereadores. Aqui remete à chuva e à desolação do filmão Ilha do Medo, num filme cujo desenrolar vai esclarecendo os fatos, até o espectador perceber a loucura do personagem de DiCaprio. Aqui é a luta pela Vida e pela sobrevivência, como na duríssima vida de imigrante italiano na Serra Gaúcha, recebendo um lote devoluto, virgem e selvagem, num colono que encarou uma vida tão dura e tão heróica, nas palavras de uma intelectual caxiense: “Nós devemos tudo ao colono!”, no modo como tenho orgulho do casarão de pedra em Flores da Cunha construído por meu tataravô colono, num caminho de identidade comunitária e regional, em gênios como o cartunista Carlos Iotti, trazendo o personagem Radicci, o qual representa tais raízes e tais características do senso comum do descendente de colono. Aqui é o modo xucro de se assar pinhões, direto no fogo, no cheiro de queimado numa mata, no prazer de atividades rurais, tão longe da vida urbana, da selva de pedra, no “abismo” que existe entre as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Aqui a fumaça sobe como espíritos evocados pela crença pagã indígena americana, no interessante como as populações indígenas existiram em todos os cantos das Américas, entrando em choque com o cruel homem europeu, o qual foi obcecado em escravizar brutalmente tais populações indígenas – é um horror.

 


Acima, Rugido do recife. Podemos ouvir o furioso som das ondas, quebrando, numa Natureza que nunca cessa, sempre lutando para viver. Aqui é tal força, como num artista que causa comoções, sendo reconhecido e respeitado devidamente, ao contrário de um reconhecimento póstumo, quando o artista não está mais no Mundo para desfrutar de tal glória. Aqui são borrões incertos, querendo retratar as ondas da forma mais realista possível, talvez aqui com um pé no Impressionismo, em pinceladas fortes e apaixonadas. Aqui são civilizações projetando deuses em tais forças naturais, na tentativa humana de compreender o que nos cerca, encontrando divindades em animais, como no Antigo Egito, com um panteão rico de deuses com corpo humano e cabeça de animal, como crocodilos, escaravelhos, gatos etc., no marco da Revolução Científica, quando a Humanidade se desprendeu de superstições tolas, compreendendo que a Peste Negra, por exemplo, foi causada pela insalubridade do modo europeu de vida, numa época medieval em que se acreditava que tal peste era um empreendimento de ira divina, num Deus descontente com seus filhos, muito longe da concepção de Cristo, na qual Deus é amor eterno e incondicional, como na “cola” que mantém uma família unida numa noite de Natal. Aqui as águas borbulham, num olor libertador de Mar, de origem, da Mãe Primordial que trouxe a Vida à Terra, na sede humana em encontrar Vida fora da Terra, numa Humanidade ainda tão infante e inexperiente. Aqui é o modo como as ondas na beiramar existem com ou sem nós, borbulhando não só em dias de Verão, mas no restante frio do ano, sempre respirando, indo e vindo, ignorando os modos de civilização, numa força tão cíclica, como nas estações do ano; como na hibernação de ursos, acordando famintos, loucos por um belo salmão, na luta pela Vida, uma luta que permanece tanto no Neolítico quanto nos dias de hoje, na lida diária para se trazer o pão para casa, nas palavras de uma pessoa cuja inteligência respeito: “A Vida é dura e difícil em qualquer lugar”. Aqui é o talento de Wyeth, num quadro dinâmico, cheio de movimento, numa Elis Regina furiosa com o adultério do próprio marido, na diva jogando no Mar a coleção de vinis raros do homem, numa pessoa que mereceu o apelido de “Pimentinha da MPB”, na época em que tal gênero se solidificou, fazendo com que a morte da artista “virasse o Brasil de cabeça para abaixo”, nessas pessoas que adquirem tal efeito apolíneo de genialidade e carisma, no modo como as pessoas são únicas, pois nunca veremos outra Elis, no modo como os grandes artistas são insubstituíveis, como num genial David Bowie, numa explosão de estilo, num astro que sabia a importância da aparência de um artista ao fazer um clipe ou pisar no palco, pegando de exemplo uma Celine Dion: Voz excelente; estilo, nem tanto. Foi como o boom de estilo inovador dos anos 1980, em artistas icônicos que tanto marcaram tal época, mas com artistas o quais não sobreviveram a tal década, numa incapacidade de virar as páginas e encarar novos desafios na carreira. Aqui neste quadro é como o Big Bang, a teoria mais aceita pelos cientistas, mas o que havia antes? É o enigma de Tao – sempre existiu e sempre existirá, nas palavras de Kardec: “Deus é o infinito”, e o artista almeja imitar tal infinito, em obras de Arte clássicas que atravessam os tempos, como na obra de um Michelangelo, causando perplexidade até os dias de hoje, nesses talentos de esmagadora grandiosidade, deslumbrantes como numa Gisele, “devorando” as lentes, numa Gisele pés no chão, a qual sabe que precisa continuar trabalhando se quiser “se manter em pé”. Aqui o branco é como açúcar polvilhado, num efeito de beleza de neve, este fenômeno que tantos turistas traz à Serra Gaúcha, como numa operadora de caixa de supermercado que conheci recentemente, uma pessoa que vem do extremo Norte do Brasil, com eu perguntando a ela como ela se adaptou ao frio, e ela disse: “É muito frio!”. Aqui é uma explosão de orgasmo, no continuum universal do Cosmos, numa grande “Internet” que faz com que todos estejamos conectados, filhos do mesmo Rei.

 


Acima, Vento de abril. Aqui é um empecilho, um obstáculo, como numa pessoa com problemas com drogas, como uma pessoa que conheci, a qual, por ter tido tanta reincidência na Cocaína, está condenada a “prisão perpétua”, tendo que passar o resto de seus dias numa clínica psiquiátrica, impedida de trabalhar, realizar-se, namorar, ter patrimônio, ter família, ter férias, passear num parque ou ir a um café – é um horror, no modo como a droga pode se tornar tão horrível na vida de uma pessoa. Aqui é um momento de crise, no qual temos que ponderar e descobrir como sair disso, no modo como as crises são positivas, pois elas assinalam um momento de renovação da vida da pessoa, numa pessoa que tem que aprender a se reinventar, como no genial Jô Soares, o qual surpreendeu a todos as se tornar tal monstro entrevistador – se sou subestimado, posso agir. Aqui parece o fim de uma estrada, nos verso com Elis: “É pau, é pedra, é o fim do caminho”, nos versos de Drummond, no famoso poema da pedra no meio do caminho. Aqui um vento frio corta os campos, talvez na região dos pampas, num vento tão duro e inclemente, testando nossa capacidade de tolerância, nas vicissitudes que vão se revelando uma ajuda e não uma atrapalhada. Aqui é uma vírgula, como num desencarne, na pessoa que observa que a mente sobrevive à morte do corpo, numa continuidade, num retorno ao Grande Lar, onde temos a certeza de estarmos cercados de amigos, ao contrário da Terra, tão cheia de sociopatas sádicos e tão cheia de infelizes masoquistas, que se deixam manipular. Aqui é um momento em que a pessoa tem que saber qual ação tomar, talvez após uma demissão, numa pessoa que foi pega de surpresa, demitida de seu emprego, como na dissolução do canal televisivo gaúcho TV Com, com tantos jornalistas demitidos, tendo que “sambar” para conseguir emprego em outras firmas portoalegrenses de Comunicação. É como num caso que conheci, de um primo, diretor de uma firma, demitindo seu próprio primo dessa firma, numa bela “puxada de tapete” – que família, hein? Aqui é a finitude, pois o tronco foi cortado, ou seja, está morto, no inevitável Desencarne, num prazo de validade que sempre chega, fazendo da Terra um mero lar de passagem, na promessa cristã do Reino dos Céus, maior do que qualquer reino mundano, no grande plano divino de Tao para conosco, no qual somos irmãos, iguais, apesar de tão diferentes uns dos outros. O homem aqui está ponderando para saber qual ação tomar, num momento de escolha, de opção, como num pleito eleitoral, no cidadão votando em quem acha que deve ser votado, num fenômeno de Eduardo Leite, o governador gaúcho que provavelmente será reeleito, num Rio Grande do Sul no qual nenhum governador, até hoje, foi reeleito, num Leite que tanta coragem teve ao se assumir gay neste mundo heterocentrado no qual vivemos; nesta terra de machões que é o RS. Aqui é o garbo olímpico superando obstáculos, num porvir que tem que ser enfrentado com galhardia, graça e vontade, no desafio do desporto, o qual prepara a criança para a competição da Vida em Sociedade, como numa competitiva cidade de Gramado, com um incessante abre & fecha de empreendimentos durante o ano inteiro, num mercado que exige que sejamos extremamente competentes e pertinentes, numa “selva”, incitando tal espírito atlético e olímpico, pois o que pode fazer um surfista num mar sem ondas de vicissitudes? É a questão do tesão pela Vida, numa vontade de vencer, num Kuerten se esforçando ao máximo, adquirindo sequelas em seus quadris, numa dedicação extrema. Aqui remete aos alarmantes quadros de queimadas na Amazônia, enfurecendo ambientalistas Mundo afora, na crença ecologista de que nossa casa tem que ser cuidada, pois para onde mais a Humanidade pode ir? Aqui é uma solidão, como numa pessoa passando sozinha uma virada de ano, num solitário espírito vagando pelos ermos inférteis do Umbral, como numa cidade vazia, fantasma, desolada, num deprimente domingo em que a pessoa passa sozinha. Aqui é uma verdade que tem que ser enfrentada.

 

Referências bibliográficas:

 

Andrew Wyeth. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 31 ago. 2022.

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Andrew Wyeth, april wind. Disponível em: <www.thewadsworth.org>. Acesso em: 31 ago. 2022.

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