Falo pela única vez sobre o pintor uruguaio Yamandú Canosa. Natural da capital do Uruguai, Canosa está há várias décadas radicado na Espanha. É reconhecido na Europa e EUA, sendo importante ao ponto de representar o Uruguai na Bienal de Veneza. Estudou Arquitetura. É financeiramente bem cotado. Expôs com exclusividade no Museu Salvador Dalí. Integra arquivos de muitos e fundações do Mundo. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, ARRC. Aqui é um jogo de negativo e positivo, no modo como tudo traz em si sua própria contradição, num jogo de opostos da Xilogravura, que são “carimbos” que geram imagens, num trabalho que exige muita atenção do artista, tendo este que se concentrar num jogo que parece ser simples, mas não é, no modo como o coração pode ser traiçoeiro – ouça a mente primeiro, meu irmão. Aqui é o jogo entre copa e raízes, em raízes fundas e sólidas, numa pessoa solidificada, centrada, séria, que sabe que não pode faltar trabalho, como numa Gisele, a qual, apesar de tão majestosa, sabe que, se parar de trabalhar, virará “peça de museu”. É a questão do siso e do juízo. Ao contrário de pessoas as quais, infelizmente, param completamente, numa aposentadoria melancólica e sem graça, no modo como a Vida exige de nós espírito de guerreiro – não há vitória sem luta, como uma amiga minha, a qual está num mimimi sem fim, reclamando da Vida, atirada nas cordas, esperando por um príncipe que não vai chegar, no modo como uma pessoa adulta não “compra” contos de fadas, como na Carrie de Sex and the City, abandonada pelo noivo no momento da cerimônia de enlace, nas palavras de uma certa popstar: “Se você não é uma menininha nem um homem, você entende quando eu coloco minhas raivas para fora!”. Aqui é o fato de que tudo tem seu preço, numa pessoa que sabe que tem que ser digna e meritosa, no modo como não há reconhecimento sem produção. Aqui são árvores nuas, de Inverno, como vinhedos hibernando, na Ressurreição de Cristo, no desencarne do maior homem de todos os tempos, no doloroso e até engraçado fato de que ninguém, nem Ele, soube resolver os problemas do Mundo – continua tudo a mesma merda, com o perdão do termo chulo, e isso é um pensamento encorajador, numa pessoa que parou de idealizar o Mundo e as pessoas, no caminho espírita da mortificação, numa pessoa que não mais tece expectativas, poupando-se de se frustrar, pois quanto mais espero, mais longe meus pés então do chão, e o Mundo pertence aos realistas, que conectados com o Plano Metafísico, no plano da vitória do pensamento racional, na beleza fria dos números, numa água gelada que limpa. Aqui é o continuum de “design” entre veias, artérias, galhos, ramos, curso de rios e furiosos raios de tempestade, na energia que pulsa na Vida incessante, numa pessoa que compreende que tem que ter tesão pela Vida, na indispensável pitada de Yang num caldeirão de Yin, pois todos temos que ter tanto Yin quanto Yang, na junção dos opostos que geram Tao, o único caminho de existência – não existe um segundo Tao, derrubando as crença em “Satanás”, o qual não existe de fato, fazendo do Umbral não um outro Mundo, mas um modo pobre que se afasta da única luz que existe. Aqui vemos morros e colinas, nas colinas áridas de Hollywood, a terra do sucesso e do fracasso, num Charlie Sheen que antes era o ator mais bem pago da TV americana, e, de um momento para o outro, perdeu tudo e foi de Alfa a Ômega num piscar de olhos – ninguém está por cima o tempo todo, não canso de dizer. Aqui é a cor de papel pardo, o papel que respeita o Meio Ambiente, neste grande problema que é o lixo plástico, emporcalhando mares e rios, numa possessa certa atriz na beira da praia no Rio de Janeiro, catando co chão e colocando no lixo da orla o lixo que este povo tão relaxado joga gratuitamente na areia, havendo no povo japonês, por exemplo, um povo tão limpo e civilizado, mas num Japão com o maior índice de suicídios do Mundo – vai entender? Aqui é o senso de humor de Tao, nessa alternância, sendo Verão no Hemisfério Sul e o oposto no Norte, no jogo irônico de Tao: Quando uma pessoa parece que esta andando para trás, ela está na verdade indo para frente, no momento divertido Tênis em que a bola vai para um lado e o oponente vai para o outro!
Acima, Cachoeira. Aqui é o garbo e a arrumação, numa mulher elegante, que só sai de casa se estiver toda empetecada, como uma certa dama caxiense, a qual não sai de casa sem estar completamente ajeitada, ao contrário de outra certa senhora, uma pessoa sem autoestima, que sai de casa com qualquer roupa e com o cabelo de qualquer jeito, nos versos de uma certa canção pop: “Aprenda a amar a si mesmo – é uma grande, grande sensação”. O pau é o falo, a incisão, a agulha penetrante, num intelectual de pensamento tão penetrante, numa pirâmide abrasiva, pontuda, na indispensável pitada de Yang, de agressividade, como no competitivo Mercado Fonográfico Mundial, com muitas divas maravilhosas competindo pela atenção do público, como uma certa popstar, a qual sabe que tal pitada agressiva é tão decisiva, no modo como todos temos que ter “AM e FM”, por assim dizer, no deus Eros unindo os opostos no Cosmos interligado e sexy, no sensual sem ser sexual, na sensação deliciosa uterina, no trauma do parto em tal “choque térmico”, no choro do nenê respirando ar pela primeira vez. O cabelo azul é a cor do céu e dos sonhos, numa menina a qual, ao se inscrever para o concurso de Rainha da Festa da Uva, tinha todo um sonho de criança, querendo ser aquela rainha que acena ao povo, numa rainha num carro alegórico tão belo, tão majestoso e tão poderoso, nos arquétipo feminino de Ísis. É o sonho da Estrela da Manhã, num espírito desencarnado e feliz, emoldurado por uma luz radiante e fina, no paraíso para os que amam trabalhar e estudar, no irônico modo como JAMAIS vamos nos aposentar, ao ponto de arcanjo, o espírito feliz que goza da felicidade suprema, vislumbrando o invislumbrável infinito, nos termos espíritas: “Deus é o infinito”, ou seja, passaremos a Eternidade buscando desvendar tal mistério, num pacote de presente gigantesco, imensurável, numa prova de tanto, tanto poder, como um móvel de madeira nobre, durável, com décadas de uso sem um só foco de cupim, no modo como os metais preciosos e as pedras preciosas são mera copa de tal Eternidade, pois tudo, tudo de material está fadado à danação, e isso inclui um belo diamante, apesar de ser difícil de acreditar em tal danação, no eterno apego humano pelo material, pelo palpável, pelo tangível, havendo em Tao algo tão intangível e enigmático, na frase de abertura do livro: “O Tao sobre o qual é possível de se falar não é o verdadeiro Tao”. É como na cena em Matrix num menininho empunhando uma colher, dizendo a Neo: “Não existe colher!”. Aqui o cabelo cai como uma cascata, num plano em que nosso cabelo fica exatamente do jeito que desejamos estar, num plano de autoestima, nos incessantes esforços de psicoterapeutas em incutir no paciente tais valores de autovalorização, no prazer de um banho bem tomado, num ritual de renovação que nos aproxima da limpeza perfeita metafísica, o lugar onde não há uma só bactéria, na limpeza do pensamento versus a sujeira material. A moça aqui é um mistério, pois está de costas para o espectador, incitando, provocando, como num jogo de striptease, num jogo sensual de revelar e esconder, como na sensual luz do luar, uma luz que revela e ao mesmo tempo esconde, na magia das noites enluaradas dos enamorados, nos versos de uma certa canção pop: “A noite pertence aos amantes!”, ou como nos versos de uma canção de Luan Santana, em enamorados fazendo amor e acordando a vizinhança em plena madrugada! Aqui há um contraste entre azul e amarelo, numa junção de opostos, como juntar um azul marinho discreto com um verde berrante – existe harmonia e, ainda assim, choque de contraste. Aqui há uma imposição de ordem ao caos, em cabelos arrumados, ao contrário de uma certa atriz que foi a uma cerimônia do Oscar com os cabelos absolutamente desgrenhados, como se tivesse recém saído do chuveiro – é um horror ver uma mulher desarrumada. Neste quadro temos disciplina, nos professores os quais, depois de minutos de intervalo, encaram a hora e voltar à sala e dar sua aula – há vitória sem luta?
Acima, Diamantes. Aqui é a vela faiscante de aniversário, numa homenagem, numa ocasião especial, no prazer de um aniversariante em receber amigos, receber presentes e oferecer um doce aos convidados, nesse gostoso pecadinho da Gula, nos incríveis doces que existem na Dimensão Metafísica, em doces que não engordam – não tenha culpa em relação aos pecados capitais, pois foi da Preguiça que nasceram as grandes invenções da Humanidade, em algo simples e genial como a Roda. Aqui é uma polinização de Primavera, no modo como tal época em Porto Alegre é tão maravilhosa, com seus fartos jacarandás floridos de flores roxas, cobrindo as calçadas com tais flores – não há algo mais chic do que flores na calçada, pois o chic está em coisas simples, e não em uma conta bancária gorda. É como uma mulher decorando seus cabelos com flores, pois o que importa é o efeito, e não o custo financeiro do adorno, na revolução de bijuterias de Chanel, a mulher revolucionária que tinha duas bolas no meio das pernas, no modo contrário como uma pessoa pode ser tão cagona, com o perdão do termo chulo. Aqui é a obsessão mundana por riquezas, na sedução de pedras preciosas, no ícone Audrey Hepburn comendo croissant de café da manha olhando as joias da vitrine da lendária marca Tiffany’s – tudo de material está fadado à danação, apesar do Ser Humano crer que tais pedras são eternas, com tudo girando em torno do Espírito da Verdade, numa pessoa de alto apuro moral; numa pessoa que simplesmente odeia mentir, colocando os sociopatas na rabeira da fila de aquisição de apuro moral, num espírito que tanto aprendizado tem pela frente, num pai orgulhoso do filho no dia de formatura deste, numa tragédia que conheci em Porto Alegre, num rapaz que foi brutalmente assassinado na semana de sua formatura – maldita seja a obsessão mundana por Poder. Aqui são estrelas apolíneas no céu noturno, convidando à contemplação, numa pessoa sensível, sonhadora, perguntando-se sobre os segredos do Universo, da existência, ao contrário de uma pessoa pragmática, para a qual a noite é feita para se descansar para, assim, acordar cedo e abraçar mais uma jornada de trabalho, no traço cultural da região gaúcha de Imigração Italiana, na cultura do trabalho árduo, dedicado, num colono que só não trabalhava no Domingo porque o padre não permitia – se até Deus descansou no sétimo dia! Aqui é o modo como as estrelas sempre fascinaram a Humanidade, na sede de conhecimento astronômico, na metáfora das estrelas de Hollywood, em carismas tão arrebatadores como de um Brad Pitt, neste dom que têm as pessoas carismáticas, ao contrário de um certo ator, o qual está muito bonitão em um certo filme dos anos 1990, mas num ator que não soube deslanchar muito bem em tal indústria, na prova de que beleza não põe à mesa. Aqui é varinha mágica, no passe de mágica que transformou Cinderela, no papel coadjuvante, porém decisivo, da Fada Madrinha, como uma certa pessoa poderosa que conheci, a qual me apadrinhou, num gesto de amor fraternal; num gesto da intenção de dar uma ajudinha a quem precisa, como um certo amigo meu, o qual faço questão de ajudar na luta diária por respeito e reconhecimento, pois, como diz o nome de um certo centro espírita: “Fora da caridade, não há salvação!”, ou seja, dar um empurrãozinho para quem necessita, e não propriamente dar esmolas, as quais só incentivam o pedinte a permanecer na situação de rua. O azul é a cor do céu e dos sonhos, numa menininha sonhando em um dia ser Rainha da Festa da Uva, no modo como são “carnificinas” os concursos de beleza, pois cada concurso desses gera um numeroso grupo de meninas frustradas, sentindo-se com a autoestima chumbeadinha. Aqui é a leveza do pólen, no jogo primaveril de sedução e Vida, em adolescentes com os hormônios à flor da pele, numa época em que só queremos três coisas: sexo, sexo e sexo. Aqui há um jogo de comparação, pois se acho a estrela grande, é porque ao lado existe ma estrelinha menor, ou seja, a mulher baixinha, em seu papel coadjuvante, é essencial para o homem ser visto como alto e grande.
Acima, Janelas. Aqui é como o freio de mão no carro, no juízo e nos brios de sisudez, numa pessoa que cresceu a atingiu uma fase maravilhosa da Vida, que é a maturidade, nas palavras de uma amiga minha, na crença de que a idade vai nos libertando: Estamos na fase do “foda-se”, com o perdão do termo chulo. Tal coisa não deu certo? Foda-se! Aqui é como no trabalho de equipe na modalidade olímpica do remo coletivo, na força da coletividade, em cada um fazendo sua parte pelo todo, na metáfora de Matrix: Os programas que não têm utilidade ou propósito são deletados, eliminados, desprezados. É como no termo “razão social”, num negócio sendo aberto com CNPJ, tendo que ter alguma utilidade para a Vida em Sociedade, ao contrário de uma dondoca improdutiva, sem identidade, simplesmente sendo uma dona de casa de luxo – ser apenas uma dona de casa não vai te dizer quem és! É o processo de identidade da personagem Mulan, encarando a vida de guerreiro, numa pessoa que resolveu ir à luta pela Vida, sabendo que não há vitória sem luta, numa excelente professora antropóloga que tive, a qual chegava para as pessoas perguntando: “Como vai a luta?”. É na questão da pessoa “levantar da cadeira” e fazer alguma coisa produtiva, válida, positiva – casas precisam estar limpas, organizadas e abastecidas de supermercado, mas isso não quer dizer que minha vida tem que ser só isso. Aqui é como um martelo ruidoso, testemunha de uma jornada de trabalho, num dos símbolos de labor comunista, num regime tão opressor, que não permitia ao cidadão ter suas crenças espirituais, pois não canso de pedir que Marx me perdoe: Espiritualidade não é besteira, bem pelo contrário, é necessidade, pois somos todos feitos de carne e espírito, conforme Santo Agostinho. Aqui é uma articulação entre partes, numa articulação comunitária, com vários agentes girando em torno de algo, como neste grande brasileiro que foi o diretor Fabio Barreto, num momento em que Caxias do Sul e região se uniram em torno de tal homem, nesta aventura que é produzir Cinema no Brasil, ao contrário da sólida e tradicional tradição hollywoodiana, numa verdadeira indústria sedimentada. O pano de fundo é azul del Rey, nobre, discreto, nas cores do Oceano no Google Earth, num planeta que, na verdade, deveria se chamar “Planeta Água”! O fundo aqui é um tecido nobre, talvez seda, como numa pessoa elegante que conheci, a qual comprou metros de seda para uma costureira fazer camisas – moda e estilo são excelentes modos de autoexpressão, havendo tal suma importância disso na Indústria Fonográfica Mundial, em fabulosas transgressões estilosas de Lady Gaga, este ícone da nova geração. Aqui é algo em curso, como num curso universitário, no infeliz modo de uma pessoa em abandonar os estudos, subestimando estes, uma pessoa a qual, mais tarde, vai se arrepender amargamente por ter largado os estudos, num curso sem formatura, ou seja, numa transa sem orgasmo, num ciclo que não se fechou. Aqui há uma base de comparação, num chão sólido, numa pessoa sólida, centrada no trabalho, como um homem que conheço, o qual é seríssimo, centrado no trabalho, mas decepcionando sua própria esposa, a qual o rejeitou por considerá-lo pouco romântico ou cavalheiro – não tenho pena deste homem, pois quem tem pena é pato, meu irmão. Aqui é como uma trama se desdobrando, num enredo que vai crescendo na cabeça do espectador, numa elucidação de mistérios, num lento amanhecer, na magia da Estrela da Manhã, como num alvorecer após um baile de gala, dando-nos uma amostrinha da magia de uma manhã de Domingo, na Terra da Estrela da Manhã, o lugar de paz tão inabalável, indestrutível, na sensação de que tudo está na mais perfeita ordem, na promessa do Reino dos Céus, fazendo da virgindade de Maria um modo da Humanidade entender a Imaculada Conceição Divina, nas ruas pacíficas, cheias de casas de amigos, no modo como os vínculos de família não se dissolvem com o Desencarne – toda desavença é solucionada!
Acima, Vento cruzado. Aqui temos uma imposição, em ramos se sobressaindo e ofuscando quem está atrás, nas palavras de uma certa vencedora de concurso de beleza: “Se você fizer “sombra” para alguém, prepare-se para ser alvo de inveja!”. Aqui é uma naturalidade, numa pessoa natural e espontânea, instintiva, que vai trilhando seu caminho de modo autodidata, na inexistência de um livro que nos diga como se deve viver. É como uma pessoa que deixou que o Mundo a diga como ela deve viver, o que é péssimo, pois, de certo modo, com todo o respeito, temos que mandar o Mundo se foder, com o perdão do termo chulo. Aqui é uma farta e deslumbrante buganvília, como num certo parque caxiense, que tem um túnel dessas flores, na magia das flores em Primavera, em quadros tão deslumbrante como a Primavera de Botticelli, tão fino, tão farto, tão perfumado, tão arrebatador, numa explosão de cores que bombardeiam as percepções do espectador, no poder da Arte me mexer com a pessoa, excitando-a, numa energia vibrante e encorajadora, no modo como o papel da Arte é fazer com que nos sintamos vivos, com algo que mexe conosco, nas poderosas catarses, vômitos impactantes que fazem uma bela faxina na alma do artista catártico, no poder terapêutico da Arte, algo que nos faz tão humanos, desde as argilas primitivas de tribos indígenas, na prova da racionalidade humana. Aqui sentimos o olor de florescimento, numa bela mulher perfumada, elegante, uma mulher que dá gosto de se ver, espalhando no ar seu perfume feminino, nas palavras do personagem de Woody Allen a um filho: “As mulheres são a melhor coisa que você vai ter na Vida. E algumas delas fazem compras na Victoria’s Secret!”. É o jogo de sedução de opostos, arrastando tantas multidões aos cinemas, num jogo de sedução entre opostos, numa união cósmica que a todos conecta, numa espécie de Internet Metafísica, fazendo da Internet mundana uma mera cópia da união cósmica, pois Tao só existe um, e só existe um caminho, no caminho de Jesus, nosso irmão de avassalador apuro moral, na prova da vitória da fineza sobre a grosseria, talvez num Jesus que nem se lembra de sua própria brutal crucificação, num desencarne que coloca tudo em seu devido lugar, numa libertação irônica, pois mesmo lá em cima é necessário que nos mantenhamos produtivos, no poder do trabalho e do juízo, no modo como pode se deprimir uma pessoa que se aposentou completamente – não dá para parar. O fundo aqui é suave, num amarelo bebê, remetendo ao vestido de uma Gisele num certo evento de gala novaiorquino, na capacidade que esta mulher teve em varrer o Mundo, ditando até hoje moda capilar, a qual imita as ondulações naturais da modelo mais bem sucedida da História, à frente de deusas como Linda Evangelista e Cindy Crawford – a concorrência é atroz, meu filho, portanto, faça-se homem, mesmo estando farto de tudo. Aqui é uma cadência, numa furtiva estrela cadente, fazendo com que façamos um pedido, no modo como as estrelas sempre fascinaram a Humanidade, num Homo sapiens empenhado em desvendar os segredos do Universo, numa contemplação de astros que parecem ser feitos do mais fino e chic cristal, frágil e, ainda assim, fortíssimo, no discernimento taoista: Fino é forte; grosso é fraco. Aqui temos uma doce ondulação, na sedução de uma amena brisa noturna de Verão, farfalhando as folhas das árvores, como se tudo fosse feito de luxuoso veludo, num acolhimento agradável, num útero confortável, no final do filme 2001, no feto de volta à barriga, no eterno retorno, fazendo da Terra um lar de passagem, e não de permanência. Aqui é a vitória da Vida e da Beleza, em meninas debutantes se despedindo de suas infâncias e abraçando o mágico momento de baile de Cinderela, num momento em que damas e cavalheiros se esforçam para estar com a melhor aparência possível, aproximando-se do enigmático metafísico. Aqui é como um complexo de ninhos, de Vida, na Vida se renovando com tanta força, jogando luz sobre as escuras terras malditas de Mordor de Tolkien, na vitória do Bem.
Acima, Vidas paralelas II. Pessoas que vivem em mundos diferentes, nos versos de uma canção romântica de Barbra: “Linhas paralelas que se tocaram”. São os relacionamentos amorosos, nesse terreno difícil no qual temos que ter paciência para com os defeitos do outro, como uma senhora que admiro, a qual suporta, por mais de meio século, um marido fumante, não sendo ela fumante: não é perfeito, mas é meu marido, diria ela. Aqui são barras de apoio, numa proteção, no zelo de uma mãe cuidadosa, enchendo o lar de cuidados, remetendo a uma certa tragédia numa família, numa criancinha que bebeu um reagente químico e pensando que fosse água, morrendo, nessa grande responsabilidade que é criar um infante. Aqui são linhas aristocráticas, disciplinadas e elegantes, num trabalho de exclusão, de limpeza, num espírito que compreende a limpeza de Tao, o essencial, o minimalista, na elegância da bandeira nacional japonesa, a bandeira mais elegante do Mundo, com o rubro sol nascente oriental cercado por alvas brumas, na magia das Brumas de Avalon, no culto pagão da Deusa, substituído depois, no Cristianismo, pela Virgem Maria, num supremo arquétipo feminino, fazendo com que a alva face da Virgem nos dê uma esperança das pacíficas vizinhanças metafísicas, num lugar em que impera a Paz, este sentimento o qual, se faltar, revelará uma falta hedionda – como posso ter Paz se quero fazer tudo ao mesmo tempo agora? A barra vermelha é o sangue, o vinho da Vida, na transubstanciação mágica na hora da missa, no momento em que comemos o corpo e bebemos o sangue de Jesus, no mágico momento de comunhão, na nobre intenção democrática da urna eleitoral, na qual somos todos absolutamente iguais em nossa irmandade, no irônico modo como o monarca inglês é proibido de votar nas eleições da Inglaterra! As barras aqui são duras e impositivas, barrando alguma invasão, num prisioneiro que tanto odeia estar preso, fazendo do trabalho o milagre da felicidade, no poder libertador do labor, sendo insuportável uma vida ociosa, improdutiva, vazia, pois no autoencontro existencial não pode faltar trabalho, nas palavras de Cruise: “Eu preciso mostrar alguma coisa”, ao contrário de um certo senhor, um showman que só quer aparecer, sem propriamente mostrar algo de válido, no modo como ninguém, no fundo, respeita o robert, ou seja, o exibidinho que só quer mídia. Aqui são doces duros de caramelo, no modo como a criança carece totalmente de disciplina alimentar, só querendo comer porcarias ultraprocessadas, em esforços como o de Jamie Oliver em alimentar corretamente as crianças nas escolas inglesas. Aqui há uma comparação, pois uma barra é mais espessa do que a outra, ou seja, a barra fina tem uma função essencial, que é fazer tal contraste, como num design de logomarca – se na mesma logomarca coloco letras de diferentes tamanhos, tenho então uma base de comparação, no discernimento taoista: o Mal existe para reconhecermos o Bem. Aqui é como um mirante, com um dia de muita neblina, nas palavras de minha falecida avó, então aposentada: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”. A tarja vermelha é um alarme e uma advertência, como avisar sobre equipamentos de alta tensão, com a figura da caveira, no modo como o Ser Humano teme algo natural e inevitável, que é a morte do corpo físico, no milagre da sobrevivência da Mente, na supremacia psiquiátrica, na lenda grega de Psique, a alma, o comportamental, na mente de Jesus no momento de ressurreição. Aqui são como fotos panorâmicas da superfície de Marte, um planeta morto, tão hostil ao Ser Humano, pois, sem querer ser blasé, mas o que há de interessante para fazermos em tal esfera inóspita? É o modo como nunca mais foram mandadas missões tripuladas à nossa Lua – o que há para se fazer lá? A Terra é nosso único lar. Aqui é uma ordem se impondo aos caos, no trabalho disciplinador do caderno de caligrafia, estimulando o aluno a ter uma caligrafia apolínea, algo que, pelo menos para mim, nunca surtiu efeitos, tendo eu tal caligrafia feia.
Referências bibliográficas:
SCOTT, Chadd. Yamandú Canosa teams up with the Dali Museum for exclusive exhibitions of New York. Disponível em: <www.seegreatart.art/yamandu- canosa-teams-up-with-the-dali-museum-for-exclusive-exhibitions-of-new-york/>. Acesso em: 28 set. 2022.
Yamandú Canosa. Disponível em: <www.cientomasuna.com/en/yamandu-canosa/>. Acesso em: 28 set. 2022.






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