Japonesa de 1940, Toshiko Horiuchi MacAdam se encontra radicada no Canadá. É conhecida por suas instalações-playgrounds, convidando o espectador a brincar e interagir. Toshiko tece tudo a mão, num trabalho de formiguinha. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, sem título (1). Temos aqui uma artista generosa, uma boa anfitriã, deixando que as crianças brinquem em seu playground têxtil, remetendo-me ao meu vizinho em Jurerê, SC, o senhor Cabreira, que permitia que as crianças da vizinhança brincassem no parquinho que Cabreira tinha em seu quintal – a generosidade é um dom. Podemos ouvir a gritaria enlouquecida da gurizada, num momento de pura diversão e de nenhuma obrigação, como na hora do recreio na Escola, remetendo à difícil infância de Michael Jackson, um menino que, em nome da precoce carreira, simplesmente não podia brincar com as outras crianças no parquinho, uma privação que foi estourar na idade adulta do astro. Aqui, as crianças, ao trepar na estrutura, influenciam umas às outras, num corpo dinâmico e flexível, balançando, mexendo-se, como numa empresa, no convívio em que as influências mútuas ficam inevitáveis. As cores são alegres, diversificadas, numa Toshiko que jamais perdeu a alegria de viver, a candura infantil, mesmo já sendo uma senhora de idade avançada – manter-se jovial é uma dádiva, como num Leonardo da Vinci, uma pessoa brincalhona, ou como na divertida apresentadora americana Ellen Degeneres, cujo passatempo é pregar hilários sustos nos outros, numa manteiga que nunca fica rançosa. Aqui, temos um grande sucesso de popularidade, e o tempo voa para as crianças que estão brincando, no modo como a criança tem uma energia frenética a qual um adulto não pode acompanhar. Aqui são as cores do arcoíris depois de uma tenebrosa tempestade, dando um sinal de esperança, de ressurreição, de renascimento, na alegre diversidade das cores, num Mundo tão duro, tão inflexível em relação às inevitáveis diferenças, fazendo com que os adultos aprendam muito com as crianças, pois a Infância é uma fase simples, sem as sisudas exigências adultas. Aqui são como microorganismos dentro de um corpo, na multiplicação por mitose, como bactérias avançando num processo de decomposição orgânica. Aqui são como vários espermatozoides soltos num útero, procurando obsessivamente pelo cobiçado óvulo, nas concorrências da Vida, como numa eleição municipal, com centenas, até milhares de candidatos a vereador, com poucas vagas para muitos pretendentes, no modo como o pleito eleitoral é uma carnificina, distribuindo terríveis frustrações aos sonhos dos ambiciosos candidatos. Aqui é como uma Grande Mãe, recebendo seus filhos em seu imaculado útero, no verde e alegre Jardim da Infância, fazendo metáfora com os jardins metafísicos, onde todos somos crianças novamente, numa Virgem Maria de braços abertos, numa Rainha da Festa da Uva convidando todos para participar da vindima, num doce momento de Verão, de festa, de doces frutos, na compensação de muito trabalho e disciplina, no sonho do imigrante italiano, na fartura das mesas de galeteria ou de café colonial. Aqui é como uma distribuição de terras, de fartas terras devolutas, sendo desbravadas pelos bandeirantes, no desafio europeu em trazer noções civilizatórias às selvagens e desregradas terras americanas, com primitivos índios canibais, num selvagem hábito tão distante da depuração moral exigida espiritualmente de cada pessoa – a Humanidade está em constante processo de evolução e depuração, com as noções morais de objetos como a tábua dos Dez Mandamentos. Aqui é como um programa infantil de Xuxa, numa apresentadora de carisma, chegando à Terra em seu doce disco voador cor de rosa, encantando as crianças com seus jogos, desenhos animados e canções infantis, numa das maiores estrelas da História do Brasil. Aqui é a alegria de ser guiados pelas mãos de um homem de Tao, um homem sábio, o qual é visto, amado e respeitado, como num Renato Aragão, no divino dom de saber interpelar as crianças, fazendo do senso de humor uma das maiores virtudes humanas.
Acima, sem título (2). Aqui são como poros, deixando a pele respirar, como numa pessoa sábia e ponderada, sabendo respirar, sempre com a humildade para entender que o Homem é infinitamente inferior a Tao, o insuperável. Aqui é uma sala de estar democrática, com os sofás dispostos em forma de U, com a abertura para fora – entra quem quer; sai quem quer. É a Lei do Livre Arbítrio, fazendo metáfora com as asas dos anjos, esses maravilhosos espíritos desencarnados, na crença espírita de que os anjos da guarda existem, sendo simplesmente espíritos desencarnados evoluídos, sempre querendo colocar no melhor caminho a pessoa guardada, no reconfortante modo como ninguém está sozinho, havendo uma ilusão no sentimento de solidão – não há almas desassistidas. Aqui, é uma paciente aranha, tecendo instintivamente esperando que uma mosca desavisada caia na cilada, assim como um sociopata ardiloso e imoral, tecendo suas teias para enganar e explorar alguém, quando não matar. Imagina-se o tempo de trabalho que levou para Toshiko fazer tal obra. Aqui são como vários ovos, de sapo, rã ou peixe, na força da Vida, sempre lutando para respirar, num animal cujo instinto impede que o bicho se atire nas cordas e deixe de lutar pela Vida. Aqui são como as ovas de salmão, fluindo rio abaixo, crescendo, virando peixes que sobem rio acima, fazendo uma nova desova, nos ciclos da Natureza. Aqui é uma divertida colcha de retalhos, aproveitando as sobras e produzindo algo novo, nas mágicas mãos transformadoras de um artista plástico, sempre manipulando as coisas e criando coisas novas. Este tecido gigante me remete às comadres que se reúnem num café de Caxias do Sul, à tarde, para tricotar nos dois sentidos – literal e figurado, num trabalho paciente, como numa paciente formiga reconstruindo o formigueiro após algum colapso, no modo como eu optei por recomeçar do zero ao ingressar no curso de Comunicação Social na Universidade de Caxias do Sul, na canção Começar de Novo, como eu cantava com minha colega de Ensino Médio, pois ambos fomos reprovados no último ano do Ensino Médio, e fomos juntos recomeçar numa escola pública, nas maravilhosas chances de eterno recomeço, remetendo à canção de Jazz: “Você pode estar cansado de tudo isso, mas você vai ser um homem, meu filho”. Ou seja, hora de batalhar e de ter disciplina – não existe segredo para uma vida ficar organizada. Esta festa de cores me remete a uma mostra do talentoso artista plástico brasileiro Jorge Menna Barreto, com vários tapetes multicoloridos dispostos uns ao lado dos outros, num conjunto vibrante, dinâmico, como num vestido de paetês coruscante, parecendo que é um conjunto de luzes de Natal, vibrando, lutando para viver e sobreviver, pois verás que filho teu não foge à luta. Aqui é como água borbulhando, num ponto em que a pessoa se dá conta de que não existe piloto automático na Vida, na necessidade do “barco” ter que ser sempre tocado adiante – não existe segredo. Existe aqui uma aceitação, pois diferentes raças convivem em Paz, sem a cruel superficialidade do Racismo, esta força malévola que faz com que nos esqueçamos de que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, havendo, na Dimensão Metafísica o perecimento desse preconceito, pois na dimensão acima existe civilidade, delicadeza, polidez e, acima de tudo, Amor, pois como posso construir algo se tenho Ódio em meu coração? Aqui, estamos todos unidos, como no momento de votação democrática, no qual nossas diferenças nada valem, estando igualados no momento do pipipi da urna eletrônica. Aqui é um jogo, com pessoas surgindo e desaparecendo por esses poros, como no fluxo de estudantes numa universidade, com alunos em momentos diferentes de seus respectivos cursos. É uma grande bandeira tremulando, num país que busca respeitar a individualidade da pessoa, ao contrário das ditaduras, as quais esmagam o próprio cidadão – o Amor liberta. Aqui é uma grande rede de pesca, nas delícias dos frutos do Mar, como disse uma certa personagem: “Comer é a melhor coisa que existe”.
Acima, sem título (3). Um momento de montagem e preparação. Uma lânguida rede para repouso, no divertido modo como, em Portugal, existe um folclore de piadas que coloca o brasileiro como um ser extremamente preguiçoso, na metáfora com o bicho preguiça, uma relíquia biológica brasileira. Estas rendas de Toshiko são como peneiras, filtrando, purificando, como no preparo de um bolo, no qual a farinha tem que ser peneirada para evitar que embolote. É um receptáculo, como nos infames focos do mosquito da Dengue, no modo como a força da Vida encontra prosperidade nos mínimos recursos, nesta doença brasileira, que deixa o enfermo ficar duas semanas inteiras na cama, imprestável. É o modo indígena de repousar, num modo de Vida tão exótico, como na noite de bodas de um casamento, com o casal copulando em frente aos olhos de todos na tribo, inclusive crianças, havendo nas bodas um apelo tão universal, no deus Eros juntando os opostos, no padre que diz: “O que Deus une o Homem não separa”. Toshiko traz uma alegria cromática, num apelo doce que atrai as crianças, as quais brincam ensandecidas em suas instalações têxteis. Aqui é um receptáculo, numa pessoa que vive de braços abertos, pois, como dizia Confúncio, aonde quer que vá, vá com todo o seu coração. Aqui é um pêndulo marcando a passagem de Tempo, nos modos humanos de organizar uma Vida e um Mundo tão caótico e desregrado, no modo exclusivamente humano de marcar tais medidas, num modo que, nas extremamente vastas medidas cósmicas, nada significa, como nos relógios derretidos de Dalí, na languidez que derrete tudo e nos mistura, na deliciosa sensação de Liberdade nas Experiências Extracorporais, no momento breve em que o espírito, ainda encarnado, tem uma amostra da glória metafísica de libertação, num espírito livre, como um anjo, emoldurado por uma luz, na vitória do Nobre Pensamento sobre a Maliciosa Matéria, na icônica imagem da serpente do Éden sendo esmagada pelos alvos pés de Maria, colocando fora toda a malícia de frívolas fofocas, que são um veneno que atinge quem o profere – como é desinteressante uma pessoa fofoqueira! Estas rendas de Toshiko respiram, deixando o ar circular, na capacidade de Tao em deixar que respiremos, nas inesgotáveis reservas de ar em nossa atmosfera, numa generosidade, como numa nonna italiana fazendo um pratão de polenta para a família em torno de uma mesa, no prazer de agregar, num Natal com todos reunidos em torno da fartura de uma mesa, cada um levando um prato de delícias para o banquete. Aqui é como se balançar numa rede, na deliciosa sensação de vaivém, num pêndulo vivo, pulsante, numa inocente jugular atraindo a cobiça de um vampiro sociopata, esses amigos falsos que não são amigos de fato de pessoa alguma – por isso há o Umbral. Aqui é como uma farta rede de pescadores, tirando do Mar a recompensa do dia, agradecendo a Iemanjá pela fartura, na generosidade dos mares, no milagre cristão da multiplicação dos peixes, trazendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, negra, falando dos horrores escravocratas – o Mundo está evoluindo lentamente, pois, como diz o intelectual Harari, estamos vendo cada vez menos guerras ao redor do Mundo. Aqui é como uma lona sendo retirada de uma piscina, inaugurando o doce período de Verão, na diversão de crianças que passaram o ano todo em meio à sisudez dos estudos e da cobrança dos professores, encontrando um pequeno intervalo em meio a uma Vida tão disciplinada e rígida. A rede de Toshiko captura nossos olhares, e ela nos recebe em seu útero abstrato, na ensandecida gritaria de criança na hora do recreio, no modo como, após o (absolutamente inevitável) Desencarne, há um período de férias e descanso, para depois o espírito desencarnado procurar um trabalho e continuar tocando a Vida para frente – a Vida continua. Então, a teia capta a nós crianças, deixando-nos “aprisionados” em meio a um talento tão singular e inconfundível.
Acima, sem título (4). Como as crianças se divertem com tanta simplicidade! Aqui é como um carrossel, girando, respirando, no ciclo das estações climáticas. Aqui são como testículos, na autocastração voluntária de um homem que sonha, com todas as suas forças, em ser mulher. Aqui são como gotas pingando, dando amostras de Tao, aquele o qual podemos perceber em tudo que é bom, positivo e pacífico. Aqui, essas bolas em pêndulos são sustentadas por um frágil fio, no termo “estar por um fio”, numa pessoa que não percebe em si tal fragilidade, só se dando conta desta fragilidade depois do momento derradeiro em que o último e mínimo fiozinho é cortado e castrado. Aqui é como na brincadeira de balanço, nos sons de engrenagens num parquinho, no som de Infância, fazendo com que a criança interaja com o Mundo e aprenda a se relacionar com este, no iniciozinho da Vida Social, no modo como a criança aprende a ter discernimento entre espaço privado e espaço público, convidando os amiguinhos para sua festa de aniversário, nas minhas doces lembranças de Infância, recebendo em minha casa toda minha turminha de Colégio. Aqui é o termo “cada macaco no seu galho”, na criança que começa a perceber que tem que respeitar tudo e todos, pois, do contrário, o Corpo Social, naturalmente, puni-la-á. Aqui, as crianças influenciam umas às outras, num corpo dinâmico, num só pulso, como numa pista de dança, o momento mágico em que as pessoas e unem em torno da música, no prazer da comunhão, da coletividade, como uma comunidade se unindo em torno da Festa da Uva, com os comerciantes enfeitando tematicamente suas vitrines, com a Mídia expondo ao máximo a menina coroada, fazendo metáfora com os espíritos evoluídos de desencarnados, obtendo trabalhos de suma importância no Plano Metafísico, o lugar em que as ambições mundanas perecem, só havendo espaço para a nobreza de ações, absolutamente fora das ambições mundanas por Dinheiro e Poder – tudo gira em torno da dimensão acima da nossa, ironicamente cidades suspensas nos Céus, mas cidades feitas de Pensamento, não de tijolos ou asfalto – é a intangibilidade de Tao, aquele que é indesvendável, no mistério eterno da Vida Perene. Aqui é como um liquidificador misturando as pessoas, no nome de uma boate portoalegrense, a Liquid, cuja logomarca era um liquidificador misturando as pessoas, os frequentadores, como num formidável momento em uma pista de dança, quando é tocada uma música de alta popularidade, unindo as pessoas em torno da Arte, esta forma de manifestação humana tão singular, tão humana, tão nobre – será que existem formas de Arte sendo desenvolvidas por seres racionais alienígenas? Será o Ser Humano tão único? Aqui, a Arte se torna diversão, como assistir a uma boa comédia, provocando o riso, esta manifestação tão formidável que é o Senso de Humor, na capacidade humana em encontrar ironias em meio a coisas aparentemente sem graça. Aqui as crianças são como abelhinhas em torno de flores, produzindo essa substância tão formidável como o Mel, na metáfora da recompensa doce após um esforço enorme. Aqui temos um coração de avó, tricotando meias de lã para que os netos não passem frio no Inverno, na universalidade do Artesanato, com bens sendo produzidos para um fim, uma utilidade, como vasos e cestas, no prazer das mãos que se veem úteis ao Mundo, no gigantesco esforço para se criar um filho, mas um esforço que vale a pena, no termo popular: “Ser mãe á padecer no Paraíso”. Aqui é como uma onda do Mar arrastando inúmeros surfistas, esses aventureiros que fazem como Tao o faz, surfando, engajando-se, aproveitando uma oportunidade de brilhar, no modo da pessoa sábia em saber surfar nestas “ondas”, no minimalismo comportamental de Tao, o surfista, fazendo da preguiça a força limpa que só se atém ao que é importante. Neste parquinho não há restrições, e meninos e meninas, ricos e pobres, brancos e negros, divertem-se juntos, na inocência infantil que não entende o porquê de atos frívolos como o antissemitismo – tudo o que a criança quer é ser feliz e divertir-se com os amiguinhos.
Acima, sem título (5). É como se a rede tivesse capturado essas esferas, não as deixando passar, no modo como há coisas que são difíceis de ser superadas, com questões que a pessoa leva para o túmulo, só depois do Desencarne se recobrando do trauma – há tempo eterno para o Perdão, pois este liberta, pois rezamos: “Assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”. Espécies de pneus repousam no chão, como numa boia, remetendo-me ao maravilhoso parque temático americano de piscinas Typhoon Lagoon, nesta capacidade que o povo americano tem em divertir e entreter, numa nação tão rica e vibrante. Aqui podemos observar a obra sem as crianças brincando, num raro momento de Paz e silêncio, e parece que os pêndulos estão absolutamente estáticos, sem qualquer vibração, no poder da Paz, esta força que nos une em um só clã – a Guerra é fraca. Parecem gotas gosmentas, por um fio, pingando, como num sorvete derretendo, como um homem de Tao, derretendo lentamente, desprendendo-se gradualmente dos excessos mundanos, um homem cada vez mais próximo na simplicidade limpa de Tao. São gotas de orvalho, úmidas, brilhando douradas sob a luz de Eos, a deusa da Aurora. É como no interior úmido de uma caverna, com seus lagos secretos, numa Natureza que por vezes se oculta, recusando-se a revelar seus enigmas, no desafio científico de observar, cogitar, provar e desvendar. Aqui é o termo “estar por um fio”, num aspecto de fragilidade, mas, ao mesmo tempo, de força, suportando as criancinhas que se balançam na obra-playground, no modo como os parques temáticos como a Disneylândia fazem com que os adultos sejam crianças novamente, sentindo-se dentro de um conto de fadas, com tantas atrações divertidas, como num genial simulador de voo espacial de Star Wars, com experiências que mexem com a emoção da pessoa que passa por tal momento mágico, na habilidade americana em vender, fazendo com que, no calor momentâneo do impulso, compremos coisas as quais, de cabeça fria, jamais compraríamos. Aqui são lágrimas caindo, remetendo-me à minha mãe, a qual, quando eu era criança, dizia para eu ir lavar o rosto depois de uma choradeira infantil, no modo como é difícil para uma criança receber limites e advertências, pois quem gosta de ser tolhido? Aqui são como sinos balançando enigmaticamente, em meio à brisa, no modo como tudo é processo, tudo é transformação, num espírito crescendo, ficando cada vez mais próximo de Tao, o agente da Vida Eterna, esta força que simplesmente não cabe na cabeça de um simples ser humano – existe poder maior do que a Eternidade? Aqui cada pêndulo escolhe sua própria identidade cromática, numa liberdade, num país livre, feliz, com o cidadão sendo livre para pintar o próprio cabelo como bem entender, entrando em harmonia com a divina Lei do Livre Arbítrio, encontrando nas democracias esses moldes de regência nobre e gentil, como num agradável dia de meia estação – o Amor é sempre agradável; o Ódio, desagradável, pois este causa sofrimento. Aqui são como doces balas, remetendo-me às saudosas balas Soft, num pacote multicolorido, cheio de sabores de frutas, na magia de uma caixa de bombons sendo aberta, como num tesouro sendo descoberto, como no descobrimento da tumba intacta do rei Tut, numa revelação, no modo como, após o Desencarne, o grande plano divino para conosco é revelado, num Pai que quer o melhor para seus filhos, na glória libertadora, como no último dia de aula do ano, num dia de pura brincadeira, nas doces brincadeiras de Verão na beira da piscina, com memórias de amigos. Aqui, estes pneus estão dissociados da obra, emancipados, livres, como se seus fios de sustentação já tivessem sido cortados, com elementos livres, desencarnados, na frase: “Seus problemas acabaram!”. São como rosquinhas de donuts, fofinhas, deliciosas, no fascínio dos doces, no divertido modo como, no Nível Metafísico, há maravilhosas confeitarias, enfrentando o sisudo pecado capital da Gula – nada de errado em ter prazer, portanto, não tenha culpa.
Acima, sem título (6). Como redes numa cancha esportiva, no modo como uma pessoa com personalidade atlética simplesmente assim nasce. As redes são o filtro, a depuração, a filtragem que barra tudo o que é sujo e desnecessário, havendo em Tao esta renovação, atendo-se somente ao que é essencial, ao que importa. Aqui são vários arcos num castelo, numa noção de profundidade, nas maravilhosas mansões da Vida Eterna, esta aposentadoria que exige que permaneçamos ativos e produtivos. Aqui são as teias de uma aranha habilidosa e ardilosa, como se soubesse que, cedo ou tarde, alguma mosquinha desavisada cairá na armadilha, como numa pessoa obcecada com vingança, incapaz de superar ou perdoar. Aqui, tudo respira pelas brechas das redes, como numa roupa de algodão puro, ao contrário de tecidos sintéticos, os quais não deixam o suor passar, e assim é Tao, sempre nos dando a Vida, sempre nos permitindo respirar e viver, ao contrário de ambientes tóxicos de trabalho, nos quais há assédio moral e desrespeito, num lugar doloroso, sem Vida, afetando a felicidade da pessoa que ali trabalha – a Vida não é só Labor. Aqui são como arcos numa igreja, talvez góticos, com seus vitrais coloridos, enchendo de cor e alegria os olhos do fiel, tentando aproximar este da felicidade mental, esta felicidade que pouco se importa com pedras preciosas, pois quanto mais compro, mais vazio me sinto... Aqui é como se fosse uma gosma branca, talvez num cupinzeiro, num organismo harmônico onde cada agente tem seu lugar e sua função, na tristeza que acomete aquele que não sabe qual o seu próprio lugar no Mundo, como na condessa Olenska de A Época da Inocência, deprimida, deslocada, desmotivada, frustrada com um casamento infeliz, vendo que, ao final da história, não existe fugir dos problemas – a Vida exige que encaremos esta. Aqui é como um tear, na revolução que foi a produção de tecidos, deixando para trás os tempos primitivos em que as roupas eram peles de animais. São os destinos sendo tecidos pela Divina Providência, com vidas se entremeando, como num desencarnado fazendo seu plano de reencarnação, como numa matrícula de faculdade, escolhendo os desafios os quais irá enfrentar corajosamente, numa grande provação à Fé, numa vicissitude que se tornará depuração e evolução moral. Aqui são as mãos mágicas de um artista, transformando objetos, como nas grandiosas instalações do famoso casal Christo e Jeanne-Claude, fazendo da Arte tal deslumbre, tal desafio a limites, tal pulverização de mediocridades, num artista que decidiu ter mérito e ser digno de respeito, provando gravitar acima de mesquinharias mundanas. Aqui é uma profundidade com uma atração gravitacional, e estamos assim entrando na mente de Toshiko, a qual se torna uma anfitriã, fazendo da Arte tal entretenimento e tal catarse, como num grande filme blockbuster, causando comoções universais, desafiando o niilismo e trazendo significado à Vida, na luta entre Virtude e Vulgaridade. Aqui é como se fosse um túnel do tempo, numa vida com décadas de trajetória, numa existência que vai acumulando experiências e crescimento, pois o crescimento é o único sentido da Vida – como posso ser feliz se me sinto estagnado? Aqui são as várias etapas de um processo, como passar pelas cadeiras de uma faculdade, num aluno que tem que fazer muitos trabalhos para merecer seu diploma no final do trajeto, no papel enrolado que é o falo da liberdade e do êxito. Este tecido aqui é bem leve, deixando o ar passar, como num pai que, apesar de se preocupar com a integridade do filho, tem que deixar este seguir seu caminho e suas escolhas, no termo “pai coruja”, o qual não consegue dormir direito enquanto o filho não chega da balada. À medida que o espectador vai penetrando neste túnel de Toshiko, sua percepção vai evoluindo, no termo vulgar “meter o pau”, num pesquisador que vai fundo ao fazer um estudo, buscando toda e qualquer informação pertinente, como num trabalho de conclusão de curso, fechando com chave de ouro um processo de esforço e disciplina, com tantas horas dentro de um carro ou ônibus para ir à aula.
Referências bibliográficas:
QUIRK, Vanessa. Conheça a artista por trás desses surpreendentes playgrounds. Disponível em: <www.archdaily.com.br>. Acesso em: 2 nov. 2020.
Toshiko Horiuchi MacAdam. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 2 nov. 2020.






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