quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Sônia Supersônica (Parte 2)

 

 

Volto a falar sobre a artista plástica paulistana Sônia Menna Barreto. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A Praça da Ópera. Lembranças, como em I Will Always Love You: “Lembranças doces e amargas – é isso tudo o que carrego comigo”. Há um assemblage, pois três imagens unidas formam uma só imagem, como vinhos de várias castas combinados, numa salada de fruta. A Ópera é o fascínio que a Arte exerce sobre o Ser Humano, fazendo da Arte algo tão único e singular, sem igual no Cosmos todo. Podemos ouvir o som da rua, dos carros, num dia de produtividade, com cada pessoa cuidando de seus negócios, como disse a comunicadora gaúcha Tânia Carvalho: “Caxias do Sul é uma cidade com uma energia de trabalho”, a herança “workaholic” do imigrante italiano. Esta é a Paris que tantas multidões de turistas querem visitar, na cidade mais charmosa do Mundo, sem querer desmerecer as demais; uma cidade que esbanja Arte, longe das ambições capitalistas de Nova York, na simplicidade parisiense de se tomar vinho com pão, simplesmente. O dia aqui é aberto e agradável, talvez numa amena manhã de Verão, e os cidadãos caminham normalmente. Os cidadãos são a dignidade, as pessoas de boa índole que só trazem orgulho e satisfação ao corpo social, numa pessoa que almeja ser respeitada e considerada construtiva, ao contrário do vilão Esqueleto, o senhor malévolo da destruição, como nas insanas ambições de uma mente terrorista, uma pessoa (muito) equivocada. Vemos um cartão postal escrito a amigos – é o ouro da amizade, dos relacionamentos que duram para sempre, como aquele amigo que não vemos há décadas, mas que, no momento de reencontro, parece que foi ontem a última vez que vimos este amigo. O selo aqui é a certificação, o oficial, o carimbo pelo qual o cartão tem que passar, num aval, como se um rei tivesse permitido que o cartão fosse enviado, pois Tao, na sua infinita majestade, faz com que nada aconteça sem a permissão deste Tao, nos mistérios da Divina Providência, no ditado popular que diz que Ele escreve certo por linhas tortas, no modo como o Ser Humano, definitivamente, não tem como saber como tudo lhe ocorrerá, nos divertidos mistérios celestiais, como o Neo de Matrix, com todo um processo de aprendizado e esclarecimento, até atingir a maestria e, assim mesmo, manter-se humilde, com os pés no chão, pois, não canso de dizer, a Arrogância precede a queda. Aqui é um mural, como se nada aqui tivesse sido pintado, mas simplesmente com imagens coladas numa parede, na maestria de Sônia Menna Barreto. O cartão é fixado com um agressivo percevejo, o qual é aquela vontade perene, aquele tesão de uma pessoa que faz questão de lutar pela Vida, pois, mesmo após o libertador Desencarne, a Vida continua em toda a sua seriedade, com nossos irmãos que vagam sofrendo pelo Umbral. O percevejo é a incisão, numa pessoa que faz uma crítica severa, talvez criticando a falta de moralidade de um bandido sociopata, o qual se acha Deus, nos píncaros da Arrogância, a qual, claro, nunca traz Felicidade ou Paz. Vemos aqui uma pequena torre fálica com a inscrição “Barreto”, numa autocitação, fazendo desta cidade uma obra da autora, na qual a autora é Mãe, é Tao, no modo como Tao, na sua impecabilidade, assina abaixo do que faz, sempre visando o Bem, sempre. Aqui são partes dissociadas sendo recombinadas, na resolução de um mistério de Scooby Doo, o divertido desenho animado que exige pensamento lógico por parte das crianças. Aqui o Sol rega a cidade, como no Sol radiante dos Teletubbies, com um nenezinho radiante, dando seus primeiros sorrisos, na graça e bênção de uma criança chegando a uma família. Aqui é uma carta escrita com carinho, talvez num legado, num testamento que visa beneficiar pessoas. É um registro, numa viagem deliciosa, da qual o viajante não que se esquecer, como em inesquecíveis viagens para o mágico estado americano da Flórida, ou para a Arte pulsante de Nova York.

 


Acima, Brincando de Teatro. O fascínio da Cultura Popular Nipônica, com as delicadas queixas, que personificam a Feminilidade em sua graça, delicadeza e perfume, como numa prenda num CTG, bela como uma flor de Hortência em dezembro, ou como na feminina Feiticeira, protegida pela espada poderosa de He-Man. Aqui é uma cena um tanto triste, num teatro quase vazio, num espetáculo pouco prestigiado, conforme disse a diva Marília Pêra: “Que alegria uma casa cheia; que tristeza uma casa vazia”. É como receber a família numerosa numa noite de Natal. O senhor na plateia possui a fálica espada, talvez criticando severamente o espetáculo, como na controversa crítica teatral carioca Bárbara Heliodora, a qual certa vez foi barrada por um diretor na fila de entrada para o espetáculo deste, num episódio que virou fofoca nacional. Vemos também uma senhora discreta na plateia, com um chapéu, oculta, secreta, como numa pessoa que respeita secretamente alguém, nunca revelando tal estima, talvez por pudor ou precaução, não querendo afetar ou mudar o comportamento da pessoa respeitada. A luz aqui é a evidência, a estrela no centro das atenções, numa Maria Callas arrebatando multidões com um talento nato, de quem já nasceu sabendo brilhar, no divertido ditado: “Baiano não nasce; baiano estreia”. As gueixas aqui estão em sintonia grupal, depois de muitos ensaios e aprimoramentos técnicos de Disciplina, como na Disciplina de um fisiculturista, levando a sério sua obrigação diária de atividade física. Delicadas flores caem sobre o palco, na delicadeza da Paz, este sentimento de força que só toma corpo quando a Ambição tomba, pois se não estou o tempo todo ambicionando, posso ter Paz. O palco é o chão, a referência, num artista levando tudo tão a sério, exigindo o máximo de si mesmo, no trabalho de dedicação, pois como posso obter sucesso que não me apronto para o espectador? Podemos ouvir o som de música japonesa, remetendo-me ao incrível bairro paulistano da Liberdade, com seus restaurantes de sushi, esta comida milenar que tanto me apraz. Aqui remete a uma escola de Samba que celebrou, em seu desfile, o aniversário de Imigração Japonesa no Brasil, num desfile que buscou um sincretismo intercultural, combinando a discrição nipônica com os vibrantes tambores da avenida. As gueixas aqui estão quase todas centralizadas no palco, no momento mágico teatral, quando as cortinas se abrem e o cenário é revelado, como no empenhado cenógrafo dos seriados de Chaves e Chapolin, esses ícones da Cultura Latinoamericana, com um super-herói irreverente, humano, cheio de adoráveis defeitos, longe das idealizações de super-heróis ianques. Aqui não podemos delinear qual das gueixas é a grande estrela do evento, pois todas são similares, medíocres, como se tivessem medo de se destacar e abocanhar a cena, como certos atores ofuscam seus coatores em cena, ao contrário de outros atores, os quais obtém juntos uma química maravilhosa, sem interofuscamentos, como nas formidáveis Bette Midler e Lilly Tomlin numa comédia novaiorquina hilária. Aqui é como uma produção em série, numa esteira industrial, com produtos iguais, num padrão, como num cidadão oprimido por um ditador, estando este amedrontado pela possibilidade de um cidadão comum aparecer mais do que o malévolo líder autoritário – é um jogo de vaidades, no ancestral egoísmo humano. Vemos na extrema direita um gongo, que é o marco, um anúncio, um momento de passagem, com seu ruído arrebatador e marcante, no modo como certos filmes têm a capacidade de marcar épocas, tornando-se memes de premiações e comoções de público, como em A Lista de Schindler. Aqui as gueixas fizeram um pacto de mediocridade, e nenhuma delas ousa obter identidade, assinatura, característica, ao contrário de artistas que têm tal instinto de destaque, sempre querendo ser únicos e inconfundíveis, pois de que vale um artista que não se destaca, sendo apenas mais um impessoal tijolo numa parede? A Vida exige coragem. Neste cenário, aspectos da Natureza vêm, fazendo continuum com as gueixas, as quase personificam os mistérios da Natureza que envolvem o Ser Humano desde sempre.

 


Acima, Da Holanda para Aruba. A cadeira é o espectador, as expectativas do Mundo em relação ao mais novo passo de um grande e famoso artista. A cadeira é o relaxamento, a pausa, no modo como a Vida precisa de pausas, pois que vida é esta na qual só trabalho e não descanso? O chapéu na cadeira é a elegância do cavalheirismo, o trato de polidez nas delicadas relações diplomáticas, com esforços de elegância para sempre evitar o atrito e a Guerra, na vitória do diálogo sobre a rispidez, afinal, no frigir dos ovos, o Mundo é uma vizinhança. Abaixo do chapéu vemos um livro, que é a erudição, na civilizada e pacata atitude de se sentar e ler um livro, apreciando o labor de outrem. Aqui temos uma cidade pacata, talvez numa bela Suíça, este nobre país de atitude neutra em relação ao Mundo, tornando-se uma casa de diálogo, na promessa de irmos, após o Desencarne, a um Mundo no qual a Guerra nada significa. Vemos um lampião, que é o esclarecimento de fatos, como tirando uma história a limpo, eliminando dúbias dúvidas e estabelecendo nitidez na visão de Fulano ver o Mundo, pois é uma dádiva ver o Mundo do jeitinho que este é, sem filtros de idealizações ou demonizações. A plácida cidade é a Ordem, num lugar onde os cidadãos respeitam profundamente a Lei, num lugar silencioso, num contexto em que a Paz se revela em todo seu estrondoso silêncio, num lugar cuja Paz nos penetra, fazendo com que não desejemos estar em qualquer outro lugar do Cosmos. O lampião ilumina a cena, como num publicitário desenvolvendo uma ideia ou um conceito, no desafio que é conquistar o gosto do consumidor, uma conquista que só pode ser feita pela austeridade do vendedor – produtos ou serviços ruins não obtém sucesso pleno. Aqui vemos um tablado, um palco, e no chão, solitariamente, vemos um indistinto objeto despedaçado – é a mágoa, num broken heart, numa decepção que também pode ser a nível profissional, num artista que se vê frustrado com o próprio fracasso, ou talvez num gesto de humildade, como numa Fernanda Montenegro, a qual, mesmo num momento de evidência profissional numa indicação a um Oscar, a atriz se disse “uma fodida”, com o perdão do termo chulo – como é rara a humildade entre os seres humanos! Uma das casinhas aqui é um vão, revelando outra cidade atrás, num jogo de bonecas russas, no enigma de Tao, o qual sempre esteve aqui e sempre estará, na incompreensão da Eternidade, a maior prova de um poder imenso, muito além da limitação humana. O objeto quebrado é um rompimento, num momento de ruptura, talvez numa desavença ou numa indisposição, no modo como a Eternidade é o tempo para a resolução de qualquer problema ou mágoa, pois o Perdão é o caminho natural e provável, pois Tao é assim, natural como o calor no fogo. Vemos aqui um poste solitário, lutando para iluminar um Mundo que não quer ser iluminado, nos esforços de um professor em tentar fazer com que os alunos tenham interesse erudito e científico, fazendo da Erudição a grande ferramenta civilizatória a qual pode erguer e consolidar uma nação. Sob o poste vemos também indistintos objetos despedaçados, numa Sônia um tanto hermética. É como um escopo sendo analisado e dissociado, nos esforços anatômicos de Leonardo da Vinci, numa época em que a Humanidade não tinha noção da importância dos avanços da Ciência, remetendo-me aos pedaços de cadáveres conservados numa faculdade de Medicina. O poste aqui é desconfiado, querendo registrar tal qual câmera de segurança, numa tentativa de controle e de manutenção da Ordem, buscando honrar a bandeira do Brasil. Numa das sacadas aqui vemos um senhor solitário, buscando por alguém, num internauta solitário, buscando parceiros em sites de relacionamento – é a solidão inevitável, no modo como, já ouvi dizer, todo homem é uma ilha, não havendo dor da Solidão, mas recato, pudor, retiro e reserva.

 


Acima, Enxuta. Uma solitária lágrima cai, no modo como pode haver Beleza na Tristeza, talvez num artista catarseando um sentimento de dor ou abandono. A lágrima é o remédio amargo que traz uma doce cura, no modo como as vicissitudes acabam ajudando a pessoa em dificuldade. Aqui é uma otimista cena de bonança após uma forte tempestade, e a gota é o vestígio de um dia que já acabou, numa pessoa que está passando a deixar para trás um momento de luto. A lágrima é um puro cristal, como pingentes cristalinos de um lindo lustre. A lágrima é o suor do labor, numa Sônia produtiva, produzindo sempre em seu atelier, num artista que começa a ver que sem disciplina não há resultado ou produtividade. Aqui é o termo “a gota d’água”, num ponto em que uma situação não tem mais retorno, numa espécie de beco sem saída, numa pessoa que, de um momento para o outro, passou a observar um processo degenerativo que estava há anos acontecendo, só se dando conta quando era tarde demais... O fio aqui é o sustentáculo, como Atlas carregando o Mundo nas costas, num chefe de família cheio de responsabilidades, certificando-se de que nada vá faltar dentro de casa para os filhos e a esposa, num senso de responsabilidade, no modo como um primogênito introjeta desde cedo o senso de responsabilidade para com os irmãos mais novos, numa pessoa que desde cedo se viu obrigada a amadurecer. O fio é como um condutor de energia e eletricidade, como no famoso choque do jornalista gaúcho Lasier Martins na Festa da Uva, num impacto, como nas ambições de um artista em ser tal impacto, tal “força da Natureza”, como um tsunami carregando tudo e todos. Aqui, vemos uma comparação entre consolação e desolação, pois há dois prendedores: um ocupado e ou outro desocupado. O desocupado é essa desolação, numa pessoa que não se vê útil ao Mundo, como numa melancólica mulher solteira, sonhando em ter um marido para se dedicar a um homem e lavar e passar as camisas deste, em palavras reacionárias que já ouvi: “Mulher quer casar”. O prendedor desocupado tem inveja do outro. O prendedor ocupado é o significado, o norte, a noção, como um labirinto sendo solucionado e mistérios sendo esclarecidos e desvendados. Aqui é céu luta para se limpar depois de uma tempestade tão austera, pois se a pessoa tiver potencial, paciência e persistência, poderá se encontrar existencialmente, no problema que existe em uma pessoa querer se encontrar fora de si, e não dentro, como já ouvi: “Eu SOU independente de onde ESTOU”. Esta é a última gota remanescente, como num ciclo de lavagem, na redentora sensação de se deixar em ordem uma casa, numa esposa recém casada, ainda em clima de Lua de Mel, mal sabendo da dureza que o dia a dia trará ao casal... Aqui temos um tom sobre tom, ou seja, o Céu e o Mar, numa cena fresca, depois de uma tempestade escura e amedrontadora. É um refresco, como num alívio após um dia quente e abafado, como nos Verões inclementes de Porto Alegre. O prendedor com a gota luta para segurá-la, como se tivesse medo de perder a razão de sua vida. É o apego, a paixão, no modo como podem existir amores obcecados, fixados, doentes, amores que não são o fraternal amor desapegado, fresquinho e saudável, no modo como o sentimento de possessão mina relacionamentos, num casal disfuncional, entre um sádico e um masoquista. O fio aqui é frágil, pois balança com o vento, como se o fio quisesse dançar com a Natureza. O fio é a união entre pessoas e países, na universalidade do Ser Humano, em suas bênçãos e mazelas. O fio é a Internet, esta força revolucionária de Conhecimento que abrevia distâncias e economiza papel, na velocidade vertiginosa da digitalização do Ser Humano, uma força que faz metáfora com o crescimento técnico do espírito, frio, racional, mas uma força que, apesar de tanta frieza, traz o Amor, pois que irmão é este que não ama seus irmãozinhos? A gota é como roupa congelada numa manhã de geada no varal nas serras do RS e SC, regiões que fascinam um Brasil tão quente e tropical.

 


Acima, Infância. A Lua se ergue em todo o seu mistério, como um prato de prata com sua luz tão branda, que pouco aquece e pouco ilumina, numa luz tão dúbia, que revela tanto quanto esconde. É a magia dos ciclos da Natureza, no modo indígena pré civilizatório de registrar em ciclos a passagem do Tempo, e não de modo linear, como na Civilização, com ontem, hoje e amanhã. A Lua é a feminilidade independente do másculo Sol, num astro com suas próprias regras que pouco se importa com a estabilidade indubitável do Sol, o qual sempre vem, sem formas cíclicas, na credibilidade do Yang ante a confortabilidade com Yin, como ficar no aconchego do lar, alheio às danças de vaidades do Mundo lá fora. Uma ave voa para fora do quadro – é a deliciosa Liberdade, num país justo, que respeita as particularidades de cada cidadão, como num pai que nunca quer mudar o jeito de ser do filho, no princípio espiritual do Livre Arbítrio. A ave aqui voa solta, como na boneca Barbie, que diz à menina que esta pode ser o que quiser. Vemos aqui quatro malabaristas com suas manobras radicais, numa técnica impecável, filha de muita disciplina e dedicação, remetendo-me aos artistas incríveis do Cirque Du Solei, na magia circense que revela que, se quero ser reconhecido, tenho que fazer por merecer, quando interroguei uma médium, perguntando-a se eu obteria êxito, e a médium me disse: “Depende de você”. Vemos aqui cartas de baralho, num momento de concentração no jogo de mesa, como numa vez em que fui derrotado por duas senhoras idosas que eram ases no baralho! É o vício no jogo, numa pessoa que está centrando a própria vida em torno de algo não muito nobre ou produtivo. Vemos uma mágica bola de gude, que quer se parecer com a Lua, como num fã que idolatra o ídolo, fazendo deste um mentor, um conselheiro, no modo como o roqueiro Supla foi certa vez tratado com grosseria pelo próprio ídolo, o roqueiro Billy Idol, um senhor que, depois de um boom inicial na carreira, não soube se manter – a Vida é jogo que segue, meu amigo, como um senhor que conheci, uma pessoa que ainda vive nos anos 1980... Vemos aqui duas pecinhas de jogo de palavras, com as inicias da artista, como num Hitchcock, invadindo sutilmente a cena com sua célebre silhueta, como na diretora de Cinema Carla Camuratti, a qual, ao se incluir em uma cena do filme Carlota Joaquina, sofreu a piada da equipe, estando esta gritando: “Hitchcock!”. As letrinhas são o jogo lógico do raciocínio, na criança que enfrenta na Escola o desafio de ler, escrever e contar, na importância da Cultura Erudita, no sábio conselho a um jovem: “Não abandone a Escola!”, como uma pessoa que subestimou a importância de se formar na faculdade, abandonando esta – são tristes as histórias de Vida de pessoa que largaram e subestimaram os estudos. Vemos uma grande e comprida fita azul – é o sangue azul, a diferenciação aristocrática, inspirando o Ser Humano a imaginar um Mundo melhor, mais fino, mais distinto, onde não há desperdícios de trabalho ou esforço – o aristocrata tem um forte papel representativo. Abaixo do luar sedutor, quedas de água, e podemos ouvir o som das cascatas, no maravilhoso modo como a Terra é este organismo autossustentável, com a dança das águas indo e vindo, sempre se purificando, num corpo perfeito, tão rico em Vida, numa diversidade de dar inveja a muitos planetas inóspitos, frios demais ou quentes demais. Esta cena toda é revelada por uma maleta aberta, como numa Caixa de Pandora, no boom da mente de um artista, no modo psicológico como o artista coloca na tela os próprios elementos do artista. A maleta é uma revelação, como no desencarnado, que encara uma nova vida, na beleza da região serrana do Rio de Janeiro, numa terra de temperatura branda, elevada, com o Sol invadindo casas tão nobres e belas, inundando de luz uma fruteira com frutas suculentas e deliciosas. Vemos uma foto de um dia de Sol – é o Otimismo, numa pessoa que tem fé em um Mundo melhor, diplomático, polido, civilizado, sem as tempestades bélicas que só destroem, na crença de que dias melhores virão.

 


Acima, Janela Discreta. Um formidável jogo ótico entre longe e próximo, brincando com o olho do espectador, com algo misterioso penetrando na mente, dando um divertido “nó” na mente do espectador. O quebracabeça é o Pensamento Lógico, construindo um caminho lógico, como nas sofisticações matemáticas, numa prova do avanço humano em direção ao apuro moral do Pensamento Racional, como na espada de São Jorge derrotando as intempéries caóticas do dragão, libertando a donzela virginal, na beleza de terras intocadas, criadas por Imaculada Conceição, no útero puro e imaculado, castrando a sexualidade da Mulher, à qual não é permitido querer fazer Sexo... O quebracabeça é o avanço científico, numa corrida contra e Tempo para vacinar o Mundo contra a Covid, fazendo das pestes e doenças um indicador de que tudo na Terra gira em torno da Dimensão Acima, deste mundo melhor onde há Saúde incondicional, perfeita, sem Câncer, Depressão, Gripes, Covid etc. Aqui vemos um castelo digno de contos de fadas da Disney, com suas torres pontudas desafiando os Céus, no termo “arranhacéu”, na ambição humana em imitar a grandiosidade infinita de Tao, o Senhor de todas as galáxias do Universo. O castelo é a grande moradia metafísica, como num reino plácido, belo e pacífico, numa Suíça, nunca tendo as ambições ditatoriais em anexar mais e mais territórios, fazendo da neutralidade do diálogo a promessa de que algo melhor nos espera “lá em cima”. Vemos nobres e plebeus caminhando juntos, num Mundo em que as classes sociais se dissipam, só havendo diferença entre os graus de depuração – os mais finos regem os menos finos. A janela aqui se abre para um esplendoroso dia de Sol, dias em que olhamos para o Céu limpo, enchemos nossos pulmões de ar e agradecemos por temos mais um dia da Saúde e Produtividade, no prazer de pegar um pano e dar uma limpada na casa, fazendo da Limpeza aquilo que nos aproxima da Limpeza Máxima Metafísica. Aqui é um feliz lar onde todos vivem em harmonia, e cada um tem seus afazeres durante o dia, fazendo o dia render, numa cidade com uma energia de Trabalho, mas nunca workaholic, na infelicidade de pessoas viciadas em trabalhar, impedindo a si mesmas de viver. A janela se abre para um novo dia, numa nova chances para fazermos tudo melhor, com mais apuro moral, no modo como os remédios amargos da Vida vão nos deixando pessoas mais nobres e depuradas, pois que Vida é essa na qual há estagnação, sem uma nobre razão para o Reencarne? Este castelo foi construído de forma lenta e gradual, sem pressa, no termo de que Roma não foi erguida num só dia – é a paciência persistente, na sabedoria de que a Vida precisa de pausa. Este castelo é um clube exclusivo, no qual só entram pessoas com o grau mínimo de depuração, como num colégio, no qual as notas insuficientes impedem que o aluno passe para o ano seguinte. É como limpar os pés antes de entrar numa casa ou templo, no ritual da água benta nas igrejas, fazendo o fiel ter este ritual de purificação, remetendo-me ao filmão O Advogado do Diabo, no qual Satanás coloca próprios dedos numa água benta e a água ferve! Aqui temos um indubitável dia de Sol de Brigadeiro, num majestoso domingo, no verso de uma canção: “Sou fácil tal qual uma manhã de domingo”. Aqui pode ser um dia glorioso de coroação, num reino em polvorosa, com televisores do Mundo todo transmitindo um casamento da Realeza Inglesa, na universalidade da crença humana em uma Dimensão mais nobre, espiritualmente rica, sem a dança de ambições materialistas do Mundo Físico, trazendo Sônia à coleção de Arte da Família Real Britânica. Neste jogo ótico de Sônia, uma árvore está longe e perto, numa divertida contradição, mostrando que ações pequenas podem conter grandes efeitos, como num homem pobre a anônimo como Jesus, tornando-se o homem mais importante da História – é como uma marolinha subestimada, a qual se revela com a força dum tsunami. Vemos um reino feliz, regido por um líder sem ambições, ou seja, num lugar onde pode haver Paz.

 

Referência bibliográfica:

 

Sônia Menna Barreto. Disponível em: <www.galeriandre.com.br>. Acesso em: 29 nov. 2020.

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