quarta-feira, 21 de julho de 2021

Artista da Nata (Parte 3)

 

 

Falo pela terceira vez sobre o ilustrador americano Nathan Fox. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (1). Aqui é aquele universo de adolescente, trancado em seu quarto, nas palavras da imponente Marta Suplicy: “A Adolescência é uma época em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal!”. Os papéis estão amassados e caoticamente jogados no chão, num momento da vida da pessoa em que o adolescente não sabe administrar certas coisas, como administrar os estudos, “enlouquecendo” os próprios pais, no divertido termo aborrecente. A discreta tatuagem na moça é uma marca, um registro, na paixão de uma pessoa por tais tatuagens, tatuando-se por inteiro, talvez, mais tarde na Vida, arrependendo-se, no doloroso e custoso processo de se deletar tatuagem, como disse a atriz ex tatuada Megan Fox. A cabeleira é a fertilidade, a criatividade, num jovem querendo se impor e encontrar seu espaço no Mundo, numa busca por identidade, na lacuna adolescente entre criança e adulto, nesta inevitável rebeldia, num jovem de atitude enfrentadora, não querendo ser mandando ou tolhido, no nome da série televisiva Anos Rebeldes, passada nos anos 1960, num momento em que o jovem se deparava com toda uma crueldade ditatorial. Os papéis amassados são os erros, os deslizes, numa pessoa que está crescendo e aprendendo muito, numa pessoa que quer retroceder no tempo e corrigir tais erros, em lições sendo aprendidas, nesta grande escola de intenso aprendizado que é a Terra, no modo espírita de crer que uma vida na Terra tem um valor curricular espiritual enorme, como numa pessoa que passou por uma experiência em uma dada empresa. A cama é o refúgio, no doce pecadinho da Preguiça, fazendo desta a mãe de tantas invenções, como a Roda e o Elevador, em invenções que visam ajudar e fazer com que o Ser Humano cresça e depure-se moralmente, até chegar a um ponto de depuração em que a pessoa simplesmente tenha pavor de mentir, como no laço mágico da Mulher Maravilha, o qual faz com que o enlaçado diga somente a verdade. Aqui é um atelier bagunçado no qual só o artista consegue se encontrar. Vemos um laptop, símbolo da evolução tecnológica, superando a era dos computadores com telas em tubo, como da TV. A jovem (ou o jovem, pois a figura aqui é um tanto andrógina,) toma nota de algo, querendo fazer mil coisas ao mesmo tempo, numa inquietude, num jovem que quer se expressar mas ainda não sabe como exatamente, num processo de identidade, na pessoa querendo se afirmar perante o Mundo, como li certa vez que é na Adolescência em que a pessoa começa a dar sinais de interesse profissional, e, realmente, foi a Adolescência em que comecei a escrever... O quarto aqui é musical, barulhento, e podemos ouvir o som, talvez de Rock ou Pop, numa barulheira que não é compreendida pelos pais adultos. É a época da galera, em que o indivíduo coloca acima de tudo a sua turma de amigos, só havendo na idade adulta a noção da importância dos laços de família. Vemos um pôster de uma banana enorme, fálica, que é esta autoafirmação, no termo “colocar o pau na mesa”, no jovem querendo transgredir a autoridade dos pais e dos adultos em geral, achando estes muito monótonos e sem sentido. A guitarra é a produção de Arte, fazendo da guitarra histriônica tal símbolo de rebeldia, de transgressão. Vemos aqui instrumentos como teclado e bateria eletrônica, numa explosão de criatividade, no desejo de inventar e fazer coisas novas, nesta tarefa primordial do artista plástico, que é pegar elementos dissociados, associá-los e produzir algo novo. É uma fertilidade, numa criatividade “em cio”. A luminária é tal iluminação, num momento em que a pessoa é guiada por espíritos bons conselheiros, no modo como Alan Kardec se disse iluminado por vários espíritos depurados ao escrever O Livro dos Espíritos. A roupa do jovem aqui é bem colorida, jovem, na explosão de Som e Imagem na estreia da MTV Brasil, com VJs despojados, apresentando os clipes que a gurizada ama assistir. Aqui é um Nathan Fox jovial, brincalhão, sem teias de aranha conservadoras.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (2). Aqui temos a imbatível e indestrutível imagem do patriarca, do acho alfa, no eterno machismo humano, fazendo de Adão a grande obraprima de Deus. Aqui é a figura do herói, da pessoa repleta de dignidade, em atos heróicos, salvando as pessoas, no super herói musculoso que é coberto de prêmios e gratificações, na figura do Super Homem, defendendo o Mundo de horríveis vilões destrutivos, na prestatividade masculina, como num lenhador com seu poderoso machado, cortando heroicamente a lenha para que a casa e a família fiquem aquecidas, no pai herói que nada deixa faltar dentro de casa, nessa enorme responsabilidade que é sustentar uma casa, num homem que, dentro de casa, é tratado como um rei, voltando do trabalho no fim do dia e encontrando a casa em ordem, com o jantar já encaminhado. Aqui, o homem tem essa superforça, fascinando menininhos, com criancinhas querendo crescer e ficar tão fortes quando o ídolo, nos apelos mercadológicos de produtos para crianças, fazendo essas acreditar que se tornarão um grande herói um dia. Aqui, a poderosa e possante pá é tal serventia e dignidade, no instrumento de trabalho, no falo da caneta, este instrumento que faz um presidente assinar importantes documentos, na responsabilidade em representar todo um povo, no modo como o Poder pode facilmente corromper o caráter de um homem, pois se quero conhecer alguém, tudo o que tenho a fazer é dar Poder a este alguém, na eterna sede humana por Poder e Dinheiro, coisas mundanas que perecem e desaparecem no Plano Metafísico, no qual tudo gira em torno de Apuro Moral, e não de Dinheiro... Aqui, vemos uma cidade de pedra construída por tal virilidade, na força de homens aos erguer prédios, nas tarefas do labor diário, num Ser Humano que se esforça ao máximo para que as cidades físicas, cheias de vicissitudes, fiquem as mais parecidas possíveis com as perfeitas cidades metafísicas, as quais são feitas de Pensamento, e não de pedra. O homem aqui está contemplando com valentia tal empreendimento, e sua mão na cintura conota Poder, força, na frase de He-Man, o homem mais poderoso do Universo: “Eu tenho a força!”. É um menininho querer um dia ser tão forte e musculoso como He-Man, havendo na espada tal símbolo de empreendimento, impondo respeito, como um vizinho que tenho, um homem que impõe respeito com coragem, sabendo que o Mundo só pertences àqueles que são respeitados, e quanto mais subestimando sou, mais vou surpreender a todos, na lição primordial de Tao – nunca subestime; seja sempre subestimado. Os fios elétricos atrás são as interconexões da Vida em Sociedade, no poder de comunicação da Internet, este âmbito digital que se esforça ao máximo para se parecer com algo metafísico, abstrato, como no Software, o intangível. As nuvens acima no Céu são tal poeira de labor, como num metal sendo polido e aperfeiçoado. As nuvens são essa aproximação do Mundo Imaterial, a dimensão que é o paraíso para quem gosta de trabalhar e manter-se produtivo, pois que vida é esta na qual nada contribuo para o Mundo? Ninguém merece ser improdutivo, havendo no sujo e escuro Umbral a dimensão dos que subestimam a dignidade do labor. O homem aqui está sem o paletó, talvez para ganhar mais agilidade. A gravata é a disciplina, numa pessoa que sabe que tem que sentar e produzir, não se deixando levar pelos traiçoeiros ventos do impulso, pois que vida é esta na qual sou um saco de plástico ao vento, sem ter controle sobre minha própria vida? Que vida é esta na qual não sou o protagonista? O homem protagonista aqui sorri com satisfação, vendo o abono da dedicação. A careca é a experiência, é o tempo passando, muito longe de um franzino adolescente. Aqui é a responsabilidade, o percalço sendo superado com elegância e virilidade. Aqui é uma pessoa que descobriu que, fora do labor, não há salvação, até chegar a um ponto organizacional em que a pessoa centra tudo no Trabalho, na carga de sustentar uma casa, tendo que pagar a mensalidade do colégio dos filhos.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (3). Temos aqui uma frustração, uma pessoa que leva um tombo na Vida, pois a decepção é um sentimento altamente humano, pois a ilusão precede a queda, ou seja, para não me frustrar, não devo tecer expectativas, pois o Ser Humano está o tempo todo construindo expectativas, seja em termos amorosos, seja em termos profissionais. Aqui é um tombo, numa pessoa tomando um tufo da Vida, pois a arrogância precede a queda. Os tombos vão fazendo com que a pessoa cresça e se torne mais realista e humilde, havendo na juventude aquele momento em que nos sentimos acima de deslizes, pois ainda não tomamos muitos tufos, na ingenuidade de “acreditar em Papai Noel”. O arcoíris é a magia das cores, em lustres luxuosos de cristal, num suntuoso salão de festa, num evento elegante e belo, com pessoas bonitas e corteses, havendo nas festas terrenas este momento humano de tentar se aproximar, momentaneamente, da beleza de tais eventos metafísicos, na beleza de uma Vida melhor, longe das vicissitudes materiais, nas quais tudo gira em torno de poder mundano, de ambição e, consequentemente, infelicidade. O corno do unicórnio é fálico, mágico, numa criatura mística, como no unicórnio alado mágico de She-Ra, na liberdade do pensamento racional, materialmente desapegado, na imaterialidade dos números, que são a prova da beleza lógica de Tao, o claro, o lógico, na construção de toda a sofisticação racional em torno dos números, partindo da pura e absoluta lógica – um mais um, dois; dois mais dois, quatro... O cavalo aqui é forte, imponente e majestoso, num animal tão elegante e paladino, com seus saltos garbosos, livres, elegantes, fortes, na vitória da elegância sobre a grosseria. Este quadro remete ao terrível acidente do ator americano Christopher Reeves, que ficou tetraplégico ao cair de um cavalo. Os óculos do cavalo são a força da Intelectualidade, da erudição, na importância de uma nação em produzir muita Cultura Erudita, esta chave para a resolução de países tão problemáticos, cheios de cidadãos obtusos e vazios, burros, desculpe o termo. O cavalo se sustenta firmemente num rochedo, no cume de uma montanha, num esforço, numa pessoa se esforçando para ter o máximo de disciplina possível, como num professor, o qual, depois de breves vinte minutos de intervalo, tem que voltar à sala de aula e “tocar o barco”, encarando mais uma jornada do desafio de transformar crianças em cidadãos de bem. O rochedo é a referência, no modo como a Catedral de Caxias do Sul foi erguida sobre uma rocha, tornando-se o ponto mais alto da cidade na época, num recado bem nítido do Vaticano: “Aqui quem manda sou eu!”. É no termo hierárquico “Sua Alteza”, fazendo metáfora com a altura dos espíritos depurados, os quais não mais se debatem entre Bem e Mal, aceitando que, fora do Bem, não há salvação, ao contrário de um professor sociopata que tive, o qual dizia, em alto e bom som, que o Mal é mais interessante... O arcoíris é este símbolo de alegria e diversidade, no modo como a Comunidade Psiquiátrica Mundial não considera Homossexualidade uma doença, no modo como as luzes da Cultura Erudita vão, aos poucos, sendo absorvidas pelo Senso Comum, no qual ser gay, ainda, é degradante – tenha fé no futuro. O corpulento cavalo aqui é uma fera a ser domada e domesticada, num condicionamento, como numa pessoa que se vê obrigada a se comportar, buscando respeitar seus irmãos, seus companheiros de caminhada, no modo como um desprezível sociopata está o tempo todo em busca de vantagens em relação a tais companheiros, tais irmãos. Podemos ouvir o furioso relinchar do cavalo, o qual, com o poder fálico do Código de Hamurabi, busca impor respeito, pois como pode haver um rei que não é respeitado pelos cidadãos em geral? A mulher aqui está desconstruída, analisada, com luzes focando os mistérios do feminino, nos ritmos lunares ditando cólicas menstruais. Aqui, temos uma pessoa aprendendo uma importante lição, aprendendo a ter mais cautela e ponderação – a Vida precisa de pausa.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (4). Aqui temos a amizade e a lealdade, nesta parceria tão milenar como a dos cachorros com humanos. É um compartilhamento, na delícia da Vida que está no compartilhamento, pois de nada serve eu ter as coisas se não compartilho, pois que felicidade há no Egoísmo? O cachorro e o dono sorriem similarmente, num momento de prazer, de vitória, de superação, chegando por primeiro na linha de chegada, na vitória que é o Desencarne; que é o retorno ao Grande Lar Metafísico, numa festa de retorno, cheia de amigos, de entes queridos, na vitória da Vida sobre a Morte, num plano em que o Apuro Moral jamais é subestimando, bem pelo contrário – tudo gira em torno de tal apuro, como nas noções norteadoras morais dos Dez Mandamentos, pois como pode um bandido ser feliz? Aqui temos a glória da vitória, desculpe a rima! A neve fria é a frieza de tais desafios, na frieza do Pensamento Racional, na frieza de um psicoterapeuta, sempre fazendo com que os pés do paciente fiquem no chão o mais possível, no modo como é capital que tal terapeuta seja neutro, frio, sempre chamando a atenção àquilo que o paciente, por si só, não consegue enxergar, ou seja, amigos não podem ser terapeutas, pois um amigo é um vínculo caloroso. O rapaz aqui mal acredita na vitória, como num Senna berrando ensandecido no fim de uma corrida vencida: “Eu não acredito!”. As vitórias mundanas fazem forte metáfora com a vitória que é o Plano Imaterial, no qual nos sentimos com uma vida absolutamente brilhante, nos trilhos, organizada, na glória que é uma pessoa se manter produtiva, antes ou depois do Desencarne, pois tudo o que desejo a meus entes queridos desencarnados é que estes estejam produtivos, úteis, trabalhando, pois não existe “aposentadoria” – a luta continua, até chegar ao ponto dos espíritos elevados, os quais recebem as ordens diretamente de Tao, aquele sem nome. A fita dourada da chegada é rompida, numa virgem sendo desbravada, na sensação gloriosa de violação que é um gol, no princípio passivo feminino sendo “estuprado”, havendo na figura do goleiro tal defesa, defendendo uma donzela indefesa, a qual precisa de proteção, como uma princesa que cresceu num contexto protetor e alienador, ao contrário das mulheres fortes, como na Mulhergato, a qual, ao salvar uma mulher de ser estuprada, disse-lhe em desdém: “Você facilita tanto, não? Sempre esperando por um Batman para lhe salvar!”. O cão usa em torno do pescoço uma coroa natalina, com suas mágicas bolas coloridas, na magia de Natal, com uma árvore colorida, com cores pulsantes, mágicas, nas minhas doces lembranças de Infância, quando eu arrumava, na lareira de minha casa, um presépio com chão de serragem tingida de verde. Até com um espelho que servia de laguinho para patos, e com uma estrela guia dourada no topo de tudo, no mito da Estrela de Belém, este ente positivo que visa guiar a mente da pessoa pelos meandros da Vida, muitas vezes meandros escuros, no valor da Esperança, no modo como a beleza dos sonhos acaba sobrevivendo milagrosamente, na promessa da Estrela da Manhã, despontando em meio à escuridão, anunciando uma nova página. Aqui, o agasalho do rapaz é a proteção, o resguardo, na formiguinha trabalhando durante o Verão, para, assim, nada lhe faltar no Inverno, no modo como a Vida vai se desdobrando em toda a sua seriedade, na criança que vai naturalmente se desinteressando pelos brinquedos, guardando estes numa caixa, produzindo, depois, doces memórias, como no trenó Rosebud do Cidadão Kane, um homem que, ao morrer rico e poderoso, clamou em leito de Morte o nome do estimado trenó, remetendo à doce Infância, uma época em que a vida era simples, e tudo o que lhe restava era andar de trenó pela neve aqui neste quadro de Nathan Fox, no prazer onírico de plainar, como nos personagens de O Tigre e o Dragão. O Céu aqui está límpido, claro, revelando as montanhas nevadas atrás, na clareza do triunfo, com o dia “amanhecendo” na cabeça da pessoa, num processo cognitivo.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (5). A boca escancarada é a expressão, numa pessoa que encontrou algum canal para mostrar algo, num ímpeto. É a liberdade de expressão, este bem tão negado pelas ditaduras, como num Vladimir Putin proibindo na Rússia a exibição do filem sobre Sir Elton John. Aqui é como uma pérola numa ostra, numa revelação, como na ascensão da Vênus de Botticelli, numa estrela sendo revelada, nas explosões de novos astros, no fato de que o novo sempre vem, e cada geração tem seus ídolos. Nesta língua temos a silhueta de uma bomba, neste poder da Arte em “estourar” e causar comoções, com artistas que definitivamente não podem ser ignorados, tendo que ser, no mínimo, respeitados, no modo como respeito bandas de Rock como Rush – não sou fã, mas reconheço que é uma baita banda. Aqui é uma ânsia de vômito catártico, nestas purificações da alma que são as catarses, na gloriosa sensação de levar o lixo ao container e ouvir o caminhão levando embora. O cidadão proibido de se expressar vira um símio, um mero macaco sem razão ou opinião, sem vida intelectual, num mero tijolo indistinto numa medíocre parede, no modo como as grandes democracias produzem artistas tão maravilhosos, filhos de um país livre, que jamais oprime o próprio cidadão, evocando aqui a trilogia Matrix, num ponto em que um governo esmagador e tirano transforma o cidadão em um escravo de um sistema sem sentido, pois a Vida não tem sentido sem Liberdade, na liberdade do espírito, no sonho de Smith do indivíduo ser dono de si mesmo, sem qualquer controle estatal, uma utopia que gerou o oposto, que foi o esmagador estado comunista, na falta de sentido em transformar o cidadão em uma bateria alcalina, na perversidade sádica humana em produzir escravos, na estupidez de arrancar escravos negros da África, gerando sequelas sociais para os descendentes de tais escravos. A língua aqui é rubra e lasciva, libidinosa, numa lambida de Mulhergato, numa domadora, uma mulher adulta e sexy, mantendo os homens em seu devido lugar, no caminho da disciplina, no modo como o indivíduo tem que se disciplinar, sabendo que tem que sentar e produzir algo, mostrar algo, como disse minha falecida avó poetisa, professora aposentada: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”. Esta pérola é como um piercing, colocado dolorosamente, neste órgão tão sensível como a língua, no modo como cada um é livre se quiser ou não quiser furar a língua, remetendo a uma grande amiga minha, “louquinha”, com um piercing na língua – coisa boa ter amigos tão distintos! Aqui, os óculos escuros são a proteção e o resguardo, numa pessoa que quer evitar a Catarata. Aqui é uma mulher jovem e moderna, extremamente antenada nas tendências mundiais de Música, Comportamento, Moda etc., neste modo do jovem de se sentir parte de um todo global, numa geração que nasceu em plena era digital, em plena Internet, numa geração que já considera o DVD algo perfeitamente obsoleto. Aqui é como uma consulta no dentista, no frio olho científico, numa pessoa se colocando nos braços de outra, numa relação de confiança, no modo como um senhor, há um tempo, perdeu minha confiança, pois, ao ter minha confiança num primeiro momento, usou tal poder para “me passar par atrás”, perdendo, assim, tal confiança. Aqui é como um túnel, num hálito de caverna, como uma sepultura sendo descoberta no Vale dos Reis do Egito, no desbravamento da tumba do rei Tut, o maior achado arqueológico da História. Aqui, temos um prazo de validade, e a bomba, cedo ou tarde, explodirá – é só questão de tempo, no modo como qualquer encarnação tem tal prazo de validade, pois a boa notícia é a de que não seremos prisioneiros para sempre, com entes queridos nos esperando para uma grande festa de Retorno ao Lar Metafísico, o lugar que faz com que não desejemos estar em qualquer outro lugar, no caminho da Felicidade. A pérola aqui é uma raridade, uma exceção, tão rara que é apresentada como fenômeno, numa avassaladora Gisele sendo revelada aos quatro cantos do Mundo, na vitória do Trabalho.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (6). Aqui temos uma divertida explosão de personagens Pop Art, de cultura de massa, com personagens altamente impressos na memória afetiva de nossas infâncias. Aqui temos um grande combate, e não sabemos quem é vilão e quem é herói. A Rainha Má da Branca de Neve é esta soberba, servindo de inspiração à diva atriz Tereza Raquel quando esta interpretou a inesquecível rainha histérica do novelão histórico Eu Rei Sou Eu?, da Globo, um dos maiores momentos de toda a História da Teledramaturgia Brasileira, conquistando merecidos píncaros de audiência e popularidade. O espelho da rainha é o narcisismo sociopático, numa pessoa louca que se acha perfeita, acima de tudo e todos, resultando em personalidades arrogantes, odiosas e insuportáveis, com bandidos se achando Deus, o centro de tudo, algo que o sociopata, definitivamente, não é, ou seja, tome cuidado com esses vampiros de almas! A rainha está obcecada em ser a mais bela, numa doentia competitividade, numa obsessão, uma fixação, numa pessoa “cega”, que quer sucesso a qualquer custo. As pontas da coroa da rainha são cruéis, inóspitas, pois não há lugar para qualquer amor no coração podre de um sociopata, num homem que odeia até os próprios netos. O Super Homem é a vitória dessa hipermasculinidade, conquistando a simpatia dos meninos, os quais querem ser, um dia, tão fortes e poderosos como o ídolo, no contraste do pacato, discreto e subestimado Clark Kent, um homem acima de qualquer suspeita, guardando o segredo de sua identidade heróica. Desafiando o herói, a figura forte de Darth Vader, um homem que um dia fora feliz, mas cujo coração começou a se deixar seduzir pela Ira, pela Raiva e pelo desejo de ter Poder, muito Poder, no modo como o Anel de Tolkien tem o poder de corromper as mais inocentes almas, no caminho da escuridão, num Vader que foi mortificando qualquer sensibilidade em seu próprio coração, num vilão que acaba se arrependendo, decidindo, por fim, a defender o próprio filho Luke Skywalker, num Vader pagando com a própria vida para se regenerar em seus últimos instantes de vida, na vitória da Sensibilidade sobre a Crueldade. A respiração de Vader é abafada, difícil e doente, num espírito que sofre muito ao se deixar cercar pelas trevas da ambição, num caminhar sem sentido, num homem poderoso que, nunca estando contente, quer mais e mais Poder, como num insaciável buraco negro, devorando tudo, num caminho sem sentido, pois a Vida é boa quando é simples, em momentos tão simples e mágicos como uma menina tomando o café da manhã no colo do namorado, na singela vitória do Amor sobre a Ambição. Vemos o personagem machão de Duro de Matar, do inesquecível Bruce Willis, num personagem que enfrenta tudo o que é tipo de vicissitude para sobreviver e vencer, no modo como não há sentido numa vida sem vicissitudes, tal qual um surfista se prostrando frente a um mar sem ondas, sem desafios, sem a deliciosa sensação de plainar. Vemos o assombroso Coringa de Heath Ledger, num triste Oscar póstumo, no modo como a Academia de Hollywood ama esses atores que desaparecem perante o personagem, ao chegar a um ponto em que deixamos de ver o ator para ver apenas o personagem, no caminho sábio do camaleão em desaparecer perante algo, numa pessoa que abriu mão das vaidades mundanas. A rainha má agride uma moça com o espelho, e há um corte sangrando na face da déspota, como numa dolorosa cólica menstrual, no modo como os homens não fazem ideia do que é estar em tensão pré menstrual, pois a Vida vai se revelando dura para a Mulher. A moça loira leva um baque fenomenal, talvez numa pessoa enfrentando uma grande perda, como uma senhora amiga minha, a qual perdeu a netinha de quatro anos de idade de uma forma brutal e horrível, no modo como há coisas que a pessoa leva ao túmulo, sem superar completamente. Aqui temos um embate de titãs, com altos índices de audiência, para ver quem é o melhor, como num jogão numa final de Futebol, num Brasil unido pela torcida em tempos de Copa.

 

Referência bibliográfica:

 

Nathan Fox. Disponível em: <www.ba-reps.com/illustrators>. Acesso em: 30 jun. 2021.

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