quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Adoro Doran (Parte 6 de 11)

 

 

Falo pela sexta vez sobre o artista gráfico inglês David Doran. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (1). Uma certa instabilidade, numa vicissitude, num mar não muito cortês, nas inevitáveis vicissitudes da Vida, no modo como a Vida é dura para todos nós, sem exceção, havendo os que têm pena de si mesmos, achando que a Vida só é dura consigo mesmo. As gaivotas são este ambiente saudável de ar livre, de campo, de liberdade, no modo como crianças da cidade acham tão excitante ir para as zonas rurais, selvagens, de campo, com rios e cachoeiras, muito distante da realidade sisuda e cinzenta da “selva de pedra”. Aqui é a coragem, a valentia dos exploradores europeus nos oceanos do Mundo, desbravando, encontrando terras novas e exóticas, com as especiarias indianas, no perfume puro de incenso, em tribos selvagens que praticavam canibalismo, com tanta flora e fauna sendo para ser catalogadas, num delírio para qualquer biólogo, como num Darwin, querendo catalogar os seres vivos do Mundo, numa tentativa de se impor ordem ao caso, ao desconhecido, como dar nomes e graças a lugares virgens, selvagens, sem o senso europeu de civilização, nessa capacidade humana em causar impactos, como nas civilizações pré colombianas, dizimadas pela cruel agressividade do homem branco, tudo em busca de ouro e riquezas mundanas, no Anel de Tolkien corrompendo os mais virtuosos reis, no modo como é difícil “desencarnar” do Poder, como num Trump, sem a capacidade de ter a elegância de reconhecer a derrota nas urnas eleitorais dos EUA. O barco é a Vida em Sociedade, o Mundo no qual todos moramos, num convívio que tem que ser pacífico, como num líder que rege em nome de Tao, nunca optando por violências, nunca querendo empurrar coisas “goela abaixo” do seu próprio povo. É a travessia da existência, como numa pessoa morrendo precocemente, como num barco afundando no meio de um percurso, num Titanic, na fragilidade humana frente às forças da Natureza, na luta diária de um barco de pesca, querendo levar o “pão de cada dia” para casa ao fim de cada dia, no modo como é essencial qualquer trabalho que garanta tal pão. Na elite, na ponta dianteira, uma mulher, talvez uma professora, na luta para formar as elites de um país, como nas tradições seculares do colleges ingleses, inspirando a escola de bruxos de Harry Potter, no modo como a literatura infantojuvenil faz com que nos sintamos criança novamente, como declarou uma turista em Gramado: “Aqui voltamos a ser crianças novamente!”, tal qual no complexo de parques temáticos em Orlando, nos EUA, numa experiência emocionante. Neste barco, todos olham para o mesmo lado, num Norte, numa referência, nas estrelas guiando os bravos navegadores, nessa sede humana por conhecimento, em supertelescópios lançados ao espaço, num universo infinito, com mais estrelas do que grãos de areia em todas as praias da Terra juntas, na incapacidade humana em compreender o Infinito, que é Tao, aquele que nunca terá seus mistérios desbravados, pois quando perguntamos a um espírita o que é Deus, o espírita dirá: “Deus é o infinito”. E não é poderosa, descomunal e quase assustadora a ideia de que jamais findaremos? Ao fundo vemos a casa, a origem, de onde viemos e para onde retornaremos após nossa missão na Terra, numa sensação profunda de bem estar e pertencimento, de lar, de útero, no modo como o mito da Virgem Maria existe para fazer com que o Ser Humano entenda o caráter divino, puro e maravilhoso do Plano Metafísico, o lugar de Paz inabalável, no qual temos a deliciosa sensação de termos uma carreira espiritual maravilhosa, inenarrável, indefinível, fazendo da Terra esta “faculdade”, esta escola que tanto nos ensina e nos faz crescer, no recente anúncio de rádio da Universidade de Caxias do Sul: “A UCS é para todo mundo que quer crescer!”. Aqui é um desafio, como num professor, exigente, que acaba fazendo com que o aluno cresça e se torne mais adulto. A casa ao fundo sempre nos espera, e nunca sairá de lá, na Terra Prometida do Reino dos Céus. Aqui é numa aventura, como num artista estiloso e charmoso, ditando moda e atitude.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (2). Uma flexibilização, numa pessoa que aprendeu a negociar e curvar-se, como numa árvore de raízes firmes, resistindo ao vento, curvando-se perante este. É a capacidade de negociação de um diplomata, sempre primando pela Paz, pelo diálogo, como se estivesse atravessando um rio perigoso, sabendo que há perigos em tal rio. Quando o tato diplomático falha, vêm o atrito e a guerra, como na Guerra das Malvinas, num momento em que Inglaterra e Argentina deveriam ter dialogado como cavalheiros, com elegância no fio do bigode, pois um governante de Tao jamais recomendará violência. Esta cena é no hilário filme de Chaplin, Temos Modernos, na parte em que o ator é engolido e processado por furiosos mecanismos de fábrica, virando um produto, como num sistema opressor, no qual um cidadão é proibido de ter inteligência e liberdade de expressão, como as meninas da banda Pussy Riot, da Rússia, sendo punidas severamente, na figura patriarcal de um presidente o qual não inspira muito respeito, pois como posso respeitar um líder que não respeita o cidadão comum? Por que tanto medo em relação à expressão de um cidadão? Então, os ditadores, por baixo de seu verniz paladino, são uns cagões, com o perdão do termo chulo. Aqui é um ambiente de fábrica, e podemos ouvir o som das engrenagens, nas demandas de uma jornada de trabalho, como nos princípios da Revolução Industrial Inglesa, na qual o trabalhador era praticamente um escravo, trabalhando muito mais horas por dia do que atualmente o faria, numa época em que não havia direitos trabalhistas, como hoje em dia no Brasil, com décimo terceiro, férias remuneradas e seguro desemprego. A indústria é tal fome desenvolvimentista, nas ambições do progresso, na crueldade de campos de concentração, com trabalhos forçados, na crueldade da escravatura, com irmão explorando irmão, na eterna incapacidade humana em entender que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, havendo no Desencarne a revelação de tal plano divino para conosco, num Ser Humano ainda muito primário, como criancinhas na Pré Escola, com lições tão básicas como: “A Paz é eterna; o Ódio, a Mentira e a Raiva, absolutamente limitados, fazendo com que os espíritos mais depurados, os quais já aprenderam que o Bem é o único caminho, olham para nós pensando: “Você ainda tem muito o que prender, irmão!”. Um cadáver é duro e frio; um corpo vivo é flexível, morno, fluidio. Esta é a capacidade de Tao em negociar, pois a Vida é tal flexibilidade. Este homem arqueado aqui está prestes a ligar ou desligar um botão, como numa pessoa fazendo uma escolha de Vida, erguendo a cabeça e sendo digna, corajosa, impondo-se ao Mundo, não mais permitindo que este lhe diga como deve viver, num Mundo que não está nem aí se estamos felizes ou infelizes, ou seja, de um certo modo, temos que mostrar nosso dedo do meio para o Mundo – que vida é esta na qual sou refém das expectativas de outrem? Não devo eu assumir o controle de minha própria vida? Não sou eu o protagonista do filme de minha vida? O botão é este controle, como num controle remoto controlando a televisão, no caminho de crescimento, no modo como as amargas vicissitudes surtem doces efeitos, e nós desencarnamos sendo pessoas melhores do que quando reencarnamos, no sentido magno da Vida: Evolução. Aqui, temos a facilidade de adaptação, como água, sempre encontrando um caminho, no modo como Tao é tal força de sobrevivência, sempre encontrando um jeito, um caminho para fluir e viver. Aqui é a persistência diplomática em negociar, nessas pessoas finas e corteses que são os cônsules e os embaixadores, representando todo um país, todo um presidente, monarca ou primeiro ministro, na época formidável de Jogos Olímpicos, num momento em que as nações se agregam em Paz em torno do Esporte, esquecendo de suas diferenças por um certo período de tempo. Este homem arqueado tem esse treino, essa disciplina, preparando-se para os jogos, subindo ao pódio os que levaram mais a sério a questão da disciplina.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (3). Um trabalho em conjunto, num esforço para esclarecer um mistério, havendo em Tao tal mistério infinito, na inacreditável vastidão da Eternidade, numa ideia poderosa demais, num conceito que “não cabe na cabeça” do Ser Humano. Aqui é o caminho da lógica, na pureza bela e fria dos números, em toda a sofisticação científica da Matemática, partindo do mais lógico: depois de 1, vem 2. Havendo também nos números a Eternidade, pois os números podem se propagar infinitamente, na ironia dos números primos, para sempre, não importando em quantos dígitos. Aqui é como numa agência de Propaganda, com pessoas unidas num esforço para criar um conceito para um produto ou serviço, como num time esportivo, ensinando-nos como trabalhar em equipe, como num site certa vez de uma agência, o qual trazia a ilustração de uma camisa de futebol ao falar da equipe na firma. Aqui é como um dia amanhecendo lentamente, resolvendo mistérios, na beleza da Estrela da Manhã, em majestosos barcos que nos levam rumo à luz dourada de tal aurora, numa vida gloriosa para aqueles que gostam de se sentir produtivos e atuantes, pois que esperança existe fora do Trabalho? Não é Tao um grande trabalhador, que está sempre criando? Que esperança existe numa vida puramente contemplativa, numa pessoa que desperdiça seus próprios predicados, nunca trazendo estes ao Mundo? É como se esta pessoa improdutiva estivesse esperando pela próxima encarnação, o que é um erro, pois a Vida é aqui, agora. Aqui é um cenário de igualdade de gênero, pois homens e mulheres estão no mesmo patamar de sofisticação de inteligência, sem misoginias preconceituosas que eternamente reduzem a Mulher a um posto coadjuvante, girando em torno do que importa, que é o jogo dos homens, como numa submissa cheerleader, as líderes de torcida que jamais obtém um papel mais significativo, como diz uma certa canção: “Oh, Mundo tão desigual. Tudo é tão desigual. De um lado, este carnaval; do outro, a fome total”. E não é o Mundo Material repleto de vicissitudes e desigualdades? Não é o Mundo uma grande escola, que vai fazendo de nós pessoas melhores? Não é a evolução espiritual e moral o sentido da Vida? Que sentido haveria numa vida sem percalços e, consequentemente, sem crescimento? Aqui é um árduo trabalho de paciência, como na atriz Gloria Pires, a qual disse a mim que, ao construir um personagem, o ator tem que ter paciência para ir desdobrando este mesmo personagem, entendendo as motivações deste. Aqui é um trabalho que exige o máximo de concentração, como numa senhora com a qual joguei cartas uma vez, dizendo-me: “Preste atenção!”. Aqui é um sharing, um compartilhamento, e não podemos ver se há alguma hierarquia, como num organismo em que cada membro tem sua dignidade, sendo todos iguais em importância. Talvez aqui haja uma supervisão sutil, discreta, mínima, nunca buscando sufocar aqueles que estão abaixo na hierarquia. Neste quadro, pegamos a coisa no meio do processo, como numa instalação de artista plástico sendo montada, ainda não pronta, num artista paciente, como na excelente mostra do artista plástico de origem gaúcha, Jorge Menna Barreto, numa instalação com diversos tapetes multicoloridos, vibrantes, com energia, excitantes, num artista que respeito. Aqui é o método de tentativa, de erro & acerto, em tentativas, numa pessoa que ainda não compreendeu o plano geral, no modo como a Vida vai exigindo que sejamos autodidatas no caminho da depuração espiritual, até a pessoa chegar a um ponto de ficar imune aos apelos sedutores materialistas da Sociedade de Consumo, tal qual uma criança crescendo e se desinteressando pelos brinquedos. Neste quadro, vemos um futuro promissor, num ponto em que a Estrela da Manhã derrotará a Escuridão, na vitória da Vida, da Beleza e da Bondade, como numa miss triunfante ganhando um concurso, com o Mundo usando essas meninas como símbolo da vitória da Vida sobre a Morte, dando-nos esperança para que compreendamos o intangível.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (4). Uma invenção tão americana como o hamburguer, nascido de uma forma tão simples – algo para se aproveitar restos de carne, reconstituindo carne moída nos bifes de sanduíche. É o império do Mc Donald’s, alastrado ao redor do Mundo, na inevitável “americanização” do Mundo, nesta grande potência que ascendeu ao fim da II Grande Guerra, na esmagadora influência cultural de Cinema e Música americanos, numa potência tendo o poder para interferir globalmente, numa espécie de “xerifão” do Mundo. Aqui me remete aos inúmeros sanduíches Big Macs que comi em minha vida, na comoção que causou em Porto Alegre a abertura da primeira loja do MD na cidade, com a cidade inteira querendo degustar produtos não muito da predileção do famoso chef inglês Jamie Oliver, o qual sempre criticou a fastfood, achando esta de baixa qualidade e pouco nutritiva, num chef que empreendeu um esforço enorme para reeducar alimentarmente a juventude de seu país, sendo até recebido pelo primeiro ministro de então – não diz a sabedoria popular que “você é o que você come”? Numa divertida insinuação aqui, o molho de catchup sobre o alface ilustra o Mapa Mundi, insinuando a influência global do fastfood, na facilidade de ir a um drivethru e levar o lanche para casa, num apelo mercadológico especialmente mirando no público infantil, com figuras divertidas como o palhaço Ronald, com as ilustração dentro das lojas do MC para conquistar as simpatia das crianças, com seres humanos que, por serem tão jovens, ainda não têm o discernimento de Jamie Oliver ao este condenar carnes reconstituídas. Aqui traz um choque entre civilizações, numa Índia na qual comer carne de gado não é o costume, ou como nos funerais indianos, nos quais as pessoas não vestem o preto discreto do luto ocidental, mas roupas coloridas, em diferenças culturais que, apesar de parecerem abismais, são superficiais, havendo na essência um Ser Humano tão universal em suas virtudes e defeitos. O sanduíche aqui faz metáfora com o trabalho do artista plástico, que é associar elementos dissociados e, nessa associação, produzir algo novo, como em certos programas do cozinheiro brasileiro Rodrigo Hilbert, fabricando objetos no bloco introdutório de seus programas televisivos, no poder de Tao em criar e trazer o novo, o inusitado, como uma Madonna no álbum icônico Ray of Light, num momento em que a cantora decidiu fazer algo fora dos padrões, abocanhando um prêmio Grammy na categoria Álbum Pop do Ano, num momento tão áureo, o qual infelizmente não durou para sempre, pois, como sempre gosto de dizer, o Sucesso é um amante infiel, pois hoje está com você; amanhã, não se sabe. Aqui é a praticidade do americano médio, num povo que sempre primou pelas facilidades, na invenção do cartão de crédito, este símbolo do Consumismo que mente ao dizer que, quanto mais ricos formos, mais felizes, na mentira de que o Mundano auspicioso pode se sobressair ao divino Metafísico. O molho de tomate aqui são as guerras pelo Mundo, no sangue de um dia vermelho, de irmão matando irmão, no deus da Guerra em seu planeta avermelhado, neste talento humano que sempre falta com o tato delicado de diplomacia, num Ser Humano que não entende que fino é forte; grosso é fraco. Aqui são como camadas de segurança, como nas camadas de segurança do voto eletrônico, assegurando que o voto do cidadão brasileiro será computado devidamente. É como na tumba do famoso rei Tut, com sarcófago dentro de sarcófago, como bonecas russas, no famoso quadro de da Vinci – qual quadro de da Vinci não é famoso? – com três gerações de pessoas, numa bisavó que, apesar de ter morrido antes do bisneto nascer, ilumina este bisneto do Céu, no poder imortal do Amor; no fato de que os vínculos de família não se dissolvem com o Desencarne, havendo nas famílias a imortalidade, pois qual seria o sentido de tudo se tais vínculos perecessem? Aqui é o prazer de uma pessoa faminta entrando num restaurante, num ambiente cheirando a comida, causando salivação, nesse ato tão inevitável como a alimentação do Corpo Físico.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (5). Uma vitória compartilhada, num time erguendo uma taça ao final de um árduo campeonato, nas glórias do Futebol Brasileiro, unindo toda uma nação, do Oiapoque ao Chuí, indo às ruas para celebrar a vitória, como se a taça pertencesse a cada brasileiro, como num discurso de uma jovem rainha Elizabeth II, a qual disse que cada cidadão britânico pertence à Grande Família Imperial, nos incansáveis apelos dos padres em dizer que somos todos irmãos. O fundo rosa aqui é feminino, na beleza feminina da taça, do receptáculo feminino, como na taça de Galadriel de Tolkien, num espelho de água, no modo como o espelho é símbolo da Feminilidade bela, em contraste com os toscos e masculinos pés rudes de Frodo, na sedução e no flerte entre o Rei e a Rainha, unindo o Universo no Cosmos de orgasmo de uma supernova, como numa Barbra Streisand, a qual disse em entrevista que desejaria ouvir o som do orgasmo, no modo como a Psicoterapia visa aniquilar essa culpa em relação a Sexo, colocando este como algo natural no Ser Humano. O fundo é uma rubra cor de aurora, numa festa que vai até o amanhecer, como num James Cameron ao receber seu Oscar por Titanic: “Vamos festejar até o amanhecer!”. É como no despertar após o Desencarne, acordando num quarto tão belo, tão ensolarado, na beleza das regiões serranas do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, em terras fisicamente elevadas, fazendo metáfora com as elevadas terras metafísicas, fora do alcance material, pois feitas de pensamento, na suma espírita: “Matéria é nada; pensamento é tudo”. Aqui toda uma equipe faz a celebração, no modo como cada pessoa envolvida em algum filme se sente parte deste, mesmo que fosse apenas um figurante ou um assistente de produção, pois qualquer labor é digno – o que seria da limpeza de nossas ruas e calçadas sem a mão forte de nossos garis? A taça aqui é reluzente, brilhante como num talento inegável, numa pessoa cujo talento não mais pode ser ignorado pelo Mundo, num árduo caminho de batalha, numa pessoa que, ao saber que tem potencial, precisa persistir. É a glória dourada do Sol, sem o qual a Vida não existiria na Terra, fazendo do Sol algo mais valioso do que qualquer joia mundana, como na Rose idosa ao fim de Titanic, jogando às irrecuperáveis entranhas oceânicas um colar de grande valor econômico, numa pessoa que parou de se iludir com os sinais auspiciosos da Cultura de Consumo, na ilusão de que a Matéria é infinita – nada relacionado à Matéria é infinito, nem mesmo pedras preciosas, as quais são cópias toscas da glória metafísica. Nas mãos estilizadas aqui, vemos várias cores, no sonho da união racial, como observar as variedades de raças caninas, aniquilando a estupidez preconceituosa, a qual diz que beagle e rusky não são cachorros, por exemplo. É a união humana nas argolas olímpicas, com a pele negra da África, a pele amarela da Ásia etc. A taça é essa obsessão pelas vitórias mundanas, num objeto de grande cobiça, com vários sonhos diferentes ambicionando o mesmo prêmio, com tantos sonhos sendo despedaçados ao final de um concurso de beleza, como numa gaúcha Deise Nunes, não sendo finalista no concurso de Miss Universo, num sonho destruído numa fração de segundo, na eterna canção jazzística Boulevard dos Sonhos Despedaçados, algo tão humano quando a desilusão, a qual é benéfica, pois nos mortifica e faz com que sejamos materialmente menos iludidos – os tombos são positivos, e as portas fechadas acabam por guiar a pessoa decepcionada. Uma das mãos aqui tem um relógio de pulso, que é a passagem de Tempo, no modo como ninguém está no Mundo para sempre, na canção de Freddie Mercury: Quem quer viver para sempre neste mundo marginal? Não são mundanos e toscos os espíritos que não aceitam a glória que é o Desencarne? Quem se suicida não vai para o Umbral, vagando sem noção de Tempo e Espaço? A Vida não exige que amemos sermos nós mesmos?

 

Referência bibliográfica:

 

David Doran. Disponível em: <www.ba-reps.com/illustrators>. Acesso em: 29 set. 2021.

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