quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Adoro Doran (Parte 5 de 11)

 

 

Falo pela quinta vez sobre o artista gráfico inglês David Doran. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (1). Um momento de alta concentração e responsabilidade, num médico altamente sério, com uma vida em suas mãos. Aqui é a fria luz da Ciência, da Lógica, havendo a beleza de Tao na pura lógica dos números, em ironias como a existência de números primos por toda a eternidade de números. O médico e a enfermeira conversam, discutindo sobre o estado do paciente sedado, inconsciente. É a revolução que a Anestesia causou no Mundo, proporcionando cirurgias de alta complexidade, que exigem anestesia total, não local. É no maravilhoso fato de irmos ao dentista e haver tal anestesia, fazendo-nos imaginar como a saúde odontológica era complicada em tempos passados, quando não havia tal recurso científico. Remete-me a uma amiga minha do Ensino Médio, a qual se tornou médica, postando certa vez no Facebook uma foto dela fazendo uma cesárea, com esta amiga absolutamente séria e concentrada, focada, sabendo que qualquer erro pode ser dantesco, numa enorme responsabilidade, numa pessoa que aprendeu a criar juízo e maturidade, como a personagem Sarah no filmão cult Labirinto, numa menina que se depara com a missão de resgatar seu irmãozinho bebê das garras do malévolo Rei dos Duendes, numa Sarah que se depara com um traiçoeiro labirinto para resgatar o pequeno irmão Toby, dentro de um auspicioso prazo de treze horas. A luz aqui é o milagre criacionista, com Deus dizendo: “Faça-se a luz!”. É a revolução da energia elétrica, em avanços tecnológicos tão frenéticos, como num minúsculo pendrive, o qual aceita cargas enormes de arquivos, no modo como os carros de hoje em dia sequer vêm com dispositivo para CD, em lojas que simplesmente não mais vendem CDs, fazendo deste um símbolo de uma era tão remota como os anos 90, na época em que CD era extremamente chic, como no clipe Fame de George Michael, na tecnologia de ponta da época, com o facho azul de luz tocando o disco de aparência pura e perfeita. A luz é tal esclarecimento, como num mistério sendo resolvido, nos divertidos desenhos de Scooby Doo, atiçando a imaginação das crianças para que estas desvendassem os mistérios que a trupe do carismático cão enfrentava. O médico usa óculos, que são a visão aguda de um diagnóstico preciso, como olhos de lince, no modo como um piloto de avião é obrigado a ter visão perfeita para pilotar, trazendo aqui novamente a questão da responsabilidade, num piloto que tem em suas mãos muitas vidas entre passageiros e tripulantes, num irmão mais velho numa família, encarando desde cedo tais responsabilidades, no modo como minha irmã mais velha ajudou a me criar, no termo Big Brother, ou seja, num monitoramento de um irmão maior, mantendo os menores sob controle, vigiados. O dedo da enfermeira é bem fálico e preciso, tal qual um bisturi, no modo como uma pessoa arrogante, em seu ego monstruoso, se acha maravilhosa como um afiado bisturi, o que não é bom, pois quando me sinto inofensivo como uma tesoura cega, é porque estou humilde, e quem não é humilde não “quebra a cara”, em quantos e quantos egos ascendem e descendem todos os dias no Mundo! Na orelha do cirurgião, um lápis, que é a revolução da Escrita, da Letra, o marco que tirou o Ser Humano da Pré História, havendo em neolíticas tribos amazônicas tal ausência de Escrita, com as tradições sendo todas transmitidas oralmente, de geração para geração, remetendo aos miseráveis indígenas pedindo esmolas nas calçadas de Caxias do Sul, com indígenas que um dia foram donos e senhores das terras serranas gaúchas, na agressividade do homem branco, o qual destituiu os indígenas de tal domínio. A caneta é a classe, o estilo, numa pessoa que resolveu se expressar para o Mundo, pois, já ouvi dizer, tudo o que precisas mostrar ao Mundo é tua inteligência, no desperdício que é uma pessoa, repleta de predicados, não colocar estes para o Mundo – não existe aposentadoria; não existe parar. É no duro e cômico fato de que, após o Desencarne, a pessoa se depara com a necessidade de partir em busca de ter algo para fazer.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (2). Uma fragilidade, na metáfora cristã das sementes que caíram em solos diferentes – uma semente caiu num terreno fértil e nutritivo, crescendo em vigor; outra semente, num terreno inóspito e estéril, numa semente que não prosperou. Aqui é fragilidade como na casa de palha de um dos Três Porquinhos, derrubada pelo sopro do lobo. Essa fragilidade, esta “tábua meio solta”, vai ao contrário de uma sólida proposta de casamento, num homem sério, trabalhador e centrado, o qual propõe todo o conforto e estabilidade para sua futura esposa, no fato de que em casamento não pode haver só coração; tem que haver cabeça também. Aqui é a construção de expectativas, numa pessoa que, ao ver suas expectativas, uma a uma, sendo frustradas, entra em depressão, em crise existencial, numa pessoa que se depara com uma vida tão pobre e vazia, tão carente de significado ou meta. Aqui são tolas expectativas de uma pessoa que, ao construir castelos de areia, deseja que estes sejam perenes e eternos, vindo o vento e o mar para destruir tal castelo frágil. É como nos casamentos arranjados de antigamente, no qual o proponente tinha que falar com o pai da moça e apresentar uma proposta sólida, cheia de siso e juízo, de estabilidade, de pés no chão, ganhando a confiança do sogro, num marido íntegro e sério, numa esposa dizendo ao marido: “Nós dois juntos vamos longe!”. Aqui é um castelo de cartões de crédito, estes poderosos símbolos da Sociedade de Consumo, nos apelos de shoppings e vitrines, vendendo a ilusão de que Amor e Felicidade podem ser comprados e negociados como simples mercadorias, nesta incessante busca humana por Poder, sempre Poder, com tantos políticos sociopatas agindo pelo Mundo, espíritos asfixiados por suas próprias ambições, viciados em malícia, espíritos que estão no fim da fila de apuro moral, ou seja, espíritos toscos, que nada veem além da Matéria, da Natureza, da Dimensão Material, dos bens de consumo, do poder vulgar e mundano, na questão de que, no início de tudo, de tudo mesmo, havia Tao, aquele que sempre existiu e sempre existirá, no presente inenarrável que á a Eternidade. Aqui é como um pinheiro de Natal pós moderno, estilizado, transgressor, maravilhoso, talvez nos inevitáveis apelos de consumo em épocas de fim de ano, na etapa mais importante do ano para o Comércio, em cidades como Gramado e Canela, sempre empenhadas em encantar o turista, fazendo este ser criança novamente, mesmo que por alguns momentos apenas. A mulher ao topo é um sociopata que quer pisar em cima de todos para chegar ao topo de algo, no caminho insano da pura ambição, com um sociopata que não pode enxergar “além da esquina”, sociopatas cujas ações, sendo desconstruídas e analisadas, não demonstram qualquer lógica, ou seja, os sociopatas são loucos. Aqui é como algo que, apesar de ter aparência fraca, é forte, no discernimento entre fino, que é forte, e grosso, que é fraco, na ironia de Tao: Forte é fraco; fraco é forte. Como posso ser feliz se sou um grosseiro, que não trata os outros com respeito? A mulher aqui é como um professor no topo da hierarquia, podendo dar “puxões de orelha” em certos alunos desinteressados pelos estudos, como numa pessoa, ao ter largado anteriormente uma faculdade, volta para esta arrependida e cheia de vontade de estudar e de se formar finalmente, no modo como são tristes as histórias de vida de pessoas que subestimaram a importância de se concluir um curso que fora iniciado. Aqui é a limpeza visual feita há anos na Avenida Paulista, ao contrário da lendária Times Square novaiorquina, como tantos e tantos publicitários querendo se sobressair, numa atroz concorrência para ver quem atrai mais a atenção dos consumidores, numa competição dentro de sala de aula, para ver que é mais estudioso e brilhante, no esmagador entretenimento de massas que é algum campeonato esportivo pela TV, com esquemas milionários de patrocínio. Aqui são cores querendo se sobressair numa cidade triste e cinzenta, nas lendárias cabines telefonias londrinas, com o vermelho “quebrando” o melancólico fog, a neblina londrina.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (3). Por que o ambiente de trabalho tem que ser uma tortura excruciante? Por que não podemos ser felizes no dia a dia do escritório? A moça aqui está estável, a anos luz de estar estressada, encontrando uma pitada decisiva de Paz em seu ambiente de labor, entendendo que a pessoa tem que se dar ao respeito; que a pessoa não seja uma escrava, uma workaholic, um espírito errante que se arrasta sofrendo pelas terras inóspitas do Umbral, a dimensão para os que não amam a si mesmos, como um certo mendigo que conheço, o qual, apesar de ter tido família, lar, berço e educação, jogou tudo fora, levando uma vida de mendigo errante pelas ruas sujas, escuras e frias da cidade – que horror; que falta de autoestima, num quadro no qual nem Cristo pode interceder, pois como posso ajudar uma pessoa que não é ajudável? Por este ambiente, há lembretes espalhados, na responsabilidade de exercer uma função importante na firma, sentindo o peso de tal carga, de tal fado, mas seguindo um conselho sábio de um ótimo professor universitário que tive: “Não se estresse demais!”, indo contra a um masoquismo, na crença de que tenho que sofrer para evoluir, o que é mentira. Aqui, há um desafio às leis da Física, na sensação gloriosa de plainar e voar em experiências oníricas, quando o espírito está momentaneamente desprendido do corpo físico, dando-nos uma breve amostra da glória metafísica que nos aguarda após nossos respectivos óbitos carnais, no Éden para os que gostam de produzir. A tela de computador aqui é este paradigma digital, num Mundo cada vez mais decidido a não passar por falta de dispositivos digitais, como computadores e celulares. O computador faz esta poderosa metáfora com o Pensamento Racional, na face Yang, fria do espírito, na beleza fria da razão matemática, a prova da beleza desprovida de sofrimento, numa libertação, como chegar em casa e calçar humildes e confortáveis chinelos. O relógio aqui é a disciplina, o controle de tempo, numa pessoa que sabe que tem que se organizar para aproveitar as horas no local do labor, racionalizando o dia, definindo objetivos e prioridades, na capacidade de uma pessoa em organizar sua própria vida, ao contrário de um acumulador compulsivo, o qual, “soterrado” sob objetos excessivos, não consegue adquirir o controle sobre sua própria vida, precisando de uma ajuda exterior, como um terapeuta e um organizador, nessa tendência tão humana em pensar que o acúmulo material trará felicidade, quando é bem pelo contrário, no lema minimalista: MENOS É MAIS – o que é melhor: ser sujo ou ser limpo? É tudo simples, apesar do Ser Humano enganar tanto a si mesmo. Vemos aqui um detalhe de uma folhagem, que é a Vida no ambiente frio de trabalho, num contentamento, numa pessoa que percebeu que não será abonada por ser workaholic, ou seja, o Mundo não está nem aí se você sofre – dê-se ao respeito, rapaz! O ambiente aqui é extremamente limpo e organizado, no modo como a Disciplina entra na vida e na mente das pessoas, como num atleta, altamente disciplinado em relação a exercícios e alimentação. A camisa branca é tal cor de Paz, como no broche de uma enfermeira que conheci, o qual trazia a imagem do Espírito Santo e o pedido por uma coisa apenas: “Paz!”, como o herói Neo diz no final da retumbante trilogia Matrix. Os arquivos gravados no computador são como dados gravados na mente da pessoa, indo ao oposto da demência, na qual a pessoa simplesmente não consegue mais pensar direito ou desenvolver raciocínio lógico, como Roberto Marinho no fim de sua vida, o qual ligava para a Rede Globo para pedir emprego, o que equivale à rainha da Inglaterra pedir emprego a um embaixador, o qual está abaixo na hierarquia. Aqui o ambiente é impecavelmente limpo, como numa firma na qual fui estagiário numa época, a qual era muito limpa, com o carpete sendo aspirado diariamente, na delícia de se entrar num lugar limpo e perfumado, no fascínio que os incensos orientais exerceram e seguem exercendo sobre o Mundo, no cheiro de algo simples, puro e limpo, no modo como, para os baianos, é perfeitamente normal tomar dois banhos diários.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (4). A Árvore da Vida em todo o seu esplendor e força, brilhando como uma pessoa brilhante, que entendeu a força de Tao, o enigma da Vida Eterna, algo que “não cabe na cabeça” do Ser Humano. Vários pássaros voam como numa pista de dança, no redentor poder de uma pista de dança, com a pessoa dançando e suando, lavando a alma, no poder terapêutico da Arte, esta força que nos faz tão únicos no Universo infinito. É como uma árvore de mallorn de Tolkien, com uma largura descomunal e altura de um prédio bem alto, com galhos explodindo em vida como raios de tempestade ou veias e artérias, ou como riachos tortuosos que fluem para o ponto mais abaixo, desembocando no Mar, a Mãe primordial da qual a misteriosa Vida surgiu, na imagem de Iemanjá, no milagre cristão da multiplicação dos peixes, numa mãe gorda e generosa, numa mamma italiana fazendo polenta para toda a família, num ato de generosidade, numa pessoa agregadora, com talento de matriarca, de força de reunião. As aves aqui são este cio, essa libido de Primavera, com a Vida ressuscitando nos hormônios adolescentes. Aqui céu noturno é estrelado, limpo, com o esplendor de uma galáxia, no esplendor do Cosmos, no poder imenso de Tao, no lema islâmico: “Alá é grande!”. Os prédios aqui estão adormecidos, opacos, escondidos, todos medíocres, com a mesma cor, no modo como um aluno medíocre não ganha o respeito do professor, sendo, infelizmente, exceções os que aproveitam muito bem a oportunidade de estudar e adquirir cultura, como numa pessoa devorando um prato, comendo até o último grão de arroz no prato, talvez num aluno num processo de reconstrução, tendo anteriormente abandonado os estudos e se arrependido de tal erro. Aqui a cidade dorme, no intervalo, no descanso, no senso comum de se aproveitar a noite para o descanso, ao contrário de um casal apaixonado fazendo amor, numa certa canção pop: “A noite pertence aos amantes”, ou na canção de Luan Santana: “Vamos acordar esse prédio, fazer inveja pro povo. Enquanto o Mundo está dormindo, a gente faz amor gostoso”. A árvore reluzente aqui brota como na força de um vulcão em erupção, como em certos corpos celestes em nosso sistema solar, com jatos expelidos, no modo ecológico como a Terra é este mecanismo autorrenovável, no enigma de como o planeta sobrevive por si próprio, sem a ajuda exterior. Esta árvore esplendorosa é habitada, como se fosse um prédio, como esquilinhos vivendo dentro de troncos, armazenando nozes para o Inverno, nos furtivos esquilinhos novaiorquinos, sobrevivendo em tal selva de pedra e poluição. Esta árvore é a promessa de uma cidade maravilhosa, cheia de Vida, linda como num casamento, na glória metafísica do branco da noiva, com Yin e Yang se unindo, unificando o Cosmos, no rei e na rainha de Tao, o uno que une o Universo, numa lua prateada incidindo sobre o vestido branco da noiva, na força dos rituais humanos, na tentativa humana em decifrar o indecifrável, que é Tao, o mistério da Eternidade. Esta árvore autossuficiente é como nas imagens belas do filme Avatar, numa floresta mágica e paradisíaca, com água fresca e seres luminosos por uma selva onírica, como se fosse feita de neon, no fascínio que as selvas tropicais exercem sobre o resto do Mundo. A árvore aqui é como um jato de petróleo, como numa fonte sendo descoberta, explodindo, na riqueza do Oriente Médio petrolífero, no mercado petrolífero que teme o desenvolvimento de energias limpas. Aqui é como um espumante sendo aberto, na explosão comemorativa, como fogos de artifício, numa orla carioca, com vários minutos de pirotecnia, na tradição chinesa que desenvolveu tal beleza, na agressividade do homem ocidental, o qual viu nos fogos de artifício uma oportunidade de desenvolver armas horríveis, nesse INABALÁVEL talento humano para a desavença e a guerra, como um professor se frustrando com o desinteresse dos seus próprios alunos. A árvore aqui se ramifica, oferecendo múltiplas opções de cursos – cada pessoa tem que se interessar por algo.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (5). Aqui temos uma resistência, uma singularidade, remetendo-me a uma palestra de um filósofo, que disse que o escravo africano, arrancado de sua terra para o Brasil, criou uma cultura de resistência, com seus tambores, a capoeira etc. É na cena de um dos filmes do herói Conan, num momento em que todos se sentam em adoração a algum soberano perverso, com Conan permanecendo pé, num ato de coragem, como no governador gaúcho Eduardo Leite, o qual foi muito macho ao se assumir gay, numa imposição de respeito, num Brasil já munido de leis anti-homofobia. Aqui é como um cidadão que, em liberdade de pensamento, torna-se uma anomalia em um sistema opressor, numa falha no sistema insano de terror ditatorial, num déspota que não respeita a inteligência do cidadão, proibindo a veiculação de certos filmes em um país, ou seja, numa pessoa se achando fiscal da cabeça alheia, como num rei que criminaliza a sodomia – Deus que me perdoe, um rei ruim de cama –, tornando-se fiscal do fiofó alheio, com o perdão do terminho chulo. Aqui é como uma pessoa que vive à frente de seu próprio tempo, num papel de precursor, na transgressão que acaba causando o progresso de uma sociedade, como num precursor Bowie, o qual, nos anos 1970, trouxe um estilo capilar que só se popularizou depois, nos anos 1980, ou seja, um homem visionário, à frente de sua própria época, na coragem de pensar diferente, de ter singularidade e personalidade, como no faraó herege que desafiou a milenar tradição politeísta egípcia, num homem que vai além de ser um indistinto tijolo na parede, tornando-se um indivíduo, uma cabeça que pensa à frente. Aqui é como uma reação em cadeia, na disseminação de fake news, com poucas pessoas inteligente, da elite psíquica, observando que não se pode acreditar em tudo o que se ouve, lê ou vê, numa pessoa que deixou de ser medíocre para pensar acima da média, como no formidável intelectual gaúcho Tatata Pimentel, o qual só respeitava a inteligência de alunos que de fato se mostravam excepcionais, no papel acadêmico de formar nossas elites, num homem sábio que, apesar de saber que a Filosofia não muda o Mundo, tem consciência de sua própria existência, ao contrário dos ignorantes, os quais passam suas vidas sem ter consciência de suas próprias existências. Aqui é como uma moda se alastrando, na capacidade de pessoas com classe e estilo, criando modas, como numa bomba estilística de Madonna, ditando Moda nos anos 1980, a década de ouro do Pop. Aqui é como uma pessoa que, no papel de precursora, não quer exatamente seguir cegamente tendências, num trabalho de diferenciação, numa pessoa, repito, à frente de seu próprio tempo, no modo como, lá pelo ano de 2001, jeans rasgados não eram considerados fashion ou interessantes e, anos depois, os jeans rasgados entram poderosamente na Moda, num visual “sobrevivente de catástrofe nuclear”, no modo como certas pessoas, sendo fortes, sobrevivem, sabendo que as baratas são os único seres vivos que sobrevivem a tais hecatombes, no modo como a Vida vai nos ensinando a ser mais fortes, pois temos que ter a força para virar a página, sendo este doce ou amarga, no modo como há tantos artistas talentosos que simplesmente não sobreviveram aos anos 1980 – é uma lástima. Aqui são as cores da bandeira nacional francesa, no poderoso paradigma democrático, no modo como, em tempos absolutistas, não se imaginava forma de governo mais digna e autêntica do que a sucessão de sangue de realeza. São os parâmetros da Idade Contemporânea, na Democracia como a forma de governo mais saudável e merecedora de crédito, numa Inglaterra, na qual a rainha reina, mas não governa. Aqui é o passar dos anos, dos tempos, em tempos que permanecem, como na luz etérea da Era Elizabethana, com momentos que ficam para a História, em raros talentos de estadista, assumindo um estado falido e transformando este numa potência de dinheiro, forças armadas e intelectualidade.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (6). Podemos ouvir o trem assobiando, potente, veloz, nas ambições humanas em fazer trens cada vez mais velozes, encurtando distâncias, num continente europeu, tão unificado por tais vias. Os arcos são tais demandas civilizatórias, como nos arcos romanos, buscando trazer o máximo de comodidade a tais cidadãos, em eficientes sistemas de coletas de lixo, para fazer com que as cidades materiais se pareçam ao máximo com as metafísicas, sendo estas perfeitas, sem sociopatas, impecavelmente limpas, sem uma só bactéria ou problema de Saúde – é a glória. O respeito é a força motriz do trem – o resto vem engatado atrás, ou seja, temos que ter uns pelos outros, em primeiro lugar, Respeito, o qual é irmão do Amor – se engano e desrespeito alguém, como posso amar este mesmo alguém? É como num sistema ditatorial, sempre desrespeitando a inteligência do cidadão, contando mentiras e fazendo vetos ignorantes, no modo como o ditador, o qual parece ter coragem, é um cagão, com o perdão do termo chulo, pois o ditador teme que o cidadão pense por si mesmo, em liberdade de pensamento. Nesses arcos vemos sutis silhuetas de formas humanas, como num sisudo homem com maleta, indo trabalhar, ou o perfil de uma mulher inteligente de óculos, no dom de certas pessoas em ser devoradores de livros, ou seja, “ratões” de bibliotecas, sebos e livrarias. É a questão da dignidade e da produtividade, numa construção de carreira espiritual, fazendo com que cada ato de labor na Terra torne-se anexado a tal carreira, ou seja, não há trabalho que possa ser jogado fora – tudo é válido, como Tao, para o qual nada se perde, ou seja, qualquer trabalho é digno e eterno. A ponte é a travessia existencial, cheia de dúvidas, de dias cinzentos, numa mente confusa, debatendo-se entre Luz e Escuridão, na questão do Castelo da Caveira Cinzenta de He-Man, um lugar alvo de disputa entre forças do Bem e do Mal, com o Bem sempre rechaçando a Malícia, protegendo tal castelo sagrado de ser tomado pelas forças malévolas da destruição. Ao fundo no quadro vemos uma estrela que se destaca das outras, como na Estrela de Belém, guiando os Reis Magos na maravilhosa tradição cristã natalina, na magia de fim de ano, com presépios sendo decorados e presentes colocados abaixo de pinheirinhos, numa época (breve) em que o Ser Humano abandona sua intrépida busca insana por Poder, pelo Anel de Tolkien. A estrela é este guia, esta referência, no modo monoteísta de aceitar uma Inteligência Suprema, superior, infinita, como num eterno Domingo de Páscoa, com as cores de um ninho de doces, como criancinhas batendo de porta em porta no Halloween, em busca de tais prazeres do gostoso pecadinho da Gula, o pecadinho que espalhou o Chocolate pelo Mundo – que delícia! Aqui é tal travessia entre dois pontos, numa ponte, numa etapa, como num escritor fazendo suas obras, sua construção, chegando ao fim e levando consigo Tao, aquilo que nunca se perde nas noites dos tempos, havendo na Eternidade tal dignidade imutável, a dignidade da produtividade – faça algo da Vida, rapaz! Aqui é uma paisagem de pinheiros nórdicos, como num romance policial de Agatha Christie em que um grupo de pessoas, embarcadas num trem, unem-se para se vingar contra de certo passageiro malévolo – se você ainda não viu o filme ou leu o livro, desculpe-me por eu ter entregue o final da trama! Aqui é como numa cena sexy entre dois amantes, fazendo amor em uma das cabines, deixando que a paisagem passe do lado de fora, no modo como um relacionamento é tal trem, com duas pessoas se relacionando no momento de tal travessia. A ponte é a pujança, numa nação desenvolvida, construindo pontes para unificar as partes de um reino, na sensualidade da união, dos opostos sendo unificados no Cosmos, com a Grande Internet Metafísica, sexy como uma pessoa nua numa piscina morna e agradável, na inocência da nudez pré Maçã do Éden; na inocente nudez uterina; no modo como todos viemos ao Mundo.

 

Referência bibliográfica:

 

David Doran. Disponível em: <www.ba-reps.com/illustrators>. Acesso em: 29 set. 2021.

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