quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Adoro Doran (Parte 7 de 11)

 

 

Falo pela sétima vez sobre o artista gráfico inglês David Doran. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (1). Remete à colonização dos EUA, no selvagem Oeste, inspirando tantas lendas e filmes, em figuras de machão como Clint Eastwood, naquele homem absolutamente empedernido e brutalizado, como no romance dos caubóis gays do filme famoso, havendo no personagem de Heath Ledger um homem tão sequelado e brutalizado, como são sequelas as experiências de vida na guerra, com rapazes que, ao voltar para casa, não conseguem se ressocializar completamente, numa grande e profunda cicatriz mental, psíquica, nos versos de uma famosa canção com Marylin Monroe: “Os homens vão ficando frios, e as mulheres vão ficando velhas. Todos, no final, perdemos nosso charme!”. O ícone Clint é tão poderoso que no terceiro tomo de De Volta para o Futuro o personagem protagonista, ao viajar ao passado, no Velho oeste, adota o nome do astro icônico! O céu dourado é a frenética busca humana por ouro, metais preciosos e pedras preciosas, as quais são cópias da imortalidade metafísica, na metáfora dos dedos se desfazendo dos anéis, pois nada de material entra no Plano Metafísico, num limite claro entre dimensões, como numa sensação de sonho, no qual ganhamos um presente, e queremos muito trazer esse presente conosco, mas quando acordamos em nossa cama, percebemos que há um limite interdimensional. Apesar da cena ser de Faroeste, as pessoas vestem roupas contemporâneas, na luta diária pelo “pão”, na pessoa que parou de “se atirar nas cordas” e batalhar pela Vida, como na secretária ambiciosa de Uma Secretária de Futuro, querendo mais da Vida; querendo ser mais do que uma simples secretária coadjuvante, no modo como tais espíritos laboradores encontram a plena felicidade do Céu, pois neste a carreira espiritual continua, no prazer de um diplomata em viajar pelo Mundo, sempre primando pela harmonia entre as nações, nunca recomendando guerras e derramamentos de sangue, como se soubesse que somos todos do mesmo sangue, o divino sangue azul metafísico, o único sangue que existe de fato – o resto é cópia, como uma planta artificial achando que é como uma planta natural. Nada mais mundano e humano do que ficar obcecado com riquezas materiais, na ilusão de que dinheiro traz felicidade, como numa senhora que conheci, a qual quis dar uma guinada na Vida, mas sem olhar para dentro de si mesma, frustrando-se ao querer encontrar Paz em coisas terenas, mundanas, deprimindo-se profundamente, prostrada com a Vida – eu sei como é complicado, mas a pessoa não pode ter pena de si mesma. Ouvi aqui o relinchar furioso dos cavalos, numa pessoa impetuosa, cheia de “cavalos” dentro de si mesma, cheia de vontade, de excitação, de tesão, numa pessoa que sabe é necessário que rumemos a “passos de bebê”, pois ninguém tem a obrigação de ir “de zero a cem” num piscar de olhos. Uma personagem de O Advogado do Diabo diz: “Eu achava que ter muita grana fosse ótimo, mas não é!”. Vemos aqui tanto homens quanto mulheres, evitando a esmagadora figura do machão alfa, do patriarca, da tradição, numa pessoa que se sente tão aquém disso tudo, tão diminuída. São aqui as diligências, na agressividade do homem branco, sempre oprimindo os indígenas em todas as Américas, no choque de civilizações que aniquilou as populações pré colombianas, na ironia de que muitas de tais civilizações indígenas compartilhavam da predileção pelo Ouro, atiçando a fome materialista do explorados europeu, sugando as colônias ao máximo, como Portugal sugando todas as riquezas minerais brasileiras, numa fome sem sentido, no modo como coisas tão preciosas materialmente podem ser tão irrelevantes, havendo no Ser Humano este escravo de tais riquezas. Os cavalos domados são a Disciplina, a organização, o modo humano de impor Ordem ao Caos, como no lema da Bandeira Nacional Brasileira, no positivismo de que a Ciência e o Conhecimento libertam a pessoa, havendo nas ditaduras tal medo de se dar conhecimento ao cidadão, mantendo este sob controle, numa esmagadora Matrix, um governo vampirizador.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (2). Uma evidência, numa pessoa brilhante, fora do comum, descomunal, excepcional num talento e num instinto que hipnotizam o Mundo. É como um popstar cheio de atitude, como num arrogante Billy Idol, um ídolo que acabou virando fumaça, desaparecendo – a arrogância precede a queda. Aqui é o slogan célebre da Apple: “Pense diferente”. É um Niemeyer projetando Brasília, com linhas que buscam dar leveza e “fragilidade” a firmes estruturas, numa simplicidade como rampas, na frase de da Vinci: “A simplicidade é o mais alto grau de sofisticação”. Esta pessoa no centro das atenções tem muito estilo, criatividade, na frase de uma certa popstar: “Eu não sigo tendências; eu as faço!”, no modo como atitude é tão essencial para uma pessoa brilhar em âmbito global, como numa Lady Gaga, a qual, além de ter uma voz boa, tem uma atitude ESMAGADORA, na prova de que só a voz não garante o estrelato, como certas cantoras, as quais, apesar de ter boa voz, não brilham muito – só a voz não garante, pois há muitas vozes boas por aí que jamais serão estrelas... Aqui é um rapaz fashion, com bom gosto para combinar peças de roupas, numa construção de critério, que vem de dentro, da cabeça, num caminho autodidata, no modo como não há livro ou faculdade que nos ensine a brilhar, do tipo: “Dez passos para você se tornar um astro”. A maleta do rapaz é a responsabilidade, o trabalho, numa vida centrada no trabalho, num homem tão sério, sisudo, que sai para trabalhar num ato de grande disciplina, como num halterofilista, o qual tem que ter uma disciplina musculosa, ironicamente falando. Aqui é uma cidade vibrante, numa Nova York, com tantos sonhos de tantas pessoas, como no imigrante italiano, que vinha ao Brasil com sonhos de se tornar muito rico, deparando-se, no Nordeste do RS, com uma vida duríssima, de quase passar fome no primeiro ano de colônia, numa reforma agrária que deu certo, gerando uma Caxias do Sul economicamente gigantesca. O rapaz aqui é alegre, não tão sisudo, no modo como é necessário que a pessoa não fique tão empedernida, conservando dentro de si um lado jovial e brincalhão, irreverente, pois não é o senso de humor uma marca de Tao, o grande piadista? Não é irônico o fato de que, por toda a eternidade de números, sempre haverá números primos? A Matemática não é de uma beleza fria que purifica e limpa? Aqui é como um relógio solar, na passagem do tempo, nas demandas do dia a dia, com cada um com sua agenda de obrigações e compromissos, numa hierarquia: a agenda dos menos importantes tem que girar em torno da agenda dos mais importantes, como vários jornalistas esperando numa antessala para entrevistar um astro, num caminho de humildade – o que quero superar, preciso antes me curvar perante; se quero sair da merda, com o perdão do termo chulo, tenho que antes aceitar que estou nela, na máxima taoista: “Curva-te e reinarás”. E não é Cristo, o centro sobrenatural da História, uma figura de humildade e sofisticação moral? Aqui é o modo humano de medir o tempo, em medidas que, em proporções cósmicas, nada significam, assim, como as medidas de espaço humanas, como Norte e Sul, pois na vastidão cósmica, Tempo e Espaço ficam sem referências, ao menos fora da referência humana, num Ser Humano tão perplexo perante tal vastidão. Aqui é um dia de labor, dia de semana, talvez numa segunda feira de “ressaca”, ou numa Quarta Feira de Cinzas, quando a Vida volta ao normal, tendo passado o doce e breve momento de euforia e celebração, como alguém voltando das férias. Aqui são pessoas com empregos, ou procurando algum emprego, numa pessoa batalhadora, na ironia do nome de Steve Jobs, que quer dizer “empregos”, empregando tantas pessoas em sua empresa. Aqui é a lida diária, numa pessoa que tem que sair da cama e encarar a Vida, deixando de lado os impulsos de prazer do Id, que são os sedutores braços de Morfeu, no gostoso pecadinho do soninho. Aqui é o desafio da pessoa em se destacar e ser alguém de fato, nas obsessões mundanas de sucesso mundano, sentindo-se um lixo aquele que não é bem sucedido.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (3). Um momento de concentração, numa pessoa séria e centrada no trabalho, talvez num homem que, em tal sisudez, permitiu que o calor de seu casamento esfriasse, como no casal de personagens do genial cartunista Carlos Iotti, com a esposa, Genoveva, dizendo ao marido, o “grossão” Radicci, que este teria que ser mais romântico, como trazer flores para a esposa sem alguma data específica, ou em gestos simples como um beijo ou abraço, no modo como, na dificuldade de qualquer relacionamento amoroso, todos os dias um tem que fazer algo para reconquistar o outro, como numa eterna Lua de Mel, pois que casamento é este, no qual o Sexo vai se tornando mecânico? Que esperanças há quando o romantismo termina? Aqui é um time de especialistas, como numa banca de psiquiatras avaliando o caso de algum paciente, como em pobres diabos sofredores viciados em drogas, permitindo que suas vidas sejam destruídas pela droga, sem chance de reconstrução, em pobres coitados condenados a apodrecer o resto de suas décadas de vida numa clínica psiquiátrica – o Inferno pode ser aqui, na Terra. Aqui vemos uma angulação, nas lições de Geometria no Colégio, na ironia de que, por mais estudioso que possa ser um aluno, as lições, com o passar dos anos, vão se apagando na mente de tal aluno, como uma pessoa que conheço, extremamente estudiosa, a qual simplesmente esqueceu a maior parte das lições aprendidas na sala de aula, no modo como eu, redator, só lembro das lições das aulas de Português e Redação, e lembro de alguma coisa de outras disciplinas da área de Humanas. Aqui é como na construção racional de uma tática de guerra, como no jogo de tabuleiro War, com jogadores competindo militarmente pelo Mundo, em guerras que afetam em cheio o pacato dia a dia do cidadão comum, na lição de Tao aos líderes: “Nunca interfira no dia a dia pacato do cidadão”, ao contrário de um tirano, ávido por coletar impostos em seu reino, num povo que não mais aguenta tantos impostos. Aqui é a luz fria da razão, numa luz de sala de cirurgia, na revolução que foi o surgimento da Ciência, derrotando as superstições e os obscurantismos, no desenvolvimento puro da lógica, numa construção, nos inúmeros mistérios que tanto intrigam gerações inteiras de cientistas, no grande desafio científico, que equivale a imaginar como funciona um relógio sem desmontar este, no mistério de como superar a velocidade da luz e conceber velocidades que proporcionem que o Homem cruze o Universo em pouco instantes, no domínio da dimensão Tempo Espaço, numa Humanidade ainda tão “pequenina”, tão jovem, com tecnologias que são apenas o princípio de revolução científica, num Ser Humano o qual, de tão jovem, é ainda um feto que sequer saiu da barriga da mãe. Aqui nesta mesa de fria análise vemos instrumentos, como instrumentos de cirurgia, em procedimentos tão complexos como um transplante de órgão, nos sonhos de Medicina em curar o Câncer, a AIDS etc., num grande desafio, num Universo misterioso, que desafia nossa capacidade mental. No centro desta mesa, é como um relógio, no modo como, para um cientista, uma única vida é tão pouco para se debruçar cientificamente, na concepção espírita de que uma só encarnação não é o suficiente para o progresso moral do espírito, como nos sociopatas, pessoas de nulo senso moral, as quais precisarão de muitas encarnações até atingir o ponto de apuro moral, como numa pessoa que odeia mentir, matar, enganar, ludibriar etc. Aqui não parece haver hierarquia, e todos dão suas opiniões, como numa reunião de empresa, no ditado popular: “Duas cabeças pensam melhor do que duas”. O branco é tal folha branca nova, virgem, como em terras virgens, prontas para o desbravamento, na descoberta da incrível vastidão das Américas. Aqui é como um design de logomarca, num designer competente, criterioso e talentoso, na vitória do bom gosto sobre a vulgaridade.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (4). Uma produção em série, como no namoro da Pop Art com o Mercado, com a Indústria, com o Capitalismo, com coisas numa esteira de fabricação, atendendo a demandas gigantescas, como na China, suprindo o Mundo com seus produtos industrializados, como no chá inglês Twinings, fabricado pelos chineses, na contradição chinesa: na teoria, comunista; na prática, capitalista, no Consumismo, digo, no Comunismo “caindo de podre”, num cidadão chinês ainda muito oprimido por tal ditadura, um dos poucos aliados do terrível regime nortecoreano, numa exigência: pessoas que têm blogs não podem entrar neste país, no medo que os tiranos opressores têm das cabeças pensantes e livres – é claro que eu jamais colocarei os pés em tal país. Aqui é uma Matrix, fabricando cidadãos cegos, sempre a serviço de um estado tirano, reduzindo um cidadão a uma mera bateria alcalina, em mais um indistinto tijolo na parede, num líder que, ao invés de querer ser respeitado, quer ser temido, num Saddam, incapaz de “desencarnar” do Poder, dizendo aos pobres subalternos: “Eu não estou pedindo; eu estou mandando!”, enforcado, indo para o Umbral, a dimensão de quem não quer se libertar de tudo relativo ao corpo físico – é o caminho da loucura, como num presidiário que não quer sair da prisão. O fundo aqui é verdejante, numa rica floresta, vestindo roupas maravilhosas, luxuriantes, como no europeu navegador se deparando com as exóticas terras brasileiras, numa riqueza biológica tal que mal pode ser catalogada inteiramente, como num astrônomo querendo contar as estrelas que existem no Universo. Aqui é uma fila de patinhos bebês, seguindo a mãe, como na figura da “tia” na escolinha, ganhando a atenção e o respeito das crianças, com a professora formando a fila por ordem de tamanho, na tentativa humana de impor ordem ao caos, como num explorador, dando nomes a áreas da superfície da Lua, num explorador dando nomes a terras selvagens e incivilizadas, como indígenas canibais, atiçando a imaginação do civilizado europeu, em grupos humanos que ainda vivem no Neolítico, sem o decisivo advento da Escrita, no modo como ouvi num dia desses: “A caneta é mais forte do que a espada”, no princípio de Tao, que vai contra os líderes que empurram seu próprio poder “goela abaixo” do pobre e oprimido cidadão, no modo como a geração de meus pais saiu “azarada”, passando por duas décadas de ditadura militar, tudo por causa dos efeitos da Guerra Fria, no Mundo Capitalista que temia que o Brasil pudesse se tornar uma União Soviética ensolarada, em eras que ficam para trás, numa Humanidade que vai evoluindo, entendo o que foi o Holocausto, na capacidade de sociopatas em se apoderar de estados inteiros, enganando muita gente, como num sociopata de boa estampa, de ótima aparência, acima de qualquer suspeita – tome cuidado com as aparências, como no discernimento de Tolkien entre Bem e Mal: os bondosos têm uma aparência um tanto rústica, mas causam uma boa sensação; os maldosos têm uma aparência impecável, mas causam uma sensação horrível, como no agente malévolo Smith, de Matrix, um homem malévolo com fina estampa, no modo como o sociopata despreza totalmente valores de desprendimento material, desdenhando do Amor, por exemplo, num espírito que não vê além da dimensão material, como uma certa senhora sociopata, cujo nome não mencionarei. Aqui o homem e a mulher são os pais desta ninhada, no modo como Tao se biparte e gera Yin e Yang, os opostos que namoram e geram o Universo, no poder arquetípico da dobradinha rei/rainha, no casal num trono, com um personificando o que o outro tem em escassez, como na tradição japonesa, com o marido carrancudo e antipático, acompanhado por uma esposa tão doce e gentil. Esta fila de patos é uma impecável disciplina, como num desfile militar, fazendo da disciplina tal valor que organiza o dia a dia de uma pessoa, no modo como todos temos que ter uma atividade que coloque nossa própria cabeça a funcionar – a Vida não é só labor “escravo”.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (5). Um acúmulo de tarefas e responsabilidades, numa demanda diária de dia útil, no modo como desde os tempos do Império Romano havia sistema de correios, claro que mais tosco do que os sistemas de hoje em dia. Aqui é uma troca de mercadorias entre países do Mundo, em sistemas internacionais iniciados nas Navegações, no modo como tal cosmopolismo mostra claramente a universalidade do Ser Humano, no modo como o delicioso sushi conquistou o Mundo, vendido como fina iguaria. Aqui é um dia comum de labor, na ironia de metalinguagem, pois aqui Doran, em seu trabalho, fala de trabalho. É como no caos de um atelier, no qual só o artista consegue se orientar, na capacidade humana em se adaptar, como um acumulador compulsivo, o qual se habituou com o próprio lar caótico. Aqui é esta troca frenética econômica, como o café brasileiro sendo exportado, principalmente para os EUA, num povo tão apaixonado por tal grão torrado, na poderosa rede mundial Starbucks, com o meu predileto, que é o cappuccino mentolado, num produto que, apesar de caro, vale o preço, nesse ato tão urbano e cosmopolita de pedir um café para levar, chegar na mesa do trabalho e saborear a bebida – é chic. O colar de pérolas no retrovisor é tal união, tal engajamento, tal mercado, no poder do Oriente Médio em exportar o precioso petróleo, num mercado que tanto teme o advento de energias limpas, num poderoso monarca temendo perder tal poder, como um déspota oprimindo o povo, temendo sempre perder o poder, com “dedos” que tanto temem perder os “anéis”, no modo como o desencarne glorioso só acontece aos que topam se desprender de tais joias mundanas, como um certo político suicida, preferindo morrer a perder poder – que autoestima miserável, não? As pérolas aqui são a generosidade de Iemanjá, brindando os pescadores com redes fartas, cheias de peixes, no milagre cristão da multiplicação dos peixes, num Jesus Cristo tão mal compreendido, numa mente muito, muito à frente de seu próprio tempo, num legado intelectual que ecoa pleno nos dias de hoje, neste mundo tão desigual, tão cheio de abismos cruéis que separam irmão de irmão, na loucura de irmão derramar o sangue de seu sangue. O rapaz aqui é a responsabilidade, sabendo que tem que fazer o trabalho bem feito, pois, do contrário, poderá ser punido e até demitido, no medo que um cidadão oprimido tem em contestar tal regime, como numa Elis Regina, a qual se incomodou ao chamar os militares de “gorilas” incivilizados, torturadores, assassinos e ocultadores de cadáveres, fazendo do megahit O Bêbado e a Equilibrista o hino da Anistia, com brasileiros voltando para um Brasil menos terrível. Aqui é a lida de lidar com um trânsito caótico, com cada um indo atrás de seu “pão”, talvez num trânsito um tanto caótico e estressante, como na “loucura” paulistana, com intermináveis levas de motoboys em dias úteis, no papel fundamental de levar e trazer coisas importantes numa urbe tão caótica e maravilhosa como São Paulo, a cidade de um museu maravilhoso – o MASP. Aqui remete ao trabalho policial em detectar drogas ocultas em encomendas, nas tristes histórias de vida de pessoas que “perderam o jogo” para as drogas, como num senhor que conheço, o qual, por causa de pó, apodrecerá o resto de seus dias numa clínica psiquiátrica – tem algo mais deprimente? Aqui é um trabalho de paciência, passo a passo, nos passinhos de bebê, devagarzinho, pois ninguém tem a obrigação de ir de ZERO e CEM num piscar de olhos, num trabalho persistente, de formiguinha, no imortal ditado: “Roma não se fez num dia só”. Nesta van, há um certo caos, com coisas empilhadas, como bagagens jogadas de qualquer modo numa esteira de aeroporto, nesse homem prático, embebido no dia a dia, como num lixeiro recolhendo os sacos de lixo, de qualquer jeito, sabendo que de nada adianta fazê-lo elegantemente, na questão pragmática, prática, pés no chão, no modo como já ouvi dizer: “O Trabalho traz saúde mental. Os ricos que não trabalham ficam loucos”.

 


Acima, título não informado na referência bibliográfica (6). Os aviõezinhos são os sonhos, a metas, no modo como sou eternamente responsável pelo meu próprio sucesso ou insucesso. Aqui é como um grande e demandoso aeroporto, com voos de todos os cantos do Mundo, em mecas turísticas como Paris, com pessoas que sonham em tirar fotos na icônica torre, tais quais turistas em Gramado, para ver uma cidade tão etérea, turística, como a Ciudad de los Niños da Argentina, a Cidade das Crianças, num parque da Disney, que faz com que adultos se sintam crianças novamente. Aqui é como num caos bagunçado numa sala de aula, num professor sem autoridade, desrespeitado, no modo como um professor tem que impor respeito, pois, do contrário, não será possível lecionar de fato, num aluno que tem que entender que ocupa um posto abaixo na hierarquia. Esta figura ao centro parece ser uma mulher masculinizada, como numa mulher que possui o integral controle de sua própria vida, como numa certa popstar – tudo relativo a esta está submetido à aprovação ou reprovação da mesma, numa mulher na qual homem nenhum manda, nem mesmo o Papa Francisco – não é esse o sonho feminista? Não há nas lésbicas tais noções de independência? Aqui é como um colorido salão de Carnaval, numa pessoa que passou muito tempo elaborando sua fantasia, “arrasando” no salão, como num senhor que conheço, carnavalesco, brilhando fantasiado de indígena num Carnaval de Rua. Aqui é um vaivém frenético numa pista de pouso e decolagem, em pessoas com a enorme responsabilidade de manter a pista em ordem, em segurança, na enorme responsabilidade de um piloto de avião, tendo nas mãos as vidas de centenas de pessoas, como num jornalista organizando um noticiário local na TV, tendo que cronometrar tudo direitinho para não se chocar com a veiculação nacional após tal noticiário, como num cirurgião, num adulto que vai amadurecendo e percebendo a seriedade da Vida, ao contrário de um inconsequente adolescente, o qual já fui e, ainda bem, não sou mais – não é bom ser jovem demais, pois a juventude feliz é, já ouvi dizer, uma invenção de velhos. Aqui há uma distribuição, numa pessoa que tem tal talento distributivo, num talento nato, numa pessoa que visa atingir a todos, nesta capacidade que certas pessoas têm em ser o Sol no dentro do sistema solar, atraindo a todos com carisma gravitacional, iluminando a todos, sem esquecer qualquer um de seus “filhos”, como num pai amoroso, o qual, apesar de ver diferenças entre os próprios filhos, ama a todos incondicionalmente, sabendo que cada filho é especial em seu próprio modo, na canção de Lady Gaga: “Eu sou bela a meu próprio modo, pois Deus não comete erros. Estou no caminho certo, pois nasci assim”, dando precioso acalento aos que têm suas respectivas autoestimas atingidas por preconceitos, os cânceres sociais. Os óculos aqui são a erudição e a intelectualidade, como se fosse uma visão a longa distância, como no Universo, o qual, por ser permeado de vácuo, é incrivelmente translúcido, proporcionando que vejamos corpos celestes cuja luz demorou bilhões de anos até chegar a nós na Terra, e Tao é assim, translúcido, invisível num poder que, de tão forte, mal é percebido pelo Ser Humano, na hierarquia que gira em torno de apuro moral, no subtítulo da Mulher Maravilha: O Espírito da Verdade, um dos conselheiros do Livros dos Espíritos, de Kardec. Aqui há uma infinidade de mensagens, como numa mensagem acalentadora de um ente há muito desencarnado, como numa bisavó a qual, apesar de não ter vivido para ver um próprio bisneto nascer, ilumina este lá de cima, na vitória do Amor Imortal e Incondicional, no maravilhoso modo como os vínculos de família não se dissolvem com o Desencarne, no modo como o Amor sobrevive a absolutamente tudo, pois como um reino pode estar unido se os cidadãos deste odeiam uns aos outros? Aqui é como uma pompa de cerimônia de coração de monarca inglês, deslumbrando o Mundo com tal tradição, no modo como as tradições fazem metáfora com a Eternidade, a qual resiste à dimensão de Tempo e Espaço, na Vida Eterna.

 

Referência bibliográfica:

 

David Doran. Disponível em: <www.ba-reps.com/illustrators>. Acesso em: 29 set. 2021.

Nenhum comentário: