quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Amo muito Mucha

 

 

O ilustrador tcheco Alfons Maria Mucha (1860 – 1939) foi grande mestre do movimento, da vogue, da vague, da onda, da moda Art Nouveau, tendo sido ilustrador de revistas e de cartazes de espetáculos. Recebeu as bênçãos de um mecenas para estudar. Lecionou Pintura nos EUA. Morreu de Pneumonia. Acho que um certo amigo meu, que ama Art Nouveau, vai gostar desta postagem! Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Primavera. A beleza e luxúria da explosão de Vida, em ursos famintos após a hibernação, devorando salmões desavisados, na fome de uma pessoa que está encontrando sentido e tesão na Vida, num alpinista excitado com uma desafiadora montanha, no poder dos desafios que tanto nos fazem crescer. Os cabelos são imensos, ultrafemininos, como na Vênus de Botticelli, tímida e sexy, tapando o sexo com seus longos cabelos, como num filme em que Uma Thurman interpreta tal Vênus saindo da célebre concha de revelação, no olor de Mar, numa deliciosa massa à putanesca, como num amigo que tenho, o qual gosta de frequentar bordéis, mesmo sendo um homem casado, no modo como a Vida vai nos exigindo que sejamos dignos e unos, e não ter vida dupla, pois a pessoa com vida dupla é infeliz, pois está “em cima de um muro”, nunca feliz de fato – é triste. As flores aqui remetem às luxuriantes sakuras japonesas primaveris, na universalidade da ressurreição da Vida, na magia das flores, num símbolo de beleza e nobreza, havendo numa flor um símbolo de realeza, falando da beleza natural de um reino, como nas altivas araucárias da Serra Gaúcha, no infeliz modo como o Ser Humano valoriza os palácios mas ignora as belezas naturais. A barriga aqui é fértil, na beleza de uma mulher grávida, símbolo de Vida, neste poder tão invejado pelos homens, os quais conceberam o Patriarcado para haver uma “compensação” frente ao poder feminino de trazer Vida ao Mundo, num certo clipe de Madonna, numa barriga de mulher explodindo e libertando pombos brancos, símbolos de Paz, na Vênus de Botticelli entorpecendo Marte, “adormecendo” a vontade de guerrear, na orientação taoista: Entenda a força de Marte, mas seja mais como Vênus dentro de você mesmo. É no simples prazer de se estar em casa, à vontade, no slogan de uma certa galeteria, o “Alegria à vontade”, na fartura de uma mesa tão abundante, num sonho de imigrante italiano, o qual se deparou com uma vida tão dura, quase passando fome. Os quadris são sinuosos, como na logomarca da universidade Unisinos, aludindo às formas sinuosas do Rio dos Sinos, na aquosidade sedutora de uma serpente, sempre sinuosa e misteriosa, nos quadris de uma competente modelo, caminhando como uma deusa na passarela, no modo como já ouvi dizer: o Mundo da Moda tem um brilho absolutamente superficial, mas, penso eu, ainda assim, fascinante, no modo como a Moda e o Estilo podem ser tais maneiras maravilhosas de uma pessoa se expressar, na revolução de Chanel, a feminista que libertou as mulheres de preconceitos misóginos, numa “masculinização” que só veio a ser altamente feminina, em símbolos de feminilidade como o perfume Chanel número cinco, no comercial com Rodrigo Santoro e Nicole Kidman, no homem comum e sincero que se apaixonou pela fragrância da diva, na junção de Eros entre os opostos – glamour e timidez. É como num senhor malicioso que conheci, o qual usava perfumes de mulher... A cor aqui é o branco da Paz, num esforço diplomático em nome da harmonia, numa nobre neutralidade suíça, havendo no homem de Paz a promessa de um mundo melhor, acima de nós – num mundo aguerrido entre amarelos e azuis, seja verde, pois você não resolverá os problemas do Mundo, mas será a promessa de algo profundamente mais nobre e positivo, que é o Plano Metafísico, o reino indestrutível e eterno, no modo como a fé é tal força de Paz, sem qualquer garantia científica, no modo como a Psiquiatria não vê além do óbito carnal, com todo o respeito que tenho pelas pessoas da Ciência. Os pés descalços são a simplicidade, numa casa confortável, com carpete ou tapetes, fazendo metáfora com a aveludada polidez de caráter de um fino anfitrião. A moça é um continuum com a Natureza pulsante e bela. Uma debutante virginal.

 


Acima, Verão. A moça está reclusa, quase arredia, reservada, tímida talvez, numa pessoa discreta, que leva tal vida de reclusão de reserva, na discrição de um Luis Fernando Veríssimo, passeando pacatamente num shopping, como qualquer cidadão portoalegrense, sentando para tomar um café e contemplar um pouco a Vida, em tal momento de descanso – a Vida não é só labor, como uma pessoa workaholic que conheci, a qual simplesmente não se permitia viver. Que vida é essa, irmão? A moça toca com sutileza na água plácida, calma, tranquila, na leveza de Cristo caminhando sobre as água, no final engraçado de O Código da Vinci, com uma moça, descobrindo-se membro da secreta família descendente de Jesus, colocando o pé na água como se quisesse caminhar tal qual seu antepassado, no modo como o sucesso é um amante infiel, num escritor Dan Brown que perdeu a verve, o it e o charme após tal bestseller esmagador, no modo como a Vida é ter a força para virar as páginas, no infeliz modo como há tantos artistas talentosos que não sobreviveram ao sucesso que fizeram nos anos 1980, como uma certa atriz que foi uma grande promessa jovem, uma atriz que “tomou chá de sumiço”, pois quem para de lutar, desaparece. As costas da moça estão sutilmente nuas, num jogo de striptease, no jogo da luz do luar, escondendo e revelando, nunca conclusiva, sempre em processo de desenvolvimento e crescimento, no crescimento que é o sentido da Vida, numa pessoa que morre sendo uma pessoa melhor do que a foi ao nascer, no modo como a Vida não é só sonho, mas trabalho também, na metáfora do estúdio hollywoodiano Dreamworks (sonho e labor): Sonhe e lute para concretizar tal sonho! A água aqui é a purificação, como na princesa pura de aurora da famosa ária operesca Nessum Dorma, no final de um filme de Barbra, com uma revelação apolínea ao final, numa libertação, num esclarecimento de dúvidas, num processo de esclarecimento se revelando, na revelação suprema, a qual nos mostra que somos todos filhos do mesmo Útero Divino Metafísico, havendo esta especialidade cruel humana que são as guerras, em Caim eternamente matando Abel, nas noções moralizantes dos Dez Mandamentos: Não matarás! A moça aqui está em um momento reservado íntimo de banho, como no “ritual” de uma mulher se arrumando para sair, num processo longo: fazer as unhas, banho, desodorante, secar o cabelo, arrumar o cabelo, maquiar-se, vestir-e, enjoiar-se e colocar perfume, o grand finale e tal ritual de autoestima, ao contrário de uma certa atriz, a qual vai a uma cerimônia do Oscar sem se arrumar muito, no fato de que eu mesmo sou uma das pessoas que devo amar na Vida. Aqui são as delícias de brincadeiras de Verão, no glorioso momento de férias, com os amigos na praia e na piscina, como numa piscina californiana, fazendo contraste com o tórrido e seco Verão da Califórnia, no modo como pode ser sem graça um chafariz que funciona na chuva, sem contraste... Aqui é uma gloriosa aurora de Eos, a deusa grega do amanhecer, na universalidade ao redor de Vênus no Céu, sinalizando a morte na noite e o renascimento na manhã, na promessa maravilhosa de que a Mente sobrevive à morte do Corpo, no modo como o Espiritismo é contra a ação de pessoas que se submetem a uma cruel crucificação, num masoquista que quer sentir o que Cristo sentiu, na máxima espírita: Mortifique o espírito e não o corpo! E o que é a mortificação espiritual? É se livrar de tolos sinais auspiciosos, ficando atento ao que realmente importa, que é a virtude de Tao, o ente cheio de sentido. A água aqui é o espelho, símbolo de feminilidade, na personagem Ana Terra, de Érico Veríssimo, olhando-se no córrego, numa moça tão tolhida pelo impiedoso patriarcalismo do próprio pai, o qual executou o índio que engravidara Ana. Aqui é a magia de perfume de um banheiro após um bom banho, aproximando-se da limpeza suprema metafísica, muito além das inevitáveis insalubridades materiais. A roupa aqui é uma majestosa cortina teatral, abrindo-se e revelando o mágico cenário, penetrando assim na mente do espectador, o qual quer ser “enfeitiçado” pela magia da Arte.

 


Acima, Outono. Os frutos são a recompensa, na gratificação por um trabalho duro, ao contrário de um workaholic, cujos esforços jamais são recompensados, num caminho degradante de falta de respeito para consigo mesmo – respeito é para quem se dá ao respeito. O pires é o receptáculo feminino, a jarra de Jeannie é um Gênio, na reclusão de uma pessoa reservada, sabendo que os momentos na muvuca, no lar, são de ouro. É o valor da discrição, no modo como pode ser um inferno a vida de uma pessoa assediada, escrava de sua própria celebridade, numa Xuxa que não pode ser dar ao luxo de caminhar nos prazerosos calçadões à beiramar no Rio, numa pessoa prisioneira de si mesma. Aqui é a estação dos frutos, como das bergamotas outonais, no seu doce sabor, na doce recompensa por um esforço grande, na fartura de uma árvore repleta de frutos, como nos caquis outonais, no sabor da fruta da estação, nesta grande invenção de Tao, que são as frutas, nas doces uvas virando vinho. No busto da moça outonal há dois adornos que realçam o busto, num jogo erótico de vida, como na explosão lasciva de vida em Decameron, na explosão erótica da vida, numa estação de acasalamento, na explosão do sexo e da reprodução, como adolescentes enlouquecidos com seus hormônios à flor da pele, em borboletas enlouquecidas fazendo a necessária polinização, no trabalho promíscuo do beijaflor, na promiscuidade que tanta força deu à AIDS, como numa geração como a minha, a qual foi criança nos anos 1980, já crescendo alertada sobre o vírus, no aviso que é uma pessoa contraindo piolho chato pubiano: Cuide-se, pois hoje pode ser algo brando; amanhã pode ser pior. A moça usa flores na cabeça, substituindo joias caras, no caminho de Chanel, alegando que o que importa é o efeito do adorno, como no busto de Nefertiti, o qual é uma mera peça de pedra comum, num artefato de preço impagável, importante ao ser o pomo de discorda entre o Egito e a Alemanha. Aqui é o seio da Art Nouveau, com seus ramos vegetais crescendo e entrelaçando-se, no caminho instintivo de uma hera, avançando com sua força e graça, com sua vontade, neste estilo de ramos vegetais, na força da explosão primaveril da Vida. A moça aqui é uma donzela, pura como o leite, numa lata de Leite Moça, como na cara de santa de Evita, a qual, de santa, só tinha a cara, numa mulher que não conseguia imaginar a vida sem inimigos, numa política que cultivou inimigos tais quais repolhos em horta. Aqui é a exigência para a inscrição no concurso de Rainha da Festa da Uva, exigindo que a moça inscrita seja jovem e solteira, sendo, ao menos teoricamente, virgem, no modo do mito de Nossa Senhora existir para fazer o Ser Humano entender a imaculada conceição que gerou a todos nós, filhos do mesmo Pai, que é Tao, o qual nos criou absolutamente únicos, pois as pessoas são insubstituíveis, nas palavras da respeitável diva Gaga: “Ele fez você perfeitamente”. Aqui são as cores douradas do outono, no modo como já ouvi dizer que o outono novaiorquino é belo, com o Central Park tomando de dourado, na vida morrendo para renascer vitoriosa na Primavera, na esperança do Desencarne e da Ressurreição, na ascensão para um mundo melhor, repleto da beleza mental, espiritual, nos vínculos nobres que são absolutamente espirituais, sem qualquer influência da carne, no modo incrível como os vínculos da família sobrevivem ao Desencarne, em avós e bisavós que esperam por nós lá no Céu, a dimensão dos que amam a Vida. Aqui é a força da Natureza, como no filme Eu sou a lenda, na Natureza abocanhando Nova York, num futuro apocalíptico em que a Vida em Sociedade falha enormemente. Podemos aqui sentir o olor frutal, na sedução da frutas, no hálito de baunilha da personagem idealizada Iracema, na sedução de doce perfume feminino, em mulheres elegantes passando e deixando seu perfume no ar. O tecido aqui é fino e esvoaçante, carinhoso ao toque, em luxuosas bolsas forradas de veludo, fazendo metáfora com o que importa, que é o fino trato de um espírito evoluído.

 


Acima, Inverno. Aqui o agasalho é mais pesado, remetendo à desilusão de um amigo meu, o qual contou que queria ser ratão de praia em Santa Catarina, enfrentando, depois do doce Verão, o advento do Inverno, numa praia cada vez mais erma e fria, cada vez mais cinzenta e nublada – não dá para fugir da seriedade da Vida. Aqui é a beleza da neve, atraindo tantos turistas à Serra Gaúcha, num espetáculo tão raro, tão celebrado, numa beleza natural, parecendo que tudo está coberto de doce açúcar, no modo como cada estação climática tem seus encantos. Aqui é a sisuda formiga gozando das reservas de alimentos que fez durante o Verão, ao contrário da cigarra, que só cantou e esqueceu-se das reservas para a estação fria, nos planos de aposentadoria de uma pessoa, pensando no futuro. A moça aqui está quase toda coberta, pudica, cheia de reservas, e mal podemos ver algo de sua perna. É o instinto de proteção, numa matriarca protegendo os filhos, como um rapaz que conheci, o qual teve uma mãe absolutamente superprotetora, a qual dizia aos professores do filho mimadíssimo: “Meu filho não merece nota dez; meu filho merece nota onze!”, no modo como uma mãe tem que saber contrabalancear cuidado com austeridade. Aqui é o momento de reserva do urso em hibernação, num descanso merecido, como numa sesta, num descanso, em merecidas férias, num momento de saudável desligamento, nas palavras de Barbra: “Na maior parte do tempo, quero deitar sob uma árvore e nada fazer!”. A neve aqui é a doçura do açúcar, na sedução universal dos doces, no gostoso pecadinho da Gula, nas maravilhosas confeitarias que existem no Plano Metafísico, no ato de carinho de receber visitas servindo algum doce, no modo como temos que saber receber as pessoas em nossas casas, pois há algo mais decepcionante do que visitar alguém que nada nos serve, como um café, um chá ou um vinho? É a questão de se fazerem as honras da casa. O agasalho é o cuidado, numa pessoa tomando seus cuidados, como num líder hesitante, que sabe que pode haver perigo na travessia de um rio, no caminho do cuidado e do carinho, no modo como deve ser aprendida a lição do cuidado, pois se vivo perigosamente, estarei exposto a tais perigos – é o caminho da autoestima. Aqui a moça está pudica como uma santa, toda encoberta, cheia de pudores, como se soubesse que está sendo observada pelo espectador, no modo como são visadas publicamente as pessoas celebridades, em pessoas que mal podem caminhar em paz pela Rua, sendo assediadas pela exposição midiática, fazendo da Mídia algo tão perigoso, na pessoa famosa perdendo o privilégio de ir e vir do cidadão comum. Aqui é um momento de pausa e adormecimento, no modo como todos nós morremos e renascemos todos os dias, dormindo e acordando, encarando um novo dia, pois você acorda no dia seguinte e a Vida prossegue – doce ou amarga, esta hora passará e uma nova hora virá, nas palavras de uma certa popstar: “Fiz discos que não foram muito populares. Está ok”. Ou nas palavras de uma maravilhosa professora minha de Língua Portuguesa: “Não deixe o fracasso lhe subir à cabeça!”. É como no fracasso da primeira tentativa de Alanis Morissette. A neve aqui é a sedimentação, numa pessoa se centrando e sedimentando-se na Vida, ficando madura e tomando jeito, sendo adulta, no caminho natural da Vida, que é o crescimento, a evolução e a depuração, no caminho espírito ao Apuro Moral, numa pessoa que está começando a odiar mentir, no caminho do Espírito da Verdade, sempre indo no caminho da autenticidade, ao contrário do sociopata, que mente sem parar. A neve sedimentada é a passagem do tempo, como poeira se sedimentando, clamando por uma boa faxina, no ato de limpeza que visa nos aproximar de Tao, o limpo, o simples, o impecável. A Natureza aqui parece estar morta, mas só parece, pois a Esperança nos traz o Renascimento, no sopro de renovação renascentista, enchendo a Europa de cores e frescor, na majestosa Primavera de Botticelli – sim, amo este. O Inverno é tal fase final, assinalando a renovação trazida pelas crises existenciais.

 


Acima, Dança. A paixão de Alfons por figuras femininas, musas, divas. Aqui é uma sedutora Salomé dançando, na magia de uma stripper, fazendo com que os homens na plateia se sintam um lixo frente a tal esplendor feminino, num poder sendo exercido, na sedução entre masculino, que é o dinheiro, e o feminino, que é o striptease. Aqui a moça flui majestosa com suas vestes, como numa queda de água, como numa galáxia girando com um mistério uterino no meio, num poder gravitacional, de atração, numa pessoa apaixonada, no doloroso modo como quem se apaixona sofre, na sofrência de canções sertanejas, em músicas cujas letras trazem vítimas dependentes: “Você é minha vida! Não posso viver sem você!”, na tragédia de Romeu e Julieta, no amor frente às durezas cruéis do Mundo, em duas famílias em eterno pé de guerra, um cenário trágico para uma história de amor que desafiou tal guerra insana, como na guerra napoleônica de Putin, no fato de que tudo o que as guerras fazem é deixar rastros de fome e destruição, como num chão, antes florido e belo, esmagado pela impiedosa passagem de tropas. A moça aqui é o termo “beijinho no ombro”, das “paniquetes” televisivas, de chacretes em trajes tão mínimos, beirando o vulgar, numa Rita Cadillac – é de respeitável inteligência uma pessoa que acaba como atriz pornô? Existe mérito artístico em tal tipo de material, sem aqui querer ser moralista? Não é um submundo o mundo pornô? Por acaso um ator pornô está construindo algo? É uma pessoa que faz do Sexo um leilão. As melenas da moça são tão mágicas, dignas de um majestoso comercial de TV sobre produtos capilares, nessa sede incessante de autoestima, em mulheres se cuidando, amando a si mesmas, passando muito tempo dentro de lojas de cosméticos, na magia de uma mulher elegante e arrumada, cuidando de si mesma, nas “loucuras” das quais uma mulher é capaz de fazer em nome da beleza, no eterno arquétipo feminino do espelho, numa mulher que está se aprumando para um belo momento de interação social, em mulherões como Patrícia Poeta, a qual conheci em Porto Alegre, uma mulher sempre arrumada, sempre impecável, em toda a beleza da mulher gaúcha! Os cabelos da moça remetem a este estilo tortuoso do Art Nouveau, como ramos de hera se entrelaçando, na força incessante da Natureza, num trabalho “pé por pé”, numa pessoa que vive um dia de cada vez, sempre numa caminhada, sempre numa evolução, no paciente trabalho de formiguinha construindo lentamente, numa pessoa que já foi avisada: Roma não se fez num só dia! Aqui é a magia de uma Cleópatra, ou de um imperatriz Sissi, inebriando os cavalheiros com seu perfume e seus cabelos adornados com flores reais ou joias imitando flores, fazendo um continnum com a beleza da Natureza, em terras virgens desafiando exploradores, em potências europeias competindo por tais terras, em pomos internacionais de discórdia, como me disse um sábio psiquiatra: “Tens que ter mais agressividade, pois vives num mundo competitivo”. Amém! A moça aqui está equilibrada com pés de bailarina, na magia de uma frágil bailarina que tem um aspecto de pesar o mesmo do que uma pluma, tocando no chão o mínimo possível com os disciplinados pés, como uma bailarina que conheço, uma pessoa que definitivamente sabe que a disciplina é altamente necessária, como numa majestosa Gisele, que sabe que não pode parar de trabalhar, pois, do contrário, virará “peça de museu”, no modo da pessoa ter a força para virar a página e encarar um novo desafio, na metáfora do famoso As Horas, de Michael Cunningham – doce ou amarga , a página terá que ser virada. A moça aqui traz um portal, como numa colorida roseta, numa rainha Elizabeth, uma líder de estado que tanto soube transformar um país pobre eu um país rico e poderoso, em raros talentos de estadista, como num Obama, um lendário líder de carisma que unificou os hoje divididos EUA. Aqui há algo esvoaçante, na letra da famosa canção: “As mulheres se movem como o vento!”. Aqui é uma imagem de princesa, digna de adoração.

 


Acima, Princesa Hyacinthe.  A mulher aqui está empoderada em seu trono, como no trono da Inglaterra, o trono mais poderoso do Mundo. A mulher está cômoda em sua posição privilegiada, numa pessoa que gosta de ser ela mesma, sem querer ser outra pessoa ou estar em outro lugar, no caminho da autoestima: Gosto de mim mesmo. A mulher está adornada com uma coroa de estrelas, num símbolo de poder, no monarca britânico reinando sobre um terço da Humanidade. A mulher segura um cristal como um floco de neve, na beleza da neve, em fino cristal, numa delicadeza que se revela forte, no discernimento taoista: Fraco é forte; forte é fraco. O que é melhor – ser fino ou ser grosso? Não foi grosseira a invasão do Capitólio instigada por Trump, o homem deselegância? É como na confusão reinando, como um supermercado sendo saqueado, numa bagunça na qual Tao está totalmente perdido, pois Tao é a ordem e a harmonia, nas cópias grotescas das ditaduras, as quais impõem a ordem de modo opressor e artificial, assim como uma planta de plástico é uma mera imitação. A rainha aqui está respaldando o próprio queixo, num gesto de pensamento, erudição e intelectualidade, na produção de pensamento, no modo como é desinteressante uma pessoa vazia e obtusa, a qual é um mero pedaço de carne, numa pessoa que acaba se revelando tão ignorável. A mulher aqui observa uma perspectiva, avaliando uma possibilidade. É como numa moça num baile, observando o salão, sabendo que é a mulher mais fina e cobiçada da festa, numa mulher cheia de orgulho e dignidade, sabendo que não pode se vender a “um e noventa e nove”, como no filme Harry e Sally: Há dois tipos de mulher – alto custo e baixo custo. É um homem levando vida dupla, tendo a santinha, que é a esposa oficial, e a putinha, que é a amante, com o perdão do termo chulo, no modo como uma mulher não é nem isso, nem aquilo, mas um ser humano de intelectualidade absolutamente similar à intelectualidade masculina, havendo no Mundo a figura do machão misógino, o qual sempre considera a mulher um cidadão de segunda categoria, havendo em Adão a obraprima de Deus e em Eva um arremedo, com a mera função reprodutiva – é muito machismo, Jesus! As estrelas são a beleza do céu noturno, na beleza que desde sempre desafiou o conhecimento humano, num Ser Humano vendo divindades nas forças naturais, dotando de magia objetos de Arte, como imagens de deuses, santos, arquétipos em geral, no modo como, na Cristianização do Ocidente, as imagens de deusa pagãs foram tranquilamente substituídas por imagens da Virgem Maria, na universalidade atemporal, em eternas questões humanas, no modo como a Filosofia da Humanidade permanece viva, em marcos como Santo Agostinho, dizendo que o Ser Humano é feito de duas coisas: a carne, que é finita, e o espírito, que é infinito. É o discernimento entre sacro e mundano. A moça aqui está decentemente vestida, com pudor, e nem podemos observar seus pés, numa moça a qual, nascida princesa, foi a vida inteira “guardada debaixo de sete chaves”, tendo que ser entregue pura e casta para o marido na Igreja, no modo como o Mundo tanto abençoa as uniões heterossexuais, expondo estas ao máximo, numa noite de cópula socialmente aceita, como num casal de indígenas transando em frente a todos os membros da tribo. Flores rubras enfeitam a cabeça, sendo tal símbolo uterino rubro de intimidade, numa casa limpa, na cor da dor menstrual, no modo como é duro ser mulher e lidar com tais dores por tantas décadas de vida, fazendo das mulheres seres fortes, que toleram a dor. Aqui são cabelos de Gisele, a supermodelo suprema que dita por muitos anos um paradigma capilar capital, que são cabelos ondulados, de aspecto natural, em harmonia com a geometria tortuosa das linhas Art Nouveau, um estilo em contraste com o movimento Art Déco, que traz linhas mais retas e disciplinadas, no modo como os movimentos vão suplantando uns aos outros, marcando épocas, no modo como foi tão peculiar a moda e a estética dos anos 1980, na explosão definitiva do gênero musical Pop, em medalhões como Madonna e Jackson, no modo como a Arte permanece mágica até hoje.

 

Referência bibliográfica:

 

Alfons Maria Mucha. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 12 out. 2022.

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