Falo pela única vez sobre o pintor angloirlandês Francis Bacon (1909 – 1992). Vindo de um contexto pobre – foi faxineiro – e filho de um pai extremamente duro e autoritário, Bacon teve Picasso como um de seus ídolos. Uma obra de Francis pode custar dezenas de milhões de euros. Uau. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Duna de areia. Claro que a flecha é a autoridade do falo, quase amedrontador, impondo respeito, como num agente no raio x de um aeroporto – gentil mas firme; firme mas gentil. É uma pessoa mandona, obcecada em mandar nos outros, no divertido trocadilho para Madonna – mandona. É uma ilusão, pois quanto mais Tao tenho, menos controle viso obter. Aqui é como uma caixa sendo preenchida, no termo “a gota d’água”, no ponto sem retorno em que a situação ficou insuportável, como numa certa drag queen portoalegrense, a qual foi embora de casa aos dezesseis anos de idade porque estava insuportável o convívio com próprio pai, duro e inflexível como o próprio pai de Bacon, num pai que não conseguia ver que o filho tinha uma dádiva, que é sensibilidade. É como no Complexo de Édipo do pai sendo assassinado pelo filho, para este ficar com a mãe, no mito grego que mostra a atemporalidade de tal complexo. Aqui a areia é uma contagem regressiva, como numa ampulheta, registrando a passagem do Tempo, numa espécie de contagem regressiva, pois num aniversário não é um ano a mais, mas um ano a menos, na suprema inevitabilidade do óbito carnal, uma força absolutamente inevitável para fragilidade humana. A flecha é um indicativo, como num professor chamando a atenção de algum aluno indisciplinado, no modo como eu mesmo já causei muita “dor de cabeça” a professores meus, ao contrário de minha irmã, a qual foi sempre muito comportada – algumas coisas não são genéticas, mas do espírito, o qual simplesmente vem assim ao Mundo, no termo psiquiátrico do que é “figura” na pessoa, algo imutável, no modo como a pessoa não pode ter a intenção de mudar um Mundo imutável, pois nem a avassaladora majestade de Jesus foi capaz de ajeitar o Mundo com as guerras intermináveis deste, fazendo de Jesus uma promessa de um lar supremo que nos espera após nosso respectivo enterro, no milagre do Desencarne, este renascimento que nos mostra que a Vida continua em toda sua beleza e sentido, na irresistível hierarquia espiritual, na qual o mais honestas governam os menos, na suprema questão do apuro moral. Aqui é como aqueles tanques de mágicos ilusionistas, aprisionando-se debaixo d’água, atiçando nossa curiosidade: Como ele consegue fazer isto? É como numa esperta Agatha Christie, atiçando o leitor a desvendar o mistério antes do livro acabar, num jogo divertido, numa escritora mulher que tanto superou em vendas os livros de muitos, muitos homens – gênero é uma ilusão, na assexualidade dos anjos, na nobre intenção da urna eleitoral, perante à qual somos todos iguaizinhos, assim como Tao, o enigma da Eternidade, bipartindo-se e gerando masculino e feminino, no modo da pessoa entender a força e o poder do Yang, mas sendo mais pacata, mais Yin dentro de si mesma, num dia a dia pacato, produtivo, no modo como a Vida é um inferno quando não há Paz, esta força que é a Paz, numa dimensão onde tudo é feito com extrema calma, na sobra de tempo que é o Eterno, o atemporal, fazendo da passagem do Tempo uma outra ilusão, na metáfora feita pela tradicional coroação do monarca inglês, num momento social em que a Humanidade tenta compreender atemporalidade da Vida, numa sensação de que o Tempo não passa, mas fica congelado num momento de tal pompa, beleza e nobreza, algo que serve para dar uma amostra aos encarnados da Vida vibrante e bela que nos espera no Plano Superior, a dimensão de uma eterna Festa da Uva, com seus dias agradáveis e suas noites amenas, no paraíso para os que gostam de se manter ocupados de forma nobre e proveitosa. Aqui é a caixa, o receptáculo uterino do Yin, no lar, no conforto do lar, de pés descalços caminhando pelos tapetes e carpetes, num momento de tamanha simplicidade e conforto, como na recepção de um anfitrião tão fino e agradável, numa sala limpa e enfeitada.
Acima, Édipo e a esfinge depois da entrada. As paredes rosas são a feminilidade, nas cores sedutoras de Victoria’s Secret, como nas paredes rosas de um estádio de um certo time de futebol, no vestiário rosa dos times visitantes, querendo, assim, feminilizar patriarcalmente o opositor, num jogo divertido dialético de contradição, com duas leituras, sendo uma oposto da outra: o time visitante pode ser feminino, mas o fato é que as paredes do estádio do time anfitrião, paredes também são feminilizantes, no senso de humor eterno de Tao, com tudo tendo duas leituras: Razão e Loucura, no machismo que tanto menospreza as mulheres, causando a fúrias das feministas, as quais têm a coragem para ir contra tal vento patriarcal, numa ousada Britney Spears, sabendo que o brilho está por trás do que a pessoa tem na cabeça, ao contrário de certas outras cantoras, sem muita atitude libertária feminista. Aqui temos um pé ferido, magoado, num ressentimento, numa mácula no fundo da alma, em feridas que podem ser, posteriormente, curadas, como numa pessoa que teve, em sua própria vida, a passagem de uma pessoa especial, amorosa, carinhosa, compreensiva, no poder terapêutico do Amor, esta força tão subestimada e tão essencial, havendo nos terríveis episódios bélicos a falta de noção de que é irmão matando irmão, no eterno mito de Caim, numa Mary Tudor, a qual, apesar de tão sanguinolenta, recusou-se a executar sua própria irmã Elizabeth I, nas palavras de Faustão: “Só o Amor constrói!”. O pé machucado é tal fragilidade, numa Paz tão frágil perante as guerras vaidosas do Homo Sapiens, numa sanguinolenta Guerra das Malvinas, numa inflexível Thatcher, a qual se recusou a buscar uma saída pacífica e diplomática, perdendo da oportunidade de fazer com que as Ilhas Malvinas se tornassem um símbolo de amizade e compartilhamento entre duas nações, no modo como a Paz é tão subestimada, nas palavras de uma miss, pedindo por Paz Mundial. A esfinge é uma matriarca rígida, liderando a família, exigindo dos próprios filhos, nas palavras de uma mãe no leito de morte, dizendo ao filho: “Dos fracos a história nada conta!”. Vemos no quadro algumas argolas, que são a elegância olímpica, o garbo, a elegância de uma mulher bem vestida, na vitória do belo sobre o crime hediondo; na vitória da Vida sobre o assassinato. É o costume do embalsamamento, buscando preservar o cadáver “vivo”, na intenção humana em entender a sobrevivência da Mente à morte do Corpo, numa Humanidade até hoje deglutindo a mastigando as palavras de Jesus, um homem DEFINITIVAMENTE à frente de seu próprio tempo, nas suas palavras de Amor e união, numa grande família, nos vínculos de primeiríssimo grau que nos unem, fazendo das famílias mundanas uma metáfora; fazendo das belas famílias de realeza uma cópia do metafísico, numa intenção de fazer o Ser Humano entender tal imaculação. A porta aberta é a possibilidade, a saída, a solução para algo, num labirinto sendo desvendado, na resolução de uma equação matemática, numa simplificação, numa limpeza de percepções, no importante modo como a pessoa tem que saber olhar o Mundo da forma mais realista possível, num trabalho de psicoterapeuta, trazendo nossos pés para o chão. A esfinge aqui é exigente, num professor duro e exigente, o qual causa um enorme crescimento ao aluno, em professores excelentes, os quais valem cada centavo da mensalidade, ao contrário de outros professores não tão inesquecíveis – é assim mesmo. O homem aqui é atlético, desenvolvido, disciplinado, e sua dedicação lhe rendeu tal ferimento, como num Guga Kuerten, o qual exigiu o máximo de seus próprios quadris, num caminho de tal dedicação e devoção, numa pessoa que acordou e percebeu que não há vitória sem luta, nas palavras de uma certa médium espírita: “Deus não quer que nos atiremos nas cordas!”, ao contrário de um certo famoso ator americano, o qual está numa fossa depressiva sem fim, improdutivo. O ferimento aqui é um tempo que tem que ser dado, numa pausa, num descanso, na sabedoria popular: “Ninguém é de ferro!”. Aqui voltamos a ver uma seta, apontando para um disforme pedaço de carne, num falo buscando compreender o caos, organizando este.
Acima, parcialidade de Três retratos. Aqui o retrato é um representante, como num empresário representando um artista. É como tem que haver a diferença entre a pessoa e o trabalho da pessoa, como uma Xuxa Meneghel, a qual não pode sair de casa sem seguranças, numa definitiva confusão entre a pessoa e a obra, fazendo da fama tal “prisão”, numa mulher proibida de curtir os simples prazeres do Rio, como passear no calçadão e tomar um suco de acerola – é meio triste. A lâmpada é a ideia, a iluminação, numa concepção de publicitário, encontrando algum conceito para vender um produto ou serviço, pois, para vender, preciso dizer que o produto é bom ou que o produto é ruim? Tenho que dizer que é bom, mas, é claro, o produto tem que ser de fato bom, do contrário é uma mentira, e o consumidor percebe quando está sendo enganado, no caminho da ética e da honestidade, da lisura, do garbo de cavalheiro. O homem aqui espera por algo, como esperar que um rio desça de nível para haver uma travessia, numa pessoa esperando um pouco para agir, como numa cobra armando lentamente o bote, esperando pelo momento certo para abocanhar a presa, como numa paciente aranha, construindo a teia e esperando por uma mosquinha desavisada, como num negócio sendo aberto, numa loja, por exemplo, como na construção do complexo da Disney na cidade americana de Orlando – construa e o público virá. A porta aqui é a travessia, na crença do egípcio antigo em cruzar no submundo pós morte, com uma série de palavras de religião e encantamento, no modo como é antiga a crença de que a Mente sobrevive à morte do Corpo, no modo como o Homo sapiens antigo fazia da Arte tal instrumento de magia, depositando crenças mágicas em esculturas e pinturas, na magia da Arte, magia que persiste firme e forte até hoje, sendo considerados mágicos tais artistas de ampla popularidade, num mago como Michael Jackson, deslumbrando o Mundo ao abrir a mão da vaidade e se tornar um horrível lobisomem, no modo como a Academia de Hollywood adora atores que se desfiguram para um determinado papel, abrindo mão da vaidade, na eterna sabedoria popular: Beleza não põe à mesa. A sombra aqui, bem densa, é a dúvida, na dúvida de um ser humano se debatendo entre Bem e Mal, numa dúvida cinzenta e brumosa, num dia de chuva que nos dá uma pontinha de melancolia, no “abismo” que existe entre estar triste e estar deprimido – triste é leve, suportável, natural; deprimido é gravíssimo. É como em uma letra de Madonna: “Na maior parte do tempo estou tristinha”, numa mulher com olhos um tanto tristes, nessa carência do Ser Humano em relação a afeto, como numa duríssima encarnação de uma criança órfã, de Rua, não sabendo o que é o Amor de um lar, de pais zelosos – é um sofrimento só, num espírito corajoso, optando por tal encarnação dura, duríssima, numa vicissitude que acaba por ocasionar no espírito um crescimento descomunal, dando, assim, sentido a uma vida na Terra, este grande colégio no qual aprendemos com as inevitáveis dores. As mangas arregaçadas aqui são a dedicação ao labor, num atelier de artista, caótico, só compreendido pelo próprio artista, como professores reunidos na sala dos professores durante o intervalo, dizendo na hora em que bate o sinal para voltar à sala de aula: Vamos trabalhar! O retrato aqui na parede é um registro, uma tentativa de compreender, num Ser Humano tentando entender porque o Cosmos é tão, mas tão vasto, e porque a Humanidade é ainda tão jovem, somente conseguindo mandar sondas aos planetas vizinhos. A sombra aqui se espalha, na discrição da cor do luto, como ouvi duas senhoras falando de mim num velório, no qual eu vestia roupas coloridas: “Tudo bem que não precisa vir todo de preto, mas olha só este de azul!”. É como na Índia, sem a tradição de vestir preto num funeral. O retrato é aquilo que é figura, que é imutável na pessoa, em inconfundíveis traços de personalidade, no fato de que a essência das pessoas não muda, no modo como sempre encontraremos grandes amigos, por toda a Eternidade.
Acima, parcialidade de Tríptico. Os fios são a sustentação, a base, o chão. Os fios são essa terrível capacidade sociopática de manipulação, numa pessoa malévola – duvide do caráter, mas não da inteligência de um sociopata. Os fios são um controle, como marionetes controladas por um intérprete, num diretor de Teatro ou Cinema, impondo a hierarquia, pois, num set, tudo está submetido ao veto ou à aprovação do diretor, como certa vez levei um “xixi” no set, com Fábio Barreto me dizendo: “Quando eu disser alguma coisa você tem que obedecer!”, punindo minhas rebeldias de James Dean. No chão uma sombra azul se projeta, na cor clássica de caneta Bic, na reviravolta civilizatória que foi a chegada da Escrita, do registro histórico, num momento em que o tempo cíclico neolítico deu espaço ao registro linear de passagem de tempo, organizando tudo entre passado, presente e futuro, no modo humano de medir distâncias cósmicas com a velocidade da luz, esta velocidade a qual, apesar de aparentemente rapidíssima, é incrivelmente vagarosa em termos cósmicos, levando quatro anos inteiros em tal velocidade para chegarmos à estrela mais próximas de nós na Terra, além, é óbvio, do nosso Sol, o qual está oito minutos luz de distância de nós – quando estou apreciando um por do Sol, na verdade estou vendo o astro como ele era minutos atrás. As linhas aqui são movimentos de articulação comunitária, numa comunidade se organizando para uma nova edição da Festa da Uva, ou como foram gigantescas as articulações em torno do Fábio para uma produção cinematográfica, fazendo dele um grande brasileiro, um grande homem que sabia que o Brasil tem que exportar mais imagem, e não só importar. O homem aqui olha sério para o espectador, na seriedade de um artista que abraça o dia a dia de produção, num trabalho de paciência, como num ator desdobrando o personagem, encontrando o Tao deste, a essência, a inconfundível identidade, até chegar ao ponto de catarse de DiCaprio no set de filmagem, neste dom de vestir um personagem, dedicando-se a este, incorporando, “baixando o santo”, por assim dizer, como já ouvi um ator dizendo: Ao final de um dia de trabalho, o ator tem que se despir do personagem e voltar para casa livre do “hálito” do personagem. O sapato aqui é a proteção e o resguardo, no garbo, na elegância de uma pessoa arrumada e perfumada, distanciando-nos dos macacos, os quais são penteiam a si mesmos. É como nas palavras de Liza Minnelli, em show em Porto Alegre, sendo entrevistada pelo mestre Tatata Pimentel, dizendo a este, sobre os sapatos deste: “Sapatos fabulosos!”. É a universalidade da Moda, do garbo, da elegância, como tribos amazônicas se aprumando para um dia especial de celebração, como cocares coloridos e desenhos pelo corpo, na universalidade da celebração, cujo objetivo é nos dar uma amostra da fabulosa Vida Espiritual que nos aguarda após o sombrio óbito, como tive um sonho com minha avó desencarnada, emoldurada por uma luz – é muito lindo. O homem aqui, em discreto azul marinho, é tal discrição, na cor profunda do Mar, nas bênçãos de Iemanjá enchendo de fartos peixes as redes dos pescadores, no milagre cristão da multiplicação dos peixes, num reino rico e farto, longe de uma miserável África, um continente tão maltratado pela cruel Escravatura, tudo em nome da fome humana por poder, num Anel do Poder capaz de corromper até o homem mais íntegro – é algo sombrio, muito longe dos indefectíveis heróis de Disney, como uma Cinderela perfeita e idealizada, muito longe da enigmática, gélida e intimidadora Galadriel de Tolkein. Aqui temos uma articulação em fase de desdobramento, com cada agente social fazendo sua parte pelo todo, pela Comunidade, como um senhor que conheci, o qual articulou toda uma comunidade em torno de uma celebração qualitativamente equiparável à Festa da Uva de Caxias do Sul, num espírito de iniciativa, sem ambições vaidosas por louros de sucesso e bajulação.
Acima, parcialidade de Tríptico II. O prato é a alimentação – por mais chic, sofisticado e caro que seja um restaurante, ali dentro fazemos algo de mais primitivo em toda a História da Vida, que é a alimentação. É o doloroso fato de que tantos milhões de brasileiros passam fome, nos contrastes dos abismos sociais brasileiros, como me disse uma certa senhora: “A cidade de São Paulo é o primeiro e o quarto mundos juntos”, como no miserável entorno do Mercado Público da desenvolvida e cosmopolita urbe. No prato vemos figuras humanas, no canibalismo de tribos primitivas brasileiras, no brutal e primitivo ato de sacrifício humano, algo ABSOLUTAMENTE aquém do apuro moral, que nos diz que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei. É o impactante filme Silêncio dos Inocentes, num personagem sociopata de moralidade zero e inteligência dez, manipulando pessoas, no conselho dado à agente do FBI que se encontrou com o sociopata preso: “Não dê informações pessoais a ele. Não deixe ele entrar em sua mente”. E há tantas e tantas pessoas que fazem o que não se deve fazer, que é ter um sociopata como comadre/compadre, num diabólico psiquiatra, brincando com a cabeça das pessoas, numa pessoa imoral a qual, definitivamente, temos que excluir de nosso círculo de relacionamentos sociais. O quadro aqui é limpo e minimalista, no modo como se destaca num jornal um anúncio publicitário limpo, clean, minimalista, fazendo contraste com o visual corriqueiramente carregado dos jornais – onde não há texto, há fotos, numa saturação gráfica. Aqui é uma oferenda, na insanidade de rituais de magia negra, os quais mostram como o ser humano pode ser patético e desprovido de razão, formando populações inteiras de pessoas vazias, obtusas e ignorantes, na importância suma da produção de Cultura Erudita para a formação de um país, até chegar ao ponto da qualidade de vida em Portugal, um país no qual podemos sair na rua sem ser assaltados em qualquer hora do dia, da noite e da madrugada. O prato é o receptáculo, como no Santo Graal da Última Ceia, no momento do filme de Indiana Jones: numa infinidade de cálices caros, ricos, glamorosos e dignos de reis, o Graal de verdade é o cálice mais simples e rústico de todos, digno de um filho de carpinteiro, no caminho da simplicidade, que observa que as riquezas mundanas são ilusões e prisões, no modo como pode ser infeliz uma pessoa rica, na sabedoria popular: Vão-se os anéis; ficam os dedos. É como um ator saindo de cena, numa monstruosa Bette Davis, a dama que tanto talento tinha para interpretar o que não era, que eram megeras vagabundas e desprezíveis. Na porção superior do quadro vemos uma lâmpada, frágil, por um fio, numa vida prestes a entrar em crise, em tal miséria existencial, na qual a pessoa simplesmente não sabe que decisão tomar, num rato perdido num labirinto traiçoeiro, no modo como o coração pode ser tão traiçoeiro, na sisudez de termos que escutar a mente, a fria cabeça: Eu não estou dizendo que você não pode ter um namorado bonito; eu só estou dizendo que, além de bonito, certifique-se de que ele seja boa gente. A lâmpada é esta tentativa de esclarecimento, na resolução de uma desavença – se mesmo depois da desvaneça ainda resta um pouco de amargura, nada pode ser feito... Aqui é na crença hedionda de que o Mundo é plano como um prato, colocando fora séculos de conhecimento e esclarecimento, no modo como uma organização pode explorar tanto uma pessoa, arrancando dinheiro desta, como uma moça hoje na Rua, dando-me um panfleto doutrinário, dando-me a vontade de lhe dizer: Por acaso eu tenho cara de ser um desses pobres coitados ignorantes que você vampirizam? Aqui é como algo indo ralo abaixo, numa pessoa que está fazendo uma limpeza em sua lista de amigos no Facebook, nas palavras da comunicadora gaúcha Tânia Carvalho: “Tenho muito cuidado ao selecionar amizades”. O “tapete” azul aqui é a zona de conforto, numa pessoa com receio de ousar um pouco mais, saindo do convencional e do corriqueiro, como uma certa popstar, que ganhou um Grammy por um álbum inovador, na coragem de transgredir.
Acima, Tríptico inspirado pelo poema de T.S Eliot’s - Sweeney Agoniste. No meio, a janela é a perspectiva, a saída para uma situação, num jeito sendo dado para que um espinhoso momento seja superado. A escuridão além da janela é tal infernal Umbral, a dimensão dos que não amam a Vida, como em Neo de Matrix, aprisionado numa estação de trem que vai do nada para lugar nenhum, no espírito de Nosso Lar no Umbral, chegando a um ponto de rendição, não mais aguentando aquilo, pedindo ajuda ao anjo da guarda – cada um de nós, sem exceção, está acompanhado de um anjo da guarda, que é um espírito cheio de amor fraternal, sempre nos guiando pelo bom caminho, na riqueza do amor incondicional, o qual a tudo resiste, no caminho da Eternidade, esta força incrível que faz com que vivamos para todo o sempre, uma imensidão que não cabe na cabeça de um ser humano. As redomas de vidro são tal proteção maternal, nas palavras de uma certa matriarca: “Não sei do que sou capaz para proteger um filho meu!”. É como no vidro blindado protegendo a Monalisa, um quadro que o que tem de famoso tem de pequenino, decepcionando-se quem for ver o quadro, num da Vinci que tão longe foi na percepção das pessoas, em obras de bilhões de dólares ou, no caso da Monalisa, sem preço. Bacon nos traz essas disformidades, confusas, parecendo ser corpos humanos, mas nos dando uma dúvida, como é Tao, a charada eterna: Encare e não verás rosto; vá para o traseiro e não encontrarás cauda. No centro do quadro há uma porta aberta, que é uma perspectiva, no modo como tanto pode nos guiar uma porta fechada, no caráter positivo das crises, as quais assinalam um ponto de renovação na vida da pessoa, na salubridade do desencanto, da frustração, da desilusão, pois o Mundo pertence aos realistas; aos que têm os pés no chão. É a questão de que um sonho precisa de trabalho para ser realizado, numa pessoa que trabalha muito, muito duro para atingir tal realização. Aqui temos uma certa e insinuante simetria, pois os quadros opostos, latentes, são similares; já, o quadro do centro é um tanto diferente, com um carpete azul, na cor dos navegadores aventureiros, sem ter a certeza suma de que encontrariam terras além mar, nessa insana competição entre potências europeias para ver de quem tais devolutas terras seriam, como no jogo de tabuleiro War, na insana guerra de Putin, um rei que, apesar de ocupar o país de maior território do planeta, quer anexar mais e mais territórios, ferindo o mandamento: Não cobiçarás a mulher do próximo. É tal sede napoleônica, terrível, insana, num Ser Humano que nunca está satisfeito, ferindo Tao, o qual diz: Se o que você tem você acha que não é o suficiente, então você nunca terá o suficiente! Essas disformidades de Bacon são corpos dinâmicos, em constante processo de transformação, no modo como as cidades vão se transformando – hoje em dia, mal consigo me encontrar na Porto Alegre que conheci nos anos 1990 e 2000! Aqui é o fato de que os opostos se atraem e assemelham-se, no fato de que não importa se é Fascismo ou Comunismo – é tudo ditadura igual, evocando novamente aqui Putin, um líder que não sabe que não se deve interferir no dia a dia pacato do cidadão, num Putin que vê um cidadão como um mero peão sacrificável, o que é um horror. Num pequeno detalhe na extrema esquerda, um criadomudo, que é o conforto do lar, num momento de retiro e relaxamento, num homem chegando em casa após um dia de labor, com esposa e filhos lhe esperando, num homem tirando os sisudos sapatos e calçando simples chinelos, como na curiosa cidade de Salvador, na qual o cidadão, mesmo nos melhores shoppings da cidade, usa despretensiosos chinelos – o estado da Bahia, já ouvi dizer, é um país à parte. Nos extremos aqui vemos mesas, que são a sustentação de algo, numa teoria sendo defendida, ou num chefe de família sustentando as pessoas dentro de um lar, ou como uma mesa sólida como um lar, numa mesa farta de galeteria, no sonho gastronômico de um imigrante italiano na Serra Gaúcha que levava uma vida duríssima, quase passando fome.
Referências bibliográficas:
Francis Bacon. Disponível em: <www.dasartes.com.br>. Acesso em: 5 out. 2022.
Francis Bacon. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 5 out. 2022.






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