Falo pela última vez sobre o pintor italiano Amedeo Modigliani. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, A bela romana. Aqui é o nu na História da Arte, na inocente beleza do corpo humano, no modo como os gregos antigos lidavam de forma natural com a nudez, ao contrário da culpa erótica do Éden, com folhas cobrindo as genitálias de Adão e Eva, na culpa do gostoso pecadinho da Luxúria, como em sexshops, em artigos que apimentam a vida sexual de um casal, em coisas divertidas como passar talco nas nádegas do cônjuge, nos esforços da Psicologia em lidar de forma natural com a sexualidade do Ser Humano, tirando a negra e pesada culpa católica, nos sombrios confessionários, numa pessoa que acha que tem que se desculpar por ter se masturbado – é um absurdo, uma bobagem, desculpem-me os padres e freiras, inclusive uma amiga freira minha, a qual, ao ver a malícia dos alunos em relação a Sexo, resolveu dar aulas de Educação Sexual, numa freira que acabou se revelando acima da média, buscando fazer com que a criança chegue à maturidade sexual de forma natural, não maliciosa, em coisas belas como o aparelho reprodutivo da mulher, sugerindo o prédio principal do icônico quadro Jardim das Delícias, de Bosch, uma obra tão original e corajosa, em artistas apimentados, provocantes, originais, sem rivais, tal a originalidade. A modelo aqui é pudica, tapando-se um tanto, como na tímida Vênus nua de Botticelli, num astro da Renascença, em pinceladas que nos mostram as coisas da forma mais clara possível, na bênção da luz sobre uma cabeça produtiva, na vitória da simplicidade e da clareza, como meu ídolo Luis Fernando Veríssimo, um escritor que redige com uma clareza enorme, massiva, pertinente, num homem o qual, apesar de famoso e midiaticamente exposto, é um senhor altamente discreto, brincando ao dizer que o tímido, no frigir dos ovos, atrai atenção para si, tornando-se uma “Elke Maravilha”! O mínimo pedaço de roupa branca é um desejo por paz, talvez numa pessoa centrada, que quer viver e produzir com quietude, vivendo seus dias com simplicidade e produtividade, na figura folclórica do Preto Velho, humilde, quietinho no seu canto em sua sabedoria, sabendo que ninguém mudará o Mundo, num senhor observando os egos ascendendo e descendendo, nas fogueiras de vaidades do Mundo dos Famosos, em pessoas que dão a “alma ao Diabo” para aparecer midiaticamente, como nas estrelinhas do Big Brother, nos típicos quinze minutos de fama, na frivolidade das intriguinhas e fofoquinhas, em meio a um Mundo repletos de sérios problemas, como fome, guerra, terrorismo etc., no modo como o Mundo pode ser alienado e fútil. A modelo bela parece se espreguiçar, num quarto na penumbra, no gostoso pecadinho da Preguiça, no modo como não me canso de dizer que foi da Preguiça que nasceram grandes invenções da Humanidade, como a Roda, a Escada, o Elevador, o Telefone etc. O quadro aqui tem movimento e a cabeça parece pender para cá e para lá, como num sino de igreja, avisando a vizinhança de que horas são, no modo como é positivo numa vizinhança ter um templo por perto, como uma igreja anglicana em frente ao prédio no qual moro, dando uma energia boa, com cânticos diários em devoção à Virgem Maria, o mito de virgindade que serve para nos fazer entender que somos todos frutos de tal Imaculada Conceição, na noção de que cada um de nós é único e especial, muito especial, nos eternos esforços dos padres na missa, sempre nos dizendo que somos irmãos, numa luta diária contra a deselegância e a vulgaridade, nos valores espirituais de elevação e virtude, em pais empenhados em incutir valores morais nas cabeças dos respectivos filhos. A modelo é vibrante, e a cor rubi de seus lábios forma um continuum com o fundo do quadro, na parede rubra, na magia de uma mulher de vermelho, como na cor bordô da superfície do planeta não Plutão, nos esforços científicos em explorar o Cosmos com sondas, num Ser Humano ainda tão aquém de compreender os mistérios do Universo, na frase absurda: Há mais estrelas no Universo do que grãos de areia na Terra. As pernas cruzadas são tal charme, na cruzada de pernas de Sharon Stone, na figura da femme fatale, uma figura um tanto misógina, culpando Eva pelos males da Humanidade.
Acima, Autorretrato. Amedeo aqui não está totalmente entregue ao espectador, pois seu corpo está virado para o lado, com a cabeça pendendo para o outro lado, talvez numa reserva, numa pessoa que, apesar de ser vista, é respeitada, como na lendária Jackie O., passeando tranquilamente sozinha por Nova York, ao contrário de pessoas ultramidiáticas como Michael Jackson, o qual foi prisioneiro da própria fama, num homem que, definitivamente, não podia sair na Rua, num preço alto para a fama, no mundinho das celebridades, um mundo desprezado pelo mestre Woody Allen, fazendo tal crítica mordaz no filme Celebridades. O artista aqui segura uma paleta colorida, em pleno momento de labor, de trabalho no atelier, numa pessoa centrada, a qual sabe que não pode faltar trabalho, em pessoas muito bem sucedidas mas realistas, como o astro Leonardo DiCaprio, o qual sabe que não pode faltar trabalho, no sentido da pessoa em mostrar algo de válido para o Mundo, na humildade para se entender tal força de labor, numa canção célebre da Broadway: “Você acha que vai atingir perfeição e, assim, parar? Você tem que se manter tocando a Vida para frente”, no modo como já houve tantas estrelas que apareceram e desapareceram, em pessoas que, ao parar de lutar pela Vida, acabam sumindo, num artista que sabe que, se parar, virará “peça de museu”, um “fóssil” de tempos idos, em bandas de carreira tão longeva com o U2, mantendo-se coesa por décadas de trabalho, numa banda que sabe que tem lançar material novo de tempos em tempos, no final melancólico de bandas boas como A-Ha, em artistas que se tornam vultos de tempos que estão lá atrás, no passado. A paleta de cores é a magia de um prisma colorido, decompondo a luz em magia de cores, como no filme Mudança de Hábito 2, com dois corais de jovens cantando a mesma canção: De um lado, um coral “duro”, rígido, austero, conservador, quiçá um pouco morto, “empoeirado”; de outro lado, num coral jovial, de roupas coloridas, em uma performance vibrante e jovial, na magia de vitrais de igrejas. Aqui é a paixão de Amedeo pela assimetria, com rostos de ângulos, como na inovação da perspectiva renascentista, sepultando os ranços góticos de Arte, na capacidade da Arte em se renovar sempre, gerando a MPB, em ícones tão poderosos como Elis Regina, num bom gosto no momento de selecionar repertório, numa Elis que sabia que, se quisesse entrar nos lares da Inteligência Brasileira, teria que fazer por merecê-lo, como em estrelas de tão bom gosto como Marisa Monte, conquistando o gosto de advogados, juízes, promotores, médicos, professores etc., no modo como cada geração tem seus ídolos, em mortes tão trágicas como a de Cássia Eller, tudo por causa das malditas drogas, esse mal que gera toda uma violência urbana, na figura sociopática do traficante, o qual só quer ganhar dinheiro, mal se importando com as vidas, carreiras e famílias destruídas pela Droga, como uma certa vez uma amiga minha teve seu carro brutalmente roubado, num crime o qual, provavelmente, tinha algo a ver com droga, nos subvalores do Tráfico, no qual a inadimplência tem pena capital, num traficante que ameaça matar você se você não quitar a dívida – é um horror. A cena aqui é invernal, na estação mais elegante do ano, com Amedeo com um cachecol, no charme de cidades como Gramado, encantando o turista que vai à Serra Gaúcha exatamente curtis tais baixas temperaturas, numa cidade que tanto se profissionalizou para receber os turistas, numa lição de empreendedorismo. O modelo aqui tira um breve momento para posar, num merecido intervalo no meio de uma manhã de aula no colégio, na magia do momento do recreio escolar, fazendo metáfora com o Recreio da Juventude, num lugar de descanso dos espíritos que recém desencarnaram, num momento de tal descanso, reencontrando entes queridos, numa dimensão em que a pessoa tem a clara noção de que não pode faltar trabalho, arrumando, assim, um bom emprego metafísico, empregos que exigem da cabeça da pessoa, e não um emprego subserviente, no exemplo de Tao, o qual está sempre criando, deixando-nos perplexos com tal impecabilidade.
Acima, Beatrice Hastings. Aqui temos uma considerável pitada de Cubismo, nos ares de renovação de novos estilos, como na transgressão modernista, “sepultando” a arte tradicional acadêmica, na missão do artista, que é acordar o corpo social para novos ventos, no erro de se crer que um dia a Arte “estacionará”. Os cabelos da modelo estão devidamente aprumados para a pose, numa mulher vaidosa e com autoestima, frequentando salões de beleza, num momento de se gostar, de se preservar, como no ato de se perfumar, saindo de casa cheirando tão bem, agradando as pessoas com tal fascínio de fragrâncias, fazendo com que o perfume faça metáfora com a absoluta limpeza do Plano Metafísico, num lugar onde não existe uma só bactéria, uma só fagulha de pó, no prazer de se entrar numa casa limpa, perfumada, recém limpa, com o olor de óleo de peroba pairando no ar, como uma senhora que conheço, a qual passa diariamente a vassoura na casa, ao contrário de casas de acumuladores compulsivos, residência que há décadas não veem uma simples vassoura, no modo como o Ser Humano pode ficar tão apegado a objetos, mesmo que estes sejam inúteis ou insalubres, ao ponto de uma pessoa não querer se desfazer de uma simples embalagem tetrapack, mesmo esta contendo um produto que está há anos vencido, virando puro veneno, puro tóxico, no fetiche mundano consumista do produto, do tangível, em joias que só servem para nos dar uma vaga ideia do valor sacrossanto metafísico, na noção de que tudo de matéria está fadado à danação, e isto inclui joias, meu irmão, quando que a verdadeira joia é o Amor, no Amor que une os filhos de Tao num só “ninho”, no modo como uma brilhante inteligência tem que estar respaldada por um bom coração, pois, do contrário, resultará em sociopatas malévolos, apesar de inteligentes, como um certo sociopata que conheço, uma pessoa para lá de diabólica – você não em engana! A modelo é jovem, talvez adolescente, nessa idade em que não temos lá muito juízo na cabeça, como vi ontem, na Rua, três meninos de bicicleta, fazendo manobras arriscadas, numa idade em que não entendemos o que é responsabilidade, no modo como não é bom ser jovem demais, como uma certa popstar quarentona disse em entrevista, dizendo-se “burra” quando a mesma era vintona. A roupa aqui é limpa, com um colarinho impecável, numa dedicação de mãe, esposa e dona de casa, num lamentável caso que conheço, numa mulher que abandonou tudo para ser do lar, parando de lecionar em universidades e de ser bancária num conhecido banco, na dor de que ser apenas do lar não vai lhe dizer quem você é, no modo como já ouvi numa palestra espírita: Deus não quer que nos ausentemos da luta. A moça está quase de perfil, quase como no tradicional perfil egípcio, numa arte tão conservadora, levada por milênios da História do Egito, em raro momento de transgressão herege de Aquenáton, o faraó “louco” que trouxe o naturalismo para suplantar a arte tradicional de tal civilização, num período tão peculiar na História da Grande Nação Egípcia. A moça aqui é uma beldade, e sua orelha é pequenina e garbosa, digna de boneca, nos padrões de beleza de Barbie, atacando a autoestima da menina que está acima do peso, em padrões de beleza tiranos como na ditadura do espartilho, sufocando misoginamente a Mulher, no modo como, sinto em dizer, a própria Mulher é machista. Aqui são esses pescoços delgados de Amedeo, fortes como pilares de granito ou mármore, numa pessoa que vai ficando forte no decorrer da Vida, aprendendo a lidar com as vicissitudes, não deixando que o fracasso lhe suba à cabeça, como num Robert Downey Jr., um homem que beijou o fundo de poço na Vida e, hoje, é respeitado e multipremiado, dando a volta por cima, numa lição de superação e vitória sobre os males da ruína existencial, num senhor o qual respeito, na vitória do talento e da competência. A face da moça aqui tem um tanto de tédio, no modo como o adolescente acha tão tedioso o mundo dos adultos, assim como acha tedioso o mundo das crianças, formando uma espécie de “galeto” – nem pinto, nem frango.
Acima, Dedie Hayden. O preto é a cor do luto e da discrição, como num funeral ao qual fui certa vez, com senhoras me dizendo que minhas roupas eram coloridas demais! Os dedos estão entrelaçados, unidos, engajados, talvez numa articulação de pessoas e setores de indústria, como no setor vinícola brasileiro, o qual tenta, há tempos, convencer o Governo Federal a enquadrar Vinho como alimento, o que baratearia consideravelmente o preço de um garrafa de vinho brasileiro, democratizando a bebida, visto que tal setor paga pornográficos impostos, aumentando o preço do produto final. O pescoço aqui não é rígido, mas curvilíneo, flexível, numa pessoa flexível, negociadora, em esforços diplomáticos em nome da Paz, na metáfora taoista: Um cadáver é rijo; já, um corpo vivo é flexível, ou seja, seja assim, vivo, aquoso, flexível, pois uma pessoa rígida demais está “morta” de certo modo, nos versos de uma certa canção pop: “Você está congelado quando seu coração não está aberto!”. O quadro aqui é denso, escuro, numa luz suave, como na pálida luz londrina, gerando cidadãos pálidos, num lugar onde dias de Céu de Brigadeiro são raros, na canção Califórnia Dreaming, sonhando com um dia ensolarado em meio a uma época de Inverno rigoroso, com céu cinzento e folhas marrons, no modo como em locais muito frios os níveis de depressão na população são muito altos, nos versos de outra canção pop: “Dias chuvosos e segundas feiras sempre me colocam para baixo”. Aqui é uma senhora respeitável, talvez num funeral, talvez uma viúva, no golpe duro que é perder um cônjuge com o qual estávamos acostumados, num choque e numa ruptura, como um senhor que vi certa vez num centro espírita, um senhor para o qual estava sendo muito dura a vida de viúvo, como no longo luto da Rainha Victoria, num processo demorado até que a pessoa se recupere da perda, no modo como certas religiões veem a Morte de uma forma tão horrível e escura, quando a Morte é uma passagem para um mundo maravilhoso, no qual não mais temos os problemas relacionados aos nossos corpos físicos, como sentir frio ou calor, na glória dos desencarnados, na boa notícia: Ninguém está encarnado para sempre, num dia de soltura que com certeza chegará, na importância de fazermos algo de positivo e produtivo de nossos dias na Terra, como uma pessoa a qual, ao se aposentar, arranja algo de novo para fazer, como minha querida avó paterna Nelly Mascia, a qual, ao se aposentar como professora de Língua Portuguesa, começou a escrever poesia, dizendo em um de seus textos: “Sem a poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”, em menção às fortes serrações da Serra Gaúcha, esta terra tão amada por nativos e visitantes, nas palavras de uma turista em Gramado: “Aqui, nós viramos crianças novamente!”, como nos parques da Disney em Orlando, uma experiência emocionante e inesquecível, numa viagem que recomendo para todas as idades. O semblante da moça aqui é triste, carente, em dores como ser demitido do trabalho ou receber um fora do namorado, na linha divisória clara entre tristeza e depressão, sendo esta MUITO mais grave, no feliz modo como, nos dias de hoje, no Século XXI, existem medicações psiquiátricas, pois, antigamente, Depressão era vista como um traço de personalidade: “O Fulano é assim mesmo, melancólico”. O vestido aqui é decente, pudico, digno de uma mulher fina, de família, numa mulher para se casar, fazer amor e constituir família, como na personagem coxinha de Wynona Ryder em A Época da Inocência, uma mulher centrada e objetivada, com a meta de constituir um lar, ao contrário de sua prima Ellen, perdida, incerta, amando um homem comprometido com outra, no processo complicado que é a pessoa se encontrar existencialmente, encontrando sentido em meio à dureza natural da Vida. A moça aqui respeita as “leis” de aprumação, sabendo que não pode sair na Rua com o cabelo de qualquer jeito, remetendo a uma professora que tive no Ensino Médio: Naquela época, ela tinha autoestima e se arrumava propriamente; já, hoje em dia, perdeu tal amor próprio, parando de se arrumar – é meio triste.
Acima, Gitana com bebê. Aqui é o poderoso binômio mãe/filho, na imagem tradicional da Madona com o Menino Jesus, nas divertidas palavras de uma certa intelectual que conheci, dizendo que Maria era puta porque teve filho com quem não era marido dela, sem aqui eu querer agredir os católicos, por favor. Aqui é o peso da responsabilidade, do cuidado, da menina que virou mulher, no modo como a mulher, desde pequeninha, é soterrada pelos preconceitos misóginos do Mundo, ganhando de Natal um bebezinho boneco, nas palavras do divertido e complicado Sheldon do seriadão The Big Bang Theory, dizendo a mulher cientista que esta deveria largar a Ciência para lavar roupa e cuidar de filhos, como uma certa senhora, a qual abandonou a carreira para ser do lar, no preconceito que Margareth Thatcher enfrentou no início da carreira política, sendo indagada sobre quem cuidaria de seus filhos e da casa de um modo geral. Aqui é o peso de se criar uma criança, em madrugadas em que casais passam em claro por causa de choros ininterruptos do bebê, chegando a um ponto do pai ou da mãe em tirar “férias” do filho, tal o peso de aturar uma criança chorando, ligando de madrugada para o pediatra, num divertido quadro do grande televisivo de comédia TV Pirata, da Globo, nos anos 1980, num pediatra sendo perturbado a noite inteira por mães alvoroçadas, com uma perguntando: “Doutor, meu filho está respirando. É normal?”, na magia de bons comediantes, no poder do riso, o qual diz o ditado: Rir é o melhor remédio! A mulher aqui está ruborizada, talvez tímida perante o artista, no poder nutritivo do leite materno, na delícia que é mamar numa caixinha de leite condensado, remetendo a um sítio de amigos meus, no qual tomávamos o leite quentinho, recém saído da teta da vaca, fazendo da amamentação tal símbolo de zelo materno, com a comidinha feita pela mãe, remetendo à minha querida avó materna Carmen, a qual, ao cozinhar, era uma deusa, numa comida tão saborosa, na primeira vez em minha vida em que comi bife de peito de frango à milanesa, chamando eu este de “bife da vó”. A mulher aqui é jovem, como uma colega que tive no Ensino Médio, uma menina que se tornou mãe adolescente, aprendendo “na marra” a ter responsabilidade, numa idade em que em geral não temos muito juízo, na idade dos porres e das festas adolescentes, numa idade em que somos escravos de nossos próprios hormônios, nas imponentes palavras de Marta Suplicy a uma plateia de adolescentes: “A adolescência é uma época em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal!”. O bebê aqui está protegidíssimo, escondido sob “sete chaves”, nos pensamentos de um pai ao ver uma filha nascer: “Esta vou guardar debaixo de sete chaves e entregar pura e casta ao marido na Igreja”, no modo como o indivíduo mal veio ao Mundo e já está sendo soterrado de preconceitos. Aqui é como nos ótimos programas de Culinária de Carol Fiorentino, a qual, no intervalo das gravações, dava de mamar à filhinha, no costume do Brasil Colonial e Brasil Império das amas de leite, escravas negras que amamentavam os bebês da aristocracia branca rica, no sinal de status social que é ter empregados, ao contrário de mim, que limpo pessoalmente o apartamento onde vivo – a Vida é boa quando é simples. Aqui temos um quadro de placidez, quietude e silêncio, e o bebê está dormindo profundamente, neste sono profundo de criança, dando a impressão de que é fácil criar uma criança, em duas frases emblemáticas: 1) Ser mãe é padecer no paraíso; 2) Ser pai é sentir na carteira as dores do parto. É como nas sábias palavras de uma pessoa para mim: Se queres continuar com tua vida do jeito que esta está, não tenha filhos! Oculta, a criança é como nas regras de programas de telejornalismo, nos quais faces de crianças não podem ser mostradas, num ato de preservação, no instinto de uma mãe, que é proteger o filho, nas palavras de uma certa matriarca: “Não sei do que sou capaz para proteger um filho meu!”. Aqui é como existe a depressão pós parto, no qual a mulher vê que a gravidez e o parto são piadas de Deus para a mulher, nas palavras de uma mãe famosa.
Acima, Jacques e Berthe Lipchitz. O homem aqui é garboso e elegante, como no personagem vibrante de Al Pacino em O Advogado do Diabo, um personagem que queria ensinar ao filho uma lição de discrição: Quando as pessoas veem você vindo e podem observar suas pretensões, é porque você não está indo muito bem – se sou subestimado, posso agir e surpreender, como no mestre comediante Jô Soares, o qual surpreendeu a todos ao se tornar o monstro entrevistador que se tornou, como Susan Boyle em um televisivo de cantores calouros, uma mulher não bela que acabou revelando sua beleza interior, mostrando poder cantar maravilhosamente bem, na metáfora da pedra de ametista: Feia e desinteressante por fora; majestosa por dentro. A gola rolê aqui é uma sofisticação parisiense, num Amedeo que foi parisiense “por adoção”, no mesmo modo como eu, tendo morado por anos em Porto Alegre, tenho esta como “filha adotiva”, uma cidade na qual onde fiz grandes amigos, como disse eu a um amigo meu de lá: Os amigos são ouro da Vida, como no Desencarne, quando voltamos a um lugar onde estamos cercados somente de amigos, no poder do Amor, unindo o Universo, numa espécie de Internet cósmica, no bem estar de uma banheira bem quentinha, deliciosa, silenciosa, sexy, eterna, inabalável. A menina aqui está discreta e coadjuvante, como num ator coadjuvante num filme, discreto em seu papel, fazendo sobressair os protagonistas, no velho e bom discernimento taoista: Quando digo que algo é grande, é porque comparo com algo menor, como no nosso Sol, o qual é ínfimo se comparado com estrelas maiores, na vastidão do Universo que nos deixa perplexos, na máxima islâmica de que Alá é grande, num Universo que é uma infindável sopa de galáxias, sendo nossa galáxia uma anônima e comum galáxia em meio a tantas outras. Aqui é esta paixão de Amedeo por rostos assimétricos, na beleza da imperfeição, num processo intermitente de aprendizado, no modo como uma encarnação é tal chance de aprimoramento, no desperdício que é um suicídio, que significa jogar fora este presente de Deus, que é a Vida, como pessoas que conheço as quais se suicidaram, num ato de desespero, numa pessoa que não teve estrutura psíquica para suportar o peso da Vida, num ato de desespero de um Getúlio Vargas, um homem poderosíssimo que levava vida de rei e, mesmo assim, chegou à conclusão de que não tinha escolha, e que teria que se matar com um tiro no coração, indo, assim, para o Umbral, a dimensão dos que não respeitam a Vida, nem a própria Vida – é bem escuro e patético. O pai aqui tem a incumbência de cuidar da filha, a qual é apenas uma criança brincando com bonecas, no fascínio de um quarto de menina, com suas bonecas e objetos de brincadeira feminina, como unicórnios e bichos de pelúcia, numa época tão bonita da Vida, ao contrário da mulher adulta, a qual sabe que não existem príncipes encantados, sabendo dos defeitos dos homens, na tendência masculina de só observar dois tipos de mulher – a santinha e a putinha, com o perdão do termo chulo, como um homem que leva vida dupla, estando em cima de um muro triste de indefinição: nem 100% aqui, nem 100% ali, quando a Vida exige que sejamos unos, com uma só casa, uma só família, um só cônjuge e uma só prole, na questão da dignidade, pois só os dignos são respeitados. Os olhos de ambos aqui são negros e imprevisíveis, como no universo de Arquivo X, com uma forma de vida alienígena que invadia os organismos de seres humanos, escurecendo os olhos destes, na dupla Mulder & Scully, no modo como tudo traz em sua própria contradição, no casamento entre Razão e Loucura, na frieza científica em querer provar que há Vida fora da Terra, com tão pouco que se sabe sobre o nosso próprio humilde sistema solar. O homem aqui tem o papel de protetor, de zelador, no instinto de uma mãe quero-quero em preservar a prole no ninho. Os modelos aqui são elegantes, num charme de uma Buenos Aires, com seus cafés, numa cidade que se propõe a ser uma Europa Latinoamericana.
Referências bibliográficas:
Amedeo Modigliani Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 28 fev. 2024.






Um comentário:
Eu li e achei genial. Quanto tempo! Abraço. Ponzi.
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