quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Ânimo de Annibale (Parte 2 de 4)

 

 

Falo pela segunda vez sobre o pintor italiano Annibale Carracci. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, O Bacante, Vênus, Sátira e dois cupidos. Aqui são as idas eras em que a mulher gordinha era considerada sexy, ao contrário de hoje em dia, quando só é considerada sexy uma mulher que esteja na antessala da Anorexia, num padrão cruel que detona a autoestima da menina e da mulher, remetendo a um recente comercial de sabonete, quando se banhava uma mulher acima do peso, dizendo ter uma beleza que não se encaixa em padrões, nos benefícios de psicoterapias, as quais servem para nos dar autoestima, quando um depressivo, num fundo de poço depressivo, está com sua autoestima completamente dilacerada, sentindo-se um lixo, mais ou menos quando uma pessoa leva do(a) namorado(a) um pé na bunda, com o perdão do termo chulo. Vênus aqui está alheia, numa timidez sexy, querendo se preservar e resguardar-se, numa pessoa que não gosta de holofotes midiáticos, no preço que uma celebridade paga por sê-lo, mal podendo caminhar em paz na Rua, como vi certa vez num shopping o assédio a este senhor o qual admiro e respeito profundamente, que é Luis Fernando Verissimo, com pessoas querendo tirar selfies com ele, uma situação que Verissimo, no fundo, achava um saco de batatas a ser carregado sem alças, na contramão de outras pessoas aspirantes a celebridades, na gíria “Robert”, que designa os que querem, acima de tudo, midiatização, na noção taoista de que ninguém no fundo respeita tal exibidinho, no valor da discrição, como numa discreta Meryl Streep, vivendo em paz sua vidinha, trabalhando, conquistando o respeito do Mundo, no caminho da humildade, como uma Gisele, dizendo a fãs num set de filmagem de um comercial de TV: “Tenho que trabalhar!”. O Bacante está embriagado, é claro, na magia do vinho, esta bebida tão milenar, conquistando paladares no Globo todo, na universalidade da bebida alcoólica, na injeção de Álcool no sangue, causando tal relaxamento, como no glorioso momento do happy hour, quando a sisudez é deixada de lado por um momento, e trabalhadores afrouxam suas gravatas para tomar um pileque bem merecido, no modo como a Vida não é só trabalho, havendo a infeliz figura do workaholic, o qual só trabalha e não vive, no modo como eu próprio já tive uma fase de obsessão por trabalho, o suficiente para aprender que não vale a pena, pois o Mundo não se importa se sou workaholic, no caminho da pessoa em respeitar a si mesma, permitindo-se descansar e pausar – tudo se resume a Amor próprio. Os cupidinhos são a inocência, atirando suas flechas de afeto, numa canção pop: “Pois a noite pertence aos amantes; pois a noite pertence ao Amor!”, numa pessoa se permitir a viver uma história verdadeira, que fica no fundo da alma como uma tatuagem, em experiências que nenhum tempo apaga, nas amizades eternas, mesmo não mais namorando de fato, pois os amigos são o ouro da Vida. O Bacante faz uma oferta de uvas, símbolos da vinificação, na sensualidade veranil das vindimas, como na amada Festa da Uva de Caxias do Sul, num momento em que a comunidade se une em torno da Vida, celebrando o fruto dourado do trabalho, sabendo que não há vitória sem luta, herdando do imigrante italiano tal dedicação ao labor, num colono que não trabalhava no Domingo só porque a religião e o padre não permitiam, restando ao colono, em tal dia, visitar os colonos do lotes vizinhos, levando a este coisas do próprio pomar. A Vênus aqui é aristocrática, arrumada, como numa Evita e uma Elizabeth I, as quais levavam extremamente a sério o se arrumar na hora de vir a público, conquistando, assim, os corações do povo, como um certo babaca, cujo nome não mencionarei, o qual conquistou o povo por ter uma aparência acima de qualquer suspeita, no modo como os sociopatas, apesar de minoria, estão entre nós. O cabelo da deusa é arrumadíssimo, com horas de dedicação numa cadeira de cabeleireiro, no caminho da autoestima, numa pessoa que gosta de si mesma, arrumando-se, no código de conduta da atividade de Psicologia, com terapeutas com autoestima, que se cuidam e arrumam-se, no ato de se perfumar, gostando de si mesmos. O pingente é singelo e elegante, chic, valioso, elegante, numa pessoa que aprendeu a lição da sutileza, entendendo que grosso é fraco e que fino é forte.

 


Acima, O batismo de Cristo. A água é símbolo máximo de purificação, como na água benta na entrada de templos, nas bênçãos do padre com água benta, como no costume espírita de se fluidificar água em sessões de passe, tudo dependendo da fé da pessoa – se você não tiver fé, nunca entre num centro espírita, pois a fé é diferente da garantia racional, no costume científico de não conseguir ver além da morte do corpo físico, pois a Eternidade sobre a qual podemos falar não é a verdadeira Eternidade, havendo Deus no infinito, pois o infinito é a explicação lógica para tudo, pois nada teria sentido sem o infinito; nada seria válido se tudo acabasse com a morte do corpo físico. João Batista carrega o cajado fálico patriarcal, na imagem dos patriarcas bíblicos, deixando a mulher de lado, dando a esta o papel passivo de Maria, a mulher sem história, na pressão de padrões de beleza que não permitem que a mulher envelheça, na figura da boneca Barbie, a mulher que nunca envelhece, havendo na boneca a metáfora da plenitude metafísica, no plano em que não há passagem de tempo, com todos jovens, belos e atuantes sempre, no poder do trabalho, no modo como o Céu é assim, o plano em que nos deparamos com a necessidade de nos mantermos ativos e operantes, na pergunta inevitável que fazemos a um ente querido lá em cima: “Onde estás trabalhando?”, pois até Deus trabalha e é atuante, não havendo sentido numa vida ociosa, desinteressante, como uma infeliz senhora que conheço, uma dondoca rica ociosa de uma miséria tal ao ponto de só lhe restar fazer fofocas da vida de outrem, numa pessoa tão rica e tão miserável, a qual, ao desencarnar, dar-se-á conta de tal vazio, querendo reencarnar e partir em busca do tempo perdido. Aqui os anjos estão em júbilo, como numa pomposa coroação de monarca britânico, no momento em que todos os britânicos de unem em respeito à tradição, ao contrário do ponto de ruptura da Revolução Francesa, com a realeza guilhotinada e o conceito democrático nascendo, resultando no poderoso paradigma democrático atual, como no sistema das monarquias parlamentares, na ironia de que o rei ou a rainha da Inglaterra são impedidos de votar em eleições, na máxima: “Reina, mas não governa”. No topo, no ponto supremo, temos é claro, Deus, nesta imagem de sumo patriarca, como nos patriarcas islâmicos, na figura do cacique indígena, num mundo de homens, no qual a mulher é um cidadão de segunda categoria, na misoginia do mito de Eva, a mulher que corrompeu o perfeito Adão e trouxe todo o Mal à Terra. Temos aqui a imagem esperançosa do Espírito Santo, na promessa de que chegará o glorioso momento de Desencarne, como uma cobra trocando de pele, deixando para trás tal roupa esfarrapada e vestindo uma roupa nova e eterna, no modo como o desencarnado tem a aparência que quiser ter lá em cima, como num sonho que tive com uma amiga minha, a qual, na Terra, não é bela, mas, lá em cima, no mundo real, é uma mulher linda, cheia de autoestima, como no bestseller Violetas na Janela, quando a moça desencarnada, ao se deparar com um espelho, ficou com o cabelo exatamente como queria, no glorioso momento de retorno ao lar, com nossos entes queridos, todos belos, jovens e atuantes, produtivos, havendo na ociosidade um veneno para a mente, como dois casais que conheço: Um casal está atuante, ocupado com atividades virtuosas e importantes, enchendo seus dias com valor e significado; já, o outro casal está ocioso, inoperante, levando uma vida desinteressante de ociosidade. Anjinhos na cena tocam instrumentos musicais, na universalidade da Música, da Arte, algo que nos faz humanos – os macacos não encenam peças teatrais. Batista aqui tem seu papel importante de batizar o Santo Homem, num poder que ecoa até os dias de hoje, numa passagem que tanto se propagou, no Homem mais célebre da História, ao ponto de custar mais de um bilhão de dólares – sim, com b de bola – um quadro de da Vinci de Jesus. Pessoas no quadro apontam para Jesus, elegendo este como Mensageiro divino, no modo como ninguém pode, de fato, resolver os problemas do Mundo.

 


Acima, O martírio de São Sebastião. Aqui é como uma pessoa criticada, alvejada, submetendo-se a tais flechadas, como uma pessoa ousada pode sofrer tantas críticas, como uma certa popstar, totalmente alvejada e crucificada, pagando o preço pela ousadia, dando a volta por cima e superando tais flechas, uma mulher que entrará para a História como um dos maiores artistas de todos os tempos, naqueles artistas que só são devidamente reconhecidos postumamente, como Van Gogh, em pessoas cujas mortes “viram o Mundo de cabeça para baixo”, como Diana em seu esmagador e superatômico carisma, numa devoção que beirava o religioso, como disse um certo jornalista num show do cantor Leonardo: “Dá para respirar aqui uma devoção!”, em artistas respeitados que entram em nossos lares, como se estivéssemos os recebendo em nossas casas e lhes servindo um café comum, do povo, na simplicidade do rei de verdade, o qual ama a simplicidade do povo, num líder que sabe que não pode se afastar do povo, como numa cena à mesa no clássico Titanic, quando um homem de verdade traz simplicidade de não esnobar Jack só porque este era pobre, dormindo este no setor mais humilde do famoso navio – cada um precisa aprender por si a simplicidade, num caminho autodidata, pois não há livro ou faculdade que nos ensine a brilhar, num Jesus intuitivo, cheio de instintos, conversando com senhores intelectuais, um homem que, apesar de nunca ter tido educação formal, tornou-se a maior cabeça da História, na garantia divina do Reino dos Céus, o lar primordial ao qual todos pertencemos, na Grande Família Estelar, a qual paira acima de algo inferior, que são as realezas mundanas, as quais são meras cópias do Metafísico atemporal. O santo joga suas mãos para o Céu pedindo alento, nas palavras de Jesus na Cruz: “Senhor, por que me abandonaste?”. É num momento de dor, numa pessoa se perguntando o porquê de tanta dor, como tive certa vez severas dores abdominais, num momento de desalento, em que a pessoa se sente abandonada, como na mulher ao final de O Iluminado, tendo só a si mesma para se defender de um marido em pleno surto psicótico, fora de si, no terror psicológico do gênio King, o rei do Terror, adaptado ao Cinema por outro rei, que é Kubrick, como na junção do monstro Jobim com o monstro Elis – não tem como dar errado. Ao fundo vemos um castelo indiferente, frio, como uma pessoa egoísta, que só pensa em si mesma, como no playboy fútil Oscar Schindler, compadecendo-se com os sofrimentos do Mundo, em personagens que crescem, num caminho de esclarecimento, em limpar uma janela para ver o Mundo da forma mais nítida e realista possível, como num trabalho de Psicoterapia, na função do terapeuta em nos mostrar as coisas da forma mais fria possível, precisando haver uma lacuna emocional entre paciente e terapeuta, ao ponto de existir terapeutas que não se socializam com o próprio paciente, querendo, assim, manter a frieza científica. Ao fundo vemos cavalos impetuosos, num artista ousado, com suas ambições, querendo ganhar o Mundo, na construção de grandes carismas arrebatadores, no problema que é ganhar um Oscar – o vencedor tem que saber virar a página e, com humildade, encarar um momento pós consagração, na noção taoista de que o sucesso é um problema, com artistas com dificuldade em superar tais cobiçados troféus mundanos. A nudez aqui é humilhante, numa grande condenação, numa pessoa que se torna o epicentro de um furacão, em comoções catárticas, como um ator tendo uma catarse no set, no momento mágico em que ator desaparece e personagem aparece, como nos grandes atores, que somem perante o personagem, em interpretações assombrosas, nas quais o ator simplesmente some, mostrando somente o personagem, num dom e num talento, numa pessoa que nasceu com tal instinto, tal dádiva. O céu é escuro aqui, agourento, num momento ruim, de tempo feio, como no final do blockbuster Caçafantasmas, num céu negro de fantasmas dantescos, malévolos.

 


Acima, O sono de Vênus. Os anjinhos são a inocência, numa época em que a Vida é mais simples, no modo da criança em se contentar com pouco, ao contrário do adulto, que é cheio de critérios e exigências. Vênus está totalmente relaxada, dormindo, num doce sonho de bebê, plácido, sem qualquer pesadelo, numa noite bem dormida. A deusa tem o corpo todo branco, remetendo a um controverso anúncio de fragrância, a Opium, ou seja, Ópio, na modelo totalmente nua, pálida, contorcendo-se em euforia na droga, como na Cocaína, na sedução das drogas, este problema social tão grande, não só nas vítimas da substância, mas na violência decorrente do Narcotráfico, remetendo ao filmão O Gângster, nesse desespero para traficar droga, num traficante exímio que acabou preso, sendo solto sem lenço e sem documento, jogado à dureza do Mundo, no modo como cidades etéreas como Nova York podem ser tão duras e cruéis. Claro que a deusa é a estrela do quadro, mas ao mesmo tempo ela não está exatamente no centro, retirada, num merecido momento de descanso, remetendo a um senhor workaholic que conheci, uma pessoa que trabalhava demais, chegando ao ponto de ficar 48 horas ininterruptas trabalhando, sequer se permitindo descansar – é muito degradante. Apesar da deusa aqui estar em sono tão profundo, temos uma festinha, como os anjinhos tocando instrumentos, como numa inocente festinha de crianças, no anfitrião recebendo os amiguinhos, no momento mágico de cantar parabéns frente às velas do bolo, no modo como a criança, no dia de seu aniversário, sente-se a pessoa mais importante do Mundo, remetendo à senhora minha mãe, arrumando zelosamente uma mesa de festa, com muitos docinhos para agradar os convidados, remetendo à melhor crônica de toda a carreira de Luis Fernando Verissimo, narrando uma festinha infantil, num escritor que pode ser tão divertido e sagaz, um homem que, ao escrever, fica nítido frente ao Mundo, no sentido da pessoa encontrar seu “fio terra” para se colocar ao Mundo, remetendo a uma pessoa que conheço, a qual está, há vários anos, num fundo de poço sem tamanho, e todos os amigos ao redor, inclusive eu, não sabem mais o que lhe dizer, no modo como se sente um lixo o homem que não obtém sucesso, no machismo social, pois da mulher não são cobrados o êxito e o sucesso, nos preconceitos das linhas divisórias entre homem e mulher, havendo nos gêneros uma ilusão, pois Tao não tem sexo, na questão da androginia dos anjos, como num Michael Jackson ao palco, sem sexo, um anjo. Aqui temos toda uma corte de querubins ao redor da deusa, num numeroso séquito, como num séquito de uma rainha ou princesa, numa pessoa que vive cercada de pessoas, numa total falta de privacidade, no modo como, ao menos na era do Renascimento, era considerado chic ter, em seu séquito de aias, uma aia anã, no modo como vi certa vez um filme pornô de um anão transando com uma mulher – tem gosto para tudo. A nudez é a simplicidade, na falta de malícia de uma praia de nudismo, num momento de contato com a Natureza, na delícia de se nadar nu no Mar, na delícia do invólucro uterino, uma bolsa quente e agradável, como no feto ao final de 2001, no eterno retorno ao Lar Primordial, na glória do Desencarne, como num presidiário no dia de soltura, no modo como nossos corpos carnais são tais prisões, no fato de que ninguém está no Mundo para sempre, nessa grande faculdade que nos faz crescer como espíritos, pois a depuração e o aperfeiçoamento são o sentido da Vida, como um sociopata que conheço, o qual passará por várias encarnações, depurar-se-á e tornar-se-á um grande espírito de luz, no modo como ninguém está no Inferno para sempre, havendo no crescimento o caminho natural da Vida, num Pai de eterna paciência, sempre nos dando uma nova chance. Aqui é um quadro de fertilidade, como numa fértil serpente escorrendo sensualmente, num útero numeroso, fértil, em anjinhos em torno de Nossa Senhora, nessa numerosa família estelar à qual todos pertencemos, no sangue divino que corre em nossas veias, na imagem da Virgem Santa da qual nada escapa, pois o homem de Tao não desconsidera pessoa alguma.

 


Acima, Pietà com Santa Maria Madalena e São Francisco. A Pietà é uma das imagens mais poderosas do Catolicismo, num quadro de tristeza e desolação, no termo “Ser mãe é padecer no Paraíso!”, na figura da mãe zelosa do sabão em pó Omo, que quer dizer “Old mother owl”, ou seja, “Velha mãe coruja”, em figuras como Dona Florinda, defendendo o filho sempre, remetendo a uma senhora que conheço, uma mãe superprotetora que massageava o ego do filho mimado, dizendo aos professores: “Meu filho não merece nota 10; meu filho merece nota 11!”, num filho que, antigamente, parecia que ia se tornar um postar, mas num filho que acabou não chegando tão longe, no modo como a Vida nos ensina duras lições de humildade, como no deus solar Odin punindo o filho deus Thor, na máxima de que quem é humilde não quebra a cara. O quadro aqui é escuro, um pouco no estilo barroco entre claro e escuro, nas vogues, nas ondas de moda que varrem épocas, como um senhor que conheço, o qual é totalmente apaixonado pelo estilo Art Nouveau, talvez num espírito que tenha vivido em tal época, em outra encarnação, no modo como as reencarnações não deixam de ser engraçadas, fazendo de Tao tal piadista, fazendo do senso de humor algo tão humano, em grandes palhaços como Jim Carey e Rowan Atkinson, na magia circense, como no momento de ruptura na vida de Dercy Gonçalves, a qual fugiu de casa, jovem, para se juntar à trupe circense que passava por sua cidade, em espetáculos tão arrebatadores como o Cirque du Soleil, na técnica impecável dos artistas, num palhaço visivelmente influenciado por Mr. Bean, este personagem tão adorado no Mundo todo, no senso de humor de tudo dar errado, na capacidade da pessoa em rir de seus próprios erros, de rir de si mesma, na máxima popular de que rir é o melhor remédio. As imagens de Jesus nu são assim, num atleta no ápice de sua forma física, num atleta de condicionamento impecável, como nas responsabilidades de um juiz de Futebol, tendo que se manter em forma para exercer seu cargo e correr por dois tempos inteiros num campo, como no condicionamento halterofilístico de Anderson Daronco, o juiz duro, impondo sua autoridade com seriedade e energia, numa figura que exige respeito, na figura de Thatcher, a dama de ferro, entrando em guerra contra a Argentina, no talento humano para o ódio e a discórdia, na figura de Caim matando o sangue de seu sangue, como dois senhores irmãos que conheço, os quais estão brigados, remoendo ressentimentos de décadas atrás, parando de se relacionar, não ligando um para o outro, nem nos dias dos aniversários, num caminho amargo de mágoa, nos nossos entes queridos lá em cima, não gostando das desavenças aqui embaixo, no caminho como as pazes e a reconciliação são o caminho natural da Eternidade – as mágoas não são eternas. São Francisco é a humildade, numa vida sem ambições mundanas, como num humilde e pacato Chico Xavier, o qual me ilumina no exato momento em que redijo este texto – obrigado, Chico! Os anjinhos caídos parecem não entender bem o que ocorre, no modo como eu, criança, não entendi a comoção nacional em torno da morte do grande homem Tancredo Neves, no funeral transmitindo pela TV com a arrebatadora canção Coração de Estudante, como no funeral de Diana, em pessoas grandes, quilométricas, em funerais dignos de rei, como os de Pelé e Chespirito. Este quadro remete ao privilégio de um templo caxiense em ter uma réplica da Pietà de Michelangelo, uma regalia dada a poucos templos no Mundo, talvez pelas raízes italianas de Caxias do Sul, remetendo a uma professora freira minha, levando-nos para ver a imagem e dizendo-nos: “Olhem a tristeza de Nossa Senhora ao ver o filho morto!”, na metáfora da imagem de Jesus Morto, no caminho espírita de mortificação, até a pessoa se desiludir e ficar imune e insensível aos sedutores apelos mundanos da Sociedade de Consumo, esta força que nos escraviza oferecendo cobiçados bens de consumo, como carros, televisores, celulares etc., na metáfora do cidadão escravizado pelo sistema de Matrix.

 

Referências bibliográficas:

 

Annibale Carracci. Disponível em: <www.meisterdrucke.pt>. Acesso em: 14 ago. 2024.

Annibale Carracci. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 14 ago. 2024.

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Ânimo de Annibale (Parte 1 de 4)

 

 

O pintor italiano Annibale Carracci (1560 – 1609) recebeu aprendizado de sua própria família, tendo trabalhado com um irmão e um primo. Técnica perfeita. Retratou temas religiosos e de mitologia, obtendo o respeito de outros artistas. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Retrato de um homem bebendo. A universalidade do Álcool, em deuses da festa, do oba oba, da alegre embriaguez. O cálice é a transparência de um amigo autêntico, um amigão de verdade, num relacionamento que resiste à passagem do tempo, no modo como a Eternidade é o caminho natural para qualquer reconciliação – os ressentimentos não são eternos, na noção taoista de que tudo se resolve por si, naturalmente. A jarra é como a esfera translúcida do famoso Jesus de da Vinci, num quadro bilionário, valorizadíssimo. A esfera é o mundo perfeito metafísico, num mundo de amigos, de apuro moral, de profunda e inabalável paz, numa vizinhança em que todos se respeitam, no reencontro de entes queridos, como aquela avó que tanta saudades nos dá, num lugar maravilhoso em que a seriedade da vida não para, pois todos os desencarnados têm que fazer algum trabalho, algo muito diferente do que um céu ocioso com anjinhos tocando harpas, num lugar maravilhoso no qual não há desemprego, na pergunta inevitável a qualquer amigo que vemos lá em cima: Onde você está trabalhando? O homem aqui aproveita tudo, e bebe até o último gole, numa bebida que é para ser degustada em suas nuances, ao contrário do alcoólatra, o qual quer exclusivamente injetar Álcool na corrente sanguínea, como um senhor que conheço, o qual, alcoólatra, está há mais de meio século sem botar uma gota de Álcool na boca, num caminho de disciplina e responsabilidade, no modo como, antigamente, o Alcoolismo era visto como um desvio de conduta moral: O Fulano é um safado que fica bebendo por aí! O vinho decantado é a serenidade plácida, numa paz, numa pessoa que está bem, lá em cima, em paz, como disse um certo espírito desencarnado a um espírito amigo encarnado: “Eu estou bem, aqui! Não penso em voltar para a Terra para uma nova encarnação, no momento”, remetendo a uma senhora querida, a qual já faleceu, uma senhora católica ardorosa, que não aceitava o conceito espírita de reencarnação, no modo como eu gostaria de dizer hoje para ela: “Se quiseres, há a oportunidade de voltar para a Terra numa nova encarnação e numa nova missão de aprendizado. Viu como os espíritas não estavam errados?”. Aqui é o redentor momento do happy hour, da folga após o sisudo labor, em gravatas afrouxadas, no hábito de chegar em casa, no fim do dia de labor, e tomar um drinque, remetendo a uma grande amiga minha, engraçada, que cantava: “Eu bebo sim, e estou vivendo! Tem gente que não bebe e está morrendo!”, no modo como os amigos são ouro da vida, pois como o Amor é tão subestimando pela crueldade natural do Ser Humano, pois, no fim das contas, tudo se resume ao Amor Incondicional, leve, desapegado, com toda a Eternidade para nos relacionarmos com tais entes, no imensurável poder da Eternidade, em nossas vidas que jamais cessarão, havendo na Eternidade o caminho lógico, pois nada teria sentido se tudo acabasse no óbito do corpo físico, na noção taoista de Santo Agostinho de que a mente sobrevive à morte da carne: Se seu corpo morrer, não tem problema, na universalidade da espiritualidade humana, no modo glorioso como o Taoismo foi concebido há milênios, e permanece altamente atual hoje em dia, em plena Era Digital, no modo como o pensamento elevado não está sujeito à passagem do tempo, a qual é uma ilusão, nos sinais auspiciosos das pedras preciosas, as quais parecem ser eternas, mas não são, pois são Matéria, e tudo de material está fadado à danação, cedo ou tarde. Aqui remete a um senhor caxiense que conheço, o qual faz programas de televisão sobre vinhos, provando os belos vinhos da Serra Gaúcha, numa bebida cara, pois demanda um intenso trabalho para ser produzida, ao contrário da preferência nacional brasileira pela cerveja e pela cachaça, as quais são bem mais baratas do que vinho, na questão de moderação: Beba com responsabilidade. Aqui é um momento solitário de prazer, na inevitável solidão da Vida, no modo como todos temos que ter momentos de retiro e reclusão, nos versos de uma recente canção pop: “O caminho é solitário!”.

 


Acima, Sagrada família. Aqui é esta predileção de Carracci por cenas religiosas bíblicas, vindo de todo um contexto renascentista, na arte clássica que por tanto tempo durou soberana, só havendo transgressões posteriores, muito tempo depois, como na explosão impressionista, no inevitável galgar das tecnologias, como o advento da Fotografia, como nos dias de hoje, sepultando a era dos filmes fotográficos revelados em laboratórios, ou nos tempos em que havia o suporte físico do vinil, do CD, do VHS e do DVD, havendo hoje tudo reduzido a software, na era do Download e do Streaming, perdendo para sempre o fetiche do produto, do tangível, no material, do palpável, do bem de consumo que levamos para casa – até onde vai a Humanidade? A manjedoura é a simplicidade, na simplicidade do sacro Graal, uma taça simples, de material comum, na simplicidade do homem nobre, o qual nunca esnoba o cidadão comum, num rei simples, que gosta de tomar um café bem comum, do povo, no modo como o líder que se afasta de seu próprio povo deixa de ser líder, num Romanov destituído pela Revolução Comunista, resultando na cruel execução da família imperial russa, inclusive crianças, dando aos comunistas o apelido de “comedores de criancinhas”, na eterna inclinação humana para a Crueldade, como queimar pessoas vivas em fogueiras, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo algo que Ele jamais faria. A nudez é a simplicidade e a inocência, no inocente modo como viemos ao Mundo, nas expectativas em relação a um filho homem ou uma filha mulher, nos preconceitos do Mundo: Do homem se espera ser o maior comedor de bocetas do Mundo, com o perdão do termo chulo; da mulher se espera ser pura e casta, no termo machista: “Bela, recatada e do lar”, numa princesa donzela entregue pura e casta o marido na Igreja, sempre na sombra de um homem, sempre uma cidadã de segunda categoria – é um horror. José aqui está discreto, coadjuvante, sabendo que o filho não é dele, mas aceitando a vontade divina, nas palavras de uma certa senhora intelectual que conheci, divertida: “Maria foi uma puta, que topou ter filho com quem não era marido dela”, com o perdão do termo chulo, no modo como os protestantes escandalizaram o Vaticano ao negar o culto à Virgem Santa, na herança protestante dos EUA, o país livre e democrático em que o cidadão não pode se prostituir, ou seja, o corpo não pertence ao cidadão, mas ao Estado, num paradoxo, não? O menino limpo aqui não está com qualquer traço de placenta ou fluidos sanguíneos, num parto feito de forma tão simples, sem sabermos como o cordão umbilical foi cortado, e aqui temos uma imagem perfeita e apolínea, num parto que não sabemos como ocorreu. Maria aqui reza, no mito da Santa que serve para nos dizer que nada se perde, e que nada nem ninguém á pequeno demais para desmerecer a atenção total de Deus, no modo como cada um de nós é infinitamente especial e único, com todos pertencendo à Grande Família Estelar, na vitória do pensamento sobre a carne, na imortalidade que nos foi dada, no presente inconcebível da Vida Eterna, o grande caminho lógico. O véu sobre a Virgem é delicado e expressa recato, no costume de várias culturas em impor o uso de véus e panos sobre as cabeças das mulheres, numa questão de recato, nessa eterna capacidade humana em tolher a mulher, num machismo patriarcal indestrutível, havendo no Desencarne a revelação de todos sermos iguais perante Tao, no modo como os anjos são assim, sem sexo, espíritos felizes que vivem livres batendo suas asas de apuro moral. José empunha um discreto cajado patriarcal, no poder do falo, como o no formato do Código de Hamurabi, assustando o homem comum, forçando este a se comportar e ter apuro moral, nos naturais mecanismos sociais que punem quem falta com tal apuro. Aqui o Menino repousa plácido e silencioso, muito longe dos bebês comuns, que acordam no meio da noite chorando, interrompendo o bom sono nos pais, na responsabilidade de se ter um filho no Mundo.

 


Acima, Senhor, para onde vais? Jesus apontando é uma objetividade, no jargão genial de Allen: “Subjetivo é objetivo”, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, no termo latino de que a verdade é filha do tempo. Jesus aqui carrega seu fardo encarnatório, nas vicissitudes de uma encarnação, remetendo a um senhor pregador que vi certa vez na Rua, um homem que carregava uma cruz enorme, num fanatismo, como em homens que se submetem a ser de fato crucificados, numa ação condenada pelo Espiritismo, o qual diz que devemos mortificar o corpo, e não a carne, no caminho da mortificação, a um ponto em que o indivíduo fica imune aos tolos apelos auspiciosos mundanos, na questão taoista de que o homem saudável está farto de estar doente. Jesus aqui é tal superstar, de carisma imortal, resultando na perseguição contra os judeus, os quais são livres para aceitar ou não a divindade de Cristo, num povo que até hoje sofre preconceito, como os ciganos, perseguidos, mal vistos, em Caim eternamente perseguindo e matando Abel, em icônicas passagens bíblicas, no livro mais impresso e comprado do Mundo, numa divertida passagem no seriadão The Big Bang Theory, quando uma psiquiatra diz a uma devota apegada à Bíblia: “Você não tem a capacidade de ler outros livros?”, na questão do xiita, numa pessoa que ignora a universalidade humana, pois qualquer radicalismo foge da sabedoria. Os pés descalços são a simplicidade, como na sensação de libertação na beira da praia, no modo como a orla pode ser tão prazerosa, numa libertação, como nadar nu no Mar, na inocência da nudez, inocência que o Renascimento teve para contrastar com o Gótico, como na inocente genitália do Adão de Michelangelo. O homem ao lado se assusta, talvez num Jesus ressuscitado, abandonando o jazigo, elevando-se a uma dimensão superior, na qual as vicissitudes da Matéria perecem, no glorioso dia de libertação que a todos nós chegará – ninguém está no Mundo para sempre, meu irmão. Jesus tem essa beleza, no corpo de um atleta no auge de sua forma, no modo como há tantas pessoas obcecadas em ter um corpo bonito, como eu gostaria de dizer a alguém assim, esses “ratões” de academia: “Eu não estou dizendo que você não pode puxar ferro; eu só estou pedindo que você faça algo além do que só puxar ferro. Só isso”. O céu azul ao fundo é uma promessa de um mundo melhor, mais limpo e mais nobre, nas culturas populares de celebração da Vida, como na Festa da Uva caxiense, num momento em que a comunidade se une e celebra a beleza de Tao, na sensualidade das vindimas italiana, no poder do Verão, da Vida, da libido da Natureza, na divertida comédia Decameron, na explosão erótica da Vida, fazendo do Sexo algo natural no Ser Humano, lidando de forma natural com os escuros e proibidos pecados capitais, os quais são positivos, no modo como não me canso de dizer: Foi da Preguiça que nasceram grandes invenções da Humanidade, como a Roda: Para que me matar carregando coisas se posso fazê-lo comodamente numa carroça com tração animal? Por que me punir por comer um inocente brigadeiro de panela? É como na crença de que, no Céu, nós comemos doces, mas não engordamos! O senhor idoso na cena está incrédulo com o milagre do renascimento, o qual nada mais é do que o Desencarne, no túmulo vazio, sem qualquer vestígio de Jesus, no modo como Ele hoje, lá em cima, não se lembra de sua própria crucificação, dizendo: “Todos me falam de tal crucificação, mas eu não lembro!”, havendo Nele nosso irmão depuradíssimo, nas palavras de adeptos religiosos: “Jesus te ama!”. A coroa de espinhos aqui não parece mais ferir, numa humilhação no Calvário, com doses monumentais de sociopatia: Não és um rei?Então eis tua coroa! É muita crueldade. Jesus aqui está rumando para outro lugar, outra dimensão, como numa pessoa se mudando de lugar de moradia, para outra cidade, nas gloriosas cidades metafísicas, as quais são limpas e sem criminalidade, um lugar onde cumprimentamos de forma desapegada nossos entes queridos, na dimensão em que tenho a clara noção de que estou entre amigos.

 


Acima, Alegoria da verdade e do tempo. Abaixo no quadro, com a moça deitada, temos uma rendição, um entorpecimento, como no Marte de Botticelli rendido perante Vênus, na vitória da paz e da beleza, no modo como o homem de bem não quer guerras nem desentendimentos, no modo como a Eternidade é o tempo para a resolução de qualquer desavença, no caminho natural do perdão – as mágoas têm prazo de validade; a paz, não. A moça deitada é um tanto pisoteada, numa submissão, como numa pessoa sofrendo assédio moral dentro de uma empresa, um assédio que eu próprio já sofri, num ambiente tóxico, desinteressante, no qual ninguém se respeita, tudo culpa de quem está no topo da hierarquia, como uma infeliz sociopata que conheci, a qual, em posição de poder, envenenou todos abaixo de si, num lugar onde pairava um odor de desamor – nada mais próprio para uma sociopata de apuro moral paupérrimo, pois se não quero enganar os outros, é porque estes amo, e o melhor da Vida não se compra, que é Amor, e tudo acaba se resumindo a Amor, ao Amor desapegado, leve, com toda a Eternidade para nos relacionarmos, como cumprimentar sutilmente uma pessoa na Rua, sabendo que teremos o infinito para nos relacionarmos, ao contrário do amor obsessivo, fixado, doente e possessivo, num desespero, como uma pessoa que conheci, a qual se submeteu a ficar fixada em outrem, num amor bem patético, como numa cena do filme espírita E a Vida continua, com um rapaz obcecado por uma moça, tendo que ser contido por espíritos amigos, que sabem que tal amor é doente e inválido, no modo como tudo acaba se reduzindo a Saúde, psíquica ou física, havendo no Plano Superior tal Saúde inabalável – as cidades físicas tentam imitar as metafísicas. À direita, um rapaz florido, na beleza da Vida, da exuberância, em cidades como o Rio, numa mescla linda de urbe com natureza, uma cidade que pulsa Vida e beleza, apesar de ser uma cidade com um grande problema de segurança pública, com muita droga circulando, as drogas que tanto destroem vidas, famílias e carreiras, havendo no traficante a imagem do sociopata, só querendo ganhar dinheiro, pouco se importando com o sofrimento dos usuários, um traficante que, ao desencarnar, vai perceber a sua própria falta de apuro moral, querendo reencarnar e partir em busca do tempo perdido. À esquerda vemos o falo retilíneo, no poder do pensamento racional, impondo-se sobre as serpentes da doença e da malícia, no modo como os povos indígenas não conseguiam entender a imagem de Nossa Senhora esmagando a serpente, imagem fruto da culpa cristã em relação a sexo e sexualidade, em religiões em que temos que pedir perdão por termos nos masturbado, na culpa escura do pecado, rechaçando os gostosos pecadinhos capitais, como apimentar a vida sexual com o cônjuge, talvez fazendo inocentes comprinhas em sexshops, na imposição tradicional do vestido branco para a noiva, a qual tem que jurar que só fará sexo com a intenção de reprodução. Ao centro do quadro, em inocente nudez, vemos um contraste entre juventude e velhice, na inevitável passagem do tempo, no modo como todos envelhecemos, como afirmou certa vez Barbra, a qual dizia que, na fama, as pessoas envelhecem publicamente, nas exposições midiáticas, as quais podem ser complicadas, numa celebridade que não pode caminhar em paz numa rua, como Michael Jackson, o qual não podia caminhar calmamente por qualquer lugar do Mundo, fazendo o famoso e vibrante videoclipe Scream, no qual o astro morava numa nave espacial, longe da Terra, numa rota de fuga, fugindo de assédios tolos, não podendo comer em paz num restaurante, como a atriz Patrícia Pillar, com a qual trabalhei, na atriz dizendo ser um saco ficar dando autógrafos em lugares públicos. Nesta cena vemos uma fonte, que é a Vida, neste mecanismo perfeito e enigmático que é a Terra, uma esfera autossustentável, com nascentes de água doce nascendo das entranhas da Terra, desembocando em águas salgadas, num mistério, no milagre da Vida, algo que os cientistas ainda não encontraram fora de nossa rica esfera que chamamos de Lar – temos que dar ouvidos aos apelos dos ecologistas, pois o Ser Humano, fora da Terra, não tem para onde ir.

 


Acima, Vênus e Cupido. Os pombos enamorados rendem o termo “pombinhos”, para designar um casal apaixonado, no modo como vi certa vez na Rua um casal de pombos acasalando, na naturalidade do Sexo para a manutenção da Vida, nas palavras de Dercy Gonçalves, a qual disse que se Sexo não fosse prazeroso, ninguém faria filhos, como nas extensas famílias de antigamente, com uma prole numerosa, em épocas em que não havia TV ou outros meios de entretenimento, fazendo do Sexo a principal diversão, como na zona de imigração italiana gaúcha, com proles numerosas, remetendo ao marido de minha tia, um homem com mais de dez irmãos. As nuvens são a suavidade, em tecidos macios, sedutores, românticos, num casaco de pele, suave ao toque, irresistível, como na hierarquia espiritual, na qual tudo gira em torno do fino, que é maior do que o grosso, em pessoas equivocadas, que creem que a brutalidade é o melhor caminho, num Ser Humano eternamente equivocado no sentido de subestimar o que há de mais fino, que é o Amor, em entes queridos que nos iluminam lá de cima, na imortalidade das amizades, fazendo das joias preciosas cópias meras de tal eternidade – o metafísico paira acima do físico. Vênus aqui está cômoda em sua nudez, sem pudores ou cargos escuros de pecados, no modo como o grego antigo lidava tão naturalmente com a nudez, sem a culpa católica, na imposição da nudez renascentista “invadindo” o Vaticano, numa revisão de valores, na força das vogues, das ondas, no pulo do gato do Cinema, quando a Sétima Arte se tornou algo sério, na expressão de pensamento humano, em posicionamentos políticos contundentes, com no manifesto de A Lista de Schindler, causando comoções ao mostrar os campos de concentração, os quais foram exemplos perenes da crueldade humana, tudo por causa de um sociopata que obteve tanto poder, numa inteligência brilhante a serviço de um coração podre, ao contrário de tantas pessoas toscas, porém de nobre coração, em pessoas generosas, das quais jamais nos esqueceremos, nos amigos imortais. Vênus segura uma esfera, que é o Mundo, numa pessoa que conquistou o Mundo, obtendo respeito, o qual é tudo, no caminho da dignidade, da integridade e da austeridade, ao contrário de uma pessoa que conheço, a qual leva vida dupla, com duas casas, duas famílias, dois cônjuges e duas proles, algo seríssimo, deprimente em eu saber que tenho meios irmãos meus no Mundo os quais sequer conheço, no modo como tal pessoa de vida dupla vive infeliz em cima de um muro – nem totalmente aqui; nem totalmente ali. As flores nos cabelos são tal beleza e feminilidade, como na famosa foto de uma moça no evento de Woodstock, com flores silvestres enfeitando seus cabelos, na revolução de Chanel, afirmando que o que pesa não é o valor financeiro do adorno, mas o efeito que este gera, na revolução das bijuterias, acessíveis em termos de custo, produzindo lindos efeitos de feminilidade, rechaçando a ideia de que só mulheres ricas podem se belas. O cupido está com sua flecha fálica, penetrando fundo em corações, no milagre que é o Amor, no Amor entrando em nossas vidas, em relacionamentos que, mesmo não tendo durado a vida inteira, foram eternos, numa pessoa que, amando, está em paz com o Mundo, amando e aceitando este, numa pessoa muito especial que nos ensina que podemos ser muitos felizes com pouco, num momento da vida que traz simplicidade, nos verso de Tim Maia: “Quando a gente ama, não pensa em dinheiro! Só se quer amar!”. É a dádiva do Amor, longe de sociopatas insensíveis. Vênus conversa com o Cupido, e este olha para o espectador, talvez querendo fazer seus enlaces de casais, como uma prima de minha mãe, a qual apresentou minha mãe para o meu pai, num papel de Cupido. Neste quadro temos uma elevação de beleza, na promessa cristã do Reino dos Céus, no glorioso dia de libertação que chegará, fazendo da Terra tal faculdade suprema, no caminho autodidata – as pessoas precisam aprender Tao por si mesmas.

 


Acima, Vênus, Adônis e Cupido. O Cupido sorri, como se estivesse se divertindo com o flerte aqui, na união de Eros entre os opostos que unem o Cosmos, como numa pessoa que conheci, a qual, em segredo, atendia num número telefônico de telessexo, numa espécie de vida dupla, talvez querendo explorar questões sexuais mal resolvidas – vai entender? Ao contrário de Vênus praticamente nua, Adônis está vestido, pudico, como nas decentes vestes da Nossa Senhora de Caravaggio, de Locatelli, com o corpo todo coberto com pudor, deixando à mostra somente seus brancos pés de pureza, na simplicidade de se andar dentro de casa com pés descalços, no termo carioca “muvuca”, que designa o local de conforto do lar, neste pequeno reino em que tudo é do nosso jeito, como certas pessoas que conheci, as quais não respeitavam muito minha casa, e eu acabei extirpando essas pessoas de minha vida, em amizades fúteis, que não fazem falta, ao contrário do amigão de verdade, em relacionamentos que sobrevivem à morte do corpo físico, no milagre da Ressurreição de Jesus, na vitória da Eternidade. Vênus está com um adorno altivo na cabeça, parecendo uma princesa, na questão da dignidade das famílias de realeza, famílias respeitadas, que representam toda uma tradição, uma virtude e uma beleza, num paradoxo, em famílias finas e ao mesmo tempo grossas, nas quais homem é varão e mulher é fêmea, sendo heresia tudo o que se desviar disso – é um horror. Vemos aqui os pombos de Carracci, representando a formação de casais, em momentos públicos de interação social, no qual ocorre o flerte, o namoro, como em missas em templos, nos jovens se olhando e flertando, numa referência nobre, que é a Igreja, como os grandes amigos que fiz em Porto Alegre, referências nobres, da faculdade, da PUCRS, ao contrário de outras amizades que tive, cuja referência não era nobre, mas não se tratando necessariamente de pessoas tóxicas, ao contrário do sociopata, que é um amigo falso, interessado em nossa ruína – proteja-se, irmão! Vênus carrega Cupido como um filho, no poderoso binômio mãe/filho, na imagem da Virgem Santa com o filho de Deus, no poder de datas religiosas como Páscoa e Natal, com toda uma tradição milenar, em pessoas que se apegam à religião, como minha querida avó falecida Nelly, uma senhora que, nos últimos tempos de vida, apegou-se muito à religião, em imagens de esperança como a do Espírito Santo, na beleza eterna, que assim seja! Adônis segura um arco, no poder fálico de São Jorge matando o dragão do Mal, libertando a virginal donzela indefesa, ao contrário de figuras como a Mulhergato, nunca esperando por um príncipe encantado que jamais chegará, na ilusão de contos de fada, como numa certa canção de Taylor Swift, na mocinha encontrando seu príncipe perfeito, como um certo casamento que conheço, o qual naufragou por ele frustrar as expectativas dela, havendo esta, no momento de desposar no púlpito, acreditando que estava se casando com um príncipe, o qual acabou se revelando sapo – fazer o quê? A frustração de expectativas faz parte da Vida, num caminho de mortificação, numa pessoa que não mais se ilude, colocando os pés no chão, resistindo a tolos apelos auspiciosos. Adônis aqui tem um fiel cachorro, um fiel companheiro. Adônis faz aqui uma proposta para Vênus, a qual só cederá se por uma proposta séria e sólida, ao contrário de amores impossíveis, sem uma base concreta de sustentação, nos versos de uma certa canção pop: “Flores são o caminho para teu coração, mas o homem precisa começar com tua cabeça!”. Vemos aqui uma Vênus sendo cortejada, numa posição passiva e magnética, como água correndo para o ponto mais baixo, numa teia sedutora, em lendas como a da rainha egípcia Cleópatra, seduzindo grandes homens, fazendo de tal charme um instrumento de estadismo, em capacidades de reger um estado, defendendo os interesses deste, em fenômenos feministas como Elizabeth I, num divisor de águas na História da Inglaterra, com a deusa Cate Blanchett como atriz interpretando a exímia estadista. Vênus aqui avalia a proposta, sendo exigente.

 

Referências bibliográficas:

 

Annibale Carracci. Disponível em: <www.meisterdrucke.pt>. Acesso em: 14 ago. 2024.

Annibale Carracci. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 14 ago. 2024.

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Não pise na Gram (Parte 3 de 3)

 

 

Falo pela terceira e última vez sobre a pintora americana Angela Gram. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Coisas crepusculares. Aqui temos uma análise e uma desconstrução, no método ocidental de dissociação, como no ser Frankenstein, criado a partir de pedaços de cadáveres, ou como no famoso quadro do Tiradentes, do mestre acadêmico Pedro Américo, com a cruel execução do homem que teve a coragem de pensar contra o vento, na época em que o Brasil era ainda uma mera colônia, com Tiradentes esquartejado e exposto em praça pública, na intenção de aterrorizar o cidadão comum, nessa tendência humana para com as ditaduras, as quais oprimem e assustam o cidadão comum, no modo como se deve tratar com respeito as pessoas que estão abaixo na hierarquia, pois respeito é para quem tem, na simplicidade do homem respeitado, que nunca trata os outros com diferença, num rei simples, que gosta dos hábitos do cidadão comum, como tomar um café do tipo mais comum possível, sem as afetações da bolha de privilégios que foi Versalhes, no monarca alheio ao próprio povo, sendo deposto por este, pois o líder que se afasta do povo deixa de ser líder, em homens tão majestosos e amados como Pelé, um homem simples, humilde, o qual nunca deixou o sucesso subir à cabeça, ao contrário da maioria dos famosos, os quais podem se revelar narcisistas de marca maior, pessoas desinteressantes, sem papo, sem conversa, como uma certa senhora estrela com a qual jantei certa vez, uma senhora que só sabia falar de si mesma, no desprezo do mestre Allen para com as celebridades, produzindo um filme no qual o diretor expressa tal desprezo. A luz aqui é dúbia, crepuscular, num momento do dia em que não é dia, nem noite, remetendo aos berros de uma senhora minha vizinha, berrando, em tal horário, para a filha voltar imediatamente para casa, no encargo de responsabilidade de uma mãe, tendo que se esforçar para criar a criança da forma mais nobre possível, na tarefa de se incutirem valores nobres, no discernimento de que grosso é fraco e de que fino é forte, num Ser Humano para sempre equivocado, crendo que a grosseria é maior, na brutalidade humana de forçar as coisas, como numa ditadura, ou como em homens como um certo grosso burro que se tornou um homem poderoso – é um mistério, como uma certa senhora cantora desafinada, de voz medíocre, uma senhora que arrastou um milhão e meio de pessoas para um show recente, ao contrário de uma voz avassaladora como Céline Dion, a qual jamais arrastará tanta gente para um show, no mistério daquilo que é necessário ter, no poder do estilo e da atitude, em artistas ousadas como Gaga. O animal aqui está em transição, num momento de crise, no modo como as crises são positivas, pois estas assinalam um momento de renovação na vida da pessoa em crise, numa vida que precisa de tal renovação e arejamento, numa força da pessoa em se reerguer, empreendendo um esforço enorme, ao contrário de um senhor que conheço, o qual se perdeu nas drogas, numa vida devastada, sem chances de reconstrução – é deprimente. O animal aqui, herbívoro, é um prato cheio para a fome de carnívoros agressivos, como leões, nas leis da Natureza. O animal está sendo estraçalhado pelo predador, numa morte cruel e dolorosa, na crueldade de queimar uma pessoa viva na fogueira, na sanguinolenta Maria Tudor, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo algo que Jesus JAMAIS faria, neste ser odioso que é o Homem, esquecendo definitivamente da revelação ensolarada de que somos todos filhos especiais do mesmo Rei Supremo, o qual nos criou com todo o Amor, como um escritor compondo personagens, sendo “amigo” destes, num ato amoroso, como reza a lenda de que da Vinci nunca quis se separar da famosíssima Monalisa, a queridinha do Louvre, num quadro pequeno, porém de valor inestimável, na prova de que tamanho não é documento. Aqui é como no teletransporte de filmes de Ficção Científica, em pessoas transportadas para distâncias enormes, em sonhos nerds de ficção, na contradição dos nerds, os quais, apesar de serem pessoas de inteligência descomunal e esmagadora, são vítimas dos marqueteiros, num nerd juntando dinheiro para comprar um bem não essencial, como um pote biscoiteiro em forma de Batman.

 


Acima, Garças acasalando. Aqui é a libido natural, no modo como o Sexo é natural, no instinto de preservação da espécie, como numa gata se contorcendo no cio, em adolescentes na Primavera, como um professor que tive no Ensino Médio, o qual decidiu, em rompante, encerrar a aula antes do horário previsto, crendo que os alunos estavam muito eriçados hormonalmente, nas palavras de Marta Suplicy, dizendo que na Adolescência é perfeitamente normal se masturbar dez vezes por dia, em cenas peculiares, como vi certa vez um casal de pombos acasalando. Aqui é o Sexo como um final, como salmões nadando correnteza acima para a desova das fêmeas e o esperma dos machos, em peixes abocanhados por ursos famintos, recém saídos da hibernação, no modo como a Biologia não deixa de ser engraçada, no grande piadista que é Tao, pregando peças, no senso de humor de uma Ellen Degeneres, assustando convidados de seu famoso talk show, numa mulher moleque, jovial, como da Vinci, o qual, apesar de ter morrido longevo, manteve-se sempre com muito sendo de humor, na capacidade humana de rir de si mesmo, na piada que é tudo trazer em si sua própria contradição, no jogo cósmico de sedução de opostos entre Yin e Yang, no deus Eros unindo tais opostos universais, na universalidade humana do casal heterossexual – o homem personifica o Yang da mulher, a qual, por sua vez, personifica o Yin do homem, como num tradicional casal japonês, com o homem antipático e carrancudo, seguido de uma mulher doce, simpática e agradável, no modo humano de compor o casal heterossexual, em ele representando eles e ela representando elas, numa questão simples de representatividade pública, como cumprimentar tal casal, sendo o suficiente cumprimentar apenas um dos membros de tal casal. Aqui é como na viúva negra devorando o macho após a cópula, como no filme Instinto Selvagem, no arrebatador início com a mulher assassinando brutalmente o homem bem no momento que este atingia o orgasmo, esta força de libido que tanto escraviza o Ser Humano, na força que tanto excita, como nos inúmeros sites de fotos e filmes pornôs, no modo como tudo em excesso é prejudicial, como ficar horas se masturbando em frente a um computador – não tem como ser saudável ou positivo. Podemos ouvir o som das aves em êxtase, num divertido Chandler em Friends, dizendo que quando um homem conquista alguém para o coito, tal homem pensa: “Finalmente alguém que fazer Sexo comigo!”. Aqui é este gosto de Gram por dissociações, como num quebracabeça desafiador, como num romance policial, do detetive tentando elucidar um crime, em mestres como Agatha Christie, desafiando a inteligência do leitor, distribuindo pistas falsas para desnortear este, sendo tão raras as pessoas que conseguem desvendar o mistério antes do fim de tal livro. Aqui o orgasmo é como uma bomba explodindo, como num filme, cujo nome não me lembro, no qual Keanu Reeves e o finado River Phoenix interpretavam dos prostitutos, na ação de diretor em representar o orgasmo com uma casa de madeira se estraçalhando ao cair no chão, ou como no filme B Liquid Sky, no qual o homem, ao ter orgasmo, simplesmente desaparecia. O pescoço das graças são a elegância, como uma pessoa polida à mesa, nunca colocando os cotovelos na mesa, em livros de etiqueta, no modo como me sinto lisonjeado por ser respeitado por uma certa senhora polidíssima, a qual escreve livros de etiqueta, no desafio de se obter o respeito de pessoas desafiantes. Aqui é na canção de cunho sexual oculto: “O cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada. O cravo ficou ferido; a rosa, despedaçada”. Aqui é o orgasmo em conjunto, com os dois obtendo prazer, ao contrário dos machistas filmes pornôs, nos quais apenas ao homem é permitido ter orgasmo, no modo patriarcal de castrar a sexualidade feminina, no pai entregando a filha pura e casta, de branco, na Igreja para o marido, no machismo da mulher adquirindo o sobrenome do marido, no modo como as próprias mulheres podem ser machistas, sinto em dizer. Aqui é a destruição que é prelúdio do renascimento, na Vida sempre ressurgindo.

 


Acima, Leão branco. O leão é tal símbolo de majestade, como no personagem leão de O Mágico de Oz, um leão medroso, frágil, o qual sonhava em ter um coração corajoso, num homem corajoso, em monarcas tão célebres como Elizabeth I, a qual regia uma Inglaterra então financeiramente pobre e politicamente fraca, desafiando a então suporpotente Espanha, derrotando esta e inaugurando um ponto de reviravolta na História Inglesa, uma rainha que, ao morrer, legou ter feito da Inglaterra a nação mais rica e poderosa da Europa, em ares de altivez até hoje respirados pelos cidadãos ingleses. O leão branco, frente à neve igualmente branca, é a sabedoria da discrição, como num esperto camaleão, fugindo de predadores e abocanhando presas, nesta capacidade em ser nada, em ser vazio, em ser invisível, num artista fugindo de interpretações, na característica da grande obra de Arte, que é render inúmeras interpretações, como na Monalisa, até hoje um mistério, como na inesgotável Egiptologia, desdobrando um país de passado tão glorioso, no vaivém do poder, um Egito que já foi uma superpotência e hoje é um país pobre e pouco poderoso, na sabedoria do folclórico Preto Velho, quietinho no seu canto, só observando os egos ascendendo e descendendo, na permanência de Jesus, na humildade Dele, nosso irmão depuradíssimo, o maior homem da História, um homem humilde que tanta esperança nos traz, no Reino dos Céus, o qual nos espera depois de uma encarnação tão dura e desafiante, na figura de esperança do Espírito Santo, no glorioso dia de libertação que chegará, numa prisão na qual ninguém está para sempre. A paisagem invernal aqui é a frieza do pensamento científico e racional, na glacial Galadriel de Tolkien, um ser benevolente, porém estranho e intimidador, em olhos aguçados de Bette Davis, esmiuçando os corações de homens corruptíveis, numa feiticeira de poder descomunal, como uma aranha feita de cristal – amedrontadora e, mesmo assim, belíssima, ao contrário de Laracna de Tolkien, uma aranha gigantesca de dar arrepios em aracnofóbicos. Podemos ver um dos olhos do leão, um olho azul, bonito, nobre, num homem de transparentes intenções, na beleza de olhos claros, como vi certa vez um rapaz um tanto indiscreto, usando lentes de contato que deixavam seus olhos de um azul gritante, pouco natural – és livre, meu irmão, e cabe a mim respeitar tal liberdade, ora bolas. Aqui é a neve cruel em O Iluminado, com um homem enlouquecido em surto total, perseguindo com um machado assassino um menininho que se mostrou mais esperto do que o esperado, na esperteza exigida pela Seleção Natural, com os pouco espertos perecendo, sem passar seus genes para a frente em descendentes, nesse instinto de certas pessoa em suceder, no modo como a Vida vai exigindo que sejamos autodidatas nesse sentido, pois não há livro ou faculdade que nos ensine a vencer na Vida, nesses astros de tamanho instinto, sobrevivendo por décadas nessa selva ultracompetitiva que é Hollywood, com tantos e tantos sonhos que se despedaçam diariamente na Meca do Cinema. O leão é a ferocidade de uma pessoa competitiva, numa fome por vitória, numa fome por cobiçados prêmios, num cobiçadíssimo Oscar, com tantos e tantos atores e atrizes que jamais indicados serão, no modo irônico como um Oscar pode ser um problema, pois o artista oscarizado tem que ter a força para virar a página e manter-se humilde para continuar tocando a carreira para a frente, em situações como a do eterno astro mirim Macauly Culkin, o qual está até hoje tentando sobreviver ao imenso sucesso de Esqueceram de Mim, no modo como o Mundo pode esquecer das pessoas, nos típicos quinze minutos de fama do reality show Big Brother, em astros instantâneos que simplesmente somem da memória do público, no paradoxo do programa radiofônico a Vox do Brasil, transmitido nas rádios do país inteiro, mas com uma audiência baixíssima. A paisagem ao fundo é um ponto de esperança neste ponto de dilaceração que explode e detona o leão. Aqui é a pessoa aprendendo a ser invisível como Tao, no poder do invisível.

 


Acima, Leopardo negro. O leopardo negro é o mistério, em algo que ainda não pode ser revelado à pessoa, na sabedoria popular de que tudo tem seu tempo, numa pessoa que tem que passar por um certo percurso e aprendizado, como cursar cadeiras numa faculdade, sendo algumas delas pré requisitos de outras. O leopardo é tal ferocidade, agressividade, como num lutador entrando num duro ringue, remetendo a um rapaz negro e pobre que conheci certa vez, quando eu jogava Tênis num clube tradicional de Caxias do Sul, e este rapaz, que trabalhava humildemente como gandula, tinha uma incrível fome de bola, pois não entrava em quadra para jogar, e sim para ganhar – não sei o que aconteceu com o rapaz, o qual é, para mim, um exemplo de força de vontade, de ganas de vencer, numa pessoa que encontra tesão na Vida. Aqui temos uma fome e uma ambição, numa pessoa que se deu conta de que não chegará o príncipe encantado num cavalo branco com sua espada fálica, numa pessoa que sabe que tem que desenvolver seu próprio Yang, sua agressividade, como um certo psiquiatra, o qual aprendi a respeitar, um médico que fundou uma clínica psiquiátrica própria, uma firma altamente diferenciada, que entra de forma competitiva no mercado, nas palavras desse senhor para mim: “Tens que ter mais agressividade, pois vives num mundo competitivo!”. Aqui remete a um acidente com vizinhos meus, quando na casa destes estourou uma panela de pressão, achatando a mesa do fogão, tal a força do impacto, e aqui temos esta explosão de um astro pop sendo revelado ao Mundo, no poder esmagador de uma Lady Gaga, popular e respeitada, talentosa, extravagante, uma a-r-t-i-s-t-a com todas as letras, impactante, fazendo algo muito positivo, que é trazer jovialidade, transgressão e frescor criativo ao tradicional tapete vermelho das celebridades, uma Gaga que leva extremamente sério o se arrumar na hora de vir a público, impactando com seus figurinos ousados, ganhando os corações de um enorme fã clube ao redor do Mundo. O leopardo negro é a estrela vespertina anunciando a noite, como a linda elfa Arwen de Tolkien, donzela, virginal, no machismo patriarcal que tolhe a sexualidade feminina, como em certas culturas brutais que fazem a castração de fato, física, em mulheres, no termo machista “bela, recatada e do lar”, como uma Roberta Close, a qual virou mulher para ser uma mera dondoca socialite dona de casa, vivendo na sombra de um homem, nas palavras de uma grande amiga minha psicóloga: “É tão desinteressante uma pessoa que é apenas dona de casa!”. Aqui temos um momento de ruptura, como na história triste de uma certa drag queen, a qual rompeu com suas raízes frente a um pai duro e inclemente, indo embora de casa para o Mundo, ingressando num submundo para nunca mais de lá sair, uma pessoa entalhada na dureza da Vida, talvez sequer com Ensino Fundamental completo, no problema brasileiro que é a evasão escolar, como um certo rapaz que foi aluno de minha mãe, de História, num colégio municipal, um rapaz que abandonou os estudos para trabalhar, sem fechar um ciclo, como uma transa sem orgasmo, nas histórias tristes de pessoas que subestimaram a importância de finalizar o curso que começaram, como um certo senhor, o qual abandonou a faculdade para nada fazer no lugar, mergulhando num vida ociosa e sem sentido, triste, pois o Mundo pertence aos dignos de respeito. Aqui remete a um caso brutal de uma senhora atacada por vários cães da feroz raça pitbull, tendo que amputar um braço, numa agressividade enorme, como num James Bond, o qual, além de charme cosmopolita londrino, tem que ter agressividade e sangue frio, num Bond tão charmoso como o de Sean Connery, no modo como a finada monarca Elizabeth II não perdia uma única première de filmes de James Bond em Londres, numa senhora longeva que aprendeu “na marra” a ter majestade e distinção, num caminho autodidata, na noção taoista de que temos que aprender por nós mesmos em instinto.

 


Acima, Norte. Aqui é este estilo dilacerador de Gram, como na digestão de um prato, no modo como a Gastronomia é uma arte que foi feita para ser destruída, nas palavras de um sábio chef gaúcho, no modo como me sinto tão entretido ao ver tais programas; ao ver os outros cozinhando. As majestosas nuvens ao fundo são os sonhos, numa criança sonhando em ser estrela, nos sonhos de uma Gisele pequenina, tendo a força para encarar a dureza do Mundo, sobrevivendo, vencendo na Vida, ciente de que não pode faltar trabalho, uma Gisele a qual, mesmo tendo se tornando a estrela monstruosa que se tornou, tem a humildade para dizer: “Desculpe, gente, mas tenho que trabalhar!”, nos cabelos ondulados da top sendo, há anos, imitados ao redor do Mundo, nesse êxito que o Taoismo identifica como fenômeno, quando a pessoa conquistou o Mundo e este não se dá conta, numa Gisele que aprendeu por si a brilhar, no caminho autodidata da Vida. Os pelos aqui são os mamíferos, longe das escamas de peixes e couraças de répteis, no meteoro que matou os dinossauros e trouxe a ascensão dos mamíferos, na arrebatadora grandiosidade cósmica, em galáxias que exigiriam que viajássemos por milênios na velocidade da luz para cruzar tais galáxias de ponta a ponta, num Universo o qual, de tão grande, é, na prática, infinito, numa infindável sopa de mais e mais galáxias, num Ser Humano ainda tão aquém de desvendar tais mistérios, no feto ao final de 2001, numa Humanidade a qual, de tão jovem, sequer nasceu. Vemos ao centro uma estrutura parecida com uma colmeia ou formigueiro, nos instintos animais de construção de tais estruturas, no instinto de um joão de barro, fazendo sua toca com perfeição, como na perfeição de uma folha de plátano, no modo como a Natureza pode trazer traços da perfeição de Tao, havendo a perfeição plena do Plano Metafísico, como roseiras sem espinhos, longe das vicissitudes da Matéria, em leis como a do mais forte, numa luta pela Vida, no termo “por um lugar ao Sol”, nas competitividades inevitáveis do Mundo, em competições olímpicas, no modo como os Esportes nos fazem tão universais, com atletas indo de todas as partes do Mundo a Paris, nessa fome humana por competições, num Brasil que para durante jogos da seleção brasileira em dias de Copa do Mundo de Futebol, num machismo: Nos jogos dos homens, o Brasil para; já, nos das mulheres, o Brasil NÃO para. Na porção superior vemos um bico pontiagudo, preciso, fálico, na competição fálica para ver qual país do Mundo tem o prédio mais alto, na história da Torre de Babel, num Ser Humano esbarrando em limites, sendo alvo da fúria divina, no crescimento vertiginoso elitista do Balneário Camboriú, uma mini Nova York à beiramar, com prédios de várias dezenas de andares, em prédios tão altos que fazem com que só haja Sol na beira da praia durante o período da manhã, numa fome desenvolvimentista, civilizatória. Vemos aqui olhos dilacerados, num Édipo perdendo os olhos pela mãe Jocasta, remetendo à famosa telenovela Mandala, da Globo, com Vera Fischer no auge da beleza, com a canção brega ultrapopular Como uma deusa, num grande sucesso da cantora Rosana Fiengo, a qual está até hoje tentando sobreviver a tal sucesso, na noção taoista de que o sucesso é um problema, pois o sucesso tem que ser superado, como numa Madonna, até hoje tentando sobreviver a um Grammy, o qual pode ser uma bênção; pode ser uma maldição. Aqui são esses momentos de luz dúbia de Gram, nem dia, nem noite, na dúvida cinzenta que une preto e branco, mal e bem, no Castelo de Graykull, do universo de He-Man, o Castelo da Caveira Cinzenta, ponto de disputa entre vilões e mocinhos, na lição básica de que a Paz é maior do que a Raiva, e de que as forças da escuridão cedem à beleza da Aurora, na hierarquia embasada em apuro moral, Amor por seus irmãos. Aqui pode ser um encontro, um impacto, numa amizade sendo feita ou desfeita, talvez numa pessoa que se deu conta de que seu “amigo” é um sociopata de marca maior, rompendo, assim, relações, por uma medida de cautela existencial, no modo como o sociopata não vê além da Dimensão Material, achando que a Natureza é o princípio de tudo, quando apenas Tao é o princípio de tudo.

 


Acima, O nada. A folha é a beleza da Natureza, nas riquezas exuberantes tropicais, fascinando quem mora em países sem muita exuberância tropical, como nos longos e deprimentes inversos do Alaska, com altos níveis de depressão na população, ao contrário do Brasil, no qual as nevadas são raras, e quando ocorrem, viram notícia nacional, tal a raridade do fenômeno em terras quentes tropicais. Aqui temos esse gosto de Gram por feras agressivas vociferantes, como um cachorro arisco, o qual não nos encoraja a chegar mais perto, no modo como certa vez um maquiador me falou sobre uma certa modelo famosa, a qual, disse o rapaz, tinha uma aura tão agressiva que mal dava vontade de chegar perto de tal modelo, nos mistérios da fotogenia – o que faz uma pessoa feia ter a fotogenia de um deus grego? Por que há pessoas belas pessoalmente, mas que não fotografam tão bem? O que é necessário para se “devorar” a lente do fotógrafo? A mata aqui é densa e escura, misteriosa, cheia de armadilhas, como no filme cult Labirinto, num lugar cheio de pistas falsas traiçoeiras, no modo como o coração pode ser tão traiçoeiro, pois temos que tomar decisões ouvindo a mente, como uma certa pessoa, a qual se apaixonou por uma pessoa bela por fora, mas podre por dentro, na sabedoria popular de se identificar o sociopata traiçoeiro e enganador: “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”, no modo como eu gostaria de dizer a tal senhora: Eu não estou dizendo que você não pode ter um namorado gato; eu só estou dizendo para que você que, além de gato, certifique-se de que ele seja uma pessoa boa - só isso, minha senhora. Aqui a agressividade é tal instinto de sobrevivência, como nativos neolíticos africanos fugindo de leões predadores, no modo como não posso conceber como o indígenas originários da Serra Gaúcha sobreviviam a tais invernos gelados, sem um casaco ou jaqueta, no modo como tais indígenas eram donos e senhores de tais terras, na agressividade do homem branco que desapropriou tais índios, os quais hoje têm descendentes miseráveis, pedindo esmola nas ruas frias de Caxias do Sul, neste hábito de dar nomes indígenas a ruas, numa forma de compensação de tal crueldade humana, como nas ruas de nomes indígenas de Capão da Canoa, no modo como a civilização chega de forma tão agressiva, dizimando e escravizando povos – é um horror, em Caim sempre matando Abel, na crueldade das senzalas dos cafezais paulistas, em telenovelas de cunho social arrebatador como Sinhá Moça, da Globo. A fera aqui quase nos morde, em filmes como Tubarão, no bicho trazendo terror a uma pacata praia, no modo como um sociopata pode trazer tanto medo, como num sedento Napoleão, obrigando a família real portuguesa a buscar refúgio no então longínquo e selvagem Brasil, num Napoleão espalhando terror pela Europa, tudo em nome do sedutor Anel do Poder de Tolkien, corrompendo homens basicamente bons, no júbilo das forças do Mal sendo derrotadas, como no júbilo de islâmicos xiitas em ver as Torres Gêmeas ruindo, no título do vilão Esqueleto: O senhor malévolo da destruição, nas palavras sábias do grande Obama: “Você será lembrando pelo que construiu, e não pelo que destruiu!”. Esta cena tem aquele cheiro de mato, de natureza, fascinando crianças da cidade, da selva de pedra, na magia da vida viril ao ar livre, no gaúcho paladino criando bois montado num altivo cavalo, no símbolo da virilidade da famosa Estátua do Laçador, em Porto Alegre, num gaúcho sempre vigilante, como num salvavidas atento no posto à beiramar, em homens valorosos que zelam por nossa segurança. Aqui o animal felino pode ser vegano, devorando a folha, no modo como eu, “carnívoro”, não nego de vez em quando uma refeição vegana, no modo como já ouvi dizer: A dieta vegana favorece muito o fluxo intestinal. A ferocidade traz aqui também a suavidade do pelo do animal, afável, macio, suave, de toque delicado, amoroso, cuidadoso, numa pessoa que não quer enganar os outros, no caminho terno e eterno do apuro moral.

 

Referências bibliográficas:

 

Angela Gram. Disponível em: <www.angelagramart.com/about>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.gallerypoulsen.com/en/artists>. Acesso em: 24 jul. 2024.

Angela Gram. Disponível em: <www.wowxwow.com>. Acesso em: 24 jul. 2024.