O pintor italiano Annibale Carracci (1560 – 1609) recebeu aprendizado de sua própria família, tendo trabalhado com um irmão e um primo. Técnica perfeita. Retratou temas religiosos e de mitologia, obtendo o respeito de outros artistas. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Retrato de um homem bebendo. A universalidade do Álcool, em deuses da festa, do oba oba, da alegre embriaguez. O cálice é a transparência de um amigo autêntico, um amigão de verdade, num relacionamento que resiste à passagem do tempo, no modo como a Eternidade é o caminho natural para qualquer reconciliação – os ressentimentos não são eternos, na noção taoista de que tudo se resolve por si, naturalmente. A jarra é como a esfera translúcida do famoso Jesus de da Vinci, num quadro bilionário, valorizadíssimo. A esfera é o mundo perfeito metafísico, num mundo de amigos, de apuro moral, de profunda e inabalável paz, numa vizinhança em que todos se respeitam, no reencontro de entes queridos, como aquela avó que tanta saudades nos dá, num lugar maravilhoso em que a seriedade da vida não para, pois todos os desencarnados têm que fazer algum trabalho, algo muito diferente do que um céu ocioso com anjinhos tocando harpas, num lugar maravilhoso no qual não há desemprego, na pergunta inevitável a qualquer amigo que vemos lá em cima: Onde você está trabalhando? O homem aqui aproveita tudo, e bebe até o último gole, numa bebida que é para ser degustada em suas nuances, ao contrário do alcoólatra, o qual quer exclusivamente injetar Álcool na corrente sanguínea, como um senhor que conheço, o qual, alcoólatra, está há mais de meio século sem botar uma gota de Álcool na boca, num caminho de disciplina e responsabilidade, no modo como, antigamente, o Alcoolismo era visto como um desvio de conduta moral: O Fulano é um safado que fica bebendo por aí! O vinho decantado é a serenidade plácida, numa paz, numa pessoa que está bem, lá em cima, em paz, como disse um certo espírito desencarnado a um espírito amigo encarnado: “Eu estou bem, aqui! Não penso em voltar para a Terra para uma nova encarnação, no momento”, remetendo a uma senhora querida, a qual já faleceu, uma senhora católica ardorosa, que não aceitava o conceito espírita de reencarnação, no modo como eu gostaria de dizer hoje para ela: “Se quiseres, há a oportunidade de voltar para a Terra numa nova encarnação e numa nova missão de aprendizado. Viu como os espíritas não estavam errados?”. Aqui é o redentor momento do happy hour, da folga após o sisudo labor, em gravatas afrouxadas, no hábito de chegar em casa, no fim do dia de labor, e tomar um drinque, remetendo a uma grande amiga minha, engraçada, que cantava: “Eu bebo sim, e estou vivendo! Tem gente que não bebe e está morrendo!”, no modo como os amigos são ouro da vida, pois como o Amor é tão subestimando pela crueldade natural do Ser Humano, pois, no fim das contas, tudo se resume ao Amor Incondicional, leve, desapegado, com toda a Eternidade para nos relacionarmos com tais entes, no imensurável poder da Eternidade, em nossas vidas que jamais cessarão, havendo na Eternidade o caminho lógico, pois nada teria sentido se tudo acabasse no óbito do corpo físico, na noção taoista de Santo Agostinho de que a mente sobrevive à morte da carne: Se seu corpo morrer, não tem problema, na universalidade da espiritualidade humana, no modo glorioso como o Taoismo foi concebido há milênios, e permanece altamente atual hoje em dia, em plena Era Digital, no modo como o pensamento elevado não está sujeito à passagem do tempo, a qual é uma ilusão, nos sinais auspiciosos das pedras preciosas, as quais parecem ser eternas, mas não são, pois são Matéria, e tudo de material está fadado à danação, cedo ou tarde. Aqui remete a um senhor caxiense que conheço, o qual faz programas de televisão sobre vinhos, provando os belos vinhos da Serra Gaúcha, numa bebida cara, pois demanda um intenso trabalho para ser produzida, ao contrário da preferência nacional brasileira pela cerveja e pela cachaça, as quais são bem mais baratas do que vinho, na questão de moderação: Beba com responsabilidade. Aqui é um momento solitário de prazer, na inevitável solidão da Vida, no modo como todos temos que ter momentos de retiro e reclusão, nos versos de uma recente canção pop: “O caminho é solitário!”.
Acima, Sagrada família. Aqui é esta predileção de Carracci por cenas religiosas bíblicas, vindo de todo um contexto renascentista, na arte clássica que por tanto tempo durou soberana, só havendo transgressões posteriores, muito tempo depois, como na explosão impressionista, no inevitável galgar das tecnologias, como o advento da Fotografia, como nos dias de hoje, sepultando a era dos filmes fotográficos revelados em laboratórios, ou nos tempos em que havia o suporte físico do vinil, do CD, do VHS e do DVD, havendo hoje tudo reduzido a software, na era do Download e do Streaming, perdendo para sempre o fetiche do produto, do tangível, no material, do palpável, do bem de consumo que levamos para casa – até onde vai a Humanidade? A manjedoura é a simplicidade, na simplicidade do sacro Graal, uma taça simples, de material comum, na simplicidade do homem nobre, o qual nunca esnoba o cidadão comum, num rei simples, que gosta de tomar um café bem comum, do povo, no modo como o líder que se afasta de seu próprio povo deixa de ser líder, num Romanov destituído pela Revolução Comunista, resultando na cruel execução da família imperial russa, inclusive crianças, dando aos comunistas o apelido de “comedores de criancinhas”, na eterna inclinação humana para a Crueldade, como queimar pessoas vivas em fogueiras, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo algo que Ele jamais faria. A nudez é a simplicidade e a inocência, no inocente modo como viemos ao Mundo, nas expectativas em relação a um filho homem ou uma filha mulher, nos preconceitos do Mundo: Do homem se espera ser o maior comedor de bocetas do Mundo, com o perdão do termo chulo; da mulher se espera ser pura e casta, no termo machista: “Bela, recatada e do lar”, numa princesa donzela entregue pura e casta o marido na Igreja, sempre na sombra de um homem, sempre uma cidadã de segunda categoria – é um horror. José aqui está discreto, coadjuvante, sabendo que o filho não é dele, mas aceitando a vontade divina, nas palavras de uma certa senhora intelectual que conheci, divertida: “Maria foi uma puta, que topou ter filho com quem não era marido dela”, com o perdão do termo chulo, no modo como os protestantes escandalizaram o Vaticano ao negar o culto à Virgem Santa, na herança protestante dos EUA, o país livre e democrático em que o cidadão não pode se prostituir, ou seja, o corpo não pertence ao cidadão, mas ao Estado, num paradoxo, não? O menino limpo aqui não está com qualquer traço de placenta ou fluidos sanguíneos, num parto feito de forma tão simples, sem sabermos como o cordão umbilical foi cortado, e aqui temos uma imagem perfeita e apolínea, num parto que não sabemos como ocorreu. Maria aqui reza, no mito da Santa que serve para nos dizer que nada se perde, e que nada nem ninguém á pequeno demais para desmerecer a atenção total de Deus, no modo como cada um de nós é infinitamente especial e único, com todos pertencendo à Grande Família Estelar, na vitória do pensamento sobre a carne, na imortalidade que nos foi dada, no presente inconcebível da Vida Eterna, o grande caminho lógico. O véu sobre a Virgem é delicado e expressa recato, no costume de várias culturas em impor o uso de véus e panos sobre as cabeças das mulheres, numa questão de recato, nessa eterna capacidade humana em tolher a mulher, num machismo patriarcal indestrutível, havendo no Desencarne a revelação de todos sermos iguais perante Tao, no modo como os anjos são assim, sem sexo, espíritos felizes que vivem livres batendo suas asas de apuro moral. José empunha um discreto cajado patriarcal, no poder do falo, como o no formato do Código de Hamurabi, assustando o homem comum, forçando este a se comportar e ter apuro moral, nos naturais mecanismos sociais que punem quem falta com tal apuro. Aqui o Menino repousa plácido e silencioso, muito longe dos bebês comuns, que acordam no meio da noite chorando, interrompendo o bom sono nos pais, na responsabilidade de se ter um filho no Mundo.
Acima, Senhor, para onde vais? Jesus apontando é uma objetividade, no jargão genial de Allen: “Subjetivo é objetivo”, na sabedoria popular de que a verdade vem à tona, no termo latino de que a verdade é filha do tempo. Jesus aqui carrega seu fardo encarnatório, nas vicissitudes de uma encarnação, remetendo a um senhor pregador que vi certa vez na Rua, um homem que carregava uma cruz enorme, num fanatismo, como em homens que se submetem a ser de fato crucificados, numa ação condenada pelo Espiritismo, o qual diz que devemos mortificar o corpo, e não a carne, no caminho da mortificação, a um ponto em que o indivíduo fica imune aos tolos apelos auspiciosos mundanos, na questão taoista de que o homem saudável está farto de estar doente. Jesus aqui é tal superstar, de carisma imortal, resultando na perseguição contra os judeus, os quais são livres para aceitar ou não a divindade de Cristo, num povo que até hoje sofre preconceito, como os ciganos, perseguidos, mal vistos, em Caim eternamente perseguindo e matando Abel, em icônicas passagens bíblicas, no livro mais impresso e comprado do Mundo, numa divertida passagem no seriadão The Big Bang Theory, quando uma psiquiatra diz a uma devota apegada à Bíblia: “Você não tem a capacidade de ler outros livros?”, na questão do xiita, numa pessoa que ignora a universalidade humana, pois qualquer radicalismo foge da sabedoria. Os pés descalços são a simplicidade, como na sensação de libertação na beira da praia, no modo como a orla pode ser tão prazerosa, numa libertação, como nadar nu no Mar, na inocência da nudez, inocência que o Renascimento teve para contrastar com o Gótico, como na inocente genitália do Adão de Michelangelo. O homem ao lado se assusta, talvez num Jesus ressuscitado, abandonando o jazigo, elevando-se a uma dimensão superior, na qual as vicissitudes da Matéria perecem, no glorioso dia de libertação que a todos nós chegará – ninguém está no Mundo para sempre, meu irmão. Jesus tem essa beleza, no corpo de um atleta no auge de sua forma, no modo como há tantas pessoas obcecadas em ter um corpo bonito, como eu gostaria de dizer a alguém assim, esses “ratões” de academia: “Eu não estou dizendo que você não pode puxar ferro; eu só estou pedindo que você faça algo além do que só puxar ferro. Só isso”. O céu azul ao fundo é uma promessa de um mundo melhor, mais limpo e mais nobre, nas culturas populares de celebração da Vida, como na Festa da Uva caxiense, num momento em que a comunidade se une e celebra a beleza de Tao, na sensualidade das vindimas italiana, no poder do Verão, da Vida, da libido da Natureza, na divertida comédia Decameron, na explosão erótica da Vida, fazendo do Sexo algo natural no Ser Humano, lidando de forma natural com os escuros e proibidos pecados capitais, os quais são positivos, no modo como não me canso de dizer: Foi da Preguiça que nasceram grandes invenções da Humanidade, como a Roda: Para que me matar carregando coisas se posso fazê-lo comodamente numa carroça com tração animal? Por que me punir por comer um inocente brigadeiro de panela? É como na crença de que, no Céu, nós comemos doces, mas não engordamos! O senhor idoso na cena está incrédulo com o milagre do renascimento, o qual nada mais é do que o Desencarne, no túmulo vazio, sem qualquer vestígio de Jesus, no modo como Ele hoje, lá em cima, não se lembra de sua própria crucificação, dizendo: “Todos me falam de tal crucificação, mas eu não lembro!”, havendo Nele nosso irmão depuradíssimo, nas palavras de adeptos religiosos: “Jesus te ama!”. A coroa de espinhos aqui não parece mais ferir, numa humilhação no Calvário, com doses monumentais de sociopatia: Não és um rei?Então eis tua coroa! É muita crueldade. Jesus aqui está rumando para outro lugar, outra dimensão, como numa pessoa se mudando de lugar de moradia, para outra cidade, nas gloriosas cidades metafísicas, as quais são limpas e sem criminalidade, um lugar onde cumprimentamos de forma desapegada nossos entes queridos, na dimensão em que tenho a clara noção de que estou entre amigos.
Acima, Alegoria da verdade e do tempo. Abaixo no quadro, com a moça deitada, temos uma rendição, um entorpecimento, como no Marte de Botticelli rendido perante Vênus, na vitória da paz e da beleza, no modo como o homem de bem não quer guerras nem desentendimentos, no modo como a Eternidade é o tempo para a resolução de qualquer desavença, no caminho natural do perdão – as mágoas têm prazo de validade; a paz, não. A moça deitada é um tanto pisoteada, numa submissão, como numa pessoa sofrendo assédio moral dentro de uma empresa, um assédio que eu próprio já sofri, num ambiente tóxico, desinteressante, no qual ninguém se respeita, tudo culpa de quem está no topo da hierarquia, como uma infeliz sociopata que conheci, a qual, em posição de poder, envenenou todos abaixo de si, num lugar onde pairava um odor de desamor – nada mais próprio para uma sociopata de apuro moral paupérrimo, pois se não quero enganar os outros, é porque estes amo, e o melhor da Vida não se compra, que é Amor, e tudo acaba se resumindo a Amor, ao Amor desapegado, leve, com toda a Eternidade para nos relacionarmos, como cumprimentar sutilmente uma pessoa na Rua, sabendo que teremos o infinito para nos relacionarmos, ao contrário do amor obsessivo, fixado, doente e possessivo, num desespero, como uma pessoa que conheci, a qual se submeteu a ficar fixada em outrem, num amor bem patético, como numa cena do filme espírita E a Vida continua, com um rapaz obcecado por uma moça, tendo que ser contido por espíritos amigos, que sabem que tal amor é doente e inválido, no modo como tudo acaba se reduzindo a Saúde, psíquica ou física, havendo no Plano Superior tal Saúde inabalável – as cidades físicas tentam imitar as metafísicas. À direita, um rapaz florido, na beleza da Vida, da exuberância, em cidades como o Rio, numa mescla linda de urbe com natureza, uma cidade que pulsa Vida e beleza, apesar de ser uma cidade com um grande problema de segurança pública, com muita droga circulando, as drogas que tanto destroem vidas, famílias e carreiras, havendo no traficante a imagem do sociopata, só querendo ganhar dinheiro, pouco se importando com o sofrimento dos usuários, um traficante que, ao desencarnar, vai perceber a sua própria falta de apuro moral, querendo reencarnar e partir em busca do tempo perdido. À esquerda vemos o falo retilíneo, no poder do pensamento racional, impondo-se sobre as serpentes da doença e da malícia, no modo como os povos indígenas não conseguiam entender a imagem de Nossa Senhora esmagando a serpente, imagem fruto da culpa cristã em relação a sexo e sexualidade, em religiões em que temos que pedir perdão por termos nos masturbado, na culpa escura do pecado, rechaçando os gostosos pecadinhos capitais, como apimentar a vida sexual com o cônjuge, talvez fazendo inocentes comprinhas em sexshops, na imposição tradicional do vestido branco para a noiva, a qual tem que jurar que só fará sexo com a intenção de reprodução. Ao centro do quadro, em inocente nudez, vemos um contraste entre juventude e velhice, na inevitável passagem do tempo, no modo como todos envelhecemos, como afirmou certa vez Barbra, a qual dizia que, na fama, as pessoas envelhecem publicamente, nas exposições midiáticas, as quais podem ser complicadas, numa celebridade que não pode caminhar em paz numa rua, como Michael Jackson, o qual não podia caminhar calmamente por qualquer lugar do Mundo, fazendo o famoso e vibrante videoclipe Scream, no qual o astro morava numa nave espacial, longe da Terra, numa rota de fuga, fugindo de assédios tolos, não podendo comer em paz num restaurante, como a atriz Patrícia Pillar, com a qual trabalhei, na atriz dizendo ser um saco ficar dando autógrafos em lugares públicos. Nesta cena vemos uma fonte, que é a Vida, neste mecanismo perfeito e enigmático que é a Terra, uma esfera autossustentável, com nascentes de água doce nascendo das entranhas da Terra, desembocando em águas salgadas, num mistério, no milagre da Vida, algo que os cientistas ainda não encontraram fora de nossa rica esfera que chamamos de Lar – temos que dar ouvidos aos apelos dos ecologistas, pois o Ser Humano, fora da Terra, não tem para onde ir.
Acima, Vênus e Cupido. Os pombos enamorados rendem o termo “pombinhos”, para designar um casal apaixonado, no modo como vi certa vez na Rua um casal de pombos acasalando, na naturalidade do Sexo para a manutenção da Vida, nas palavras de Dercy Gonçalves, a qual disse que se Sexo não fosse prazeroso, ninguém faria filhos, como nas extensas famílias de antigamente, com uma prole numerosa, em épocas em que não havia TV ou outros meios de entretenimento, fazendo do Sexo a principal diversão, como na zona de imigração italiana gaúcha, com proles numerosas, remetendo ao marido de minha tia, um homem com mais de dez irmãos. As nuvens são a suavidade, em tecidos macios, sedutores, românticos, num casaco de pele, suave ao toque, irresistível, como na hierarquia espiritual, na qual tudo gira em torno do fino, que é maior do que o grosso, em pessoas equivocadas, que creem que a brutalidade é o melhor caminho, num Ser Humano eternamente equivocado no sentido de subestimar o que há de mais fino, que é o Amor, em entes queridos que nos iluminam lá de cima, na imortalidade das amizades, fazendo das joias preciosas cópias meras de tal eternidade – o metafísico paira acima do físico. Vênus aqui está cômoda em sua nudez, sem pudores ou cargos escuros de pecados, no modo como o grego antigo lidava tão naturalmente com a nudez, sem a culpa católica, na imposição da nudez renascentista “invadindo” o Vaticano, numa revisão de valores, na força das vogues, das ondas, no pulo do gato do Cinema, quando a Sétima Arte se tornou algo sério, na expressão de pensamento humano, em posicionamentos políticos contundentes, com no manifesto de A Lista de Schindler, causando comoções ao mostrar os campos de concentração, os quais foram exemplos perenes da crueldade humana, tudo por causa de um sociopata que obteve tanto poder, numa inteligência brilhante a serviço de um coração podre, ao contrário de tantas pessoas toscas, porém de nobre coração, em pessoas generosas, das quais jamais nos esqueceremos, nos amigos imortais. Vênus segura uma esfera, que é o Mundo, numa pessoa que conquistou o Mundo, obtendo respeito, o qual é tudo, no caminho da dignidade, da integridade e da austeridade, ao contrário de uma pessoa que conheço, a qual leva vida dupla, com duas casas, duas famílias, dois cônjuges e duas proles, algo seríssimo, deprimente em eu saber que tenho meios irmãos meus no Mundo os quais sequer conheço, no modo como tal pessoa de vida dupla vive infeliz em cima de um muro – nem totalmente aqui; nem totalmente ali. As flores nos cabelos são tal beleza e feminilidade, como na famosa foto de uma moça no evento de Woodstock, com flores silvestres enfeitando seus cabelos, na revolução de Chanel, afirmando que o que pesa não é o valor financeiro do adorno, mas o efeito que este gera, na revolução das bijuterias, acessíveis em termos de custo, produzindo lindos efeitos de feminilidade, rechaçando a ideia de que só mulheres ricas podem se belas. O cupido está com sua flecha fálica, penetrando fundo em corações, no milagre que é o Amor, no Amor entrando em nossas vidas, em relacionamentos que, mesmo não tendo durado a vida inteira, foram eternos, numa pessoa que, amando, está em paz com o Mundo, amando e aceitando este, numa pessoa muito especial que nos ensina que podemos ser muitos felizes com pouco, num momento da vida que traz simplicidade, nos verso de Tim Maia: “Quando a gente ama, não pensa em dinheiro! Só se quer amar!”. É a dádiva do Amor, longe de sociopatas insensíveis. Vênus conversa com o Cupido, e este olha para o espectador, talvez querendo fazer seus enlaces de casais, como uma prima de minha mãe, a qual apresentou minha mãe para o meu pai, num papel de Cupido. Neste quadro temos uma elevação de beleza, na promessa cristã do Reino dos Céus, no glorioso dia de libertação que chegará, fazendo da Terra tal faculdade suprema, no caminho autodidata – as pessoas precisam aprender Tao por si mesmas.
Acima, Vênus, Adônis e Cupido. O Cupido sorri, como se estivesse se divertindo com o flerte aqui, na união de Eros entre os opostos que unem o Cosmos, como numa pessoa que conheci, a qual, em segredo, atendia num número telefônico de telessexo, numa espécie de vida dupla, talvez querendo explorar questões sexuais mal resolvidas – vai entender? Ao contrário de Vênus praticamente nua, Adônis está vestido, pudico, como nas decentes vestes da Nossa Senhora de Caravaggio, de Locatelli, com o corpo todo coberto com pudor, deixando à mostra somente seus brancos pés de pureza, na simplicidade de se andar dentro de casa com pés descalços, no termo carioca “muvuca”, que designa o local de conforto do lar, neste pequeno reino em que tudo é do nosso jeito, como certas pessoas que conheci, as quais não respeitavam muito minha casa, e eu acabei extirpando essas pessoas de minha vida, em amizades fúteis, que não fazem falta, ao contrário do amigão de verdade, em relacionamentos que sobrevivem à morte do corpo físico, no milagre da Ressurreição de Jesus, na vitória da Eternidade. Vênus está com um adorno altivo na cabeça, parecendo uma princesa, na questão da dignidade das famílias de realeza, famílias respeitadas, que representam toda uma tradição, uma virtude e uma beleza, num paradoxo, em famílias finas e ao mesmo tempo grossas, nas quais homem é varão e mulher é fêmea, sendo heresia tudo o que se desviar disso – é um horror. Vemos aqui os pombos de Carracci, representando a formação de casais, em momentos públicos de interação social, no qual ocorre o flerte, o namoro, como em missas em templos, nos jovens se olhando e flertando, numa referência nobre, que é a Igreja, como os grandes amigos que fiz em Porto Alegre, referências nobres, da faculdade, da PUCRS, ao contrário de outras amizades que tive, cuja referência não era nobre, mas não se tratando necessariamente de pessoas tóxicas, ao contrário do sociopata, que é um amigo falso, interessado em nossa ruína – proteja-se, irmão! Vênus carrega Cupido como um filho, no poderoso binômio mãe/filho, na imagem da Virgem Santa com o filho de Deus, no poder de datas religiosas como Páscoa e Natal, com toda uma tradição milenar, em pessoas que se apegam à religião, como minha querida avó falecida Nelly, uma senhora que, nos últimos tempos de vida, apegou-se muito à religião, em imagens de esperança como a do Espírito Santo, na beleza eterna, que assim seja! Adônis segura um arco, no poder fálico de São Jorge matando o dragão do Mal, libertando a virginal donzela indefesa, ao contrário de figuras como a Mulhergato, nunca esperando por um príncipe encantado que jamais chegará, na ilusão de contos de fada, como numa certa canção de Taylor Swift, na mocinha encontrando seu príncipe perfeito, como um certo casamento que conheço, o qual naufragou por ele frustrar as expectativas dela, havendo esta, no momento de desposar no púlpito, acreditando que estava se casando com um príncipe, o qual acabou se revelando sapo – fazer o quê? A frustração de expectativas faz parte da Vida, num caminho de mortificação, numa pessoa que não mais se ilude, colocando os pés no chão, resistindo a tolos apelos auspiciosos. Adônis aqui tem um fiel cachorro, um fiel companheiro. Adônis faz aqui uma proposta para Vênus, a qual só cederá se por uma proposta séria e sólida, ao contrário de amores impossíveis, sem uma base concreta de sustentação, nos versos de uma certa canção pop: “Flores são o caminho para teu coração, mas o homem precisa começar com tua cabeça!”. Vemos aqui uma Vênus sendo cortejada, numa posição passiva e magnética, como água correndo para o ponto mais baixo, numa teia sedutora, em lendas como a da rainha egípcia Cleópatra, seduzindo grandes homens, fazendo de tal charme um instrumento de estadismo, em capacidades de reger um estado, defendendo os interesses deste, em fenômenos feministas como Elizabeth I, num divisor de águas na História da Inglaterra, com a deusa Cate Blanchett como atriz interpretando a exímia estadista. Vênus aqui avalia a proposta, sendo exigente.
Referências bibliográficas:
Annibale Carracci. Disponível em: <www.meisterdrucke.pt>. Acesso em: 14 ago. 2024.
Annibale Carracci. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 14 ago. 2024.






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