quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Ânimo de Annibale (Parte 2 de 4)

 

 

Falo pela segunda vez sobre o pintor italiano Annibale Carracci. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, O Bacante, Vênus, Sátira e dois cupidos. Aqui são as idas eras em que a mulher gordinha era considerada sexy, ao contrário de hoje em dia, quando só é considerada sexy uma mulher que esteja na antessala da Anorexia, num padrão cruel que detona a autoestima da menina e da mulher, remetendo a um recente comercial de sabonete, quando se banhava uma mulher acima do peso, dizendo ter uma beleza que não se encaixa em padrões, nos benefícios de psicoterapias, as quais servem para nos dar autoestima, quando um depressivo, num fundo de poço depressivo, está com sua autoestima completamente dilacerada, sentindo-se um lixo, mais ou menos quando uma pessoa leva do(a) namorado(a) um pé na bunda, com o perdão do termo chulo. Vênus aqui está alheia, numa timidez sexy, querendo se preservar e resguardar-se, numa pessoa que não gosta de holofotes midiáticos, no preço que uma celebridade paga por sê-lo, mal podendo caminhar em paz na Rua, como vi certa vez num shopping o assédio a este senhor o qual admiro e respeito profundamente, que é Luis Fernando Verissimo, com pessoas querendo tirar selfies com ele, uma situação que Verissimo, no fundo, achava um saco de batatas a ser carregado sem alças, na contramão de outras pessoas aspirantes a celebridades, na gíria “Robert”, que designa os que querem, acima de tudo, midiatização, na noção taoista de que ninguém no fundo respeita tal exibidinho, no valor da discrição, como numa discreta Meryl Streep, vivendo em paz sua vidinha, trabalhando, conquistando o respeito do Mundo, no caminho da humildade, como uma Gisele, dizendo a fãs num set de filmagem de um comercial de TV: “Tenho que trabalhar!”. O Bacante está embriagado, é claro, na magia do vinho, esta bebida tão milenar, conquistando paladares no Globo todo, na universalidade da bebida alcoólica, na injeção de Álcool no sangue, causando tal relaxamento, como no glorioso momento do happy hour, quando a sisudez é deixada de lado por um momento, e trabalhadores afrouxam suas gravatas para tomar um pileque bem merecido, no modo como a Vida não é só trabalho, havendo a infeliz figura do workaholic, o qual só trabalha e não vive, no modo como eu próprio já tive uma fase de obsessão por trabalho, o suficiente para aprender que não vale a pena, pois o Mundo não se importa se sou workaholic, no caminho da pessoa em respeitar a si mesma, permitindo-se descansar e pausar – tudo se resume a Amor próprio. Os cupidinhos são a inocência, atirando suas flechas de afeto, numa canção pop: “Pois a noite pertence aos amantes; pois a noite pertence ao Amor!”, numa pessoa se permitir a viver uma história verdadeira, que fica no fundo da alma como uma tatuagem, em experiências que nenhum tempo apaga, nas amizades eternas, mesmo não mais namorando de fato, pois os amigos são o ouro da Vida. O Bacante faz uma oferta de uvas, símbolos da vinificação, na sensualidade veranil das vindimas, como na amada Festa da Uva de Caxias do Sul, num momento em que a comunidade se une em torno da Vida, celebrando o fruto dourado do trabalho, sabendo que não há vitória sem luta, herdando do imigrante italiano tal dedicação ao labor, num colono que não trabalhava no Domingo só porque a religião e o padre não permitiam, restando ao colono, em tal dia, visitar os colonos do lotes vizinhos, levando a este coisas do próprio pomar. A Vênus aqui é aristocrática, arrumada, como numa Evita e uma Elizabeth I, as quais levavam extremamente a sério o se arrumar na hora de vir a público, conquistando, assim, os corações do povo, como um certo babaca, cujo nome não mencionarei, o qual conquistou o povo por ter uma aparência acima de qualquer suspeita, no modo como os sociopatas, apesar de minoria, estão entre nós. O cabelo da deusa é arrumadíssimo, com horas de dedicação numa cadeira de cabeleireiro, no caminho da autoestima, numa pessoa que gosta de si mesma, arrumando-se, no código de conduta da atividade de Psicologia, com terapeutas com autoestima, que se cuidam e arrumam-se, no ato de se perfumar, gostando de si mesmos. O pingente é singelo e elegante, chic, valioso, elegante, numa pessoa que aprendeu a lição da sutileza, entendendo que grosso é fraco e que fino é forte.

 


Acima, O batismo de Cristo. A água é símbolo máximo de purificação, como na água benta na entrada de templos, nas bênçãos do padre com água benta, como no costume espírita de se fluidificar água em sessões de passe, tudo dependendo da fé da pessoa – se você não tiver fé, nunca entre num centro espírita, pois a fé é diferente da garantia racional, no costume científico de não conseguir ver além da morte do corpo físico, pois a Eternidade sobre a qual podemos falar não é a verdadeira Eternidade, havendo Deus no infinito, pois o infinito é a explicação lógica para tudo, pois nada teria sentido sem o infinito; nada seria válido se tudo acabasse com a morte do corpo físico. João Batista carrega o cajado fálico patriarcal, na imagem dos patriarcas bíblicos, deixando a mulher de lado, dando a esta o papel passivo de Maria, a mulher sem história, na pressão de padrões de beleza que não permitem que a mulher envelheça, na figura da boneca Barbie, a mulher que nunca envelhece, havendo na boneca a metáfora da plenitude metafísica, no plano em que não há passagem de tempo, com todos jovens, belos e atuantes sempre, no poder do trabalho, no modo como o Céu é assim, o plano em que nos deparamos com a necessidade de nos mantermos ativos e operantes, na pergunta inevitável que fazemos a um ente querido lá em cima: “Onde estás trabalhando?”, pois até Deus trabalha e é atuante, não havendo sentido numa vida ociosa, desinteressante, como uma infeliz senhora que conheço, uma dondoca rica ociosa de uma miséria tal ao ponto de só lhe restar fazer fofocas da vida de outrem, numa pessoa tão rica e tão miserável, a qual, ao desencarnar, dar-se-á conta de tal vazio, querendo reencarnar e partir em busca do tempo perdido. Aqui os anjos estão em júbilo, como numa pomposa coroação de monarca britânico, no momento em que todos os britânicos de unem em respeito à tradição, ao contrário do ponto de ruptura da Revolução Francesa, com a realeza guilhotinada e o conceito democrático nascendo, resultando no poderoso paradigma democrático atual, como no sistema das monarquias parlamentares, na ironia de que o rei ou a rainha da Inglaterra são impedidos de votar em eleições, na máxima: “Reina, mas não governa”. No topo, no ponto supremo, temos é claro, Deus, nesta imagem de sumo patriarca, como nos patriarcas islâmicos, na figura do cacique indígena, num mundo de homens, no qual a mulher é um cidadão de segunda categoria, na misoginia do mito de Eva, a mulher que corrompeu o perfeito Adão e trouxe todo o Mal à Terra. Temos aqui a imagem esperançosa do Espírito Santo, na promessa de que chegará o glorioso momento de Desencarne, como uma cobra trocando de pele, deixando para trás tal roupa esfarrapada e vestindo uma roupa nova e eterna, no modo como o desencarnado tem a aparência que quiser ter lá em cima, como num sonho que tive com uma amiga minha, a qual, na Terra, não é bela, mas, lá em cima, no mundo real, é uma mulher linda, cheia de autoestima, como no bestseller Violetas na Janela, quando a moça desencarnada, ao se deparar com um espelho, ficou com o cabelo exatamente como queria, no glorioso momento de retorno ao lar, com nossos entes queridos, todos belos, jovens e atuantes, produtivos, havendo na ociosidade um veneno para a mente, como dois casais que conheço: Um casal está atuante, ocupado com atividades virtuosas e importantes, enchendo seus dias com valor e significado; já, o outro casal está ocioso, inoperante, levando uma vida desinteressante de ociosidade. Anjinhos na cena tocam instrumentos musicais, na universalidade da Música, da Arte, algo que nos faz humanos – os macacos não encenam peças teatrais. Batista aqui tem seu papel importante de batizar o Santo Homem, num poder que ecoa até os dias de hoje, numa passagem que tanto se propagou, no Homem mais célebre da História, ao ponto de custar mais de um bilhão de dólares – sim, com b de bola – um quadro de da Vinci de Jesus. Pessoas no quadro apontam para Jesus, elegendo este como Mensageiro divino, no modo como ninguém pode, de fato, resolver os problemas do Mundo.

 


Acima, O martírio de São Sebastião. Aqui é como uma pessoa criticada, alvejada, submetendo-se a tais flechadas, como uma pessoa ousada pode sofrer tantas críticas, como uma certa popstar, totalmente alvejada e crucificada, pagando o preço pela ousadia, dando a volta por cima e superando tais flechas, uma mulher que entrará para a História como um dos maiores artistas de todos os tempos, naqueles artistas que só são devidamente reconhecidos postumamente, como Van Gogh, em pessoas cujas mortes “viram o Mundo de cabeça para baixo”, como Diana em seu esmagador e superatômico carisma, numa devoção que beirava o religioso, como disse um certo jornalista num show do cantor Leonardo: “Dá para respirar aqui uma devoção!”, em artistas respeitados que entram em nossos lares, como se estivéssemos os recebendo em nossas casas e lhes servindo um café comum, do povo, na simplicidade do rei de verdade, o qual ama a simplicidade do povo, num líder que sabe que não pode se afastar do povo, como numa cena à mesa no clássico Titanic, quando um homem de verdade traz simplicidade de não esnobar Jack só porque este era pobre, dormindo este no setor mais humilde do famoso navio – cada um precisa aprender por si a simplicidade, num caminho autodidata, pois não há livro ou faculdade que nos ensine a brilhar, num Jesus intuitivo, cheio de instintos, conversando com senhores intelectuais, um homem que, apesar de nunca ter tido educação formal, tornou-se a maior cabeça da História, na garantia divina do Reino dos Céus, o lar primordial ao qual todos pertencemos, na Grande Família Estelar, a qual paira acima de algo inferior, que são as realezas mundanas, as quais são meras cópias do Metafísico atemporal. O santo joga suas mãos para o Céu pedindo alento, nas palavras de Jesus na Cruz: “Senhor, por que me abandonaste?”. É num momento de dor, numa pessoa se perguntando o porquê de tanta dor, como tive certa vez severas dores abdominais, num momento de desalento, em que a pessoa se sente abandonada, como na mulher ao final de O Iluminado, tendo só a si mesma para se defender de um marido em pleno surto psicótico, fora de si, no terror psicológico do gênio King, o rei do Terror, adaptado ao Cinema por outro rei, que é Kubrick, como na junção do monstro Jobim com o monstro Elis – não tem como dar errado. Ao fundo vemos um castelo indiferente, frio, como uma pessoa egoísta, que só pensa em si mesma, como no playboy fútil Oscar Schindler, compadecendo-se com os sofrimentos do Mundo, em personagens que crescem, num caminho de esclarecimento, em limpar uma janela para ver o Mundo da forma mais nítida e realista possível, como num trabalho de Psicoterapia, na função do terapeuta em nos mostrar as coisas da forma mais fria possível, precisando haver uma lacuna emocional entre paciente e terapeuta, ao ponto de existir terapeutas que não se socializam com o próprio paciente, querendo, assim, manter a frieza científica. Ao fundo vemos cavalos impetuosos, num artista ousado, com suas ambições, querendo ganhar o Mundo, na construção de grandes carismas arrebatadores, no problema que é ganhar um Oscar – o vencedor tem que saber virar a página e, com humildade, encarar um momento pós consagração, na noção taoista de que o sucesso é um problema, com artistas com dificuldade em superar tais cobiçados troféus mundanos. A nudez aqui é humilhante, numa grande condenação, numa pessoa que se torna o epicentro de um furacão, em comoções catárticas, como um ator tendo uma catarse no set, no momento mágico em que ator desaparece e personagem aparece, como nos grandes atores, que somem perante o personagem, em interpretações assombrosas, nas quais o ator simplesmente some, mostrando somente o personagem, num dom e num talento, numa pessoa que nasceu com tal instinto, tal dádiva. O céu é escuro aqui, agourento, num momento ruim, de tempo feio, como no final do blockbuster Caçafantasmas, num céu negro de fantasmas dantescos, malévolos.

 


Acima, O sono de Vênus. Os anjinhos são a inocência, numa época em que a Vida é mais simples, no modo da criança em se contentar com pouco, ao contrário do adulto, que é cheio de critérios e exigências. Vênus está totalmente relaxada, dormindo, num doce sonho de bebê, plácido, sem qualquer pesadelo, numa noite bem dormida. A deusa tem o corpo todo branco, remetendo a um controverso anúncio de fragrância, a Opium, ou seja, Ópio, na modelo totalmente nua, pálida, contorcendo-se em euforia na droga, como na Cocaína, na sedução das drogas, este problema social tão grande, não só nas vítimas da substância, mas na violência decorrente do Narcotráfico, remetendo ao filmão O Gângster, nesse desespero para traficar droga, num traficante exímio que acabou preso, sendo solto sem lenço e sem documento, jogado à dureza do Mundo, no modo como cidades etéreas como Nova York podem ser tão duras e cruéis. Claro que a deusa é a estrela do quadro, mas ao mesmo tempo ela não está exatamente no centro, retirada, num merecido momento de descanso, remetendo a um senhor workaholic que conheci, uma pessoa que trabalhava demais, chegando ao ponto de ficar 48 horas ininterruptas trabalhando, sequer se permitindo descansar – é muito degradante. Apesar da deusa aqui estar em sono tão profundo, temos uma festinha, como os anjinhos tocando instrumentos, como numa inocente festinha de crianças, no anfitrião recebendo os amiguinhos, no momento mágico de cantar parabéns frente às velas do bolo, no modo como a criança, no dia de seu aniversário, sente-se a pessoa mais importante do Mundo, remetendo à senhora minha mãe, arrumando zelosamente uma mesa de festa, com muitos docinhos para agradar os convidados, remetendo à melhor crônica de toda a carreira de Luis Fernando Verissimo, narrando uma festinha infantil, num escritor que pode ser tão divertido e sagaz, um homem que, ao escrever, fica nítido frente ao Mundo, no sentido da pessoa encontrar seu “fio terra” para se colocar ao Mundo, remetendo a uma pessoa que conheço, a qual está, há vários anos, num fundo de poço sem tamanho, e todos os amigos ao redor, inclusive eu, não sabem mais o que lhe dizer, no modo como se sente um lixo o homem que não obtém sucesso, no machismo social, pois da mulher não são cobrados o êxito e o sucesso, nos preconceitos das linhas divisórias entre homem e mulher, havendo nos gêneros uma ilusão, pois Tao não tem sexo, na questão da androginia dos anjos, como num Michael Jackson ao palco, sem sexo, um anjo. Aqui temos toda uma corte de querubins ao redor da deusa, num numeroso séquito, como num séquito de uma rainha ou princesa, numa pessoa que vive cercada de pessoas, numa total falta de privacidade, no modo como, ao menos na era do Renascimento, era considerado chic ter, em seu séquito de aias, uma aia anã, no modo como vi certa vez um filme pornô de um anão transando com uma mulher – tem gosto para tudo. A nudez é a simplicidade, na falta de malícia de uma praia de nudismo, num momento de contato com a Natureza, na delícia de se nadar nu no Mar, na delícia do invólucro uterino, uma bolsa quente e agradável, como no feto ao final de 2001, no eterno retorno ao Lar Primordial, na glória do Desencarne, como num presidiário no dia de soltura, no modo como nossos corpos carnais são tais prisões, no fato de que ninguém está no Mundo para sempre, nessa grande faculdade que nos faz crescer como espíritos, pois a depuração e o aperfeiçoamento são o sentido da Vida, como um sociopata que conheço, o qual passará por várias encarnações, depurar-se-á e tornar-se-á um grande espírito de luz, no modo como ninguém está no Inferno para sempre, havendo no crescimento o caminho natural da Vida, num Pai de eterna paciência, sempre nos dando uma nova chance. Aqui é um quadro de fertilidade, como numa fértil serpente escorrendo sensualmente, num útero numeroso, fértil, em anjinhos em torno de Nossa Senhora, nessa numerosa família estelar à qual todos pertencemos, no sangue divino que corre em nossas veias, na imagem da Virgem Santa da qual nada escapa, pois o homem de Tao não desconsidera pessoa alguma.

 


Acima, Pietà com Santa Maria Madalena e São Francisco. A Pietà é uma das imagens mais poderosas do Catolicismo, num quadro de tristeza e desolação, no termo “Ser mãe é padecer no Paraíso!”, na figura da mãe zelosa do sabão em pó Omo, que quer dizer “Old mother owl”, ou seja, “Velha mãe coruja”, em figuras como Dona Florinda, defendendo o filho sempre, remetendo a uma senhora que conheço, uma mãe superprotetora que massageava o ego do filho mimado, dizendo aos professores: “Meu filho não merece nota 10; meu filho merece nota 11!”, num filho que, antigamente, parecia que ia se tornar um postar, mas num filho que acabou não chegando tão longe, no modo como a Vida nos ensina duras lições de humildade, como no deus solar Odin punindo o filho deus Thor, na máxima de que quem é humilde não quebra a cara. O quadro aqui é escuro, um pouco no estilo barroco entre claro e escuro, nas vogues, nas ondas de moda que varrem épocas, como um senhor que conheço, o qual é totalmente apaixonado pelo estilo Art Nouveau, talvez num espírito que tenha vivido em tal época, em outra encarnação, no modo como as reencarnações não deixam de ser engraçadas, fazendo de Tao tal piadista, fazendo do senso de humor algo tão humano, em grandes palhaços como Jim Carey e Rowan Atkinson, na magia circense, como no momento de ruptura na vida de Dercy Gonçalves, a qual fugiu de casa, jovem, para se juntar à trupe circense que passava por sua cidade, em espetáculos tão arrebatadores como o Cirque du Soleil, na técnica impecável dos artistas, num palhaço visivelmente influenciado por Mr. Bean, este personagem tão adorado no Mundo todo, no senso de humor de tudo dar errado, na capacidade da pessoa em rir de seus próprios erros, de rir de si mesma, na máxima popular de que rir é o melhor remédio. As imagens de Jesus nu são assim, num atleta no ápice de sua forma física, num atleta de condicionamento impecável, como nas responsabilidades de um juiz de Futebol, tendo que se manter em forma para exercer seu cargo e correr por dois tempos inteiros num campo, como no condicionamento halterofilístico de Anderson Daronco, o juiz duro, impondo sua autoridade com seriedade e energia, numa figura que exige respeito, na figura de Thatcher, a dama de ferro, entrando em guerra contra a Argentina, no talento humano para o ódio e a discórdia, na figura de Caim matando o sangue de seu sangue, como dois senhores irmãos que conheço, os quais estão brigados, remoendo ressentimentos de décadas atrás, parando de se relacionar, não ligando um para o outro, nem nos dias dos aniversários, num caminho amargo de mágoa, nos nossos entes queridos lá em cima, não gostando das desavenças aqui embaixo, no caminho como as pazes e a reconciliação são o caminho natural da Eternidade – as mágoas não são eternas. São Francisco é a humildade, numa vida sem ambições mundanas, como num humilde e pacato Chico Xavier, o qual me ilumina no exato momento em que redijo este texto – obrigado, Chico! Os anjinhos caídos parecem não entender bem o que ocorre, no modo como eu, criança, não entendi a comoção nacional em torno da morte do grande homem Tancredo Neves, no funeral transmitindo pela TV com a arrebatadora canção Coração de Estudante, como no funeral de Diana, em pessoas grandes, quilométricas, em funerais dignos de rei, como os de Pelé e Chespirito. Este quadro remete ao privilégio de um templo caxiense em ter uma réplica da Pietà de Michelangelo, uma regalia dada a poucos templos no Mundo, talvez pelas raízes italianas de Caxias do Sul, remetendo a uma professora freira minha, levando-nos para ver a imagem e dizendo-nos: “Olhem a tristeza de Nossa Senhora ao ver o filho morto!”, na metáfora da imagem de Jesus Morto, no caminho espírita de mortificação, até a pessoa se desiludir e ficar imune e insensível aos sedutores apelos mundanos da Sociedade de Consumo, esta força que nos escraviza oferecendo cobiçados bens de consumo, como carros, televisores, celulares etc., na metáfora do cidadão escravizado pelo sistema de Matrix.

 

Referências bibliográficas:

 

Annibale Carracci. Disponível em: <www.meisterdrucke.pt>. Acesso em: 14 ago. 2024.

Annibale Carracci. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 14 ago. 2024.

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