quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Ares de Aron (Parte 2 de 7)

 

 

Falo pela segunda vez sobre o artista italiano Aron Demetz. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Criador de bonecos. A Madona com o filho, no poderoso binômio, num apadrinhamento, em aliados poderosos que podem nos ajudar a receber respeito, como uma professora de Redação que tive, a querida Magda Torresini, a qual me ajudou a obter respeito dentro de minha classe na escola, no modo como há algo melhor do que estar na moda, que é respeito, pois modas vêm e vão; já, o respeito é perene e permanece, resistindo à passagem do tempo, no desafio de merecer o respeito das pessoas. Aqui vemos um fantoche, numa manipulação, na capacidade de um sociopata em manipular, como um professor nazista que tive, louco, exaltando Hitler, ou como outro professor que tive, o qual dizia, expressamente, que o Mal é mais interessante do que o Bem, no modo como é simples de se perceber a sociopatia, no sociopata que veste uma máscara e vive vida dupla, como um lobo disfarçado de cordeiro, num louco absolutamente desprovido de Inteligência Emocional, ao contrário da pessoa sensível, usando instinto e intuição para trilhar seu caminho, no instinto de uma pessoa que vem do nada e conquista o Mundo, como na nossa adorada Gisele, a menina comum que virou, de facto, princesa, com seus cabelos ondulados imitados por todo o mulherio ao redor do planeta, no fator psicológico que une admiração a raiva, com as mulheres, a nível inconsciente, tendo raiva de Gisele, querendo arrancar desta o que esta tem, numa Gisele que paga o preço da celebrização, no modo como temos que traçar uma linha divisória bem clara entre a pessoa e a opus da pessoa, como num Michael Jackson, o qual não podia andar na Rua em QUALQUER lugar do globo terrestre, no modo como a fama pode ser uma prisão, na sabedoria popular de que tudo tem seu preço, nos eternos versos de Caetano: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é!”. A pessoa aqui deposita integral atenção ao filho, no modo como nada nem ninguém é pequeno o suficiente para desmerecer a total atenção de Tao, o infinito, no presente da Vida Eterna, no imensurável poder de que jamais findaremos, num poder o qual, de tão grande, é incompreendido pelo Ser Humano, na eternidade da passagem de Jesus pela Terra, a maior cabeça pensante de todos os tempos, num homem que, em vida, nunca teve acesso a uma educação formal, em pessoas entalhadas pela dureza da Vida, como nos traços selvagens e maravilhosos de Frida Kahlo, numa força para se expressar, com cada um contornando suas próprias capacidades, no desafio da pessoa se expressar ao Mundo. Aqui é um senso de responsabilidade, no modo como um filho primogênito cresce tão rápido, na responsabilidade de ajudar a criar os irmãos mais jovens, no peso das responsabilidades, numa pessoa que é forçada a amadurecer rápido, como no filmão O Império do Sol, com o personagem que começa a guerra menino e a termina homem, no final redentor do rapaz voltando à família depois dos horrores da II Guerra Mundial, esses eventos que deixam rastros de fome e destruição, como num insano Putin liderando uma guerra desnecessária, no caminho da loucura, sinto em dizer, como um insano Napoleão espalhando terror pela Europa, no apego do Ser Humano ao poder, sempre o maldito poder, corrompendo corações basicamente nobres. Aqui é o criador frente à criação, num artista com sua opus, no sentido de discernir entre criador e criatura, respeitando uma pessoa famosa em lugares públicos, como uma atriz famosa e estelar que conheci, a qual reclamou por, num pub, ter que ficar a noite inteira dando autógrafos, numa senhora que tinha uma relação de amor e ódio com a Mídia, amando aparecer midiaticamente e, ainda assim, odiando ser assediada em público, como Diana, amando e odiando a Imprensa. Aqui o menininho pede algo ao pai, o qual reluta, como uma criança choramingando, pedindo ao pai um cachorro, nos pesos de responsabilidade de ter um pet, abraçando as tarefas básicas, como levar o bicho, diariamente, para passear e fazer xixi e cocô, inclusive levando um saco plástico para captar a fezes do animal, isso sem falar no alto preço das rações. Aqui é o desenvolvimento de Amor, num Amor leve, incondicional, como dar um singelo oi na Rua para alguém, no Amor leve que dura pela Eternidade.

 


Acima, Filho. Aqui são as épocas saudosas da Vida, quando a Vida era mais simples, como no amado trenó Rosebud, de Cidadão Kane, num menino arrancado do paraíso infantil, obtendo tanto dinheiro e sucesso em vida, mas rejeitando todas essas glórias mundanas, proferindo, no leito de morte, o nome do brinquedo, no modo como a Infância é simples, pois a criança, na sua inocência, contenta-se com pouco, ao contrário do adulto, que é cheio de critérios e exigências. Aqui remete aos anúncios publicitários de perfumes para jovens, como na colônia unissex One, de Calvin Klein, a CK One, cítrica, fresca, no fascínio que as fragrâncias exercem sobre a Humanidade, como no incenso indiano ganhando igrejas na Europa, fazendo com que tal perfume mundano gire em torno do perfumes espiritual, comportamental, pois de que adianta um sociopata perfumado se trata-se de um espírito fedorento? É como dizem que era o perfume espiritual de Chico Xavier, polido, minimalista, atencioso, humilde, na humildade do homem que não se acha o centro do Universo, ao contrário do sociopata, o qual se acha Deus, no caminho da arrogância, a qual precede a queda. Aqui é a época da maturidade sexual, num rapaz com corpo de homem, mas cabeça de criança, no termo “gurizão”, numa época da Vida em que achamos tão enfadonho o mundo dos adultos, no adolescente que cria uma identidade contestadora, muitas vezes enfrentadora, na árdua tarefa de se impor disciplina numa escola, como um certo senhor, quando eu estava no fim do Ensino Fundamental, com este senhor, ao me ver me comportando mal, suspendendo-me por três dias, nos naturais mecanismos sociais que punem a falta de apuro moral, como a mentira, como um Bill Clinton, o qual foi aos televisores do Mundo todo dizendo nunca ter tido sexo com Monica Lewinsky, algo desmentido por um simples teste de DNA numa gota de esperma, num homem que está até hoje pagando pela mentira que proferiu, ao contrário da esposa Hillary, a qual enfrentou o “bicho” de frente e saiu vitoriosa e renovada do infame acontecimento. Aqui temos a simplicidade libertadora da beiramar, com gaivotas livres, leves e soltas, numa sensação de descarrego, como eu certa vez num evento em Porto Alegre, quando me apresentei para uma plateia, com eu dando berros e falando palavrões, no poder terapêutico da catarses, num acontecimento que fez eu me sentir muito, muito bem, chocando a plateia que me assistia, naqueles momentos em que temos que nos limpar por dentro, em vômitos de renovação, como sentar numa privada e cagar bem, com o perdão do termo chulo. Aqui é aquela gloriosa idade em que nosso metabolismo é mais rápido e ágil, fazendo em me lembrar do adolescente glutão que eu era, sem engordar um único quilo, mas numa época da Vida em que somos imaturos, sem muito juízo, no modo como a idade vai nos trazendo tal maturidade, o que é uma glória. O rapaz aqui está pudico, com as mãos nos bolsos, talvez num recato, como uma pessoa discreta e reservada, como meu ídolo Luis Fernando Veríssimo, o qual vi certa vez num shopping em Porto Alegre, num momento em que respeitei o cidadão, deixando-o passar sem o assediar, num LFV alheio a midiatizações e celebrizações, vivendo seus dias quietinho no seu canto, na figura de sabedoria do Preto Velho, quieto no seu canto, só observando os egos ascendendo e descendendo, nas fogueiras de vaidades mundanas, como no mundo das celebridades, desprezado pelo mestre Woody Allen, o qual afirma que tal mundo é desinteressante, num Allen alheio a tal stablishment. Aqui é como uma pessoa magra fica elegante até vestindo um saco de batatas, nesses cruéis padrões de beleza semianoréxicos, atacando em cheio a autoestima da mulher, remetendo a uma moça linda que vi hoje na Rua, arrumada, com autoestima, mas uma moça sem um dos braços, no modo como tal limitação não é pretexto para a pessoa parar de se arrumar. Aqui é como um galeto: nem pinto, nem galo.

 


Acima, Metamorfose 2. Aqui remete ao filme O Exterminador do Futuro II, quando um andróide malévolo tinha este aspecto de metal cromado, na cor prateada, no termo silver screen, ou seja, tela de prata, para designar os áureos tempos do Cinema em preto e branco, no jogo de sedução binário entre preto e branco, entre zero e um, no modo como tais deuses hollywoodianos imitam a plenitude de nossos irmãos mais depurados do que nós, no caminho da evolução e do crescimento espiritual, pois o sentido da Vida é nos tornarmos pessoas melhores, de maior apuro moral e de amor incondicional, leve, fresquinho, sutil, na perspectiva de que teremos a Eternidade para nos relacionarmos com tais entes, no modo como as amizades não podem ser sobrecarregadas por cobranças, como eu certa vez, na minha então imaturidade, puni severamente uma pessoa a qual não tinha me convidado para sua festa de aniversário, e hoje eu reconheço que fui infantil, como uma grande amiga que tenho, já falecida, uma pessoa a qual evoco todos os dias espiritualmente, apesar de que, quando ela era viva, nunca fomos para a casa um do outro e nunca um convidou o outro para aniversários e, ainda assim, é minha amiga, no modo como, repito, em amizade não pode haver cobrança, no caminho do Amor leve, como dar um singelo oi na Rua, sem cobranças, sem sobrecargas, ao contrário do amor fixado e doente, possessivo, como uma pessoa que conheci certa vez, uma pessoa totalmente fixada em outra pessoa, no caminho insano de propriedade, quando que, entre os espíritos, deve haver liberdade, no caminho democrático ponderado de Keynnes, nem capitalismo selvagem, nem marxismo ditatorial, no conceito do Estado Mínimo, o qual interfere de forma discreta na Economia, visto que o sonho liberal de Smith defende um sistema ditatorial, no modo como podemos ser escravos e prisioneiros de tal sistema: Tenho que trabalhar arduamente para produzir capital e adquirir bens cobiçados de consumo, como um carro, uma TV, um celular, uma roupa de grife cara etc., na metáfora de Matrix, no Ser Humano dentro de uma caverna de sombras e ignorância, atrapalhando a visão real de Mundo, no papel do filósofo de nos abrir os olhos, libertando-nos da caverna auspiciosa. A cor prata aqui é reflexiva, refratária, produzindo o reflexo, no Narciso seduzido por si mesmo, no sociopata egoísta, fixado em si mesmo, no caminho da loucura, que é ignorar que somos irmãos, iguais perante Tao, o qual fez cada um de nós de uma forma absolutamente única e especial, como um pai observando as virtudes de cada filho, ao contrário de um menininho que conheço, o qual dá sinais de que tornará um sociopata, maltratando, desde pequeno, os coleguinhas na escola, por exemplo, ou maltratando pequenos animais, no caminho da covardia, um espírito o qual, de tão insano, não quer sair da prisão material, desencarnando e indo ao Umbral, a dimensão dos que não veem além da Matéria, como uma certa pseudointelectual sociopata, a qual não vê o poder infinito de Tao, no modo como o Taoismo é uma filosofia que só pode ser aprendida intuitivamente, o que é impossível para um sociopata. Aqui temos o momento de entrega da nudez, como numa corajosa Gloria Menezes, a qual encenou uma peça teatral na qual interpretava uma mulher com Câncer, com a atriz, ao final da peça, aparecendo totalmente nua no palco, num ato de paixão pelo personagem, no ator bom, que some perante tal personagem, no modo como a Academia de Hollywood ama atores que se desfiguram para um papel, abrindo mão da vaidade, como no ritual de ordenação de freiras, cortando os cabelos e abrindo mão da vaidade, como no filme em que a deusa Audrey Hepburn interpretou uma moça que virou freira, mas que acabou se desiludindo com a carreira religiosa, abandonando esta. Aqui é uma renovação, despindo-se, como a cobra trocando de pele, como no Desencarne, num corpo sendo deixado para trás, num momento de renovação, no modo como as crises são positivas, pois assinalam um momento de renovação na vida da pessoa em crise, como me disse uma ótima psicoterapeuta.

 


Acima, O.T. O pedestal é um suporte, como num sapato, no modo como as mulheres se fascinam por sapatos, como um homem sério e centrado, que dá à esposa a sensação de segurança e estabilidade, num papel de protetor, no conceito patriarcal de que uma mulher sempre tem que estar respaldada por um homem, no modo como as mulheres independentes são malvistas, como na personagem Olenska de A Época da Inocência, deslocada, perdida, deprimida, malvista pela sociedade, considerada uma mulher vulgar, a qual tem que ser tolerada, mas não necessariamente amada, num caminho de identidade, como a personagem Mulan, de Disney, indo para a guerra num processo de saber qual é o seu lugar no Mundo, como um colega que tive no Ensino Fundamental, um rapaz que se tornou padre para saber qual é o seu lugar no Mundo, no modo como a Vida é feita de escolhas, como me disse uma amigona psicóloga, mas infelizmente há as pessoas que fazem escolhas sem visar a felicidade, abraçando relacionamentos tristes, ruins, sem muito carinho, como um amigo meu, o qual empurrou abaixo de sua própria goela um matrimônio, não estando muito feliz neste. As faces aqui são como em impressoras em 3D, em tecnologias que avançam, nesse galgar frenético de aperfeiçoamentos, no modo como minha geração, que foi criança nos anos 1980, fica embasbacada com tamanhos avanços. Já, a geração do meu sobrinho, que nasceu nos anos 200 ou 2010, são gerações totalmente digitais, acostumadas com tais conveniências tecnológicas, uma geração que não faz ideia de como foi o telefone de gancho e disco, a TV em tubo sem controle remoto, a carta pelo correio e os poucos canais de TV aberta, no paradoxo atual, nessas TVs por assinatura, com centenas de canais à nossa disposição, e ficamos zapeando sem encontrar algo que nos interesse, no aconselhamento espírita: TV é só para vermos um programa que realmente nos interessa, pois quando este programa acaba, temos que desligar a TV e ir fazer outras coisas, na noção taoista de que tudo em excesso é prejudicial, mesmo coisas prazerosas, como Sexo. Essas cabeças remetem a um local do museu novaiorquino Met, deslumbrante, diga-se de passagem, num local que apresenta bustos romanos, num primor de Arte, parecendo que tais cabeças são vivas e que olham para nós, cabeças cheias de vida, num museu que penetrou tão poderosamente em minha mente, fazendo-me crer que eu “enlouqueceria” no supremo Louvre, um museu que, de tão vasto, exigiria um ano inteiro dentro dele para se apreender tudo que ali dentro existe, no modo como, de certa forma, Paris é o centro do mundo civilizado, provavelmente o maior destino turístico do Mundo, no modo como, já ouvi dizer, o parisiense é um tanto provinciano, mas digo mais: o Ser Humano, em geral, é provinciano, numa inevitabilidade. As cabeças aqui são como decapitações, numa guilhotina, numa Maria Antonieta executada pelos revolucionários, causando escândalo em países como a Inglaterra, que honra tanto suas próprias tradições, num trono de tradição milenar, no paradoxo das famílias de realeza: Por um lado, finas e oníricas, numa beleza atemporal, de uma dimensão superior; por outro, vazias, grossas e obtusas, nas quais homem é varão e mulher é fêmea, e nada disso pode ser contestado – não é desinteressante? Não são as realezas mundanas cópias grotescas da Realeza Metafísica, à qual todos pertencemos de forma espiritual e elevada? Não somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei Supremo? As cabeças são a intelectualidade, no poder libertador do pensamento racional, em anjos livres em suas asas, livres do cárcere dos corpos carnais, na imagem de esperança do Espírito Santo, na libertação gloriosa que chegará, visto que ninguém está no Mundo para sempre, sendo necessário que façamos algo de nobre e produtivo de nossos dias aqui na Terra, esta dura escola que tanto nos faz crescer, no caminho de depuração, que é o sentido da Vida, como numa faculdade, com vários ensinamentos. As cabeças são o termo “capital”, que é aquilo que importa, na mente sobrevivendo ao óbito do corpo.

 


Acima, Raio. Aqui temos um contraste entre Arte acadêmica tradicional e Arte moderna, como na pirâmide de vidro do Louvre em contraste com o prédio tradicional, numa espécie de transgressão, como em artistas deslumbrantes como Christo e Jeanne-Claude, “embrulhando” prédios, numa dupla de uma suntuosidade e de uma grandiosidade, na luta de um artista para se expressar da forma mais clara possível, com tantos e tantos artistas que se frustram e não obtém sucesso em vida. Esse contraste é como no restauro do Casarão dos Veronese, de meus antepassados, no município gaúcho serrano de Flores da Cunha, uma obra que uniu as tradicionais pedras do casarão com um topo de materiais mais modernos, com dois olhos, sendo um conservador e outro moderninho, como uma certa socialite paulistana de outrora, a qual tinha duas salas de estar: Uma de decoração tradicional, com pinturas tradicionais na parede; a outra, de decoração mais moderna e limpa, com pinturas modernistas na parede. Dependendo de quem ela recebia, recebia nesta ou naquela sala, no intuito de agradar o visitante, no prazer de se receber pessoas em casa, servindo um cafezinho, fazendo, assim, as honras da casa. Aqui é como um descascamento, como uma pele de cobra trocando, em fases da Vida, deixando fases para trás e abraçando novos momentos, como um artista se reinventando, abraçando novos momentos na carreira, ao contrário de vários artistas, os quais, apesar de talentosos, não têm a força para virar tal página, como uma talentosa Cindy Lauper, uma voz ótima, que não precisa de playback, mas um artista que vive até hoje nos anos 1980, só tendo pertinência para quem foi criança, adolescente ou pós adolescente em tal época. Os pedestais das obras clássicas aqui são polidos, retilíneos, disciplinados, conservadores; já, o pedestal da obra de Aron é tosco, como um todo de árvore cortada, no poder do rústico, o qual é acolhedor, pois não tem pretensões ou ares pernósticos, no modo como o rústico é prazeroso, pois a Vida é boa quando é simples, no conceito de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, como uma chic Jackie O. caminhando sozinha pelas ruas de Nova York, no modo como a celebrização pode atrapalhar uma pessoa ao esta circular entre os cidadãos comuns, no modo como a fama pode ser uma prisão, visto que estar encarnado já é uma prisão. Nesse contraste entre fino e rústico é como no discernimento de Tolkien: Os malvados têm uma aparência boa, mas causam uma sensação ruim; os bondosos rústicos têm tal aspecto cru, mas causam uma sensação boa. Aqui é o modo humano de construir panteões, mesmo no paganismo egípcio, até os santos católicos, como em Hollywood, num panteão de alta hierarquia, com artistas que pertencem ao primeiro escalão e artistas que estão abaixo na hierarquia, sendo que uns se tornam grandes estrelões; outros, nem tanto. É assim mesmo. Aqui temos uma renovação e uma ousadia, como na transgressão do Modernismo Brasileiro, enterrando a Arte tradicional, no impacto da Fotografia, libertando a Arte da função retratista, remetendo a um certo artista plástico, o qual tira fotos do cliente e, a partir da foto que o cliente escolher, o artista faz uma pintura a óleo, na modernidade da foto digital frente à pintura tradicional a óleo. Aqui é como a passagem do tempo, como as grandes pirâmides do Egito, passando por milênios de erosão desértica, com muito vento, calor, sendo vestígios de uma civilização perdida, sendo uma mera sombra do que foram certa vez tais pirâmides, perfeitas, brancas, extremamente pontiagudas, num império que tanto assustava militarmente os reinos vizinhos, no modo cruel humano de impor as coisas à força, longe da hierarquia espiritual, na qual o Amor é o que de mais fino existe, nos mais finos regendo os menos, como na elegante personagem Gunilla, de Maggie Smith, na supercomédia O Clube das Desquitadas, uma mulher finíssima, agradável, arrumada, naquelas mulheres que sabem que idade não é pretexto para parar de se arrumar. Aqui é como o impositivo Kouros do Met, na busca humana pelo apolíneo, pelo belo e pelo o eterno.

 


Acima, Ruivo. Aqui remete ao mito de Elizabeth I frente ao próprio povo, o qual dizia que sua pele era alva como neve e seu cabelo era vermelho como fogo, como uma pessoa que conheço, a qual tem uma “tara” por mulheres ruivas – cada um com seus fetiches, no gostoso pecadinho capital da Luxúria, como apimentar um relacionamento com artigos comprados em inocentes sexshops, na culpa escura católica do pecado, condenando atividades inofensivas como masturbação, na naturalidade do Sexo, sendo a sexualidade um flanco importante do Ser Humano. A camisa é a elegância, no fascínio que as roupas exercem, como certos artistas, para os quais é extremamente importante saber o que vestir na hora de vir a público, remetendo ao personagem Oscar Schindler, o qual, no início do filme, era um playboyzinho fútil que só pensava em roupas. A Moda é um excelente modo de autoexpressão, no modo como devemos respeitar o estilo de cada um, no caminho democrático da liberdade, ao contrário de sistemas opressores como a Coreia do Norte, num cidadão que não tem a liberdade de se expressar livremente, nos versos de uma certa canção pop: “Não há liberdade sem Amor; não há Amor sem liberdade”, remetendo a épocas tão complicadas como a Ditadura Militar Brasileira, num sistema insano de censura, em ditadores que se cagam de medo da liberdade de expressão, como o perdão do termo chulo, resultando em finos gênios como Chico Buarque, o qual, em sua inteligência, zombava da burrice de tais ditadores, na vitória discreta do fino sobre o grosso; no triunfo do talento. O rapaz aqui é jovem, com toda uma vida pela frente, remetendo a um caso trágico que conheci, num rapaz jovem, que foi covardemente assassinado na semana de sua formatura, num latrocínio, na crueldade do sociopata, o qual dá cabo da vida de um ser humano por causa de um par de tênis, nos espíritos mundanos, que não veem além da Dimensão Material, como um certo sociopata, cuja vida gira em torno de sexo, viajando ao redor do Mundo para fazer turismo sexual, escravo do Umbral, a dimensão dos que não amam. O jovem aqui está arrumado para uma ocasião, talvez um evento social, como uma doce senhora que conheço, a qual elogiava a aparência de rapazes antes destes irem a uma festa, exaltando assim a necessária autoestima, a qual é capital, pois a primeira pessoa que devo amar sou eu mesmo, nos versos de uma certa canção pop: “Aprenda a amar a si mesmo. É um grande, grande sentimento”. O rapaz aqui é sério, talvez sentindo já a seriedade da Vida, em encargos de responsabilidade, como ir bem no colégio, no modo como eu decepcionei meus próprios pais ao repetir de ano, num clima de recomeço e reconstrução, pois hoje, se eu pudesse voltar no tempo, seria mais aplicado nos estudos, remetendo a um rapaz aplicado que conheço, o qual rejeitou as pressões para cursar Medicina e mandou todos à merda, com o perdão do termo chulo, indo cursar Jornalismo e ser feliz – que vida é esta na qual sou escravo do que os outros consideram? Não sou eu dono e senhor de mim mesmo? O rapaz aqui, bem jovem, talvez é imberbe, no modo como eu próprio demorei um pouco para ter barba, só a tendo partir da pós adolescência, no esforço de uma mulher que virou trans homem, fazendo implantes de barba, numa mulher de identidade totalmente masculina, pois não canso de dizer: Respeite o jeito de cada um, visto que as pessoas são diferentes, pois Tao não fez dois filhos iguais. O cabelo está cortado e disciplinado, ao contrário da moda capilar de rapazes cabeludos no início dos anos 1990, na febre Grunge, no modo como eu próprio fui cabeludão em tal época, no caminho natural de rebeldia do adolescente, no modo como, no Plano Metafísico, a pessoa tem exatamente o cabelo que quiser ter, na liberdade que rege os espíritos, num Pai que nunca vai se impor à força, ao contrário da figura patriarcal de um Deus duro, duríssimo, ao contrário do termo de uma certa campanha religiosa: “Deus é Amor”.

 

Referências bibliográficas:

 

Aron Demetz. Disponível em: <www.artsy.net>. Acesso em: 4 set. 2024.

Exhibitions. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.

Publications. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.

Works. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Ares de Aron (Parte 1 de 7)

 

 

Italiano de 1972, Aron Demetz está ativo desde o ano de 1998, contabilizando 208 (duzentas e oito) mostras, entre individuais e coletivas, e 50 (cinquenta) publicações. Gosta de retratar o corpo humano e trabalhar com madeira. Estudou xilogravura. Participou da 53ª Bienal de Veneza e já expôs na Europa, EUA e Ásia. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, História do urso. A ave é a libertação da mente, na liberdade do pensamento racional, na clarividência de se fazer contato com quem já desencarnou, na eternidade dos laços de Amor, no modo como tudo na dimensão acima gira em torno do Amor Incondicional, leve, desapegado, na ideia de que teremos a Eternidade inteira para nos relacionarmos com tais entes queridos, na maravilha que é o Amor sutil e desapegado. A ave é tal amigo fiel, como um cachorro, como uma pessoa solteirona que conheço, a qual vive com dois cães, no ditado popular de que o cão é o melhor amigo do homem. A ave, que parece ser um papagaio, foi elemento de uma campanha publicitária de uma certa companhia de telefonia, falando “pelos cotovelos”, como é uma amiga minha médium espírita, a qual diz ser guiada por tais espíritos amigos, falando pelos cotovelos, como na sensibilidade de um Chico Xavier, captando com precisão os anseios de mães que viram os próprios filhos morrerem, na questão de que o Desencarne é uma mera mudança de endereço, na imortalidade dos vínculos de Amor, no modo como o apuro moral, que prima pela verdade, resume-se a Amor, pois, se te amo, não quero te enganar com mentiras e dissimulações, no caminho da verdade que é Tao, nas palavras ternas e eternas de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a Vida”, num homem que é o único caminho, numa grande avenida pela qual tudo flui, na única família que existe, à qual todos pertencemos, no modo como não me canso de dizer: As realezas mundanas são cópias da Realeza Metafísica, no sangue sacrossanto que corre pelas veias de todos nós, sem exceção, havendo uma hierarquia: Os mais amorosos estão acima dos menos, como em Hollywood, em cujo panteão estelar há uma hierarquia, como um primeiro escalão, um segundo etc. A mulher nos olha séria, pétrea, numa mortificação, a chegar a um ponto em que a pessoa, de tantas porradas que levou na Vida, morre por dentro e não sente mais nada, no caminho racional da desilusão, ficando imune aos tolos apelos auspiciosos mundanos, como tediosas alas vip de boates, no modo como as inevitáveis vicissitudes da Vida vão nos fazendo pessoas melhores e mais evoluídas, no caminho natural de crescimento, no modo como cada sociopata, que se arrasta infeliz pelo Umbral, crescerá e tornar-se-á um grande espírito de luz, como num aluno passando por vários anos de estudos num colégio, passando da faixa branca do Judô para a faixa preta. Os seios da mulher estão sutis e discretos, na discrição minimalista das amizades leves, como uma pessoa amiga minha que já desencarnou: Nós nunca frequentamos a casa um do outro, e nunca fomos aniversário um do outro, mas somos grandes amigos, e não há dia em que eu não faça contanto espiritual com tal amiga, nas sábias palavras de Hebe Camargo: “Em amizade não pode haver cobrança!”, ou seja, a amizade leve, sutil e fina, pois o Amor é o que mais de fino e desapegado existe, ao contrário do ódio, que é doente e possessivo, como uma pessoa que fica obcecada por outra – é um horror, num caminho de sofrimento, como uma pessoa no meio de uma virose gripal, no modo como hoje mesmo fiz uma boa ação, dando remédio para uma pessoa gripada, na importância de cuidarmos uns dos outros, no modo como metais preciosos servem para nos ensinar sobre a eternidade da amizade, metais que, por serem matéria, estão condenados à danação, apesar de parecerem eternos, o que não são. O cabelo da moça está cortado e arrumado, no encanto de se ver uma senhora arrumada, a qual sabe que idade não é pretexto par aparar de se arrumar, pois a primeira pessoa que devo amar é eu mesmo, em atos de autoestima como se perfumar, encantando as pessoa de forma agradável, fazendo dos perfumes mundanos cópias do perfume espiritual, pois de nada serve eu me perfumar se minhas ações são fedorentas, como um sociopata que veste uma máscara, no ditado popular: “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”.

 


Acima, Sacramento. Os seios apontam um certo envelhecimento, remetendo à pequena pérola que é a comédia A morte lhe cai bem, na qual uma poção mágica dava juventude eterna, nesta luta contra a passagem do tempo, nos esforços de uma mulher em ser jovem para sempre, o que não é possível, no caminho natural que é envelhecer, como duas mulheres – Catherine Deneuve e Brigitte Bardot, tendo aquela se tornado uma senhora linda e esta se tornando uma bruxa, sinto em dizer, na passagem do tempo que nos mostra se a beleza vem de dentro ou não, pois a beleza tem que vir de dentro. A mulher aqui vomita algo, numa rejeição, num vômito catártico, expulsando demônios de dentro de si, no poder terapêutico e saudável das catarses, na gloriosa sensação de se sentar numa privada e fazer um belo cocô, como uma pessoa se limpando por dentro, numa purificação, como numa limpeza de pele, expulsando impurezas. Aqui há a expulsão de algo que nos foi enfiado goela abaixo, como um amigo meu, o qual empurrou abaixo da própria goela um casamento, num casamento infeliz, nessa capacidade humana em fazer escolhas que fogem da felicidade, como uma pessoa que conheço, a qual, no dia de seu casamento, estava com os olhos mortos, desanimados, num dia que deveria encher de alegria tal pessoa, remetendo a uma grande amiga minha psicóloga, a qual é feliz porque fez escolhas visando a felicidade, casando-se com alguém realmente amado, no modo como o Amor é tão subestimado, num Ser Humano que toma o caminho da grosseria, o que é um equívoco, na noção taoista de que grosso é fraco e de que fino é forte, na irresistível hierarquia espiritual, como nossos irmãos depurados, educados, agradáveis e chiques, ao ponto de fazermos questão de obedecer a tais irmãos maiores, encarando uma dura encarnação a qual nos causará um crescimento enorme, enfrentando vicissitudes e vendo o Mundo da forma mais racional e saudável possível. A mulher aqui está com um aspecto de cabelo desarrumado, como se recém saída de um banho, nos versos de uma canção, os quais tentarei reproduzir aqui: “Ela sai do banho toda molhada e despenteada. Que maravilha, que coisa linda é o meu amor!”, num caminho de intimidade, como num certo filme, num casal comendo em pé, compartilhando da mesa panela, num nível enorme de intimidade, em pessoas próximas de nós, num caminho de mortificação, fazendo com que eu conheça cada centímetro cúbico de tal mente, de tal espírito, na eternidade da mortificação, libertando-me de apelos auspiciosos, como os tentadores apelos da Sociedade de Consumo, da qual somos prisioneiros e escravos: Tenho que trabalhar feito um “burro de carga” para produzir capital e, assim, adquirir bens cobiçados de consumo, na metáfora de Matrix, na qual o cidadão é uma bateria alcalina a serviço de um sistema sem sentido e insano, no papel libertador do filósofo, no Mito da Caverna, com um indivíduo transgressor que rema “contra a maré” e vê o Mundo de tal forma fria e racional, na tarefa de libertar mentes condicionadas e escondidas pelas trevas da ignorância, no modo como não me canso de dizer: Ignore os ignorantes, como o personagem Neo, o qual passa por um processo cognitivo e liberta-se de tal sistema opressor, no modo como os ditadores, os homens apegados ao poder, morrem de medo das mentes excepcionais, em sistemas de censura e opressão, no modo como a geração de meus pais saiu sequelada pela Ditadura Militar Brasileira, no modo como blogs são proibidos na Coreia do Norte, pois não importa se é Fascismo ou Comunismo – é tudo ditadura, meu irmão. Aqui temos essa mão talentosa de Aron, delineando uma sutil clavícula, em obras primas como a Pietà de Michelangelo, num esmero de delinear cada detalhe, como as veias na mão de Jesus, em talentos que marcam eras, pois festas não marcam épocas; trabalhos marcam épocas. Aqui é a exposição de algo, como um sociopata se revelando com toda sua maldade, em atos tão incompreensíveis, como no filme pesado, mas excelente, que é O silêncio dos inocentes, no poder da Sétima Arte.

 


Acima, sem título (1). Aqui é um respaldo, como numa indústria que fornece insumos para outras indústrias, no termo business to business, como numa firma de minha família, a Veronese Indústria Química, fornecendo produtos para fábricas de vinhos e alimentos, numa firma longeva, há mais de um século de portas abertas, sob a regência da mesma família. Aqui é como uma cobra ereta, não curvilínea, no papel do terapeuta em nos mostrar o Mundo da forma mais clara possível, como em certos desfiles de Moda em que a modelo não rebola, numa espécie de racionalização, no mito da insinuação da serpente do Éden, aliada da degenerada Eva, no mito misógino que castra a sexualidade feminina, como em certas culturas a genitália feminina é de fato castrada por uma lâmina, num Mundo em que a mulher não é livre para decidir o que fazer com seu próprio útero, num Mundo em que a mulher é um cidadão de segunda categoria, sempre tendo que ser respaldada e mantida por um homem, no modo como as freiras têm que se curvar perante o Papa, no divertido modo como freiras e padres vivem em mundos diferentes uns dos outros, como antigamente em Caxias do Sul, com colégios que comportavam só rapazes ou só moças, nas palavras sisudas da realista personagem Pierina de O Quatrilho, a eterna obraprima de Pozenato: “Homem é uma coisa; mulher é outra. Cada um ficando no seu canto, tudo se resolve!”, numa mulher viril, que encarava com realismo uma dura jornada de trabalho, uma mulher que acabou enriquecendo, mas mantendo o siso da época de vida de humilde camponesa, na pessoa realista que sabe que não há vitória sem luta, ao contrário de um amigo meu, tão desanimado, como um surfista que não quer pegar onda, num caminho de prostração e desânimo, num desperdício, pois se trata de uma pessoa de inteligência singular, num poço de potenciais, mas um coração triste, talvez com problema de autoestima, a qual é essencial. Aqui temos um contraste entre rústico e sofisticado, na junção do jarro receptáculo feminino com os rudes e duros pés masculinos, no discernimento de que liso e áspero são faces do mesmo trabalho, na metáfora de que não há roseira sem espinhos, pois não existe trabalho que seja só prazer, sendo necessário desenvolver disciplina, como uma exigente professora de balé que conheço, uma pessoa que sabe que não pode faltar disciplina para se construir algo, uma pessoa com a qual me desentendi certa vez – se mesmo com a passagem do tempo ainda resta algum amargor, o que pode ser feito? Aqui temos um contraste entre bruto e sofisticado, como Michelangelo pegando uma dura e rude pedra para transformá-la numa obra de Arte, num trabalho de talento e dedicação, havendo aqui, de novo, o papel da disciplina, num artista encarando uma jornada de trabalho, ao contrário de uma pessoa inconstante, sem pés no chão, sem se centrar, no modo como a seriedade da Vida exige que nos centremos em algo nobre e produtivo, no modo como há tantos e tantos talentos no Mundo sendo desperdiçados por ociosidade, como um amigo meu, um espírito nobre, fino e amoroso, mas uma pessoa que está ociosa e inoperante, o que é um desperdício, como pedir a Pavarotti que este cantasse Atirei um pau no gato. Aqui é como uma letal naja se erguendo e planejando o bote, nas abas da cabeça da naja imitadas pelas coroas de faraós, no costume do egípcio antigo em ver divindades nos aspectos da Natureza, com deuses com corpo humano, mas com cabeça de animal, num panteão rico e extenso, com cada divindade com uma atribuição e função, até a Humanidade passar pela Revolução Científica e saber que não existem deuses, mas nossos irmãos depurados que reinam em sua perfeição moral e amorosa, em espíritos de excelência, finos como cristal multicolorido, na vitória da delicadeza sobre a indelicadeza, mas o modo humano é o contrário, com as hierarquias sendo impostas da forma mais grossa e estúpida possível, sinto em dizer, como na dura hierarquia militar.

 


Acima, sem título (2). Aqui temos uma centralização, como uma pessoa se centrando na vida, ao contrário de uma pessoa aventureira, sem os pés no chão, pois o Mundo só pertence aos que vivem no Mundo real, no modo como uma pessoa rica só pode se manter mentalmente sã se trabalhar, no modo como, realmente, não pode faltar trabalho, pois não há sentido numa vida puramente contemplativa, como um certo senhor herdeiro de uma coroa imperial, o qual viveu “deitado eternamente em berço esplêndido”, achando-se sexy demais par arregaçar as mangas e fazer algum trabalho, como uma perua que vi certa vez num shopping, fazendo suas compras em lojas finas e, atrás da perua dondoca, a empregada carregando as sacolas, numa perua que se acha sexy demais para carregar sacolas, em tragédias como a de Grace Kelly, abandonando uma carreira brilhante para se tornar, no frigir dos ovos, uma dona de casa, no modo como pode ser desinteressante uma pessoa que não faz um trabalho de verdade. A bola ao meio é como um cérebro, nos avanços científicos de se descobrir a função de tal órgão, ao contrário do Antigo Egito, no qual o cérebro era tido como um mero preenchimento para a cabeça, remetendo a pesquisas sobre demência, num cérebro que simplesmente vai necrosando, com as células cerebrais morrendo uma a uma, com tantas pessoas idosas que acabam dementes, como num Roberto Marinho, o Pai das organizações Globo, o qual, com demência, ligava para a Globo para pedir emprego, equivalendo ao Rei da Inglaterra pedir emprego para um cônsul. Aqui vemos sustentação, respaldo de pilares, no costume fúnebre de se acenderem quatro velas, no modo como são complicados os rituais fúnebres, pois nada substitui a pessoa que partiu, na noção espírita de desprendimento, sabendo que teremos a Eternidade para nos relacionarmos com tal ente querido, no caminho eterno do Amor leve, sutil, como simplesmente dar um oi para alguém na Rua, ao contrário do amor fixado e obcecado, doente, desesperado, dependente, sem a noção da Vida Eterna, este presente que Tao nos deu, no incrível e imensurável modo como jamais findaremos, na noção espírita de que Deus é o infinito, na infinitude da mente versus a finitude da matéria, na noção de Santo Agostinho de que somos prisioneiros, com a carne aprisionando a mente, mas uma prisão temporária, no glorioso dia de soltura que chegará, ao contrário dos espíritos toscos, odiosos e mundanos, não querendo sair da prisão, no caminho da loucura, em sociopatas famosos como Calígula, perdendo sua própria alma em meios aos privilégios do poder, na metáfora do Anel do Poder, que corrompe o melhor dos homens, na visão sombria de Tolkien sobre a fraqueza do Ser Humano. Aqui temos quatro sentinelas de proteção, como guardacostas, numa Patrícia Abravanel, já sequestrada, não podendo sair na Rua sem um segurança, no modo como o dinheiro pode ser uma prisão, como uma Xuxa, a qual não pode sair de casa cercada de seguranças, pagando um preço alto pela fama, no modo como a fama e a midiatização podem ser uma prisão, quando se perde, definitivamente, a linha divisória de discernimento entre pessoa e opus da pessoa, no modo como eu, ao ver em pessoa meu ídolo Luis Fernando Verissimo, num shopping, deixei ele passar em paz, a contrário de outras pessoa assediando o pobre homem, obrigando este a tirar selfies que vão parar no Facebook: “Olha só quem eu vi no shopping hoje!”, numa falta de respeito para com o momento de passeio do pacato cidadão, num Verissimo tão alheio a celebrizações. Aqui temos uma base, uma referência, no modo como os grandes amigos que fiz em Porto Alegre são referências nobres, da PUCRS, numa referência válida e positiva, naquelas pessoas que levaremos por toda a Eternidade, no modo como os amigos são o ouro da Vida, pois no Plano Metafísico só há amigos, e ninguém quer enganar ninguém, no caminho do apuro moral, da verdade e do respeito, pois como podemos viver em Sociedade sem respeito? Aqui pode ser interpretado como uma mesa de cabeça para baixo, num momento em que a vida da pessoa pode virar de cabeça para baixo, encarando um extenso trabalho de reconstrução.

 


Acima, sem título (3). Aqui temos uma descamação, como remover as escamas de um peixe para cozinhar, como uma cobra trocando de pele, num refôlego e numa renovação, como cortar o cabelo, como tomar um banho e remover as células epiteliais velhas, no modo como o Desencarne é tal troca de pele, num corpo carnal deixado para trás, como comprar uma roupa nova na loja. Aqui é como uma corrosão, num coração corrupto, em homens que tanto roubam, desviando dinheiro, na fraqueza humana perante tal poder mundano, no modo como do Mundo nada se leva, em homens desapegados, como meu falecido avô, um homem simples, que nunca foi rico, mas que proveu um bom nível de vida à família, mas um homem que morreu pobre, sem carro ou casa própria, vivendo em paz com seu nível médio de vida, “vacinado” contra os sedutores apelos da Sociedade de Consumo, esta sociedade que faz de nós escravos e prisioneiros de Matrix, num Neo que acorda e dá-se conta do escravo que era, no papel filosófico de abrir os olhos do corpo social, nas elites intelectuais, como poucos alunos excepcionais respeitados pelo célebre intelectual gaúcho Tatata Pimentel, o qual desprezava os alunos de inteligência medíocre, daqueles professores inesquecíveis, que tanto abrem nossos olhos, em professores que valem cada centavo da mensalidade da faculdade. Aqui é a metáfora dos manequins de loja, no modo como a pessoa desencarnada é assim, sem sexo, sem raça, sem classe social, num espírito que vive para sempre como um boneco, de pele perfeita, livre das doenças físicas, vivendo para sempre como uma máquina mortificada, resistente a tolos apelos mundanos, vivendo para sempre como um boneco, jovem para sempre, saudável para sempre, sem fadiga, sem melancolias, feliz numa vida cheia e produtiva, cheia se significado e meta, na construção da Grande Carreira Espiritual, na qual nenhum trabalho é em vão, mesmo o humilde trabalho de gari varrendo calçadas, no poder do trabalho, esta força que tanto significado nos dá, pois se Deus nos deu uma cabeça, temos que usar esta. Aqui são como modelos em pedestais, nos ajustes finais de roupas para um desfile, num trabalho o qual, apesar de exalar aparentemente glamour, é um trabalho árduo, duro, fazendo com que uma Gisele seja altamente excepcional, no modo como, normalmente, vida de modelo é uma merda, com o perdão do termo chulo, com tantas e tantas moças que se frustram em tal árdua carreira. Aqui vemos uma bunda monumental, com o perdão do termo chulo, na busca pelo corpo ideal, como uma pessoa vazia e obtusa, linda por fora, mas acabando se mostrando desinteressante, como numa certa comédia dos anos 1980, em que uma moça loira, de beleza óbvia, acaba se revelando desinteressante e burra, e uma moça morena, de beleza mais sutil e discreta, acaba se tornando uma pessoa mais interessante, de conversa inteligente e magnética – o sexy está na cabeça, ao contrário de uma certa popstar, a qual é mais esperta do que inteligente, decepcionando uma certa entrevistadora, a qual, por si, é inteligente. Aqui é como na tradicional casa noturna de Ibiza, no litoral norte gaúcho, regida pelo famoso empresário da noite Julius Rigotto, quando, no começo da festa, com a música começando a tocar na pista de dança, dançarinos subiam em plataformas, como deuses ascendendo, como irmãos depurados, como santos em altares de igrejas, substituindo os deuses pagãos, na noção racional de que não há deuses, mas nossos irmãos depurados, no modo grego antigo de ver tais espíritos depurados como deuses no Olimpo, regendo a sorte dos homens, no modo grego de perceber as cidades metafísicas, perfeitas, exemplos para as problemáticas cidades terrenas, cheias de sujeira e problemas, como violência e poluição. Aqui é como no televisivo Largados e Pelados, com pessoas nuas abandonadas em florestas selvagens, na luta pela sobrevivência.

 


Acima, Vestir o tempo. Aqui temos uma aliança, um respaldo e uma troca, como um aliado poderoso que pode nos ajudar a receber respeito, como o diretor Fabio Barreto certa vez apadrinhou uma atriz, querendo ajudar a promover esta, num trabalho de caridade, que é ajudar a quem precisa, como não negar pão a quem tem fome ou água a quem tem sede, mas uma atriz que acabou não indo muito longe, virando uma dona de casa, o que é um desperdício, pois ser apenas dona de casa não vai te dizer quem és, como uma certa senhora, que foi mãe, esposa e dona de casa, numa crise de identidade, sem saber quem ela própria era. Aqui é esta paixão de Demetz pelo corpo humano, em aulas de nu artístico em escolas de Arte, na beleza que Tao colocou em tais corpos, na busca pelo corpo ideal, em tediosas academias de musculação, na tediosa atividade de puxar ferro, como eu gostaria de dizer para esses homens com corpões: Eu não estou dizendo que você não pode puxar ferro; eu só estou dizendo para você fazer algo além do que só puxar ferro, meu irmão, pois a Vida exige que sejamos pessoas interessantes, com miolos na cabeça. Aqui temos o protagonista à frente, e o coadjuvante atrás, no modo como um poderoso protagonista só se destaca exatamente por ser comparado com o humilde e discreto coadjuvante, no discernimento taoista de que, se digo que algo é belo, é porque conheço o oposto, que é feio, no jogo de sedução universal entre liso e áspero, os quais fazem parte do mesmo trabalho, pois não existe trabalho que seja cem por cento prazer, na necessidade de se ter sisuda disciplina. Os modelos aqui estão respaldados por uma plataforma, na paixão feminina por sapatos, esses respaldos que fazem com que a mulher se sinta uma rainha, apoiada por um homem forte, que dê a ela a sensação de segurança e estabilidade, uma rocha firme, no homem provedor de dinheiro, nas palavras divertidas de um colega meu de faculdade: “Quem gosta de homem é veado! Mulher gosta mesmo é de dinheiro!”, como a personagem de Audrey Hepburn beijando vitrines de joias preciosas, ou como na Carrie de Sex and the City, em busca de um homem rico, que trate Carrie como uma rainha, nos versos da canção brega: “Como uma deusa você me mantém!”, num sucesso avassalador de popularidade nas rádios FM do Brasil inteiro, numa artista prisioneira até hoje de tal sucesso, pois o sucesso, no frigir dos ovos, é um problema, pois a pessoa exitosa tem que saber sobreviver a tal sucesso, como um ator sobrevivendo a um Oscar. Aqui temos um cenário de ajuda, talvez numa fisioterapia, numa aula, numa atividade física, com tal educador nos auxiliando, num trabalho de guia, como um psicoterapeuta, ajudando-nos para que vejamos o Mundo do modo mais frio e claro possível, num papel como o de um guia turístico, como a Fada Madrinha ajudando Cinderela, no conto em busca do príncipe perfeito, o qual não existe, sinto em dizer. Aqui é como um diretor guiando um ator, numa relação de confiança, num diretor que faz com que o ator se sinta à vontade num palco, remetendo a uma certa atriz, uma grande mestre de TV e Cinema, mas uma atriz que está até hoje sem fazer Teatro, cagando-se para pisar num palco, com o perdão do termo chulo. Aqui temos uma aliança, numa relação de troca, no modo como o melhor da Vida não se compra, que é Amor, como certa vez conheci uma pessoa que vivia com um prostituto, provendo este, sustentando este, numa situação tão triste, no modo como Amor não se compra sem se vende. Aqui é como uma pessoa guiando um veículo, numa questão de conduta, de ética, ao contrário de um certo publicitário que conheci, uma pessoa que faltava com a ética no exercício da profissão. Aqui também pode ser interpretado como um sociopata manipulador, manipulando inteligentemente outra pessoa, num fantoche, nessa capacidade do sádico em seduzir um masoquista, e o importante é não sermos nem sádicos, nem masoquistas, evitando assim relacionamentos tóxicos, pesados, doentes, muito longe do Amor Incondicional leve, eterno, sutil, na tranquilidade de termos à nossa frente toda a Eternidade, sem pressa de fazer as coisas, na questão da Paz inabalável da Dimensão Superior.

 

Referências bibliográficas:

 

Aron Demetz. Disponível em: <www.artsy.net>. Acesso em: 4 set. 2024.

Exhibitions. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.

Publications. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.

Works. Disponível em: <www.arondemetz.it>. Acesso em: 4 set. 2024.