quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Ânimo de Annibale (Parte 3 de 4)

 

 

Falo pela terceira vez sobre o pintor italiano Annibale Carracci. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A adoração dos pastores. Aqui é esta forte veia religiosa de Carracci, caindo nas graças de encomendas feitas pelo Vaticano, num artista ainda valorizado em vida. Aqui temos uma hierarquia, com o Céu sobre a Terra, com os anjos, que são os espíritos livres, gozando de plena felicidade, como os arcanjos, nossos irmãos depuradíssimos que gozam de tal suprema felicidade, recebendo as ordens diretamente de Tao, o Pai que sempre existiu e sempre existirá – no início, no princípio de absolutamente tudo, Tao já estava aí, no mistério insondável da Eternidade, num campo de muito, muito poder. Um dos destaques do quadro é a Virgem, nos alvos pés de Nossa Senhora esmagando a serpente da malícia, numa imagem que os povos indígenas brasileiros não compreendiam, pois o mito da Virgem é a relação católica e protestante em relação a Sexo, numa religião em que temos que pedir perdão por termos feito algo tão inocente e inofensivo como masturbação, visto que os povos indígenas lidam de forma mais natural com Sexo, como o casal de índios recém enlaçados pelos rituais universais de junção de opostos, com o casal fazendo Sexo na frente de todos na tribo, algo muito diferente dos pudores ocidentais, como na discrição inglesa. O bebê é totalmente inofensivo, abençoado com todas as glórias, na inevitabilidade de ser homem, num Deus machista que não cogitou conceber uma mulher no lugar de Jesus, no mito misógino de Eva, a mulher que trouxe a ruína do perfeito e apolíneo Adão. A cena da Natividade é a simplicidade, numa família pobre, que teve que abrigar o nenê numa simples manjedoura, absolutamente desprovido de confortos e glamour, algo diferente das imagens que temos de Nossa Senhora, vestida dignamente como uma rainha, com vestes nobres e majestosas, diferente da Maria humilde, esposa de humilde carpinteiro, num Jesus que, apesar de nunca ter tido oportunidade de estudar de fato, tornou-se a maior cabeça de todos os tempos, no centro sobrenatural da História, em marcos majestosos, causando inveja a qualquer ser humano pretensioso que almeja ser um deus na Terra, como nas vaidades de um Napoleão, espalhando terror pela Europa, obrigando a família real portuguesa a se refugiar no longínquo e selvagem Brasil, num marco divisor na História de tal país, trazendo noções civilizatórias europeias, como na depuração ocidental da Doutrina Espírita, no modo como o Ocidente soube se impor ao Mundo, incutindo valores como depuração moral, numa total universalidade, como na cultura japonesa, em famílias sérias e respeitáveis, como um sisudo e antipático senhor japonês acompanhado de sua doce e simpática esposa, no modo como é inevitável isto no casal heterossexual – ele personificar o Yang dela e ela personificar o Yin dele. Os pastores estão embevecidos pelo menino, nos júbilos de uma estrela guia de Belém, nos ricos signos católicos, visando nos mostrar a natureza divina que nos cerca, num Tao que concebeu a cada um de nós de forma única, pois somos muito, muito especiais, únicos, numa Imaculada Conceição, no mito de Maria que serve para nos dizer da vida maravilhosa que nos espera após o inevitável Desencarne, como na Ressurreição de Cristo, no feto de volta ao Útero Primordial, no eterno retorno ao Lar, o lugar onde nos deparamos com a necessidade de seguirmos fazendo algum trabalho, num lugar maravilhoso no qual não há desemprego, na inevitável perguntinha: Onde estás trabalhando aqui no Céu? Os anjos estão em total júbilo, tocando uma música divina, depurada, como em sonhos de depurada Arquitetura, elegantes prédios que nos elevam a um gosto superior, em arquitetos felizes em suas concepções, como na Brasília de Niemeyer, em linhas simples e modernistas, numa cidade tão suntuosa, exalando poder, nas palavras de um certo senhor: “É para lá que vai do dinheiro de impostos que pagamos!”. Ao topo do icônico quadro, uma explosão dourada de luz, na deusa grega Eos, da Aurora, como pessoas aplaudindo um belo nascer de Sol, numa explosão de sensibilidade e cor, majestade, na imposição da Beleza, a qual é implacável, invadindo-nos como a beleza de Tao, numa fonte de luz que nunca cessa, na eternidade do Bem e da Verdade, ao contrário de um insano sociopata, o qual não quer desencarnar e se libertar.

 


Acima, A coroação da Virgem. Aqui remete a um sonho muito bonito que tive certa vez, quando no céu vi a imagem da Virgem cercada de rosas, com anjos ao redor cantando em glória, poder e beleza, vitória, na vitória do Bem, do nobre, do metafísico. A coroação é como nos universais concursos de beleza, com a moça vencedora exercendo um papel, o de representar a beleza sobre a Terra, na vitória da beleza, como uma grande amiga que tenho, a qual foi miss num concurso mundial, voltando em júbilo a sua terra natal, tornando-se uma pessoa importante, dizendo-me: “Quando queremos algo, conseguimos, pois queremos!”. A coroação é como na enorme pompa britânica no dia de coroação do monarca inglês, reinando sobre um terço da Humanidade, numa enorme responsabilidade, a de conquistar o respeito dos súditos e do Mundo, em carismas tsunâmicos como o de Diana, a mulher que tinha uma relação de amor e ódio com a Mídia: Por um lado, amava ser o bicho midiático que era, aparecendo nos televisores do globo todo; por outro, sentia-se muito assediada, invadida e desrespeitada por tais agentes midiáticos, na ironia taoista que tudo traz em si sua própria contradição, no senso de humor sedutor entre Yin e Yang, caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, na sedução entre razão e loucura, no modo como o casal heterossexual tem tal representatividade, com ele representando os homens e ela representando as mulheres, estando, assim, representada a Humanidade. Aqui é a vitória do Yin, do feminino, com a Virgem ladeada por dois homens, com um destes ostentando um cetro retilíneo, fálico, racional, na precisão científica de ir direto ao ponto, na menor distância entre dois pontos, que é a reta, num recente comercial de fragrância, com um rapaz mirando alto sua flecha num arco, estilhaçando o vidro de perfume, num objetivo sendo cumprido, com tudo se rendendo à praticidade, na “violência” do pênis na vagina, “agredindo” esta, no modo patriarcal de tolher a sexualidade feminina, no absurdo do termo: “Homem tudo pode; mulher, nada”. O Espírito Santo abençoa o ato de glória da Virgem, em asas de liberdade, nos belos versos de uma canção recente do astro Robbie Williams, dizendo ser livre, belo, feliz e mágico, numa canção bela para um videoclipe um tanto “engessado”, duro e desinteressante, no modo como ninguém está por cima o tempo todo, na noção taoista de que o sucesso é um problema, pois, quando vem, tem que ser superado, no modo como um Oscar é uma bênção e uma maldição. Aqui temos uma hierarquia numa corte real, na rainha consorte reinando acima das mulheres, como nos costumes no Antigo Egito, quando, no harém do faraó, havia uma hierarquia: No topo, a grande esposa real, a qual aparecia publicamente ao lado do rei; no intermédio, as esposas secundárias; na base, as concubinas, que tinham origens pouco nobres. E era o sonho de qualquer esposa do harém colocar no Mundo o filho do rei, pois, assim, tal mulher ascenderia na hierarquia dentro da corte, num Egito insalubre em que a mortalidade infantil era alta. Vemos aqui uma multidão de anjos, como num programa televisivo de alta audiência, como em dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo, num país que para para assistir, remetendo a um senhor workaholic que conheço, o qual não para de trabalhar mesmo em dias de jogos da Seleção Brasileira! Neste quadro temos uma consagração, como numa Gisele, ainda em início de carreira, ao ganhar um prêmio de maior topmodel do Mundo, na enorme responsabilidade que é ganhar um prêmio, num Mundo que tanto pode pressionar a pessoa, em histórias tristes como a de Whitney Houston, sofrendo enormes pressões e, assim, desembocando nas drogas, as quais devastaram enormemente uma voz que outrora fora divina e potente. Aqui é como num dia de formatura numa faculdade, com anos de esforço coroados com um diploma, no fechamento de um ciclo.

 


Acima, A Madona e a Criança Adormecida com São João Batista. Maria aqui pede silêncio, nos versos em Inglês de Noite Feliz: “Noite silenciosa; noite sagrada”, remetendo ao hilário episódio de Mr. Bean, quando este faz sátiras mil num presépio numa loja de Londres, no modo como a sátira é, no frigir dos ovos, uma declaração de amor, ao contrário de um certo programa de TV, no qual não há sátira, mas desrespeito. O bebê, gordinho e saudável, dorme docemente, relaxado, na sensação uterina de invólucro, numa água quentinha, num lugar silencioso, sem luz, no trauma que é nascer e vir ao Mundo, como sair de um carro quentinho e deparar-se com uma rua gélida, em palavras irônicas que ouvi certa vez: Quando nascemos, nós choramos e o Mundo ri; quando morremos, nós rimos e o Mundo chora! Vemos um detalhe bem discreto na cena, com algumas cerejas, ou algo que o valha, na fartura de um reino desenvolvido, em países tão apolíneos como o Canadá, como já ouvi dizer: Ao conhecermos o belo e bem administrado Canadá, consideramos Nova York terceiro mundo! Nesta cena parece que tudo é feito de fina porcelana, no modo como o Gótico foi suplantado pelo Renascentista, em ondas intermináveis de renovação, como nas modas capilares, dando o tom para cada época, na monstruosidade estelar de uma Gisele, ditando paradigma capilar feminino há muitos, muitos anos, na sabedoria taoista do nada fazer, numa Gisele que nada faz, apenas mantém-se produtiva, no caminho clean, de limpeza, na sabedoria de uma pessoa em fazer somente o que é necessário, como num cômodo decorado de forma limpa, sem frufrus inúteis, no modo viril de um homem sem frescuras, fazendo só o que é imprescindível, no caminho masculino, o qual apesar de destoar do feminino, faz o que este faz, que é chegar a Tao, como em quadros religiosos que trazem a imagem de Maria junto à de Jesus, numa opção de caminhos, diferentes caminhos que levam ao mesmo lugar. O Batista menino toca sutilmente no Menino Deus, ao contrário do Adão de Michelangelo, sem tocar no Pai, como numa certa vez num show de Barbra Streisand, como uma mulher na plateia, erguendo-se sobre o palco, disse “Toque em mim, Barbra!”, mas Barbra não tocou, talvez para mostrar que na Vida não se pode ter tudo, como um homem certa vez para mim ainda criança, dizendo que eu teria que escolher entre ganhar um álbum incompleto de figurinhas e ganhar um bolo de figurinhas, e eu, ao dizer que queria ambos, o homem me disse que eu teria que fazer uma escolha, as escolhas que precisamos fazer na Vida, como uma senhora não fumante que conheço, a qual atura por mais de meio século um marido fumante, no modo como a Vida exige que tenhamos muita paciência para com os defeitos de si mesmo e dos outros. Maria é emoldurada por uma discreta aureola, num símbolo de divindade, como tive certa vez um sonho com um ente meu querido há anos desencarnado, quando tal ente saia da porta de um prédio, neste ente emoldurado por uma luz de felicidade e graça, na alegria suprema dos que gostam de se manter ocupados e atuantes, ao contrário da pessoa que se aposenta integralmente, nada mais fazendo de seus dias aqui na Terra, o que é uma lástima e um desperdício, como Andrea Bocelli cantando Atirei o pau no gato. A Virgem é a juventude eterna que nos espera lá em cima, sem um fiozinho de cabelo branco, na comédia A Morte lhe cai bem, numa poção mágica que dava juventude eterna, num dos personagens ao contestar a frivolidade da vida eterna na Terra, no glorioso modo como ninguém está na Terra para sempre, nesta bela prisão da qual só podemos nos libertar se fizermos algo de positivo e produtivo, ao contrário do prostituto, que faz do Sexo um leilão, pois não sei quem é mais triste – se é quem acha que pode vender Amor ou quem acha que pode comprar Amor, pois o melhor da Vida não se compra, como no filme Uma linda mulher, na prostituta virando Cinderela, deixando a prostituição para trás e abraçando o Amor, o qual não se compra nem se vende.

 


Acima, A Ressurreição de Cristo. Aqui é o glorioso dia de soltura, como no último dia de aula do ano, com a criança brincando com os coleguinhas, abraçando o doce verão que começa. Jesus olha para cima, objetivado, atento à limpeza metafísica, em cidades tão apolíneas, limpas e bem administradas, no modo como são as cidades físicas que tentam imitar as metafísicas, havendo a prova disso nas catástrofes naturais, lembrando-nos de que estamos na Terra e não no Céu. Os altivos soldados romanos estão rendidos e derrotados, no modo como, de início, Jesus tinha tudo para ser esquecido para sempre, oficialmente processado pelo Código Penal Romano, renascendo depois na fé das pessoas, até chegar ao ponto do imperador romano se converter ao Cristianismo, deixando para trás o passado pagão da Humanidade, até chegar à Revolução Científica, nas explicações racionais para o Mundo que nos cerca, nas palavras positivistas da bandeira nacional brasileira: Ordem e Progresso. Aqui temos um impacto e uma explosão, como um artista novo sendo revelado ao Mundo, em explosões como a de Lady Gaga, a qual, além de ter uma voz muito boa, tem muita, muita atitude transgressora jovial, trazendo sopros de renovação ao Mundo, no modo como este precisa desses transgressores, nas sábias palavras do diretor Fabio Barreto, o qual amo: “Uma sociedade só evolui a partir da transgressão de alguns de seus indivíduos”. É como na transgressão modernista, sepultando a tradicional arte acadêmica, na ascensão do Cinema à condição de Arte com o filme O Cantor de Jazz, no modo como o Cinema é a cara do século XX, assim como o digital será a cara do século XXI. Um cajado fálico patriarcal sustenta uma cruz, numa religião tão poderosa e tradicional, no atrito entre católicos e protestantes, como no contundente início do filme Elizabeth, com pessoas sendo queimadas vivas em fogueiras, nesta eterna capacidade humana em ser o cruel possível, pois nunca canso de dizer: Nada mais humano do que ser desumano. Jesus aqui causa uma comoção, como no epicentro de um furacão de escândalo, nas palavras de Dalí: “Feliz daquele que provoca o escândalo”, como em figuras transgressoras como Madonna, uma feminista de mão cheia, expondo os preconceitos fascistas do Mundo, nos versos de uma canção da diva: “Se você não é um fascista, não posso fazer de você um brinquedinho mero”. O tecido em torno da cruz é finíssimo, vaporoso, nos incríveis tecidos metafísicos, mais finos do que qualquer tecido fino na Terra, na glória metafísica de eu ter a aparência que eu quiser ter, na questão da liberdade, nos versos de uma canção, dizendo que o Amor é o que de mais fino existe, incomprável: “Não há liberdade sem Amor; não há Amor sem liberdade”. É no contraste ideológico entre as Coreias: No norte, uma cruel ditadura opressora, com um líder que não se importa com os flagelos do próprio povo, no caminho da crueldade; no sul, um país livre, vibrante em arte e liberdade, num mundo em que o indivíduo pertence a si mesmo, e não ao sistema escravocrata de Matrix, o qual faz do cidadão um refém, um prisioneiro e um escravo – é um horror. Os anjos perfumados e limpos cantam em júbilo, na sensação revigorante de tomar um banho, em rituais diários de limpeza, no prazer de se estar numa casa recém limpa, com perfume de produto de limpeza, na tentativa humana de se aproximar da perfeita limpeza metafísica, num lugar onde não há uma só bactéria ou sujeira. Abaixo no quadro, um homem jaz no chão, talvez extasiado com o milagre de renascimento, no poder de um Jesus que nos trouxe a noção do Reino dos Céus, na promessa de que uma vida melhor nos espera, em entes queridos desencarnados que nos aguardam com uma grande festa de retorno ao lar, na alegria de reencontrar um avô ou uma avó, na saudade pelos entes queridos falecidos, na imortalidade do Amor, o qual é mais longevo do que qualquer pedra preciosa sobre a face da Terra, na imortalidade dos laços de amizade, fazendo com que qualquer ressentimento ou mágoa pereçam pelo caminho, no caminho natural do perdão.

 


Acima, Alegoria da Noite. Aqui remete ao glorioso quadro A Noite de Pedro Américo, numa deslumbrante deusa seminua alva como a Lua, jogando estrelas no céu da noite, com um prato prateado como a Lua, um quadro o qual pude ver, em carne e osso, no Margs, o Museu da Arte do RS, em Porto Alegre, uma instituição atingida em cheio pelas cheias recentes gaúchas, destruindo os escritórios no subsolo do prédio histórico, num museu até hoje sem luz elétrica, nessas intempéries que nos lembram de que somos seres humanos e de que precisamos de um auxílio, como uma pessoa respaldada por poderosos aliados. A Lua é a magia prateada das telas prateadas do Cinema sem cor, numa geração de mulheres tão glamorosas, que ostentavam seus vestidos tão elegantemente, uma geração que se perdeu, na carnificina que é o tapete vermelho das celebridades, na competição entre as mulheres para ver qual delas tem o vestido mais maravilhoso, na inevitável competitividade social, começando cedo no colégio, com o aluno estudioso queridinho do professor, como uma colega que tive, a qual foi essa menina dourada dos professores, mas uma menina que no fundo não se identificava com isso, querendo viver, transgredir, transar e beijar, usando uma camiseta escrita em Inglês: “E quanto ao Sexo?”. Num detalhe discreto, vemos uma pequena família, com os pais e a criança pequena, como no Monumento Nacional ao Imigrante em Caxias do Sul, com o homem mais alto, acima da mulher, a qual é um cidadão de segunda categoria, respaldada por um homem, no modo como as próprias mulheres gostam de ser assim, vivendo na sombra de um homem, dedicando-se a este, numa espécie de instinto de fêmea, no preconceito: Se é uma mulher mantida por um homem, está ok; se é um homem mantido por uma mulher, NÃO está ok. É como uma mulher que eu conheci, a qual abandonou a carreira para ser mãe, esposa e dona de casa, e apenas cuidar de uma casa não vai dizer a você quem você é, como uma pessoa que conheço, a qual precisa urgentemente de uma guinada na Vida – por favor, reaja! Os bebês são a fertilidade, como num artista prolífico, num cantor de grande repertório, como num ator com uma carreira, fazendo metáfora com a pessoa que já passou por várias encarnações, remetendo a um sociopata que conheço, o qual passará por várias encarnações, crescerá e tornar-se-á um grande espírito de luz, mas um sociopata com o qual, nesta encarnação, nunca mais vou me relacionar, por uma medida de segurança e cuidado. As asas negras se estendem majestosas, com ampla envergadura, na cultura gótica de lugares sombrios, gerando toda uma cultura de heavy metal, num gênero musical tão rico em atitude, no gosto de uma pessoa que gosta muito de se vestir de preto, que é a cor da discrição, como certa vez, num funeral, fui criticado por uma senhora por eu estar com roupas coloridas demais para um enterro, no ambiente seríssimo de velório, com todos respeitando o finado no caixão, na escuridão dos rituais fúnebres, em entes queridos que permanecem conosco, numa energia metafísica, como no perfume psíquico de Chico Xavier, sendo brasileiro o maior médium espírita de todos os tempos, num homem de profundo amor por seus irmãos e irmãs, como numa família unida, como na família de meu falecido cunhado, uma família unida, que se reúne e diverte-se com brincadeiras, no modo como é importante a estrutura de família ao nosso redor, remetendo a uma certa drag queen, a qual teve um momento de ruptura, saindo de casa ainda jovem, indo para o Mundo, encarando todas as durezas do Mundo, talvez com uma profunda mágoa em relação ao próprio pai, como no enérgico pai de Michael Jackson, um pai que privou este de ter uma infância normal e saudável, no modo como os astros mirins passam por tal privação, com tudo tendo o seu preço. Aqui é um anjo negro, numa sedução, num mistério, como se fosse um antianjo, por assim dizer, longe de anjos iluminados nas alturas metafísicas, no modo como cada um de nós é sempre acompanhado de um anjo da guarda, pois ninguém está sozinho.

 


Acima, Arcanjo Gabriel. Aqui é a beleza dos anjos, na vitória da beleza sobre o vulgar. Aqui é o Amor Incondicional, ou seja, leve, desapegado, sem possessões ou obsessões, como uma pessoa que conheci, a qual nutriu uma verdadeira obsessão por outra pessoa, num amor doente, fixado, que não pode ser saudável, no desejo de posse, como se ter a posse de um objeto – é bem doente. Tal Amor Incondicional é sutil, com pessoas se cumprimentando na Rua, sabendo que terão a Eternidade para se relacionar, havendo na Eternidade o tempo para tudo, absolutamente tudo, inclusive na resolução de brigas e desavenças, como um senhor com o qual certa vez me desentendi, um senhor que é meu irmão, e que será um grande amigo meu, pois as mágoas perecem, assim como uma banana preteia e perece. Aqui é cem por centro beleza, na beleza do Bem, na vitória da virtude e da fineza, como em pessoas muito educadas e polidas, havendo no homem de Tao tal polidez diplomática, num home cordato, sempre optando pelo diálogo conciliatório, em esforços sempre pela Paz, esta Paz tão subestimada pelo aguerrido Ser Humano, sempre com ódio, sempre brigando, e coração que odeia é coração que sofre. O arcanjo aqui é a perfeição moral, num espírito depurado, muito depurado, entendendo que fora do Amor não há salvação, pois se quero mentir e enganar outrem, é porque não amo outrem, e a falta de Amor remete a um só lugar, que é o Umbral, o Inferno, a dimensão cheia de espíritos sofredores, arrastando-se por escuridão e sujeira, como um pai de santo disse certa vez sobre uma boate dantesca e escura de Porto Alegre, um pai de santo que viu ali dentro espíritos se arrastando e sofrendo, num lugar horrível, vicioso, regado a droga, pois só com droga para aguentar tal ambiente degradante, no modo como me sinto muito privilegiado por sempre ter passado longe das drogas, ao contrário de uma grande amiga minha, a qual se viciou em Cocaína, quase se destruindo por completo, como no caso deprimente de um senhor que conheço, viciado em Cocaína, um senhor que passará o resto de suas décadas de Vida numa clínica psiquiátrica, numa vida sem qualquer perspectiva de reconstrução, numa pessoa que definitivamente se perdeu nas drogas – malditas sejam. Aqui é a juventude eterna, como uma senhora idosa amiga minha que recentemente desencarnou, a qual foi rainha da Festa da Uva, uma pessoa que, lá em cima, está linda como no dia de sua coroação, na Eternidade da beleza, vencendo as forças escuras do Mal, no modo como os desenhos de super heróis servem para ensinar à criança sobre Bem e Mal, remetendo a uma sociopata que conheci, a qual dizia, nitidamente, que o Mal é mais interessante – é claro de se observar a sociopatia, numa pessoa absolutamente insensível à Arte; numa pessoa paupérrima em Inteligência Emocional, como no livro de Tao, o qual só pode ser compreendido emocionalmente, no caminho autodidata, pois temos que aprender por nós mesmos, como na sabedoria de que a sensualidade reside exatamente nos espaços vazios, no vazio de Tao, a folha em branco na qual podemos escrever, na magia magnética da orla, no vazio que nos acolhe. Os pés descalços são a simplicidade, como estar em casa sem sapatos, no lugar onde estamos confortáveis, nos alvos pés de Nossa Senhora esmagando a serpente da malícia, no mito da Imaculada Conceição, o qual serve para nos fazer entender como Tao nos fez assim, imaculadamente, pois somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei. O arcanjo segura a flor, que é a beleza da Vida, num mistério insondável da Vida, pois o que faz o coração bater? As asas são a liberdade, na delícia de se estar livre, como numa cama boa, com cobertas, nos sedutores braços de Morfeu, no gostoso pecadinho da Preguiça, a qual nos trouxe grandes invenções: Para que pegar a escada convencional se posso pegar a escada rolante num shoppping? Aqui sentimos um perfume, havendo nas fragrâncias terrenas a intenção de imitar e aproximar-se de Tao.

 

Referências bibliográficas:

 

Annibale Carracci. Disponível em: <www.meisterdrucke.pt>. Acesso em: 14 ago. 2024.

Annibale Carracci. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 14 ago. 2024.

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