quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Rei Artush (Parte 4 de 6)

 

Falo pela quarta vez sobre o artista armênio Artush Voskanyan. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Ecos de gargalhada um retrato surreal de Chaplin. Chaplin é desses gênios revolucionários, que marcam para sempre a História da Humanidade, como Jesus sendo o centro sobrenatural da História, num homem que foi a maior cabeça de todos os tempos, mesmo não tendo tido educação formal. O chapéu coco arqueado é a humildade, numa pessoa que sabe o valor da modéstia e da discrição, pois há algo mais insuportável do que uma pessoa presunçosa, arrogante, esnobe e metida? É no modo como a Vida, quando somos arrogantes, trata de meter no nosso cu, com o perdão do termo chulo. Chaplin sorri com seu charmoso bigode, numa espécie de marca registrada, nessa maravilha humana que é a comédia, num Ser Humano que ri de si mesmo, em geniais peças de Teatro, nas quais tudo o que precisamos fazer é sentar e rir, como na genial atriz gaúcha Ilana Kaplan, na peça Buffet Glória, num artista que é um tsunami no palco, arrastando tudo e todos, na dádiva que é fazer com que os outros riam. Ao centro, Chaplin flerta com senhoras, num jogo de flerte, num momento de interação social, na época de adolescência, na época em que os sexos começam a se atrair, a salvo casos de homossexualidade, é claro, no paradoxo da escritora sexóloga Marta Suplicy, a qual, apesar de ser aclamada pelos gays como a mãe chic dos gays, ignora estes no seu livro Sexo para adolescentes, em nenhum momento com a sensibilidade para interpelar o adolescente gay que está lendo aquele livro. A bolsa da senhora é o receptáculo feminino, como a jarra de água de Galadriel, como no seriado clássico Jeannie é um gênio, na mulher se refugiando na sua garrafa, num momento consigo mesma, como pintar as unhas, quieta no seu canto, numa pessoa que leva uma vida pacata e discreta, produzindo algo nobre, nas palavras sábias de DiCaprio: “Não pode faltar trabalho!”, ao contrário dos improdutivos, cujas vidas são uma miséria incrível, como uma pessoa que conheço, a qual muito estudou para, no frigir dos ovos, tornar-se uma dondoca improdutiva, sustentada pelo ex marido – existe fria maior do que ser obrigado por lei a sustentar uma pessoa que não mais faz parte de sua vida? Vemos na cena uma filmadora clássica, com o filme, nos primórdios da tecnologia de Cinema, ao contrário dos dias de hoje, na era da Informática, com incríveis efeitos visuais de Inteligência Artificial, com cenários e personagens criados por computador, nos grandes estúdios de efeitos visuais de Hollywood, num alto custo para tal serviço de excelência, numa revolução tecnológica que deixa perplexa minha geração, a qual foi criança nos anos 1980, na época do televisor de tubo e sem controle remoto, só com poucos canais de TV aberta, num galgar de inovações sem término, num Ser Humano o qual, um dia, poderá explorar os planetas, satélites e planetas anões de nosso sistema solar, só numa questão de tempo e tecnologia. Ao pé do quadro, uma moça ergue um pano, como numa cortina de Teatro, no momento mágico da cortina se abrir e encher os olhos do espectador com o cenário, na Arte entrando em nossas mentes, em diretores tão excêntricos como Gerald Thomas, como num enérgico Fellini, tendo ataques de histeria no set, remetendo a meu querido amigo, o diretor Fabio Barreto, que Deus o tenha, um homem que amou muito, muito o Brasil, tendo orgulho deste. Na porção esquerda, vemos um senhor misterioso, obscuro, nos mistérios do Universo, numa Humanidade a qual, até o presente momento, depende de fotos de supertelescópios, no Universo observável, na lentidão da velocidade da luz – quando vejo o Sol no céu, na verdade estou vendo o Sol quando este era oito minutos atrás! A cena aqui, claro, é em preto e branco, no termo “tela prateada”, em alusão ao brilho cinzento de prata nas telas, no modo como, até hoje, na era do Cinema colorido, muitos diretores gostam de trabalhar em preto e branco, como o emblemático Woody Allen, uma das maiores cabeças da Sétima Arte, em tiradas geniais como “subjetivo é objetivo”, um homem “perseguido” pelo espectro materno edipiano, como no divertido filme em que uma mãe aparecia no céu de Nova York, num Allen tão, mas tão cheio de senso de humor. Chaplin sorri satisfeito, gostando de ser ele mesmo.

 


Acima, Estação matinal. Aqui é o mito misógino de Medusa, na mulher cheia de malícia e vícios, sem nobreza ou apuro moral, como no mito de Eva, aquela que trouxe ruína ao perfeito e maravilhoso Adão, no mito do segundo sexo, um arremedo da obraprima Adão, no modo como a própria mulher é machista, resultando em raras exceções feministas, nas pensadoras que têm a coragem de ir contra os poderosos ventos do patriarcado, essa força que existe desde o início do Homo sapiens, na figura do cacique da tribo, na figura do macho alfa, como no faraó com seu harém, em mulheres cujo sonho era ser a mãe do próximo rei do Egito, tornando-se rainha mãe e, assim, subindo na hierarquia dentro da corte, num Egito insalubre em que a mortalidade infantil era alta, mesmo no glamoroso harém, no machismo: Uma mulher sustentada por um homem, pode; o contrário, não. Vemos aqui a candura de flores brotando, na magia da flor silvestre primaveril, a qual não teve que ser plantada pela mão humana, na explosão de libido primaveril, com ursos famintos acordando da hibernação, comendo avidamente salmões em rios, peixes que sobem a correnteza em cio, querendo copular e, depois, morrer, no mito de femme fatale da viúva negra, a Sharon Stone em Instinto Selvagem, sedutora, perigosa com seu agressivo picador de gelo, no filme que alçou Sharon ao estrelato, numa Hollywood com tantos e tantos sonhos que se despedaçam todos os dias, na terra do fracasso e da frustração, na triste e desolada boulevard dos sonhos despedaçados. A mulher aqui está sonolenta, inconsciente, como num transe onírico, nos códigos oníricos de nossos sonhos à noite, dando-nos informações existenciais, na mescla entre sonho e real de Matrix, num indivíduo que é escravo e prisioneiro de um sistema insano, no modo como somos escravos do Capitalismo, pois tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, desse modo, adquirir bens cobiçados de consumo, como uma pessoa que conheço, a qual é aparentemente muito resistente ao apelos da Sociedade de Consumo, mas uma pessoa a qual, na hora de comprar o carro que dirige, investe intensamente, desembolsando muito dinheiro, na questão do Mito da Caverna, no salvador Neo nos libertando do irracional, mostrando-nos a realidade de que somos prisioneiros. Aqui são os versos da famosa canção: “Debaixo dos caracóis de seus cabelos”, em cachos belos e definidos, na autoestima da mulher que frequenta o salão de beleza, nos hábitos civilizatórios de cuidado e beleza, nas sobrancelhas impecavelmente depiladas e delineadas do busto de Nefertiti, a obra que é um pomo de discórdia entre Alemanha e Egito, com as duas nações competindo pela posse da rainha lendária e misteriosa, a qual pode ter governado o Egito por alguns anos, até a chegada do famoso rei Tut à maioridade, algo raro num Egito de homens. Aqui é uma sonolência, numa gostosa sesta, num momento merecido de pausa e descanso, ao contrário do workaholic, como uma pessoa que conheci, a qual era workaholic, uma pessoa que acabou fracassando na carreira e amargando uma derrota grande, perdendo o ser patroa de si mesma, nas duras lições de humildade que a Vida nos ensina, nesta grande faculdade que é a Terra, como alguém ingressando num curso universitário. Aqui a beleza tenta derrotar a feiura e a malícia, na guerra da ordem sobre o caos. A mulher aqui está maquiada e arrumada, como uma certa senhora professora que conheço, sempre impecavelmente arrumada, devendo acordar bem cedo de manhã para se aprumar de tal modo, ao contrário de outra senhora professora que conheço, a qual perdeu totalmente a autoestima, saindo de casa com qualquer roupa, com o cabelo de qualquer jeito, como uma certa atriz, a qual não se arruma, nem para uma cerimônia do Oscar, ao contrário de uma atriz séria como Meryl Streep, a qual está sempre devidamente arrumada, como no código de conduta das psicólogas, mulheres com autoestima, que se gostam e arrumam-se. Aqui temos um emaranhado caótico, como vias confusas numa cidade, em urbes complexas como São Paulo, uma cidade que é um inferno em dias úteis.

 


Acima, Flamingo rosa. O lago é a placidez e a quietude, na paz inabalável do Plano Superior, num lugar divino, de apuro moral, no qual ninguém quer nos enganar, fazendo do Amor tal fruto de apuro moral. As pernas finas são a elegância, no fato de que grosso é fraco e de que fino é forte, remetendo a uma pessoa equivocada, a qual acha que tem que lançar mão da brutalidade, ao contrário do homem de Tao, o qual nunca recomendará violência, num homem cordato, o qual nada tem a ver com armas, as quais são coisas terríveis, coisas que definitivamente não são brinquedos, como um certo senhor, o qual era fascinado por uma espada, brincando perigosamente com esta. Aqui é como é um Éden o plano no qual todos amam trabalhar e estudar, numa vida produtiva, no modo como a Vida segue no plano acima, no qual todos temos que laborar de algum modo, mas num plano em que também há alegria, festa e diversão, pois até Deus descansou no sétimo dia, numa agenda social linda, com eventos elegantes, finos, educados, polidos, na polidez do homem de Tao, tratando tudo e todos com o maior respeito, e a Vida não é infernal quando não respira respeito no ar? Não são as guerras eventos de pleno desrespeito mútuo? Não é o Ser Humano cruel? Aqui é no redentor final da trilogia O Senhor dos Anéis, num barco nos levando para um lugar plácido e maravilhoso, numa espécie de pausa e aposentadoria momentânea, no modo como, repito, todos têm que laborar de alguma forma no Plano Superior, havendo em Tao, em Deus, o ente que está sempre produzindo, e se Ele produz, por que não devemos nós produzir também? Aqui é um Sol majestoso, na bela deusa grega Eos, da aurora, arrumando o céu com cores douradas, belas, preciosas, arrebatadoras, num novo dia, numa nova página, num novo capítulo em nossas vidas, como acordar cedo e ver tal espetáculo, como certa vez vi o nascer do Sol na praia catarinense Mole, num disco dourado, como no faraó transgressor Aquenáton, um indivíduo que desafiou tradições milenares, e um homem que foi considerado maldito pelos próprios egípcios, sendo perseguida e censurada tal parte da história egípcia, um rei que foi oficialmente apagado dos registros oficiais, num reinado que só foi reconstituído há pouco tempo pelos egiptólogos, no poder de transgredir, num homem incompreendido em seu próprio tempo. A mulher aqui sorri plácida, suave, sabendo do valor da discrição, como uma certa senhora discretíssima que conheço, a qual, normalmente, não usa maquiagem, só se maquiando em eventos especiais como casamentos e, ainda assim, usando o mínimo possível de maquiagem, numa senhora discreta no modo de falar e de se vestir, no poder da discrição do camaleão, o qual, em sua invisibilidade, pode captar presas e esconder-se de predadores. Aqui é o potencial turístico brasileiro, um país tão majestoso em natureza exuberante, mas um país que precisa de investimento em infraestrutura, no exemplo do majestoso complexo de parques temáticos do estado americano da Flórida, na cidade de Orlando, num país tão rico, tão farto, numa viagem inesquecível, a qual toca na criança dentro de cada um de nós, numa experiência emocionante, como o foi para o senhor meu pai, o qual disse ter sido uma das melhores viagens de toda a sua vida, num lugar como Gramado, no qual voltamos a ser crianças. O flamingo é a elegância, a exuberância, fazendo da Terra tal lugar tão único, com cientistas até hoje buscando vida em outras esferas, numa sede de conhecimento, em sondas bilionárias enviadas pelo sistema solar, em astrônomos que dedicam suas vidas inteiras para tais projetos ambiciosos, na cena do Super Homem recolocando a bandeira dos EUA na superfície lunar, num país tão patriota; tão cheio de belas tradições. Aqui é um quadro de doçura, como na magia de um domingo de Páscoa, com crianças procurando os ninhos de ovos de chocolate, no zelo da senhora minha mãe em preparar tais ninhos de delícias doces, no modo como é importante mantermos contato com nossas próprias famílias.

 


Acima, Garota coelho. Aqui é como a paisagem inóspita ao fundo da Monalisa, num pano de fundo, num mero papel coadjuvante, como numa mera moldura – quando o quadro é ruim, não há moldura que o salve; quando o álbum de música é ruim, não há capa de divulgação que o salve. É no caminho da ética, pois se estou anunciando que meu produto é excelente, tenho que me assegurar que tal produto seja, de fato, excelente, no caminho da honestidade e do apuro moral, pois o consumidor não é tolo, pois este nota quando foi ludibriado, nunca mais adquirindo tal produto, e quem carece de competência, não se estabelece. O busto é farto, na fartura feminina, em decotes ousados, como nos áureos tempos de Versalhes, com as damas da nobreza comprimindo fartos seios em decotes ousados, numa bolha alienada de privilégios, num rei Sol insensível em relação a questões simples, como o preço do pão para o cidadão francês comum, como os comunistas depuseram a poderosa dinastia Romanov, pois o líder que se afasta de seu próprio povo deixa de ser líder, resultando em golpes de estado, como no infame episódio golpista em Brasília, como no deselegante Trump, usando seu poder para anistiar vândalos grossos e brutais, num homem cuja cabeça não vai além da esquina, como maltratar, sem necessidade, imigrantes ilegais, o quais deveriam ser firmemente deportados, mas com cortesia e civilidade, como num responsável em raios x de aeroportos – firme, porém gentil. Aqui é o perfil, como no perfil de um monarca em moedas ou cédulas de dinheiro, no poder de responsabilidade de um monarca, no modo como pode pesar uma coroa, havendo no Desencarne tal glória de libertação, num monarca o qual, ao morrer, perde seus poderes mundanos, pois só com humildade se entra lá em cima, ao contrário do arrogante grosso, condenado a vagar pelas terras cruéis do Umbral, no caso de espíritos revoltados, não tendo a consciência de que é um filho de Tao, o Pai que a todos amará sempre, no incrível caminho da Eternidade, este presente inestimável, no poder de que jamais findaremos, no caminho natural do perdão, pois os ressentimentos não são eternos, no modo como teremos a Eternidade inteira para nos relacionarmos com tais entes, resultando, assim, no amor desapegado, leve, sutil, discreto, limpo e mínimo. O coelho é a fertilidade, como na abertura de um filme de Allen, falando sobre Sexo, com os coelhos se reproduzindo insanamente, como numa família numerosa, como na família de um certo senhor, com mais de dez filhos para um mesmo casal. As folhas são aqui como adornos, como num vestido elegante, de festa, numa pessoa que se prepara para um evento solene, de gala, como atrizes sérias como Glenn Close e Meryl Streep, arrumando-se para tais aparições públicas, ao contrário de uma terceira atriz, uma mulher que não se arruma, querendo, inconscientemente, agredir e esfaquear, usando, recentemente, um vestido que era uma piada, como uma certa senhora no tapete vermelho, num vestido para lá de medíocre, ao contrário de outra senhora ao seu lado, esta, sim, elegante, pois quando digo que algo é doce, é porque conheço o oposto, que é amargo. O sorriso aqui é brando e mínimo, como no mínimo sorriso de Nefertiti, no poder do pensamento racional, na beleza fria dos números, da lógica, pois a Eternidade inenarrável é o caminho lógico, visto que nada teria sentido se tudo morresse na morte do corpo físico, na noção taoista de que o óbito carnal pouco importa, como um certo mendigo recém falecido, o qual, provavelmente, está neste exato momento no Umbral, sinto em dizer, num espírito arrogante, que não quer saber de receber ajuda – quem é humilde, não sofre. Esses numerosos coelhinhos são como na imagem de Nossa Senhora fértil, cercada de anjinhos filhos, como uma certa senhora cozinheira da Televisão, uma avó com mais de dez netos, na magia de mentes férteis como a de Jesus, propagando conceitos imortais, em espíritos revolucionários, como no maravilhoso para Francisco, um homem humilde e impecável, o qual deixará saudades.

 


Acima, Guardiões da ilusão. O chão xadrez é a diversão e a brincadeira, como no ambiente esquisito do genial diretor Tim Burton, num surrealismo, em algo estranho, na veia surrealista de artistas, gravitando acima do óbvio, estranhos, fascinantes. O chão aqui remete à onírica Cidade das Crianças, na Argentina, lugar o qual, reza a lenda, inspirou Walt Disney, outro gênio, a construir o parque da Disneylândia na Califórnia, EUA, num lugar onde voltamos a ser crianças, no modo como sinto falta de meus brinquedinhos de infância, em doces lembranças de verão com amigos, os quais fazem falta em nossas vidas, espíritos amigos dos quais nunca iremos nos esquecer, mesmo após o inevitável Desencarne, no caminho da Eternidade – o Amor é imortal, e maravilhoso, como um móvel de madeira nobre, de alta durabilidade, no modo como tudo gira em torno do Plano Superior, havendo na Terra, com suas tragédias naturais, um mero arremedo. O palhaço é o prazer do riso e da comédia, na capacidade do Ser Humano em rir de si mesmo, de rir da Vida, a qual não deixa de ser engraçada, como no instigante filme Dogma, no qual Deus é um ente repleto de senso de humor, na ironia de Yin e Yang, um sendo a contradição do outro, na sedução dos opostos que geram tudo, no casamento entre razão masculina e loucura feminina, nas palavras de Fábio Jr. numa entrevista a uma jornalista mulher: “Cansei de tentar entender as mulheres – vocês são loucas!”, na passividade feminina que atrai o móvel masculino, como no espermatozoide dinâmico em busca do passivo óvulo, numa competitividade atroz, como vi certa vez num evento com vários fotógrafos, os quais se acotovelavam insanamente para tirar fotos, como um certo senhor agressivo, o qual abriu uma empresa o mais diferenciada possível, sabendo que vive num mercado competitivo, como no mercado da cidade de Gramado, num competitividade para ver quem fisga o turista, numa cidade um tanto elitizada, um pouco inacessível para a classe média, como em Balneário Camboriú, elitizado, com suas arrogantes torres altivas de concreto, com seus barcos de luxo, nos abismos sociais brasileiros, nos versos da canção: “Ó mundo tão desigual (...) De um lado, este carnaval; do outro, a fome total”, como na cidade do Rio, com suas enormes favelas, em famílias sem dinheiro para fazer reboco em suas residências, num espírito corajoso, o qual resolver reencarnar num contexto tão sofrido e miserável, adquirindo, assim, um crescimento espiritual enorme. Neste quadro temos uma simetria, com os dois senhores ladeando algo precioso, como uma pedra preciosa, como na coroa imperial inglesa, a qual, de tão valiosa, não pode sair do cofre, nem do dia da coroação do monarca, o qual, em tal evento solene, usa uma réplica, uma bijuteria, no discernimento taoista de que, quanto mais tesouros tenho, menos seguro estou, como um certo casal, o qual colecionava joias preciosas, sofrendo um brutal assalto. O palhaço é a diversão, em atores tão geniais como Rowan Atkinson, no imortal Mr. Bean, naqueles atores geniais que fazem escola, como no deslumbrante espetáculo do Cirque du Soleil, no comediante claramente se inspirando em Rowan, na magia circense, como em grandes turnês mundiais, numa Dercy Gonçalves jovem, a qual fugiu de casa para se juntar a uma trupe circense, nas palavras da própria diva: “Eu sou mambembe!”. Os tijolos aqui são o paciente trabalho de formiguinha, como na obra de uma certa artista, a qual trabalhou com pedacinhos de tecido, colando-os e formando uma imagem, num trabalho de paciência e dedicação, num trabalho árduo, persistente. A gravatinha borboleta é o garbo, no artista que se arruma para pisar no palco, em frente ao olho do público, em artistas que levam muito a sério o se arrumar para vir a público. As árvores atrás são a fertilidade de uma mente criativa, fértil, num artista com uma vasta obra, como no supremo Louvre, o qual exigiria que passássemos um ano inteiro ali dentro para podermos apreender o que ali existe, fazendo de Paris o centro do Mundo, numa cidade cheia de novidades e excitação.

 


Acima, Idades diferentes. Aqui é o modo ocidental de celebrar a beleza do corpo humano, desde os nus gregos, no modo de expor a beleza do seio feminino, algo impossível nas culturas islâmicas, com as burcas, no modo patriarcal de tolher a sexualidade feminina, em transgressões como os nus de Madonna no controverso livro Sex, no modo como ouvi de uma certa artista respeitada, esta falando de Madonna: Por trás deste perfil transgressor, provocador e agressivo, existe uma mulher extremamente careta. O seio é a fartura, como no Brasil colonial escravocrata, com senhoras negras amamentando crianças brancas ricas, numa relação de intimidade, no termo “ama de leite”, no prazer de se mamar numa caixinha de leite condensado, no fascínio mamíferos dos queijos de vaca, cabra, búfala etc., remetendo aos radicais veganos, negando qualquer alimento originário de tetas, remetendo a uma cachorrinha minha que, a qual começou a ficar desnutrida ao dar de mamar aos filhotes, na sabedoria popular: Ser mãe é padecer no inferno! O tecido vermelho é a feminilidade do Chapeuzinho Vermelho, provocante, excitando o agressivo lobo, na cor do sangramento menstrual, nas dores de tensão pré menstrual, no modo como é duro ser mulher, remetendo a uma memória de adolescência minha, como uma colega chorando de dor, tendo que tomar amargas gotas de remédio antiespasmódico. A cabeleira é a fartura, a exuberância, como na bela Isadora Ribeiro na emblemática abertura da telenovela Tieta, na mulher exibindo toda sua beleza nua, em aulas de nus artísticos em faculdades, perdendo a malícia em relação à nudez, como em inocentes praias de nudismo, remetendo a uma freira que foi minha professora no Ensino Fundamental, a qual dava aulas de Educação Sexual exatamente para neutralizar tal malícia, falando da beleza do órgão reprodutor feminino, como na cena do rico, complexo e célebre tríptico O Jardim das Delícias, como num parque de diversões erótico, tendo ao fundo uma estrutura que lembra tal aspecto feminino. O chapéu é o resguardo e a proteção, como num leão atravessando cuidadosamente um rio, sabendo que ali há perigo, como num líder de Tao, cheio de Amor no coração, nunca querendo expor seu próprio súdito ao perigo, num líder excessivamente cortês e polido, respeitando totalmente o cidadão comum, nunca interferindo no dia a dia pacato de tal cidadão, como no finalzinho de O Retorno do Rei: Tudo se resume a uma vida pacata, deixando o Yang do lado de fora e sendo mais Yin dentro de si mesmo, no valor do silêncio e da discrição, ao contrário de indiscretos carros com volume musical altíssimo, desinteressantes. As plumas no chapéu são a delicadeza, em algo se curvando e sendo humilde, dobrando-se ao vento, nunca resistindo, na capacidade da pessoa em saber “surfar na onda”, como Orlando Bloom, o qual soube ser tal surfista, sendo revelado ao Mundo como o belo elfo Legolas, nas pessoas com instinto, sabendo vender a si mesmas, neste talento de uma Gisele, sabendo se vender extremamente bem, deixando-nos perplexos com tais pícaros de fama e popularidade, em homens grandes como Renato Aragão – visto, amado e respeitado. Aqui há uma grande discrição, na moça sem querer revelar o rosto, disfarçada, oculta, sem querer chegar ao ponto de simplesmente não poder caminhar em paz pela Rua, como vi certa vez em Porto Alegre pessoas assediando o escritor Luis Fernando Veríssimo, meu ídolo, diga-se de passagem, um senhor discreto e pacato, alheio a estrelismos, celebrizações e midiatizações, ao contrário da figura do Robert, aquele que quer simplesmente aparecer midiaticamente, nunca sendo secretamente respeitado pelas pessoas, como uma certa senhora, a qual, o que tem de rica, tem de desrespeitada. Aqui, os seios são a dedicação materna, o zelo, em medidas como vedar com fita adesiva buracos de tomadas elétricas, num zelo, na segurança de um lar, como colocar redes nas janelas, no peso de uma responsabilidade, como um certo senhor, o qual tem que trabalhar de Sol a Sol para dar um padrão de vida elevado à própria família.

 

Referências bibliográficas:

 

Artush Voskanyan. Disponível em: <www.artfinder.com>. Acesso em: 27 nov. 2024.

Artush Voskanyan. Disponível em: <www.artsper.com>. Acesso em: 27 nov. 2024.

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