quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Bom Bo (Parte 1 de 28)

 

 

Americano de 1955, o pintor realista modernista Bo Bartlett estudou em diversas instituições, inclusive na italiana Florença, o berço da Renascença. Também é cineasta, tendo feito dez filmes, ou seja, um artista multimídia. Gosta de cenas ao ar livre, como em praias. Retrata cenas de família também. Fez muitas mostras e pertence ao acervo de vários museus, sendo já multipremiado, ou seja, reconhecido em vida. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Via Dei Malcontenti. O guardachuva é a proteção e o resguardo, como na logomarca de uma certa seguradora, com uma pessoa com um guardachuva aberto, na questão da pessoa levar uma vida cautelosa, discreta, como num leão cruzando um rio, sabendo que ali pode haver perigo, como me disse um certo senhor: “O seguro morreu de velho!”, na sabedoria popular de que todo cuidado é pouco. Segurar aqui a criança é o peso da responsabilidade, como no filho primogênito, ajudando a criar os irmãos mais jovens, num peso de responsabilidade ainda cedo, como disse uma certa mãe: “Criar filhos dá muito trabalho, mas vale a pena!”. Aqui é uma travessia existencial, numa encarnação, num caminho solitário, no modo como todos precisamos de alguns momentos de retiro e reserva, numa saudável pitada de solidão, nos versos de uma canção cantada pelo super roqueiro Axl Rose: “Todo mundo precisa de alguns momentos consigo mesmo!”, num artista Axl que conheceu o esmagador sucesso de sua banda no fim dos anos 1980 e no início dos 1990, numa banda que derrapou posteriormente, no fato de que o sucesso é um amante infiel, num Axl que está na estada para se reerguer, apresentando-se ao redor do Mundo, como me disse uma sábia médium espírita: Quando beijamos o fundo do poço, temos que fazer um esforço ENORME para nos reerguermos. É como Whitney Houston, a qual conheceu o céu e conheceu o inferno, num ramo de atuação em que as pressões são enormes, sendo comum artistas sofrerem tais pressões e desembocando na droga, no infeliz modo como as drogas destruíram a voz da diva negra, pois, em seu último trabalho de estúdio, sua voz está irreconhecível, no mau sentido. É como nos versos de uma canção de Michael Jackson: “Pare de me pressionar! Pare de me pressionar! Pare de me pressionar!”. A perspectiva aqui é um eco renascentista, quando a Arte sepultou de vez os padrões góticos, num sopro poderoso de renovação na Europa das Navegações, com potências enviando missões ao Oriente e disputando terras americanas, na sedução da seda chinesa e dos temperos indianos, na magia do cravo e da canela, numa comida bem feita, que nos excita a devorar tudo, como na magia da baunilha, como em fabulosos televisivos de culinária, no modo como pode trazer entretenimento ver os outros cozinhar, no paradoxo em mim: Por um lado, amo programas de culinária; por outro, sou um medíocre na cozinha – não é paradoxal? É o termo popular: Casa de ferreiro, espeto de pau! O dia aqui é frio, e o senhor está agasalhado, no fascínio que o frio da Serra Gaúcha exerce sobre os turistas que vêm de terras mais quentes, na seguinte contramão irônica: Os gaúchos adoram o calorzinho agradável de Salvador! E Gramado é tal Meca turística, ameaçando a supremacia turística da cidade do Rio de Janeiro, numa Gramado glamorosa e cara, dentro do custo de vida do eixo Rio-São Paulo, uma Gramado que é cara para mim, que sou de Caxias do Sul. A criança nos olha, nos desafia, em quadros que nos olham, mágicos, como na Monalisa, arrastando multidões ao Louvre, no mistério da Arte, naquilo que nos toca e nos move como seres humanos civilizados, de inteligência emocional para inteligência emocional, como na comoção mundial de Titanic, num manifesto poderoso contra a insensibilidade, na incapacidade do sociopata de ter tal inteligência emocional, numa pessoa fria, emocionalmente burra, sem instinto, sem coração, sem humanidade, no modo como todos nós um dia tivemos um ou mais professores sociopatas, e tudo o que temos que fazer é não nos relacionarmos com tais pessoas. Aqui temos um rumo e um sentido, um objetivo, ao contrário de um grande amigo meu, desanimado, perdido, prostrado com a Vida, uma pessoa que precisa se centrar urgentemente em algo nobre, pois a seriedade da Vida nos mostra que precisamos ter os pés no chão.

 


Acima, Viajante. A roda gigante são os ciclos da Vida, como num ciclo de vida de um produto, chegando a um ponto de “abacaxi”, esgotando-se na preferência do consumidor, como em musicais na Broadway, encerrando temporadas, fechando, não mais apresentando, em fenômenos longevos como o famoso musical Cats. É como um ciclo de faculdade, encerrando, no ponto de formatura, pegando o diploma, o qual foi adquirido por meio de muita luta e dedicação, no modo como são tristes as histórias de vida de quem iniciou uma faculdade, mas abandonou a mesma, sem fechar o ciclo, como numa transa sem orgasmo – não tem sentido. É o erro que cometi, abandonando minha faculdade, tendo eu me arrependido de tal erro e partindo em busca do tempo perdido, reentrando na faculdade e finalmente pegando o diploma, em dois custos: O dinheiro para pagar as mensalidades e as conduções para ir voltar do campus; a dedicação para fazer os trabalhos que os professores exigiam, combinada com a paciência para esperar as conduções e sacolejar nestas para ir e voltar do campus – é um périplo, meu irmão! Os malabaristas são a disciplina e a dedicação, como no deslumbrante espetáculo Cirque du Soleil, na técnica impecável dos artistas, ou como num show de tango que vi em Buenos Aires, numa técnica impecável dos dançarinos, num gênero musical tão próprio da Argentina, na famosa cena em que Al Pacino faz um homem cego que dança tango com uma bela mulher, numa superação de barreiras e percalços, na sabedoria popular de que cada um tem seus problemas, num trabalho de Psicoterapia, para enfrentar tais problemas, no paciente trabalho de ouvir as dores do outro, na ironia de que os psicólogos e psiquiatras também se submetem a Psicoterapia, no prazer de se sentar e conversar com uma pessoa que nos conhece muito bem, na delícia de conversas ao telefone, no modo como foram da preguiça que nasceram as grandes invenções da Humanidade: Porque me “matar” subindo e descendo escadas se posso fazê-lo comodamente dentro de um elevador? Por que sair de minha casa para conversar com meu ente querido se posso fazê-lo comodamente dentro de minha casa, por telefone? O rapaz com o instrumento musical é o talento, a dedicação a alguma arte, nas palavras de Maria Callas interpretada por Marília Pêra numa peça teatral – a dedicação tem que ser extrema! Mas será que isso não pode resultar numa degradante vida de workaholic? Não devo eu me reservar pequenos prazeres? É na sabedoria popular de que ninguém é de ferro. Ao fundo vemos uma banda passando, perfumando o ar com música, como num músico de rua, tão ignorado pelos passantes, num Van Gogh nunca reconhecido em vida, amargando uma morte pobre e obscura, como no triste Oscar póstumo de Heath Ledger, um homem que nos deixou tão jovem, na flor da idade, no auge da virilidade. O capim ao gentil vento é a criatividade, a fertilidade, num artista prolífico como Bo Bartlett, em artistas que produzem tal obra vasta, num caminho de labor, como conheci certa vez o atelier de um artista plástico, num delicioso sítio retirado, longe das loucuras de urbes de asfalto, nos imortais versos de Elis: “Eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor!”. É num estilo de vida pacato e reservado, na sabedoria de uma pessoa que quer paz e quietude, e a vida não é um inferno quando não temos paz? Não é o Umbral a dimensão dos que subestimam a paz? Ter ódio dentro de si mesmo não é infernal? É como na maravilhosa paz do Plano Superior, num plano em que ninguém quer enganar ou ludibriar, com um certo senhor, um pobre infeliz sofredor que me enganou, na ironia de que eu não tive que mover uma palha para deletá-lo de minha própria vida – ele próprio se deletou! A palavra de um homem vale mais do que dinheiro! Num detalhe na cena, uma tenda branca, na cor da paz, na cor preferida dos espíritas, na cor dos jalecos de médicos e enfermeiros, na cor da limpeza minimalista, num bom banho depois de um dia de suor e sujeira, num banheiro lindo, iluminado pelo Sol – é a glória! Num detalhe na cena, uma pequena maleta perdia ou abandonada, num ato de se desprender de sinais auspiciosos materiais.

 


Acima, Vida durante a guerra. O vinho é tal bebida milenar, tradicionalíssima, nos pequenos prazeres mundanos, como tomar um vinho e ver um colorido por do Sol, numa tradição que remete ao longínquo Egito Antigo, em apreciadores com lindas adegas em casa, no “sangue” de néctar que vem das entranhas da terra. A reunião aqui é alegre, na alegria de vermos velhos amigos, os quais são o ouro da vida, pois no Plano Superior temos a nítida e clara sensação de estarmos entre amigos, na doce lembrança que tenho de meus amiguinhos do início do Ensino Fundamental, entre os quais eu me sentia tão feliz e à vontade, sentindo-me respeitado, tratado com carinho, e a vida é um inferno sem amor, no modo como o Ser Humano, com suas cruéis guerras, subestima tanto o amor, fazendo da Terra tal palco patético de raiva e desarmonia, em Caim matando Abel, irmão derramando sangue de irmão, no modo como nem a suprema majestade de Jesus soube curar os problemas da Terra, num Jesus que segue como a promessa de um amanhã melhor, cheio de harmonia, na capacidade de uma pessoa em ser uma figura na qual pode se depositada esperança – num aguerrido Mundo de azuis versus amarelos, seja verde! O dia aqui é limpo como numa mente limpa e livre, produtiva, centrada em algo nobre, e a vida é inválida para os que não são centrados. O dia limpo é numa clara amizade, numa pessoa que conhecemos tão profundamente, uma pessoa que estamos há décadas sem ver e, quando revemos, parece que ontem foi a última vez me que a vimos, ao contrário das amizades fúteis – olhamos nos olhos destas e vemos ali um estranho. É num caminho de esclarecimento e discernimento. Aqui são essas cenas de ar livre e ar puro que encantam Bo, num vento prazeroso, na beira do mar, nessa deliciosa sensação de liberdade que a orla nos traz, como me narrou certa um vez um professor, o qual, ainda muito jovem, quis ser ratão de praia em Floripa, decepcionado-se com tal vida, pois o verão se foi e a vida começou a cutucar com toda a sua  seriedade – faça algo de nobre da vida, rapaz! É como um morador de rua, querendo fugir da luta e da vida. Aqui é um brinde à vida, num ato de confraternização e compartilhamento, na delícia que é compartilharmos as coisas com outrem, pois de nada adianta eu ter se não posso compartilhar, como um anfitrião generoso, recebendo amigos, como reunir amigos numa festa, um momento de diversão no qual nos desligamos temporariamente das durezas ásperas da Vida, em festas que começam e acabam, pois acordamos no dia seguinte e uma nova página encaramos, pois festas não marcam época; trabalhos marcam época. Aqui é a magia dos frutos do mar, no perfume de oceano na carne de peixe fresquinho, como comer um peixe bem fresquinho num restaurante de sushi, essa iguaria que ganhou o Mundo, no modo como me fascina o Japão – arte, arquitetura, folclore, culinária etc, na universalidade do Ser Humano, em caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, o presente do infinito, da vida eterna, na explosão de poder que é o fato de que jamais findaremos, num poder descomunal demais para o Ser Humano compreender. Os chapéus aqui são o garbo, o estilo, remetendo a épocas em que as pessoas usavam chapéus ardorosamente, tanto damas quanto cavalheiros, num acessório que hoje em dia está tão fora de moda, remetendo a uma cena do impecável A Época da Inocência, numa multidão de cavalheiros segurando seus chapéus coco contra um vento forte na rua, nesses primores da Sétima Arte, a qual se tornou arte no ponto decisivo em que o som chegou ao Cinema, no filme O Cantor de Jazz fundando a Academia de Hollywood, na tradição de tal associação, no poder das tradições, as quais nos dão a impressão de que o tempo não passa, e de que existe uma dimensão atemporal, no caminho da mortificação, blindada contra tempestuosos e falsos sinais auspiciosos, na mortificação mental que traz paz ao coração, o qual, se agitado, pode fazer sofrer. Aqui remete a um casamento ao qual fui, na beira da praia, em Salvador, BA, a terra dos orixás – como o Brasil é único!

 


Acima, Vida jovem. É claro que a agressiva espingarda é o falo patriarcal, numa imposição, exigindo respeito, na figura do macho alfa, sempre acima da mulher, no modo como as próprias mulheres querem ter um namorado mais alto do que elas, no método patriarcal de tolher a sexualidade feminina, no mito da Virgem, a mulher à qual foi negado ter vida sexual, na iniciação sexual do rapaz, indo a prostíbulos, dividindo as mulheres entre santas e putas, com o perdão do termo chulo. Aqui temos o fruto da caça, numa tarefa agressiva, relegada aos homens, como nas tribos amazônicas: Os homens caçam e pescam e as mulheres fazem uma atividade menos agressiva, que é a coleta na mata, análoga à mulher fazendo compras num mercado, na universalidade do Ser Humano, como Adão como a obraprima de Deus, na maldita Eva trazendo a ruína à Humanidade, cedendo à tentação da Serpente do Éden, nos versos de Shakespeare: “Fraqueza, teu nome é mulher!”. A caça remete a um personagem de As Horas, de Michael Cunningham, num ator assumidamente gay, mas viril, com a decoração de sua casa que remetia a pilhagens, como troféus de caça, no modo de MC em delinear o personagem a partir da decoração da casa deste, um autor que tive a oportunidade de cumprimentar em Porto Alegre, quando Michael veio à Feira do Livro da urbe gaúcha. O menininho aqui quer seguir os passos do pai, brincando com um fálico pedaço de pau, na paixão dos meninos por heróis agressivos, com superforça, com poder, na figura universal da espada, no poder de rei, num talento de liderança, sempre no macho alfa, no chefe de família, na imagem que temos de Deus, a de um patriarca, como numa das pinturas de Aldo Locatelli em um deslumbrante templo caxiense, com Deus cheio de zelo e carinho, criando Adão a partir do pó, na revolução cristã de que Deus é Amor, na infinitude do Amor, em laços e amizades que duram para sempre, sempre mesmo, longe do austero Deus de outra cera religião, um Deus duro, desconfiado, empedernido, numa figura terrível de patriarca, como em famílias em que o pai fala sempre mais alto, proibindo que se assista em casa determinado canal de TV, numa austeridade quase cruel, como no pai da personagem de A Pequena Sereia, de Disney, um pai austero, mas com uma pontinha de pena da filha repreendida, como me disse certa vez uma mãe, a qual repreendeu o filho, mas sentindo muita pena deste, no embate entre cabeça e coração, no modo de não se guiar muito pelo coração, pois a frieza psicológica, em consultórios de terapia, gira em torno do uso da razão, tudo para deixar o coração o mais tranquilo possível, pois os laços infinitos de amizade estão na cabeça, no espírito, pois, uma pessoa que se deixa guiar pelo coração, sofre, como um sofrido rapaz que conheci certa vez, naquela “sofrência” de músicas sertanejas, um rapaz que se guiava pelo coração, como outra certa senhora, a qual se apaixonou por um rapaz sem se certificar de que este era uma boa pessoa, na necessidade de sabermos olhar dentro das pessoas, como numa pessoa linda: Por fora está tudo bem, mas vamos olhar dentro! O veículo aqui é possante, do tamanho das famílias americanas, como um certo senhor que amava ir ao campo para caçar perdizes com amigos, dirigindo uma possante camionete, ou como outra certa senhora lésbica que conheço, gostando de dirigir tais carros possantes, masculinos, fortes, numa mulher que tem uma autoimagem masculina, cometendo o erro de, certa vez, apaixonar-se por uma mulher heterossexual, dando, assim, murro em ponta de faca. O céu é limpo e claro, nítido, glorioso, em dias de Céu de Brigadeiro, tão raros em países cinzentos e frios como a Inglaterra, no fascínio que os trópicos exercem sobre os países mais frios, como na cidade do Rio de Janeiro, numa deslumbrante mescla de urbe e natureza, numa cidade que pulsa vida e beleza. O gurizinho aqui seguirá os passos do pai, como num gurizinho vendo jogos de Futebol, sonhando em ser um homem alto, forte e possante.

 


Acima, Vista. Aqui é a meta e o objetivo, na figura do Capa Preta, divindade da Umbanda, um deus que é o lado macho da Vida, na meta, numa pessoa objetivada, como entrar numa faculdade com o intuito de se formar um dia, fechando o ciclo, como numa personagem de A Época da Inocência, na moça querendo casar e constituir família, numa metáfora no filme quando tal personagem venceu um concurso de arco e flecha, no sobrenome de casada: Archer, ou seja, arqueiro. Aqui é a necessidade básica de alimentação, tão primordial, como leões caçando na selva africana, ou como certa vez uma tartaruga num parque de Porto Alegre, abocanhando avidamente uma pomba desavisada que chegara perto da predadora, ou como na primeira transa de um adolescente, cheio de hormônios ferventes no sangue, numa idade em que somos escravos de nossos próprios hormônios, numa libido de gata em cio, nas palavras de um certo adolescente certa vez na Rua: “Eu quero sexo!”. É como no jovem que adquire sua primeira revista pornô ou de nudez, nas palavras altivas de Marta Suplicy a uma plateia de adolescentes certa vez: “A adolescência é uma época em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal”, no jovem trancado no quarto de masturbando, nas lembranças do primeiro filme pornô alugado pelo jovem na videolocadora. Aqui remete a uma formidável professora que tive, a qual dizia para os meninos, ao estes urinarem, focarem bem no meio da água, na precisão de uma agulha ou alfinete, num médico fazendo um diagnóstico preciso, como num psicoterapeuta, acordando-nos para a realidade, como me disse certa vez minha terapeuta: “Você nada vai alcançar em vida indo de casa para a academia e da academia para casa!”. É no caso triste de um certo rapaz, o qual abandonou a faculdade de Direito para merda nenhuma fazer no lugar, com o perdão do termo chulo, um rapaz que se perdeu na vidinha gay, frequentando saunas gays, as quais nada mais são do que puteiros, com o perdão do termo chulo, um rapaz que fica o dia inteiro dentro de casa, fumando um cigarro atrás do outro, perguntando a si mesmo: “Por que será que nada acontece na minha vida?”. É nos versos de uma canção da maravilhosa diva negra Macy Gray: “Levante-se! Levante-se! Faça alguma coisa! Como é que você vai obter sucesso se você sequer tenta?”. Aqui é esta predileção de Bo por cenas ao ar livre, na liberdade rural, no cheiro de bosta do campo, no fascínio que o campo exerce sobre crianças da cidade, nas deliciosas memórias de infância que tenho, indo com parentes para o campo, em rios e cascatas, na sensação deliciosa de liberdade e natureza, no cheiro de mato, na minha memória que tenho de ver girinos nadando no rio. O rapaz aqui parece estar meio alheio à atividade do pai, talvez num menino que não de identifica muito com tal atividade agressiva, como num menininho homossexual, o qual não se entrosa com os meninos por não se identificar com as brincadeiras agressivas destes, um rapaz que se sente num limbo, remetendo a um certo senhor, num processo de identidade, tornando-se padre para saber qual é seu próprio lugar no Mundo, como no personagem Mulan, de Disney, na menina que vai à guerra num processo de identidade, na junção de masculino com feminino – quando sou naturalmente Yang, tenho que partir em busca de Yin, e viceversa. É como uma certa mulher feminina, a qual adquiriu muita agressividade, no modo como, na Indústria Fonográfica Mundial, ter estilo e atitude é imprescindível, como numa Lady Gaga, uma bomba atômica de atitude, arrastando dois milhões de pessoas para as areias de Copacabana, numa prefeitura carioca tendo que “suar” para limpar e recolocar em ordem as areias da famosa praia. Essa paisagem campestre remete aos Campos de Cima da Serra Gaúcha, na região da cidade de Vacaria, na bela estrada da Rota do Sol, com campos vastos que vão até onde a vista alcança, num majestoso tapete verde, com matas virgens de araucárias, na beleza do campo. O rapaz aqui não presta muita atenção, como um aluno relapso, pouco estudioso, como eu próprio já fui reprovado na escola, mas sobrevivi!

 


Acima, Zeitgeist. Aqui temos uma meta coletiva, como dentro de um time, numa parceria, numa sociedade, como dentro de uma empresa, em metas a serem alcançadas. Aqui temos uma liderança sutil, que é o rapaz em cima de uma pedra, como na construção da Catedral de Caxias do Sul, em cima de uma rocha alta, sendo, na época o ponto mais alto da cidade, dando um recado claro à comunidade: Aqui, quem manda sou eu! Os picos nevados ao fundo são a majestade de um país, numa soberania altiva, como um certo senhor insultando e agredindo a soberania de outra nação, no modo como o Anel do Poder corrompe os homens, corrompendo corações basicamente bons, na metáfora de Matrix: “O que homens poderosos querem? Mais poder!”. É num Putin tocando uma guerra, ou como nas tensões no Oriente Médio, destruindo lares, hospitais e matando inclusive inocentes jornalistas, na ancestral e característica crueldade do Ser Humano – quanto mais agredir, melhor! Aqui é como numa reunião tribal, comunitária, na construção das culturas populares, como no Carnaval, partindo das entranhas do povo brasileiro, vindo do povo e com este ficando. Aqui é como no universo dos Thundercats, em um momento grupal de desafiar e delinear a liderança do chefe Lion, com este enfrentando cada membro da tribo, numa provação, como no pleito eleitoral, no retrocesso que é obrigar o cidadão brasileiro a votar, ou seja, você é obrigado a ser livre, remetendo a pessoas que definitivamente não se envolvem em política, só indo votar por serem obrigadas por lei, remetendo aos EUA – se você não quiser votar, está tudo bem. No pulso de um dos rapazes, um relógio, que é a passagem de tempo, no inevitável envelhecimento, remetendo à deusa Lynda Carter, a eterna Mulher Maravilha na TV, uma mulher que envelheceu com uma altivez e uma dignidade incríveis, naquelas mulheres cuja beleza vem de dentro, numa comparação: Catherine Deneuve se tornou uma senhora linda; já, Brigitte Bardot, uma bruxa, sinto em dizer. São mulheres que sabem que idade não é um pretexto para parar de se arrumar, no fato de que autoestima não tem idade. O Sol aqui é dourado e majestoso, na magia de uma manhã dourada, numa memória que tenho, quando acordei de manhã bem cedinho numa manhã de inverno, com geada, a caminhei pelo gramado de geada como se este fosse feito de cristal, ouvindo ao fundo o sino de uma igrejinha, nessas lembranças indeletáveis. É como certa vez acordei no meio da noite banhado pela lua cheia. As posições eretas aqui são altivas, em inclinação, como na postura elegante de se ouvir o hino nacional, no poder do patriotismo, remetendo ao chauvinista, que é um patriota agressivo, sendo maravilhoso algo da nação de Luizinho só porque é da nação de Luizinho, como uma certa senhora que teve uma fase chauvinista, dizendo que algo era fantástico só porque era do Brasil, ou seja, nenhuma forma de xiitismo é saudável, remetendo à aversão de Marx pelas religiões, pois ter fé é uma coisa; ser “cego”, outra. Aqui, aparentemente apenas um dos rapazes está de pés descalços, que são a simplicidade, como ficar em casa de pés nus ou só com meias, na delícia do lar, um lugar onde somos mais Yin, mais introspectivos, na recomendação taoista: Entenda o poder do Yang, mas seja mais Yin dentro de si mesmo. É a crueldade das guerras, destruindo lares, como na mansão destruída de Scarlet O’hara, tendo que recomeçar do zero em meio aos horrores bélicos, na menininha mimada que se torna mulher forte. Aqui, alguns rapazes cobrem as respectivas cabeças; outros, não. São as diferenças, as quais têm que ser respeitadas, e não é tão difícil assim respeitar, pois a vida de Fulano é de Fulano, não minha. Aqui é como alunos prestando atenção, como certa vez em meu Ensino Fundamental, na professora freira dando aulas de Educação Sexual, exatamente para tirar da criança a malícia em relação a sexo, como contemplar a beleza do aparelho reprodutor feminino, pois Deus não pode ter vergonha de algo que Ele mesmo criou.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

aBSurdamente talentoso (Parte 10 de 10)

 

 

Falo pela décima e última vez sobre o pintor italiano Bernardo Strozzi. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Santa Verônica. Aqui é a dramática imagem da santa secando o sangue da face de Jesus quando Ele foi encaminhado à cruel crucificação, numa imagem tão poderosa, que persiste no tempo, com todos os ramos de Cristianismo, no homem mais famoso da História, ao ponto de se tornar o centro sobrenatural desta, no modo como eu mesmo tenho todo um lado cristão, estudando inclusive em colégios católicos, com aulas de Ensino Religioso. A santa olha para o Céu, inclinando-se na promessa do Reino dos Céus, a promessa de Jesus, no modo como as catástrofes naturais são a prova de que é a Terra imperfeita o que tenta imitar o Céu perfeito, no modo como tudo na Terra gira em torno de saúde, havendo lá em cima plena saúde, no caminho do Amor Incondicional, que é amar sem fazer cobranças de retorno, no modo como eu mesmo amo um certo sociopata, mas uma pessoa que tive que extirpar de meu ciclo social, por medidas de segurança, e esse sociopata passará por muitas vidas depuradoras, tornando-se finalmente um espírito de luz e bondade; de paz, como o Neo de Matrix, querendo sempre paz, sacrificando-se para salvar a Humanidade, no papel de Jesus de ser tal salvador, libertando o Mundo com palavras de luz e amor, com tudo se reduzindo a amor, numa grande família, na deliciosa sensação de lar e de pertencimento que temos no Céu, ao desencarnarmos. O pé descalço é a simplicidade, pois quanto mais classe e simplicidade tenho, menos controle viso obter, no caminho autodidata, pois não há livro ou faculdade que nos ensine simplicidade, nas sábias palavras de da Vinci: “A simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação”, no caminho da pureza e da limpeza, num revigorante banho, como certos espíritos que são retirado do Umbral e guiados por um anjo da guarda num banho num banheiro ensolarado, no poder da luz e da limpeza, nos incessantes trabalho de gari, varrendo nossas ruas, no modo como o menor trabalho pode contar e ser significante, como uma certa psiquiatra recentemente falecida, a qual levou uma vida nobre e produtiva, guiando os que tinham problemas espirituais, uma senhora que voltou de cabeça erguida ao Plano Superior, num clima de missão cumprida, numa pessoa totalmente consciente de seu próprio desencarne, neste glorioso dia de libertação, ao contrário do sociopata, identificado com a matéria, com o físico, na loucura de um prisioneiro que não quer sair da prisão. O pano branco é a purificação, em rituais diários de limpeza e higiene, num trabalho de Maria, limpando uma casa, numa vida sem identidade, como uma certa mulher, a qual abandonou a carreira para se tornar mãe, esposa e dona de casa, num desperdício, como Grace Kelly, abandonando uma carreira brilhante para se tornar dona de casa, numa enfadonha vida de princesa, nada tendo de concreto a fazer de seus dias na Terra, nas palavras de um certo senhor, cuja inteligência respeito: “Mulher que casar! Se tiver carreira e filhos, melhor, do contrário, está casada!”. O pano branco contrasta com tal fundo negro, no céu negro sobre a cruz, num momento em que Jesus se sentiu abandonado: “Senhor, por que me abandonaste?”. São as provações de fé, como entrar num centro espírita, pois neste temos que entrar com fé, pois, do contrário, a visita não renderá frutos. Falando em fruto, remete ao mote da próxima edição da Festa da Uva de Caxias do Sul: “O fruto do sonho imigrante”, uma frase poderosa, para um cartaz não tão poderoso, com afigura patriarcal do colono italiano, no homem sempre acima da mulher, enfurecendo as feministas, como na personagem Chiquinha do seriadão Chaves, invadindo o campo de jogo de futebol americano e igualando-se aos meninos, na figura machista da líder de torcida, girando em torno do que importa, que é o jogo dos homens, no misógino termo “vaca de presépio”, relegando a mulher a uma vida de insignificância, sempre girando em torno de um homem, no modo como as freiras têm que acatar o Papa, ou no modo como nos filmes pornôs apenas ao homem é permitido ter orgasmo. A santa aqui veste roupas majestosas, de rainha, em tecidos finos, ao contrário da mulher pobre que de fato a santa foi, havendo no Plano Superior tecidos finos e vaporosos, mais finos do que qualquer tecido sobre a face da Terra, no continuum entre luz, luxo e leveza.

 


Acima, Santos Roque e Sebastião. As dolorosas flechas são como críticas, em pessoas tão alvejadas, criticadas, pagando um preço alto pela ousadia provocadora, no modo patriarcal de criticar mulheres independentes, as quais são mal vistas pela sociedade, no machismo do harém: Um homem pode ter várias mulheres; uma mulher pode ter apenas um marido. É no uso da mulher como moeda de troca, num pai negociando o casamento da própria filha, no perturbador quadro de incesto no Egito Antigo, como no célebre Tutancâmon, casando-se com sua própria meia irmã, a qual deu a luz a natimortos, algo que o egípcio antigo acreditava ser a vontade dos deuses, nesses casamentos arranjados de realeza, como um certo senhor, o qual foi forçado a namorar e casar com uma mulher, um senhor que passou a não mais aceitar não ser dono e senhor de si mesmo, fazendo essa coisa tão saudável, que é mandar o Mundo à merda, com o perdão do termo chulo, pois tenho que ser dono e senhor de mim mesmo, como um certo senhor de realeza, sacrificando-se com um casamento o qual não traz lá muita alegria a tal senhor, fazendo das famílias de realeza algo tão belo e, ao mesmo tempo, obtuso – não sei se ser um príncipe é lá muito bom... Os santos aqui inclinam-se aos Céus, buscando Deus e Jesus, o metafísico, o qual reina sobre o físico, na noção espírita de que matéria é nada e de que pensamento é tudo, havendo Deus, que é o infinito, a Vida Eterna, no poderosíssimo modo como nunca findaremos, um absurdo de poder, algo inconcebível à limitada mente humana, na incapacidade de contemplarmos a infinita totalidade do Universo, com galáxias tão distantes cuja luz ainda não nos chegou na Terra, no termo “Universo observável”, nas tecnologias humanas ainda tão longe de avanços imensuráveis, como viajar pelo Cosmos numa velocidade maior do que a da luz. A nudez do santo é a exposição, a vulnerabilidade, como numa inocente praia de nudismo, na nudez antes da Serpente da Malícia do Éden, chegando a malícia, com Adão e Eva cobrindo o sexo, como em certas pinturas no Vaticano, com panos tapando os sexos de figuras pintadas primordialmente nuas, na inocente genitália do Adão de Michelangelo, uma genitália de menininho, na inocência de chafarizes com menininhos urinando água na fonte, remetendo a uma grande controvérsia que certa vez causou uma ensaio fotográfico num certo jornal, com inocentes criancinhas nuas, mas, ao lado, um garotão nu, num ensaio tão polêmico, ao ponto de tal jornal, depois desse episódio, nunca mais fazer editorias de moda. É como uma pessoa sociopata, a qual vai à Tailândia para fazer turismo sexual, numa vida girando em torno de sexo, num espírito tão identificado com a matéria, com a carne, com o físico, incapaz de compreender a infinitude do pensamento, como na letra de uma canção escrita pelo mestre Chespirito: “A juventude que nunca morrerá!”. O cachorro é a adorável fidelidade, no bichinho que faz uma festa quando chegamos em casa, numa vida trabalhosa e onerosa, no ato de levar para passear diariamente o bicho, catando o cocô deste com um saco plástico, ou como no preço de banhos e tosas em petshops, ou como medicar o bicho quando necessário, como eu tive que certa vez medicar um cão que teve verminose. O cajado aqui é tal símbolo fálico de patriarcado, numa firmeza, como no poderoso cajado de Moisés, na célebre cena de filme em que o cajado, ao tocar o rio Nilo, transforma este num rio de sangue, trazendo desalento a todo o poderoso Império Egípcio, no modo como as potências ascendem e descendem, em egos que aparecem e desaparecem, como no Showbusiness, com artistas que têm momentos de fama, mas artistas que acabam desaparecendo, como um certo senhor, o qual abandonou a carreira de ator para se tornar advogado, e cabe a mim respeitar, pois a vida não é minha – é tão difícil assim respeitar os outros? O traje rubro é o sangue, a vida que tanto seduz o vampiro, pois vampiros existem, só que, no lugar de sugar sangue, sugam almas, portando, cuide-se, meu irmão! O fundo negro é o imprevisível, no modo como as coisas nunca acontecem do jeitinho como esperávamos.

 


Acima, São Carlos Borromeo. A tiara de cardeal é o poder, no poder que emana do Vaticano, remetendo aos tempos medievais, nos quais o Vaticano era absolutamente tudo na Europa, chegando à transgressão protestante, num choque entre crenças na Europa, chegando à cruel Contrarreforma, queimando pessoas vivas em fogueiras, em figuras tão amedrontadoras e odiosas como Maria Tudor, merecendo o título de “A Sanguinolenta”. A sutil e discreta aureola é a divindade em oposição ao mundano, ao vulgar, ao comum, ao ordinário, como uma pessoa que acaba como ator/atriz pornô, crendo que não tem escolha e que deve fazer tais filmes que fazem do sexo um leilão. O santo aqui pede misericórdia, curvando-se perante o metafísico, num ato de humildade, na questão taoista de “curva-te e reinarás!”, como uma certa popstar, homenageando outra grande artista, na ironia de metalinguagem – estrela falando de estrela. O pé descalço é tal simplicidade, como nos elegantes pés descalços da Galadriel de Tolkien, numa beleza fria, glacial, matemática, na beleza lógica dos números, no caminho da lógica dos números, na lógica de que a Vida não teria razão sem a Vida Eterna, pois não haveria sentido numa vida que acaba com o desencarne, no embate entre ciência e fé, na incapacidade do psicoterapeuta em crer na vida pós encarnação, no modo como nenhum tipo de radicalismo é saudável, como Marx rechaçava os radicalismos religiosos, como por exemplo um católico o qual tem aversão ao Espiritismo, um católico já falecido, e eu gostaria de dizer a este: “Se quiser, há plenas possibilidades de você reencarnar na Terra numa vida de novos aprendizados – viu como os espíritas não estavam errados?”. É como disse uma amiga minha freira: “Os católicos respeitam os espíritas!”. A corda no pescoço é a finitude, uma sentença de morte que invariavelmente chega, como boletos de IPTU chegando pelo correio. É o fim de vida trágico de pessoas tiranas e arrogantes, num Saddam oficialmente executado, um senhor que estava a habituado a ser dono e senhor de tudo e todos, em palavras arrogantes como: “Não estou pedindo; estou mandando!”. É como Obama, autorizando a execução de Bin Laden, um dos homens mais infames da História do Homo Sapiens, na questão taoista: Sempre que for feita uma execução, tem que ser feita oficialmente, pois, do contrário, a justiça feita com as próprias mãos só banhará de sangue sua mão! O altar é o ato de se curvar em respeito num templo católico, curvando-se me humildade perante o poder metafísico de Jesus, um homem que tanto odiava as guerras, mas um homem o qual, apesar da perfeição moral, não soube sanar os problemas do Mundo, como as guerras, as quais ainda correm soltas pelo Mundo, numa Rússia ambiciosa, querendo aniquilar a Ucrânia, em homens de raso apuro moral, um rei que nunca está feliz dentro de seu próprio reino, na questão taoista: Se você não está o tempo todo querendo, você pode ter paz! Ou seja, a ambição é inimiga da paz, e Jesus, na sua simplicidade, nunca quis possuir o Mundo, pois aquele que nada quer, tudo obtém. A tiara de cardeal está numa confortável almofada, que são os luxos e privilégios de tal atividade, em vidas de rei, com casa, comida e roupa lavada, como um certo senhor padre, numa vida confortável, na carreira religiosa, tendo que ter a criatividade para fazer sermões diferentes todos os dias, no termo popular “Matar um leão por dia”, um senhor pelo qual torço, talvez um dia poder cardeal e, mais além, ser o primeiro papa brasileiro da História! A fundo, temos resquícios de Renascença, com os arcos e a perspectiva, numa vista de liberdade e beleza, num reino pacífico, como nas cordatas nações escandinavas, nobres, de Primeiro Mundo, nações que sabem da importância de se gerar cultura erudita e civilizatória, como na premiação do Nobel, ao contrário do Brasil, o qual carece desesperadamente de tal Cultura Erudita, nos heroicos esforços de nossos professores, os quais são importantes em cada fase do aluno.

 


Acima, São Francisco de Assis adorando o Crucifixo. Aqui é ironia de metalinguagem, pois é a devoção do santo por Jesus falada pela devoção de Strozzi por cenas sacras, num artista tão religioso, provavelmente adorado pelo Vaticano. A cabeça iluminada é o esclarecimento, como fazer contato metafísico com um ente querido já falecido, com tudo ocorrendo dentro da cabeça, pois o coração é traiçoeiro, e quem faz escolhas ouvindo o coração, toma no cu, com o perdão do termo chulo, no sofrimento das paixões, fazendo metáfora coma a dantesca Crucificação, num homem tão humilhado e agredido, ressuscitando depois na fé das pessoas, até o Império Romano aposentar o paganismo tradicional e aderir ao Cristianismo – não há deuses, mas nossos irmãos depurados, que nos regem, na hierarquia espiritual, a qual ocorre girando em torno de apuro moral. A caveira é a finitude, o desencarne que chegará, sendo só questão de tempo, remetendo ao Castelo de Grayskull do universo de He-Man, no Castelo da Caveira Cinzenta, que é o Mal mortificado, vencido, neutralizado, no caminho espírita da mortificação, no ponto da pessoa parar de pensar em bobagens e ater-se ao que é importante, no crescimento de Oscar Schindler, um playboyzinho fútil que acaba se compadecendo com as dores dos que eram cruelmente perseguidos pelo Nazismo, na capacidade de um sociopata em tomar controle de estados inteiros, como certa vez no Brasil, um senhor que é um sociopata de marca maior, na capacidade do sociopata em manipular e enganar as pessoas, ganhando votos em eleições. Nas mãos do santo, os furos dos pregos da Cruz, na bobagem de certas pessoas em se submeter a uma crucificação de fato, uma martirização desnecessária, na recomendação espírita: Mortifique o espírito, não o corpo! É como num controverso clipe de Madonna, cheio de referências religiosas, numa diva muito religiosa, numa parte do clipe em que as mãos dela têm tais furos, ou noutra parte do clipe com cruzes ardentes da KKK, um clipe que assustou a Pepsi, a qual estava por financiar uma turnê mundial do álbum da diva, uma turnê que foi cancelada pela própria Pepsi, com esta temendo que tal clipe contundente pudesse prejudicar mercadologicamente a Pepsi, um cancelamento que deve ter sido um tanto frustrante para a estrela pop – todos nós tomamos tombos! O traje de monge aqui é tal dedicação à carreira religiosa, como num filme com Audrey Hepburn, em que a diva interpreta uma moça a qual, ao se tornar freira, decepciona-se com tal vida, deixando a ordem no final do filme, nessas frustrações da Vida, como um certo ator, o qual abandonou tal carreira para se tornar advogado, no modo como todos temos o direito de sonhar com uma vida melhor, como Ronald Reagan, um ator que acabou enveredando para a Política. A dor na Cruz são as inevitáveis dores da Vida, a qual dói em todos nós, na diferença residindo se sofremos ou não por tais dores, no modo como as dores podem ser até engraçadas, como num fisiculturista sendo entrevistado certa vez por Fernando Gabeira: “Vida de fisiculturista é sofrimento!”, na atividade dolorosa é puxar ferro em academias, numa atividade que pouco exige de nosso cérebro, podendo se revelar algo tão tedioso, resultando em homens que simplesmente não têm mais para onde expandir massa muscular. Os braços abertos do santo são tal receptividade, numa pessoa bem resolvida, que vive de braços abertos ao Mundo, aceitando e respeitando as pessoas do jeito que essas são, no modo como respeito pode ser algo bem simples e fácil: A vida de outrem não é minha, ou seja, cabe-me puramente respeitar, nas palavras de Barbra ao final de um pomposo concerto: “Somos iguais, mas não os mesmos!”. É o poder do paradigma democrático, iniciando com o violento golpe de estado que foi a Revolução Francesa, com tudo acontecendo a partir do preço do pão, num rei sol isolado em uma vidinha de privilégios e futilidades – o líder que se afasta de seu próprio povo deixa de ser líder. O traje marrom escuro é tal discrição, na discrição do preto, das cores sóbrias e escuras, em contraste com a alegria carnavalesca, na qual, quanto mais colorido, melhor, na sedução multicolorida de lustres de cristal, em salões tão elegantes, cheios de gente fina.

 


Acima, São Sebastião Curado pelas Santas Mulheres. Aqui é um pouco parecido com a Crucificação, como em santos martirizados, os quais morreram pela Santa Sé. O santo pede por misericórdia, erguendo os braços ao céu, com os anjos do Senhor cantando, no modo como não existem anjos, mas nossos irmãos depurados, espíritos de luz, bondade e perfume, e suas asas fazem metáfora com a gloriosa liberdade dos desencarnados, num Plano Superior no qual não existem os problemas de saúde nas pessoas encarnadas na Terra, no modo como na Terra tudo gira em torno de saúde, seja mental ou física, no nobre trabalho de psiquiatra, que é auxiliar os que têm tais problemas espirituais, na missão de vida do psiquiatra, que é guiar as pessoas, no papel do terapeuta em nos mostrar as coisas do modo mais realista e frio possível, sempre ouvindo a cabeça, nunca o traiçoeiro coração, o qual pode nos trazer tanto sofrimento, como uma certa pessoa que conheci certa vez, uma pessoa tão sofrida, submetida aos caprichos tempestuosos do coração, no modo como um casamento tem que ter todo um lado racional, com pessoas que se juntam como numa sociedade, como sócios numa empresa, havendo a desnecessidade do casamento no Plano Superior, nas palavras do padre no casório: “Até que a morte os separe!”. As mulheres aqui tentam auxiliar e libertar o santo, num trabalho de auxílio e guia, como num mapa nos orientando, como no papel do anjo da guarda, sempre querendo nos colocar no melhor caminho, no privilégio que tive em conhecer uma pessoa extremamente especial, uma pessoa de luz, que me ensinou que podemos ser felizes com pouco, na memória de infância que tenho de um pôster, com as palavras: “A maior riqueza é se contentar com pouco”, como nas crianças, as quais se contentam com pouco, ao contrário do sisudo adulto, o qual é cheio de critérios e exigências, como certa vez falou um pai, o qual narrou que, numa noite de Natal, as crianças, ao receberem seus presentes, divertiam-se mais com as fitas dos pacotes, na lição de simplicidade que as crianças nos ensinam, numa pureza cristã: “Vinde a mim as criancinhas, pois delas é o Reino dos Céus!”, e é só com simplicidade que se entra no Céu, havendo no Umbral a dimensão dos revoltados, como um príncipe que não sabe que é filho de um Rei Supremo, que é o infinito, no poder imensurável da Vida eterna, como nunca cessaremos, e isso não é poder demais? O santo aqui é belo e atlético, como na beleza do corpo de Jesus na cruz, na busca de um corpo bonito em academias, até chegar num ponto da pessoa fazer questão de mostrar o próprio corpo, no resultado de seu esforço, dedicação e dor numa academia, na simples questão: De que adianta Luizinho ter corpo se Luizinho não pode mostrar? Mas, sinto em dizer, aparência física não é tudo, como uma certa senhora, a qual se deixou guiar pelo coração, trazendo para sua vida um rapaz belo e atlético, mas um rapaz que se revelou um sociopata – temos que aprender a olhar dentro das pessoas! É no jogo de contraste entre beleza óbvia e vulgar e beleza sutil e discreta. A flecha então penetra dolorosamente, como críticas dolorosas sendo feitas, como alfinetadas, na picadinha de uma vacina, nos esforços científicos para estabelecer a importância de várias vacinas contra enfermidades diversas, remetendo à irresponsabilidade de uma certa pessoa, dizendo ser uma piada a vacina para uma certa doença, no modo como nunca canso de dizer: Ignore os ignorantes! As flechadas são críticas a certos artistas, como num Michael Jackson, acusado de pedofilia, um homem cujo comportamento excêntrico causava perplexidade, num pobre homem que simplesmente não teve infância, obrigado por um pai tirano a trabalhar arduamente desde pequeno, como uma certa senhora, a qual, adulta, brincava com brinquedos de criança. O corpo bonito é uma herança renascentista, quando a Europa se abriu para a Antiguidade Clássica, como na Grécia com seus deuses lindos, na beleza inabalável metafísica.

 


Acima, São Secundus e anjo. A armadura é um resguardo e uma proteção, como numa pessoa hiperagressiva, como um rapper, num gênero musical tão machista e homofóbico, como um certo rapper, sempre mandando os outros se foder, com o perdão do termo chulo, num homem triste, o qual nunca foi visto sorrindo em público, num homem carrancudo, como um certo senhor músico de heavy metal, sempre com cara de mau nas fotos, fechado, seríssimo, ao contrário de homens carismáticos como Tom Cruise, sempre sorrindo, no primeiríssimo escalão hollywoodiano: Uns se tornam estrelões que marcam épocas e gerações, marcando a História da Sétima Arte; outros, nem tanto, numa espécie de hierarquia no panteão, como no universo de super heróis, com uns acima dos outros. O santo e o anjo olham para cima, em elevação, buscando inspiração, numa pessoa buscando inspiração para lançar seu próximo trabalho, num trabalho de reinvenção, num artista que vai sobrevivendo a décadas de carreira, ao contrário de artistas como Cindy Lauper, a qual vive até hoje nos anos 1980, incapaz de injetar material novo na praça, só tendo pertinência para quem foi jovem em tal época, uma Cindy que pouco significa para quem nasceu depois de tal década, como nesta meninada que nasceu nos anos 2000 ou 2010. O anjo é bem andrógino, e não podemos saber se é homem ou mulher, no modo como o espírito não tem sexo ou sexualidade, pois a sexualidade é algo que fica aniquilado no desencarne, como tirar uma roupa e a devolver, ou como a serpente trocando de pele, em atos de renovação, num artista que tem a força e o realismo de traçar novos momentos na carreira, em sobreviventes como Cher, como baratas, as quais sobrevivem a hecatombes nucleares, num caminho de força e persistência, num artista que sabe que, se parar, vai virar “peça de museu”, no modo como já vimos tantas estrelas aparecendo e desaparecendo, no modo como a Mídia pode fazer disparates, fazendo promessas que não acabam de cumprindo, como na capa de uma certa revista, há décadas, anunciando uma artista com a manchete: “Cuide-se Madonna, pois aí vem ‘Fulana’”. Hoje, muitos anos depois, nada sabemos de tal promessa. A pena aqui é a caneta, a erudição, no termo “A caneta é mais poderosa do que a espada”, no ponto decisivo e civilizatório que foi a chegada da Escrita, trazendo civilizações, no ponto das tradições não mais serem transmitidas oralmente, no acúmulo de conhecimento, em sofisticações de sondas espaciais enviadas planeta solar afora, nessa sede humana por conhecimento, remetendo a um certo pseudointelectual, o qual não respeita a Ciência, os remédios, as vacinas, os avanços, as tecnologias, enfim, o Mundo, um senhor que me decepcionou, pois, ao eu ler um de seus livros, esperei encontrar consonância com a sabedoria de Tao, algo que não encontrei, permanecendo Tao tão atual, mesmo tendo sido escrito há milênios! No fundo, a negritude barroca contrasta com uma janela de um dia bonito, num dia de libertação, glorioso, num Céu de Brigadeiro, em pequenos e simples prazeres, como olhar para tal céu azul, encher os pulmões de ar e agradecer a Deus pela Vida. O homem aqui é jovem, não um idoso, na juventude de Jesus na Cruz – jovem e vigoroso, porém adulto e maduro, como na idade do Batman de Burton, do ano de 1989, num filme tão bem sucedido, num genial Jack Nicholson, num Coringa arrebatador, digno de um grande blockbuster, na decepção que foi o tomo seguinte de Burton, que foi Batman – o Retorno, um filme esquecível, com exceção da Mulhergato suprema da deusa Michelle Pfeiffer. As figuras aqui estão sendo guiadas por algo superior, como numa aula com o professor, na missão de guiar as mentes dos alunos, numa profissão que pode ser um pouquinho frustrante, pois há alunos bons e há alunos ruins, como nas palavras de uma certa professora que tive na faculdade, dizendo aos maus alunos: “Vocês nada estão ouvindo do que estou falando aqui!”. O santo aqui está passando por uma transformação de percepção, aprendendo a diferença entre caneta e espada.

 

Referências bibliográficas:

 

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.meisterdrucke.pt>. Acesso em: 11 jun. 2025.

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.