Americano de 1955, o pintor realista modernista Bo Bartlett estudou em diversas instituições, inclusive na italiana Florença, o berço da Renascença. Também é cineasta, tendo feito dez filmes, ou seja, um artista multimídia. Gosta de cenas ao ar livre, como em praias. Retrata cenas de família também. Fez muitas mostras e pertence ao acervo de vários museus, sendo já multipremiado, ou seja, reconhecido em vida. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Via Dei Malcontenti. O guardachuva é a proteção e o resguardo, como na logomarca de uma certa seguradora, com uma pessoa com um guardachuva aberto, na questão da pessoa levar uma vida cautelosa, discreta, como num leão cruzando um rio, sabendo que ali pode haver perigo, como me disse um certo senhor: “O seguro morreu de velho!”, na sabedoria popular de que todo cuidado é pouco. Segurar aqui a criança é o peso da responsabilidade, como no filho primogênito, ajudando a criar os irmãos mais jovens, num peso de responsabilidade ainda cedo, como disse uma certa mãe: “Criar filhos dá muito trabalho, mas vale a pena!”. Aqui é uma travessia existencial, numa encarnação, num caminho solitário, no modo como todos precisamos de alguns momentos de retiro e reserva, numa saudável pitada de solidão, nos versos de uma canção cantada pelo super roqueiro Axl Rose: “Todo mundo precisa de alguns momentos consigo mesmo!”, num artista Axl que conheceu o esmagador sucesso de sua banda no fim dos anos 1980 e no início dos 1990, numa banda que derrapou posteriormente, no fato de que o sucesso é um amante infiel, num Axl que está na estada para se reerguer, apresentando-se ao redor do Mundo, como me disse uma sábia médium espírita: Quando beijamos o fundo do poço, temos que fazer um esforço ENORME para nos reerguermos. É como Whitney Houston, a qual conheceu o céu e conheceu o inferno, num ramo de atuação em que as pressões são enormes, sendo comum artistas sofrerem tais pressões e desembocando na droga, no infeliz modo como as drogas destruíram a voz da diva negra, pois, em seu último trabalho de estúdio, sua voz está irreconhecível, no mau sentido. É como nos versos de uma canção de Michael Jackson: “Pare de me pressionar! Pare de me pressionar! Pare de me pressionar!”. A perspectiva aqui é um eco renascentista, quando a Arte sepultou de vez os padrões góticos, num sopro poderoso de renovação na Europa das Navegações, com potências enviando missões ao Oriente e disputando terras americanas, na sedução da seda chinesa e dos temperos indianos, na magia do cravo e da canela, numa comida bem feita, que nos excita a devorar tudo, como na magia da baunilha, como em fabulosos televisivos de culinária, no modo como pode trazer entretenimento ver os outros cozinhar, no paradoxo em mim: Por um lado, amo programas de culinária; por outro, sou um medíocre na cozinha – não é paradoxal? É o termo popular: Casa de ferreiro, espeto de pau! O dia aqui é frio, e o senhor está agasalhado, no fascínio que o frio da Serra Gaúcha exerce sobre os turistas que vêm de terras mais quentes, na seguinte contramão irônica: Os gaúchos adoram o calorzinho agradável de Salvador! E Gramado é tal Meca turística, ameaçando a supremacia turística da cidade do Rio de Janeiro, numa Gramado glamorosa e cara, dentro do custo de vida do eixo Rio-São Paulo, uma Gramado que é cara para mim, que sou de Caxias do Sul. A criança nos olha, nos desafia, em quadros que nos olham, mágicos, como na Monalisa, arrastando multidões ao Louvre, no mistério da Arte, naquilo que nos toca e nos move como seres humanos civilizados, de inteligência emocional para inteligência emocional, como na comoção mundial de Titanic, num manifesto poderoso contra a insensibilidade, na incapacidade do sociopata de ter tal inteligência emocional, numa pessoa fria, emocionalmente burra, sem instinto, sem coração, sem humanidade, no modo como todos nós um dia tivemos um ou mais professores sociopatas, e tudo o que temos que fazer é não nos relacionarmos com tais pessoas. Aqui temos um rumo e um sentido, um objetivo, ao contrário de um grande amigo meu, desanimado, perdido, prostrado com a Vida, uma pessoa que precisa se centrar urgentemente em algo nobre, pois a seriedade da Vida nos mostra que precisamos ter os pés no chão.
Acima, Viajante. A roda gigante são os ciclos da Vida, como num ciclo de vida de um produto, chegando a um ponto de “abacaxi”, esgotando-se na preferência do consumidor, como em musicais na Broadway, encerrando temporadas, fechando, não mais apresentando, em fenômenos longevos como o famoso musical Cats. É como um ciclo de faculdade, encerrando, no ponto de formatura, pegando o diploma, o qual foi adquirido por meio de muita luta e dedicação, no modo como são tristes as histórias de vida de quem iniciou uma faculdade, mas abandonou a mesma, sem fechar o ciclo, como numa transa sem orgasmo – não tem sentido. É o erro que cometi, abandonando minha faculdade, tendo eu me arrependido de tal erro e partindo em busca do tempo perdido, reentrando na faculdade e finalmente pegando o diploma, em dois custos: O dinheiro para pagar as mensalidades e as conduções para ir voltar do campus; a dedicação para fazer os trabalhos que os professores exigiam, combinada com a paciência para esperar as conduções e sacolejar nestas para ir e voltar do campus – é um périplo, meu irmão! Os malabaristas são a disciplina e a dedicação, como no deslumbrante espetáculo Cirque du Soleil, na técnica impecável dos artistas, ou como num show de tango que vi em Buenos Aires, numa técnica impecável dos dançarinos, num gênero musical tão próprio da Argentina, na famosa cena em que Al Pacino faz um homem cego que dança tango com uma bela mulher, numa superação de barreiras e percalços, na sabedoria popular de que cada um tem seus problemas, num trabalho de Psicoterapia, para enfrentar tais problemas, no paciente trabalho de ouvir as dores do outro, na ironia de que os psicólogos e psiquiatras também se submetem a Psicoterapia, no prazer de se sentar e conversar com uma pessoa que nos conhece muito bem, na delícia de conversas ao telefone, no modo como foram da preguiça que nasceram as grandes invenções da Humanidade: Porque me “matar” subindo e descendo escadas se posso fazê-lo comodamente dentro de um elevador? Por que sair de minha casa para conversar com meu ente querido se posso fazê-lo comodamente dentro de minha casa, por telefone? O rapaz com o instrumento musical é o talento, a dedicação a alguma arte, nas palavras de Maria Callas interpretada por Marília Pêra numa peça teatral – a dedicação tem que ser extrema! Mas será que isso não pode resultar numa degradante vida de workaholic? Não devo eu me reservar pequenos prazeres? É na sabedoria popular de que ninguém é de ferro. Ao fundo vemos uma banda passando, perfumando o ar com música, como num músico de rua, tão ignorado pelos passantes, num Van Gogh nunca reconhecido em vida, amargando uma morte pobre e obscura, como no triste Oscar póstumo de Heath Ledger, um homem que nos deixou tão jovem, na flor da idade, no auge da virilidade. O capim ao gentil vento é a criatividade, a fertilidade, num artista prolífico como Bo Bartlett, em artistas que produzem tal obra vasta, num caminho de labor, como conheci certa vez o atelier de um artista plástico, num delicioso sítio retirado, longe das loucuras de urbes de asfalto, nos imortais versos de Elis: “Eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor!”. É num estilo de vida pacato e reservado, na sabedoria de uma pessoa que quer paz e quietude, e a vida não é um inferno quando não temos paz? Não é o Umbral a dimensão dos que subestimam a paz? Ter ódio dentro de si mesmo não é infernal? É como na maravilhosa paz do Plano Superior, num plano em que ninguém quer enganar ou ludibriar, com um certo senhor, um pobre infeliz sofredor que me enganou, na ironia de que eu não tive que mover uma palha para deletá-lo de minha própria vida – ele próprio se deletou! A palavra de um homem vale mais do que dinheiro! Num detalhe na cena, uma tenda branca, na cor da paz, na cor preferida dos espíritas, na cor dos jalecos de médicos e enfermeiros, na cor da limpeza minimalista, num bom banho depois de um dia de suor e sujeira, num banheiro lindo, iluminado pelo Sol – é a glória! Num detalhe na cena, uma pequena maleta perdia ou abandonada, num ato de se desprender de sinais auspiciosos materiais.
Acima, Vida durante a guerra. O vinho é tal bebida milenar, tradicionalíssima, nos pequenos prazeres mundanos, como tomar um vinho e ver um colorido por do Sol, numa tradição que remete ao longínquo Egito Antigo, em apreciadores com lindas adegas em casa, no “sangue” de néctar que vem das entranhas da terra. A reunião aqui é alegre, na alegria de vermos velhos amigos, os quais são o ouro da vida, pois no Plano Superior temos a nítida e clara sensação de estarmos entre amigos, na doce lembrança que tenho de meus amiguinhos do início do Ensino Fundamental, entre os quais eu me sentia tão feliz e à vontade, sentindo-me respeitado, tratado com carinho, e a vida é um inferno sem amor, no modo como o Ser Humano, com suas cruéis guerras, subestima tanto o amor, fazendo da Terra tal palco patético de raiva e desarmonia, em Caim matando Abel, irmão derramando sangue de irmão, no modo como nem a suprema majestade de Jesus soube curar os problemas da Terra, num Jesus que segue como a promessa de um amanhã melhor, cheio de harmonia, na capacidade de uma pessoa em ser uma figura na qual pode se depositada esperança – num aguerrido Mundo de azuis versus amarelos, seja verde! O dia aqui é limpo como numa mente limpa e livre, produtiva, centrada em algo nobre, e a vida é inválida para os que não são centrados. O dia limpo é numa clara amizade, numa pessoa que conhecemos tão profundamente, uma pessoa que estamos há décadas sem ver e, quando revemos, parece que ontem foi a última vez me que a vimos, ao contrário das amizades fúteis – olhamos nos olhos destas e vemos ali um estranho. É num caminho de esclarecimento e discernimento. Aqui são essas cenas de ar livre e ar puro que encantam Bo, num vento prazeroso, na beira do mar, nessa deliciosa sensação de liberdade que a orla nos traz, como me narrou certa um vez um professor, o qual, ainda muito jovem, quis ser ratão de praia em Floripa, decepcionado-se com tal vida, pois o verão se foi e a vida começou a cutucar com toda a sua seriedade – faça algo de nobre da vida, rapaz! É como um morador de rua, querendo fugir da luta e da vida. Aqui é um brinde à vida, num ato de confraternização e compartilhamento, na delícia que é compartilharmos as coisas com outrem, pois de nada adianta eu ter se não posso compartilhar, como um anfitrião generoso, recebendo amigos, como reunir amigos numa festa, um momento de diversão no qual nos desligamos temporariamente das durezas ásperas da Vida, em festas que começam e acabam, pois acordamos no dia seguinte e uma nova página encaramos, pois festas não marcam época; trabalhos marcam época. Aqui é a magia dos frutos do mar, no perfume de oceano na carne de peixe fresquinho, como comer um peixe bem fresquinho num restaurante de sushi, essa iguaria que ganhou o Mundo, no modo como me fascina o Japão – arte, arquitetura, folclore, culinária etc, na universalidade do Ser Humano, em caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, o presente do infinito, da vida eterna, na explosão de poder que é o fato de que jamais findaremos, num poder descomunal demais para o Ser Humano compreender. Os chapéus aqui são o garbo, o estilo, remetendo a épocas em que as pessoas usavam chapéus ardorosamente, tanto damas quanto cavalheiros, num acessório que hoje em dia está tão fora de moda, remetendo a uma cena do impecável A Época da Inocência, numa multidão de cavalheiros segurando seus chapéus coco contra um vento forte na rua, nesses primores da Sétima Arte, a qual se tornou arte no ponto decisivo em que o som chegou ao Cinema, no filme O Cantor de Jazz fundando a Academia de Hollywood, na tradição de tal associação, no poder das tradições, as quais nos dão a impressão de que o tempo não passa, e de que existe uma dimensão atemporal, no caminho da mortificação, blindada contra tempestuosos e falsos sinais auspiciosos, na mortificação mental que traz paz ao coração, o qual, se agitado, pode fazer sofrer. Aqui remete a um casamento ao qual fui, na beira da praia, em Salvador, BA, a terra dos orixás – como o Brasil é único!
Acima, Vida jovem. É claro que a agressiva espingarda é o falo patriarcal, numa imposição, exigindo respeito, na figura do macho alfa, sempre acima da mulher, no modo como as próprias mulheres querem ter um namorado mais alto do que elas, no método patriarcal de tolher a sexualidade feminina, no mito da Virgem, a mulher à qual foi negado ter vida sexual, na iniciação sexual do rapaz, indo a prostíbulos, dividindo as mulheres entre santas e putas, com o perdão do termo chulo. Aqui temos o fruto da caça, numa tarefa agressiva, relegada aos homens, como nas tribos amazônicas: Os homens caçam e pescam e as mulheres fazem uma atividade menos agressiva, que é a coleta na mata, análoga à mulher fazendo compras num mercado, na universalidade do Ser Humano, como Adão como a obraprima de Deus, na maldita Eva trazendo a ruína à Humanidade, cedendo à tentação da Serpente do Éden, nos versos de Shakespeare: “Fraqueza, teu nome é mulher!”. A caça remete a um personagem de As Horas, de Michael Cunningham, num ator assumidamente gay, mas viril, com a decoração de sua casa que remetia a pilhagens, como troféus de caça, no modo de MC em delinear o personagem a partir da decoração da casa deste, um autor que tive a oportunidade de cumprimentar em Porto Alegre, quando Michael veio à Feira do Livro da urbe gaúcha. O menininho aqui quer seguir os passos do pai, brincando com um fálico pedaço de pau, na paixão dos meninos por heróis agressivos, com superforça, com poder, na figura universal da espada, no poder de rei, num talento de liderança, sempre no macho alfa, no chefe de família, na imagem que temos de Deus, a de um patriarca, como numa das pinturas de Aldo Locatelli em um deslumbrante templo caxiense, com Deus cheio de zelo e carinho, criando Adão a partir do pó, na revolução cristã de que Deus é Amor, na infinitude do Amor, em laços e amizades que duram para sempre, sempre mesmo, longe do austero Deus de outra cera religião, um Deus duro, desconfiado, empedernido, numa figura terrível de patriarca, como em famílias em que o pai fala sempre mais alto, proibindo que se assista em casa determinado canal de TV, numa austeridade quase cruel, como no pai da personagem de A Pequena Sereia, de Disney, um pai austero, mas com uma pontinha de pena da filha repreendida, como me disse certa vez uma mãe, a qual repreendeu o filho, mas sentindo muita pena deste, no embate entre cabeça e coração, no modo de não se guiar muito pelo coração, pois a frieza psicológica, em consultórios de terapia, gira em torno do uso da razão, tudo para deixar o coração o mais tranquilo possível, pois os laços infinitos de amizade estão na cabeça, no espírito, pois, uma pessoa que se deixa guiar pelo coração, sofre, como um sofrido rapaz que conheci certa vez, naquela “sofrência” de músicas sertanejas, um rapaz que se guiava pelo coração, como outra certa senhora, a qual se apaixonou por um rapaz sem se certificar de que este era uma boa pessoa, na necessidade de sabermos olhar dentro das pessoas, como numa pessoa linda: Por fora está tudo bem, mas vamos olhar dentro! O veículo aqui é possante, do tamanho das famílias americanas, como um certo senhor que amava ir ao campo para caçar perdizes com amigos, dirigindo uma possante camionete, ou como outra certa senhora lésbica que conheço, gostando de dirigir tais carros possantes, masculinos, fortes, numa mulher que tem uma autoimagem masculina, cometendo o erro de, certa vez, apaixonar-se por uma mulher heterossexual, dando, assim, murro em ponta de faca. O céu é limpo e claro, nítido, glorioso, em dias de Céu de Brigadeiro, tão raros em países cinzentos e frios como a Inglaterra, no fascínio que os trópicos exercem sobre os países mais frios, como na cidade do Rio de Janeiro, numa deslumbrante mescla de urbe e natureza, numa cidade que pulsa vida e beleza. O gurizinho aqui seguirá os passos do pai, como num gurizinho vendo jogos de Futebol, sonhando em ser um homem alto, forte e possante.
Acima, Vista. Aqui é a meta e o objetivo, na figura do Capa Preta, divindade da Umbanda, um deus que é o lado macho da Vida, na meta, numa pessoa objetivada, como entrar numa faculdade com o intuito de se formar um dia, fechando o ciclo, como numa personagem de A Época da Inocência, na moça querendo casar e constituir família, numa metáfora no filme quando tal personagem venceu um concurso de arco e flecha, no sobrenome de casada: Archer, ou seja, arqueiro. Aqui é a necessidade básica de alimentação, tão primordial, como leões caçando na selva africana, ou como certa vez uma tartaruga num parque de Porto Alegre, abocanhando avidamente uma pomba desavisada que chegara perto da predadora, ou como na primeira transa de um adolescente, cheio de hormônios ferventes no sangue, numa idade em que somos escravos de nossos próprios hormônios, numa libido de gata em cio, nas palavras de um certo adolescente certa vez na Rua: “Eu quero sexo!”. É como no jovem que adquire sua primeira revista pornô ou de nudez, nas palavras altivas de Marta Suplicy a uma plateia de adolescentes certa vez: “A adolescência é uma época em que se masturbar dez vezes por dia é perfeitamente normal”, no jovem trancado no quarto de masturbando, nas lembranças do primeiro filme pornô alugado pelo jovem na videolocadora. Aqui remete a uma formidável professora que tive, a qual dizia para os meninos, ao estes urinarem, focarem bem no meio da água, na precisão de uma agulha ou alfinete, num médico fazendo um diagnóstico preciso, como num psicoterapeuta, acordando-nos para a realidade, como me disse certa vez minha terapeuta: “Você nada vai alcançar em vida indo de casa para a academia e da academia para casa!”. É no caso triste de um certo rapaz, o qual abandonou a faculdade de Direito para merda nenhuma fazer no lugar, com o perdão do termo chulo, um rapaz que se perdeu na vidinha gay, frequentando saunas gays, as quais nada mais são do que puteiros, com o perdão do termo chulo, um rapaz que fica o dia inteiro dentro de casa, fumando um cigarro atrás do outro, perguntando a si mesmo: “Por que será que nada acontece na minha vida?”. É nos versos de uma canção da maravilhosa diva negra Macy Gray: “Levante-se! Levante-se! Faça alguma coisa! Como é que você vai obter sucesso se você sequer tenta?”. Aqui é esta predileção de Bo por cenas ao ar livre, na liberdade rural, no cheiro de bosta do campo, no fascínio que o campo exerce sobre crianças da cidade, nas deliciosas memórias de infância que tenho, indo com parentes para o campo, em rios e cascatas, na sensação deliciosa de liberdade e natureza, no cheiro de mato, na minha memória que tenho de ver girinos nadando no rio. O rapaz aqui parece estar meio alheio à atividade do pai, talvez num menino que não de identifica muito com tal atividade agressiva, como num menininho homossexual, o qual não se entrosa com os meninos por não se identificar com as brincadeiras agressivas destes, um rapaz que se sente num limbo, remetendo a um certo senhor, num processo de identidade, tornando-se padre para saber qual é seu próprio lugar no Mundo, como no personagem Mulan, de Disney, na menina que vai à guerra num processo de identidade, na junção de masculino com feminino – quando sou naturalmente Yang, tenho que partir em busca de Yin, e viceversa. É como uma certa mulher feminina, a qual adquiriu muita agressividade, no modo como, na Indústria Fonográfica Mundial, ter estilo e atitude é imprescindível, como numa Lady Gaga, uma bomba atômica de atitude, arrastando dois milhões de pessoas para as areias de Copacabana, numa prefeitura carioca tendo que “suar” para limpar e recolocar em ordem as areias da famosa praia. Essa paisagem campestre remete aos Campos de Cima da Serra Gaúcha, na região da cidade de Vacaria, na bela estrada da Rota do Sol, com campos vastos que vão até onde a vista alcança, num majestoso tapete verde, com matas virgens de araucárias, na beleza do campo. O rapaz aqui não presta muita atenção, como um aluno relapso, pouco estudioso, como eu próprio já fui reprovado na escola, mas sobrevivi!
Acima, Zeitgeist. Aqui temos uma meta coletiva, como dentro de um time, numa parceria, numa sociedade, como dentro de uma empresa, em metas a serem alcançadas. Aqui temos uma liderança sutil, que é o rapaz em cima de uma pedra, como na construção da Catedral de Caxias do Sul, em cima de uma rocha alta, sendo, na época o ponto mais alto da cidade, dando um recado claro à comunidade: Aqui, quem manda sou eu! Os picos nevados ao fundo são a majestade de um país, numa soberania altiva, como um certo senhor insultando e agredindo a soberania de outra nação, no modo como o Anel do Poder corrompe os homens, corrompendo corações basicamente bons, na metáfora de Matrix: “O que homens poderosos querem? Mais poder!”. É num Putin tocando uma guerra, ou como nas tensões no Oriente Médio, destruindo lares, hospitais e matando inclusive inocentes jornalistas, na ancestral e característica crueldade do Ser Humano – quanto mais agredir, melhor! Aqui é como numa reunião tribal, comunitária, na construção das culturas populares, como no Carnaval, partindo das entranhas do povo brasileiro, vindo do povo e com este ficando. Aqui é como no universo dos Thundercats, em um momento grupal de desafiar e delinear a liderança do chefe Lion, com este enfrentando cada membro da tribo, numa provação, como no pleito eleitoral, no retrocesso que é obrigar o cidadão brasileiro a votar, ou seja, você é obrigado a ser livre, remetendo a pessoas que definitivamente não se envolvem em política, só indo votar por serem obrigadas por lei, remetendo aos EUA – se você não quiser votar, está tudo bem. No pulso de um dos rapazes, um relógio, que é a passagem de tempo, no inevitável envelhecimento, remetendo à deusa Lynda Carter, a eterna Mulher Maravilha na TV, uma mulher que envelheceu com uma altivez e uma dignidade incríveis, naquelas mulheres cuja beleza vem de dentro, numa comparação: Catherine Deneuve se tornou uma senhora linda; já, Brigitte Bardot, uma bruxa, sinto em dizer. São mulheres que sabem que idade não é um pretexto para parar de se arrumar, no fato de que autoestima não tem idade. O Sol aqui é dourado e majestoso, na magia de uma manhã dourada, numa memória que tenho, quando acordei de manhã bem cedinho numa manhã de inverno, com geada, a caminhei pelo gramado de geada como se este fosse feito de cristal, ouvindo ao fundo o sino de uma igrejinha, nessas lembranças indeletáveis. É como certa vez acordei no meio da noite banhado pela lua cheia. As posições eretas aqui são altivas, em inclinação, como na postura elegante de se ouvir o hino nacional, no poder do patriotismo, remetendo ao chauvinista, que é um patriota agressivo, sendo maravilhoso algo da nação de Luizinho só porque é da nação de Luizinho, como uma certa senhora que teve uma fase chauvinista, dizendo que algo era fantástico só porque era do Brasil, ou seja, nenhuma forma de xiitismo é saudável, remetendo à aversão de Marx pelas religiões, pois ter fé é uma coisa; ser “cego”, outra. Aqui, aparentemente apenas um dos rapazes está de pés descalços, que são a simplicidade, como ficar em casa de pés nus ou só com meias, na delícia do lar, um lugar onde somos mais Yin, mais introspectivos, na recomendação taoista: Entenda o poder do Yang, mas seja mais Yin dentro de si mesmo. É a crueldade das guerras, destruindo lares, como na mansão destruída de Scarlet O’hara, tendo que recomeçar do zero em meio aos horrores bélicos, na menininha mimada que se torna mulher forte. Aqui, alguns rapazes cobrem as respectivas cabeças; outros, não. São as diferenças, as quais têm que ser respeitadas, e não é tão difícil assim respeitar, pois a vida de Fulano é de Fulano, não minha. Aqui é como alunos prestando atenção, como certa vez em meu Ensino Fundamental, na professora freira dando aulas de Educação Sexual, exatamente para tirar da criança a malícia em relação a sexo, como contemplar a beleza do aparelho reprodutor feminino, pois Deus não pode ter vergonha de algo que Ele mesmo criou.
Referências bibliográficas:
Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.
Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.











