quarta-feira, 13 de agosto de 2025

aBSurdamente talentoso (Parte 9 de 10)

 

 

Falo pela nona vez sobre o pintor italiano Bernardo Strozzi. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Retrato de Giacomo Raggi, Senador da República de Gênova. Aqui temos uma austeridade profunda, dura, quase cruel, na discrição do preto, como uma certa pessoa discretíssima, uma mulher que raramente usa maquiagem, e, quando usa, usa o mínimo, como num casamento certa vez, num vestido preto, discreto, na sabedoria do camaleão, invisível, como no homem de Tao, subestimado, sempre nos surpreendendo, pois se podem me ver vindo, não terei sucesso. Aqui temos uma dureza de uma Maria Tudor, queimando pessoas vivas em fogueiras, num ser humano se esforçando para ser o mais cruel possível, como na inflexibilidade de um cadáver, duro e distante. O preto aqui predomina, como na austera capa preta dos ministros do STF, no chamado lado negro em Star Wars, na obsessão humana em obter dinheiro e poder, com milhões de brasileiros que tentam ganhar na loteria, no surpreendente modo como é um inferno a vida de tal vencedor da loto, nas palavras de uma personagem no filmão O Advogado do Diabo: “Eu acreditei que ter um monte dinheiro seria bom, mas não é!”, na necessidade da pessoa rica em investir, como uma certa popstar, uma grande compradora de obras de Arte. É a metáfora do Anel do Poder, sempre seduzindo os mais íntegros homens, numa pessoa que sonha e imagina o que faria com tanto dinheiro. A dura gola remete à moda renascentista, no modo como as modas delineiam as épocas, como na revolução do jeans, na moda jovial dos anos 1980, na juventude trazendo novos sopros de estilo, numa década que tanta sinergia teve, como no boom das bandas de rock brasileiro, como vi certa vez nos anos 1990, na Rua no Rio de Janeiro, o ícone Renato Russo, um artista de singular talento, num artista que era soropositivo, e que simplesmente parou de tomar os remédios, ou seja, na prática, suicídio, nesta doença tão cruel, como vi certa vez na Rua um rapaz de magreza cadavérica, provavelmente com AIDS, como um amigo que tenho, soropositivo, o qual me disse que, ao descobrir que tinha AIDS, passou a apreciar os aspectos mais simples da Vida, como sair de casa num ensolarado sábado de manhã e caminhar pela cidade, no modo como a vida é boa quando é simples, na simplicidade de se sentar num gramado em um parque e papear com amigos, os quais são ouro da vida, nesta consolação que temos nos amigos, pessoas com as quais rimos e somos felizes. O aristocrático escudo ao fundo no quadro é a nobreza, o sangue azul, como me disse certa vez uma psiquiatra: “Tu tens uma energia muito aristocrática!”. É o paradoxo de famílias tradicionais, nas quais homossexualidade é inviável e impensável, em algo obtuso, como num casal lindo num filme de Allen, na linda mulher dizendo: “Sou vazia e obtusa, e nada falo de interessante!”. É a questão de não ouvirmos o traiçoeiro coração, o qual se deixa levar pelas aparências, como vi certa vez na Rua um rapaz com uma tornozeleira eletrônica, um rapaz que tinha uma aparência cima de qualquer suspeita, como nos elegantes nazistas, na metáfora de Tolkien: Homens de aparência tosca e rústica causam uma sensação melhor do que os malévolos elegantes. Ao fundo uma fina cortina de nobre veludo, na ação aveludada, fina, no tato diplomático, sempre primando pela paz, em esforços para se dialogar com Trump sobre os insanos tarifaços – você crê que um homem bom, íntegro e nobre como Obama faria o que Trump está fazendo? São esses homens íntegros como Tancredo Neves, no cavalheirismo no fio do bigode, um Tancredo de trágica morte, prestes a se tornar o primeiro presidente brasileiro depois dos anos de chumbo da ditadura militar. O homem nos olha distante, duríssimo, como em rituais de maçonaria. O homem aqui parece ter pouca clemência ou sensibilidade, como em duros agentes da Polícia Federal em aeroportos, detectando drogas em bagagens e prendendo os donos de tal carga ilícita, ao contrário da liberdade holandesa: Se você quer se drogar, vá, pois a vida é sua! É como os barões do narcotráfico não querem a legalização das drogas, pois essa medida colocaria em risco o poder paralelo de tal mundo de crime. O escudo aqui é a força, num carro blindado, no busto blindado da Mulher Maravilha, rechaçando tiros de canhão, num ícone feminista – bela, porém forte.

 


Acima, Retrato de jovem senhora com colar de coral. Aqui é uma das várias encomendas feitas ao artista, um homem que conseguiu se sustentar financeiramente. O traje aqui é digno de rainha, em roupas pomposas, dignas de realeza, um luxo inacessível ao cidadão comum e pobre, no contraste entre os luxos de Versalhes e o padecimento do povo francês, amargando os exorbitantes preços do simples pão, pois o líder que se opõe ao próprio povo é deposto, nesses golpes de estado, como num Trump enfurecendo uma multidão, a qual tomou prédios de poder público dos EUA, como em discursos de Collor, enraivecendo turbas, na sabedoria de que a paz é maior e melhor do que a raiva, pois o ódio não é perene, e o perdão é o caminho natural da Eternidade, na imortalidade da beleza e da paz, a qual reina no Plano Superior, o plano em que todos vivem em paz, numa deliciosa vizinhança, num lugar em que não há estressantes presas ou prazos, como já vi em agências de propaganda, com prazos estressantes, num degradante estilo de vida workaholic, como um senhor certa vez, o qual simplesmente tocou dois dias inteiros de labor sem dormir ou descansar entre as jornadas, e isso não é uma falta de respeito para consigo mesmo? Não devo me dar ao respeito? Que vida é essa na qual sou um escravo de Matrix? É a prisão capitalista: Tenho que trabalhar para produzir capital. As pérolas rubras são a vibração da vida, no fascínio de uma mulher de vermelho, no poder do vermelho, num batom vermelho, numa certa menina, a qual fica horas na frente do espelho se maquiando, no caminho da autoestima, que é cuidar de si mesmo, como sair de casa perfumado, no maravilhoso mundo das fragrâncias, no perfume que é indicativo de limpeza e pureza, numa elegantes sala com pessoas bonitas, na beleza imortal metafísica, o plano no qual não há envelhecimento, nem passagem do tempo, num plano atemporal, fino, onírico, no caminho da mortificação, na questão da pessoa em se desapegar de bobagens mundanas, como no personagem Oscar Schindler, um playboyzinho fútil que acaba se compadecendo com as dores do Holocausto, em homens tão malévolos como Hitler, de rasíssimo apuro moral, remetendo a um certo senhor, um sociopata frio de marca maior, empenhado em fazer os outros sofrerem, com outro certo senhor, doutrinando os alunos ao Nazismo – é um horror. Aqui é a era sem a fotografia, a qual libertou a Arte da função retratista, em pinturas que só os ricos podiam contratar. Aqui, perdeu-se a identidade da modelo, como na caxiense Festa da Uva, num desfile alegórico em que uma moça bonita acenava dentro de um cesto de vime, representativo do artesanato colonial italiano, uma moça cuja identidade se perdeu, mas uma moça que inspirou a comunidade a, na edição posterior da Festa, eleger uma rainha para representar a Festa e o povo caxiense, no poder das tradições, as quais nos dão a sensação de que a passagem tempo é uma ilusão, ou seja, remete ao Plano Superior, sem tempo ou envelhecimento. As flores são a feminilidade, como numa foto que Barbra Streisand tirou com Céline Dion, com um vistoso buquê de rosas ao fundo, no poderoso dueto que as divas fizeram juntas, no dever da Arte em nos tocar, em tocar nossa humana sensibilidade, como um certo sociopata, absolutamente indiferente à comoção mundial do megahit I Will Always Love You, da finada Whitney Houston, uma artista cuja voz foi DEVASTADA pelas drogas, num caminho de autodestruição, numa vida que se tornou um pesadelo. A modelo tem uma idade incerta, pois não sabemos se o artista quis rejuvenescê-la. É como em exímios fotógrafos, os quais têm recursos para disfarçar a idade dos modelos, ou como no velho e bom programa Photoshop, manipulando imagens, na obsessão humana em não envelhecer – tudo gira em torno do plano acima. As vestes são luxuosas, e um tanto incômodas, como numa apertada gravata, no glorioso e libertário momento do happy hour, com gravatas afrouxadas e drinks sendo tomados, um recreio depois de um dia de labor e sisudas obrigações, nas palavras em O Iluminado: “Muito trabalho e pouca diversão fazem de Jack um bobão!”,

 


Acima, Retrato de Nicolo Raggi. O traje é bélico; não de gala. A armadura é a força e a resistência, como ouvi certa vez numa palestra, dizendo que os escravos negros no Brasil criaram toda uma cultura de resistência, criando a Capoeira, na universalidade das artes marciais, como no judô japonês ou nas tribos amazônicas, numa atividade sempre relegada aos homens, na universalidade dos preconceitos patriarcais, relegando a mulher a ser uma insignificante e anônima mãe, esposa e dona de casa, como uma professora que tive na faculdade, uma mulher que abandonou qualquer carreira para se tornar dona de casa, no caminho inverso da identidade – ser uma anônima dona de casa não vai dizer a você quem você é! É como outra certa pessoa, exclusivamente cuidando de uma casa, como no patriarcal Monumento Nacional ao Imigrante em Caxias do Sul, no homem mais alto e mais forte do que a mulher, com esta segurando um bebê, relegada às enfadonhas atividades do lar, enfurecendo as feministas, as quais pensam contra os ventos patriarcais, no caminho da mulher forte e independente, como na figura da Mulher Maravilha, bela e formosa, mas forte como um tanque de guerra, sem estar à sombra de um homem, mas infelizmente colocada num nível abaixo do Super Homem, na figura do macho alfa, do macho forte, no modo como, sinto em dizer, as próprias mulheres são machistas, adorando ser respaldadas por um homem forte, mais alto, mais expressivo, como no menino criança, achando fraca e tediosa a figura da Mulher Maravilha, preferindo o homem forte, chegando à adolescência, a época em que as meninas começam a se interessar pelos meninos, e viceversa, a salvo, é claro, em casos de homossexualidade, que é algo “de cabeça para baixo”, numa pessoa que pura e simplesmente nasceu assim, numa simples questão genética – não tem mistério. O rapaz aqui é bem jovem, do rapaz do tipo “corpo de homem; cabeça de criança”, no termo “gurizão”. O rapaz é belo e saudável, de rosto corado, um galã arrancando suspiro das menininhas, no modo da menininha em idealizar certos rapazes, acreditando em contos de fadas e em príncipes perfeitos, como uma mulher que se equivoca no púlpito, casando com um homem o qual tal mulher considera perfeito, um príncipe, mas uma mulher que vai se decepcionando, até se dar conta de que casou com um grossão de marca maior, no modo como o sisudo dia a dia vai esfriando o calor na relação, como no sexo que vai se tornando mecânico, no modo como um homem pragmático só se casará bem casado se for com uma mulher pragmática, fazendo do casamento não um romance, mas uma conveniência – nós nos casamos e cada um faz uma parte do trabalho, numa conveniência mundana, pois no Plano Superior somos todos irmãos, sem a necessidade de conveniências, no modo como, lá em cima, tudo se resume a amizade e fraternidade, valores tão amplamente ignorados pelo Ser Humano, subestimando o poder da paz sobre a raiva, como em grandes estadistas em pé de guerra pelo Mundo. A coluna aqui é tal firmeza e estabilidade, num homem sério e centrado, um homem ao qual a mulher pode se agarrar com segurança: “Vem que eu te seguro, gatinha!”. É no modo como mulher heterossexual precisa de homem e viceversa. O rapaz é bem jovem, sem um único fio de cabelos ou barbas brancas, numa idade em que a pessoa tem que começar a adquirir o controle de sua própria vida, não deixando que o Mundo mande na pessoa, como um certo senhor, o qual mandou o Mundo à merda, com o perdão do termo chulo, e foi tratar de ser feliz, não mais permitindo ser controlado pelas expectativas de outrem – é uma libertação, meu irmão! O escudo, o brasão é o orgulho humano, nos versos de uma certa canção pop: “Você tem orgulho em excesso!”. Aqui é um quadro de virilidade, como no comercial recente de uma fragrância de Versace, com um homem viril lançando uma poderosa flecha, a qual destrói o próprio frasco de perfume. É como no filmão O Clube da Luta, na imposição do masculino nu e cru.

 


Acima, Retrato de um cavaleiro maltês. Identidade perdida do modelo, como em distantes parentescos que se perdem nas noites do tempo. Aqui é bem barroco, com um fundo negro, algo impensável na luminosidade renascentista, como no quadros de Botticelli, numa moda, numa vogue que fez da Arte tal poderoso instrumento de renovação, como num frescor primaveril de debutantes vestidos de brancos, como ouvi de uma certa menina, a qual aponta tendência feministas: “Que machismo são essas festa de quinze anos de idade, com o pai exibindo a filha como se esta fosse um pedaço de carne!”. O modelo aqui é um homem vivido, experiente, na sabedoria que os anos de vida vão nos trazendo, longe das irresponsabilidades adolescentes, no modo como a juventude plena, feliz e apolínea é uma invenção de velhos, pois cada etapa da Vida traz dores e desafios, pois quando se é jovem demais, vive-se perigosamente. O objeto fálico é como um fálico canudo de diploma, como no fálico Código de Hamurabi, assustando o cidadão comum, como em campanhas de Contrarreforma, queimando hereges protestantes em fogueiras: Se você não quer acabar como esse pobre diabo, comporte-se e viva dentro da lei direitinho. O falo é a retilinidade, como num digno homem de palavra, no modo como eu, certa vez, fui enganado por um senhor, o qual faltou com o apuro moral, mentindo para mim, desrespeitando-me como cocidadão, e eu gostaria de dizer a tal senhor que a palavra de um homem vale mais do que dinheiro, havendo entre nós os sociopatas, pessoas de má fé, mentirosas, muito mentirosas, como num certo sociopata, o qual é louco e mente descaradamente, em ações as quais, ao serem analisadas de desconstruídas, não apontam lógica ou razão, na imposição fálica do pensamento racional, desnudando mentiras, jogando pobres diabos sofredores nas inóspitas terras do Umbral, a dimensão dos miseráveis que não amam o Mundo; dos que subestimam o poder do Amor Incondicional, como outro certo sociopata, o qual amo, pois é meu irmão, um sociopata que passará por muitas vidas e tornar-se-á um grande espírito de luz. O homem aqui é calmo, sereno e paciente, com saco para posar, como me disse certa vez uma senhora idosa: “Os jovens não têm paciência!”. A Cruz de Malta é tal dignidade do guerreiro cristão, entrando em guerra, na ironia de que Jesus jamais entraria em guerra, sendo Cristo o Príncipe da Paz, num polido diplomata sempre lutando pela paz, pela concórdia, pelo cavalheirismo no fio do bigode, em esforços do Papa em pedir sempre paz nos conflitos ao redor do Mundo, nos esforços do padre na missa, chamando-nos de irmãos, num Caim eternamente matando Abel, em irmão derramando sangue de irmão, no caminho desolado do ódio, que é uma miséria existencial. As cores do traje aqui são sóbrias, em harmonia com o sisudo fundo preto, na discrição do luto, no modo como roupas pretas entraram na Moda nos anos 1990, nos famosos versos de uma canção pop brasileira: “Aqui, nesse mundinho fechado, ela é incrível, com seu vestidinho preto indefectível. Eu detesto o jeito dela, mas, pensando bem, ela fecha com meus sonhos como ninguém!”. É ao contrário de O Mágico de Oz, na malvada bruxa crepuscular toda de preto, com sua pele verde, num sociopata verde de inveja, querendo destruir outrem, como me disse certa vez minha querida avó: “Serás feliz, mesmo que, para isso, tenhas que dar um ‘chega para lá’ em alguém!”, e tudo o que precisamos fazer é não nos relacionarmos com sociopatas, no sentido do termo “murro em ponta de faca” – se eu mantiver distância, ficarei bem. Aqui é uma figura patriarcal, no poder de uma pessoa em manter unida uma família, como na família de meu falecido cunhado, uma família bem unida, que se reúne e faz brincadeiras, lembrando muitos meus Natais com meu avô materno, já falecido, o qual em vida manteve a família unida, no prazer que é rever membros da família, nossas raízes no Mundo, ao contrário de um certo rapaz, o qual nasceu sem família nem lar, tendo que crescer num duro orfanato.

 


Acima, Sagrada Família e São João Batista. O menininho é o princípio patriarcal, onde tudo começa com uma criança do sexo masculino – por que Jesus teve que ser homem? A Virgem é tal inocência e pureza, numa passividade extrema, aceitando passivamente ser mar e mãe do filho de Deus, como me disse certa vez uma intelectual a qual respeito: “Maria foi uma puta, aceitando ter filho com quem não era marido dela!”. A família é tal instituição social sólida, com tudo sob a chancela do patriarca, o chefe de família, mas sempre sob o controle da esposa, a patroa, que dá uma boa sova no patrão, como em brigas que ouvi de um casal de vizinhos meus, com ela dizendo “Eu não aguento mais!”, e com ele silencioso, aceitando a sova da patroa, como numa briga de casais que vi, com ela dando um sermão no patrão, e este sentado à beira da cama, aceitando tudo, talvez com medo da esposa pedir divórcio. Um anjinho abençoa a cena, numa interferência divina, nas bênçãos celestiais, na imagem que temos do Céu, com anjinhos loiros tocando harpas de louvor, algo além da realidade, pois no Céu vemos a necessidade de nos mantermos ocupados, na perguntinha inevitável quando encontramos um ente querido lá em cima: “Onde estás trabalhando?”. É a dignificação do trabalho, pois mesmo Tao é tal trabalhador, sempre criando, deixando-nos perplexos com tal perfeição, no modo como um fã clube fica ávido pelos próximos passos de um popstar, em fã clubes volumosos, com mais de um bilhão de acessos no Youtube, na capacidade de certos artistas em manter tais níveis estratosféricos de popularidade, como no boom global de um Michael Jackson virando lobisomem num videoclipe, no álbum mais bem sucedido de toda a história da indústria fonográfica mundial, com absolutamente todas as faixas virando hits em rádios – uau. José aqui tem um papel discreto e coadjuvante, aceitando o filho que não é seu de fato, como eu em desenhos infantis, colocando minha mãe gigantescamente, enorme em importância, desenhando meu pai bem menor, discreto, nos versos do fenômeno de popularidade televisiva A Família Dinossauro, com o famoso Babyssauro se referindo ao próprio pai: “Não é a mamãe!”. É no mito grego de Édipo e Jocasta, estourando em popularidade na telenovela Mandala, da Globo, no sucesso da canção O Amor e o Poder: “Aqui neste lugar não há rainha ou rei! Há uma mulher um homem trocando sonhos fora da lei!”, num hit brega nas rádios, uma canção brega, mas muito bonita e instigante. Aqui são estes fundos negros barrocos, profundos, assinalando o contraste iluminado, no jogo de sedução entre opostos, pois se digo que algo é claro, é porque comparo com o oposto, que é escuro, na noção taoista de que fácil e difícil são faces do mesmo trabalho, ou seja, um trabalho que me exige disciplina e dedicação, mas um trabalho que me dá prazer, no modo como não existe trabalho que seja 100% prazer. A Virgem veste vermelho, no sangue sacrossanto de Jesus, o mesmo sangue sacrossanto que circula em nossas veias, pois somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei Supremo, no caminho da Vida Eterna, o inestimável presente que nos foi dado, no poder supremo do infinito, que é Deus, como uma orla vazia na qual podemos escrever, no poder libertador da orla, num lugar simples e de liberdade, no qual somos nós mesmos, sem afetações ou frivolidades, no modo como a Vida é boa quando é simples, como sentar num gramado num parque público, em prefeituras que se esmeram em manter em ordem tais espaços, na companhia de amigos, os quais são o ouro da Vida. O José aqui é bem calvo, já na terceira idade, remetendo a um rapaz inteligente que conheço, um jovem já calvo, um rapaz de dignidade, trabalhando na carreira docente, no modo como pessoas inteligentes são tão interessantes, a salvo em caso de sociopatia, numa inteligência serviço do Mal. O Menino Deus é apresentado como herdeiro do Cosmos, numa nudez de absoluta pureza.

 


Acima, Salomé com a cabeça de São João Batista. A cabeça é o termo “capital”, que é o que importa, no capitalismo, com tudo girando em torno do dinheiro, no mundano hábito do viciado em cocaína, pegando o cartão de crédito para moldar a carreira de pó a ser cheirado, com tudo girando em torno do capital, numa escravatura: Tenho que trabalhar como um “burro de carga” para produzir capital e, assim, adquirir cobiçados bens de consumo, como roupas de grife ou um celular último tipo, na escravatura de Matrix, no indivíduo escravo de um sistema, no Mito da Caverna, com a pessoa com sua mente aprisionada, no papel do filósofo, que é nos libertar.  A cabeça do santo é tal prêmio, nos caprichos mundanos de Salomé, nos mártires católicos, tornando-se santos, como certa vez na história da Santa Sé, caçando dezenas de santos, num Vaticano tão sisudo, resultando em figuras libertárias como Francisco, num sopro de renovação jovial, numa reforma indelével, não podendo haver retrocessos por parte do atual Papa Leão XIV, nesses carismas tão fortes como o de Francisco, inspirando as pessoas e unindo o Mundo em torno do divino, num poder de reunir as pessoas, como numa matriarca numa mesa, com todos unidos pelo sagrado alimento, numa farta mesa de galeteria, fartíssima, no cliente comendo como um rei, na magia dos almoços de domingo em família, no cheirinho de churrasco pairando no ar, na magia de uma boa picanha, na paixão brasileira pelo churrasco. Aqui remete à peça teatral Salomé, estrelada por Christiane Torloni, peça a qual vi em Porto Alegre, na qual Salomé dançava e seduzia os homens, na magia da dança do ventre, num ventre farto, numa cornucópia, num reino farto e rico, em nações ricas e fartas como o Canadá, longe do atual paradigma de beleza feminina, numa crueldade de só achar sexy uma mulher que esteja na antessala da anorexia, com manequins anoréxicas em vitrines de shoppings, no ponto de magreza tal na qual os ossos torácicos ficam evidentes acima dos seios – é um horror, uma ditadura que esfaqueia violentamente a autoestima da mulher, como uma certa menina que conheci, obcecada em perder peso, não se alimentando e nem bebendo água, temendo que esta fizesse seu próprio corpo inchar – que sofrimento, Deus Jesus do Céu. O capataz ao fundo está retirado, quase anônimo, talvez aquele que atendeu ao cruel pedido de Salomé, na capacidade do Ser Humano em ser o mais cruel possível, como queimar pessoas vivas em fogueiras, como no passado dos EUA, em mulheres condenadas por bruxaria, na misoginia arraigada na Vida em Sociedade, como no filme A Letra Escarlate, no qual parte de uma mulher a ideia de condenar socialmente uma mulher por adultério, ou como no modo como os próprios homossexuais são homofóbicos, aceitando uma degradante vida de submundo, numa esfera paralela, num escuro e tóxico, um presídio para a mente – é um horror. Salomé aqui exibe seu caprichoso troféu, numa mulher mundana, cruel, com seus caprichos, em personagens bíblicos que remetem ao mundano, tudo em torno do Anel do Poder, sempre corrompendo nobres corações, no teste ao qual a Galadriel de Tolkien foi submetida, resistindo às tentações do Anel, recolhendo-se em discrição e humildade, não perdendo o ser ela mesma. O quadro aqui é bem barroco, com um fundo negro, impensável em termos renascentistas, numa luz que entra num cômodo tão escuro, nessa paixão de Strozzi por cenas sacras e escuras, no modo como as ondas de renovação sempre vêm, como no poderoso advento do Modernismo Brasileiro, “sepultando” a tradicional Arte Acadêmica, em ícones tradicionais como Pedro Américo, construindo tal fascinante obra, no poder da Arte em nos deslumbrar e encantar, fazendo com que “babemos” frente a tais talentos, como na suntuosidade de Christo e Jeanne-Claude, no poder da Arte em causar comoções, como na comoção mundial de Titanic, arrancando inúmeras lágrimas ao redor do Mundo, como menininhas japonesas tietes se reunindo para chorar pelo Jack morto no filme. A Salomé aqui tem um aspecto aristocrático, no poder aquisitivo de alguém que pode contar com o serviço de um artista célebre.

 

Referências bibliográficas:

 

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.meisterdrucke.pt>. Acesso em: 11 jun. 2025.

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.

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