quarta-feira, 17 de junho de 2026

Akira Aqui (Parte 2 de 7)

 

 

Falo pela segunda vez sobre o pintor japonês Akira Ikezoe. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Bordas. Aqui remete a estampas de uma grife se bolsas de luxo, nesses bens tão cobiçados, numa pessoa que vira uma escrava de vitrines de shopping, num sistema que nos aprisiona: Tenho que trabalhar feito “louco” para produzir capital e adquirir tais bens, na metáfora de Matrix, num sistema opressor, como numa ditadura, no cidadão sob controle de um sistema. A azul é a cor de gloriosos dias de céu de brigadeiro, sem uma única nuvem, para olharmos para o céu, enchermos os pulmões de ar e agradecer por termos saúde, pois tudo gira em torno de saúde, havendo saúde perfeita no Plano Superior, onde estamos desligados de qualquer problema relativo ao corpo carnal, numa gloriosa libertação, com tudo se definindo no que desejamos fazer de nossos dias de cárcere na Terra – uns levam uma vida nobre e produtiva, voltando de cabeça erguida ao Céu, no clima de missão cumprida; outros, nem tanto, como uma certa senhora inativa, rica e, ao mesmo tempo, miserável, ou como outra certa senhora, dona de uma inteligência ímpar, sem colocar para o Mundo tal inteligência, num desperdício, como Andrea Bocelli cantando Atirei o pau no gato. Aqui remete a um antigo videogame, o Tetris, com formas geométricas caindo, fazendo com que encaixássemos as peças na base da tela, num desafio, numa chuva intermitente de formas, numa corrida contra o tempo, no modo como os games eletrônicos ganharam o Mundo, com crianças viciadas em tais games, como um certo rapaz, o qual ficava o dia inteiro dentro de uma quarto escuro jogando, em pleno dia de ensolarado verão, com amigos lá fora o convidando para se divertir, ou seja, não é muito saudável tal vício, com pais com a responsabilidade de controlar tal compulsão por games. Aqui vemos formas delgadas, finas, no discernimento taoista de que fino é forte de e grosso é fraco, mas num ser humano que sempre acaba se confundindo, apelando para a grosseria. Aqui remete a um quadro do mestre Magritte, com homens delgados caindo como chuva, no poder de certos artistas em desenvolver uma identidade, uma marca registrada, adquirindo reconhecimento ainda em vida, ao contrário de grandes nomes como Van Gogh, reconhecido postumamente, mergulhando em depressão e frustração, sentindo toda a dureza do Mundo, como miseráveis artistas de rua, fazendo seus números em semáforos, ganhando por dia uma quantia irrisória, sentindo na pele tal indiferença do Mundo. Aqui são como ícones numa tela de computador, ou de celular, em dispositivos de tanta flexibilidade, com tudo hoje em dia se resumindo a tais equipamentos móveis, fazendo obsoletas as máquinas de foto e de filmar, deixando perplexa minha geração, que foi criança nos anos 1980, ainda vivendo em meio à era analógica, com o filme fotográfico, na expectativa de retirar as fotos no laboratório e ver os resultados, avanços tecnológicos que são triviais para as gerações mais jovens, que nasceram a partir dos anos 2000, uma geração completamente digital, sem ter ideia do telefone fixo de gancho e disco, ou das cartas pelo correio, fazendo com que hoje e-mail seja algo tão trivial e comum, ao contrário dos anos 1990, época em que e-mail era para lá de chique, do tipo: Quando acordo, a primeira coisa que faço, antes de tomar café, é ler meus e-mails! Hoje em dia, com as redes sociais, tal tecnologia é banal – o que será que virá após a era download e streaming? Aqui é como na cena do filme A Rainha, na monarca organizando os objetos sobre a mesa, num sentimento de ordem e controle, impondo ordem ao caos, num trabalho de organização, como colocar uma casa em ordem, nas palavras de uma certa senhora ao brigar com o próprio marido: “Eu me matando para manter esta casa limpa e organizada!”, fazendo do casamento tal terreno frágil, sendo uma pena quando um casal  rompe, pois casal é uma coisa tão bonita! Aqui são como confetes de carnaval caindo, na magia de um colorido baile de carnaval, com cada um com suas fantasias, como no Halloween americano, no modo da pessoa se expressar por tal fantasia, numa diversão, desligando-se um pouco do sisudo dia a dia. Nessa variedade de objetos, vemos uma varinha de fada, com uma estrelinha, no discernimento infantil: Ou algo é todo do bem, ou é algo todo do mal. Aqui é como jogadores dispostos na cancha de vôlei, na pressão por resultados e vitória.

 


Acima, Buracos. O violão é o impulso da Arte, aquilo que nos interpela como seres humanos, aquilo que tanto nos faz humanos, pois os macacos até podem ter alguma inteligência, mas não pintam, não canta, não dançam etc. A Arte só é detectável pelos que têm inteligência emocional, havendo no sociopata tal inteligência fria, esquemática, insensível a apelos subjetivos. A sacola de mercado é a demanda do dia a dia, com compras que precisam ser feitas, nas demandas do dia, na ocupação de uma dona de casa em manter a casa abastecida, com uma despensa farta, cheia de produtos, naquele pai herói, que nunca deixa algo faltar dentro de casa, em pesos de responsabilidade, que é ter filhos no Mundo. A abóbora sorridente é o Halloween, na tradição americana de cavocar as abóboras e colocar luzes dentro, numa festa que aos poucos vai sendo absorvida pelo Brasil, na universalidade do Ser Humano, que é celebrar um pouco a Vida, desligando-se do siso por algum momento. A máscara africana é tal universalidade da Arte, como desenhos geométricos indígenas, como no hotel de O Iluminado, com tapeçarias de arte indígena, num caminho de identidade, como no Cinema Brasileiro, com a enorme incumbência de se conferir uma identidade a tal cinema nacional, sendo inevitável a poderosa influência de Hollywood, esta uma indústria para lá de consolidada, no slogan de um certo estúdio, com uma tradição secular: “Um legado de excelência”, fazendo do Cinema tal rosto do século vinte, no ponto decisivo da chegada do som ao cinema, transformando em arte algo que era uma banal distração muda. Vemos um pé de meia, numa bagunça natural, com em casas com crianças pequenas, sempre desorganizadas, no modo como é necessária uma paciência enorme par aturar tais “pentelhinhos”, como num cruel orfanato, com tutores que perdem a paciência, remetendo a um certo rapaz órfão, que cresceu num lar de órfãos, dizendo ter muitas vezes apanhado de tais tutores, na sabedoria popular de que paciência tem limite! Vemos uma caverna, no Mito da Caverna, na pessoa aprisionada por superstições, escrava de um sistema, com o papel do filósofo, de Neo de Matrix, acordando para o fato de ser um escravo, no papel libertador da Filosofia, na amarga ironia de que a Filosofia não muda o Mundo, pois nem a suprema e avassaladora passagem de Jesus pela Terra foi capaz de sanar os problemas do Ser Humano, como guerras, mas um Jesus que segue sendo uma figura na qual podemos depositar esperanças, na metáfora cromática: Num aguerrido mundo de amarelos versus azuis, seja verde! Vemos um toco de árvore com um buraco, que é o lar, a casa, o refúgio da pessoa na sabedoria de que não existe lugar como o lar, remetendo ao pobre rapaz que presta serviço militar, um rapaz sequelado por tal experiência cruel, como no menininho de Cidadão Kane, arrancado de seu paraíso de infância, balbuciando no leito de morte o nome do seu adorado trenó de neve, remetendo a um tempo em que a vida era mais simples, na simplicidade infantil, que é se contentar com pouco, como me ensinou uma pessoa extraespecial: Não precisamos ser donos de meio mundo para sermos felizes! Vemos um buraco preto, que é a perdição de um vício em drogas, como um grande amigo meu, o qual se viciou em cocaína, uma droga a qual, após o pico de euforia, sobra seu preço, numa depressão pós pico, com a pessoa acordando se sentindo um naco de merda, com o perdão do termo chulo, sem vontade sair da cama, na ilusão da cocaína, que faz com que nos sintamos, momentaneamente, o suprassumo, como um popstar estourando nos quatro cantos do Mundo, com zilhões de dólares na conta bancária – é a sedução da droga. Vemos um vulcão, em tragédias como a de Pompeia, nos desastres naturais que são a prova de que é a imperfeita Terra o que tenta imitar o perfeito Céu, nas vicissitudes da matéria, as quais acabam por nos fazer crescer, sendo se tornar uma pessoa melhor o sentido da Vida.

 


Acima, Cabeças de Côco ao redor do estúdio de cerâmica. As pessoinhas são os vassalos, os escravos, forçados a uma vida árdua, de trabalhoso forçados, como na construção das descomunais pirâmides do Egito, em túmulos de tanta, tanta grandiosidade, até num exagero, chegando a um ponto em que não era mais possível erguer tais construções, construindo-se então o Vale do Reis, sepultando os monarcas de formas mais simples e discreta, na perfeição do trabalho egípcio, com túneis e cômodos perfeitamente lineares, esculpidos na rocha, perfeitos como apartamentos e casas de paredes, teto e chão retos, em monarcas “loucos” como Aquenáton, demandando a construção de toda uma cidade num local ermo da margem do Nilo, com trabalhos forçados, com escravos com problemas ósseos, tal o labor árduo, num faraó que, de tão odiado, foi apagado dos registros oficiais do Egito de então, fazendo com que só recentemente os egiptólogos tenham reconstituindo tal etapa. Vemos uma forma circular como uma piscina, como em casas de luxo, com piscinas, remetendo a uma certa senhora, a qual quis dar uma guinada na vida, fazendo uma plástica, reformando a casa e construindo uma bela piscina, uma senhora que se deprimiu anos depois, vendo que seus esforços nada adiantaram, no erro de se querer encontrar as coisas fora de si mesmo, numa vida que foi mostrando que tudo continuou a mesma merda, com o perdão de termo chulo. Aqui é como na construção de um grande parque temático, rezando a lenda de que Walt Disney, ao visitar a Cidade das Crianças, na Argentina, inspirou-se para construir o parque da Disneylândia na Califórnia, num lugar em que voltamos a ser crianças, como em Gramado, com seus doces chocolates, numa cidade em que tudo é feito para encantar o visitante, mas uma cidade que se torna enfadonha ao visitarmos demais, com muita frequência, na sabedoria taoista de que tudo que é demais, enjoa, mesmo lugares tão belos como tal urbe turística. Vemos um trabalho de colheita, como no Egito, com as cheias do rio enchendo de riquezas fertilizantes a beira, no baile das estações, na beleza de casa estação climática, em lugares como Nova York: No verão, um “forno de padaria”; no inverno, dias de tanta neve que a prefeitura orienta o novaiorquino a não sair de casa! Vemos aqui pórticos arqueados, como os dutos da Lapa, no Rio de Janeiro, uma cidade a qual, do topo do Cristo Redentor, parece ser limpa, perfeita, pacífica e apolínea, sendo, de perto, tal urbe de diversos problemas, como a criminalidade e a pobreza. Vemos num detalhe o planeta Saturno, com seus sedutores anéis, em uma esfera tão singular e bela, na busca incessante de vida fora da Terra, num sistema solar frio, gélido, com gelo duro como pedra, no modo como, fora da Terra, o Cosmos conspira contra o Ser Humano, nas palavras do filme impecavelmente concebido Gravidade: “A Vida é impossível no espaço”. Num detalhe vemos quatro homens dispostos linearmente como ponteiros num relógio, numa simetria, simetria a qual Niemeyer evitou ao conceber o Congresso em Brasília, com o domo do senado sendo menor do que o da câmara, puxando o para o lado do senado o prédio de duas torres, num equilíbrio assimétrico, feito por quem sabe fazer Arquitetura, fugindo da obviedade clássica simétrica. Vemos operários carregando carrinhos com pedras, nas demandas do dia, do esforço, como Jô Soares, o qual, depois de falar piadas e bobagens, dizia, na hora de convidar a pessoa a ser entrevistada: “Vamos trabalhar!”, no sentido de disciplina e de encarar o labor, numa Gisele para os fãs num set de filmagem: “Desculpem, gente, mas tenho que trabalhar!”, num caminho de humildade e pés no chão, sem se deixar levar pelo sucesso, na sabedoria de que a arrogância precede a queda. Vemos pássaros brancos, na cor da paz, do Espírito Santo, numa imagem de esperança. Aqui é um dia ordinário de trabalho, com os inevitáveis barulhos do labor, como máquinas funcionando, ou faxineiras usando aspiradores de pó, no humilde trabalho de gari, no modo como nenhum labor é insignificante, sendo tudo parte da grande carreia espiritual.

 


Acima, Cabeças de Coco com água e areia. Na base vemos uma grande plantação, na revolução da Agricultura, quando o Homem passou a controlar a produção de alimentos, remetendo à árdua vida de imigrante italiano no RS, com suas mãos calejadíssimas pelo labor na lavoura, num trabalho de Sol a Sol, trazendo mais trabalho do que a caça, pesca e coleta, na universalidade da divisão de trabalho, com as funções mais agressivas sendo feitas pelos homens, como uma mulher indígena coletando coisas na mata, um trabalho análogo ao de se fazerem compras, como uma certa mulher ianomâmi que se casou com um homem civilizado, com tal mulher amando fazer o trabalho de compras. Vemos um trilho com cargas transportadas, como uma vida estruturada, nos trilhos, num siso de responsabilidade, que é não se descuidar da Vida, como me disse uma grande amiga em Porto Alegre: “Não se descuide de sua faculdade!”, pois um amigo verdadeiro quer nos ver sendo feliz; quer nos ver indo para a frente, remetendo às amizades fúteis, as quais só são para o momento de festa e de diversão, amizades que, definitivamente, não são um ombro amigo para o qual podemos desabafar e colocar nossas questões existenciais, no discernimento entre amigo e semiamigo, sendo este uma pessoa que não torce contra, nem a favor. Vemos bobinas erguendo coisas, no labor diário da firma, como no império de metalurgia que a tradicional família caxiense Eberle construiu, uma família que tanto enriqueceu nas demandas bélicas da II Guerra Mundial. Aqui vemos bens sendo feitos, na Revolução Industrial, na ironia de que a Inglaterra foi o berço de tal revolução, sendo a primeira nação do Mundo a se industrializar, e, hoje em dia, é um país desindustrualizado, com bens sendo manufaturados em outros países, principalmente a China, sendo esta tal gigante global, poderoso, rico, num cidadão chinês absolutamente livre para empreender, na contradição de que este mesmo cidadão não pode ir a público falar mal do governo, na máxima que imperava certa época no Brasil: “Ame-o ou deixe-o”, com levas de pessoas se exilando em outros países, como Caetano em Londres, numa urbe fria e cinzenta, muito longe da alegria tropical do Brasil, da Bahia, um estado que é um país à parte, como no padrão de se tomarem dois banhos por dia, ao contrário do sul do Brasil, no qual o padrão é apenas um banho diário, fazendo de um Brasil tão amplo uma colcha de retalhos, feita de vários Brasis. Vemos aqui operários confeccionando uma máscara africana, na brincadeira carnavalesca de se usarem máscaras, num baile em que extravasamos nossa fantasia, numa festa tão brasileira, enchendo de luz e calor os olhos do turista, fazendo do Rio de Janeiro tal potência turística, como abrigar megashows nas areias de Copacabana, numa prefeitura que precisa “sambar” para recolocar em ordem as areias de tais eventos, com vários dias de trabalho de limpeza, no paradoxo carioca: Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos. Vemos operários carregando baldes, nas demandas do labor diário, como no humilde gari, cuja vida é uma vassoura, numa vida tão dura, num labor de causar dores musculares, como nas costas, pessoas pobres, que pouco devem ganhar de salário por tal árduo labor, como num humilde artista de Rua, pedindo dinheiro em semáforos, numa vida tão, mas tão dura. Vemos aqui coisas sendo enroladas e desenroladas, como no dia e dia de uma firma, com coisas rotineiras, no siso rotineiro, trazendo os momentos de festa, um momento em que nos desligamos por algum momento, no extraordinário abraçando o ordinário, como num desfile da Festa da Uva, com carros alegóricos mostrando o trabalho manual do colono e de seus descendentes, fazendo de tal celebração uma festa de identidade, como em urbes de vindimas italianas, abraçando seus passados medievais, numa Itália que hoje em dia restringiu enormemente os critérios para a retirada do cobiçado passaporto bordô; numa Itália sobre a qual já ouvi dizer – um país que não vê com bons olhos o brasileiro. Aqui, o faraó comanda tudo, como um prefeito, cheios de responsa, como tocar obras de manutenção de canos na Rua.

 


Acima, Cabeças de Coco criando uma mostra de Arte. Vemos luzes de holofotes, como no batsinal para chamar Batman para defender Gotham City, numa franquia tão poderosa no cinema, com um certo diretor que conduziu com competência, ao contrário de outro diretor, o qual produziu filmes risíveis, que desrespeitavam o personagem, nessa fortíssima identidade hollywoodiana, numa indústria tão bem estabelecida, ao contrário do Brasil, no qual ninguém fica rico fazendo cinema, remetendo à heroica família Barreto, alimentando a cultura nacional, no legado de Fabio Barreto, um grande brasileiro, um homem que queria exportar a imagem do Brasil, num homem que obteve poder de príncipe, com as pessoas se unindo em torno dele no intuito de transformar um romance em filme, fazendo do sucesso tal amante infiel, num Fabio que apenas uma ver na carreira foi indicado a um Oscar, como na carreira de um popstar, nem sempre fazendo álbuns de esmagador sucesso. Vemos aviões num disciplinado pátio de aeroporto, numa ordenação para evitar acidentes, como num momento da franquia Matrix, com seres humanos de função iguala a um computador, na fria razão, a qual serve para deixar o coração tranquilo, num trabalho de psicoterapeuta, que é nos mostrar o Mundo da forma mais fria possível, fazendo com que nos sintamos bem ao sairmos do consultório. O preto no fundo é essencial para que as formas se destaquem, como na maravilhosa Primavera de Botticelli, com as divindades iluminadas sendo respaldadas por um fundo escuro, no discernimento taoista: Quando digo que algo é liso, é porque conheço o oposto, que é áspero, no modo como não existe trabalho que é cem por cento prazer – fácil e difícil são partes do mesmo trabalho, como um artista em turnê: A parte lisa do trabalho é o prazer de se estar num palco se apresentando; a parte áspera é que o trabalho de turnê acarreta em hotéis, estrada, ônibus, aviões e aeroportos, sem falar no trabalho de se transportarem equipe e instrumentos musicais, fora elementos de decoração do palco, em megashows que levam dias para o palco ser feito e desfeito, num espírito de mambembe, circense, nômade, como disse certa vez a diva Dercy Gonçalves: “Eu sou mambembe!”. Vemos aqui um momento de diversão, que são rapazes jogando algum tipo de esporte, na diversão do futebolista, como disse certa vez um jogador, dizendo-se sortudo por ganhar para fazer um trabalho que ama, na parte áspera do trabalho, que é o sisudo treinamento de preparação para nunca subestimar o oponente, na fábula da lebre e da tartaruga, tendo esta vencido uma corrida exatamente porque a lebre subestimou a seriedade do negócio, no termo “não entrar em campo de salto alto”. Vemos árvores sendo colhidas, como eucaliptos em obras de construção, como numa certa estrada, com campos de reflorestamento, no controle da produção de tal material, num ponto em que temos que ouvir os ecologistas, pois a Terra é, realmente, o único lar do Ser Humano, num Cosmos o qual, fora da Terra, tanto conspira contra o Ser Humano. Vemos na base uma forma de sofá, no encanto de se estar em casa, pois há pessoas que não gostam de hotéis, por nesses se sentirem tão longe do conforto da casa, pois o lar o é mesmo sendo modesto, na máxima de O Mágico de Oz: “Não existe lugar como o lar!”. Vemos um grande funil aqui, como no afunilamento de um concurso vestibular, numa prova que seleciona os mais estudiosos, na inevitável competitividade da Vida em Sociedade, como me disse um certo psiquiatra, o qual aprendi a respeitar: “Tens que ter mais agressividade, pois vives num mundo competitivo!”, e não concorremos uns com os outros numa sala de aula? No topo da obra vemos uma lanterna, uma iluminação, num homem iluminando o outro, num auxílio de amor fraternal, na figura do anjo da guarda, um espírito amigo que quer nos ver sempre no bom caminho, no fato de que nenhum de nós está só.

 


Acima, Cabeças de Coco entre a montanha de neve e arranhas céus. No centro uma explosão, uma comoção, um escândalo, uma bomba atômica de comoção, nas palavras de Dalí: “Feliz daquele que provoca o escândalo!”, como uma pessoa que de alguma forma se torna pioneira, desbravando caminhos, no modo como não mérito artístico em trilhar caminhos que já foram trilhados, sendo subartista aquele que sobe num palco puramente para imitar – não tem como ser sério. A bomba é a sequela na pessoa que acionou as infames bombas sobre o Japão na II Guerra Mundial, numa alma que morreu, num espírito tão infeliz, traumatizado para sempre, uma pessoa que morreu por dentro: “O que fiz!”. Na porção acima no quadro, uma cidade metafísica, elevada, de puro pensamento, na noção espírita de que matéria é nada e pensamento é tudo, num plano metafísico no qual estamos livres de problemas terrenos, como sentir muito frio ou muito calor, em dias agradáveis e noites amenas, num lugar de paz, sem estressantes e degradantes prazos, como workaholics em agências de Propaganda, varando madrugada a dentro em um caminho degradante, de falta de respeito pra consigo mesmo, como um certo senhor, o qual, certa vez, sequer se permitiu descansar entre duas jornadas de trabalho – não tem como ser digno ou saudável. Vemos inclementes caminhões jogando seres humanos, em cenas do clássico A Lista de Schindler, com seres humanos sistematicamente executados e queimados, como lenha em lareira, num filme que tanto arrebatou o Mundo, nesses grandes nomes como Spielberg, com uma brilhante carreira, nessas pessoas que chegam ao Mundo e mostram potencial e talento, em homens que tão respeitados se tornam, sobrevivendo por décadas de carreira nesta “selva” que é Hollywood, como Tom Cruise, sobrevivendo desde os anos 1980, num Tom que nem sempre obteve esmagadores sucessos, fazendo do sucesso tal amante infiel. Vemos uma palestra com gráficos num quadro explicativo, numa reunião de empresa, ou numa sala de aula, no trabalho árduo de professor, o qual tem que preparar as aulas antes de ir à instituição de ensino, num trabalho tão fundamental e tão pouco valorizado, no modo como não há professores ricos, como disse uma certa professora a alunos de colégio particular: “Não vamos discutir nossas diferenças!”. Vemos formas como numa firma, num escritório, nos sisos da rotina, como um certo senhor, o qual se dava ao respeito, um senhor que trabalhava, mas não se submetia à vida degradante de workaholic, obtendo sucesso e deslanchando, no caminho do respeitar a si mesmo, no poder fundamental de algo chamado autoestima. No centro vemos algo como uma fogueira de festa junina, na brincadeira de pular a fogueira, nas lembranças doces de festas juninas na infância, no aculturamento no RS, no qual adultos e crianças vão a tais festas juninas vestidos de prenda e de gaúcho com bombachas, no corpo dinâmico que é a cultura popular, onde tudo é processo de transformação. Na base vemos algo como uma cordilheira, como nos Andes, em estações de esqui no Chile e em Bariloche, na magia da neve, com turistas que tanto vão a Canela e Gramado para ver tal raro fenômeno, numa beleza onírica, num fenômeno tão raro no Brasil. Vemos aves voando em círculo, num bando, numa identidade grupal, como podemos observar em grupos de adolescentes, nos quais todos se vestem mais ou menos da mesma forma, como eu certa vez, quando comecei a andar com uma galera que bebia cerveja, e eu, por influência do grupo, passei a apreciar cerveja, um hábito o qual perdi, pois a cerveja me remete a uma fase boêmia da vida que está vivida e que ficou para trás. Vemos algumas formas humanas com chapes cônicos, como nos chapéus chineses, na universalidade do chapéu, que é se proteger. Vemos um trabalho de colheita, como no árduo trabalho da vindima, remetendo a uma certa senhora empregada doméstica, de uma família humilde de viticultores, uma senhora que não queria tirar férias na época da vindima, pois, se fosse tirar férias em tal momento, teria que auxiliar a família na árdua colheita.

 

Referências bibliográficas:

 

CV. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

Paintings. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.

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