Falo pela terceira vez sobre o pintor japonês Akira Ikezoe. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Cabeças de Coco no céu estrelado. Vemos telas de Cinema, numa arte tão popular, a cara do século XX, na figura do cinéfilo, “viciado” em tal arte, como um certo crítico profissional, editor chefe de um portal excelente, quiçá o melhor do Brasil. A tela são as projeções da mente humana, como no Mito da Caverna, com pessoas ali dentro olhando para as auspiciosas projeções na parede interna, ignorando a saída de tal prisão, num indivíduo escravo de um sistema: Tenho que trabalhar arduamente para produzir capital e, deste modo, adquirir bens cobiçados de consumo, na metáfora de Matrix, que é um sistema que aprisiona a pessoa, como em ditaduras, nas quais o cidadão não pode se opor, reduzindo um ser humano a uma pilha alcalina, a serviço de um sistema. Vemos uma ordenação, como na disciplina de uma sala de aula, na tarefa complicada de se manterem na linha crianças e adolescentes, remetendo a uma certa senhora freira, diretora de um colégio católico, uma freira duríssima, assustadora, grossa por vezes, na tarefa de impor tal bom comportamento, como eu disse recentemente a alguém: Para se aturar criança, é preciso que se tenha um saco enorme, numa prova de paciência. Vemos bois abatidos num matadouro, em carnes circulando pelo Mundo, numa imagem que também podem ser vacas sendo ordenhadas, numa produção massiva de leite, um produto ainda muito desejado pela Humanidade, em eventos como o Festiqueijo, em Carlos Barbosa, RS, com vinhos e queijos à vontade, na divertida imagem de rapazes jovens caídos no chão, bêbados de tanto vinho, nas lições que as ressacas nos ensinam, como em comerciais de cerveja: Aprecie com moderação, pois uma coisa é apreciar o sabor da bebida; outra, injetar álcool irresponsavelmente no sangue. Aqui é como no dia a dia de uma empresa, com casa pessoa exercitando sua função, como em linhas de montagem de carros, um processo longo e complexo, por vezes com robôs, os quais, teoricamente, são perfeitos, mas que podem apresentar falhas, pois são feitos pela errante mão humana, nas imperfeições inevitáveis, no modo como não há tenista perfeito, que sempre acerta, remetendo a um certo senhor, o qual, ao jogar tênis e errar a jogada, atirava com raiva e força a raquete no chão, fazendo esta ficar deformada pelos choques, no modo como a paz é maior do que a raiva, num caminho de controle emocional, como em lutadores profissionais, não deixando a porrada ser levada para o lado pessoal. Vemos em detalhe injeções de sangue vermelho, como no ato de doação de sangue, como uma certa senhora, a qual doa sangue periodicamente, num “Complexo de Madre Tereza”, uma pessoa bem intencionada, é claro, como no ato de doação de órgãos, num ato de amor fraternal, como tudo, tudo mesmo, resume-se a amizade, pois os amigos são o ouro da vida, e Deus quer nos ver amigos uns dos outros, no caminho natural da Eternidade, que é a resolução de desavenças, e tudo acaba se resolvendo, no modo como a raiva não é eterna; apenas a paz é eterna. Vemos funcionários carregando baldes com água, em trabalhos árduos, como gari varrendo ruas, uma pessoa cuja vida é uma vassoura, com mãos calejadas e costas cansadas do labor, no ato deselegante das pessoas de se jogar lixo no chão, deixando tudo a cargo do gari, esta uma pessoa sem a qual a vida em sociedade seria impossível, remetendo às cidades espirituais, metafísicas, as quais são limpíssimas e bem administradas, sem a raiva dos vândalos, os quais querem destruir a Vida em Sociedade. Vemos um homem na base erguendo uma espada, em tal símbolo de poder, agressividade, no princípio fálico, como no falo do Código de Hamurabi, alertando e assustando o cidadão comum: Se você não quer se dar mal, respeite a lei! E a Sociedade tem seus meios para punir o infrator, como dizem que o Presídio Central de Porto Alegre é uma sucursal do Inferno, como cem por cento dos detentos com verminose, remetendo a infelizes em prisão domiciliar, pois posso estar preso num lindo palácio, e ainda assim será uma prisão, na fato de que só damos valor à liberdade quando a perdemos. Vemos uma escadinha para se trepar numa árvore, num caminho de ascensão social, como pessoas querendo ascender socialmente, embarcando em tolos sinais auspiciosos, os quais seduzem o coração e fazem a pessoa sofrer em tais auspícios, como tediosas alas vip de boates.
Acima, Cabeças de Coco nos ciclos selvagens. Aqui é um quadro mais complexo do que de costume na obra de Akira. O azul é a cor do céu, dos sonhos, num industrial ambicioso, construindo um império, como no sucesso de Luiza Trajano, num império de lojas Brasil afora, uma empresária a qual, em sua competência, sabe que é imprescindível a qualidade no atendimento, e, de fato, sentimo-nos muito bem vindos no Magazine Luiza, com vendedores em prol do cliente, querendo ajudar este, e, realmente, quando entramos em lojas da concorrência, não nos sentimos muito bem atendidos, no atendimento que sempre pesa muito. Vemos um curral de vacas, como em currais eleitorais, com pessoas ignorantes, que não sabem que o voto no Brasil é secreto, nas nobres intenções democráticas da urna eleitoral, num momento de igualdade no qual não há cor, sexo, casta social, religião etc., respirando os ares da Revolução Francesa, no auge do paradigma democrático: O presidente é um dos nossos, nosso irmão, o qual elegemos para nos governar por um tempo apenas, derrubando os poderes divinos da sucessão monárquica, no paradoxo inglês: O rei reina, mas não governa! Podemos ouvir aqui a barulheira rotineira dos sons de trabalho, no momento em que a sirene toca e todos estão dispensados de seu trabalho, seja na hora do almoço, seja na hora do fim do expediente, remetendo a uma fase de minha vida, na qual fui workaholic, impedindo a mim mesmo de viver, de ter sábados domingos e feriados de folga, remetendo a um certo senhor, o qual era esforçado e trabalhava, mas um senhor que se dava ao respeito, negando-se ser workaholic, um senhor que acabou deslanchando e obtendo sucesso, na sabedoria popular de que respeito é para quem se dá ao respeito, e o Mundo não vai abonar você por você ser workaholic; o Mundo nada se importa. Vemos um grande funil, como num processamento de alimentos, na luta contra a má alimentação, em trabalhos como o de nutricionistas, num personagem de um filme de Woody Allen, aquele um senhor que estava casado com uma mulher que o fazia comer corretamente, remetendo a grupos de risco cardíaco, como obesos fumantes, no modo como é poderosa a indústria do tabaco no Brasil, com tantos, mas tantos brasileiros que fumam vários cigarros ao dia, quiçá duas carteiras inteiras por dia. Vemos uma esteira, como numa esteira de lixo seletivo, num trabalho minucioso de triagem, numa reciclagem nunca imaginada antes dos anos 1990, na revolução que é a separação do lixo seco do orgânico, no fato: Quando separamos o lixo, damo-nos conta de quanto lixo produzimos! Vemos uma montagem de uma piscina, num símbolo de status social, que é ter uma piscina em casa, como ter um gramado na frente de casa, num “cartão de visitas” da casa, como uma senhora, a qual se deprimiu ao se frustrar com tentativas de dar uma guinada na sua própria vida, construindo para si uma bela piscina, e a depressão é isto, uma grande frustração com a vida, uma pessoa cuja vida foi empobrecendo existencialmente, numa doença que simplesmente nos tira a vontade de viver, num conselho simples: É só tomar um remedinho receitado pelo psiquiatra. Vemos coisas sendo iluminadas, no esclarecimento racional, vendo o Mundo da forma mais fria e racional possível, como astrônomos explicando o Cosmos, longe do homem primitivo, que via divindades nas estrelas da noite no céu, na crença então considerada suprema e insuperável: Os deuses nos regem e nada há superior a eles! Então veio a revolução monoteísta, mostrando que não há deuses, mas nossos irmãos de apuro moral superior, na irresistível hierarquia espiritual: Faço questão de obedecer a meu irmão mais depurado do que eu, ao contrário do caminho do Ser Humano, que é impor tudo a força, violência e grosseria, num Ser Humano que ainda não aprendeu que fino é forte e que grosso é fraco. Vemos alguns vulcões em erupção, nas forças da Natureza, como tempestades de areia, num Ser Humano que se vê obrigado a lidar com tais vicissitudes.
Acima, Cabeças de Coco revivendo a civilização egípcia. Na base vemos deuses, no costume egípcio de unir corpos humanos a cabeças de animais da natureza de tal país, como chacais, escaravelhos, gatos etc., na revolução herege de Aquenáton, abolindo os deuses e transgredindo milênios de arte tradicional egípcia, um rei que foi odiado em seu próprio tempo, apagado de registros oficiais de tal império célebre, na sabedoria de que a verdade é a filha do tempo, fazendo do reinado de Aquenáton um dos momentos mais singulares e interessantes da história de tal civilização, no poder da transgressão, a qual serve para provocar evolução num determinado corpo social. O fundo é quente, caloroso, laranja, rubro como fogo, como nos anos 1960 em Londres, com a juventude de roupas coloridas, psicodélicas, contrastando com uma Londres fria e cinzenta, úmida, com londrinos de rosto pálido, fruto de poucos dias de Sol na urbe inglesa, no poder da juventude, que é trazer revoluções, no modo como precisamos ver mais juventude e transgressão no tapete vermelho das celebridades, como a atitude transgressora de Gaga, uma bomba atômica de atitude, construindo um substancial fã clube ao redor do Mundo, numa imagem de esperança aos que se sentem oprimidos, como na imagem de esperança do Espírito Santo, no glorioso dia de libertação, como disse eu a um querido ente desencarnado: Você está na glória; você está desencarnado; você está livre de todos os problemas relativos ao seu corpo físico. Vemos um camelo bebendo água, nas necessidades de um ser vivo, na condição de ter de haver água para haver Vida, num Ser Humano que ainda pouco sabe sobre o que existe além da Terra, como galáxias longínquas, na frase absurda: Há mais estrelas no Universo do que grãos de areia na Terra! É como é perguntado a Deus no filme Dogma: Por que tudo isso? Por que tão vasto e grande? É na máxima islâmica: Alá é grande! E a intolerância é o caminho do mal, pois as religiões são caminhos diferentes que levam ao mesmo destino, que é Tao, na universalidade do drama humano e da espiritualidade humana, no choque na Europa entre católicos e protestantes, em execuções cruéis, como queimar pessoas vivas em fogueiras, num Ser Humano notadamente cruel como sempre. Vemos uma esteira de montagem, como num divertido episódio do seriado de Lucille Ball, com a comediante tendo de arcar com doces numa veloz esteira de fabricação, tendo que comer bombons para não desperdiçar, no poder do riso, algo tão humano e formidável, no senso de humor de Tao, o grande palhaço, como assistir a uma boa comédia no teatro ou no cinema, com apenas duas diretrizes: Sentar e rir! Vemos aqui o árduo serviço de construção de pirâmides, com operários tão explorados em nome da vaidade de reis, num rei tão duro e inflexível, considerado um deus pelos seus súditos, em túmulos de tanta imponência como as grandes pirâmides, num abismo social tão profundo, na crença espírita de que, ao desencarnar, a pessoa perde os “anéis de poder mundano”, só podendo entrar no Céu se tal pessoa tiver humildade, fazendo do Umbral isso, a dimensão dos que não querem se desapegar do mundano, e o que você diria de um prisioneiro o qual não quer sair da prisão no glorioso dia de soltura? Não é o caminho da loucura? As pirâmides, além de serem uma construção extremamente estável, têm um aspecto abrasivo e agressivo, num expresso aviso na era de ouro de tal império: Não desafie o Egito! E os impérios humanos vão assim, ascendendo e descendendo, com vaidades que sobem e caem, permanecendo a imagem de humildade do Menino Jesus, em sua humilde manjedoura, no caminho da simplicidade, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, na noção taoista do caminho autodidata da Vida: As pessoas têm que aprender por si mesmas o que é simplicidade. No topo, uma porta aberta, uma válvula de escape, uma saída, numa pessoa que quer fugir um pouco e ficar um pouco sozinha, nas necessárias pitadas de solidão que a Vida nos exige ter.
Acima, Escolhas e sanduíches. A tesoura é tal instrumento de barbeiro, nos instrumentos de labor, no siso do labor e da produtividade, numa jornada de trabalho, no sentido da pessoa ser útil ao Mundo, como a senhora minha avó, a qual me mostrava suas velhas mãos e dizia: “Estas mãos foram úteis ao Mundo, pois com elas lavei, passei, cozinhei e costurei!”, no sentido da dignidade, como uma certa psiquiatra, já falecida, a qual levou uma vida produtiva, auxiliando os que tinham problemas espirituais, desencarnando e voltando de cabeça erguida ao Plano Superior, num clima de missão cumprida – parabéns, doutora! O prendedor é tal trabalho de dona de casa, numa árdua vida de Maria, nas palavras de uma certa dona de casa: “Eu me matando para manter esta casa limpa e organizada!”. Aqui é um esclarecimento e um discernimento, no misterioso feminino sendo elucidado pelo claro masculino, como certa vez na imprensa caxiense, apresentando à comunidade as candidatas a rainha da Festa da Uva, exibindo às claras objetos nas bolsas das meninas, como na intimidante Galadriel de Tolkien, estranha, glacial, bela e pura, como uma horrível aranha sendo iluminada, como uma aranha de cristal, longe das figuras idealizadas de fadinhas da Disney, no pedido de Tolkien aos herdeiros: Nunca vender para a Disney os direitos de minha obra, pois a história do anel é sombria, falando da fraqueza do Ser Humano perante tal poder, como um certo senhor embriagado de poder, dizendo energicamente: “Eu sou o chefe!”. Aqui é claro que temos uma organização, como numa faxina colocando uma casa em ordem, na árdua dupla jornada de uma mulher, trabalhando durante o dia e, ao chegar em casa cansada, ainda tem mais serviço dentro de casa, como atualmente no Governo Federal pedir o fim da escala 6 x 1 sem redução salarial, dando mais descanso ao trabalhador brasileiro, pois o trabalho dignifica, mas não pode oprimir o cidadão. Aqui é como num buffet em café da manhã de hotel, com tudo disposto de forma bonita, num buffet rico e colorido, cheio de opções, nessas deliciosas mordomias de hotel, no qual nos sentimos reis, muito bem recebidos, no talento de anfitrião de nos receber, no coração generoso de um anfitrião, como as socialites recebendo convidados, no amargo fato de que festas não marcam época, pois a festa é um breve momento de desligamento, pois, no dia seguinte, a Vida volta em toda a sua seriedade, remetendo a um certo senhor, cujo sonho era ir a tais pomposas festas, com eu tendo o desejo de dizer para tal senhor: “É só uma festa!”. Aqui é um trabalho de análise, como no meu próprio trabalho aqui no blog, analisando obras de Arte, num trabalho científico de análise, ou como numa psicanálise, no paciente confiando no médico e abrindo as porta de sua mente, como no trabalho de decodificar códigos oníricos analisando os sonhos que a pessoa tem de noite, no sentido de que tais sonhos nos dão mensagens existenciais. Vemos um fone de ouvido, na poderosa arte que é a Música, movendo-nos de certa forma, no slogan de uma certa rádio FM: “Conectada com o que move você!”, fazendo da Arte algo tão imprescindível e necessário na Vida em Sociedade, pois Arte é uma questão de saúde mental, no poder do artista em mexer conosco e atiçar nossa inteligência emocional, algo inacessível ao sociopata, cuja inteligência é fria e puramente esquemática, num caminho de total insensibilidade e anti-humanidade, como um certo sociopata, insensível à comoção mundial de um megahit de Whitney Houston. Vemos uma lagartixa, na variedade de Vida na Terra, uma esfera tão rica e única, abrigando o Ser Humano, no modo como, fora da Terra, o Cosmos é hostil. Vemos um formato de pizza, nessa comida que tanto seduziu o Mundo, num dos pratos preferidos do americano, na sedução da culinária italiana, a qual ganhou o Mundo, contrastando com a simples cozinha inglesa. Aqui é como cada objeto tem suas particularidades, no estilo pessoal de cada um, na máxima: Respeite o jeito de cada um. É como numa família de vários filhos, cada um com suas particularidades, mesmo tendo vindo da mesma barriga e criados debaixo do mesmo teto, sob os mesmos valores.
Acima, Faces. Aqui é como um cardume de peixes, com numerosos cardumes fugindo do predador, confundindo este, no instinto de esperteza e de manutenção da espécie, pois os pouco espertos não passam seus próprios genes às próximas gerações, como em pombos urbanos, discretos e suas cores cinzentas, de concreto e asfalto; de urbe. Vemos uma casinha, num refúgio, no lar que tanto nos acolhe, no zelo materno de manter tal casa abastecida e organizada, no “choque térmico” que é sair de casa para se morar sozinho, sentindo muita falta de tais zelos maternos, até chegar ao ponto da pessoa aprender a morar sozinha, no inevitável caminho de emancipação, no modo como não criamos nossos filhos para nos mesmos; criamos nossos filhos para o Mundo, e não para um submundo escuro e fétido, alienado do Senso Comum, um senso imprescindível na vida de uma pessoa, no “choque térmico” que é desgarrar de um vício, pois é muito fácil dizer a um narcodependente que é só parar de se drogar. Vemos uma viçosa abóbora de Halloween, numa celebração tão americana, tão típica dos EUA, num momento em que a pessoa veste uma fantasia para se expressar, como num baile à fantasia, no qual nos expomos ao ridículo, com eu mesmo indo a tal baile fantasiado de faraó, num dos maiores micos de toda a minha vida, no valor da reserva e da discrição, que é ter uma vida nobre e produtiva. Vemos um tronco oco de árvore com a face de um fantasma, ou no famoso Grito de Munch, numa perplexidade e numa comoção, naquelas pessoas que nos deixam perplexos, na figura do bruxo, que é uma pessoa de gigante inteligência emocional, no caminho do bem e da concórdia, ao contrário do homem embriagado de poder, como Saddam, dizendo energicamente aos subalternos: “Não estou pedindo; estou mandando!”, num homem que acabou tão mal, enforcado oficialmente, indo, é claro, para o Umbral, a dimensão dos que não querem deixar o mundano para trás, como um prisioneiro que não quer sair da prisão, no caminho da loucura. Vemos uma chaleira, na delícia de se estar em casa e preparar uma bebida quente, no costume gaúcho, uruguaio e argentino de tomar o chimarrão, na universalidade de tal bebida, como no chá chinês de jasmim, no chá japonês e no chá inglês, num gole quente que traz conforto em um dia londrino de inclemente frio úmido, que penetra nos ossos, na roda de chimarrão, algo complicado para quem tem TOC, pois são todos na roda que colocam a boca na mesma bomba de aço do chimarrão! Vemos um tronco de corpo masculino, no costume de jogadores de Futebol tirando a camisa após terem feito um gol, um ato dispensável, pois do que adianta o jogador ter músculos, mas não ter competência no gramado? Vemos um inseto, nas variedades biológicas, na ironia da cadeia alimentar, que são os herbívoros comendo plantas e os carnívoros comendo os herbívoros, como no grande blockbuster Parque dos Dinossauros, uma comoção mundial, fazendo de Spielberg tal monstro sacrossanto de Hollywood, e a Meca do Cinema é assim mesmo: Uns se tornam gigantes memoráveis que marcam para sempre a história de tal arte; outros, nem tanto. Vemos formas que parecem ser tomadas elétricas, no termo “colocar o dedo na tomada”, que é a pessoa levando um intenso choque de realidade, num impacto, como uma batida de carro, no papel de psicoterapeuta em nos dar tais choques se necessários. Vemos uma forma de OVNI, com anteninhas de alienígena, no contraste do seriadão Arquivo X: Mulder querendo provar a existência de vida alienígena, frente a uma Scully cética e racional, com os pés no chão, no casamento universal entre razão e loucura, como num certo desenho animado de dois ratinhos, sendo um a racionalidade e outro a emoção, como no contraste de casais típicos japoneses, com ele fechado e antipático e ela doce e receptiva, com ela personificando Yin dele e ele personificando o Yang dela, algo inevitável em casais heterossexuais, no ato de se cumprimentar apenas um dos membros do casal – o casal está cumprimentado!
Acima, Futuro primitivo – prateleira. Aqui é ironia de metalinguagem, pois é a arte do pincel de Akira falando da arte da decoração, no bom gosto de se decorar bem um ambiente, no caminho do bom gosto, como uma certa senhora já falecida, decorando por si só a própria casa, fazendo parecer que tal casa veio das páginas de uma revista internacional de decoração, uma senhora que sequer teve que contratar um profissional, num caminho autodidata, no qual a pessoa tem que aprender por si. Aqui temos uma casa organizada e limpa, num lar de fato, nas palavras de um texto de uma comédia teatral com Ney Latorraca: “Que delícia que é casa! Casa é uma delícia!”. Vemos uma planta bem delgada e elegante, altiva, erguendo-se por um lugar ao Sol, como uma pessoa em busca de meios para se expressar, como um certo rapaz em Porto Alegre, o qual era decorador de vitrines, batalhando pela cidade, pedindo permissão para decorar tais vitrines, numa luta constante, nos versos de uma certa canção: “Agora você está em Nova York, selva de concreto onde os sonhos são feitos – nada que você não possa fazer!”. A plumagem da planta remete ao ousado figurino de Cher quando esta foi consagrada no Oscar, nesses artistas que sabem que atitude e estilo são importantes, pois só a voz não garante o estrelato, remetendo a um certa cantora, a qual já lançou vários álbuns, tendo várias chances de deslanchar, mas que sempre acabou fracassando, pois se trata de uma artista com boa voz, mas sem atitude, e Gaga, além de boa voz, tem muita, muita atitude, no caminho da simplicidade da atitude, no famoso vestido de pedaços de carne de Gaga – custo financeiro, zero por cento; atitude, cem por cento, na noção de da Vinci de que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação. Neste quadro vemos muitas plantas, que são a Vida, pois a Vida é o nervo da Arte, nos tambores africanos reproduzindo as batidas do coração, na fluidez do sangue e da seiva, do líquido da Vida. Aqui não é acumulação, mas coleção, pois os objetos são dispostos de forma ordenada e organizada, como num museu, ao contrário da casa de acumulador, um caos insalubre, sujo, confuso e degradante, com pilhas de objetos que vão do chão ao teto, na imagem do Tio Patinhas nadando em seu dinheiro, num acumulador que vê tais objetos como um tesouro, e não como uma doença, como num filme em que DiCaprio interpreta um milionário com TOC, obcecado com higiene, passando horas debaixo da torneira lavando as mãos, ao ponto de gerar feridas nas palmas de tais mãos, num caminho de sofrimento, pedindo urgente tratamento. Aqui remete a uma coleção de objetos de meu falecido cunhado, um homem que viajou por muitos lugares, trazendo para casa tais bens, numa coleção altiva dentro de casa, numa coleção ordenada e bem disposta, longe de casa caótica de acumulador. Num dos objetos, vemos um emaranhado e uma confusão, como numa guerra, com a confusão reinando no caos, com ambos os lados atirando com armas, no caos de uma guerra mundial, marcando e sequelando gerações, como a geração de minha avó, jovem na II Grande Guerra, numa época em que simplesmente não havia clima para realizar a Festa da Uva, a qual só retornou ao calendário caxiense no ano de 1950, remetendo aos alegres filmes com Carmen Miranda, num breve momento em que o público se desligava dos horrores bélicos, numa figura de festa, cor e alegria, com a alegria tropical na política de boa vizinhança entre Brasil e EUA. Na base vemos um túnel, como rochas cortadas, nos trabalhos humanos de se fazerem estradas e vias, como vias aéreas, nas tecnologias que servem ao princípio da preguiça: Por que ficar horas numa viagem de carro se posso fazê-lo em poucos minutos num avião? É como viajar entre Porto Alegre e Florianópolis: seis horas de carro frente a vinte minutos de voo! Aqui é como uma loja decorada, enchendo os olhos do cliente, na capacidade de uma pessoa sem se vender de certo modo, como uma certa popstar, a qual, definitivamente, sabe se vender, num instinto autodidata.
Referências bibliográficas:
CV. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.
Paintings. Disponível em: <www.akiraikezoe.com>. Acesso em: 30 mai. 2026.






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