quarta-feira, 9 de agosto de 2023

P de Paul; P de Primoroso (Parte 2 de 2)

 

 

Falo pela segunda vez sobre o pintor alemão Paul Klee. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Mágica dos peixes. Os peixes são a vida, no modo como é relaxante observar um aquário, em peixes fluindo com calma, suavidade e placidez. Aqui é como um móbile num quarto de criança, encantando a criança, como na odontopediatra com a qual eu consultava, havendo aos olhos da criança brinquedos, talvez com o intuito de tirar da criança o medo de cadeira de dentista, numa dentista que até hoje é minha amiga. As flores são tal beleza, no encanto de uma mulher exuberante, com flores no cabelo, nos encantos femininos, como em colares havaianos de flores, recebendo o visitante turista, no ato de jogar rosas no toureiro ao final triunfante da tourada, na vitória do garbo civilizatório sobre a brutalidade animal do touro, num bichinho pobre coitado, executado aos poucos – será que o touro, após a morte na tourada, é transformado em bifes num restaurante? Acima no quadro vemos uma lua, na magia do luar excitando as marés, num símbolo de mistério e feminilidade, como em A Noite, de Pedro Américo, o quadro majestoso que mostra a deusa noturna jogando estrelas no céu da noite, guiando navegadores, no fino brilho estelar, nesta busca de artistas em se tornar astros, aludindo aos espíritos superiores, nossos irmãos depurados e finos, perfeitos, os quais recebem as ordens diretamente de Deus, num estado de felicidade suprema, no caminho incrível da Eternidade, este presente indelével do mais nobre material, como numa madeira nobre, a qual produz móveis que duram por muito, muito tempo, fazendo metáfora com a Eternidade, num mistério imortal – o que é Deus? Num quadro tão aquoso e líquido, fluidio, vemos algumas linhas retas de pensamento racional, na abreviação de etapas, num resumo, num uso de racionalidade, na menor distância entre dois pontos, na metáfora da águia alto no céu, como num arquiteto planejando, colocando as coisas num plano no papel, num trabalho de supervisão, como num Niemeyer planejando Brasília, claro que contando com o auxílio de muitos assistentes, no equilíbrio assimétrico do Congresso, fugindo da simetria clássica, num homem que, apesar de fumante inveterado, viveu por cem anos – não é engraçado? Os peixes são o alimento, no milagre da multiplicação de Jesus, num reino nobre e farto, como em nações desenvolvidas como o Canadá, com cidadãos gozando de uma grande qualidade de vida, com produtos de qualidade, como na pujança econômica do Chile, que é uma espécie de Suíça latinoamericana, produzindo produtos de alta qualidade – nozes, azeites de oliva, cerejas e vinhos, com tais bebidas chegando às gôndolas brasileiras com preços muito interessantes, na luta do setor vitivinícola brasileiro em abrandar as taxas tributárias, as quais encarecem o vinho brasileiro, fazendo este custar o dobro do que seria sem impostos, indo tudo estourar no bolso do consumidor. Aqui é como o monstrinho Gollum de Tolkien, um ser corrompido totalmente pelo maldito Anel do Poder, num Gollum animalesco, que se alienou da vida em sociedade, num Gollum devorando peixes vivos, recém tirados da água, algo um tanto próximo da encantadora culinária japonesa, no modo como o sushi ganhou o Mundo, na universalidade do estômago humano. Aqui há uma diversidade, uma Babilônia, com peixes de vários tipos e espécies, como numa Caxias do Sul, cidade que abriga imigrantes, como africanos e latinoamericanos, na ironia de ter sido uma cidade que tanto abrigou, no passado, imigrantes italianos, no modo como na Itália pouco de sabe sobre colônias italianas ao redor do Mundo, como no Brasil, Argentina, EUA etc., assim como no Brasil se sabe pouco sobre colônias de brasileiros ao redor do Mundo, como certa vez num programa do chef televisivo Jamie Oliver, o qual preparou uma feijoada para brasileiros residentes em Londres, ao som de muito samba, na universalidade dos tambores africanos, gerando o caldeirão cultural americano como Jazz e Blues, gêneros “primos” um do outro. Aqui os peixes fazem o vaivém, como numa cidade, com pessoas indo e vindo, cuidando de suas vidas, neste convívio com estranhos na Rua, em urbes vibrantes como Nova York, a cidade que cheira a arte e dinheiro.

 


Acima, Morte no jardim. A mulher grávida é como no início do filme O Tempo e o Vento, com a índia grávida prestes a parir, sozinha, nesta magia de miscigenação gaúcha, na junção do índio como branco, no modo como o Brasil é altamente miscigenado, ao contrário dos EUA, país no qual, em geral, negro tem filho com negra e branco tem filho com branca. A barriga é o lar, a segurança do lar, na situação de vulnerabilidade, no modo como hoje mesmo na Rua dei um pão a uma indígena e seus filhos pequenos, pois me corta o coração em ver criancinhas em tal situação degradante, num Mundo tão miserável; num Brasil tão pobre. Os seios lactantes são a fartura de um lar estável, nutrindo muito bem a criança, no modo como uma nutrição pobre atrapalha o devido crescimento da criança, em espíritos que decidiram reencarnar num contexto tão miserável, fazendo com que tal vida traga uma depuração espiritual enorme, no caminho da mortificação espiritual, na qual a pessoa para se apegar a bobagens e futilidades, numa pessoa que parou de “acreditar em Papai Noel”, no modo como uma vida em vulnerabilidade causa tal evolução ao espírito encarnado, sendo este o sentido da vida – aprimoramento, pois uma vida sem percalços não tem sentido, ou seja, verás que filho teu não foge à luta! O útero é a Imaculada Conceição, a qual tem o intuito de nos fazer entender como fomos concebidos por Tao de forma imaculada, fazendo de cada um nós extremamente único e especial, num dia que amanhece e mostra que somos irmãos, príncipes filhos do mesmo Rei Supremo, o qual é imitado pelos reis mundanos, havendo nestes uma função representativa, no paradigma democrático, no qual o presidente é um de nós; nosso irmão; nosso igual. Neste quadro vemos uma casa, que é tal segurança, numa sólida casa de família, num lar bem provido, seguro, como na personagem de Winona Ryder em A Época da Inocência, uma personagem que morreu acreditando que o Mundo era repleto de casas seguras como a dela, numa personagem focada, objetivada, com a meta de casar, constituir família e ser uma sólida matriarca, figura que mantém um clã coeso. Nesta casa vemos uma chaminé, num calor, num consolo num dia frio e úmido, num relacionamento caloroso, num ombro amigo que nos consola, numa comadre atenciosa, à qual confiamos nossos segredos, num caminho de intimidade, até chegar ao ponto em que se pode conversar com tal pessoa por telepatia, fazendo com que esta pessoa nos entenda sem precisarmos proferir uma só palavra. Neste quadro vemos um certo cubismo, com linhas tensas, como num papel sendo desdobrado, como num mistério policial sendo resolvido, como numa certa leitora inteligente de Agatha Christie, uma leitora que sempre podia descobrir o assassino antes de terminar o livro, numa escritora tão capciosa, guiando-nos por pistas falsas e confundindo-nos, num teste de inteligência, numa AC que, paradoxalmente, dizia detestar violência, no termo popular: “Casa de ferreiro, espeto de pau!”. No quadro vemos algumas plantas, como ramos de alecrim, num jardim que é uma mente fértil e criativa, em mentes tão fecundas e laboriosas, continuando falar de AC, lançando livros que buscavam ser únicos, num esforço para respeitar a inteligência do leitor, em fenômenos de popularidade como Paulo Coelho, fazendo sessões de autógrafos no Oriente Médio, num homem cuja inteligência não é respeitada por todos, sinto em dizer, nas palavras de um grande intelectual que conheço: “Como eu gostaria de ser mais burro, porém mais bem sucedido!”, como Donald Trump, o homem truculento cuja inteligência não vai além da esquina, conquistando vários milhões de eleitores. Na porção superior do quadro vemos uma bola, um satélite, um planeta, trazendo pessoas que, em pleno século XXI, creem que o Mundo é plano, no modo como não me canso em dizer: Ignore os ignorantes. Aqui temos um cenário de fragmentação, como num rompimento, numa colônia querendo se separar do colonizador.

 


Acima, Paisagem com aves amarelas. Aqui temos uma riqueza e uma variedade colorida, como numa galeria de personagens, de super-heróis, como na riqueza da galeria de personagens que o genial Chico Anysio construiu, num talento tamanho até o ponto em que se tratavam de personagens únicos, especiais, sem um ser meio parecido com o outro, no privilégio do Brasil ter tido aqui tal mestre comediante, no modo como a Cultura Brasileira é tão rica, mesmo num país economicamente pobre e pouco poderoso. Aqui algas tremulam tais quais bandeiras nacionais, na universalidade das bandeiras, havendo tão lindo minimalismo na bandeira nacional japonesa, no sol rubro nascente em meio às brumas brancas, no disco solar que pode ser uma imagem de Tao, o unificador, como num sol no meio de um sistema solar, mantendo uma família unida, como no meu falecido avô e como no falecido marido de minha falecida ia avó, dois homens patriarcas, que souberam manter a família unida, no fato de que, após o falecimento dos dois, as famílias de uma certa forma se desuniram, não mais passando Natais junta, o que é uma pena. Os pássaros dourados são a riqueza, como numa torcida amarela e dourada do Brasil num torneio, no país do futuro, com ícones como Senna, banhando o Brasil com a cor dourada da vitória, trazendo esperança a um povo tão pobre e desprivilegiado, na construção de heróis nacionais, como numa Gisele, a menina comum de jure que virou princesa de facto, ao contrário de uma certa moça de sangue azul, a qual não deslanchou muito bem. Aqui é uma sexy noite de verão num jardim diversificado, com sons de grilos e outras criaturas, na magia da brisa de verão fazendo farfalharem as folhas das árvores, num som de veludo, suave, relaxante, num processo intermitente de renovação e mudança, em ventos trazendo frentes frias e mudando o tempo, na pessoa que aprendeu a observar o Mundo assim, com as estações climáticas ascendendo e descendendo, num ritmo de tambor, numa aquosa repercussão indo e vindo, como no coito das ondas à beiramar, respirando, vivendo, num poder vibrante e mágico, em figuras de esmagador carisma como Diana, ao contrário de Charles III, o homem poderoso que não tem um pingo de carisma, na sabedoria popular: “Na vida não se pode ter tudo!”. Podemos ouvir o som dos pássaros, num bálsamo aos ouvidos, no modo como me encanta o som do bem-te-vi, nas plácidas ruas arborizadas de Porto Alegre, a cidade que se veste de roxo a cada Primavera, com seus frondosos jacarandás floridos, jogando flores na calçada, em algo que é tão chic, tão poético, tão nobre, nos galhos de árvore brotando como veias e como raios de tempestade, no poder da Vida, a qual é o nervo da Arte, já ouvi dizer. Aqui é um jogo sensual de revela e esconde, como na enigmática luz de luar, uma luz que tanto revela quanto oculta, nos mistérios da feminilidade, ao contrário da credibilidade do Sol Yang, o qual sempre nasce para reger mais uma jornada de trabalho, num homem firme, num homem de palavra, centrado no trabalho, no labor, como no laborioso colono italiano na Serra Gaúcha, no homem forte que só não trabalhava no Domingo porque o padre e a religião não permitiam, no conceito bíblico de que até Deus descansou no sétimo dia. O fundo negro é o mistério, e é o fundo ideal para essas formas coloridas e divertidas, como na Primavera de Botticelli, com as claras figura humanas respaldadas com um fundo enegrecido, no discernimento: Se digo que algo é claro, é porque conheço o oposto, que é escuro, no modo como o discreto ator coadjuvante é fundamental para fazer realçar o protagonista. Aqui vemos a imaginação fértil de Paul Klee, no poder transformador da mente humana, ao contrário de uma certa galeria de Arte, um lugar que ultimamente não tem sediado mostras muito ricas ou fartas, infelizmente, no desafio do artista plástico em fazer o espectador “babar” – deslumbre-me, cidadão! Aqui temos um convívio harmônico, na inclusão social do artista, o qual quer se encontrar existencialmente, no caminho da pessoa em saber qual é o seu lugar no Mundo, como num rapaz que decide ser padre.

 


Acima, Senécio 2. Os olhos desalinhados são a discordância, como duas pessoas discordando, como em embates políticos no Facebook, com o “xiita” direita versus “xiita” esquerda – apesar de eu não me envolver em tais discussões, fico no meio do “fogo cruzado” na rede social, nessa eterna vocação humana para a desarmonia, quando que tudo que deve haver é respeito, como uma professora que tive, cuja opinião aprendi a respeitar, mesmo discordando em alguma coisa, uma professora de minha faculdade de Publicidade e Propaganda, que disse, e concordo: “O que estamos fazendo aqui nesta sala de aula? Estamos formando mão de obra qualificada para o mercado capitalista!”, naquele professor que nos marca para sempre, valendo cada centavo da mensalidade, ao contrário de outros professores não tão brilhantes. Aqui o rosto é todo redondo, como num disco solar, na imagem de Deus como o Sol provedor, num pai provedor, que nada deixa faltar dentro de casa, como meu falecido avô Ibanez, o qual, apesar de não ter morrido rico, nunca deixou algo faltar dentro de casa para os seis filhos e esposa, num homem tão repleto de virtudes, dando-me saudades! O fino pescoço é a fragilidade, uma vulnerabilidade, como num certo morador de Rua de Caxias do Sul, já famoso na cidade, um rapaz que, apesar de alto e bonito, é um total mendigo, andando voluntariamente na Rua de pés descalços, deixando no ar um odor absolutamente fétido, num exemplo do que acontece com aqueles que não querem encarar a luta pela Vida, como me disse um médium espírita: “Deus não quer que nos atiremos nas cordas; Deus quer nos ver lutando”. É o lado viril da Vida, o Yang, o homem centrado que acorda e vai trabalhar, talvez com a responsabilidade de prover uma família. O quadro aqui é colorido, alegre, quente, num acalentador Sol numa tarde de inverno, no termo “lagartear no Sol”, em pequenos prazeres que não custam um só centavo, pois o melhor da Vida é a simplicidade, como curtir um parque da cidade num fim de semana, abrindo uma toalha sobre o gramado para tomar chimarrão, na universalidade das bebidas quentes, que acalentam a garganta, principalmente num dia frio e úmido. Apesar do rosto e olhos aqui serem bem arredondados, temos um certo cubismo tenso, truncado, com peças duras se encaixando, como numa questão sendo esclarecida, na máxima: A verdade é a filha do tempo, ou seja, a verdade vêm à tona, como em filmes que, no momento do lançamento, não fizeram muito sucesso, mas que com o passar dos anos foram adquirindo verniz cult, como Blade Runner, em filmes que, de tão sui generis, impossibilitam um refilmagem, como no insubstituível David Bowie no filme de fantasia Labirinto, um filme que, com o passar das décadas, foi se revelando interessante, em obras carregadas de originalidade, mesmo tendo de início fracassado. A sobrancelha negra é a disciplina, numa sobrancelha delineada, como numa certa política brasileira, a qual precisa urgente de um design de sobrancelha, uma mulher que subestima a necessidade de boa aparência na vida pública, numa mulher sem paciência para se arrumar devidamente; numa mulher que, se arrumada, já poderia ter sido eleita presidente – a aparência é vital na vida pública, como Collor, o qual conseguiu se eleger porque tinha uma aparência impecável, sendo impichado posteriormente, ou seja, uma boa aparência tem que estar respaldada por nobreza de caráter, como uma mulher politizada que conheço, a qual não gosta muito de se arrumar, infelizmente. Os olhos aqui giram como ponteiros de relógio, no privilégio que tenho em ter, do apartamento onde moro, vista para o tradicional relógio do Eberle, no centro de Caxias do Sul, com as badaladas organizando o dia, na hora de professor em sala de aula para mais um dia de luta, nesta categoria que é tão desvalorizada em termos de salário, na máxima do personagem professor Raimundo: “E o salário, ó!”. Aqui a superfície não é perfeita, mas rústica, no modo como o rústico é acolhedor, simples, sem afetações ou frescuras, como reunir convidados de forma calorosa, sem cerimônias.

 


Acima, Sinais em amarelo. Aqui parecem pinturas rupestres, numa simplicidade, no momento em que homem se separou de macaco, no impacto do retângulo erguido no superclássico 2001, como um celular, no modo do Ser Humano entender o aperfeiçoamento técnico, científico, no uso do pensamento racional, num altivo prédio em sonhos de Engenharia, na competição fálica para ver qual é o país que tem o prédio mais alto do Mundo, na fábula da Torre de Babel, como se o Homem quisesse alcançar Deus nos céus, no Homem sendo punido em suas ambições, no colapso da torre, no modo como as construções metafísicas são tão majestosas e incríveis, num plano em que não há as limitações materiais, pois é um plano no qual, por exemplo, não precisa haver rede de esgoto, pois os espíritos desencarnados não defecam, estando livres de necessidades fisiológicas, resultando em cidades espirituais tão limpas e bem administradas, longe da fogueira de vaidades humana, onde o Homem quer poder, sempre poder, em corações sendo devorados pelo Anel do Poder, resultando em homens escravizados por suas própria ambições, como num insano Calígula, com sua alma absolutamente perdida em meio aos poderes do césar romano, até o povo de Roma se dar conta de que rei era louco e totalmente amoral. Aqui temos um certo quadriculado, com peças se encaixando e formando um total, como num ator tendo a paciência para desdobrar um personagem e compreender este, no modo como já ouvi: Ao final de um dia de trabalho, o ator que colocar o personagem num “cabide” e sair do set livre de tal personagem, no discernimento entre ficção e realidade, ao contrário de um certo ator controverso, o qual perde um tanto o discernimento entre real e fictício, tramitando por uma linha tênue e perigosa. Aqui as pinceladas negras trazem um realce, como sobrancelhas sendo delineadas num salão de beleza, no momento de autoestima da mulher em se cuidar, sabendo que idade não é pretexto para parar de se arrumar, no modo como dá gosto de ver uma senhora arrumada, que gosta de si mesma, no modo como uma certa pseudointelectual desdenhava da questão da autoestima, a qual é fundamental, diria qualquer psicoterapeuta. Aqui é como um alegre vitral de igreja, no Sol entrando e iluminando, como no nosso anjo da guarda iluminando nosso caminho, na fé de que cada um de nós é acompanhado por tal amiguinho espiritual, o qual sempre quer nos guiar pelo bom caminho, no modo como até um miserável morador de Rua tem um anjo da guarda, o qual quer sempre convencer a pessoa a sair de tal situação degradante, mas um mendigo que não quer encarar a Vida, não se importando em dormir numa calçada fria, suja e úmida – é uma tristeza. As formas negras aqui formam tal contraste, como numa discordância entre duas pessoas, no esforço diplomático pela paz e pelo diálogo, numa classe de diplomacia e polidez, crendo na universalidade da paz, como em jogos olímpicos, nos quais o Ser Humano revela tal universalidade, num esforço de união, como no feriado de primeiro de janeiro, na letra do U2: “Tudo é quieto no dia de ano novo”. As formas negras aqui são esforços de alfabetização, como a Escrita assinalou o início da civilização, como na escrita americana, ao contrário de tribos indígenas, nas quais a tradição é transmitida oralmente de geração para geração, na universalidade da divisão de tarefas entre homem e mulher: Ele faz o trabalho viril de caça e pesca; ela, o feminino de cuidar dos filhos e fazer coleta na floresta, atividade esta análoga a fazer compras em supermercado, como uma certa indígena yanomami, a qual, ao ir morar na cidade com o marido branco, adorava fazer compras. As formas negras aqui são nomes e graças dados a terras devolutas, como na Colômbia homenageando Colombo e América homenageando Américo Vespúcio. Os quadrados são fotos tiradas por sondas espaciais, dando nomes a terras marcianas, no modo como o Cosmos é tão hostil ao Ser Humano – duvido que um dia o Ser Humano conseguirá colocar os pés neste planeta absolutamente hostil que é Vênus.

 


Acima, Super xadrez. Aqui é como no labirinto do clássico videogame Pac Man, com o personagem comendo coisas pelo labirinto, tendo que fugir de fantasminhas letais, no modo como certas pessoas não gostam de games, achando estes muito angustiantes, havendo aqueles que são viciados em tais atividades digitais. Os quadrados são tais jogos de contrastes, num código binário entre um e zero, ou seja, entra ser e não ser, eis a questão, dizia Shakespeare, no jogo entre Yin e Yang: Quem é essencialmente Yin, tem que partir em busca de seu próprio Yang; que é Yang, o contrário, no modo como, no casal heterossexual, é inevitável que ele personifique o Yang dela e que ela personifique o Yin dele, no hábito de, ao cumprimentar um casal, cumprimentar apenas um dos cônjuges já é o suficiente – o casal está cumprimentado. Neste complexo quadriculado, vemos exceções vermelhas, como numa falha em um sistema, num indivíduo pensando contra a correnteza de paradigma, no trabalho importante de transgressão, a qual traz os ventos renovadores de um novo tempo, como no sopro de renovação renascentista, ou como a transgressão impressionista, num estilo que, de início, era visto como uma piada, e não como uma nova forma de se fazer Arte. Aqui é Neo desafiando o sistema tirano da Matrix, num mártir dando sua vida para salvar a Humanidade, afirmando que não há máquina que seja tão boa quanto o livre arbítrio do espírito, o qual escolhe as vicissitudes que enfrentará na Terra, como num estudante se matriculando em cadeiras numa faculdade, ou seja, tudo o que acontece em nossas vidas é de nossa responsabilidade, não havendo “vítimas” do destino. Discretamente pelo quadro vemos formas como totens de magia, emblemáticos, como brasões aristocráticos de realeza, no brasão imperial britânico, no povo inglês que se revelou tal colonizador, querendo trazer as luzes da civilização ocidental ao Mundo, impactando na Índia, por exemplo, num monarca que reina sobre um terço da Humanidade, numa moça de classe média que aceitou a proposta de casamento de um príncipe, sabendo que nunca teria outra chance de ser uma rainha de fato. Esses totens são como insetos exóticos, na vastidão biológica ao redor da Terra, fazendo de nosso planeta um lugar tão único, nos astrônomos que até hoje buscam sinais de vida fora da Terra, alimentando ficções como em Avatar, com terras mágicas e deslumbrantes, assim como a selvagem e exótica América exerceu fascínio sobre o homem europeu, num Darwin ávido por conhecer e catalogar tais formas de vida, num trabalho descomunal, no absurdo da frase: “Há mais estrelas no Universo do que grãos de areia na Terra”, na “loucura” que seria querer catalogar cada grão de areia que existe no deserto do Saara, sendo assombrosa demais a possibilidade de não haver vida em tal Cosmos infinito. As formas aqui são como no jogo de percepção na obra do genial MC Escher, um mago que nos trouxe uma Arte tão única, num mago que jogou com o olho humano, seduzindo-nos no fato de que tudo traz em si sua própria contradição, no jogo binário entre vazio e cheio, nos carimbos da xilogravura, neste jogo de sedução entre claro e escuro. O quadro é cercado de uma margem roxa, perfumada, numa cor floral, na delicadeza de cores suaves como o lilás, nas cores da lavanda, no hábito luxuoso de se perfumar, o qual é um ato de autoestima, no fascínio que as fragrâncias exercem, ao ponto de pessoas em freeshops de aeroportos furtarem tais itens das lojas, nas palavras de revolucionária Coco Chanel: “Estar perfumado é um luxo, não uma necessidade”, no modo como o incenso indiano ganhou a Europa, no ritual católico de perfumar o templo com tal recurso odorífico, fazendo com que o perfume nos dê uma sensação de extrema limpeza e pureza. Os quadrados aqui têm uma certa aquosidade no conjunto, como nas formas retas dos azulejos sendo “subvertidas” pela água da piscina, na letra de Chico Buarque, dizendo que o home sério, que acorda para ir trabalhar, é hipnotizado pelas curvas da mulher sensual que rebola.

 

Referências bibliográficas:

 

Paul Klee. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 26 jul. 2023.

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

P de Paul; P de primoroso (Parte 1 de 2)

 

 

O pintor alemão Paul Klee (1879 – 1940) legou cerca de dez mil trabalhos e foi também poeta e professor. Foi um abstratista pioneiro, considerado até revolucionário demais e degenerado, na saudável transgressão modernista. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A bela jardineira. No abstrato, cada um vê o que quiser ver, como nuvens no céu ou constelações no espaço. Aqui é como um carro popular, pequeno, no encanto de veículos bem desenhados, em veículos tão gracinhas como o Beatle, remetendo aos áureos tempos do Fusca, quando eu chamei pelo telefone um taxista e este me perguntou: “Tem problema se for Fusca?”. Acima deste veículo, temos uma sondagem, uma vigilância e um controle, como nas rígidas hierarquias militares, diferente da hierarquia espiritual, a qual acontece sem o emprego da força, numa hierarquia irresistível, onde os mais polidos e mais virtuosos regem os menos, ao contrário da hierarquia mundana, onde tudo gira em torno de dinheiro e poder, havendo no rico uma pessoa tão miserável, triste, vazia, que só pode se manter sã se fizer algum tipo de trabalho, no modo como no Plano Metafísico há emprego para todos, num lugar em que é revelado o fato de que, antes ou depois do óbito, deve sempre haver trabalho, pois até Tao está sempre criando, produtivo, usando essa coisa maravilhosa que temos chamada mente, na noção espírita: “Você não imagina a que estado ficam reduzidos espiritualmente os que  são considerados felizes na Terra”. Aqui é um veículo estranho, como um óvni, no imaginário popular de seres de fora da Terra, no episódio em que Orson Welles espalhou no Rádio o alarde falso de uma invasão alienígena, sendo depois desprezado, no modo como os que mentem são desprezados, como na ruína de Bill Clinton, cuja mentira foi cientificamente revelada por um simples teste de DNA – era o esperma dele, numa Monica Lewinsky que não se deu ao respeito, topando ser a fulaninha putinha do presidente, com o perdão do termo chulo, numa mulher que tem que aprender que, se é para ser a segunda colocada, então é melhor ficar sem homem algum. Aqui é como um inseto, nos almejos da nanotecnologia, no esforço humano para se parecer ao máximo com Tao, no fato de que, como Deus faz, o Homem não faz igual, como em seios que passaram por uma mastectomia, substituídos por próteses de silicone, numa cirurgia que, é claro, acerta em cheio a autoestima da Mulher. Acima no quadro temos algo como painéis de controle, no avassalador avanço digital, derrubando as tecnologias analógicas, remetendo à minha infância nos anos 1980, com o televisor de tubo, os canais de TV aberta e o telefone de disco, no advento da inteligência artificial, num robô que pode adivinhar assuntos que interessam você na Internet, na ficção de Matrix, quando a Humanidade se viu escravizada por tal tecnologia, num sistema opressor que suga o cidadão, fazendo metáfora com o sociopata, o vampiro de almas especializado em manipular em inteligência fria e ardilosa, maliciosa, no uso da inteligência para praticar o Mal, no discernimento: Uma faca nas mãos de uma pessoa boa serve para fatiar legumes; em mãos más, serve para assassinar um ser humano, no modo como uma suma inteligência só pode ser benéfica se por respaldada por um bom coração, num sociopata infeliz, que odeia tudo e todos – é um horror. O vermelho aqui é sangue, vida, nos majestosos figurinos de Drácula da Bram Stoker, na longa capa rubra do malévolo conde, um sociopata de vida eterna, infame, maldito, enganando quem quiser ser enganado, ou seja, o sádico em busca de um masoquista, como uma certa vez em uma agência de Propaganda em Porto Alegre, quando as pessoas ali na empresa acreditavam que eu era um palhaço masoquista sem qualquer dignidade, ou seja, mandei eles à merda, com o perdão do termo chulo, pois passei por assédio moral para aprender o que este é – dê-se ao respeito, rapaz! Aqui é como um vírus, no modo como, sempre antes de cumprimentar beijando alguém, pergunto: “Você não está gripada nem resfriada, né?”, pois só um masoquista para gostar de ficar doente. Aqui remete a figuras rupestres, simples, no poder da simplicidade, na época em que as pinturas eram encantamentos para dar boa sorte na caça.

 


Acima, Aventuras de uma jovem. Aqui temos uma grande discrição, como num camaleão com precaução, sabendo que se disfarçar o fará sobreviver na selva da vida, tendo todo um instinto para sobreviver, como numa pessoa que veio do nada e conquistou o Mundo, numa Gisele, a qual dita, há vários anos, suprema estética capilar, com mulheres no globo inteirinho imitando os cabelos ondulados da top, no fato da pessoa sábia, a qual conquista tudo e ninguém percebe. Na base do quadro vemos uma flecha, uma ordem, uma direção, uma injeção precisa, numa grande precisão cirúrgica, na divindade Capa Preta, da Umbanda, a divindade do sucesso no Mundo, numa pessoa de ações precisas, sabendo o que deve fazer para alcançar tal sucesso, como mandar informações a veículos de Imprensa, os famosos “releases” de divulgação, no modo como pode ser de grande serventia uma nota no jornal falando sobre alguém, em bochichos na Imprensa, neste casamento mercadológico entre Arte e Mercado, num Warhol tão pop e famoso, um ícone da Arte, num estilo inconfundível, como nas bolas e círculos de Yayoi Kusama, ou na grandiosidade da dupla Christo e Jeanne-Claude, fazendo que “babemos” perante obras tão expressivas e grandiosas, impossíveis de serem ignoradas, assim como ignoramos um mendigo na Rua – por que tal pessoa vive na Rua, escondendo-se da Vida e da luta? Não diz no hino nacional brasileiro: “Verás que filho teu não foge à luta”? Aqui temos um cubismo aquoso, por assim dizer, com linhas sensuais, liquidiscentes, fluindo, numa energia fluindo entre duas pessoas, numa empatia e num entrosamento, numa afinidade, numa hierarquia que nunca é colocada à força, numa hierarquia fina e irresistível, fazendo com que façamos questão de obedecer aos nossos irmãos mais depurados do que nós, no modo como os astros pop imitam a deidade dos espíritos evoluídos, nossos irmãos que passaram por muitas, muitas encarnações, atingindo a perfeição moral, na vitória da luz e da verdade sobre as trevas do Mal e da grosseria, no discernimento taoista: Fino é forte; grosso é fraco, apesar de parecer o oposto. Aqui é como um aquário cheio de peixes, num cenário plácido e relaxante, com peixes fluindo lentamente, sem arestas tensas, dando-nos a mensagem: Pegue leve, e nunca se estresse demais, como me dizia um ótimo professor em minha faculdade, como outra grande professora dizia aos alunos: “Nunca deixe o fracasso lhe subir à cabeça”, no modo como a pessoa tem que ter uma estrutura psicológica muito forte, pois quem é humilde vai longe; já, os arrogantes não vão longe, como um certo astro pop, o qual não sobreviveu ao próprio sucesso, deixando tudo lhe subir à cabeça, no poder destrutivo do Ego, numa pessoa arrogante que acha que não nasceu para esperar, mas para ser esperada, como numa deselegância premeditada de um artista que, deliberadamente, atrasa-se para pisar no palco, desrespeitando o espectador que comprou o ingresso e que chegou ali pontualmente, no modo como me recusei a ir ao show de uma certa popstar, pois percebi que tudo o que eu faria seria dar dinheiro para tal star comprar joias para sua filha -  eu, fora! Não vou ficar sustentando egos estratosféricos, no modo como é necessário, às vezes, mandar as pessoas tomarem no cu, com o perdão do termo chulo. A mulher aqui está curvada, reverente, sabendo que o Mundo pertence aos humildes, às pessoas que têm os pés no chão, apesar de humildade poder parecer fraqueza, no liso e no áspero, os quais fazem parte do mesmo trabalho – ninguém está por cima o tempo todo, como num Tom Hanks, o qual tem dois Oscar (consecutivos) e, neste ano, estava indicado ao infame deboche da Framboesa de Ouro, fazendo de Hollywood a terra do sucesso e a terra do fracasso. Aqui é como na magia de um colorido vitral, enchendo templos de cor e alegria, como na iluminada catedral de Brasília, longe das sombras de culpa e pecado, numa religião que não entende que a masturbação não é pecado, mas parte do que é natural no Ser Humano, que é a Sexualidade.

 


Acima, Morte e fogo. Temos um sorriso, numa figura caricata, no talento de cartunistas em fazer imagens tão hilárias, fazendo graça da vida pública, num país livre como o Brasil, em que ao cidadão é conferida a liberdade de pensamento. Aqui é como em pinturas rupestres, como na claustrofobia de figuras geométricas indígenas em O Iluminado, num surto psicótico, resultando em assassinato com machadada, na famosa cena dos elevadores do hotel claustrofóbico jorrando rios de sangue, como já soube de pessoas que leram livro de terror, dando ao leitor a sensação de que há alguém escondido em sua casa, nas sábias palavras de orientação de uma certa psicoterapeuta: Pessoas sensíveis demais não podem assistir filmes de terror, no modo como o filme A Bruxa de Blair me deixou todo cagado nas calças de medo, com o perdão do termo chulo, dando-me a sensação de que a bruxa poderia estar atrás de meu sofá – é um horror. Ao topo do quadro vemos um majestoso Sol, numa força africana, no Rei Leão e sua juba de coragem e liderança, na capacidade de certos homens em adquirir tal liderança, conquistando a fé dos homens, em grandes altivos como Obama, o qual, ao ser interrompido em uma declaração à Imprensa na Casa Branca, disse a tal jornalista interruptor: “Ei, você está na minha casa!”. O Sol é o símbolo monoteísta, no modo como Tao não tem face; no modo como a Eternidade sobre a qual podemos falar não é a verdadeira Eternidade, no poder incabível e descomunal que é a Vida Eterna – jamais findarás, irmão! O disco solar é a transgressão religiosa de Aquenáton, o faraó maldito, um homem que, como indivíduo, questionou a tradicional religião politeísta egípcia, varrendo os deuses e dizendo que só há uma divindade, que é Áton, o deus do disco solar, na evolução racional, colocando que não há deuses, mas nossos irmãos depurados e evoluídos, no caminho de depuração que faz com que um sociopata maligno se torne um espírito de luz depois de muitas e muitas encarnações, havendo em Tao a paciência eterna, sempre nos dando uma nova chance de fazer as coisas do modo certo, como na supercomédia O Feitiço do Tempo, com o personagem de Bill Murray acordando sempre no mesmo dia, até fazer tudo certo e conseguir passar de fase, como nas ambições de um aluno aplicado, cujo sonho é gabaritar uma prova de vestibular, no caminho árduo da disciplina, talvez num espírito que, numa encarnação anterior, viveu muito ao léu, sem se centrar. No lado direito vemos uma figura humana, bem estilizada, minimalista, como ver um cinturão de Órion, nas Três Marias alinhadas, como nas grandes pirâmides, na tentativa humana em se aproximar da incrível grandiosidade do Cosmos, o qual está tão além da compreensão humana. Ao topo, vemos uma ranhura tripla, numa marca agressiva, cauterizando a base, como nas garras do agressivo Wolverine, o herói popular, o qual tem muita atitude, longe de ser um herói perfeitinho de Disney, num herói que é dono de si mesmo, não querendo viver na sombra de outra pessoa, no modo como ninguém deveria viver na sombra de outra pessoa, pois ser apenas dona de casa não vai dizer à mulher quem esta é. A figura aqui é pálida, como na palidez do povo inglês, vivendo num país tão cinzento e úmido, sem o forte Sol tropical, como no termo “cara pálida”, com o qual os indígenas americanos se referiam ao homem europeu que aportava em terras selvagens americanas, num choque entre civilizações, resultando em destruição e genocídio, quiçá escravidão, tudo em nome da ambição humana, num Putin que não está feliz e satisfeito dentro de seu próprio território, nas vaidades imperialistas que ascendem e descendem todos os dias, havendo a permanência de Cristo, o Príncipe da Paz, nas palavras de esperança de um mundo melhor que nos espera após a dolorida vida na Terra. O quadro aqui tem uma candura infantil de Basquiat, remetendo a uma fase da vida em que a pessoa se contenta com pouco, longe do rol de exigências e critérios da pessoa adulta.

 


Acima, Quadrados em ritmo ternário. Aqui é a bandeirada da vitória na Fórmula 1, em ícones como Senna, na famosa musiquinha da vitória, como numa vitória em Copa do Mundo, dando ao povo brasileiro o gosto do êxito, num Brasil tão pobre, tão fraco economicamente no Mundo, num cidadão brasileiro o qual, ao querer viajar aos EUA, tem que “implorar” por um visto num consulado, ao contrário do cidadão de um país poderoso. A corrida é tal tensão, numa disputa acirrada, nos campeonatos que mostram quem é o melhor, como num concurso de beleza, numa competição tão canibalesca, na qual uma quer devorar as tripas da outra, como uma amiga minha, a qual conquistou um título de beleza internacional, tendo Caxias do Sul aos seus pés, havendo nesta moça uma representante local do estrelato internacional, como se fosse uma hierarquia, como num senhor cinéfilo que conheço, o qual dizia que mal se importava com as estrelas nacionais no Festival de Cinema de Gramado, um senhor que, ao chegar na porta do Palácio dos Festivais, ficou absolutamente seduzido e hipnotizado, como cachorro vendo frangos girando em fornos de padaria, havendo, ali em Gramado, representantes brasileiros do estrelado mundial, como uma embaixatriz da Festa da Uva age em nome da rainha, estando abaixo desta na hierarquia. O fundo aqui é terroso, como numa adega de chão de terra, no sangue do vinho, que é o sangue da terra, o sangue de Jesus, no momento mágico da missa em que o vinho se torna o sangue Dele, nas palavras de Adriana Calcagnoto nos convidando a apreciar a obra de Caetano Velloso: “Vamos comer Caetano. Degluti-lo. Mastigá-lo”. São os estágios primitivos de tribos brasileiras, no hábito do canibalismo, na evolução do homem civilizado, o qual rejeita comer carne humana, no caminho evolutivo do espírito, resultando num homem nobre, de bem, que é visto, amado e respeitado, num homem que representa Tao aqui na Terra, numa pessoa que sabe que representa algo de bom e nobre, na altivez e na dignidade das famílias de realeza, dando-nos o recado de que somos todos príncipes especiais, filhos do mesmo Rei Supremo, o qual nos criou com perfeição, de maneira imaculada, havendo na metáfora da Imaculada Conceição, fazendo de cada um de nós um ser de luz, beleza e bondade, havendo no Umbral a perda de tal noção, numa dimensão de sofrimento e vulgaridade grossa e obtusa. O xadrez aqui tenta trazer tal contraste, no jogo de opostos num calçadão à beiramar, nas ondas sensuais da Garota de Ipanema, respirando com o vaivém das ondas que beijam a areia, na cosmogonia de Céu e Terra fazendo amor, gerando o Cosmos, na junção de opostos que unem o Universo. Aqui, a luz luta para passar, na magia de uma casa preenchida pela luz da manhã, num café da manhã em meio a tais cores douradas, fazendo com que iniciemos o dia muito bem, na refeição mais importante do dia, num café da manhã de hotel que faz com que comamos como reis, sentindo o olor de café quando entramos no refeitório para comer. Os quadrados pretos são um bloqueio, numa pessoa que aprendeu a dizer não, no modo como não posso deixar que o Mundo me diga como devo viver, como um amigo meu, o qual abandonou um curso universitário para ingressar em outro, libertando-se das expectativas de outrem – liberte-se, rapaz! Aqui é um jogo de encaixe, como num romance policial revelando o assassino. Aqui é como um brinquedo do cubo mágico, num desafio que quebra a cabeça do jogador, em mentes tão brilhantes, as quais, em poucos segundos, resolvem o enigma, no modo como a Vida vai exigindo que sejamos autodidatas, pois cada um tem que aprender Tao por si mesmo. Aqui são como janelas sendo abertas, deixando o esclarecimento entrar, numa pessoa que tem a noção científica de que Homossexualidade não é doença, numa pessoa que, para se formar em Psicologia, viu-se obrigada a encarar com naturalidade tal inclinação sexual. Aqui é como se os quadrados estivessem correndo horizontalmente, no correcorre de uma vida atribulada, no momento glorioso do happy hour, no relaxamento de um drinque – a vida não é só labor.

 


Acima, Rosas heróicas. Aqui remete a uma febre estilística no início dos anos 1990, quando houve uma nostalgia dos anos 1960, na temática Flower Power, ou seja, o poder das flores, em booms como a banda Deee-Lite – isto mesmo, com três letras e. Foi um momento de grande sinergia, como na influência funk sobre as percussões, contrastando com as baterias “duras” dos anos 1980. Aqui temos um redemoinho, como na face do CD daquela banda, numa arte divertida, sinuosa, psicodélica, cultuando ícones como James Brown, cuja imagem aparece no fim de um famoso clipe do Deee-Lite, neste caldeirão afro na música americana, como nos tambores de samba no Brasil, com toda uma matiz africana, na sorte desses dois países em terem tido negros na formação de sua história. Aqui temos um mármore líquido, como nas formas sinuosas de Júpiter, nesse aspecto de “mármore vivo”, mole, que flui, como nos mármores ao fundo da Pietà no Vaticano, na fluidez cósmica da mater dolorosa, Maria, triste, nas forças que regem o Universo, com tudo fluindo, no conceito dialético de que tudo é processo, na impossibilidade de prevermos a Eternidade, a qual é um enigma, num Ser Humano que ainda não entende a Eternidade, este presente inestimável que nos é dado por Tao, o infinito, no conceito espírita: Deus é o infinito. Aqui são redemoinhos de frentes frias, polares, esfriando países e territórios, nos efeitos do El Niño e La Niña, varrendo territórios e trazendo umidade e ventos, em ciclones como os que afetaram recentemente o Rio Grande do Sul, nas intempéries e nas vicissitudes da Dimensão Material, a qual é assim mesmo, imperfeita, cujas imperfeições fazem com que cresçamos muito como pessoas, como espíritos de luz, como pessoas boas e nobres, no modo como não há segredos no sentido da Vida – o sentido da Vida é crescimento e aprimoramento, quando morremos pessoas melhores das quais quando nascemos, numa pessoa se dando conta de como era fútil, alienada e centrada no próprio umbigo, como num Oscar Schindler playboyzinho que cresceu a acabou se compadecendo com os problemas do Mundo, neste grande filme que tanta comoção causou, no fato: Se você quiser obter sucesso em Hollywood, não mexa com os judeus, como no modo como Mel Gibson, anteriormente no topo da cadeia alimentar holywoodiana, “enterrou-se” com o controverso filme sobre Jesus, no qual os judeus são responsáveis pela crucificação do Cristo filho de Deus, nessas tensões religiosas como nos extremistas xiitas, em júbilo ao verem o WTC desabar, nas sábias palavras de Obama: “Você será lembrado pelo que você construiu; não pelo que você destruiu”. Aqui são essas divertidas pinturas rupestres de Klee, simples, acolhedoras, no modo como o rústico é acolhedor, simples, sem afetações ou presunções, na sabedoria de da Vinci, o qual disse que a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, em personalidades como Jackie O., caminhando sozinha pelas ruas de Nova York, simples, elegante, impecável, como recentemente vi na Rua duas mulheres muito elegantes, no caminho da autoestima, numa pessoa que se arruma antes de sair de casa, num estilo e numa classe que vêm de dentro: Quando você tem estilo, você pode se vestir com roupas baratas e estar muito bem; quando você não tem estilo, você tem que ser escravo de grifes pretensiosas, como numa certa rede, cujo nome não mencionarei, uma grife absolutamente pretensiosa, com vendedores que se acham príncipes superiores e apolíneos, os quais são, na verdade, proletários que têm pegar o ônibus para chegar no serviço – não aceite que subestimem sua inteligência. Aqui temos uma alegria cromática de cristal desdobrando a luz branca, na magia de objetos brilhantes, coruscantes, glamorosos, nas elegantes salas metafísicas, com visitas bonitas e agradáveis, espíritos de luz, no modo como cada sociopata tem um futuro brilhante pela frente, passando por muitas encarnações e tornando-se um espírito nobre e iluminado, amoroso, fino. Aqui é como um labirinto visto de cima, numa pessoa perdia que tem que se encontrar na Vida, adquirindo norte.

 


Acima, Um motivo de Hamamet. Aqui temos uma rasura, um erro, uma correção, na cor vermelha da caneta de professor, alertando o aluno sobre o erro, como uma grande professora que tive, a qual, ao decorrer das décadas de serviço docente, adquiriu todo um tato e toda uma expertise para se relacionar com o aluno, no modo como há em nossas vidas dois tipos de professores – os inesquecíveis e os esquecíveis, pois não é todo e qualquer professor que vale cada centavo da mensalidade, no modo como professor bom é o professor exigente, que “tortura” o aluno. Aqui é como um alegre vitral de igreja, no boom dos templos góticos, a fase logo antes do Renascimento, no momento em que a Europa das navegações encontrou estilo no legado da Antiguidade, misturando arte sacra com arte pagã, por assim dizer, fazendo renascer as Vênus de Botticelli, num sopro primaveril de frescor e renovação, de beleza cristalina, clara, apolínea. Aqui é como uma tapeçaria, no resultado do labor da mão humana, da mão do artesão, no poder transformador da mente artística, associando objetos dissociados e produzindo algo novo, como numa obra de Arte que vi certa vez, que era uma faca com um pequeno buraco na lâmina, e ao redor da lâmina, trancado, um cadeado com a chave jogada fora, como no solene momento do enlace no púlpito, na máxima que gerou o racha entre Henrique VII e o Vaticano – o que Deus uniu o Homem não desune! Foi o colapso da supremacia do Vaticano, como hoje em dia no Brasil, com a Igreja Universal do Reino de Deus “roubando” fiéis católicos, na suntuosidade do templo da Igreja Universal em São Paulo, na vantagem de que organizações religiosas não pagam impostos, no modo como pode haver pessoas mundanas e de curto apuro moral, querendo enganar e arrancar dinheiro de pessoas ignorantes – é um horror. Aqui é como uma colcha de retalhos, alegre, diversificada, no hábito de não se jogar retalhos fora, aproveitando os restos e produzindo algo novo, no paciente trabalho de costureira, costurando por horas a fio, na paciência de se colocar o fio no estreito vão da agulha, na felicidade de mãos que se sentem úteis ao Mundo, no vazio que é a vida de uma pessoa improdutiva, como já ouvi: Nada mais trabalhoso do que não trabalhar! Aqui é como uma onda, um tsunami, uma moda que vem vindo de modo avassalador, como na moda dos anos 1980, com os cabelos arrepiados, como um choque na tomada elétrica, gerando a gíria “chocante”, nas modas que acendem e descendem como ondas respirando na orla, indo e vindo, respirando em vida, no novo que sempre vem. Aqui é como uma superfície limpa com uma esponja muito abrasiva, um Bombril, numa dona de casa viril, esfregando com vontade o chão, numa mulher que encara a lida diária, dividindo as tarefas com o marido, havendo neste a incumbência de trazer dinheiro para dentro de casa, no modo como o casamento é uma conveniência, numa divisão de tarefas, talvez num casamento que deixou de ser romântico, com o sexo se tornando frio e mecânico, numa mulher que resolve se separar, talvez num marido príncipe que se tornou sapo, desiludindo a mulher, a qual achava que as coisas seriam diferentes. Aqui é observar o Mundo por meio de um vidro opaco, numa pessoa que ser a mais realista possível, na metáfora de uma janela sendo limpa – a Filosofia não muda o Mundo, mas muda o modo do filósofo de ver tal Mundo, pois nem a suprema majestade de Jesus Cristo soube resolver os problemas do Mundo, o qual continuou tudo a mesma merda, com o perdão do termo chulo, e isso é um pensamento encorajador, na imutabilidade do Mundo. Aqui é como um quadrado subvertido, borrado, como chuva lavando telhados, como em tragédias que destroem telhados de casas, no momento em que ser humano precisa da ajuda de ser humano, no modo como certas vezes dependi da caridade de pessoas compreensivas e corteses. Aqui temos uma indefinição, numa interrogação, numa forma confusa, embaralhada, num mistério de romance policial sendo desdobrado e descoberto, como num ator desdobrando o personagem, encarnando neste.

 

Referências bibliográficas:

 

Paul Klee. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 26 jul. 2023.