quarta-feira, 9 de julho de 2025

aBSurdamente talentoso (Parte 4 de 10)

 

 

Falo pela quarta vez sobre o pintor italiano Bernardo Strozzi. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Adoração dos pastores. O protagonismo aqui é de Maria, e não do Menino Deus, nesta gigantesca paixão de Strozzi por cenas sacras, conquistando o respeito do Vaticano, num Vaticano que entrou em atrito com Galileu Galilei, obrigando este a dizer que é o Sol quem gira em torno da Terra, e não o contrário, na dissociação da Ciência, no modo como o Espiritismo é amigo da Ciência, no desenvolvimento do pensamento racional, detectando a malícia sem sentido do sociopata, uma pessoa cujas ações analisadas não mostram lógica. Maria aqui está no topo da hierarquia, zelando pelo Filho de Deus, numa enorme responsabilidade de mãe, na sabedoria popular de que ser mãe é padecer no paraíso, havendo uma certa sociopata que matou a própria mãe, numa imensurável ingratidão, no modo como devemos ter eterna gratidão por esta pessoa que nos carregou na barriga, nos amamentou com o leite materno, tocou nossas fraldas e nos cercou de zelos como tomar vacinas ou levar a criança ao odontopediatra, como num filme em que Judy Dench interpretou uma rainha a qual afirmava que não toleraria qualquer desrespeito da parte do filho. O Menino está em lençóis confortáveis, longe da rude e pobre manjedoura, numa cena de simplicidade, como num rei simples, tomando o mesmo café comum que os súditos tomam, pois um rei que se afasta de seu próprio povo deixa de ser líder, como na deposição de Romanov na Revolução Comunista, um rei que passou a pouco se importar com o povo, no discernimento taoista de que se o rei se opõe ao povo, este depõe o rei, como um certo senhor presidente, amargando uma alta rejeição em pesquisas de opinião, remetendo a grandes homens como Obama, um rei em seu próprio modo, ou como no querido e inesquecível Papa Francisco, um homem simples e clemente, um reformista formidável, num legado inapagável, não podendo ser ignorado pelos papas seguintes, ao contrário de outro certo senhor, um homem do qual eu não gostava, um senhor cheio de teias de aranha na cabeça, num retrógrado inclemente, ignorando o legado de Jesus, que pregava o respeito mútuo. O anjinho aqui é o zelo, no nosso fiel anjo da guarda, na noção espírita de que ninguém na Terra está sozinho. Aqui é uma cena num mundo de homens, com os homens adorando Jesus, no divertido filem Dogma, no qual Deus era uma mulher, interpretada pela grande roqueira Alanis Morissette, em ações antipatriarcado, como na coragem da feminista de ir contra os poderosos ventos patriarcais, numa força de elite intelectual, sempre pensando acima de mediocridades ou burrices, como num certo professor que tive em Porto Alegre, um célebre senhor de esmagadora inteligência, o qual só respeitava poucos de seus alunos, e quando um destes falava na aula, o mestre dizia aos demais alunos: “Calem a boca! A elite vai falar!”, remetendo a pessoas deprimidas, com baixa autoestima, mesmo sendo pessoa de grandes dotes intelectuais, pessoas capazes de dizer: “Como eu gostaria de ser mais burro, porém mais bem sucedido”. A ave morta é a lida do dia, a luta pelo pão de cada dia, remetendo a esses miseráveis catadores de luxo seco, pessoas pobres que não sabem se terão, ao fim do dia, um pedaço de pão no estômago, num espírito corajoso, que decidiu reencarnar em tal contexto sofrido, crescendo, assim, enormemente como espírito, no caminho da mortificação, no ponto da pessoa parar de pensar em bobagens e futilidades, como me disse uma certa médium espírita: “Estou aqui para falar de coisas sérias e não de bobagens fúteis, estas do tipo se você vai ter um namorado!”, como no personagem Oscar Schindler, um playboyzinho fútil que acaba por se compadecer com o sofrimento do Mundo. A aureola de Maria é a iluminação da mente, não do coração, pois o coração é traiçoeiro, e sempre vai acabar por nos enganar, como me disse uma certa psiquiatra: “Segure o coração; não ouça coração!”, no trabalho de psicoterapeuta em nos mostrar o Mundo e a Vida da forma mais fria possível, sem as paixões sofridas, nas palavras de Aristóteles: “A Lei é a razão livre de paixão!”. As delicadas mãos de Maria são a dignidade de uma pessoa que produz e colabora ao Mundo, como esta mesma psiquiatra de que falei, já desencarnada, uma mulher que levou uma vida nobre e produtiva, voltando de cabeça erguida ao Lar acima de nós encarnados – missão cumprida!

 


Acima, Agar e anjo. O jarro é o receptáculo feminino, como no jarro de Galadriel, num espelho que é o símbolo de feminilidade, na vaidade humana, em pessoas capazes de “loucuras” em nome da beleza, como numa Maria Callas, a qual contraiu intencionalmente verminose para, assim, perder peso, como na febre Botox, um recurso que não dá ao rosto um aspecto natural, nas palavras de uma personagem de Meryl Streep: “As pessoas que fazem cirurgia plástica ficam piores do que eram antes da cirurgia!”, como na plástica nas pálpebras de Renée Zellweger, deixando-a desfigurada, irreconhecível, na eterna busca humana por beleza, desde a Antiguidade Clássica, nas buscas gregas pela beleza dos deuses, remetendo aos “ratões” de academia, fazendo da malhação algo tão enfadonho, que pouco exige de nossa cabeça, no modo como a juventude perfeita é uma invenção de velhos. O jarro aqui é cuidadosamente ornado, como em trabalho de artesanato indígena, no ponto decisivo de sermos Homo sapiens, fazendo da Arte algo civilizatório, que nos faz humanos – os macacos não pintam jarros de cerâmica. A asa do anjo é a liberdade racional, numa pessoa que aprendeu que não pode se deixar guiar somente pelo coração, tendo que ouvir à razão fria, na beleza fria dos números, na lógica que é Tao, a lógica, o caminho racional e natural, na eterna ironia de que haverá números primos por toda a eternidade dos números, na noção espírita de que Deus é o infinito, no mistério infinito, no imensurável poder da Vida Eterna, inconcebível, inimaginável, grande demais para a pequena mente humana – jamais findaremos, meu irmão! Que venha a beleza imortal da Terra da Estrela da Manhã! Aqui temos o clássico jogo barroco de claro e escuro. Agar é alva, e o anjo também, em contraste com o fundo negro, superando os moldes renascentistas de Arte, no modo como o novo sempre vem, nas vogues, nas ondas, como na revolução da chegada do som ao Cinema, fazendo este deixar de ser uma mera distração para ser de fato Arte, na voz de Elis “É você quem é mal passado e quem não vê que o novo sempre vem!”. O anjo aqui é um conselheiro, sempre primando para que transitemos pela via boa, pelo caminho de luz, como no passe no centro espírita, dando-nos um “banho de luz”, renovando-nos e libertando nossa mente, num trabalho de desobsessão, como uma certa senhora, a qual ficou muito impressionada numa sessão mediúnica num centro, num espírito que estava obcecado em acompanhar a família de tal senhora, sendo este espírito obcecado recebendo as palavras sábias do médium: “Você não pode ficar assim; você tem que seguir seu caminho e libertar-se!”. Nem sempre a pessoa ouve o anjo da guarda, e quando um anjo se cansa e se frustra, imediatamente outro anjo é escalado para fazer a guarda, no caminho da fraternidade e do amor incondicional, como uma querida amiga que tenho, já desencarnada, visto que, na Terra, nunca fomos à casa um do outro, e a tenho como amigona, sempre pedindo a ela que abençoe meu dia na Terra, uma pessoa que de fato reencontrarei alegremente lá em cima, sendo só uma questão de tempo. O rosto corado do anjo é a saúde, numa saúde espiritual, como na saúde de se fazer Psicoterapia, na saúde mental do terapeuta tendo tal papel de guia, de anjo da guarda, num amigo que não quer nos enganar, como uma grande amiga minha portoalegrense, um espírito caridoso que me incentivou a parar de idealizar um passado que não foi tão ideal assim. O jarro é a Vida, a água imprescindível, no modo humano de só imaginar vida onde haja oxigênio e água, num Universo tão pornograficamente grande, inesgotável, infinito, com mais estrelas no Cosmos do que grãos de areia na Terra - já seria um absurdo dizer que há tantas estrelas no Universo quanto grãos de areia no deserto do Saara! Agar aqui toma consciência de algo, como uma pessoa que percebe que sua própria vida está passando, arregaçando as mangas e fazendo algo de nobre de seus dias na Terra.

 


Acima, Alegoria da Matemática. As barbas brancas são a sabedoria, na imagem que temos de Deus – a de um patriarca. Como na famosa cena de Michelangelo com Deus quase tocando em Adão, talvez numa catarse de um artista com toda uma sensação de melancolia. É como no amor espiritual, nada tendo a ver com a matéria, como numa ligação telefônica – pura espiritualidade. O compasso é a lei fria dos números, numa beleza glacial, como numa água fria, mas que limpa, ou como num remédio amargo, o qual surte doces efeitos, como numa internação psiquiátrica, humilhante, incômoda, mas recompensadora, na sabedoria de uma certa psicoterapeuta, a qual me disse que as crises são positivas, pois estas assinalam um momento de renovação e de guinada na vida de uma pessoa, no sentido da pessoa ter a força para superar tais obstáculos, em palavras sábias que já  ouvi: “Dos fracos, a história nada conta!”. Acima, temos um diabrete, numa face de malícia, contra a razão fria da Matemática. O diabrete é o sociopata, uma pessoa aparentemente sã, com inteligência brilhante, porém uma inteligência puramente esquemática, longe da sabedoria de pessoas de apuro moral. A moça é pura e casta, nos preconceitos do patriarcado, na noiva de branco, pura e casta, entregue virgem ao marido no templo, tendo o homem já iniciado sua vida sexual em prostíbulos, no preconceito de dividir as mulheres entre santas e putinhas, com o perdão do termo chulo, no caminho de libertação feminista, nem santa nem diaba, mas pessoa, na imagem feminista da Mulher Maravilha, a mulher com superforça que dá uma surra em qualquer misógino machista. A careca do senhor é a passagem do tempo, no inevitável envelhecimento, o qual não deixa de ser engraçado, como eu mesmo, já com cabelos e barba com grisalhos, mas numa idade em que somos jovens ainda, como no Aragorn de Tolkien, um homem no auge da virilidade e na flor da idade, com 47 anos de idade, como me disse certa vez uma professora de Cinema, dizendo que os filmes de James Bond trouxeram uma certa revolução, pois se tratava de um homem de meia idade, mas no auge da virilidade, na combinação de Bond: Agressivo e de sangue frio, mas galante e sofisticado, numa sofisticação londrina cosmopolita, no modo como a monarca Elizabeth II não perdia uma só première dos filmes de Bond, remetendo ao Bond, que é a combinação entre agressividade e charme, remetendo a Bonds tão charmosos, de sofisticação cosmopolita. A moça nos olha como uma Monalisa, neste quadro que é a maior obra de Arte de todos os tempos, a grande estrela do Louvre, na decepção de se deparar com um quadro tão pequenino, na prova de que tamanho não é documento, pois se tamanho fosse documento, um certo senhor que conheci, um homem de alta estatura, seria um paladino baluarte, na busca do Mundo da Moda por modelos de alta estatura, na termo “sua alteza real”, na busca por ser o dono do Mundo, na sedução do Anel do Poder, corrompendo o mais nobre dos homens, numa obra sombria como a de Tolkien, longe de fadinhas boas da Disney e de personagens idealizados, de perfeição benéfica, no pedido de Tolkien aos herdeiros – não vender os direitos de Tolkien à Disney! A moça está mortificada, blindada a pensar em bobagens, na razão dos números, na forma mais racional possível, na importância da Matemática, que é desenvolver nosso raciocínio lógico, no paradoxo do sociopata, um sociopata de uma inteligência fria, mas um sociopata cujas ações doentes são detectadas pela mesma razão fria, ou seja, por trás de uma fria razão, tem que haver um bom coração; um coração de apuro moral, no termo “loucura sã”, que define o sociopata – aparentemente normal, mas, no frigir dos ovos, doente. Aqui, o diabrete veste uma máscara de pureza, no lobo disfarçado de cordeiro, numa espécie de vida dupla, no sociopata que vê que o Mundo reprova tal desapuro moral, com desenhos animados de super heróis, sempre mostrando à criança que o caminho do bem é o melhor, sempre, na vitória do bem sobre o mal, nos versos de uma famosa ópera: “A Aurora venceu!”.

 


Acima, Alegoria da Pintura. Aqui é ironia de metalinguagem, pois é a pintura de Strozzi falando da pintura dentro do quadro. Os seis aqui, praticamente desnudos, explodem em exuberância, em fartura, num lar farto, num país farto, como no imigrante italiano na Serra Gaúcha, sonhando com uma mesa farta de galeteria, com muita comida, numa mesa de rei, na memória divertida que tenho de uma moça italiana numa galeteria, embasbacada com tal fartura, nela dizendo: “Quanta comida! Como vocês comem!”. Aqui é uma identidade feminina, num mundo de homens, no passado da Inglaterra, no qual só homens podiam frequentar os tradicionais colleges, os quais eram regularmente visitados por Elizabeth I, uma das maiores estadistas da História, na ironia de que era uma regente mulher, numa Inglaterra de homens, em figuras como Evita, obtendo tanto poder numa Argentina de homens, nessas mulheres viris, fortes, remetendo a certas senhoras da política brasileira, as quais não se arrumam muito, crendo que, se arrumarem-se, serão tidas como peruas e não serão levadas a sério, quando é bem pelo contrário, evocando novamente aqui Elizabeth I, a qual levava muito a sério o se arrumar na hora de ir a público, conquistando a corte e o povo inglês em geral, remetendo a um certo senhor sociopata, o qual se elegeu por ter uma aparência acima de qualquer suspeita, sendo deposto depois, numa máscara caindo, nessa capacidade do sociopata em manipular as pessoas, numa carência enorme de apuro moral, obtendo poder pelo poder, e não por ter propostas concretas. Os seios fartos são as amas de leite negras no Brasil Colônia e Império, amamentando os bebês dos brancos ricos, em novelas contundentes como Sinhá Moça, em manifestos sociais, mostrando os horrores da Escravatura, em escravos sendo jogados em senzalas tais quais cachorros em canis, tudo em nome das ambições dos barões do café, no Anel do Poder, na noção da trilogia majestosa Matrix: “Os que homens poderosos querem? Mais poder!”. É uma sede insaciável, num Alexandre querendo ser rei do Mundo, nos versos de uma canção de Tears for Fears: “Todo mundo quer mandar no Mundo!”. Aqui é o estilo barroco entre claro e escuro, longe da iluminação apolínea renascentista, nos novos movimentos que sempre vêm, como na formidável transgressão modernista, resultando nos dias de hoje, quando a Arte é absolutamente livre, muito livre, sem limites para a criatividade dos artistas. Os seios remetem à França pouco antes da Revolução Francesa, com mulheres da corte em seus decotes ousados, com seios fartos, em vestidos tão suntuosos, em contraste com a plebeia francesa, nas recomendações de Costanza Pascolato às mulheres, dizendo para estas ousarem no decote: “Mostre que você tem vida em dobro!”. É na famosa fotografia em que Sophia Loren, num decote sensual, mas decente, olha em profunda reprovação para o decote ousadíssimo de Jane Mansfield. Os seios aqui são a ambição de muitas mulheres siliconadas, remetendo a Janet Jackson certa vez, mostrando um de seus seios em público, apelando, é claro, ou como no controverso livro Sex, da monstruosamente estelar Madonna, com fotos picantes, numa mulher querendo mostrar o corpo nu, nas palavras de um certo senhor: “É a uma decorrência natural na pessoa que tem corpão querer mostrar tal corpão”, por que de que adianta fulaninho ter se fulaninho não pode mostrar, mostrando o resultado de seu esforço em espartanas rotinas de exercícios em academias? Remete a um certo senhor, o qual passa os dias de sua vida dentro de uma academia. A moça enrubescida olha para o alto, como se estivesse buscando por inspiração, num sonho de artista em ser uma estrela no céu, guiando os sonhos e as percepções do Mundo, tornando-se tal referência, numa estrela sem gênero, simplesmente uma estrela, vibrando pujantemente no céu, remetendo ao famoso poema Ouvir Estrelas, em astros tão amados pelo Mundo, em carismas avassaladores – apenas beleza não garante o estrelato, pois a pessoa tem que ter um algo a mais; um indefinível Tao. Os seios são a Vida, a fartura, numa imaginação de gênio artístico.

 


Acima, Alexandre, o Grande, restaurando o trono usurpado por Abdolomino. A coroa é o tão cobiçado poder, numa pessoa que se torna o cidadão mais importante de um reino. É o termo “capital”, em algo de suma importância, como num passe num centro espírita, num banho de luz metafísica, em torno do que importa, que é a mente, a cabeça, no conselho em consultórios de Psicologia: “Não ouça o coração!”, no modo como este é tão traiçoeiro, enganando-nos em labirintos de emoções, como uma certa senhora, a qual trouxe para o âmago de sua vida um certo rapaz, com este com uma aparência acima de qualquer suspeita, num belo rosto e num belo corpo, uma senhora que se deixou guiar pelo coração, sem observar que se tratava de um psicopata aproveitador parasita, nos conselhos amorosos: Antes do coração, ouça a cabeça, como no filmão A Época da Inocência, numa mulher que coloca a cabeça no lugar e manda o amante à merda, com o perdão do termo chulo. Neste quadro de homens crescidos, numa construção de hierarquia entre homens, há um inocente menininho, numa época em que a Vida é mais simples, numa criança que só precisa fazer duas coisas – estudar e brincar. Aqui é o poder cobiçado, como nas palavras de um sádico Saddam, acostumado a mandar em tudo e todos, dizendo ao subalterno: “Eu não estou pedindo que você faça; eu estou mandando!”, num fim de vida ruim, enforcado, coroando as ambições de um homem, como no vilão Esqueleto, sempre querendo mais e mais poder, numa fome napoleônica, com tantos e tantos egos de poder que ascendem e descendem, nas tentações do Diabo a Cristo, tentando este, num Jesus tão imune ao mundano, ao poder mundano, tornando-se, por ironia, um homem de poder metafísico, em homens tão humildes como Chico Xavier, o qual me ilumina no exato momento em que redijo aqui, nosso irmão carinhoso, formidável, nobre, o maior médium de todos os tempos, num Chico que nunca quis poderes mundanos, no caminho da modéstia, dizendo-se apenas um carteiro, distribuindo mensagens, principalmente a mães que perderam os filhos, reconfortando tais mulheres. Um senhor calvo olha por uma lente, que é a sabedoria de observar o Mundo da forma mais realista e fria possível, na revolução do avento do vidro, construindo janelas e lentes oculares, em cômodos renascentistas com suas janelas de vidro colorido, na magia das cores. A coroa é o poder, como numa rainha da Festa da Uva, numa supermulher, poderosa em sua função representativa, representando a mulher caxiense e a beleza de tal terra, no fascínio que a Serra Gaúcha exerce sobre o restante do Brasil, em mecas turísticas, desde a onírica Gramado ao sedutor Vale dos Vinhedos, no fascínio que o álcool sempre exerceu sobre a Humanidade, na universalidade da birita – cerveja, vinho, rum, tequila, uísque, vodca etc. A coroa remete a um dos melhores momentos de toda a História da Teledramaturgia Brasileira, que foi o novelão Que rei sou eu?, numa crítica social, num elenco memorável, em cenários e figurinos da época da Revolução Francesa, na novela acabando com a dissolução do poder tradicional, numa revolução do povo, numa rainha deposta, arrasada, como na guilhotinada Maria Antonieta, ou como no assassinato da Família Imperial Russa, matando inocentes crianças, no modo como os comunistas conquistaram a reputação de serem “devoradores de criancinhas”, no modo como nenhum radicalismo é positivo, na aversão de  Marx pelas religiões, combatendo os xiitas de qualquer crença, no paradoxo chinês, numa ditadura comunista que é um país perfeitamente capitalista. As barbas aqui são tal masculinidade, num mundo de homens, no eterno papel coadjuvante da mulher, sempre na sombra de um homem, como uma certa senhora, a qual abandonou a carreira para se tornar uma anônima mãe, esposa e dona de casa, algo que não traz identidade a uma mulher, nem a um homem. A beleza da coroa é o Plano Superior, no qual não há ambições mundanas.

 


Acima, Berenice. A mulher é rica e abastada, com joias pelo corpo, na metáfora dos anéis de Tolkien, o poder delegado, em sedutores presentes, na malícia de Sauron, o Senhor do Escuro, com o intuito de controlar a Vida, num sistema opressor, no cidadão que é um escravo, no modo como somos escravos do Capitalismo: Tenho que acordar, trabalhar, produzir capital e comprar bens cobiçados de consumo, como um celular último tipo, nas tentações de vitrines de shoppings, na “varinha mágica” do cartão de crédito, o qual nos dá a sensação de que somos a nata da nata, no culto ao consumo, na noção taoista: Se você não está tempo todo querendo, você pode ter paz! A moça nos olha. Ela é discreta e reservada. É bela, sendo difícil de se crer que é descendente de símios, na busca grega pela beleza apolínea, em “rostinho de bebê” como do ator Elijah Wood, num insaciável mercado de modelos, sempre em busca do frescor de rostos novos, num mercado volúvel, adotando e descartando a esmo, em jovens que precisam se “matar” para se manter no condicionamento físico que a profissão de modelo exige, em tantos sonhos despedaçados, numa figura de Gisele, uma mulher tão forte, que passou por todos os testes que a profissão exige, sobrevivendo a tal estilo de vida sofrido, pois, por trás do glamour da profissão de modelo, exige uma dureza horrível, num mundo tão competitivo, com poucas vagas para muitos pretendentes, como um certo senhor, o qual abandonou a carreira de modelo para ser médico, ou como outro certo senhor, abandonando a carreira de ator para se tornar advogado, um senhor este de uma bela estampa, na sabedoria popular: Beleza não põe à mesa! Na cena aqui vemos um duro elmo de guerra, no busto blindado da Mulher Maravilha, no bloqueio para más vibrações, na pessoa que ouve a voz da razão, nunca do coração. O elmo é o talento patético do Homem pela guerra, como neste ano de 2025, com tantos conflitos graves no Mundo, com tantas pessoas inocentes sendo mortas, bombardeando hospitais, por exemplo, no modo humano de subestimar a Paz, a qual é maior do que a raiva, fazendo da Terra algo tão distante do Céu, pois as catástrofes naturais são a prova de que é a Terra quem tenta imitar a perfeição do Céu, num mundo de Amor, onde há paz e respeito mútuos, numa vizinhança de paz plena, com cada um vivendo sua vida com produtividade, como uma certa psiquiatra recém desencarnada, a qual levou uma vida nobre e produtiva na Terra, voltando de cabeça erguida ao Plano Superior, no clima de missão cumprida, como na energia no velório de outra certa senhora, no qual se respirava a consciência do desencarne, no espírito se dando conta de que seus dias mundanos acabaram. Os cabelos da moça estão soltos e ao sabor do vento, numa liberdade feminista, nos versos de uma certa canção: “Não há liberdade sem amor; não há amor sem liberdade”. É o conceito democrático da liberdade, algo não muito pleno no Brasil, no qual o voto e a apresentação de homens ao exército são obrigatórios. Aqui, os cabelos negros entram em contato com um fundo negro, numa confusão, numa mescla, numa harmonia cromática, e os cabelos soltos são tal liberdade feminina, na força do pensamento feminista, sempre pensando contra o patriarcado, no modo como pode ser malvista a mulher independente, pois no patriarcado a mulher tem que estar submetida a um homem, como no Monumento Nacional ao Imigrante em Caxias do Sul, no casal de colonos, com ele mais alto e mais forte do que a mulher, e com esta com a criança no colo, com as obrigações dos afazeres domésticos, fazendo do casamento um trato e uma conveniência – nós nos unimos e cada um faz uma parte do trabalho, remetendo a um certo senhor, o qual era um homem que tinha um lar, com esposa e filhos, e tal esposa resolveu se separar dele, arrancando dele o lar que ele tinha, um homem que se viu devastado, tendo que reconstruir a vida com uma nova companheira. Aqui remete a eras em que as mulheres gordinhas eram consideradas muito sexys, ao contrário dos CRUÉIS padrões de beleza feminina no século XXI – semianoréxicas.

 

Referências bibliográficas:

 

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.meisterdrucke.pt>. Acesso em: 11 jun. 2025.

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

aBSurdamente talentoso (Parte 3 de 10)

 

 

Falo pela terceira vez sobre o pintor italiano Bernardo Strozzi. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A libertação de São Pedro. O glorioso momento do Desencarne, quando deixamos para trás todos os problemas relativos aos nossos corpos carnais, havendo os espíritos revoltados, identificados com a matéria, não querendo desencarnar, bem pelo contrário, querendo voltar ao corpo carnal, no caminho da loucura – o que se pode dizer de um presidiário que não quer sair do presídio? O santo aqui é idoso, com uma vasta experiência de vida, no caminho do juízo e da sabedoria, no modo como não é bom ser jovem demais, numa época em que não temos responsabilidades, ao contrário de um filho primogênito, na incumbência de desde cedo a ajudar a criar seus irmãos mais jovens, num espírito que amadurece desde cedo, no encargo e nos pesos da responsa. O anjo é a juventude eterna dos desencarnados, no espírito idoso que desencarna e vive jovem e belo para sempre no Plano Superior, na vitória da beleza sobre a morte, na força avassaladora e irrefreável da beleza, impondo-se, na imposição da luz, na vitória da luz, na Terra da Estrela da Manhã, à qual todos pertencemos, como não me canso de dizer – somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, e todos fomos concebidos com imaculação e perfeição, e somos todos absolutamente distintos, num Pai que tanto nos ama, dando-nos o presente incrível da Vida Eterna, no fato de que nunca findaremos, e é muito poder, na noção espírita de Deus é o infinito, e o Tao sobre o qual podemos falar não é o verdadeiro Tao, no poder imenso de Deus, a Inteligência Suprema, havendo os espíritos depuradíssimos, os arcanjos que gozam da Felicidade Suprema, num espírito que sabe que a Vida é luta sempre, havendo no Plano Superior a necessidades de nos mantermos produtivos com algo nobre, ou seja, trabalho, meu irmão. As algemas são tal cárcere, tal prazo de reclusão, no modo como dizem que o Presídio Central de Porto Alegre é uma sucursal do inferno, ou como numa pessoa internada psiquiatricamente, numa prisão, na pessoa querendo, com todas as suas forças, voltar para casa, remetendo a um senhor muito infeliz que conheço, o qual se perdeu nas drogas, condenado a apodrecer o resto de seus dias na Terra numa clínica psiquiátrica, impedido de trabalhar, namorar, divertir-se, ter filhos, enfim, impedido de viver, sendo, de longe, a história mais deprimente que conheci em pessoa em minha vida, e o que dá pena é que se trata de uma pessoa basicamente boa, com bom coração, mas a Vida não é só coração, o qual pode ser traiçoeiro, ou seja, sempre ouça à cabeça, meu irmão; ouça à fria razão. Aqui é a energia que se respirava no funeral de uma certa pessoa, no clima de missão cumprida, numa pessoa totalmente consciente do próprio desencarne, no modo como todos estamos na Terra o mínimo de tempo possível, pois se não morri ainda, minha missão não está cumprida, com cada um com seu tempo de encarnado – uns morrem jovens; outros, velhos. O anjo aqui é o espírito de luz que nos guia por um túnel de luz, levando-nos para o Lar Metafísico, o lugar em que a mentira perece, sendo bloqueado em relação ao sociopata, o qual afunda nas próprias mentiras, como um certo senhor sociopata, uma pessoa que mente, mente e mente, viajando ao redor do Mundo para fazer turismo sexual, numa vida em torno de sexo, num espírito altamente mundano, não querendo desencarnar. São Pedro aqui está incrédulo, mal acreditando que seus dias de Terra acabaram, fundando a Igreja Católica Apostólica Romana, no santo trono de São Pedro, nas reformas ousadas de Francisco, as quais não podem ser ignoradas pelos papas posteriores, num caminho de evolução, num Francisco tão excepcional e humilde, clemente, fazendo valer a palavra de Jesus, ao contrário de regentes cruéis, como uma Maria Tudor, queimando protestantes vivos em fogueiras, numa crueldade insana, como não me canso de dizer – nada mais humano do que ser desumano. As algemas são os poderes mundanos, como dinheiro, na sabedoria popular de que se vão os anéis e ficam os dedos, num desencarne complicado, como um rei ou rainha, com dificuldade de se desprender de tais poderes mundanos, na divertida frase: “Isso não te pertence mais!”, ou seja, quanto mais humilde, mais tranquilo é o desencarne. O anjo aqui é nosso amigo fiel, sempre nos guiando pelo caminho bom.

 


Acima, A Sagrada Família com o Menino. Realmente, temos que reconhecer o pincel de Strozzi, numa pintura tradicional acadêmica que foi transgredida pelo Modernsimo, resultando na plena liberdade de que a Arte goza em nossos dias, fazendo da Arte algo divino, que liberta nossas mentes, fazendo da Arte algo que nos faz humanos – os macacos não fazem filmes. O protagonismo do quadro é da Madona e do filho, estando esses em maior evidência. A nudez do menino é pura e inocente, como chafarizes de menininhos urinando água, na inocência da nudez, como em praias de nudismo, numa deliciosa sensação de liberdade, como nadar nu no mar, no Éden antes da serpente, com a inocência nua, chegando à malícia da serpente, trazendo a vergonha em relação à genitália, no casal sendo expulso do jardim divino, na misoginia do mito de Eva, a mulher que corrompeu Adão e trouxe a miséria à Humanidade, sendo Adão uma obraprima e Eva um arremedo com a função única de procriação, algo que enfurece as feministas, as quais têm a coragem e a força de ir contra os poderoso ventos patriarcais, como no título do livre, digo, do livro de Susan Sontag : “Contra o vento”. São as nossas elites intelectuais, libertando nossas mentes, libertando-nos do Mito da Caverna, mostrando-nos a saída, o lado de fora, como o Neo de Matrix, dando sua vida para libertar e Humanidade, no mito de Jesus, um homem o qual, em vida, foi tão mal compreendido, acabando oficialmente executado, ressuscitando depois da fé das pessoas, ao ponto do cézar romano se converter ao Cristianismo, numa Roma cruel a qual, anteriormente, executava cruelmente os cristãos. O anjinho traz uma cruz, antevendo o destino duro do menino, executado numa cruel cruz, dolorido ao ponto de se sentir abandonado por Deus. Na cruz vemos palavras, no poder da palavra, na revolução que foi a chegada da Letra ao Ser Humano, fazendo assim registros, suplantando a transmissão oral da tradição, como nas tribos amazônicas, sem letra. Remete à suma importância da Pedra da Roseta, a qual proporcionou ressuscitarmos uma língua morta, que é o egípcio antigo. Aqui, São José, velho, está coadjuvante, em contraste com a Virgem, sempre doce, pura e jovem, nas “loucuras” das quais a mulher é capaz de fazer em nome da beleza, na febre global do Botox, o qual, sinto em dizer, não dá ao rosto um aspecto natural, em cidades como Los Angeles, com as estrelas de Cinema combatendo a passagem do tempo, como uma certa popstar, obcecada em não envelhecer, na inevitável passagem do Tempo, na metáfora do filmão Vanilla Sky, com um recurso científico de fazer com que a pessoa rejuvenesça e viva jovem para sempre, que é o Desencarne, o glorioso plano da autoestima, no qual tenho o cabelo que eu quiser ter, com a forma física que eu quiser ter, na eternidade da beleza, a beleza de Tao, o caminho natural, numa grande avenida que arrasta para si os caminho laterais. O binômio mãe & filho aqui se destaca exatamente porque está em contraste com o fundo negro, no básico discernimento taoista: Quando digo que algo é grande, é porque comparo com algo menor, ou seja, o ator coadjuvante fazendo o ator protagonista se sobressair, como na atriz Nicole Kidman, a qual, ao estar casada com o baixinho Tom Cruise, era obrigada a aparecer em público, com o marido, com sapatos de salto bem baixo! É como me disse uma certa moça: “Quero um namorado mais alto do que eu!”, e o que é isto? É o patriarcado, no homem sempre um nível acima da mulher, fazendo desta um cidadão de segunda categoria, respaldado por um homem, no ritual do casamento, na mulher passando das mãos do pai para as mãos do marido, na noiva branca, pura e casta, impedida de ter sexualidade, no mito de Maria, a qual é tida como perfeita só porque nunca transou, sem eu aqui querer ferir a fé das pessoas, pois o mito de Maria serve para nos dizer que todos fomos concebidos de forma imaculada, no sangue sacrossanto estelar que corre nas veias de todos nós, meus irmão, meus iguais, no paradigma democrático – o presidente é um dos nossos.

 


Acima, A Virgem com colher. Aqui são os encargos da vida de mãe, na responsabilidade de nutrir o filho, de trocar as fraldas etc., remetendo a um certo e triste caso de uma mãe que privou a própria mãe de ver o neto desta, movendo uma ação judicial contra senhora sua mãe que lhe gerou, amamentou, trocou fraldas e deu comida na boca, na crueldade do Ser Humano – existe algo pior do que não poder ver o próprio neto? É muita crueldade. Aqui parece ser um comercial de papinha de nenê, na época da vida sem dentes, como um certo senhor, o qual, ao fazer implantes dentários, teve que passar um tempo sem poder mastigar, comendo, assim, sopas e papinhas, num caminho de paciência, como num processo pós operatório, como na complicada e excruciante mudança de sexo, numa transmulher que percebe que, nem assim, é considerada mulher – pior: não é considerada nem homem, nem mulher, ou seja, uma aberração, num caminho triste, numa pessoa que fica exposta a tal crueldade da Sociedade, ao ponto de eu ver na Rua um certo senhor agredindo uma transmulher, berrando para esta: “Não é mulher de verdade!”. Aqui é a dedicação materna, no termo que diz que ser mãe é padecer no paraíso, como vi certa vez uma mulher mãe dizer à comadre: “É trabalhoso, mas vale a pena!”. A papinha é a pureza do leite materno, nos cuidados mamíferos, numa dedicação, como uma cachorrinha minha certa vez, a qual, ao dar de mamar às crias, começou a ficar desnutrida, tendo eu que dar suplemento alimentar à cachorrinha. A farinha é um delicioso mingau feito de farinha láctea, a qual amo, apesar de eu ser um senhor grisalho na casa dos quarenta, no modo como todos temos que nos manter jovens de alguma forma, como ter contato com pessoas mais jovens, como eu em minha faculdade, praticamente um tio para meus colegas, e o contato com os mais jovens nos traz, de alguma forma, os pés para o chão, na sabedoria de que a Vida segue em frente, sempre em frente, e que a batida continua, sempre, numa pessoa que sabe que não pode parar de tocar o barco para frente, como minha querida tia avó já falecida, a qual dizia: “Estou empurrando a Vida para Vida não me empurrar!”. Remete ao morador de Rua, uma pessoa que quer, com todas as suas forças, fugir da lida e da luta, não se importando de levar um estilo de vida tão degradante, como dormir numa calçada dura, fria, suja e úmida – é um horror. Aqui é uma alimentação, como num artista, que sabe que não pode parar de produzir, tornando-se prolífico, como em bandas longevas como U2, sempre injetando material novo na praça, sempre alimentando, sabendo que não pode parar no tempo, ao contrário de uma Cindy Lauper, incapaz de produzir material novo, vivendo até hoje nos anos 1980, sendo irrelevante para a meninada que nasceu depois de tal década, na metáfora de As Horas, de Michael Cunningham – doce ou amarga, a página terá que ser virada, pois o insucesso é complicado, porque é prostrante e depressor; já, o sucesso também é complexo, pois, depois de tal orgasmo, temos que virar a página e continuar tocando o barco para a frente, no modo como não me canso de dizer que o sucesso é um amante infiel! Aqui é tal vida de mãe, esposa e dona de casa, um trabalho que não traz identidade à mulher, numa mulher que simplesmente não sabe quem ela mesma é, na figura feminista da Mulher Maravilha, a qual trabalha e tem sua identidade, no caminho de emancipação, numa MM blindada que dá uma surra em qualquer marmanjo mal intencionado, numa posição de poder, como numa rainha da Festa da Uva, num poder representativo, representando todo um povo e toda uma história, como na identidade do povo brasileiro, o qual não foi encontrado numa “lata de lixo”, mas um povo que tem toda uma história e uma proveniência, nos esforços dos professores de História, sempre nos dizendo de onde viemos. O menino aqui é saudável e gracioso, remetendo a crianças carentes, as quais não são alimentadas devidamente, apresentando problemas de crescimento, num espírito que teve que ter muita coragem para decidir reencarnar num contexto social tão pobre.

 


Acima, A Virgem dá o Menino Jesus ao Beato Felice de Cantalice. As estrelas na cabeça da Virgem remetem a uma sarcástica capa da revista Veja simplesmente espinafrando o filme Lula – o filho do Brasil, de Fabio Barreto, com a cabeça do político coroada – como você se sentiria vendo seu próprio trabalho espinafrado publicamente, num veículo cagando em cima do seu trabalho, com o perdão do termo chulo? As nuvens são a leveza, o delicado toque, a delicadeza, num tato diplomático, sempre primando pela paz e pelo diálogo, em lamentáveis brigas de vizinhos, quando se perde a classe diplomática, pois vizinho é algo que temos que conduzir da forma mais cuidadosa possível, pois, querendo ou não, fazem parte de nossas vidas. O beato aqui tem um privilégio ao abraçar o Menino Deus, nas palavras do controverso Trump: “Um visto é um privilégio e não um direito”, num Mundo tão aguerrido, cheio de raiva e ódio, nas guerras que deixam rastros de fome, destruindo as casas das pessoas – como você se sentiria sendo arrancado de seu próprio lar? Na base do quadro, um cantil, que é a Vida, o que mata a sede, no modo como não se deve negar água aos que têm sede e pão aos que têm fome, nessas pessoas tão miseráveis, que não sabem se terão um pedaço de pão na barriga no fim do dia, num espírito corajoso, o qual, frente a tal dificuldade encarnatória, crescerá enormemente como espírito, no caminho da mortificação, no sentido da pessoa parar de pensar em bobagens e ater-se ao que é importante, no modo como o Ser Humano pode ser tão fútil, em personagens que crescem, como Scarlet O’hara, partindo de menininha mimada a mulher forte em meio aos horrores da guerra, na arrebatadora cena em que ela devora uma cenoura, jurando para si mesma que jamais sentiria fome novamente, nesses filmes que se baseiam num bom romance, no paradigma indestrutível da Sétima Arte: Um bom filme parte de um bom argumento, pois quando partimos de um roteiro ruim, não tem mais como consertar lá pela frente, vide o infame exemplo do filme Ricos, Bonitos e Infiéis, recheado de grandes astros e estrelas, fracassando retumbantemente na bilheteria, dando prejuízo ao estúdio! O Menino aqui é inocente, e não tem ideia de seu destino, numa inocência, como em Cidadão Kane, num menininho arrancado de sua feliz infância com seu trenó de neve Rosebud, um homem que tão importante, rico e poderoso se tornou, balbuciando no leito de morte o nome do amado trenó – a Vida é boa quando é simples, nos versos de Tim Maia: “Quando a gente ama, não pensa em dinheiro – só se quer amar!”, no modo como podemos ser felizes com pouco, no caminho taoista, uma religião tão limpa e minimalista, dizendo para termos o mínimo de coisas possível, na recomendação de que, quando precisamos tomar ação, temos que fazer apenas o necessário, como no filmão A Rainha, com a monarca confusa, tendo que se guiar por seu primeiro ministro, o qual recomendou diretrizes para se fazer jus ao falecimento de uma das maiores mulheres da história daquele país, uma estrela a seu próprio modo. A Virgem aqui é o zelo materno, numa mãe que mantém uma casa limpa, organizada, abastecida e com comida feita na mesa, no “choque térmico” que é a pessoa sair de casa para morar sozinha, sentindo falta de tais zelos, até a pessoa se acostumar a morar sozinha, dando conta de roupa lavada e comida sendo feita. Ao fundo no quadro vemos um senhor muito discreto, quase imperceptível, numa pessoa que não quer aparecer muito, sabendo das consequências da midiatização e da celebrização, numa celebridade que não pode caminhar na Rua, numa questão de assédio, como galãs da Globo, aos quais é recomendado e não ir a shoppings em fins de semana, para se preservarem das insanas e histéricas tietes, como me disse uma certa estrela, nesta tendo ido a um pub: “Tive que ficar a noite toda dando autógrafos!”. Os anjos são a fraternidade, num mundo de amor, de paz, onde ninguém desrespeita ninguém, num caminho de harmonia, num lugar onde temos tempo para tudo, na deliciosa sensação de paz e quietude. A Virgem aqui é altíssima e destacada.

 


Acima, A visão de São Domingos. Uma explosão de Arte e percepções, como tive um sonho certa vez, na Virgem Santíssima cercada de rosas, com anjos cantando ao redor, na maravilhosa vida metafísica que nos espera lá em cima, um lugar maravilhoso, onde não há desemprego, um lugar em que temos plena autoestima, podendo ter a aparência que quisermos, um lugar onde nosso cabelo fica direitinho como desejamos, um lugar de plena luz solar, forte luz, mas uma luz que não chega a nos ofuscar as vistas, um lugar onde estamos livres de nossos corpos carnais, os quais são sensíveis calor e frio, na glória da juventude eterna, o presente de Tao em seu imensurável poder – é a Vida Eterna! No topo do quadro, em destaque de protagonismo, as flechas, que são o pensamento racional, sem malícia ou sofrimentos passionais, na fria razão de consultórios de Psicologia, desmascarando sociopatas, cujas ações, ao serem desconstruídas e analisadas, não apresentam lógica, no caminho da loucura, em sociopatas emocionalmente burros, sem sensibilidade para apreciar qualquer arte, zombando de canções lindas que arrebatam os corações de pessoas com inteligência emocional. A forma física apolínea é a busca do Ser Humano pela beleza, um valor universal, em belezas naturais na Terra, sendo cópias fiéis do Éden, mas somente cópias, como comparar flores naturais com flores artificiais, no modo como a vida dos ricos é aparentemente perfeita, mas não é, no deprimente estado a que ficam reduzidos os ganhadores da loteria, aparentemente pessoas que gozam de plena e absoluta felicidade – dinheiro demais é uma merda, com o perdão do termo chulo. Neste quadro temos uma comoção, com em filmes causando comoções globais, no megassucesso de O Parque dos Dinossauros, com filas intermináveis de pessoas querendo ver a película, em talentos avassaladores como Spielberg, respeitadíssimo em Hollywood, um homem que nos mostra que, em Hollywood, não pode se mexer com os judeus, no modo como Mel Gibson se “enterrou” com um filme em que culpa os judeus pela norte de Jesus! Aqui temos o perfume da Vida Eterna, como um banheiro perfumado depois de um glorioso banho, no instinto de limpeza, em atos de higiene e limpeza, sendo tão desinteressante uma pessoa que não tem tais hábitos, como vi certa vez uma senhora que exalava um cheiro dantesco, péssimo, imundo, no caminho da autoestima, que é a pessoa se cuidar e manter-se limpa, pois a primeira pessoa que devo amar é eu mesmo! A cruz no quadro é tal símbolo perene, numa história tão trágica, num homem executado cruelmente, num legado metafísico tão forte, nas palavras sábias do Evangelho, na riqueza da cabeça de Jesus, na prova de que o metafísico sobrevive à morte do físico, numa sobrevivência, numa artista como Cher, sobrevivendo a décadas de carreira, num espírito de Marte, de batalhar pelas coisas, como uma certa senhora, a qual, definitivamente, não tem medo de arregaçar as mangas e trabalhar, jogando-se no labor, mas nunca se deve desembocar no estilo de vida workaholic, o qual é degradante e não traz retorno digno e merecedor – o Mundo não está nem aí se sou ou deixo de ser workaholic, portanto, dê-se ao respeito! Todos olham para cima para tal elevação, na vitória do pensamento sobre a matéria finita, na noção de que a Paz é infinitamente maior do que a raiva, na raiva inconsciente do Ser Humano – as mulheres hoje em dia, ao redor do Mundo, imitam os cabelos ondulados de Gisele, pois a mulheres têm raiva de Gisele, querendo arrancar desta o que esta tem de tão maravilhoso, na vitória do talento e da competência, mas uma megamodelo que não soube deslanchar como atriz – claro que a Vida tem lá suas durezas, mesmo para supercelebridades. Aqui é um corpo social se organizando em torno de um regente ou presidente, desembocando em ditaduras, as quais fazem do cidadão um escravo, como no sistema capitalista, fazendo-nos prisioneiros de Matrix – tenho que trabalhar como um “burro de carga” para produzir capital.

 


Acima, Acteon. O cão é a amizade e a fidelidade, como no início da supercomédia Um Vagabundo na Alta Roda, num mendigo que tenta se matar ao ser abandonado por seu próprio cachorrinho, como já ouvi dizer: Às vezes, tudo o que resta na vida de um homem é seu cão. É o carinho e o zelo, como certa vez tive que medicar um cão meu que teve verminose. As sandálias remetem a eras em que não havia sapatos, como num irônico quadro que faz parte da Via Sacra de Aldo Locatelli, mostrando um sapato, algo impossível na era em Jesus estava vivo, ou como num tênis All Star no filme Maria Antonieta, desenrolado no momento da Revolução Francesa, neste grande golpe de estado que trouxe a Idade Contemporânea, no paradigma democrático, sem regentes divinos, mas um presidente que é um dos nossos, nosso irmão, o qual elegemos para nos governar por apenas uns anos, na sabedoria popular de que a voz do povo é a voz de Deus, remetendo às verificações empíricas de pesquisas de intenção de voto, um método científico, como cursei, em minha faculdade, a cadeira de Estatística Mercadológica, uma cadeira a qual, de início, odiei e, no fim do semestre, acabei amando, numa cadeira rica em Matemática, a qual é o pavor de qualquer aluno de Publicidade & Propaganda, no modo como eu mesmo repeti de ano no Ensino Médio, tal o meu pavor pelas Ciências Exatas – hoje, se eu tivesse a oportunidade de voltar no tempo, seria mas estudioso, e quando temos a vontade voltar no tempo e corrigir o erro, é porque aprendemos a lição de vida. A árvore ao fundo está inclinada, quase caindo, numa fragilidade, como a famosa Torre de Pisa, uma imperfeição que acabou ajudando, num ponto turístico, no modo como as crises são positivas, pois os percalços acabam por ajudar a pessoa, como Madonna certa vez levando um grande tombo no palco, cantando uma canção que falava justamente de tomar tombos na Vida, nas inevitáveis imperfeições, as quais não deixam de ser engraçadas, pois as coisas nunca acontecem direitinho como imaginávamos, e essa imprevisibilidade é o que dá o tempero à Vida. A lança é a agressividade do Mundo, com suas guerras e desentendimentos, no lado macho da Vida, na divindade Capa Preta, da Umbanda, num homem que comeu (sexualmente) sete homens e sete mulheres, no lado de batalhar pela Vida, com metas a serem cumpridas, como e disse certa vez uma querida médium: Tudo na tua vida depende de ti, apesar de ser necessária a ajudinha de outrem, como na Cinderela, a qual recebeu um auxílio decisivo da fada madrinha, mas uma Cinderela que permanece protagonista de si mesma, em aliados poderosos, que nos ajudam a obter o respeito do Mundo, e ser levado a sério é muito importante. As guampas são a beleza, a decoração, a exuberância, como na estrela Gabi Amarantos, exuberante como a natureza do Brasil, nos chapéus exuberantes de Carmen Miranda, trazendo graça e alegria tropicais a um Mundo tão imerso nos horrores bélicos de então, trazendo ao Mundo um pouquinho de cor e alegria durante a projeção da película, como na Festa da Uva de Caxias do Sul, a qual passou por uma pausa desde a II GM até o ano de 1950 – não havia clima para festa. A pele alva do homem contrasta com o fundo enegrecido, no jogo de sedução entre Yin e Yang, com um trazendo um pouquinho do outro, na universalidade do jogo de sedução entre masculino e feminino, como no tradicional casal japonês: Ele, antipático, truculento, carrancudo e até grosso; ela, totalmente doce, receptiva, simpática e agradável, no modo como, no casal heterossexual, é inevitável, publicamente, ele personificar o Yang dela e ela personificar o Yin dele, pois quando cumprimentamos um deles, o casal está cumprimentado, na função representativa do casal heterossexual, a qual respeito. O corno amarrado à cintura é a eloquência, como num trabalho de divulgação e marketing, o qual não pode faltar, na experiência que eu mesmo tive como publicitário, algo ficando incrustado em mim – sempre terei um lado marqueteiro.

 

Referências bibliográficas:

 

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.meisterdrucke.pt>. Acesso em: 11 jun. 2025.

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.