Falo pela quarta vez sobre o pintor italiano Bernardo Strozzi. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, Adoração dos pastores. O protagonismo aqui é de Maria, e não do Menino Deus, nesta gigantesca paixão de Strozzi por cenas sacras, conquistando o respeito do Vaticano, num Vaticano que entrou em atrito com Galileu Galilei, obrigando este a dizer que é o Sol quem gira em torno da Terra, e não o contrário, na dissociação da Ciência, no modo como o Espiritismo é amigo da Ciência, no desenvolvimento do pensamento racional, detectando a malícia sem sentido do sociopata, uma pessoa cujas ações analisadas não mostram lógica. Maria aqui está no topo da hierarquia, zelando pelo Filho de Deus, numa enorme responsabilidade de mãe, na sabedoria popular de que ser mãe é padecer no paraíso, havendo uma certa sociopata que matou a própria mãe, numa imensurável ingratidão, no modo como devemos ter eterna gratidão por esta pessoa que nos carregou na barriga, nos amamentou com o leite materno, tocou nossas fraldas e nos cercou de zelos como tomar vacinas ou levar a criança ao odontopediatra, como num filme em que Judy Dench interpretou uma rainha a qual afirmava que não toleraria qualquer desrespeito da parte do filho. O Menino está em lençóis confortáveis, longe da rude e pobre manjedoura, numa cena de simplicidade, como num rei simples, tomando o mesmo café comum que os súditos tomam, pois um rei que se afasta de seu próprio povo deixa de ser líder, como na deposição de Romanov na Revolução Comunista, um rei que passou a pouco se importar com o povo, no discernimento taoista de que se o rei se opõe ao povo, este depõe o rei, como um certo senhor presidente, amargando uma alta rejeição em pesquisas de opinião, remetendo a grandes homens como Obama, um rei em seu próprio modo, ou como no querido e inesquecível Papa Francisco, um homem simples e clemente, um reformista formidável, num legado inapagável, não podendo ser ignorado pelos papas seguintes, ao contrário de outro certo senhor, um homem do qual eu não gostava, um senhor cheio de teias de aranha na cabeça, num retrógrado inclemente, ignorando o legado de Jesus, que pregava o respeito mútuo. O anjinho aqui é o zelo, no nosso fiel anjo da guarda, na noção espírita de que ninguém na Terra está sozinho. Aqui é uma cena num mundo de homens, com os homens adorando Jesus, no divertido filem Dogma, no qual Deus era uma mulher, interpretada pela grande roqueira Alanis Morissette, em ações antipatriarcado, como na coragem da feminista de ir contra os poderosos ventos patriarcais, numa força de elite intelectual, sempre pensando acima de mediocridades ou burrices, como num certo professor que tive em Porto Alegre, um célebre senhor de esmagadora inteligência, o qual só respeitava poucos de seus alunos, e quando um destes falava na aula, o mestre dizia aos demais alunos: “Calem a boca! A elite vai falar!”, remetendo a pessoas deprimidas, com baixa autoestima, mesmo sendo pessoa de grandes dotes intelectuais, pessoas capazes de dizer: “Como eu gostaria de ser mais burro, porém mais bem sucedido”. A ave morta é a lida do dia, a luta pelo pão de cada dia, remetendo a esses miseráveis catadores de luxo seco, pessoas pobres que não sabem se terão, ao fim do dia, um pedaço de pão no estômago, num espírito corajoso, que decidiu reencarnar em tal contexto sofrido, crescendo, assim, enormemente como espírito, no caminho da mortificação, no ponto da pessoa parar de pensar em bobagens e futilidades, como me disse uma certa médium espírita: “Estou aqui para falar de coisas sérias e não de bobagens fúteis, estas do tipo se você vai ter um namorado!”, como no personagem Oscar Schindler, um playboyzinho fútil que acaba por se compadecer com o sofrimento do Mundo. A aureola de Maria é a iluminação da mente, não do coração, pois o coração é traiçoeiro, e sempre vai acabar por nos enganar, como me disse uma certa psiquiatra: “Segure o coração; não ouça coração!”, no trabalho de psicoterapeuta em nos mostrar o Mundo e a Vida da forma mais fria possível, sem as paixões sofridas, nas palavras de Aristóteles: “A Lei é a razão livre de paixão!”. As delicadas mãos de Maria são a dignidade de uma pessoa que produz e colabora ao Mundo, como esta mesma psiquiatra de que falei, já desencarnada, uma mulher que levou uma vida nobre e produtiva, voltando de cabeça erguida ao Lar acima de nós encarnados – missão cumprida!
Acima, Agar e anjo. O jarro é o receptáculo feminino, como no jarro de Galadriel, num espelho que é o símbolo de feminilidade, na vaidade humana, em pessoas capazes de “loucuras” em nome da beleza, como numa Maria Callas, a qual contraiu intencionalmente verminose para, assim, perder peso, como na febre Botox, um recurso que não dá ao rosto um aspecto natural, nas palavras de uma personagem de Meryl Streep: “As pessoas que fazem cirurgia plástica ficam piores do que eram antes da cirurgia!”, como na plástica nas pálpebras de Renée Zellweger, deixando-a desfigurada, irreconhecível, na eterna busca humana por beleza, desde a Antiguidade Clássica, nas buscas gregas pela beleza dos deuses, remetendo aos “ratões” de academia, fazendo da malhação algo tão enfadonho, que pouco exige de nossa cabeça, no modo como a juventude perfeita é uma invenção de velhos. O jarro aqui é cuidadosamente ornado, como em trabalho de artesanato indígena, no ponto decisivo de sermos Homo sapiens, fazendo da Arte algo civilizatório, que nos faz humanos – os macacos não pintam jarros de cerâmica. A asa do anjo é a liberdade racional, numa pessoa que aprendeu que não pode se deixar guiar somente pelo coração, tendo que ouvir à razão fria, na beleza fria dos números, na lógica que é Tao, a lógica, o caminho racional e natural, na eterna ironia de que haverá números primos por toda a eternidade dos números, na noção espírita de que Deus é o infinito, no mistério infinito, no imensurável poder da Vida Eterna, inconcebível, inimaginável, grande demais para a pequena mente humana – jamais findaremos, meu irmão! Que venha a beleza imortal da Terra da Estrela da Manhã! Aqui temos o clássico jogo barroco de claro e escuro. Agar é alva, e o anjo também, em contraste com o fundo negro, superando os moldes renascentistas de Arte, no modo como o novo sempre vem, nas vogues, nas ondas, como na revolução da chegada do som ao Cinema, fazendo este deixar de ser uma mera distração para ser de fato Arte, na voz de Elis “É você quem é mal passado e quem não vê que o novo sempre vem!”. O anjo aqui é um conselheiro, sempre primando para que transitemos pela via boa, pelo caminho de luz, como no passe no centro espírita, dando-nos um “banho de luz”, renovando-nos e libertando nossa mente, num trabalho de desobsessão, como uma certa senhora, a qual ficou muito impressionada numa sessão mediúnica num centro, num espírito que estava obcecado em acompanhar a família de tal senhora, sendo este espírito obcecado recebendo as palavras sábias do médium: “Você não pode ficar assim; você tem que seguir seu caminho e libertar-se!”. Nem sempre a pessoa ouve o anjo da guarda, e quando um anjo se cansa e se frustra, imediatamente outro anjo é escalado para fazer a guarda, no caminho da fraternidade e do amor incondicional, como uma querida amiga que tenho, já desencarnada, visto que, na Terra, nunca fomos à casa um do outro, e a tenho como amigona, sempre pedindo a ela que abençoe meu dia na Terra, uma pessoa que de fato reencontrarei alegremente lá em cima, sendo só uma questão de tempo. O rosto corado do anjo é a saúde, numa saúde espiritual, como na saúde de se fazer Psicoterapia, na saúde mental do terapeuta tendo tal papel de guia, de anjo da guarda, num amigo que não quer nos enganar, como uma grande amiga minha portoalegrense, um espírito caridoso que me incentivou a parar de idealizar um passado que não foi tão ideal assim. O jarro é a Vida, a água imprescindível, no modo humano de só imaginar vida onde haja oxigênio e água, num Universo tão pornograficamente grande, inesgotável, infinito, com mais estrelas no Cosmos do que grãos de areia na Terra - já seria um absurdo dizer que há tantas estrelas no Universo quanto grãos de areia no deserto do Saara! Agar aqui toma consciência de algo, como uma pessoa que percebe que sua própria vida está passando, arregaçando as mangas e fazendo algo de nobre de seus dias na Terra.
Acima, Alegoria da Matemática. As barbas brancas são a sabedoria, na imagem que temos de Deus – a de um patriarca. Como na famosa cena de Michelangelo com Deus quase tocando em Adão, talvez numa catarse de um artista com toda uma sensação de melancolia. É como no amor espiritual, nada tendo a ver com a matéria, como numa ligação telefônica – pura espiritualidade. O compasso é a lei fria dos números, numa beleza glacial, como numa água fria, mas que limpa, ou como num remédio amargo, o qual surte doces efeitos, como numa internação psiquiátrica, humilhante, incômoda, mas recompensadora, na sabedoria de uma certa psicoterapeuta, a qual me disse que as crises são positivas, pois estas assinalam um momento de renovação e de guinada na vida de uma pessoa, no sentido da pessoa ter a força para superar tais obstáculos, em palavras sábias que já ouvi: “Dos fracos, a história nada conta!”. Acima, temos um diabrete, numa face de malícia, contra a razão fria da Matemática. O diabrete é o sociopata, uma pessoa aparentemente sã, com inteligência brilhante, porém uma inteligência puramente esquemática, longe da sabedoria de pessoas de apuro moral. A moça é pura e casta, nos preconceitos do patriarcado, na noiva de branco, pura e casta, entregue virgem ao marido no templo, tendo o homem já iniciado sua vida sexual em prostíbulos, no preconceito de dividir as mulheres entre santas e putinhas, com o perdão do termo chulo, no caminho de libertação feminista, nem santa nem diaba, mas pessoa, na imagem feminista da Mulher Maravilha, a mulher com superforça que dá uma surra em qualquer misógino machista. A careca do senhor é a passagem do tempo, no inevitável envelhecimento, o qual não deixa de ser engraçado, como eu mesmo, já com cabelos e barba com grisalhos, mas numa idade em que somos jovens ainda, como no Aragorn de Tolkien, um homem no auge da virilidade e na flor da idade, com 47 anos de idade, como me disse certa vez uma professora de Cinema, dizendo que os filmes de James Bond trouxeram uma certa revolução, pois se tratava de um homem de meia idade, mas no auge da virilidade, na combinação de Bond: Agressivo e de sangue frio, mas galante e sofisticado, numa sofisticação londrina cosmopolita, no modo como a monarca Elizabeth II não perdia uma só première dos filmes de Bond, remetendo ao Bond, que é a combinação entre agressividade e charme, remetendo a Bonds tão charmosos, de sofisticação cosmopolita. A moça nos olha como uma Monalisa, neste quadro que é a maior obra de Arte de todos os tempos, a grande estrela do Louvre, na decepção de se deparar com um quadro tão pequenino, na prova de que tamanho não é documento, pois se tamanho fosse documento, um certo senhor que conheci, um homem de alta estatura, seria um paladino baluarte, na busca do Mundo da Moda por modelos de alta estatura, na termo “sua alteza real”, na busca por ser o dono do Mundo, na sedução do Anel do Poder, corrompendo o mais nobre dos homens, numa obra sombria como a de Tolkien, longe de fadinhas boas da Disney e de personagens idealizados, de perfeição benéfica, no pedido de Tolkien aos herdeiros – não vender os direitos de Tolkien à Disney! A moça está mortificada, blindada a pensar em bobagens, na razão dos números, na forma mais racional possível, na importância da Matemática, que é desenvolver nosso raciocínio lógico, no paradoxo do sociopata, um sociopata de uma inteligência fria, mas um sociopata cujas ações doentes são detectadas pela mesma razão fria, ou seja, por trás de uma fria razão, tem que haver um bom coração; um coração de apuro moral, no termo “loucura sã”, que define o sociopata – aparentemente normal, mas, no frigir dos ovos, doente. Aqui, o diabrete veste uma máscara de pureza, no lobo disfarçado de cordeiro, numa espécie de vida dupla, no sociopata que vê que o Mundo reprova tal desapuro moral, com desenhos animados de super heróis, sempre mostrando à criança que o caminho do bem é o melhor, sempre, na vitória do bem sobre o mal, nos versos de uma famosa ópera: “A Aurora venceu!”.
Acima, Alegoria da Pintura. Aqui é ironia de metalinguagem, pois é a pintura de Strozzi falando da pintura dentro do quadro. Os seis aqui, praticamente desnudos, explodem em exuberância, em fartura, num lar farto, num país farto, como no imigrante italiano na Serra Gaúcha, sonhando com uma mesa farta de galeteria, com muita comida, numa mesa de rei, na memória divertida que tenho de uma moça italiana numa galeteria, embasbacada com tal fartura, nela dizendo: “Quanta comida! Como vocês comem!”. Aqui é uma identidade feminina, num mundo de homens, no passado da Inglaterra, no qual só homens podiam frequentar os tradicionais colleges, os quais eram regularmente visitados por Elizabeth I, uma das maiores estadistas da História, na ironia de que era uma regente mulher, numa Inglaterra de homens, em figuras como Evita, obtendo tanto poder numa Argentina de homens, nessas mulheres viris, fortes, remetendo a certas senhoras da política brasileira, as quais não se arrumam muito, crendo que, se arrumarem-se, serão tidas como peruas e não serão levadas a sério, quando é bem pelo contrário, evocando novamente aqui Elizabeth I, a qual levava muito a sério o se arrumar na hora de ir a público, conquistando a corte e o povo inglês em geral, remetendo a um certo senhor sociopata, o qual se elegeu por ter uma aparência acima de qualquer suspeita, sendo deposto depois, numa máscara caindo, nessa capacidade do sociopata em manipular as pessoas, numa carência enorme de apuro moral, obtendo poder pelo poder, e não por ter propostas concretas. Os seios fartos são as amas de leite negras no Brasil Colônia e Império, amamentando os bebês dos brancos ricos, em novelas contundentes como Sinhá Moça, em manifestos sociais, mostrando os horrores da Escravatura, em escravos sendo jogados em senzalas tais quais cachorros em canis, tudo em nome das ambições dos barões do café, no Anel do Poder, na noção da trilogia majestosa Matrix: “Os que homens poderosos querem? Mais poder!”. É uma sede insaciável, num Alexandre querendo ser rei do Mundo, nos versos de uma canção de Tears for Fears: “Todo mundo quer mandar no Mundo!”. Aqui é o estilo barroco entre claro e escuro, longe da iluminação apolínea renascentista, nos novos movimentos que sempre vêm, como na formidável transgressão modernista, resultando nos dias de hoje, quando a Arte é absolutamente livre, muito livre, sem limites para a criatividade dos artistas. Os seios remetem à França pouco antes da Revolução Francesa, com mulheres da corte em seus decotes ousados, com seios fartos, em vestidos tão suntuosos, em contraste com a plebeia francesa, nas recomendações de Costanza Pascolato às mulheres, dizendo para estas ousarem no decote: “Mostre que você tem vida em dobro!”. É na famosa fotografia em que Sophia Loren, num decote sensual, mas decente, olha em profunda reprovação para o decote ousadíssimo de Jane Mansfield. Os seios aqui são a ambição de muitas mulheres siliconadas, remetendo a Janet Jackson certa vez, mostrando um de seus seios em público, apelando, é claro, ou como no controverso livro Sex, da monstruosamente estelar Madonna, com fotos picantes, numa mulher querendo mostrar o corpo nu, nas palavras de um certo senhor: “É a uma decorrência natural na pessoa que tem corpão querer mostrar tal corpão”, por que de que adianta fulaninho ter se fulaninho não pode mostrar, mostrando o resultado de seu esforço em espartanas rotinas de exercícios em academias? Remete a um certo senhor, o qual passa os dias de sua vida dentro de uma academia. A moça enrubescida olha para o alto, como se estivesse buscando por inspiração, num sonho de artista em ser uma estrela no céu, guiando os sonhos e as percepções do Mundo, tornando-se tal referência, numa estrela sem gênero, simplesmente uma estrela, vibrando pujantemente no céu, remetendo ao famoso poema Ouvir Estrelas, em astros tão amados pelo Mundo, em carismas avassaladores – apenas beleza não garante o estrelato, pois a pessoa tem que ter um algo a mais; um indefinível Tao. Os seios são a Vida, a fartura, numa imaginação de gênio artístico.
Acima, Alexandre, o Grande, restaurando o trono usurpado por Abdolomino. A coroa é o tão cobiçado poder, numa pessoa que se torna o cidadão mais importante de um reino. É o termo “capital”, em algo de suma importância, como num passe num centro espírita, num banho de luz metafísica, em torno do que importa, que é a mente, a cabeça, no conselho em consultórios de Psicologia: “Não ouça o coração!”, no modo como este é tão traiçoeiro, enganando-nos em labirintos de emoções, como uma certa senhora, a qual trouxe para o âmago de sua vida um certo rapaz, com este com uma aparência acima de qualquer suspeita, num belo rosto e num belo corpo, uma senhora que se deixou guiar pelo coração, sem observar que se tratava de um psicopata aproveitador parasita, nos conselhos amorosos: Antes do coração, ouça a cabeça, como no filmão A Época da Inocência, numa mulher que coloca a cabeça no lugar e manda o amante à merda, com o perdão do termo chulo. Neste quadro de homens crescidos, numa construção de hierarquia entre homens, há um inocente menininho, numa época em que a Vida é mais simples, numa criança que só precisa fazer duas coisas – estudar e brincar. Aqui é o poder cobiçado, como nas palavras de um sádico Saddam, acostumado a mandar em tudo e todos, dizendo ao subalterno: “Eu não estou pedindo que você faça; eu estou mandando!”, num fim de vida ruim, enforcado, coroando as ambições de um homem, como no vilão Esqueleto, sempre querendo mais e mais poder, numa fome napoleônica, com tantos e tantos egos de poder que ascendem e descendem, nas tentações do Diabo a Cristo, tentando este, num Jesus tão imune ao mundano, ao poder mundano, tornando-se, por ironia, um homem de poder metafísico, em homens tão humildes como Chico Xavier, o qual me ilumina no exato momento em que redijo aqui, nosso irmão carinhoso, formidável, nobre, o maior médium de todos os tempos, num Chico que nunca quis poderes mundanos, no caminho da modéstia, dizendo-se apenas um carteiro, distribuindo mensagens, principalmente a mães que perderam os filhos, reconfortando tais mulheres. Um senhor calvo olha por uma lente, que é a sabedoria de observar o Mundo da forma mais realista e fria possível, na revolução do avento do vidro, construindo janelas e lentes oculares, em cômodos renascentistas com suas janelas de vidro colorido, na magia das cores. A coroa é o poder, como numa rainha da Festa da Uva, numa supermulher, poderosa em sua função representativa, representando a mulher caxiense e a beleza de tal terra, no fascínio que a Serra Gaúcha exerce sobre o restante do Brasil, em mecas turísticas, desde a onírica Gramado ao sedutor Vale dos Vinhedos, no fascínio que o álcool sempre exerceu sobre a Humanidade, na universalidade da birita – cerveja, vinho, rum, tequila, uísque, vodca etc. A coroa remete a um dos melhores momentos de toda a História da Teledramaturgia Brasileira, que foi o novelão Que rei sou eu?, numa crítica social, num elenco memorável, em cenários e figurinos da época da Revolução Francesa, na novela acabando com a dissolução do poder tradicional, numa revolução do povo, numa rainha deposta, arrasada, como na guilhotinada Maria Antonieta, ou como no assassinato da Família Imperial Russa, matando inocentes crianças, no modo como os comunistas conquistaram a reputação de serem “devoradores de criancinhas”, no modo como nenhum radicalismo é positivo, na aversão de Marx pelas religiões, combatendo os xiitas de qualquer crença, no paradoxo chinês, numa ditadura comunista que é um país perfeitamente capitalista. As barbas aqui são tal masculinidade, num mundo de homens, no eterno papel coadjuvante da mulher, sempre na sombra de um homem, como uma certa senhora, a qual abandonou a carreira para se tornar uma anônima mãe, esposa e dona de casa, algo que não traz identidade a uma mulher, nem a um homem. A beleza da coroa é o Plano Superior, no qual não há ambições mundanas.
Acima, Berenice. A mulher é rica e abastada, com joias pelo corpo, na metáfora dos anéis de Tolkien, o poder delegado, em sedutores presentes, na malícia de Sauron, o Senhor do Escuro, com o intuito de controlar a Vida, num sistema opressor, no cidadão que é um escravo, no modo como somos escravos do Capitalismo: Tenho que acordar, trabalhar, produzir capital e comprar bens cobiçados de consumo, como um celular último tipo, nas tentações de vitrines de shoppings, na “varinha mágica” do cartão de crédito, o qual nos dá a sensação de que somos a nata da nata, no culto ao consumo, na noção taoista: Se você não está tempo todo querendo, você pode ter paz! A moça nos olha. Ela é discreta e reservada. É bela, sendo difícil de se crer que é descendente de símios, na busca grega pela beleza apolínea, em “rostinho de bebê” como do ator Elijah Wood, num insaciável mercado de modelos, sempre em busca do frescor de rostos novos, num mercado volúvel, adotando e descartando a esmo, em jovens que precisam se “matar” para se manter no condicionamento físico que a profissão de modelo exige, em tantos sonhos despedaçados, numa figura de Gisele, uma mulher tão forte, que passou por todos os testes que a profissão exige, sobrevivendo a tal estilo de vida sofrido, pois, por trás do glamour da profissão de modelo, exige uma dureza horrível, num mundo tão competitivo, com poucas vagas para muitos pretendentes, como um certo senhor, o qual abandonou a carreira de modelo para ser médico, ou como outro certo senhor, abandonando a carreira de ator para se tornar advogado, um senhor este de uma bela estampa, na sabedoria popular: Beleza não põe à mesa! Na cena aqui vemos um duro elmo de guerra, no busto blindado da Mulher Maravilha, no bloqueio para más vibrações, na pessoa que ouve a voz da razão, nunca do coração. O elmo é o talento patético do Homem pela guerra, como neste ano de 2025, com tantos conflitos graves no Mundo, com tantas pessoas inocentes sendo mortas, bombardeando hospitais, por exemplo, no modo humano de subestimar a Paz, a qual é maior do que a raiva, fazendo da Terra algo tão distante do Céu, pois as catástrofes naturais são a prova de que é a Terra quem tenta imitar a perfeição do Céu, num mundo de Amor, onde há paz e respeito mútuos, numa vizinhança de paz plena, com cada um vivendo sua vida com produtividade, como uma certa psiquiatra recém desencarnada, a qual levou uma vida nobre e produtiva na Terra, voltando de cabeça erguida ao Plano Superior, no clima de missão cumprida, como na energia no velório de outra certa senhora, no qual se respirava a consciência do desencarne, no espírito se dando conta de que seus dias mundanos acabaram. Os cabelos da moça estão soltos e ao sabor do vento, numa liberdade feminista, nos versos de uma certa canção: “Não há liberdade sem amor; não há amor sem liberdade”. É o conceito democrático da liberdade, algo não muito pleno no Brasil, no qual o voto e a apresentação de homens ao exército são obrigatórios. Aqui, os cabelos negros entram em contato com um fundo negro, numa confusão, numa mescla, numa harmonia cromática, e os cabelos soltos são tal liberdade feminina, na força do pensamento feminista, sempre pensando contra o patriarcado, no modo como pode ser malvista a mulher independente, pois no patriarcado a mulher tem que estar submetida a um homem, como no Monumento Nacional ao Imigrante em Caxias do Sul, no casal de colonos, com ele mais alto e mais forte do que a mulher, e com esta com a criança no colo, com as obrigações dos afazeres domésticos, fazendo do casamento um trato e uma conveniência – nós nos unimos e cada um faz uma parte do trabalho, remetendo a um certo senhor, o qual era um homem que tinha um lar, com esposa e filhos, e tal esposa resolveu se separar dele, arrancando dele o lar que ele tinha, um homem que se viu devastado, tendo que reconstruir a vida com uma nova companheira. Aqui remete a eras em que as mulheres gordinhas eram consideradas muito sexys, ao contrário dos CRUÉIS padrões de beleza feminina no século XXI – semianoréxicas.
Referências bibliográficas:
Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.
Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.meisterdrucke.pt>. Acesso em: 11 jun. 2025.
Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.






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