quarta-feira, 13 de agosto de 2025

aBSurdamente talentoso (Parte 9 de 10)

 

 

Falo pela nona vez sobre o pintor italiano Bernardo Strozzi. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Retrato de Giacomo Raggi, Senador da República de Gênova. Aqui temos uma austeridade profunda, dura, quase cruel, na discrição do preto, como uma certa pessoa discretíssima, uma mulher que raramente usa maquiagem, e, quando usa, usa o mínimo, como num casamento certa vez, num vestido preto, discreto, na sabedoria do camaleão, invisível, como no homem de Tao, subestimado, sempre nos surpreendendo, pois se podem me ver vindo, não terei sucesso. Aqui temos uma dureza de uma Maria Tudor, queimando pessoas vivas em fogueiras, num ser humano se esforçando para ser o mais cruel possível, como na inflexibilidade de um cadáver, duro e distante. O preto aqui predomina, como na austera capa preta dos ministros do STF, no chamado lado negro em Star Wars, na obsessão humana em obter dinheiro e poder, com milhões de brasileiros que tentam ganhar na loteria, no surpreendente modo como é um inferno a vida de tal vencedor da loto, nas palavras de uma personagem no filmão O Advogado do Diabo: “Eu acreditei que ter um monte dinheiro seria bom, mas não é!”, na necessidade da pessoa rica em investir, como uma certa popstar, uma grande compradora de obras de Arte. É a metáfora do Anel do Poder, sempre seduzindo os mais íntegros homens, numa pessoa que sonha e imagina o que faria com tanto dinheiro. A dura gola remete à moda renascentista, no modo como as modas delineiam as épocas, como na revolução do jeans, na moda jovial dos anos 1980, na juventude trazendo novos sopros de estilo, numa década que tanta sinergia teve, como no boom das bandas de rock brasileiro, como vi certa vez nos anos 1990, na Rua no Rio de Janeiro, o ícone Renato Russo, um artista de singular talento, num artista que era soropositivo, e que simplesmente parou de tomar os remédios, ou seja, na prática, suicídio, nesta doença tão cruel, como vi certa vez na Rua um rapaz de magreza cadavérica, provavelmente com AIDS, como um amigo que tenho, soropositivo, o qual me disse que, ao descobrir que tinha AIDS, passou a apreciar os aspectos mais simples da Vida, como sair de casa num ensolarado sábado de manhã e caminhar pela cidade, no modo como a vida é boa quando é simples, na simplicidade de se sentar num gramado em um parque e papear com amigos, os quais são ouro da vida, nesta consolação que temos nos amigos, pessoas com as quais rimos e somos felizes. O aristocrático escudo ao fundo no quadro é a nobreza, o sangue azul, como me disse certa vez uma psiquiatra: “Tu tens uma energia muito aristocrática!”. É o paradoxo de famílias tradicionais, nas quais homossexualidade é inviável e impensável, em algo obtuso, como num casal lindo num filme de Allen, na linda mulher dizendo: “Sou vazia e obtusa, e nada falo de interessante!”. É a questão de não ouvirmos o traiçoeiro coração, o qual se deixa levar pelas aparências, como vi certa vez na Rua um rapaz com uma tornozeleira eletrônica, um rapaz que tinha uma aparência cima de qualquer suspeita, como nos elegantes nazistas, na metáfora de Tolkien: Homens de aparência tosca e rústica causam uma sensação melhor do que os malévolos elegantes. Ao fundo uma fina cortina de nobre veludo, na ação aveludada, fina, no tato diplomático, sempre primando pela paz, em esforços para se dialogar com Trump sobre os insanos tarifaços – você crê que um homem bom, íntegro e nobre como Obama faria o que Trump está fazendo? São esses homens íntegros como Tancredo Neves, no cavalheirismo no fio do bigode, um Tancredo de trágica morte, prestes a se tornar o primeiro presidente brasileiro depois dos anos de chumbo da ditadura militar. O homem nos olha distante, duríssimo, como em rituais de maçonaria. O homem aqui parece ter pouca clemência ou sensibilidade, como em duros agentes da Polícia Federal em aeroportos, detectando drogas em bagagens e prendendo os donos de tal carga ilícita, ao contrário da liberdade holandesa: Se você quer se drogar, vá, pois a vida é sua! É como os barões do narcotráfico não querem a legalização das drogas, pois essa medida colocaria em risco o poder paralelo de tal mundo de crime. O escudo aqui é a força, num carro blindado, no busto blindado da Mulher Maravilha, rechaçando tiros de canhão, num ícone feminista – bela, porém forte.

 


Acima, Retrato de jovem senhora com colar de coral. Aqui é uma das várias encomendas feitas ao artista, um homem que conseguiu se sustentar financeiramente. O traje aqui é digno de rainha, em roupas pomposas, dignas de realeza, um luxo inacessível ao cidadão comum e pobre, no contraste entre os luxos de Versalhes e o padecimento do povo francês, amargando os exorbitantes preços do simples pão, pois o líder que se opõe ao próprio povo é deposto, nesses golpes de estado, como num Trump enfurecendo uma multidão, a qual tomou prédios de poder público dos EUA, como em discursos de Collor, enraivecendo turbas, na sabedoria de que a paz é maior e melhor do que a raiva, pois o ódio não é perene, e o perdão é o caminho natural da Eternidade, na imortalidade da beleza e da paz, a qual reina no Plano Superior, o plano em que todos vivem em paz, numa deliciosa vizinhança, num lugar em que não há estressantes presas ou prazos, como já vi em agências de propaganda, com prazos estressantes, num degradante estilo de vida workaholic, como um senhor certa vez, o qual simplesmente tocou dois dias inteiros de labor sem dormir ou descansar entre as jornadas, e isso não é uma falta de respeito para consigo mesmo? Não devo me dar ao respeito? Que vida é essa na qual sou um escravo de Matrix? É a prisão capitalista: Tenho que trabalhar para produzir capital. As pérolas rubras são a vibração da vida, no fascínio de uma mulher de vermelho, no poder do vermelho, num batom vermelho, numa certa menina, a qual fica horas na frente do espelho se maquiando, no caminho da autoestima, que é cuidar de si mesmo, como sair de casa perfumado, no maravilhoso mundo das fragrâncias, no perfume que é indicativo de limpeza e pureza, numa elegantes sala com pessoas bonitas, na beleza imortal metafísica, o plano no qual não há envelhecimento, nem passagem do tempo, num plano atemporal, fino, onírico, no caminho da mortificação, na questão da pessoa em se desapegar de bobagens mundanas, como no personagem Oscar Schindler, um playboyzinho fútil que acaba se compadecendo com as dores do Holocausto, em homens tão malévolos como Hitler, de rasíssimo apuro moral, remetendo a um certo senhor, um sociopata frio de marca maior, empenhado em fazer os outros sofrerem, com outro certo senhor, doutrinando os alunos ao Nazismo – é um horror. Aqui é a era sem a fotografia, a qual libertou a Arte da função retratista, em pinturas que só os ricos podiam contratar. Aqui, perdeu-se a identidade da modelo, como na caxiense Festa da Uva, num desfile alegórico em que uma moça bonita acenava dentro de um cesto de vime, representativo do artesanato colonial italiano, uma moça cuja identidade se perdeu, mas uma moça que inspirou a comunidade a, na edição posterior da Festa, eleger uma rainha para representar a Festa e o povo caxiense, no poder das tradições, as quais nos dão a sensação de que a passagem tempo é uma ilusão, ou seja, remete ao Plano Superior, sem tempo ou envelhecimento. As flores são a feminilidade, como numa foto que Barbra Streisand tirou com Céline Dion, com um vistoso buquê de rosas ao fundo, no poderoso dueto que as divas fizeram juntas, no dever da Arte em nos tocar, em tocar nossa humana sensibilidade, como um certo sociopata, absolutamente indiferente à comoção mundial do megahit I Will Always Love You, da finada Whitney Houston, uma artista cuja voz foi DEVASTADA pelas drogas, num caminho de autodestruição, numa vida que se tornou um pesadelo. A modelo tem uma idade incerta, pois não sabemos se o artista quis rejuvenescê-la. É como em exímios fotógrafos, os quais têm recursos para disfarçar a idade dos modelos, ou como no velho e bom programa Photoshop, manipulando imagens, na obsessão humana em não envelhecer – tudo gira em torno do plano acima. As vestes são luxuosas, e um tanto incômodas, como numa apertada gravata, no glorioso e libertário momento do happy hour, com gravatas afrouxadas e drinks sendo tomados, um recreio depois de um dia de labor e sisudas obrigações, nas palavras em O Iluminado: “Muito trabalho e pouca diversão fazem de Jack um bobão!”,

 


Acima, Retrato de Nicolo Raggi. O traje é bélico; não de gala. A armadura é a força e a resistência, como ouvi certa vez numa palestra, dizendo que os escravos negros no Brasil criaram toda uma cultura de resistência, criando a Capoeira, na universalidade das artes marciais, como no judô japonês ou nas tribos amazônicas, numa atividade sempre relegada aos homens, na universalidade dos preconceitos patriarcais, relegando a mulher a ser uma insignificante e anônima mãe, esposa e dona de casa, como uma professora que tive na faculdade, uma mulher que abandonou qualquer carreira para se tornar dona de casa, no caminho inverso da identidade – ser uma anônima dona de casa não vai dizer a você quem você é! É como outra certa pessoa, exclusivamente cuidando de uma casa, como no patriarcal Monumento Nacional ao Imigrante em Caxias do Sul, no homem mais alto e mais forte do que a mulher, com esta segurando um bebê, relegada às enfadonhas atividades do lar, enfurecendo as feministas, as quais pensam contra os ventos patriarcais, no caminho da mulher forte e independente, como na figura da Mulher Maravilha, bela e formosa, mas forte como um tanque de guerra, sem estar à sombra de um homem, mas infelizmente colocada num nível abaixo do Super Homem, na figura do macho alfa, do macho forte, no modo como, sinto em dizer, as próprias mulheres são machistas, adorando ser respaldadas por um homem forte, mais alto, mais expressivo, como no menino criança, achando fraca e tediosa a figura da Mulher Maravilha, preferindo o homem forte, chegando à adolescência, a época em que as meninas começam a se interessar pelos meninos, e viceversa, a salvo, é claro, em casos de homossexualidade, que é algo “de cabeça para baixo”, numa pessoa que pura e simplesmente nasceu assim, numa simples questão genética – não tem mistério. O rapaz aqui é bem jovem, do rapaz do tipo “corpo de homem; cabeça de criança”, no termo “gurizão”. O rapaz é belo e saudável, de rosto corado, um galã arrancando suspiro das menininhas, no modo da menininha em idealizar certos rapazes, acreditando em contos de fadas e em príncipes perfeitos, como uma mulher que se equivoca no púlpito, casando com um homem o qual tal mulher considera perfeito, um príncipe, mas uma mulher que vai se decepcionando, até se dar conta de que casou com um grossão de marca maior, no modo como o sisudo dia a dia vai esfriando o calor na relação, como no sexo que vai se tornando mecânico, no modo como um homem pragmático só se casará bem casado se for com uma mulher pragmática, fazendo do casamento não um romance, mas uma conveniência – nós nos casamos e cada um faz uma parte do trabalho, numa conveniência mundana, pois no Plano Superior somos todos irmãos, sem a necessidade de conveniências, no modo como, lá em cima, tudo se resume a amizade e fraternidade, valores tão amplamente ignorados pelo Ser Humano, subestimando o poder da paz sobre a raiva, como em grandes estadistas em pé de guerra pelo Mundo. A coluna aqui é tal firmeza e estabilidade, num homem sério e centrado, um homem ao qual a mulher pode se agarrar com segurança: “Vem que eu te seguro, gatinha!”. É no modo como mulher heterossexual precisa de homem e viceversa. O rapaz é bem jovem, sem um único fio de cabelos ou barbas brancas, numa idade em que a pessoa tem que começar a adquirir o controle de sua própria vida, não deixando que o Mundo mande na pessoa, como um certo senhor, o qual mandou o Mundo à merda, com o perdão do termo chulo, e foi tratar de ser feliz, não mais permitindo ser controlado pelas expectativas de outrem – é uma libertação, meu irmão! O escudo, o brasão é o orgulho humano, nos versos de uma certa canção pop: “Você tem orgulho em excesso!”. Aqui é um quadro de virilidade, como no comercial recente de uma fragrância de Versace, com um homem viril lançando uma poderosa flecha, a qual destrói o próprio frasco de perfume. É como no filmão O Clube da Luta, na imposição do masculino nu e cru.

 


Acima, Retrato de um cavaleiro maltês. Identidade perdida do modelo, como em distantes parentescos que se perdem nas noites do tempo. Aqui é bem barroco, com um fundo negro, algo impensável na luminosidade renascentista, como no quadros de Botticelli, numa moda, numa vogue que fez da Arte tal poderoso instrumento de renovação, como num frescor primaveril de debutantes vestidos de brancos, como ouvi de uma certa menina, a qual aponta tendência feministas: “Que machismo são essas festa de quinze anos de idade, com o pai exibindo a filha como se esta fosse um pedaço de carne!”. O modelo aqui é um homem vivido, experiente, na sabedoria que os anos de vida vão nos trazendo, longe das irresponsabilidades adolescentes, no modo como a juventude plena, feliz e apolínea é uma invenção de velhos, pois cada etapa da Vida traz dores e desafios, pois quando se é jovem demais, vive-se perigosamente. O objeto fálico é como um fálico canudo de diploma, como no fálico Código de Hamurabi, assustando o cidadão comum, como em campanhas de Contrarreforma, queimando hereges protestantes em fogueiras: Se você não quer acabar como esse pobre diabo, comporte-se e viva dentro da lei direitinho. O falo é a retilinidade, como num digno homem de palavra, no modo como eu, certa vez, fui enganado por um senhor, o qual faltou com o apuro moral, mentindo para mim, desrespeitando-me como cocidadão, e eu gostaria de dizer a tal senhor que a palavra de um homem vale mais do que dinheiro, havendo entre nós os sociopatas, pessoas de má fé, mentirosas, muito mentirosas, como num certo sociopata, o qual é louco e mente descaradamente, em ações as quais, ao serem analisadas de desconstruídas, não apontam lógica ou razão, na imposição fálica do pensamento racional, desnudando mentiras, jogando pobres diabos sofredores nas inóspitas terras do Umbral, a dimensão dos miseráveis que não amam o Mundo; dos que subestimam o poder do Amor Incondicional, como outro certo sociopata, o qual amo, pois é meu irmão, um sociopata que passará por muitas vidas e tornar-se-á um grande espírito de luz. O homem aqui é calmo, sereno e paciente, com saco para posar, como me disse certa vez uma senhora idosa: “Os jovens não têm paciência!”. A Cruz de Malta é tal dignidade do guerreiro cristão, entrando em guerra, na ironia de que Jesus jamais entraria em guerra, sendo Cristo o Príncipe da Paz, num polido diplomata sempre lutando pela paz, pela concórdia, pelo cavalheirismo no fio do bigode, em esforços do Papa em pedir sempre paz nos conflitos ao redor do Mundo, nos esforços do padre na missa, chamando-nos de irmãos, num Caim eternamente matando Abel, em irmão derramando sangue de irmão, no caminho desolado do ódio, que é uma miséria existencial. As cores do traje aqui são sóbrias, em harmonia com o sisudo fundo preto, na discrição do luto, no modo como roupas pretas entraram na Moda nos anos 1990, nos famosos versos de uma canção pop brasileira: “Aqui, nesse mundinho fechado, ela é incrível, com seu vestidinho preto indefectível. Eu detesto o jeito dela, mas, pensando bem, ela fecha com meus sonhos como ninguém!”. É ao contrário de O Mágico de Oz, na malvada bruxa crepuscular toda de preto, com sua pele verde, num sociopata verde de inveja, querendo destruir outrem, como me disse certa vez minha querida avó: “Serás feliz, mesmo que, para isso, tenhas que dar um ‘chega para lá’ em alguém!”, e tudo o que precisamos fazer é não nos relacionarmos com sociopatas, no sentido do termo “murro em ponta de faca” – se eu mantiver distância, ficarei bem. Aqui é uma figura patriarcal, no poder de uma pessoa em manter unida uma família, como na família de meu falecido cunhado, uma família bem unida, que se reúne e faz brincadeiras, lembrando muitos meus Natais com meu avô materno, já falecido, o qual em vida manteve a família unida, no prazer que é rever membros da família, nossas raízes no Mundo, ao contrário de um certo rapaz, o qual nasceu sem família nem lar, tendo que crescer num duro orfanato.

 


Acima, Sagrada Família e São João Batista. O menininho é o princípio patriarcal, onde tudo começa com uma criança do sexo masculino – por que Jesus teve que ser homem? A Virgem é tal inocência e pureza, numa passividade extrema, aceitando passivamente ser mar e mãe do filho de Deus, como me disse certa vez uma intelectual a qual respeito: “Maria foi uma puta, aceitando ter filho com quem não era marido dela!”. A família é tal instituição social sólida, com tudo sob a chancela do patriarca, o chefe de família, mas sempre sob o controle da esposa, a patroa, que dá uma boa sova no patrão, como em brigas que ouvi de um casal de vizinhos meus, com ela dizendo “Eu não aguento mais!”, e com ele silencioso, aceitando a sova da patroa, como numa briga de casais que vi, com ela dando um sermão no patrão, e este sentado à beira da cama, aceitando tudo, talvez com medo da esposa pedir divórcio. Um anjinho abençoa a cena, numa interferência divina, nas bênçãos celestiais, na imagem que temos do Céu, com anjinhos loiros tocando harpas de louvor, algo além da realidade, pois no Céu vemos a necessidade de nos mantermos ocupados, na perguntinha inevitável quando encontramos um ente querido lá em cima: “Onde estás trabalhando?”. É a dignificação do trabalho, pois mesmo Tao é tal trabalhador, sempre criando, deixando-nos perplexos com tal perfeição, no modo como um fã clube fica ávido pelos próximos passos de um popstar, em fã clubes volumosos, com mais de um bilhão de acessos no Youtube, na capacidade de certos artistas em manter tais níveis estratosféricos de popularidade, como no boom global de um Michael Jackson virando lobisomem num videoclipe, no álbum mais bem sucedido de toda a história da indústria fonográfica mundial, com absolutamente todas as faixas virando hits em rádios – uau. José aqui tem um papel discreto e coadjuvante, aceitando o filho que não é seu de fato, como eu em desenhos infantis, colocando minha mãe gigantescamente, enorme em importância, desenhando meu pai bem menor, discreto, nos versos do fenômeno de popularidade televisiva A Família Dinossauro, com o famoso Babyssauro se referindo ao próprio pai: “Não é a mamãe!”. É no mito grego de Édipo e Jocasta, estourando em popularidade na telenovela Mandala, da Globo, no sucesso da canção O Amor e o Poder: “Aqui neste lugar não há rainha ou rei! Há uma mulher um homem trocando sonhos fora da lei!”, num hit brega nas rádios, uma canção brega, mas muito bonita e instigante. Aqui são estes fundos negros barrocos, profundos, assinalando o contraste iluminado, no jogo de sedução entre opostos, pois se digo que algo é claro, é porque comparo com o oposto, que é escuro, na noção taoista de que fácil e difícil são faces do mesmo trabalho, ou seja, um trabalho que me exige disciplina e dedicação, mas um trabalho que me dá prazer, no modo como não existe trabalho que seja 100% prazer. A Virgem veste vermelho, no sangue sacrossanto de Jesus, o mesmo sangue sacrossanto que circula em nossas veias, pois somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei Supremo, no caminho da Vida Eterna, o inestimável presente que nos foi dado, no poder supremo do infinito, que é Deus, como uma orla vazia na qual podemos escrever, no poder libertador da orla, num lugar simples e de liberdade, no qual somos nós mesmos, sem afetações ou frivolidades, no modo como a Vida é boa quando é simples, como sentar num gramado num parque público, em prefeituras que se esmeram em manter em ordem tais espaços, na companhia de amigos, os quais são o ouro da Vida. O José aqui é bem calvo, já na terceira idade, remetendo a um rapaz inteligente que conheço, um jovem já calvo, um rapaz de dignidade, trabalhando na carreira docente, no modo como pessoas inteligentes são tão interessantes, a salvo em caso de sociopatia, numa inteligência serviço do Mal. O Menino Deus é apresentado como herdeiro do Cosmos, numa nudez de absoluta pureza.

 


Acima, Salomé com a cabeça de São João Batista. A cabeça é o termo “capital”, que é o que importa, no capitalismo, com tudo girando em torno do dinheiro, no mundano hábito do viciado em cocaína, pegando o cartão de crédito para moldar a carreira de pó a ser cheirado, com tudo girando em torno do capital, numa escravatura: Tenho que trabalhar como um “burro de carga” para produzir capital e, assim, adquirir cobiçados bens de consumo, como roupas de grife ou um celular último tipo, na escravatura de Matrix, no indivíduo escravo de um sistema, no Mito da Caverna, com a pessoa com sua mente aprisionada, no papel do filósofo, que é nos libertar.  A cabeça do santo é tal prêmio, nos caprichos mundanos de Salomé, nos mártires católicos, tornando-se santos, como certa vez na história da Santa Sé, caçando dezenas de santos, num Vaticano tão sisudo, resultando em figuras libertárias como Francisco, num sopro de renovação jovial, numa reforma indelével, não podendo haver retrocessos por parte do atual Papa Leão XIV, nesses carismas tão fortes como o de Francisco, inspirando as pessoas e unindo o Mundo em torno do divino, num poder de reunir as pessoas, como numa matriarca numa mesa, com todos unidos pelo sagrado alimento, numa farta mesa de galeteria, fartíssima, no cliente comendo como um rei, na magia dos almoços de domingo em família, no cheirinho de churrasco pairando no ar, na magia de uma boa picanha, na paixão brasileira pelo churrasco. Aqui remete à peça teatral Salomé, estrelada por Christiane Torloni, peça a qual vi em Porto Alegre, na qual Salomé dançava e seduzia os homens, na magia da dança do ventre, num ventre farto, numa cornucópia, num reino farto e rico, em nações ricas e fartas como o Canadá, longe do atual paradigma de beleza feminina, numa crueldade de só achar sexy uma mulher que esteja na antessala da anorexia, com manequins anoréxicas em vitrines de shoppings, no ponto de magreza tal na qual os ossos torácicos ficam evidentes acima dos seios – é um horror, uma ditadura que esfaqueia violentamente a autoestima da mulher, como uma certa menina que conheci, obcecada em perder peso, não se alimentando e nem bebendo água, temendo que esta fizesse seu próprio corpo inchar – que sofrimento, Deus Jesus do Céu. O capataz ao fundo está retirado, quase anônimo, talvez aquele que atendeu ao cruel pedido de Salomé, na capacidade do Ser Humano em ser o mais cruel possível, como queimar pessoas vivas em fogueiras, como no passado dos EUA, em mulheres condenadas por bruxaria, na misoginia arraigada na Vida em Sociedade, como no filme A Letra Escarlate, no qual parte de uma mulher a ideia de condenar socialmente uma mulher por adultério, ou como no modo como os próprios homossexuais são homofóbicos, aceitando uma degradante vida de submundo, numa esfera paralela, num escuro e tóxico, um presídio para a mente – é um horror. Salomé aqui exibe seu caprichoso troféu, numa mulher mundana, cruel, com seus caprichos, em personagens bíblicos que remetem ao mundano, tudo em torno do Anel do Poder, sempre corrompendo nobres corações, no teste ao qual a Galadriel de Tolkien foi submetida, resistindo às tentações do Anel, recolhendo-se em discrição e humildade, não perdendo o ser ela mesma. O quadro aqui é bem barroco, com um fundo negro, impensável em termos renascentistas, numa luz que entra num cômodo tão escuro, nessa paixão de Strozzi por cenas sacras e escuras, no modo como as ondas de renovação sempre vêm, como no poderoso advento do Modernismo Brasileiro, “sepultando” a tradicional Arte Acadêmica, em ícones tradicionais como Pedro Américo, construindo tal fascinante obra, no poder da Arte em nos deslumbrar e encantar, fazendo com que “babemos” frente a tais talentos, como na suntuosidade de Christo e Jeanne-Claude, no poder da Arte em causar comoções, como na comoção mundial de Titanic, arrancando inúmeras lágrimas ao redor do Mundo, como menininhas japonesas tietes se reunindo para chorar pelo Jack morto no filme. A Salomé aqui tem um aspecto aristocrático, no poder aquisitivo de alguém que pode contar com o serviço de um artista célebre.

 

Referências bibliográficas:

 

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.meisterdrucke.pt>. Acesso em: 11 jun. 2025.

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

aBSurdamente talentoso (Parte 8 de 10)

 

 

Falo pela oitava vez sobre o pintor italiano Bernardo Strozzi. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, O dinheiro do tributo. A aureola é o indicativo de divindade, de superioridade moral, na hierarquia espiritual – os mais depurados regem os menos. Jesus é este grande senhor entre homens, e nenhum outro ser humano marcou tanto a História do Mundo, no título de um filme sobre Ele: Rei dos reis, assim como Zeus é o rei dos deuses gregos, na figura patriarcal, em Adão à imagem de Deus, na perfeição do masculino frente a Eva, a qual trouxe a miséria ao Mundo, enfurecendo as feministas, as elites intelectuais que pensam contra os poderosos ventos patriarcais, na coragem de se pensar contra o óbvio, remetendo à burca, sempre oprimindo a mulher, numa mulher que tem que pertencer a um homem, no modo como as freiras pertencem ao Papa, no divertido modo como padres e freiras vivem em esferas diferentes, com eles num lado e elas no outro, como na Grécia Antiga, com homens e mulheres vivendo em planos diferentes. O traje rubro de Jesus é o sangue derramado na crucificação, num homem que foi tão mal compreendido em vida, oficialmente processado pelo código penal romano, nos inúmeros egos que ascenderam e descenderam na História da Humanidade, e Jesus permanece em sua divindade, em sua simplicidade, pois a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, no modo como a vida é boa quando é simples, como curtir um companheiro ou companheira, desfrutando da vida com simplicidade, nos versos de uma canção do imortal Tim Maia: “Quando a gente ama, não pensa em dinheiro – só se quer amar!”. No modo como uma pessoa extraespecial me ensinou que podemos ser felizes com pouco, na noção espírita: Você não faz ideia a que nível ficam reduzidos os que são considerados felizes na Terra, ou seja, os ganhadores da Loteria, como num certo senhor vencedor de tal prêmio, tendo pessoas que se aproximaram dessa pessoa por puro interesse; não por amizade – sim, ter dinheiro parece ser divino, mas não é, meu irmão. A forte e sólida coluna ao fundo é o sedimento da palavra de Jesus, num tesouro metafísico, de puro pensamento, na noção espírita de que matéria é nada e pensamento é tudo, pois o Plano Superior é puro pensamento, livre das paixões e sofrimentos da matéria, na glória dos desencarnados, livres de todos os problemas relacionados ao coro físico, como quaisquer doenças – é a glória, pois tudo na Terra gira me torno de saúde, física ou mental, na prioridade de um governo federal, zelando, em primeiro lugar, pela saúde do cidadão, como na rica China, construindo rapidamente muitos hospitais de campanha pelo país asiático no boom da Covid, pois as doenças e as tragédias naturais são a prova de que é a imperfeita Terra o que tenta imitar o perfeito Céu, num plano em que não sentimos frio; nem calor. Os senhores calvos aqui são a sabedoria que se acumula na idade, numa experiência de vida, em homens tão bons e sábios como Ulysses Guimarães, respeitado, na altivez de construir o Movimento Democrático Brasileiro em plenos anos de chumbo da Ditadura Militar, um homem importante ao ponto de dar nome ao plenário em Brasília, em homens tão sábios, de uma cultura enorme, dando gosto de se conversar com tal pessoa, pois de nada adianta ser belo e ter um cabeça vazia, obtusa e desinteressante, como num filme do genial Woody Allen, num casal aparentemente lindo, mas, no frigir dos ovos, desinteressante, como um certo senhor que tentou carreira de ator – por fora, um deus; por dentro, uma nulidade. É a questão de se saber enxergar além da Dimensão Material. O discreto menininho no quadro é o próprio Jesus infante, inteligente desde pequeno, na passagem bíblica Dele se colocar entre senhores pensadores e, assim, trocar uma ideia, nessas mentes tão excepcionais, deixando-nos perplexos com tal apuro moral, como num fabuloso Chico Xavier, maravilhoso, o qual está sempre comigo quando falo do próprio Chico aqui no blog, no homem de Tao: Visto, amado e respeitado. Como na humildade de um Pelé, merecendo o título de Rei, ou como no fabuloso gênio cômico Chespirito, com um funeral digno de rei no México, com tantas pessoas que o velório teve que ser num estádio. Aqui é o fascínio de uma pessoa interessante, como numa certa comédia do Cinema, num rapaz que aprende a diferença entre beleza fina e beleza vulgar.

 


Acima, O flautista. Aqui é ironia de metalinguagem, pois é joãozinho falando de joãozinho, ou seja, a arte do pincel  de Strozzi falando da arte musical do flautista. Aqui a música é um perfume para os ouvidos, como num templo em frente ao prédio onde moro, com cânticos religiosos, enchendo a vizinhança de tal perfume, como em músicos de rua, paupérrimos, ganhando alguns poucos reais por dia na rua, como existe, ao menos em Caxias do Sul, o Festival de Música de Rua, com artistas em pontos diferentes da cidade serrana, num artista implorando para ser reconhecido, com tantos e tantos sonhos que se despedaçam todos os dias, como em Hollywood, a terra do fracasso e da frustração, no modo como não me canso de dizer que o sucesso é um amante infiel – hoje, está comigo; amanhã, não sei dizer. É como um Oscar, o qual pode ser uma maldição, pois quando o tão cobiçado sucesso chega à pessoa, esta tem que saber sobreviver a este, tendo a humildade para virar a página e encarar novos momentos, como no ídolo Romário, voltando em 1994 em júbilo à nação brasileira ostentando a Copa do Mundo, num atleta o qual, no ano seguinte, estava bem humilde no estádio caxiense Alfredo Jaconi, jogando contra o dono da casa, o Esporte Clube Juventude, meu time, na sabedoria de que a arrogância precede a guerra, como uma certa modelo que se tornou atriz, deixando o sucesso subir à cabeça, embarcando em delírios de estrelismo, como um certo rapaz comediante, em início de carreira, um diamante bruto de formidável talento, pronto para ser lapidado, mas um rapaz que acabou perecendo, embarcando em estrelismo, no modo como já vimos tantas estrelas aparecendo e desaparecendo, no modo como a imprensa pode fazer disparates, como numa capa da finada revista brasileira Bizz, sobre música, comparando uma subestrela com a soberana Madonna, dizendo a esta na capa: “Cuide-se Madonna – aí vem Patsy!”, e hoje, décadas depois, não se sabe o que aconteceu com a tal Patsy... O senhor aqui não é muito jovem, mas ainda está na flor da idade, do vigor, como eu disse a um certo amigo pelo Facebook: “Estamos na flor da idade; somos jovens ainda!”. Como no Aragorn de O Senhor dos Anéis, um homem grisalho de 47 anos de idade, no auge da virilidade e da juventude, saudável para embarcar em grandes aventuras, nesse apelo universal de Tolkien, como ouvi de um certo artista plástico sobre a trilogia do Cinema: “Sinto saudades dos personagens!”. O chapéu preto é a discrição do luto, como a senhora minha bisavó, a qual, a partir do falecimento do marido, só usou roupas pretas até o fim da vida, nessas senhoras sérias e dignas de respeito, amada pela comunidade, na imortalidade dos laços de amor e de família, uma bisa que é claro que me ilumina lá de cima, no mesmo amor que minha mãe teria pelo filho de meu sobrinho, pois pode parecer difícil de acreditar: Só o amor é eterno, pois as pedras preciosas são matéria, ou seja, estão fadadas à danação, no caminho da Eternidade, na noção de que Deus é o infinito, o plano em que viveremos para sempre, e não é poder demais? As mangas arregaçadas são a dedicação ao labor, como num pintor com seu traje de trabalho, protegendo de eventuais manchas de tinta na roupa, na dignidade do jaleco do médico, como um certo senhor médico, falecido tragicamente ainda jovem, tendo recém se formado em Medicina, um senhor que foi sepultado de jaleco, no traje da dignidade dos que servem ao Mundo, como uma falecida psiquiatra a qual conheci, uma pessoa que levou uma vida nobre e produtiva, auxiliando os que tinham problemas psíquicos, uma senhora que voltou de cabeça erguida ao Plano Superior, no clima de missão cumprida, no modo como o aprimoramento moral é  sentido da vida. – ninguém está em vão no Mundo. O homem aqui quer nos entreter, na missão do artista em nos brindar com talento, em talentos tão notórios como o de Michael Jackson, um senhor que pagou um preço alto por ser tão estelar, numa criança que se viu privada de ter uma infância normal, num pai tirano e duro, que tanto exigia do pequeno Michael.

 


Acima, O milagre de São Didaco. O santo aqui é representante do metafísico, na soberania da cabeça sobre o coração, num coração que pode ser tão traiçoeiro, guiando-nos por caminhos de sofrimento. O menininho aqui é como um coroinha, iniciando cedo a vida religiosa, como num coleguinha que tive o Ensino Fundamental, o qual se tornou padre, no caminho de identidade, na pessoa saber qual é seu lugar no Mundo, num processo de autocognição, e torço muito por tal amigo, o qual pode, um dia ser primeiro Papa brasileiro da História, remetendo a um homem tão excepcional como Francisco, realizando avanços os quais não podem ser ignorados pelos próximos responsáveis do papado, nas palavras de Francisco a uma multidão de jovens: “Sejam revolucionários!”, num espírito de jovialidade, como num longevo da Vinci, mantendo-se brincalhão até o fim da vida, no grande piadista que é Tao, no poder do palhaço em fazer com que riamos de nós mesmos. O santo abençoa um senhor, como num passe espírita, num irmão amoroso nos dando um banho de luz psíquica, nas palavras de uma certa médium abrindo os trabalhos num centro espírita: “É com muito amor e respeito que recebemos vocês em nosso centro!”, no ritual de fluidificação de água, quando levamos uma garrafa de água mineral para esta ser abençoada, pois, ao colocarmos os pés dentro de um centro espírita, temos que o fazer com fé, pois, do contrário, sem fé, a visita é em vão, na fé de se crer que a mente sobrevive à morte do corpo físico, na vitória do pensamento sobre a matéria, ou seja, do fino sobre o grosso. O quadro aqui é bem barroco, na luz que entra num ambiente escuro, superando a luminosidade renascentista, como nos iluminados quadros do grande mestre Botticceli, na vitória da luz sobre a sombra, na famosa ária de Ópera: “A Aurora venceu!”. Aqui, as pessoas buscam auxílio, como receber uma bênção, como num filme mostrando a célebre Elizabeth I abençoando o nenê de uma súdita, numa estadista muito corajosa, a qual sempre trabalhou pela soberania inglesa, sabendo que, se fosse se casar, faria da Inglaterra um mero quintal de outro país, como nos esforços em nome da soberania brasileira frente aos criticados tarifaços recentes de Trump – Deus que me perdoe. O objeto metálico pode ser um incensário de igreja, enchendo de perfume, o qual remete a limpeza, na limpeza do metafísico, sem uma única bactéria, nas apolíneas cidades espirituais, perfeitas, limpíssimas, nos esforços de uma prefeitura em pagar garis que varrem as ruas, pois o que seria de nossas cidades sem nossos humildes garis? O perfume é o fascínio do incenso indiano, na época em que a Europa se abriu por meio das Navegações, explorando o Mundo, nas rotas da seda e das especiarias, fascinando a Europa com mundos distantes e exóticos, diferentes, como colonizadores narrando as tribos canibais brasileiras, em esforços civilizatórios, como impor o Cristianismo aos selvagens tribais, na dificuldade do indígena de compreender a imagem de Nossa Senhora esmagando a serpente da malícia, pois em tais tribos ancestrais, os casais faziam sexo frente a todos os outros membros da tribo, não vendo o sexo como algo vergonhoso ou pecaminoso. O altar aqui é a elevação, como no casal sendo enlaçado frente a Deus e ao Mundo, no ritual em que a moça passa direto das mãos do pai para o marido, como em certas culturas a mulher é uma mera moeda de troca, como no harém do faraó, com várias esposas, sempre na incumbência de colocar no Mundo o próximo na linha de sucessão ao trono egípcio, esta nação que foi um império potente e temido, até chegar aos dias de hoje, em que o pobre Egito é um mero sítio arqueológico, remetendo ao recentemente construído Grande Museu Egípcio, faraônico, em todos os sentidos, numa grandiosidade de fazer jus à glória dos antigos faraós. O traje religioso é tal dignidade, numa pessoa servindo ao Vaticano, no modo como o Ser Humano é tão ritualista, como no ritual diário do banho, remetendo ao limpo povo baiano, num padrão cultural de se tomar dois banhos por dia.

 


Acima, O milagre dos cinco pães e dois peixes. Jesus é tal aspecto sobrenatural, na imposição do mental ao carnal, na vitória da classe e da polidez, do cavalheirismo no fio do bigode, nos diálogos diplomáticos, sempre primando pela paz, no título Dele: O Príncipe da Paz! Aqui Jesus é o epicentro, e todos prestam atenção em Suas palavras, como numa marterclass, na memória que tenho do finado e genial mestre Tatata Pimentel, naqueles professores que valem cada centavo da mensalidade, pois, já, outros professores são mais medíocres e esquecíveis, e imagino que deva ser assim em qualquer curso universitário, na forma de agradecermos por tais mestres inesquecíveis terem passado por nossas vidas. O traje rubro simboliza os mártires, como na católica Maria Stuart sendo decapitada, esperando virar santa, nessas pessoas que se martirizam, como uma certa pessoa, a qual foi presa por dois anos e torturada pela Ditadura Militar Brasileira, e se eu pudesse dizer para esta pessoa: Você “cutucou o tigre com a vara curta” e partiu em busca de problemas, no problema que é só ouvirmos o coração e não a cabeça, nisso tão traiçoeiro que é ouvir o coração, o qual nos faz sofrer, na soberania da cabeça, como num filme com Gwyneth Paltrow, em que ela interpreta uma moça rica que esnoba um rapaz pobre, exigindo que este faça uma proposta de casamento muito séria e sólida, na conveniência do casamento: Nós nos unimos e cada um faz uma parte do trabalho, havendo, no Plano Superior, a desnecessidade de tal conveniência, fazendo com que, lá em cima, marido e mulher sejam puramente amigos, nas palavras do padre ao púlpito: “Até que a morte os separe!”. O fundo aqui é incerto, num Jesus que não sabe que vai ter um fim tão cruel e trágico, e as árvores negras são tal mistério, no modo como a Vida nunca acontece do modo exato como imaginávamos, pois se acontecesse, não aconteceria! É a imprevisibilidade da Vida. O menino abaixo segura o cesto com os pães, no modo como não nego pão a quem tem fome; nem água a quem tem sede; eu nego esmola, pois a esmola só incentiva a pessoa a permanecer na situação degradante de pedinte, nas recomendações de uma instituição de caridade caxiense: Não dê esmola! Então, a pessoa em situação de rua quer fugir da vida e da luta, do desafio, não se importando em morar numa calçada fria, suja, úmida e dura, tal a vontade de evitar o Mundo, nos paladinos versos do Hino Nacional Brasileiro: “Verás que filho teu não foge à luta!”, ou nos versos do imortal Chico Buarque: “Não finja! Não fuja!”, nesses poderosos ícones da MPB, no bom gosto de uma Elis e de uma Marisa, entrando nos lares da Inteligência, sabendo que, se quiser penetrar em tais lares, o labor tem que ser fino e criterioso, como no histórico álbum que uniu dois monstros sagrados – Elis e Tom. E como o Brasil é fino e singular! Jesus aqui é jovem, sem calvície, como na idade do Batman do filme de Burton, na casa dos trinta, jovem, porém maduro, nesta lacuna que temos na biografia de Jesus, com anos em que não sabemos o que Ele fez, resultando no bestseller O Código da Vinci, crendo que Ele se casou com Maria Madalena e gerou uma prole que vive até os dias de hoje, na poderosa imagem do Calvário, na metáfora que nos conta como sofremos quando ouvimos o coração, no sentido da pessoa ter “a cabeça no lugar”, como num filme em que a personagem de Meryl Streep manda o amante à merda, com o perdão do termo chulo, num amante que não fez a ela uma proposta sólida e sedimentada, realista, remetendo a homens que levam vida dupla, tendo duas famílias, no modo como a Vida exige que sejamos unos, íntegros e dignos de respeito, com uma só casa, uma só prole, um só cônjuge e uma só vida, pois é muito grave sabermos que temos no Mundo meios irmãos os quais sequer conhecemos. Os pães aqui são a recomendação taoista para nunca sermos sovinas por comida, como eu recentemente na Rua, dando um pacote de pão a um senhor paupérrimo que vasculhava o lixo em busca de comida, no prazer de se fazer uma boa ação sem pedir algo em troca, no caminho do Amor Incondicional.

 


Acima, Pietro Anselmi. Aqui é uma pessoa rica, que pode bancar os serviços de tal artista célebre e incensado, como nas inúmeras encomendas ao mestre da Pop Art Andy Warhol, num estilo próprio e inconfundível, na felicidade de artistas que são reconhecidos ainda em vida, ao contrário de Van Gogh, altamente ignorado em vida, ressuscitando depois, como no triste Oscar póstumo a Heath Ledger, num Coringa assombroso, no modo como a Academia de Hollywood adora atores que se desfiguram por um papel, abrindo mão da vaidade, na sabedoria popular de que beleza não põe à mesa, no como há muitos rostos lindos e muitos corpões pro aí os quais jamais serão astros, num infindável mistério: O que faz com que uma pessoa brilhe tanto? Resultando em carismas como Tom Cruise, sobrevivendo desde os anos 1980 nesta selva que é Hollywood, a terra dos sonhos despedaçados, no modo como o Mundo pode ser tão competitivo, em jogos de Futebol de alta audiência, cobrando fortunas dos patrocinadores midiáticos. No peito de tal digno e altivo senhor, a Cruz de Malta, que é o símbolo dos guerreiros cristãos, como na cruz no colete do super herói He-Man, na febre de tal universo infantil nos anos 1980, com minha inesquecível coleção de brinquedos, em doces lembranças de infância, numa época em que a Vida é mais simples, como no trenó Rosebud de Cidadão Kane, numa época doce em que a Vida é simples, na capacidade e na pureza da criança em se contentar com pouco, longe dos critérios e das exigências do adulto, num menininho Kane que é arrancado de seu lar primordial, tornando-se tão rico e poderoso, mas infeliz no fundo, sentindo falta de simplicidade, pois a Vida é boa quando é simples, como encontrar um bom amigo, na imortalidade de tais laços, como nos laços de família, os quais não se dissolvem com o Desencarne, colocando fim, cedo ou tarde, às desavenças de família, no caminho natural do perdão, pois as mágoas e os ressentimentos não são eternos, como um certo sociopata, o qual amo, pois é meu irmão, mas uma pessoa que tive que extirpar de meu círculo social, por medida de segurança, na metáfora de “dar murro em ponta de faca” – se eu mantiver distância, não me machucarei. O traje aqui é solene, luxuoso, num status social, num dinheiro, na ascensão burguesa a partir do paradigma democrático da Revolução Francesa, sepultando o passado monárquico, guilhotinando Maria Antonieta, ou como nos comunistas executando os Romanov, inclusive as crianças da família real, em comunistas merecendo o termo “devoradores de criancinhas”, num Comunismo que acabou caindo de podre, no paradoxo chinês de socialismo de mercado. O homem aqui é austero, solene, muito cheio de dignidade, na tradição dos sangues de realeza, remetendo ao Antigo Egito, com, por exemplo, Tutancâmon desposando a própria meia irmã, resultando em bebês natimortos, algo que os egípcios achavam ser a vontade dos deuses, no impacto cristão no tradicional paganismo romano, como no majestoso coliseu, com um lugar para a escultura de cada deus, no surgimento da democracia na Grécia Antiga, rejeitando os poderes dos deuses, nesses cânones ocidentais, até o Ocidente se impor ao Oriente, na estupidez de golpes de estado causando destruição, sempre impondo de modo grosso e brutal, nessa vocação imortal do Ser Humano de ser o mais cruel possível. O homem aqui tem o peso e a sabedoria da Vida, e seus cabelos e barbas grisalhos são tal apuro de sabedoria, como já ouvi as palavras: “No homem, cabelos brancos são sabedoria; na mulher, desleixo!”, remetendo a mulheres que tanto se arrumam, com os cabelos sempre impecavelmente pintados, como na necessidade da pessoa pública em ter uma boa aparência, como num Collor, arrumado sempre, conquistando os votos do povo brasileiro, impeachado posteriormente, nos votos em pessoas de aparência impecável. Aqui remete a eras em que o modelo tinha que ter a paciência de sentar e posar por horas, como certa vez num filme com Michelle Pfeiffer, a qual teve que ficar seis horas ininterruptas numa cadeira de maquiador, na sabedoria de DiCaprio: “Não pode faltar trabalho!”.

 


Acima, Rebeca e Eliezer no poço. Os jarros e o poço remetem ao espelho da Galadriel de Tolkien, no espelho como símbolo do feminino, nas “loucuras” das quais a mulher é capaz de fazer em nome da beleza, como na febre do Botox, um recurso o qual, sinto em dizer, não fica natural, e tudo na Terra gira em torno no Céu, pois neste somos belos e jovens para sempre, no caminho sacrossanto da Eternidade, no poder imenso de que jamais findaremos, num poder tal que não cabe na pequena mente humana, como na Psiquiatria, a qual não vê além da morte do corpo físico, o qual, se morrer, não há problema – eu aqui não viso desrespeitar os psiquiatras, pois tenho dentro de mim um pouco de fria psiquiatria científica, a qual é amiga do Espiritismo, na interligação entre as formas de pensamento humano, na universalidade da espiritualidade, com dedos de uma mesma mão, que é Tao, a grande avenida à qual pertencemos incondicionalmente, remetendo aos espíritos revoltados, sem consciência de sua própria ascendência divina, como num príncipe que não sabe que é príncipe. Os seios aqui são saudáveis e voluptuosos, cheios de vida em dobro, na magia mamífera do aleitamento, na delícia de se mamar numa caixinha de leite condensado, no gostoso pecadinho da Gula, em confeitarias metafísicas deliciosas, no modo como o Cacau, ao ser combinado com leite e açúcar, ganhou o Mundo, como na ilustração da caixa de chocolate me pó Nestlé, com dois frades se deliciando com ao chocolate de panela, na magia de um brigadeiro de panela ainda quentinho, reconfortante, na magia de doces tardes de lanches, reunindo amigos em torno da mesma panela. A mulher aqui é protagonista, pois o homem está quase de costas, como se soubesse do valor da discrição, no instinto de um camaleão – invisível às presas; invisível aos predadores. É como no homem de Tao, invisível, metafísico, humilde, num Chico Xavier humilde, dizendo-se apenas um carteiro, nas humildes palavras de uma Gisele aos fãs num set de filmagem: “Desculpa, gente, mas tenho que trabalhar!”, numa pessoa que sabe que, se parar de trabalhar, tornar-se-á “peça de museu”. O poço é o fundo da alma, em pessoas especiais que nos tocam tão fundo, marcando-nos para sempre, em amigos para todo o sempre, sobrevivendo ao Desencarne, no modo como os amigos são o ouro da vida, e o primeiro amigo que preciso ter é eu mesmo, no caminho da dignidade, da pessoa respeitar a si mesma, nunca se sujeitando à situação degradante de ser um mero amante de uma pessoa casada – dê-se ao respeito, por favor! Ao fundo no quadro, em grande discrição, um senhor anônimo observando a cena, pois quando digo que algo é grande, é porque comparo com algo menor, no discernimento taoista de que liso prazeroso e áspero sisudo são faces do mesmo trabalho, na disciplina de se sentar e produzir de alguma forma, ao contrário de um grande amigo meu, o qual está estagnado e inoperante, numa vida sem trabalho ou sentido, e não dá para ser assim, meu irmão! É como outra certa pessoa que conheço, inteligentíssima, mas uma pessoa que não está se colocando para o Mundo, infelizmente, num desperdício enorme e lamentável. As sandálias aqui remetem a eras em que não havia sapatos, como nas sandálias dos soldados romanos, no modo como as modas marcam épocas, no poder de expressão dos figurinos, do estilo, em popstars tão estilosos, ditando tendências, como numa esmagadora Gisele, com seus cabelos ondulados sendo imitados nos QUATRO CANTOS DO MUNDO, numa Gisele que conquistou o globo inteirinho, e ninguém se dá conta, na pessoa de Tao, sempre invisível. e subestimada. Os jarros são o receptáculo uterino, na dignidade de uma rainha mãe, colocando no Mundo o rei de um reino. São as homenagens do Dia da Mães, a segunda maior data do comércio, fazendo da mãe uma pessoa sem a qual não estaríamos aqui, no modo como, quando uma mulher se torna mãe, isso muda para sempre o modo de tal mulher em ver o Mundo, em uma transformação.

 

Referências bibliográficas:

 

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.meisterdrucke.pt>. Acesso em: 11 jun. 2025.

Bernardo Strozzi. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 11 jun. 2025.