quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Bom Bo (Parte 12 de 28)

 

Falo pela décima segunda vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Dia de Pentecostes. Aqui é a intimidade entre irmãs, num lar onde todos são criados debaixo do mesmo teto. Remete a uma certa senhora, que nunca teve irmãs, dizendo: “Como eu gostaria de ter uma irmã para compartilhar as coisas, como roupas, acessórios e maquiagens!”, chegando ao ponto de, na infância, vestir de mulher o próprio irmãozinho e dizendo: “Hoje tu serás minha irmã!”. Os vestidos são suntuosos, ao contrário dos nus na obra de Bartlett. Os vestidos são elegantes, apontando um lar rico, abastado, privilegiado, como numa imortal Diana, acostumada, desde sempre, com uma vida de privilégios e confortos aristocráticos, sempre morando em belas residências, no status de ser filha de conde, uma Diana que tinha lá seus problema de depressão e melancolia, felizmente vivendo numa era em que há medicações psiquiátricas para tal doença, ao contrário de uma certa senhora depressiva, a qual só teve acesso a medicamentos no fim de sua vida, já na velhice, com drogas como Efexor, na divertida palavra do astro Robbie Williams, ao ser interrogado por um jornalista sobre o que fazia tal artista feliz: “Efexor!”. Aqui é o conforto do lar, do retiro, no lugar sem igual, nos infernos que são as prisões, lugares que, definitivamente, não são nosso lar, no modo como só damos valor ao lar quando o perdemos, na tragédia de muitas famílias com as enchentes de 2024 no RS, nas águas destruindo casas completamente, no modo como as tragédias naturais na Terra são a prova de que é a imperfeita Terra que tenta imitar o perfeito Céu, no Lar Superior ao qual todos pertencemos, numa deliciosa sensação de pertencimento, de bem estar, ao ponto de não querermos estar em qualquer outro lugar no Universo, num lugar tão limpo, sem uma única bactéria, o lugar onde estamos livres de qualquer problema relativo ao corpo físico. Aqui é o afeto e os laços de amor em família, no feliz modo como os vínculos de família não se dissolvem com o desencarne, na imortalidade de tais laços, como nossos queridos avós, iluminando-nos lá de cima, num maravilhoso reencontro após a morte do corpo físico, na noção taoista de que, se seu corpo carnal morrer, não tem problema, na noção espírita de que pensamento é tudo e de que matéria é nada, no caminho da mortificação, que é não ouvir o traiçoeiro coração e só ouvir à mente, à cabeça, à razão, no sentido da pessoa em parar de pensar em bobagens auspiciosas, nas sábias palavras de uma certa senhora: “O Mundo só pertence aos dignos merecedores, aos austeros, e o resto são só sinais auspiciosos, tolos, bobagens!”, no caminho da pessoa fazer por merecer tal respeito, no homem de Tao, que é visto, amado e respeitado, ao contrário da estupidez do ditador, o qual se impõe com grosseria, opressão e terror, como um certo senhor, saindo-se um neo Napoleão, no modo como o Anel do Poder corrompe os melhores corações, no pensamento de Tolkien: Acima de tudo, os homens querem poder! São os milhões de pessoas que apostam na loteria, na noção espírita: Você não imagina a que ponto ficam reduzidos espiritualmente aqueles que são considerados felizes na Terra, ou seja, os vencedores da loteria, no modo como o dinheiro compra tudo, menos o que importa, que é amor, no modo como não sabemos quem é mais triste – se é quem acha que pode vender amor ou quem acha que pode comprar amor. Aqui é um lar privilegiado, farto, com todos os confortos, como num pai zeloso, herói, que nada deixa faltar em casa, num encargo de responsabilidade, na responsa de manter um lar, no siso de trabalhar e proporcionar tal nível de vida, nas palavras de um certo senhor: “Se tiveres filhos, tua vida nunca mais será a mesma!”, remetendo a um tipo de comportamento, em homens que foram pais ausentes, fugindo das responsabilidades de ter prole no Mundo, nessas pessoas que nunca se centram no vida, levando uma vida ao léu, ao “sabor do vento”, sem adquirir siso, e a vida exige que sejamos sábios e racionais. A discreta planta é a força da vida, numa família sendo construída, sempre lutando para sobreviver, para ter um lugar ao Sol, na luta da vida, no lado macho da vida, que é conquistar o Mundo, como numa suprema Gisele, com seus cabelos ondulados sendo imitados por TODAS as mulheres sobre a face da Terra, numa Gisele a qual, felizmente, mantém-se humilde, indo, assim, longe.

 


Acima, No meio do caminho. Aqui é uma situação delicada, no tato diplomático, sempre primando pelo diálogo e pela polidez, em esforços que visam a paz, na figura polida do diplomata, no título de Jesus: O Príncipe da paz. Aqui, qualquer deslize pode ser fatal, numa fragilidade, como um leão cruzando um rio, sabendo que ali pode haver perigo, num líder cauteloso, sempre guiando com carinho o seu povo, pois um líder que se afasta de seu próprio povo deixa de ser líder, como na violenta deposição da monarquia francesa, ou como na deposição de Romanov, num povo farto de opressão, no simples modo como a Revolução Francesa começou por causa do preço do pão, num rei Sol em meio a todos os confortos e privilégios de Versalhes, insensível aos flagelos do homem comum, no caminho da mortificação, que é deixar de pensar em frivolidades, como em personagens que crescem, como Oscar Schindler, um playboyzinho fútil que acaba se compadecendo com as dores e os flagelos do Mundo, tecendo a famosa lista que salvou muitas vidas, no caminho da irmandade, da fraternidade, no amor que rege tudo, com tudo se resumindo a amor, na hierarquia espiritual, irresistível, nunca imposta à força, quando recebemos energia de paz de nossos irmãos depurados, na deliciosa sensação de paz, nos versos do músico gaúcho Duca Leindecker: “Sonhei que as pessoas eram boas me um mundo de amor, e acordei neste mundo marginal!”, na deliciosa sensação de liberdade, de democracia, como nadar nu no mar, no conforto uterino, no Útero Sacrossanto que a todos nós gerou, fazendo da Imaculada Conceição uma metáfora para entendermos nossas origens divinas, de sangue estelar, mas num ser humano que se esquece disto, nas amarguras da violência, da força imposta, como em cruéis golpes de estado, em tons de destruição, no título do vilão Esqueleto, do universo de He-Man: O senhor malévolo da destruição, como nos romanos incendiando a biblioteca de Alexandria, no modo humano em impor à força, sempre cruel, no suprassumo da crueldade, como queimar pessoas vivas em fogueiras, tudo por causa de pequenas discórdias, no modo como o respeito é fácil – tenho que respeitar meu irmão, pois a vida deste é deste, e não minha. O homem está tranquilo, sem tensões, e até sorri sutilmente para nós, como se estivesse acostumando com tal duro desafio, num caminho de equilíbrio e ponderação, como no design de logomarcas, sempre primando pelo equilíbrio gráfico, numa pessoa sábia e ponderada, estável, levando uma vida centrada e organizada, na importância em centrarmos nossas vidas em algo produtivo e positivo, pois que esperanças há aos que carecem de um centro nobre em suas vidas? É como uma certa senhora maliciosa e fofoqueira, uma mulher rica a qual, ao mesmo tempo, é miserável, numa vida sem produzir algo de válido ao Mundo, no modo como, fora do trabalho, não há salvação, como nos espíritos desencarnados, no Céu, trabalhando, tocando a vida para frente, nas sábias palavras de uma certa senhora, a qual se manteve ativa até a velhice: “Estou empurrando a vida para a vida não me empurrar!”. É como nas pessoas em situação de rua, pessoas que não querem saber de encarar a vida, de lutar, nos imortais versos do hino nacional brasileiro: “Verás que filho teu não foge à luta!”, como no carismático príncipe inglês William, o qual está se esforçando e trabalhando, preparando-se para o destino que o aguarda, no modo como não me canso de dizer que as realezas mundanas são cópias do sangue estelar que a todos nós une, sem exceção, com tantos e tantos espíritos que não têm noção de sua própria divindade, num William que não está “deitado eternamente em berço esplêndido”, ou seja, labor sempre! Aqui remete a certas fobias, como o medo de altura, a aerofobia, como certa vez num shopping, com uma mulher que não queria embarcar numa escada rolante, com medo da altura abaixo do equipamento. O homem aqui é um astro, como um ilusionista, deixando-nos perplexos com seus truques de ilusão. Aqui temos um retrato de estabilidade.

 


Acima, Norte do país. O cavalo é tal majestade, num bicho tão belo e altivo, elegante, com porte, na riqueza biológica da Terra, um lugar sem igual, na eterna busca da Humanidade em encontrar vida fora da Terra, num homem ainda tão aquém de desvendar os segredos do Universo, buscando vida em satélites de grandes planetas, como Saturno e Júpiter, no modo como a vida existe em condições diferentes, pois se perguntarmos a um peixe se há vida fora da água, o peixe dirá que não, dizendo que fora da água não é possível se respirar! A montadora aqui ama seu bicho, no amor humano pelos bichos, em fiéis companheiros, em encargos e responsabilidade, como alimentar, vacinar, banhar, levar para passear para fazer xixi e cocô etc., pois, no frigir dos ovos, estamos sustentando um bicho, visto que ração não e uma mercadoria baratíssima, sem falar na logística de transportar tais sacos enormes. Aqui é o condicionamento, a mutação genética, como o cão se gerou do lobo, virando um animal doce e domesticado, em uma mutação ao ponto de gerar uma espécie totalmente nova, sendo impossível que um lobo tenha ninhada fértil com uma cachorra, nas palavras de introdução no filmão X-Men: “A mutação é a chave para a evolução”, fazendo do Ser Humano a espécie dominante no planeta, numa evolução de sofisticação mental tal que fomos de Homo sapiens para Homo sapiens sapiens, num galgar incrível de depuração e evolução tecnológica, sendo só questão de tempo para enviarmos astronautas a Marte, fazendo com que tais homens voltam a salvo para Terra, sendo duro imaginar um dia a Humanidade na inóspita superfície de Vênus, um mundo para lá de hostil, no modo como, fora da Terra, o Cosmos odeia o Ser Humano, num ponto em que temos que dar ouvidos aos ecologistas: Fora da Terra, a Humanidade não tem para onde ir. Aqui remete a um certo senhor mentiroso, que espalhou que tinha um cavalo aristocrático, fidalgo, fino, e tudo era mentir , num senhor que queria se vender a qualquer custo, mesmo que embasado em mentiras, desrespeitando, assim, a inteligência de outrem, pois não estou dizendo que você não pode se vender; só estou dizendo que, se for para se vender, que seja com fatos e não com fake. O cavalo pulando é a superação olímpica de percalços, numa pessoa contornando vicissitudes, na elegância de esportes como ginástica olímpica, altiva, bonita, na vitória do garbo sobre a vulgaridade; da mente sobre a bunda, como certa vez na revista Veja, colocando lado a lado duas mulheres que destoavam uma da outra, sendo uma fina e a outra não tão fina, no poder da mídia de São Paulo, uma cidade poderosa, só que com problemas brasileiros, como em disse uma certa altiva senhora sobre tal urbe: “É o primeiro e o quarto mundo juntos!”, como no decadente entorno do Mercado Público da cidade, com riqueza e pobreza convivendo juntas, num retrato do Brasil, um grande país e majestoso, mas um país problemático, que carece desesperadamente da produção de cultura erudita, civilizatória. Ao fundo na cena uma lona de circo, na magia circense em trazer Arte ao Mundo, como no deslumbrante espetáculo do Cirque Du Soleil, o qual apreciei certa vez em Porto Alegre, na técnica impecável dos artistas, com cor, música, com estímulos à nossa mente, no poder da Arte em celebrar a Vida, a qual é o nervo da Arte, como tambores imitando as batidas do coração, na fluidez incessante, na noção dialética de que tudo é processo, no caminho da Eternidade, sobre a qual não possível de se falar, no poder imenso da Vida Eterna, fazendo de Deus o infinito, pois tornar-se uma pessoa melhor é o sentido da Vida, como entrar numa faculdade, no glorioso dia de formatura, que é o desencarne, no ato dos formandos em jogar os chapéus para cima, numa libertação, num ciclo se fechando, ao contrário de muitas pessoas que subestimaram a importância de se fechar o ciclo e formar-se. Cavaleira e cavalo aqui forma um continuum, numa parceria, como artistas se unindo para um dueto.

 


Acima, O americano. Aqui, é claro, é o foco, o objetivo, na divindade Capa Preta, da Umbanda, no objetivo de alcançar algo, no princípio fálico, como no falo do Código de Hamurabi, impondo-se em regras, num aviso ao cidadão comum: Comporte-se! O retilíneo é o pensamento racional, o qual serve para detectarmos malícias e mentiras, como analisar e desconstruir o comportamento de um sociopata, fazendo que não vejamos sentido ou lógica, ou seja, uma pessoa louca, completamente fora do aceitável. Aqui é uma declaração de guerra, em homens pequenos como Trump, diferentemente de Obama, este, sim, um homem grande, de paz, mas firme, governando para todos, na capacidade de um líder em atender a todos, de todas as classes sociais, no termo divertido definindo Getúlio Vargas: Pai dos pobres; mãe dos ricos. Aqui é uma arma, algo que um homem de Tao deplora, pois armas são coisas tenebrosas, e nenhum homem de paz terá algo a ver com armas, como na perigosa brincadeira de espingardinha de chumbo, uma arma, não um brinquedo, como um certo amigo, o qual amava uma espada que pertencera a meu falecido tio bisavô, um militar, neste amigo brincando com tal arma, algo perigoso, no modo como a juventude pode ser complicada, pois é uma idade em que não temos lá muito juízo ou responsabilidade, nem sabedoria, pois a juventude plena, perfeita e feliz é uma invenção de velhos, na tendência do ser humano em idealizar um passado que não foi tão ideal assim, como eu certa vez, adolescente, saindo na Rua com uma bicicleta cujos freios não funcionavam muito bem, ou seja, um comportamento perigoso e incauto, tendo eu, então na orla, atropelado uma menininha, algo de que me arrependo até hoje, no caminho do juízo: Não vou sair por aí com uma bicicleta cujos freios não estão funcionando muito bem. É como um moleque que vi recentemente, correndo de bike dentro da Feira do Livro, um lugar que não foi feito para tal prática física, no modo como, na juventude, nós fazemos merda atrás de merda, com o perdão do termo chulo, nas palavras de uma certa popstar: “Eu era tão idiota quando jovem!”. O homem aqui está devidamente trajado, num homem que sabe que, na vida pública, a aparência da pessoa é muito importante, como um certo senhor ator que virou advogado: Imagino ele acordando, tomando café, fazendo a barba, engravatando-se e indo à luta, ao contrário do pedinte em situação de Rua, uma pessoa que não quer saber de encarar tal luta, nas sábias palavras de Dercy Gonçalves: “A vida é luta!”. Aqui é a crueldade humana, num rei que nunca está feliz dentro de seu próprio reino, sempre querendo anexar os reinos vizinhos, no caminho oposto ao da paz, como no Plano Superior, o lugar onde não há tolas ambições humanas, um lugar em que irmão respeita irmão, num mundo de paz, com cada um vivendo sua vida com trabalho e produtividade, na ironia de que, no Céu, segue imperando a necessidade de nos mantermos produtivos, num lugar que é o Éden para quem gosta de se manter ativo e operante. As casas ao fundo são o que o homem busca defender de invasores, como no inesquecível blockbuster Esqueceram de Mim, num menininho que é o homem da casa, tendo que defender esta de bandidos ladrões, num encargo de responsabilidade numa tenra idade, num rapazote que se vê obrigado a crescer rapidamente, como na sina do primogênito, que é ajudar a criar os irmãos mais novos, em metáfora com a hierarquia espiritual, nas palavras de um certo professor de Comunicação: “Os pequenos obedecem aos grandes!”. O homem aqui está focado e tenso, como num jogo, como num tenista, num momento de alta concentração, esquecendo de tudo e só vendo a bola na quadra, nas enérgicas palavras de um professor de Fotografia a uma aluna: “Foco! Foco! Foco!”. É num escopo, num foco científico, como nas especialidades médicas, dividindo o corpo em partes, no modo como tudo se resume a saúde, pois no Plano Superior temos saúde plena – é a glória, meu irmão! O homem aqui está por um fio para disparar, numa tensão, na eterna inclinação humana para a discórdia.

 


Acima, O aquarelista. Ele está alheio, reservado, numa pessoa que não quer muito aparecer, sabendo que pode haver perigo em exposições, no caminho da discrição, que é não chamar atenção sobre si mesmo, como vi certa vez o discreto Luis Fernando Veríssimo, meu escritor preferido, num shopping em Porto Alegre, assediado por pessoas querendo fazer selfies com ele, nessas pessoas muito famosas, prisioneiras de sua própria fama, uma pessoa que simplesmente não pode sair em paz na Rua, como uma certa atriz que conheci pessoalmente, uma mulher de um paradoxo: Por um lado, amava aparecer midiaticamente; por outro lado, sentia-se desrespeitada com o assédio, dizendo a mim quando a atriz fora a um pub caxiense: “Tive que ficar a noite toda dando autógrafos!”. E é uma delícia a liberdade do cidadão comum, caminhando em paz pela Rua, sem ser assediado, como eu certa vem num domingo num shopping: Como é bom poder passear em paz! Ouvimos aqui o som das ondas quebrando, no som acalentador de mar, de consolo, numa canção de ninar, dormindo em meio a tal som acolhedor e relaxante, nas águas que não param, quebrando tanto no verão quanto no inverno, remetendo à divertida história de um certo senhor, o qual, muito jovem, percebeu que o verão passa e que a vida volta em toda a sua seriedade, percebendo que se paga um preço alto por se querer se esconder da vida. É como nos versos de uma certa canção pop: “Lençóis de cetim são muito românticos, mas o que acontece quando não se está na cama?”. É o sentido espírita de se mortificar e de não ouvir o coração, e sim a mente – só depois do aval da mente é que podemos ouvir o coração, e o amor espiritual está todo na cabeça, na razão, no psicológico, no papel do psicoterapeuta em nos mostrar a vida do modo mais frio possível, como na glacial Galadriel de Tolkien, clara, intimidadora, bela, estranha, poderosa, no poder da luz sobre as trevas, na vitória da cabeça sobre a bunda, e não ouça o coração, pois o coração nos faz sofrer, e a vida com sofrimento é um inferno. É como um certo senhor caminhoneiro, o qual sofria porque fazia escolhas ouvindo o coração, e Deus nos deu uma cabeça, por tanto, temos que esta usar, na vitória da razão fria sobre a serpente da malícia, desmascarando sociopatas, cujas ações analisadas não mostram lógica, no caminho da loucura, como nas duras críticas de Obama ao governo Trump, chamando de demência decisões do truculento líder republicano, um homem este, Deus que me perdoe, que tem penteado com cabelos que tentam disfarçar a careca, um homem deplorado por artistas como Meryl Streep, na vitória da sensibilidade sobre a crueldade, no papel do Anel do Poder, que é corromper e embriagar homens, como num episódio de Friends, na personagem Phoebe bêbada de poder, usando um distintivo que não era dela. O chapéu é a proteção e o resguardo, no cuidado de passar filtro solar, ou usar óculos escuros para prevenir e catarata, na questão do cuidado e do amor, no caminho da autoestima, numa pessoa que se gosta e que se arruma, como uma certa professora, arrumadíssima de manhã bem cedinho, talvez saindo da cama bem cedo para se arrumar de tal forma impecável, em atos como usar perfume, agradando os outros, no fascínio que as fragrâncias exercem sobre as pessoas, remetendo a um certo senhor homossexual, o qual usava perfume de mulher, algo não muito sexy – o que você diria de um homem que cheira a Chanel número cinco? Você pode ser perfumado e, ainda assim, homem! O rochedo é a firmeza, numa vida centrada e sólida, como na Catedral de Caxias do Sul, erguida sobre uma altiva rocha, então o ponto mais alto da cidade, no modo como a Imigração Italiana no RS foi uma reforma agrária que deu certo, num colono que chegava em virgens terras e levava uma vida árdua, só não trabalhando no domingo porque o padre a religião não permitiam, no modo como a vida exige que sejamos fortes e dignos de respeito, nas palavras de uma certa senhora: “Dos fracos a história nada conta!”. Aqui é um momento de contemplação, pois a vida não é só labor. É como no hábito do portoalegrense de contemplar o por do Sol na orla do lago Guaíba.

 


Acima, O bom viajante. O eterno preconceito patriarcal, no homem acima da mulher, conduzindo o carro, num homem centrado no trabalho; na mulher centrada no homem, no modo como só ser dona de casa não vai dizer à mulher quem esta é, no caminho da identidade, nas palavras de uma certa dona de casa: “Não sei quem sou!”. O homem se distrai e nos olha, como no risco de se mexer no celular enquanto dirigimos, numa distraída fração de segundo que pode fazer toda a diferença, na sabedoria popular de que acidentes acontecem, nas inevitáveis vicissitudes do Plano Material, da Terra, do físico, fazendo da matéria tal ilusão, na noção espírita de que matéria é nada e de que pensamento é tudo, ao contrário de um certo tipo de submundo, numa frivolidade em que tudo gira em torno de corpo, num mundinho desinteressante, numa água estagnada, longe desse aspecto importantíssimo, que é o senso comum, a educação, a polidez e o cavalheirismo, em subvalores que vão intoxicando nossa percepção e nosso pensamento, numa espécie de presídio de segurança máxima, da qual poucos conseguem fugir, como numa prisão – não gosto de estar ali, mas me sinto preso e obrigado a lidar com tais pessoas no cárcere. A mulher está cabisbaixa e triste, decepcionada, talvez decepcionada com o marido, como um certo senhor, um grossão que decepcionou já duas esposas, naquele tipo de homem pragmático, sem lá muita vida cultural ou intelectual, no modo como é desinteressante a vida de uma cabeça obtusa, como nas terras desoladas e solitárias do Umbral, um lugar onde definitivamente não há amigos, e os amigos são o ouro da vida, havendo o oposto no Céu, onde estamos cercados de amigos, pessoas que nos respeitam e que querem nosso bem, na imortalidade do amor fraternal e incondicional, o qual é leve e desapegado, no modo como em amizade não pode haver cobrança, no caminho da Eternidade, o plano imenso no qual teremos todo o tempo para nos relacionarmos uns com os outros. A moça usa uma tiara, como uma princesa, no modo da mulher se sentir tratada como uma princesa, por um homem carinhoso, cauteloso, amoroso, e é como num episódio do seriadão The Big Bang Theory, quando a personagem Amy se derrete toda quando ganha do namorado uma tiara de pedras preciosas, no caminho da pessoa se sentir especial e protegida, como no final de O Código da Vinci, com a moça que encontra sua própria família, descendentes diretos da linhagem entre Jesus e Maria Madalena, remetendo a uma certa doutora acadêmica que conheci, a qual disse que os livros escritos após tal bestseller de Dan Brown são uma piada, desinteressantes, pois foram produzidos a toque de caixa, no modo como o seguinte nunca é tão bom quanto o original, como nos filmes após o primeiro filme da adorável personagem Bridget Jones, nas merdas que Hollywood é capaz de inventar para arrancar dinheiro do espectador, com o perdão do termo chulo, como filmes como Matrix Resurrections, o qual desrespeita o final conclusivo da famosa trilogia com Keanu Reeves. A mulher olha num mapa, guiando assim, de certa forma, o carro, fazendo do homem um mero executor de rota, no modo como a mulher se impõe ao marido dentro de casa, cobrando coisas, como nas palavras raivosas de uma certa senhora ao próprio marido; “Eu me matando para manter esta casa limpa e organizada! Eu vou embora desta casa!”, na contradição frente ao patriarcado, como Evita, a qual cogovernou a Argentina ao lado de Perón, em mulheres em um mundo de homens, como na faraó feminista Hatshepsut, a qual se impôs líder do Egito, num então Egito de homens, no qual o máximo que uma mulher podia ser era a líder do harém do faraó, no eterno preconceito: Um homem com muitas mulheres, pode; uma mulher com muitos homens, não. É a questão da galinha e do garanhão – é um horror. Aqui é um deslocamento, como sair de férias, na sensação gloriosa de se chegar na praia e colocar chinelos Havaianas, numa sensação deliciosa de liberdade.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Bom Bo (Parte 11 de 28)

 

 

Falo pela décima primeira vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, O dia de Eleanor. Aqui é uma sensação de abandono, como no transtorno borderline, como um certo senhor, o qual era, definitivamente, borderline, e, hoje em dia, é simples, pois é só tomar o remédio psiquiátrico, no modo como os medicamentos abreviam em muito o tempo de internação psiquiátrica, remetendo ao filme Garota Interrompida, numa época e que tais drogas não existiam, como no personagem de Angelina Jolie, uma psicótica que estava havia anos numa clínica, numa interpretação que deu um Oscar à deusa, no modo como o sucesso é um problema, pois a pessoa bem sucedida tem que superar tal momento e encarar novas etapas, neste amante infiel que é o sucesso. O quadro aqui é sombrio e incerto, como na moda barroca, com fundos negros e figuras claras em contraste, nessas vogues, nessas ondas de renovação, as quais sempre vêm, como no modernismo brasileiro, sepultando ranços de rigor acadêmico, no poder da transgressão, da ousadia, da verve da juventude, como disse a diva Elza Soares: “Adoro o agito que essa garotada faz!”. O quarto aqui é silencioso, convidando para um sono prazeroso, deixando do lado de fora as loucuras cotidianas da vida, como agendas atribuladas e barulho de carros, como no famoso espírito Patrícia, o qual, ao desencarnar, repousou consideravelmente numa cama com lençóis suavemente perfumados, num sono muito profundo e quieto, numa sensação de lar e pertencimento, na sabedoria de que não há lugar como o lar, com sua cama, sua cozinha, sua TV, seu banheiro etc., no trauma que é o serviço militar, com o rapaz sendo arrancado impiedosamente de seu lar, num rompimento que causa sequelas, traumas, num lugar que é qualquer coisa, menos um lar, num rapaz que, ao voltar de tal regime, não consegue se ressocializar completamente, como no rompimento em Cidadão Kane, arrancado de sua doce infância, numa dureza fria e cruel, despedindo-se de seu trenó Rosebud, rechaçando tudo da vida adulta, pronunciando, no leito de morte, o nome do brinquedo, numa época em que a vida é simples, na simplicidade da criança em se contentar com pouco, longe do adulto, o qual é cheio de critérios e exigências. A modelo se veste decentemente, e não se trata de um nu ousado, remetendo à revista Playboy brasileira, num nu de tão bom gosto que agradava até homens gays, como na célebre Playboy de Galisteu, ou Marisa Orth, ou Maitê Proença, ou Vera Fischer, no discernimento entre vulgar e fino, entre sexual e sensual, ao contrário de revistas pornôs, sem eu aqui querer ser moralista, mas a pornografia é vulgar, com em rapazes mostrando o pênis, e ereto, e eu gostaria de dizer: Você não tem que mostrar o pênis; você tem que mostrar um talento para alguma arte, esporte ou ciência! Aqui no quadro há tons rubros, na cor do sangue, da vida, do que seduz o vampiro, o qual suga nossa alma, fazendo de nós escravos, no casamento entre sádicos e masoquistas, e tudo o que temos que fazer é não sermos sádicos ou masoquistas, no modo dantesco como a que nível pode ir a carência de apuro moral, como numa notória sociopata, a qual matou os próprios pais, fazendo, uma semana depois, uma festa para comemorar a morte dos genitores, nessas pessoas completamente fora do aceitável, nesse nó fenomenal que os sociopatas querem fazer em nossas cabeças, como se nós, os de bem, fôssemos os pedantes amorais, sociopatas que só têm como ir ao Umbral, e nunca para o glorioso Plano Superior, num espírito sofredor, arrastando-se pela escuridão e pela sujeira, sentindo ou extremo frio, ou extremo calor, tendo, incrivelmente, a consciência de que está no inferno, sem querer dali sair, na loucura de um presidiário que não quer sair do presídio, identificado com a matéria, com o Plano Físico, com o mundano – é um horror. Eleanor nos olha austera, muito séria, como uma colega de faculdade que tive, seríssima, um tanto arredia e antipática, como um certo senhor, o qual se revelou um antipático sem carisma, um senhor que não é uma unanimidade, remetendo a carismas esmagadores como o de uma Diana, numa relação de amor e ódio com a mídia global, adorando aparecer e, ainda assim, sentindo-se invadida. A luz entra aqui discreta, fraca, num predomínio da penumbra, a escuridão ideal para o sono.

 


Acima, O dia em que elas violaram a barragem. Aqui pode ser um casal, como recentemente numa cafeteria, numa moça ao lado da outra, dizendo-me: “Esta é minha namorada!”, algo que me desconcertou, pois eu considerava aquela perfeitamente mulher, no modo como respeito qualquer casal gay na Rua, nos avanços que a sociedade está fazendo, na questão da pessoa saber seu lugar no Mundo, como se tornar padre ou freira, num golpe duro para um pai e uma mãe, com dois golpes: 1) Você nunca mais vai passar a noite de Natal com seu (sua) filho(a); 2) O (a) seu (sua) filho(a) nunca vai lhe dar netos, como num filme com a deusa Audrey Hepburn, numa moça que se converte freira, mas que acaba se desiludindo, abandonando tal carreira, nos curiosos rituais de ordenação, como na moça abrindo mão da vaidade, vivendo de cabelos curtos ou cobertos devidamente, remetendo a uma doce amiga freira minha, a qual se revelou com uma inteligência acima da média, dando aulas de Educação Sexual para, assim, extirpar a malícia dos alunos em relação a sexo, pois não canso de dizer: Como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo inventou? Nas palavras divertidas da deusa Dercy Gonçalves: “Se sexo não desse prazer, ninguém faria filhos!”. Aqui é uma cena de lar, de casa, de folga, à vontade, de pés descalços, como de pés nus na beiramar, numa sensação de liberdade, de conexão com a Mãe Natureza, na alegria de uma criancinha na orla, na diversão de fazer castelos na areia, numa simplicidade, em merecidas férias, deixando de lado os sisos de colégio e trabalho, na merecida lei de um mês de férias remuneradas, nas revoluções trabalhistas no Brasil, como no décimo terceiro, o qual não existe nos EUA, e o empregador lá é livre para dar, ou não, dar tal abono, no chamado Christmas Bonus. Aqui é uma era em que existem estofados confortáveis, ao contrário de antigamente, no modo como a gostosa preguicinha sempre acaba falando mais alto, em invenções tão práticas e convenientes: Por que comprar um CD se posso baixar músicas facilmente na Internet? Por que ter uma vasta coleção de CDs se posso gravar um catatau de músicas num mínimo pendrive? Por que me levantar para mudar de canal de TV se tenho um controle remoto? Os exemplos são vastos. Aqui temos que respeitar, pois a casa não é nossa, sempre pedindo licença para entrar, como um certo senhor, o qual gostava de ficar nu dentro de casa, na nudez inocente, de índio, sem a malícia da serpente do Éden, na mito misógino de Eva, a que trouxe ruína a Adão, o qual era a obraprima de Deus, fazendo de Eva um mero arremedo com função uterina de gerar prole, como numa moça entrando numa família de realeza, com a obrigação de engravidar e gerar herdeiros para tal coroa. O sofá é o conforto, longe dos sisos profissionais, nos sérios escritórios, no momento glorioso do happy hour, com gravatas afrouxadas e álcool sendo ingerido, no merecido descanso do homem que laborou o dia inteiro, na universalidade do álcool: Saquê, vodca, cachaça, vinho, cerveja etc., remetendo a um certo senhor, cuja força de vontade admiro, um senhor que alcoólatra que está há mais de meio século sem colocar uma gota de álcool na boca, na questão de que não existe ex alcoólatra. Roupas aqui estão jogadas casualmente, numa inevitável baguncinha, como em casas com crianças pequenas, sempre com coisas e brinquedos jogados pela casa, nessa enorme paciência que temos que ter com crianças, as quais têm uma energia incansável que o adulto não consegue acompanhar, no modo como cuidar de infantes pode ser cansativo, esgotante, remetendo a épocas em que era permitido bater nas crianças como lição moral, algo depois condenado pela Psicologia, remetendo ao televisivo Supernanny, numa governanta que coloca ordem na casa, deixando claro quem manda ali dentro, como em pais enérgicos, deixando clara a hierarquia, mesmo quando os filhos crescem e tornam-se adultos. Aqui é um retrato inocente, no amor entre dois seres humanos, dois filhos de Deus, o qual ama os homossexuais, em palavras de amor de Francisco, o papa único.

 


Acima, O dote. Que delícia férias na praia! O pedalar é a ergonomia, o labor, como num clipe da banda R.E.M., num senhor idoso que pedalava para fazer correr um cenário que respaldava a cena do clipe, como outro certo senhor que conheci, uma pessoa com um labor tão solitário e triste, passando o dia de sua vida mexendo produtos dentro de um tanque, nessas vidas sofridas de labor, como num recente comercial de TV, mostrando uma mulher, mãe, acordando bem cedo para trabalhar e só voltando de noite para casa, num comercial político pedindo mais respeito ao trabalhador. A moça aqui está alheia a nós, contemplando o mar, no fato de que, durante o ano, sem nossa presença ou visita, o mar continua o mesmo, remetendo a um certo professor, o qual contou que, ainda muito jovem, queria ser ratão de praia em Floripa, desiludindo-se depois, observando que o verão passara e que a orla se tornara deprimentemente erma, fria e cinzenta, no fato de que quem quer fugir da vida, paga um preço alto, dormindo numa calçada fria, úmida e dura, como certos mendigos fazem em Caxias do Sul, dormindo dentro de espaços de caixas eletrônicos em bancos, pessoas que querem fugir da seriedade da vida, numa vida improdutiva – produz? Sim, fezes. A diferença reside no que decidimos fazer de nossos das de cárcere na Terra, e quem nada faz, está jogando fora uma encarnação, a qual é uma dádiva, fazendo do suicídio o ato de jogarmos de volta na cara de Deus a vida que Ele nos deu, num Deus que está conosco em cada passo de nossa cinzentas encarnações, na noção espírita de que somos acompanhados por anjos da guarda, nossos amigos desencarnados que nos amam muito, nos versos da breve oração: “Meu anjinho, meu amiguinho, sempre me leve pelo bom caminho!”. Aqui podemos ouvir o som relaxante de mar, como dormir embalado por tal canção de ninar, levando-nos para uma noite boa de sono, na noção de que temos que descansar, ao contrário do workaholic, obcecado em produzir, não admitindo que é um ser humano e que precisa descansar numa cama, no modo como aprendi: O Mundo não está nem aí se somos ou não workaholics, nos versos da canção pop brasileira: “Tô nem aí! Tô nem aí!”. Os cabelos presos são a disciplina, como parte dura e áspera de qualquer trabalho, que é ter disciplina, nas palavras de Gisele a fãs num set de filmagem de comercial de TV: “Desculpem, gente, mas tenho que trabalhar!”, uma pessoa que se manteve humilde mesmo alcançando tanta fama, sucesso e grana, como numa Barbra, a qual, pés no chão, nunca se envolveu com álcool e drogas, ao contrário de Whitney Houston, com a própria voz aniquilada pelas drogas, deixando-nos perplexos com seu último trabalho de estúdio – não dá para dizer que a voz é da diva negra, tal o débito explícito. Aqui é o curioso modo como, ao aprendermos a andar de bicicleta, nunca mais nos esquecemos, em doces lembranças minhas de infância em verões em Jurerê, SC, como a galerinha da vizinhança, de noite, passando na frente de minha casa, convidando-me a me juntar ao grupo, no modo como os amigos são o ouro da vida, ao contrário dos amigos pouco íntimos, os quais não nos dão a sensação de acompanhamento existencial, pseudoamigos os quais não aplacam em nós mesmos o sentimento de solidão, em discernimentos que a vida vai ensinando, pois pobre daquele que acha que nada precisa aprender, ou seja, os arrogantezinhos, como uma certa senhora, a qual simplesmente se achava imune a erros. A saia comprida é o pudor, como em certas religiões, cobrindo em pudor totalmente as pernas femininas, ou no hábito de mulher em simplesmente não cortar os cabelos, deixando longos até quase os pés, ou como na machista burca, reprimindo a liberdade da mulher, enfurecendo as feministas, as quais têm a inteligência para pensar contra os poderosos ventos do patriarcado. Aqui é como pedalar numa academia, numa atividade que pode ser monótona, sendo necessário um personal trainner para acompanhar e exigir do aluno, no papel do professor em exigir, cobrar, professores que valem cada centavo de remuneração, marcando nossas vidas.

 


Acima, O fim do século XX. O menino é sonhador, como num sonho de menina, querendo ser rainha da Festa da Uva, num sonho de infância, na pureza dos sonhos infantis, como uma moça querendo ser modelo, querendo chegar tão longe quanto Gisele, a brasileira de brilho monstruoso, ditando, há vários anos, paradigma capilar ao redor do Mundo, nos cabelos ondulados da deusa, numa mulher que conquistou o Mundo inteirinho, e ninguém se dá conta, obtendo um efeito tão deslumbrante, uma mulher que sabe que, se parar de trabalhar, virará “peça de museu”, na força para continuar tocando a vida para frente, encarando páginas novas em branco, na humildade para continuar na luta, na figura de Marte, o deus da guerra, como na divindade do Capa Preta da Umbanda, no lado macho da vida, como essas mulheres gays que trabalham tão arduamente, sabendo que o sucesso não “cai do céu”, tendo que batalhar para conquistar as coisas na vida, como no sonho do imigrante italiano em solo gaúcho, sonhando ser rico, com uma mesa farta, digna de rei, resultando na fartura das galeterias, onde comemos como reis, espantando uma certa senhora italiana em tal restaurante, dizendo: “Deus, quanta comida! Como vocês comem!”, ou seja, diferenciando o imigrante do italiano que permaneceu na Itália. No céu vemos rastros, vestígios, como jatos de aviões, em manobras arriscadas, como em comemorações francesas, com aviões ejetando rastros com as cores da bandeira nacional de tal país, remetendo à força de um certo senhor, o qual iniciou o curso de Aeronáutica na PUCRS, mas um curso que acabou fechando, num senhor que teve que ter a força para reiniciar do zero, entrando num pré vestibular para cursar Medicina, como disse eu a certo senhor recentemente na Rua: “Na luta! Na luta sempre!”, como na força de pessoas que perderam tudo nas infames enchentes gaúchas do ano de 2024, como parentes meu fizeram, adotando um cachorro que se perdera da família na enchente, num ato de amor, como uma grande amiga minha, amiga dos animais, na ancestralidade do cachorro junto ao ser humano, num bicho que nos dá sensação de companhia, nos encargos de responsabilidade: Tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, assim, comprar ração para o meu bicho, ou como na obrigação de levar o cão para passear na Rua para o animal fazer suas necessidades fisiológicas, na responsa de catar o cocô do bicho com um saco plástico. O menino aqui almeja algo, num sonho, talvez ser piloto de avião, como no menininho colecionando figurinhas de álbuns de jogadores de Futebol, sonhando ser um craque, nos versos da canção da banda Skank: “Quem nunca sonhou em ser um jogador de Futebol?”. O menino está alheio a nós, distraído com os sonhos no céu, encantado. Ele está sozinho, no lado solitário da vida, como Deus no filme Dogma: “Solitário, mas engraçado!”, um filme que não debocha da religião, bem pelo contrário, reforça tal religião, no divertido modo do filme colocar Deus como uma mulher, dizendo: “Quem pode gerar vida?”, impactando-se com o mito do Éden, no qual Adão é a obraprima de Deus, na ancestralidade do patriarcado, sempre “vingando-se” do poder que a mulher tem em trazer vida ao Mundo, como na figura do cacique amazônico, sempre oprimindo a mulher, fazendo desta uma moeda de troca. O casaco xadrez do menino é a ludicidade, o jogo, como em cidades mundanas como Las Vegas, sempre arrancando dinheiro do cliente, num jogador que ganhou dois mil dólares, mas perdeu quatro mil, no modo como a casa sempre vence. O menino quer ser homem, como no filmão Império do Sol, no menino que começa a guerra criança e acaba homem, finalmente se reencontrando com os pais, abraçando a mãe, numa sensação de finalmente estar de volta ao lar, o lugar inequiparável, por mais modesto que seja, no recinto inviolável do cidadão. Aqui é um momento de retiro e solidão, mas só um momento, nas agendas sociais, quando o adolescente descobre a vida social, na menina se desinteressando pelas bonecas, querendo debutar toda de branco.

 


Acima, O grande dia. Aqui pode ser uma decepção para a mulher, a qual achava que a vida de casada seria diferente, como uma certa mulher, a qual acreditava que estava desposando um príncipe, mas acabou se deparando com um sapo, um homem grosso, sem lá muita sensibilidade, um homem sem muita vida cultural, sem sofisticação, naqueles homens pragmáticos, grossões, como um certo senhor que já foi governador, um grossão de marca maior, em contraste com a própria esposa, esta, sim, fina e sensível. As flores são a beleza e a fertilidade, pois as flores nada mais são do que os órgãos genitais da planta, remetendo aqui a um senhor que mora em Natal, RN, um senhor que faz decorações de festas de casamentos, com arranjos de cair o queixo, exuberantes, belíssimos, para marcar muito bem marcado o grande dia, no esforço de uma mãe para casar a filha, nas palavras de orgulho de uma certa matriarca, com três filhas: “Todas casadas!”. Aqui é a magia social de tal evento, na junção dos arquétipos universais de masculino e feminino, um ritual tão universal, como em tribos amazônicas, com o casal transando em frente de todos na tribo, remetendo a uma via nobre, iluminada, na beleza do Plano Superior, em cidades tão apolíneas e limpas, um lugar que tem paz, um lugar que definitivamente podemos chamar de lar, no termo espírita “Nosso Lar”, um lugar onde amamos estar, com vidas produtivas, na seriedade da vida, uma seriedade que sobrevive à morte do corpo físico, na constância do trabalho, como disse certa vez a comunicadora gaúcha Tânia Carvalho, ao falar sobre Caxias do Sul: “Que cidade com uma energia de trabalho!”, na dignificação do labor, mesmo em trabalhos tão humildes como os do gari, no modo como todo e qualquer trabalho, por mais humilde que seja, é anexado à grande carreira espiritual, até chegar ao ponto dos arcanjos, espíritos depuradíssimos que gozam da felicidade suprema, no poder imensurável da Eternidade, o presente da vida perene, que nunca cessará, fazendo de Deus tal mistério infinito, a orla vazia em que escrevemos nossas vidas, no presente que é a vida, ser um espírito, no Útero Sacrossanto que a todos nós gerou, fazendo da Imaculada Conceição a metáfora para entendermos que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, fazendo das famílias mundanas de realeza cópias de tal plenitude infinita. É engraçado que aqui temos um casamento gay, como no livrão As Horas, de Michael Cunningham, uma obra que toca no nervo da homossexualidade, no divertido modo como homens gays vivem num plano diferente das mulheres gays, na questão do Clube do Bolinha e Clube da Luluzinha, pois na infância os sexos não se atraem, e na adolescência os sexos começam a se atrair, a salvo, é claro, em caso de casais gays, como aqui nesta obra de Bo Bartlett. Aqui temos um Bo ousado, sem medo causar impacto. O bolo é a celebração, reunindo família e amigos, na questão de recebermos muito bem nossos convidados, em pesadelos que tenho ocasionalmente, quando sonho que estou para receber muitos convidados, mas simplesmente não tenho bebida para recebê-los, numa sensação de angústia, no ato de sermos bons anfitriões, resultando nas pessoas socialites, pois festas não marcam época; trabalhos marcam época. Os socialites gastam seu dinheiro em tais festas, como em dantescas festas de uma certa socialite carioca, festas nas quais desfilavam entre os convidados bandejas com carreiras de cocaína, ou seja, festas desinteressantes, no modo de se subestimar a que ponto o pó pode ir na vida da pessoa, resultando num certo senhor, o qual apodrecerá o resto de seus dias trancado numa clínica psiquiátrica – é um horror, como sabemos: Quanto maior é o pico de euforia da droga, mas profunda é a depressão pós pico, numa pessoa jogada numa cama, sentindo-se um pedaço de merda, com o perdão do termo chulo. Aqui são pessoas tratando de ser felizes, pouco se importando se a sociedade gosta ou não, numa imposição, numa personalidade, numa atitude. Aqui é a vitória do amor.

 


Acima, O grande noroeste. O casamento da Arte com a beleza do corpo humano, na busca apolínea por beleza, nos inocentes nus da Antiguidade, ressuscitando na Renascença, em obras tão célebres como o Davi de Michelangelo, em nus sem malícia, na atitude do Vaticano em tapar os sexos de pinturas no teto, na malícia da Serpente do Éden, quando Adão e Eva taparam os sexos, remetendo a uma amiga freira minha, que foi minha professora no Ensino Fundamental, uma religiosa que dava aulas de Educação Sexual exatamente para neutralizar malícia dos jovens, numa senhora que se de deu conta: Essa meninada mal “quebrou a casca do voo” e já está supermaliciosa em relação a sexo, em belezas como o aparelho reprodutor feminino, no contraste entre óvulo e espermatozoide: O óvulo é o feminino especial, fino, único, formoso, precioso; já, o espermatozoide é o lado competitivo da vida, com homens comuns, peões de tabuleiro, concorrendo intensamente pelo cobiçado óvulo, na competitividade da Vida em Sociedade, exigindo que a pessoa desenvolva agressividade para conquistar as coisas na vida. As moças aqui estão à vontade, confortáveis em si mesmas, na delícia de se nadar nu no mar, numa inocência, como nossa nudez no útero, num lugar tão primordial, como no Santo Útero de Maria, em orixás como Iemanjá, abençoando as redes dos pescadores, no milagre cristão da multiplicação dos peixes, na revelação da imagem de Nossa Senhora Aparecida, negra, exatamente para colocar o dedo na questão racial no Brasil, com o feriado de Consciência Negra, ao contrário de outro certo país, uma nação racista, que simplesmente deplora negros, ao contrário de nações como os EUA, com uma família negra na Casa Branca, em homens grandes e sábios como Obama, chamando de “loucura” medidas de Trump, o homem que simplesmente quer ter o Mundo a seus pés, na sedução do Anel do Poder, corrompendo homens, na ilusão das ambições, em egos que ascendem e descendem, permanecendo a figura de Jesus, o homem que nunca quis escravizar o Mundo, bem pelo contrário, quis nos libertar por meio do apuro moral, desprovido de ambições mundanas, na metáfora de Matrix: Um homem poderoso quer mais e mais poder, em homens como Saddam, que acabou executado, num homem arrogante, que dizia aos subalternos: “Eu não estou pedindo que você faça isso; eu estou mandando!”, e a arrogância não precede a queda? Quem é humilde não sobrevive? Os picos aqui são o desafio de deflorar terras virgens, em missões de navegadores para desbravar o Mundo, numa Europa que começou a descobrir e América, abrindo-se para a Índia e a China, na magia da seda e das especiarias, em perfumes arrebatadores como o de canela, temperando pratos, na vitória do fino, do sofisticado, do cordato. O sofá é o conforto, a casa, o estar à vontade, na nudez inocente de se despir e tomar banho, na tênue linha que separa o bom do mau gosto, como certa vez houve um escândalo em uma certa cidade, em cujo jornal apareceu um ensaio fotográfico que se revelou de péssimo gosto sexual, ao ponto de tal jornal simplesmente decidir nunca mais fazer ensaios, remetendo ao sociopata, numa vida em torno de sexo, no hábito de sociopatas irem à Tailândia para fazer turismo sexual, aproveitando-se de brechas na vida em sociedade, pessoas de rasíssimo apuro  moral, identificadas coma matéria, querendo permanecer no corpo físico mesmo após o desencarne, como num vilão de Matrix, desejando não ser livre – dá para entender? Neste viçoso quadro, uma repousa e a outra vigia, como na famosa troca da guarda do Palácio de Buckingham, atraindo turistas que gostam das tradições britânicas, em famílias que representam tamanha tradição, famílias obtusas nas quais homossexualidade é absolutamente inviável, em pessoas que se sacrificam ao desposar pessoas do sexo oposto – eu, hein! Aqui, o frio racional da neve contrasta com o calor na relação de tons rubros, na relação entre mente e coração – primeiro, ouvimos a mente, e só depois o coração, pois este, por si só, é muito arriscado e traiçoeiro.

 

Referências bibliográficas:

 

Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.

Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.