Falo pela décima primeira vez sobre o pintor realista modernista americano Bo Bartlett. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!
Acima, O dia de Eleanor. Aqui é uma sensação de abandono, como no transtorno borderline, como um certo senhor, o qual era, definitivamente, borderline, e, hoje em dia, é simples, pois é só tomar o remédio psiquiátrico, no modo como os medicamentos abreviam em muito o tempo de internação psiquiátrica, remetendo ao filme Garota Interrompida, numa época e que tais drogas não existiam, como no personagem de Angelina Jolie, uma psicótica que estava havia anos numa clínica, numa interpretação que deu um Oscar à deusa, no modo como o sucesso é um problema, pois a pessoa bem sucedida tem que superar tal momento e encarar novas etapas, neste amante infiel que é o sucesso. O quadro aqui é sombrio e incerto, como na moda barroca, com fundos negros e figuras claras em contraste, nessas vogues, nessas ondas de renovação, as quais sempre vêm, como no modernismo brasileiro, sepultando ranços de rigor acadêmico, no poder da transgressão, da ousadia, da verve da juventude, como disse a diva Elza Soares: “Adoro o agito que essa garotada faz!”. O quarto aqui é silencioso, convidando para um sono prazeroso, deixando do lado de fora as loucuras cotidianas da vida, como agendas atribuladas e barulho de carros, como no famoso espírito Patrícia, o qual, ao desencarnar, repousou consideravelmente numa cama com lençóis suavemente perfumados, num sono muito profundo e quieto, numa sensação de lar e pertencimento, na sabedoria de que não há lugar como o lar, com sua cama, sua cozinha, sua TV, seu banheiro etc., no trauma que é o serviço militar, com o rapaz sendo arrancado impiedosamente de seu lar, num rompimento que causa sequelas, traumas, num lugar que é qualquer coisa, menos um lar, num rapaz que, ao voltar de tal regime, não consegue se ressocializar completamente, como no rompimento em Cidadão Kane, arrancado de sua doce infância, numa dureza fria e cruel, despedindo-se de seu trenó Rosebud, rechaçando tudo da vida adulta, pronunciando, no leito de morte, o nome do brinquedo, numa época em que a vida é simples, na simplicidade da criança em se contentar com pouco, longe do adulto, o qual é cheio de critérios e exigências. A modelo se veste decentemente, e não se trata de um nu ousado, remetendo à revista Playboy brasileira, num nu de tão bom gosto que agradava até homens gays, como na célebre Playboy de Galisteu, ou Marisa Orth, ou Maitê Proença, ou Vera Fischer, no discernimento entre vulgar e fino, entre sexual e sensual, ao contrário de revistas pornôs, sem eu aqui querer ser moralista, mas a pornografia é vulgar, com em rapazes mostrando o pênis, e ereto, e eu gostaria de dizer: Você não tem que mostrar o pênis; você tem que mostrar um talento para alguma arte, esporte ou ciência! Aqui no quadro há tons rubros, na cor do sangue, da vida, do que seduz o vampiro, o qual suga nossa alma, fazendo de nós escravos, no casamento entre sádicos e masoquistas, e tudo o que temos que fazer é não sermos sádicos ou masoquistas, no modo dantesco como a que nível pode ir a carência de apuro moral, como numa notória sociopata, a qual matou os próprios pais, fazendo, uma semana depois, uma festa para comemorar a morte dos genitores, nessas pessoas completamente fora do aceitável, nesse nó fenomenal que os sociopatas querem fazer em nossas cabeças, como se nós, os de bem, fôssemos os pedantes amorais, sociopatas que só têm como ir ao Umbral, e nunca para o glorioso Plano Superior, num espírito sofredor, arrastando-se pela escuridão e pela sujeira, sentindo ou extremo frio, ou extremo calor, tendo, incrivelmente, a consciência de que está no inferno, sem querer dali sair, na loucura de um presidiário que não quer sair do presídio, identificado com a matéria, com o Plano Físico, com o mundano – é um horror. Eleanor nos olha austera, muito séria, como uma colega de faculdade que tive, seríssima, um tanto arredia e antipática, como um certo senhor, o qual se revelou um antipático sem carisma, um senhor que não é uma unanimidade, remetendo a carismas esmagadores como o de uma Diana, numa relação de amor e ódio com a mídia global, adorando aparecer e, ainda assim, sentindo-se invadida. A luz entra aqui discreta, fraca, num predomínio da penumbra, a escuridão ideal para o sono.
Acima, O dia em que elas violaram a barragem. Aqui pode ser um casal, como recentemente numa cafeteria, numa moça ao lado da outra, dizendo-me: “Esta é minha namorada!”, algo que me desconcertou, pois eu considerava aquela perfeitamente mulher, no modo como respeito qualquer casal gay na Rua, nos avanços que a sociedade está fazendo, na questão da pessoa saber seu lugar no Mundo, como se tornar padre ou freira, num golpe duro para um pai e uma mãe, com dois golpes: 1) Você nunca mais vai passar a noite de Natal com seu (sua) filho(a); 2) O (a) seu (sua) filho(a) nunca vai lhe dar netos, como num filme com a deusa Audrey Hepburn, numa moça que se converte freira, mas que acaba se desiludindo, abandonando tal carreira, nos curiosos rituais de ordenação, como na moça abrindo mão da vaidade, vivendo de cabelos curtos ou cobertos devidamente, remetendo a uma doce amiga freira minha, a qual se revelou com uma inteligência acima da média, dando aulas de Educação Sexual para, assim, extirpar a malícia dos alunos em relação a sexo, pois não canso de dizer: Como Deus pode ter vergonha de algo que Ele mesmo inventou? Nas palavras divertidas da deusa Dercy Gonçalves: “Se sexo não desse prazer, ninguém faria filhos!”. Aqui é uma cena de lar, de casa, de folga, à vontade, de pés descalços, como de pés nus na beiramar, numa sensação de liberdade, de conexão com a Mãe Natureza, na alegria de uma criancinha na orla, na diversão de fazer castelos na areia, numa simplicidade, em merecidas férias, deixando de lado os sisos de colégio e trabalho, na merecida lei de um mês de férias remuneradas, nas revoluções trabalhistas no Brasil, como no décimo terceiro, o qual não existe nos EUA, e o empregador lá é livre para dar, ou não, dar tal abono, no chamado Christmas Bonus. Aqui é uma era em que existem estofados confortáveis, ao contrário de antigamente, no modo como a gostosa preguicinha sempre acaba falando mais alto, em invenções tão práticas e convenientes: Por que comprar um CD se posso baixar músicas facilmente na Internet? Por que ter uma vasta coleção de CDs se posso gravar um catatau de músicas num mínimo pendrive? Por que me levantar para mudar de canal de TV se tenho um controle remoto? Os exemplos são vastos. Aqui temos que respeitar, pois a casa não é nossa, sempre pedindo licença para entrar, como um certo senhor, o qual gostava de ficar nu dentro de casa, na nudez inocente, de índio, sem a malícia da serpente do Éden, na mito misógino de Eva, a que trouxe ruína a Adão, o qual era a obraprima de Deus, fazendo de Eva um mero arremedo com função uterina de gerar prole, como numa moça entrando numa família de realeza, com a obrigação de engravidar e gerar herdeiros para tal coroa. O sofá é o conforto, longe dos sisos profissionais, nos sérios escritórios, no momento glorioso do happy hour, com gravatas afrouxadas e álcool sendo ingerido, no merecido descanso do homem que laborou o dia inteiro, na universalidade do álcool: Saquê, vodca, cachaça, vinho, cerveja etc., remetendo a um certo senhor, cuja força de vontade admiro, um senhor que alcoólatra que está há mais de meio século sem colocar uma gota de álcool na boca, na questão de que não existe ex alcoólatra. Roupas aqui estão jogadas casualmente, numa inevitável baguncinha, como em casas com crianças pequenas, sempre com coisas e brinquedos jogados pela casa, nessa enorme paciência que temos que ter com crianças, as quais têm uma energia incansável que o adulto não consegue acompanhar, no modo como cuidar de infantes pode ser cansativo, esgotante, remetendo a épocas em que era permitido bater nas crianças como lição moral, algo depois condenado pela Psicologia, remetendo ao televisivo Supernanny, numa governanta que coloca ordem na casa, deixando claro quem manda ali dentro, como em pais enérgicos, deixando clara a hierarquia, mesmo quando os filhos crescem e tornam-se adultos. Aqui é um retrato inocente, no amor entre dois seres humanos, dois filhos de Deus, o qual ama os homossexuais, em palavras de amor de Francisco, o papa único.
Acima, O dote. Que delícia férias na praia! O pedalar é a ergonomia, o labor, como num clipe da banda R.E.M., num senhor idoso que pedalava para fazer correr um cenário que respaldava a cena do clipe, como outro certo senhor que conheci, uma pessoa com um labor tão solitário e triste, passando o dia de sua vida mexendo produtos dentro de um tanque, nessas vidas sofridas de labor, como num recente comercial de TV, mostrando uma mulher, mãe, acordando bem cedo para trabalhar e só voltando de noite para casa, num comercial político pedindo mais respeito ao trabalhador. A moça aqui está alheia a nós, contemplando o mar, no fato de que, durante o ano, sem nossa presença ou visita, o mar continua o mesmo, remetendo a um certo professor, o qual contou que, ainda muito jovem, queria ser ratão de praia em Floripa, desiludindo-se depois, observando que o verão passara e que a orla se tornara deprimentemente erma, fria e cinzenta, no fato de que quem quer fugir da vida, paga um preço alto, dormindo numa calçada fria, úmida e dura, como certos mendigos fazem em Caxias do Sul, dormindo dentro de espaços de caixas eletrônicos em bancos, pessoas que querem fugir da seriedade da vida, numa vida improdutiva – produz? Sim, fezes. A diferença reside no que decidimos fazer de nossos das de cárcere na Terra, e quem nada faz, está jogando fora uma encarnação, a qual é uma dádiva, fazendo do suicídio o ato de jogarmos de volta na cara de Deus a vida que Ele nos deu, num Deus que está conosco em cada passo de nossa cinzentas encarnações, na noção espírita de que somos acompanhados por anjos da guarda, nossos amigos desencarnados que nos amam muito, nos versos da breve oração: “Meu anjinho, meu amiguinho, sempre me leve pelo bom caminho!”. Aqui podemos ouvir o som relaxante de mar, como dormir embalado por tal canção de ninar, levando-nos para uma noite boa de sono, na noção de que temos que descansar, ao contrário do workaholic, obcecado em produzir, não admitindo que é um ser humano e que precisa descansar numa cama, no modo como aprendi: O Mundo não está nem aí se somos ou não workaholics, nos versos da canção pop brasileira: “Tô nem aí! Tô nem aí!”. Os cabelos presos são a disciplina, como parte dura e áspera de qualquer trabalho, que é ter disciplina, nas palavras de Gisele a fãs num set de filmagem de comercial de TV: “Desculpem, gente, mas tenho que trabalhar!”, uma pessoa que se manteve humilde mesmo alcançando tanta fama, sucesso e grana, como numa Barbra, a qual, pés no chão, nunca se envolveu com álcool e drogas, ao contrário de Whitney Houston, com a própria voz aniquilada pelas drogas, deixando-nos perplexos com seu último trabalho de estúdio – não dá para dizer que a voz é da diva negra, tal o débito explícito. Aqui é o curioso modo como, ao aprendermos a andar de bicicleta, nunca mais nos esquecemos, em doces lembranças minhas de infância em verões em Jurerê, SC, como a galerinha da vizinhança, de noite, passando na frente de minha casa, convidando-me a me juntar ao grupo, no modo como os amigos são o ouro da vida, ao contrário dos amigos pouco íntimos, os quais não nos dão a sensação de acompanhamento existencial, pseudoamigos os quais não aplacam em nós mesmos o sentimento de solidão, em discernimentos que a vida vai ensinando, pois pobre daquele que acha que nada precisa aprender, ou seja, os arrogantezinhos, como uma certa senhora, a qual simplesmente se achava imune a erros. A saia comprida é o pudor, como em certas religiões, cobrindo em pudor totalmente as pernas femininas, ou no hábito de mulher em simplesmente não cortar os cabelos, deixando longos até quase os pés, ou como na machista burca, reprimindo a liberdade da mulher, enfurecendo as feministas, as quais têm a inteligência para pensar contra os poderosos ventos do patriarcado. Aqui é como pedalar numa academia, numa atividade que pode ser monótona, sendo necessário um personal trainner para acompanhar e exigir do aluno, no papel do professor em exigir, cobrar, professores que valem cada centavo de remuneração, marcando nossas vidas.
Acima, O fim do século XX. O menino é sonhador, como num sonho de menina, querendo ser rainha da Festa da Uva, num sonho de infância, na pureza dos sonhos infantis, como uma moça querendo ser modelo, querendo chegar tão longe quanto Gisele, a brasileira de brilho monstruoso, ditando, há vários anos, paradigma capilar ao redor do Mundo, nos cabelos ondulados da deusa, numa mulher que conquistou o Mundo inteirinho, e ninguém se dá conta, obtendo um efeito tão deslumbrante, uma mulher que sabe que, se parar de trabalhar, virará “peça de museu”, na força para continuar tocando a vida para frente, encarando páginas novas em branco, na humildade para continuar na luta, na figura de Marte, o deus da guerra, como na divindade do Capa Preta da Umbanda, no lado macho da vida, como essas mulheres gays que trabalham tão arduamente, sabendo que o sucesso não “cai do céu”, tendo que batalhar para conquistar as coisas na vida, como no sonho do imigrante italiano em solo gaúcho, sonhando ser rico, com uma mesa farta, digna de rei, resultando na fartura das galeterias, onde comemos como reis, espantando uma certa senhora italiana em tal restaurante, dizendo: “Deus, quanta comida! Como vocês comem!”, ou seja, diferenciando o imigrante do italiano que permaneceu na Itália. No céu vemos rastros, vestígios, como jatos de aviões, em manobras arriscadas, como em comemorações francesas, com aviões ejetando rastros com as cores da bandeira nacional de tal país, remetendo à força de um certo senhor, o qual iniciou o curso de Aeronáutica na PUCRS, mas um curso que acabou fechando, num senhor que teve que ter a força para reiniciar do zero, entrando num pré vestibular para cursar Medicina, como disse eu a certo senhor recentemente na Rua: “Na luta! Na luta sempre!”, como na força de pessoas que perderam tudo nas infames enchentes gaúchas do ano de 2024, como parentes meu fizeram, adotando um cachorro que se perdera da família na enchente, num ato de amor, como uma grande amiga minha, amiga dos animais, na ancestralidade do cachorro junto ao ser humano, num bicho que nos dá sensação de companhia, nos encargos de responsabilidade: Tenho que acordar para trabalhar, ganhar dinheiro e, assim, comprar ração para o meu bicho, ou como na obrigação de levar o cão para passear na Rua para o animal fazer suas necessidades fisiológicas, na responsa de catar o cocô do bicho com um saco plástico. O menino aqui almeja algo, num sonho, talvez ser piloto de avião, como no menininho colecionando figurinhas de álbuns de jogadores de Futebol, sonhando ser um craque, nos versos da canção da banda Skank: “Quem nunca sonhou em ser um jogador de Futebol?”. O menino está alheio a nós, distraído com os sonhos no céu, encantado. Ele está sozinho, no lado solitário da vida, como Deus no filme Dogma: “Solitário, mas engraçado!”, um filme que não debocha da religião, bem pelo contrário, reforça tal religião, no divertido modo do filme colocar Deus como uma mulher, dizendo: “Quem pode gerar vida?”, impactando-se com o mito do Éden, no qual Adão é a obraprima de Deus, na ancestralidade do patriarcado, sempre “vingando-se” do poder que a mulher tem em trazer vida ao Mundo, como na figura do cacique amazônico, sempre oprimindo a mulher, fazendo desta uma moeda de troca. O casaco xadrez do menino é a ludicidade, o jogo, como em cidades mundanas como Las Vegas, sempre arrancando dinheiro do cliente, num jogador que ganhou dois mil dólares, mas perdeu quatro mil, no modo como a casa sempre vence. O menino quer ser homem, como no filmão Império do Sol, no menino que começa a guerra criança e acaba homem, finalmente se reencontrando com os pais, abraçando a mãe, numa sensação de finalmente estar de volta ao lar, o lugar inequiparável, por mais modesto que seja, no recinto inviolável do cidadão. Aqui é um momento de retiro e solidão, mas só um momento, nas agendas sociais, quando o adolescente descobre a vida social, na menina se desinteressando pelas bonecas, querendo debutar toda de branco.
Acima, O grande dia. Aqui pode ser uma decepção para a mulher, a qual achava que a vida de casada seria diferente, como uma certa mulher, a qual acreditava que estava desposando um príncipe, mas acabou se deparando com um sapo, um homem grosso, sem lá muita sensibilidade, um homem sem muita vida cultural, sem sofisticação, naqueles homens pragmáticos, grossões, como um certo senhor que já foi governador, um grossão de marca maior, em contraste com a própria esposa, esta, sim, fina e sensível. As flores são a beleza e a fertilidade, pois as flores nada mais são do que os órgãos genitais da planta, remetendo aqui a um senhor que mora em Natal, RN, um senhor que faz decorações de festas de casamentos, com arranjos de cair o queixo, exuberantes, belíssimos, para marcar muito bem marcado o grande dia, no esforço de uma mãe para casar a filha, nas palavras de orgulho de uma certa matriarca, com três filhas: “Todas casadas!”. Aqui é a magia social de tal evento, na junção dos arquétipos universais de masculino e feminino, um ritual tão universal, como em tribos amazônicas, com o casal transando em frente de todos na tribo, remetendo a uma via nobre, iluminada, na beleza do Plano Superior, em cidades tão apolíneas e limpas, um lugar que tem paz, um lugar que definitivamente podemos chamar de lar, no termo espírita “Nosso Lar”, um lugar onde amamos estar, com vidas produtivas, na seriedade da vida, uma seriedade que sobrevive à morte do corpo físico, na constância do trabalho, como disse certa vez a comunicadora gaúcha Tânia Carvalho, ao falar sobre Caxias do Sul: “Que cidade com uma energia de trabalho!”, na dignificação do labor, mesmo em trabalhos tão humildes como os do gari, no modo como todo e qualquer trabalho, por mais humilde que seja, é anexado à grande carreira espiritual, até chegar ao ponto dos arcanjos, espíritos depuradíssimos que gozam da felicidade suprema, no poder imensurável da Eternidade, o presente da vida perene, que nunca cessará, fazendo de Deus tal mistério infinito, a orla vazia em que escrevemos nossas vidas, no presente que é a vida, ser um espírito, no Útero Sacrossanto que a todos nós gerou, fazendo da Imaculada Conceição a metáfora para entendermos que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, fazendo das famílias mundanas de realeza cópias de tal plenitude infinita. É engraçado que aqui temos um casamento gay, como no livrão As Horas, de Michael Cunningham, uma obra que toca no nervo da homossexualidade, no divertido modo como homens gays vivem num plano diferente das mulheres gays, na questão do Clube do Bolinha e Clube da Luluzinha, pois na infância os sexos não se atraem, e na adolescência os sexos começam a se atrair, a salvo, é claro, em caso de casais gays, como aqui nesta obra de Bo Bartlett. Aqui temos um Bo ousado, sem medo causar impacto. O bolo é a celebração, reunindo família e amigos, na questão de recebermos muito bem nossos convidados, em pesadelos que tenho ocasionalmente, quando sonho que estou para receber muitos convidados, mas simplesmente não tenho bebida para recebê-los, numa sensação de angústia, no ato de sermos bons anfitriões, resultando nas pessoas socialites, pois festas não marcam época; trabalhos marcam época. Os socialites gastam seu dinheiro em tais festas, como em dantescas festas de uma certa socialite carioca, festas nas quais desfilavam entre os convidados bandejas com carreiras de cocaína, ou seja, festas desinteressantes, no modo de se subestimar a que ponto o pó pode ir na vida da pessoa, resultando num certo senhor, o qual apodrecerá o resto de seus dias trancado numa clínica psiquiátrica – é um horror, como sabemos: Quanto maior é o pico de euforia da droga, mas profunda é a depressão pós pico, numa pessoa jogada numa cama, sentindo-se um pedaço de merda, com o perdão do termo chulo. Aqui são pessoas tratando de ser felizes, pouco se importando se a sociedade gosta ou não, numa imposição, numa personalidade, numa atitude. Aqui é a vitória do amor.
Acima, O grande noroeste. O casamento da Arte com a beleza do corpo humano, na busca apolínea por beleza, nos inocentes nus da Antiguidade, ressuscitando na Renascença, em obras tão célebres como o Davi de Michelangelo, em nus sem malícia, na atitude do Vaticano em tapar os sexos de pinturas no teto, na malícia da Serpente do Éden, quando Adão e Eva taparam os sexos, remetendo a uma amiga freira minha, que foi minha professora no Ensino Fundamental, uma religiosa que dava aulas de Educação Sexual exatamente para neutralizar malícia dos jovens, numa senhora que se de deu conta: Essa meninada mal “quebrou a casca do voo” e já está supermaliciosa em relação a sexo, em belezas como o aparelho reprodutor feminino, no contraste entre óvulo e espermatozoide: O óvulo é o feminino especial, fino, único, formoso, precioso; já, o espermatozoide é o lado competitivo da vida, com homens comuns, peões de tabuleiro, concorrendo intensamente pelo cobiçado óvulo, na competitividade da Vida em Sociedade, exigindo que a pessoa desenvolva agressividade para conquistar as coisas na vida. As moças aqui estão à vontade, confortáveis em si mesmas, na delícia de se nadar nu no mar, numa inocência, como nossa nudez no útero, num lugar tão primordial, como no Santo Útero de Maria, em orixás como Iemanjá, abençoando as redes dos pescadores, no milagre cristão da multiplicação dos peixes, na revelação da imagem de Nossa Senhora Aparecida, negra, exatamente para colocar o dedo na questão racial no Brasil, com o feriado de Consciência Negra, ao contrário de outro certo país, uma nação racista, que simplesmente deplora negros, ao contrário de nações como os EUA, com uma família negra na Casa Branca, em homens grandes e sábios como Obama, chamando de “loucura” medidas de Trump, o homem que simplesmente quer ter o Mundo a seus pés, na sedução do Anel do Poder, corrompendo homens, na ilusão das ambições, em egos que ascendem e descendem, permanecendo a figura de Jesus, o homem que nunca quis escravizar o Mundo, bem pelo contrário, quis nos libertar por meio do apuro moral, desprovido de ambições mundanas, na metáfora de Matrix: Um homem poderoso quer mais e mais poder, em homens como Saddam, que acabou executado, num homem arrogante, que dizia aos subalternos: “Eu não estou pedindo que você faça isso; eu estou mandando!”, e a arrogância não precede a queda? Quem é humilde não sobrevive? Os picos aqui são o desafio de deflorar terras virgens, em missões de navegadores para desbravar o Mundo, numa Europa que começou a descobrir e América, abrindo-se para a Índia e a China, na magia da seda e das especiarias, em perfumes arrebatadores como o de canela, temperando pratos, na vitória do fino, do sofisticado, do cordato. O sofá é o conforto, a casa, o estar à vontade, na nudez inocente de se despir e tomar banho, na tênue linha que separa o bom do mau gosto, como certa vez houve um escândalo em uma certa cidade, em cujo jornal apareceu um ensaio fotográfico que se revelou de péssimo gosto sexual, ao ponto de tal jornal simplesmente decidir nunca mais fazer ensaios, remetendo ao sociopata, numa vida em torno de sexo, no hábito de sociopatas irem à Tailândia para fazer turismo sexual, aproveitando-se de brechas na vida em sociedade, pessoas de rasíssimo apuro moral, identificadas coma matéria, querendo permanecer no corpo físico mesmo após o desencarne, como num vilão de Matrix, desejando não ser livre – dá para entender? Neste viçoso quadro, uma repousa e a outra vigia, como na famosa troca da guarda do Palácio de Buckingham, atraindo turistas que gostam das tradições britânicas, em famílias que representam tamanha tradição, famílias obtusas nas quais homossexualidade é absolutamente inviável, em pessoas que se sacrificam ao desposar pessoas do sexo oposto – eu, hein! Aqui, o frio racional da neve contrasta com o calor na relação de tons rubros, na relação entre mente e coração – primeiro, ouvimos a mente, e só depois o coração, pois este, por si só, é muito arriscado e traiçoeiro.
Referências bibliográficas:
Bo Bartlett. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 20 ago. 2025.
Paintings. Disponível em: <www.bobartlett.com>. Acesso em: 20 ago. 2025.






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