quarta-feira, 13 de abril de 2022

Salve, Jorgge!

 

 

Artista e educador com Ph.D., Jorgge Menna Barreto nasceu em Araçatuba, SP, em 1970. Estudou Artes Plásticas na UFRGS e desde cedo na carreira já começou a ser reconhecido, com um talento claro. Zen, discreto e reservado, Jorgge é também ambientalista e tradutor, reconhecido tanto no Brasil como no Exterior. Por duas vezes foi indicado ao Prêmio Pipa. Tive o prazer de conhecer o artista pessoalmente em Porto Alegre, onde JMB tinha um sítio onde produzia. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A marquise, o MAM e nós no meio. Ambiente em um museu de Arte Moderna. Aconchegante. Uma sala receptiva, na capacidade de um anfitrião em receber e fazer com que o convidado se sinta bem à vontade, como no estilo rústico, simples, sem pretensões ou afetações pernósticas, acolhendo com simplicidade, no modo como todos os espíritos são unidos por Tao, o Pai Divino que nos criou com extremo e absoluto carinho – somos todos estelares. Jorgge gosta de incursões de redação, gostando muito de escrever coisas, como neste painel cheio de palavras, remetendo à tecnologia digital do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, convidando a uma interatividade, e este é o objetivo magno de uma obra de Arte – interagir com o espectador, com Ser Humano falando com Ser Humano, na universalidade do apelo artístico, com popstars com fãs nos quatro cantos do Mundo. Aqui é como um café moderníssimo, com assentos que nos acolhem como uma boa cama, convidando a uma simplicidade, sem rígidas regras de etiqueta, numa festa na qual, para nosso alívio, encontramos amigos, como na recepção do casamento de um primo meu, com um senhor que, ao me ver sentado sozinho, puxou assunto comigo para eu me sentir mais confortável, ou seja, este senhor foi um cavalheiro com C maiúsculo, fazendo com que eu não me sentisse tão desolado, no poder da etiqueta, na universalidade das colunas sociais em jornais e revistas, na fineza da interação social, com respeito mútuo entre cidadãos, entre iguais, entre príncipes de reinos vizinhos, no tato diplomático, sempre primando pela Paz e pela Harmonia mundial, na feiura das guerras, com cadáveres jogados nas ruas, apodrecendo sem um digno funeral, como na Ucrânia – é um horror, num arrogante Putin cada vez mais acuado; num ditador que não respeita a liberdade do espírito. Vemos aqui uma máquina de café, convidando para este delicioso happy hour, na magia em torno do café, esta bebida tão universal, no boom econômico do Café no Brasil, exportando para chegar até cafeterias japonesas, na excelência da rede Starbucks, fazendo com que eu anseie para que tal rede abra uma operação em breve em Gramado, RS, a cidade mágica (e cara) na qual viramos crianças novamente, como na onírica e etérea Cidade das Crianças, na Argentina, o lugar que inspirou Walt Disney a fazer o parque da Disneylândia na Califórnia, EUA, no poder da Arte de partir de uma inspiração e resultar em inspirar outrem, numa retroalimentação. As palavras aqui são como um papo, uma conversa, em lugares tão formidáveis como salas de visitas, no prazer de sentar e falar, como num consultório de Psicoterapia, num momento em que o interior do consultório faz metáfora, ou seja, tem continuidade com o interior psíquico da pessoa analisada, como um amigo meu, o qual teve uma Experiência Extracorporal, ou seja, uma espécie de “sonho real” no qual se viu que numa sala de estar metafísica estava sentada conversando a falecida mãe de tal amigo, a qual disse a ele: “Eu não penso em voltar para a Terra agora, pois assim, no momento, estou bem”. É a questão de se sentir bem onde estou, sem querer me mudar, encontrando felicidade e contentamento dentro de si, nunca fora. Aqui, os sofás horizontais são como biscoitos doces e deliciosos, na magia de uma prateleira de confeitaria, no divertido modo como no Plano Metafísico há doces para ser degustados, ferindo o delicioso pecadinho capital da Gula – não sinta tanta culpa, meu irmão, pois somos humanos! Aqui é um espaço extremamente jovial, como num Jamie Oliver, que se manteve jovial mesmo sendo um homem de meia idade, no modo como Leonardo da Vinci se manteve jovial e irreverente até o fim da vida.

 


Acima, Concreto. Separações, setorizações, num organismo com vários órgãos, com funções diferentes, no organismo de uma empresa, com cada ator com seu papel, contribuindo para a totalidade, para o grupo, como vários cursos numa universidade, num leque de opções, numa certa rigidez e dureza, pois como uma pessoa extremamente jovem pode fazer a escolha de sua vida em uma idade tão jovem? Aqui são divisórias, como num certo programa televisivo, com convidados numa bancada discutindo sobre um tema, com medidas de prevenção anticovid, com divisórias transparentes separando os debatedores na bancada, no modo como cada pessoa vive a própria vida, num caminho um tanto solitário, mas sempre com o contentamento de estar acompanhado de espíritos amigos, aplacando tal sensação solitária, como no formidável filme Dogma, sendo Deus escrito como alguém solitário mas extremamente repleto de senso de humor, e não é irônico o fato de que, por toda a eternidade de números, sempre haverá números primos? Não é engraçado o fato de que passamos já por várias encarnações? Aqui é um labirinto translúcido, claro e confuso ao mesmo tempo, numa aranha iluminada, feita de cristal, desprovida de tons sombrios ou diabólicos, no modo como Tao coloca beleza em tudo o que faz, em linhas simples e limpas, pois beleza rima com limpeza, no prazer de se estar numa casa que foi recentemente limpa e faxinada, como acordar em uma cama com lençóis perfumados – é a sensação de lar, de pertencimento a algo maior, nas mansões da Vida Eterna construídas por um Pai que quer o melhor para nós, fazendo da miserável Terra um lar de passagem, momentâneo, como pais matriculando o filho num internato, no choque da pessoa sair do lar, sair de casa para morar sozinha, tendo que se adaptar à nova vida, dando conta da falta que faz aquela mãe zelosa, que sempre manteve a casa organizada e limpa, abastecida de supermercado – quase sempre, só damos valor a algo quando perdemos este algo. Aqui é um jogo complexo de vitrines, num lugar de arrebatadora beleza, na transparência da alma de um amigo, uma pessoa que conhecemos profundamente, a qual reencontraremos no Plano Superior, num relacionamento leve, desapegado, light, luminoso e tranquilo, ao contrário do amor fixado, obcecado e obsessivo, no qual não vemos o próximo como um irão, mas como um objeto queremos possuir – é uma insanidade. Os tijolinhos metálicos são a sustentação, o alicerce, como numa família unida por alguns de seus membros, na capacidade distributiva do patriarca, lembrando-nos de que os vínculos de família sobrevivem ao desencarne deste ou daquele membro, no reencontro dos que se foram antes de nós, num lugar onde temos a certeza de que estamos cercados de amigos, ao contrário do Umbral, onde ninguém é amigo; onde não há amor ou carinho. Os vidros aqui são a autenticidade, a honestidade e a transparência, num homem íntegro, que definitivamente não quer passar os outros para trás, sabendo que a desonestidade é um desperdício descomunal de tempo, como um senhor que conheci, o qual, ao faltar com o apuro moral, acabou ele mesmo se deletando de minha vida, no caminho infeliz do Umbral, o vale dos desonestos sofredores, os nossos irmãos sofredores. Os tijolinhos são a construção, como uma pessoa construindo uma carreira, como se soubesse que, fora do trabalho, não há salvação, ao contrário de uma pessoa que conheço, a qual, apesar de financeiramente rica, é existencialmente miserável, mergulhando numa vida de fofocas e malícia, tal a miséria de tal alma, perdendo tempo precioso de vida, uma alma que, ao desencarnar, dar-se-á conta da perda de tempo – a Vida cobra sério e não dá para fugir. Os vidros aqui são este respiro, deixando a luz fluir, numa casa iluminada, leve, linda e simples, ao contrário da toca da Laracna de Tolkien, o monstro de escuridão que tem uma vida viciosa, encarcerada num submundo sombrio e desinteressante, pois o Mundo, a Vida é uma só, num só plano, num só caminho, numa só família.

 


Acima, Desleituras. De longe, esta é minha obra preferida de Jorgge. Vibrante, dinâmica, pulsante, maravilhosa, rica, inteligente. Aqui é um corpo dinâmico, num encaixe perfeito, no mistério solucionado de um quebracabeça, com as peças se encaixando, numa feliz harmonia entre as partes, num país feliz, onde se respira liberdade, longe de ditaduras cinzentas, oprimindo ideologicamente a Arte, submetendo esta a uma mera peça de propaganda estatal, no caminho da loucura, num sistema opressor como Matrix, “sedando” o cidadão para este não ver a verdade, como na desintoxicação ideológica que é feita na Coreia do Sul para os refugiados do terrível regime nortecoreano, na concepção liberal de Smith, na qual o indivíduo é responsável por si próprio, num estado mínimo, discreto, interferindo minimamente na Economia, na opção do sistema de saúde particular e público – se não tenho dinheiro para me tratar de um câncer, este estado mínimo proporcionar-me-á tal tratamento. O estado mínimo é a prova de que não é possível uma economia global autorregulamentada, derrotando a utopia de Smith. Aqui são como luzes frenéticas numa boate, num ambiente tão glamoroso, ao contrário de um ringue de luta, que é desprovido de qualquer glamour, no beijo entre Razão e Loucura, faces da mesma moeda – tudo traz em si a própria contradição. São os dois lados da Vida – apesar de eu ter que entender o lado macho, o lado Yang da Vida, tenho que ser, dentro de mim mesmo, mais Yin, numa vida pacata, sossegada, produtiva, com paz, pois a Vida sem Paz é uma tortura excruciante, pois o Umbral é tal lugar incômodo, onde nos sentimos tão desamparados, sem amigos, no modo como um sociopata, como mostrado no clássico com a monstruosa Bette Davis, não tem capacidade para amar nem para ser amado, na metáfora no final do filmão Fargo, com o monumento de um lenhador com um machado – na leitura sadia, é a força do labor; na leitura doente, é uma arma pronta para matar. Aqui é numa empresa feliz, onde todos trabalham com tesão e dedicação, como um certa agência publicitária de Porto Alegre, hoje desativada, um lugar onde todos os publicitários portoalegrenses desejavam trabalhar, nos maravilhosos empregos da Dimensão Metafísica, os quais não são trabalho subservientes, mas trabalhos que exigem da cabeça da pessoa, neste hábito maravilhoso e essencial que é colocar a própria cabeça para funcionar, no espírito que, ao se ver desencarnado, depara-se com o fato de que produtividade é para absolutamente todos, não importando em qual dimensão – fora do trabalho, que salvação há? Aqui vemos a paixão de Jorgge pela redação, com palavras chave, desconstruídas em trocadilhos, brincando com a mente do espectador. Aqui é como um organismo vivo e vibrante, respirando, com índices ascendendo e descendendo, numa bolsa de valores, na metáfora de que ninguém está por cima o tempo todo, como no artista respeitado Jared Leto, o qual, depois de ganhar um Oscar, foi recentemente vítima do prêmio deboche Framboesa de Ouro, que se encarrega de “premiar” os piores do ano. Aqui, os altos e baixos são inevitáveis, nos versos de Elis: “Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar”. Aqui temos uma certa simbiose, e não vemos uma competitividade canibalesca, como fotógrafos se acotovelando para fazer fotos de celebridades, numa competitividade degradante – se sou único, original e criativo, ninguém poderá competir comigo, e somos todos únicos, extremamente especiais, príncipes eternamente abençoados por Tao, o Pai de amor infinito, no modo como é incabível (na mente humana) a compreensão de que jamais findaremos. Aqui é uma reunião de amigos, num lugar feliz, de concórdia, num Jorgge que nos convida a caminhar pelos tapetes, numa explosão de arco-íris, num finíssimo cristal colorido, numa estrela no céu noturno, guiando a Humanidade, numa estrela sem gênero, eterna, suprema, valiosa, inestimável, numa supernova estourando nos quatro cantos do Universo.

 


Acima, Metabólide. Espelhos de água de Niemeyer em Brasília, no seriado televisivo de O Tempo e o Vento, com Ana Terra fazendo do córrego um espelho, neste símbolo de feminilidade que é o espelho, no espelho de Galadriel, na magia de ver o ontem, o hoje e o depois, na sedução de Narciso por si mesmo, afogando-se em sua autocontemplação, em personalidades narcisísticas de sociopatas, numa pessoa que simplesmente se acha Deus, sempre querendo obter vantagem em relação a outrem, sem um pingo de amor no coração, numa inteligência racionalmente rica e emocionalmente nula, numa pessoa que só sabe e nunca ama. Aqui os tijolinhos emergem vitoriosos, talvez boiando, na pontinha do iceberg, como na elaboração da embalagem de um produto, num momento que é a etapa final de todo um extenso trabalho de marketing em torno de um produto, ou seja, é uma pequena fração do trabalho total. Aqui é como um Titanic ressuscitando, na arrebatadora cena do filmão, nos espíritos amorosos se reencontrando num clube onde há só Amor, nunca vaidades mundanas, no momento de libertação em que amantes se tornam amigos, fazendo da Eternidade a resolução de qualquer desavença, como dois senhores que conheço, os quais, apesar de irmãos, estão de relações cortadas, remoendo questões de décadas atrás, senhores que, em suas respectivas idades – setentões –, teriam que já ter desenvolvido sabedoria. Aqui vemos sobreviventes, na força que a Vida exige da pessoa, num artista tendo que sobreviver a décadas de carreira, sempre buscando não se repetir nem parar no tempo, no modo como há tantos artistas talentosos que simplesmente “somem”, não conseguindo sobreviver, no modo como é preciso que tenhamos força para virar as páginas e encarar humildemente uma nova etapa, uma folha em branco, no discernimento de humildade que me diz que não chegarei um ponto de “piloto automático” no qual atingi a perfeição – tudo é processo; tudo é crescimento. A Eternidade é o perdão eterno de um Pai paciente, que quer ver o filho crescendo e depurando-se, no orgulho de pais na cerimônia de formatura de um filho. Aqui são como boias, leves, flutuantes, respirando acima da água. A água é plácida e silenciosa, num lugar delicioso de se estar, num mundo de concórdia onde todos se respeitam, no sonho dos esforços diplomáticos em nome da Paz, em nações nobres e neutras, ao contrário de uma pessoa desrespeitosa, que diz a você: “Se você não está do meu lado, você é meu inimigo” – é muita mediocridade, Jesus Nosso Senhor. É a pequenez do Ser Humano, cultivando inimigos tais quais repolhos em horta, numa perda de tempo, havendo na encarnação próxima a chance de encarar tal desafio de crescimento. São adultos agindo como crianças: “Eu gosto do Homem Aranha, mas o fulano não gosta do Homem Aranha!”. Aqui as partes visíveis são como sobreviventes de uma enchente, ou num esforço de superar vicissitudes e fazer com que o trabalho apareça aos olhos do Mundo, no eterno sonho do artista em ser respeitado e célebre, mantendo esta “fome” constante, este tesão pela Vida, no termo “Por um lugar ao Sol”. Aqui são como os pântanos mortos de Tolkien, com pistas traiçoeiras, seduzindo-nos para que nos afundemos em zonas pavorosas de morte e putrefação, num lugar tão lúgubre, assim como o desenterro do cadáver embalsamado de Evita. Aqui é uma travessia perigosa, num guia cauteloso, como se soubesse que há perigos pelo caminho, tateando cuidadosamente, como num deficiente visual guiado por uma bengala. Aqui os pesados tijolos parecem ser tão leves e flutuantes, como majestosas vitórias régias boiando, leves em sua majestade, num rei que nunca interfere na vida pacata diária do cidadão comum; num rei cuidadoso, que se preocupa com o preço do pão e da manteiga, em medidas simples de cuidado e zelo, no Papa Francisco pacatamente em frente à televisão de noite assistindo algo – a Vida é boa quando é simples.

 


Acima, Paladar Trimensional. Um processo, uma assimilação, como uma pessoa sendo aceita dentro de um grupo, nas identificações, como em grupo de adolescentes na Rua – todos, dentro do grupo, vestem-se mais ou menos da mesma forma, na questão espírita da sintonia e da identificação, pois os espíritos se reúnem em meio às afinidades, ou seja, pessoas com as quais me identifico. Aqui remete à facada sofrida pelo então candidato Bolsonaro, numa lição sendo aprendida – todo cuidado é pouco, e deve haver precaução, como num descuidado John Lennon, assassinado por um fã o qual, antes de matar o artista, disse-lhe: “Eu te amo, cara!”, ou como no assassinato da cantora hispano americana Selena, assassinada pela presidente de seu fã clube. Aqui é um organismo complexo, na gloriosa sensação de saciez, como uma pessoa existencialmente preenchida, encontrando vida e significado no trabalho, ao contrário da pessoa deprimida, a qual não vê sentido na Vida, prostrando-se numa cama, chorando ao léu por um motivo o qual o próprio deprimido não sabe identificar – apenas sabe que está triste, como me disse uma médium espírita: “Tu está com um encosto, que é um espírito que veio inocentemente, aproximou-se de ti e está dificultando tua vida. Tens que bloquear tal encosto”. E qual é a palavra mágica para que eu possa ser feliz e encontrar sentido na Vida? TRABALHO. É como as pessoas equivocadas, as quais se acham sexy demais para arregaçar as mangas e fazer algum trabalho, como uma dondoca que conheço, a qual sequer faz supermercado, mandando a empregada ao super com uma lista feita pela dondoca. Aqui temos um atrativo ao toque, num veludo irresistível, macio, convidativo, sexy, numa romântica cama de lençóis de cetim, numa deliciosa sensação de bem estar, fazendo com que não desejemos estar em qualquer outro lugar, na questão de eu estar feliz em minha cidade, sabendo que esta é puramente um lugar, chegando à conclusão de que a cidade X ou Y não tem poderes mágicos e milagrosos, como me disse uma pessoa de inteligência respeitável: “A Vida é difícil em qualquer lugar”. Aqui são as bactérias intestinais necessárias à assimilação do alimento, numa disciplina alimentar no termo: “Você é o que você come”. Aqui é uma ideia sendo ponderada e amadurecida, numa pessoa que sabe que precisa ter calma, sem pressa, ponderando cuidadosamente, como um leão atravessando cuidadosamente um rio, como se soubesse que há perigo, num leão hesitante, num líder que cuida o máximo para preservar seu próprio povo, sendo amado por este, ao contrário do ditador, o qual é temido e, no fundo do coração do povo, odiado. É um Saddam, o qual, momentos antes de ser executado, pensava que permanecia o homem poderosíssimo que foi, no modo como o Anel do Poder de Tolkien tem esta capacidade de corromper homens, na obsessão mundana por grana e poder, num “choque térmico” do espírito que desencarna, indo a uma (maravilhosa) dimensão onde não existem tais ambições mundanas, pois, sem ambições, pode haver Paz, e não é este um lugar maravilhoso? Aqui há um prazo de assimilação, como num processo jurídico, levando um tempo para se desdobrar, como numa trama de livro ou filme, contando pacientemente uma história, no talento de certos roteiristas, no fato de que um bom filme nasce de um bom roteiro, pois se o roteiro é ruim, não há como “consertá-lo” depois com elenco, direção de arte etc., vide o fracasso do filme americano Town and Country, recheado de estrelões, num roteiro pobre, resultando num fracasso de bilheteria, mesmo recheado de tantos astros célebres, no fato de que, não canso de dizer, ninguém está por cima o tempo todo, vide o prêmio deboche Framboesa de Ouro. Aqui remete aos pobres coitados aliciados pelo Tráfico de Drogas Internacional, engolindo cápsulas com drogas para, depois de chegar ao destino, expelir os corpos num banheiro de hotel, entregando a droga aos maldosos traficantes, os quais nada mais querem do que poder mundano, vindo aí novamente o maldito Anel.

 


Acima, Uma questão de caráter. Aqui temos uma organização, numa ordem social, como numa grande solenidade de estado, num desfile de forças armadas, nas pomposas celebrações militares nortecoreanas, num líder que investe tudo em armistício, desassistindo as necessidade básicas do cidadão, num país que exige, para você entrar neste país asiático, que você não tenha blog, como no meu caso – e sabe você qual o dia em que eu desejarei colocar os pés dentro da Coreia do Norte? É como no caso recente do país ditatorial roubar dinheiro, com hackers, para investimento em terríveis armas nucleares, nas palavras sábias: Nenhum homem de Tao terá algo a ver com armas, as quais são coisas terríveis. Aqui é como numa cerimônia de abertura de jogos olímpicos, num país se revelando e dando as boas vindas, na universalidade do Esporte, exercendo fascínio desde sempre, como nas lutas de tribos amazônicas, na universalidade dos campeonatos, os quais atraem os olhos do Mundo, como em jogos de Copa do Mundo. Aqui é uma organização querendo se sobrepor ao caos, como numa fila de alunos na escola, em ordem de estatura, com os mais altos ocupando a rabeira da fila, ou como na convenção social de banheiros masculinos e femininos, ou como em certos templos, numa missa, na qual os homens ocupam um lado dos bancos e as mulheres o outro, com o padre sendo a figura patriarcal dominante, o qual serve o Papa, o qual serve a Deus, que tem a imagem de um velho patriarca, fazendo de Adão uma obraprima e de Eva um arremedo que só serve para reprodução, no termo “o segundo sexo” – como deve se sentir uma mulher num mundo de homens? É como no Egito Antigo, o qual só podia ser governado por homens, na excepcional Hatshepsut, reinando oficialmente, na primeira feminista da História. Estes enfeitezinhos remetem ao passeio em Salvador pela casa que foi de Jorgge Menna Barreto, digo, de Jorge Amado, este amado literato, o qual diz em um momento no passeio guiado sobre os numerosos adorninhos: “Não posso viver sem minhas inutilidades!”. Aqui é uma casa sendo organizada pacientemente, no privilégio de se ter uma pessoa que faça este trabalho por você, fazendo das faxineiras mulheres de dupla jornada de trabalho, pois, ao faxinar a casa alheia, têm que ir para casa e colocar esta em ordem também, numa vida tão dura e difícil. Aqui temos um JMB paciente, colecionando os objetozinhos, neste trabalho de paciência num artista plástico, vivendo um dia depois do outro, sabendo, na sabedoria popular, de que Roma não foi erguida num dia só, pois até Deus tirou o sétimo dia para descansar. Aqui temos uma fragilidade e uma vulnerabilidade, pois não há um cercadinho delimitando o espaço entre obra e espectador, e é necessário que aqui o espectador demonstre respeito, tomando uma certa distância, no divertido modo como diante de um Renoir no MASP, vi meu sobrinho, ainda criancinha, colocando o dedo sobre a tela inestimável e tocando o intocável! É a inocência infantil. Aqui são objetos de artesanato, e o artesão é também artista plástico, ou seja, aqui temos artista falando de artista, numa retroalimentação. Neste organismo numeroso e complexo, cada ente tem sua posição e função, num estado inclusivo, agregador, na capacidade do patriarca e ou da matriarca em manter unida a família numa noite de Natal, na farta mesa de ceia, onde cada um da família colaborou com uma ave assada ou sobremesa. Aqui temos uma colorida diversidade, na inclusão social da bandeira de arcoíris, remetendo a uma certa drag queen de Porto Alegre, uma pessoa que se candidatou a cargos públicos mas infelizmente não obteve sucesso, pois teria se tornado uma voz ativa de tal setor da Sociedade – são as desilusões e as decepções, fazendo com que um percalço surja para ajudar e não para atrapalhar, numa ironia de um Tao que escreve certo por linhas tortas. Aqui, ninguém é esquecido, como num coração de mãe, nunca negligenciando algum dos filhos, sabendo que cada um é especial a seu próprio modo, num Pai que nos criou com perfeição, como seres únicos, inimitáveis. Aqui é como um universo de astros pop, num cenário diversificado, com Arte para todos os gostos e públicos.

 

Referências bibliográficas:

 

Bio & Portfolio. Disponível em: <www.jorggemennabarreto.com>. Acesso em: 30 mar. 2022.

Jorgge Menna Barreto. Disponível em: <www.premiopipa.com>. Acesso em: 6 abr. 2022.

Works. Disponível em: <www.jorggemennabarreto.com>. Acesso em: 30 mar. 2022.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

La La Lauand (Parte 2 de 2)

 

 

Volto a falar sobre a artista visual brasileira Judith Lauand. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Círculos. Bolhas em ebulição, num levante ou revolta, revolução, no boom da Revolução Francesa, lançando os paradigmas democráticos de hoje. É como uma pessoa se irritando e perdendo a paciência, por um fio, talvez num jornalista indignado com o governo federal, numa pessoa que se compadece com os fracos e oprimidos, no modo como a comunidade mundial inteira está condenando a infame invasão russa na Ucrânia. É como uma amiga psicóloga que tenho, a qual fica indignada com pessoas humildes e ignorantes que são ludibriadas por golpistas espertinhos, pessoas maliciosas que se aproveitam de tais brechas, sempre visando uma oportunidade de aplicar um golpe, nos inúmeros golpes sendo aplicados a cada dia, na esperança do golpista em encontrar alguém ingênuo, e isso é, claro, uma grande falta de apuro moral, cujo desenvolvimento é a meta da encarnação – morrer melhor do que nasceu. Aqui as bolas tentam se acomodar, como numa casa com várias crianças, no convívio do lar, no seriado Chaves, o qual fala sobre como é complicado conviver e aturar os defeitos do outro, como num casamento, no qual tem que haver paciência ao se deparar com os inevitáveis defeitos do cônjuge, como numa negociação de paz entre nações, em nobres esforços para evitar as inevitáveis desavenças entre estados, no eterno talento humano para as guerras, as quais nada mais fazem do que deixar rastros de fome e destruição, num caos, com gôndolas vazias no supermercado, tudo por causa de um líder déspota que nunca está feliz no seu próprio terreno, sempre querendo mais, fazendo da ambição a poluição que tira a paz do Mundo. Aqui são como ovos acomodados, no ritual em torno do número doze, da dúzia, fazendo menção aos meses do ano, na metáfora da pata e da galinha, mercadologicamente falando: ambas colocam o ovo, mas a galinha vende mais porque grita e anuncia muito o ovo colocado, como um grande amigo que tenho, o qual sempre estarei disposto a ajudar na divulgação de sua carreira de escritor e crítico de Cinema. Aqui é como uma acomodação, na metáfora existencial das pedras que, no caminhar do caminhão, acomodar-se-ão perfeitamente, naturalmente, na sabedoria popular de que Deus escreve certo por linhas tortas, pois há uma razão para a Vida ser tão dura – tudo visa nossa evolução moral, nossa paz e nosso profundo preenchimento existencial, numa direção, numa flecha, num tesão pela Vida, numa pessoa que se sente muito bem e muito produtiva, no modo como o momento pós Desencarne nos mostra que a vida e a luta continuam. Aqui são como alunos prestando atenção, como nas aulas de Educação Sexual que uma professora freira minha dava aos alunos, visando tirar destes a malícia em relação a Sexo, numa professora tão nobre, tão dedicada, entendendo que Tao não pode se envergonhar de uma coisa que Ele mesmo fez e inventou, fazendo da malícia esta característica de sociopatas, pessoas de apuro moral zero, ou seja, espíritos sofredores que vagam pelo Umbral sem noção de tempo ou espaço, no caminho da loucura. Aqui são como muitos holofotes, numa pessoa famosa, no modo como a vida privada de uma celebridade pode ser tão invadida pelas lentes ávidas de fotógrafos aproveitadores, na grave invasão de privacidade em levar a público aspectos privados de uma pessoa, em celebridades aprisionadas em sua própria fama, numa Xuxa Meneghel, a qual simplesmente não pode passear no calçadão no Rio de Janeiro, fazendo da fama tal prisão – tudo tem seu preço. Aqui é como uma queda de granizo, nas forças da Natureza, trazendo pesadelos aos agricultores, podendo dizimar vinhedos, fazendo do Plano Material tal dimensão complicada, mas com o intuito nobre de causar crescimento ao espírito, numa pessoa que se sente estagnada e que percebe a necessidade de depuração, encarando uma nova encarnação, sempre sendo fielmente guardada por um Anjo da Guarda, espírito irmão que visa sempre nos levar pelo bom caminho, nunca desistindo de nós. Aqui são como pipocas estourando, num artista pop, aparecendo ao Mundo, revelado, como uma tumba de faraó sendo “desvirginada” pelos arqueólogos.

 


Acima, Composição. Aqui temos um certo labirinto, numa pessoa sem norte, querendo se encontrar, tendo a ilusão de que na cidade X sua vida será perfeita, no modo como o autoencontro está dentro de mim, e nunca numa cidade ou estado federativo, num momento em que a pessoa se sente desafiada pela Vida, na missão de conquistar o respeito das pessoas, pois quem não é respeitado, sofre, como numa certa socialite, a qual nunca mereceu o respeito secreto das pessoas, pois o que importa é que as pessoas, no fundo, respeitem-me – é um magno desafio. Aqui temos linhas tensas, demarcando metas e objetivos, numa tentativa de direção, de meta, no falo da flecha, na personagem de Winona Ryder em A Época da Inocência, numa mulher que tinha objetivos muito sólidos: casar e constituir família, morrendo acreditando que o Mundo era feito de lares seguros como o de tal personagem, numa Winona merecendo uma indicação a Oscar por tal papel, no modo como a pessoa não pode ser escrava de suas próprias ambições mundanas, pois se não estou o tempo todo querendo, posso ter paz, na lei de que ninguém está por cima o tempo todo, como um certo ator oscarizado levando recentemente o prêmio deboche Framboesa de Ouro. Aqui são como vastas plantações de soja ou trigo em momento de colheita, nas máquinas modernas fazendo o trabalho que antigamente era feito por mão de obra subserviente, na frase piada na entrada de campos de concentração: “O Trabalho liberta”, iludindo os prisioneiros de que o dia da soltura chegaria naturalmente, na vocação do Ser Humano em explorar Ser Humano – é um horror. Aqui são como elegantes fileiras de vinhedos, no campo sendo domesticado e condicionado às aspirações empresariais de vinicultores, em passeios pelo Vale dos Vinhedos na Serra Gaúcha, conquistando levas intermináveis de ônibus cheios de turistas fazendo compras, na magia ao redor do vinho, como num certo evento social ao qual compareci, com o vinho “encorajando” as pessoas e causando desenvoltura, na profunda tradição em torno da bebida servida por Jesus na Última Ceia, no sangue da terra, do terroir, no eterno fato em torno da moderação, pois é claro que vinho em excesso faz mal, até a pessoa entender que qualquer excesso é prejudicial. Aqui são como cabelos à moda rastafári, como no cabelo de moças em partidas de lutas, como MMA, no momento em que no ringue o glamour é zero, no momento masculino em que beleza nada importa, num trabalho mental, num enorme controle emocional para não levar as pancadas para o lado pessoal, no exercício de frieza para ver quem tem o sangue mais frio; para ver quem se preparou com mais seriedade, rechaçando os “Roberts”, pessoas que, acima de tudo, querem aparecer – ninguém no fundo respeita o showman, o exibidinho. Aqui são como circuitos de aparelhos digitais, cheios de vias, numa cidade vibrante, rica, cheia de coisas acontecendo, numa urbe de fazer inveja a urbes tão formidáveis como Nova York, numa explosão de Vida Cultural, com museus arrebatadores, numa cidade que entende o poder de duas coisas: Arte e Dinheiro, como já ouvi falar: O melhor de Manhattan é de graça ou custa pouco, como tudo na Vida, pois o melhor, que é Amor, não custa um só centavo, numa pessoa que, apesar de rica, não é lá muito feliz coma Vida, nem muito contentada. Aqui temos um jogo de contraste, como no chiaro oscuro barroco, com fundos negros e uma luz única entrando pela janela do atelier do artista, nas ondas avassaladoras de novos movimentos artísticos, no boom impressionista, o qual, num primeiro momento, foi avaliado pelas pessoas como uma piada, uma pseudoarte, no modo como ninguém diria que a mídia CD seria substituída pelo download, ou no modo como a sucessão sanguínea monárquica jamais seria suplantada pela Democracia. Aqui é como uma estação de tratamento de água, nessas demandas mundanas para resolver problemas como descarte do lixo plástico. Aqui é como um habilidoso origami, no fascínio do Extremo Oriente, na universalidade inegável da Arte.

 


Acima, Concretista I. Coisas girando em torno de algo válido e interessante, divertido, como discussões em torno de um tema, num escopo, uma delimitação de assunto científico, como na produção de alguma tese de conclusão de curso universitário, no aluno se tornando um expert em relação ao assunto explorado, enchendo de orgulho um professor, como uma colega que tive no Ensino Médio, a qual nunca tirava notas abaixo de nove vírgula cinco, prostrando-se ao se deparar com uma prova corrigida na qual tal colega não tirava o conceito máximo, talvez num espírito que reencarnou filha de pais extremamente rigorosos em relação a disciplina, talvez vindo após uma encarnação anterior, na qual provavelmente levou uma vida improdutiva e sem rumo, no termo “correr atrás do tempo perdido”. Aqui é encontrar um norte, uma razão, um tesão, no feliz momento da pessoa fazer algo de que goste, encontrando-se existencialmente, dedicando uma inacreditável energia no trabalho. Aqui fios unem tal família, no fato de que os vínculos de família não se dissolvem com o Desencarne, fazendo da Eternidade o tempo para a resolução de qualquer briga de família, com um espírito desencarnado sempre zelando pelos familiares na Terra, no modo como, de facto, somos todos o mesmo sangue estelar de Tao, o Rei Pai de qualquer um de nós – o caminho é um só. Aqui é como uma ávida plateia em torno de um artista num show, com tietes histéricas, no momento em que um cantor tem contato corpo a corpo com os fãs, esses espectadores fiéis que fazem intermináveis downloads de músicas de seu artista predileto, na função da Arte em inspirar – um artista inspirado trata de inspirar os outros, numa interminável retroalimentação, inspirando os outros a lutar pela Vida e ter tesão de trabalhar e construir algo, no modo como o Plano Metafísico é um paraíso para os que gostam de se manter produtivos. Aqui é como um elo entre partes, numa concórdia pacífica, muito longe dos cadáveres de ucranianos espalhados pelas ruas do país assolado pela insaciável Rússia, na “maravilhosa beleza” das guerras, com Caim eternamente matando Abel. Aqui é como um colar sendo produzido, na tarefa do artista plástico de pegar elementos dissociados, associá-los e, assim, produzir algo novo, como Paola de Orleans e Bragança, da bela Família Real Brasileira, uma moça que passou a ser designer de joias, no fato de que cada um de nós, independente de classe social ou status, tem que ter uma vida produtiva, pois que esperança existe fora do trabalho? Aqui são formas e linhas tensas querendo adquirir uma certa aquosidade tortuosa, numa fluidez, talvez num grupo de amigos ou numa equipe de trabalho numa reunião, e no meio de tudo há Tao, o vazio, o epicentro gravitacional, num líder que aprendeu a ser como água – incolor, insípido e inodoro – para, assim, poder manter coeso um grupo, como numa mesinha de centro em uma sala de estar, a qual precisa ficar vazia para assim ter utilidade serventia, como no olho de um furacão, estável e pacífico, causando assim um movimento, uma comoção, um acontecimento, numa pessoa que, apesar de estar no topo da hierarquia, mantém-se humilde, como num rei que sabe que não pode interferir no pacato dia a dia do cidadão comum, no trabalhador, no cidadão de bem, o qual ama o Mundo e, assim, preserva-o e fortalece-o, muito longe de um vândalo incendiando containeres de lixo, ou seja, um anticidadão, e um coração cheio de ódio é um coração que sofre, meu amigo. Aqui temos um intuito de organização, como numa sala de televisão, com tudo girando em torno do que mais importa, que é o aparelho, na determinação de um centro, como numa capital estadual regendo o interior do estado da federação. Olhe para este quadro de Judith Lauand: o meio é vazio, e é exatamente por isso que tal mecanismo funciona, muito longe de um déspota, o qual, infelizmente, não respeita seu próprio povo, num líder insensível sendo deposto, como Romanov, o último czar, deposto por um povo desassistido, num czar que terminou fuzilado.

 


Acima, Geométricos. Aqui é algo se organizando, querer formar um corpo, uma organização, no modo dialético como tudo é processo, e o Universo está em constante processo de transformação, como num espírito em constante processo de aprimoramento, até atingir a excelência moral, o objetivo de qualquer espírito encarnado ou desencarnado, num ponto em que a pessoa simplesmente odeie mentir, nas sábias palavras de minha querida mãe: “A mentira tem perna curtas!”. É na autenticidade de uma joia preciosa, a qual é finita e ilusória, servindo apenas de metáfora par a excelência moral: “Eu apenas digo a verdade”, como num julgamento americano, com o depoente jurando, frente a uma Bíblia, falar somente a verdade em juízo, e mentira não é um produto que tem prazo de validade? Não é somente a verdade algo eterno? É o Espírito da Verdade, um dos autores do Livro dos Espíritos, de Kardec, no laço mágico da Mulher Maravilha, o qual, ao enlaçar alguém, faz com que este fale somente a verdade. É a contramão de um sociopata, o qual subestima amplamente o poder da verdade, num espírito tosco, embebido em mentiras ardilosas, numa perda de tempo. Aqui temos algo se desdobrando, como num mistério policial sendo esclarecido, na Estrela da Manhã anunciando com esperança o plano divino que nos rege na Terra, na beleza da aurora que vence sobre as trevas da mentira, num Jesus ressuscitando e indo para o plano superior, na finitude da carne frente à infinitude da mente, na consciência do indivíduo sobrevivendo a tal morte física. Aqui são como pedras de encaixe em prédios incas, num mistério secular, pois até hoje não sabemos como tais obras foram feitas, com tamanha precisão numa época em que não havia os maquinários de hoje. Aqui é uma acomodação de placas tectônicas, num acordo sendo feito entre partes, como numa separação conjugal, nesta “fria” na qual um homem entra, sendo obrigado por lei a sustentar uma mulher que não mais é parte da vida de tal homem. Aqui é como uma rampa, nas linhas simples e modernas de templos egípcios, na simplicidade futurista das pirâmides, como escadas de elevação, nas linhas simples e maravilhosas da Brasília de Niemeyer, na busca de uma identidade brasileira, no enorme desafio do Cinema Nacional Brasileiro em adquirir tal identidade, nas palavras do grande homem Fábio Barreto, o diretor de Cinema: “O Brasil não pode só importar imagem; o Brasil tem que também exportar mais imagem”. Aqui é uma tratativa tensa, num artista em controle de sua própria carreira, viril em sua independência, sempre se impondo em acordos, como numa Madonna, uma das mulheres mais independentes do Mundo, fazendo com que NENHUM HOMEM mande nela, num ícone feminista de libertação, numa mulher que busca seus meios de expressão. Aqui é o jogo de Lego, com seus encaixes, incentivando a criatividade da criança, inspirando esta a ser o que quiser ser, no modo como a Vida é feita de escolhas, e cada pessoa tem que ser livre para viver sua própria vida, pois que chance de felicidade tem uma pessoa que não assume as rédeas de sua própria vida? As cores aqui são estimulantes, num fundo laranja vibrante, tropical, doce, quente. Aqui é como uma casa sendo reformada, no meio de um processo de reacomodação, de remodelagem, como numa pessoa rediagramando sua própria sala de estar, revendo a posição de móveis, no talento de um arquiteto e fazer tudo da forma mais funcional possível, encontrando um “fio da meada”, na decepção de um amigo meu quando este visitou uma prima, tendo esta uma casa que era um caos, sem qualquer diagramação pertinente de móveis! São as dicas quentes do Feng Shui, na universalidade da Arquitetura e do pensamento arquitetônico, da Mente Humana, sempre buscando o melhor, o excelente. Aqui temos um acordo, como pais separados negociando a guarda dos filhos, no modo como a vida de um homem pode sofrer um baque tão forte com a separação, sendo privado de morar com os próprios filhos, como aconteceu com um amigo meu, numa separação tão cruel, num homem de lar que perdeu tal lar.

 


Acima, sem título (1). Um túnel, numa passagem no canal natal, num nascimento após uma gestação, como um escritor na “gestação” de criar um livro. É um caminho, num desencarne, na pessoa com a completa consciência de que seu corpo físico não mais lhe pertence, num desencarne pacífico e fácil, simples, numa pessoa sem dificuldade de se desfazer de tudo de mundano que teve no Mundo, como dinheiro, poder e sucesso – vão-se os anéis; ficam os dedos, pois, não canso de dizer, Ayrton saiu de cena, e é necessária humildade sempre. Aqui é como um poço muito profundo, como uma pessoa que, ao beijar tal fundo de poço existencial, depara-se com a necessidade de reerguimento e reconstrução, tendo que empreender um esforço ENORME para voltar a ter uma vida produtiva e estável, no modo como a Festa da Uva de Caxias do Sul teve que se reconstruir após os anos negros da II Grande Guerra, numa época em que não havia clima para qualquer festa. Aqui é como um sonho do formidável diretor de Cinema, Tim Burton, num artista sombrio e maravilhoso, com cenários tétricos, como em Os Fantasmas se Divertem, em corredores estranhos do pós vida, estranho, cheio de portas da mente, em um chão xadrez lúdico, num diretor tão diferenciado e único, firmando um estilo próprio, nessa busca do artista por uma identidade e uma marca registrada, nas bolas e círculos de Kusama ou no estilo inconfundível de Andy Warhol, nesses artistas tão célebres, aclamados e bem sucedidos, dando “inveja” aos artistas que não alcançaram tamanho reconhecimento – é uma dureza só. Aqui é como no túnel de luz de Star Wars, numa nave viajando na velocidade da luz, ou no túnel tétrico de 2001, numa dimensão tão estranha, terrível e fascinante, nos sons tão estranhos na superfície dos planetas que conhecemos, nessa xenofobia em relação ao que não é familiar e plausível, como índios isolados em selvas brasileiras, arredios a qualquer aproximação com pessoas de fora da tribo, numa “panelinha”, no medo do estranho e do desconhecido, no título formidável Quem tem medo de Virginia Woolf?, no sobrenome que parece “lobo”, em Inglês, brincando com a frase do conto infantil Quem tem medo do lobo mau?, numa busca por identidade, firmando ironias sutis, como um produtor musical que conheci, o qual sabia o valor e a força da sutileza, na frase de um filme de Allen: Subjetivo acaba sendo objetivo, e insinuações tomam proporções de terrível e nítida clareza. Aqui é como um grande fosso de elevador, na revolução que foi a invenção de tal máquina, no modo como hoje em dia é absolutamente impensável um prédio alto sem elevador, no modo como nos sentimos “nus” ao nos depararmos com um elevador enguiçado, como na sensação de nudez quando nos vemos sem sinal de Internet, outra invenção esmagadoramente brilhante, fruto de mentes que enxergam longe, afastadas de mediocridades, no slogan da Apple: Pense diferente. Aqui é como a torre de Orthanc, de Tolkien, num mago que, inicialmente bondoso, deixa-se levar pela sedução do Anel do Poder, tornando-se um vilão, acabando rejeitado e desprezado no fim do romance de apelo universal. É como uma torre de catedral no Batman de 1989, no final em que morre o vilão, indo, sem dúvidas, ao Umbral, na dimensão dos que não aceitam o próprio desencarne, querendo voltar par ao corpo morto, como no filme Ghost, com o vilão sendo envolvido por sombras e espíritos maldosos e perniciosos, espíritos que, de tão infelizes, tornam-se monstros, numa dimensão em que a paz e a irmandade são absolutamente esquecidas, numa miséria negra, desolada, num espírito que definitivamente não se sente especial, filho de um Rei. Aqui é como um liquidificador visto de cima, no modo como a pessoa se sente entretida em programas de culinária, com lições e dicas sendo ensinadas, fazendo da Gastronomia uma das provas da universalidade do Homo sapiens, na básica necessidade de alimentação. Aqui é como um furacão, num artista causando comoções, no poder transformador da Arte, esta prova da divindade da mente humana.

 


Acima, sem título (2). Aqui são partes em busca de um acordo e de uma concórdia, em tratações de paz diplomática entre países, entre partes, no modo como o Mundo inteiro está condenando a ação russa na Ucrânia – até o Papa Francisco, um homem simples e, assim, majestoso, conciliador e sábio. Aqui são como cacos de vidro sendo rejuntados, como na reconstituição de um crime, num quebracabeça, num mistério policial, num processo judicial sendo desdobrado até uma sentença final do juiz, fazendo com que as leis em geral, no Mundo todo, sirvam de suporte para o que mais importa, que é o apuro moral, havendo severas punições legais para punir os que faltam com tal apuro, num espírito que se vê obrigado a crescer e evoluir como espírito, no caminho natural do crescimento, no termo oriental “Tao”, que significa “natural”, ou seja, qualquer sociopata evoluirá como espírito e será um grande espírito de luz, amor e moralidade. Aqui é uma sofisticada lapidação de alguma pedra, numa pessoa que, em humildade, aprendeu a brilhar, fazendo da arrogância tal sentença de morte, pois a arrogância precede a queda, como um ator que, se permanecer humilde, irá longe na carreira, neste desafio que é a pessoa se manter com os pés no chão, sabendo que não é perfeita, como o ídolo Romário, o qual, depois da glória nacional do Tetra em 1994, estava bem humilde jogando no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, sabendo que a vida é luta sempre, na sabedoria de uma pessoa que sabe que não pode parar de produzir, tirando, no máximo, umas férias, como uma pessoa inteligentíssima que conheço, a qual está muito desocupada e parada, sem produzir, e é uma pena, como despejar pelo ralo da pia um espumante francês carésimo. Aqui é como uma bandeira tremulando, na universalidade das bandeiras, como se as nações concorressem para ver quem tem a bandeira mais bonita, no minimalismo elegante da bandeira do Japão, com um ardente sol rubro nascente emoldurado por brancas brumas, no ponto tradicional portoalegrense que é o por do Sol na beira do Lago Guaíba, no modo como a Natureza encontra meios de ser bela ao redor de nosso ínfimo e maravilhoso planetinha Terra. Aqui são como bandeirinhas sendo agitadas, talvez num ato cívico, como num Sete de Setembro, num momento de celebração das tradições, pois o transgressor rebelde, antes de tudo, tem que respeitar a tradição, no modo como eu amo e respeito da Festa da Uva. Aqui há um desdobramento, uma articulação entre partes, como no setor brasileiro do Vinho, o qual quis pressionar o Governo Federal a enquadrar a bebida como alimento, o que abateria consideravelmente o preço final de uma garrafa de vinho brasileiro, mas sendo uma reivindicação que não deu certo, infelizmente. Aqui temos um momento de acordo, numa comunidade se unindo em torno de algo coletivo, numa manifestação de Cultura Popular, vindo do Povo e a este pertencendo, como no Carnaval, o maior legado cultural brasileiro, em coisas tão brasileiras como o Samba, nos versos da canção: “Não deixe o Samba morrer!”. E é claro que o Samba não morrerá! Aqui são como janelas num prédio de traços modernos e arrojados, na mente de um arquiteto sofisticado e diferenciado, que sabe que, se quiser brilhar, terá que merecê-lo. São janelas abrindo e fechando, como no “canibalesco” mercado gramadense, com vários empreendimentos abrindo e fechando durante o ano na Meca gaúcha turística, num mercado tão competitivo, numa grande especulação imobiliária em torno dos aluguéis dos espaços comerciais, numa cidade que respira beleza e dinheiro. Aqui é uma tapeçaria moderna, original, estranha, na sensação de estranheza quando nos deparamos com algo criativo e original, como na estranheza inicial em torno do Movimento Impressionista, nos intermináveis sopros de renovação, como na época em que não se imaginava que a mídia CD seria suplantada pelo Download, na destruição de paradigmas, na função que o transgressor tem em abrir os olhos do Mundo para o novo.

 

Referências bibliográficas:

 

Judith Lauand. Disponível em: <www.amgaleria.com.br>. Acesso em: 16 mar. 2022.

Judith Lauand. Disponível em: <www.catalogodasartes.com.br>. Acesso em: 16 mar. 2022.

Judith Lauand. Disponível em: <www.escritoriodearte.com>. Acesso em: 16 mar. 2022.

Judith Lauand. Disponível em: <pt.wikipedia.org>. Acesso em: 16 mar. 2022.