quarta-feira, 13 de julho de 2022

Helen de Troia (Parte 6 de 9)

 

 

Falo pela sexta vez sobre a talentosa pintora escocesa Helen Flockhart. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Luzes desligadas agora. Os olhos são como a vigília, como num velório, ou como um artista alcançando píncaros de popularidade, em um fãclube consolidado, numa Whitney Houston com um certo clipe visualizado mais de um bilhões de vezes no Youtube. Os olhos são a alegria de um ator teatral – uma casa cheia, em aplausos esfuziantes no fim do espetáculo, contrastando com o silêncio após os espectadores saírem do teatro, na força que um ator tem que ter para continuar tocando uma carreira, pois até uma majestosa Marília Pêra já pensou em largar a carreira, nas palavras intrigantes de um certo ator: “Você só realiza quando morre” – será que é verdade? O casal triste parece estar num consultório de terapia de casais, no modo como os relacionamentos amorosos são difíceis, pois todos os dias o cônjuge tem que dar uma pequena reconquistada no(a) companheiro(a), para evitar que a relação caia na mesmice e que o sexo se torne mecânico e desinteressante. A luminária aqui é o esclarecimento, talvez nas luzes que o terapeuta joga sobre o casal. A luz é tal bênção, com entes queridos no Céu nos abençoando lá de cima, até mesmo uma bisavó a qual não chegamos a conhecer na Terra – é a maravilha do Amor, esta força que nos une e nos mostra que somos família, uma única família, príncipes filhos do mesmo Rei, tendo nosso irmão depurado Jesus Cristo, o espírito mais elegante que já encarnou na Terra. Neste quadro parece que uma porta foi aberta, talvez numa possibilidade, com uma saída sendo encontrada para a resolução de um impasse, na função do terapeuta em mostrar as portas, cabendo ao paciente decidir se cruzará ou não tal porta, no sentido de que cada pessoa tem que estar em controle da própria vida, pois que vida é esta na qual vivo a vida de outra pessoa? É o clamor feminista desafiando o indestrutível patriarcado, indo “contra o vento” e mostrando a resolução espírita: Somos todos iguais, pois o sexo é referente ao corpo físico, o qual perece cedo ou tarde, na assexualidade dos anjos, os espíritos desencarnados de alto apuro moral; nossos irmãos que nos guiam pelo bom caminho, anjos os quais nem sempre escutamos. O casal parece estar em crise, talvez numa separação iminente e inevitável, talvez num casamento que perdeu a graça e o charme, não encontrando mais prazer em coisas simples, como a moça tomar café da manhã sentada no colo do moço – o melhor da vida é de graça. A porta aberta é uma perspectiva, uma possibilidade de esperança, numa crise que acaba por causar a desilusão que renova a vida de uma pessoa, no caráter positivo das crises, as quais são como a Estrela Dalva, anunciando um novo dia, na beleza esclarecedora de Eos, a deusa grega da aurora, a vitória da beleza como uma rainha da Festa da Uva, o momento em que há o engajamento comunitário em torno de Tao, a beleza eterna. A luminária é o terapeuta se debruçando sobre o casal, no trabalho de passar o dia ouvindo os problemas dos outros, como já ouvi dizer: “O psicoterapeuta é uma comadre bem paga”, na questão do desabafo e da confidência, no código de ética: Tudo o que é dito dentro do consultório, dentro do consultório fica, ao contrário de uma pessoa que conheço, a qual faz exatamente o que não é bom fazer, que é dar informações pessoais de si a um psicopata, havendo neste a capacidade de manipular e brincar com a cabeça das pessoas, como um demoníaco Hannibal Lecter, numa inteligência a serviço do Mal, na consequência da falta de apuro moral – é um horror. O carpete aqui tem um design aquoso, tortuoso, orgânico, numa química entre duas pessoas apaixonadas, no fato de que o tempo passa, fazendo com que mesmo um relacionamento curto tenha o aspecto de ter sido uma eternidade, na vitória da qualidade sobre a quantidade. O sofá é o aconchego, encorajando o paciente a relaxar e se abrir para o terapeuta, no momento de sessão em que nos debruçamos existencialmente, havendo nos grandes amigos pessoas íntimas que sabem pelo que nós passamos a nível existencial. A cortina ao fundo é discreta como um camaleão, sabendo do valor do resguardo e da moderação, na sabedoria da pessoa que ama a si mesma.

 


Acima, Noturno. A onça assedia o indefeso cavalo, como num interesse sexual, num assédio moral dentro de uma empresa, o qual já sofri, com uma pessoa que se acha no mais completo direito de ligar para tua casa à meia noite, num ambiente pernicioso de trabalho, numa empresa que causou em mim uma dolorosa e desinteressante fase workaholic – é o crescimento causado pelas experiências de vida. A sensual Lua traz esses códigos oníricos, fazendo dos enredos dos sonhos projeções de nossa própria psique. A onça é a fome e a ambição, num tesão constante pela vida, ao contrário do quadro depressivo, num alpinista que simplesmente perde o tesão de escalar montanhas, numa pessoa que está passando por uma enorme frustração existencial, prostrando-se perante os inevitáveis percalços, no modo como a Vida exige de nós tal espírito olímpico de esforço e superação. Vemos aqui um milharal, cuja bonança é a recompensa do trabalho, pois que esperança existe numa encarnação sem o labor, sem o esforço da luta pela Vida? O milharal é o esforço, árdua vida rural de imigrante italiano, com mãos calejadas por anos de capina inclemente, como numa moça em ...E o Vento Levou, numa pessoa de passado aristocrático que perdeu tal posto com o horrores da Guerra Civil Americana, sendo obrigada à árdua colheita de algodão, no modo como a Vida traz tal calejamento até chegar ao ponto de mortificação, numa pessoa a qual, de tanto levar ofensas e agressões, “morre” por dentro, não sentindo mais dores de outrora, no caminho da sabedoria da idade, na noção de que tudo passa. Aqui é uma sensual noite amena de Verão, como na cena de luta ao luar em O Tigre e o Dragão, uma película de cenas tão oníricas, com pessoas plainando em impecável técnica bélica, um êxtase para quem gosta de filmes de luta. No canto direito inferior uma moça assiste aterrorizada à cena, sem poder acudir o cavalo, o qual é o garbo e a elegância, num bicho tão majestoso, uma das provas da elegância de Tao, aquele que está sempre ativo e criativo, no caminho da dignidade conferida pelo trabalho: O que estou fazendo para merecer o respeito das pessoas? A inatividade não é uma ilusão e uma perda de tempo? Não é miserável mentalmente uma pessoa ociosa? A natureza aqui é exuberante, no cheiro de mato, de natureza, no cheiro de quem se banha em algum rio selvagem, nas roupas majestosas que os campos e florestas possuem, na suntuosidade de Tao, o garboso, como na geração dourada de Hollywood, com atrizes portando tão elegantemente seus vestidos glamorosos, no conceito de que elegância vem de dentro, fazendo do vestido uma mera moldura que gira em torno do que importa, que é o perfume metafísico, nas cópias mundanas dos perfumes vendidos em lojas. A pedra aqui é impositiva, nos versos poéticos: “Há uma pedra no meio do caminho”. É como a pedra do crack, esta droga maldita e destrutiva, capaz de transformar seres humanos em espectros vazios de dependência inclemente. Aqui é o termo “colocar uma pedra em cima”, na resolução entre duas pessoas reatando, no caminho lógico e inevitável do perdão, o qual vem naturalmente, no sentido da pessoa desencarnar e, após isso, visitar no Umbral todos os psicopatas que conheceu na Terra, como em a A Lista de Schindler, uma lista que é Amor, no fato de eu me importar com meus irmãos menos depurados. Muito ao fundo, quase imperceptível, vemos uma donzela sozinha, triste, talvez perdida, coadjuvante, sutil, no poder de um papel coadjuvante numa trama, num merecido Oscar de atriz coadjuvante para Angelina Jolie, os lábios mais sensuais da História do Cinema, na capacidade de artistas em atingir tal doce estrelato, o qual pode ser complicado psicologicamente para a pessoa bem sucedida. Aqui é esta exuberância tropical para uma artista escocesa, fascinada pelos trópicos. Aqui temos um encontro sensual, como duas pessoas se apaixonando, num espírito que reconhece o amor em outro espírito, nas teias de encontro tecidas pela infalível Divina Providência, a força de governo a qual, de tão forte, mal pode ser percebida.

 


Acima, Rasos. A Lua é a misteriosa senhora dos ciclos naturais, na “loucura” dos ciclos menstruais femininos, na canção “Mulher de fases”, naqueles dias de TPM em que o humor da mulher está abalado pelas cólicas, no modo como é dura a vida de mulher, num mundo patriarcal no qual a mulher não pode ser dona de si mesma, na questão recente dos EUA e deslegalizar o aborto, tirando da mulher o direito de reger o próprio corpo, punindo as feministas, que vão “contra o vento”. O cavalo aqui uiva como um lobo, nos sons da floresta, num animal que ronda no véu do luar, num animal em busca de sexo e comida, como numa pessoa que acorda no meio da noite com uma gula incontrolável, como nos desejos alimentares de uma gestante, no doloroso modo como o pós parto pode acarretar em alguma depressão na mãe, apesar de parecer o contrário, que seria mãe estando muito feliz ao parir e ser mãe, nas palavras de minha tia e madrinha: Quando a mulher se torna mãe, muda drasticamente o modo dessa mesma mulher em se relacionar com o Mundo. O cavalo é a beleza, a elegância e a disciplina, num animal tão majestoso, com porte nobre, numa força, numa potência, nos cavalgares dos ímpetos de uma pessoa, com um paladino ímpeto de arrebatar o Mundo, como num artista com estilo e atitude, numa Lady Gaga, uma grande voz aliada a uma MONSTRUOSA atitude, digna de ganhar o respeito mesmo de quem não é fã de Gaga, que é o meu caso. O jardim aqui não é uma mata virgem e selvagem, mas um jardim bem cuidado, disciplinado, num zelo paciente de jardineiro, no nome de Ava Gardner, ou seja, “Ava Jardineiro”, numa das provas que não é o nome que nos faz, mas somos nós quem faz o nome, transformando tal sobrenome em sinônimo de glamour, mesmo remetendo literalmente a uma profissão tão humilde. Vemos um homem arqueado, no discernimento taoista universal da humildade, como na curvatura tradicional antes de um embate de judô, como dois cavalheiros que se respeitam mutuamente, ao ponto de não levar a derrota para o lado pessoal, num caminho de controle emocional, ao ponto de não levar os golpes para o lado pessoal. O homem aqui é o sonho e o desejo de montar no cavalo e domesticar este, no modo como os cachorros são “primos” dos lobos, num momento em que os lobos foram condicionados pelo Ser Humano, gerando, no decorrer de muitos e muitos milênios, uma nova espécie, resultando nas variedades de raças, no mistério de como tudo isso se originou, fazendo da domesticação uma metáfora com um Ser Humano que foi de símio selvagem a um Ser Humano sofisticadíssimo, com sua Arte, sua Ciência e sua Exploração Espacial, num caminho positivista de depuração e crescimento, na lógica espírita de desenvolvimento, num espírito que, de pessoa má e desonesta, passa por inúmeras mortificações, até chegar ao glorioso ponto de espírito de riqueza moral. Vemos uma mulher deitada, em posição fetal, no resguardo, no aconchego do lar materno, no “choque térmico” que é um jovem sair de casa para fazer uma faculdade em outra cidade, sentindo muita falta dos cuidados maternos do lar, num processo de “desmame”, na pessoa tendo que encarar a vida de independência, cuidando para não desenvolver uma carência afetiva muito profunda. O feto é tal refúgio, no Imaculado Útero de Nossa Senhora, a Mãe Metafísica que nos criou a todos, na Imaculada Conceição da qual viemos todos, até o espírito se depurar e ver que somos todos príncipes, filhos da mesma Rainha Divina, a supermãe chic com seu perfume maravilhoso, mantendo uma casa limpa e abastecida de supermercado, “mimando” seus principezinhos, numa Elizabeth I, tornando-se a “mãe” de todos os ingleses, num poderoso arquétipo feminino universal e indestrutível. O pinheiro piramidal é altivo, pontudo, abrasivo, no desenvolvimento fálico do Pensamento Científico, trazendo as luzes da Ciência em prol da Humanidade, em descobertas extraordinárias como os antidepressivos e os antibióticos. Este jardim é uma sala de estar chic, acarpetada, aconchegante e convidativa, num anfitrião fino.

 


Acima, Sala verde. A menina ao chão é a rendição, a queda, num baque existencial, numa pessoa beijando um fundo de poço, numa fossa como nunca antes em sua vida, numa pessoa que se vê obrigada a se reerguer e continuar tocando a vida para frente: Você pode estar farto e cansado de tudo isso, mas você será um homem, meu filho! É a questão de ter a força para virar as páginas e contornar e superar as vicissitudes, num espírito olímpico de superação e vitória frente a uma dedicação e esforço. A luz aqui é fraca e tímida, moribunda, num lustre que pouco ilumina, na sensação existencial de se observar algo através de um vidro muito opaco, o qual pouco revela, no modo como há coisas as quais ainda não podem ser reveladas a nós, numa Divina Providência tecendo suas sábias teias existenciais, no ditado popular: Tudo em seu tempo. As cadeiras vagas são uma cabeça vaga e improdutiva, que pouco labora, no poder terapêutico do trabalho, a única coisa que pode manter nossos pés no chão com lucidez e ausência de ilusões e idealizações, no caminho da mortificação, numa pessoa que não mais “acredita em Papai Noel”, como uma criança se desinteressando pelos brinquedos, na imagem da debutante, a qual, antes do baile solene, despede-se de suas bonecas, na menina virando mulher, como uma moça eleita Rainha da Festa da Uva, num caminho de amadurecimento, fazendo metáfora com o ponto de maturação da uva, pronta para a colheita. Vemos aqui pessoas na brincadeira da ciranda, fazendo metáfora com o engajamento social, com a união de agentes de uma mesma comunidade, fazendo acontecer eventos como tal Festa, numa pura manifestação de Cultura Popular Brasileira, vindo do povo e a este pertencendo, na paixão de Ariano Suassuna por tais manifestações, as quais não são verticais como a Erudição nem horizontais como a Cultura de Massa, na concepção do termo “Música Popular Brasileira”, em ícones tão indestrutíveis como Elis e Chico, marcando toda uma rica geração, num Brasil tão rico nesse sentido. As cadeiras vagas são a tristeza de um ator teatral, numa casa vazia, sem plateia, na canção americana que diz que não há negócio como o Showbusiness, pois o açougueiro, por exemplo, é pago pelo que faz, mas a este não há aplausos no fim do espetáculo. As cirandas aqui são subcírculos e submundos, em realidades paralelas que acabam por viciar e limitar a mente da pessoa envolvida em tal mundinho de faz de conta, pois nossos pais nos colocam no Mundo para o Mundo, e não para um submundo: Venha para o convívio comum, pois só nele há saúde mental, no fato de que a pessoa não pode se desaliar de algo de suma importância, que é o Senso Comum. A luz entra fraca pela janela, no Sol opaco escocês de uma pintora escocesa, no fascínio que o potente Sol tropical causa em partes frias do Mundo, como pessoas que viajam à cidade de Salvador exatamente para desfrutar do calor ameno baiano. Aqui são como várias galáxias formando um Cosmos, este lar infinito que é a prova da incrível grandiosidade de Tao, numa infindável sopa de galáxias, como conchinhas à beiramar, numa riqueza imensa de diversidade. Aqui é como numa sala de aula na qual o professor pede que os alunos formem pequenos grupos para fazer algum trabalho, como no PUCRS, na qual um edital interno é lançado para que se formem grupos de alunos do curso de Publicidade e Propaganda, com a missão de cada grupo formular uma proposta de campanha publicitária anual a esta instituição de Ensino, fomentando a inevitável competitividade que o aluno encontrara lá fora, no Mundo. A menina caída está em formato de cruz, numa ironia: Jesus foi cruelmente executado, e cristãos ardorosos como Mary Tudor executaram não cristãos de uma forma de crueldade equiparável a de Jesus na cruz., ou seja, hipocrisia pura, numa rainha sem noções de respeito às diferenças. As cadeiras são algo vago, indefinido, como uma pessoa que não encontrou um norte em sua vida, como uma bússola que não funciona. A menina aqui é excluída por ser excepcional, rechaçada por ventos de mediocridade.

 


Acima, sem título. A paixão de HF pela Lua, na magia de uma noite assim, com essa luz que tanto revela quanto oculta, no símbolo dos enamorados. Quase podemos ouvir aqui a inebriante flauta, num jogo de sedução e luxúria, nesse gostoso pecadinho, como uma pessoa comprando artigos eróticos numa sexshop, num relacionamento que está precisando de um reaquecimento, talvez numa segunda lua de mel, só para o casal, ao contrário de um casamento que caiu na mesmice do dia a dia, fazendo do sexo, antes caloroso, íntimo e gostoso, tornar-se algo mecânico e sem romantismo. Aqui vemos uma luxuriante cópula, num pavão se exibindo para a fêmea, seduzindo esta, num cortejo cujo objetivo reprodutivo é perpetuar uma espécie, num libidinoso cachorro copulando com uma almofada, na divertida abertura de um filme de Woody Allen sobre sexo, com coelhinhos se reproduzindo ensandecidamente, numa libido que se encarrega da perpetuação da Vida na Terra, como abelhas polinizadoras na Primavera, com adolescentes com os hormônios à flor da pele, no jogo de sedução no intervalo da aula, com jovens casais sendo formados, como na vida de uma menina, cuja infância acaba ao ter o primeiro namorado. A cópula aqui é o jogo de sedução entre Yin e Yang, as forças opostas que unem o Universo, no poderoso arquétipo rei/rainha, na junção do feminino e masculino, num indestrutível mundo heterocentrado, no qual homossexualidade é considerada um verdadeiro retrato do inferno, no caminho da pessoa em encontrar seu espaço no Mundo, como no patinho feio, o qual cruzou tristemente o lago sombrio até se dar conta de que jamais fora pato de fato, no caminho de autoesclarecimento, cognitivo, no caminho da autoestima, ao ponto da pessoa gostar de si mesma e dar graças a Deus por ser o que é, nas palavras de uma Madonna: “Estou tentando descobrir quem sou”. Então, vem a glória do Desencarne, num plano em que temos a certeza de sermos únicos e maravilhosos, privilegiados por sermos filhos do Pai Supremo, o único poder que existe, no enigma da Vida Eterna, esta dádiva inacreditável – não é poder demais a perspectiva de que jamais findaremos? É o delicioso mistério eterno de Tao, o inspirador. Outra leitura que pode ser feita aqui é a de que vemos um embate, uma briga, talvez em machos competindo pela mesma fêmea, nas inevitáveis competitividades do Mundo, como no Mercado de Trabalho, com vários pretendentes para poucas ofertas de emprego, como no cruel mercado de modelos, um mercado volúvel o qual: exige do modelo um condicionamento físico espartano; oferece poucas oportunidades para muitos pretendentes a modelo; é um mercado volúvel, sempre em busca do frescor de rostinhos novos, um mercado que, da mesma forma que adota, descarta. A flauta aqui é como na sedução do conto em que os ratos forma hipnotizados, sendo retirados da cidade a qual tanto aterrorizavam, na figura do pastor, do padre no templo, na missão de angariar mais e mais fiéis, no modo como a tradicional Igreja Católica vê perder muitos fiéis para outras igrejas, igrejas estas que, pelo amor de Deus, só exploram o ignorante fiel – é um horror. Aqui é um embate entre verde e amarelo, remetendo ao delicioso momento de Copa do Mundo na torcida nacional brasileira, num momento mágico em que o Brasil se une e esquece as diferenças entre os cidadãos, nas nobres intenções democráticas da urna eleitoral, num momento em que somos todos filhos de Tao, na única família que existe, no poder maravilhoso da irmandade – estamos todos conectados de uma forma metafísica e maravilhosa. Aqui forma-se um ciclo, como numa galáxia girando, nas fotos atuais do supertelescópio James Webb, apontando para confins do Cosmos, este lugar de incrível grandiosidade. Outra leitura é a de que aqui as aves estejam girando em torno do mesmo ponto, numa harmonia e numa concórdia, num ponto em comum, talvez em duas famílias diferentes compartilhando uma determinada linhagem, nas misturas de sangue material que fazem metáfora com o sangue estelar, que é o único sangue que existe.

 


Acima, Voo. A lanterna é o norte, o esclarecimento e a direção, como no mago Gandalf liderando, com seu cajado luminoso, um grupo pelos corredores negros de uma gigantesca mina. É o talento de liderança, numa pessoa que é a figura taoista do sábio, que é uma pessoa que é vista, amada e respeitada, uma pessoa que, apesar de famosa, é deixada passear em paz pela Rua, sem enfrentar insanos assédios de tietes histéricas – é respeito não poder passear em paz pela Rua? Aqui o lago é perfeitamente plácido, sem qualquer tensão de marés, na dádiva que é uma pessoa ter calma, e fazer com calma seu trabalho, num ritmo manso, no ditado popular: “Devagar e sempre”. O lago é um momento introspectivo de reflexão, num espelho, numa pessoa que resolveu encarar a Vida, enfrentando talvez um fundo de poço o qual foi se desenvolvimento vagarosa e silenciosamente, durante anos, como encarar uma tela de computador, numa verdade nem sempre aprazível, mas fria como num choque térmico. Aqui as tulipas gigantes ardem como fogo, num ardor, num desejo, numa pessoa se dedicando com tesão a algo, numa dedicação fiel, no poder terapêutico do trabalho, que faz com que o laborador fique com os pés no chão, vendo o Mundo do jeitinho que o Mundo é, sem ilusões ou idealizações, no caráter positivo das crises, as quais são desilusões, e só é feliz quem não tem ilusões – não tenha medo das crises. Aqui as vitórias régias são majestosas, flutuando, como no deslumbrante Jardim Botânico do Rio de Janeiro, fazendo da flor tal símbolo de altivez e soberania, na beleza de uma terra, como numa altiva araucária, virando os galhos para o Céu, na árvore que nos dá os deliciosos pinhões, na beleza das terras brasileiras meridionais, num país tão vasto e diversificado, numa colcha de retalhos, como na Itália, ao ponto do estado da Bahia ser um país a parte, na grande responsabilidade de um presidente, que é governar para todos, como um pai que nunca se esquece de um dos filhos. Aqui é um saudável momento de reflexão, de solitude, no modo como deve ser insuportável para uma pessoa ser sempre rodeada de um séquito, na frase célebre de Garbo: “Quero ficar a sós!”, como no exemplo de um certo casal que se separou, pois eles foram trabalhar juntos numa empresa, o que certamente minou o relacionamento amoroso, pois casa e escritório são esferas diferentes de relacionamento. Aqui é um lugar delicioso, com uma luz fraca, que não nos fere, num abajur clemente, agradável, como num consultório de Psicoterapia, com tudo para fazer com que o paciente se sinta à vontade para realizar o objetivo da sessão, que é se abrir para o terapeuta, no olho frio e clínico deste profissional, na intenção da pessoa ver a Vida do modo mais fresquinho e lógico possível – é o caminho da mortificação, numa pessoa se desapegando de idealizações tolas. A canoa é o veículo, como no corpo de carne abrigando o espírito, um corpo carnal que tem prazo de validade, pois ninguém está na Terra para sempre, sendo só questão de tempo para o inevitável desencarne, ou seja, faça de seus dias na Terra algo nobre e produtivo, pois que esperança existe fora do labor? Não é Tao um intenso criador e laborador? Não é o misterioso Universo a prova de tal genialidade? A moça está numa travessia, talvez carregada para terras lindas, na canção Into the West: “Os navios vieram para carregar você de volta para casa”, num lugar onde temos a certeza de estarmos cercados de amigos, diferente da Terra, onde bons e maus estão ilusoriamente misturados – o apuro moral nos organiza hierarquicamente. Ao fundo no quadro, de forma bem discreta, vemos uma flor que não prosperou, caída, frustrada, morta, no termo “Morrer na praia”, talvez numa história de insucesso e decepção, como se deparar com uma pessoa de coração podre e imoral. São as inevitáveis frustrações, exigindo que tenhamos a força para que nos reergamos – você pode estar farto de tudo isso, mas você será um homem, meu filho. Existe esperança para quem “se atira nas cordas” do ringue da Vida? Aqui é a fertilidade de uma artista como HF, num jardim tão fértil, no poder de imaginação artística, numa pessoa tão rica nesse sentido.

 

Referência bibliográfica:

 

Home. Disponível em: <www.helenflockhart.com>. Acesso em: 1 jun. 2022.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Helen de Troia (Parte 5 de 9)

 

 

Falo pela quinta vez sobre a talentosa pintora escocesa Helen Flockhart. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A sereia e a lebre. Helen Flockhart gosta dessas mulheres nobres e aristocráticas, vindo de um país tão tradicional, na altivez de dinastias como os Tudor, os quais eram tudo na Inglaterra. O tapete circular é uma mandala, na medição de ciclos, como na dança das estações climáticas, numa pessoa sábia e calma, observando as estações ir e vir, até chegar a um ponto de observar o Mundo de forma atemporal, em ciclos, na sabedoria de que o Mundo não mudará, só mudando a forma do indivíduo de se relacionar com tal Mundo, num processo existencial de esclarecimento autodidata, numa pessoa aprendendo a “negociar” com tal realidade. A mulher aqui é o garbo, numa mulher que se arrumou solenemente para posar para um pintor, no modo como a Fotografia libertou da Arte da função retratista, em transgressões deliciosas como o Impressionismo, o qual causou uma impressão bombástica logo de início, em impactos que acabam causando o desenvolvimento do Mundo. Vemos um veado adormecido, entorpecido, num momento de pausa e descanso, ou talvez um animal abatido, servindo de base para um suntuoso jantar, no tesão de certos homens em caçar, remetendo à era pré histórica dos caçadores coletores, na universalidade das divisões de trabalho entre homens e mulheres, num indivíduo que precisa encontrar o seu lugar no Mundo, num caminho por vezes árduo e difícil, num artista que quer se encontrar e saber quem ele mesmo é, numa espécie de labirinto, na importância da pessoa encontrar um norte em sua vida, um porto seguro, uma referência, na felicidade das pessoas produtivas, as quais encontraram contentamento em seus dias aqui na Terra, nas palavras de minha querida avó Nelly Mascia: “Sem a Poesia, o que faria eu desta tarde brumosa?”, e a Vida não é uma tarde brumosa que exige que façamos algo desta? A luz entra fraca e difusa, numa Escócia tão fria e cinzenta, no modo como os londrinos têm a pele tão pálida, num país no qual dias ensolarados são brindados com cidadãos indo a parques para aproveitar tal Céu de Brigadeiro, tão raro em Londres. Bem ao fundo vemos um homem cabisbaixo, de costas, prostrado, talvez rejeitado pela moça, a qual exige uma proposta realista de casamento, querendo um homem sólido, centrado e realista, o qual faz uma proposta de casamento digna de ganhar o respeito dos sogros, remetendo a um amigo meu, um homem centrado no trabalho, talvez um homem que permitiu que esfriasse o romantismo na vida de casado, pois as mulheres gostam de coisas românticas, coisas simples, como uma flor ou um beijinho – o melhor da Vida é grátis. As janelas aqui são como dois olhos, e aqui temos um interior, uma introspecção, num saudável momento de solidão, reserva e retiro, numa pessoa que sabe que na Vida é necessária uma pitada de tal solidão, como numa casa de um casal, na qual há um quarto extra para o marido se retirar com seu computador e seus livros, num momento pacato de retiro, numa pessoa que sabe do valor da discrição e da reserva, observando a força do Yang mas sendo mais Yin dentro de si mesmo. Aqui temos o interior de uma mente, no momento mágico de um artista em colocar na tela coisas de si mesmo, como num sonho à noite, o qual traz projeções de nós mesmos no enredo onírico, como numa gaveta cheia de lixo e folhas secas, que são o ressentimento, no sentido de que temos fazer essas faxinas e nos desprender de tais ressentimentos, os quais são como lixo – se acumulados, passam a feder dentro de casa, no trabalho de psicoterapia em decodificar tais imagens projetivas. Muito discretamente vemos alguns senhores sombrios ao lado da fraca lareira, talvez homens por trás da bela dama, talvez produtores de showbusiness, gerenciando a carreira da moça, no fato de como é importante que a pessoa adquira o controle sobre sua própria vida e carreira, pois que vida é esta na qual não estou no controle? Acima da lareira, que é o contentamento do Amor, vemos imagens borradas de senhores, talvez numa reunião, como na democracia na Grécia Antiga, fazendo de tal país a fonte dos padrões ocidentais, tal como arquitetura e filosofia, na atemporalidade do pensamento humano.

 


Acima, Baile do divórcio. Aqui temos um altivo Henrique VIII, obcecado em colocar no Mundo um herdeiro varão, o qual pouco tempo durou no trono herdado – o que Deus não concede, o Homem não obtém. Aqui o monarca agressivo e desafiador desposa uma mulher altamente nobre e decente, ao ponto de se negar a se revelar ao Mundo, como na fascinante personagem Ana do Véu, interpretada pela diva Patricia Pillar, na revelação da beleza, numa estrela sendo revelada aos olhos do Brasil, ao ponto da atriz de tornar a musa do escritor genial Luis Fernando Veríssimo, o homem que escreve com uma clareza exemplar, expressando-se majestosamente, com muita classe, digno de ser filho do mestre Erico. O lustre aqui é o luxo e a ostentação, como em finos e caros lustres de cristal, numa ostentação de status social, fazendo com que a pureza do cristal faça metáfora com o apuro moral, com a superioridade moral de um espírito depurado e desenvolvido, no modo como todas as riquezas mundanas sejam atores coadjuvantes, sempre girando em torno do que importa, que é uma pessoa honesta, verdadeira, sincera, autêntica e muito amorosa, entendendo que somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei Supremo, mas o Ser Humano, porém, é sempre seduzido por tais sinais auspiciosos mundanos, como numa entediante ala vip de boates, num sinalzinho o qual, desconstruído, não tem sentido, nas palavras da personagem de Charlize Theron em O Advogado do Diabo: “Eu achava que ter muita grana fosse bom, mas NÃO é bom!”, como no personagem Gollum de Tolkien, um ser absolutamente corrompido pela riqueza mundana, num Ser Humano obcecado em obter sempre poder, poder e poder, num infeliz Getulio Vargas suicida, indo direto para o Umbral, a dimensão dos que não amam a Vida. Aqui temos um solene casamento, num casamento arranjado, na capacidade humana em não visar a sua própria felicidade, numa pessoa que não pisa muito feliz no púlpito ao se casar, sempre deixando a felicidade em último lugar, num Mundo insensível, o qual pouco de importa se estamos felizes ou não, ou seja, mande o Mundo se foder, com o perdão do termo chulo. Aqui é a obrigação da mulher em parir, de preferência parir um varão, deixando a mulher na função reprodutiva, numa misoginia enorme, sempre considerando a mulher incapaz de ser tão boa profissional quanto um homem, fazendo do indestrutível patriarcado uma compensação – já é poder demais ter o poder de trazer Vida ao Mundo, num Mundo de homens, enfurecendo as intelectuais feministas, que são a prova da assexualidade da mente humana. O piso em xadrez é a ludicidade, o jogo, um embate entre máquina e homem, no perturbador fato de que nem o campeão mundial de Xadrez é capaz de derrotar o robô criado para o jogo, trazendo a ficção de Matrix, com as máquinas subjugando o Ser Humano numa guerra entre máquinas e homens, no desenvolvimento contemporâneo dos algoritmos, numa inteligência artificial que “adivinha” nosso gosto, como nos mandar links de Facebook que possam ser de nosso interesse. Num papel bem discreto, vemos um veado, que é a fineza e a sofisticação, na vitória do nobre sobre o vulgar, na vitória de uma Gisele sobre a bunda, estando esta, infelizmente, permanecendo soberana. Ao fundo no quadro vemos um baú, que é o resguardo, a reserva, talvez numa adega colecionando “pérolas” dos vinhedos, numa acumulação de riqueza, como num sisudo esquilo fazendo as reservas de nozes para o Inverno, nos interessantes esquilinhos novaiorquinos do Central Park, sobrevivendo em meio a tal selva de pedra, concreto e poluição. Na janela vemos um belo dia de céu azul, num dia alegre, de coroação, como no belo dia em que foi inaugurado o restauro do Casarão dos Veronese, em Flores da Cunha, RS, construído pelo meu querido tataravô, o colono italiano Felice Veronese. Aqui não vemos um baile populoso, mas uma cerimônia reservada, como um universitário se formando em gabinete, rechaçando as pompas de cerimônias de formatura, as quais são belos acontecimentos na coroação de anos de estudo e dedicação.

 


Acima, Eros como uma menina. As asas são a liberdade, na glória metafísica dos espíritos desencarnados, numa dimensão onde não estamos subjugados a problemas como fadiga ou estresse, nas palavras de um sábio professor que tive: “Não se estresse demais!”. Os anjos são essa bondade e esse carinho fraternal, na crença espírita de que cada um de nós é sempre escoltado e acompanhado por um anjo da guarda, espíritos amigos que querem sempre nos levar pelo bom caminho, como um irmão mais velho tomando conta dos irmãozinhos, numa hierarquia – os mais honestos regem os menos honestos, na fila de aquisição de apuro moral, num espírito que odeia mentir, na metáfora do laço mágico da Mulher Maravilha, o qual, ao lhe enlaçar, vai doer em você se você não disser a verdade, como o Espírito da Verdade, um dos espíritos que guiaram Kardec na concepção do Espiritismo, a doutrina do futuro, do humanismo, da necessidade de ter de haver mais amor no Mundo. Aqui é um doce e próspero pomar, num bom vizinho que presenteia o vizinho com algo do pomar, nesse tesouro inestimável que são as amizades, no fato de que se compra tudo, menos o que importa, que é Amor, no inferno astral crônico que é a vida de uma pessoa odiosa, nosso irmão sofredor que vaga pelas ruas desertas e inclementes do Umbral. O figo aqui é tal doçura, numa pessoa gentil e agradável, no fascínio das fragrâncias, como já ouvi dizer que a simples energia de Chico Xavier gerava no ar um perfume elegante e maravilhoso, tendo sido brasileiro o maior médium de todos os tempos, enchendo o Brasil de orgulho como numa vitória em Copa do Mundo. A roupa da moça e a árvore geram um continuum, nas ramificações de galhos, veias, artérias e raios de tempestade, na força da Vida brotando em ímpeto primaveril, na explosão de Vida, como em videiras gerando a floração, a qual virará o cacho de uva na época de vindima, esse momento mágico de Verão onde se celebra a vitória do trabalho e do esforço, no vinho, que é tal sangue da terra, na transubstanciação na missa, o momento mágico em que o corpo e o sangue de Jesus se materializam, no mágico momento de comunhão, onde somos todos iguais, como em frente a uma urna eleitoral, na dádiva que é viver em um país democrático, livre de déspotas inclementes, nesses napoleões que nunca estão felizes dentro de seu próprio reino, numa sede insaciável – é um horror bélico, cruel, tudo em nome do maldito Anel do Poder. O pescoço da moça é delgado e elegante, num pescoço de Nefertiti, no busto famosíssimo e valioso ao ponto de ser um pomo de discórdia entre nações – o Egito querendo trazer a rainha de volta para casa e a Alemanha não abrindo mão da peça preciosíssima, numa Nefertiti que foi uma espécie de precursora feminista, governando por algum tempo um Egito Antigo que só podia ser governado por varões, no modo como o Feminismo vai contra o vento, fruto de coragem e inteligência, na verve de intelectuais de bom coração. Não vemos resquício de sorriso aqui, numa moça melindrosa, com lábios rubros lascivos, deliciando-se com tal figo, no fascínio das frutas, no brilhantismo de um Tao que tanto nos brinda com inúmeros tipos de frutas deliciosas, chegando a um ponto em que temos que crer numa Suprema Inteligência, na incrível vastidão cósmica, num Ser Humano ainda engatinhando em termos de exploração espacial, na comoção mundial do ano de 1969, quando o Homem pisou na Lua, um satélite tão insosso e sem graça, ao ponto de não haver motivo para que pisemos novamente no satélite, como num planeta Mercúrio, uma rocha sem graça, cauterizada pelo Sol e cheia de cicatrizes de meteoros, fazendo da Terra tal riqueza única biológica. A borboleta, com asas, é livre também, e é bela e colorida, um anjo biológico, na magia de borboletas num jardim, cheio de néctar delicioso, com abelhas assediando uvas doces em vinhedos, na pressão em cima da abelha rainha, a genitora única da colmeia, fazendo metáfora com a pressão em cima de uma cabeça coroada, numa Elizabeth II acuada no momento da morte de Di.

 


Acima, O circo espera pela manhã. Aqui é um mágico momento aquático, num espelho de água, como nos espelhos de água de Brasília, essa cidade de arquitetura tão brasileira, na incrível riqueza cultural do Brasil. A moça caminha sobre a água como um Jesus, leve como uma pluma, delicada, como num artista obtendo um mágico efeito de leveza, como num álbum musical atingindo píncaros de popularidade, como no Duets da Sinatra, dando todo um refôlego à carreira do deus Frank, no inesquecível dueto com outro deus, Bono Vox, num encontro de gerações, como numa regravação de algum clássico de Cole Porter, o artista cuja obra será bem longeva, atemporal, ao ponto de conquistar o gosto de artistas tão finos como Woody Allen, o intelectual que virou cineasta, numa sofisticação tão única em meio ao mercado de blockbusters descartáveis de Hollywood. Aqui é a predominância do verde, na cor dos bosques e florestas, em florestas tropicais que tanto fascinam as nações de clima não tropical, fazendo do verde tal símbolo do Greenpeace, a “paz verde”, numa organização que nem sempre é pacífica em seus protestos. A água é a reflexão, num momento de introspecção de uma pitada necessária de solidão, no modo como é insuportável para uma pessoa estar o tempo todo cercada de pessoas, no modo como até um grande amigo pode ser um fardo, no termo “Tudo o que é demais, enjoa”, havendo a necessidade de moderação: Deitar na cama para descansar é bom e necessário, mas deixará você louco se você passar tempo demais numa cama, no caminho da moderação taoista. Flockhart gosta dessas mulheres reservadas, minimalistas, comportadas, num doloroso caminho de disciplina, numa altivez que resulta em uma mulher que foi muito tolhida, aproximando-se do comportamento minimalista, limpo, clean, na diretriz: Quando você precisa tomar ação, só faça aquilo que é necessário. Aqui temos uma placidez líquida, numa água sem tensão. Este quadro é um pequeno zoológico, com espécies soltas em harmonia, no fascínio dos bichos enjaulados, no modo como é insuportável a vida de uma pessoa improdutiva, abraçando uma vida sem função ou labor, pois só o trabalho liberta, na questão de que o trabalho faz com que a pessoa goze de uma gloriosa sensação de liberdade, fazendo do Plano Superior o oásis para os que amam se manter produtivos. Aqui é uma espécie de selva em uma sala de visitas, fina, com árvores pintadas, no talento de um anfitrião fino, recebendo gentilmente as pessoas em sua casa, em vistosos lustres de cristal girando em torno do que importa, que é a polidez, a verdade e o carinho, como um fino tecido, uma seda, um veludo ou um cetim, girando em torno do que importa, que é amar o Mundo e as pessoas, sendo um inferno uma vida sem amor, como num pernicioso ambiente de presídio – a prisão dentro da prisão. Os arcos aqui são a polidez de uma pessoa humilde, na máxima taoista: Curva-te e reinarás. É o caminho da humildade, visto que a arrogância precede o colapso. Aqui é um ambiente de meia luz, de uma luz tênue, longe de um dia de Sol, como num consultório de psiquiatria, numa luz suave, que leva o paciente a relaxar e abrir-se para o terapeuta, numa relação de confiança, numa entrega, pois se não em abro para o terapeuta, estarei perdendo tempo e dinheiro. Aqui as feras estão domesticadas, soltas, como se fossem humanas, dóceis, longe das duras leia da selva, da cadeia alimentar, num leão assediando herbívoros, no modo das coisas acontecerem no Plano Material, a dura dimensão que faz com que cresçamos como espíritos, no caminho de depuração, que é a lógica da Vida. Ao fundo vemos carneirinhos, os quais, num contexto biológico, estariam sendo devorados pelos carnívoros neste quadro. É o termo “lobo em pele de cordeiro”, para designar pessoas que levam vida dupla, o que é um estilo de vida muito triste, pois a pessoa nessa situação não está nem aqui, nem acolá, mas em cima de um muro de indefinição, e a Vida precisa ser uma só, pois a pessoa é uma só – é a questão de dignidade e integridade. Seja autêntico!

 


Acima, Onde a abelha chupa. Uma explosão de vindima, na Festa da Uva de Caxias do Sul, na vitória da beleza! É a magia de verão, de vindima, na celebração da vida, com doces uvas, no formidável pecadinho da Gula, no modo como não é prejudicial uma pitada dos gostosos sete pecadinhos capitais, pois a pessoa tem que se permitir ter algum prazer e não ter uma sisuda vida de privação – não tem sentido em ser tão impiedosamente disciplinado. A moça aqui é uma noiva, a estrela da festa de casamento, entrando triunfante na Igreja, pura e casta, na especialidade patriarcal em castrar a sexualidade feminina, no machismo máximo: passar das mãos do pai direto para as mãos do marido. No topo do quadro, belo como todas as obras de Helen Flockhart, há uma dourada colmeia, um sol dourado de vitória e beleza, numa rainha da Festa da Uva sendo revelado à comunidade, na cara da festa, numa embaixatriz da festa, fazendo com que a beleza de tal terra faça metáfora com a beleza da rainha. A colmeia é o funcionamento da vida em sociedade, num organismo organizado, onde cada um tem sua função específica, sendo infernal a vida de uma pessoa que não faz trabalho algum, nas palavras de Seu Madruga no eterno seriado Chaves: “Nada mais trabalhoso do que não trabalhar!”. O mel é o doce gosto de uma vitória, no modo como não canso de dizer: O sucesso é um amante infiel, pois ninguém está no topo o tempo todo, na inevitabilidade dos altos e baixos liquidiscentes da Vida, no modo como o sucesso é complicado, pois, quem o atingir, é pressionado a permanecer para sempre assim, o que não existe, como numa pobre Whitney Houston, desembocando nas drogas pesadas para lidar com tais dolorosas e inclementes pressões, numa suprema diva cuja voz foi destruída pelas drogas – malditas essas sejam! O generoso mel escorre pelas mãos da moça, numa lambuzeira, na brincadeira de dois amantes se beijando com leite condensado na boca. O mel é o produto do esforçado labor, um resultado de dedicação e empenho, como um urso comendo ao máximo para enfrentar a hibernação invernal, como num plano de previdência ou aposentadoria, numa pessoa seriamente pensando no futuro, nas perspectivas, como numa pessoa construindo carreira na Caixa Econômica Federal, onde trabalha minha querida irmã, diga-se de passagem. As rosas aqui são galantes, num presente de enamorado, talvez num relacionamento suspeito, onde há muito coração e pouca cabeça, o que é ruim, pois a cabeça sempre tem que ser ouvida antes do coração, no caminho da sabedoria e da maturidade, numa pessoa que aprendeu a manter os pés no chão. As roseiras aqui remetem aos vinhedos, os quais necessitam de tais flores, pois estas, sendo muito sensíveis a pragas, já avisam de antemão tal praga para que o viticultor tenha tempo para lançar mão dos recursos químicos para neutralizar tal praga indesejada. O mel aqui é a fartura, num chafariz do qual brota a vida, no nome de uma cidade italiana, a Água Viva da Fonte. É como na comédia erótica Decameron, na explosão da Vida e da sexualidade, numa pessoa esclarecida, que tem a noção de que o Sexo é natural no Ser Humano, como num psicólogo, o qual não tem a culpa do pecado religioso em relação a Sexo. O jardim aqui é cheio de Vida, com cheiros e sons, como pássaros e grilos, algo entorpecente e maravilhoso, como numa Barbra Streisand, a qual declarou que, na maior parte do tempo, tem a vontade de se deitar abaixo de uma árvore e, ao nada fazer, esquecer do Mundo, como numa pessoa desligando o telefone celular para não ser incomodada, num momento saudável e necessário de reserva e solitude. O vestido aqui, de estampa sutil floral, faz um continuum com tal bosque encantado, na magia das estampas floradas, simbolizando feminilidade e delicadeza, na Flor de Lis simbolizando a França Absolutista, numa reverência aos aspectos da Natureza, um presente de Tao a um planeta Terra tão raro. O mel é a fartura, num país tão rico como o Canadá, no abismo de tal nação em relação a países tão miseráveis como os países africanos, nas desigualdades mundanas.

 


Acima, Rizzio. Helen adora a magia do luar, no prato prateado que guia os insanos ciclos femininos, na força que rege as marés, na magia feminina do luar sobre a responsabilidade infalível do Sol, no homem disciplinado que acorda e vai trabalhar, na força e na credibilidade do Yang, num homem de palavra, que faz valer o que ele mesmo diz, sabendo que a palavra é o maior bem de um homem, no cavalheirismo no fio do bigode. A menininha no balanço são os ciclos de vaivém da Natureza. É a ludicidade, em doces brincadeiras infantis, na gritaria de um pátio de escola no momento do recreio, com crianças ensandecidas e suas brincadeiras, num triste Michael Jackson menino, o triste menino ao qual foi negado ter uma infância normal. O balanço remete a uma cena do seriado bem sucedido Os Tudors, numa das esposas do célebre rei, numa moça nua girando num balanço sob uma doce chuva de verão noturna, num homem obcecado em colocar no Mundo um herdeiro varão, pouco se importando se o menino seria de fato feliz com tal espólio. Aqui é a magia de uma noite tropical, noite dos enamorados, num doce sonho tropical de uma artista escocesa, num país tão frio, úmido e cinzento, sonhando com uma doce Califórnia num dia cinzento de Inverno, com folhas marrons mortas no chão, no modo como um dia chuvoso pode causar uma minúscula melancolia, mas nada equiparável a um quadro de depressão de fato, numa pessoa que está melancólica mesmo num majestoso dia de Sol, no termo “padecer no paraíso”, numa fossa existencial a qual não desejo para pessoa alguma. Vemos um libidinoso diabrete, com seus chifres de instinto animal sexual, numa gata se contorcendo em cio, querendo, acima de tudo, Sexo, ma magia da Dança do Ventre, no modo árabe de encarar com naturalidade a natureza sexual humana, no sexy sem ser vulgar, como na revista Playboy brasileira, num nu de bom gosto, na comoção que causou o debut público de Adriane Galisteu nua, como um dourado troféu de vitória, digna de ser desposada por um rei ou por um Guga campeão. O pequeno violão é a magia de uma serenata, na menina encastelada em sua prisão de castelo, esperando pelo príncipe fálico para ser libertada, na chave peniana ante a fechadura vaginal, na ilusão de menininha, a qual crê que tal príncipe perfeito existe, talvez numa mulher se desiludindo em relação ao próprio marido, vendo a Lua de Mel esfriar no passar dos anos de vida de casada, talvez num sexo que deixou de ser doce para virar algo frio e mecânico. A viola aqui é tal som de sedução, como no conto dos ratos sendo guiados e seduzidos pela flauta mágica, na capacidade de um líder em unir e inspirar um certo corpo social, num talento de liderança, organizando um corpo social, como no heliocentrismo do faraó herege Aquenáton, estabelecendo que a única divindade é o Sol, nada mais, num dos momentos mais curiosos do Antigo Egito. O jardim aqui é belo e bem mantido, longe de uma caótica selva devoluta, no sonho do imigrante italiano em chegar ao RS e ver um lote capinado, pronto para o uso, o que não ocorria, num imigrante se deparando com um pedaço de mata virgem, na árdua vida de imigrante. O diabrete aqui está prostrado, e a menina não parece lhe chamar a atenção, num sentimento prostrante e depressor, numa pessoa deprimida prostrada numa cama, sem qualquer vontade de viver, num fundo de poço incrível, ao qual a pessoa tem que ser forte para sobreviver, como já ouvi: “Dos fracos, a história nada conta!”. A menina balançando é um pêndulo, na passagem do tempo, como num namoro que acaba, num calor que esfriou. É a força do tempo lavando almas e levando embora as dores e os traumas, numa voz fraternal e acalentadora quer nos diz: “Vai passar!”. A Lua aqui é fraca, pois o quadro, de um modo geral, é sombrio, num jardim tão cheio de Vida, no modo como a Vida pulsante do Plano Metafísico nada tem a ver com o silencio morto cemiterial, na ilusão que nos causa a morte do corpo físico, no modo como é bom ser um pouco espírita e lidar com naturalidade com o óbito carnal.

 

Referência bibliográfica:

 

Home. Disponível em: <www.helenflockhart.com>. Acesso em: 1 jun. 2022.