quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Ruas de Brunias (Parte 1 de 3)

 

 

O italiano Agostino Brunias (1730 – 1796) foi fascinado pelo Caribe, cujas cenas tanto pintou. “Romantizou” a aspereza da vida agrária. Controverso, foi até considerado subversivo. Está no acervo de grandes museus como o MASP e o Met de Nova York. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Serventes lavando um veado. O veado é o fino que se sobrepõe ao grosso, no discernimento de que fino é forte e de que grosso é fraco. O banho é o ritual civilizatório de higiene, remetendo à insalubridade da Europa durante a Peste Negra, numa época em que higiene era inexistente, como no Antigo Egito, com uma vida tão insalubre que a mortalidade infantil era alta e a expectativa de vida era baixa. Os turbantes são a tradição africana, como nos turbantes das baianas no Pelourinho em Salvador, vendendo suas iguarias baianas e encantando turistas com tal modo de vida exótica, num Brasil tão marcado por suas raízes afro, na estupidez da escravatura, reduzindo seres humanos a burros de carga, num desamor por seu irmão, como uma pessoa equivocada, que se empenha em passar golpes pela Internet ou por Telefone, um espírito equivocado, ao qual só resta o Umbral, a dimensão dos infelizes sofredores, pois quem não tem apuro moral, sofre – nossos irmãos sofredores. Aqui é uma cena de serviço e de trabalho, como na árdua jornada de trabalho de um mordomo, mantendo uma casa limpa, organizada, abastecida de supermercado e com comida pronta na mesa, num espírito que resolveu reencarnar em uma vida tão dura, repleta de labor, talvez vindo de uma encarnação anterior na qual a pessoa viveu ao léu, sem se centrar de forma alguma. O veado é a comida, a alimentação, nos programas de TV que mostram as leis da selva, com leões esfomeados, devorando bichos herbívoros, numa Natureza que pode parecer cruel, mas que faz sentido, no modo como Tao não faz algo em vão, havendo numa encarnação todo um sentido, num “colégio” que tanto exige do aluno, como professores inesquecíveis, que marcam nossas vidas, sendo cada um deles importantes na vida da pessoa, no modo como até hoje mantenho contato com uma pessoa que foi minha professora há quatro décadas, como uma pessoa que passa por vários psiquiatras, ficando estável só no quinto ou sexto médico, mas no fato de que o mérito tem que ser dado a cada psiquiatra que fez parte da trajetória da pessoa. O chão em xadrez é tal jogo, nos versos de Elis: “Vivendo e aprendendo a jogar. Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo. Mas aprendendo a jogar”, no modo como a vida exige que sejamos autodidatas, pois não há livro ou faculdade que nos ensine como viver, até a pessoa adquirir a atitude limpa e minimalista de Tao, fazendo da gostosa preguiça a virtude que nos faz agir fazendo só o essencial. Os rapazinhos infantes são a magia da infância, numa época em que a pessoa se contenta com pouco, longe do rol de exigências e critérios do adulto, numa época em que temos nossos amiguinhos, sem haver amizades por interesse. A porta aberta é uma perspectiva, uma opção, uma saída, numa pessoa que encara um momento de crise, a qual, já me disse uma excelente psicoterapeuta, é positiva, pois a crise assinala um momento necessário de renovação na vida da pessoa, numa reviravolta de vida, a qual só pode acontecer com trabalho e dedicação séria, como eu gostaria de dizer a uma certa pessoa amiga minha: “Você pode estar farto de tudo isso, mas você será um homem, meu filho!”, pois o Mundo é de quem tem os pés no chão a encara a luta, ao contrário de algumas amigas minhas, as quais abandonaram o labor nobre para se tornarem meras donas de casa, pois apenas cuidar de uma casa não dizer a você quem você é. Os turbantes aqui remetem ao cantor Carlinhos Brown, ostentando tal orgulho racial, no modo como um descendente de escravos tem em sua identidade não só séculos de escravatura, mas milênios de arte e cultura africana, como na instigante seção afro do Met em New York, com artefatos de magia, no modo humano de construir mitologias, vindo a Revolução Científica a mostrar que não há deuses e deusas, mas forças naturais da Natureza, num Cosmos tão vasto, longe de ser compreendido pelo Ser Humano. O veado quietinho é a domesticação, o condicionamento, numa pessoa que aprendeu a se comportar.

 


Acima, Três caribenhos livres. A liberdade é a glória, na imagem de esperança do Espírito Santo, no dia de libertação que certamente chegará, a qualquer momento, no modo como ninguém está no Mundo para sempre, havendo um “prazo de validade” em nossos corpos carnais, na libertação como parar de carregar uma mala. A elegante bengala é o abreviamento do pensamento racional, nas orientações de um psiquiatra: Ouça a mente e não o coração, pois o coração é traiçoeiro – este já lhe enganou e voltará a lhe enganar. A bengala é a retidão e a lisura, numa pessoa elegante, que sabe que os que se curvam, governam, como numa demonstração de respeito a alguma família, na essencial lição do respeito, no modo como o rebelde tem que, antes de transgredir, respeitar a tradição, como na tradição caxiense de eleger uma rainha para uma edição da Festa da Uva, numa menina que tem que ter, antes de tudo, alma de artista, alma de diva, marcando assim uma edição da Festa, inspirando o povo caxiense a se unir em torno da Festa, numa manifestação de Cultura Popular, tendo que tal festividade ser suntuosa, grandiosa, tesão, com os comerciantes decorando tematicamente suas vitrines, nas palavras de uma sábia ex rainha: “Nós, os caxienses, não fomos encontrados numa ‘lata de lixo’, pois temos uma história e uma proveniência”. O senhor e as senhoras aqui estão garbosos e elegantes, no momento de interação social, para o qual a pessoa se arruma, como num café elegante, diferenciado, no qual os frequentadores se arrumam para frequentar, em garbos como na cidade de Buenos Aires, numa urbe tão gigantesca, charmosa, cosmopolita, com seus cafés de glamour parisiense, na magia do tango, a dança tão argentina, ao ponto de gerar a célebre cena de Perfume de Mulher, com o personagem cego de Al Pacino dançando com uma mulher bonita e glamorosa, remetendo à malícia de um certo senhor que conheci, o qual usava perfume feminino, o que é uma bobagem, pois tanto perfumes masculinos quanto femininos são deliciosos. Aqui é na ascensão social dos descendentes de escravos, na revolução que foi uma família negra na Casa Branca, num Obama tão excelente como estadista, derrotando os racistas de plantão, os quais dizem o equivalente ao dizer que dobermann não é cachorro – é cachorro sim. A paisagem é exótica, tropical, exuberante, numa tórrida cidade do Rio de Janeiro, com roupas que não eram confortáveis, roupas de costume europeu, como rapazes cariocas vestindo camisas de flanela no auge da era grunge, nos anos 1990, quando rapazes ostentavam cabeleiras enormes – bons tempos de minha adolescência, quando eu próprio fui cabeludão. Aqui é a prova de que elegância não tem raça, pois elegância é universal, no caminho da autoestima, como no ato luxuoso de se perfumar, inebriando as pessoas com tal fragrância fina, no gigantesco mercado mundial de perfumaria, com celebridades lançando suas fragrâncias, no modo como os perfumes remetem a Tao, o essencial, o limpo, como num vão livre no qual crianças andam de bicicleta, fazendo de tal vazio o ponto crucial de dignidade e serventia, como numa mesinha de centro em uma sala de estar – tal móvel tem que estar livre para o uso do cotidiano, pois uma mesinha repleta de enfeites perde tal utilidade, na máxima de que menos é mais, pois a sensualidade reside exatamente nos espaços vazios, os quais exercem uma forma de poder gravitacional irresistível, ao contrário das casas de acumuladores compulsivos, cheias de objetos inúteis e insalubres, no caminho oposto de Tao; no equivalente a não tomar banho. A bengala é tal poder, em prédios altos, pontiagudos, fálicos, no homem rico e poderoso seduzindo mulheres, como na Carrie de Sex and the City, apaixonada por um homem rico e poderoso, num homem que faz uma mulher se sentir uma rainha, erguendo a mulher a um patamar mais elevado, no jogo de sedução entre chic e rico, os quais não são sinônimos, pois o chic está na atitude, e não na carteira. Aqui é como na ascensão da classe burguesa pós Revolução Francesa, como nas menininhas burguesas de Renoir.

 


Acima, Uma família de caribenhos nativos. Aqui é o estágio primitivo pré escrita, pré civilização, como no costume selvagem de canibalismo, algo MUITO aquém do caminho de depuração espiritual, na crença de pessoas de que a Humanidade, num passado longínquo, foi visitada por raças alienígenas que nos ensinaram diretrizes civilizatórias, algo não tão difícil de se acreditar, pois se um dia o Ser Humano pisar em Marte, nós, da Terra, seremos os alienígenas. Apesar de aqui a tradição ser mantida por meio oral, sem escrita, os artefatos e ornamentos são um avanço, na incapacidade dos macacos em produzir arte e artesanato, como pinturas em cerâmicas, no poder transformador das mãos de um artista plástico, associando objetos dissociados e criando algo novo, em gênios que tanto marcam a trajetória humana, como Michelangelo, numa depuração civilizatória que nos deixa pasmos até hoje, no poder de um grande artista em fazer que as pessoas “babem” de admiração, como em filme de grande sucesso e comoção, no eterno exemplo de Titanic, na luta entre sensibilidade e preconceito, havendo numa joia de Rose um fardo, um peso, no modo como pode ser miserável a vida de uma pessoa rica, como num ganhador da loteria, o qual, infeliz, é considerado feliz na Terra. Aqui temos as moradas dos indígenas, feitas de palha, na capacidade humana de construção, em sonhos ambiciosos de Engenharia, no modo como os prédios da Dimensão Metafísica são tão depurados, feitos por arquitetos felizes, num caminho de tanta depuração e aperfeiçoamento, na prova de um talento – você não tem que se mostrar; você tem que mostrar talento. É como numa pessoa de grande condicionamento físico, mas uma pessoa obtusa, que nada mais faz do que puxar ferro numa academia, tomando aqui o exemplo de Gabriel Medina, o qual pega uma prancha, entra no mar e mostra seu talento, fazendo de seu corpo consequência e não causa. Aqui é a inevitabilidade do labor, com as mulheres cuidando das crianças e os homens saindo para caçar e pescar, com a incumbência sisuda de trazer o alimento para casa, na responsabilidade de um pai de família, o qual se esforça para nada deixar faltar dentro de casa, como uma certa pessoa que conheço, a qual, ao colocar no Mundo duas filhas, aprendeu NA MARRA a ter juízo e responsabilidade, na sabedoria popular: “A dor ensina a gemer”. Os adornos de penas são a beleza, como num colorido baile de carnaval, no momento de interação social, como numa missa dominical, na qual as moças flertam com os moços, a salvo casos de homossexualidade, é claro, no modo como faz pouco tempo que a Psiquiatria parou de considerar homossexualidade uma doença, levando um tempo até o Senso Comum absorver tal noção científica, como parar de considerar o Alcoolismo uma perversidade e um desvio de conduta moral. Aqui temos o elo perdido entre tribo e civilização, como no totem negro de 2001, na universalidade civilizatória, com celulares cada vez menos espessos, na democratização das tecnologias, tornando comum o acesso a tal tecnologia, na revolução da Internet – quem está offline, não vive no Mundo real, como na febre das redes sociais, fazendo com que o digital faça metáfora com a afinidade espiritual, a qual nada de física tem. Os seios fartos das mulheres lactantes são a fartura, assegurando o leite das crianças, como numa mesa farta de galeteria, na qual comemos como reis, remetendo a um caso divertido envolvendo uma mulher italiana, a qual, ao ir a uma galeteria caxiense, ficou pasma com tanta fartura “orgiástica”. As crianças aqui são o futuro, na missão de educar e instruir, colocando valores na mente da criança, numa enorme responsabilidade de adulto, ensinando o discernimento de Tao, a virtude que serve ao Mundo, no caminho da dignidade, como numa Susan Boyle revelando seu talento num reality show de talentos vocais, na revelação da beleza interior – de que adianta eu ser belo por fora e ser um incompetente? Aqui é o modo como numa tribo todos são da mesma família, com um só sobrenome. Unidade.

 


Acima, Uma garota florista e duas mulheres de cor livres. As modas vão mudando e o novo sempre vem, em senhoras idosas desagradadas com as modas ousadas da juventude, no modo como é importante a pessoa se manter jovial, como Leonardo da Vinci, o qual se manteve jovem e brincalhão até o fim da vida, morrendo longevo. As flores na bandeja são a feminilidade e a força da natureza, nas belezas naturais do Caribe, a terra que tanto seduziu Agostino Brunias, como em minha memória pelas ilhas Bímini, mergulhando nas águas claras de tal praia. As moças aqui sofrem com o calor tropical, vestindo roupas europeias para dias frios, como no antigo Rio de Janeiro, no qual foi imposta uma lei que proibia homens de caminhar sem camisa pela cidade tórrida, resultando em movimentos como o Modernismo, no momento em que o Brasil partiu em busca de uma identidade própria, como no desafio do Cinema Brasileiro em adquirir uma identidade própria, evitando “copiar” Hollywood, como uma certa atriz brasileira, um tanto chauvinista, uma pessoa que dizia que um filme é maravilhoso só porque é brasileiro, o que é um disparate, sinto em dizer, mesmo porque há filmes hollywoodianos que são péssimos, resultando no prêmio deboche Framboesa de Ouro, na prova de que ninguém está por cima o tempo todo, como um Tom Hanks, o duas vezes oscarizado que neste ano passou pelo deboche do troféu infame, remetendo ao divertido personagem Coiote, nos desenhos animados em que o Coiote só se ferrava, enfrentando insucesso atrás de insucesso – nada mais humano do que tomar no cu, com o perdão do termo chulo. As moças aqui são o recato, com roupas que cobrem a maior parte do corpo, como numa pudica imagem de Nossa Senhora, toda coberta, só restando o rosto exposto, como na burca islâmica, no patriarcado que impede a mulher de ter participação ativa na Vida em Sociedade, castrando a mulher e oprimindo esta, enfurecendo as feministas, resultando em figuras expressivas do Showbusiness, na prova de que o Feminismo não morreu e que a luta pela igualdade persiste fortemente, na coragem de um intelectual em pensar contra o “vento” patriarcal, o qual faz da mulher uma moeda de troca em casamentos arranjados, num Mundo sem a sensibilidade de perguntar à menina se esta está feliz – é um horror. Os turbantes são como cabeças alongadas, como na coroa imperial de Nefertiti, numa coroa que pesa sobre uma cabeça, numa enorme responsabilidade de impor respeito a uma nação, no desafio de Charles III, o homem poderoso que não tem um pingo de carisma, ficando “anos luz” atrás da famosíssima ex esposa, na sabedoria popular de que na Vida não se pode ter tudo, como numa memória de infância eu tenho, quando uma pessoa me ofereceu um álbum de figurinhas e um bolo de figurinhas, e quando eu disse que queria ambos, ela me disse que não era possível, e que eu tinha que fazer uma escolha, no fato de que a vida é feita de escolhas. Aqui branca e negras gozam do mesmo status social de liberdade, remetendo a uma certa senhora que conheço, a qual vende flores na Rua, numa vida tão dura, numa pessoa que vive com o mínimo de conforto, nos abismos sociais que se dissolvem com o Desencarne, no momento da urna democrática em que somos todos iguais perante Tao, o Pai de todos, fazendo de nós príncipes extremamente especiais, num Pai que quer o MELHOR para nós, como na revelação ao fim de O Código da Vinci, no qual uma mulher descobre pertencer à família de Jesus Cristo, numa revelação, como num dia amanhecendo e mostrando que somos todos irmãos, no costume do amado Chico Xavier em chamar as pessoas de “irmão” e “irmã”, num homem tão humilde, que se dizia apenas um “carteiro” – que é humilde vai longe. Ao fundo no quadro, num mínimo detalhe, vemos um negro sem camisa trabalhando, numa vida tão árdua, na humildade de uma Gisele, a qual sabe que não pode parar de trabalhar, numa pessoa com estrutura psíquica forte, não deixando o sucesso subir à cabeça.

 


Acima, Uma mãe com seu filho e um pônei. O pônei e o cachorrinho são o afeto, no animal adorando o dono, numa amiga minha, solteira com dois cães, num companheiro fiel, que demonstra total amor pelo dono. O pônei, menor do que o cavalo, é o costume carinhoso de chamar as pessoas pelo diminutivo, tipo “Danielzinho” ou “Lucianazinha”, como na saudosa Zila, rainha da Festa da Uva de 1958, sendo chamada de “rainhazinha” pelas pessoas da comunidade, no termo italiano “regineta.”, na capacidade de uma menina em inspirar a sociedade em torno da Festa, num momento comunitário em que cada um se sente um pouco dono da Festa. A escada ao fundo é a evolução, passo a passo, num trabalho paciente de formiguinha, indo aos poucos, “comendo pelas bordas”, por assim, dizer, como no espiral de um disco de vinil, aproximando-se vagarosamente do centro, nas palavras sábias de uma pessoa a mim: “Não espere ir de zero a cem num piscar de olhos”. A mulher está elegantíssima, e o quadro tem um certo charme aristocrático, num esporte de elite, na elegância aristocrática do cavalo, no caso aqui o pônei, na recomendação taoista: “Cavalgar pelos campos é bom e excitante, mas vai enlouquecer você se você cavalar demais”, ou seja, tudo o que é demais, enjoa, como dinheiro, por exemplo, no caminho budista do caminho do meio – nem muito pobre, nem muito rico. O cachorrinho aqui é um humilde papel coadjuvante, como num livro infantil escrito por Madonna, a qual se considera, no livro, um ratinho que assiste às cenas do Mundo, algo curioso para uma artista que é para lá de estelar, nada tendo de ratinho anônimo. O pônei é a domesticação e a disciplina, num aluno aplicado, enchendo o professor de orgulho, no modo como a competitividade da Vida em Sociedade já vai se mostrando nos primeiros anos de vida escolar, com os alunos competindo para ver quem brilha mais nas notas, fazendo do aluno aplicado um exemplo a ser seguido pelos não tão aplicados, como no personagem engomado em A Escolinha do Professor Raimundo, como uma colega que tive na faculdade, a qual só tirava notas altas, sendo exceção numa turma de alunos não tão brilhantes, no modo como o mestre Tatata Pimentel chamava de “elite” os alunos excepcionais. A mulher aqui é a responsabilidade, tendo que tomar conta de uma criança, num enorme encargo. Aqui é na ascensão do negro na sociedade, gerando famílias nobres e ricas, negras, com negros com alto grau de instrução. O branco aqui é a pureza, na cor dos uniformes hospitalares, numa farda impecável de chef, como um senhor que hoje mesmo provou que eu o subestimava; um senhor que acabou se tornando chef; um senhor cuja inteligência eu ignorava e desrespeitava, ou seja, nunca devemos subestimar as pessoas, como uma discreta Kamala Harris, a qual, em seu papel coadjuvante, pode se tornar a primeira mulher presidente de um país que nunca foi governado por mulheres, sendo primeira dama o máximo patamar ao qual uma mulher americana pode chegar. Aqui é a prova de que garbo e elegância não têm raça ou cor, como na linhagem dos faraós, os quais não eram loiros de olhos azuis. A mulher está arrumada para uma ocasião especial, como num chá de damas, nos quais as mulheres competem discretamente para ver qual é a mais linda festa, numa mulher que começa a se divertir já no “ritual” de arrumação, como uma prima que tenho, a qual ama ficar horas se maquiando na frente de um espelho, numa mulher bem feminina, divertindo-se com salto alto, remetendo a mulheres batendo perna de salto alto em Gramado – salto alto não foi feito para bater perna, minha amiga. O pônei espera comportadamente, paciente, domado, no modo como a disciplina no colégio exige tal bom comportamento, no temido gabinete do diretor. Aqui, o cãozinho parece ter ciúmes, e quer ser abraçado e contemplado, como num cônjuge ciumento, possessivo, como uma pessoa que conheço, a qual tem um amor doente, fixado, obsessivo e possessivo por outra pessoa, num amor que tem que passar por desapego, pois somos todos irmãos, iguais filhos de Tao, o Rei Nosso.

 


Acima, Vista do rio Rouseau. A competência de Brunias em retratar a Natureza. Aqui é um jardim de delícias, agradável, como num parque em Gramado, num momento de domingo e de descanso, numa pessoa que sabe que não pode ficar o domingo inteiro na frente de uma televisão. O rio é o templo fluindo, com os processos se desdobrando, levando um tempo, como as cidades estão em permanente processo de transformação, como Porto Alegre já não se parece com a urbe que eu conheci nos anos 1990. O rio é a purificação, como na entrada da floresta mística de Lórien, de Tolkien, um córrego de água que, apesar de gelada, purifica, como num remédio amargo que surte doces efeitos, como numa internação psiquiátrica, dura, humilhante, difícil, numa internação que acaba por se tornar algo maravilhoso e benéfico, no fato de que a arrogância precede a queda, como numa Britney Spears em surto, indo compulsoriamente a uma instituição psiquiátrica, sentindo-se humilhada. Aqui é como um parque num domingo, ou um shopping de corredores lotados, fazendo do shopping tal paradigma de consumo e lazer, numa febre que nasceu nos anos 1980 nos EUA e que ganhou o Mundo, remetendo a um certo senhor, o qual dizia que os shoppings são os templos do consumismo, no modo como concordo que o consumismo não é positivo, numa Sociedade de Consumo que inventa necessidades as quais acabam se tornando mentiras e inconsistências, como no marketing ardiloso do Hard Rock Café, no qual o cliente só pode acessar o restaurante se passar uma tentadora loja de produtos de merchandising – coisa de americano. A paisagem é majestosa, no modo como os campos e florestas vestem roupas maravilhosas, num Ser Humano que ignora isto, contemplando os palácios e ignorando a Natureza. Aqui são as extensões majestosas de um reino, nesse caminho difícil da Paz, num Ser Humano sempre aguerrido, como na Rússia querendo anexar a pobre Ucrânia, num conflito mundialmente condenado; num Putin se revelando um Napoleão insano, espalhando terror e devastação; num rei que nunca está contente dentro do próprio reino, ferindo o mandamento “Não cobiçarás a esposa do próximo”. Céu e Terra aqui fazem amor cosmogônico e produzem o Mundo, como num cartão postal, algo que, hoje em dia, em plena era digital, caiu em absoluto desuso, neste galgar frenético de tecnologias, causando perplexidade a pessoas como eu, que nasceram nos anos 1970, na época do telefone de disco. Aqui é como numa região serrana, bucólica, como na estrada gaúcha Rota do Sol, com os vastos Campos de Cima da Serra, verdes como tapetes gigantescos, com matas nativas de araucárias, a árvore que gera o pinhão, numa estrada que, ao descer da Serra para acessar o Litoral Gaúcho, desce cânions de rico recorte geológico – que estrada! Aqui é um rei contemplando seu próprio reino, amando tal terra, na obsessão de um Henrique VIII em produzir um herdeiro varão, num príncipe herdeiro que acabou morrendo jovem, com pouco tempo de reinado. Aqui são como lavadeiras antigas num rio, no labor árduo tão romantizado por Brunias, em ventos de renovação como a Lei Áurea da princesa Isabel, a qual teria sido uma grande rainha se não fosse cassada pelo golpe que foi a Proclamação da República, ou no movimento que destituiu Dilma, nos jogos de poder, fazendo de Brasília uma cidade que não me atrai muito, sem querer eu aqui ser blasé. Aqui é a magia do ar livre, da saúde, num espírito atlético, praticando tais esportes ao ar livre, nas palavras de um pai ou de mãe a um filho: “Quero te ver na Rua praticando esporte!”, no fato de que há pessoas que não possuem perfil atlético, sinto em dizer – cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, parafraseando Caetano. Aqui é como o campo exerce tal fascínio sobre pessoas da cidade, e viceversa, com pessoas do campo fascinadas pela cidade, num Ser Humano que nunca está contente, remetendo, aqui, novamente, ao exemplo do déspota Putin, ditador ao ponto de proibir na Rússia o filme biografia de Elton John, num gostinho da censura brasileira em tempos de ditadura.

 

Referências bibliográficas:

 

Agostino Brunias. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 9 ago. 2023.

Agostino Brunias. Disponível em: <www.masp.org.br/acervo>. Acesso em: 9 ago. 2023.

Agostino Brunias. Disponível em: <www.tate.org.uk>. Acesso em: 9 ago. 2023.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

P de Paul; P de Primoroso (Parte 2 de 2)

 

 

Falo pela segunda vez sobre o pintor alemão Paul Klee. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Mágica dos peixes. Os peixes são a vida, no modo como é relaxante observar um aquário, em peixes fluindo com calma, suavidade e placidez. Aqui é como um móbile num quarto de criança, encantando a criança, como na odontopediatra com a qual eu consultava, havendo aos olhos da criança brinquedos, talvez com o intuito de tirar da criança o medo de cadeira de dentista, numa dentista que até hoje é minha amiga. As flores são tal beleza, no encanto de uma mulher exuberante, com flores no cabelo, nos encantos femininos, como em colares havaianos de flores, recebendo o visitante turista, no ato de jogar rosas no toureiro ao final triunfante da tourada, na vitória do garbo civilizatório sobre a brutalidade animal do touro, num bichinho pobre coitado, executado aos poucos – será que o touro, após a morte na tourada, é transformado em bifes num restaurante? Acima no quadro vemos uma lua, na magia do luar excitando as marés, num símbolo de mistério e feminilidade, como em A Noite, de Pedro Américo, o quadro majestoso que mostra a deusa noturna jogando estrelas no céu da noite, guiando navegadores, no fino brilho estelar, nesta busca de artistas em se tornar astros, aludindo aos espíritos superiores, nossos irmãos depurados e finos, perfeitos, os quais recebem as ordens diretamente de Deus, num estado de felicidade suprema, no caminho incrível da Eternidade, este presente indelével do mais nobre material, como numa madeira nobre, a qual produz móveis que duram por muito, muito tempo, fazendo metáfora com a Eternidade, num mistério imortal – o que é Deus? Num quadro tão aquoso e líquido, fluidio, vemos algumas linhas retas de pensamento racional, na abreviação de etapas, num resumo, num uso de racionalidade, na menor distância entre dois pontos, na metáfora da águia alto no céu, como num arquiteto planejando, colocando as coisas num plano no papel, num trabalho de supervisão, como num Niemeyer planejando Brasília, claro que contando com o auxílio de muitos assistentes, no equilíbrio assimétrico do Congresso, fugindo da simetria clássica, num homem que, apesar de fumante inveterado, viveu por cem anos – não é engraçado? Os peixes são o alimento, no milagre da multiplicação de Jesus, num reino nobre e farto, como em nações desenvolvidas como o Canadá, com cidadãos gozando de uma grande qualidade de vida, com produtos de qualidade, como na pujança econômica do Chile, que é uma espécie de Suíça latinoamericana, produzindo produtos de alta qualidade – nozes, azeites de oliva, cerejas e vinhos, com tais bebidas chegando às gôndolas brasileiras com preços muito interessantes, na luta do setor vitivinícola brasileiro em abrandar as taxas tributárias, as quais encarecem o vinho brasileiro, fazendo este custar o dobro do que seria sem impostos, indo tudo estourar no bolso do consumidor. Aqui é como o monstrinho Gollum de Tolkien, um ser corrompido totalmente pelo maldito Anel do Poder, num Gollum animalesco, que se alienou da vida em sociedade, num Gollum devorando peixes vivos, recém tirados da água, algo um tanto próximo da encantadora culinária japonesa, no modo como o sushi ganhou o Mundo, na universalidade do estômago humano. Aqui há uma diversidade, uma Babilônia, com peixes de vários tipos e espécies, como numa Caxias do Sul, cidade que abriga imigrantes, como africanos e latinoamericanos, na ironia de ter sido uma cidade que tanto abrigou, no passado, imigrantes italianos, no modo como na Itália pouco de sabe sobre colônias italianas ao redor do Mundo, como no Brasil, Argentina, EUA etc., assim como no Brasil se sabe pouco sobre colônias de brasileiros ao redor do Mundo, como certa vez num programa do chef televisivo Jamie Oliver, o qual preparou uma feijoada para brasileiros residentes em Londres, ao som de muito samba, na universalidade dos tambores africanos, gerando o caldeirão cultural americano como Jazz e Blues, gêneros “primos” um do outro. Aqui os peixes fazem o vaivém, como numa cidade, com pessoas indo e vindo, cuidando de suas vidas, neste convívio com estranhos na Rua, em urbes vibrantes como Nova York, a cidade que cheira a arte e dinheiro.

 


Acima, Morte no jardim. A mulher grávida é como no início do filme O Tempo e o Vento, com a índia grávida prestes a parir, sozinha, nesta magia de miscigenação gaúcha, na junção do índio como branco, no modo como o Brasil é altamente miscigenado, ao contrário dos EUA, país no qual, em geral, negro tem filho com negra e branco tem filho com branca. A barriga é o lar, a segurança do lar, na situação de vulnerabilidade, no modo como hoje mesmo na Rua dei um pão a uma indígena e seus filhos pequenos, pois me corta o coração em ver criancinhas em tal situação degradante, num Mundo tão miserável; num Brasil tão pobre. Os seios lactantes são a fartura de um lar estável, nutrindo muito bem a criança, no modo como uma nutrição pobre atrapalha o devido crescimento da criança, em espíritos que decidiram reencarnar num contexto tão miserável, fazendo com que tal vida traga uma depuração espiritual enorme, no caminho da mortificação espiritual, na qual a pessoa para se apegar a bobagens e futilidades, numa pessoa que parou de “acreditar em Papai Noel”, no modo como uma vida em vulnerabilidade causa tal evolução ao espírito encarnado, sendo este o sentido da vida – aprimoramento, pois uma vida sem percalços não tem sentido, ou seja, verás que filho teu não foge à luta! O útero é a Imaculada Conceição, a qual tem o intuito de nos fazer entender como fomos concebidos por Tao de forma imaculada, fazendo de cada um nós extremamente único e especial, num dia que amanhece e mostra que somos irmãos, príncipes filhos do mesmo Rei Supremo, o qual é imitado pelos reis mundanos, havendo nestes uma função representativa, no paradigma democrático, no qual o presidente é um de nós; nosso irmão; nosso igual. Neste quadro vemos uma casa, que é tal segurança, numa sólida casa de família, num lar bem provido, seguro, como na personagem de Winona Ryder em A Época da Inocência, uma personagem que morreu acreditando que o Mundo era repleto de casas seguras como a dela, numa personagem focada, objetivada, com a meta de casar, constituir família e ser uma sólida matriarca, figura que mantém um clã coeso. Nesta casa vemos uma chaminé, num calor, num consolo num dia frio e úmido, num relacionamento caloroso, num ombro amigo que nos consola, numa comadre atenciosa, à qual confiamos nossos segredos, num caminho de intimidade, até chegar ao ponto em que se pode conversar com tal pessoa por telepatia, fazendo com que esta pessoa nos entenda sem precisarmos proferir uma só palavra. Neste quadro vemos um certo cubismo, com linhas tensas, como num papel sendo desdobrado, como num mistério policial sendo resolvido, como numa certa leitora inteligente de Agatha Christie, uma leitora que sempre podia descobrir o assassino antes de terminar o livro, numa escritora tão capciosa, guiando-nos por pistas falsas e confundindo-nos, num teste de inteligência, numa AC que, paradoxalmente, dizia detestar violência, no termo popular: “Casa de ferreiro, espeto de pau!”. No quadro vemos algumas plantas, como ramos de alecrim, num jardim que é uma mente fértil e criativa, em mentes tão fecundas e laboriosas, continuando falar de AC, lançando livros que buscavam ser únicos, num esforço para respeitar a inteligência do leitor, em fenômenos de popularidade como Paulo Coelho, fazendo sessões de autógrafos no Oriente Médio, num homem cuja inteligência não é respeitada por todos, sinto em dizer, nas palavras de um grande intelectual que conheço: “Como eu gostaria de ser mais burro, porém mais bem sucedido!”, como Donald Trump, o homem truculento cuja inteligência não vai além da esquina, conquistando vários milhões de eleitores. Na porção superior do quadro vemos uma bola, um satélite, um planeta, trazendo pessoas que, em pleno século XXI, creem que o Mundo é plano, no modo como não me canso em dizer: Ignore os ignorantes. Aqui temos um cenário de fragmentação, como num rompimento, numa colônia querendo se separar do colonizador.

 


Acima, Paisagem com aves amarelas. Aqui temos uma riqueza e uma variedade colorida, como numa galeria de personagens, de super-heróis, como na riqueza da galeria de personagens que o genial Chico Anysio construiu, num talento tamanho até o ponto em que se tratavam de personagens únicos, especiais, sem um ser meio parecido com o outro, no privilégio do Brasil ter tido aqui tal mestre comediante, no modo como a Cultura Brasileira é tão rica, mesmo num país economicamente pobre e pouco poderoso. Aqui algas tremulam tais quais bandeiras nacionais, na universalidade das bandeiras, havendo tão lindo minimalismo na bandeira nacional japonesa, no sol rubro nascente em meio às brumas brancas, no disco solar que pode ser uma imagem de Tao, o unificador, como num sol no meio de um sistema solar, mantendo uma família unida, como no meu falecido avô e como no falecido marido de minha falecida ia avó, dois homens patriarcas, que souberam manter a família unida, no fato de que, após o falecimento dos dois, as famílias de uma certa forma se desuniram, não mais passando Natais junta, o que é uma pena. Os pássaros dourados são a riqueza, como numa torcida amarela e dourada do Brasil num torneio, no país do futuro, com ícones como Senna, banhando o Brasil com a cor dourada da vitória, trazendo esperança a um povo tão pobre e desprivilegiado, na construção de heróis nacionais, como numa Gisele, a menina comum de jure que virou princesa de facto, ao contrário de uma certa moça de sangue azul, a qual não deslanchou muito bem. Aqui é uma sexy noite de verão num jardim diversificado, com sons de grilos e outras criaturas, na magia da brisa de verão fazendo farfalharem as folhas das árvores, num som de veludo, suave, relaxante, num processo intermitente de renovação e mudança, em ventos trazendo frentes frias e mudando o tempo, na pessoa que aprendeu a observar o Mundo assim, com as estações climáticas ascendendo e descendendo, num ritmo de tambor, numa aquosa repercussão indo e vindo, como no coito das ondas à beiramar, respirando, vivendo, num poder vibrante e mágico, em figuras de esmagador carisma como Diana, ao contrário de Charles III, o homem poderoso que não tem um pingo de carisma, na sabedoria popular: “Na vida não se pode ter tudo!”. Podemos ouvir o som dos pássaros, num bálsamo aos ouvidos, no modo como me encanta o som do bem-te-vi, nas plácidas ruas arborizadas de Porto Alegre, a cidade que se veste de roxo a cada Primavera, com seus frondosos jacarandás floridos, jogando flores na calçada, em algo que é tão chic, tão poético, tão nobre, nos galhos de árvore brotando como veias e como raios de tempestade, no poder da Vida, a qual é o nervo da Arte, já ouvi dizer. Aqui é um jogo sensual de revela e esconde, como na enigmática luz de luar, uma luz que tanto revela quanto oculta, nos mistérios da feminilidade, ao contrário da credibilidade do Sol Yang, o qual sempre nasce para reger mais uma jornada de trabalho, num homem firme, num homem de palavra, centrado no trabalho, no labor, como no laborioso colono italiano na Serra Gaúcha, no homem forte que só não trabalhava no Domingo porque o padre e a religião não permitiam, no conceito bíblico de que até Deus descansou no sétimo dia. O fundo negro é o mistério, e é o fundo ideal para essas formas coloridas e divertidas, como na Primavera de Botticelli, com as claras figura humanas respaldadas com um fundo enegrecido, no discernimento: Se digo que algo é claro, é porque conheço o oposto, que é escuro, no modo como o discreto ator coadjuvante é fundamental para fazer realçar o protagonista. Aqui vemos a imaginação fértil de Paul Klee, no poder transformador da mente humana, ao contrário de uma certa galeria de Arte, um lugar que ultimamente não tem sediado mostras muito ricas ou fartas, infelizmente, no desafio do artista plástico em fazer o espectador “babar” – deslumbre-me, cidadão! Aqui temos um convívio harmônico, na inclusão social do artista, o qual quer se encontrar existencialmente, no caminho da pessoa em saber qual é o seu lugar no Mundo, como num rapaz que decide ser padre.

 


Acima, Senécio 2. Os olhos desalinhados são a discordância, como duas pessoas discordando, como em embates políticos no Facebook, com o “xiita” direita versus “xiita” esquerda – apesar de eu não me envolver em tais discussões, fico no meio do “fogo cruzado” na rede social, nessa eterna vocação humana para a desarmonia, quando que tudo que deve haver é respeito, como uma professora que tive, cuja opinião aprendi a respeitar, mesmo discordando em alguma coisa, uma professora de minha faculdade de Publicidade e Propaganda, que disse, e concordo: “O que estamos fazendo aqui nesta sala de aula? Estamos formando mão de obra qualificada para o mercado capitalista!”, naquele professor que nos marca para sempre, valendo cada centavo da mensalidade, ao contrário de outros professores não tão brilhantes. Aqui o rosto é todo redondo, como num disco solar, na imagem de Deus como o Sol provedor, num pai provedor, que nada deixa faltar dentro de casa, como meu falecido avô Ibanez, o qual, apesar de não ter morrido rico, nunca deixou algo faltar dentro de casa para os seis filhos e esposa, num homem tão repleto de virtudes, dando-me saudades! O fino pescoço é a fragilidade, uma vulnerabilidade, como num certo morador de Rua de Caxias do Sul, já famoso na cidade, um rapaz que, apesar de alto e bonito, é um total mendigo, andando voluntariamente na Rua de pés descalços, deixando no ar um odor absolutamente fétido, num exemplo do que acontece com aqueles que não querem encarar a luta pela Vida, como me disse um médium espírita: “Deus não quer que nos atiremos nas cordas; Deus quer nos ver lutando”. É o lado viril da Vida, o Yang, o homem centrado que acorda e vai trabalhar, talvez com a responsabilidade de prover uma família. O quadro aqui é colorido, alegre, quente, num acalentador Sol numa tarde de inverno, no termo “lagartear no Sol”, em pequenos prazeres que não custam um só centavo, pois o melhor da Vida é a simplicidade, como curtir um parque da cidade num fim de semana, abrindo uma toalha sobre o gramado para tomar chimarrão, na universalidade das bebidas quentes, que acalentam a garganta, principalmente num dia frio e úmido. Apesar do rosto e olhos aqui serem bem arredondados, temos um certo cubismo tenso, truncado, com peças duras se encaixando, como numa questão sendo esclarecida, na máxima: A verdade é a filha do tempo, ou seja, a verdade vêm à tona, como em filmes que, no momento do lançamento, não fizeram muito sucesso, mas que com o passar dos anos foram adquirindo verniz cult, como Blade Runner, em filmes que, de tão sui generis, impossibilitam um refilmagem, como no insubstituível David Bowie no filme de fantasia Labirinto, um filme que, com o passar das décadas, foi se revelando interessante, em obras carregadas de originalidade, mesmo tendo de início fracassado. A sobrancelha negra é a disciplina, numa sobrancelha delineada, como numa certa política brasileira, a qual precisa urgente de um design de sobrancelha, uma mulher que subestima a necessidade de boa aparência na vida pública, numa mulher sem paciência para se arrumar devidamente; numa mulher que, se arrumada, já poderia ter sido eleita presidente – a aparência é vital na vida pública, como Collor, o qual conseguiu se eleger porque tinha uma aparência impecável, sendo impichado posteriormente, ou seja, uma boa aparência tem que estar respaldada por nobreza de caráter, como uma mulher politizada que conheço, a qual não gosta muito de se arrumar, infelizmente. Os olhos aqui giram como ponteiros de relógio, no privilégio que tenho em ter, do apartamento onde moro, vista para o tradicional relógio do Eberle, no centro de Caxias do Sul, com as badaladas organizando o dia, na hora de professor em sala de aula para mais um dia de luta, nesta categoria que é tão desvalorizada em termos de salário, na máxima do personagem professor Raimundo: “E o salário, ó!”. Aqui a superfície não é perfeita, mas rústica, no modo como o rústico é acolhedor, simples, sem afetações ou frescuras, como reunir convidados de forma calorosa, sem cerimônias.

 


Acima, Sinais em amarelo. Aqui parecem pinturas rupestres, numa simplicidade, no momento em que homem se separou de macaco, no impacto do retângulo erguido no superclássico 2001, como um celular, no modo do Ser Humano entender o aperfeiçoamento técnico, científico, no uso do pensamento racional, num altivo prédio em sonhos de Engenharia, na competição fálica para ver qual é o país que tem o prédio mais alto do Mundo, na fábula da Torre de Babel, como se o Homem quisesse alcançar Deus nos céus, no Homem sendo punido em suas ambições, no colapso da torre, no modo como as construções metafísicas são tão majestosas e incríveis, num plano em que não há as limitações materiais, pois é um plano no qual, por exemplo, não precisa haver rede de esgoto, pois os espíritos desencarnados não defecam, estando livres de necessidades fisiológicas, resultando em cidades espirituais tão limpas e bem administradas, longe da fogueira de vaidades humana, onde o Homem quer poder, sempre poder, em corações sendo devorados pelo Anel do Poder, resultando em homens escravizados por suas própria ambições, como num insano Calígula, com sua alma absolutamente perdida em meio aos poderes do césar romano, até o povo de Roma se dar conta de que rei era louco e totalmente amoral. Aqui temos um certo quadriculado, com peças se encaixando e formando um total, como num ator tendo a paciência para desdobrar um personagem e compreender este, no modo como já ouvi: Ao final de um dia de trabalho, o ator que colocar o personagem num “cabide” e sair do set livre de tal personagem, no discernimento entre ficção e realidade, ao contrário de um certo ator controverso, o qual perde um tanto o discernimento entre real e fictício, tramitando por uma linha tênue e perigosa. Aqui as pinceladas negras trazem um realce, como sobrancelhas sendo delineadas num salão de beleza, no momento de autoestima da mulher em se cuidar, sabendo que idade não é pretexto para parar de se arrumar, no modo como dá gosto de ver uma senhora arrumada, que gosta de si mesma, no modo como uma certa pseudointelectual desdenhava da questão da autoestima, a qual é fundamental, diria qualquer psicoterapeuta. Aqui é como um alegre vitral de igreja, no Sol entrando e iluminando, como no nosso anjo da guarda iluminando nosso caminho, na fé de que cada um de nós é acompanhado por tal amiguinho espiritual, o qual sempre quer nos guiar pelo bom caminho, no modo como até um miserável morador de Rua tem um anjo da guarda, o qual quer sempre convencer a pessoa a sair de tal situação degradante, mas um mendigo que não quer encarar a Vida, não se importando em dormir numa calçada fria, suja e úmida – é uma tristeza. As formas negras aqui formam tal contraste, como numa discordância entre duas pessoas, no esforço diplomático pela paz e pelo diálogo, numa classe de diplomacia e polidez, crendo na universalidade da paz, como em jogos olímpicos, nos quais o Ser Humano revela tal universalidade, num esforço de união, como no feriado de primeiro de janeiro, na letra do U2: “Tudo é quieto no dia de ano novo”. As formas negras aqui são esforços de alfabetização, como a Escrita assinalou o início da civilização, como na escrita americana, ao contrário de tribos indígenas, nas quais a tradição é transmitida oralmente de geração para geração, na universalidade da divisão de tarefas entre homem e mulher: Ele faz o trabalho viril de caça e pesca; ela, o feminino de cuidar dos filhos e fazer coleta na floresta, atividade esta análoga a fazer compras em supermercado, como uma certa indígena yanomami, a qual, ao ir morar na cidade com o marido branco, adorava fazer compras. As formas negras aqui são nomes e graças dados a terras devolutas, como na Colômbia homenageando Colombo e América homenageando Américo Vespúcio. Os quadrados são fotos tiradas por sondas espaciais, dando nomes a terras marcianas, no modo como o Cosmos é tão hostil ao Ser Humano – duvido que um dia o Ser Humano conseguirá colocar os pés neste planeta absolutamente hostil que é Vênus.

 


Acima, Super xadrez. Aqui é como no labirinto do clássico videogame Pac Man, com o personagem comendo coisas pelo labirinto, tendo que fugir de fantasminhas letais, no modo como certas pessoas não gostam de games, achando estes muito angustiantes, havendo aqueles que são viciados em tais atividades digitais. Os quadrados são tais jogos de contrastes, num código binário entre um e zero, ou seja, entra ser e não ser, eis a questão, dizia Shakespeare, no jogo entre Yin e Yang: Quem é essencialmente Yin, tem que partir em busca de seu próprio Yang; que é Yang, o contrário, no modo como, no casal heterossexual, é inevitável que ele personifique o Yang dela e que ela personifique o Yin dele, no hábito de, ao cumprimentar um casal, cumprimentar apenas um dos cônjuges já é o suficiente – o casal está cumprimentado. Neste complexo quadriculado, vemos exceções vermelhas, como numa falha em um sistema, num indivíduo pensando contra a correnteza de paradigma, no trabalho importante de transgressão, a qual traz os ventos renovadores de um novo tempo, como no sopro de renovação renascentista, ou como a transgressão impressionista, num estilo que, de início, era visto como uma piada, e não como uma nova forma de se fazer Arte. Aqui é Neo desafiando o sistema tirano da Matrix, num mártir dando sua vida para salvar a Humanidade, afirmando que não há máquina que seja tão boa quanto o livre arbítrio do espírito, o qual escolhe as vicissitudes que enfrentará na Terra, como num estudante se matriculando em cadeiras numa faculdade, ou seja, tudo o que acontece em nossas vidas é de nossa responsabilidade, não havendo “vítimas” do destino. Discretamente pelo quadro vemos formas como totens de magia, emblemáticos, como brasões aristocráticos de realeza, no brasão imperial britânico, no povo inglês que se revelou tal colonizador, querendo trazer as luzes da civilização ocidental ao Mundo, impactando na Índia, por exemplo, num monarca que reina sobre um terço da Humanidade, numa moça de classe média que aceitou a proposta de casamento de um príncipe, sabendo que nunca teria outra chance de ser uma rainha de fato. Esses totens são como insetos exóticos, na vastidão biológica ao redor da Terra, fazendo de nosso planeta um lugar tão único, nos astrônomos que até hoje buscam sinais de vida fora da Terra, alimentando ficções como em Avatar, com terras mágicas e deslumbrantes, assim como a selvagem e exótica América exerceu fascínio sobre o homem europeu, num Darwin ávido por conhecer e catalogar tais formas de vida, num trabalho descomunal, no absurdo da frase: “Há mais estrelas no Universo do que grãos de areia na Terra”, na “loucura” que seria querer catalogar cada grão de areia que existe no deserto do Saara, sendo assombrosa demais a possibilidade de não haver vida em tal Cosmos infinito. As formas aqui são como no jogo de percepção na obra do genial MC Escher, um mago que nos trouxe uma Arte tão única, num mago que jogou com o olho humano, seduzindo-nos no fato de que tudo traz em si sua própria contradição, no jogo binário entre vazio e cheio, nos carimbos da xilogravura, neste jogo de sedução entre claro e escuro. O quadro é cercado de uma margem roxa, perfumada, numa cor floral, na delicadeza de cores suaves como o lilás, nas cores da lavanda, no hábito luxuoso de se perfumar, o qual é um ato de autoestima, no fascínio que as fragrâncias exercem, ao ponto de pessoas em freeshops de aeroportos furtarem tais itens das lojas, nas palavras de revolucionária Coco Chanel: “Estar perfumado é um luxo, não uma necessidade”, no modo como o incenso indiano ganhou a Europa, no ritual católico de perfumar o templo com tal recurso odorífico, fazendo com que o perfume nos dê uma sensação de extrema limpeza e pureza. Os quadrados aqui têm uma certa aquosidade no conjunto, como nas formas retas dos azulejos sendo “subvertidas” pela água da piscina, na letra de Chico Buarque, dizendo que o home sério, que acorda para ir trabalhar, é hipnotizado pelas curvas da mulher sensual que rebola.

 

Referências bibliográficas:

 

Paul Klee. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 26 jul. 2023.