quarta-feira, 13 de setembro de 2023

As tintas do artista (Parte 2 de 2)

 

 

Falo pela última vez sobre o pintor italiano Tintoretto. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, A dama que descobre os seios. Aqui é um retrato de pureza, no milagre de uma mulher lactante, numa lata de leite condensado, como numa Evita com cara de santa, numa Evita perniciosa e danada, assim como a cara de santa de Bruna Surfistinha, uma puta com cara de Leite Moça, com o perdão do termo chulo. Aqui é uma completamente inocente nudez artística, como no Éden antes da serpente da malícia e do pecado, num Adão e Eva cobrindo suas partes íntimas, como numa cultura que lida mal com a sexualidade, que é natural no Ser Humano, como numa certa psicóloga, a qual, para atender os pacientes, vestia, durante a sessão, uma camiseta com o desenho de seios, para mostrar que ela é mulher acima de tudo, e que temos que lidar de forma natural com sexo, como numa Sandy formada em Psicologia, vindo a público dizendo que masturbação é normal no Ser Humano, como uma amiga minha que se formou psicóloga, a qual, antes do curso, tinha problemas em relação à homossexualidade, numa pessoa que, para se tornar atuante na profissão, teve que aceitar com naturalidade a amor no mesmo sexo, uma pessoa que levou um “soco na boca do estômago”, por assim dizer, aprendendo uma árdua lição de esclarecimento científico, reconhecendo que ser gay não é doença. Aqui é como no gesto da célebre atriz pornô italiana Cicciolina, a qual, ao enveredar para a Política, vinha a público ostentando cartazes de protesto e, ao mesmo tempo, exibindo um de seus seios para os famintos fotógrafos, mostrando que o corpo humano é natural e belo, assim como na Arte, numa nudez de bom gosto, como na revista Playboy brasileira, num nu que era o sexy sem ser vulgar. A moça aqui é aristocrática, fina e bela, recatada, mas ousada ao mostrar os seios, remetendo aos seios de um filme de Hitchcock, numa mulher estuprada e assassinada pelo doente estuprador criminoso, com os seios majestosos da mulher expostos na violenta cena, remetendo aos dizeres deselegantes de um certo senhor, o qual dizia a uma mulher: “Só não lhe estupro porque você não merece”, ou seja, porque a mulher era feia – Jesus, que horror de misoginia. O tecido aqui é fino, chique, nobre, num efeito vaporoso, como numa galáxia fotografada por um supertelescópio, em vapores de luz cósmica, como no sonho belo e passageiro de um casamento, quando o calor da lua de mel esfria e o casal se depara com o dia a dia de um casamento, remetendo a um amigo meu, o qual, ao permitir esfriar o calor na relação, passou a se mostrar frio e distante, num casamento que naufragou e faliu, numa mulher que se deu conta de que se casou com o Radicci, o anti-herói grossão do genial cartunista Carlos Iotti. As pérolas aqui são a pureza, na magia de uma pérola dentro de uma concha, como na vitoriosa Vênus de Botticelli, emergindo das misteriosas profundezas do oceano mãe, num olor de mar, de liberdade, de praia, de surfe, emergindo e sendo revelada ao Mundo, como numa Vênus Gisele, a mulher que reina e impera no Mundo, ditando o padrão atual capilar feminino, que são cabelos ondulados, em mulheres ao redor do Mundo inteirinho imitando os cabelos de uma das mulheres mais notáveis da História. O cabelo da moça está impecavelmente aprumado, numa mulher com autoestima, que se arruma antes de sair de casa, ao contrário de uma pessoa que conheço, uma pessoa que não se gosta e não se arruma, uma pena, pois a primeira pessoa que devo amar é eu mesmo. O perfil da moça é majestoso, digno de um monarca de perfil numa moeda em seu reino, como no belo perfil de Vera Fischer em sua Playboy em Paris, na mágica cidade dos enamorados, com pessoas ao redor do Mundo querendo conhecer tal urbe, em pontos majestoso como o Louvre, dentro do qual eu desejaria passar um ano inteiro, tal a riqueza do acervo, na glória francesa dos reis sóis, fazendo de Paris o centro do Mundo civilizado, no modo como eu já ouvi dizer que os parisienses são um poço provinciano, mas digo além: O Ser Humano, de forma geral, é provinciano, como numa Nova York, querendo imitar Paris, na preferência do museu Met por obras europeias. Aqui é um quadro de luxo e bom gosto, num artista que tem a classe para produzir coisas de nos fazem cair o queixo.

 


Acima, A origem da Via Láctea. Toda a majestade de Tintoretto, numa cena tão rica, com tanto movimento e graça. Os pequenos querubins são anjinhos sacrossantos, numa nudez infantil tão inocente e pura, na pureza da nudez do Adão de Michelangelo, com um pênis tão diminuto, infantil, inofensivo, talvez num artista “monitorado” pelo Papa de então, no casamento entre Arte e Religião, resultando na Arte Sacra, como no Museu de Arte Sacra de Salvador, instalado num antigo monastério, na beleza e no clima agradável de tal urbe tropical. As aves são tal beleza natural, num rico zoo, em animais tão majestosos, fazendo da Terra uma esfera tão única no Cosmos, na fome humana por encontrar Vida fora de nosso planetinha azul. As estrelinhas são um sonho de brilho, num artista querendo ser reconhecido, em casos tristes como o reconhecimento póstumo, no sonho de um artista em ser consagrado ainda em vida, como no triste Oscar póstumo de Heath Ledger, no modo como a Academia de Hollywood ama atores que abrem a mão da vaidade e desfiguram-se para um papel, como no ritual de ordenação de freira, com os cabelos das noviças sendo cortados ritualisticamente, num indivíduo que abre mão da vaidade e da riqueza mundana, como em certas religiões que são caçaníqueis, explorando o fiel e arrancando dinheiro dos ignorantes – é um horror. Os anjinhos são a fertilidade, numa ninhada de cachorrinhos, como numa certa imagem de Nossa Senhora, cheia de anjinhos aos seus pés, no milagre da multiplicação dos pães, num reino farto e bem governado, com um governante generoso, que nunca fere o dia a dia pacato do cidadão, ao contrário de um certo déspota contemporâneo, o qual arranca dinheiro do cidadão para investir tudo em insano armistício, num país miserável, carecendo de estradas, escolas e hospitais, num líder cruel, o qual, com certeza, irá para o Umbral, a dimensão para os que não amam a Vida, nas palavras espíritas: Você não faz ideia de que estado espiritual são reduzidos os que são considerados felizes na Terra, ou seja, os ricos, no modo como já ouvi dizer: Uma pessoa rica só pode se manter são de trabalhar em alguma forma. A mulher aqui é a estrela da cena, no padrão de então de beleza feminina, numa mulher um tanto obesa, numa Europa em que a fartura de alimentos só era acessível às moças de classe social mais elevada, no modo como os padrões de beleza mudam muito com o tempo, chegando aos dias de hoje, nos quais só é considerada sexy uma mulher que esteja na antessala da Anorexia, num cruel padrão que atinge em cheio a autoestima da mulher, como em dolorosos implantes de silicone nos seios, considerada sexy uma mulher subnutrida, no peito da qual os ossos das costelas ficam salientes – é um horror. Aqui, a cama é o repouso e o sonho, numa cama digna de rainha, no glorioso momento de repouso, na sabedoria de uma pessoa que ver que a Vida precisa de pausa, de intervalo, como numa pausa num turno em uma escola, num espaçamento, num respiro. O homem esvoaçante tem um papel discreto e coadjuvante, e está de costas para o espectador, como no formidável videoclipe Too Funky, de George Michael, que Deus o tenha, o clipe no qual o homem, num discreto papel sutil, filma as supermodelos numa passarela, em deusas como Linda Evangelista, num talento como o de uma Marilyn, na capacidade de certas pessoas em deslumbrar o Mundo, produzindo ícones de gerações inteiras, como na geração de meus pais, a geração Elis Regina, no modo como cada geração tem seus expoentes, como na geração Marisa Monte, a artista com bom gosto para selecionar repertório, ao contrário de Fafá de Belém, uma voz excelente que grava canções bregas e desinteressantes. Aqui os tecidos são finos e vaporosos, como num romântico lençol de cetim, em amantes em puro êxtase de amor, numa pessoa que sabe o que é trepar muito bem trepado, com o perdão do termo chulo. A mulher é a nutrição e a estrutura de casa, numa matriarca zelosa, com a força para manter coesa uma família.

 


Acima, Adão e Eva. Aqui é todo esse machismo de colocar a mulher como a culpada pelos males do Ser Humano, havendo no oposto a Virgem, à qual foi negado ter sexualidade. É o mito de Medusa, um monstro, na capacidade de certas pessoas em se tornarem tais monstros, destacando-se no Mundo, causando comoções, indo ainda além do status de celebridade ou estrela, pois não me canso de falar de Gisele, um monstro sagrado, numa pessoa que se deu tão bem financeiramente, ao ponto de comprar para os próprios pais um luxuoso apartamento em Porto Alegre, dando aos pais uma mesada para estes viverem na capital gaúcha, algo que não é oneroso a Gisele, pois esta é remunerada em dólares, a moeda que tanto desvaloriza o pobre Real brasileiro. O centro das atenções é Eva, pois Adão está anônimo, de costas para o espectador, fazendo aqui de Eva uma obraprima, no oposto bíblico, no qual a obraprima de Deus é Adão, fazendo de Eva um arremedo com a função de reprodução da espécie, no modo como o Patriarcado se impõe para compensar o supremo poder feminino, que é trazer vida ao Mundo, nas palavras de uma canção de Cher: “É um mundo de homens, mas nada seria sem uma mulher ou menina”, no poder do Vaticano, numa freira reduzida a tal papel coadjuvante, em mulheres que podem ser beatas ou santas, mas que não podem ser um papa, em figuras feministas como Hatshepsut, a mulher que se impôs ao Egito, assumindo o papel de faraó, num Egito no qual o máximo a que uma mulher podia chegar era ser a grande esposa real do faraó, num Egito de homens, com seus reis agressivos, esmagando militarmente os reinos que não se curvavam perante tal faraó, em pirâmides pontiagudas, espinhosas e agressivas, dando um recado claro: Não se oponha à ordem vigente, nos impérios que ascendem e descendem, permanecendo a humildade de Jesus, um homem que nunca foi um rei no Mundo, mas que adquiriu o título de “Rei dos reis”, num pensamento tão poderoso e inoxidável, repercutindo para sempre em todos os ramos de Cristianismo, em choques como entre o Vaticano e a Inglaterra, na luta desta por uma soberania, numa Europa em que nem a toda poderosa Espanha ousava contradizer o Santo Padre. Adão aqui está relutante, indeciso, como na maçã que envenenou a Branca de Neve, numa tentação, na culpa católica em relação a prazer, nos gostosos pecadinhos capitais, como a Luxúria, num casal sexualmente feliz, ou no pecadinho da Preguiça, como ficar numa cama mais tempo do que o necessário, no modo católico de impor a Disciplina, a qual, sei disso, é muito importante. Bem ao fundo no quadro vemos um anjo luminoso expulsando o casal do Éden, na imposição do poder divino, no poder da Divina Providência, tecendo as nossas vidas, com pessoas passando umas pelas vidas das outras, com amizades sendo feitas, fazendo dos amigos tal ouro da Vida, no famoso espírito Patrícia, o qual, ao desencarnar, perguntou onde estava, e um espírito amigo disse-lhe: “Entre amigos!”, num plano onde ninguém quer enganar ninguém, sabendo o valor da palavra de um homem, no caminho da virtude, que é Tao, a verdade eterna, fazendo a mentira perecer e findar – a paz é maior do que a raiva. Antes da maçã, era o paraíso, com alimento à vontade, como numa farta galeteria, onde comemos como reis. O tronco da árvore é a força, a firmeza e a sustentação, na garantia de Tao em relação ao Reino dos Céus, nos quais só os humildes podem entrar, deixando para traz os orgulhos mundanos, como eu já disse: Ayrton saiu de cena; Ayrton saiu de Senna. O Éden aqui é tal jardim maravilhoso, no modo como é o paraíso os que gostam de ser manter ocupados em algo nobre e produtivo, ao contrário de um ator pornô: apenas comer bocetas não é talento, com o perdão do termo chulo, numa pessoa que tem que fazer algo mais do que só puxar ferro numa academia. Aqui é o momento em que o coração dos homens perece perante o Anel do Poder de Tolkien. Aqui é o momento crucial que selou o destino humano, tudo por culpa de uma mulher, remetendo a uma pseudointelectual, a qual nada mais faz do que plantar a discórdia entre os seres humanos – você não me engana, sua pseudointelectual!

 


Acima, As Musas. Aqui é a glória metafísica de beleza, limpeza e higiene, num lugar onde há beleza e limpeza por todos os lados, na magia de um perfume de incenso. Aqui é uma identidade exclusivamente feminina, num “Clube da Luluzinha”, como uma rainha à vontade no seu séquito de aias. Ao fundo vemos uma arrebatadora explosão de luz divina, nas luzes de liberdade do Espírito Santo, na promessa do “dia de soltura”, por assim dizer, no fato de que, para morrer, basta estar vivo. Aqui há um perfume musical no ar, como num artista de Rua, o qual não é um mendigo, mas uma pessoa que está trabalhando, num bálsamo para os ouvidos, numa pessoa tão fina e tão pobre, dependendo da generosidade de casuais espectadores, no modo como já houve em Caxias do Sul várias edições do Festival de Música de Rua, com artistas se apresentando pela cidade, num artista tão pouco reconhecido e tão pouco valorizado. Aqui é um continuum como numa banda de música, com cada membro fazendo sua função, no modo como é complicado uma banda se mostrar una durante décadas de carreira, como num U2, tendo que haver MUITA paciência para um aturar os defeitos do outro, como vi certa vez na TV uma reunião da boyband Backstreet Boys, com os rapazes gritando uns com os outros, como me disse um certo senhor: “Até hoje estou casado com minha esposa porque ela atura meus defeitos!”, como num outro certo casal, numa senhora que atura, por mais de meio século, um marido fumante, como se ela dissesse: “Não é perfeito, mas é o meu marido, e eu o amo.”, na sabedoria popular de que ninguém é perfeito. Aqui é tudo fluidio, sem arestas ou pontas, ou agressividade, numa comunhão, como no momento de comunhão na missa, num momento de união comunitária onde todos entendem como todos se sentem, na capacidade de um bom líder em traduzir os anseios de seu próprio povo, num líder que sabe que tem que respeitar o cidadão e súdito, nunca interferindo no dia a dia pacato do cidadão de bem, fazendo com que o cidadão comum se sinta parte de uma família imperial, num ato de comunhão entre irmãos, no fato metafísico de que somos todos irmãos, príncipes filhos do mesmo Rei, no Pai, criador de tudo, nas profundezas intraduzíveis do infinito, no presente da vida eterna, no poder de que nunca findaremos, num mistério eterno e maravilhoso, como num Neo em Matrix, num processo cognitivo, numa pessoa que descobre a verdade sobre si mesma, numa pessoa que se descobre uma escrava da Sociedade de Consumo, na lógica: “Tenho que acordar, ir trabalhar e ganhar dinheiro para adquirir produtos e bens de consumo, como um celular último tipo ou uma roupa de grife”, num indivíduo que se descobre escravo de um sistema insano de infinito consumo, numa pessoa que, num caminho de esclarecimento existencial, dá-se conta de que é uma escrava, não mais expondo seu próprio pescoço aos barões vampirescos do marketing consumista. Aqui é como na magia de bandas como as Spice Girls, numa banda colorida, com cada integrante com suas próprias características, como plateias de menininhas histéricas com meninos não ofensivos, como na febre dos anos 1980 da banda portorriquenha Menudo, revelando Ricky Martin, o qual é um grande talento e carisma num longo caminho de carreira, numa luta que não cessa. Aqui é a beleza do corpo feminino sem censuras moralistas, como numa impactante Meryl Streep nua no início de um filme em que interpreta uma proletária esmagada pelo patronato, numa nudez pertinente e respeitável, como numa peça teatral de Gloria Menezes, interpretando uma paciente de Câncer, aparecendo nua no final do espetáculo, num ato de altivez e coragem. Aqui é o sonho de tecidos vaporosos, extremamente finos, em tecidos tão gostosos ao toque, fazendo metáfora com a polidez e o carinho de um espírito apurado, um espírito o qual, por mais elevado e depurado que seja, jamais deixa de amar um de seus irmãozinhos, na força do Yin que é o Amor, o qual durará para sempre, em amigos gratos, eternamente gratos, nunca se esquecendo de um bom amigo – é a glória.

 


Acima, Danae. Tintoretto gosta de colocar figuras femininas em primeiro lugar, como na famosa mãe nua de Dalí, no continuum entre “mãe” e “mar”, vindo do Mar a origem da Vida na Terra, no termo chulo “bacalhau” para definir o odor natural da genitália feminina, como numa feira de peixe vivo antes da Páscoa, com o odor libertário marítimo preenchendo o ar na feira, na sensualidade das ondas indo e vindo, respirando, vivendo, num coito incessante, no modo como a Vida é o nervo da Arte, como em religiões pagãs antigas, projetando divindades em aspectos da Natureza, como no antigo panteão egípcio, com deuses com cabeça de chacal, crocodilo, gato etc., na ruptura cristã de estabelecer que não há deuses, mas nossos irmãos depurados que nos regem em impecabilidade moral, no modo do antigo grego em se referir ao Olimpo, habitado pelos deuses, como a Dimensão Metafísica, cheia de cor e vida, de deuses lindos, de alegria, da felicidade dos que produzem, como na inauguração de um shopping, com frescor incessante de novidade, numa Paris vibrante, ditando frescor de Moda ao redor do Mundo, na universalidade da beleza metafísica, em diferenças culturais que acabam se mostrando ínfimas, na universalidade da Arte, visto que os macacos não produzem artefatos ou artesanato. A mulher desejável está aqui sendo cortejada, numa posição de poder, coberta com moedas, talvez uma prosti, no divertido videoclipe de Material Girl, em homenagem ao mais esmagador ícone feminino da História – Marilyn Monroe, em produtos de sedução eterna, como o perfume Chanel número cinco, numa Paris tão perfumada, mas tão sujinha, como um professor que tive, o qual, ao viver na França, “afrancesou-se”, por assim dizer, tornando-se um homem que pouco banhos tomava – é repulsivo, meu irmão, pois ser limpinho é essencial, na recomendação espírita: Mantenha-se limpo! O homem aqui está seduzido, de joelhos, como num homem que quer respaldar uma moça, no filmão Uma Linda Mulher, na moça comum e pobre que é alçada por um príncipe rico, numa ascensão social, no jogo de sedução entre chique e rico, os quais podem ou não podem andar juntos, na magia de uma mulher com flores silvestres no cabelo, num adorno que não custou um único centavo, produzindo um efeito chique e belo, como nos majestosos jacarandás de flores roxas em Porto Alegre na Primavera, cobrindo as calçadas de flores, no momento em que a libido renasce em toda a sua força, em flores silvestres que não precisaram ser plantadas pela mão humana. O aspecto das luxuriantes cortinas parecem o aspecto da genitália feminina, no cruzar de pernas corajoso de Sharon Stone, numa misteriosa caverna, num receptáculo, produzindo a gíria “racha” ao falar de meninas ou mulheres, em referência ao aspecto da genitália feminina, um termo um tanto misógino, sinto em dizer, na dureza da mulher em suportar as dores de cólicas menstruais. Abaixo no quadro, de uma forma bem discreta, vemos um cachorrinho repousando – é o retiro do lar, da muvuca, da casa, do descanso, como num espírito recém desencarnado, repousando muito para abraçar depois a volta ao Lar Metafísico, o Lar de todos nós, no milagre da comunhão, havendo na criancinha um “residual” de lembrança da Vida Metafísica, recém vinda dos Céus, na mensagem cristã: Às criancinhas pertence o Reino dos Céus! Este quadro traz prenúncios de Barroco, com um jogo entre claro e escuro, numa relatividade, pois se digo que algo é liso, é porque conheço o oposto, que é áspero, pois se vemos que a mulher é protagonista, é porque vemos, ao lado, o homem coadjuvante. Aqui é o modo como Newland idolatrava Ellen em A Época da Inocência, num amor impossível, numa mulher que acaba por rechaçar o amante, sabendo, em dignidade, que a amante está abaixo da esposa – se é para ser a fulaninha de alguém, então é melhor que você fique sozinha! A mulher aqui é o privilégio, como em pessoas que vivem de rendas de aluguéis de imóveis, só podendo se manter sãs se trabalharem.

 


Acima, Vênus surpreendida por Vulcano. A mulher e o menininho formam o binômio mãe-filho, nos instintos femininos de proteger os mais vulneráveis, num básico instinto, como certa vez, ao eu me aproximar de um ninho de pássaros, a mãe pássaro quase arrancou um olho meu, no instinto de preservação da espécie, no instinto feminino em proteger homens de aparência frágil, como num Woody Allen, numa espécie de “macho sensível”, no modo como as mulheres gostam de homens sérios, porém românticos, no eterno exemplo de Dona Flor e seus dois maridos, com o homem do dinheiro e o homem do cacete, com o perdão do termo chulo. Na janela vemos um fino cristal, que é a transparência, como num amigo verdadeiro e transparente, que não quer nos enganar ou trair, no modo como o sociopata é tal amigo falso, uma pessoa que, no fundo, quer nos ver arruinados – é um horror, no modo como precisamos detectar e evitar tais relacionamentos tóxicos e perigosos. Aqui, o mínimo tecido que cobre a genitália de Vênus é provocante, no modo como um corpo todo nu não é tão erótico, como na Rose em Titanic, sexy ao estar quase nua, usando apenas um colar precioso, numa mulher gritando para se libertar de tal vidinha burguesa de socialite, como numa Dercy Gonçalves menina, fugindo de casa para se juntar a uma trupe circense, nas palavras da própria diva: “Eu sou mambembe!”. Ao fundo vemos um reflexo, um espelho, que é símbolo de beleza e feminilidade, como no enigmático espelho de Galadriel de Tolkien, um espelho mágico que revela o presente, o passado e o futuro, numa magia feminina, no modo como o puritanismo americano executava mulheres acusadas de bruxaria, nesta especialidade humana que é a crueldade, numa infeliz Mary Tudor queimando pessoas vivas em fogueiras, num incrível ódio instalado no coração de tal líder, fazendo isso dizendo agir em nome de Jesus, porém fazendo algo que Jesus jamais faria. Vênus aqui está revelada ao Mundo, nascendo e despontando como uma estrela, no mito da Gata Borralheira que se tornou princesa e, depois, rainha consorte, com muita sorte, na relação certeira entre labor e êxito, numa pessoa guerreira, que sabe que não há vitória sem luta, nas palavras de uma certa médium espírita: “Deus não quer que nós nos atiremos nas cordas do ringue da Vida”. O homem está ansioso em despir a deusa, num esclarecimento de mistérios, como numa aranha de fino cristal, bela, mas quase assustadora, terrível em apuro, como numa bolsa de mulher sendo aberta, com coisas internas sendo reveladas às luzes racionais do Yang, na beleza fria dos números, no infinito dos números, infinitos, meu irmão, no modo como é duro para o Ser Humano entender o infinito, que é Deus, num Cosmos tão vasto, tão além da compreensão humana. O nenê repousa profundamente, numa paz inabalável e plácida, como numa plácida vizinhança, onde ninguém quer enganar ninguém, no modo como a vida é um inferno para os que carecem de apuro moral, nas palavras de uma certa psicoterapeuta: “Os sociopatas são pessoas que sofrem”, pois, na falta de amor ao meu irmão, sinto-me só, numa desolação, como vagar por uma inóspita cidade fantasma. O véu aqui são brumas, como nas Brumas de Avalon, na transição do culto pagão à Grande Mãe, à Deusa, para o culto de Nossa Senhora, na Ísis egípcia, no arquétipo feminino, na universalidade de tal aspecto feminino, como na Vênus aqui, pura como leite, na casta donzela Arwen de Tolkien, a estrela vespertina do povo élfico, entregue pura e casta ao marido rei – é muito machismo, meu irmão. Vemos um cachorrinho desperto, talvez um guardião de Vênus, neste amigo do homem, num bicho autêntico, que deixa muito claro quando está ou não está gostando de algo, num velho e bom amigo, numa amizade que resiste bravamente à passagem do tempo. O cômodo aqui é aristocrático, com elegantes janelas vítreas, na revolução que o Vidro causou na Humanidade, numa coisa tão simples como óculos, derivando para os telescópios, na sede humana por conhecer o que nos cerca.

 

Referências bibliográficas:

 

Tintoretto. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 30 ago. 2023.

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

As tintas do artista

 

 

O italiano de nome artístico Tintoretto (1518 – 1594) foi pioneiro do Barroco com suas perspectivas e efeitos de luz, um artista conhecido como “O furioso”. O pai do artista tingia seda – daí veio o nome “Tintore”, mais tarde surgindo o apelido diminutivo do filho de tal tingidor. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Musas. A inocência da nudez antes do pomo da malícia no Éden, fazendo de uma mulher a fonte de todos os males da Humanidade, numa misoginia ancestral e indestrutível, infelizmente. Aqui é como as artes estão umas dentro das outras, e podemos ouvir uma fina música pairando no ar, como num lugar de clima agradável, com uma fina melodia no ar, nos ares metafísicos, numa dimensão em que tudo é fino e em que a beleza e a limpeza imperam soberanas. As belas musas são a inspiração, num dom para se fazer algo, como no célebre escritor gaúcho Moacyr Scliar, um médico que começou a escrever como hobby e acabou reconhecido por tal, na sabedoria popular de que Deus escreve certo por linhas tortas, no modo como nada acontece exatamente como prevíamos, num delicioso imprevisível que acaba se mostrando engraçado e divertido, no grande piadista que é Tao, trazendo tantos palhaços maravilhosos como Mr. Bean – quem é palhaço o será estando ou não remunerado por tal, trazendo alegria ao Mundo, como numa cigarra cantando no Verão, na sabedoria popular de que rir é o melhor remédio. Aqui temos atividades intensas, numa dedicação, num artista que sabe que tem que desenvolver disciplina, como uma certa professora de Dança que conheci, uma pessoa que aprendi a respeitar, uma professora extremamente exigente em questão de disciplina, num bom professor, que cobra do aluno, como uma dura professora de Filosofia que tive, uma pessoa da qual jamais esquecer-me-ei; uma pessoa que me ensinou Santo Agostinho, um dos “musos” do Espiritismo, no conceito básico de que somos feitos de algo finito, que é a carne, e de algo infinito, que é o espírito, no glorioso dia de libertação que chegará – o Desencarne, na imagem de esperança do Espírito Santo, na crença de que um mundo MUITO melhor e MUITO mais nobre nos espera, numa dimensão onde não há guerras, e sim infinitas amizades, na Eternidade para guardarmos grandes amigos em nossos corações, na infinitude do Amor, que é tudo o que importa, pois de que adianta eu ser inteligentíssimo e ser um Adolf Hitler? Aqui temos uma equipe que funciona em harmonia e concórdia, como num time coeso, numa equipe coesa, sob a luz de um bom líder técnico, nas pressões em cima de grandes atletas, sofrendo as pressões de um país inteiro para que tal equipe traga para casa uma tão sonhada taça, no modo como a vida exige que tenhamos uma estrutura psíquica muito forte e humilde, pois quem é humilde não quebra a cara, como na fábula da lebre e da tartaruga, sendo esta subestimada, vencendo, assim, a corrida – nunca seja previsível; surpreenda o Mundo! Aqui é como a Arte se empenha para mostrar a beleza do que foi concebido por Tao, na beleza do corpo humano, na beleza de um majestoso cavalo, na capacidade de uma pessoa em portar tal majestade, como nos vastos Campos de Cima da Serra, RS, com pastagens vastas como tapetes verdes até onde se perde a vista, no modo como Tao coloca um pouco de majestade em tudo o que faz, como na magia de plátanos dourados no Outono, tingindo de dourado urbes cinzentas como Nova York, no modo como os campos e florestas vestem roupas tão maravilhosas, chegando a um ponto em que temos que ter a noção ecológica de preservação, pois o Ser Humano não tem mais para onde ir, pois  o Cosmos é absolutamente hostil ao Ser Humano. As moças aqui têm um ar aristocrático, pois seus cabelos estão impecavelmente aprumados, diferentes de uma camponesa humilde, que se descabela em meio às árduas tarefas rurais, num Mundo tão repleto de abismos sociais. A nudez é a simplicidade, no modo como viemos de um útero, na metáfora do Útero Imaculado de Maria, a tentativa de fazer com que o Ser Humano compreenda a Imaculada Conceição que a todos nós gerou. Aqui é um artista dedicado em sua própria arte.

 


Acima, Nascimento de João Batista. A mulher amamentando é a pureza, como em escravas negras amas de leite, amamentando as crianças aristocráticas, numa relação de confiança e proximidade, com mãos nuas de escravas cozinhando, remetendo a uma talentosa cozinheira de minha irmã, na Bahia, uma cozinheira de mão cheia, fazendo delícias de pratos, numa mulher que aprende a cozinhar para o marido, “fisgando” este pela boca. O leite é o amor de mamíferos, em queijos deliciosos como o de cabra e o de búfala, causando pavor aos veganos, pessoas as quais não podemos presentear com chocolate ao leite. O bebê aqui é o centro das atenções, no modo como a criança pequena se torna o centro de um núcleo familiar, trazendo, desde muito cedo, o senso de responsabilidade aos irmãos mais velhos, os quais introjetam, desde cedo, que têm que cuidar do irmãozinho, como um primo meu, que ficou apelidado como “Mano” após o nascimento de sua irmãzinha mais nova. A santa mãe tem uma aura brilhante, como numa alma emoldurada por uma cruz, numa plenitude de preenchimento espiritual, num espírito ativo, atuante, que sabe que não pode parar de trabalhar, nas palavras sábias de uma amigona minha de Porto Alegre: “Não se descuide de sua faculdade!”, e não são amigões aqueles que querem nos ver crescer, evoluir e obter êxito? Que amigo é este que tenta me aliciar para a drogadição? Que amigo é este o qual não se importa se estou em ou mal? João Batista não foi um príncipe, mas um homem simples, do povo, assim como Jesus. Mas a cena aqui é aristocrática, num Tintoretto que tanto ama classes abastadas, no modo como já ouvi que quem gosta de pobreza é intelectual – será que é verdade? As roupas aqui são majestosas, dignas de realeza, como as vestes de rainha na Pietà de Michelangelo, algo distante da Maria real, uma humilde esposa de carpinteiro. Ao fundo no quadro, uma mulher exausta, quase morrendo, podendo ser a mãe real de Batista, exaurida depois de um longo trabalho de parto, rezando a lenda de que a Princesa Isabel passou por dois dias inteiros seguidos em trabalho de parto – como é duro ser mulher! A mulher no leito é a fragilidade e a vulnerabilidade, em coisas infelizmente comuns como acidentes de carro, como num traumático acidente de carro que sofri há anos com minha família, causando à minha mãe a dor de cinco costelas fraturadas, num episódio em que o cinto de segurança salvou, ali dentro do nosso carro, várias vidas. A criança aqui está cercada de todos os cuidados, numa criança cercada de privilégios, como morar num palacete e estudar em instituições particulares de ensino, em pais se empenhando em dar o melhor ao filho. O longilíneo homem à direita é o Batista adulto, talvez num homem observando sua própria infância, num túnel do tempo, como no Cidadão Kane, um menino que desde muito cedo sentiu a dureza da Vida, um menino que teve que se separar de seu estimado trenó de neve Rosebud, trazendo o nome deste aos lábios de um Kane em leito de morte, suspirando por uma época da Vida em que as coisas eram mais simples, como no filme O Império do Sol, num rapaz que iniciou a II Guerra Mundial como menino e acabou esta como homem, numa dura lição de crescimento e responsabilidade, num homem entalhado pela dureza da Vida. A escada ao fundo é um acesso, uma saída, talvez numa saída para uma crise, pois já me disse uma psicóloga que as crises são positivas, pois estas assinalam um ponto de renovação na vida da pessoa. A escada é a evolução, na evolução dos primatas na Terra, no choque no início do classicão 2001, com a rude ferramenta de osso suplantada por sofisticadíssimas estações espaciais, na figura do poderoso monólito, o qual, inevitavelmente, se parece com um telefone celular, nos cânones de civilização, trazendo o ponto de reviravolta que foi o surgimento da Escrita. No chão um gatinho assiste a tudo prostrado, como num rei que foi destronado, como no irmão mais velho, que percebe que não é mais o nenezinho da casa, nos necessários “desmames”, por assim dizer.

 


Acima, O milagre do escravo. Aqui é a intervenção divina, na deidade caindo dos Céus, na promessa de Jesus sobre um reino perfeito que paira sobre nós. A deidade é tal iluminação, tal evolução, na força da Divina Providência, tecendo vidas e mapeando reencontros, no modo como a Vida nos dá oportunidades eternas em se fazerem amigos, pessoas das quais não nos esquecemos, em pessoas que nos fizeram gestos nobres de amizade, na Vida Eterna que carrega tais relacionamentos, na eternidade da gratidão, como em espíritos que fizeram algo de muito bom para nós aqui, na Terra. A construção ao fundo é cânone ocidental de beleza e arte, com imagens de deidades pagãs, no grego antigo ao dotar de deidade aspectos da Natureza, como na deusa Eos, a deusa dourada da aurora, na beleza vencedora e avassaladora, em navios que nos levam para terras melhores, num lugar magnífico, no qual não há desemprego, mas empregos bons, “tesão”, por assim dizer, empregos que exigem de nossas cabeças, não sendo empregos meramente subservientes. É como no tesão comunitário em torno da Festa da Uva, com comerciantes decorando tematicamente suas vitrines, na força da tradição, a qual nos dá a sensação de que o Tempo não passa. O humilde escravo nu jaz humilhado, tal qual Jesus na cruz, havendo acima a deidade enviada por Deus, acolhendo uma alma de homem simples, como no final redentor do conto popular gauchesco O Negrinho do Pastoreio, um jovem escravo negro o qual é cruelmente executado por seu senhor, sendo o Negrinho, após o desencarne, acolhido por Nossa Senhora, num glorioso retorno ao lar, ao qual todos pertencemos, no título da obraprima de Xavier, Nosso Lar, na mensagem de que somos uma irmandade e de que o Ser Humano, em sua espiritualidade, é universal, fazendo do racismo o crime de se dizer que dobermann não é cachorro, o qual o é sim. Ramos de hera se curvam na força da Vida, na força da Natureza, num Homo sapiens que via divindades em aspectos da Natureza, vindo a Revolução Científica mostrando que são forças da Física, no conceito de gravidade ofendido por terraplanistas, os quais são a prova de como a ignorância pode ser prejudicial. Neste cenário temos toda uma comoção, como numa grande obra de Arte causando comoções, como em filmes contundentes, que arrastam multidões aos cinemas, em blockbusters como Parque dos Dinossauros, num Spielberg de tanto talento, como se pudesse adivinhar o que o espectador quer ver, num homem que permaneceu humilde e discreto, pacato, sabendo que o bom diretor tem que amar a Sétima Arte, pois fora do Amor não há salvação, apesar do Amor ser tão subestimado pelo Ser Humano, em episódios insanos como a atual Guerra da Ucrânia, num Putin que não está contente em seu próprio e vasto território, num Ser Humano que quer poder, poder e mais poder, numa sede insaciável de um terrível Napoleão. Na esquerda, uma mãe segura uma criança, protegendo esta – é o zelo materno, poupando o filho das cruéis asperezas mundanas, como comunistas fuzilando inocentes crianças de realeza russa, num ato que causou escândalo na Europa da época, em violentas rupturas como a Revolução Francesa, ou o malogrado golpe de estado do oito de janeiro, em Brasília, na capacidade humana em nome da brutalidade, a qual perece perante o delicado, que é o tato diplomático, sempre primando pela paz e pela amizade, pois quando a diplomacia sai de cena, entra a guerra, a qual deixa rastros de fome e destruição. Aqui é a comoção que causam as mortes de certas pessoas, como na comoção da morte de Diana, fazendo a rainha da Inglaterra voltar atrás e reconhecer a verdadeira importância de tal mulher, numa mulher que foi mais longe do que muitos homens, num carisma tão esmagador, raro e excepcional. Vemos alguns cavalheiros de armadura, que são a proteção e o resguardo, numa blindagem, numa pessoa que aprendeu a dizer “não”, adquirindo o controle sobre sua própria vida, num passo decisivo, que é rechaçar as expectativas que as pessoas têm de mim.

 


Acima, Paraíso. Acima no quadro temos um furacão, uma comoção, numa pessoa causando comoção nacional, como no boom de uma Gisele, a menina comum – gata borralheira – que virou princesa – Cinderela –, como numa jovem Diana sendo revelada ao Mundo, num Mundo que não fazia ideia do quão longe tal inglesinha iria. Aqui é como num dos polos de Saturno, numa tempestade hexagonal perene, nas forças cósmicas que tanto intrigam o Ser Humano, na corrida entre países para ver quem chegará primeiro a Marte, num Cosmos tão hostil ao Homem, em mundos tão hostis como Vênus e seu esmagador efeito estufa. Aqui temos uma organização hierárquica, em tudo girando em torno de Tao, da saúde, da limpeza, numa pessoa de atitude minimalista, preguiçosa, por assim dizer, uma pessoa que, quando precisa tomar ação, faz somente o necessário, como num rei que se vê acuado, pressionado a tomar ação, como no atual presidente da Ucrânia, forçado a tomar atitudes em relação ao malévolo Putin, o homem que é a prova de que quanto mais ambicioso, mais infeliz. Aqui é como no dia do Juízo Final, julgando os vivos e os mortos, um dia não crível aos espíritas, tecendo uma relação de continuidade entre Céu e Terra, num espírito que, desencarnado, nota a necessidade de trabalho e aprimoramento, talvez num espírito se preparando para encarar uma nova missão na Terra, no modo como Tao sempre, sempre dá uma nova chance, num Pai paciente, que quer o melhor para o filho, fazendo do Plano Metafísico o Éden para os que querem trabalhar e tocar a vida para a frente. Aqui é no formato de um tribunal de inquisição, numa pessoa sendo impiedosamente questionada, na crueldade humana de queimar pessoas vivas numa fogueira, numa sanguinolenta Mary Tudor, dizendo agir em nome de Jesus, mas fazendo algo que Jesus jamais faria, havendo no Umbral a dimensão infeliz dos que não amam a Vida e nem amam seus irmãos. Aqui é como no formato do programa de entrevista Roda Viva, da TV Cultura, no convidado entrevistado no centro das atenções, como num controverso fotógrafo italiano, da grife italiana Benetton, havendo em tal homem um ato de zombaria, dizendo que o formato do programa lembrava uma inquisição católica. Aqui é como num congresso, como na Câmara dos Deputados ou no Senado, com os políticos eleitos discursando, talvez ouvido por uma plateia indiferente, como disse Clodovil em seu primeiro discurso como deputado eleito: “Isso aqui parece uma feira de frutas e verduras!”, numa plateia indiferente, na luta de um político em defender suas causas, como numa Heloisa Helena, criticando as “elites retrógradas”, nas palavras da política. Aqui é como numa hierarquia dentro de uma empresa, como no divertido filme O Diabo veste Prada, com uma poderosa editora de Moda, praticamente temida por seus subalternos, espalhando terror dentro de uma empresa, talvez numa pessoa buscando pretextos para ser grosseira, na ironia de que se trata de uma editora de algo fino, que é Moda. Ao topo vemos uma decisão de cúpula, como na rigorosa hierarquia militar, havendo no subalterno o juízo para não contradizer o seu superior, havendo sistemas de punição aos insubordinados, sendo isso uma cópia tosca da hierarquia espiritual, a qual se impõe por meio de fineza e apoio moral, ao ponto de um espírito fazer questão de obedecer ao seu superior espiritual. Aqui é como numa cena de um dos filmes da superfranquia Star Wars, numa gigantesca câmara de representantes de esferas de uma mesma galáxia, num duro, cruel e assustador Darth Vader, o qual, apesar de ter enveredando para o Lado Negro – para o Mal –, acaba se arrependendo, pagando com sua própria vida para salvar o filho Luke Skywalker, numa mensagem de esperança, na libertação do Espírito Santo, no Bem que sempre acaba se impondo – ninguém está no Umbral para sempre, pois a depuração é o caminho natural, como um rio fluindo para o mar. Na cúpula aqui, temos os espíritos perfeitos, nossos irmãos depurados que gozam da Suprema Felicidade.

 


Acima, São Jorge e o dragão. É claro que a lança de São Jorge é o falo que penetra na fechadura, que é a vagina, libertando a mulher de sua torre de confinamento, como no conto de Rapunzel, numa mulher que projeta num homem o próprio lado masculino de tal mulher, sendo algo inevitável nos casais heterossexuais, com ele personificando o Yang dela e ela personificando o Yin dele, como na tradição japonesa – viu como o Ser Humano é universal? –, com o sisudo e antipático homem caminhando na frente da própria esposa, a qual está sorridente, receptiva e gentil, devidamente trajada nas vestes tradicionais japonesas, como cumprimentar um casal heterossexual – se cumprimento apenas o homem ou apenas a mulher, o casal está cumprimentado. O dragão é o caos, a crueldade, num estágio animalesco de Ser Humano, em primatas peludos, sem roupas, animais abatendo outros animais, no início do filme 2001 – viu como gosto de tal película? –, com primatas devorando animais sem qualquer noção civilizatória de polidez à mesa, num profundo contraste em relação ao cavalheirismo e à civilidade, nos valores civilizatórios como boas maneiras à mesa, como no insano Denethor, personagem tolkiano cujo caráter foi carcomido pelo poder, comendo de forma animalesca, mostrando se distanciar da civilização. Acima no quadro vemos uma figura de redenção, com Tao guiando os mundos, no caminho de esclarecimento do Ser Humano, nas luzes do conhecimento, nas palavras positivistas da bandeira nacional brasileira, em cidadãos trabalhando por tal bandeira, apreendendo drogas em aeroportos e aprisionando tais traficantes, num cruel traficante que só quer ganhar dinheiro, sempre dinheiro, num traficante que pouco se importa com as vidas destruídas de usuários e com a violência urbana que o Narcotráfico causa, no modo como o Ser Humano pode ser tão egoísta, indo contra o caminho do Amor, que é ver que temos muitos irmãos, nossos iguais, havendo em Jesus nosso irmão depuradíssimo, trazendo noções civilizatórias a uma planeta Terra tão cheio de problemas, num legado que por tanto tempo perdurará, no maior pensador da História da Humanidade, na ironia de que se trata de um homem simples, que veio de uma família simples, e não de alguma família poderosa de realeza. Aqui é a imagem idealizada do príncipe encantado, o qual, sinto em dizer, jamais chegará, havendo em menininhas a ingenuidade da juventude, em poderosas e populares boy bands, a bandas de meninos bonitos e inofensivos, como em revistas para jovens meninas, no endeusamento de tais meninos, numa figura idealizada, muito longe das reais imperfeições do Ser Humano. O homem caído é a derrota, numa pessoa que chegou a uma situação de rua, querendo fugir da seriedade da Vida, escondendo-se por calçadas duras, sujas e frias, tal o desejo de tal pessoa em não querer encarar a lida, ao contrário das pessoas realistas, que encaram a luta da Vida, no caminho de disciplina – tenho que fazer algo de produtivo, ao contrário de um cineasta pornô, o qual nada está construindo, sem eu aqui querer ser moralista ou careta. A moça foge com vestes majestosas, nessas mulheres lindas de Tintoretto. É como numa donzela indefesa, colocando “a faca e o queijo” nas mãos de um homem, como na menina que vai direto dos braços do pai para os braços do marido, numa mulher que precisa adquirir o controle sobre sua própria vida, num caminho de emancipação, na luta de feministas em combater as misoginias patriarcais, nas quais à mulher não é permitido ter sexualidade, havendo figuras feministas libertárias como a colossal e altamente controversa Madonna, a qual, sinto em dizer, só será devidamente reconhecida postumamente, deixando no Mundo um legado SUPREMO, numa mulher corajosa, valente, forte. O cavalo aqui é a majestade, num bicho tão belo e altivo, num bicho civilizado, domesticado, domado. O cavalo potente é o ímpeto, num artista que desafia o Mundo. Ao redor na cena, uma natureza bela e exuberante, na beleza das riquezas naturais de Tao, o grande designer. Este quadro é um ponto de reviravolta.

 


Acima, Tarquínio e Lucrecia. A riqueza da beleza humana. A estátua tombada ao chão é um rompimento, como numa pessoa se alienando de suas próprias raízes, cortando laços com sua própria família, como uma certa drag queen, a qual, ao dezesseis anos de idade, saiu de casa para o Mundo, pois estava insuportável o convívio com seu pai, um homem, duro, inflexível e homofóbico, numa história triste, como conheço outra pessoa que simplesmente não se relaciona com seu próprio pai, mesmo essas duas pessoas morando na mesma cidade. A estrela do quadro é a alva mulher, como no Capitão Rodrigo em O Tempo e o Vento, transando com Helga, uma moça alemã radicada em solo gaúcho, num Veríssimo descrevendo o corpo alvo da alemã, num romance que narra a constituição do RS, numa “Babilônia” formada por muitas etnias, como indígenas, europeus, negros etc., fazendo do Brasil um país tão rico em miscigenação, num país de pardos e mulatos. As roupas da mulher estão rasgadas, como numa transa animalesca em Instinto Selvagem, com roupas sendo rasgadas, num ato brutal de cio, como no leão galando a leoa, num ato de puro instinto, no instinto de preservação da espécie, como num libidinoso cachorro transando com uma almofada. A mulher é a beleza, na beleza do aparelho reprodutivo feminino, na geração plácida do óvulo, sendo assediado por inúmeros insanos espermatozoides. Ao chão vemos uma fálica espada, jogada, abandonada, num dormente Marte de Botticelli, hipnotizado por uma Vênus desperta, na recomendação taoista: Entenda a credibilidade do Yang, mas, dentro de você mesmo, seja mas Yin, como curtir momentos de aconchego dentro de casa, deixando lá fora as “loucuras” do Mundo. O homem é a virilidade que sustenta a mulher, como num certo homem que conheço, o qual está ávido por casar com uma perua e sustentar os luxos desta, na figura da dondoca, uma pessoa que nada está construindo de produtivo aqui na Terra, pois fora do labor não há salvação. É no contraste entre o funeral de uma pessoa importante e de uma pessoa não tão importante. A mulher aqui brilha mais do que o homem, como numa cena de boate do filme As Panteras, na qual apenas às moças era permitido subir no palco para dançar, como numa stripper num palco, remetendo a uma situação engraçada que testemunhei, numa moça que, de dia, era uma pacata estudante de Comunicação Social e, de noite, era uma stripper numa casa noturna de Porto Alegre, numa pessoa que levava vida dupla, o que é triste, pois a pessoa que leva vida dupla está em cima de um muro de indefinição, e a vida exige que sejamos unos e íntegros. O homem aqui respalda a mulher, sendo um piso firme e forte sobre o qual a mulher pode se apoiar, como num homem que provê um lar, nada deixando faltar dentro de casa, na figura do pai herói, disposto a abrir mão de sua própria comida para o filho não passar fome. Aqui a cena tem tecidos finos, como luxuoso veludo, em vestes aristocráticas, inacessíveis ao cidadão comum proletário, em privilégios como os rentistas, pessoas que vivem de rendas de aluguéis, não precisando trabalhar, no modo como apenas o trabalho é o que pode manter sã a mente de uma pessoa – riqueza não é pretexto para não trabalhar. As vestes aqui são mínimas, quase nulas, no jogo sensual entre esconder e mostrar, na sensualidade da luz de luar, uma luz tênue que tanto mostra quanto oculta. As pérolas no colar da moça são a feminilidade “louca” dos ciclos lunares, num símbolo de mistério e sensualidade, como na Noite de Pedro Américo, uma deusa noturna cuja pele alva faz um continuum com a luz do luar, em vestidos de rendas de lingerie que jogam com a mente do homem espectador, na sedução de grifes como a Victoria’s Secret, ou seja, o segredo da vitória. As vestes da moça são como teias de aranha, numa teia de sedução sendo construída, como numa sedutora Cleópatra, a líder que tanto fez pelo Egito, a última grande líder egípcia, fazendo do Egito, depois de sua morte de tal mulher, uma mera província do Império Romano, em impérios ascendendo e descendendo.

 

Referências bibliográficas:

 

Tintoretto. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 30 ago. 2023.