quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Anders Zorn de A a Z (Parte 1 de 7)

 

 

O sueco Anders Zorn (1860 – 1920) ficou conhecido por seus retratos, nus e águas. Na sua cidade natal, Mora, há um museu em sua homenagem. Já retratou três presidentes dos EUA e fez sete viagens a tal país, na universalidade da Arte. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Mulher num barco. Podemos sentir uma ondulação, como na sensação que ficamos ao lermos Moby Dick, como vi recentemente no seriadão The Big Bang Theory, quando personagens entravam numa cápsula com uma água quentinha, num ambiente absolutamente desprovido de barulho ou luz, ou seja, o útero, no trauma que é nascer e vir ao Mundo, num choque entre o conforto uterino com a dureza fria do Mundo, como no processo de “desmame” quando a pessoa sai de casa para morar sozinha, sentindo falta dos zelos maternos do lar de proveniência. O corpo da mulher é aquoso e delicioso, longe dos atuais padrões cruéis de beleza feminina, nos quais só é considerada sexy uma mulher que esteja na antessala da Anorexia – é um horror. É como na voluptuosidade de uma icônica Marilyn Monroe, o maior sex symbol de todos os tempos, uma mulher que não era necessariamente esquálida ou magérrima. Aqui é como na sensação deliciosa de liberdade ao se nadar nu no Mar, numa conexão com a vastidão cósmica interligada, no modo como todos estamos conectados, fazendo da Internet uma metáfora mundana de tal interconexão, príncipes filhos do mesmo Rei, na sabedoria popular: Deus não joga, mas fiscaliza, ou seja, a figura do juiz de Futebol, em árbitros tão duros e austeros como Daronco, numa paladina imposição de autoridade, no modo como um padre tem que se impor ao rezar a missa, na imposição de autoridade e poder, na rígida hierarquia católica: Papa, cardeais, arcebispos, bispos, padres e noviços, como um colega meu de Ensino Fundamental, o qual se tornou padre para saber qual é o seu lugar no Mundo, escolha que eu respeito, afinal a vida é dele e não minha, como me disse uma sábia amiga psicóloga: A Vida é feita de escolhas e cada um é livre para fazer suas escolhas, ao contrário dos casamentos arranjados de antigamente, no qual o menino ou a menina não tinham escolha, na contramão da felicidade, pois o Ser Humano, infelizmente, ao fazer escolhas, não visa  a felicidade, como fazer parte de uma fina família de realeza mas não morrer de amores pelo cônjuge, na noção de que, na Vida, não se pode ter tudo, como grandes atores que embarcam em projetos débeis, entrando para o infame rol dos indicados do deboche antiprêmio que é a Framboesa de Ouro, como num Tom Hanks, o qual tem dois Oscars, inclusive consecutivos, e recentemente esteve na Framboesa, no modo como não me canso de dizer que o sucesso é um amante infiel, pois hoje está comigo mas, amanhã, não se sabe... A mulher aqui faz uma revelação, descobrindo-se do lençol, no jogo erótico entre nudez e pudor, como na Vênus de Botticelli, envergonhada, cobrindo a vulva e um dos seios, numa revelação dentro de uma concha, como uma pérola, nas profundezas sedutoras do Mar, na Mãe Mar, de onde veio a Vida na Terra, no modo como água e oxigênio são imprescindíveis para qualquer ser vivo que conhecemos, atiçando a curiosidade de pessoas que querem saber se há Vida fora da Terra, no modo como a Ufologia não é levada muito a sério pela Ciência, pois aquela trabalha com suposições; não com provas científicas. Aqui, a mulher sensual se junta à água no fundo do quadro, num delicioso convite para um mergulho, na diversão com amigos à beira da piscina, em doces memórias de Verão, no momento de pausa em que nos desligamos temporariamente da Vida, num merecido descanso, no sentimento de melancolia ao fim das férias, no momento em que temos que voltar a encarar a dureza e a sisudez da Vida, com na divertida tira do genial cartunista gaúcho Iotti, nas pessoas voltando emburradas da praia para a cidade ao término das férias, como professores reunidos na sala dos professores no intervalo da aula, quando toca o sinal e assinala o momento de se voltar para a sala e continuar tocando o barco, nas palavras de uma canção: “A Vida cobra sério e, realmente, não dá para fugir”, como um morador de Rua, negando-se a encarar a Vida. Aqui temos opulência e fertilidade, fartura, como “mamar” numa caixinha de leite condensado.

 


Acima, Mulher se banhando. De novo a paixão de Zorn por água e mulheres nuas, num continuum sensual. A mulher é a hesitação, molhando-se aos poucos, mergulhando o pé, em doces memórias de infância que tenho, indo para zonas rurais e mergulhando em rios “selvagens”, naturais, com cheiro de mato, de Natureza, com girinos nadando na água, na explosão de Vida natural, algo muito inusitado e excitante para uma criança da “selva de pedra”, como eu. A água é fria, mas limpa, como num amargo remédio que surte doces efeitos, no modo como as vicissitudes da Vida vão fazendo de nós pessoas melhores, mas nobres, mais depuradas, no caminho espírita da Mortificação, no ponto da pessoa parar de “acreditar em Papai Noel” e ater-se ao que importa, compreendendo os problemas do Mundo, como no personagem Oscar Schindler, o qual era um playboyzinho fútil que acabou se compadecendo com os problemas do Mundo, no sentido da pessoa deixar de ser fútil e alienada, como uma criança mimada, a qual tem dificuldade de encarar o Mundo, como um rapaz que conheci, o qual teve uma mãe a qual era, definitivamente, superprotetora, massageando o ego do próprio filho, fazendo com que esta se achasse o maior astro pop de todos os tempos, no modo como uma mãe, às vezes, tem que ser dura e austera, punindo uma atitude pouco nobre, como impedir que o filho minta. Aqui é o espelho de Narciso, afogado em sua própria imagem, como na Ana Terra de Veríssimo, olhando-se no rio como um espelho, fazendo do espelho um símbolo de feminilidade, como um homem vaidoso, que gosta de se aprumar, como no astro metrossexual Beckham, juntando a agressividade do Yang futebolista como a autoestima do Yin, nas recomendações sábias taoistas: Entenda a força do Yang, mas seja mais Yin dentro de você mesmo, como no contraste entre um homem astronauta no Espaço e um homem no conforto do lar, pegando uma caneca para tomar café, como numa discreta e pacata Meryl Streep, a qual, apesar de habitar o topo do Cinema, tem um estilo de Vida humilde e simples, curtindo as delícias do lar e da vida íntima. A mulher aqui está alheia ao espectador, olhando para o outro lado, com o rosto quase escondido, como uma pessoa dando uma entrevista sem querer ser identificada. Sua barriga é farta como a barriga de uma dançarina do ventre, ondulando sua voluptuosidade, ondulando, fluidia, liquidiscente, em sensações tão gloriosas como tomar um bom banho depois de um dia inteiro de suor e fuligem, como no padrão do senso comum baiano, no qual o normal é tomar dois banhos por dia, ao contrário dos gaúchos, que tomam somente um banho diário, fazendo do estado da Bahia tal país à parte, com seus próprios padrões culturais, num vasto Brasil continental, feito de pequenos brasis. A mulher aqui hesita como se soubesse que há perigo, como num tato diplomático, cauteloso, como se soubesse que qualquer coisinha poderia trazer desgraça ou desavença, num fino diplomata, no papel de representar todo um povo e um país, num líder de Tao, conquistando a confiança do povo, em figuras como uma chic Jackie O., podendo caminhar sozinha pelas ruas de Nova York, na simplicidade que se revela o ápice de sofisticação, numa pessoa tão bem vista e respeitada. O rochedo aqui é a dureza da Vida, do Mundo, exigindo cuidado para que não nos cortemos em suas lâminas pétreas, como na zona desolada dos rochedos de Tolkien, num lugar inóspito, intolerante ao Ser Humano, num homem aventureiro que topa ir para lugares hostis, como na Antártida, num esforço de sobrevivência, numa pessoa que ama desafios, como num surfista excitado com um mar cheio de ondas altivas, “domando” a Natureza, tal qual o toureiro doma o touro, na imposição de humanidade elegante sobre a brutalidade irracional. Aqui é um momento de solidão e retiro, no modo como qualquer pessoa precisa de alguns momentos a sós. Aqui a nudez beija a Natureza. O coque da mulher é o garbo e a disciplina, numa mulher que não ousa soltar os cabelos, como se não se permitisse ter muita liberdade.

 


Acima, Nosso pão de cada dia. Aqui é o árduo trabalho, como numa pessoa workaholic que conheci, a qual não se dava ao respeito, chegando ao ponto de ficar quarenta e oito horas ininterruptas trabalhando, na contramão da dignidade – dê-se ao respeito! A velha senhora está exausta, pelo labor e pelo passar dos anos, numa vida de labor incessante, na dura vida agrária, como ouvi nas sábias palavras do superescritor Harari: A Revolução Agrária, que passou a controlar a produção de alimentos, acarretou num endurecimento de labor, num agricultor laborando de sol a sol, como no imigrante italiano na Serra Gaúcha, o qual só não trabalhava no Domingo porque o padre e a religião não permitiam. Aqui vemos um rastro de colheita, como no rastro de uma carreira, com um artista de longeva carreira, como na superbanda U2, esforçando-se desde o início dos anos 1980, só recebendo um contrato de gravação no ano de 1987, estourando ao redor do Mundo, numa banda de apelo tão universal, em carismas como o de Bono, um homem da Paz. A panela esquentando no fogo de chão é a chama, a força da Vida, o esforço do labor, numa mulher esfregando energicamente o chão de casa, num trabalho suado, em todos os sentidos – literal e figurado. A panela é a refeição do dia, em humildes camponeses suíços, os quais guardavam as sobras de queijo para, depois, fundir tudo numa panela, numa preparação simples e proletária que deu origem ao fondue, que hoje é considerando chic. Ao fundo o labor segue intenso, em mãos calejadas, como nas irmãs O’Hara conduzindo a lavoura da devastada fazenda de Tara, na moça lamentando os calos em suas próprias mãos, dizendo: “Mamãe dizia que uma mulher pode ser conhecida por suas mãos!”. É como no quadro emblemático Tempora Mutantur, de Pedro Weingärtner, do qual já falei aqui no blog, no casal de imigrantes italianos na lavoura, num momento de pausa em que o homem descansava e a mulher observava os calos em suas próprias mãos, lamentando por não ter mãos de princesa, afetando a autoestima desta camponesa humilde, quiçá analfabeta. Aqui é a dureza do dia, nas tarefas, em marido e mulher dividindo as tarefas, como em tribos amazonenses, numa clara divisão de tarefas: As mulheres ficavam na tribo criando as crianças e fazendo trabalhos como o de coleta na floresta; já, os homens exerciam tarefas mais agressivas, como caça e pesca, na universalidade da divisão de tarefas entre eles e elas, como uma indígena ianomâmi, a qual, ao se casar com um homem branco e ir viver na cidade, amava fazer compras, ou seja, tarefa análoga ao trabalho feminino de coleta. A estrada aqui é o caminho da Vida, da existência, num caminho longo, duro, cheio de percalços, no modo como a Vida não deve ser perfeita, pois, se fosse perfeita, não nos causaria evolução, ou seja, seria uma vida sem significado, no modo como não me canso de dizer: O sentido da Vida é o crescimento e a depuração moral, ou seja, compreender que a verdade é maior do que a mentira, ou seja, que a paz é maior do que a raiva, na mentira das guerras, nas quais não somos irmãos. O céu é cinzento e incerto, confuso, misto, na dificuldade de se antever o futuro, na sabedoria popular de que Deus escreve certo por linhas tortas, nos caminhos tortuosos da existência, pois se soubéssemos direitinho o que aconteceria, não aconteceria, no modo como a Vida não deixa de ser engraçada, fazendo de Tao tal comediante, repleto de senso de humor, na capacidade humana em rir da Vida, encontrando ironia e graça, na ironia de que a Eternidade nos espera, nunca findando, desde poder tão desmedido que é Deus, o infinito. A cesta vazia é tal sensação de vazio de uma pessoa rica, na ironia de que quanto mais tenho, mais vazio me sinto, no modo como uma pessoa rica só pode se manter sã se trabalhar, na ironia de que quando vamos a uma loja e adquirimos um cobiçado produto, sentimos um vazio de vazio, na ironia dialética de que tudo traz em si sua própria contradição. Aqui é o desafio de se impor ordem a um lote selvagem, no árduo trabalho de colheita.

 


Acima, O pintor Bruno Liljefors. Aqui é uma ironia de metalinguagem, pois é pintor pintando pintor, na mesma ironia de ator interpretando ator. O frio da neve é o pensamento racional, como na glacial Galadriel de Tolkien, nobre, fria, intimidadora, estranha, poderosa, misteriosa, bela, arrebatadora. A neve é tal beleza invernal, no modo como a neve é rara no Brasil, fazendo com que uma leve nevasca se torne notícia nacional, encantando turistas nas serras gaúcha e catarinense, pessoas que vêm ao sul brasileiro exatamente para passar frio! O senhor aqui é altivo e elegante, digno de respeito, no desafio de uma pessoa recém entronada, tendo que conquistar o respeito do povo, numa árdua prova de popularidade, como numa jovem e tímida Elizabeth II, tendo aprender “na marra” a ter altivez e majestade, no modo como uma coroa pode pesar sobre uma cabeça, no modo como na Vida não se pode ter tudo: Charles III, apesar de rei, não tem um único pingo de carisma, assim como sua rainha consorte, ao contrário de Diana, a qual perdeu o título oficial de alteza, mas era uma bomba atômica de carisma, arrebatando fãs ao redor do Mundo numa adoração quase religiosa, rendendo o filmão A Rainha, num Oscar merecidíssimo para a deusa Hellen Mirren, a qual, ao receber o cobiçado troféu, ergue-o e disse altivamente e energicamente: “A Rainha!”, no modo como a Academia de Hollywood ama as tradições britânicas. O senhor aqui olha para o lado, alheio, mal sabendo a atenção que atrai, numa pessoa que vai vivendo instintivamente, em pessoas que brilham, partindo do nada e conquistando as pessoas, como num Gisele: De jure, pessoa comum; de facto, princesa, na lacuna considerável entre teoria e prática. A neve fria é a mortificação espírita, no modo como somente a mortificação pode trazer paz à pessoa, numa pessoa que vai parando de dar ouvido a bobagens, atendo-se ao que é significante e nobre, ficando imune aos apelos auspiciosos, como uma pessoa que vai se tornando imune aos apelos da Sociedade de Consumo, na metáfora de Matrix, quando o indivíduo é um escravo de um sistema: Eu tenho que acordar, para trabalhar, para ganhar dinheiro e comprar um celular último tipo, no modo como a vida é boa quando é simples, do contrário não pertenço a mim mesmo, mas a um sistema opressor, como se fosse uma ditadura, oprimindo a aterrorizando o cidadão, possuindo este, na analogia entre Fascismo e Comunismo – é tudo ditadura igual, meu irmão. A neve é plácida e silenciosa, caindo quieta, na sedimentação de uma pessoa centrada, que canaliza sua própria energia, numa pessoa serena, ao contrário da tempestuosa tenista Serena Williams, tendo ataques de mau humor na quadra, contradizendo o seu próprio nome plácido. O cinza aqui é a discrição, numa pessoa que vive seus dias com simplicidade, curtindo pequenos prazeres como estar no lar, quieto no seu canto, na figura folclórica do Preto Velho, quietinho no seu canto, retirado, quase invisível, só observando os egos ascendendo e descendendo, no jogo de fogueira de vaidades humanas, na letra da canção de Tears for Fears: “Todo mundo quer mandar no Mundo!”. As mãos nos bolsos são tal recato, tal retiro, quase numa timidez, nas palavras sábias do genial e tímido Luis Fernando Veríssimo: “O tímido é, de fato, uma ‘Elke Maravilha’ de chamativo”, nas engraçadas contradições, como na cantora feminista Madonna: Por traz de tal perfil agressivo, provocador e transgressor, existe uma mulher extremamente careta, no ditado popular: “Casa de ferreiro, espeto de pau”. A neve aqui é como merengue ou marshmallow, em delícias de chocolatarias gramadenses, em lojas com perfume de cacau e baunilha, no gostoso pecadinho da Gula, esse pecadinho inocente, maravilhoso, como fazer um brigadeiro de panela, comendo-o ainda quentinho, na trinca fabulosa: Cacau, leite e açúcar, na universalidade da Gastronomia, como o sushi ganhando o Mundo. A neve é como fino cristal, na magia de um prisma, decompondo a luz branca e trazendo um leque mágico de cores, na magia de lustres de cristal, na fineza inabalável do Plano Metafísico.

 


Acima, Ols Maria. Aqui é uma exceção, numa mulher de Zorn que não está nua. O lenço é o recato, como nas tradições islâmicas que oprimem a mulher, castrando a sexualidade feminina. O lenço também remete às mulheres com Câncer, tendo que passar por uma grande provação de autoestima, tendo que raspar a cabeça e ficar meses sem cabelo, no modo como tudo no Mundo gira em torno de Saúde – física e psíquica. Aqui temos este pincel talentoso de Zorn, em pinceladas apaixonadas e vigorosas, nos inevitáveis movimentos de transformação da Arte, como na transgressão impressionista, desafiando a Academia tradicional e trazendo sopros de renovação, no sopro de renovação que são os cabelos ondulados de Gisele, imitado por mulheres do Mundo inteiro, derrubando a “ditadura” dos lisos, numa moda capilar que se estende incrivelmente, fazendo jus à famosa capa da revista Veja com Gisele, equiparando-a a Pelé e Senna, nesses heróis nacionais nos quais o povo brasileiro projeta e deposita esperanças, em heróis nacionais como Chespirito ou Maradona, em funerais grandiosos e pomposos, dignos de grandes homens. Podemos ver pouco dos cabelos de Maria, como na imagem de Nossa Senhora, recatada, pudica, com o corpo quase todo coberto, na noção de que, quando somos respeitados, as pessoas mal se importam se estamos acima ou abaixo do peso, no caminho do respeito, na letra de uma das canções de Britney, não se sentindo muito respeitada: “Eu sou aquela que está muito gorda e, depois, muito magra!”, no modo como a celebrização mundial expõe a pessoa aos olhos públicos, com pessoas midiaticamente expostas, em artistas que tanto sonham com fama, numa Hollywood que frustra tantos sonhos de aspirantes a astro. O lenço aqui remete às fantasias carnavalescas de cigana, na cultura vibrante dos ciganos, como uma cigana que me abordou certa vez na Rua, uma pessoa de energia boa, deixando-me energizado, dando-me uma sensação boa, no modo como o povo cigano sofre muito estigma e perseguição, sendo perseguidos por Hitler, o maior sociopata de todos os tempos, o sociopata que e ídolo de outros sociopatas que vivem no Mundo, como uma pessoa que conheci, a qual insinuava admiração por Adolf – é um horror. A moça é jovem, bela e triste, sem o mínimo resquício de alegria ou sorriso, como num pessoa decepcionada ou desiludida, no modo como a Vida nos traz inevitáveis decepções, nas palavras de Barbra: “É possível sobreviver aos desapontamentos da Vida!”, numa artista de talento monstruoso, na prova de que tudo o que a pessoa precisa mostrar ao Mundo é talento, ao contrário de pessoas obtusas que só puxam ferro numa academia, pessoas reduzidas a um pedaço de carne, nada mais – é bem desinteressante. A roupa aqui é de um vermelho escuro, discreto, longe de uma vibrante mulher de vermelho, como uma certa feiticeira que conheci, uma mulher linda, de vermelho, numa beleza de relva verde e cheia de Vida, na beleza eterna da Natureza, das flores e anjos cercando Nossa Senhora no Céu, como num majestoso coral gospel, na fabulosa união entre Arte e Religião, como no Antigo Egito, numa mistura entre Arte, Religião e Política, num faraó que não era considerando um homem comum, mas um descendente dos deuses, num líder semideus, contrastando com o paradigma democrático: O presidente é um dos nossos irmãos, eleito por nossos votos, num governo de poucos anos, num caminho de eterna renovação, num paradigma poderoso, que reina no Mundo, derrubando a Realeza Francesa, na ruptura de revolução, chocando o Mundo com a execução da Maria Antonieta, a menina privilegiada que não tinha ideia do sofrimento de seu próprio povo. As mãos de Maria aqui são jovens delicadas, mãos de dama, sem calos de labor, numa mulher privilegiada, como as mulheres da realeza egípcia tinham acesso a perucas, visto que, como os piolhos eram endêmicos no Egito Antigo, todo e qualquer egípcio raspava a cabeça – desde o escravo até o faraó. A roupa rubra faz um continuum com o rubor da moça, saudável, como mulheres usam blush para realçar suas bochechas.

 


Acima, Ônibus. Uma cena urbana, citadina, moderna à época, no pioneirismo inglês ao construir o metrô londrino, no modo como a Revolução Industrial chegou mais tarde em países mais pobres, como o Brasil, no título de nação subdesenvolvida, no Real brasileiro tão desvalorizado frente ao Dólar Americano ou ao Euro. Podemos sentir aqui um sacolejar na condução, em estranhos pegando a condução, na recomendação de não se conversar com estranhos no metrô, no episódio de Seinfeld, quando George Costanza é vítima de uma golpista a qual abordou dentro do trem de metrô em Nova York, no modo como é lamentável que tais seriadões acabem, como Friends e Will and Grace. Aqui, a cor predominante é o preto, discreto, na cor do luto respeitoso, como vi assistentes de palco de preto na peça Crazy for you, com Claudia Raia, uma artista completa, atuando e cantando, sabendo conduzir muito bem seus papéis, num talento inegável, fruto de muita dedicação e disciplina, como uma ferrenha professora de Dança que conheci, uma pessoa bem dura e exigente, beirando a indelicadeza, sabendo do valor imprescindível da disciplina, dando-me um “xixi” quando fiz para ela uma inocente brincadeira, no risco que corremos ao fazermos uma brincadeira – o risco da pessoa não levar na esportiva, fazendo do senso de humor um dom, uma dádiva. Aqui os passageiros estão entediados, sacolejando, no modo como muitas conduções peguei até hoje em minha vida, remetendo a um senhor que, apesar de já ter sido governador do Rio Grande do Sul, tem a simplicidade de cidadão de andar de transporte público por Porto Alegre, numa pessoa que, apesar do sucesso na carreira política, mantêm-se humilde e discreto, ao contrário do Ser Humano em geral, o qual, ao obter um ínfimo sucesso, já entra em narcisismo, achando-se o máximo, no modo como a Vida vai nos ensinando duras lições de humildade – quem é humilde não “quebra a cara”, na importância de valores como discrição e pés no chão, na sabedoria popular de que a arrogância precede a queda, como um certo político, o qual sofreu impeachment, impedido de exercer a função, um senhor que, em sua prepotência e soberba, mal se importava com as dores das pessoas, pois o líder que se afasta de seu próprio povo deixa de ser líder, como nos Romanov fuzilados pelos comunistas. A mulher carrega uma caixa, um presente, um mimo, numa pessoa generosa, que gosta de presentear, numa pessoa que faz as coisas nunca esperando algo em troca, no caminho da mortificação, quando a pessoa deixa de ter expectativas, pois a expectativa é irmã gêmea da frustração, e a frustração é depressora e triste, complicada, dura de ser superada. Ao fundo no quadro, um homem sonolento, quase desabando no assento, no gostoso pecadinho da Preguiça, em coisas simples como dormir agarradinho com seu cônjuge, deixando que as horas passem, em prazeres que não custam um só centavo, como tomar café da manhã no colo do cônjuge, no modo como o melhor da Vida é de graça, no caminho da simplicidade. Todos na cena são garbosos, com seus chapéus, um adereço que atualmente está tão em desuso, remetendo a épocas em que as pessoas eram glamorosas, como na famosa via portoalegrense, a Rua da Praia, no auge ao redor dos anos 1940, com as pessoas arrumadas passeando, fotografadas por fotógrafos de Rua, os quais registravam o garbo dos cidadãos, vendendo as fotos a estes, como minha avó paterna Nelly, então uma linda moça com cintura delgada e elegante, no modo como, depois do Desencarne, a pessoa opta por qual aparência ter no Plano Metafísico, rejuvenescendo a vivendo jovem para sempre, na vida maravilhosa metafísica que nos espera, o lugar onde permanece soberana a necessidade de se trabalhar, mas sem sermos wokaholics, no caminho do autorrespeito, pois até Ele descansou no sétimo dia! Bem ao fundo vemos um garboso senhor de cartola, algo hoje fora de uso, num Churchill de cartola recém empossado, com a responsabilidade de formar um governo em nome da monarca, numa geração marcada pela II Guerra Mundial.

 

Referências bibliográficas:

 

Anders Zorn. Disponível em: <www.en.wikipedia.org>. Acesso em: 8 nov. 2023.

Anders Zorn. Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 8 nov. 2023.

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Alice e suas maravilhas

 

 

Paulista de 1971, Alice Shintani já chegou a cursar Engenharia da Computação. Já expôs no MAC de SP, no Espaço Itaú Cultural, no espaço Banco do Brasil no RJ, no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba e no instituto Tomie Ohtake em SP, entre outros lugares. Também já expôs em Londres e na Polônia. Em 2017, ganhou o cobiçado prêmio SP-Arte. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Éter. O monocromático traz harmonia e concórdia, como numa fome por paz mundial, num Ser Humano tão aguerrido, briguento, subestimando o poder do Amor, esta força tão subestimada, como no malévolo vilão Smith de Matrix, desdenhando do Amor, como num professor sociopata que tive, o qual, de forma clara, considerava o Mal mais interessante e mais relevante, excitante, no modo como as crianças são criadas para discernir entre o Bem e o Mal, como no desenho animado dos Superamigos nos anos 1980: Quando um herói está com problemas, os outros heróis o ajudam; quando o vilão está com problemas, seus parceiros de crime não o ajudam, no modo como uma criança sociopata, desde cedo na vida, nota que o Mal é tolhido, ou seja, esta criança, desde cedo, constrói uma “máscara” e leva uma vida dupla, como num lobo em pele de cordeiro, como uma certa criança que conheço, a qual já dá sinais de que não tem muito apuro moral, pois um sociopata mente, mente e mente, e os que mentem acabam rejeitados e rechaçados. Aqui é o azul, a cor do céu, a cor dos sonhos, na bênção que é um Céu de Brigadeiro, quando olhamos para a profundidade azul, enchemos nossos pulmões de ar e agradecemos a Deus por estarmos bem e felizes, pois a felicidade está em pequenas coisas que não custam um só centavo, como num casal no qual o romantismo não pode morrer, no modo como, todos os dias, o cônjuge tem que ser reconquistado de alguma maneira, com gestos simples, como um beijo ou um abraço. Esta instalação de Alice nos abraça e nos envolve, como num anfitrião nos recebendo em sua casa, numa sala agradável, iluminada e perfumada, limpa, nos cuidados maternos num lar, numa mãe dando conta de nossa roupa suja e de nosso pratos sujos, no modo como quando um jovem sai de casa, este sente falta de tal zelos, tendo que passar por um “desmame”, por assim dizer, até a pessoa se acostumar a viver sozinha e a dar conta das tarefas do lar, como o passarinho que cresce e sai do ninho, no glorioso modo como os vínculos de família não se desfazem com o Desencarne, no desejo de desencarnarmos e reencontrarmos nossos queridos avós, numa saudade imensa, inenarrável. Aqui temos um clamor por concórdia, nos esforços da ONU em manter paz num mundo tão aguerrido, na capacidade de certas pessoas finas em ter tato diplomático, em ter cuidados, como atravessar um rio sabendo que neste há perigo, num homem fino, polido, digno de representar um povo, como num príncipe, o qual é visto, amado e respeitado, como uma respeitada Jackie O. caminhando sozinha por Nova York, simples em sua sofisticação, próxima do nervo de Nova York, que é o museu Met, um dos lugares mais finos e belos do Mundo. Aqui, as muretas nos convidam a sentar e conversar, num lugar de interação social, agradável, num espírito fino, depurado, que nunca impõe as coisas a força, no modo como a hierarquia espiritual é assim, suave, sutil, ao ponto de eu fazer questão de obedecer a meu irmão elevado e fino, inspirando-me a me tornar alguém tão fino, como no mais fino lustre de cristal, em sua explosão policromática, como nos sedutores lustres do tradicional Clube Juvenil, de Porto Alegre, no modo como os clubes terrenos fazem metáfora com os clubes metafísicos, finos, onde todos se amam e respeitam-se, na consciência de que somos todos irmãos, príncipes filhos do mesmo Rei, no caminho da Vida Eterna, este presente indescritível, misterioso, maravilhoso, pois a Eternidade sobre a qual podemos falar não é a verdadeira Eternidade. Aqui temos uma limpeza impecável, numa harmonia, numa pessoa que tem estilo e critérios, vestindo-se com roupas baratas e, mesmo assim, parecendo que gastou milhões de dólares em tal roupa, ao contrário da pessoa sem estilo, a qual tem que ser uma “escrava” de marcas pretensiosas – está tudo dentro da cabeça.

 


Acima, Menas. Aqui é como nas inspeções de bagagens em aeroportos, com os policiais federais munidos de cães farejadores, animais treinados para detectar drogas, nesses pobres diabos sofredores que são as “mulas”, pessoas aliciadas pelo tráfico para fazer tráfico transnacional, no modo como é difícil imaginar algo pior do que ficar preso, sentindo-se obrigado a conviver com os outros presos, mesmo não morrendo de amores por estes detentos. Aqui é como um estojo colorido, como no material escolar sendo comprado, em lápis coloridos, na criança “louca” para iniciar logo o ano letivo e utilizar o material, como uma pessoa “cdf”, que gosta de estudar, tirando sempre notas boas, como se soubesse que, fora da Cultura Erudita, não há salvação, no termo sábio: “Um país se faz com homens e livros”, no problema da evasão escolar no Brasil, com cidadãos obtusos e ignorantes, desinteressantes, na importância dos bancos escolares. Aqui são como teclas de piano, na magia musical, numa vocação para a Música, no poder da Arte em fazer um país, como na suma riqueza da Música Brasileira, uma riqueza ignorada por uma certa estação de Rádio, a qual só toca Música Internacional, ignorando o tesouro que é a MPB, o topo musical brasileiro, em monstros sagrados como Marisa Monte, a artista que é a vitória do critério e do bom gosto, entrando nos lares da Inteligência, como advogados, médicos, dentistas, juízes de Direito etc., no desafio de conquistar o respeito de quem é formador de opinião, no poder da letra e do cérebro, pois a sensualidade reside na inteligência, como na sedutora inteligente Catherine Trammel, em Instinto Selvagem, uma pessoa de inteligência sedutora, no modo como é desinteressante se deparar com uma pessoa que é só corpo, só músculos, uma pessoa obtusa, sem conversa válida, no modo como eu gostaria de dizer a tal pessoa: Eu não estou dizendo que você não pode ter musculatura ultraatlética; eu só estou lhe pedindo para fazer algo além do que só puxar ferro numa academia. Aqui são como sanfonas, como camadas, como camadas num bolo ou num prédio com vários andares, num talentoso confeiteiro fazendo bolos irresistíveis, nesse gostoso pecadinho capital que é a Gula, num maravilhoso e simples negrinho de panela, de se comer quentinho de colher, na magia do Chocolate, a iguaria que, aliada a leite e açúcar, ganhou definitivamente o Mundo, na universalidade da Gastronomia, com chefs televisivos com audiência ao redor do Mundo, em supercelebridades como Jamie Oliver, na sedução que as especiarias do Oriente exerceram sobre a Europa Renascentista, num momento em que o Mundo passou a se unificar, tudo por causa de coisas finas como Canela, numa magia de sabores, como a manga se solidificou no Brasil. Aqui são como arquivos sendo organizados, em ordem como a alfabética, na intenção humana em impor ordem ao caos, como catalogar corpos celestes, num Universo tão vasto: Há mais estrelas no Universo do que grãos de areia na Terra, e isso não é absurdo? Não seria insano catalogar cada grão de areia que existe no deserto do Saara? O que é o Ser Humano no Universo? Aqui é uma obra alegre, que nos deixa de coração leve e animado, como naquele filme catártico, do qual saímos da sala de Cinema como leves gaivotas à beiramar, ao contrário de filmes mais pesados, como O Silêncio dos Inocentes, quando saímos da sala com a sensação de que o tenebroso Lecter canibal está solto por aí, havendo no sociopata a prova de como pode ser desinteressante a falta de apuro moral. Aqui são como leques sendo abertos, num gradiente de opções, num leque de opções, como cursos oferecidos numa instituição de Ensino Superior, ou como no Plano Metafísico, no qual há empregos para todos, e empregos bons, que exigem de nossas cabeças, ao contrário do humilde trabalho subserviente, em vidas duras, de árduo labor. Aqui é como na sofisticação oriental dos origamis, como numa luxuosa mesa de jantar, com guardanapos dobrados de forma bela e agradável, chic, ou como toalhas lindamente dobradas em cima da cama de um hotel luxuoso, no qual o hóspede se sente um rei. Aqui é alegria, cor.

 


Acima, Quimera. Aqui temos o universo de Barbie, como uma colega de faculdade que tive, uma mulher que usava uma bolsa da marca da Barbie – será que é uma pessoa que não teve infância? Aqui é o universo idealizado de Barbie, sem durezas ou percalços, com Yin total, sem qualquer adição de Yang, de agressividade, ao contrário do ícone feminista da Mulher Maravilha, a heroína que, apesar de bela e formosa, é blindada e tem superforça, dando uma surra em qualquer marmanjo mal intencionado, numa deusa com a força para entortar um canhão de tanque de guerra, uma deusa que foi a Imaculada Conceição de Zeus, num mito que nos explica como cada um de nós é tal deus, fruto da Imaculada Conceição de Tao, a Virgem Maria imaculada e perfeita, numa consolação aos que enfrentam encarnações tão duras na Terra, num sinal de acolhimento e esperança: Você não vai acabar com as guerras no Mundo, mas será a promessa de um Mundo melhor, onde todos são amigos, um lugar em que grades e cercas elétricas são desnecessárias. Aqui são esses ambientes monocromáticos de Alice, como numa pessoa com estilo, que sabe como se vestir com harmonia cromática, como uma moça estilosa que vi recentemente na Rua, uma mulher cujas peças de roupa variavam em tons de marrom, desde o claro ao escuro, uma pessoa que sabe que o que vale é o conjunto, e não a camisa ou a calça em si, pois quando as pessoas nos veem, elas nos veem na totalidade do conjunto, e não só os sapatos. Aqui é como na magia de uma piscina vazia, limpa, pronta para receber água e iniciar o doce Verão, o momento de descanso e Vida depois de um ano de labor e estudos, no descanso merecido dos bravos, que encaram a luta, como acordar em tantas e tantas manhãs geladas de Inverno para encarar mais um dia de disciplina, no glorioso momento das Férias de Julho, duas semanas deliciosas de ócio e diversão, como numa professora feliz em As Patricinhas de Beverly Hills, escrevendo no quadro: “Tarefa de casa para o fim de semana: DIVIRTAM-SE!”, sabendo que muito trabalho e pouca diversão fazem de Jack um bobão. Aqui temos linhas tortuosas, viscosas, por assim dizer, como criadouros de animais ou plantas, como em teias cósmicas aglomerando galáxias, na matéria viscosa de anfíbios, aquosos, mucosos, no modo como há quem goste de comer rãs, uma carne que, me disseram lembra muito carne de frango – existe gosto para tudo. Aqui são como retilíneos azulejos subvertidos pelas linhas aquosas, fluidias, no duro se rendendo ao mole; no fino se sobrepondo ao duro. Aqui são como paredes estomacais com xarope viscoso antiqueimação, forrando as paredes estomacais e proporcionando alívio, no modo como o Ser Humano contemporâneo é privilegiado, havendo remédios para muitas enfermidades, nos avanços incríveis da Medicina e da Ciência, este ponto decisivo que marcou a trajetória do Homo sapiens, remetendo a épocas como a elizabethana, na qual não havia um único Tylenol para dor e febre, numa Mary Tudor que sofria de crises homéricas de enxaqueca, ou como uma Evita, a qual viveu numa época em que não havia radioquimioterapia. Aqui podemos sentir um perfume doce, feminino, remetendo a um senhor que conheci, o qual usava perfumes femininos, algo que, sinto em dizer, não é lá muito sexy, pois o homem tem que gostar de ser homem e a mulher tem que gostar de ser mulher, nas palavras da famosa transexual Lea T: Nada há de bom na transexualidade, disse Lea. Esta sala de Alice nos convida a um trabalho de decoração, convidando-nos e decorar com móveis que trazem alguma coisa de rosa, talvez um tapete vermelho, em cores de bordel, cheirando a sexo, na cor dos mistérios uterinos, no poder avassalador da mulher em trazer Vida ao Mundo, um poder que é “desafiado” pelo mundo patriarcal, no qual a mulher é tolhida, como se fosse uma compensação frente ao enorme poder feminino. Este vazio é o sedutor vazio da orla, numa página branca, pronta par ser preenchida, virgem, vazia, pura.

 


Acima, Sanfoninhas. A explosão de um livro sendo aberto, numa abertura de perspectivas, de possibilidades, como num leque de cursos oferecidos por uma universidade – não há um único curso que desperte teu interesse? Aqui remete à era pré-digital, com os dezesseis tomos da Enciclopédia Barsa, numa época em que não se imaginava o advento da Internet, com tudo hoje ao alcance de um clique: Dicionários, enciclopédias, imagens infinitas, videoclipes, programas de TV, tudo. É um avanço que não deixa perplexa a geração mais jovem entre nós, uma geração que já nasceu e cresceu em meio às conveniências do Mundo Digital, não fazendo ideia do que foi o televisor de tubo sem controle remoto e só com canais de TV aberta, o telefone de disco e gancho e a carta pelo Correio. Aqui é como uma linha de produtos, uma família de produtos, como numa linha de vinhos produzidos pela mesma vinícola, deixando claro que se trata de uma família quando colocamos os vinhos lado a lado, no modo como é importante este flanco do trabalho de Marketing – o design de embalagem, em embalagens lindas que nem sempre entregam o produto excelente que tal embalagem bonita promete, na questão da ética: Se digo que meu produto é bom, este tem que ser bom de fato, do contrário o consumidor, que não é burro, nota quando está sendo ludibriado. Nesta obra de Alice Shintani temos o desdobramento de um processo, como num mistério policial sendo desvendado, como no trabalho de construção de personagem, nas palavras de Gloria Pires quando a perguntei sobre como esta construía o personagem, e esta disse: “Paciência para desdobrar o personagem e entender as motivações deste”. Aqui é algo sendo desvendado, como em Pedro Álvares Cabral aportando nas selvagens terras brasileiras, num processo cognitivo, até Portugal se dar conta das vastas terras do Brasil, na disputa entre superpotências europeias no controle de tais colônias e das riquezas destas, no modo como Portugal exauriu as reservas brasileiras de pedras e metais preciosos, numa questão simples: A riqueza é acompanhada pela pobreza, como pedras preciosas africanas sendo arrancadas da África, tudo em nome das ambições humanas, no discernimento taoista: “Como são ricos! E roubaram tudo dos pobres!”. Aqui é um acúmulo de conhecimento, como no desdobrar de um ano letivo, num processo sério de disciplina num momento de libertação no fim do ano para os que se aplicaram nos estudos, num descanso merecido de férias, como num espírito que desencarnou, o qual, antes de tudo, descansa para, depois, arranjar um emprego no Plano Metafísico, no qual não existe desemprego, muito longe das vicissitudes terrenas, em problemas de desemprego no Brasil. Aqui é um longo processo a ser trilhado, como num artista pop encarando uma longa turnê, pegando aviões e posando nos quatro cantos do Mundo, na prova da universalidade da Arte, numa poderosa indústria que encara os desafios da era Download, nos desafios desta, longe das conveniências das eras Vinil e CD, quando havia o suporte físico de Música, num galgar de tecnologias que assusta os barões da Indústria Fonográfica, como nos sites de Youtube Converter, possibilitando o download de músicas de graça. Aqui há um grande potencial, como um diretor observando os potenciais de um artista, como um diretor que conheci, o qual investiu tudo numa certa moça, a qual acabou não deslanchando na carreira de atriz – o Mundo é assim mesmo, uma Boulevard dos Sonhos Despedaçados, fazendo de Hollywood a terra da frustração. Cada página aqui é um momento de um faculdade, no aluno encarando o curso, em alunos que acabam por abandonar o curso, não tendo a paciência para se formar, como um senhor que conheci, numa história triste, numa pessoa que abandonou um curso universitário para fazer absolutamente nada no lugar, mergulhando numa vida ociosa e desinteressante, na sabedoria popular de que cabeça vaga é “oficina do Diabo”. Aqui é um esforço, numa pessoa que exige o máximo de si, numa Maria Callas, exigindo o máximo da própria voz.

 


Acima, Série o Cru e o Cozido. Aqui é uma exposição competente, bem montada, numa artista que sabe que, se quiser merecer sucesso, tem que ter a competência para tal. São vagões de um trem, havendo a força motriz, que é o respeito, o qual vem em primeiro lugar – se eu quiser fazer parte do fã clube de um artista, aí é uma opção minha. Aqui são como selos no correio, na época em que a correio físico imperava soberano, havendo nos anos 1990 a revolução do e-mail, numa época em que era muito chic dizer que mandei ou recebi um e-mail, na mesma época em que era chic caminhar na Rua falando em um celular, sendo chic perguntar a alguém: “Qual é teu e-mail?”, numa tecnologia que, hoje em dia, já não tem frescor de novidade, com qualquer pessoa tendo acesso a tal tecnologia, num galgar incessante de avanços, até chegar ao ponto do Ser Humano poder posar em Marte e voltar a salvo para a Terra, no modo como o Cosmos, fora da Terra, é absolutamente hostil ao Ser Humano, nos desafios de se enviar uma sonda ao espaço, num Cosmos do qual pouco ainda se sabe, no fascínio sobre um Mulder, de Arquivo X, querendo saber sobre raças alienígenas ao redor da Terra, confrontado com o ceticismo racional de Scully, como na dupla Pink e Cérebro, no casamento universal entre Razão e Loucura, na ironia dialética de que tudo traz em si sua própria contradição, como, por exemplo, na foto de uma pessoa ao lado de uma banana que tem a estatura de tal pessoa: Não sabemos se é a pessoa que diminuiu de tamanho ou se a banana aumentou de tamanho. Aqui temos uma Alice bem abstrata, como numa criança que, ao crescer e adquirir sabedoria, entende termos abstratos como “respeito”, algo difícil para uma criança entender, entendendo que, quando ouve tal termo, é porque está prestes e a ser punida pelos pais. Vou agora falar de cada uma das obras de Alice nesta foto, partindo da esquerda:

1) Uma delicada flor se abrindo, nos fascínios de feminilidade, com tantas transmulheres que tanto querem ser mulheres, crendo que a Vida é perfeita para as mulheres.

2) Algo quase encostando, como no quase toque entre Deus e o Adão de Michelangelo, como numa pessoa tocando outra, nos meandros das paixões e do coração, em duas pessoas que passam a se conhecer mutuamente, num grau de intimidade.

3) Uma pequena faixa, na infame Faixa de Gaza, com o Mundo inteiro debruçado sobre tal conflito, na eterna inclinação humana em relação à crueldade, sempre buscando um pretexto para guerrear.

4) Uma boca feroz de monstro, no termo “monstro” que designa pessoas de brilho inédito e anormal, muito longe de mediocridades, numa pessoa única, inconfundível, como na força tsunâmica de uma Gisele, a menina comum que virou princesa.

5) Uma fina silhueta de mulher, na crueldade do espartilho, em padrões de beleza cureis que escravizam a mulher.

6) Dois ovos se encontrando, numa junção entre duas almas, como irmãos gêmeos na barriga da mãe, sendo Nossa Senhora o que temos em comum.

7) Um nó sendo desenlaçado, desdobrando, numa libertação, num glorioso dia de soltura, como num refém sendo resgatado.

8) Uma árvore, ou um rosto triste, como num auge depressivo, remetendo a miseráveis épocas em que não havia medicação psiquiátrica, na revolução no Prozac nos anos 1980.

9) Uma divisão, uma bipartição dolorosa, como perder um ente querido.

10) A linha azul interfere e permeia a estrutura rubra, como num paciente trabalho de costureira, no momento sisudo de labor e dedicação.

 


Acima, Zica. Aqui é uma explosão, um escândalo, um impacto, uma comoção, no poder impactante de um artista, causando tal frisson, como filmes que arrebatam multidões ao redor do Mundo, em blockbusters como Titanic, um filme que tanto tocou as pessoas, com multidões de tietes histéricas ao redor do Mundo, chorando pelo Jack que morreu para salvar Rose, na arrebatadora cena do final, com os espíritos desencarnados se reencontrando, no famoso relógio na cena, que é a passagem do tempo. Aqui é o olho insaciável de Sauron, o Senhor do Escuro, numa fome napoleônica por poder, querendo controlar as pessoas, na metáfora de Matrix, num sistema que escraviza o indivíduo, num indivíduo que é escravo do Sistema Capitalista: Eu tenho que acordar, para ir trabalhar, para ganhar dinheiro e comprar um celular último tipo, no modo como os brilhantes nerds de The Big Bang Theory são vítimas de tais marqueteiros, adquirindo camisas de super-heróis, como com a estrela do Capitão América ou como com o S de Superman, no modo como há publicitários quem, em ironia, tornam-se escravos de coisas que estes mesmos publicitários anunciam, numa pessoa que acha que vai morrer se não adquirir tal bem de consumo. Aqui é como uma fruta cortada ao meio, num trabalho científico de análise, de desmontagem, nos esforços pioneiros de um da Vinci, analisando cadáveres, numa época ainda muito distante da Revolução Científica, numa vastidão de avanços, como no advento de tratamentos e medicações, como medicar psiquiatricamente uma pessoa, reduzindo muito o tempo de internação numa clínica psiquiátrica, ao contrário do filme Garota Interrompida, passado nos anos 1960, quando o paciente ficava muito, muito tempo internado, como na personagem psicótica de Angelina Jolie, havia anos internada numa clínica, numa atuação que deu um Oscar à bela estrela – beleza não põe à mesa. Aqui é uma estrela sendo revelada ao Mundo, como no boom de Madonna reverenciando a eterna deusa Monroe, um dos maiores ícones de feminilidade da História do Homo sapiens, numa mulher psicologicamente frágil, sempre em busca de figuras paternas, nunca adquirindo o controle de si mesma, quando que a única pessoa à qual tenho que pertencer sou eu mesmo, como um certo senhor, o qual está deixando que o Mundo lhe diga como tal senhor deve viver, e isso não é bom, meu rapaz. Aqui é como um túnel, um tubo, um canal, no espírito desencarnado indo em direção à luz para retornar ao Grande Lar Primordial, no glorioso retorno ao Lar, na linda canção Porto Alegre é demais: “É lá onde eu vivo em paz!”. Aqui é a cloaca geradora de Vida, numa tartaruga fêmea colocando dezenas de ovos na areia, no fato de que são poucos os filhotes que sobrevivem à travessia entre areia e mar, como no trabalho de divulgação e de Marketing, como num comercial sendo transmitindo pela TV: São poucos os consumidores que vão ser de fato atingidos pelo reclame, como no Facebook, quando são poucas as pessoas que serão de fato atingidas por uma postagem – é assim mesmo! Aqui é a revelação da beleza interior, como na feiosa inglesa Susan Boyle ao abrir a boca para cantar e deixar o Mundo boquiaberto com tamanho talento e beleza vocal, como abrir uma pedra de ametista: Por fora, opaca, feia e tediosa, desinteressante; por dentro, linda, arrebatadora, brilhante e sedutora, como eu gostaria de dizer para uma certa senhora: Eu não estou dizendo que você não pode ter um namorado gato; só estou dizendo que, além de gato, certifique-se de que tal homem seja uma pessoa boa. Aqui é a força de explosão de uma supernova, explodindo e levando tudo e todos consigo, num Cosmos tão dinâmico, com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, num astro de Hollywood num momento áureo de sucesso, este amante tão infiel, que hoje está com você mas, amanhã, não se sabe. Aqui é o divertido nome de doce “olho de sogra”, fazendo menção ao olhar frio da sogra que pode intimidar o próprio genro.

 

Referências bibliográficas:

 

Alice Shintani. Disponível em: <www.galeriamarceloguarnieri.com.br>. Acesso em: 2 nov. 2023.

Alice Shintani. Disponível em: <www.mercedesviegas.com.br>. Acesso em: 2 nov. 2023.

Projects. Disponível em: <www.aliceshintani.info>. Acesso em: 2 nov. 2023.