quarta-feira, 13 de março de 2024

Amando a mando de Amedeo (Parte 2 de 3)

 

 

Volto a falar sobre o pintor italiano Amedeo Modigliani. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Jeane Cocteau. O azul marinho é a discrição, num tom que não busca ser carnavalesco vibrante, como uma senhora discretíssima que conheço, discreta no modo de se vestir e falar, só usando maquiagem em ocasiões muito especiais, vivendo normalmente sem maquiagem no dia a dia. Esses pescoços delgados de Amedeo são a elegância e a altivez, na linha divisória que existe entre altivo e arrogante, sendo que este está prestes a cair, no fato de que a arrogância precede a queda, sendo insuportável uma pessoa arrogante, impossível de se conviver, aquelas pessoas que se consideram o centro do Mundo, como um certo publicitário, o qual, em sua presunção, achava-se dono e senhor da Festa Nacional da Uva de Caxias do Sul, quando que esta festa pertence ao povo da cidade, numa manifestação de Cultura Popular Brasileira. O lenço na lapela é a elegância, num hábito um tanto obsoleto, na existência dos lenços de papel, muito mais higiênicos, no modo como antigamente, creio eu, as pessoas eram mais garbosas – não sei se estou certo. A gravata apertada é o siso, o trabalho, a seriedade, no redentor momento de libertação do happy hour, dos drinques, quando as gravatas são afrouxadas e o Álcool entra no sangue com uma sensação de relaxamento, como já ouvi dizer: As pessoas não gostam do sabor do Álcool; as pessoas gostam do efeito do Álcool, na universalidade da bebida alcoólica, desde o saquê japonês até o rum caribenho, na tradicional cachaça brasileira e na tradicional vodca russa. O jovem aqui é magro e delgado, fino, como um rapaz que conheço, um rapaz fino, discreto, sabendo do valor do bom gosto e da exigência. O rapaz senta-se majestoso, como num rei em seu trono, no peso das responsabilidades de liderança, havendo líderes que, afastando-se do próprio povo, perdem o poder, como no Romanov deposto na Revolução Comunista, em eventos tão sangrentos como na covarde execução da Família Real Russa, assassinando inclusive crianças – é um horror. O rosto aqui tem uma imperfeição premeditada, pois não é perfeitamente simétrico, num Amedeo um tanto avesso a simetrias matemáticas e geométricas. Os olhos aqui se desencontram, como numa briga de casal, ou como numa guerra entre nações, na especialidade humana em favor do ódio e do derramamento de sangue, na máxima taoista: A Paz é maior do que a raiva. O cabelo negro é algo imprevisível e misterioso, na cor negra da discrição, do respeito e do luto, como num céu negro sem estrelas, no modo como nunca sabemos como as coisas vão exatamente acontecer na Vida, na máxima popular de que Deus escreve certo por linhas tortas, num presente que nos é dado sem prevermos tal teor de tal presente. Aqui é a magreza em sua obsessão, em mulheres dispostas a tudo para perder peso, como numa Maria Callas adquirindo verminose premeditada para, assim, emagrecer, em cruéis padrões de beleza que agridem a mulher, perdendo um dos prazeres da Vida, que é a Gastronomia. O queixo aqui é anguloso, proeminente, altivo, como num altivo cavanhaque de faraó, num símbolo de poder divino, num regente que era visto, pelo próprio povo, como um herdeiro direto dos deuses, no modo como, no fascinante Egito Antigo, Arte, Política e Religião caminhavam juntas, na tradição milenar do panteão de deuses, algo interrompido no controverso reinado de Aquenáton, o faraó que instaurou a primeira fagulha de Monoteísmo da História, nesses momentos de rompimento e transgressão, no modo como o transgressor acaba por ocasionar a evolução de sua própria sociedade. O rapaz aqui, esperando, é a paciência, no modo como eu, certa vez, perguntei à atriz Gloria Pires qual era a sua técnica de construção de personagem, e ela me disse que o ingrediente mágico é a paciência, desdobrando o personagem e entendendo as motivações deste. O rapaz aqui está garboso, impecavelmente barbeado, talvez para ir a um elegante café, talvez com o perfume de uma agradável colônia pós barba, inebriando as pessoas ao redor, no fascínio das fragrâncias, indo até o incenso indiano, usando em missas católicas, no modo como o perfume nos dá ideia da limpeza e da pureza do glorioso Plano Metafísico.

 


Acima, Jeanne Hebuterne. A pose é natural, sem formalidades, talvez por se tratar da esposa do artista, num grau de intimidade, o que nos faz lamentar por Amedeo não ter sido reconhecido em vida, em melancólicos troféus póstumos, como no Oscar de Heath Ledger, remetendo a uma certa popstar, a qual, sinto em dizer, só será devidamente reconhecida postumamente, deixando no Mundo um legado inestimável, uma mulher que paga um preço caro por ser uma mulher num mundo de homens, na eterna misoginia humana, no mito maldito de Eva, a responsável pela derrocada da Humanidade, seduzindo e arruinando a figura perfeita de Adão, a obraprima do Criador Supremo, do qual temos a imagem de um patriarca – será que um dia veremos uma mulher papa? O decote aqui é ousado e tentador, em toques de sensualidade, na diferença entre sexy e vulgar, como na provocante fenda do vestido de Gisele na abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, talvez desagradando a mulher que é, de fato, a Garota de Ipanema, nas fogueiras de vaidades do Mundo, na raiva inconsciente que as mulheres têm de Gisele, imitando o cabelo ondulado desta, na aliança entre admiração e raiva – quando alguém vira um hit, todos querem um “pedacinho” deste alguém. A cadeira é o repouso, o descanso merecido após um dia de labor, nas cruéis senzalas escravocratas, confinando negros como se estes fossem cachorros num canil, tudo em nome da ambição dos barões do Café, exportando o precioso grão para a Europa, nos elegantes cafés parisienses, no modo como, neste momento, com a valorização do Euro e a desvalorização do Real, a capital francesa está “os olhos da cara” para os brasileiros. Amedeo gosta desses olhos “vazados”, sem pupila, como olhos de esculturas, sem Vida, olhos incertos, pois não sabemos para onde estão olhando, como olhos de deficientes visuais, remetendo a uma menina que me marcou, uma menina quase cega, paupérrima, vendendo sabonetes caseiros na Rua, buscando comprar algum pão para não passar fome, nessas passagens das quais não esquecemos. O quadro aqui traz simplicidade, pois Jeanne está sem anéis, brincos ou colares, num desprendimento, numa renúncia às riquezas mundanas, na canção tradicional do programa dominical televisivo de Silvio Santos: “Do Mundo não se leva nada! Vamos sorrir e cantar!”, na capacidade excepcional de uma pessoa em se manter humilde, mesmo atingindo pícaros de sucesso, fama e popularidade, no modo como a Vida vai exigindo que tenhamos tal humildade para, assim, aturar os meandros traiçoeiros do sucesso, remetendo a um certo pobre coitado senhor, o qual, obtendo esmagador sucesso e popularidade em vida, acabou se suicidando, achando que não tinha escolha, num homem que não teve estrutura psíquica para aguentar tal carga, na noção espírita: Você não imagina a qual estado ficam reduzidas psiquicamente as pessoas que são consideradas felizes na Terra, no vazio excruciante que é a vida de uma pessoa rica e improdutiva, na palavras sábias e humildes de DiCaprio: “Não pode faltar trabalho!”, e não é maravilhosa uma pessoa que não permite que o sucesso suba à cabeça? O vermelho aqui é bordô, de vinho tinto, nos altos custos de produção de vinho, começando pela colheita da uva, um processo manual e artesanal, sem poder ser um processo automatizado – talvez algum dia a Humanidade invente uma forma de colher uva de forma automatizada. Aqui, temos uma mulher bem jovem, sem um único cabelo grisalho, num penteado aprumado, formal, disciplinado, num momento de autoestima em frente a um espelho, como a reza a lenda de que Evita Perón levava cerca de quarenta minutos para se aprumar devidamente. Os ambientes ao fundo são simples, sem babados ou frufrus, num artista que sabia do valor da limpeza e da simplicidade, no modo como a simplicidade é o mais elevado grau de sofisticação, nas linhas simples da Brasília de Niemeyer, na busca de uma identidade brasileira, no grande desafio do Cinema Brasileiro, que é encontrar tal identidade própria e única, parando de imitar a suprema Holywood.

 


Acima, Jeanne Hebuterne sentada. A cama é um dos maiores prazeres da Vida, que é o sono, nos sedutores braços de Morfeu, no ato de, de vez em quando, deixar a disciplina de lado e ficar mais um tempo na cama, mesmo já se tendo dormido o tempo suficiente de descanso. O despertar é um momento de sacrifício, como o senhor meu pai acordando minha irmã em manhãs de aula no Colégio, muitas vezes em gélidas e hostis manhãs geladas de Inverno, com meu pai dizendo: “É fogo!”. É um momento de sacrifício, por assim dizer. A cama é a intimidade de casal, num grau de extrema proximidade, nos versos da canção famosa de John Mayer: “Teu corpo é uma terra de maravilhas!”, remetendo à piadinha: “Qual é o único defeito da mulher? O ‘playground’ é muito perto do ‘esgoto’!”. Aqui remete à fábula das camas da família Urso, no caminho do meio: Uma das camas era muito dura; a segunda cama era muito mole; a terceira cama tinha o conforto ideal. É como num dia agradável de meia estação, remetendo às temperaturas do Plano Metafísico, com dias agradáveis e noites amenas, no fato de que, lá em cima, não estamos mais ligados aos nossos corpos carnais, os quais são sensíveis ao frio e ao calor – é a glória, meu irmão! Aqui não é um momento de sono ou de se deitar, pois a modelo está vestida para sair de casa, vestindo-se especialmente para tal pose, havendo na Monalisa o retrato mais enigmático da História, a maior obra de Arte de todos os tempos, rendendo inúmeras interpretações, na decepção que é ir ao Louvre e se deparar com um quadro tão pequenino, frente a sua esmagadora e imensurável fama, um quadro do qual, reza a lenda, da Vinci nunca quis se desprender ou desfazer, no poder da Arte em marcar as mentes das pessoas, em talentos tão esmagadores como Michelangelo, para sempre expostos para plateias perplexas frente a tal genialidade, no dever da Arte, que é encantar e deslumbrar. Num local bem discreto e coadjuvante, vemos um criadomudo, que é a serventia, a utilidade, como numa pessoa dependente de criados, de empregados, numa preguiça de ir à cozinha e se servir de um copo de água, solicitando tal copo ao servente, como uma certa moça da qual lembro: Certa vez, ajudei-a a colocar o lixo no container do lixo na Rua, e o fiz por pura gentileza e educação, e quando eu encontrei novamente a moça levando o lixo, ela simplesmente me deu uma ríspida ordem, exigindo que eu abrisse a tampa do container, e claro que não abri, quase lhe dizendo: “Querida, eu sou gentil mas não sou subserviente!”. Jeanne aqui está comedida, comportada, humilde em seu próprio espaço, talvez no papel de pura esposa e dona de casa, no termo machista: “Bela, recatada e do lar”, sufocando o direito da Mulher em pensar por si mesma e construir carreira, sendo tão malvista a mulher independente, que não é escrava de um homem provedor. Os dedos estão entrelaçados, reunidos, aliados, como num momento de engajamento comunitário, como na articulação comunitária para se fazer uma festividade, como nas numerosas festas comunitárias em solo gaúcho, num momento em que as pessoas se esquecem de suas diferenças e unem-se me torno do bem comum, elegendo meninas bonitas para que sejam representantes das belezas de suas respectivas terras, como um certo senhor maravilhoso que conheci, o qual adquiriu um poder de príncipe, unindo as pessoas em torno de um bem comum, que foi a concretização de uma filmagem, fazendo da Paz a cola que une as pessoas, na Paz inabalável do Plano Superior, uma vizinhança plácida repleta de amigos, num extremo respeito mútuo, num plano em que temos todos a noção de que somos príncipes, filhos do mesmo Rei, numa revelação de luz, nos eternos esforços do padre na Igreja, chamando-nos de “irmãos”, como no carinho que Chico Xavier tinha por todos, num homem tão adorado e respeitado pelo Povo Brasileiro. O quarto aqui é o retiro merecido depois de um dia de dedicação, como no trabalho árduo do colono italiano na Serra Gaúcha, num exemplo de reforma agrária que deu certo, no poder do trabalho, a força que nos mantém mentalmente sãos.

 


Acima, Jovem. O pescoço é um pilar, uma sustentação, numa pessoa forte, a qual sabe sobreviver, como na questão do sucesso – este pode ser uma bênção e uma maldição, pois quando o sucesso vem, temos que saber superá-lo e continuar tocando a vida para frente, com humildade, e os exemplos são vastos, como por exemplo o seriado Friends, com os cinco protagonistas remanescentes tentando, até hoje, sobreviver a tal sucesso, no sentido da pessoa ter a humildade para continuar “guiando o barco”, como no jogador Romário, o qual, depois da glória do Tetra, trazendo para casa tal troféu cobiçado, estava, tempos depois, bem humilde, jogando no estádio caxiense Alfredo Jaconi, continuando a conduzir a carreira, pois não é insuportável uma pessoa arrogante? A arrogância não precede a queda? Os olhos de Amedeo são assim, sem vida, sem pupilas, incertos, pois não sabemos para onde olham, em mistérios da Vida, no modo como nunca podemos prever com as coisas de fato acontecerão, pois se pudéssemos antever, as coisas não aconteceriam! É o mistério da Vida, inspirando a Arte, cujo nervo é a Vida, desde sempre no Homo sapiens, num Ser Humano começando com decorações de cerâmica, diferenciando-se dos macacos, os quais não têm a capacidade de pegar um pincel e pintar um quadro, apesar dos macacos serem bichos relativamente inteligentes. A cor cinza ao fundo é a incerteza da existência, como no famoso Castelo de Grayskull, do universo do herói He-Man, ou seja, o Castelo da Caveira Cinza, pois é o resultado da junção entre branco e preto, ou seja, Bem e Mal, num castelo que pode ser tomado por qualquer um dos lados, na eterna luta contra o Mal, contra Esqueleto, o senhor malévolo da destruição, na questão humana de se combater entre luz e escuridão, em questões tão básicas como a taoista: A paz é maior do que a raiva, pois só a verdade é eterna, e a mentira está fadada à danação eterna. O semblante e o formato das sobrancelhas revelam uma certa tristeza, uma melancolia, numa carência afetiva, numa pessoa que, por mais que ria e sorria, sempre terá olhos tristes, como um certo popstar, um homem um tanto triste, seríssimo, agressivo, um homem que nunca em público foi visto sorrindo, como no filme Onze homens e um segredo, quando a personagem de Julia Roberts diz que o atual marido não a faz rir, mas também não a faz chorar, um relacionamento morno. O cabelo escuro é o siso e a discrição, na questão da humildade, pois tudo o que preciso fazer para “quebrar a própria cara” é ser arrogante, no modo como a humildade é tão subestimada, e poucos conseguem entender o “nada fazer” de Tao, numa atitude clean, na qual só devo fazer algo quando é necessário, evitando frescuras sujas e desnecessidades, como uma certa senhora muito bem sucedida, a qual sabe que não pode parar de trabalhar, na humildade para eu entender que não sou o centro do Universo, ao contrário de um insano e patético sociopata, o qual se acha Deus, e essa arrogância não é insuportável? É como numa família que conheço, na qual está infiltrada uma sociopata, uma manipuladora que brinca coma cabeça das pessoas, espraiando suas malícias e maldades, como na recomendação no filmão O silêncio dos inocentes: Nunca dê informações pessoais a um sociopata, como num sociopata que virou psiquiatra, recebendo informações altamente pessoais, brincado assim com a vida das pessoas – é um horror. O decote aqui é altamente discreto, numa mulher que não quer se expor demais, como na famosa foto das jovens Sophia Loren e Jane Mansfield, com esta com um decote absolutamente ousado, quiçá vulgar, com Sophia olhando com reprovação para tal decote, na linha divisória que existe entre sexy e vulgar, como na Playboy brasileira, numa nudez que revelava, mas nunca agredia a modelo, em fenômenos de vendas de exemplares como na primeira Playboy de Adriane Galisteu, a qual não obteve sucesso com sua segunda Playboy – o sucesso é um amante infiel! O cabelo aqui tem uma pitada de caos, no modo como uma pitada de feiura pode se revelar sexy, como numa Barbra Streisand, uma “feia bela”, por assim dizer.

 


Acima, Madame Kisling. Aqui é como pode ser fashion e estilosa uma mulher que se veste como homem, como na estrela Diane Keaton, famosa por seus trajes com uma pitada masculina, como uma gravata, na piada no seriado Friends, quando um terno masculino teria pertencido a Diane, como numa Madonna, a qual disse em entrevista que, às vezes, sentindo-se um tanto masculina, veste-se como um menino, com um boné de Baseball, no modo como o estilo é um excelente meio de autoexpressão, no modo como tem que haver liberdade para que cada um se expresse devidamente, no modo como ainda há muito preconceito no Mundo, como um certo rapaz que vi certa vez numa casa noturna, um rapaz todo estiloso, alvo de chacota de um outro rapaz, medíocre este, como um homem que conheço, o qual não obteve sucesso na carreira artística porque é um medíocre, numa pessoa que simplesmente não brilha, numa pessoa a qual, de tão microscópica, acha que é tudo culpa do Mundo, na máxima de que quem não tem competência não se estabelece. O rosto aqui é todo anguloso, de linhas tensas, masculinas, como aristocráticas listras, na magia de uma peça de roupa listrada, num charme aristocrático. O cabelo da modelo é bem moderno, na revolução de mulheres com cabelos curtos, de homem, nos versos de uma certa canção pop: A Sociedade não leva a mal uma menina com cabelos curto, pois em tal sociedade ser homem é glorioso, ao contrário do rapaz com cabelos longos, de mulher, no sentido de que tal sociedade vê com maus olhos a mulher. É o mundo misógino no qual vivemos, no qual a mulher tem que assumir o sobrenome do marido na Igreja, indo das mãos do pai para as mãos do marido, nos versos de uma canção da banda Maroon 5: “Rainha de beleza com apenas dezesseis anos de idade. Sempre pertenceu a alguém”. A gravata é a disciplina, como um certo senhor, o qual se manifestou “enforcado” pelas exigências da própria esposa, no modo como, num casamento, é imprescindível que haja paciência – não é perfeito, mas é meu cônjuge e eu o amo! Como uma certa senhora não fumante, aturando há décadas um marido fumante, o qual, por sua vez, atura esta chata autoassumida que é tal senhora. A cabeça pende para o lado, como num sino anunciando algo solene, num balanço, num movimento, num quadro que evita simetrias clássicas, como dois pesos sendo medidos, como na imagem da Justiça, uma mulher com olhos vendados em frente ao STF em Brasília, na questão de que ninguém está acima da Lei, no termo “doa a quem doer”, na questão de um cidadão humilde, que sabe que tem que respeitar a Lei, respeitando as instituições e as autoridades, como respeitar um monarca, o qual tem o DEVER de respeitar cada um de seus súditos, servindo estes, no desafio que é um monarca impor respeito entre os súditos do reino, num líder que tem que se manter simples, conquistando, assim, o carinho do povo, como um rei tranquilamente sentado assistindo a algum canal da TV de seu reino, no discurso conciliatório de uma jovem Elizabeth II: Todo e qualquer cidadão britânico pertence à Grande Família Imperial, numa inclusão, com tudo girando acima da Dimensão Acima, na qual a mentira se desfaz e a verdade se impõe: Somos todos príncipes, filhos do mesmo Rei, numa revelação de luz, com a força da Aurora nos trazendo tal esclarecimento de fatos. As modas capilares marcam épocas, com este corte digno de anos 1920 ou 1930, em revoluções como a de Chanel, a feminista que libertou as mulheres, em revoluções como a da mulher usando calças, algo tão impossível de se imaginar em eras anteriores, na imposição social do vestido da mulher, oprimindo esta com espartilhos dolorosos, no modo como certas culturas ao redor do Mundo seguem oprimindo terrivelmente a mulher, impedindo esta de ser dona de si mesma. A mulher aqui é ousada e avantgarde, mostrando que apenas um homem muito macho pode arcar com tal mulherão.

 


Acima, Menino campesino. O rapaz é ainda muito jovem, como no filmão O Império do Sol, quando um menino, ao enfrentar os horrores da II Guerra Mundial, acaba o filme homem, voltando aos braços da família que perdera no início do conflito, e esta é a “beleza” da guerra, deixando rastros de destruição, fome e sofrimento, em um insano Putin, condenado por toda a Sociedade Internacional, numa guerra absolutamente sem necessidade, num rei infeliz, o qual nunca está feliz e contentado dentro de seu próprio território, sempre tendo que anexar os reinos vizinhos, na tentação do Anel do Poder de Tolkien, seduzindo e fazendo-nos pensar o que faríamos se tivéssemos tal poder imensurável. O rapaz é corado, talvez sob o Sol dos labores na terra, numa vida árdua, como na vida do imigrante italiano na Serra Gaúcha, enfrentando um lote de mata virgem, num labor calejando as mãos, algo que criou em tal região a cultura do trabalho árduo, num colono que ia dormir sonhando com uma mesa farta de galeteria, com muito galeto, massa, vinho, polenta etc. O rapazinho nasceu e cresceu em tal contexto campesino, sendo desde muito jovem agente de tal labor, no modo como o grande intelectual Harari aponta que a Revolução Agrícola trouxe apenas ainda mais trabalho ao Homem, numa dedicação campesina de Sol e Sol, num trabalho bem árduo, só havendo descanso no Domingo, o dia em que até Ele repousou, num colono italiano que só não trabalhava no Domingo porque o padre e a religião não permitiam, como na famosa pintura Tempora Mutantur, do mestre Pedro Weingärtner, com o casal de colonos num breve momento de descanso na roça, com o homem olhando para o vazio e a mulher observando os calos em suas próprias mãos, como na forte Scarlet O’hara, encarando o labor árduo na plantação de algodão da família, com a irmã de Scarlet lamentando que uma mulher pode ser conhecida por suas próprias mãos, lamentando, assim, seus próprios calos, numa história de superação e força para encarar os males da Guerra. O rapaz aqui está comportado, como se soubesse que um modelo tem que ter a paciência para posar, como uma certa senhora que posou para Aldo Locatelli, o qual, reza a lenda, fumava um cigarro após o outro, sem pausa entre um cigarro e o outro, morrendo de Câncer. O traje do rapaz e a parede formam um continuum cromático, na sedução de oceanos azuis, como na Grécia, com suas casas brancas, nas cores da elegância náutica, resultando em fragrâncias que remetem a tal beleza de cores, na sensação de liberdade que a orla traz, no vazio da orla, onde escrevemos nossas percepções, havendo em Tao isto, o vazio do infinito, a Vida Eterna em seu poder imensurável, este presente de Deus, no mistério eterno, e não é poder demais que não existirá fim? O chapéu é o resguardo, para se proteger do Sol, como no chapéu de palha do colono italiano, saindo da Itália fria para o calor subtropical do sul do Brasil. O rapaz é um pouco gordinho, num rapaz forte e saudável, apto para o árduo labor rural, e o botão do colete quase explode, talvez num estilo de vida em que não falta comida à mesa. A cadeira é o descanso, na volta ao lar no fim do dia, numa exaustão, no momento de se desligar da Vida e ter uma merecida pausa, como num intervalo após o início das aulas numa manhã, no momento do recreio escolar, no qual o professor faz sua pausa, sabendo que a Vida precisa de pausa, ao contrário de uma senhora que conheci, a qual simplesmente não se permitia descansar, chegando ao ponto de simplesmente não dormir entre o um dia e outro de trabalho, numa grande falta de respeito para consigo mesma, na sabedoria de que respeito é para quem se dá ao respeito. Os olhos do menino são azuis como nos tons dominantes no quadro, no azul do Céu, da promessa do Reino dos Céus, a Vida gloriosa que nos aguarda após o Desencarne, no siso de que, mesmo após o Desencarne, temos que arrumar um emprego, uma função, pois até Tao está o tempo todo criando e laborando.

 

Referências bibliográficas:

 

Amedeo Modigliani Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 28 fev. 2024.

quarta-feira, 6 de março de 2024

Amando a mando de Amedeo (Parte 1 de 3)

 

 

De família judia, o italiano Amedeo Modigliani (1884 – 1920) viveu a maior parte da vida em Paris. É conhecido por seus retratos de rostos e pescoços alongados, tais quais máscaras africanas. Morreu jovem, muito pobre, doente – com Meningite – e envolvido com Álcool e drogas. Também pintou retratos da própria esposa Jeanne. Os textos e análises semióticas a seguir são inteiramente meus. Boa leitura!

 


Acima, Moise Kisling. Nos olhos, temos um desencontro, como numa discordância ou um desentendimento, como numa briga de casal, num casal há décadas enlaçado, sobrevivendo a crises, ao contrário de outros casais, os quais se separam frente à mais ínfima crise, faltando persistência, como num casal que conheço, no qual ela, não fumante, atura um marido fumante – o marido dela não é perfeito, mas ela o ama, na máxima popular de que ninguém é perfeito. O pescoço é forte, robusto, numa pessoa que passou por vicissitudes e fortaleceu-se nos labirintos da Vida, no modo como as crises são positivas, pois assinalam um momento de renovação na vida da pessoa, como me disse uma psicóloga, nas palavras de uma certa canção cantada por Diana Krall: Você pode estar farto de tudo isso, mas você será um homem, meu filho. A boca aqui é minúscula, no modo de Amedeo de brincar com proporções, tecendo faces um tanto deformadas, como nas deformidades cubistas de Picasso, no modo como a Academia de Hollywood ama atores que se desfiguram para um determinado papel, como num irreconhecível Heath Ledger como Coringa, num triste Oscar póstumo, num homem que morreu na flor da idade, em mortes trágicas como James Dean ou Elis Regina, tão jovens, com tanto pela frente. O rapaz aqui é jovem e belo, talvez arrancando suspiros das moçoilas, em momentos sociais de flerte, na dureza heterocentrada, na qual homem é para mulher e viceversa, como na introdução do livro da sexóloga Marta Suplicy para adolescentes: “A adolescência é a época em que os meninos começam a se interessar pelas meninas e viceversa”. Os olhos aqui são negros e profundos, misteriosos e imprevisíveis, como num enigmático bicho de estimação como o gato, misterioso em seus sentimentos, ao contrário do cão, o qual deixa muito claro quando gosta ou não de algo, como no misterioso personagem felino Garfield, cheio de meandros, de ironia cáustica, ao contrário do cão Odie, muito simples em suas emoções, no modo como esses bichinhos de estimação podem ser tais fiéis companheiros, como uma amiga solteirona que tenho, a qual tem como companhia dois cachorros, o que acarreta uma série de responsabilidades: comprar e transportar sacos de ração, pagar taxas em petshops, levar o bicho para defecar na Rua etc., havendo pessoas que não têm tal paciência, sequer com a paciência de ter uma plantinha na sacada – são escolhas de Vida, nas palavras de uma sábia amiga minha psicóloga: “A Vida é feita de escolhas!”, numa pessoa feliz, que se casou com quem realmente ama, no caminho da felicidade, com tantas e tantas pessoas pouco felizes, as quais fazem escolhas sem visar tal felicidade, numa questão de causa e consequência. O rapaz aqui é garboso, impecavelmente barbeado, preparado para a interação social, com tantos jovens flertam após missas em paróquias, tendo uma religião em comum, no tradicional casamento católico na Igreja, na tradicional noiva de branco, num divertido contraste com a noiva cigana, a qual veste vermelho, no modo como as diferenças culturais são peculiares e divertidas; no modo como, mesmo frente a tais diferenças, a questão humana é universal, como na união homem/mulher, ocorrendo até em tribos amazônicas, no casal fazendo a cópula frente a todos os outros da aldeia, numa cópula socialmente aprovada, nessas obrigações de casais de realeza, sofrendo pressões para colocar no Mundo um herdeiro varão, na obsessão de Henrique VIII em colocar no Mundo tal herdeiro, numa Elizabeth I que se revelou além de muitos regentes homens, num reinado que dividiu em duas a História da Inglaterra, em ícones feministas, unindo beleza feminina com força masculina, no arquétipo universal rei/rainha, no forte frente à fraca. O cabelo do rapaz é de um corte bem rente, masculino, com tantas mulheres que adoram ter tal cabelo masculino, em ícones libertários como Coco Chanel.

 


Acima, Mulher. O pescoço alongado remete ao longilíneo pescoço do famoso busto de Nefertiti, o qual, de jure, é uma peça de calcário que não vale um centavo mas, de facto, tem um valor inestimável, ao ponto de ser objeto de disputa entre Egito e Alemanha, onde está hoje, num arquétipo de beleza feminina que ultrapassa milênios, revelando certos traços culturais egípcios, como nas sobrancelhas impecavelmente depiladas delineadas, num ato de civilização e disciplina, em atos de garbo e aprumação, numa consorte que sabia o valor de uma boa aparência, conquistando a confiança do povo, o qual gosta de regentes arrumados e bonitos. O preto aqui é a cor da discrição e do luto, numa cor que entrou para a Moda nos anos 1990, no termo “pretinho básico”, nos versos de uma certa canção pop: “Aqui, neste mundinho fechado, ela é incrível, com seu vestidinho preto indefectível”. O preto remete à minha senhora bisavó, a qual, ao enviuvar, vestiu, pelo resto da vida, só roupas pretas, num luto ad eternum, nessas senhoras digníssimas de respeito, apreciadas pela comunidade, recebendo visitas em sua casa, sabendo do valor da discrição no meio comunitário, como uma certa socialite paulistana, a qual tinha duas salas de visitas, e, conforme a pessoa que recebia, recebia ou na sala tradicional, ou na sala moderninha, nas palavras de um sábio senhor que foi meu professor universitário: “Eu tenho dois “olhos” – um moderno e um conservador”. É como no restauro do casarão de pedra construído por meu senhor tataravô no município de Flores da Cunha, na Serra Gaúcha, uma obra que juntou as tradicionais paredes de pedra com um topo de material moderno, mais leve. Os olhos da moça aqui são vagos, com em olhos de esculturas, numa pergunta que ouvi: “Por que será que os olhos das esculturas não têm vida?”. É como num majestoso conjunto de bustos romanos no novaiorquino Met, com cada busto cheio de vida, de personalidade, parecendo estar vivos, observando o visitante, num museu que é o nervo de Arte e beleza de Nova York, merecendo muito mais do que somente um dia de visitação, como num gigantesco Louvre, na riqueza imensa da nação francesa, nos reis sóis com estilo imitado por Dom Pedro I em uma certa pintura, no modo como, já ouvi dizer, os parisienses são um povo muito provinciano, achando-se o centro do Mundo, um fato que me leva à conclusão de que o Ser Humano, em geral, é provinciano, como nas palavras sábias do finado mestre gaúcho Tatata Pimentel, o qual dizia que o jornal gaúcho Zero Hora é um jornal provinciano, no termo “bairrismo”, quando algo é maravilhoso só porque está na ZH. O vestido negro e o cabelo aqui formam um continuum de mistério, numa profundidade negra, como um lago misterioso, negro, profundo, plácido, cheio de paz e introspecção, num momento de introspecção no lar, na casa, na “muvuca”, termo carioca para “lar”. A moça aqui é um tanto triste, como uma pintura a óleo que tenho em casa, de uma gueixa com um olhar triste, melancólico, talvez num momento de perda e luto, num processo que leva um tempo para se dissipar, como na morte do marido da rainha Victoria, a qual levou um certo tempo para superar tal perda, como numa triste Carrie no filme Sex and the City, abandonada na Igreja pelo canalha do companheiro, nela perguntando às amigas: “Será que um dia poderei rir novamente?”. O quadro aqui é quase simétrico, com a cabeça pendendo um pouco para um dos lados, como no design do Congresso de Brasília, com as torres gêmeas pendendo um pouco para um dos lados, num equilíbrio de equação matemática, como nas assimetrias de Mondrian, num jogo de equilíbrio. O fundo cinzento combina com o negror, numa harmonia cromática, na discrição do cinza, como já ouvi dizer que São Paulo é a cidade cinzenta dos negócios, como Caxias do Sul, uma pequena São Paulo, numa Caxias cujo turismo de fato é o executivo, ao contrário dos encantos turísticos gramadenses, esta, sim, uma Meca turística. Aqui temos seriedade, talvez num senso de responsabilidade e siso.

 


Acima, Mulher com leque. O leque é um arejamento, como nos sopros de renovação na Europa Renascentista, com selvagens terras americanas descobertas, objetos de disputa entre potências europeias, fascinando o europeu com as tribos de indígenas canibais. O leque é uma gradiente, como numa classe escolar: Há os alunos brilhantes, os medíocres e os indisciplinados. É um leque de opções como numa gigantesca urbe, como Nova York, cheia de shows majestosos da Broadway, nessas cidades que respiram Arte, num meio tão competitivo como a Broadway, nos cobiçados Tony Awards, o Oscar do Teatro Novaiorquino, em artistas tão excepcionais como Frank Langella, conquistando mais de uma vez tal cobiçado troféu, nesta fogueira de ambições que é Hollywood, com tantos sonhos despedaçados todos os dias. O leque é o alívio de senhoras para ambientes quentes, em eras sem ar condicionado, uma grande invenção do Ser Humano, remetendo à recente viagem dos senhores meus pais ao santuário brasileiro de Aparecida, num fevereiro de temperaturas tórridas, com os padres rezando as missas cobertos de vestimentas compatíveis com o frio europeu. Modigliani gosta de tais bocas diminutas, com nas boquinhas de gueixas, simbolizando um certo recato, uma feminilidade, num minimalismo, como numa limpeza, em contraste com o bocão de Angelina Jolie, de uma beleza tão arrebatadora, etérea, na capacidade instintiva de uma pessoa conduzir a própria carreira, tornando-se uma pessoa tão famosa, rica e importante, num instinto o qual nenhum livro é capaz de ensinar, na noção taoista: As pessoas precisam aprender por si mesmas a lição da simplicidade, num caminho autodidata, numa noção que valoriza o não fazer taoista, numa ação minimalista e limpa: Quando você precisar tomar alguma ação, faça apenas o que é necessário, na noção do não fazer, a gostosa preguicinha, no sentido da pessoa de sair do meio da “estrada” e deixar Tao fazer o trabalho, numa doutrina enigmática e atual, apesar de ter sido redigida há milênios, no modo como os gostosos pecadinhos capitais geram invenções majestosas, como na gostosa vingancinha de Julia Roberts em Uma Linda Mulher, vingando-se de atendentes esnobes que se negaram anteriormente a atendê-la: Quem não vai se apaixonar por Julia? É no termo “chupar uma manga” – Chupa essa manga! O fundo aqui é rubro e vibrante, remetendo à sala de estar de um senhor que conheci, uma parede vermelha que “apimentava” as visitas em tal cômodo, provocando, excitando, como uma boa pizza de calabresa picante, na magia de cozinhas como a baiana e a mexicana, ou na raiz forte japonesa, no episódio de The Nanny em que a protagonista Fran quase “morre” ao comer muito tal condimento. O decote aqui acusa um dia de Verão, numa Paris que pode ser tão tórrida na estação mais quente do ano, na magia de tais regiões de clima temperado, com as estações bem definidas e particulares, como numa pálida Londres, com poucos dias de Sol radiante e tórrido. O quadro aqui tem um certo movimento, com o leque sendo balançado, num vaivém de cópula, num barco boiando, na deliciosa sensação liquidiscente da Experiência Extracorporal espírita, no retorno ao útero – escuro, quentinho, silencioso e acolhedor, num prazer total, no eterno retorno ao Útero Primordial de Nossa Senhora, numa dimensão onde tudo é limpo, belo e agradável, como na cena final de A Cela, quando Jennifer Lopez incorpora a Virgem Santíssima, em contraste com a ala caótica, sofredora e deprimente do psicopata, num filme de forte apelo visual. Aqui não é uma moça, mas uma senhora, uma pessoa que aprendeu muitas lições na Vida, numa mulher fina, que sabe do valor do minimalismo comportamental, talvez uma senhora que conquistou o respeito da comunidade onde vive, sabendo que respeito é para quem se dá ao respeito. Aqui é esta paixão de Amedeo por figuras longilíneas como girafas, remetendo à vitrine de uma loja em Gramado, na qual uma girafa, em tamanho real perfura o andar acima com seu pescoço descomunal.

 


Acima, Noiva e noivo. Aqui remete a um casal que conheço, no qual o homem é mais baixinho, então, a mulher, ao tirar foto com o marido, agacha-se um pouco para que ele não pareça tão baixinho, como no nanico Tom Cruise, exigindo que uma certa esposa na época de casados usasse sapatos sem salto em aparições públicas ao lado do astro, o qual é, por ironia, um altíssimo colosso em Hollywood, sobrevivendo há décadas na “selva” da celebrização mundial. É no simples discernimento taoista: Quando digo que algo é pequeno, é porque comparo com algo maior, numa simples relatividade, como no nosso Sol, um gigante MUITO maior do que a Terra, mas um Sol ínfimo em comparação a estrelas muito maiores. Os rostos de Amedeo são sérios, sem o menor sorriso, como na vocalista do duo pop Everything but the Girl, uma mulher de olhos bem tristes, um tanto carentes, como uma pessoa blindada e protegida contra apelos auspiciosos, nas sábias palavras da senhora minha mãe: “Seja muito digno e austero, pois o Mundo só pertence aos dignos – o resto são sinais auspiciosos!”, como nas tediosas alas vip de boates, quando que a festa, no frigir dos ovos, acontece no coração da pista de dança. A ocasião aqui é solene, de gala, especial, pois o senhor está com um elegante smoking, na magia de ventos grandiosos, luxuosos, algo que nos dá uma provinha da gloriosa vida que nos espera após nossa breve passagem pela Terra, esta escola que tanto nos faz crescer, trazendo-nos depuração a aperfeiçoamento moral, na vitória da verdade. Cortando os rostos aqui, temos uma linha reta vertical, num divisor de águas, como na chegada da maturidade, um divisor de águas na vida da pessoa, no advento glorioso da sabedoria, do juízo e da responsabilidade, algo difícil de se encontrar em adolescentes, a idade na qual fazemos muitas merdas, com o perdão do termo chulo. Aqui temos a magia do contraste, com o traje do cavalheiro em preto e branco, em filmes em preto e branco, no termo “tela prateada”, com os deuses do Cinema em telas gigantescas, na chamada Era de Ouro de Hollywood, numa geração tão peculiar, em atrizes portando majestosamente seus vestidos, algo análogo às modelos de hoje em dia, no inevitável exemplo de Gisele, portando seus vestidos como uma rainha, muito além de muitas atrizes mal vestidas, no modo como, em premiações pela TV, dá de tudo em relação a trajes tanto masculinos quanto femininos, na questão de como o estilo e a atitude podem arrebatar o Mundo, em astros de estilo imitado, em comoções pop mundiais, no poder da Arte sobre a mente humana, conquistando por meio de carisma, como tietes histéricas frente a seus ídolos em tapetes vermelhos, o símbolo da celebrização vip, até chegar ao ponto da pessoa precisar andar disfarçada na Rua para pode passear em paz, ou seja, a celebrização tem toda uma face infernal, sinto em dizer, numa espécie de prisão, resultando em exceções como a célebre Jackie O., podendo esta passear em paz pelas ruas de Nova York, uma mulher que foi entusiasta da Arte, integrando o quadro cultural da Big Apple. Aqui é como numa foto em coluna social, numa “fogueira de vaidades”, como no baile brasileiro da revista Vogue, uma chuva de plumas e lantejoulas histéricas, numa atroz competição para ver qual delas é a mais maravilhosa, no modo como a Vida em Sociedade traz tal competitividade, como na Escola, na competição para ver qual é o aluno mais aplicado, o queridinho do professor, pois não são os Esportes o maior símbolo da competitividade do Ser Humano? É a questão das ambições mundanas, numa pessoa que quer fama a qualquer custo, no modo como a exposição midiática pode se tornar complicada, numa pessoa que, repito, não pode passear em paz pela Rua. O bigode grisalho do homem mostra um quadro de meia idade, na idade em que temos maturidade mas não somos tão velhos assim, como no Aragorn de Tolkien, um homem de 47 anos de idade que está na flor da idade e no auge da virilidade, como um James Bond. Aqui remete a meus pais indo a eventos sociais, com ambos saindo de casa perfumados, na magia das fragrâncias, no modo como o se perfumar é um ato de autoestima.

 


Acima, Nu feminino. É impressionante como os gregos antigos lidavam de forma natural com a nudez, como no Éden pré serpente, no ponto em que a malícia se impôs e os sexos foram tapados por folhas. A mulher aqui está dormente e entorpecida, passiva, deixando-se retratar, num momento de intimidade num atelier de artista, no momento em que a modelo se joga nos braços do pintor, como numa íntima sessão de Psicoterapia, no momento em que o paciente confia no terapeuta e “rende-se”, no papel de guia espiritual, que nos mostra o Mundo da forma mais fria e realista possível, com humildade e pés no chão. O nu aqui não é vulgar ou agressivo, como na revista Playboy brasileira, com o sexy sem ser vulgar, em revelações de estrelas como Adriane Galisteu, uma mulher independente, que soube surfar na onda de namoradinha de Senna, nesses relacionamentos tão públicos e expostos, na exposição natural do casal heterossexual, quando ela personifica o Yin dele e ele personifica o Yang dela, como cumprimentar o um casal hétero na Rua – cumprimentando um deles somente, o casal já está devidamente cumprimentado, como na gueixa japonesa, doce e simpática, ao lado do marido sério e sisudo, antipático. A moça é jovem, de beleza natural, longe de ser uma siliconada de seios antinaturais, numa beleza natural, como Deus a concebeu, nos versos da canção: “Maria Morena você se pintou! Maria, você já é bonita com o que Deus lhe deu!”, como um certo senhor tolhendo a própria esposa ao esta maquiar a filha deles de doze anos de idade, com ele esbravejando: “Por que uma menina de doze anos de idade tem que estar maquiada e de salto alto?”, no modo como as crianças crescem rápido, pois, quando nos damos conta, somos pais de adolescentes, “aborrecentes”, com filhos nos achando velhos, apesar de não sermos tão velhos assim. Aqui remete à gíria misógina “racha”, que serve para designar meninas e mulheres femininas, em menção ao aspecto de “rachadura” da genitália feminina, com uma infinidade de gírias que nomeiam tal genitália feminina, como “xana”, “xota” e “boceta”, com o perdão dos termos chulos, remetendo a uma cantada agressiva que um menino aplicou a uma amiga minha, chamando-a de “bocetuda” – são um horror essas cantadas agressivas, desrespeitando a mulher, remetendo a uma famosa sociopata, cujo nome não mencionarei, tal meu desprezo, uma sociopata que disse que as mulheres têm que aturar e aguentar tais cantadas agressivas e misóginas, na covardia que é bater em alguém mais fraco do que nós: Deus abençoe o cavalheirismo! Os seios são macios e liquidiscentes, na magia das fêmeas mamíferas amamentando, numa dedicação de mãe, como uma cachorrinha que tive, a qual começou a ficar desnutrida ao dar de mamar às próprias crias, como em tempos de Escravatura, quando amas de leite negras amamentavam as crianças ricas brancas. A moça é formosa, com sua cintura fina, na ditadura dos espartilhos, oprimindo a mulher com tiranos padrões de beleza, em mulheres sofrendo ao quererem ser magérrimas, como uma adolescente que conheci, a qual teve que baixar em um hospital porque simplesmente não estava mais comendo – sequer um grão de ervilha! Aqui remete a uma senhora que conheço, a qual teve que passar por uma mastectomia, ou seja, perdeu a constituição natural dos seios, tendo que adquirir próteses, e isso, é claro, desafia a autoestima da mulher, na máxima popular: O que Deus fez, o Homem não faz igual! Aqui é um quadro bem natural, e alguns fios de cabelo caem sobre um dos ombros, no conceito taoista dos caminhos naturais da Vida, como um rio em seu curso natural, na inevitável chegada da maturidade e da sabedoria, numa pessoa que, ao levar “surras” da Vida, mantém-se humilde, não deixando que o sucesso suba à cabeça, nas sábias palavras humildes de um grande ator: “Não pode faltar trabalho!”, pois uma pessoa rica e improdutiva é infeliz, não vivendo no Mundo real. A moça aqui dorme à vontade frente ao artista, numa tarde preguiçosa em um sedutor cômodo na penumbra.

 


Acima, Paul Guillaume. O quadro é sombrio, como nas negras profundidades do Barroco, no jogo de sedução entre claro e escuro, na forças das vogues, das ondas que varrem percepções, como na bela transgressão do Modernismo Brasileiro, em pontos de renovação em que a Arte Acadêmica ficou para trás, se comparada a algo mais novo, como na revolucionária chegada do Som ao Cinema, transformando este em Arte, e não mais em pura distração mundana, até chegar ao ponto da Nouvelle Vague, trazendo ao Cinema o senso crítico e a intelectualidade, em comoções como A Lista de Schindler, com toda uma face crítica, buscando expor ao máximo possível a crueldade do Ser Humano, no modo como nunca me canso de dizer que nada mais humano do que ser desumano, com em insanos como Putin, condenado por toda a Comunidade Internacional, na sedução do Anel do Poder, no qual só há destruição, fome e morte. O senhor aqui fuma calmamente, como se tivesse toda a paciência para posar para Amedeo, talvez em se tratando de dois amigos, num grau de confiança e intimidade, no grau de intimidade no qual é possível que, à frente de tal pessoa, possamos conversar por telepatia, sem proferir uma só palavra, como no menininho de O Iluminado, numa grande sensibilidade psíquica, sabendo que tal situação de clausura resultaria em surto psicótico e assassinato. O homem aqui tem um ar desafiador, quase debochado, na dádiva que é o senso de humor, como num da Vinci bem humorado, que se manteve jovial e brincalhão até o resto da vida, fazendo do senso de humor algo tão humano, como no instigante filme Dogma, no qual Deus é tido como alguém solitário, mas extremamente brincalhão, em vastos exemplos de ironia, como na lógica matemática: Por toda a Eternidade haverá números primos, não importando quanto tempo passe! Então, é o inestimável presente da Vida Eterna, em ícones como Santo Agostinho, fazendo parte da concepção espírita, na noção de que somos feitos de carne finita e de alma infinita, no modo como estamos na Terra apenas de passagem, esperando por nós, lá em cima, uma dimensão onde estamos cercados somente de amigos, sem um único pinguinho de criminalidade, no caminho do apuro moral, a razão de qualquer encarnação, no modo como o sociopata perde tempo, dedicando sua própria encarnação com mentiras e desvirtudes, perdendo tempo, num espírito que MUITO tem a evoluir e tornar-se um espírito de luz – um anjo –, pois ninguém está no Umbral para sempre, ainda bem! O rosto do homem é jovem e atlético, no termo em Inglês handsome, ou seja, muito bonitão, arrancando suspiros das mocinhas, remetendo a um senhor que conheci, um rapaz muito bonito na época do Colégio, tornando-se um homem muito bonito após, mas um homem que acabou se suicidando, sem ter estrutura psíquica para aguentar o peso da Vida – é uma lástima, num desperdício que é uma vida jogada fora, equivalente ao jogarmos fora uma joia inestimável, por assim metaforizar. O homem aqui é garboso, e seu bigode está cuidadosamente delineado, num homem que passou um certo tempo frente a um espelho, remetendo a um senhor que conheci, um homem ALTAMENTE vaidoso, beirando o narcisismo, hipnotizado por si mesmo num espelho, crendo que tal beleza dar-lhe-ia o Mundo, algo que acabou não se concretizando, na máxima popular: “Beleza não põe à mesa”, havendo em um Brad Pitt algo mais do que beleza, no mistério do que é o estrelato. Aqui é este estilo transgressor de Amedeo, abandonando por completo os ranços acadêmicos, no valor social da transgressão, causando a evolução de um determinado corpo social, numa pessoa que se revela um pioneiro, como numa escandalosa Monroe, seduzindo o Mundo com sua roupagem de loira burra, num talento que faz com que, até hoje, as pessoas acreditem que ela era de fato tal loira burra, no modo como o gênio faz parecer com que as coisas sejam fáceis, como em gols de Pelé.

 

Referências bibliográficas:

 

Amedeo Modigliani Disponível em: <www.pt.wikipedia.org>. Acesso em: 28 fev. 2024.